Sexta-feira, 28 de Novembro de 2014

Um discurso com a última de outono em Chaves

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Fica a última do outono em Chaves, deste ano, mesmo porque os dias agora já são mais de inverno e o arvoredo começa a ficar completamente despido para a longa noite. No entanto, amanhã ainda teremos mais outono, mas porque é sábado, subiremos de novo as montanhas e, embora o colorido seja o mesmo, o brilho nas montanhas é sempre diferente. Até amanhã, pois hoje o discurso fica-se com o outono a envolver aquilo que vamos tendo de melhor, a nossa velha top model com o casario a si adossado.

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 02:34
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Quinta-feira, 27 de Novembro de 2014

Chaves - Mais uma de outono, jardim sem público e coretos sem músicos

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publicado por Fer.Ribeiro às 13:00
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Vivências - Regresso ao passado

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Regresso ao passado

 

Em vez de lhe dar como destino o contentor da reciclagem, um colega de trabalho resolveu deixar na sala de funcionários umas quantas revistas já lidas. Para ocupar o pouco tempo que ainda tenho da hora de almoço pego numa delas e vou virando as páginas, lendo os títulos e, ocasionalmente, um ou outro parágrafo. A páginas tantas reparo num artigo que descreve como uma família do Canadá resolveu viver durante um ano tal como se vivia nos anos 80, ou seja, sem recurso à tecnologia dos nossos dias. E tudo começou porque, num belo dia, o pai daquela família não gostou que o seu filho preferisse continuar a brincar com o iPad, em vez de ir brincar lá para fora para o jardim. E assim iniciaram um autêntico regresso ao passado, sem telemóveis, iPad, Internet, Facebook ou TV cabo, mas com cassetes VHS, videojogos, brinquedos em plástico e em madeira, e até roupas da época. Também as relações com o exterior mudaram drasticamente, passando os contactos com os familiares e amigos a fazer-se novamente por carta para, por exemplo, enviar fotografias das férias ou do aniversário dos filhos… Não posso deixar de considerar a iniciativa original, mas simultaneamente excêntrica e, quiçá até, eventualmente traumática se não for levada a cabo com muita ponderação e bom senso.

 

Sem defender, obviamente, um regresso civilizacional à década de 80, não deixo, no entanto, de pensar em tudo o que havia de bom naquela época e na forma como conseguíamos ser felizes com muito menos… Hoje, os nossos adolescentes e jovens (a maioria deles) têm tudo o que querem, o que precisam e o que não precisam… Têm nas mãos ferramentas de comunicação, entretenimento e acesso ao conhecimento com as quais nós nem sonhávamos… mas a verdade é que nem por isso são mais felizes, melhores alunos na escola ou têm mais amigos… Alguns deles vivem até permanentemente insatisfeitos por não terem o último modelo de telemóvel ou a aplicação xpto no seu smartphone. A esses adolescentes e jovens estou certo que lhes faria bem um regresso ao passado para verem como era a vida no tempo dos seus pais e avós e, assim, aprenderem a valorizar o que hoje têm…

Luís dos Anjos

 

publicado por Fer.Ribeiro às 00:08
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Quarta-feira, 26 de Novembro de 2014

Chaves - continuando no outono...

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Como esta é a semana que o blog dedica ao outono, o deste ano mais amarelado que avermelhado, hoje em vez de um olhar ficam quatro. Amanhã há mais.

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:09
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Terça-feira, 25 de Novembro de 2014

Intermitências

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Último Post

 

"Caríssimo,

 

Desde que foste embora que ouço a 'nossa' música. Há quem diga que as músicas de antes versavam sobre as profundezas humanas, e que as de hoje reflectem mais o medo da emoção. Medo de dar-se, entregar-se, ficar a mercê da mudança e do eférmero, medo de não controlar-se a si próprio e aos sentimentos, e sobretudo de sofrer.

