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Sexta-feira, 1 de Julho de 2016

A Galiza aqui ao lado...A Ribeira Sacra e os Canhões do Rio Sil

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Hoje vamos até à Galiza aqui ao lado. E pensarão e perguntarão aí desse lado – Se este é um blog que se diz de Chaves e de olhares sobre a cidade, porquê vem agora com a Galiza? – Ora da mesma forma em que venho aqui com o Barroso, as aldeias de Chaves, as paisagens, a gastronomia, as tradições e tudo o mais que por aqui fica, também a Galiza mais próxima há muito que tem aqui lugar, e a razão é muito simples e poder-lhe-ei chamar “troca de interesses”, pois há muito que aprendi que para receber temos que dar, e isto aplica-se a tudo nesta vida de viver em sociedade. Pena que nem todos se deem conta disso.

 

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Turisticamente falando penso que Chaves vive no centro desse tão falado “Reino Maravilhoso” que Torga tão bem descreve, tal como Montalegre, Valpaços, Mirandela, Verin, Ourense e por aí fora, porque todos têm o direito de pensar assim, afinal não somos tão diferentes uns dos outros, apenas temos algumas singularidades que os outros não têm, mas se pensarmos em conjunto, as singularidades dos outros também são nossas, e o contrário também é verdadeiro. Por isso, para já, de vez em quando trago por aqui o Barroso e a Galiza.

 

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Mas há ainda outra razão, esta para tempos de crise, é que tudo que vou trazendo por aqui está a apenas uma hora de distância ou menos, como no caso de hoje em que trago aqui um pouco da Ribeira Sacra e os canhões do Rio Sil, para um passeio de um dia bem passado com partida de Chaves em direção a Ourense e a partir de aí é só seguir as placas turísticas da “Ribeira Sacra”. Um passeio para um dia com saída não muito cedo de Chaves e regresso ao fim da tarde. Dá para percorrer o rio no próprio rio em passeio de Barco e depois subir à croa das montanhas para dos seus miradouros apreciar os Canhões do Rio Sil. O bom disto tudo é que tudo isto pode ser “vendido” a partir de Chaves.

 

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 03:20
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Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso a caminho da inauguração

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:19
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Quinta-feira, 30 de Junho de 2016

Chaves - Largo do Anjo

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Graças à fotografia, deste largo da imagem de hoje existem vários registos dos arranjos urbanísticos a que foi sendo sujeito aos longo do século XX. Na minha opinião e esteticamente falando, a versão menos atraente é a atual. É certo que ao longo dos tempos se foi adaptando às necessidades da época, e no século passado, uma das necessidades foi adaptar largos e vias aos veículos automóveis. Era inevitável, mas com isso, perderam-se alguns espaços pedonais e de estar, como o foi neste caso do Largo 8 de Julho (Largo do Anjo), hoje em dia tão necessários ou mais que os espaços destinados aos automóveis, principalmente no que diz respeito ao Centro Histórico da cidade, que no nosso caso até nem é assim tão grande e onde preferencialmente deveria ser dada prioridade às pessoas, em vez de ser ao automóvel.

 

 Penso que este largo há alguns anos que necessita uma intervenção, no entanto, tendo em conta as intervenções que se têm feito nos últimos tempos (desde os anos setenta para cá) em que perdemos as mais belas e legendárias praças e largos da cidade (Centro Histórico), mais vale continuar como está e aguardar que novas mentalidades pensem a cidade onde o principal da urbe sejam as pessoas e o seu bem estar.

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 03:15
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Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso a caminho da inauguração

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:34
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Quarta-feira, 29 de Junho de 2016

Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso a caminho da inauguração

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Em contagem decrescente para a inauguração e abertura do Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso (MACNA). Hoje ficam mais algumas imagens do edifício, cujo projeto é de autoria do Arquiteto Siza Vieira, e o cartaz da abertura.

 

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Já é oficial e vão ser duas as cerimónias ligadas ao  MACNA, a inauguração oficial a acontecer dia 4 de julho, às 20H30, com a presença do Presidente da República e a abertura ao público a acontecer no dia 8 de julho, integrada nas comemorações do dia do Município de Chaves.

 

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Na exposição inaugural as paredes dos salões de exposição do MACNA receberão as várias fases da obra do Arquiteto e Pintor flaviense Nadir Afonso, naquela que penso será a sua maior exposição até hoje realizada e que a partir de dia 8 de julho todos teremos oportunidade de ver.

 

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Até lá vamos continuar por aqui com mais algumas imagens do edifício e dos seus pormenores.

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:15
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Terça-feira, 28 de Junho de 2016

Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso a caminho da inauguração

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:20
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Intermitências

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Intermitência de Verão

 

 

“É sempre preciso um momento de loucura para construir um destino”.

Marguerite Yourcenar

 

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Castelldefels, Catalunha, Espanha, Janeiro 2016 - Fotografia de Sandra Pereira

 

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 03:05
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Segunda-feira, 27 de Junho de 2016

Quem conta um ponto...

