Quinta-feira, 21 de Agosto de 2014

Factor Humano, por Manuel Cunha (Pité)

 

Factor Humano

 

Este título roubado a um romance de Graham Greene define bem os princípios humanistas que me guiam na minha vida e que me atrevo a dizer, nos deviam guiar a todos.

 

Curiosamente é esta uma das obras de Graham Greene que eu não li, apesar do seu título fortemente atraente.

 

Talvez para nós, que vivemos no interior, esta importância do factor humano seja mais fácil de reconhecer e como tal de implementar na nossa actividade.

 

Infelizmente, nos últimos vinte ou trinta anos, temos vindo a afastar-nos uns dos outros. O egoísmo foi cavando trincheiras aonde nos fomos isolando, socorrendo nos sempre das mais modernas tecnologias. Assim, chegamos à actualidade e percebemos que talvez George Orwell quisesse reescrever o seu “triunfo dos porcos”, adaptado aos tempos actuais e, com o devido respeito, aos porcos actuais.

 

Agora, em Agosto 2014 chego até vocês com a promessa de uma regularidade mensal, curiosamente comparada ao período fértil feminino e que gostava que representasse uma fecunda experiência, para mim como aprendiz de escritor e para vocês, leitores tão diversos que não são passíveis de uma classificação qualitativa.

 

Acabou a pesca à truta e começou um longo período de jejum que só será saciado a 1 de Março de 2015.

 

Na nossa zona continuamos a desperdiçar o enorme potencial de riqueza dos nossos rios e ribeiros. Falta aos nossos autarcas profundidade para o perceber. Infelizmente, não é esta a única falha dos nossos autarcas ao longo das últimas dezenas de anos. Na realidade, eles têm-se esquecido, com demasiada frequência, do tal factor humano que devia ser a sua e a nossa estrela polar. Mas não uma orientação distante e fria, antes uma fonte de energia que nos guiasse e fosse, ao mesmo tempo, o nosso motor de desenvolvimento. Não podemos é medir esse desenvolvimento por aqueles índices múltiplos que os nossos governantes e os nossos financeiros nos trouxeram para o abismo actual.

 

Fica assim feita a apresentação primordial deste factor humano.

 

Vejamos se ao longo do tempo não perco a tal estrela do norte.

 

Manuel Cunha (Pité)

 

publicado por Fer.Ribeiro às 00:05
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Quarta-feira, 20 de Agosto de 2014

Uma nova crónica - O Factor Humano, de Manuel Cunha (Pité)

Vamos inaugurar de seguida mais uma crónica neste blog, intitulada “O Factor Humano”,  de autoria de Manuel Cunha (Pité). Terá a periocidade mensal, a acontecer na terceira quinta-feira de cada mês. Será mais um olhar sobre a nossa cidade e sobre a nossa região e, conhecendo-o, será um olhar um olhar preocupado connosco.

 

Da nossa parte ficamos gratos com mais um olhar de um flaviense sobre a cidade.

 

Mais daqui a um pouquinho entrará online a sua primeira crónica neste blog. Até lá!  

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 23:54
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Chá de Urze com Flores de Torga - 49

 

S.Martinho de Anta, 28 de Setembro de 1966

 

PANORAMA

 

Pátria vista da fraga onde nasci.

Que infinito silêncio circular!

De cada ponto cardeal assoma

A mesma expressão muda.

É de agora ou de sempre esta paisagem

Sem palavras,

Sem gritos,

Sem o eco sequer duma praga incontida?

Ah! Portugal calado!

Ah! Povo amordaçado

Por não sei que mordaça consentida!

 

Miguel Torga, in Diário X

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 02:52
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Terça-feira, 19 de Agosto de 2014

Intermitências

 

Selfie de Verão

 

Já nada tem o mesmo sabor. Já não sente o mesmo prazer de antes. Olhar perdido, amargo na boca.

O senhor do mar nota. O senhor do mar, que vive cada dia como só, pergunta-lhe o que tem, diz-lhe para não ficar triste, que o que importa só agora importa.

 

"Não é nada, senhor". Mostraram-lhe um mundo de pequeno, que simplesmente não é o de agora. Quem dava, recebia amor, e quem recebia, dava amor, parecia tudo muito simples. Olhar perdido, amargo na boca.

 

O senhor do mar não nota. O senhor do mar cá anda na sua "vida" e aceita-a assim, sem esperar mais nem menos. Chamou-lhe carpe diem ao seu barco.

