10-anos-500
Sexta-feira, 31 de Julho de 2015

Discursos Sobre a Cidade - Por Francisco Chaves de Melo

discursos-chico

 

Sentir orgulho na cidade faz bem à alma!

 

Muitas vezes nos dizem que o sentido mais profundo do pensamento humano radica em tempos recuados e, todo o devir, parece nada acrescentar ao que sabemos ser bom.

 

Hoje, quando ouvimos aqueles que nos governam, aqui ou em Lisboa, somos levados a considerar que mais depressa nos desejam confundir, do que esclarecer. Assim pensamos por nos garantirem que tudo está melhor, que hoje já se respira confiança mas, nós, o povo, sofremos maior penúria de emprego, de salários, de saúde, de justiça e de educação.

 

Que bom seria ouvir hoje, 25 séculos depois, a oração fúnebre aos mortos do primeiro ano da Guerra do Peloponeso que Péricles fez no ano 430 a.C. Podem achar estranho ter escolhido uma oração fúnebre mas, o momento da nossa vida pública no concelho, no país e na União Europeia outras orações não inspira.

 

O que se pode dizer sobre o “in conseguimento” de quem atualmente nos governa pode e deve ser feito por contraponto. É isso que o discurso de Péricles nos permite. Pode o discurso ser utilizado como um aferidor, um aferidor com 25 séculos, que já inspirou William Pitt, no seu agradecimento público pela vitória de Trafalgar, por Abraham Lincoln, no seu discurso em Gettysburg e por John Kennedy no seu discurso em Berlim Ocidental, entre outros.

 

Oração fúnebre aos mortos do primeiro ano da Guerra, Péricles, 430 a.C.

 

(discurso de Péricles que Túcidides escreveu para a sua História da Guerra do Peloponeso, partes aleatórias)

(…)

Começarei, pois, a elogiar os nossos antepassados. Pois é justo e equitativo render homenagem à recordação.

 

Esta região, habitada sem interrupção por gente da mesma raça, passou de mão em mão até hoje, guardando sempre a sua liberdade, graças ao seu esforço. E se aqueles antepassados merecem o nosso elogio, muito mais o merecem os nossos pais. À herança que receberam juntaram, ao preço do seu trabalho e dos seus desvelos, o poder que possuímos, que nos legaram. Nós o aumentamos. E no vigor da idade ainda alargamos esse domínio, abastecendo a cidade de todas as coisas necessárias, tanto na paz como na guerra. (…)

 

A nossa constituição política não segue as leis de outras cidades, antes lhes serve de exemplo. O nosso governo chama-se democracia, porque a administração serve aos interesses da maioria e não de uma minoria.

 

De acordo com as nossas leis, somos todos iguais no que se refere aos negócios privados. Quanto à participação na sua vida pública, porém, cada qual obtém a consideração de acordo com os seus méritos e mais importante é o valor pessoal que a classe a que se pertence; isto quer dizer que ninguém sente o obstáculo da sua pobreza ou da condição social inferior, quando o seu valor o capacite a prestar serviços à cidade. (…)

 

Para amenizar o trabalho, procuramos muitos recreios para a alma; instituímos jogos e festas que se sucedem a cada ano; e diversões que diariamente nos proporcionam deleite e diminuem a tristeza. A grandeza e a importância da nossa cidade atraem os tesouros de outras terras, de modo que não só desfrutamos dos nossos produtos como daqueles do universo inteiro. (…)

 

Temos a vantagem de não nos preocupar com as contrariedades futuras. Quando chegam estas, enfrentamo-las com boa têmpera, como os que sempre estiveram acostumados com elas.

 

Por estas razões e muitas mais ainda, a nossa cidade é digna de admiração. Ao mesmo tempo em que amamos simplesmente a beleza, temos uma forte predileção pelo estudo. Usamos a riqueza para a ação, mais que como motivo de orgulho, e não nos importa confessar a pobreza, somente considerando vergonhoso não tratar de evitá-la. (…)

 

Nós consideramos o cidadão que se mostra estranho ou indiferente à política como um inútil à sociedade e à República. (…)

 

Se vos antojar ler todo o discurso, sem cortes, consultar Adriano Moreira, 1986, O ideal democrático – o discurso de Péricles in O legado político do Ocidente – o Homem e o Estado, Estudos Sociais e Políticos, nº14, ISCSPU.

 

Boas férias!

 

Francisco Chaves de Melo

 

publicado por Fer.Ribeiro às 02:21
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Quinta-feira, 30 de Julho de 2015

Chaves numa imagem

1600-(26494)

Mais uma imagem da nossa Igreja Matriz, ou Igreja de Stª Maria Maior ou ainda da nossa Igreja Grande, pois todos os nomes lhe caem bem. Curiosamente uma imagem tomada por debaixo das arcadas de outra igreja, a Igreja de Misericódia, igulamente grande mas de um estilo e época diferentes.

 

publicado por Fer.Ribeiro às 15:13
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Conversas com Zeus

zeus

 

“CONVERSAS COM ZEUS”

-XXII-

A CIDADE dos pavões”

 

De longe e de perto, vejo o meu País,

a minha CIDADE, e a MINHA TERRA NATAL

empurrados para um abismo

cujo fundo não atinjo com os olhos do corpo

nem do espírito.

Luís da Granginha

 

 

Estava eu todo repimpado, numa praia da Costa Verde, a gozar o sol e a brisa do fim da tarde quando ouço uma voz a causar-me uma surpresa maior que o pequeno susto:

 

- “Toma. Mata a sede!

 

Ouvi a sentença ao mesmo tempo que à frente dos meus olhos se aprontava uma garrafa de “Pedras”.

 

Como sabem, tenho um amigo muito especial, um tanto travesso.

 

Conheci-lhe a voz.

 

Nem bom-dia, nem boa-tarde. Virei-me pra ele e repontei-lhe:

 

- “Da próxima trazes uma das “Pedras”, outra de “Carvalhelhos” e duas de “Vidago”

 

Bem, e se as «coisas» acontecerem como desejo, até vais trazer, mas é, uma garrafa de Soutelinho e outra de Segirei!

 

ZEUS, pois é deste amigo que vos falo, deu uma gargalhada e retorquiu:

 

- “Tens de vir sempre com uma das tuas «fantasias”!

 

“Deixa –te de lérias e diz-me lá por que é que aparecestes assim sem mais nem menos. Hum! Desconfio que anda mouro na costa”! - atirei-lhe

 

ZEUS sentou-se ao meu lado.

 

Olhou lá para o fundo, apontou para um petroleiro que se dirigia para Leixões e murmurou: Temístocles!

E falou:

 

- “Calcula tu que, agora, os neo-nazis «Merkelêndeas» querem deitar a mão ao Parténon, ao Pireu; entrar no “Liceu” e na “Academia” sem os respectivos exames de “Admissão” e de «Aptidão», reinar em Corinto, Tebas, Esparta e Atenas, ocupar Delfos, poluir as águas da minha piscina, na Cova onde celebrei a minha paixão por Europa, e apagar-nos a chama olímpica!

 

Prepara-te, pois qualquer dia vou precisar de um «comando» de “tupamaros” para começar a «dar-lhes pra trás» (que em “transmontanês” quer dizer «dar-lhes nos cornos»)!

 

- Dizem que Ponta Delgada, Machico, Rio Maior, Alfândega da Fé, Portel, Olhão e Montalegre, entre o restante, vêm a seguir - atalhei.