 

Quisemos fechar-nos dentro de nós próprios, dentro das nossas expectativas e ilusões. Quisemos continuar a procurar. Porque a felicidade não pode estar tão próxima. Não, a felicidade está certamente noutro lugar, não à mão de semear, é demasiado fácil para a complexa mente humana. Quisemos continuar a procurar. Temos agora demasiado por onde escolher.

Ultimo_Post.jpgSaint-Raphaël, França, Agosto 2014 - Fotografia de Sandra Pereira

 Não te vou maçar mais com as minhas histórias, supostamente originais, supostamente singulares, já te inventei muitas para que nunca me fosses embora. Mesmo assim preferiste partir em busca do frio lá fora com medo de queimar-te junto à nossa lareira.

 

Talvez voltes um dia. Porque o tempo apaga muita coisa, mas não apaga as marcas do coração. Talvez seja melhor, talvez seja a única forma de dar sentido à vida nestes tempos que correm. Para que se recuperem valores que já cremos perdidos para todo o sempre no 'antigamente'.

 

Quero ficar bem. Também quero continuar a procurar. Temos agora demasiado por onde escolher.

 

Vai dando notícias. Se puderes, se quiseres.

 

Um beijo"

 

Sandra Pereira

 

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A magia do outono em Chaves

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:45
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Segunda-feira, 24 de Novembro de 2014

Quem conta um ponto...

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216 - Pérolas e diamantes: da necessidade de uma terceira força e de transparência

 

Já pressentindo a hora da despedida, o executivo de Passos Coelho, também conhecido como o Pedro dos Impostos, ou o Xerife de Nottingham, e do senhor Portas, já apelidado do mister dos submarinos, resolveu à última da hora, pela voz da fortuita Maria Luís Albuquerque, vir agitar o papão de um 2º resgate.

 

Zangado com as sondagens, o líder do PSD, conhecido como o Xerife de Nottingham, ou o Pedro dos Impostos, resolveu vir a público dizer que, sendo assim, já não repõe a totalidade dos salários na função pública, como tinha prometido logo após a decisão do TC.

 

Logo a seguir resolveu brandir o fantasma, ao que tudo indica, ainda vivo, mas detido por suspeitas de corrupção, do ex-primeiro-ministro Sócrates. E nisso teve a ajuda prestimosa do líder da bancada do PS no parlamento, Ferro Rodrigues, que, embandeirado em arco pelas sondagens, resolveu assumir a reabilitação do famigerado José, com toda a pertinência que se lhe reconhece.

 

Portas, com a habilidade discursiva que todos lhe atribuímos, lembrou, e bem, que o PS deixou um país à beira da falência e que “o passado do PS continuará a ser o problema do futuro do PS”.

 

De facto, tudo indica que sim, pois as caras que acompanham António Costa são as do velho PS, as conhecidas, e reconhecidas pelos portugueses, como a “tralha” socialista.

 

Todos os sinais indicam que, apesar da liderança do PS ter mudado, a sua política continua a mesma. É impossível fazer uma política nova, com o velho PS.

 

Pedro dos Impostos, ou o Xerife de Nottingham, metido dentro do seu labirinto, como o general do romance de Gabriel García Márquez, afirmou “que se orgulha muito do que foi feito e que não vai facilitar”. É caso para dizer que bem pode limpar as mãos à parede.

 

Mas também ninguém poderá estranhar. De facto, o líder do PSD ascendeu ao poder através de uma colossal mentira, tendo sido levado ao colo pela comunicação social, que na altura batia em Sócrates como em centeio verde. Pelos vistos, o homem andava apenas a fazer pela vidinha, como a sua detenção confirma.

 

Mas como os ventos mudaram, Passos Coelho começou a acusar os meios de comunicação social da sua má imagem.

 

O PM já deixou de governar. Limita-se a gerir a mentira da sua boa governação.

 

António Costa, por seu lado, posto perante o flagelo das cheias na cidade que governa, disse que para elas não existe solução.

