Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017

Chaves, cidade, concelho e região - Uma foto por dia

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Uma brincadeira de outono com fotos de telemóvel.

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:41
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Flavienses por outras terras

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Sofia Trino

 

Nesta crónica do espaço “Flavienses por outras terras” vamos até à Suíça, mais concretamente até ao Cantão de Turgóvia, onde a língua oficial é o Alemão. Na capital deste cantão – Frauenfeld – vamos encontrar a Sofia Trino.

 

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Onde nasceu, concretamente?

Nasci em Chaves, na Rua dos Passadouros, no Bairro de Santa Cruz.

 

Nos tempos de estudante, em Chaves, que escolas frequentou?

Frequentei a Escola Primária de Santa Cruz, a Escola Nadir Afonso, a Escola Técnica e a Escola Secundária Fernão de Magalhães.

 

Em que ano e por que motivo saiu de Chaves?

Saí em 1994, à procura de novas oportunidades e visto que os meus pais nessa altura já se encontravam a viver no estrangeiro.

 

Em que locais já viveu ou trabalhou?

Vivi sempre em Chaves, mais propriamente em Santa Cruz, até à minha partida para a Suíça.

 

Diga-nos duas recordações dos tempos passados em Chaves:

Os melhores anos passados foram na minha idade escolar e ainda hoje mantenho amigos desse tempo, amizades que ficaram para uma vida. Recordo as idas às Caldas de Chaves, a Feira dos Santos, da qual ainda hoje sinto saudades visto que me é impossível nessa data ter férias para ir a Chaves.

 

Proponha duas sugestões para um turista de visita a Chaves:

Visitar as Termas de Chaves, as paisagens lindas das nossas terras transmontanas, a zona histórica de Chaves, Vidago, e claro, apreciar a boa comida transmontana.

 

Estando longe de Chaves, do que é que sente mais saudades?

Sinto saudades de alguns amigos e familiares que foram partindo, das conversas que se tinham no antigo Jardim das Freiras, que infelizmente já não existe… eram momentos bem passados com as colegas de escola…

 

Com que frequência regressa a Chaves?

Sempre que posso, mas pelo menos uma vez no ano.

 

O que gostaria de encontrar de diferente na cidade?

De diferente nada, mas que mantivessem os belos jardins que nós tínhamos, como o Jardim das Freiras.

 

Gostaria de voltar para Chaves para viver?

Neste momento, não. Sinto-me feliz no meu país de acolhimento, pois aqui formei a minha família e me tornei na pessoa que hoje sou. Embora goste muito da cidade que me viu nascer, como eu costumo dizer não troco a minha Suíça pelo meu Portugal, isso sem sombra de dúvidas….

 

 

O espaço “Flavienses por outras terras” é feito por todos aqueles que um dia deixaram a sua cidade para prosseguir vida noutras terras, mas que não esqueceram as suas raízes.

 

Se está interessado em apresentar o seu testemunho ou contar a sua história envie um e-mail para flavienses@outlook.pt e será contactado.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:00
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Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017

Chaves, cidade, concelho e região - Uma foto por dia

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:15
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Nós, os homens

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IX

 

E a história é, mais ou menos, esta; embora a história não seja, realmente, esta! Isto para dizer que deliciosamente me enganei e que afinal as coisas, estatisticamente com probabilidade reduzida de acontecerem, acontecem. Isto das ciências exactas sempre fez para mim todo o sentido. Embora sempre tivesse vivido rodeado de pessoas de letras que afirmavam convictas que a matemática que aprendemos na escola não servia para nada, eu sempre achei que ela era o princípio de tudo e questionava-me, nos dias de chuva, como é que havia cursos superiores e se tiravam inclusivamente licenciaturas sem que a disciplina básica e fundamental constasse dos respectivos currículos académicos! Mas nessa altura eu já tinha percebido que o mundo não era perfeito e que se Deus tinha feito as coisas à sua imagem e semelhança, o exemplo escolhido não tinha sido dos melhores, o que só reforçava, mais uma vez, a minha ideia de que nada era perfeito. A não ser ela! Pois está visto que quando se ama, as coisas são perfeitas e a prova disto era, inexoravelmente, a matemática. Pois não é evidente, os números pares, divisíveis com resto zero, o mínimo múltiplo comum, a prova dos nove, o simples menos por menos dá mais! Até a linguagem que eu usava a tinha ido beber não à disciplina de Língua Portuguesa, mas à da ciência exacta, pois que utilizava com um sabor peculiar palavras como: integral, exponencial, radical, infinito, equacionar, solução, resultado, eixo de simetria, conjunto, incógnita, potência, e não me chocaria mesmo nada se alguém me descrevesse a paixão entre duas pessoas como correspondência biunívoca!

