Quarta-feira, 16 de Agosto de 2017

Centro Histórico de Chaves, uma aldeia dentro da cidade.

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Os que acompanham este blog sabem que desde o seu início dedico os fins-de-semana às nossas aldeias. Primeiro as aldeias do concelho de Chaves, que ainda continuam por aqui todos os sábados, e depois passei para as aldeias do Barroso, que vão ficando por aqui aos domingos. Todas as aldeias são diferentes, mas há uma coisa comum a todas – o despovoamento e o envelhecimento da população resistente.  Trago este assunto das aldeias à baila porque quando  entro nestas ruas do nosso centro histórico de Chaves, aquele que esteve dentro das muralhas medievais,  parece-me estar a entrar em mais uma  das nossas aldeias. Casas abandonadas, degradadas e ruas sem vida. Apenas alguns resistentes resistem.

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:32
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Ocasionais

ocasionais

 

*Fintas e fiordes*

 

*Posso “estar em outro lugar

mesmo permanecendo aqui,

e se me retêm longe daquilo que amo

sinto-me excêntrico à verdadeira vida.*

-M.Merleau-Ponty-

 

 

Em dia de muito calor, num Verão atordoado pelas diabruras com que à atmosfera ou ao cosmos lhes deu na veneta de virem atormentar as criaturas predilectas de Deus, calhou-me ter de dar um passeio pela «Baixa» portuense, antes de subir ao 7º andar do Hospital de S. João.

 

Não me consta ter havido algum João, com honras de santo, que tenha feito o milagre de curar qualquer maleita   -   nem o Crisóstomo, apesar de lhe sobrar «palheta»!

 

Então, a mim parece-me mais justo e acertado atribuir o nome de um Hospital a Hipócrates  -  mesmo que os sons silábicos da palavra não resultem assim tão harmoniosos e dulcificados para os ouvidos dos «cheios de doenças» ou dos «cheios de saúde»   -,    a Galeno, a Christian Barnard, ou o nome de alguns “João-Semana” da nossa «parvónia»!

 

Olhem, por exemplo, João Araújo Correia!

 

Ou ao médico que me operou às «arcadas do meu violoncelo»!

 

Numa rua estreita e sossegada da «Alta” da «Baixa do Porto», topei com uma janelita   -   janela pequena   -   e uma portinhola   -   porta estreita   -   e um letreiro a anunciar o menu do almoço.

 

Custou-me adivinhar como se abria a porta.

 

Desci três ou quatro degraus.

 

Eram doze horas, “mei-dia” certinho, e das quatro mesas já duas estavam ocupadas por estômagos a bater horas!

 

Um homem, mais jovem do que de meia idade, gorducho, com ar asseado, calça azul, barba feita, pólo amarelo, e sóbrio nas palavras e no gesto, ditou para a janela da cozinha, que ficava ao nível da porta de entrada, a preparação da «sopinha» e das «tripas».

 

- Para beber? – perguntou-me.

- Vinho da casa, se tiver.

- Branco ou tinto?

- Tinto.

- Natural, fresco ou meio fresco?

- Meio fresco, respondi.

 

Almocei. E para sobremesa abriu-se-me o apetite para conversar com o papel.

 

E fui garatujando o que vos conto.

 

A salinha estava a ficar cheia.

 

Paguei. Lavei as mãos. E saí.

 

O calor da rua assustava.

 

Fui apanhar um palmo de sombra ali perto, à Cordoaria.

 

Nem uma erva mexia.

 

Uma folha  pestanejou, obrigando-me a desviar o olhar, pela surpresa e pela estranheza.

 

A frente da Cadeia da Relação bateu-me nos olhos.

 

Por uma das janelas, o rosto magricela com bigode farfalhudo, de Camilo, avisou-me que a sua alma penada andava por ali, pareceu-me.

 

Lembrei-me da «Ilha dos amores», lá, no Tâmega, junto a Stº Aleixo e perto da ponte de arame, por onde aquele pinga-amor caiu na primeira perdição. Quando a Ribeira de Oura e a de Avelãs, e o Noro se zangam atiram para o Tâmega uma fúria tal que a «ilha dos amores» é muitas vezes afogada!

 

Senti-me a perder o tino.

 

E perguntei-me a mim mesmo se estava à beira- mar ou à beira do rio.

 

O amor é uma perdição.

 

Sacudi a cabeça. Esfreguei os olhos. Pedi à Torre dos Clérigos que me apontasse o norte.

 

Virei para oriente.

 

Uma multidão entupia o passeio da Rua das Carmelitas. Era uma enchente, pois ela subia da Praça da LIberdade e da dos Lóios. Eram cardumes de turistas portugueses e das «landes», dos «fiords», dos «pólders», dos «shires», das «highlands»,  dos Alpes. Sim, cardumes, pois dava-me a impressão que os afluentes do «bazófias», do Nabão e do Trancão-maior, do Garona, do Nidelva, do Reno, do Tamisa, do Clyde, do Danúbio e do Volga tinham vindo desaguar ao Douro!

 

La naveguei, bolas!, lá me desenfiei, em fintas  e fiordes, até à «marina» da Praça da Liberdade.

 

Praça da Lberdade! Outra mania das grandezas, dos portugaletes; a qualquer «Largo» mais pequeno do que o Largo de uma ALDEIA pequena, os pedantes citadinos põem-lhe logo o nome de Praça! Depois, para se «armarem» ainda mais em inteletualóides dão o nome da «Praça» a um tipo, a um acontecimento, a uma data ou a um símbolo importantes , mas colocam lá a estátua de um «gaijo» ou de um símbolo qualquer, claro, que também importante.

 

Então, aqui, na «capital do norte» (que de capital não tem nada, para além de umas instituições de gosmice), praças pouco maiores que o adro da Igreja da Srª da Saúde ou da Srª da Livração, é um ver se te avias!

 

Mesmo apesar de alguns desapontamentos, o “Tabulado”, em CHAVES tem um tamanho e um encanto (“belezas que decerto vos escapam, a vós, indígenas descuidados”) que, comparado com estes «larguinhos» do Porto, pomposamente chamados «Praça», até merece a aplicação de um brasileirismo muito justo e adequado:PRAÇÃO” do TABULADO!

 

E que «classe», e que «categoria» tem uma das Praças mais castiças e com mais particularidades, minudências e grandiosidades, da Europa, situada na «nobre cidade de CHAVES», ficando-lhe tão bem o nome, mesmo subentendido, de LARGO:

-   O ARRABALDE!

É, é!

 

Vá eu para onde for, ande eu por onde andar, apanho tudo e mais alguma coisa para termo de comparação com o meu torrãozinho natal   - a NOSSA TERRA!

 

E, quereis ver?!

 

Como não quero, para o regresso a casa,  apanhar o «Metro» nem o comboio, lá tenho, para apanhar a «caminete», de subir a Rua de Stº António!

 

Ora, se conheceis esta Rua daqui, já compreendereis melhor porque puxo «a brasa à minha sardinha», que é como quem diz: a Rua de Stº António, de CHAVES, é bem mais bonita e agradável (nem que seja só pela maior comodidade de subi-la ou descê-la) que a tripeira!

 

Em dia de muito calor, num Verão atordoado pelas diabruras com que à atmosfera ou ao cosmos lhes deu na veneta de virem atormentar as criaturas predilectas de Deus, lá consegui chegar a casa e matar saudades de CHAVES, passeando o olhar por alguns dos Blogues que os meus conterrâneos, de alma ou de coração, vão construindo.

 

Mozelos, treze de Julho de 2017

Luís Henrique Fernandes

 

 

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Terça-feira, 15 de Agosto de 2017

Mar flaviense...