 

O pior vai ser quando se sentar na cadeira do poder e anunciar aos portugueses a mesma conclusão. Se calhar o PS não tem mesmo resposta para os problemas do país. Ainda não ouvimos o seu chefe explicar as soluções concretas que defende para os problemas que persistem. O seu sorriso é doce, a sua voz é calma e o seu tom é moderado e generalista. Mas só isso não chega. E o Sócrates foi parar atrás das grades.

 

A solução tem de vir de fora. De fora do sistema político tradicional. De uma terceira força constituída por pessoas que não estejam dependentes dos mafiosos interesses dos aparelhos partidários. Que não estejam enfeudadas nem ao PS nem ao PSD, o famigerado BCI (Bloco Central dos Interesses).

 

Ou vem daí, ou não teremos solução duradoura e credível. Será mais do mesmo. É necessário e urgente sairmos deste jogo viciado efetuado entre os dois partidos do sistema.

 João Madureira

 

PS – A “Transparência e Integridade, Associação Cívica” (TIAC) tomou a iniciativa de avaliar o volume e o tipo de informação disponibilizada aos munícipes, e à opinião pública em geral, que apelidou de classificação do “Índice de Transparência Municipal” (ITM).

 

O ITM afere o grau de transparência de cada município, medido através de uma análise da respetiva página na internet.

 

A TIAC avalia o volume e o tipo de informação disponibilizados aos munícipes (e à opinião pública, de uma forma geral) sobre a estrutura da autarquia, o seu funcionamento e atos de gestão, entre outros tópicos.

 

Áreas de elevado risco de corrupção, como a contratação pública e o urbanismo, suscitam uma particular atenção dos autores do ITM.

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
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De regresso à cidade e à magia do outono

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Como sempre, segunda-feira regressamos à cidade, desta vez com a magia do outono, magia que vai estar por aqui toda esta semana com uma foto, além do habitual post. Até à próxima.

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 01:45
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Domingo, 23 de Novembro de 2014

Pecados e picardias

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Descia só

pelos atalhos do passado

Ao rebusco, do pó, das perdas e do lado oculto

vestia de branco, num corpo magro

ensombrado num vulto

 

Havia silvas,

sem amoras, e passadiços

sem asfalto, escorriam águas paradas nas bermas

pés doridos, chinelos apertados

pisam lama desolados

 

escurecia,

na indiferença das paixões

nasciam hortências à revelia do outono

dormiam relâmpagos com faíscas

prontos para tempestades

 

apagou o lume,

encheu a botija, já não havia luar…

 

Isabel Seixas in Espólio

publicado por Fer.Ribeiro às 23:50
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O outono em Agrações

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 Ontem andámos por Vidago e tal como disse, ainda sobrou tempo para outras realidades, as das aldeias de montanha, do mais alto das montanhas. Agrações é uma delas, onde gosto de ir de vez em quando por várias razões, e ontem, havia mais uma razão, pois como no vale da Ribeira de Oura a chuva se misturava com nevoeiro, era quase garantido que mais lá no alto poderíamos espraiar sobre o nevoeiro o olhar para o horizonte mais distante que ao anoitecer, proporciona sempre vistas a não perder, mas primeiro era preciso subir a bom subir até Agrações.

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Pelo caminho, uma linha de água que descia apressadamente a montanha chamou a nossa atenção e, como é uma daquelas imagens que não se podem perder, parámos por uns instantes. Nós parámos, a linha de água não. Essa continuou com toda a sua bravura e pressa de engrossar a Ribeira de Oura, para mais tarde engrossar o Rio Tâmega que por sua vez irá engrandecer o Rio Douro para mais tarde se perder no mar. Pois é, o mar também tem um bocadinho do cheiro das nossas montanhas.

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Mais à frente, já à entrada da aldeia, uma paragem sempre obrigatória, pois chegamos ao “souto dos burros” que vêm sempre ter connosco como que para saber ao que vamos. São mansinhos e gostam dumas carícias, além disso, são sempre bons modelos para uns cliques que sempre gastamos com eles.

