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Terça-feira, 3 de Maio de 2016

Ocasionais - Larapiógrafo

ocasionais

 

“LARAPIÓGRAFO”

 

A minha fama de fotógrafo é demasiado «abrangente», «transversal», «seguramente» «de resto» «também» e «então» «incontornável», a merecer os «acÓrdos» entre os mais rigorosos e severos críticos da arte de manobrar «minoltas», maxi-«canons», «sonny-moritas» e outras fabulosas maquinetas que nos fazem ver que, pela Natureza, andamos de olhos tapados!

 

Mas, mais que essa afamada fama famosa, eu tenho o excepcional, raro e raríssimo privilégio, uma enorme vantagem e um imenso gosto de pertencer (ser associado) à ASSOCIAÇÃO de FOTOGRAFIA e GRAVURA «LUMBUDUS».

 

Sabem-me bem melhor as fotografias destes «lumbudógrafos» que um manjar no restaurante “Gaggan” (na Tailândia), no “Mamma Leone” (NYcity)!

 

Bem, bem, bem!

 

Não me «bindes» «agÔra» para aqui falar do «pernil fumado», do Leonel; da «massa com tortulhos», do Aprígio (antigo); ou da costeleta (qual «posta», qual car[v]alho!-Isso pertence (e bem!) à mirandesa!---“deixende-βos” de macaquices!) de vitela «BARROSû, da Cristina (Foz do Rabagão!- ai que tempos!) ou da Albergaria ( agora passou a Hotel) da Carreira da Lebre; ou do cozido da D. Ana, Morgade!

 

Bem, bem, bem!

 

Até mesmo uma malga de caldo (ou um “Pastel de CHAVES”!), na companhia dos «Blogueadores flavínios) me sabe pela vida!

 

Mas, como vos estava a dizer, aquele «pelotão» de «lumbudógrafos», agora já constituído por um «batalhão», com as fotografias que anda a espalhar por aí (quer seja pelas «vias rápidas» da internet; quer pelos Salões de Arte e Cultura, quer por “Adegas” “faustosas” e «Faustinas») ataca a imaginação e a inspiração do «mais  pintado» …quando não nos deixa com os «olhos em bico»!

 

Assim, quero deixar aqui, muito bem registado, anunciado, declarado e confessado que ando a cair constantemente na tentação de «larapiar» fotografias dos «lumbudógrafos», quer eles as ponham nos Blogues, quer nos painéis das «rotundas» e «avenidas» do Facebook!

 

‘Inda hoje, a «mimosa», de Águas Frias (profValbom); e “Vilarinho de Negrões”, do “Barroso Aqui tão perto”- do F. Ribeiro, me levaram a fazer um «golpe de mão».

 

Ai de vós, se eu soubesse fazer contas de «ó-fechores», seus «lumbudógrafos»!

 

“Larapiograficamente!

 

M., onze de Abril de 2016

Luís Henrique Fernandes

 

 

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Segunda-feira, 2 de Maio de 2016

Outra Realidade - Exposição de Ana Iglesias

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A partir de hoje e durante todo o mês de maio, na  Adega do Faustino, estará patente ao público a exposição de fotografia “Outra Realidade” da fotógrafa galega Ana Iglesias.

 

“Se souberes esperar, a gente esquecerá a tua câmara,

e então, a sua alma sairá à luz.”

Steve McCurry

 

“Quando saio à rua com a câmara fotográfica, apenas procuro captar a realidade urbana que está cheia de luz e vida. Congelo momentos que transmitam uma emoção, um sentimento, uma situação especial que acontece num segundo e que às vezes apenas eu vejo. Com essa realidade trato de criar o meu próprio mundo, sem alterá-lo mas transformando-o em algo para mim belo. A beleza pode ser vista em todas as coisas, ver e compor essa beleza é aquilo que procuro nas minhas fotografias.”  - Estas palavras  são de Ana Iglesias e testemunham bem a arte que está patente nas suas fotografias, porque Ana Iglesias não se contenta com apenas congelar momentos, emoções e sentimentos, antes, serve-se desses registos para criar e compor ou  acrescentar-lhes  arte, em composições aos que acrescenta o seu cunho pessoal. É aí que começa a arte na fotografia e a distingue de uma qualquer banal fotografia, de um qualquer registo.

 

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Ana Iglesias é Membro da antiga  Agrupación fotográfica Ourensana e da  Comunidade Fotográfica  Fotocomunity.

 

Quanto a exposições, Ana Iglesias apresenta os seus trabalhos ao público desde 2010:

 

2010

Ateneo de Ourense.

 

2011

- Exposição coletiva - homenagem a Benito Losada.

- Concello de Carballiño.  “A través dos meus ollos” . Outono Fotográfico.

- Casa da Xuventude de Ourense.  Outono fotográfico.

- Exposição Coletiva  - Violetas em “ Noite de Ronda”

.

2012.

- Exposição Coletiva -  Violetas en la exposición “Muller,erotismo e sensualidade”

- Galería Mitte de Barcelona.

 

 2013.

- Exposição coletiva -  Violetas en el Outono fotográfico.

 

2014.

- Centro cultural Marcos Valcárcel  -  “Outra Realidade”   .

- Centro sociocultural O ensanche. Santiago de Compostela. Outono fotográfico.

- Concello de Carballiño. Outono fotográfico.

 

2015

- Policlínico Cosaga. “Outra realidade”.