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296 - Pérolas e diamantes: incursões autárquicas

 

 

Através da gentileza do senhor presidente, e pela simpatia profissional da senhora Maria Alves, chegaram até à minha caixa de correio eletrónico as duas últimas atas das reuniões ordinárias da Câmara Municipal de Chaves, com cerca de 100 páginas cada uma.

 

Eu, para não abusar da paciência dos estimados leitores, proponho-me dar-lhes conta do período antes da ordem do dia, que se encontra resumido nas três primeiras folhas de cada ata.

 

A reunião referente ao dia 27 de maio de 2016 foi declarada aberta pelo Presidente quando eram nove horas e quinze minutos. Participaram todos os vereadores.

 

A sessão iniciou-se com a intervenção do senhor Presidente, António Cabeleira, que deu conhecimento a todos os presentes de vária e interessante documentação relacionada com a atividade municipal. 

 

A Câmara, como vem referido na ata, tomou conhecimento.

 

De seguida interveio o vereador do PS, Francisco Melo, para evidenciar a necessidade de construção de um acesso destinado a pessoas com mobilidade condicionada e/ou reduzida, no Jardim do Castelo.

 

O senhor presidente respondeu referindo que a execução a curto/médio prazo do projeto sugerido pelo vereador referido está contemplada no PEDU.

 

O mesmo vereador contou que, em dia de feriado nacional, foi até Orense, e constatou que na autoestrada das Rias Baixas foram colocados MUPIS com informativos sobre a zona termal aí existente. Propôs, então, de forma pioneira, a colocação de um MUPI com a indicação de Chaves, enquanto cidade termal, na nossa A24, pois enquanto os investimentos que o Município fez nas Termas são enormes, a divulgação da instância termal é exígua.

 

Respondeu-lhe o senhor Presidente afirmando que a colocação de MUPIS, junto à A24, está a ser devidamente ponderada, por quem de direito.

 

Interveio a seguir outro vereador do PS, no caso João Moutinho, que, entre diversas coisas, solicitou a colocação de alguma sinalização vertical e horizontal, na Av. do Tâmega.

 

Em resposta à intervenção “acima exarada”, o Presidente da Câmara referiu que a intervenção a levar a efeito está prevista no PEDU.

 

A reunião do dia 9 de junho de 2016 teve início quinze minutos mais tarde que a de 27 de maio. O senhor Presidente procedeu da mesma forma que na anterior. Todos os vereadores estiveram presentes.

 

A Câmara, como vem referido na ata, tomou conhecimento daquilo que tinha a tomar.

 

Na sua primeira intervenção, António Cabeleira, deu conta que se procedeu ao encerramento provisório do Hotel Aquae Flaviae por nele ter sido detetada a bactéria denominada Legionella. Referiu-se à inauguração do Balneário Termal de Vidago e à inauguração do Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso, dando conta que esta última irá contar com a presença do senhor Presidente da República, em data a definir.

 

Sobre as propostas de agraciações municipais, “deu nota do facto da proposta relacionada com a atribuição de agraciações municipais não ter sido integrada na Ordem de Trabalhos da presente reunião do Executivo, considerando que o PS e o CDS-PP ainda não procederam à indicação do nome do cidadão que, pela sua ação política, deverá merecer tal distinção municipal”.

 

Aqui vou-me permitir um pequeno comentário. Cá, como lá, ou lá como cá, distribuem-se mais medalhas do que sorrisos. Eu até gosto muito de sorrisos. Mas… por qui me fico, pedindo, no entanto, celeridade ao PS e ao CDS na indicação do nome do “seu” cidadão a ser medalhado. Quero crer que a demora não é por falta de gente séria e responsável entre os seus simpatizantes ou militantes.

 

Seguiram-se dois requerimentos do vereador do PS, Francisco Melo. O segundo pedindo que lhe fosse viabilizada, com urgência, uma visita à obra a decorrer no Estádio Municipal. O senhor Presidente manifestou, desde logo, total disponibilidade.

 

O primeiro, solicitando que, após vários pedidos para visitar o Edifício Municipal, sito na Rua Júlio Martins, “que nunca foi realizada por culpa da presidência da Câmara que tem procrastinado na satisfação dos pedidos”, lhe fosse finalmente concedida a respetiva autorização.

 

Protestou ainda por lhe ter sido “dado tratamento desconforme com as competências de acompanhamento da atividade da Câmara” que lhe “são próprias”.

 

Respondeu-lhe, desta vez, o senhor vice-presidente, Carlos Penas, que logo ali agendou a dita visita para a “próxima terça-feira, a partir das 15 horas”.

 

O senhor Presidente, pelos vistos, deixou de procrastinar na satisfação dos pedidos do senhor vereador. 

 

Desde aqui, e desde já, se me é permitido, parabenizo ambos e dois.