 

Sant Pol de Mar, Catalunha, Espanha, Agosto 2014 - Fotografia de Sandra Pereira

 

"Não é nada, senhor". Já ninguém se lembra do sabor do prazer. Agora ele dura uma fracção de segundo, ninguém o nota. Olhar perdido, amargo na boca.

 

O senhor do mar nota. O senhor do mar é de ventos e marés, quer experimentar todas e esquece as que já passaram.

 

É assim que hoje saboreia o prazer sem culpa nem remorso, nem que agora seja o único e solitário figurante da fotografia de Verão.

 

Sandra Pereira

publicado por Fer.Ribeiro às 02:36
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Segunda-feira, 18 de Agosto de 2014

Quem conta um ponto...

 

 

Dois contos barrosões

 

1 - O boi da corte

 

 

Veem o Larouco lá em baixo? Era ali que eu gostava de viver, entre a relva fresca e verde, entre as nuvens, o ar puro e os animais selvagens. Tudo menos andar rodeado de seres humanos que apenas me utilizam para competir simbolicamente em nome do seu pretérito orgulho tribal. E eu não gosto mesmo nada de andar por aí às marradas aos outros bois como se eles fossem os meus inimigos. Inimigos são os homens que me fustigam o lombo com as varas quando vou para o campo de batalha, quando perco a luta ou mesmo quando a ganho. Tristes ou alegres, derrotados ou vitoriosos, dão-me sempre com os varapaus nos costados. E eu ali a aguentar o desaforo. Por vezes só me apetece lançar-me a eles às cornadas e projetá-los lá bem para longe. O que eu queria de verdade era andar por esses pastos fora em liberdade e não fazer o papel de boi da Corte, como antigamente os bobos eram obrigados a representar aos pés do seu rei. Antigamente éramos os bois do povo, agora somos os bois dos parvos ou de um patrão que nos utiliza como animais amestrados de circo. E lá se foi a simbologia totémica, a virilidade serrana, a força telúrica do seminal. O que mais desejo é ver-me livre destes patetas e ir correr à desfilada pôr esses campos fora à procura de uma vaca que me espere e deseje. Uma vaca redondinha, amável e prazenteira. O resto é-me indiferente. E por agora é tudo, porque já ali vem o meu tratador para me levar para o estábulo. E eu que enjoo quando ando na camioneta. Ó triste sina a minha!

 

 

2 - O solilóquio libidinoso sobre um boi de barroso de uma digressionista ocasional logo após uma chega

 

 

Vou filmar este bicho espantoso enclausurado dentro do contentor da camioneta. Depois da vitória, o encarceramento. Ó desconsolada ironia! Já filmei o animal a turrar com o seu competidor. Já o filmei a resfolegar. Até já o cinematografei a espumar de irritação. É um magnífico animal, sem dúvida. Uma autêntica força da natureza. Um cântico à virilidade. E que genitais, meu deus! Que genitais! Que quadris! Que força! Quando mostrar isto à Mimi de certeza que vai alterar-se copiosamente e sorrir. Ela adora animais potentes. Ela é doida por genitais. Tudo o que sugere virilidade a aproxima da parede. E ela adora ser encostada à parede. Ou estendida no chão. Ou assentada metodicamente numa mesa. Este toiro bravo faz-me evocar o Manuel. Era ele um autêntico beligerante. Era montês a esgrimir gládios. Era arrojado e destemido. Saracoteava com muito talento a silvestre agitação dos guerreiros. Agora vou confeccionar um grande plano do frontispício do viril bovino para cinematografar os seus olhos. Olhos serenos. Olhos diligentes. E que genitais, meu deus! Vou também filmar os chifres. Armadura alta. Arnês apontando o céu. E que genitais, meu deus! Também tem o dorso bem desenhado, pernas enérgicas e locomoção segura. E que genitais, meu deus! Que potência! São testículos telúricos. Uma ejaculação deste bichano deve ser como uma trovoada de Verão. Tem os músculos bem tonificados. E que genitais, meu deus! Nunca pensei que existisse realidade tão magnificente. A penetração dum bicho destes deve deixar a fêmea em estado de deslumbramento. Quando se desloca parece dócil. Mas quando investe contra o adversário até o piso tirita. Provoca cútis de galinha e tremores na espinha aos indivíduos alterosos. E que genitais, meu deus! Que genitais! Genitais destes são um excelso cântico à multiplicação indómita. E o Manelinho!? Bem, o Manelinho quando observar estas expressivas imagens vai dar saltinhos de contentamento. Vai emitir gritinhos de luxúria. Vai irradiar vagidos sincréticos e apologéticos. Mas que genitais, deus meu! Que opulência reprodutora! Que idiossincrasia indomável! Que estratégia construtiva! Que genialidade! Que genitais, meu deus! Que genes e tais! Bem alentados os genes. Bem ocorridos os garanhões informais. Bem-aventurados esses.

