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Segunda-feira, 26 de Setembro de 2016

De regresso à cidade com duas imagens

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Hoje fazemos o regresso à cidade passando pela mítica Adega do Faustino, não só pela adega em si mas também por, nos últimos anos, ser também uma casa ao serviço da fotografia, onde a Associação de Fotografia Lumbudus e também este blog têm promovido todos os meses uma exposição de fotografia na galeria da adega.

 

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A contrastar com a Adega do Faustino fica também uma macro de uma dália em celebração da entrada do outono em que a magia da cor começa a acontecer. E assim regressamos à cidade, de Chaves, claro.

 

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 02:14
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Domingo, 25 de Setembro de 2016

O Barroso aqui tão perto... Frades do Rio

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Hoje vamos até Frades do Rio que, pelo apelido já sabemos localizar-se perto do Rio Cávado, a pouco mais de seis quilómetros da sede do concelho, Montalegre, a Poente desta vila e junto à Estrada Municipal Nº308, a única que sai de Montalegre para esses lados e que passa pelo Campo de Futebol e do Sr. da Piedade.

 

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Uma aldeia pela qual já tínhamos passado diversas vezes, ou ao lado, pela estrada,  mas que nunca tínhamos entrado na sua intimidade para verdadeiramente a ficarmos a conhecer, e diga-se que as aparências iludem mesmo, pois a aldeia é muito mais interessante do que aquilo que aparenta.

 

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Da aldeia tínhamos como referências a visitar o Altar da Moura, a Cividade de Frades e a ponte velha sobre o Cávado, no entanto já sabemos que nem tudo que é apontado como ponto de interesse tem interesse para nós e a par, há outras coisas que os livros não mencionam, que acabam por despertar o nosso interesse e Frades do Rio não é uma exceção. Dos três locais apontados apenas a ponte velha despertou o interesse da objetiva. Mas fica aqui a referência ao Altar da Moura, um penedo e à Cividade de Frades que descrevemos a seguir:

 

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Pois aquilo que é apontado com Cividade de Frades, são vestígios de um povoado de época romana localizados no fundo da vertente Sudeste do Castro de Frades, em terrenos agrícolas. Aquando da lavra dos campos, neste espaço apareciam restos de “tegullae” e cerâmica comum romana, espólio comum a povoados de época romana. Acredita-se que este povoado seja posterior ao castro. De interesse histórico e arqueológico mas que fica de fora deste nosso projeto de trazer aqui em imagem as aldeias barrosas.

 

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Cividade de frades - Vestígios de um povoado de época romana localizados no fundo da vertente Sudeste do Castro de Frades, em terrenos agrícolas. Aquando da lavra dos campos, neste espaço apareciam restos de “tegullae” e cerâmica comum romana, espólio comum a povoados de época romana. Acredita-se que este povoado seja posterior ao castro.

 

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Mas entremos então em Frades do Rio pela primeira das suas entradas como quem vem de Montalegre onde logo à entrada registámos uma grande casa que aparenta ser alvenaria de tijolo e rebocada,  mas que posteriormente confirmámos ser construída em perpianho de granito e que embora hoje abandonada ainda deixa ver bem os traços de casa abastada. Trata-se da antiga casa de um dos antigos padres da Aldeia.

 

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Mais acima e um pouco desviada do núcleo de Frades do Rio uma outra casa que também sai fora do traço comum das outras, também ela em perpianho de granito à vista, igualmente de aparência abastada e esta, ao contrário da anterior, bem conservada e pensamos que habitada, embora ser  habitação permanente. Trata-se da casa de família de um dos ilustres Barrosões de Montalegre que inclusive tem uma pequena escultura com o seu busto no centro da Vila de Montalegre à vista. Trata-se da casa de família e busto do Dr. Vitor Branco, este sim, que eu já há muito tempo conhecia, não só por ser protagonista de algumas das histórias que a minha mãe levava aos serões de lareira  do meu tempo de infância mas também por ser um dos protagonistas do “Lobo Guerrilheiro” de Bento da Cruz.

 

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No I volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses, de Barroso da Fonte, a respeito de Vítor Branco diz-se o seguinte:

“Vítor Branco nasceu em Frades, concelho de Montalegre, em 23 de Março de 1863, sendo o décimo filho de um lar de onze. De seu nome completo Victor Manuel Gonçalves Branco, pelos 7 anos foi deslocado para Cabril, para casa do irmão que ali era pároco (Bento José Pereira Branco), de modo a fazer alia quarta classe visto que no lugar de Frades não havia escola. Feita a escola primária novo rumo: freguesia do Eiró, para junto de outro padre (de nome Venâncio), estudando Latim. A terceira meta é Braga, onde seguiu o exemplo dos dois irmãos clérigos, frequentando o Seminário, durante cinco anos. Dali, após constatar que não era aquele o seu melhor caminho, rumou até Coimbra, onde conheceu grandes vultos da cultura portuguesa, como António Nobre, Alberto de Oliveira, Antero de Quental. “

 

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E continua:

“Durante a sua permanência na Lusa Atenas, soube granjear amizades e impor se como democrata que procurou ser, logo que regressou a Montalegre, feito advogado. Aí abriu banca e fez sucesso, lutando contra os "Canedos" com os quais travou uma luta até ao fim da sua vida. Bento da Cruz editou, em 1995 o livro: Victor Branco escritor Barrosão vida e obra (Editorial Notícias) e aí escreve: "Foi neste meio tacanho, com três bacharéis em Direito e um em Medicina, que o jovem Victor Branco começou vida como vereador efectivo da Câmara e tabelião privativo de notas. “

 

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E continua:

Em 20.2.1895 casa com uma senhora de família aristocrática de Vermoim, arredores de Famalicão. Nesse mesmo ano candidata se à presidência da Câmara pelo partido progressista, tendo como opositor, outro ilustre barrosão: Dr. José Joaquim Álvares de Moura, natural de Covelães que concorria pelo partido regenerador. Perdeu as eleições. Mas em 1898, desforrava se, após ter publicado Cartilha Eleitoral, opúsculo onde acusava os seus adversários, de forma exaustiva. Só que em 1901, em novo acto eleitoral, justifica os seus fracassos, sobretudo na florestação que apenas resultou, em três freguesias do concelho, onde os irmãos padres (Bento e Guilherme) tinham bastante influência. Perdeu a Câmara a favor do adversário Germano Augusto Rodrigues Canedo, só voltando ao poder, em 1911. Em 1913 voltava a perder a presidência.”