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Por cá, foi assim o nascer do sol de ontem. Se não fosse por conhecer e saber onde estava, diria que ao fundo se via o mar com uma ilha no meio. A “ilha” é a Serra de Mairos, a Cota de Mairos, e a fazer de mar é um pouco de neblinas com algum fumo à mistura, tal como o colorido de céu se devia a algum fumo dos últimos incêndios. Só falta mesmo dizer que por baixo daquele “mar” é o vale de Chaves. De vez em quando vale a pena madrugar e subir à croa das serras para ver estes espetáculos da natureza. Este foi visto, algures, entre o S.Caetano e Soutelinho da Raia, quando o relógio marcava 07:12:23.

 

 

 

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Chaves D'Aurora

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  1. FRADES SANTOS.

 

Durante algum tempo, em tempos que já lá se foram, por volta da meia-noite, almas penadas de frades devotos apa­reciam, entre as árvores do Campo do Tabolado, junto às fontes, a lerem seus breviários, sob a luz de velas que se prendiam aos capuzes, na cabeça de cada um.

 

– Vinham envoltos em seus hábitos de burel e tinham – assim contava Rodrigo, a dramatizar – as mãos e as faces esbranquiçadas! Círculos escuros em volta dos olhos e da boca! Estavam presos, uns aos outros, por correntes que se arrastavam pelo chão! E entoavam… o cântico dos mortos!!!

 

Tomou um gole de Porto, fez uma pausa teatral e, em seguida – Essas terras pertenciam ao senhor Paulo de Maga­lhães, organista da Igreja Matriz. Pois o pobre homem, e to­dos de sua casa, viviam apavorados com o que viam. Aliás, já acreditavam até no que não viam e, piamente, davam fé ao que os outros contavam. E quem conta um conto, aponta dois – ao que Afonso motejou – Mas tu, Rodriguito, sempre nos apontas mais de quatro!

 

O primo riu – O que se deu é que os empregados já não saíam mais à noite. Alguns até chegaram a adoecer de febres e… – o narrador fez um sorriso maroto – de disenterias. Viviam a correr lá pra casinha... – motivo pelo qual riram­-se todos. Rodrigo tomou mais um Porto e prosseguiu – A mulher de Magalhães disse ter visto a alma de um frade a lhe pôr a língua para fora e pegou umas tremuras de maleita. Só ficou boa à custa de penitências e vultosas dádivas de dinheiro que ela ofereceu ao convento, o qual ficava logo ali, coladinho às propriedades do marido, em terras que se es­tendiam até um ponto do caminho para Vilar de Nantes. Fez isso a conselho dos próprios frades dessa irmandade. Estes, aliás, ao contrário das aparições, estavam muito bem vivos e com bastante saúde.

 

A garrafa do Porto estava cada vez mais ébria de va­zio, quando o primo, bem sóbrio, pareceu concluir – En­fim, eram tantos os problemas com essas almas penadas, que o tal organista preferiu partir para sempre de Chaves, com toda a família. – Fez outra pausa e, a julgar que fosse esse o final da lenda, os mais reagiram. O narrador prosse­guiu – Calma, calma, ainda não acabou. O facto é que, toda vez que perguntavam a esses monges sobre as almas pena­das, eles se diziam muito preocupados. No século anterior, uma peste havia dizimado quase toda a congregação que ali praticava. Seriam então de alguns desses frades, com a sua triste e pestilenta memória, as almas que agora estavam ali a assombrar?

 

Já então a pequena Arminda esbugalhava os olhos, en­quanto o contador de histórias seguia o curso da narrativa, assaz interessante – O próximo a se tornar proprietário das terras do organista chamava-se Francisco Durão. E aquele, meus primos, fazia jus ao nome! Saía sozinho pela noite, madrugada afora, devidamente provido de armas e pronto a enfrentar, fosse quem fosse: os vivos, os não vivos, os mor­tos e os não mortos. Pois não é que as almas, desde então,  nunca mais apareceram? O valente Durão ficava a gritar “Ó seus fradecos penados, que raio de almas cagadas são es­sas, que têm medo de levar espada ao cu?

 

Mamã, de imediato, externou-se ofendida nos ouvidos. Rodrigo pediu desculpas e tentou corrigir o chulo palavrea­do – Cá me perdoem, meus caros, na verdade era assim que ele gritava: “quem é que têm medo de levar ferro ao bucho?” – mas apesar do conserto feito, o efeito desconcertava. Al­guns risinhos nervosos tentaram disfarçar o que as faces rubras revelavam. Então, o primo apressou-se em finalizar – O facto é que, mesmo sem a companhia de outros valentes como ele, para enfrentar essas almas tão santas, mas pena­das, Francisco Durão continuou, por muito tempo ainda, a cultivar a quinta com as próprias mãos.

 

A essa altura, já todos perguntavam – e as almas? – ao que Rodrigo sorriu – Ora, pois, o que se deu a conhecer, algum tempo depois, é que esses frades (e estou a falar dos vivos, é claro), colhiam frutos para seu uso diário nas terras vizinhas às suas, ou seja, às do convento e vendiam os exce­dentes. Não satisfeitos com as cercas de sua monástica pro­priedade, usavam a Murada do Campo da Roda, para se es­tenderem até onde mais pudessem. Um visitador da Ordem acabou com o abuso em 1689, pois os religiosos estavam a se utilizar de uma propriedade fora do convento, o que era contra as regras da Ordem.

 

Concluiu, enfim, o narrador – Na esperança de que essas terras fronteiriças voltassem a ser devolutas, os frades pin­tavam o rosto de branco com uma mistura de farinha e clara de ovo, cercavam os olhos e a boca de carvão e faziam a encenação das almas. – Os próprios frades?! – Eles mesmos! Acompanhavam-nos, decerto, alguns serviçais do convento, que se prestavam de bom grado a esse teatro de Grand Guig­nol. O certo é que, depois das incursões noturnas do novo proprietário, as almas dos santos frades nunca mais vieram assustar ninguém. Certamente tinham medo das cacetadas e golpes de espada do ousado dono da quinta, cujo nome era... como se diz? Um pleonasmo!

 

Florinda e as filhas riam, a não poder mais. Logo, porém, Mamã pôs-se a repreender os excessos anticlericais desse parente tão contestador – Meu bom Rodrigo, és mesmo um pândego, mas não fiques a desrespeitar a nossa religião. Cui­da da tua alma, é que é, pois todos nós, um dia… – e o gaiato retrucou, com uma falsa seriedade – Não se preocupe, Tia Flor, quando ouvirem passar ao Raio X umas correntes e, ao chegarem à janela, virem uma aparição toda de branco e com uma vela à cabeça… podem rezar pelo pobrezinho do primo Rodrigo, uma pobre alma que se perdeu… – e, a rir com gosto – perdeu-se, sim, mas logo se foi achar de novo, na Madalena, muito vivo e a bebericar, com os amigos, da­quela água que mata o bicho!

 

fim-de-post

 

 

 

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Segunda-feira, 14 de Agosto de 2017

Quem conta um ponto...

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354 - Pérolas e diamantes: O desvio ligeiro e o enorme erro

 

 

Aprende-se sempre muito lendo bons livros, além do prazer que nos dão.

 

Com Os Criadores – Uma História dos Heróis da Imaginação aprendi, por exemplo, que a moda de os atletas gregos tirarem a roupa talvez tenha sido imposta quando Orsipo de Mégara, nos jogos olímpicos de 720 a. C., perdeu os calções a meio de uma corrida. Mesmo assim, venceu, e os outros, por companheirismo, seguiram o seu exemplo de nudez.

 

Outros recordam que num dos festivais em Atenas os calções de um dos corredores escorregaram, levando-o a tropeçar antes de chegar à meta. Para evitar, no futuro, acidentes semelhantes, os participantes foram obrigados, por decreto, a apresentar-se nus.