 

- A brincar que o digas, bem podes ter a certeza: até as cagarras selvagens passam a “Sturmtaucher” domesticadas…e vão ter o «sr. Silva» por tratador!

 

Bem, mas para não começares a ter mais comichão intrigada, fica a saber que vim, Hoje, com todo o gosto.

Nem só os teus «Amigos» «feice-buqueiros» se lembraram de te lembrar que estás cada vez mais velhote! E como não me apetece beber só, e sozinho, um copo, “à tua saúde”, vim beber uma garrafita …desta!

 

Também me preocupam as tuas preocupações com a NOSSA TERRA (para os menos lembrados, convém dizer que há já muito tempo que também é MINHA!).

 

Vêm aí outras Eleições. E bem preciso é que Portugal, e a NORMANDIA TAMEGANA, e especialmente CHAVES, tomem Novo Rumo.

 

Lá pelo Médio e pelo Extremo Oriente corre que CHAVES, referenciada «A Cidade dos pavões», vai entrar para o Livro “Guinness” (detesto o «Guinness World Records») como o Município com os edis mais pantomineiros, beleguins e inúteis do Mundo …e arredores!

 

Ora, como se já não bastasse a borrada continuada do «pavão de Castelões»; do padre falso, de Vila da Ponte; dos «lalões», «lalõezinhos» e «poneyzinhos e Tróia», saber desta «noβidade» por «quien ama estas tierras y las añora», como muito apropriadamente reconhece uma «princepeza» asturiano-flaviense, compreendo quanto te custa!

 

Mas deixa-me que diga:

 

- Sabes do que me fazes lembrar, mesmo ‘inda antes de falares?! - interrompi.

 

- Não, não vou ser demorado como “John Galt”.

 

Mas digo-te:

 

- “Para o mal de CHAVES, e DOS Flavienses, à frente dos destinos autárquicos têm sido colocados tristes e podres amostras de políticos cuja competência e coragem só lhes serve para eludirem responsabilidades.

 

Os Flavienses, tal como a maioria dos Portugueses, comportam-se como aquela multidão que aplaudia entusiástica e febrilmente o rei a passear as suas invisíveis vestes celestiais.

 

Aceitam facilmente que os hipócritas, os medíocres e os malvados reizinhos apavonados que administram o Município delapidem o seu património histórico e cultural; os vergastem com impostos, taxas e sobretaxas; os empurrem para além da fronteira; lhes encurtem a esperança de vida, fechando o Hospital, lhes dificultem o acesso à Justiça, acabando com o Tribunal.

 

Os Flavienses, tal como a maioria dos Portugueses, continuam a não querer ver que nos altares criados pelos iluminados profetas do BCI (Bloco Central de Interesses), os tais «do arco do Poder», «é sempre o homem a quem neles imolam e as bestas a quem enaltecem»!

 

A maioria dos Flavienses (tal com a dos Portugueses), cheia de boa-fé, o que tem feito nestes anos «abrilidosos» não tem sido mais do que colocar-se sob o arbítrio da má-fé alheia à mercê de promessas que nunca seriam cumpridas!

 

A Câmara Municipal de CHAVES está a ser, e tem sido, dirigida por comodistas e desavergonhados, aprendizes de amanuense com vencimentos de presidentes de Companhias de Petróleo ou de Diamantes!

Na Câmara Municipal de CHAVES campeiam dois galopins embusteiros que sabem usar a manha para fazer recair em terceiros a «censura dos seus desacertos» e o castigo das suas aldrabices e covardias!

 

São dois enxudiosos a tropeçar no contentamento por si próprios!

 

Crêem-se actores da comédia humana: é vê-los nas figuras tristes de feiras e feirinhas, festas e festinhas, e procissões e leilões!

 

A loucura do seu devaneio lembra a do assassino que o é só para ver o seu retrato nos jornais!

 

Esses pelintras morais e politiconeiros não sabem, nem foram capazes de aprender, a diferença entre Dignidade e vaidade!

 

Pelo destino que leva a NOSSA CIDADE, a NOSSA TERRA, vê-se bem que esses potervos militantes partidários não têm, nem nunca tiveram, apreço nem estima pelos Flavienses e por CHAVES!”

 

O padre falso Baptista, militante tartufo-mor na política caseira flaviense, mal se apanhou no cargo de presidente de Câmara, pôs às claras o ódio aos Flavienses pelos seus próprios pecados, e aproveitou para lhes fazer pagar as culpas que sentia!

 

Não contente com a dúzia de anos de «macaquices» e judiarias, instilou no seu coadjutor, um tal «pavão de Castelões», a mesma dose de ódio, de veneno e de ruindade para continuação do seu satânico gozo!

 

Esse «pavão» passeia-se pela Cidade convencido de que os flavienses nasceram, vivem e trabalham com todas as suas forças, sacrifícios e dignidade para o servir, e ele nasceu para governar o Município por graça da sua inutilidade!

 

Está à vista a sua mediocridade política e patriótica, tal como a dos “pavõezinhos” e “lalõezinhos” do seu aviário.

 

Mas mais grave que essa mediocridade é a ruindade e a malvadez com que teimam em causar e consentir prejuízos aos Flavienses e Normando-Tameganos!

 

Na administração autárquica, esses aventesmas apavonados e feitos « poneyzinhos de Tróia » mostram «c l a r a m e n t e» como são retardados!

 

O «tachinho» fez deles uns «tresloucados».

 

Brevemente se tornarão proscritos!

 

Há uma diferença substancial, distinta, notável entre o «pavão», «pavões», «lalões» e «poneyzinhos de Tróia » que, aí por CHAVES (e pelo Mundo) estão instalados ou vagueiam e aqueles que honram compromissos de seres sociais, aqueles que respeitam o Próximo, aqueles que não fogem nem traem a responsabilidade do lugar para que foram eleitos nem a confiança de quem os elegeu.

 

A diferença entre essa revoada canora de «bimbos» e os homens de palavra e de honra é que estes vivem para os demais e eles vivem dos demais.

 

Pavões, lalões e poneyzinhos de Tróia”, da NOSSA TERRA, à semelhança de cretinos, reles e traidores que têm ocupado Belém e S. Bento, medíocres como são, apenas souberam apoderar-se das conquistas de portugueses e flavienses de coragem, de génio, originais e idealistas.

 

Tiveram e têm por modelo o livreiro que faz a sua fortuna à custa do génio do escritor.

 

Falam do Futuro sem o imaginar.

 

Cumprem o Presente interpretando mal o Passado.

 

O «pavão de Castelões» jamais terá o sentimento de culpa perante os «crimes» que tem cometido para com a Sociedade, em geral, e para com os Flavienses, em especial, por não conhecer a sensibilidade empática e não ter capacidade para redimir-se, com actos, das injustiças, das asneiras e dos crimes por si cometidos.

 

É típico dos hipócritas, como esse procaz «pavão de Castelões», a esquiva à responsabilidade (note-se, p. ex., «calote» da Câmara ou os «desvios» à vergonhosa situação com a poluição em Outeiro Seco), mas revelam grande audácia na traição (ex., o impostor candidato do MAI-Chaves, ora vereador). À semelhança do paraninfo e mentor, o tal padre falso, estes dois hipócritas são outros Tartufos!

 

Esses «pavões» não passam de lacaios de todos os cúmplices da sua mediocridade.