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E finalmente a aldeia, que embora com pouca gente, que os dedos das mãos chegam para contar, temos sempre alguém para dois dedos de conversa e companhia, com quem também aprendemos sempre alguma coisa para além da realidade do viver lá no alto da montanha, a realidade que dói na ausência dos filhos que emigraram e nunca mais voltaram para viver na aldeia, ou do frio que vai amentar quando o nevoeiro resolver subir a encosta e se misturar com o que desce. Já de noite, lançámos em tom de desafio um: – “vamos embora senão ainda temos de ficar para jantar” . E a resposta do bom povo transmontano foi pronta – “ e se tiverem que ficar há sempre mais um lugar à mesa” . Agradecemos e partimos de regresso ao nevoeiro da cidade.

 

publicado por Fer.Ribeiro às 04:27
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Sábado, 22 de Novembro de 2014

O outono em Vidago

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Pelo menos uma vez por ano lá vamos nós até à joia da coroa que é, como quem diz, Vidago, ou, sejamos mais precisos, até ao Hotel Palace e o seu parque, ainda há pouco considerado o melhor hotel do mundo para casar e, não ofenderei ninguém se disser que tem o melhor parque do mundo para desfrutar e passear, o melhor campo de golf do mundo para mandar umas tacadas e o melhor outono do mundo para fotografar.

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Mas temos de ser realistas e ainda bem que o hotel Palace e o seu parque tem vedação para, assim, evitar que as maleitas do exterior contaminem a beleza que encerram, pois transpondo o seu portão de saída, a realidade é outra, à merce da coisa pública que em vez de pública, de todos nós, só serve para servir os devaneios (e peço desculpas pela suavidade do termo) de alguns, os mesmos de sempre.

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Antiga estação da CP, hoje (2014)

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Antiga estação da CP, em 2013

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Em cima a Av. Conde Caria em 2013, em baixo, a mesma avenida hoje (2014)

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As imagens falam por si, tirem as vossas conclusões e depois, se calha, até é o meu olhar, talvez distorcido, que vê as coisas como elas não são. Assim, ficamos por aqui e vamos ao que interessa – o outono no parque do Hotel Palace.

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Outono que este ano com as chuvas ou os meus afazeres que me fazem andar por outras andanças, quase me ia passando ao lado, em termos de imagem, claro, e da sua magia das cores, penso mesmo que este fim de semana vai ser o último deste ano em que o outono permitirá que as folhas fiquem nas árvores.

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Mas mesmo com chuva, às vezes misturada com nevoeiro, lá fomos à caça de imagens e não eramos os únicos, não só à caça de imagens pois outros, muitos por sinal, andava à caça de buracos no meio do relvado. Quanto à chuva, lá ia caindo, mas poucos se importavam com isso.

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Valeu por um dia bem passado no meio da magia do colorido de outono, ainda com algum tempo para ir por outras paragens que embora não muito longe são uma outra realidade, onde em vez de se viver entre os greens e o glamour de um hotel se sobrevive à passagem dos dias, mas essa realidade, fica para amanhã, onde o outono também acontece.

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 Até mais logo!

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 23:59
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Fugas

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Olhos de Água e Castelo de Almourol

 