 

 João Madureira

publicado por Fer.Ribeiro às 22:46
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Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso a caminho da inauguração

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:41
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Domingo, 26 de Junho de 2016

O Barroso aqui tão perto... Telhado

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21 de abril de 2016, quinta-feira, logo pela manhã, não muito cedo nem muito tarde, arrancámos em direção ao Barroso de Montalegre para mais uma incursão de caça à fotografia. O destino era andar à volta da barragem dos Pisões ou Alto Rabagão (como preferirem).  As condições meteorológicas apontavam para um dia incerto, daqueles em que o dia se apresenta com várias caras em mudança constante. Chuva, sol, nublado, zerbadas, frio, calor, ameno, enfim, era conforme lhe dava na mona, mas fotograficamente falando, são os meus dias preferidos, desde que os períodos de chuva não sejam muito longos, mas mesmo com chuva, estamos lá.

 

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Embora o destino fosse à volta da Barragem dos Pisões, àquele que eu lhe chamos o seu lado interior, o menos conhecido e oposto ao da Estrada Nacional 103, entre a Barragem e a Serra do Barroso, por sinal o mais interessante, tínhamos dois objetivos principais – Negrões e Vilarinho de Negrões – penetrando na sua alma mas também vistas dos miradouros naturais que ao longo da estrada municipal vão aparecendo. Cumprimos este objetivo principal após o qual até poderíamos regressar à terrinha com o espirito de missão cumprida, mas não, o dia prometia muito mais e ainda nem sequer tínhamos almoçado.

 

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Almoçar no Barroso é uma tarefa difícil, não pela falta de oferta mas antes pela dificuldade na escolha, pois em todas as mesas se come bem, a dificuldade está mesmo escolher onde se come melhor, no entanto, só a boa mesa não chega, pois a simpatia da receção conta muito e em tempo de crise o pilim também tem uma palavra a dizer e há mesas em que se come bem, atendem bem e na hora de pagar também se cobram ainda melhor, com tanto entusiasmo que às vezes até exageram. Mas como nestas incursões ao Barroso já não somos maçaricos e temos um amigo infiltrado que nos vai recomendado os locais de boa mesa, já sabemos onde temos de ir e onde não devemos entrar. No entanto, estando onde nós estávamos a decidir a escolha da nossa mesa do dia (Vilarinho de Negrões), a tarefa era fácil – o restaurante da Albufeira, na Lama da Missa, onde a D. Aldina e D. Adelaide sempre nos receberam, nos serviram ainda melhor e no final saímos satisfeitos. Recomendo e a publicidade é gratuita.

 

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Pois bem, já entenderam onde fomos almoçar. À saída o dia apresentava-se de céu azul, sol intenso e quente. Ideal para subir um bocadinho da Serra do Barroso até aos 1050 metros, mais metro menos metro e entrarmos na aldeia do Telhado, a pouco mais de 2 quilómetros da Lama da Missa, mas sempre a subir. Claro que pelo caminho fomos parando em apreciação daquilo que se nos apresentava para apreciar e num de repente o dia entoldou, escureceu e despejou uma carga de água por cima de nós, ou quase, pois encontrámos poiso num pequeno abrigo no largo do tanque com cruzeiro, mas nem por isso foi razão para de vez em quando debaixo de chuva tomarmos mais algumas fotos, de uma aldeia que parecia uma coisa e se nos revelou outra, bem mais interessante do que aquilo que parecia. Pena a chuva não deixar saír as pessoas à rua e não nos permitir grandes aventuras, pois o material fotográfico não é lá muito fã de chuva.

 

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Mas vamos então ao Telhado, uma aldeia meio escondida mas bem perto da Barragem dos Pisões, da Lama da Missa, no limite do concelho de Montalegre, no meio do Barroso e quase em cima dos Cornos do Barroso com Alturas do Barroso na vertente oposta da serra, mas a apenas dois ou três quilómetros. Penso que melhor localização não será possível, só mesmo a do GPS, mas se as quiserem também cá ficam, as do Google Earth – 41º42’15.17”N – 7º49´18.43”O.

 

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Nas pesquisas que fizemos pouco encontrámos sobre esta aldeia. Apenas uma referência a uma fonte de mergulho que no local nos passou despercebida, ou seja, não a vimos. Assim, o que poderemos dizer sobre a aldeia é apenas o resultante da nossa observação.

 

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Quanto ao conjunto da aldeia visto ao longe não se apresenta muito interessante, mas lá entrados, as coisas mudam de figura. O casario tradicional de granito marca uma forte presença. Dele, destacamos algumas construções em perpianho de granito com junta seca e uma construção com acabamento mais cuidado e mais nobre, também em perpianho de junta seca com granito à vista com a arte da cantaria a ser aplicada nos cunhais, nas molduras das portas carrais e janelas, e nos interessantes óculos ao nível do rés-do-chão. Arte de cantaria daquela que hoje, infelizmente, já não se usa. Por último a igreja também se apresenta interessante, no centro da aldeia como mandam as “regras” nas aldeias tradicionais do interior, também ela em pedra à vista, uma torre sineira e avançado coberto na entrada principal.  