 

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Prémios:

  • Mención especial Raigame 2013, en categoría de serie.
  • 2º Premio fotografia Raigame 2014.

 

 

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Publicações:

  • Revista fotográfica Tetrablock. 2012.
  • Revista fotográfica Los expulsados del Paraíso. 2013.

 

É também com Ana Iglesias que o Blog Chaves se inicia com a organização de exposições de fotografia, tendo como Media Partner  a Sinal TV e contando com o apoio da Adega do Faustino e da Associação de Fotografia e Gravura Lumbudus, aos quais o  Blog Chaves agradece desde já a colaboração dos seus parceiros, à  Adega do Faustino por ter as portas abertas à arte da fotografia e à cultura, à Lumbudus por além de organizar as suas próprias exposições apoiar outras exposições de fotografia e à Sinal TV por se disponibilizar a divulgar este tipo de eventos.

 

 

Da parte do Blog Chaves tentará trazer a Chaves o que de melhor conhece em fotografia e que seja desconhecido ou pouco divulgado por estas bandas. Pensamos que este início com Ana Iglesias é um bom início, mas cabe a que por lá for ver a sua arte dizer se assim é ou não.  

 

publicado por Fer.Ribeiro às 12:48
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Quem conta um ponto...

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288 - Pérolas e diamantes: eu traidor me confesso

 

O “Livro de Ester”, um dos livros históricos do antigo testamento da Bíblia, diz-nos que a essência da tragédia dos seres humanos não reside no facto de os perseguidos e oprimidos aspirarem a libertar-se e a erguer-se.

O verdadeiro mal consiste em que, no fundo dos seus corações, os oprimidos sonham em tornar-se opressores daqueles que os oprimiram, os perseguidos aspiram a ser perseguidores e os escravos a serem senhores. Afinal isto já vem de longe.

Depois falam-nos dos traidores. Ou melhor, do traidor perpétuo Judas, que, segundo novas revelações históricas, não foi traidor nenhum, sendo até o discípulo preferido de Jesus.

Basta olhar para alguns atos de traição para o epíteto mudar de forma e sentido.

Em França, De Gaulle foi eleito presidente com os votos dos partidários da Argélia francesa. Depois foi capaz de acabar com a soberania francesa na Argélia e de conceder a independência total à maioria árabe. Os partidários de ontem apelidaram-no de traidor e tentaram mesmo matá-lo. Escapou por milagre a um atentado.

Abraham Lincoln, o libertador dos escravos na América, foi apelidado de traidor pelos seus adversários e acabou assassinado por um seu compatriota quando assistia a uma peça de teatro.

Os oficiais alemães que tentaram assassinar Hitler também foram acusados de traição e executados.

Amos Oz tem razão quando diz que na história surgem por vezes pessoas corajosas, avançadas ao seu tempo, que por isso mesmo foram chamadas de traidoras e mortas.

Aqueles que estão dispostos a mudar, que possuem a ousadia da mudança, serão sempre considerados traidores por aqueles que são incapazes de qualquer mudança, e lhe têm um medo de morte. Não a entendem e têm-lhe pavor.

Existem também os patrioteiros. Eça de Queirós dividiu-os em duas categorias: os defensores da “nação viva” e da “ciência justa” e aqueles para quem a “maneira de amar a pátria é tomar a lira e dar-lhe lânguidas serenatas”.

Os primeiros foram muitas vezes perseguidos, presos e mesmo executados. Muitos morreram no exílio, outros nas labaredas da inquisição e outros ainda nas prisões políticas do fascismo.

A maioria continua por aí a tanger a lira e a cantar modinhas ao jeito popular.

Atualmente quase nada distingue a burguesia do proletariado. O enquadramento cultural é muito semelhante. Leem as mesmas revistas do coração, folheiam o “Correio da Manhã” ou o “Jornal de Notícias”, entretêm-se com a mesma literatura de cordel, veem a mesma televisão e comovem-se sempre com as telenovelas ou com os programas de entretenimento. O fado e a música pimba embala-lhes os sonhos e abana-lhes o corpo. Tony Carreira aí está para o provar.

A cultura de massas triunfou. A burguesia e o proletariado distinguem-se apenas na capacidade de fazer e amealhar dinheiro.

Desculpam-se com a ideia de que a cultura é uma coisa pesada, que a vida tem de ser leve. Nivelou-se a inteligência e as ideias pelo mais baixo denominador comum.

Em vez de se discutirem as ideias, discute-se a comida, a bebida e a roupa.

Martin Amis tem razão: a brigada iletrada triunfou.

Experimento a mesma estranha sensação de Fernando Lopes Graça em 1937: “Apesar de nado e criado em Portugal, cada vez sinto mais a minha incapacidade para sentir e compreender as coisas portuguesas; e assim é que estou em me considerar uma monstruosíssima exceção àquela genial lei etnopsicológica, formulada por um conhecido jornalista português: de que para sentir e compreender as nossas coisas é absolutamente indispensável ter nascido em Portugal.”