 

Surpresa das surpresas! Então não é que ela gostava mesmo de mim! Vi-o finalmente escrito nos seus olhos, quando me olhou em silêncio e me percorreu o corpo com a ponta dos dedos e se ria como uma criança com cócegas, só porque eu lhe tocava de leve, como o vento sopra nas manhãs de primavera e foi então que eu me senti, não ridículo, mas parvo por não ter percebido aquilo desde o inicio! Enquanto eu debitava parágrafos inteiros, ladainhas a dar com um pau, contava a história dos reis e das rainhas, enumerava os sinónimos todos do dicionário, acrescentava letras a palavras e palavras a frases, resumia o último livro de prosa que tinha lido, lhe declamava de cor os poemas de amor que tinha memorizado sem querer, absorto pelo sentido das palavras, lhe descrevia ao pormenor o filme que tinha visto na véspera e a peça de teatro que tinha escrito para ela, ela sorria para mim e dava-me um beijo! E eu feito palhaço ainda perguntava estás-te a rir de mim? e ela continuava a sorrir e dizia estou-me a rir para ti!

 

E foi só depois de algum tempo que eu comecei a perceber que embora eu tivesse sido feito à imagem e semelhança de Deus, com todos os defeitos que Ele tinha, no caso dela o modelo em que Ele se tinha inspirado era outro, ou então aquilo tinha-lhe saído completamente ao lado ou, na melhor das hipóteses, ela era filha do padeiro, do vizinho ou do carteiro!

 

E foi bonito, no dia em que ela me lançou como um projéctil para fora do sistema solar e eu percebi que a trajectória da Terra era a mais patética de todas as dos planetas que viajavam em satelitismo solar. E foi no momento em que perdi a consciência, ao atravessar a atmosfera e me senti quase um lunático e posso dizer por hipérbole matemática e não como recurso expressivo de português que os dois hemisférios do meu cérebro colidiram ou mudaram definitivamente de posição, como imagem num espelho plano, ou a similitude dos gémeos mais que a semelhança que só a mãe distingue, também eu sabia que depois daquele reboliço dentro do meu crânio provocado pela diferença da pressão atmosférica e da outra, as coisas nunca mais regressariam ao lugar onde antes tinham estado! E era como se os meus neurónios, ou o que restava deles, estivessem em maresia e eu queria manter aquele estado de coisas por teimosia, tentando evitar a agonia que o meu corpo em desequilíbrio sentia. Nessa altura o eixo de simetria também já se tinha dobrado, todo eu era um acrobata, um contorcionista. Os 206 ossos continuavam lá dentro, mas já não formavam aquilo a que se chama esqueleto!

E eu completamente à toa, não sabia se queria ficar ou partir, fugir ou esconder-me, desaparecer ou definitivamente ser! Fosse como fosse, no mesmo instante, as palavras tinham deixado de me fazer sentido, não me diziam nada, não me levavam a parte alguma e eu queria ir a algum lado, eu tinha uma necessidade premente de ir a qualquer lado e não era nem com palavras, nem por elas, nem para elas, nem através delas.

Foi nesse sublime momento que a olhei da forma mais profunda que me lembro de alguma vez a ter olhado, fixamente, olhos nos olhos e definitivamente lhe perguntei:

- 2+2?

E ela disse:

- 4!

E foi aqui que o milagre se repetiu, mas ao contrário, o vinho transformou-se em água. Pura, transparente, cristalina! Percebi então que mais importante do que a língua que falamos é falarmos a mesma. E não interessa se dizemos muito ou pouco, basta dizermos o bastante, é suficiente. E também não faz sentido andar a medir sentimentos que sentimos com escalas e unidades diferentes, comparando coisas incomparáveis porque é tanto o erro de comparação como o de medição.

A única coisa que faz sentido é ser, querer, estar, fazer, sentir, ver, amar, sorrir e outros verbos que naturalmente nos correm nas veias sem pensar muito.

 

Aprendi com ela que tudo é muito mais simples do que parece, que tudo parece muito mais irreal do que é e que tudo é antes de ser, porque antes de se ter consciência, as coisas já existem sem nós sabermos e é uma delícia depois abrir os braços para as receber, as acarinhar, as afagar e, finalmente, as partilhar.

Bem-haja.

 

 Cristina Pizarro

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:16
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Terça-feira, 21 de Novembro de 2017

Chaves, cidade, concelho e região - Uma foto por dia

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:45
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Chaves D'Aurora

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  1. PRETENSÃO.

 

Sobre os tratos e contratos entre homens e mulheres, era bem diverso o pensar de Aldenora. A terceira dos filhos de Flor e João Reis tinha cabelos castanhos, sedosos, coxas e pernas bem torneadas e seu rosto, tal como o de Aurora, também lembrava as melhores expressões pictóricas da Virgem. Era não só muito formosa, quanto a mais inteligente das irmãs. Em contraste, era possuidora de um temperamento difícil no trato com as criadas e com os mais, inclusive os próprios familiares. Suas rusgas só não eram mais frequentes com os outros, porque ela mesma procurava controlar-se, graças às boas maneiras que havia adquirido e à sólida educação que os pais lhe proveram.

 

Tais predicados, igualmente, Aurora e os irmãos também já o tinham, desde a infância. Uma postura de nobreza e refinamento que, no exagerado dito popular, costumava dizer-se – São coisas que vêm do berço – assim, as meninas de Reis eram dignas de elogios pelas matronas de fina classe, as que integravam a restrita sociedade local, ainda que os Bernardes pouco a frequentassem.