 

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E continua:

“Entretanto, por razões de herança da mulher, é forçado a fixar residência em Vermoim, abandonando um palco de operações políticas que o celebrizara e que o levaria a escrever: "Fidalgo na minha terra, juíz na minha comarca e tocador de burros em qualquer parte". Em 1922 volta a concorrer e volta a ganhar até ao 28 de Maio, em que com a ditadura de Salazar, perde irremediavelmente o poder local. Morreu em 16 de Dezembro de 1947. Deixou alguns livros publicados: Carta Aberta, em forma de Crónica (1936), Reminiscências do Passado e Almanaque de Lembranças Locais (1941). Está perpetuado na toponímia de Montalegre, onde ficou mais conhecido pelo Dr. Bitro. Teve os seguintes filhos, todos ilustres e todos nascidos em Montalegre: Maria Cecília de Aguiar Branco (26.12.1895), falecida em Amarante, em 22.2.1973; Isabel Maria de Aguiar Branco (4.9.1899), falecida no Porto, em 3.6.1980; Ana da Glória de Aguiar Branco (31.10.1901), falecida em Lordelo do Douro, em 19.1.1980; Victor Manuel de Aguiar Branco (17.9.1904; 16.5.1927); Guilherme Francisco de Aguiar Branco (1.1.1909); Maria da Glória de Aguiar Branco (15.4.1911), falecida no Porto, em 18.12,1993; Fernanda Victória de Aguiar Branco (24.3.1913) e falecida em Lisboa, em 2.1.1978; Maria Eugénia de Aguiar Branco (23.10.1914), falecida no Porto, em 8.2.1985.

 

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Ainda a respeito do Dr. Vítor Branco, também a sí há uma referência, mais breve, no livro “Montalegre” de José Dias Batsista:

“Dr. Vítor Branco (séc. XIX - XX) nasceu em Frades do Rio, em 1863. Democrata de lei, foi um Barrosão de peso, tanto na barra dos tribunais como na política e ainda lhe sobrou tempo para escrever – e bem! – algumas belas páginas na língua pátria. As mais delas podem ser catalogadas na gaveta literária das Polémicas mas não deixam de ser bem nossas e de ter o que fazem dele um grande homem, um grande barrosão e um grande escritor. Morreu em 1947.”

 

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Mas continuemos na descoberta de Frades do Rio com a ajuda de um dos seus filhos de nome José de Jesus, ex-emigrante agora reformado que, simpaticamente, nos acompanhou na visita à aldeia e nos mostrou e alertou para os tais pontos de interesse que não vêm nos livros e que sem a ajuda do qual não descobriríamos ou ficaríamos a conhecer, como o caso do imponente carvalho secular que pelo seu porte terá mesmo alguns séculos de existência. Também foi com o Sr. José de Jesus que descobrimos o itinerário da via sacra da qual ainda restam algumas cruzes e a cada de família do Dr.Vítor Branco, bem como a visita às adegas, uma delas a sua, cuja frescura convidava mesmo a entrar no passado e bem quente dia 2 de setembro. Por último fica a referência ao conjunto do casario tradicional maioritariamente ainda com o granito à vista e sem grandes alterações, havendo mesmo algumas recuperações feitas com gosto, à pequena capela mas interessante, ao cruzeiro e uma das fontes.

 

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Para terminar a referência à ponte velha sobre o Rio Cávado que tem como substituta uma mais recente e bem menos interessante, suponho que construída aquando da construção da albufeira de Sezelhe. Esta ponte é popularmente apelidada de “Romana” e notoriamente a sua estrutura em pedra tem origens remotas, não existindo contudo qualquer certeza da sua origem. Mas dada a ocupação romana do território e a proximidade de algumas vias romanas e as características da ponte, não nos custa a acreditar que seja romana.

 

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E é tudo, restam os habituais créditos às consultas efetuadas cujas referências aqui ficam:

 

Bibliografia consultada:

 

“Montalegre” de José Dias Baptista, edição do Município de Montalegre, 2006

“ I volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses, de Barroso da Fonte, Guimarães, 1998

 

E ficam também os links para as anteriores abordagens deste blog ao Barroso e suas aldeias:

 

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Lapela   - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Pomar da Rainha - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pomar-da-1415405

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

Tabuadela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-tabuadela-1424376

Telhado - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-telhado-1403979

Travassos da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-travassos-1418417

Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

São Pedro - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-pedro-1411974

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

 

publicado por Fer.Ribeiro às 23:14
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Sábado, 24 de Setembro de 2016

Carvela - Chaves - Portugal

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Já perdi a conta às vezes que fui ou passei por Carvela, quase sempre com a intenção de conseguir novas fotos, mas nem sempre fui bem sucedido, ou melhor, apenas uma vez o fui, a primeira, e já lá vão 10 anos.

 

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Exceção para as fotos de inverno, do gelo ou carambelo, ou da aldeia submersa em nevoeiro, que dessas sempre trago algumas, ou muitas, quando esses fenómenos atmosféricos acontecem, mas em tempo de verão, pouco tenho acrescentado ao meu arquivo e, a razão é simples, não tenho encontrado novos motivos para além daqueles que registei há 10 anos.

 

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Talvez seja falta de inspiração minha, talvez porque na aldeia, nos últimos anos, não tenha havido grandes alterações, tal como acontece na maioria das nossas aldeias devido ao despovoamento e envelhecimento da população. Não sei, o facto é que nas passagens mais recentes pouco tenho acrescentado ao meu arquivo.

 

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Contudo, no arquivo de Carvela ainda tenho alguns motivos de interesse para trazer aqui hoje e ainda há mais para poder vir por aqui de novo e, pela certa, que os dias mais rigorosos de inverno, os tais do gelo e carambelo levar-me-ão lá de novo. Eu sei são dias frios e não muito agradável para quem tem conviver com ele, mas que é um espetáculo digno de ser visto, lá isso é.

 

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Pode ser que numa dessas próximas idas por Carvela surjam novos motivos que despertem a atenção da objetiva, acredito que sim, mesmo porque os nossos interesses e o nosso olhar também está sempre em constante evolução.