 

Aprendi que “ginástica”, palavra grega para atletismo, significa literalmente “exercícios executados quando se está nu”. Até porque, nos eventos mais populares, a luta livre e o pancrácio, seria muito difícil manter um traje decente.

 

Em Olímpia as mulheres não podiam assistir aos jogos dos homens. Pausânias conta que uma mulher que fosse apanhada nos jogos dos homens seria atirada das ravinas do monte Typaeum.

 

No seu discurso fúnebre, Péricles declarou que a maior glória de uma mulher era os homens não falarem dela, nem bem nem mal. Ao que se sabe, as corridas das mulheres eram organizadas apenas para as “virgens” e o casamento (quase sempre aos 18 anos) acabava com a carreira desportiva da mulher.

 

Embora as competições atléticas exibissem claramente modelos masculinos do corpo adulto, não existiam iguais possibilidades de observar o corpo feminino. Praxíteles (nascido cerca de 390 a. C.) foi designado como o “inventor” do nu feminino, devido à sua Afrodite de Cnido, de lendária beleza.

 

Antes do seu tempo, era o ideal masculino quem dava forma às esculturas femininas.

 

Conta-se que Zêuxis (cerca de 400 a. C.), quando decidiu pintar uma Helena para o templo de Hera, pediu ao povo de Cróton que lhe mostrasse as mais belas virgens para lhe servirem de modelo. Em vez disso, conduziram-no a um ginásio, mostraram-lhe os rapazes que ali treinavam e sugeriram-lhe que imaginasse a beleza das suas irmãs.

 

Parece que os escultores e pintores arcaicos não trabalhavam em estúdio com modelos, mas antes observando rapazes praticando exercício físico.

 

Mas Zêuxis, que não conseguia repousar descansado enquanto outros teimavam em acordar o povo que supostamente dormia na cidade, não se deu por vencido e insistiu num modelo feminino adequado. Veio então o conselho público em seu auxílio e deu-lhe razão.

 

O bom Cícero, que não era hipócrita, escreveu mais tarde que “ele não acreditava poder encontrar num só corpo toda a beleza que procurava” e que por isso selecionou cinco virgens.

 

Os sábios Gregos resolveram imaginar um “inventor” da arte da estatutária e resolveram chamar-lhe Dédalo.

 

Ao que se sabe, o lendário artífice (690 a. C.) nasceu em Atenas, mas sentia-se inquieto e incomodado com um sobrinho que não dormia (razão pela qual não podia ser acordado), que inventara a serra e a roda do oleiro e que tecnicamente ameaçava ultrapassá-lo.

 

O invejoso Dédalo atirou-o da Acrópole, provocando-lhe a morte, pelo que foi obrigado a deixar a cidade.

 

Foi este Dédalo, que no tempo do culto das imagens de madeira, designadas por daedala (“maravilhas da arte”), lhes deu forma humana reconhecível. Diodoro Sículo (historiador grego do século I a. C.) conta que “ao ser o primeiro a abrir-lhes os olhos, afastar-lhes as pernas e erguer-lhes os braços, conquistou a justa admiração dos homens, pois antes do seu tempo as estátuas eram feitas com os olhos fechados e os braços caídos e colados ao corpo”.

 

Outros escultores primitivos, discípulos de Dédalo, ficaram conhecidos como os Dédalis, os quais, segundo se diz, foram os primeiros a esculpir o mármore.

 

Os kouroi (jovens), que se tornaram o protótipo do nu masculino clássico, quase não se distinguem, em termos de postura, das obras egípcias.

 

Policleto, homem que não dormia para não ter de ser acordado pelo príncipe encantado, repetia o axioma de que “a perfeição só se consegue através de muitas contas”. Ou seja, mesmo que um escultor se desviasse apenas ligeiramente de cada uma das suas medidas, o somatório poderia resultar num enorme erro.

 

Ou seja, o cânone podia também proteger o escultor do gosto inconstante do público.

 

Para os despertadores de mesa-de-cabeceira, aqui fica uma história ainda contada sete séculos após a morte de Policleto.

 

Policleto construiu duas estátuas ao mesmo tempo. Uma tinha a nítida intenção de agradar ao público e a outra era feita segundo os princípios do tratado. De acordo com a opinião de cada individuo que visitou o estúdio, foi alterando aqui e ali, mudando a forma, submetendo-a ao juízo de cada um dos observadores. Quando finalizadas, expô-las ao público. Uma maravilhou e a outra foi ridicularizada. Seguidamente Policleto disse: “Mas aquela que não é do vosso agrado foi a que vocês fizeram, enquanto a que vos deslumbra é a da minha inteira responsabilidade”.

 

João Madureira

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publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
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De regresso à cidade

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Como sempre, às segundas-feiras,  fazemos o regresso à cidade, hoje  regressamos a ela pelas ruas da cidade antiga… bem, na realidade é mais pelas ruas velhas da cidade.

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Domingo, 13 de Agosto de 2017

Pecados e Picardias

pecados e picardias copy

 

Serei eu ?

diabo em figura de gente

 

Como quem se confessa

 

Vou por aí enxotando um enxame de pequenos rancores por vontades não satisfeitas sem culpa de ninguém…

 

Em desespero de causa do é a vida.

 

Sem apeadeiros encosto-me na manhã na parede de um raio de sol ávido por aquecer alguém ou dourar-lhe a pele, não acato razões nem arrependimentos sob pena de plagiar o mundo e não ser nada a não ser plasticina modelada pelos interesses óbvios de alguém que só porque sim nos quer colonizar…

 

E tu Chaves és o meu bater com passado e ritmo…Tropeço nos sonhos e rimo-nos com a complacência dos conformados dos outros valores que se ergueram sem nos deixar passar e nós ralados e consumidos e sorrimos à passagem dos efémeros, afinal os ricos nem sequer eram ricos, morreram sem deixar história por egocentrismo militante, e jogos de escondidas.

 

A uma distância de vinte anos num ontem que me parece anteontem vejo-te regredir  e evoluir na gula dos que te algemam nos pecados mortais do casamento para te fazerem criada dos seus prazeres, sem uma brisa de justiça de Salomão cada um a puxar-te para seu lado numa corda bamba sem dó nem piedade para te disputarem como um troféu…E que troféu…

 

És linda de viver…

 

Por mim já te respiro caldas e ruas de sol, freiras e arrabaldes em pezinhos de lã e visitas desviadas a cemitérios vivos e pessoas importantes ou que se vestem de importantes a escalar os degraus das descidas a pique…Invade-me também o abatimento dos novos calos por calçado novo e apertado nos pés de chumbo pelo peso da vaidade das euforias ancestrais nos novos apóstolos e é nostalgia e é desvelo e é desconfiança e desesperança, em mim claro, por  precisar já e também ver para crer.

 

Como se pudéssemos esquecer o esquecimento…

 

Como se pudéssemos esquecer o termos sido e sermos esquecidos, ao abrigo da proteção das castas…

 

Quero acreditar na mudança vou acreditar no Acordar.

 

 E Por mim ,  Chaves, fica descansada  que estarei presente a assinar o livro de ponto, darei sempre o meu contributo  de cidadã ganhe quem ganhar, cuidadarei , em retribuição do que me dás de toda a tua natureza  estou e estarei contigo minha Musa…E Minha musa inspiradora

 

 Vou agora começar um como quem se confessa mais atual

 

Gosto dos preliminares das eleições autárquicas

Permitem-me ver quem se tornou importante há e durante estes quatro anos…

E gosto do que vejo, há novos …

Bem, também, há  novos dividir para reinar…

 

Faço parte, claro que sim, mas não faço sombra, nem sei se quero , ou se não tenho importância suficiente nos tais critérios determinantes vagos e ambíguos e enigmáticos…

 

Será que o povo gostará mais assim?!!!...