 

Alguém me disse ter ouvido o «pavão de Castelões» gabar-se, quando desce a Rua Direta e sobe Stº António, de que as pessoas, os Flavienses, olham para ele com uma expressão dedicada às mais famosas estrelas de cinema, de Hollywood!

 

Falaram-me também de um outro recente gabanço, num brinde final de algumas rodadas, depois da tomada de posse como presidente de Câmara, e que me recordou uma fanfarronada de Lyndon Johnson após uma vitória eleitoral:

 

-“Tenho passado a vida a lamber o «sul» a todos os Flavienses e Transmontanos; agora, presidente, já não preciso de lamber nenhum!”.

 

Os seus motivos político-administrativos com interesse municipal e nacional são incertos e de duvidosa moral.

 

Servindo e servindo-se da «lalões e «lalõezinhos» imbecis, com um pipilar aqui e uma bicadinha acoli, lá tem conseguido mais do que a sua capacidade merece!

 

Para se insinuar aos Flavienses, e tratar, depois, como «patos bravos» aqueles que o elegem, o «pavão de Castelões» cacareja, mais do que pipila, as tretas que caem no goto de uma certa camada da população, viciada no fanatismo a preceito!

 

Para esse tratante não existe a moral do Bem ou do Mal: vive somente com a religião das suas conveniências e das bulas dos seus apaniguados!

 

A decência, a honra e a justiça políticas e sociais, aí por CHAVES, tal como por todo o País, são negadas ou ignoradas, ou estão esquecidas.

 

O «pavão» não entende o Presente, não lembra o Passado, nem olha o Futuro da NOSSA TERRA, das NOSSAS GENTES, porque o pesado sentimento de culpa que carrega, pelos crimes e asneiras que tem cometido e praticado desde que pôs o pé na Praça de Camões, o obriga a manter o olhar baixo!

 

E com um presidente de Câmara assim, os Flavienses, tal como os Portugueses com um minorca primeiro-ministro e um minhoca presidente da República que hoje têm, só podem e têm de dar-se por «vencidos»!

 

Tal qual o «Fanfarrão de Massamá» o faz por todo o País, o «pavão de Castelões», por aí, por CHAVES, vende bazófia a preços exorbitantes!

 

Lamento que os Flaviense conheçam a verdade negando-se a reconhecê-la!

 

À escandalosa incompetência desse «pavão» para comandar a Comunidade Flaviense ele junta toda a sua maldade consciente e intencional.

 

Fraco de conhecimento, é, também, tal como o seu mentor, protector e padrinho, o tal padre falso Baptista, um fracassado moral.

 

A sua condição, e qualidade, de medíocre não lhe permite reconhecer os erros que dia a dia pratica e acumula, e nem ganha vergonha por eles, tornando-os mais graves com o seu impudor.

 

Se fosse capaz de ter um pingo de vergonha, andaria mais avermelhado que uma papoila!

 

Os seus actos desmentem as suas palavras.

 

Esse fementido autarca, carente de valor pessoal, procura realizar-se na destruição e prejuízo dos bens comuns municipais e de cada flaviense.

 

Invejoso daqueles que são competentes e eficazes, persegue o prazer de inquietá-los e dominá-los.

 

A sua forma de auto-satisfação reside em soltar os seus ressentimentos e os seus ódios contra aqueles que não partilham do seu estado de alma   -   ou mão lhe aparam o jogo!

 

Receia os concidadãos inteligentes: rodeia-se de medíocres e de «ingénuos úteis», gente que pode enganar e manipular   - enfim, de um rebanho que lhe transmite e sustenta uma sensação de poder!

 

Não frequenta, não aparece numa qualquer manifestação cultural, social ou tradicional para recolher uma recompensa emocional por se encontrar com aqueles que estima, para conhecer pessoas interessantes ou para manter uma conversa com quem valha a pena falar ou de quem valha a pena ouvir algo.

 

Não!

 

Aparece “por lá”, envergonhado, temeroso, mas com a esperança de aí encontrar algum prazer, mesmo até só com a impressão de que as pessoas o aprovam, ou para considerar uma distinção social ter sido convidado (depois de se ter feito convidar!) para a festividade, ou, ainda, porque o evento constitui uma boa oportunidade de fugir do terror de se encontrar consigo mesmo!

 

Afinal, o que busca permanentemente é o prazer de fugir da responsabilidade de ser consciente!

 

A que se assemelham as penas deste «pavão» quando olhadas de mais perto?

 

Vimo-lo de relance. Mas deu tempo para lhe toparmos que as penas de pavão são “um disfarce de um porco-espinho, com cauda de mangusto e focinho de doninha”.

 

- Ambos fizemos um demorado silêncio.

 

ZEUS levantou-se:

 

- “βou-m’indo, que se faz tarde. ‘Inda quero chegar a tempo de visitar a Exposição de «Tons Azuis”, do “Tenente Berto”, na Adega Faustino, e lá desougar-me com um copito de Geropiga!

 

M., 20 de Julho de 2015

Luís Henrique Fernandes

 

 

 

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Quarta-feira, 29 de Julho de 2015

Chá de Urze com Flores de Torga - 89

1600-torga

 

Chaves, 27 de Setembro de 1960

 

EXORTAÇÃO

 

Em nome do teu nome,

Que é viril,

E leal,

E limpo, na concisa brevidade

— Homem, lembra-te bem! —,

Sê viril,

E leal,

E limpo, na concisa condição.

Traz à compreensão

Todos os sentimentos recalcados

De que te sentes dono envergonhado;

Leva, doirado,

O sol da consciência

Às íntimas funduras do teu ser,

Onde moram

Esses monstros que temes enfrentar.

Os leões da caverna só devoram

Quem os ouve rugir e se recusa a entrar…

Miguel Torga, in Diário IX

 

1600-santos-2011 (426)

 

Chaves, 17 de Setembro de 1961

 

É um fenómeno curioso: o país ergue-se indignado, moureja o dia inteiro indignado, come, bebe e diverte-se indignado, mas não passa disto. Falta-lhe o romantismo cívico da agressão.

 

Somos, socialmente, uma coletividade pacífica de revoltados

Miguel Torga, in Diário IX

 

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 15:33
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Terça-feira, 28 de Julho de 2015

Crónicas estrambólicas - Aluado

estrambolicas

 