 

O caráter forte, por vezes autoritário de Nonô (sua alcunha de infância), contradizia, no entanto, com outro aspeto de sua personalidade. Era romântica. Talvez isso adviesse de ter lido muitos folhetins, publicados em magazines que a Mamã mandava buscar ao Porto, da mesma forma que as coleções de contos e novelas direcionadas a raparigas de boa família.

 

 Também contribuíam para tal romantismo as obras de alguns autores, portugueses ou não, mas de melhor qualidade literária. Eram livros retirados com ardileza da biblioteca de Papá e lidos às esconsas. Depois Nonô os repassava para Aurita, ensejando a que esta desfrutasse, igualmente, da boa leitura de excelentes textos que se fizeram proibir pelos curas e, consequentemente, pelos pais de família. Dessas obras proscritas, as que mais interessavam às raparigas eram as que falavam de amores complicados, como “Ana Karennina”, de Tolstoi ou a “Madame Bovary”, de Flaubert.

 

 

 

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Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017

De regresso à cidade

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:32
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Quem conta um ponto...

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368 - Pérolas e diamantes: 1917 – Revolução ou Contrarrevolução?

 

A revolução russa continua a significar o derrube de um regime decadente, obscurantista e retrógrado, caraterizado essencialmente pela servidão abjeta do mundo rural e também pela exploração das classes trabalhadoras urbanas. Materializou as esperanças dos deserdados da terra e transmitiu ânimo a todos aqueles que pelo mundo fora ansiavam e lutavam pela transformação social apregoada pelos filósofos e pelos revolucionários socialistas e anarquistas, desde a denominada Primavera dos Povos e a publicação do Manifesto Comunista, em 1848, a que se seguiu a Comuna de Paris, em 1871.

 

Mas foi a própria realidade que começou por contrariar as teses de Karl Marx sobre a putativa revolução, pois não ocorreu nos países mais avançados, como o Reino Unido, a França ou a Alemanha, mas num país atrasado, quer do ponto de vista social ou  industrial: o Império Russo.

 

Marx afirmou que “as revoluções são as locomotivas da História”, coisa em que acreditei na minha juventude, mas atualmente inclino-me mais para a tese de Alexandre Chubine (professor de História e investigador do Instituto de História Universal e da Academia de Ciências da Rússia) e que é uma analogia interessante, de que “as revoluções são arietes da História”, pois “a revolução não funciona como uma locomotiva mas antes como um martelo-pilão que derruba os obstáculos que impedem o seu avanço”.

 

Segundo Chubine, Lenine, apercebendo-se da crescente crise económica e social que alastrava na Rússia, defendeu de imediato, não reformas, mas uma transformação radical. Para o professor de História russo, a razão do aparecimento de Lenine deveu-se ao facto de todos os outros lhe terem cedido o lugar, porque estavam à espera da assembleia constituinte.

 

Assim, a conclusão a tirar é a de que uma vez iniciada, não se deve tentar travar uma revolução. Os bolcheviques, no final, com o apoio das fações mais desesperadas, mais dinâmicas e mais militarizadas, “tomaram o poder e fizeram sozinhos as reformas radicais. Contra todos os outros…”

 

Os círculos do poder russo não souberam reagir a tempo à gravidade da situação. A sua educação e a sua formação impediu-os de perceberem a realidade onde estavam inseridos. E isso foi-lhes fatal.

 

Máximo Gorki, em momento de honestidade intelectual, que depois abandonou para servir o déspota Estaline, escreveu: “Desconfio especialmente de um russo quando o poder lhe chega às mãos. O mesmo que era escravo, torna-se o déspota mais tremendo, mal tenha hipótese de se tornar no amo do seu vizinho”.

 

O regime que resultou da revolução comunista, sobretudo a partir de Estaline, afirmando-se baseado nas assembleias de trabalhadores e soldados, era essencialmente uma ditadura sanguinária que dizimou toda a vanguarda revolucionária de 1917. Disseminou a fome pelos campos e eliminou toda e qualquer semente de dissidência, enviando milhões de pessoas para a morte nos gulags. Instalou uma ditadura de medo e denúncia que eliminou oficialmente qualquer tipo de discurso de oposição.

 

Os marinheiros de Kronstadt, em 1921, aperceberam-se já tarde do logro em que tinham caído: “Ao levar a cabo a Revolução de Outubro, a classe operária esperava alcançar a sua emancipação. Mas o resultado foi uma escravidão ainda maior. O poder da monarquia, com a sua polícia e a sua guarda, passou para as mãos dos usurpadores comunistas, que não deram ao povo liberdade mas sim o medo permanente da tortura da Cheka, cujos horrores ultrapassaram de longe o domínio da guarda nos tempos do czarismo.”

 

Manuel S. Fonseca, no seu livro Revolução de Outubro – Cronologia, Utopia e Crime, apresenta uma tese interessante: “Talvez a revolução tenha sido, afinal, uma contrarrevolução, com tudo o que as contrarrevoluções trazem: ditadura, prisão, tortura, fome e morte.”

 

O então jovem aprendiz de torcionário, e mais tarde um dos mais sanguinários ditadores políticos de que há memória (Koba, o Terrível, vulgarmente conhecido como Estaline), tinha já escrito no Pravda em 1912: “A plena identidade de interesses só pode existir no cemitério.”