 

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Entretanto ficam hoje mais seis motivos de Carvela que escaparam ou sobraram dos últimos posts em que aldeia passou por aqui.

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 03:00
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Sexta-feira, 23 de Setembro de 2016

Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso - uma imagem

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publicado por Fer.Ribeiro às 13:30
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Discursos Sobre a Cidade - Por Gil Santos

GIL

 

O CARABUNHAS

 

O Carabunhas, nomeada pela qual era conhecido o prior do Planalto, foi dizer a missa de domingo de Lázaro manco de uma pata, como dizia o Nano da Carregal!

 

─ O que lhe teria assucedido? ─ Inquietavam-se os paroquianos que há muito se intrigavam, alguns invejosos, com as noites atribuladas do clérigo.

 

Mas comecemos por tresontonte!

 

O Carabunhas, de nome próprio Babiano Zebedeu, nasceu, pelos anos trinta, algures no Brunheiro. Pobre que nem Jó, era filho da crujidade! Sua progenitora, cabaneira, foi mãe solteira, sabe ela e Deus de que semente! Diz-se, à boca pequena, que só conhecera um homem na vida e que lhe guardara fidelidade eterna nas touças da Galgueira! E a verdade é que depois daquela gravidez acidental nunca mais alcançou, nem daquele, nem de qualquer outro. O segredo, guardou-o tão bem, que nunca o Zebedeu soube o nome do espermatozoide que o gerou. Também, tanto se lhe dava. Mas, se me permitem uma inconfidência, eu acho que ele desconfiava, mas preferia ignorar. Na sua filiação legal constava paternidade incógnita. Contudo, se os registos se dessem a outras oportunidades e, em vez do pai, perguntassem pelo padrinho, já constaria em nome próprio o de Adalsindo Bota e Meia, pároco da freguesia!

 

O Adalsindo acarinhava o raparigo como se fosse seu filho legítimo. Logo que o achou capaz de pegar na galheta, botou-o a sacristão. O Babiano dava tanto jeito ao ofício que depressa convenceu o padrinho a fazê-lo padre. O velhote anuiu, pensando na sua substituição.

 

Assim, mal concluiu a 4ª classe, em Adães, na escola do mestre Matos, o vigário, a suas expensas, espetou com ele no seminário de Vila Real, às ordens do Reitor Libânio Borges.

 

Durante os anos que levou para ser padre, não caçou uma única raposa. Já marmanjote, durante as férias grandes, substituía o prior com a perfeição de um futuro mestre nas lides da igreja.

 

A sua mãe andava toda croncha com o rapaz.

 

E com razão!

 

O filho haveria de ser o amparo na sua velhice, do corpo, mas sobretudo da alma. Em nada se arrependera de provar a fragância da maia piorneira pelas poulas do Belão! Bendito o pólen que lhe inchou o ventre! E bendita a ajuda do Criador na geração daquele rapaz, que era a menina dos seus olhos!

 

O gaiato teve uma infância livre e farta. Cresceu escorreito, sem fome e sem frio. Abençoado pelo padrinho, fez-se homem em três tempos.

 

Ainda havia de dar muito que falar o sacripanta!

 

Foi o único a estudar em toda a freguesia, para inveja dos filhos dos lavradores mais abastados que se obrigaram à rabiça do arado, mal concluíram os estudos primários.

 

O Babiano era conhecido pela alcunha de Carabunhas porque quando frequentava a escola do professor Matos, levava os bolsos atulhados de carabunhas de azeitona para fustigar as orelhas dos parceiros com uma fisga de elásticos, quando apanhasse o professor distraído. Era um vício excomungado que lhe valeu muita porradinha. Mas valia a pena só para ver os abanos dos parceiros como cerejas! Ficou-lhe a nomeada. E até nem o desgostava!

 

Rezou missa nova na vetusta românica de Santa Leocádia, num verão de meados dos anos cinquenta. À cerimónia ajudaram quantos padres havia nas redondezas e eram muitos! O repasto foi no Lameiro Grande e para toda a freguesia. Meteu três recos no espeto e uma vitela no forno.

 

Foi até lhe chegar com um dedo!

 

Bem, só para os doces, não chegou meia camioneta do Semeão de Carrazedo para transporte do açúcar amarelo!

 

E vinho foram para aí duas pipas!

 

Depois da missa nova do afilhado, poucos anos mais durou o velho Bota e Meia. Bateu a caçoleta feliz por se saber bem continuado. E, de facto, o afilhado saiu-lhe melhor do que a encomenda! Dizem que quem sai aos seus não degenera e este galho não renegou o tronco que o fez!

 

Mulher que se lhe arreganhasse na sacristia cheirava o fanenco!

 

Era certinho!

 

Tanto se lhe dava que fosse solteira, casada ou viúva, era tudo a eito!

 

E mais não digo que me envergonho!..

 

O seu carocha conhecia de cor o recôndito de todos os lugares do Planalto e tanto dormia num palheiro de Vale do Galo, como no Prado do Carregal. E, à medida que o tempo passava, mais desavergonhado ficava o presbítero. O cuidado que a alma penada das suas ovelhas merecia, justificava a azáfama das diferentes pernoitas. Dizia-se à boca cheia, sobretudo no mundo insondável do mulherio, que eido onde o padre poisasse não havia diabo que penetrasse! E com alguma razão, pois dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço, ao mesmo tempo, como dizia o físico! As viúvas, por exemplo, eram as que acreditavam mais piamente nas capacidades curativas do prior, sobretudo as que, em casadas, não tiveram vida que se recomendasse!

 

O homem era levado do catano! Só quem o conheceu!..

 

Claro está que, nos primeiros anos, o povo ainda lhe foi topando graça, mas, à medida que lhe foi medrando o território, os homens começaram a passar, progressivamente, do estado de inveja ao de inquietação.

 

─ Lá que exorcize os diabos das outras, ainda vá que não vá, mas os da minha toco-os eu a bober! ─ Dizia o Beiças, e com razão!..

 

Não demorou muito que a porca torcesse o rabo!

 

Dois dos mais afoitos jovens de Adães prepararam-lhe a estrangeirinha! Apanhassem-no na casa da viúva Cremilda que o haviam de cozer!