Decisão rápida. Passeio meio improvisado. Saímos já a meio da manhã e tomamos a auto-estrada até Torres Novas. Após uma breve volta pela cidade procuramos informações sobre a forma de chegar aos Olhos de Água ou Nascente do Alviela. Afinal, vamos na direcção errada. Temos de voltar para trás e seguir em direcção a Alcanena e depois Santarém. Finalmente, encontramos setas com o destino pretendido e meia hora depois já estamos a estacionar no parque. Damos um pequeno passeio pelas redondezas e apreciamos a força do rio Alviela. Aqui perto são feitas as captações de água que ajudam a abastecer a cidade de Lisboa, a muitos quilómetros de distância. Almoçamos no parque de merendas e seguimos para outra paragem. Após alguns quilómetros (poucos) na A23 entramos numa estrada de mau piso que nos vai levando na direcção do rio. Finalmente, vemo-lo ao longe, elevando-se sobre uma pequena ilha escarpada no meio do rio Tejo. Com quase mil anos de história o Castelo de Almourol é um dos monumentos militares medievais mais emblemáticos e cenográficos da época da Reconquista. Para o visitar temos de ir de barco. Enquanto esperamos pela nossa vez a nossa filha entretém-se a atirar migalhas aos patos que se passeiam tranquilamente pela margem do rio. Durante a pequena viagem à volta da ilha aproveito para tirar várias fotografias. Do alto do castelo, bem no meio do Tejo, contemplamos a paisagem que se estende à nossa volta. Terminada a visita é hora do regresso a casa. Não temos GPS. À moda antiga, consultamos o mapa e decidimos voltar por outro caminho.

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 Fotografia de Luís dos Anjos

Luís dos Anjos

 

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 03:21
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Sexta-feira, 21 de Novembro de 2014

Discursos sobre a cidade - Por António de Souza e Silva

SOUZA

 

HOMENAGEM AOS NOSSOS VIRIATOS CENTENÁRIOS

 

Quando nos debruçamos um pouco, e refletimos, sobre a Grande Guerra - o acontecimento mais marcante à entrada do século XX - vemo-la como um enorme terramoto, que abalou e transfigurou, de uma forma profunda e determinante, a Europa, continente dominante e hegemónico em todos os setores da atividade humana - social, cultural, científico, técnico, económico e financeiro.

Era uma Europa aristocrática, arrogante, imperialista, ciosa do seu poder, orgulhosa do Progresso, que julgava sempre incessante e ilimitado, e que dominaria tudo quanto à face da terra existisse.

À superfície, na placidez desse mundo, fervilhava uma sociedade que, cuidando de viver no melhor dos mundos, gozava a «sua» Belle Époque.

Tudo isto simplesmente se passava à superfície.

As principais «placas» em que aquele mundo assentava (império inglês, alemão, francês, austro húngaro e russo e o moribundo otomano) começavam a movimentar-se. E seus movimentos pressagiavam um «fin de siècle» em que tudo poderia deixar de ser como dantes.

A era da Razão e do Progresso, científico e tecnológico, sem limites, iria dar lugar à ubris, à loucura e catástrofe.

Bastava agora apenas um simples movimento em qualquer ponto mais sensível de uma das «placas» para tudo começar a desmoronar-se.

E, inopinadamente, num remansoso verão em que as classes possidentes e dirigentes vão de férias, a banhos, um outro banho, de sangue, começa a acontecer!

Sarajevo foi o epicentro desse enorme terramoto que, em longas e profundas ondas de choque, se alastrou por toda a Europa e pelas áreas desse mundo por ela dominado.

Uma Europa ébria, incontida, cega às consequências das sucessivas decisões que se iam tomando, lançando, em massa, toda uma geração de uma juventude promissora, na fornalha de aço que a metralha, que veio com o Progresso, gerou.

Era o princípio do fim de uma civilização a quem faltou o bom senso e a lucidez para pugnar pela construção de uma sociedade outra, numa convivência pacífica de povos.

Um pequeno país, «à beira mar plantado», nesse extremo ocidente da Europa, prenhe de orgulho da sua gesta histórica, de sulcador de mares, e que deu a conhecer novos mundo ao Mundo, dormia numa letargia de séculos, sonhando com um passado áureo, mas, inconsciente ou anestesiado, mergulhado no mais puro dos obscurantismos, vivendo de «esmolas» de outros impérios que prosperaram à sua sombra, porque, do seu, nenhuma riqueza consistente e duradoura tirara grande proveito e conseguira construir, a não ser o fausto, que classes ociosas amplamente desperdiçavam.