 

O que sucedeu a seguir já estava escrito nas estrelas. A Revolução de Outubro abriu o maior açougue humano de que há memória e o comunismo inaugurou, no início do século XX, a maior carnificina humana de sempre. Bem maior do que a nazi. Conviver com a realidade dos factos, por vezes, é a maior das torturas.

 

Martin Amis tem uma curiosa explicação para o sucedido. Na sua opinião, o comunismo não foi uma boa ideia que se transformou em má ou se desviou do seu delirante caminho. “Não. Foi uma má ideia desde o início. Carregada de certezas, de pedantismo, de energia e horror.” O escritor inglês considera que o principal adversário do ideário e da praxis marxista-leninista foi a própria natureza humana. “Os líderes bolcheviques compreenderam de forma sublime essa limitação – imediatamente. A sua resposta foi deixar o programa intacto e mudar a natureza humana.”

João Madureira

 

 

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Domingo, 19 de Novembro de 2017

Pedra de Toque

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O meu céu…

 

                        O meu céu está cinzento.

                        A lua escondeu-se.

                        As estrelas não cintilam.

 

                        Mas a paz desceu

                        E trouxe a serenidade,

                        Que por momentos é minha.

 

                        O bulício lá fora, passa-me ao lado.

                        Comigo está o perfume da cidade,

                        que não ateia o desejo.

 

                        Vou procurando o sonho no teu olhar quente.

                        Nos meus dedos, quero a água fresca das levadas.

 

                        Aconchega-me, ao teu ventre inquieto,

                        Para sentir seu pulsar, enquanto soa

                        A rapsódia húngara de Franz Lizt.

 

                        Depois, suspira por mim!...

 

António Roque

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Sábado, 18 de Novembro de 2017

Faiões - Chaves - Portugal

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E porque é sábado, vamos até Faiões e embora o momento aqui no blog seja dedicado à aldeia, hoje quero fazer uma dedicatória especial aos rapazes e meninas de Faiões num regresso às minhas memórias do bairro onde nasci – a Casa Azul.

 

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Uma dedicatória em palavras, pois as imagens são para todo o pessoal de Faiões e também para quem gosta de apreciar as nossas aldeias, esta, a funcionar quase como mais um bairro da cidade. Mas as palavras vão mesmo para aquela rapaziada que aos bandos, descia de bicicleta a reta de Faiões e passava na curva da Casa Azul todas as manhãs na hora de ir para as aulas, sempre barulhentos, resultado das conversas entre eles e da troca dos tocares de campainhas entre elas, as bicicletas. Para mim, ainda puto, era um encanto vê-los passar, mas também um aviso de que estava atrasado para o meu percurso a pé, primeiro até à escola Primária do Caneiro, depois para o ciclo da Escola Industrial e Comercial e finalmente para o Liceu, já quando as bicicletas aguardavam pelo regresso dos donos, quer encostadas ao lado do Antunes ou do Rui, ambos das bicicletas.

 

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Rapaziada, alguma,  com a qual momentos mais tarde e durante alguns anos fui tendo como colegas na sala de aulas ou na nossa escola, principalmente mais tarde no Liceu, ou mais tarde ainda como colegas de trabalho. Boa rapaziada, por sinal, com os quais ainda partilho, às vezes, momentos e estórias passadas naquelas bandas com gente que conhecemos daquele tempo, embora Faiões já ficasse fora do meu território que tinha limites no Lameirão, mas com passagem dos de Faiões  pela Casa Azul, o que fazia deles também pessoal da nossa rapaziada, com um obrigado especial por me permitirem, assim, regressar também às minhas origens.

 

 

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Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017

O Factor Humano

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Egoísmos e altruísmos , uma reflexão pessoal.

 

De uma forma simplificada podemos ver as pessoas egoístas como aquelas que apenas vêem o interesse delas próprias .Por oposição as pessoas altruístas centram-se no interesse dos outros A realidade é bem mais complexa, não é a preto e branco, tem matizes, mas esta simplificação ajuda a entender o texto que se segue.

 

Se há características de personalidade, pessoas altruístas ou pessoas egoístas, isto não implica sempre, comportamentos ou atitudes de acordo com essas características.

 

 Não cabe aqui a análise de componentes individuais de auto-estima ou de desvios patológicos de relação com o outro.

 

Às vezes os altruístas também têm atitudes ou comportamentos egoístas. No entanto para tal há um esforço e uma consciência que deixam um forte sentimento de culpa .Desta forma não desfrutam, na maioria das situações , das vantagens eventualmente adquiridas pelos referidos comportamentos egoístas.

 

Pelo contrário as pessoas egoístas actuam como tal com toda a naturalidade. Ou seja têm as atitudes ou comportamentos egoístas ,sem qualquer esforço ou sofrimento , não ficam com qualquer sentimento de culpa , o que lhes permite desfrutar em pleno , as vantagens que esses comportamentos lhes trazem.

 

Os egoístas ficam é surpreendidos , escandalizados e com forte sentimento de injustiça, quando alguém tem um comportamento egoísta para com eles. Pior ainda se estavam habituados a que esse alguém tivesse em geral comportamentos altruístas para com eles, dado que eles entendem esses comportamentos como devidos e naturais .Chegam a verbalizar que aqueles que habitualmente têm comportamentos altruístas se obrigam a mantê-los sempre.

