Sábado, 2 de Agosto de 2014

Castelões, mais uma vez...

 

Hoje vamos mais uma vez até Castelões, e é sempre com agrado que o fazemos, não só aqui virtualmente, como sempre que vamos por lá, em carne e osso, de verão ou de inverno.

 

 

E gostamos de ir por lá porque ainda há muitas preciosidades para registar em imagem, além da simpatia com que somos recebidos e porque tem sempre gente nas ruas, o que já começa a rarear na maioria das aldeias de montanha.

 

 

Pois hoje trago-vos quatro registos de momentos e imagens que gostei de uma das últimas vezes que subi até lá.

 

 

Sempre o granito, a madeira, algumas engenhocas, utensílios, alfaias e soluções arquitetónicas curiosas que fazem sempre a diferença e a singularidade das nossas construções rurais tradicionais.

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 03:03
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Sexta-feira, 1 de Agosto de 2014

Discursos Sobre a Cidade - Por Gil Santos

 

CONTRABANDISTAS

 

A Rosa Doninha, Rosa por casmurrice do padrinho, Doninha pela argúcia na fuga aos carabineiros, nas veredas da raia, era contrabandista afamada. Nasceu da crujidade. Era filha de mãe solteira e zorra de um figurão flaviense de família, que lhe negou o sobrenome.

 

Levava a vida pelas touças e pelos carreirões, entre Chaves e Feces de Abaixo. O mais das vezes a coberto da noite, colada às sombras, de coração nas mãos, mas sempre de olho arregalado e pé ligeiro. Inimigos, que se lhe conhecessem, só mesmo os guardas. Do lado de cá, os Fiscais, de farda de cotim e chapéu meio azul de pala preta. Do de lá, os carabineiros de uniforme verde e chapéu de verniz à Bonaparte. Da Galiza carregava azeite, bacalhau, peças de pana, tabaco e caramelos, de Chaves atoalhados e café.

 

Pese embora andar sempre no fio da (sua) navalha de ponta e mola, vivia derringando polaina com os proventos da atividade. Ao longo dos muitos anos da profissão, construiu uma teia de relações que, do lado pátrio, permitiam um controlo quase perfeito do risco. Plantava boas relações e delas colhia segurança. Agia em função das informações que pagavam os favores aos Guardas-fiscais. Ela conhecia, quase sempre, o lugar, a hora e quem fazia as patrulhas na raia e nos seus caminhos. Chegava mesmo a identificar, à légua, o ronco do jipe da Guarda de Chaves. Portanto, da nossa banda, tinha a coisa controlada. Raramente havia novidade. Mesmo quando no quartel havia gado novo, depressa o capava, acabando-lhe com o cio. Apanhasse-o a jeito, a certas horinhas, atrás de qualquer giesta e depressa o punha a pastar no fanenco da poula. Guarda que provasse a fronça da pioneira, ficava manso como um reco de ceba. E como a Rosa sabia tirar fruto da sua figura trigueira, à qual, raramente, resistia a gula dos marmanjos!..

 

Do lado galego era o catano! Não sei se por mor da língua, da cultura, da nacionalidade ou da frequência do roulement. Sei é que abominava os carabineiros, não se lhes dando por nada! Não podia com eles, nem à lei da bala e, se pudesse, afogava-os a todos no Tâmega. Apelidava-os de lafraus, de bardinas e de gandulos, uns sacripantas papantes, excomungados, uns filhos da puta! Mastins que nem do purgatório eram credores!..

 

Em Feces, traficava com o Gumesindo que tinha comércio no miolo do pueblo raiano. Fazia-o a qualquer hora, de preferência após o expediente. E entendiam-se às mil maravilhas. As contas eram saldadas à semana, com manhuços de notas de peseta ou escudo.

 

Pelo mês dos primeiros cantos do cuco, o galego precatou-a de que habia carabinero nuevo en el cuartel de la frontera. Parece que era das felpas do diabo! Chamavam-lhe Manolo Rúbio, de nomeada, El Cabrón. Ainda por cima era birolho, olhava, portanto, escontra o governo!