Cheio de grandezas passadas, mas carente de vontade, engenho e arte, firmeza e determinação para, arregaçando mangas, «botar novos barcos» ao mar, sulcando-o com novos navios em novas águas, ficou presa fácil das aves de rapina apostadas a nem lhe deixarem os brincos das orelhas ou as alianças dos dedos e, quiçá, sem o seu próprio e humilde casebre.

Uma geração nova, aguerrida, inconformada e radical, ao contrário das gerações anteriores que a precederam - tão brilhantes de pensamento, mas Vencidos da Vida, incapazes de dar corpo às suas generosas ideias - toma as rédeas do leme do barco e tenta levar por diante o sonho, tão acalentado, de um novo navegar, em ordem a uma nova «regeneração».

Mas - o tempo veio a prová-lo - ainda não estava suficientemente madura, preparada, para enfrentar os novos e grande embates que tinha pela frente.

Na construção desse novo remar, cada cabeça, sua sentença. Era a babilónia de ideias, programas, projetos e de personalidades que, à partida unida, cedo veio a provar que estava completamente dividida, sem um projeto matricial que os unisse, a não ser a sua radical oposição a tudo quanto cheirasse «ao do antigamente».

Perante a grandeza da missão a que se propuseram levar a cabo, foram incapazes de encontrar um mínimo traço de união. E, assim, ao primeiro obstáculo ou problema, a dissensão e a discórdia.

Embora determinados na construção de um novo porvir, esqueceram-se daqueles - e eram muitos - para quem esse porvir deveria ser dirigido. E, a um autoritarismo de duas cores e uma bandeira, outro surgiu, de duas cores diferentes, com outra bandeira também diferente. De matriz bem diferente, a I República, pese embora os seus profundos ideais generosos de mudança, na essência prática, pouco mudou. Foi o estertor final do liberalismo novecentista. No meio, um povo servo, analfabeto, à espera de condutores que o entendessem, escutassem e, com ele, com um novo processo, construir um «novo mundo», um novo porvir.

Infelizmente também o mundo que o rodeava, na aparência tão desejável de um bom viver, estava, nas suas profundas entranhas, com enormes contradições, conflitos e convulsões, em profunda mudança.

Poucos, fracos estrategas, e tão distantes do povo - pois só a «rua» não bastava! - facilmente se deixaram corromper por processos e métodos herdados dos tempo da outra «velha senhora».

E o povo novamente se sentiu servo - se é que algum dia o deixou de ser - e continuou presa fácil daqueles que, durante décadas ou séculos, o subjugou e dominou, com o beneplácito e a ajuda militante de uma «santa madre igreja» que todos os dias martelava que o paraíso não está aqui na terra, que este lugar era uma simples passagem.

Sem que os seus grandes protagonistas o desejassem, inconscientemente, levaram-nos para um mundo que não desejam viver, reproduzindo uma sociedade de «escuridão» e «servos» pelos quais tanto se havia lutado para a abandonar...

Aos problemas que internamente se viviam, as ondas de choque que o terramoto da Grande Guerra provocou veio ainda mais agravá-los. Mas, para alguns, aquela catástrofe que se estava desenrolando, alimentou a esperança de, na sua destruição, poder vir a transformar-se numa solução redentora.

Massas enormes de serranos, lãzudos, incitados para terem alma de novos Nun’Álvares, entraram naquela fornalha para defenderem as sobras, mal aproveitadas, daquilo que era nosso, de um império que outrora fora grande, gerado por um povo tão pequeno e uma terra tão estrita, que até parecia um milagre. Naquela altura, a alma era bem grande. Mas agora, não! E a nossa vizinha, e rival, agora sem o império das américas, espreitava pela oportunidade de ganhar o terreno perdido nos longínquos tempos da mourama.

Urgia, pois, entrar naquela fornalha de aço e, num esforço de sobrevivência (colonial, nacional, de defesa do berço pátrio e de reconquista de um lugar no concerto das nações) estar ao lado dos nossos, nem sempre impolutos, honestos e fiéis, aliados de sempre.

E quantas amarguras este esforço global e brutal nos trouxe! Por nossa culpa e por demasiada cobiça alheia.