Aluado

Foi há 46 anos que os gajos foram à Lua. Pus-me a pensar nos malucos que se dão a esses trabalhos, nos putos e adultos que sonham em ser astronautas ou em outras merdas que a mim não me passam pela cabeça, como piloto de aviões. Nunca na vida quis ser piloto de aviões porque aquilo é uma seca. Um gajo tem que descolar, ser muito picuinhas e cuidadoso ao levantar, depois liga-se o piloto automático e apanha-se secas de horas infinitas a olhar para as nuvens, a seguir volta-se a ser muito picuinhas, seguindo instruções muito rigorosas, e aterra-se a máquina. Qual é a piada dessa merda? Muito mais interessante é conduzir, porque num carro um gajo aprecia a paisagem, pode fumar, ouvir rádio, falar ao telefone ou com os passageiros, ultrapassar, fazer uns despiques, derrapar numas curvas, passar num vermelho se não vem ninguém, galar as gajas nas paragens de trânsito, estacionar em dupla fila, etc. Ser taxista é muito mais interessante do que piloto. Astronauta é que é do pior que há, é mesmo de malucos, de gajos completamente tarados. Como é que alguém se submete a 3 ou 4 anos de treino super-rigoroso para ir tentar (nem todos chegam ao ponto de participar em missões) pôr um pé na Lua durante 2 horas? A mim não me convenciam a ir. Imaginando que por circunstâncias muito especiais não havia mais ninguém e que eles me vinham implorar para eu ir, dizendo que eu que é que tinha as características certas, gajo de tomates e que ia dominar a nave na perfeição, que eu é que tinha mesmo que ir, que não havia outro como eu, e pronto, eu lá lhes fazia o jeito e ia contrariado, acho que o filme seria mais ou menos o seguinte. Durante os 3 ou 4 anos de treino iria apanhar altas secas com os totós colegas e não conseguiria andar certinho, teria que beber umas cervejas à escapula e aparecer ressacado nas manhãs de treinos e aprendizagem. Mas como eu era o tal especial, os gajos teriam que me aturar essas merdas. Em chegado o dia, lá me metiam no foguetão onde eu iria apanhar alta seca de duas semanas, ou mais, numa viagem em que um gajo está fechado num cubículo, pior do que uma prisão, a aturar os mesmos totós, noite e dia, a ter que ser muito picuinhas a conduzir a nave, a não poder ir ao café, a não poder dormir numa cama, a comer sandes (ou pastas ou lá o que é), a cagar e a mijar para a fralda (ou lá o que é), a perder os episódios da novela, sujeito a que aquela merda explodisse, etc.

Lua - Quarto Crescente

Acho que chegaria à Lua num estado de nervos do caralho, porque se eu detesto fazer viagens longas de camioneta, esta, que seria muito pior, acabaria comigo. Finalmente, chegávamos à Lua, mas como eu tinha sido o escolhido para ser o primeiro gajo a pôr as patas na Lua, abria a porta, descia as escadas, mas não sei se me iria lembrar da frase que os gajos me teriam ditado, uma coisa para ficar bonita, do estilo "That's one small step for a man, one giant leap for mankind (um pequeno passo para mim, um passo gigante para a Humanidade)". De certeza que eu iria aproveitar esse momento para me vingar das secas todas. A Humanidade toda à espera que eu dissesse alguma paneleirice mas o que eu iria dizer seria algo do estilo "Foda-se, chegamos, caralho, tanta merda para isto, pá, não há cá nada, é tudo cinzento, podemos ir já embora. Nem gajas, nem restaurantes para um gajo matar a fome, nem sequer um McDonaldezeco, aqui não há nada que preste, vamos mas é bazar, puta que pariu esta merda!". Os gajos da NASA passavam-se e o Buzz Aldrin vinha-me dizer para acalmar "Ó pá, tem calma, vamos só pôr a bandeira e apanhar umas pedras, tem calma que já vamos!" e eu a responder-lhe "Tá bem, vamos lá acabar com essas merdas mas pára com esses saltinhos paneleiros que já me estás a irritar, caralho, vamos lá despachar isto!". Lá acabávamos com as tretas, metíamo-nos na nave e voltávamos, enquanto eu desesperava com mais uma semana a pão e água, a ter que gramar sandes já mais que ressequidas. Mas de certeza que eu não iria aterrar a nave no Pacífico, nem pensar, no cu é que eu aterrava no Pacífico, no caralho é que aterrava lá! Como eu é que era o maioral, o que eu faria era aterrar a nave na barragem dos Pisões para ir poder comer, logo a correr, um bom cozido à barrosão, ali no Sol e Chuva. Não, estas paneleirices de astronautagens não são para mim, não vejo o interesse da coisa. É como aqueles malucos que só para se poderem gabar que chegaram ao Pólo Norte, sujeitam-se a ficar sem dedos e a gramar condições do piorio. Se lhes perguntarem se para chegarem ao Pólo Norte se sujeitavam a serem enrabados ao chegar lá, de certeza que eles aceitavam, porque tanto lhes faz ficar sem dedos como serrem enrabados, o que eles querem é gabarolice, são uns peneirentos. Se eu quisesse também ia lá ao PN, tenho bom cabedal e nem sou friorento, ainda no Natal estive na fogueira de Natal ao ar livre, só de camisa e de mangas arregaçadas. Só que não me apetece, não vejo qual é o interesse, nem de helicóptero lá punha os pés. Que se foda.

 

Luís de Boticas

 

 

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Segunda-feira, 27 de Julho de 2015

Quem conta um ponto...

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Epístolas

 

Epístola primeira

 

Escrevo-te cá de baixo, mesmo muito mais abaixo do que é costume. Ando eufórico, extravagante, frenético. Agora tomo uns comprimidos que me põem elétrico. Estabeleci contacto com estas pílulas milagrosas uma noite quando um jovem simpático, que conheci por caso, mas aconselhou como antídoto contra as minhas crónicas dores de cabeça. Deu-me uma para experimentar e depois vendeu-me um saquinho delas, caras, razoavelmente caras, mas artigo com propriedades muito apreciáveis. Não é que com elas a dor de cabeça me passe, mas quando engulo uma ponho-me logo aos pulos. Por isso agora tomo-as e dirijo-me logo de seguida para um local onde se dança toda a noite ao som de música latina. E por ali fico aos saltos até que se faça dia. Depois de tomar a medicação só bebo água e sumos naturais, pois foi o que mais me recomendou o meu jovem amigo. Eu, que detestava música de baile, eu que só conseguia ouvir música de câmara em ambiente adequado, agora derreto-me por salsa e merengue. Mas vou terminar esta minha missiva pois acabei mesmo agora de tomar uma pílula verde e já estou que me desmembro. PS - Não te esqueças de dar as vitaminas ao tritão (Lissotriton boscai), pois se as não tomar o bicho perde a cor e a elasticidade dos músculos e da pele.

 

Epístola segunda

 

Escrevo-te ainda de C. Por aqui continuo a gastar os meus parcos rendimentos mas faço-o cada vez mais com redobrado prazer. O prazer de gastar, de nada deixar a ninguém, nem sequer à Misericórdia, nem a nenhuma outra instituição, seja ela de caridade, cultural, cívica, militar ou protetora dos animais e afins. Por cá a gente atrapalha-se nas ruas. São tantos os que por aqui andam de um lado para o outro que parece que o ar para respirar nos falta. Este formigueiro em constante movimento por vezes põe-me louco. Como louco fiquei quando soube que o canguru que deixei à tua guarda desapareceu na noite. É que eu tinha uma consideração peculiar pelo animal. Além de ser de estimação, era um ser estranho, mas profundo. Eu costumava falar muito com ele. E ele ouvia-me com muita atenção, interesse e bonomia. Interlocutor assim nem mesmo tu o consegues ser. Digo-te que ando um pouco desconfiado que foste tu quem o deixou fugir. Bem, fugir não, pois o animal não era de fugidas. Estava muito habituado à minha casa. Andava pelo jardim com muito estilo, cantava lindas canções de embalar que ouvia à governanta, assobiava com bastante intensidade e tocava muito bem o tambor. Por vezes até tratava da horta e tinha um carinho especial pelo talhão dos tomates e das cebolas. Desconfio que o expulsaste de casa ou o vendeste ao circo. Se tal fizeste juro que to farei pagar em duplicado, pois sou muito bem capaz de te esganar a catatua que te trouxeram do Brasil e depois assá-la e comê-la na companhia do meu cão de caça. Que te desfizesses do esquilo esquizofrénico ainda vá que não vá, agora expulsares-me o canguru da quinta ou vendê-lo ao circo, isso é uma afronta muito séria à minha pessoa e à nossa profunda amizade. E sabes bem que uma amizade pode resistir a tudo menos aos golpes baixos e aos ciúmes. Como me dói muito a cabeça, vou-me até ali à farmácia comprar umas aspirinas. Despeço-me até à próxima, enquanto aguardo que me restituas o canguru, senão vai ser o cabo dos trabalhos para nos tornarmos a dar como irmãos. Que é aquilo que somos na realidade. Envio-te este postal com um pedido de desculpas, é que no quiosque não havia outro e este é um pouco enigmático, mas nalguma coisa tinha de escrever. PS - Peço-te encarecidamente que continues a dar de comer e beber aos meus queridos animais. Especialmente à serpente coral do Texas (Micrurus tener).