 

A casa da Cremilda estava construída numa ladeira. Tinha uma porta única, carral, que dava para um grande pátio. Do lado mais fundo, uma varanda alta que dava para umas hortas nas traseiras. Quem entrasse e não quisesse sair pelo pátio só poderia fazê-lo pela janela da cozinha para a rua ou botando-se abaixo da varanda para a horta.

 

Estava uma noite gelada no Brunheiro! Céu estrelado em janeiro, era geada certa. E começava a esgalhar logo que o sol vencesse o Alvão.

 

Pelas oito, já noite escura, o Carabunhas estacionou o seu Volkswagen azul no largo da escola. Os tais, micaram-no e seguiram-lhe o rasto! O salafrário fora expurgar os diabos à Cremilda. Deixaram-no paramentar e deram-lhe tempo suficiente para que conferisse a penitência que prescrevera à paciente! Seriam umas onze, quando o Estanislau e o Geraldinho embeberam umas sacas velhas de sarapilheira em óleo queimado, para fingirem um incêndio sob a janela da cozinha da viúva, iluminada por uma ténue luz de candeia a petróleo. Um tocaria fogo às sacas e saltando aos gritos de fogo, bateria, em algazarra, na folha da porta carral do pátio, o outro tocaria o sino a rebate para juntar o povo. Com esta manobra esperavam pregar com o padre, de calças na mão, no meio do povo!

 

Contudo, o Carabunhas sabia mais com um olho aberto do que os marlantes com os seus quatro! Não deu parte de fraco, com a calma de um marialva, compôs-se, dirigiu-se à varanda e pulou para a horta. Contava que no final dos quatro metros encontrasse a terra fofa das pencas, porém esperava-o um seixo saliente que lhe ia quebrando o tornozelo. Foi Deus que lho salvou! Enquanto o povéu acudia ao fogo, o padre, cozido às sombras das paredes e entre suores frios e dores horríveis, arrastou-se até ao carro e pôs-se a milhas sem que ninguém o topasse.

 

No dia seguinte, era o domingo de Lázaro, penúltimo antes da Páscoa. O Carabunhas, não querendo dar o flanco, foi dizer a missa, sabe Deus como!

 

Que tinha escorregado nas putas das escaleiras com a geada!

 

Foi a melhor desculpa que encontrou para sossegar a passarinha das beatas mais curiosas.

 

Olha que nenhum homem foi capaz de lhe perguntar pelo sucedido!

 

Cala mureta!

 

Quiseram-no cozer mas quem se cozeu foram eles!

 

Pastor que é pastor, leva vantagem sobre o rebanho.

 

Pudera!

 

Sarado o tornozelo, repetiu-se a festa!..

 

─ Ai quem me dera ser padre! ─ Rezava o Alpoim, na desobriga dos domingos, encostado ao cipreste secular do adro da igreja de Santa Leocádia!..

 

Pois isso, é que naquele tempo valia mais ser padre do que ser doutor!...

 

Gil Santos

 

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 02:32
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Quinta-feira, 22 de Setembro de 2016

Flavienses por outras terras - João Afonso

Banner Flavienses por outras terras

 

João Afonso

 

Nesta crónica do espaço “Flavienses por outras terras” vamos até ao outro lado do Atlântico, mais concretamente até ao Rio de Janeiro, a “Cidade maravilhosa, cheia de encantos mil…”

 

É lá que vamos encontrar o João Afonso.

 

Mapa Google + foto - João Afonso.png

 

 

Onde nasceu, concretamente?

Nasci no Largo da Falgueira, na aldeia de Noval.

 

Nos tempos de estudante, em Chaves, que escolas frequentou?

Não frequentei a escola em Portugal, apenas no Brasil.

 

Em que ano e por que motivo saiu de Chaves?

Saí no ano de 1956, em Dezembro, com 5 anos e meio, ainda sem conhecer o meu pai.

 

Em que locais já viveu ou trabalhou?

Para além de varias localidades no estado do Rio de Janeiro, vivi e trabalhei no sul do Brasil, uma região com características europeias, convivendo com ucranianos, japoneses, polacos, entre outras nacionalidades. Também vivi em Angola durante 2 anos, enquanto trabalhei num projeto de barragem hidroelétrica.

 

Diga-nos duas recordações dos tempos passados em Chaves:

Apesar da idade, por natureza, tenho boa memória e recordo-me de uma segada, das vindimas e de uma matança de porcos, para além da aldeia, todos os cantos onde estive ainda miúdo, algumas personalidades da época e familiares, obviamente. Recordo também a casa onde vivi bons momentos de imaginação e sonhos, convivendo sempre com os animais da casa, as árvores e tudo o que eu alcançava ou que me era permitido.

 

Proponha duas sugestões para um turista de visita a Chaves:

A cidade de Chaves e arredores dispõem de opções para todos os gostos e interesses. Passear pelo centro histórico, respirar o ar da cidade e vislumbrar o Tâmega já enche os olhos. Visitar uma aldeia seria interessante para perceber como viveram, o que construíram os nossos antepassados, o trabalho do campo no formato tradicional, contemplar a paisagem, deliciar-se com bom vinho, a gastronomia, a água pura da montanha…

 

Estando longe de Chaves, do que é que sente mais saudades?

Sem dúvida, primeiramente, do carinho dos familiares. Saudades também da vida e da dinâmica que a aldeia possuía, hoje um pouco deserta, quase morta, pela ausência de população - um palco magnífico sem os artistas que preservavam a cultura familiar e do campo…

 

Com que frequência regressa a Chaves?

Conforme a disponibilidade no trabalho e compromissos.

 

Gostaria de voltar para Chaves para viver?

Sem dúvida, faz parte dos nossos planos vivermos, pelo menos, 6 meses em Portugal e 6 meses no Brasil. Em Portugal éramos 2 irmãos, hoje, aqui no Brasil, somos 4. A família é composta por cerca de 35 pessoas no Rio de Janeiro, além de outros estados, Portugal e América do Norte. São 9 bisnetos da minha mãe, ainda crianças. Portanto, temos que dividir o tempo de estadia…

 

Baia de Botafogo (Rio de Janeiro).jpg

 

O espaço “Flavienses por outras terras” é feito por todos aqueles que um dia deixaram a sua cidade para prosseguir vida noutras terras, mas que não esqueceram as suas raízes.

 

Se está interessado em apresentar o seu testemunho ou contar a sua história envie um e-mail para flavienses@outlook.pt e será contactado.