 

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Atentados ou pecados também os há. Inevitáveis como sempre por falta de planos diretores ou falta de interesse em preservar os núcleos das aldeias, mas também por falta de incentivos para que tal aconteça. O mal é geral e não é só desta aldeia ou deste concelho ou região. O mal estende-se por todo este nosso Portugal e, com falta de argumentos, é politicamente e legalmente mais fácil permitir que proibir.

 

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Também alguns dos traços da nossa cultura estão patentes nesta aldeia, quer nas alminhas que se encontram na entrada da aldeia ou num dos seus largos, nos fontanários e tanques públicos e cruzeiros, por exemplo. Curiosamente nesta aldeia temos um dois em um, ou seja tanque com cruzeiro dentro, este último com uma base recente embora a cruz nos pareça ser mais velhota. Vale pela originalidade e antes acrescentar algo ao tanque/fonte do que demoli-lo, tal como já aconteceu em algumas aldeias que conhecemos aqui na nossa terrinha (Chaves).

 

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Para finalizar falta realçar a beleza da envolvência da aldeia com os seus pastos verdes, a água em abundância e muito gado bovino, com a raça barrosã a marcar presença por entre outras raças. Agradou-nos ver que na aldeia ainda se usa a tradicional capa de burel, a qual tivemos sorte de a apanhar em imagem e em uso.  

 

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E por hoje é tudo, ou quase, pois só falta mesmo referir as anteriores abordagens deste blog a aldeias ou temas do Barroso:

 

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A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 23:29
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Pecados e Picardias

pecados e picardias copy

 

Pecados e picardias

um só poema pode fazer a poesia
um só poeta abrir portas da alma
um só verso tirar à loucura a mania
de mandar na alienação que me acalma,

uma só esfinge pode ser fé do meu pecado
um só futuro a passadeira absolvição
um só dito acender num rosto apagado
o sorriso morto no lamaçal da exaustão...

uma só tristeza pode ser perda do fulgor
um só abismo abrir pontes e de passagem
um só proibido transformar em grande amor
migalhas de afeto caídas na bagagem

uma só pessoa pode ser o nosso mundo
correr nas nossas veias como sopro segundo...

isabel seixas in pecados e picardias

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 21:38
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Sábado, 25 de Junho de 2016

Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso a caminho da inauguração

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Há dias na conferência que ocorreu no Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso (MACNA) com os Arquitetos Siza Vieira, Souto Moura e Nuno Grande, o Arquiteto Souto Moura lamentava que a cultura não tivesse o apoio necessário por parte do estado e acrescentava que tal como existe um SNS – Serviço Nacional de Saúde, deveria existir um SNC – Serviço Nacional da Cultura. Pois estou plenamente de acordo tal como estou de acordo que a contabilidade da Saúde, da Cultura e acrescento a da Educação, em despesas deverá ser contabilizada em dinheiro (euros), em lucros, deverá ser contabilizada em saúde e mais saúde, em cultura e mais cultura e em educação e mais educação para todos, como tal, as despesas deverão ser também de todos, ou seja, do Estado.

 

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Vem isto a respeito de que na politiquice caseira que se faz cá na terrinha, muitos apontam o MACNA como um “elefante branco”[i] , no entanto se olharmos para o MACNA como um polo de cultura, não só da arte contemporânea mas também da arquitetura, graças à autoria do projeto ser do Arquiteto Álvaro Siza Vieira, Prémio Pritzker[ii], temos dois fatores que colocam o MACNA e a cidade de Chaves no roteiro mundial da Arte e da Arquitetura. Logo a despesa, também deverá ser contabilizada em dinheiro e paga por todos, e em troca teremos o lucro a ser contabilizado em cultura e mais cultura. Daí, também eu que até costumo ser bem crítico nas coisas que se fazem por cá, com o rótulo de animação cultural, promovendo eventos que nada animam nem promovem nem trazem gente a Chaves, quando muito entretêm papalvos que nada têm que fazer, o MACNA, para além da cultura, mesmo ainda antes de abrir portas, já trouxe umas largas centenas de pessoas à cidade, incluindo muitos estrangeiros. E estamos conversados.      

 

 

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[i] Elefante branco é uma expressão idiomática para uma posse valiosa da qual seu proprietário não se pode livrar e cujo custo (em especial o de manutenção) é desproporcional à sua utilidade ou valor. O termo é utilizado na política para se referir a obras públicas sem utilidade.

 

[ii] O Prémio Pritzker é atribuído anualmente pela Fundação Hyatt a um arquiteto vivo cuja obra construída tenha oferecido contribuições consistentes e significativas para a humanidade através da arte e arquitetura. Fundado em 1979 por Jay Pritzker, é atribuído anualmente desde então e financiado pela Família Pritzker. Considerado um dos mais prestigiados prémios a nível internacional, é frequentemente referido como o "Nobel da arquitetura".