 

Por outro lado quando um egoísta tem um comportamento altruísta, tende a ligar os holofotes e chamar à atenção para que todos o saibam.

 

Numa relação entre duas pessoas opostas nestas características , tende a criar-se  um desequilíbrio em que o egoísta  se comporta cada vez mais como tal , empurrando o altruísta a acentuar também os seus comportamentos . Em geral isso leva a uma ruptura.

 

Em termos de modelo de sociedade ,parece ser nítido que um equilíbrio competitivo entre egoístas , é o núcleo essencial que funciona como motor do desenvolvimento no capitalismo. Muitas dificuldades têm aqueles em que predominam as características altruístas que lhes bloqueiam frequentemente o caminho para o sucesso.

 

Por outro lado deveria ser um equilíbrio e uma sinergia entre os altruístas o núcleo essencial do motor de desenvolvimento nas sociedades socialistas. Mas são conhecidas as dificuldades concretas nesta área.

 

Não surpreende que na guerra ,ou na prisão, o egoísmo seja um mecanismo mais eficaz de sobrevivência , mas  que os verdadeiros heróis, os que ficam para a história , são aqueles que, apesar de tudo , conseguem ter um comportamento altruísta.

Manuel Cunha (Pité)

 

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Quinta-feira, 16 de Novembro de 2017

Fugas

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Uma visita ao “Pulo do Lobo”

 

Final de julho de 2015. Estamos de regresso de uns dias de descanso no Algarve e vamos subir no mapa pelo interior, com Espanha bem por perto. Passamos junto a Vila Real de Santo António e vemos à nossa direita, a apenas alguns quilómetros, a Ponte Internacional sobre o Rio Guadiana. Após uma hora de viagem chegamos a Mértola, uma vila circundada por uma velha muralha e marcada por uma forte herança cultural de vários povos que por ali passaram.

 

Saímos em direção a Beja e encontramos à direita a indicação “Pulo do Lobo”. Já a tínhamos visto uma semana antes, na viagem de ida, mas a proximidade da hora do almoço adiou a visita. Desta vez resolvemos fazer um desvio para conhecer o local. Deixamos a estrada nacional e andamos uns bons 20 quilómetros por uma estrada estreita que nos vai levando pela típica paisagem alentejana – planícies ondulantes, tons dourados, sobreiros, azinheiras… e muito silêncio – e, quando já nos parece que estamos perdidos, a estrada acaba no portão de uma propriedade privada. “Herdade do Pulo do Lobo” pode ler-se numa placa. Por momentos, ficamos um pouco confusos, mas no outro pilar do portão, escrito em português e também em estrangeiro, lemos: “Acesso ao Pulo do Lobo permitido. Após entrar e sair por favor feche o portão”. Entramos e a partir daí espera-nos cerca de um quilómetro e meio de caminho de terra batida, sempre a descer. A meio do percurso decidimos deixar o carro e seguimos a pé. Continuamos a descer e, após alguns minutos, chegamos ao Pulo do Lobo, a maior queda de água a sul de Portugal, onde as águas do Guadiana se precipitam de uma altura superior a 20 metros por uma garganta rochosa até um enorme lago na parte inferior. Depois, o rio segue o seu curso por um sulco escavado na rocha ao longo de milhares de anos. A paisagem é impressionante e merece uns minutos de contemplação e umas quantas fotografias.

 

É quase meio-dia e o sol aquece. Quando chegamos novamente ao carro estamos cansados, com a roupa completamente colada ao corpo, sujos com o pó do caminho… mas o esforço valeu a pena!

 

 Luís dos Anjos

 

 

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Quarta-feira, 15 de Novembro de 2017

Chaves, cidade, concelho e região - Uma foto por dia

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Uma imagem de arquivo que por aqui deixei há anos atrás, de quando este espaço em primeiro plano ainda tinha uma agradável relva e uma escultura de um artista português da qual por sinal, pessoalmente, até achava bem interessante. A relva foi-se a escultura também. Ainda hoje estou para saber: - porquê!?

 

Há que ter, agora, esperança, com bom senso, para que este troço seja de novo dignificado, ainda para mais quando está mesmo ao lado de um importante monumento nacional que merce todo o nosso respeito, nem que fosse e só pelos seus dois mil anos de idade – a Ponte Romana.

 

 

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Nós, os homens

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VIII

 

E foi mais ou menos isto o que se passou.

Ela era muito nova para perceber que embora o mundo não acabasse amanhã, como se fartou de me dizer, podia perfeitamente acabar amanhã, porque isso era sempre uma coisa que não sabíamos no dia de hoje e enquanto eu sabia isso, ela não. Por isso, para ela, coisas tão importantes como o amor, os beijos, as festas e a paixão, podiam esperar e para mim não.