 

João Madureira

publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
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Domingo, 1 de Maio de 2016

O Barroso aqui tão perto... Padornelos

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Como já vem sendo hábito nos últimos fins de semana, aos domingos damos uma voltinha pelo Barroso, que está aqui tão perto. Começámos a nossa incursão barrosã a partir do concelho de Chaves em direção a Montalegre, via Vilar de Perdizes. Já por aqui passaram Meixide, Vilar de Perdizes, Solveira, Stº André Gralhas e Meixedo, curiosamente todas aldeias das proximidades da raia que faz fronteira com a Galiza mas também todas elas da proximidade da Serra do Larouco. Exceção para Meixide que embora próxima da raia já fica mais distante do Larouco e exceção também na abordagem que fizemos à aldeia, pois foi muito breve, pelo que fica a promessa de uma abordagem a sério, mas ainda não será hoje.

 

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Hoje vamos continuar com a metodologia que aplicámos até aqui, com aldeias da raia e das proximidades da Serra do Larouco ou mesmo já em pleno Larouco, como é o caso da nossa aldeia de hoje que dá pelo nome de Padornelos. A única exceção é que deixámos de nos dirige a Montalegre para tomar a direção contrária.

 

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Padornelos já é uma antiga conhecida nossa. Sempre foi um nome sonante e muito badalado, começando logo em casa dos meus pais, a quem a minha mãe se referia amiúde e o meu aproveitava sempre para nos dizer que era a terra do romance “Terra Fria” de Ferreira de Castro. Mas não só, pois nos meus tempos de liceu apareceu por lá um puto castiço da minha idade, muito extrovertido e que vestia com orgulho o ser barrosão e que por coincidência tínhamos amigos de Montalegre em comum. De nome Afonso, tinha uma especial sensibilidade para as coisas da arte – pintura e escultura – com a particularidade de recorrer a materiais naturais, como tintas extraídas da cor das flores ou objetos/esculturas feitos a partir de raízes de urze e outros arbustos ou arvores, entre outros.

 

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Ao Afonso tinha-o encontrado pela última vez há coisa de vinte e tal anos com uma tenda na feira de artesanato que então se fazia no Jardim Público de Chaves. Cada vez que passava nas proximidades ou por Padornelos lembrava-me dele e perguntava sempre – que será feito do Afonso de Padornelos. Das últimas vezes que fui por lá em recolha de imagens, resolvi perguntar por ele. Pois que sim, que vivia lá com os pais, mas que ainda devia estar a dormir. Artistas! E a um artista nunca se incomoda o seu descanso. Contudo da última vez que lá estivemos, perguntámos mais uma vez por ele. Por coincidência quase em frente à casa dele. Eram 16 horas e a resposta foi a mesma – ainda deve estar a dormir, mas eu ligo-lhe a ver se atende – e atendeu e logo apareceu. Que ficara ali pela aldeia, agora com a mãe viúva e lá ia fazendo as suas coisas (esculturas). Coisas e Afonso que um dia traremos, com mais tempo, a solo, pois sou um dos fãs da sua arte.

 

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E se sou fã da arte do Afonso também o sou de Ferreira de Castro. Quis a sorte que nos meus tempos de liceu, numa fase poética, me tivesse dado para escrever umas coisas. Escrevi e um dia calhou ganhar o Prémio Ferreira de Castro, que, para além da medalha e do certificado, me ofereceu a obra completa de Ferreira de Castro. Não tardei muito e começar a lê-la.

 

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Claro que comecei pelo tão badalado romance “Terra Fria”. Além do próprio romance é impressionante como Ferreira de Castro nos faz sentir a própria aldeia onde a ação se passa, Padornelos, ao fazer-nos sentir a dura realidade da sua vida. Recordemos que o romance foi publicado em 1934 em que Ferreira de Castro observou in loco as aldeias barrosas, e em particular Padornelos, traçando-nos um retrato da vida do povo, evidenciando o sofrimento, a luta quotidiana e o modo de vida quase medieval que se fazia sentir nos inícios dos anos 30 do século passado.

 

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A aldeia de hoje já nada tem a ver com o Padornelos dos anos 30 do século passado. Alguns vestígios do que poderia ter sido, apena isso, do cenário atual já não há Leonardos  a lutar dia a dia pelo sustento da sua família. Ele a mulher, ainda sem filhos, procura em trabalhos esporádicos e principalmente no contrabando, ganhar algum dinheiro enquanto sonha para se estabelecer por conta própria com uma venda. É neste contexto que Ferreira de Castro nos descreve a atividade do contrabando, que então era o pão nosso de cada dia de contrabandistas a calcorrear o Larouco e Guardas-fiscais atrás ou à espera deles. Mas Ferreira de Castro vai mais longe. De volta a Padornelos um homem que havia estado emigrado nos Estados Unidos, o «americano» como ficam apelidados todos os que regressavam de terras americanas. Depressa começa a mostrar a sua riqueza que o leva a ser considerado um dos homens mais importantes e influentes da aldeia e é ele que dá origem ao drama que irá assolar a aldeia.

 

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“Terra Fria” é um romance que nos faz sentir uma constante solidão. Somos assaltados por imagens de uma terra desoladora, fria, onde a pobreza é a única condição conhecida e onde o rico julga ter todo o poder sobre o pobre que faz sentir em nós um sentimento de revolta. Ferreira de Castro para além de evidenciar a pobreza do Portugal profundo, neste caso o do Barroso, lança aqui uma crítica feroz ao abuso de poder do regime caracterizado no «americano» e na sua forma de agir.  Romance “Terra Fria” que passou a fita de cinema com um filme realizado por António de Campos em 1995 e protagonizado por atrizes como Alexandra Lencastre, Ana Bustorff  e Alexandra Leite, entre outra(o)s. Para quem gosta do Barroso, há dois livros que eu recomendo como de leitura obrigatória. Um é precisamente este,  “Terra Fria” de Ferreira de Castro. O outro, é do há pouco falecido Bento da Cruz, “O Lobo Guerrilheiro” . Diferentes, mas ambos muito reais quanto à vida do Barroso do século passado. Aliás as estórias que dão origem ao “Lobo Guerrilheiro” são todas elas estória reais do Barroso, e sei-o, porque antes de chegarem a livro, já eu as conhecia por serem contadas nos serões à lareira de casa dos meus pais.