 

Epístola terceira

 

Escrevo-te cá de baixo, mas mesmo de baixo, debaixo de chuva, debaixo de vento e debaixo de uma depressão estupenda. Estupendamente estúpida, hieroglífica. É que estou mesmo em baixo. Aqui todos me tratam por pá, pá isto, pá aquilo, pá aqueloutro, pá para a frente, pá para trás. E eu não estou nada habituado a este tratamento que, ao mesmo tempo que parece íntimo, resulta numa perfeita imbecilidade informativa e informal. De informal tem pouco, tem mais de desleixo, de não te rales, de displicência e de frustrante indiferenciação social e humana. Fora isto, estou bem mal. Estou desnorteado. Ando desaustinado. Amorfo. Tenho saudades de tudo o que por aí existe e continua a existir mesmo sem mim. Até já tenho saudades das pedras da calçada. Tenho sentidas saudades de falar com os amigos. Sim, eu sei que são poucos e maus, mas, mesmo assim, são os meus amigos. Tenho muitas saudades de descer a rua Direita e depois subir a de Santo António. E tenho muitas saudades da minha doninha. Por favor não te esqueças de lhe escovar os dentes e de lhe dar banho de imersão. Ela adora banhos de imersão. Fora isso, tenho muitas saudades tuas. Mas, reconheço, a opção deste retiro espiritual tem muito de esquizofrénico. Ainda não consigo pensar no Largo das Freiras sem me arreliar. Eu adorava aquele sítio. Foi durante décadas o mais dileto e acarinhado ponto de encontro de vários grupos de amigos que ali se juntavam para conviver, dizer umas larachas e discutir o sexo dos anjos. E por aí ficávamos até altas horas da madrugada, só pelo prazer do convívio, de nos ouvirmos uns aos outros, por sentir que estávamos vivos e que alguém nos considerava necessários na sua vida. Alguns já morreram. E não há memória que doa mais do que lembrarmos vários amigos já desaparecidos sem os podermos associar ao seu espaço preferido. Sem os lugares, a memória é irrisória, não se fixa, não se completa. Com o desaparecimento das Freiras, esses meus amigos morreram duas vezes. E eles não mereciam isso. O respeito pela memória é bem mais importante do que algum progresso. Muito do denominado progresso atual é muito parecido com um retrocesso. A memória, digo-te do fundo do coração, é fodida. PS – Não te esqueças também de alimentar convenientemente o ouriço-cacheiro (Erinaceus europaeus). Mas cuidado, não te piques. É que ele é muito sensível.

 

João Madureira

 

 

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Domingo, 26 de Julho de 2015

Vilela do Tâmega - Chaves - Portugal

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E cá estamos com mais uma breve passagem por uma das nossas aldeias, ou melhor, por uma rua e uma casa de Vilela do Tâmega.

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Casas que hoje têm a sua intimidade esventrada, com paredes a descascar deixando à mostra as antigas vestimentas que então estavam na moda e que deixam alguma saudade.

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 23:50
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Pecados e picardias

pecados e picardias copy

 A taverna 

-Calma!...ouviu-se o Gerardo
-Podemos negociar…
-Fiquem quietos Zé e javardo
-Isto assim não pode acabar
-Viram se se foi tudo embora?
- E o dinheiro, fecharam a porta?
Assentiram os dois sem demora
 
E o João o homem ausente
Atordoado da pancada contundente
Agarrado à viola,pousa-a docemente
Olha os quatro com lástima latente…
 
-Afinal que raio de merda querem negociar?
-Não vos chegou o dinheiro para as comprar?
-Não, riu o javardo a menina é só para se ver…
-Nem com todo o dinheiro do mundo a vais ter…
 
-Ah! Os porcos têm ética
-E tu!... Lurdes, esqueceste o passado?
-Esqueceste o pobre que dizias ter amado
-Fugiste é esta a minha menina, que levavas no ventre
-E esse… o javardo, ou o Gerardo qual deles, teu amante 
 
Observou sem prazer o seu mudo espanto
Que logo se transformou num profundo pranto
Correu ela a abrir a viola,e viram-na pálida
Tentou estender  as pernas …esquálida
 
-Oh! Joana minha filha sentes-te bem?
-Porque demorou tanto tempo Mãe?
-Tenho sede
-E tu tio javardo é assim que me proteges
-Desculpa querida hoje o jogo é de hereges
 
De repente percebeu
A Lurdes e o javardo … ele o irmão?
E a forma como ganhavam a vida
De taverna em taverna com a rapariga
Demitiu-se do ansiado sermão
Encolheu os ombros esmoreceu
 
Novamente invadido
De uma sensação estranha
Viu o Gerardo confundido
Como quem cheira uma trama…
 

A surpresa da constatação
Fugiu pra ficar com o irmão?
Ambiciosa seria pra ganhar dinheiro
Porque tinha escondido o paradeiro
Porque lhe tinha negado o direito
De ser o pai…que lhe tinha feito?…


isabel seixas

publicado por Fer.Ribeiro às 23:00
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Sábado, 25 de Julho de 2015

Santiago do Monte - Chaves - Portugal

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Confesso que nas primeiras vezes que passei por Santiago do Monte a aldeia não convidava a uma paragem fotográfica. Um bocado por teimosia na descoberta, teimei e fui entrando na aldeia. Uma, duas, três, já não sei bem quantas vezes, e de cada vez que agora paro por lá há sempre imagens e pessoas que surpreendem e que deixam a descoberto uma beleza que dói. Não são essas imagens que hoje vos vou deixar aqui, pois tenho outra coisa pensada para elas. Em breve, se o “projeto” for avante, cá estarão.

1600-santiago (212)

Hoje deixo-vos apenas duas imagens, minimalistas, mas que falam por si. Realço esta segunda imagem, com o devido elogio ao fio azul, e que demonstra a capacidade de há muitos anos, mesmo de sempre, que as nossas aldeias tinham em preservar o ambiente em que os “lixos” domésticos tinham dois destinos, o primeiro utilizado como fertilizante das terras de cultivo e o segundo, aquele que a terra não come e rejeita, com uma utilidade qualquer, aquilo que agora pomposamente, em nome do ambiente, se chama reutilização. Quanto ao design, é sempre do mais original que há e de peça única.

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 04:17
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Sexta-feira, 24 de Julho de 2015

Discursos Sobre a Cidade - Por António Tâmara Júnior

TAMARA

 

RECADO

(Tio Nona ocasionalmente a terreiro...)