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:45
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Seara Velha não consta, mas devia constar...

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Mais de uma vez que me passou pela cabeça de intitular estes sábados dedicados ao mudo rural com “Sábados das Lamentações” e quem acompanha o blog sabe bem o porquê, mas nunca me canso de o repetir, quer dizer, de lamentar, de vir aqui com os lamentos do mundo rural, não só do despovoamento e do seu envelhecimento, mas sobretudo das consequências desse despovoamento que nos levam à perda, morte, desse mundo rural e de toda uma cultura que é muito da cultura do povo português do interior.

 

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Claro que esta lamentação não é  por estarmos a perder um passado feito de muita pobreza e muita necessidade de um povo maioritariamente iletrado ou iliterato que aos olhos de hoje, mais que viver, subsistia. Esse passado não deixa saudades e é por conhecê-lo  que os jovens começaram a fugir dele, porque sabiam que nele não teriam um futuro mas antes continuar a subsistir tal como os seus pais e avós.

 

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Mas um novo mundo rural era possível se a tempo e com novas políticas se tivesse adaptado ao mundo de hoje, criando condições e oportunidades para que os mais jovens,  se o desejassem,  se mantivessem ou regressassem após a sua formação, às suas aldeias ou dando-lhes condições para que delas pudessem fazer aldeias dormitório, principalmente as mais próximas da cidade.

 

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Infelizmente nada se tem feito pelas nossas aldeias e todos, os que têm responsabilidades, nada fazem para salvar o mundo rural, antes pelo contrário, a maioria das medidas e politicas adotadas são um convite ao abandono.

 

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Mas não era por aqui que eu queria ir hoje, mas antes pela riqueza de um património único e singular que se está a perder com o despovoamento, não só um património cultural feito de usos, costumes, saberes, tradições, folclore de um povo castiço, mas também o de um património arquitetónico de conjunto que o são a maioria das aldeias, com a sua igreja ou capela, os seus tanques, fontes e fontanários, os fornos, alminhas, moinhos, cruzeiros e o casario tradicional do granito ou do xisto que se vai aconchegando um ao outro com as suas paredes meeiras ao longo das suas ruas estreitas, ou com os seus pátios e quintais divididos pelos muros de pedra solta. Aldeias que elas próprias são património de um património mais alargado que o são todas as aldeias do interior rural português. Mas nem todos pensam assim, ao que parece…

 

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O  mapa que atrás fica em imagem foi retirado de uma publicação da entidade responsável pelo turismo Porto e Norte, cujo título é “Aldeias Norte de Portugal”. Independentemente de todas as aldeias que constam da publicação merecerem constar dela, nota-se que quem orienta a publicação são outros interesses que não são os do turismo nem os das aldeias. Outro interesses haverá para que na dita publicação não conste nenhuma aldeia de Chaves, nem de Vinhais, nem de Valpaços, por exemplo e que do Barroso apenas constem a aldeia de Vila da Ponte de Montalegre e Vilarinho Seco de Boticas. Aliás se observarem bem o mapa nota-se o grande vazio que existe entre aldeias em todo Trás-os-Montes. Pelos vistos Trás-os-Montes e principalmente a nossa região do Alto-Tâmega e Barroso, turisticamente falando tem pouco interesse, dizem eles os responsáveis por… pois meus senhores, para que conste, há muitas mais aldeias para além do Vilarinho Seco e Vila da Ponte, aliás a grande maioria das aldeias do Barroso, do Alto-Tâmega e de Trás-os-Montes mereciam constar dessa e de muitas mais publicações turísticas.  

 

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Mas tudo isto, o meu post de hoje, vem ao respeito de agora a cidade de Chaves ter entrado para o roteiro onde existem obras de arquitetura de interesse mundial, tudo graças ao Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso ter sido projetado por um arquiteto premiado com um Pritzker, o Arquiteto Álvaro Siza Vieira. Então não seria de aproveitar esta mais-valia para oferecermos aos futuros visitantes interessados em arquitetura um roteiro das aldeias interessantes da região. Pois se alguém responsável pensar nisso não se esqueçam de nela incluir Seara Velha, entre outras de Chaves e do Barroso. Mas hoje só fica o nome de Seara Velha por ser ela a que empresta as imagens a este post.  

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 23:30
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Sexta-feira, 24 de Junho de 2016

Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso a caminho da inauguração

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Eis-nos em plena contagem decrescente para a inauguração do Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso, com a presença do Presidente da República, a acontecer no próximo dia 4 de julho. De autoria do Arquiteto Álvaro Siza Vieira, implantado nas antigas hortas das Longras, o edifício nasce entre a Canelha das Longras e as traseiras do casario da Avenida 5 de Outubro. Segundo o autor do projeto a canelha viria a influenciar o desenho do edifício,  pelo que,  a própria canelha passou a fazer parte do projeto, mantendo-se todos os muros e antigos vãos das portas das construções anteriormente existentes, bem como umas ruinas de uma das construções. Da minha parte é ouro sobre azul, uma obra de arte nasce em Chaves mantendo a memória da famosa Canelha das Longras.