 

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Mas vamos a Padornelos de hoje, sem Leonardos (que eu saiba), sem contrabandistas, sem guarda-fiscal mas com o Larouco sempre presente e com uma vida muito mais fácil que nos tempos do romance, mas ainda com o rigor dos frios ingratos de inverno, que embora os barrosões estejam habituados a ele, não deixa de ser frio, mesmo o da neve que para muitos é uma atração, para Padornelos é uma realidade que obriga os seus habitantes ao recolhimento forçado.

 

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Na página oficial na NET do Município de Montalegre, sobre Padornelos pode-se ler:

“É a referência lógica à terra fria barrosã, desde os tempos de Camilo, muito antes de Ferreira de Castro! Mas Padornelos goza de outras referências bem mais importantes (ou devia gozá-las)! Importa recordar que lhe foi concedido um foral autêntico, por D. Sancho I e confirmado, a 5 de Outubro de 1266, por D. Afonso III. Foi ‘’conselho sobre si’’, isto é, gozava dos privilégios que aos grémios municipais se concediam: “Os homens de Padornelos devem meter juiz e serviçal e mordomo e clérigo” E assim, por este documento que substituía o de Sancho I, se conferia existência jurídica ao rudimentar concelho, com magistraturas próprias. Dessas glórias antigas (foi depois uma das honras fronteiriças de Barroso) sobeja ainda o facto de ter direito a capitão residente para poder arregimentar homens, dos 18 aos 60, para a defesa nacional, sempre que Portugal fosse acossado.”

 

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Por sua vez no Arquivo Distrital de Vila Real sobre Padornelos pode-se retirar a seguinte informação:

“A freguesia de Padornelos esteve anexa à freguesia de Santa Maria de Montalegre, tornando-se depois reitoria independente.

Foi-lhe concedido foral por D. Afonso III, a 5 de Outubro de 1205.

Em 1839 surge na comarca de Chaves e, em 1852, na de Montalegre.

Freguesia do concelho de Montalegre composta pelos lugares de Padornelos e Sandim.

A paróquia de Padornelos pertence ao arciprestado de Montalegre e à diocese de Vila Real, desde 22 de Abril de 1922. O seu orago é Santa Maria.”

 

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Ora cá estão mais uma vez as contradições da História. Neste caso não é que seja importante, pois o essencial é historiado corretamente, que no caso é o foral que foi concedido a Padornelos.  Noutros casos a coisa é bem mais séria e altera a realidade dos acontecimentos. Mas para apoiar aquilo que eu digo, reparem que no sítio oficial na NET do Município de Montalegre se diz que o foral foi concedido por D. Sancho I e confirmado a 5 de Outubro por D. Afonso III, enquanto no Arquivo Distrital diz que o foral foi concedido por D. Afonso III, no mesmo dia 5 de Outubro, mas 61 anos antes, em 1205. Isto foi um pequeno aparte só para reforçar que nem tudo que está reproduzido na história está correto, e vem-me sempre à lembrança daquilo que a história diz sobre o Silveira e o Pizarro nas Segundas Invasões Francesas em Chaves.

 

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Por muita palavra que aqui se deixe sobre os locais que visitámos, a realidade, o viver estes locais ao vivo é outra coisa. As palavras têm a força que têm e as imagens, idem, aspas, mas ainda não há palavras nem imagens para fazer sentir os sons , os aromas e o tempero do ar a deslizar  nas nossas faces, principalmente estando na terra fria onde o ar é sempre diferente.

 

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E como o post já vai longo vamos ficar por aqui, para já, pois será sempre com gosto que regressaremos a Padornelos, não só pelo cozido à portuguesam, que isso é outra história, mas pelo ambiente, pela Serra do Larouco, pelo forno do povo, a igreja, a capela, a caso do sino ou do boi, pelo casario típico que ainda mantém a sua integridade e pela tais coisas que as palavras e a imagem das fotografias não conseguem transmitir e também para revisitar os amigos como o Afonso de Padornelos e a sua arte.

 

Como  de costume ficam os sítios da net consultados para recolha de informação:   

http://digitarq.advrl.dgarq.gov.pt/details?id=1066822

http://www.cm-montalegre.pt/

http://www.jfmeixedo.com/

 

Anteriores abordagens deste blog a aldeias ou temas do Barroso:

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 22:43
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Sábado, 30 de Abril de 2016

Matosinhos - Chaves - Portugal

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Hoje vamos abrir a porta a Matosinhos, uma aldeia de montanha do nosso concelho de Chaves.

 

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E uma vez aberta a porta damos uma voltinha pela aldeia. Mais uma, pois já não é a primeira vez que vamos por lá e também não será a última.

 

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Porta que já não abre é a da escola. Infelizmente, tal como quase todas as escolas das nossas aldeias, uma a uma, foram fechando as suas portas. Sinais da baixa taxa de natalidade mas também sinal de despovoamento rural. Males dos tempos modernos.