 

Este não é suficientemente conhecido, esta é conhecida de mais, este quer é encostar-se, esta quer é aparecer, estes são sempre os mesmos, estes não fazem nada, oh ponto e vírgula

 

São todos iguais… Pffffff e eu não sou melhor, quem os avisa vosso amigo é, conheço-me mais ou menos bem…

Será? Que são mesmo todos iguais?

E a presunção de culpa e inocência?

 

Será preciso tanto encenar e teatralizar e andar e gastar…

 

E a lista de espera das consultas  de neurologia, de urologia  e de  e de  oh valha-nos as que cá estão mais as de medicina interna mais as de enfermagem…  e não se fala nas necessidades dos nossos utentes do setor público , inflacionam-se algumas conquistas e os horários dos profissionais estão expostos e divulgados no setor privado e no  setor público  são omissos e ai de quem se atreva a divulga-los sem autorização Ministerial… Vamos lá voltar a definir transparência e setor público…

 

Por mim seguíamos o exemplo do Governo, grande exemplo sem dúvida e uniamo-nos  todos, para acabar com o compadrio e tornar os recursos acessíveis a todos os cidadãos, mesmo mesmo a todos , não só aos nossos amigos ou sósias por plagio e lei do menor esforço… Nada de cunhas(a não ser o nosso querido e estimado Manel), trabalhassem e ou estudassem ou as duas coisas que são a mesma coisa ou  como quem diz ambas vão dar ao mesmo …

 

Bem seja como for vamos continuar a apoiar os flavienses e o nosso hospital de chaves, continuo a sonhar com uma gestão autónoma personalizada de preferência por flavienses, continuo a achar que a unidade local de saúde é uma boa solução para otimizar os recursos existentes  em saúde nomeadamente os cuidados primários na sua base de empreendedorismo face ao maior desiderato de implementar estratégias de  promoção da saúde  investindo na especialização de profissionais que promovam  a literacia  em saúde, nomeadamente enfermeiros veja-se a importância da nossa escola de enfermagem… Claro que é preciso pagar a quem valoriza e investe no conhecimento…

 

Continuo a achar que se houver pessoas preocupadas com as outras pessoas e as instituições servirem para servir o fim para que foram criadas têm futuro

 

Agora…E quando algumas instituições se transformam  insaciáveis em predadoras de alguns profissionais e  ou também quando alguns profissionais se transformam por inerência em  predadores  insustentáveis das instituições

 

O presente é o futuro , vêm aí os candidatos à solução de todos os nossos problemas

 

Boa Sorte a todos, principalmente aos eleitores que mais precisam, eu cá por mim bem contente estou com este governo.

 

Ah a propósito e como reflexão

Ser …não quer dizer ser :… por exemplo

 Centrista uma vez que não há lugar para todos no centro… Pronto depois quem parte e reparte e não fica com a melhor parte, ou é ou não…

 

Ainda e por exemplo nem todos os PSDs são social democratas, nem todos os PSs são socialistas , nem todos os PCPs são comunistas e mais a mais nem todos os independentes são independentes…

Ah pois é…ora pensem bem

 

Como autoescopia vejam bem se não é bem melhor planear…Digo isto para prevenir novos ou os mesmos erros…

 

Ai quem me dera

Prevenir as doenças também  através da promoção da saúde

E prevenir os incêndios também  através da promoção de florestas e terrenos limpos , gastava bem menos o estado…

 

 

Isabel seixas

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 21:57
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O Barroso aqui tão perto - Penedones

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Cá estamos nós de regresso ao Barroso aqui tão perto, hoje com mais uma aldeia do concelho de Montalegre, mais uma de terras da Chã e para irmos até lá, como sempre a partir da cidade de Chaves, optamos pela Estrada Nacional 103.

 

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Com partida junto ao Rio Tâmega, que nos vai acompanhando até chegarmos a Curalha, local onde se começa a subir para terras de Barroso que começa quase logo a seguir, isto se não considerarmos que toda a margem direita do Tâmega já é Barroso. Mas fiquemo-nos pelo Barroso oficial, por nós também aceite e que não está muito longe do Tâmega, ou melhor, que também confronta com o Rio Tâmega no Barroso de Boticas. Mas ainda não chegamos lá, ainda andamos por terras do Concelho de Montalegre.

 

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Então para a nossa aldeia de hoje basta seguir a Nacional 103 e esperar que ela apareça, pois Penedones, a nossa aldeia de hoje, fica à beirinha da estrada no troço que confronta também com a barragem do Alto Rabagão, ou Pisões se preferirem.

 

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Mas embora fique à beirinha da estrada, precisamos de abandonar esta para conhecermos Penedones,  e acreditem que vale a pena entrar na aldeia, é uma das que surpreende pela positiva em que o pouco que se vê desde a estrada não lhes faz justiça.

 

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E hoje sempre que nos referirmos a Penedones, estamos a fazê-lo à aldeia que se desenvolveu em redor do seu núcleo mais antigo, todo da parte de cima da estrada, deixando de fora a aldeia mais turística, ligada à barragem e ao Parque de Campismo aí existente. Este espaço ficará para um futuro post de um roteiro à volta da Barragem.

 

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Pelo que já deixámos escrito já deu para perceber onde Penedones poisa, aliás quase bastava a referência a terras da Chã para lá chegarmos, mas como sempre gostamos de ser mais exatos na nossa localização, deixando aqui as coordenadas da aldeia (sempre de um ponto central das aldeias) bem como o nosso habitual mapa. Pois quanto a coordenadas temos: 41º 45’ 45.02” N e 7º 48’ 31.73” O, a uma altitude de 920, no ponto das coordenadas, pois junto à barragem atinge os 870m e o ponto mais alto da aldeia chega aos 940m.

 

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Quanto às nossas pesquisas pouco encontrámos, embora haja muita informação sobre a aldeia, a mesma, na prática, resume-se a alojamentos e ao parque de campismo. Mesmo assim sempre temos algumas referências no Livro Montalegre e também na Toponímia de Barroso, ambas as obras de autoria de José Dias Batista e edições do Município de Montalegre.

 

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Iniciemos pelo Livro Montalegre que além da informação de que Penedones pertence à freguesia de  Chã, nos referencia algumas das coisas ligadas à história do local:

 

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“Há muitas sepulturas líticas móveis, talvez os monumentos mais antigos, e sepulturas fixas. Das móveis temos exemplos em Bobadela, Sapiãos, Bustelo (Vila da Ponte), Tourém, Pitões, Santo Adrião (Montalegre) e, sobretudo, os enigmáticos arcões graníticos de Salto, a merecerem um estudo mais atento.”

 

1600-penedones (52)

 

E continua (o negrito e sublinhado é nosso):

“Das fixas, que normalmente aparecem em grupos, temos várias necrópoles: no Cristelo da Seara (Salto), entre Penedones e Parafita (Vila de Mel), em Penedones, sobre a aldeia, junto à Capela de Santo Amaro (Donões) e perto da Capela da Senhora de Galegos do Cortiço (Cervos) e de Antigo de Arcos."

 

1600-penedones (63)

 

Numa outra referência diz-nos:

“Em Penedones, o Clube Náutico e de Aventura do Alto Rabagão organiza passeios de barco na albufeira para grupos até 16 pessoas, bem como regatas, passeios a pé, ou de bicicleta de montanha. Neste local está instalado o Parque de Campismo Municipal e passa também o GR 117 – Via Romana XVII.”

 

1600-penedones (51)

 

Referindo-se à freguesia de Chã, diz-se o seguinte:

“Cinco das suas doze povoações receberam a visita da estrada Romana – a XVII do Itinerário de Antonino: Penedones (Santo Aleixo), Travaços, São Vicente, Peireses e Gralhós. Pouco mais jovem que a via Romana é a ara que recentemente se achou em São Vicente – sinal inequívoco de que no outeiro (altarium) onde o cristianismo ergueu o templo românico, séculos antes, os povos que nos antecederam, aí adoravam o seu “Deus Óptimo Máximo”.”