Uma singela região e vila, encarnando nas suas gentes, e na sua guarnição militar, o espirito do dever, porque imbuída dos ideais dessa «nova era», desse novo sonho, que ajudou ativamente a criar, dando a machadada final naquele regime que não nos queriam deixar sonhar por um novo mundo, contribuiu com a sua quota-parte para a nossa sobrevivência como povo.

Gentes habituadas já à diáspora sabiam quanto de valor afetivo e simbólico tinham aquelas paragens africanas; paredes meias com um ávido estado vizinho - mas vivendo em boa paz e harmonia com as gentes, suas iguais, que apenas as separavam um traço legal de fronteira, partilhando a mesma terra e a mesma veiga fértil - não estavam, contudo, dispostas a «servir» outro amo senão aquele que, ao longo dos séculos, por sua livre vontade escolheram.

Por isso, quando lhes dizem da ameaça que sob o solo pátrio pendia, não hesitaram dar os seus filhos, os seus maridos, os seus noivos ou namorados aos diferentes campos de batalha onde Portugal - lhes diziam - se decidia.

Olhos rasos de lágrimas, corações partidos, e repletos já de saudades à partida, acompanharam os seus homens, que tanta falta faziam ao lavor da terra, até ao último adeus na parada da vila, na marcha pelas povoações por onde passavam, ou no arrancar dos comboios que, em 1915 e 1917, de Vidago, partiram para terras longínquas.

Saíram simples, analfabetos a maioria deles, rudes e humildes trabalhadores da terra e pastores dos montes, para serem transformados em bravos, heróis de uma guerra que não lhe conheciam o jeito, que nem em sonhos ou fantasia adivinhavam o seu poder destruidor.

Alguns por lá ficaram; outros vieram doentes; alguns estropiados; muitos conheceram o cativeiro e, os que vieram, vinham diferentes. Tinham uma história para contar e partilhar. Mas não com todos, pois não a compreenderiam. Apenas com seus camaradas-irmãos, que tiveram a mesma feliz sorte de sobreviver aquele inferno. Foram esses os seus confidentes privilegiados, com quem partilhavam aqueles dias de dor, sofrimento, horror e carnificina. Os familiares e amigos respeitaram o recato íntimo das suas memórias.

Sabemos que não foi uma história de glória e de conquista. Foi uma história triste, sofrida, muito sofrida e, sabe Deus com que mágoa, por tantos tão incompreendida e tão depressa esquecida.

Mas não é só de vitórias que se faz um povo. É também na suprema dor da derrota que mais nos sentimos próximos e irmanados. Porque o que conta é a luta por um ideal em que acreditamos. E a Vida dos nossos antigos combatentes de há cem anos foi dada por esse ideal e pelo dever de o cumprir. E é por ele, pelo Portugal que hoje somos, que a nossa História, e parcelas da mesma, deve ser relembrada. Para sabermos donde vimos e como aqui chegámos. História que, tal como a vida, tem tristezas e alegrias, dor e sofrimento, festa e dias de luto, comemorações, vitórias. E também derrotas.

As nossas lutas em África e na Europa, ao contrário do que muito dizem, não foi um segundo Alcácer-Quibir. Em Alcácer-Quibir perdemos um rei e a nossa independência. Nos tórridos areais e savanas africanas e na gélida planície da Flandres, perdemos parte da flor da nossa juventude, mas restou Portugal inteiro, incólume.

Aos bravos que há cem anos se bateram pelo Portugal que hoje somos devemo-nos curvar em respeito pelo seu sacrifício, conhecendo e respeitando a sua memória. E honraremos a sua memória, como cidadãos, lutando militantemente pela paz contra a guerra, e com o dever ingente de, cada vez, mais e melhor, pugnarmos por um Portugal mais moderno, desenvolvido, e mais justo para todos.