 

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E temos pena ver assim a morte lenta das nossas aldeias. Pois temos, não temos é o poder de resolver o problema, mas pelo menos podemos denunciá-lo.

 

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 Resta-nos a natureza, que essa, sempre nos vai surpreendendo pela positiva.

 

publicado por Fer.Ribeiro às 05:30
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Pedra de Toque - A Vida

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                        A VIDA

 

                        As paredes,

                        São pálidas

                        Como a doença.

 

                        Mas da boca,

                        Da boca nasce um rio de sabor.

 

                        Das mãos,

                        Das mãos crescem castelos coloridos,

                        Na conquista

                        Do teu ventre repousante.

 

                        A vida,

                        Alexandria de esperança,

                        Verte-me seiva nos olhos.

 

                        Ah! A vida…

 

                                                        António Roque

publicado por Fer.Ribeiro às 03:48
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Sexta-feira, 29 de Abril de 2016

Chaves, uma imagem feita de esperas

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:45
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10 - Chaves, era uma vez um comboio

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Poema de José Carlos Barros

in O Uso dos Venenos,

edições Língua Morta,

Lisboa, Agosto de 2014

 

NO TEMPO DOS POEMAS

 

Deixávamos as moedas no carril e ficávamos à espera a

olhar com o fascínio de quem é surpreendido num fim de

tarde pela presença de naves alienígenas num espaço de

silêncio e rarefacção a ver as rodas metálicas do comboio a

espalmá-las até ficarem assim nas mãos em concha de um

de nós como se tivéssemos recolhido enfim a prova irrefu-

tável dos milagres. Foi/

há tantos anos/

a senhora da bandeirinha vermelha perguntava se nunca

tínhamos visto um comboio/

lembro-me era no tempo dos poemas/

um verso podia ser também a moeda espalmada nos carris

da estação do caminho de ferro de Vidago/

tudo se misturava na mesma nuvem volátil de irrealidade

e sobressalto.

 

 José Carlos Barros

 

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In “Memórias de uma Linha – Linha do Corgo – Chaves”, Agosto de 2014

Edição Lumbudus – Associação de Fotografia e Gravura

 

Fotografias – Propriedade e direitos de autor de Humberto Ferreira (http://outeiroseco-aqi.blogs.sapo.pt)

Gentilmente cedidas para publicação neste post.

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 02:44
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Quinta-feira, 28 de Abril de 2016

O museu e o prado florido - dois olhares

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:29
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Flavienses por outras terras - Cristina Alves

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Cristina Alves

 

Nesta crónica do espaço “Flavienses por outras terras” vamos novamente até Angola, desta vez até à cidade de Benguela, uma cidade atlântica, 500 km a sul de Luanda.

 

É lá que vamos encontrar a Cristina Alves.

 

Mapa Google + foto - Cristina Alves.png

 

 

Onde nasceu, concretamente?

Nasci em Chaves, no hospital velho.

 

Nos tempos de estudante, em Chaves, que escolas frequentou?

Frequentei a Escola Primária de Santa Cruz-Trindade, depois fiz os 5º e 6º anos de escolaridade na Escola Nadir Afonso. No 7º ano ingressei na Escola Secundária Dr. Júlio Martins, até ao 9º ano de escolaridade (antiga escola industrial), e no 10º ano fui para a Escola Secundária Dr. António Granjo. Também frequentei o curso profissional de Administração e Gestão de Empresas no IEFP, antes de me candidatar ao Ensino Superior. Acabei a minha formação na Escola Superior de Enfermagem de Vila Real - UTAD.

 

Em que ano e por que motivo saiu de Chaves?

Saí de Chaves pela primeira vez por motivos profissionais, em 2011, para Angola. Estive a viver na Catumbela, que fica entre Benguela e Lobito, mas não fui bem sucedida e regressei a Portugal, em 2012. Contudo, a situação a nível profissional em Portugal continuava mal e com o tempo resolvi voltar para Angola, em Agosto de 2013, desta vez para Luanda.

 

Porquê Angola?

Porque desde que nasci que ouço as histórias que os meus pais, avós e familiares contavam, cresci a dançar merengue e a comer funge com óleo de palma. Os meus pais nasceram e cresceram na Gabela/Amboim e viram-se obrigados a abandonar a terra que os viu crescer em 1975. Os meus familiares, sem quererem, incutiram as suas raízes nos filhos e netos e a paixão que ainda mostravam pela sua pátria fez-me vir ao encontro da felicidade, da alegria, da beleza natural de que tanto falavam nas histórias de família…

 

Conheci uma Angola bastante diferente das histórias que contavam e das notícias que via passar na televisão na altura. Vi uma Angola cheia de tradições e culturas diferentes da minha realidade, vi muitas necessidades de quase tudo em muitas famílias, mas mais ao nível da saúde e da educação. Também vi uma Angola cheia de vontade, de festa e alegria, um país onde o clima é ouro e a terra é fonte de criação sem fim, onde o natural é belo e poderia ser melhor se o “bicho ser humano” não estragasse mais…

 

Hoje vejo uma Angola também minha, que me ensinou a “estranhar, adaptar e agora a entranhar” como diz toda a gente que conheceu este país, este continente Africano. Enfim, uma terra que me fez conhecer gente boa e gente má como em todo o lado, que me fez apaixonar e acreditar que juntos podemos fazer algo diferente e útil para as necessidades deste povo que merece atenção, e que já me ensinou muito…

 

Em que locais já viveu ou trabalhou?