 

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Esta Via Romana era uma das principais vias romanas que ligava três importantes cidades da época - Bracara Augusta, Aquae Flaviae e Asturica Augusta, ou sejam as atuais cidades de Braga, Chaves e Astorga e que não andava muito longe do traçado da atual Nacional 103. Para saber mais sobre esta Via XVII fica aqui um link para o que em tempo escrevemos sobre ela: http://chaves.blogs.sapo.pt/193294.html

 

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Passemos agora ao que nos diz a Toponímia de Barroso:

 

“ Penedones – Ou melhor Pena de Donas. O determinativo de Donas . no distante Século XIII, e até muito antes, significava tratar-se de pessoas nobres, mulheres da fidalguia.

- 1258 “in peneydonas terciam partem” INQ 1517 e

- 1258 « dixit de Peneidonas et» INQ 1518. Em que o de determinativo e seguido de D, já caiu originando o ditongo ei que também cairá. Não obstante, em:

- 1262 « regalengi de pena de donas » TT, Chang. De D.Afonso III Liv.I, F – 61, repetindo no texto idêntico topónimo: “ D. Afonso III fez foro a Gonçalo Martins , A Gonçalo Pires, A Dona Loba, a João Pires e a Martinho Gonçalves do reguengo de Pena de Donas para que fizessem aí cinco casais”

 

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E continua:

“ E já nas inquirições de D.Dinis,

- 1290 “ Pena de Donas hé herdamento regalengo” Rolo 1030 f. 114 e 99. Donde se vê que a forma actual do topónimo é tardia, isto é, recente. Convém, não obstante, lembrar que o Povo diz sempre Penadones, sendo  que é usual a troca de as por es e o seu contrário.”

 

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Pois é, lá se foi a minha teoria de que Penedones teria a ver com penedos, e até tinha fotos para a ilustrar. Já a seguir perceberão do que estou para aqui a dizer, mas antes, vamos continuar na Toponímia de Barroso, passando à Toponímia Alegre.

 

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Toponímia Alegre

 

Chã – São Vicente

Ruim sítio, ruim gente.

Coelheiros de Medeiros

Ciganos os de Peireses,

Pretinhos de Travassos de Chã,

Cruz-veigas de Gralhós,

Viajantes de Penedones,

Carvoeiros de Castanheira,

Torgueiros de Torgueda,

De Fírvidas são salta-pocinhas e

Arranca-torgos de Codessoso da Chã."

 

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E ainda:

“ As moças de Penedones

Passam por boas senhoras,

Mas agora temos notícia

De serem bem capadoras."

 

1600-penedones (42)

 

Pois sobre a minha teoria do topónimo Penedones ter a ver com penedos, baseava-se nos penedos da foto anterior e das próximas, ou seja pela imponência dos mesmos, como se pode ver nas referidas fotos, quer ao longe ou ao perto, que para além da sua imponência, apresentam-se com formatos bem curiosos.

 

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Quando me deparei com o penedo desta última foto, fez-me lembrar a cabeça de um gorila gigante tipo King Kong. Ilusão de ótica, ou então tal como lhe chamam “Viés cognitivo” ou “Apofenia” ou ainda “Pareidolia”, talvez, mas seja como for,  que o penedo  é parecido com a cabeça do King Kong lá isso é, senão vejam a foto seguinte em que o Humberto Ferreira, um dos fotógrafos que me acompanha sempre nestas andanças de descobrir o Barroso, resolveu brincar com a coisa…

 

_DSC0585acKK1.jpg

Fotografia e composição de Humberto Ferreira

Brincadeiras à parte, continuemos mais um pouco por Penedones que, descobri nuns trípticos do Eco-Museu do Barroso, estar também nos roteiros das aldeias com canastros (ou espigueiros se preferirem) e das aldeias com alminhas, e sim, nós confirmamos que ambos existem e por sinal belos exemplares, como aliás o são quase sempre, pena alguns espigueiros estarem tão deteriorados e as alminhas nem sempre respeitadas. Claro que não estou a falar no caso particular de Penedones, mas em muitos que vamos vendo por aí.

 

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Canastros, alminhas, tanques, fontes, cruzeiros, entre outros que existem em Penedones e que são património cultural e arquitetónico de todos nós e de Portugal, aliás a maioria são mesmo considerados traços da cultura portuguesa, daí, para além de merecerem ser preservados e estimados, deveriam ser protegidos, o que muitas vezes não acontece, às vezes são mesmo as Juntas de Freguesia, com o pretexto de alargarem uma rua ou comporem um largo, que destroem algumas desta relíquias.

 

1600-penedones (17)

 

E prontos! Tal como se costuma dizer quando temos um assunto despachado. Bem ou mal, bom ou mau, foi o que conseguimos arranjar sobre Penedones, com a certeza de que nos falhou muita coisa.

 

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E só nós resta fazer as referências às nossas consultas bem como deixa por aqui os habituais links para anteriores abordagens ao Barroso.

 

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Bibliografia

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso

 

1600-penedones (5)

 

Links para anteriores abordagens ao Barroso:

 

A

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Algures no Barroso: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1533459

Amial - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ameal-1484516

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-arcos-1543113

 

B

Bagulhão - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bagulhao-1469670

Bustelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bustelo-1505379

 

C

Cambezes do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cambezes-do-1547875

Carvalhais - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-carvalhais-1550943

Castanheira da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-castanheira-1526991

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Cervos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cervos-1473196

Contim - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-contim-1546192

Cortiço - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1490249

Corva - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-corva-1499531

 

D

Donões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-donoes-1446125

 

F

Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619

Fírvidas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-firvidas-1466833

Frades do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-frades-do-1440288

 

G

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Gralhós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhos-1531210

 

L

Ladrugães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ladrugaes-1520004

Lapela   - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209

 

M

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

Meixide - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixide-1496229

 

N

Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-negroes-1511302

Nogeiró - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-nogueiro-1562925

 

O

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886

Ormeche - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ormeche-1540443

 

P

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Paio Afonso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paio-afonso-1451464

Parafita: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-parafita-1443308

Pardieieros - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pardieiros-1556192

Paredes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-1448799

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Pomar da Rainha - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pomar-da-1415405

Ponteira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ponteira-1481696

 

R

Reboreda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-reboreda-1566026

Roteiro para um dia de visita – 1ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104214

Roteiro para um dia de visita – 2ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104590

Roteiro para um dia de visita – 3ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105061

Roteiro para um dia de visita – 4ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105355

Roteiro para um dia de visita – 5ª paragem, ou não! - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105510

 

S

São Ane - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-ane-1461677

São Pedro - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-pedro-1411974

Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sarraquinhos-1560167

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Senhora de Vila Abril - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-senhora-de-1553325

Sezelhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sezelhe-1514548

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

 

T

Tabuadela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-tabuadela-1424376

Telhado - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-telhado-1403979

Travassos da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-travassos-1418417

 

U

Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

 

V

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1508489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

Vilaça - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilaca-1493232

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

 

X

Xertelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-xertelo-1458784

 

Z

Zebral - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-zebral-1503453

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:29
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Sábado, 12 de Agosto de 2017

Casas de Monforte - Chaves - Portugal

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Quando iniciei esta nova ronda pelas nossas aldeias disse que traria aqui três imagens (uma a cores, uma a p&b e outra em arte digital)  e seguiria a ordem alfabética. Pois tenho cumprido no que diz respeito à ordem alfabética, mas quanto ao número de fotografia, nem por isso.  O facto é que vou vendo aquilo que tenho em arquivo e vou-me entusiasmando  com o que vejo, mas não só, pois por uma ou outra razão há aldeias que têm passado por aqui mais vezes enquanto outras vão ficando para trás, e para compensar esta falha, nesta nova ronda,  compenso com mais um ou dois olhares.