 

Não existe qualquer compromisso formal entre mim e o dono do blogue «CHAVES» para participar periodicamente na rubrica «Discursos sobre a cidade». «Entro» uma vez por outra, dada a bondade do seu proprietário em aceitar os meus escritos, sabendo da relação afetiva que tenho com a cidade de Chaves e o seu concelho.

 

Sou, assumidamente, de coração, um alto-duriense. Corre-me nas veias o sangue de um povo sacrificado que fez o mais belo e prestigiado jardim natural português, hoje dado como Património da Humanidade, mas cujas «delícias» apenas são gozadas por meia dúzia de «eleitos», que pouco ou nada sabem da sua verdadeira história (e vida), porquanto lhes falta o profundo humanismo que perpassa e é «reincarnado» nas obras dos nossos maiores, como Miguel Torga, João de Araújo Correia, João Pina de Morais e Domingos Monteiro, entre outros.

 

Sou, por isso, tal como tio Nona, um duriense nato, convertido às «paragens» da cidade de Trajano, um resmungão por natureza.

 

Ocasionalmente, vou entrar em polémica com o ilustre flaviense «de gema», mas vivendo noutras bandas, articulista de «Ocasionais - Saudades do Tio Nona», escrito no passado dia 21 de julho neste blogue - Luís Henrique Fernandes. Não por minha expressa vontade, mas a pedido, a jeito de «recado» enviado pelo tio Nona.

 

Não que minha prosa seja tão elegante quanto a sua, a ponto de ser mais conhecido do público até com outro «apodo»; não que minha inteligência seja tão arguta, ao ponto de perceber o que seja um «pitigrama»; não que, efetivamente, não saiba tanto ler quanto Luís Henrique Fernandes o evidencia, apesar de não se aprender apenas nos livros ou outros suportes modernos, mas com o ver e o viver; não que o que diz Luís Henrique Fernandes no seu aludido escrito seja inverdade, mas, singelamente, a sua douta e reputada opinião, ser tão refutável quanto a dos demais; não que o blogue «CHAVES» não tenha o seu mérito e, por isso mesmo, nos mereça os maiores encómios. Simplesmente é conatural à natureza humana a insatisfação, o querer mais.

 

Por isso, entendi o desabafo de tio Nona, quando escrevia, em 30 de novembro de 2012, «Os ‘desencontros’ dos Discursos sobre a cidade» não como uma verdadeira resmunguice, outrossim uma posição crítica quanto ao papel daqueles que ajudam a «criar» o blogue «CHAVES». Crítica no sentido de querer mais. Muito mais. E melhor.

 

Pena que o autor de «Ocasionais» tenha interpretado aquele «discurso» avant la lettre!

 

Não está em causa aqueles que falam, mostrando-nos “a humanidade dos corações dos Flavienses”; não está em causa aqueles que nos lembram “frações do tempo (dos tempos) de uma CHAVES - cidade e Região – ainda recente, e que muitos, mas mesmo muitos de nós, desejamos que persistissem”; não está em causa aqueles que fazem “uma reflexão política acerca de preceitos que poderiam conduzir por mais e melhor acerto as decisões da administração municipal e por melhores caminhos a vida dos Flavienses”; não está em causa o «discurso» poético e rimado com metáforas tão bem caidinhas com as realidades da NOSSA TERRA”; não está em causa os “elegantes relatórios de Contas mal feitas por quem administra a Cidade e lembrando-nos que também por aí, por Chaves, «Somos enganados pela aparência do bem»”; não está em causa as reveladoras «Intermitências» “de uma jovem escritora Flaviense, cuja qualidade engrandece a CIDADE”; não está em causa aqueles que produzem testemunhos “de um tempo em que na NOSSA TERRA os sentimentos de afeição estavam mais espalhados, eram mais vincados e davam mais sabor e alento à vida”; não está em causa aquelas «Cartas» nas quais se “mostra (...) [o] grande coração dos verdadeiros Normando-Tameganos ausentes”; não está em causa as “memórias egrégias daqueles que souberam fazer-se homens, uns; outros, sérios avisos à navegação dos mares políticos, assinalando os fundos falsos das águas, as traiçoeiras correntes e os cabos de tormentos que a rota seguida pelos Flavienses está sujeita a continuar a encontrar, numa fatalidade irrecuperável”; não está em causa os Post(ais) do blogue que “foram e são chamamentos constantes de alerta para o que lindo e maravilhoso sempre teve e ainda vai tendo a NORMANDIA TAMEGANA, por um lado, e, por outro, principalmente para os desmandos, os desaforos, a insensatez, e a cretinice, até, que sobre ela exercem os Governantes Centrais e, muito especialmente, os administradores municipais”.

 

Na verdade, sem momentos reveladores, criativos, sem poética, memória e história não há comunidade que resista e «viva».

 

Mas nunca, nas conversas de tio Nona, se vê pôr em causa ou questionar a posição de abertura à discussão e ao debate por parte do blogue «CHAVES». Pelo contrário, tio Nona evidencia, tão só, querer mais por parte de quem, dia a dia, «ajuda» a construir aquele «espaço».

 

Obviamente que cada um tem a sua posição política (e partidária); obviamente que cada um, caso o entenda, a deve militantemente defender, segundo o livre princípio da aceitação das convicções de cada um. Para tio Nona, a assunção da diferença, das diversas diferenças, é, absolutamente, essencial para a construção de uma verdadeira democracia. Democracia que não é o reino do unanimismo, mas do conflito permanente. Democracia entendida como o palco onde se questionam e debatem esses conflitos. Democracia onde, por via desses mesmos conflitos, se assume «permanentemente», sempre, e renovadamente, compromissos.

 

Tal como tio Nona é exigente em relação a si próprio, face à sua terra e às suas gentes do coração também o é.

 

E pede-lhes que saiam do seu «casulo», deixando de olhar para o seu umbigo.

 

E enfatiza que, cada um, individualmente ou em grupo, assumindo as suas diferenças, «discuta» verdadeiramente o futuro da cidade de Chaves e do seu concelho, construindo uma «visão» desse mesmo futuro capaz de congregar o maior número possível de pessoas com vista a acreditarem numa cidade e num município com mais progresso, mais moderno, com mais equidade e solidariedade, no respeito pela memória e pela tradição, naquilo que distingue os flavienses, como transmontanos que são, dos demais.

 

É este «toque a reunir”, de todos, apesar das diferenças, que tio Nona apela e exorta!

 

Aliás, quem acompanha o blogue «CHAVES», especificadamente os postais ou reportagens que o seu proprietário faz sobre a cidade e os seus núcleos rurais, facilmente se apercebe da mensagem que subliminarmente o seu autor nos quer transmitir! São belas fotografias e alguns expressivos textos de um território que, caso não haja uma visão outra quanto ao seu futuro, a muito curto prazo, quedará em simples ruínas.

 

E, das ruínas, apenas saem cinzas. Cinzas que não «suportam» qualquer memória. E, sem memória, que cidade e território municipal se vai construir de uma forma genuína?

 

Por isso, tio Nona insiste na cidadania ativa e na participação cidadã. Porque está visto que, para certos poderes, como diz Miguel Real, chamando à colação Maquiavel, “a garantia mais segura da manutenção do poder reside nos escombros, na desagregação do tecido comunitário, estado social propício à emergência da autoridade d’O Príncipe”.