Vivi na Catumbela, no Lobito, em 2011/2012. Em 2013 vivi no Rangel/Cidadela, na Ilha do Cabo, em Benfica e em Talatona na cidade de Luanda. Trabalhei no Hospital e assim que tive oportunidade vim para Benguela por ser uma cidade mais calma, mais organizada, e com outras oportunidades de vida pessoal e profissional.

 

Diga-nos duas recordações dos tempos passados em Chaves:

Se mencionar só duas serei injusta comigo e com a minha terra mãe! São tantas…

 

As tardes na quinta dos meus avós, junto dos animais e da lavoura, sempre acompanhada ao ritmo das suas histórias e cantares da época…

 

Os piqueniques que fazíamos em família, tipo casamentos.

 

Os encontros e saídas com as(os) amigas(os) de escola e da faculdade…

 

Já disse três…

 

 

Proponha duas sugestões para um turista de visita a Chaves:

Têm várias opções, visto sermos uma cidade cheia de história que os Romanos nos deixaram como herança! Devem passar sempre pelo Castelo e não podem deixar de ir beber a água das termas, indicadas para problemas do aparelho digestivo, assim como doenças crónicas e alergias das vias respiratórias.

 

Estando longe de Chaves, do que é que sente mais saudades?

Saudade de tudo… Saudade do meu bairrismo, saudade da minha infância, saudade da minha juventude… Saudade de casa, da família, dos meus animais, das amigas, dos meus “brinquedos”, das minhas “coisas”… Saudade de não ter responsabilidades, de não ter que decidir.

 

Com que frequência regressa a Chaves?

Depende. Uma a duas vezes por ano. Não é que não tenha vontade de ir mais vezes, mas são as circunstâncias e as prioridades da vida que decidem por mim.

 

Gostaria de voltar para Chaves para viver?

Claro que sim! Adoraria, mesmo sabendo que nada seria como era antes… Mas existe uma nova realidade: no dia que partir vou sentir saudades desta terra, e talvez me sinta dividida…

 

Ilha do Cabo, Luanda.jpg

O espaço “Flavienses por outras terras” é feito por todos aqueles que um dia deixaram a sua cidade para prosseguir vida noutras terras, mas que não esqueceram as suas raízes.

 

Se está interessado em apresentar o seu testemunho ou contar a sua história envie um e-mail para flavienses@outlook.pt e será contactado.

 

 

Rostos até Cristina Alves.png

 

 

 

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Quarta-feira, 27 de Abril de 2016

Ocasionais - Levado dos diabos!

ocasionais

 

“Levado dos diabos!”

 

“A livre eleição de amos não suprime

 nem os amos nem os escravos”.

-Marcuse

 

 

Qualquer pequenina ou grande coisa boa da NOSSA TERRA, lembrada, divulgada, aplaudida, premiada me toca, me enternece, me envaidece e me deixa reconhecido.

 

Um caravelho, uma cancela; um olmo, uma mimosa; um rego de batatas ou de couves; uma fonte ou um rigueiro; uma «cegonha», um «baldão»; um ninho de andorinha ou a «cama» de um coelho; a sineta de uma Capela ou Igreja ou o Cruzeiro, de qualquer Aldeia; um retrato do arruinado “Jardim das Freiras” ou o de uma desprezada Srª das Brotas; uma ameia do Castelo de Monforte de Rio Livre ou um ramo do pinheiro manso do Castro de Curalha; um Conto, um Romance ou um Poema, seja lá o que for, que traga consigo um cheirinho, um paladar, uma memória de CHAVES  -   “do BARROSO, da VEIGA ou da MONTANHA”   -   da (MINHA) NORMANDIA TAMEGANA (para os distraídos, lembro que o «condado» de Monterrey também é «meu»!) toca-me o coração, faz-me chorar de saudade e dita-me o agradecimento por ter nascido e crescido numa terra de encanto, de aconchego e de sonho.

 

Não. Ela não é madrasta!

 

Os estupores que a tomaram, graças a mentiras e traições, é que a têm arruinado.

 

 Como tem estado bem à vista, ao longo destes últimos anos «democráticos», o Bem Privado de oligarcas e movimentos políticos impera sobre o Bem Comum.

 

Mesmo sem perceberem patavina da doutrina do neo – liberalismo, os pindéricos oportunistas, infectados pelos vírus dessa «malária política», prestam-se, imbecil e ignominiosamente, a propagar essa peste, tirando proveito dessa oportunidade de moinantes.

 

Sim, o «Solar dos Montalvões»; os regatos de Outeiro Seco, as Ribeiras do Concelho, o Jardim das Freiras e o Jardim Público; o desprezo votado aos “Castros”, aos Castelos, às Capelas e a outros Monumentos de inquestionável valor histórico e cultural, a renúncia a Serviços Públicos, e a despromoção do Hospital, a falta de um Pólo Universitário são derrotas e desistências que a população Flaviense não merece, nem nunca mereceu!

 

Estas, e outras, tragédias atingem-na, subordinam-na, inferiorizam-na porque continua a temer a Deus e a adorar o Diabo … em figura de gente!

 

O «fado», o destino, a que outra distinta colaboradora do Blogue “CHAVES” referiu, não é, nem pode ser, não pode corresponder ao «fado», ao destino, que os Flavienses têm estado a viver.