 

João Madureira

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
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Domingo, 17 de Agosto de 2014

Pecados e picardias

 

Da colina do silêncio onde mora a solidão,

escrevo palavras sem rumo,

da página do teu olhar,

vão com pressa sem demora verter

perdão nos teus lábios,

como bolinhas de fumo ,

do fogo de te beijar…

 

Escurece o tempo já noite,

Procuramos um lugar, antes que se apague a luz

Sem conseguirmos voltar,

E tu, deixas-te cair num cansaço

Sem pena ,

Sem dívidas, sem moral,

E as palavras sem rumo falam-se só pra falar…

 

Da colina do silêncio onde estamos a morar,

Há um livro, está em branco,

Não lhe escrevas,

Está em branco e assim deve ficar…

 

Da colina de silêncio de que é feito o teu olhar

Escrevo palavras sem rumo,

num livro que só em branco quer ficar…

 

Isabel Seixas in Espólio

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 23:50
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Sábado, 16 de Agosto de 2014

Eiras - Chaves - Portugal

 

Vamos lá até à nossa ruralidade, mesmo aqui ao lado, tanto que parte desta ruralidade ainda é veiga de Chaves para outra tanta de montanha e conforme para o lado em que estivermos virados, ora vemos a cidade de Chaves ora vemos montanha. Falo-vos das Eiras.

 

 

Eiras que ainda faziam parte do meu território e do meu imaginário de criança, principalmente de quando partia nas minhas grandes aventuras de descoberta a bicicletar  todos esses caminhos que me separavam da montanha.

 

 

 

Desde sempre recordo das Eiras a curiosa capela guardada numa quinta, hoje com outras funções, mas nem por isso deixa de ser interessante, pelo menos ao meu olhar. Mas ir por lá é mesmo regressar ao lugares do berço, ao caminhos ainda de terra batida que nos levam às aventuras do monte, ao verde dos campos e das hortas que ainda vão existindo, ao animais do trabalho doméstico.

 

 

Aqui ou ali,  objetos esquecidos que na infância eram tão comuns, antes da era do plastificar tudo e que, alguns, apreciava o requinte e arte dos acabamentos, como o esmalte dos metais, das bacias, dos jarros, das canecas. Sobretudo as pinturas ganhavam um realce macio, frio mas macio, porque dava sempre vontade de deslizar ou acariciar com as mãos as pinturas, mas sobretudo era a curiosidade de querer saber como o esmalte era feito.

 

 

Mas para se descobrir e sentir as Eiras não basta passar pela sua rua  principal ou tomar as suas poucas derivações. Há que entrar na sua alma, isto é, nas suas quintas e quintais, na montanha, naquilo que não está ao alcance de quem simplesmente passa. Só entrando na sua alma é que conseguimos descobrir os seus tesouros, por muito esquecidos ou até perdidos que estejam, eles continuam lá, alguns de pura arte como as figuras e frescos da tal capela abandonada, mas que um dia, talvez ainda possam voltar a ter a dignidade que merecem.

 

 

O caso desta capela, embora privada, merecia ser do interesse público, da freguesia, do concelho. Todos ficariam a ganhar com a sua recuperação.

 

 

E pouco mais há a dizer, pois uma coisa são palavras, outra são imagens e outra é a realidade de se viverem os locais no próprio local, pois por muito certeiras que as palavras sejam, por muito que as imagens mostrem, continuam a faltar os cheiros e fragâncias, os sons, as brisas a bater nas faces.

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 23:25
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Sexta-feira, 15 de Agosto de 2014

O Barroso aqui tão perto… Roteiro para um dia de visita – 5ª paragem, ou não!

 

 

Vamos então à parte final do nosso passeio de um dia por Barroso.

 

Ontem tínhamos acabado de visitar a Ponte da Misarela e partíamos à procura do almoço, que pela certa terá de acontecer mais tarde que o habitual, pois adivinha-se as visitas à P. da Misarela são sempre mais demoradas do que aquilo que se prevê. Também o almoço convém ser degustado nas calmas, é o que se recomenda para quando a comida é boa e a bebida ajuda, e depois, no nosso roteiro só já temos mais duas visitas a duas aldeias vizinhas – Cela e Sirvozelo - ambas na margem direita do Cávado, a jusante da Barragem de Paradela do Rio, mas quase logo após o paredão da Barragem .