 

Rostos até João Afonso.png

 

 

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Quarta-feira, 21 de Setembro de 2016

Quente e Frio!

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(...)

A RAPARIGA de Vilarinho de Freires e a RAPARIGA de Vilarinho do Tanha, embora não o deixassem parecer, saíram bastante preocupadas.

 

XI

E no Domingo seguinte lá estavam os dois amigos na esquina da “Brasileira”.

 

E no Domingo seguinte lá vinham a sair da Missa da Sé as quatro amigas.

 

O olhar das “Lindas”, da «RAIA», levantou-se, e demorou-se no olhar dos RAPAZES da “TERRA QUENTE“ e da “TERRA FRIA”!

 

Na Estação era um alvoroço de gente a comprar o bilhete de comboio.

 

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Malas, seiras, cestas, cestos e sacos estavam espalhados pela «Sala de Espera», os dos mais atrasados, e pelo «cais de embarque», os dos mais apressados.

 

Era o dia de partida para as «Férias de Natal», junto da Família.

 

Na Samardã saía uma «Normalista» e um «Seminarista».

 

Para Tourencinho, Zimão e Parada de Aguiar seguiam alguns homens e mulheres, depois dos assuntos tratados na «Bila», e um estudante da Escola Comercial e Industrial.

 

Para Vila Pouca tiraram bilhete muita gente da Padrela e do Alvão, estudantes de Ribeira de Pena e de Carrazedo de Montenegro. O estudante da “TERRA QUENTE” podia ter saído aqui. Mas como era de uma família «com posses», tinha tirado bilhete até ao fim da Linha!...

 

As «Carreiras» não se importavam em cumprir o horário de Partida: a chegada do comboio é que punha os motores a roncar!

 

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Nas Pedras Salgadas saíram o Regedor de Bornes, à conversa com dois “GNR’s”, homens de chapéu e samarra, e mulheres carregadas com seiras e cestas, e um estudante do Liceu, de Parada de Monteiros. Entrou um padre e dois homens com ar de feirantes.

 

No “Apeadeiro” de LOIVOS desceram duas graciosas meninas (talvez a frequentarem o 1º e o 3º Ano, no COLÉGIO das MENINAS), saudadas com muito entusiasmo por um homem e três mulheres de meia-idade.

 

Em VIDAGO confundiram-se a meia dúzia de homens e mulheres que saíram com a meia dúzia de mulheres e homens que entraram numa carruagem. De Chegada e de Partida, todos transportavam cestos e sacos. Para os braços do pai e da mãe saltou uma cachopa que andava no 4º ano do “COLÉGIO S. JOSÉ”, o tal “das MENINAS”, depois de se despedir das “Lindas”, da «RAIA», suas amigas e ex-colegas.

 

No “Apeadeiro” de Vilarinho das Paranheiras desceram duas mulheres, que carregaram à cabeça uma seira e um cabaz em cada mão.

 

Ao chegar-se à Ponte de CURALHA, quase toda a gente se juntou às janelas e nos varandins para olhar o Rio TÂMEGA, o açude e o moinho, e apontarem para o pinheiro manso a sobressair do CASTRO.

 

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Na ESTAÇÃO de CURALHA saíram dois compadres da PASTORIA, entrados em VIDAGO.

 

Na FONTE NOVA, o «Apeadeiro da Saudade», o comboio parou para que o maquinista e o revisor deixassem recados e encomendas à D. LUCINDINHA, «guarda» da Linha; e para saída de um estudante da Escola Comercial e Industrial, de Vila Real, natural das CASAS-DOS-MONTES.

 

Entusiasmado com a aproximação do final da Linha, o maquinista apitava e badalava demoradamente a sirene do comboio.

 

Ao atravessar a Ponte de Santo AMARO, a «tripulação de cabina» espreitava pelos janelucos, e o revisor aprumava-se todo no varandim do último vagão, todos a darem-se ares de muito importantes perante as pessoas que iam e vinham da Quinta da Fraga e as que vinham e iam para a «cidade», pois os apitos eram tão «puxados» e ritmados que toda a gente voltava a cabeça para o comboio.

 

A Paragem na ESTAÇÃO era feita com muita cerimónia: o maquinista porfiava para deixar o comboio em harmonia com o Gabinete do «Chefe de Estação», a “Sala de Espera”, e a dos “Despachos”.

 

À espera dos Passageiros estava sempre uma pequena multidão.

 

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O “Rapaz da Terra Quente” foi para o varandim do sul do vagão onde viajava a fada do «lencinho de azul mais escuro», a Carmelinda.

 

O “Rapaz da Terra Fria”, para o do norte do vagão onde viajava a feiticeira do «lencinho de azul mais claro», a Ermelinda.

 

Tinham apostado entre si que lhes caberia a sorte de darem uma mão à feiticeira e à fada de cada um na descida da mala que cada uma trazia consigo.

 

Mal o comboio parou de vez, as duas gémeas encostaram a cara à janela e começaram a acenar com muito contentamento.

 

Deixaram que os homens e mulheres, rapazes e raparigas, mais apressados saíssem, e cada uma escolheu a sua saída.

 

No varandim do norte, o Clementino aproveitou para oferecer a sua ajuda e desejar “BOAS FÉRIAS E FELIZ NATAL” à Ermelinda.

 

No varandim do sul, o Celestino aproveitou para oferecer a sua ajuda e desejar “BOAS FÉRIAS E FELIZ NATAL” à Carmelinda.

 

Cheio de alegria, o pai pegou na mala da “Linda” do «lencinho de azul mais escuro», com uma mão, e, dando a outra à filha, juntou a sua pressa à dela para logo ele ir abraçar a “Linda” do «lencinho de azul mais claro», e ela a mãe!

 

XII

Os pais das “Lindas” eram abastados. Colhiam...

 

(continua)

 

Nota: A fotografias das estações de Chaves e Vila Real são propriedade de Humberto Ferreira, blog http://outeiroseco-aqi.blogs.sapo.pt/

 

 

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Terça-feira, 20 de Setembro de 2016

Cidade de Chaves, 4 exposições a não perder

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 Fotografia de Jorge Bacelar

Quatro exposições que vi em Chaves, gostei e recomendo.

 

A primeira, claro,  é de fotografia, de Jorge Bacelar sobre a “Ruralidade de Gente Marinhoa”, que está na Adega do Faustino até ao final deste mês.