 

É pena, e eu lamento imenso, que este Blogue «de CHAVES», e outros Blogues Flavienses, não cheguem diariamente aos olhos dos meus conterrâneos.

 

Estou certo de que se esses Blogues fossem lidos e comentados em casa, nas Tabernas, nos Cafés, nas Tertúlias… e até na «missa de domingo» (dispenso a do “7º dia”), as consciência dos Flavienses não andariam tão adormecidas, e esses petimetres administradores do Município, travestidos de políticos, empoleirados em galhos mais altos do que a altura dos seus méritos, piariam mais fino e mostrariam menos desrespeito pelos flavienses, pelo seu património histórico e cultural, pela riqueza das suas tradições e «questumes», pela beleza das suas paisagens naturais e pela sua vida!

 

Para tristeza da vida, bastar-me-ia o desgosto que carrego por ver a MINHA (a NOSSA) TERRA desprezada, abusada, maltratada, escarnecida, abandonada e injuriada e «gozada» “franciscanamente” por gente do piorio, sumamente incompetente na direcção dos destinos Municipais, insolentemente desrespeitosa com o seu Património, morbidamente safada nas incontáveis trafulhices com que prejudica o desenvolvimento e a qualidade de vida dos Flavienses.

 

E quando, em qualquer órgão de informação «clássico», em Blogues, em «redes sociais» ou em conversas me falam e mostram as «chagas», cada vez em maior número, com que cobrem A NOSSA TERRA, fico mesmo «levado dos diabos»!

 

A mediocracia que administra e empesta “CHAVES” ultrapassou, desde há muito, a tolerância democrática, a condescendência moral, ou o direito à esmola caridosa de benevolência!

 

Antes morrer com honra que viver com opróbrio!

 

Hoje, nem parece que CHAVES foi trono e púlpito do “Bispo Idácio”!

 

Hoje, até (me) parece que os Flavienses já nem sabem de que terra são!

 

Hoje, até (me) parece que os Flavienses já nem sabem a que terra pertencem!

 

Qualquer labrego politiconeiro lampeiro os «come de cebolada»!

 

Hoje, os Flavienses (a maioria) aí «residentes» até (me) parece que perderam o brio … e o pio!

 

Louvados sejam os, ainda, AÍ «resistentes»!

 

E eu não queria vê-los convertidos no «último mohicano»!

 

A Torre de Menagem, as Muralhas da cidade, a Torre de Santo Estêvão, os Fortes da cidade, o Castro de Curalha e o Castelo de Monforte de Rio Livre dão um corajoso e nobre exemplo do que foi a valentia dos Flavienses, do que pode valer, e vale, a resistência dos «resistentes»!

 

Louvado seja!

 

M., Vinte e cinco de Abril de 2016

Luís Henrique Fernandes

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 03:06
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Cidade de Chaves, uma imagem

1600-(46294)

 

 

 

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Chá de Urze com Flores de Torga - 128

1600-torga

 

Montalegre, 11 de Janeiro de 1970

 

Avisado por um amigo de que havia hoje cá na terra uma chega de toiros, meti-me a caminho debaixo dum temporal desfeito, e tanto teimei com a chuva, o vento e o granizo, que consegui chegar a horas de assistir ao combate. E valeu a pena. Se há em Portugal meia dúzia de espectáculos que merecem ser vistos, este é um deles. Primeiro, as bichezas, depois de nove voltas propiciatórias à capela do orago e da sanção da bruxa, a sair dos respectivos lugarejos, rodeadas pela juventude dos dois sexos, enquanto o sino toca a Senhor fora e o mulherio idoso reza implorativamente aos pés do Santíssimo; a seguir, a chegada dos cortejos ao toural da vila, as cerimónias preliminares do encontro — vistoria rigorosa dos animais (não tragam eles pontas de aço incrustadas nos galhos), a escolha do piso, etc.; finalmente turra — os dois bisontes enganchados, cada qual a dar o que pode, no esforço hercúleo de não perder um palmo de terreno, ou ganhá-lo, apenas cedido. Turra que dura eternidades de emoção, e só termina quando uma das bisarmas fraqueja, recua, e acaba por fugir.

 

1600-montalegre (371)

 

Não é, contudo, a luta gigantesca, apesar de empolgante, o que mais diz ao espectador forasteiro. É o halo humano que a envolve, os milénios de ancestralidade que ela faz vir à tona da assistência. Símbolo de virilidade e fecundidade, o boi é na região o alfa e o ómega do quotidiano. Cada povoação revê-se nele como num deus. Vitorioso, cobrem-no de flores; derrotado, abatem-no impiedosamente. Quando há minutos a turra acabou, depois de viver numa tensão de que a palidez de um padre a meu lado era a síntese, toda a falange que torcia pelo vencido parecia capada.

 

Miguel Torga, In Diário XI

 

 

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Terça-feira, 26 de Abril de 2016

Intermitências

800-intermitencias

 

Primavera

 

Nada de novo nos últimos meses. Os dias seguiam-se uns aos outros, sem surpresas, rotineiros. Ia para o trabalho, voltava para casa, sempre de cabeça baixa e olhos no chão. Que vida esta, pensava, escravo do trabalho...