 

 

Também por aqui as aldeias já não são aquilo que eram e vão sofrendo dos mesmos males das restantes aldeias transmontanas. São aldeias despovoadas onde só os mais idosos, os resistentes se vão mantendo, ainda à espera dos seus no mês de agosto, mas que poisam por lá pouco tempo, pois também eles, emigrantes ou não, agora nas férias vão tendo interesses noutras paragens com mais comodidades, mais luzes, movimento e neons. Gostos! e gostos não se discutem.

 

 

Ambas as aldeias são pequenas, mas mantêm a sua essência de aldeia, com o casario tradicional sem grandes intervenções, nem modernices, o que lhes aumenta o interesse. Com sorte encontraremos um ou outro resistente para dois dedos de conversa, ou encontraremos um pequeno rebanho misto de cabras e ovelhas que sozinhas regressam a casa. Tudo por lá é singular. Os grandes rochedos, as latadas a cobrir as ruas e demais pormenores que devem ser saboreados lá, no seu ambiente.

 

 

Depois destas aldeias, o regresso. Já chega para um dia. Ainda pode fazer mais uma paragem em Montalegre para um copo de fim de tarde, mas isso é opção além de se correr o risco de o copo cair bem e acabar por ficar para jantar, o que não é mal nenhum, mas já é um extra ao nosso dia de passeio pelo Barroso de Montalegre, um dos muitos possíveis.

 

 

  

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 00:30
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Quinta-feira, 14 de Agosto de 2014

O Barroso aqui tão perto... Roteiro para um dia de visita - 4ª paragem

 

Ontem tínhamos ficado em Paradela do Rio, pois hoje vamos em direção à Ponte da Misarela, uma ponte que para além da sua beleza (ponte e envolvente) está fortemente ligada a tradições e lendas, mas antes, ainda temos uns quilómetros de estrada para percorrer e algumas breves paragens para fazer. A primeira, obrigatória, mesmo sem entrar dentro da aldeia, é em Ponteira. Aqui o penedio consegue misturar-se com a aldeia e em muitos casos, ser maior que as próprias casas, isto, se o penedo não fizer parte da própria casa. Mas isto contado é uma coisa e visto in loco é outra. Então há que lá ir para ver.

 

Também à Ponte da Misarela há que ir lá para a ver com a nossa maneira de ver. Digo isto porque é uma das pontes que fica no roteiro de qualquer fotógrafo que se preze e daí ser uma das pontes mais fotografadas e publicadas, mas uma coisa é a imagem que vemos na fotografia e outra bem diferente é viver a ponte de perto e ver os entornos, os cheiros e os sons que nunca saem registadas em fotografia.

 

 

Na grande maioria das vezes a fotografia congela um  momento num enquadramento minimamente pensado e selecionado, metendo dentro apenas o que interessa e deixando de fora tudo aquilo que iria estragar o nosso cenário e, como se isso não bastasse ainda se lhe acrescenta um bocadinho de Photoshop para complementar o embelezamento. Nada tenho contra este procedimento, aliás eu próprio recorro a ele e sou da opinião que é aí que começa a arte da fotografia para deixar de ser um mero registo documental,  mas admito que muitas das vezes não se transmite a realidade pura, pois falta a envolvente, faltam os cheiros e fragâncias, faltam os sons da natureza e, por muito selecionado que o olhar tenha sido, por muito esmerado que tenha sido o tratamento,  quando nos deslocamos a um local que apenas conhecemos em fotografia, ficamos desiludidos com a realidade. Pois quanto à Ponte da Misarela garanto-vos que ainda não vi nenhuma fotografia (e já vi muitas) que consiga superar a realidade. Pode haver nelas todo o cuidado de enquadramento, todos os adornos de um tratamento, mas nenhuma superará a realidade de a ver e sentir  in loco, de fazermos parte da paisagem, da envolvente, de sentir as fragâncias e ouvir as melodias, puras, da natureza. Assim, é obrigatório ir lá.