 

Também as palavras não ditas podiam ficar por dizer, embora fossem sentidas e eu, com aquela panca da escrita e dos livros, dependia delas como droga, não vivia sem elas e entrava com frequência em síndroma de abstinência só porque a menina nunca me tinha dito a palavrinha mágica que tem um hífen entre o o e o t. E tinha depois reacções completamente atípicas, aberrantes e idiossincráticas que ainda por cima tinha que lhe explicar depois, porque a estas sim, a menina reagia e não gostava e achava-se no direito de conhecer a causa, a razão, a origem e um dicionário de sinónimos que se eu não me safasse racional e logicamente daquilo -que a menina era dotada de inteligência que bastasse, ou não fosse assim e eu nunca me tinha interessado por ela, embora também fosse bonitinha que bastasse, estes pormenores dão sempre jeito e confessá-los só nos fica bem- nem sequer havia dia seguinte, independentemente de o mundo acabar ou não, é que nem sequer saíamos dali.

 

E foi mais ou menos isto o que se passou.

Eu fazia-lhe as vontadinhas todas. Estava disponível quando a menina queria, para o que ela queria e onde ela queria e não me sentia nada mal por isso, exactamente ao contrário, sentia-me completamente feliz, pois se o que eu queria era estar com ela sempre, queria lá saber do quando, do para e do onde!

E sentia-me bem nessa entrega e também sentia que ela se entregava nessas alturas, só que depois de se entregar a mim ela regressava a si e era aí que nos separávamos, porque eu entregava-me a ela e não voltava para mim!

 

E foi mais ou menos isto o que se passou, embora na realidade eu saiba que nunca vou saber exactamente o que se passou, porque se formos conscientes, temos lucidez bastante para assumidamente saber que as coisas podem ter parecido assim e terem sido completamente diferentes, porque esta coisa da prespectiva de cada um e do ângulo de visão vencem sempre qualquer lógica que parece haver.

Uma vez até lhe cheguei a dizer isto, na esperança de que aquela cabecinha se abrisse e despertasse para aquilo que eu achava que era o essencial, mas ela olhou para mim de forma inconsequente e riu-se perdidamente, como se o que eu tivesse acabado de dizer fosse o maior disparate do mundo! Não era, havia um pior, mas eu nunca lho disse. Achei que ela não merecia!

 Cristina Pizarro

 

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Terça-feira, 14 de Novembro de 2017

O Barroso aqui tão perto - Covelães

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Ontem ao fim da noite deixei aqui no blog uma imagem da nossa aldeia de hoje, dizia eu que tinha tudo pronto para mais um post sobre o Barroso, mas faltavam-me as palavras, e era verdade, pois abordarmos uma aldeia barrosã só com imagens, estaríamos a atraiçoá-la, e o contrário também é verdade, pois só com palavras, poderíamos deixar aqui a alma do seu ser, mas por muito bonitas e descritivas que as palavras fossem, a essa alma, continuaria a faltar um corpo para habitar.

 

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Pois aqui ficam algumas palavras e algumas imagens para vos dar a conhecer ou reviver, conforme os casos, a nossa aldeia de hoje – Covelães, que a bem dizer (e isto sou eu que o digo) deveria ser Covelães do Rio, e assim já ficaríamos com a tarefa da sua localização simplificada, por exemplo poderíamos dizer que Covelães, fica entre Travassos do Rio e Paredes do Rio, como vai acontecendo um pouco ao longo da proximidade do Rio Cávado.

 

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Iniciemos então pela localização e como chegar até Covelães. Como sempre o nosso ponto de partida é na cidade de Chaves. Então para Covelães aconselho o itinerário mais curto, com apenas 54 quilómetros, via EM507, ou seja a estrada do S.Caetano/Soutelinho da Raia, como passagem por Vilar de Perdizes, Montalegre e depois a M308 que se vai desenvolvendo quase sempre a par do Rio Cávado, primeiro pela sua margem esquerda e depois pela direita. Em termos de tempo, poderemos dizer que Covelães fica a uma hora e pico de distância, podendo o pico ser mais comprido ou curto dependendo das paragens que fizermos pelo caminho, pois afinal de contas vamos em passeio.

 

1600-covelaes (83)

 

Para sermos mais precisos, deixamos de seguida o nosso habitual mapa e as coordenadas da aldeia, que tal como já dissemos fica próxima do Rio Cávado, na sua margem esquerda, a apenas 150 m deste (na distância mais próxima), mas com uma passagem muito discreta ao lado da aldeia, aliás para quem não souber, nem dá pela sua conta. Quanto à altitude, a aldeia implanta-se entre os 925 e os 1000 metros de altitude. Ficam então as coordenadas e o mapa:

 

 41º 48’ 08.78” N  e  7º 53’ 54.58” O

 

mapa-covelaes.jpg

 

Já sabemos onde fica Covelães, aliás para nós é uma velha conhecida, nem que fosse apenas de passagem, pois a aldeia fica num dos pontos obrigatórios de passagem para ir até duas aldeias famosas do Barroso, mais propriamente Pitões das Júnias e Tourém. Assim para quem já foi a estas aldeias, teve de passar obrigatoriamente por Covelães, isto se a abordagem a elas for feita a partir de Portugal, pois há quem as aborde a partir da Galiza.

 

1600-covelaes (57)

 

Embora também de passagem, Covelães pode ser ponto de paragem sem propriamente abordarmos a aldeia. Acontece que junto à estrada existe um bar/restaurante onde um café sabe sempre bem, uma cervejinha em dia quente cai ainda melhor e o comer também agrada e conforta barriguinhas vazias, também já por lá parámos para as três coisas.