 

Nada de novo nos últimos meses. Não tinha feito amigos novos, não tinha conhecido lugares novos, não tinha tido conversas interessantes, não tinha aprendido nada de novo. Ia para o trabalho, voltava para casa, sempre de cabeça baixa e olhos no chão. Que vida esta, pensava, escravo do trabalho e do lugar onde vivo...

 

Primavera.jpg

 Fotografia de Sandra Pereira

 

“Pode por favor olhar para mim quando lhe falo?”

 

Levantou a cabeça e viu uma bonita senhora servir-lhe o café acompanhado de um belo sorriso. “Não olhe para o chão a não ser que estejam aí as estrelas!”.  Ele agradeceu e decidiu seguir o conselho.

 

Saiu à rua e levantou os olhos. Viu um ceú azul, árvores em flor, pássaros a cantar, cães humidelmente alegres, e rostos de pessoas. Alguns sorridentes, muitos não. Olhou nos olhos cada rosto que se cruzava com ele. Não todos, porque muitos também andavam sempre de cabeça baixa e olhos no chão ou no telemóvel. Mas quando lhe retribuíam o olhar, sentia sempre um arrepio. Parecia que conhecia cada pessoa com que se cruzava, que sabia o que pensavam e sentiam. Pareciam-lhe tão humanos... quanto ele.

 

Sorriu. Era Primavera.

 

Sandra Pereira

 

publicado por Fer.Ribeiro às 12:30
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Um 25 de Abril em Chaves

1600-25-abril-16 (23)

 

Viva o 25 de abril! O esfoço que eu não faço por ele, pois deixar a caminha logo de manhã em dia feriado é obra, mas, do pouco que há, vale a pena, senão vejamos:

 

1600-25-abril-16 (21)

 

O relógio da torre da Câmara Municipal de Chaves marca as 5H30. Na praça está tudo a postos. Nos palanques os palancáveis, de fato e gravata, e só não botaram medalhas na lapela porque se calha não as têm, mas botaram cravo, tal como diz a canção: “Cravo vermelho ao peito/a todos fica bem/sobretudo dá jeito/a certos filhos da mãe”. Bombeiros formados, a banda começa a tocar o Hino Nacional e os miúdos do coro da Escola Dr. Júlio Martins começam a cantar a Portuguesa, aquela canção patriótica feita contra o ultimato britânico de 1890, de pela Pátria lutar, contra os canhões, marchar, marchar! É assim o nosso Portugal, elogiamos Camões porque canta o tempo glorioso dos descobrimentos e da colonização, cantamos uma canção que foi feita contra os ingleses a apelar à bordoada neles, por se oporem ao mapa cor-de-rosa. Quanto ao 25 de abril, o dia maior da história vivida por nós (os que assistimos a feito em 1974) pouco ou nada se liga e pouco ou nada se faz para o comemorar. Curioso disto tudo é que com tanto feito que vamos buscar ao passado e à monarquia, fomos dar em republicanos.

 

1600-25-abril-16 (45)

 

Mas continuando, depois de cantada a Portuguesa, seguiu-se a canção da gaivota que voava, voava,  e logo de seguida os bombeiros deram ordens de destroçar,  e o pessoal destroçou. A praça que até aí estava cheia de bombeiros, músicos da banda, políticos de cá, crianças cantoras da escola, palancáveis das aldeias e outros,  espaços vazios e uma mão cheia de pessoas, após o destroçar ficou vazia de todo.  Marcava então o relógio da torre da Câmara Municipal as  5H30 da manhã.

 

1600-25-abril-16 (153)

 

Do programa do 25 de abril em Chaves constava ainda, às 10H00 uma Aula de Zumba. Fosse lá o que isso fosse, como quem diz, seja lá o que isso é, suponho que não seja aquela do “Ora zumba na caneca, ora na caneca zumba…”, mas como ainda tinha 4H30 de intervalo pela frente, resolvi tomar um cafezinho, ali mesmo na praça do Duque. Café que me acertou em cheio e quando vou a dar por elas, já eram 10H45 no meu relógio. Lá se foi a aula de zumba e a corrida das 10H30 (também do programa). À corrida da Liberdade/Marcha da Liberdade/Kids Athletic  (isto Kids …também não sei o que é) só já assisti à chegada das mulheres, pois os homens (os primeiros) já tinham cortado a meta.

 

1600-25-abril-16 (197)

 

Para finalizar o programa do dia da Liberdade, para as 15H00 estava marcado um Encontro Municipal de Futsal Infantil. A este encontro falhei, claro,  depois de ter madrugado tanto e de toda azáfama da manhã, após o almoço fiquei a conversar com o sofá lá de casa. Terminada a conversa ainda fui consultar o programa da noite, mas azar o meu, tocou-me uma agenda de eventos  gatada, onde faltam algumas páginas, pois a seguir às 15H00 do tal encontro de futsal, a agenda  passa para dia 28, para umas danças. Pois então, e dado não haver mais nada durante a tarde e noite, resolvida que estava a conversa com o sofá, fui até à minha horta para ver se com o calor do dia nasciam os feijões, mas não, não sei que raio se passa, já os semeei há mais de um mês e não há meio de nascerem. Cá para mim já foram à vida!

 

1600-25-abril-16 (59)

 

Seja como for. Com feijões ou sem feijões, idem para as comemorações,  aqui ficam as imagens mais marcantes, ou a minha seleção de um 25 de abril em Chaves.

 

Viva o 25 de abril!

25 de abril sempre!

 

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 02:07
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