 

Tio Nona, em 2012, tal como ainda hoje, defende que todos nós, cada cidadão em concreto, tem que ser um visionário, sem, de todo, ser demagógico, levando-nos a acreditar que ninguém melhor do que a população conhece os seus interesses e ninguém melhor do que ela intui o limite dos seus desejos.

 

Mas, para isso, é necessário consciencializarmo-nos de décadas de televisão, de religião supersticiosa - que não a devota -, e de futebol, como tendo sido os instrumentos mais importantes de anestesia social. Ou seja, no dizer de Miguel Real, “meios intensos de provocação do sonambulismo em que o português [e, entre ele, o flaviense] sobrevive, distraído do que mais importa e atafulhado de imagens superficiais e problemas medíocres, incapaz de se associar em assembleias e decidir do seu futuro”, saindo delas a sua verdadeira voz.

 

Para o efeito, há um combate a levar a cabo - o da não cedência ética ao império da tecnocracia. Com mulheres e homens (políticos) que, para além de competentes, sejam justos, na aceção bíblica do termo.

 

Parafraseando, uma vez mais, Miguel Real, diríamos que “deve ser a razão utópica a guiar o combate pela transformação do mal (a pobreza, a ignorância, o desemprego...), em bem, elevando os níveis de igualdade social, permitindo a mobilidade social, favorecendo o trabalho digno, a conquista do saber e da lucidez, a distribuição equitativa dos bens, recusando igualmente uma sociedade totalmente imaculada ou perfeita”, (In «Portugal - Um país parado no meio do caminho [2000-2015]»), mas com mulheres e homens competentes, lúcidos e justos, e não simples tecnocratas de qualquer aparelho.

 

Mas este trabalho não apenas dos políticos. É de todos nós.

 

A cidadania não se exerce somente nos dias das eleições. É feita, constrói-se todos os dias.

 

A época dos políticos heróis finou-se!

 

Há que mergulhar nas raízes gregas da polis.

 

Para que uma outra Europa com ela se refunda e, com ela, também Portugal.

 

Iniciando-se um novo ciclo político em que o humanismo das opções políticas se sobreponha ao cidadão olhado como simples mercadoria, descartável.

 

António Tâmara Júnior

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 02:32
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Cidade de Chaves - Uma imagem

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Quinta-feira, 23 de Julho de 2015

Flavienses por outras terras - Ângela Sá

Banner Flavienses por outras terras

 

Ângela Sá

 

Nesta crónica do espaço “Flavienses por outras terras” vamos até Luanda, a capital de Angola, uma cidade banhada pelo Atlântico, conhecida pela sua extensa baía e onde ainda são visíveis as marcas da presença portuguesa.

 

É lá que vamos encontrar Ângela Sá, a residir naquele país desde 2008.

 

Mapa Google + foto - Ângela Sá.png

 

Onde nasceu, concretamente?

 

Em Chaves mesmo, no antigo hospital.

 

Nos tempos de estudante, em Chaves, que escolas frequentou?

 

A minha escola primária foi em Casas dos Montes.

Depois, frequentei o segundo ciclo no Colégio de Casas dos Montes.

No 7º ano passei a frequentar a Escola Secundária Dr. Júlio Martins, onde terminei o 12º ano.

Em 1990 ingressei no Instituto Politécnico da Guarda, onde fiz o Bacharelato em Gestão de Empresas.

Em 2008 terminei a licenciatura, com estágio em Luanda numa empresa de Auditoria Financeira.

 

Em que ano e por que motivo saiu de Chaves?

 

Em 1990, para estudar na cidade da Guarda, e em 2008, por motivos familiares e profissionais, para Angola.

 

Em que locais já viveu ou trabalhou?

 

Chaves, Montalegre, Vidago, Luanda, Lubango (Angola).

 

Diga-nos duas recordações dos tempos passados em Chaves:

 

Os domingos de Verão passados à beira rio, entre banhos e piqueniques, e os tempos passados entre amigos jovens que éramos.

 

Proponha duas sugestões para um turista de visita a Chaves:

 

Talvez o que eu própria busco quando regresso: calma e beleza para descansar, sem pressa para ir a lado nenhum, e claro, a gastronomia.

 

Com que frequência regressa a Chaves?

 

Com bastante frequência, três a quatro vezes por ano.

 

Fotos Ângela.jpg

 

O espaço “Flavienses por outras terras” é feito por todos aqueles que um dia deixaram a sua cidade para prosseguir vida noutras terras, mas que não esqueceram as suas raízes.

 

Se está interessado em apresentar o seu testemunho ou contar a sua história envie um e-mail para flavienses@outlook.pt e será contactado.

 

Fotografias com fundo branco.png

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 03:04
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Quarta-feira, 22 de Julho de 2015

Chá de Urze com Flores de Torga - 88

1600-torga

 

Chaves, 25 de Setembro de 1960

 

E daí, quem sabe? Talvez que, na verdade, seja necessário dar à vida uma certa margem de conformação. Ficar sempre aquém dos limites da intransigência. Como nas sangrias, nunca ultrapassar o meio litro. Permanecer na justa medida, haja o que houver. Contentar-se a gente com o quotidianamente possível na moral, na política, na ciência, no amor e na religião.

Mas conseguir que certos malucos da minha espécie compreendam as mil vantagens da mediania, tapem os ouvidos à voz ultrapassada do apóstolo que no Apocalipse vomita os mornos, e se resignem ao uso sensato de uma camisa-de-forças? Naturezas monstruosas, absurdas, sedentas de absoluto, sempre quentes ou frias, andam no mundo por verem andar outras. E foi certamente a pensar nelas que Breughel pintou a parábola dos cegos, sem, de resto, alcançar o seu fito. Que devia ser desviá-los pedagogicamente do abismo. Do abismo onde já, também sem resultados animadores, precipitara Ícaro, outro símbolo incorrigível de humano desvairo, de condenável fome de infinito.

Miguel Torga, in Diário IX

 

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Chaves, 26 de Setembro de 1960

 

Há terras, como Aveiro, por exemplo, impregnadas de não sei que dignidade específica. É uma espécie de irradiação ética, que compensa largamente o forasteiro de todos os desconfortos e desilusões urbanas que nelas sinta. Chaves pertence a essa família. Apesar de feia, suja e desfigurada, o espírito sente-se aconchegado dentro dos seus muros. O prazer que os sentidos não gozam na pureza dos monumentos, na grandeza das praças e no desaforo das avenidas, encontra-o a alma na atmosfera de sanidade humana que respira na mais abafada e miserável ruela.

Miguel Torga, in Diário IX

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 02:23
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Recordatório de um dia de Manif contra a Troika

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Hoje no recordatório trazemos imagens de há dois anos e pico de uma manifestação contra a presença da Troika em Portugal. Manifestação que aconteceu no dia 2 de março de 2013. Entretanto a Troika já se foi mas nem por isso a nossa situação melhorou. Parece que a crise veio para ficar, pelo menos para os portugueses, pois segundo os de Lisboa que mandam nisto tudo, Portugal está bem e recomenda-se. Dizem! E há quem acredite nas mentiras deles, e nisto do acreditar, cada um acredita naquilo que quer. Pessoalmente nunca estive tão teso como agora e se Portugal não é feito de portugueses, então de que será!?

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Mas fica o recordatório de um dia de manifestação em Chaves, de há dois anos e pico, de um dia frio de inverno em que a taça das Freiras ainda tinha água.