 

Y si Dios lo à marcado, algun defecto le à encontrado! – afirmava Gumesindo!

 

O salafrário vinha escorraçado de S. Gregório, onde, diziam, ter feito das boas e das bonitas! Tinha fama de ser inexorável nas rondas e não perdoava à própria mãe, por sinal também contrabandista. Que fosse profissional, ainda vá que não vá, o pior é que tinha manhas lebadas do arco da belha. Diz que matava e escochava por dá cá aquela palha. Tinha, ainda, o hábito de surripiar o contrabando aprendido e ainda tudo o mais que pudesse. Desditoso do que lhe caísse na gadanha! Sendo macho, era carga de coronha pela certa, ou mesmo um tiro à falsa fé. Em sendo fêmea, a pássara, no mínimo, teria que voar para o ninho do lapardana! Havia quem dissesse que não chegavam os dedos de cinco mãos, para contar os que já tinha passado a fuzil e as que violara. Daí a nomeada de Cabrón com que nuestros irmanos o batizaram.

 

O Tâmega corria de monte-a-monte pelas grossas zerbadas da primavera. Mesmo a ribeira de Arcossó, vinda de Lama de Arcos e que era linha de fronteira e a mais usada pelos contrabandistas, ia grossinha. Portanto, dois obstáculos duros de roer, mesmo para os mais afoitos. Além do mais, os carabineiros conheciam os portelos da ribeira como o pastor o seu rebanho! E, se ao produto vindo de Espanha, até fechassem os olhos, de vez em quando, o português, muito apetecível, era derriçado como o rafeiro faz à carniça. Problema sério para o negócio da Rosa Doninha. Andava tralhada, não só pelo risco de se cruzar com o Rúbio, como pelas inusitadas cheias. Contudo, com estas podia ela bem, agora com o Manolo, poderia ou não! O velhaco provocava-lhe a mesma angústia que o Adamastor teria provocado aos pobres marinheiros portugueses dos descobrimentos. Urgia, portanto, um plano que o neutralizasse. A Rosa era mulher de armas e não deixava os seus créditos por mãos alheias. Que esperasse pela pancada!

 

Por aquela altura, o que dava era o contrabando de tabaco. Rosa não parava de carrejar volumes e volumes de Lola, para um palheiro que tomou emprestado na saída de Vila Verde para Outeiro Seco. Então, pela tardinha de um sábado, quando se preparava para o derradeiro carrego da semana, Gumesindo preveniu-a que soubera, por portas travessas, que na noite do próximo domingo, o Manolo estaria escalado para a vigia da ribeira de Arcossó. O serviço seria partilhado com o camarada Mourillo, um copofónico inveterado. Informou-a, ainda, que o meliante, conhecedor da fraqueza do parceiro, costumava encafuar uma botelha de Fundador Domecq no bornal para o anestesiar, deixando-o debaixo de um amieiro a curtir a cardiela. Desta forma, não seria estorvado na ação predadora.

 

A Rosa, vendo a sua boa, nesse mesmo domingo, pela manhãzinha, foi a Outeiro Seco à procura dos favores do seu amigo Chico Milheiro. Tratava-se de um reputado apicultor que dominava, como ninguém, a arte de tratar as abelhas e mesmo até de lidar com as vespas suas primas. Além do mais, ela conhecia-lhe um ódio antigo aos carabineiros. Contas velhas por ajustar. Deu-lhe conta da intenção e pediu que lhe metesse, numa caixa de papelão, o mais bravo vespeiro que lhe pudesse topar. O Milheiro, entusiasmado, providenciou a encomenda num ápice. Pouco depois do almoço, estava a txirga armada. A Rosa agradeceu e seguiu com o precioso embrulho por Vila Meã para Feces de Abaixo. Dirigiu-se à tienda do Gumesindo onde lhe explicou o propósito. Juntos, trataram de rebuçar o vespeiro numa caixa de tabaco, devidamente identificada. Fizeram-no de modo a que, quando se abrisse o caixote do tabaco, se escancarasse também a do vespeiro.