 

1600-covelaes (95)

 

E com tanta passagem e há tanto tempo que andamos a passar por esta aldeia, e eu que me lembro já o faço há pelo menos desde 40 anos, dirão que desta aldeia não faltarão fotografias, quer antigas, quer atuais. Pois não, nem por isso, pois como é uma aldeia de passagem frequente, a recolha de fotografias foi ficando sempre para trás, além de ter sido mesmo sempre aldeia de passagem, em que para lá vai-se com pressa de chegar ao destino e para cá, já se vem tarde e mal. O Barroso é assim, o tempo nunca sobra.

 

1600-covelaes (79)

 

Pois fotografias só da era digital. Penso que em tempos, ainda no tempo da analógica ainda fiz algumas, mas se existem, não sei onde param. Da era digital, sim, mas mesmo assim a recolha foi complicada. Costuma-se dizer que à terceira é de vez. Acontece que com Covelães teve de ser à quarta vez. Segundo os meus registos de arquivo tenho uma breve recolha em agosto e outra em setembro de 2013. Coisa pouca para um post, pois ambas foram tomadas em vinda de Pitões e Tourem, já pelo anoitecer e cansadinhos.

 

1600-covelaes (98)

 

A terceira abordagem foi em maio deste ano, num dia que já tive oportunidade de contar passagens neste blog, naquele dia em que depois de passarmos Montalegre o nevoeiro/chuva resolveu cair a terra. Fotos possíveis, só mesmo desde dentro do carro, pois nem sequer prevenidos estávamos para um dia de chuva. Mesmo assim ainda deu para umas tantinhas delas.

 

1600-covelaes (112)

 

À quarta vez sim, bom tempo, até em demasia, pelo menos para a fotografia, sobretudo em certas direções de contraluz, mas sem queixas, pois nesse dia todas as fotografias eram possíveis, decorria então o início do dia de 14 de junho deste ano.

 

1600-covelaes-panor

 

Quanto à aldeia já sabíamos que nos ia agradar. Ao longe, embora agradável de ver, engana. Aliás ao longe todas enganam, mas felizmente a intimidade desta aldeia é bem mais interessante do que aquilo que aparente parece ser ao longe ou a certa distância.

 

1600-covelaes (137)

 

Geralmente abordamos a intimidade das aldeias sem saber o que nos espera. Gostamos mais de fazer a abordagem assim, em verdadeira descoberta com a inocência de uns olhos virgens. Gostamos mais assim do que ser conduzidos por outras descobertas. É certo que por causa desta nossa atitude, às vezes, perdemos alguns motivos de interesse, mas ganhamos outros e depois, para aquilo que nos escapa, uma nova visita é sempre possível.

 

1600-covelaes (90)

 

Pois de interesse, além de alguns motivos que já fomos deixando para trás em imagem e palavras, temos a envolvência da aldeia, por um lado, e o conjunto do seu casario com um aglomerado bem definido e à margem das duas principais vias que a servem.

 

1600-covelaes (138)

 

Pormenores, muitos. Canastros há alguns, maioritariamente os de estrutura em madeira que infelizmente não lhes dá tanta resistência como os que têm estrutura em granito, mas que lhe dá formas interessantes, principalmente com o vergar do tempo. Casario tradicional rural mais antigo também não falta e algum com maior nobreza também há.

 

1600-covelaes (89)

 

Depois o habitual e tipicamente transmontano e barrosão como tanques, fontes, alminhas, cruzes, etc., típico e também traços da nossa cultura. Deixei propositadamente para o fim a Igreja digna de realce pela sua beleza, com torre sineira frontal separada da igreja, mas unida por um alpendre, como muitas com cemitério em anexo, depois do abandono dos cemitérios/campas dentro da própria igreja ou adro.

 

1600-covelaes (73)

 

Quanto à igreja só temos mesmo um lamento – não haver ângulo possível para captar uma imagem com toda a sua beleza e grandeza. Conseguimos uma, com todos os defeitos de uma montagem (embora automática-photomerge) feita a partir de 5 fotos, foi o possível, mas dá para ficar com uma pequena ideia do seu conjunto. Mas há sempre motivos para pormenores.

 

1600-covelaes (47)

 

Passemos ao que dizem os livros e outros documentos, com início na “Toponímia de Barroso” onde consta:

 

COVELÃES

Desde 2013 – União de freguesias de Sezelhe e Covelães.

 

É um topónimo de significação orográfica: Vem por covelas e não de covas, que, nesse caso, daria Covões. De covella, pelo plural covellaes (ais), aes – ães, após a nasalação que é muito comum. A forma mais antiga que se conhece aparece três vezes.

 

1600-covelaes (68)

 

E continua a “Toponímia de Barroso”:

- 1258 “Covelaes” INQ 1512, 1513 e 1519, por sinal ao lado de Feaes (Fiães do Rio, que sofre fenómeno fonológico semelhante) sem que nem um nen outro topónimo, como se prova, se tenha alatinado em anes – seguindo assim a regra geral que o Povo rejeita.