 

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Costumo dizer que neste blog cumpre-se tudo que se promete, mas como podem verificar há exceções, mas das boas, ou melhor, não cumprimos porque excedemos sempre aquilo que se promete.

 

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Mas vamos lá até Casas de Monforte que pelo apelido toponímico ficamos logo a saber que se localiza em terras de Monforte, ou seja, terras das redondezas do Castelo de Monforte.

 

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Deixamos cinco imagens,  de arquivo, com um pouco daquilo que fazem as nossas aldeias, com as habituais alminhas, um dos traços da nossa cultura, uma janela da escola do tempo em que ainda havia alunos dentro, um largo onde tudo era possível acontecer, as tradicionais construções  de granito, as cores dos rebocos da casas e os becos castiços que fazem a singularidades das nossas aldeias. Apenas alguns motivos de muitos motivos que as aldeias nos oferecem.

 

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Casas de Monforte mais uma aldeia que fica nas proximidades das Nacional 103, mas que é necessário sair desta para a conhecer, mas que pode também ser aldeia de passagem se utilizarmos itinerários secundários, no caso a ligação a Paradela de Monforte.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 05:22
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Sexta-feira, 11 de Agosto de 2017

Vivências

vivenvias

 

Pensar fora do retângulo

 

A forma como hoje olhamos o mundo já não é a mesma de outros tempos. Durante séculos, nas vilas e aldeias onde vivíamos, tínhamos a visão desafogada dos campos e das montanhas e conseguíamos ver a linha do horizonte, lá longe, onde o céu e a terra se encontravam numa fusão de cores. E à noite, em silêncio e sem luzes, conseguíamos ver todas as estrelas do firmamento.

 

Depois, deixámos este mundo rural e quisemos construir outro. Mudámo-nos para as grandes cidades, que se tornaram ainda maiores, trocámos as ruas estreitas pelas avenidas largas, e as casas de pedra pelos apartamentos “T-qualquer coisa”, em construções cada vez mais altas, que, a pouco e pouco, foram limitando o nosso campo de visão. Deixámos de ver os campos, as montanhas, a linha do horizonte… e muitas vezes até o próprio sol e as estrelas… Então, para estreitar ainda mais a nossa visão, apareceram os écrans nas nossas vidas; primeiro, a televisão, e depois tudo o resto: o computador, o telemóvel, o smartphone, o tablet, o GPS… E, assim, com todas estas novas tecnologias (pese embora as suas enormes vantagens para a evolução da nossa sociedade), limitamo-nos hoje a ver quase exclusivamente ao perto, ao alcance da nossa mão, ou, quando muito, à distância que vai do sofá até à televisão. As nossas rotinas diárias, quer em casa quer no trabalho, passaram a incluir um número cada vez maior de horas a olhar para écrans, uns maiores, outros mais pequenos, onde milhões de pixéis coloridos nos criam em cada segundo um novo mundo, onde tudo parece acontecer, mas onde, na verdade, nada acontece realmente… A nossa capacidade de olhar mais longe, de nos orientarmos no espaço à nossa volta, de focar um ponto distante está, pois, a perder-se… E porque a forma de pensar o mundo depende (e muito) da forma como o vemos, esta nova realidade está a limitar a nossa capacidade de pensar “fora do quadrado”, ou melhor dizendo, fora do retângulo…

 

Luís dos Anjos

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:34
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Quinta-feira, 10 de Agosto de 2017

Cidade de Chaves - Dois olhares

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Nesta coisa de andar aqui pela internet com imagens, quase sempre caímos na tentação de ir mostrando aquilo que temos de melhor, e em Chaves não é difícil vir aqui fazer o bonito. Basta uma imagem da ponte romana, do castelo, dos fortes, do jardim público, do tabolado, das poldras, do arrabalde, etc,  et voilá , o sucesso é garantido.

 

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No entanto se desviarmos um pouco a objetiva ou andarmos por outras paragens do nosso centro histórico, já nem quero falar da cidade nova, tropeçamos constantemente com aberrações que teimam em manter-se ano após ano, algumas há décadas ou mesmo desde que tenho memória. De tão habituados que estamos a elas, ninguém as vê, mas nunca passam despercebidas a quem nos visita…

 

 

 

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Quarta-feira, 9 de Agosto de 2017

Festival Identidades - Jardim Público - Chaves - IV

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Vamos então ao último dia do Festival Identidades, domingo à noite, com um grupo apenas – NMB. Soube a pouco, mas mais não se podia pedir.

 

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O The End é para este ano, pois esperamos pelo Identidades 2018, e já agora o seu a seu dono e os créditos deste festival vão direitinhos para o Marcelo Almeida, dos Enraizarte.

 

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E tal como nas noites anteriores do festival, o último olhar foi para a cidade de Chaves, mais propriamente para um largo bem interessante que a Madalena esconde.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:01
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Ocasionais

ocasionais

 

“O «tyranetezinho do Mont’Agudo»”

 

 

Já nos idos anos 50, tive a sorte de ler as “Selecções do Reader's Digest”.

 

Um dos temas sempre presente intitulava-se “Meu tipo inesquecível”: concisa história de pessoas, famosas ou simples, que, por qualquer feito, nos serviam de bom exemplo.

 

Também há quem fique na História, ou de quem se contem historietas, pelos piores motivos, como mau exemplo.

 

Mais do que desperdiçar cera com tão ruim defunto, quando refiro um qualquer moinante da minorca política portuguesa, pretendo despertar a atenção de «ingénuos úteis», de bem-intencionados, de indefesos e «simples» para a hipocrisia, para as armadilhas e rasteiras, para a incompetência e a mediocridade de um impostor a fingir-se paladino das GENTES da NOSSA TERRA!

 

Conhecido popularmente por «pavão de Castelões», o padrinho que assim o baptizou leva-me a crer, por tão certeira definição de personalidade que os flavienses, por castigo, têm vindo a aturar, leva-me a crer ter sido primo direito de Freud e primo esquerdo de Jung!:  deram-lhe, ao «Tótó de Castelões», um sobrenome que «diz perfeitamente a letra com a careta»!

 

Os pios propósitos pipilados do «pavão de Castelões» não têm passado por mais do que esganiçados cantos de sereia da sua avidez narcisista.

 

O comportamento do clã partidário dos «lalões» e «pavões», administrador do Município Flaviense,  tem sido escandalosamente descarado e faccioso na manifestação do seu ressentimento para com os flavienses que não apoiam a sua incompetência, a sua cretinice, a sua mediocridade. E mesmo até para aqueles que o olham com indiferença!

 

Aos autarcas eleitos cabe, acima de tudo, construir laços sociais, tornar o conjunto de munícipes um grupo coerente e coeso na busca de um projecro comum.

 

Para os negócios da política, esse «pavão» e os seus correlegionários são moeda falsa!

 

A sua criatividade intelectual atinge apenas o patamar de umas ridículas pantominas folclóricas, pretensamente engraçadas e de pobrete entretenimento do povoléu!

 

Decora os guiões que lhe preparam, e finge pensar as ideias que afirma.

 

Ao ouvir falar, ou discursar, esse «Tonho», a sua erudição é tal que, comparados com ele, os apóstolos teriam de receber outro Espírito Santo para se pronunciarem sobre esses assuntos!

 

Do bico do «pavão»   -   e vendo-a pelo preço que a comprei   -    saiu um grasnido soberbo, arrogante:

 

 “A populaça flaviense é uma boa vaca leiteira que se deixa mugir facilmente   -   nas eleições enche , VAI ENCHER, as urnas com votos a nosso favor mais bem cheias que os cântaros de leite mugidos de vacas turinas!” (o negrito é meu).