 

Aquela noite de domingo caiu límpida e seca, dominada por uma lua cheia da mais pura prata. Parecia dia! Quando lhe pareceu boa hora, alombou com o caixote e tomou uma das veredas mais descobertas para a ribeira de Arcossó. O coração rebentava-lhe no peito e a emoção secava-lhe a goela como o sol a palha centeia no restolho. Não tinha ainda vencida meia jornada quando lhe salta ao caminho, sozinho, o carabineiro Manolo:

 

- Alto niña, que estás llevando?

 

- Tabaco mou senhor, apenas tabaco!

 

- Cigarrillos? Hombre, entonces tenemos una chica de fumar?! Non quieres tu fumar outra cosita?

 

Ladina, com a manha da raposa, Rosa fingiu-se em pânico e implorou clemência. O carabineiro convenceu-se da sua pouquidade. Ela pintou-lhe um quadro negro de desgraçadinha com uma catrefada de filhos cujo pai abandonara e ela tinha de nutrir. O carabineiro, à medida que a ouvia, ia deixando murchar a espingarda que lhe apontava ao peito.

 

- Hombre, si quieres que te perdone, tienes buena medicina: Viene!

 

Pegando-lhe num braço, arrastou-a para um giestal contíguo ao caminho. Ela percebeu a intento do lafrau, mas, guicha como era, deu-lhe a corda que lhe convinha! Mal saltaram a parede de pedra solta, já o Cabrón grunhia como um reco no cio. Logo que sentiu o fanenco, fofo, sob os cascos, atirou-se a ela para a debulhar. Rosa resistiu, alegando que ela própria o faria e mais ligeira. Entrementes, o salafrário, desapertava a cilha e, espumando, arreava as pantalonas deixando ao léu umas ceroulas surradas que tresandavam a mijo recesso. Nestes proparos, e sob um smile trocista da lua cheia, apressou-se a atirar o jaleco para cima de uma giesta-pioneira. A Rosa, ainda composta, para o ocupar, insistia que o queria descalcinho até ao pescoço para proveito de ambos!

 

Estava em brasa, o biltre!..

 

Sacou as botas, despiu as ceroulas e mostrou as vergonhas ao luar de maio. A lua abriu a boca de pasmo! A Rosa também! Fosca-se, nunca tinham visto farramenta tamanha! Como aquela bisarma só mesmo a do burro do moleiro da presa de Curalha! E o birolho estarrincava os dentes, adivinhando-se atolado naquelas carnes de mulher roliça. Não via a hora de afagar a lascívia no cidouro quente da contrabandista. A Rosa tinha-o como o queria, muito para lá de calças na mão! Aproximou-se d’amodinho e fingindo preliminares, acertou-lhe tamanha joelhada no beringalho e respetivos guizos que o pregou de cangalhas. Dobrado sobre si mesmo, espojava-se no fanenco a gemer, qual burro sarnento! A Doninha aproveitou e deu-lhe uma trepa das antigas. Deixou-o estrumado no chão do giestal e pôs-se ao fresco. Na fuga, ainda teve oportunidade de topar o Mourillo a ressonar como um reco, debaixo de um carvalho, exalando os vapores do brandy que o adormecera.

 

El cabrón só recuperou do trompasso e o Mourillo da camoeca pela madrugada. Caladinhos, levaram a colheita ao posto fronteiriço, onde teriam de a apresentar ao superior de serviço. Não deram parte de fracos. Era como se nada se tivesse passado! O pessoal de serviço reuniu-se, numa pequena sala, para escrutínio da apreensão. Manolo, meio engranhado, não certamente pelo sereno da noite, preparou-se para abrir o caixote de papelão. Escacholou as badanas e ainda não tinha acabado, quando se evadiu a fúria do vespeiro. Os insetos, danados pelo stress da prisão, filavam-se em tudo o que era carne ao léu. Pela manhã, os focinhos dos seis carabineiros pareciam bombos! Claro que a notícia correu célere e a semana que se seguiu foi um paraíso para os contrabandistas!