 

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Felizmente também eu me lembrei de passar por lá uma vez em finais dos anos oitenta para fazer alguns registos da Canelha, ainda com as casas habitadas e gente na rua. Registos que hoje vos deixo com um pequeno contributo para a memória do local.

 

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1600-canelha-longras (4)

 

Até dia 4 teremos por aqui imagens do Museu e nesse dia, se possível, a reportagem da inauguração.

 

1600-canelha-longras (3)

 

 

Até amanhã!

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 03:37
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Discursos Sobre a Cidade - Por Gil Santos

GIL

 

As mezinhas de S. Cibrão

 

As noites de sincelo dos meses de inverno, nos cornos do Brunheiro, davam pelos peitos a uma mula!

Ceava-se já noite escura e para não recolher ao ninho com as pitas, empertigados pela fome do caldo de unto, os vizinhos juntavam-se na casa maior da aldeia onde a lareira desse para todos. Uns sentados nos escanos, outros em moutchos e outros nas bancas, tagarelavam da vida alheia, cortavam na casaca dos vizinhos, planeavam as sementeiras da primavera, ou faziam contas à colheira. Entre um golo de tinto quente, cuja pitchorra passava pelos queixos de todos, contavam-se e ouviam-se também estórias de encruzilhadas, de corujas e bruxarias e de lobisomens. E havia autênticos mestres contadores de estórias. Iam-nas buscar à fim do mundo para arrepio dos mais incautos. Algumas delas, passavam de geração em geração, mas eram sempre reinventadas pela arte de cada ancião. Fieis depositários da memória popular, os mais idosos, eram muito respeitados não tanto pela vetusta idade, nalguns casos, mas pelo que sabiam. Sapiência de experiência feita, muito valorizada pela ausência da escola que viria muito mais tarde e que seria, para muitos, coisa fidalga! Estes mestres do saber eram preciosos tesouros, dos quais dependia, em muito, a coesão social das comunidades fechadas como eram as das nossas aldeias planálticas nos meados do século passado. Estas estórias, contadas ao borralho com a calma das noites nevadas, alimentavam a imaginação e muitas vezes, tanto criavam, como esconjuravam medos e almas penadas. Eram luzeiros que se acendiam nas noites de breu das invernias planálticas, apenas iluminadas pelas mortiças candeias a petróleo ou pelas fronças da giesta piorneira que atiçavam o braseiro.

Havia contadores de estórias famosos, enciclopédicos, capazes de colorir a imaginação de qualquer um. Era o caso do Ti Atanásio de S. Cibrão. Uma velha raposa, cuja argúcia fora refinada na fuzilaria da lama da Flandres, onde ia deixando a carcaça. Os seus relatos, tanto puxavam pelo maravilhoso dos Contos de Torga, recém-publicados, como pela excentricidade dos de Christian Andersen. Para já não falar dos rituais de ocultismo, exorcismo e magia negra do famoso Livro de S. Cipriano, que todos juravam que ele teria, rebuçado nalgum buraco e que só leria nas noites de lua nova.

Maldito livro este!..

Atanásio era um homem temível e por todos considerado. Parece até que tinha pacto com o diabo, dizia a Tia Carminda da Rua, por entre dentes, no deve e haver das tardes de soalheiro. Era dos poucos da aldeia que sabia ler e escrever e nesse tempo era uma vantagem muito significativa. Esteve na Grande Guerra e por isso foi o único da aldeia a conhecer mundo para lá dos horizontes do Larouco que se vislumbrava de S. Cibrão.

O Livro de S. Cipriano, diziam, tê-lo-ia trazido da França, roubado a uma velha feiticeira que ele teria catrapiscado com o seu patoi, nos momentos de descanso do roulement. A verdade é que fosse nos dizeres do livro, ou no pacto que tinha com Belzebu, ele topava remédio para todos os males e tanto se lhe dava que fossem de gente como de bicho caseiro, curava tudo com rezas e mezinhas.

Ora, tal figura era muito procurada para conselhos e receitas e as suas consultas tanto aconteciam entre o vai e vem da sachola de ganchos no arranque das batatas, como nas sestas sob a fresca do negrilho do prado.

O Anatólio Patalão, era o seu ouvinte mais fiel. Acreditava, piamente, nas suas palavras e valorizava-as muito para lá das que ouvia ao padre Mazagão na igreja de Santa Leocádia. Anatólio era um solteirão que por ser pantomineiro, troglodita e mal-amanhado, nunca avezou mulher que o quisesse. Um lambão era o que era, mas trabalhador e sério, contudo muito desajeitado e ingénuo. Um pacóvio, na verdadeira acessão da palavra de quem todos arreganhavam os dentes. Vivia triste e infeliz e a única coisa que o consolava era o mundo que a imaginação lhe desenhava, em função das estórias que ouvia nos serões do Atanásio.