 

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Mostra da exposição de gravura na Biblioteca

 

A segunda é de gravura, mais propriamente a 8ª Bienal Internacional de Gravura do Douro 2016, que tem uma pequena mostra na Biblioteca Municipal e a exposição na Sala Multiusos do Centro Cultural de Chaves.  A exposição está patente ao público até 31 de outubro.

 

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 Exposição de esculturas na Biblioteca de Maria José Passos e Rui Paiva

 

A terceira é de escultura, com dois artistas no mesmo espaço, mais propriamente no salão de exposições da Biblioteca Municipal de Chaves onde Maria José Passos deixa os seus trabalhos debaixo do título “Conta-me Histórias” e Rui Paiva expõe os seus “Diálogos”. A exposição inaugurou ontem ao fim da tarde e estará patente ao público até 7 de outubro.

 

1600-(46713)

 

A quarta e última é de um espetáculo de luz, cor e contrastes e está patente ao público todos os fins de tarde, um pouco por toda a cidade mas com especial sabor vista desde a Lapa onde o colorido do contra luz contrata com a silhueta do centro histórico da cidade.

 

Aproveite e visite, a entrada é gratuita em todas as exposições.

 

 

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Chaves D'Aurora

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  1. PESSEGADA.

 

Abalou correndo para a Quinta, mas, quando alcançava o portal de saída, umas ciganas a detiveram aos gritos. Pôs-se a gralhar, uma delas – De que mãe és filha, ó rapariga?! Ora, pois, a fidalga não te ensinou que não se vai à casa de outra gente para roubar os limões do seu pomar? – e outra, a crocitar – Ainda mais quando esses limões são de meu homem?! – enquanto uma terceira chegou, logo a seguir, e interpelou esta última – E porque estás a pensar, ó lambisgoia, que és aliança no dedo do gajo, para dizeres “meu homem”? – ao que outra mais riu-se, com desdém – Ora pois, sua moura torta, bem sabes que ele é meu e, me-meu-zinho, sempre haverá de ser!

 

As zíngaras puseram-se a digladiar, umas com as outras e, com todas elas a se dizerem a favorita de Hernando, proferiam os mais ferinos impropérios, ora no castiço (jamais castíssimo) idioma de Manuel Maria Barbosa Du Bocage, ora no mais sonoro Caló do Romanês. (O Romanês, essencialmente oral, ou seja, sem qualquer representação gráfica, só é compreendido pelos ciganos. Transmitido pelas mães aos filhos, é basicamente o mesmo de todos os gitanos do mundo, embora varie nos dialetos e sotaques. Os da Península Ibérica usam essa variante, chamada Caló).

 

Acerca do que, a migalho, iria acontecer entre aquelas moças, nem precisava olhar por entre bolas de cristal. Logo, logo, cabelos seriam puxados como se fossem capachinhos; saias estraçalhadas, como a bandeira de um cruzado vencido a voltar de Jerusalém; pragas seculares proferidas, entre cuspidelas ao chão, como se as desvairadas se transfigurassem, àquela altura, nas três distintas senhoras do caminho de Macbeth.

 

 Refém do pavor, acuada no escuro de uma das quinas do portal de entrada, Aurora estava quase a desmaiar de medo, aflita por ser logo reencontrada por Maria de Tourém e Zefa de Pitões. As criadas, porém, esqueciam-se do mundo na companhia de dois ciganos já meio velhuscos, mas ainda bem dom-joões, ditos cujos esses os quais, entre duvidosas (ou até se diriam bem claras) intenções, ofereciam vinho às barrosãs. Estas, porém, davam preferência ao chá com civiaco, um doce de origem russa, feito com ricota e uvas passas.

 

Somente quando tiveram a atenção desviada pela algaravia das pretensas noivas de Hernando, é que as duas tontas largaram para lá os enamorados. Correram até ao discreto sítio onde a menina deveria estar, mas... lá, já não mais estava. Esforçaram-se, ora, pois, em apelar a São Longuinho, para bem de loguinho encontrá-la. Ao intento conseguido, assustadíssimas, fugiram para bem longe de toda aquela algazarra. Sem conseguirem perceber, exatamente, o que acabara de se passar no vestíbulo da festa, as criadas se desfizeram em numerosos – Ai Jesus, mas o que foi? – e a perguntarem, uma à outra – Será que algum gajo quis molestar a nossa menina?! – Apressaram-se, enfim, em se afastar dali, mas a pessegada já se adoçara de novo e, agora, as pessegantes voltavam a folgar.

 

No pátio da festa, os convidados dedicavam-se a uma dança coletiva, da qual todos participavam, inclusive os velhos, as crianças e as próprias ciganas recém-beligerantes. Logo mais se renderiam aos costumes trasmontamos, como a Dança dos Pauliteiros, de origem muito antiga (os dois paulitos, que cada dançarino traz às mãos, teriam sido espadas, outrora) e se poriam a entremear bailados de sua tradição com outras dançarias, próprias do folclore de Trás-os-Montes.

 

Ao chegar à Quinta, Aurita contou o sucedido com os mínimos detalhes e isso gerou, entre as barrosãs, alguns entreolhares de acentuada preocupação, até que os pensares e pesares saíram da boca de Zefa – Ai, menina Aurora, não te metas com o menino Camacho! “Penas que se não sabem, não se sentem elas, ora, pois”. Ainda és verdinha demais para os amores e dores – ao que Maria de Tourém acrescentou – Com este rapaz, que planta lenços de seda, mas faz as raparigas colherem rosas de estopa, sempre haverás de ter... nem saibas o quê! – e a Zefa completou – Mais dores, menos amores!

 

Esse facto fez com que, durante vários dias, Aurora ficasse temerosa de expor suas faces à janela e ser reconhecida pelas ciganas briguentas ou, até mesmo, por quem mais habitasse ao casarão em frente.

 

fim-de-post

 

 

 

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Segunda-feira, 19 de Setembro de 2016

Quem conta um ponto...

avatar-1ponto

 

307 - Pérolas e diamantes: entre o ipod e o iphone

 

Também eu sou um homem de bairro. Cresci num e nele muito aprendi.

 

Sinto agora que os bairros estão doentes. Por vezes são autênticos guetos.