 

Soubemos mais tarde que El Cabrón requereu outra freguesia para pregar! Foi destacado para o Caia. Nunca mais dele se ouviu falar.

 

Um dos filhos mais novos da Rosa Doninha, Adolfo, foi meu amigo e colega de liceu. Ora, naquele tempo, o dinheiro era coisa que poucos avezavam. Portanto, qualquer oportunidade para ganhar algum, era avidamente aproveitada. O Adolfo tinha uma mota Famel Zundapp, para o tempo uma verdadeira preciosidade. Um dia, convidou-me para uma aventura contrabandista em que podíamos ganhar uns patacos. Tratava-se de passar, por conta de sua mãe, uns fardos de bacalhau de 25 Kg, desde Feces até Lama de Arcos. Por cada um choveria uma notinha de quinhentos. Um dinheirão! Aceitei!

 

No final de uma tarde quente do mês de maio, montámos na Zundapp e ala, na prise, para a fronteira. Arrumámos a motorizada numa touça, no termo de Lama de Arcos, e fomos até ao Gumesindo. Botamos duas sandes de chorizo revilla e duas Coca-Colas, regalo del amigo gallego. Carregámos cada um seu fardo e toca a atravessar a ribeira para Lama de Arcos, onde o fiel amigo ficaria a aguardar melhor destino. Burrinhos, depois de atravessada a ribeira, tomámos a estrada por ser mais cómoda a jornada. Na primeira curva, esbarrámos com um Volkswagen carocha aparcado na berma! Apeou-se um paisano, bem-parecido, que nos mandou parar. Perguntou-nos de onde vínhamos e o que trazíamos. Respondemos com a verdade. Deu-nos ordem de prisão. Era, só, o comandante do posto da Guarda-fiscal de Chaves. O Adolfo ria-se. Eu fiquei apavorado! Como haveria de explicar a meus pais uma noite na pildra?!.. Os fardos do bacalhau foram parar à mala do carro e nós ao seu banco traseiro.

 

Da fronteira à cidade, fomos interrogados até ao tutano. Não ficara qualquer dúvida sobre quem eramos e o que fazíamos. O comandante seguiu pelo Lameirão até à Casa Azul e tomou a direção da velha ponte de Trajano. Atravessou-a e virou à direita para as Longras. Passou pelo Mercado Municipal e à frente encostou. Passou-nos um sermão e concluiu:

 

Ponham-se ao fresco! Desta vez escapam, porém, se vos torno a apanhar, espeto convosco numa casa de correção que nunca mais de lá saem! Não quero voltar as ver-vos as fuças!..

 

Quando ouvi estas palavras, senti-me aliviado do peso do mundo que me tinha caído em cima! Ganhei vida nova. Era como se tivesse renascido!

 

Abençoado fosse, para sempre, o comandante da Guarda-fiscal de Chaves. Deus o deixasse viver por muitos anos para continuar a fazer o bem pensava eu, feliz da vida!

 

Este homem, que à coisa pública sobrepôs a humanidade e a compreensão pela irreverência dos jovens, valia o seu peso em oiro!

 

Deus o protegesse!

 

Gil Santos

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 02:08
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Quinta-feira, 31 de Julho de 2014

Praça do Município - Chaves - Portugal

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 02:15
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Quarta-feira, 30 de Julho de 2014

Despertar em Chaves...

 

Quando as imagens são de marca, basta uma silhueta para a reconhecermos. Esta tem a marca Chaves, aquela de que eu gosto.