 

 

A Ponte da Misarela é sem qualquer dúvida um dos nossos tesouros do “Reino Maravilhoso” e, como todos os tesouros convém estar bem guardado e pouco acessível. A Ponte da Misarela também assim é. A modernidade de outros tempos deixou-a quase esquecida num recanto onde poucos agora chegam, e ainda bem, digo eu, mesmo que para descer até ela todos os santos ajudem, o problema está depois no regresso onde todos os santos nos abandonam. Não é coisa do outro mundo e penso que seja até propositado para abrir o apetite para as iguarias barrosãs, como se fosse necessário abrir o apetite para tal. Como dissemos ontem, a Ponte da Misarela, neste nosso passeio, é para ser vista e sentida na parte da manhã, visita que pela certa irá ser para estar e viver momentos únicos, daí ser natural que seja de alguma demora. Assim, quando estiver concluída a visita estará na hora de saborear o almoço, o que não é problema, pois na zona, junto às albufeiras,  encontrará com facilidade um restaurante que espera por si.

 

 E hoje ficamos por aqui, amanhã concluiremos este roteiro de um dia por terras barrosãs.

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 12:00
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vivências - Estou sim?

 

Estou sim?

 

Muitos dos adolescentes e jovens dos nossos dias terão provavelmente dificuldade em acreditar, mas a verdade é que, tal como os computadores e as redes sociais, também os telefones e os telemóveis não existiram no mundo desde sempre… E bastam-nos recuar 30 anos para encontrar um cenário no qual os telemóveis eram ainda ficção e a maioria das casas não tinha sequer telefone fixo. E, apesar disso (espantem-se!), a vida foi possível…

 

Quem viveu nesses tempos recordar-se-á certamente de como as coisas funcionavam: em caso de absoluta necessidade recorria-se ao telefone de um vizinho e, então, era hábito deixar umas moedas para o custo da chamada que era contabilizado em impulsos, uma unidade de medida cuja duração variava em função da distância da chamada e da hora do dia. Uma outra opção (para quem vivia nas vilas ou cidades) era recorrer às cabines telefónicas e telefonar com moedas ou, mais tarde, com cartões telefónicos que se podiam comprar nos correios e quiosques (muitas delas ainda hoje existem, mas pouco a pouco vão deixando de funcionar e já não há interesse em investir na sua manutenção). Nas aldeias existiam os chamados “postos públicos” (normalmente um café ou uma mercearia) onde era possível telefonar pagando o número de impulsos marcados por um contador instalado ao lado do telefone.

 

A liberdade de telefonar a partir de qualquer local só surgiria mais tarde, no início dos anos 90, com o aparecimento dos primeiros telemóveis. Eram caríssimos, grandes, pesados e, obviamente, não estavam acessíveis à esmagadora maioria das pessoas. Depois, num espaço de tempo relativamente curto, a sua utilização generalizou-se e certamente que todos se recordam daquele célebre anúncio do pastor que no meio da montanha atendia o telemóvel dizendo “Tou chim, é p’ra mim…”, ou do homenzinho com a cara pintada de branco e que apenas por gestos nos apresentava o primeiro telemóvel pré-pago. A partir daí tudo mudou a uma velocidade impossível de imaginar.

 

Luís dos Anjos

 

publicado por Fer.Ribeiro às 00:30
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Quarta-feira, 13 de Agosto de 2014

O Barroso aqui tão perto... Roteiro para um dia de visita - 3ª paragem

 

Depois de Montalegre temos vários destinos, mas para este roteiro vamos partir em direção a Paradela do Rio.

 

Para quem costuma ir a Montalegre e não passar de aí, observa que mal se entra no concelho  a paisagem começa a ficar agreste, com vegetação rasteira, sobretudo carqueja e urze (torga) alguns carvalhos e pouco mais. Características das terras altas e frias. Claro que há o caso de Vilar de Perdizes que contradiz um pouco estas características, mas é um caso à parte. Pois em direção a Paradela do Rio tudo se começa a modificar e conforme nos vamos afastando de Montalegre a paisagem começa a ter outros contornos, com muita mais vegetação, mais verde, pelo menos nas terras mais baixas, onde o Rio Cávado também marca a sua presença e, ao alimentar as albufeiras, também dá um toque de cor na paisagem. Depois, convém não esquecer que é nesta zona que Trás-os-Montes começa a fazer a transição para o Minho. Claro que nas terras mais altas, que por sinal são das mais altas de Portugal, é o penedio que domina a paisagem.

 

 

É precisamente no meio de todo este contraste que marcamos a terceira paragem no nosso roteiro, mais precisamente em Paradela do Rio, onde a albufeira faz a diferença, além de ficar no itinerário do nosso destino mais distante deste dia de passeio, mas esse fica para amanhã.