 

O bairro remetia-nos para a cidade. A cidade remetia-nos para o país. Portugal remetia-nos para a Europa. E a Europa remetia-nos para o mundo.

 

Mas a moléstia que alastra nos bairros mais não é do que a doença que se instalou no mundo inteiro. O processo inverteu-se. É o que dá viver na aldeia global.

 

Habilidosamente, muitos dos protagonista da epidemia escondem a realidade. Nós, por outro lado, evitamos ver o mundo que nos rodeia, evitamos identificar o verdadeiro estado das coisas. Pode até ser humano, mas é lamentável.

 

Os donos de isto tudo conservam a propensão para os números, para as estatísticas, para a abstração. Alguns sentam-se no parlamento, outros preferem os conselhos de administração, ou dedicam-se ao exercício das consultadorias bem remuneradas ou ao exercício privado da sua profissão de administradores da causa pública. A promiscuidade é por demais evidente.

 

Falam que é necessário tutelar a Autoridade em toda a sua expressão. Defendendo, os mais corajosos, uma suspensão temporária da democracia. Na intimidade confessam que lhes corre nas veias sangue frio, mas que o seu coração continua a ser um carvão em brasa.

 

Alguns afirmam que a sua consciência os obriga a calar. Mas todos nós sabemos onde está a sua consciência, bem guardadinha no bolso, como a de quase todos nós, pobres pecadores que somos. Depois despejamos um pai-nosso e uma ave-maria e tudo volta ao normal.

 

O sucesso na vida corresponde atualmente a uma cabeça cheia de números e um coração vazio de sentimentos. Os homens e as mulheres que triunfam assimilaram que para serem um quadro superior com o sucesso de 90% não podem pensar profundamente nas mais pequenas coisas. Daí a Filosofia ter sido varrida das nossas instituições escolares.

 

O cérebro dos nossos líderes é constituído por uma máquina de calcular e por um dicionário Oxford.

 

As teorias económicas dominantes, a do mercado livre e mesmo a marxista, dão como garantido que o crescimento económico é sempre uma coisa positiva.

 

Mas basta pensar um pouco para concluirmos que esse exercício é pura e simplesmente inconcebível. Basta fazer as contas.

 

Uma taxa de crescimento do PIB de um ou dois por cento é atualmente considerada modesta. Uma taxa de crescimento demográfico de um por cento é a considerada desejável. No entanto, se multiplicarmos esses valores durante cem anos, o resultado obtido é terrível. Levar-nos-ia a uma população de dezoito mil milhões e a um consumo de energia a nível mundial dez vezes superior ao dos nossos dias. Então se avançarmos mais um século, com esse mesmo crescimento, os números serão impensáveis.

 

A solução tem de passar por procurar métodos mais racionais e humanos e colocar um travão ao crescimento que vai destruir o planeta.

 

Claro que, a nível político, quem defender uma coisa dessas está a cometer um suicídio.

 

Mas alguém vai ter de abordar o assunto e tentar influenciar a orientação política de, por exemplo, a Europa. Porque senão vamos matar o planeta e sufocar a nossa própria sobrevivência.

 

Vai ser necessário fazer compreender às nossas crianças que gastar vinte euros para adquirir uma pequena e fixe capa de silicone para o ipod ou o iphone, que custa à Apple trinta e nove cêntimos, é uma besteira das grandes.  

 

O maior problema reside no facto de os governos serem eleitos pelas massas, que, ao que sabemos, se estão a marimbar para a biodiversidade.

 

João Madureira

publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
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Domingo, 18 de Setembro de 2016

Nª Srª das Graças 2016

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O prometido é devido e cá estamos com a procissão da Nª Srª das Graças que aconteceu hoje ao fim da tarde em Chaves.

 

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Procissão de Nª Srª das Graças mas não só, pois para a procissão são convidados todos os oragos das freguesias e aldeias, ou seja, no mínimo seriam cerca de 150 oragos, no entanto nem todos participam.

 

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Procissão que tem contado também com a presença de todos os sacerdotes do concelho mas onde é também habitual o Bispo de Vila Real.

 

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Também vai sendo habitual participarem todas as bandas do concelho que, se não me engano, são no total seis, a saber: A Banda dos Pardais de Chaves, a Banda de Loivos, a Banda de Rebordondo, a Banda de Outeiro Seco, a Banda de Vila Verde da Raia e a Banda de Ervededo.

 

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Procissão que é marcada para o fim de tarde e que tem início no Jardim Público, após missa campal,  seguindo depois em direção à Praça do Duque, onde os andores estacionam, passando pela Ponte Romana, Rua de Stº António, Rua 1º de Dezembro, Praça da República  terminando a celebração em frente às Igrejas Matriz e da Misericórdia (Largo Caetano Ferreira)  ao som da Marcha de Chaves, com as cinco bandas do concelho. Embora não sejamos amantes do vídeo, este ano deu-nos para fazer o registo de imagens em movimento. Dois momentos, um é mesmo de vídeo e outro, mais breve com o destroçar da população é feito com uma composição de 108 fotografias, tomadas de 10 em 10 segundos.

 

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E é tudo, pois para além da missa campal e da procissão nada mais há, apenas a celebração religiosa sem qualquer tipo de festa anexa, daí o destroçar ser feito em apenas uns minutos, com o tempo suficiente de cada aldeia e freguesia recolher os seus oragos e regressar a casa.

 

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Sabe a pouco, tanto quando dura a “festa”,  mas é uma procissão de sucesso garantido para contento dos organizadores e mais sucesso teria se todas as aldeias participassem, mas mesmo assim dá quase para encher a Praça do Duque.

 

Ficam os dois vídeos:

 

 

 

 

 

E hoje, dado o adiantado da hora, não teremos o habitual regresso à cidade em imagem, embora nós regressemos, que remédio. Até às 9 horas com mais “Quem conta um ponto…” de João Madureira.

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:50
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Pastoria - Chaves - Portugal

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Nos últimos anos, quer pelo despovoamento das nossas aldeias quer pela crise financeira e económica que a todos afeta, as aldeias entraram num período de estagnação e envelhecimento. Além disto ser uma realidade serve também para justificar as imagens de hoje que são todas de há 9 anos. Mais precisamente do mês de março de 2009.