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 01:35
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Chá de Urze com Flores de Torga - 46

 

Lisboa, 8 de Março de 1970

 

Bem fujo, mas de vez em quando não tenho remédio senão vir aqui pagar uma décima qualquer, como o meu pai se via obrigado a ir fazer a Sabrosa. A vantagem do Velho é que chegava, subia as escadas da repartição, abria os cordões à bolsa, chamava mentalmente larápios aos do governo, e regressava a casa aliviado. E eu, embora noutro plano faça mais ou menos o mesmo, meto-me no comboio humilhado civicamente. O rosto português desfigura-se quando reflecte no tejo, se não é do convés de um navio a sair barra fora. Perde a terrosa mas honrada expressão natural a que o condena a pesada cruz geográfica – e começo a acreditar que também a biológica –, e adquire a desonrada de quem encorpora mimeticamente os gestos alheios. É um espectáculo confrangedor ver cair à primeira raspadela o verniz europeu que cobre o rosto destes governantes, destes literatos, destes cientistas, destes amanuenses, destes cidadãos do Chiado ou de Alfama. A meus olhos, pelo menos, que nunca o testemunho sem constrangimento. Não me conformo que haja na pátria duas singularidades: a autêntica do homem lusitano, e a postiça do homem alfacinha.

 

Miguel Torga, in Diário XI

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 00:45
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Terça-feira, 29 de Julho de 2014

Intermitências

 

Ela disse que sim

 

Ela disse que sim. Antes disso, tentou inspirar a luz. E emocionou-se.

 

Ela disse que sim. Antes disso, começou a ver cada coisa de sua vez, e a estar em cada momento em um só lugar. Inspirou a luz. E emocionou-se.

 

 Punta de la Mora, Costa Dorada, Espanha, Julho 2014. Fotografia de Sandra Pereira.

Ela disse que sim. Às emoções. Renunciou viver escrava das sensações. Saiu das sombras do mundo de hoje que teimam em rodeá-la e seguir para toda a parte. Inspirou a luz. E emocionou-o.

 

Ela disse que sim. Acrescentou-lhe sentido ao sentir. Emocionou-o. E ele amou.

 

Sandra Pereira

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 01:10
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Segunda-feira, 28 de Julho de 2014

Quem conta um ponto...

 

200 - Pérolas e diamantes: inversões

 

Vai bom o tempo para banqueiros e para cães de fila.

 

Não sei por que carga de água me lembrei de Yeats, mas as suas palavras soaram-me estranhas: “É a instrução no sobrenatural que nos salva das más companhias.”

 

Assim fosse e muito boa alma não tinha penado o caminho da desilusão.

 

Acreditei em tempos que Portugal era uma boa metáfora. Mas, sei-o agora, as metáforas também cansam.

 

O homem é o único animal que conta histórias, a única criatura que conta histórias a si própria para tentar compreender que espécie de animal é.

 

Foi também Yeats que escreveu: O intelecto do homem é forçado a escolher / A perfeição da vida ou do trabalho.

 

Porque a vida perfeita não existe para pessoas como eu, apenas me restou, e resta, virar-me para o trabalho.

 

Por causa das coisas, e para lembrar aos videirinhos da política local, evoco o artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos do Homem: “Todo o individuo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e de procurar receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações e ideais por qualquer meio de expressão.”

 

John Kennedy disse o mesmo em apenas quatro palavras: “A liberdade é indivisível.”

 

Há muita gente por aí que pensa que por pintar as asas de preto passa de repente a ser melro. Mas não, apenas fazem lembrar aquela gaivota que aparecia na televisão, durante a Guerra do Golfo, que, besuntada de petróleo, perdeu a capacidade de voar.

 

Boa gente cedeu ao medo, apelidando-o de respeito. Mas não é. É mesmo medo. O respeito é outra coisa bem mais nobre e simples.

 

Eu, por causa das coisas, inspiro-me em Edmund Burke: “Quem luta contra nós fortalece os nossos nervos e aguça as nossas capacidades. O nosso antagonista é quem mais nos ajuda.”

 

Ou seja, apenas os fracos e os autoritários viram as costas aos adversários e chamam-lhes nomes e, por vezes, pretendem fazer-lhes mal.

 

No mundo da política, muitos fazem que argumentam com base nos princípios. Mas à porta fechada, nas salas onde se tomam verdadeiramente as decisões, os princípios caem logo à primeira contrariedade.

 

José Saramago disse: “Dentro de nós há uma coisa que não tem nome; essa coisa somos nós.”