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 01:00
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Terça-feira, 21 de Julho de 2015

Ocasionais - Saudades do Tio Nona

ocasionais

 

“Saudades do Tio Nona”

 

Por aqui me ando e por aqui me perco.

 

E se me conforto com a arte (fotográfica), com a prosa e a poesia do autor do Blogue e de seus colaboradores, nesta «ausência» definho com as saudades da minha ALDEIA, do meu rio, da MINHA CIDADE   - da NOSSA TERRA!

 

Para bem dos meus pecados, para compensação dos meus crimes; para castigo das minhas virtudes, para tormento das minhas afeições, sou natural da NORMANDIA TAMEGANA.

 

Nem imaginais o contentamento que me inundou a alma quando, em África, «no mato», «em missão»; nos «States», num «Clube» ou numa romaria, encontrava um conterrâneo ou um vizinho!

 

Ficava com a impressão de que o sol só deixava ser dia onde estivesse plantado um Transmontano, um Normando-Tamegano, um Flaviense!

 

Hoje, nem sei bem porquê, lembrei-me de uma crónica deste Blogue, apresentada em 2012. O seu autor continua por aqui. Mas não tem falado no “Tio Nona”.

 

Então, vou oferecer-vos o «Pitigrama» que na altura escrevi, mas que não enviei.

 

 

…………….-

 

 

Ao “Tio Nona”

 

Que interessante conversa teve com o seu sobrinho António Júnior!

 

Bons propósitos o animam, sim senhor!

 

Mas deixe que lhe lembre:

 

-O «discurso» do Gil, embora na maioria das vezes seja uma reprodução do seu livro “Ecos do Planalto”, mostra-nos a humanidade dos corações dos Flavienses.

 

- O «discurso» do Zé Carlos Barros lembra-nos fracções do tempo (dos tempos) de uma CHAVES - cidade e Região – ainda recente, e que muitos, mas mesmo muitos de nós, desejamos que persistissem.

 

- O «discurso» do Sousa e Silva é uma reflexão política acerca de preceitos que poderiam conduzir por mais e melhor acerto as decisões da administração municipal e por melhores caminhos a vida dos Flavienses.

 

-o «discurso» da Isabel Seixas, poético e rimado com metáforas tão bem caidinhas com as realidades da NOSSA TERRA.

 

-o «discurso» do Francisco Melo são elegantes relatórios de Contas mal feitas por quem administra a Cidade e lembrando-nos que também por aí, por Chaves, “Somos enganados pela aparência do bem”.

 

- AS “Intermitências” da Sandra são uma revelação de uma jovem escritora Flaviense, cuja qualidade engrandece a CIDADE.

 

-As “Crónicas” do Roque e do Esteves são testemunhos de um tempo em que na NOSSA TERRA os sentimentos de afeição estavam mais espalhados, eram mais vincados e davam mais sabor e alento à vida.

 

-As «Cartas” do Zé Moreira eram uma mostra do grande coração dos verdadeiros Normando-Tameganos ausentes.

 

- Os Textos do João Madureira são memórias egrégias daqueles que souberam fazer-se homens, uns; outros, sérios avisos à navegação dos mares políticos, assinalando os fundos falsos das águas, as traiçoeiras correntes e os cabos de tormentos que a rota seguida pelos Flavienses está sujeita a continuar a encontrar, numa fatalidade irrecuperável.

 

-Os Post(ais) do autor do Blogue foram e são chamamentos constantes de alerta para o que lindo e maravilhoso sempre teve e ainda vai tendo a NORMANDIA TAMEGANA, por um lado, e, por outro, principalmente para os desmandos, os desaforos, a insensatez, e a cretinice, até, que sobre ela exercem os Governantes Centrais e, muito especialmente, os administradores municipais.

 

O Blogue “CHAVES” tem sido desde sempre um verdadeiro desafio político aos pseudo-políticos cujos planos e decisões apenas servem para passearem as suas vaidades, tão enormes quanto a sua incompetência, mediocridade e estupidez, pela Rua Direita abaixo e Rua de Santo António acima, intervalando com uns copos no “Faustino” ou nas suas “Adegas Regionais”.

 

«Lalões» e «lalinhos» chamei-lhe eu neste Blogue.

 

Politicamente «coitadinhos», mas cheiinhos de maldade, resolveram limitar-se a espreitar este Blogue e, depois, aproveitar o que aqui se diz em imagens e em palavras para justificarem umas merendas, uns almocitos, uns jantares, ou até só o «botar de um(ns) copo(s) para «debaterem a oposição».

 

Onde o “Tio Nona” vê um campo de «feira de vaidades», eu vejo um campo aberto a discursos, a debate, opiniões e até «palpites» convergentes ou divergentes, cheios de vontade para que a NOSSA TERRA seja mais farta, mais feliz e mais respeitada.

 

Para mim, o autor do Blogue, com este, pretendeu e pretende um «toque a reunir» de TODOS os FLAVIENSES e NORMANDO – TAMEGANOS que se prezam, para juntarem forças e clamor necessários e suficientes à defesa do Bom Nome, do Prestígio e do Histórico Passado da NOSSA TERRA; da construção de um PRESENTE que a si, “Tio Nona”   -   ao seu sobrinho, a mim, aos «vaidosos que por aqui escrevem» (como lhes chama), e aos que com outras armas se batem pelo Bem da Região     -   seja lembrado num Futuro, que se quer rico e brilhante, como o tempo de Gente sincera e lealmente empenhada no respeito e no engrandecimento do Património, da História e das Gentes de CHAVES e da NORMANDIA – TAMEGANA!

 

O “Tio Nona" já passou dos sessenta, li.

 

Eu já os deixei para trás.

 

Ambos chegámos à idade da obrigação de saber ler.

 

Digo-lhe, com franqueza, que errou ao entender que por aqui andam «militantismos cegos e as posições idiotas partidárias».

 

“Tio Nona”, volte atrás, e repare como este Blogue tem sido, pela parte que lhe toca ao autor e àqueles que com ele colaboram, aquilo que o “Tio Nona” recomenda.

 

Já reparou em que grau os Jornais, as Rádios, as Associações corporativas, sociais, desportivas e recreativas da Região correspondem às suas expectativas?

 

Já se deu conta, já se deu bem conta dos merecimentos e dos desmerecimentos de quem conduz os destinos da NOSSA TERRA?

 

Vou entender que a conversa de hoje com o seu sobrinho foi mais um dos seus habituais e carinhosos resmungos para quem o Júnior já nos havia alertado: ““Hoje, Nona, já tio, entrando naquela idade que apelidamos de velhice, olhando de frente para o passado, resmunga consigo próprio e com os seus conterrâneos que não souberam, a tempo, usar da tradição e da história, da situação geográfica privilegiada, dos seus recursos agro-florestais e do subsolo e, fundamentalmente, das suas gentes, para se desenvolverem”.

 

Bem, na verdade, o autor e os colaboradores deste Blogue, (e este «respostador») só têm de lhe ficar “multip(de)licadamente” agradecidos por considerar que o BLOGUE CHAVES até é capaz de mudar para melhor a vida e obra da CIDADE!

 

Este Blogue continua a ser muito importante!

 

E se por mais não fosse, bastar-lhe-ia a resmunguice do “Tio Nona”.

 

Desejo-lhe muita inspiração e saúde .

M.,, 2012-12-01

Saudações flavienses

Luís Henrique Fernandes

 

M., 24 de Abril de 2015

Luís Henrique Fernandes

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 03:20
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