 

As honras nem sempre alteram os costumes.

 

Dizem, quem o conheceu em garoto, que a sua pusilaminidade, o seu mal de inveja, a sua mesquinhez se revelavam assiduamente nas maledicências, intrigas e deslealdades com que atacava e, ou, se vingava dos colegas.

 

Para obter o cartãozinho partidário, jurou aos sobas e sobetas, do único partido que o deixou entrar,  uma cega «obediência às orientações partidárias». Assim, por fas e por nefas, lá começou a trepar «o pau ensebado da ambição»: aprendeu a tempo que, na política rasteira, «os princípios (uf! Se uso ética ou valores!...) são um estorvo e a hipocrisia uma virtude».

 

É tempo deOS de CHAVESdeixarem de estar contra si próprios!

E podem e devem, começar por não dar poleiro a esse «pavão» e gaiolas douradas aos seus «pavõezinhos», «lalões» e «lalõezinhos»!

 

“La branche, n’ayant plus de suc ni d’aliment à sa racine, devient sèche et morte”.

 

É tempo deOS de CHAVESlevantarem a cabeça e de recuperarem o que lhes tem sido sonegado e o que merecem   -  Hospital, Universidade, Delegação do Turismo, Serviços Públicos, etc-, etc., e gente competente e empenhada na sua administração autárquica e na sua representação nacional!

 

OS de CHAVEScontinuam a preferir servir um patrão em vez de obedecerem à razão!

 

Até parece «não terem projecto nem missão, antes pelo contrário, entram na vida para ver se as dos outros enchem um pouco a sua».

 

Não admira que lhes aconteçam tantas desgraças!

 

OS de CHAVEStêm elevado ao poder autárquico gente velhaca: padre falso, «pavão», «pavõezinhos», «lalões», «lalõezinhos» comportaram-se, e comportam-se, como se tivessem triunfado sobre todos OS de CHAVESe promoveram-se e sobem de amanuenses a tiranos!

 

Claro que um «pavão» não tem a grandeza de um rei dos Persas, muito menos a de Ciro!

 

Porém, a arte de engrampar permite-lhe arquitectar engodos para assolapar os flavienses lorpas  -  cria programas de passatempos e oferece-lhes agendas lúdicas!

 

É espantoso como OS de CHAVESse deixam levar pelas cócegas feitas com «penas de pavão»!!!

 

Desgosta-me ver, aí por CHAVES, flavienses que se afirmavam rebeldes, uns; descontentes, outros, perante a degradação institucional, social, cultural, patrimonial e democrática, e que, tal como “quando Júpiter puxava a corda todos os deuses iam atrás”, esses flavienses, então «Defensores de CHAVES”, tenham deitado a mão à corda  que o «tyranetezinho de Castelões» lhes estendeu, e passassem a dar-lhe o seu apoio!

 

E, assim o «Tótó» lá vai conseguindo aumentar a sua protecção com tantos e tantos que, se valessem realmente alguma coisa, antes deveria recear.

 

Esses flavienses perderam o gosto: passaram a viver preocupados com o que o seu «chefezinho» pensa e deseja!

 

Ganharam a posição de «favorito»!

 

Cedo ou tarde, darão conta que gente do calibre desse «Tonho de Castelões» não merece confiança.

 

Sinto pena desses flavienses engodados.

 

A amizade é uma palavra sagrada, é uma coisa santa e só pode existir entre pessoas de bem, só se mantém quando há estima mútua: conserva-se não tanto pelos benefícios quanto por uma vida de bondade”, escreveu, em 1549, Étienne de La Boétie.

 

A seita do «Tonho de Castelões» ajunta-se não para cultivar uma verdadeira amizade, reúne-se para conspirar.

 

A seita do «pavão de Castelões» não é formada por amigos, mas por cúmplices!

 

 “É muito próprio do vulgo, mormente o que pulula nas cidades, desconfiar de quem o estima e ser ingénuo para com aqueles que o engrampam!

 

CHAVES não pode contar com gentinha desse calibre!

 

Deixo-lhe,

ao «tyranetezinho Tonho de Castelões »,

o meu recado:

 

- “Todo o homem que combate por um ideal qualquer,

ainda que pareça do Passado,

impele o mundo para o Futuro, e

sei ainda que os únicos reaccionários

são aqueles

que se encontram bem no Presente”.

  1. D. Miguel de UNAMUNO

 

 

M., vinte e cinco de Julho de 2017

Luís Henrique Fernandes, defensor de CHAVES

 

 

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Terça-feira, 8 de Agosto de 2017

Festival Identidades - Jardim Público - Chaves - III

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Luiz Caracol

 

Luiz Caracol é um músico, cantor e autor português que tem na génese do seu trabalho uma mestiçagem muito própria, fruto da forte influência urbana entre a cidade de Lisboa, onde vive, e África, de onde sempre se sentiu parte. Quem ouve Luiz Caracol pela primeira vez não esquece e reconhece a sua unicidade para sempre. 

 

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Luiz nasceu em Portugal mas cresceu num ambiente multicultural, resultante do longo período em que sua família viveu em Angola. Este facto reflete-se continuamente na sua música.

 

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Ao longo dos últimos anos, participou em projectos e partilhou palco com artistas como Sara Tavares, Jorge Palma, Aline Frazão, Susana Travassos, Manecas Costa, Fernanda Abreu, Uxia e Tito Paris, entre outros. Em 2011 participou no documentário “MPB - Música Portuguesa Brasileira”, da autoria de Pierre Aderne, emitido pela RTP e pelo Canal Brasil.

 

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Enraizarte

 

Bem conhecidos do público flaviense, Enraizarte formou-se em 2008, estendendo as suas raízes transmontanas até aos dias de hoje, com uma sonoridade original, complexa e assente na música tradicional.

 

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Apresentam-se ao vivo numa formação marcada por Marcelo Almeida nas gaitas de fole e voz, Frederico Almeida no saxofone e gaita transmontana, João Dias no baixo, Marcelo Fernandes no piano, guitarra e braguesa, David Pinto na guitarra, Marco Pereira na bateria e Margarida Carvalho e Diogo Martins nas vozes.

 

terrakota.jpg

 

Terrakota

 

Considerados os embaixadores da multiculturalidade de Lisboa, TERRAKOTA são já uma referência da música mestiça e de fusão no cenário nacional e internacional.

 

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A semente plantada no Burkina Faso, em 1999, germinou em território português e tem dado frutos pelo mundo fora, entre viagens de pesquisa musical e concertos nos palcos mais importantes do roteiro da world music.

 

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Detentores de uma identidade musical sólida construída a partir de uma inspiração global em elementos tradicionais e contemporâneos.

 

DJ Marcelo & 

 

Não estava no programa mas aconteceu

 

1600-identidades 17 (1175)

 

E no final, no meu, ainda um olhar sobre a Madalena nas paz dos anjos da Igreja da Madalena.

 

1600-identidades 17 (312)

 

Créditos: Os Cartazes dos concertos e historial dos grupos são do Festival Identidades.

 

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Chaves D'Aurora

1600-chavesdaurora

 

  1. FOLAR DA FESTA.

João Reis levou toda a família aos festejos, com fitas ver­des e encarnadas nos chapéus dos putos e no seu próprio, assim que tal nos xailes de Flor, das meninas e das criadas. Todos estavam a empunhar bandeirinhas pátrias. Os miúdos logo pediram que o Papá lhes pagasse uma bebida fresca, mais precisamente a “Gazoza Transmontana” que, segundo os reclamos em um jornal (no qual era ela apresentada assim mesmo, com essa grafia de dois zês) era “de facto a melhor”.