 

Salman Rushdie escreveu que “o espírito criativo é frequentemente tratado como inimigo pelos poderosos ou pelos mesquinhos potentados que não gostam do nosso poder de construir imagens do mundo que são contrárias, ou põem em causa, os seus mais simples e menos confessos pontos de vista.”

 

Charlie Chaplin bem nos avisou: A vida vista de perto é uma tragédia, mas vista de longe é uma comédia.

 

Tanto na autarquia como no país, os ilusionistas do costume, dizem-nos que a realidade pode esperar para o dia seguinte. Eu não sei é se isso ainda é possível.

 

João Madureira

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
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De Regresso à Cidade com o Tâmega eutrofizado

 

De regresso à cidade, ao calor que por cá é estupidamente quente (ontem ultrapassou os 40ºC) e a um rio verde, cujo esverdear se faz notar todos os anos em dias muito quentes, pois com o aquecimento das águas dá-se um fenómeno que dá pelo nome de eutrofização, isto é, uma Carência Bioquímica de Oxigénio (CBO), ou seja,  é a quantidade de oxigénio necessária aos decompositores aeróbios para decompor os materiais orgânicos presentes num certo volume de água. É um indicador da quantidade de matéria orgânica biodegradável presente na água, uma vez que, quanto maior a concentração de matéria orgânica de uma água, maior será a quantidade de oxigénio utilizada pelos decompositores. Poderemos dizer que é um fenómeno natural, e na realidade é-o, mas este acontece graças a intervenção humana, pois só a partir da construção das represas do Tabolado e do Agapito, para termos um espelho de água, é que este fenómeno começou a acontecer. É, é o custo do espelho de água, ou água verde eutrofizada ou então apenas um rego de água a passar por baixo de um arco da ponte, pois  a natureza não gosta de ser contrariada e responde com as armas que tem. Quanto a riscos para a saúde pública, penso que,  desde que não se beba aquela água ou se vá a banhos nela não nos deve fazer muito mal, só a cor deverá fazer alguma impressão, já os peixinhos, as lontras e outros habitantes do Tâmega não devem achar muita graça ao fenómeno, mas como isto são áreas que eu não domino, fico-me pela imagem (de ontem, domingo) e pelo acontecimento.

publicado por Fer.Ribeiro às 02:46
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Domingo, 27 de Julho de 2014

As nossas aldeias com imagens de Casas Novas

 Hotel Rural de Casas Novas

Há três ou quatro dias atrás num post sobre o Barroso eu dizia: “Às vezes vai-se tão longe, horas, dias a percorrer estradas para ver paraísos e paisagens nunca vistas quando as temos aqui tão perto, a minutos, uma hora que seja de viagem, esquecidas…” Nesse dia dei um exemplo do Barroso de Montalegre, mas poderia ter sido de terras de Vila Pouca, de Ribeira de Pena, de Valpaços, de Vinhais, de Boticas (também Barroso), de Chaves e, porque não, de terras de toda a raia galega que confronta connosco (concelhos de Montalegre, Chaves e Vinhais. Junto todos estes concelhos vizinhos de Chaves porque na realidade Chaves, geograficamente falando, é o centro de toda esta região que tem mais ou menos características comuns.

 