 

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Quanto ao despovoamento e envelhecimento das nossas aldeias há algumas exceções. Pelo que conheço da Pastoria penso que não é das aldeias mais afetadas por esses males, contudo também os sofre, em menor ou maior dose, mas nem tudo é mau neste pequena paragem no desenvolvimento que poderá mesmo contribuir para a salvação da integridade de algumas aldeias, não todas, pois para algumas já é muito tarde, mas pelo menos para algumas ainda será possível. Poderá parecer uma contradição, mas não o é, pois acredito que mais cedo ou mais tarde se tenha de fazer o regresso às aldeias e que aí impere o bom gosto dessa nova geração em preservar e reconstruir aquilo que as aldeias tinham e têm de mais genuíno, que as torna singulares e interessantes – refiro-me ao seu casario tradicional e tipicamente transmontano.

 

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Claro que para que isso aconteça serão necessários incentivos e apoios, incluindo o apoio técnico, sem imposições e sem o rigor que a maioria das vezes a Lei confere que ao querer controlar só descontrola, principalmente quando é controlada e aplicada por mentes quadradas que na Lei e nas suas lacunas apenas veem proibições.  

 

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Mas regressemos à Pastoria e a esta meia-dúzia de imagens que escaparam à escolha das imagens selecionadas para os posts dedicados anteriormente à aldeia. Quase sempre faz bem às imagens ficarem em banho-maria durante uma temporada, neste caso 9 anos, pois o nosso olhar e sensibilidade, com o tempo, também vai evoluindo, e depois como não estamos presos ao querer mostrar a aldeia toda de uma vez, como acontecia nos primeiros posts deste blog, agora temos mais liberdade para mostrar outros motivos, mas sempre limitados àquilo que temos em arquivo.

 

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Pelas mesma razões atrás apontadas, também se exige uma nova visita à aldeia, com um olhar mais apurado e sem as pressas de ter de cumprir calendário. Nas calmas e, se possível, entranhando-nos um pouco na vida da aldeia.

 

1600-pastoria (50)-1

 

Pois então fica combinado que voltaremos a passar pela Pastoria, só não sabemos é quando, mas uma vez que fica a promessa e não é promessa de político, cumpriremos. Até lá, não querendo com isto dizer que um destes dias a Pastoria não esteja por aqui outra vez com imagens que ainda temos em arquivo.

 

Antes de terminar fica ainda a informação que hoje não teremos a habitual crónica dos domingos de "O Barroso aqui tão perto", mas voltaremos de novo, ainda hoje, com uma reportagem que nos últimos anos sempre temos feito, a da procissão da Srª das Graças.

 

publicado por Fer.Ribeiro às 02:39
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Pecados e Picardias

pecados e picardias copy

 

 

Pecam

 

Pecam os que não pecam

Não por não saber pecar

Pecam  porque  a si se cercam

Num cerco de faltar ar

 

Pecam sós os pecadores

Ao esconder os seus pecados

Dão à soberba louvores

Que não deviam ser louvados

 

Pecam os que deixam fazer

Fortuna aos desafortunados

Vão deixá-los bem dizer

A sina dos desgraçados

 

Pecam tristes os sofredores

No sofrimento parados

São tolhidos pelas dores

Do ter aprendido calados

 

pecam todos e ninguém

nem sabem que são pecados

dormem a soldo de alguém

que os tem acorrentados

 

pecam eles e somos nós

a apontar pro pecado

isto já vem dos avós

era o futuro, do passado…

 

Isabel seixas

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 00:30
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Sábado, 17 de Setembro de 2016

Pedra de Toque - As Curvas da Madrugada

pedra de toque copy.jpg

 

AS CURVAS DA MADRUGADA

 

O sol, clareia-me,

Quando escureço.

 

Depois

Quando a noite

Desce à cidade deserta,

Só o sibilar do vento

Embala o meu silêncio.

 

Nas ruas que andarilho

Não me cruzo com os passos de ninguém.

 

Procuro-te, então na copa das árvores,

Nos fetos dos bosques, na sombra densa

Onde, misteriosa, te escondes dos meus beijos.

 

Quando adormeço,

Moras comigo.

 

Mas quando desperto

Nas curvas da madrugada,

Acaricio-me nos teus cabelos.

 

 

António Roque

publicado por Fer.Ribeiro às 00:57
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Sexta-feira, 16 de Setembro de 2016

Discursos sobre a cidade ou outra coisa... como o regresso às aulas

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Não quero acreditar que esta primeira imagem já seja de arquivo, que seja verdade o que se diz… por isso, enquanto não for lá ver com os meus próprios olhos,   falemos de outras coisas mais sérias, como a  relação do ser humano com os animais que sempre foi regida pela noção de domínio. Acostumado à ideia de legitimidade da exploração dos animais e da natureza, o homem tem agido, muitas vezes, com arbitrariedade, torpeza e irresponsabilidade, ou então falemos do rapaz que está a ir para a escola e no caminho, encontra uma colega de turma, que não conseguia parar de rir: - Interessantes essas meias que estás a usar, Ricardinho... uma amarela e outra azul... - É verdade. Tem graça é que lá em casa tenho outro par igual!

 

1600-(28791)

 

E continuemos com o homem estava em casa a ver televisão e a comer amendoins. Atirava-os ao ar para em seguida apanhá-los com a boca. A meio da acrobacia a sua esposa fez uma pergunta, e quando ele se virou para responder, um amendoim caiu-lhe dentro da orelha.

Ele bem que tentou tirá-lo mas apenas conseguiu enterra-lo ainda mais. Após horas a tentar, começaram a ficar preocupados e decidiram ir ao hospital.
Estavam a fechar a porta de casa, quando chegou a filha com um amigo. Após serem informados do problema, o amigo da filha disse que conseguia tirar o amendoim.

O jovem enfiou dois dedos pelo nariz do homem a dentro e disse para ele expirar com força.

O homem assim fez e o amendoim saltou fora.

A esposa e a filha saltaram e gritaram de alegria.

O jovem insistiu que não era nada de mais e foi com a filha para a cozinha comer qualquer coisa.

Assim que saíram, a mãe virou-se para o pai:

- Não é maravilhoso? Não é esperto? Que achas que ele vai ser quando crescer?
- Pelo cheiro que tem nos dedos,... vai ser nosso genro.

 

 

Hoje foi assim, pois a ser verdade é mais uma anedota!

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 02:46
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