 

Mercê de uma pequena distração, Aurora acabou por se perder dos seus. Talvez a célebre e folhetinesca Mão do Destino já estivesse a traçar suas linhas em prol do ciga­no, pois logo uma luva de couro, cor de morcela, tocou no ombro direito da rapariga. Esta, ao se virar, tremeu dos pés à cabeça. Diante dela, mais guapo do que nunca, Hernan­do entreabria os lábios com os dentes ainda não manchados pelo vício do fumo, a lhe oferecer um sorriso que combinava muito bem com o seu maroto olhar. O de sempre.

 

O sorriso de Aurita não tardou a se esboçar, em agradável permuta. Ainda mais que o moço tomou-lhe um lenço que ornava os ombros e, a um zás trás, transformou-o em uma bela flor. Quando ela teve de volta o seu pequeno xaile, ad­mirou-se em ver o flóreo botão se abrir e lhe revelar uma fatia de folar bem flaviense. A menina, então, achou-se até ousada para iniciar alguns momentos de cavaqueio – Como sabeis fazer isso, senhor Camacho? – e ele sorriu de novo, desta vez com malícia – Sei fazer muito mais – mas logo res­pondeu à pergunta de Aurora – Ora, brasilita, é fácil, muito fácil. É apenas um passe de mágica que aprendi por aí, pelo mundo.

 

Foram os dois então para os lados da Torre e, sentados em uma das amuradas em volta, Hernando se pôs a expli­car como tudo era feito. Daí passaram a falar sobre vários assuntos triviais, mas que os faziam tão alegres como par­dais ao milho. Chegaram depois aos relatos das poucas, mas bem vividas aventuras do jovem cigano, algumas com certo exagero por parte do narrador, durante suas viagens por es­panhas, franças e itálias.

 

Dessas vivências de andarilho, que lhe serviam para não esquecer as nómadas origens, havia certas passagens, as mais picantes e mulherengas, que ele certamente omitia. Ou então, como sói acontecer aos contumazes contadores de lérias, como ele, Hernando sempre dizia, a fim de preser­var sua identidade, que tais e mais teriam ocorrido a algum moço da aldeia xis ou ípsilon.

 

Envoltos nesse início de namorico, mal perceberam quando o pai de Aurora chegou, segurou-a firme pelo bra­ço, cumprimentou secamente o rapaz com um – Boa tarde, senhor Camacho, esteja a passar bem; com licença – e mui de pronto afastou-se com a filha, a ralhar entre os dentes – Vamos, menina, andemos de volta a casa, onde lá é que me­lhor estás, pois “quem à boa árvore se abriga, boa sombra o cobre”. E lá também é que te vou explicar porque o povo diz “O lume ao pé da estopa, vem o diabo e assopra.”

 

Logo se juntaram ao resto da família e, com os protestos de Aldenora e a chorosa revolta dos menores, tomaram o caminho de volta à Quinta. O que mais pesava aos miúdos era deixarem de provar, conforme o Papá tinha prometido, as castanhas assadas, os gelados, as tortas de Viana ou os especiais pastéis de Chaves, que se ofereciam em uma con­feitaria recém-inaugurada ao Largo das Freiras.

 

  1. ANOS 20.

 

Então se passaram alguns anos, marcados apenas pelas notícias dos jornais locais ou dos que vinham de Lisboa ou do Porto, sempre lidas por Papá em voz alta ao pequeno-al­moço. Entre as novidades, os costumes dos anos 20, “inde­centes, obscenos, pornográficos”, como a eles se referiam os comentários de João Reis – Ai, Menina Flor, essas coisas que estamos a conhecer... esses países que se perderam nas teias da depravação, tudo isso me deixa preocupado.

 

Sussurrava à esposa – A Lisboa, já andam por lá algumas dessas raparigas do tipo maria-vai-com-as-outras, a se exi­birem com esses vestidos que lhe sobem às pernas, quase a mostrar os joelhos... percebes o decoro, Menina Flor? Pior ainda é o corte de cabelos, mais curto que o dos rapazes, esse tal de “à la garçonne”. Só espero que essa vergonheira toda não nos chegue por cá! – ao que Mamã concordava – Pois estou a pressentir que isso há de ser, como nos alertou a Virgem de Fátima... o fim do mundo!

 

É que aos olhos de muitos flavienses, Paris tornara-se um imenso bordel, onde artistas, intelectuais e outros cidadãos marginais, nativos ou imigrados, exibiam em público sua libertinagem explícita, desde o Louvre aos cabarés de Pigalle, desde Montmartre aos cafés de Sain-Germain-des- Prés. Ao Porto e Lisboa, no entanto, já lá se podiam ver passar pelas ruas algumas raras pessoas de grande ousadia, veementemente execradas por todos aqueles que se abriga­vam sob o manto da grande mãe eclesial, católica, apostólica e romana. As melindrosas, os charletons e os cabelos “à la garçonne” eram ecos de um universo distante, nessa peque­na vila trasmontana, onde as jovens solteiras e as senhoras de bem (pois que, de mal, só as marafonas...) cobriam-se da cabeça aos pés. Certamente que haveriam de existir, toda­via, algumas raparigas que ficassem a suspirar por Lisboa, à moda de “As Três Irmãs”, de Checov, finas e sensíveis mo­ças da Rússia campesina que sonhavam, algum dia, partir para Moscovo.

 

De Moscovo, aliás, quem sempre trazia notícias era o pri­mo Rodrigo, malgrado algumas carrancas de Papá quando o via penetrar na sala de estar da Quinta, agora a medo de que ele, com suas ideias estapafúrdias, acabasse por corromper as cabecinhas de seus miúdos e nelas introduzisse os novos costumes dos anos 20. O rapaz abraçara de corpo e alma as ideias bolchevistas da Revolução Russa de 17 e era conheci­do por suas polémicas nos cafés do Largo das Freiras. Vivia agora a falar de um futuro em que os operários seriam donos das fábricas e dos seus instrumentos de trabalho, não have­ria mais patrões e empregados, todos seriam iguais de facto e com todos os seus direitos perante a Lei.

 

Rodrigo era denunciado várias vezes ao senhor Chefe de Polícia, pelos seus inadequados comportamentos políticos e sociais. Como ele fosse, no entanto, muito querido na cidade e o poder ainda estivesse com os republicanos, anticlericais, bem como o rapaz limitasse as suas ações apenas a palavras e, o melhor atenuante, qualquer deslize seu pudesse atribuir­-se a excessos com a ginja ou com o bom vinho, acabavam por não lhe dar qualquer seriedade.

 

Já esquecidas do incidente sobre as aparições de Nossa Senhora em Fátima, Aldenora e Florinda atiçavam o facho discursista do jovem e, de ambas as partes, as contendas ver­bais se animavam. Ele, a louvar os princípios coletivistas e as igualdades sociais. Elas, a defenderem a Santa Madre Igreja das “ideologias esdrúxulas” e ateias do rapaz. A se valerem da pronta acolhida nas mentes simples como a de Flor, os capitalistas se uniam aos curas das aldeias, para espalhar os boatos de que doutrinas como essas, que do­minavam a cabeça do jovem primo, foram implantadas por “comunistas perversos, que matam os padres, fazem mal às freiras e comem criancinhas”.

 

Às meninas Aurita e Aldenora, no entanto, encantava o facto de, algum dia, as mulheres no mundo inteiro poderem ser mais livres, independentes, trabalhar fora de casa como os homens e, até mesmo – ai que esperança, ainda, àquela altura! – eleger os governantes da pátria. Quando atiçado, porém, em suas posições anticlericais, o rapaz, que também gostava de cometer alguns versos e escrever contos, a partir das lendas colhidas na região, saía-se sempre com algumas histórias de padres e freiras. Não tão picantes, por certo, quanto as que Adelaide fazia Florinda corar de pejo, mas igualmente interessantes, como a Lenda das Almas dos Fra­des Santos.

 

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