 Solar ou "Casa dos Vilhenas" - Casas Novas

Todas estas terras fazem parte do “Reino Maravilhoso” que Torga descrevia, mas eu acrescentaria que estas terras são um outro reino maravilhoso dentro do “Reino Maravilhoso” de Torga, mas em conjunto, pois só assim conseguirão ser esse reino e não é só pelas paisagens e pelo casario, mas por todo o património histórico, arqueológico, gastronómico e sobretudo por todo o património que tem a ver com a nossa gente, o património social cheio de tradições, saberes ligados à terra, sabores de uma gastronomia única (muito e bom), à vida comunitária, à religião. Temos todos os ingredientes para sermos esse reino maravilhoso dentro do outro reino maravilhoso que o é todo o Trás-os-Montes e Alto Douro, e o que se tem feito por ele? – Nada, ou pior que isso, tem-se desprezado estando mesmo em vias de extinção, pois esse reino maravilhoso de que eu vos falo não existe nas cidades nem nas sedes de concelho, mas nas aldeias com a sua gente lá dentro, pois as aldeias sem gente são como um teatro e o seu palco sem atores. Não basta existir um palco e uma casa de teatro para que o teatro aconteça, são necessários os atores. Com o reino maravilhoso das nossas aldeias acontece a mesma coisa, sem o seu povo não há aldeias, porque as aldeias são mesmo as pessoas, a sua tradição, o seu folclore, as suas crenças. As casas, apenas servem para abrigar esta grande família – ora é aí que está o reino maravilhoso e é por isso (já o disse há dias) que não interessa ao poder (político e económico, ou melhor, ao económico e aos seus lacaios) e é por isso que os do poder lhes viram as costas, e é por isso que as nossas aldeias estão em vias de extinção se, nada se fizer por elas, mas o mais engraçado é que as aldeias e todo o interior poderiam muito bem ser a solução (ou pelo menos contribuir para ela) de toda esta crise económica e financeira atual.

 

 Vista desde o interior do Hotel Rural de Casas Novas

Embora nesta história haja alguns culpados, principalmente os de Lisboa, os piores de todos, são mesmo os nossos culpados ou seja: - os nossos autarcas (ficam de parte a maioria dos Presidentes da Junta, ou será pedintes da junta?). Pois os nossos autarcas, à escala local, vão funcionando por imitação e obediência  aos de Lisboa e, se para estes últimos Portugal é Lisboa e o resto é paisagem, para os locais (do poder) o seu concelho é a sua cidadezinha ou vileca e o resto também é paisagem, pois nada, absolutamente nada têm feito para garantir um futuro sustentado (palavra que eles gostam tanto) das aldeias. E dirão eles – “ah não! A gente tem investido muito dinheiro nas aldeias”, e sou testemunha de que é verdade, primeiro foi em abastecimento de água, saneamento, estradas e até em escolas. Investimentos que chegaram tarde demais pois quando as obras destes investimentos terminaram já as aldeias não tinham gente para deles poderem tirar algum rendimento, a única coisa que aproveitaram à séria, foram mesmo as estradas para saírem das aldeias. Ultimamente os investimentos que são transversais a todas as aldeias/freguesias são a construção de casas mortuárias, alargamento de cemitérios e lares de terceira idade. Eu repito e sublinho: construção de casas mortuárias, alargamento de cemitérios e lares de terceira idade – Será preciso dizer mais alguma coisa? – Pois talvez só dizer que no próximo ano letivo está previsto encerrar as últimas escolas rurais que resistiram à última leva.

 

 

Casario rural tradicional de uma das ruas de Casas Novas

 

Mas, felizmente, ainda vai havendo alguns, poucos mas alguns bons exemplos daquilo que se pode fazer com e nas nossas aldeias. Projetos de pessoas que acreditaram e que em todos, repito em todos contam com as comunidades locais, as pessoas das aldeias como parte integrante desses projetos, mas não vou gastar mais palavras no assunto, pois basta visitarem os sítios na NET através dos links que a seguir vos deixo para ficarem a saber de que projetos se trata.

 

http://www.aldeiasportugal.pt/

 

http://www.aldeiasdeportugal.pt/PT/

 

http://aldeiasdoxisto.pt/

 

http://casasbrancas.pt/content/view/33/47/lang,pt/

 

Quanto às imagens de hoje são de Casas Novas, uma aldeia que tem de tudo para ser uma aldeia de sucesso e, até a nível de privados se tem feito alguma coisa por isso, mesmo contra todas as burocracias e toda a legislação que em Portugal apenas se atende pelo lado da proibição e não do consentimento. Está-nos no sangue, principalmente no sangue dos legisladores, por isso, ser também um dos traços da cultura portuguesa, mas não só. Ao respeito (burocracia) deixo um vídeo youtube. Está falado em castelhano e legendado em inglês, mas mesmo que não domine nenhuma destas línguas, entende-se bem. PARA OUVIR, POR FAVOR DESLIGUE O RÁDIO NA BARRA LATERAL DIREITA, conforme indica a figura seguinte:

Resto de um bom domingo!
publicado por Fer.Ribeiro às 04:21
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Pecados e picardias

 

Pecados e picardias

 

Sombras   pesam nas memórias,

ajustes de contas de passados presentes,

divagam   brumas  esfumadas nas histórias,

disfarces  de iguais fingem ser diferentes…

 

sombras pesam nas memórias

muralhas  acusam poderes dominantes

são os velhos  conselhos novas moratórias

novos castelos  acoitam indigentes

 

sombras pesam nas memórias

esperas cansadas de terra prometida

Esvaem-se em cinzas quaisquer oratórias

mentiras de morte epitáfios de vida

 

sombras pesam nas memórias

vamos pelos muros hirtos de amargura

jardins públicos  canteiros  de escórias

jazem pelos becos triste dependura

 

sombras pesam nas memórias

desenterram-se guerras  sepulta-se a paz

reféns dos monstros escondidos em glórias

sujamos o ego  com desculpa audaz

 

sombras pesam nas memórias

tropeçam no sono  acordam insónias…

 

Isabel Seixas

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 02:00
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Sábado, 26 de Julho de 2014

Castelo de Monforte - Chaves - Portugal

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 13:16
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Pedra de Toque - Menina Palestina

 

 

MENINA PALESTINA

 

Caíram bombas

Em hospitais de Gaza.

 

Plantas e sorrisos secaram

Porque a vida em Gaza

Virou fumo e destruição.

 

Território sofrido

Invadido por homens

Com armas letais

Que semeiam horror

E centenas de mortos.

 

Aterrado,

Vi nos braços de um pai

Agonizando, despedaçada, uma jovem menina.

 

O silêncio do mundo,

Arrepia e indigna,

Enquanto a morte apodrece

Em terras da Palestina!!!

 

António Roque

 

Fotografia de Mahmud Hans/AFP

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 03:11
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Sexta-feira, 25 de Julho de 2014

Apenas uma imagem, um pormenor, uma preciosidade

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 02:16
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Quinta-feira, 24 de Julho de 2014

vivências - " Os putos"

 

“Os putos”

 

“Parecem bandos de pardais à solta,

Os putos, os putos...

São como índios, capitães da malta,

Os putos, os putos...”

 

É assim que reza a canção por todos nós conhecida... Mas estes “putos” da canção não são os dos nossos dias...

 

Os “putos” de hoje, sobretudo os que são obrigados a crescer numa grande cidade, enfiados em minúsculos apartamentos, quase não sabem o que é brincar na rua, com outros “putos”, nunca tiveram de improvisar um brinquedo, nunca sentiram um pião a girar na palma da mão, nunca correram pelos campos, nunca fizeram uma fisga ou um carrinho de rolamentos, nem nunca brincaram às escondidas...

 

Os “putos” dos nossos dias têm tudo o que precisam (e até o que não precisam), mas nem por isso são mais felizes; chegam a casa e trancam-se no quarto a jogar computador, ou então a “conversar” no Facebook ou no Skype com pseudo-amigos, algures no espaço virtual... Muitos deles crescem, impávidos e serenos, sentados em frente a um écran, e quase nem se apercebem que há um mundo lá fora... Como consequência directa, a maioria deles não sabe sequer o que é ter amigos e conversar com eles, cara a cara, sem ser pelo toque dos dedos que se movem sobre um teclado ou um telemóvel para redigir mensagens vazias de conteúdo numa escrita simplificada e cheia de erros...

 

Daqui a alguns anos, e porque a idade não espera, vão tornar-se homens… e descobrir que nunca souberam ser verdadeiros “putos”...

 

Luís dos Anjos

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 01:49
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Largo do Arrabalde - Chaves - Portugal

 

Na hora de tomar esta imagem estava ciente que por baixo de mim ainda havia (há) um tesouro por acabar de descobrir, fica a imagem de outro tesouro que é sempre bonito de ver, mesmo sem pasmados , logo após o amanhecer.

publicado por Fer.Ribeiro às 01:41
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