 

O “Arquivo Histórico Português , sob título Povoação de Trás-os-Montes no XVI século, cadastro feito em 1530, que a A. Braancamp Freire publicou em 1909, vol. 7, p. 271 e seg. refere Covelas, por Covelães e atribui-lhe 23 moradores” fogos.

 

1600-covelaes (54)

 

Como sempre e ainda na “Toponímia de Barroso” há a toponímia alegre, onde consta:

 

Pelo rio Mau acima

Quarenta ferreiros vão:

Cada um leva forquilha

Para matar uma rão

 

Boticário de Paredes,

Diga-me se sabe e pode:

Duma pontinha dum corno

Pode sair um charope?

 

O padre de Covelães

Fazia muitas misturas

Molhava o pão em azeite

Deixava o Cristo às escuras.

 

1600-covelaes (60)

 

Do livro Montalegre:

Serve-lhe parcialmente de fronteira o rio Cávado que recebe águas de vários ribeiros do Parque e fazem, em cada recanto, a sedução dos visitantes: o Rio Mau que une as freguesias de Seselhe e Covelães;

 

1600-covelaes (51)

 

É a primeira das freguesias que circuitam a serra da Mourela. Esta serra, verdadeiro planalto de altitude média a caminho dos 1100 metros, é e foi, desde os tempos megalíticos, um local muito apto para a transumância ascendente. Com efeito, as povoações próximas aí conduzem numerosas vezeiras de gado que por lá demoram todo o verão. Tal costume há-de ter origem nos ancestrais pré - históricos que encheram aquele espaço de mamoas, sinal de que aí viveram e morreram. O que também já morreu ou quase (nos dias que correm!) foi a raríssima perdiz cinzenta, também conhecida por charrela! Devíamos envergonharmo-nos de tal notícia! A actual freguesia compõe-se de dois lugares: Covelães e Paredes do Rio. Ambos foram sede de freguesia, aquele sob o orago de Santa Maria e este de Santo António. Nesta localidade existe um pisão, com outras curiosidades dignas de visita, entre as quais uma sala que servirá de polo na rede informática do Ecomuseu.

 

1600-covelaes (53)

 

E penso que vai sendo tudo, pelo menos por hoje, pois como em todas as aldeias, fica sempre em aberto uma nova passagem por esta aldeia onde pela certa continuaremos a passar com alguma frequência e a parar para fazer uns registos, um cafezinho, uma mini ou satisfazer a barriguinha.

 

1600-covelaes (11)

 

E por fim as habituais referências às nossas consultas e links para anteriores abordagens ao Barroso:

 

Bibliografia

 

BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

 

Links para anteriores abordagens ao Barroso:

 

A

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Algures no Barroso: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1533459

Amial - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ameal-1484516

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Antigo de Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-antigo-de-1581701

Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-arcos-1543113

 

B

Bagulhão - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bagulhao-1469670

Beçós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-becos-1574048

Bustelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bustelo-1505379

 

C

Cambezes do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cambezes-do-1547875

Caniçó - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-canico-1586496

Carvalhais - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-carvalhais-1550943

Castanheira da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-castanheira-1526991

Cela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cela-1602755

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Cerdeira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cerdeira-1576573

Cervos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cervos-1473196

Contim - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-contim-1546192

Cortiço - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1490249

Corva - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-corva-1499531

 

D

Donões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-donoes-1446125

 

F

Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619

Fírvidas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-firvidas-1466833

Frades do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-frades-do-1440288

Friães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-friaes-1594850

 

G

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Gralhós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhos-1531210

 

L

Ladrugães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ladrugaes-1520004

Lapela   - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209

Larouco - Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

 

M

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

Meixide - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixide-1496229

Mourilhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-mourilhe-1589137

 

N

Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-negroes-1511302

Nogeiró - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-nogueiro-1562925

 

O

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886

Ormeche - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ormeche-1540443

 

P

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Paio Afonso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paio-afonso-1451464

Parafita: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-parafita-1443308

Pardieieros - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pardieiros-1556192

Paredes de Salto - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-1448799

Paredes do Rio -   http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-do-1583901

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Peneda de Cima, do Meio e de Baixo, as Três Penedas: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-as-tres-1591657

Penedones -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-penedones-1571130

Pereira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pereira-1579473

Pomar da Rainha - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pomar-da-1415405

Ponteira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ponteira-1481696

 

R

Reboreda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-reboreda-1566026

Roteiro para um dia de visita – 1ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104214

Roteiro para um dia de visita – 2ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104590

Roteiro para um dia de visita – 3ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105061

Roteiro para um dia de visita – 4ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105355

Roteiro para um dia de visita – 5ª paragem, ou não! - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105510

 

S

São Ane - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-ane-1461677

São Pedro - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-pedro-1411974

Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sarraquinhos-1560167

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Senhora de Vila Abril - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-senhora-de-1553325

Sezelhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sezelhe-1514548

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

 

T

Tabuadela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-tabuadela-1424376

Telhado - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-telhado-1403979

Travassos da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-travassos-1418417

 

V

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1508489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

Vilaça - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilaca-1493232

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

 

X

Xertelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-xertelo-1458784

 

Z

Zebral - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-zebral-1503453

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