António de Souza e Silva

 

publicado por Fer.Ribeiro às 07:00
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Chaves - Uma Imagem de Outono

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:46
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Quinta-feira, 20 de Novembro de 2014

O Factor Humano

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Tenho resistido nestas primeiras crónicas em abordar as questões da saúde na nossa região.

 

Talvez porque hoje tenha havido uma reunião entre o Conselho de Administração (CA) do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto-Douro (CHTMAD) e os médicos do Hospital de Chaves, não resisto a expor aqui a minha opinião.

 

Esta reunião tem origem num documento discutido por um grupo de médicos de diferentes especialidades do nosso hospital de Chaves. Esse documento em cuja elaboração colaborei foi depois assinado por mais de 80% dos médicos do nosso hospital. Foi entregue ao Director Clínico ainda em Julho 2014. Nesse documento denunciava-se o esvaziamento funcional progressivo da Unidade Hospitalar. Eram os profissionais que aí trabalham a dizê-lo. A reafirmar que queriam projectos, que dinamizassem o hospital, serviço a serviço e como um todo. Profissionais que exigiam um futuro para o seu trabalho, sendo que a existência desse futuro é indispensável para o acesso a cuidados hospitalares de saúde para as populações do Alto Tâmega.

 

Só em Novembro 2014 o CA mostrou disponibilidade para ouvir os profissionais. É estranho. Mais estranho porque o que os médicos queriam dizer, já estava no documento. O que eles pretendiam era uma resposta às questões e preocupações plasmadas no texto. Quando muito esperavam que a direcção médica viesse aclarar o projecto para a Unidade Hospitalar de Chaves, como é que este projecto se enquadrava no projecto do CHTMAD e em cada serviço médico, como é que ele era concretizado.

 

Infelizmente as expectativas foram goradas.

 

A reunião não correu bem e saí dela mais pessimista do que quando entrei.

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 Não cabem aqui considerações técnicas sobre este tema. No entanto, não resisto a contar uma história que ilustra os tempos que atravessamos. Do que sei estruturas partidárias do PSD, locais e nacionais procuraram tirar um “coelho da cartola” para limpar a sua face perante as populações. E encontraram um coelho, que é a remodelação do Bloco Operatório. De cima para baixo, via Administração Regional de Saúde do Norte dizem que vai chegar 1 milhão de euros para essas obras. Esse milhão estaria fora do orçamento hospitalar de 2014. É estranho que em plena crise e depois de nos dizerem que se tinha andado a gastar dinheiro mal gasto (por vezes com razão), apareça agora este milhão, que falta para assegurar o adequado apetrechamento humano de todos os serviços, assegurar a formação profissional, mas também os reagentes de laboratório, os consumíveis, as limpezas…

 

Mais uma vez, o projecto não nasce da auscultação dos profissionais do hospital, mas de uma manobra, que não tem em conta o essencial, nomeadamente a gritante escassez de recursos humanos no Bloco Operatório, mesmo antes das famosas obras.

 

Como contributo deixo aqui o meu alerta de que se o governo, a ARS Norte e Administração do CHTMAD têm 1 milhão de euros para investir na Unidade Hospitalar de Chaves, revejam esse projecto e ouçam os profissionais de saúde e tomem outras decisões mais adequadas à realidade.

 

O problema principal da Unidade Hospitalar de Chaves, não passa pelas instalações, aliás uma parte das enfermarias de internamento está desactivada, as instalações fabulosas da medicina física estão claramente subaproveitadas por escassez de recursos humanos, não por falta de potenciais utentes.

 

O que eu já não compactuo é com o silêncio.

 

Que fique claro que não é esse o projecto que o Hospital de Chaves necessita. O que nós necessitamos é de uma aposta que responda às necessidades reais das populações, empobrecidas, envelhecidas, isoladas. Pensar que é na cirurgia minimamente invasiva de ambulatório que está a solução dos problemas actuais de saúde no Alto Tâmega, é mostrar que se confunde a necessidade de financiamento do hospital com as necessidades reais das populações.

Manuel Cunha (pité)

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 01:14
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