Andava há muito para lhe puxar a história de vida de S. Cipriano, mas não tinha tido ocasião. Ora, numa bela noite, dias antes da serrada da velha, botou:

— Ó Ti Atanásio, vossemecê vai-nos contar hoje a história de S. Cipriano, sábia?

Não sabia ele outra coisa. Então aí vai:

 

“S. Cipriano teria sido um feiticeiro que trabalhando para o diabo morreu cristão. Nascido não se sabe quando, na antiga Fenícia, os seus pais cedo perceberam nele poderes que o tornariam único. Aos trinta anos emigrou para a Babilónia para estudar astrologia, entregando-se a uma vida boémia e escandalosa. A fim de poder estar mais perto das falsas divindades que adorava, donas das forças do mal, estudou magia negra e associou-se à velha bruxa Évora, conhecida como a mais poderosa cartomante e intérprete de sonhos do seu tempo. Dela teria herdado os manuscritos, contendo os poderes e os segredos que mais tarde constariam de um misterioso livro que poucos se gabam de poderem ter. Livro muito perigoso porque as foças que por ele possam ser invocadas podem, a qualquer momento, virar-se contra quem as invoca.

Ora, Cipriano, passava dias e noites lendo e relendo os manuscritos de Évora, estudando alquimia e registando as conclusões para memória futura.

Tinha um amigo de escola de nome Euzébio que, sendo cristão, fazia um grande esforço para o arrancar às garras de Satanás e ao abismo em que se estaria a meter. Contudo, ele não lhe dava ouvidos. Cipriano chegava mesmo a ridicularizá-lo pelas suas convicções.

Em Antioquia vivia uma rica e bela donzela, Justina, educada nos princípios do paganismo. Porém, dotada de invulgares predicados vivia feliz naquele modo de vida. Ouvindo, certa ocasião, uma pregação de um diácono célebre, converteu-se ao catolicismo e chegou mesmo a converter seus próprios pais. Justina passou então a oferecer a sua virgindade a Deus, entregando-se de corpo e alma à oração e à penitência.

Aglaide, um jovem e bem afeiçoado cavaleiro, apaixonou-se por ela de tal forma que estava disposto a tudo para ter os favores que ela lhe negava. Conhecedor dos poderes demoníacos de Cipriano procurou-o para que a ajudasse a conquistar o coração da jovem donzela. De tudo foi oferecido ao demónio para que Justina fosse de Aglaide. Belzebu, para o efeito, atazanava a jovem com os mais horrendos sonhos e as mais perniciosas visões. Todavia, nada a impressiona uma vez que contava com o manto protetor do seu Deus. Cipriano indignado por falta de eficácia do cornudo, enfrentou-o:

- Tu que tanto te gabas do teu poder e de obrar prodigiosas maravilhas, nada podes fazer contra uma simples donzela? Falai-me: de onde provêm as armas daquela jovem virgem que inutiliza todos os meus esforços?

O demónio explicou-lhe que a arma de Justina era a Cruz de Cristo, da qual ele se afastava como o diabo se afasta das almas!

Cipriano questionou-se então sobre o que teria a ganhar continuando a servir este Deus menor! Revanchista como é o demo, vendo-se preterido, tomou o pobre Cipriano dos mais demoníacos castigos. Cipriano, protegido pelo seu novo Senhor a tudo resistia. Ajudado pelo seu amigo Euzébio, converteu-se então a Cristo e à Virgem Santa Maria. Distribuiu a sua riqueza pelos pobres a guardou, religiosamente, os seus escritos demoníacos e os de Évora, a sete chaves, no fundo de uma arca perdida.

Cipriano mudou de vida, dedicando ao estudo da medicina e da religião e usando agora os seus poderes e saberes para a prática do bem em benefício dos outros. Praticava milagres em nome de Deus.

O seu trabalho foi-se agigantando de modo a que não passou despercebido às autoridades que se viam, assim, a perder poder. Por isso o Imperador Deocliciano, emitiu uma ordem para que Cipriano e Justina fossem imediatamente presos e julgados. O Juiz condenou Justina a ser açoitada em praça pública e o pobre a ter a suas carnes deliceradas por um pente de ferro.

Esta condenação não os fez vacilar, o que irritou o carrasco, que agravou a pena. Mandou que fossem jogados numa caldeira de pez ardente. Não conseguiu arrancar das suas bocas um gemido que fosse, pelo contrário, os seus rostos estavam rejubilantes com a força de Jesus Cristo.

Um antigo discípulo de Cipriano, Athanásio, para ganhar fama e os favores dos senhores, após ter invocado os mais ferozes demónios para sua proteção, encafuou-se no caldeiro onde estavam os mártires. Ciprino e Justina saíram ilesos enquanto ele ardia numa morte lenta e dolorosa.