 

 

Claro que quando mencionamos Paradela do Rio, não nos estamos a cingir apenas à aldeia e à albufeira, mas a toda a sua envolvente, principalmente a dos pontos mais altos de onde o nosso horizonte fica mais alargado, e saímos do pormenor para ter o todo. Paradela do Rio neste nosso roteiro de um dia por terras do Barroso deverá acontecer a meio da manhã, isto para podermos fazer ainda mais uma paragem antes do almoço.

 

publicado por Fer.Ribeiro às 12:00
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Chá de Urze com Flores de Torga - 48

 

Tourém, Barroso, 2 de Setembro de 1990

 

Pátria até que os meus pés

Se magoem no chão.

Até que o coração

Bata descompassado.

Até que eu me entenda

A voz livre do vento

E o silêncio tolhido

Das penedias.

Até que a minha sede

Não reconheça as fontes.

Até que seja outro

E para outros

O aceno ancestral dos horizontes.

 

Miguel Torga, in Diário XVI

 

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 00:21
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Terça-feira, 12 de Agosto de 2014

Estratos

 

Gabriel

 

Trazes as mãos calejadas pela rudeza do campo e uma aliança no dedo. Estás mais gordo. Mais careca. E mais velho.

 

Eras o mais rápido nas aulas de Educação Física, tinhas mau perder e acompanhavas-te do Chris. Acordavam cedo, na mesma aldeia, todas as manhãs. Iam e vinham na carreira. Quase sempre de noite.

 

Os olhos da cor do castanho escuro, com que olhavas tua mulher, não me reconheceram. Eles, que me mostraram que estavas ali, não me reconheceram. Neles me vi mais velha. Não sei se mais gorda. Talvez mais magra. Mais cabelo. Ou será menos? Mais velha.

 

Desde o dia em que te revi, Gabriel, tornei-me menos crédula nas palavras. Se eu estivesse na mesma, ter-me-ias visto, Gabriel. Ter-me-ias visto.

 

Rita

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 13:07
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O Barroso aqui tão perto... Roteiro para um dia de visita - 2ª paragem

 

Depois do Larouco a visita obrigatória a Montalegre, onde pode aproveitar para tomar o pequeno almoço ou então um café.

 

 

Castelo, Igreja do cemitério e respetiva torre sineira, Rua Direita, Largo da Câmara/Palácio da Justiça e miradouro da Corujeira, são alguns dos pontos de visita obrigatórios. O resto fica ao seu critério.   

 

 

Até amanhã, com a terceira paragem do roteiro de um dia no Barroso de Montalegre.

publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
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Segunda-feira, 11 de Agosto de 2014

O Barroso aqui tão perto... Roteiro para um dia de visita - 1ª paragem

 

Sem muitas palavras, apenas as necessárias, vamos a um roteiro de um dia por terras de Barroso, mais propriamente do Barroso do concelho de Montalegre.

 

É apenas uma sugestão para um dia de férias, ou de fim-de-semana, para conhecer um pouco do Barroso aqui tão perto, sem dúvida alguma terras do “Paraíso Maravilhoso” de Trás-os-Montes, que vale a pena conhecer.

 

 

Assim, durante toda esta semana, um local por dia do itinerário de um dia com partida e regresso a Chaves. Apenas os locais onde vale a pena fazer uma paragem mais demorada de apreciação.

 

Fica a primeira paragem (demorada)  do roteiro, mas não hesite em parar onde lhe der a gana ou onde a natureza lho sugerir e, isso sim, não se esqueça da câmara fotográfica para os registos. Irá lamentar se não a levar.

 

 

Fica então para hoje a Serra do Larouco onde se pode subir sempre por boa estrada. Lá em cima, demore o tempo que quiser. No meio de tanto ver, não deixe de descobrir a nossa Serra do Brunheiro, o Vale de Xinzo de Limia, a Barragem dos Pisões, o Gerês e claro, a Vila de Montalegre.

Se for dos que gosta de madrugar,  vá assistir ao nascer do sol lá de cima do Larouco. Se for dos que gosta de dormir mais um pouco, basta partir de Chaves por volta da 9 da manhã. O roteiro será para um dia, para chegar a Chaves ao fim da tarde e para poder ver tudo nas calmas, com o tempo que for necessário para o almoço.

 

Amanhã ao meio-dia estaremos aqui com a segunda paragem deste roteiro.

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 12:00
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