O povo, estupefacto, venerou os mártires. O Juiz, não contente, mandou uma missiva a Deocliciano que, em face deste milagre, perante o milagre, decretou que se degolassem.

A execução foi marcada e executada.

Nessa mesma noite os corpos foram roubados e transportados, em segredo, para Roma, onde mais tarde Constantino o Magno lhes daria sepultura na Basílica de S. João Latrão.

Muitos anos mais tarde os seus escritos, bem como os da bruxa Évora, escritos em hebraico, foram encontrados e resgatados da arca. Ficaram guardados na Biblioteca do Vaticano. Foram, posteriormente, traduzidos em centenas de línguas e serviriam de base às diversas versões do Livro de S. Cipriano.

 

Atanásio rematou:

— Mas sabei que no preambulo do livro negro, está escrito o seguinte:

— “É preciso muito cuidado para que as forças do mal não se voltem contra quem as invoca”!

 

Anatólio Patalão estava banzado!

— Fosca-se Ti Atanásio! Conte-nos então uma passagem do livro negro:

Que sim.

— Vou então contar-vos uma sobre a forma de tornar qualquer homem invisível!

 

“Mata-se um gato preto, enterra-se no quintal, coloca-se uma fava em cada olho, outra debaixo da cauda e outra em cada ouvido. Depois, cobre-se de terra e rega-se todas as noites, ao soar da meia-noite, até que as favas, que devem ter rebentado, estejam maduras. Quando estiverem nesse ponto, cortam-se pelo pé. Depois de cortadas, levam-se para casa e coloca-se uma, de cada vez, na boca. Quando se perceber que se está invisível é porque a fava tem o poder de o deixar invisível. Ela deve estar sempre com a pessoa e toda a vez que se quiser entrar num lugar sem se ser percebido, é só colocá-la na boca.

Mas cautela, poderá ocorrer, que toda a vez que se forem regar as favas, apareçam muitos fantasmas com o fim de assustar, para não completar o intento. A razão é simples: como esta é uma mágica que não precisa nenhum encantamento e nem a invocação de nenhum demónio, estes farão de tudo para que se desista e se recorra a outros processos que, em troca de invisibilidade, tenha de se lhes entregar a alma. Mas, não se assustem se isso acontecer, eles não têm poder algum e para afugentá-los basta fazer o sinal da cruz.”

 

Claro está que Anatólio viu nesta receita a sua oportunidade!

Há muito que andava de olho na Olinda, uma gerigota da aldeia que não lhe dava qualquer abébia. Apesar de azadinha corria, à boca fechada, que seria mulher/homem, isto é, que teria os dois sexos. Apesar disso, ele nutria por ela um grande afeto e jurou que um dia a havia de ver em couro para tirar as dúvidas.

Meu dito meu feito!

Levou a receita à letra e convenceu-se que a fava o tornaria invisível. A pressa era tanta que nem sequer teve tempo para a testar.

Numa noite de lua nova, após um serão de viras e malhões ao toque do realejo do Cabrita na casa do Atanásio, deixou que toda a gente tomasse a sua casa. Quando lhe pareceu, penetrou no pátio da casa da rapariga, pela porta carral de zinco, já com a fava na boca. Ficou radiante quando viu que o Tirone, o cão de guarda da casa, nem a cabeça levantou do ninho de palha onde dormia. Subiu pelas escaleiras de pedra de carpins, com os socos na mão, e na varanda encostou-se ao balaústro para medir a porta do quarto da cachopa.

Aproximou-se e espreitou pela fechadura!

Deu com os olhos numas rechonchudas nádegas ao léu, de uma brancura imaculada, que baixavam sobre o penico de esmalte!

Abriu a porta d’amodinho e julgando-se invisível penetrou no quarto.

Quando a Olinda viu o sacripanta quarto adentro tralhou-se e completamente descomposta gritou por socorro como uma cabra a parir!

O pai veio em seu auxílio com um arrocho que apanhou na manjedoura da burra!

Quando viu o melro na gaiola, pregou-lhe duas arrochadas pelas costas abaixo que o deixaram derreadinho!

Fugiu como pôde com o Tirone filado nos fundilhos das calças!

Não atendeu ao preâmbulo do livro de S. Cipriano e a sua ingenuidade virou o feitiço contra o feiticeiro!

— Que se quilhe o livro e mais a suas receitas! – Pensava ele enquanto recuperava das mazelas.

Todavia, nem tudo estava perdido!

Dali por diante, sem se abrir a pormenores, sempre ia esclarecendo os da aldeia que a Olinda sempre não era hermafrodita!

Dizia até que se Deus o levasse, iria contentinho por ter visto, numa noite de lua nova, a rosa negra mais linda que se possa imaginar!...

 

Pena tinha em não a poder ter desfolhado!

Gil Santos

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 01:40
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