12 anos
Sábado, 25 de Março de 2017

Pedra de Toque

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VI-TE, UM DIA…

 

Na tua tez só o sorriso que esboçavas, irradiava.

 

Estavas sentada num banco de um jardim desflorido, poeirento e permanecias inerte às pessoas raríssimas que passavam junto a ti.

 

Gostei dos teus cabelos lisos, despenteados (uma preferência muito antiga).

 

Resolvi depois de dar umas voltas por entre a poeira e o lamaçal, sentar-me num banco algo distante do teu mas donde podia adivinhar-te os pensamentos e a inquietude que te perturbava.

 

 Seguia o teu olhar que parecia medir os troncos despidos das enormes árvores onde não cabia o teu abraço.

 

Senti tremer meu coração, enquanto a brisa esfriava.

 

Num instante cobicei a brancura do mar imenso que não estava por ali, mas tão só o rio que corria remansado.

 

Por momentos olhei-me por dentro.

 

E vi aquele jardim verde (ai verde, que te quero verde…), frondoso, florido, pasto de amores incontidos da juventude onde, o chilrear dos pássaros e a melodia das bandas, enlevavam.

 

Quando despertei vi-te já longe meneando teus cabelos compridos revoltos, seguindo elegante e distinta, para o mundo, para o sonho.

 

O entardecer aos poucos escondeu-te o vulto.

 

Fiquei triste como o breu.

 

Apeteceu-me então rezar à “Nossa Senhora das Coisas Impossíveis que acreditamos em vão…”, que por vezes faz o favor de me aturar.

                       

António Roque

 

 

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Sexta-feira, 24 de Março de 2017

Discursos Sobre a Cidade

GIL

 

Flatulências

 

Corria o ano de 1975. A população, em geral, andava embriagada ainda pela liberdade inesperada que abril de 74 precipitara. A população, em geral, e os alunos do Liceu Fernão de Magalhães, em particular.

 

Pese embora não ter estoirado aquilo a que pouco tempo mais tarde viria a chamar-se escola de massas, o Liceu de Chaves já abarrotava de gente que procurava a educação como trampolim para um mundo outro. Um mundo diferente do que havia vivido a geração precedente, num Estado que se dizia Novo, mas que era quase tão velho como quem o desenhou.

 

Contudo, como sempre e em todo o lado, havia quem funcionasse ao arrepio da normalidade. Muitos não se reviam naquela escola afastada da realidade social. Uma escola que, apesar de tudo, apenas respondia às expetativas de uns poucos. Pese embora saber-se que um qualquer curso superior proporcionava emprego seguro, para lhe chegar era preciso dinheiro e muita resiliência para vencer os escolhos de uma escola dura, que, muitas vezes, nada queria saber de quem a frequentava.

 

E, se muitos viam na escola o passaporte para uma vida que os seus pais não puderam ter, muito outros olhavam-na como uma arena onde se exorcizavam diabos e frustrações. Nada queriam com os livros, as sebentas, as sabatinas e a mania dos professores!

 

Da mesma forma, muito como hoje, a realidade familiar de cada aluno era muito diversa. Havia famílias instruídas que proporcionavam berços de oiro, enquanto outras nem de feno. Muitas vezes, os exemplos e as vivências de casa colidiam com as da escola provocando anomias de difícil (di)gestão.

 

Por esta altura, o Liceu de Chaves, tinha turmas levadas do diabo. Gente que fazia negra a vida de qualquer professor, por muito profissional que fosse. Depois, parece que o demo juntava os salafrários a dedo, redundando em autênticas matilhas de predação com comportamentos muitas vezes caricatos.

 

É de um deles que vos venho falar nesta pequena estória.

 

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Em 1975, a turma xpto do 5º ano era levada do catano!

 

Havia professores que, apesar de tudo, conseguiam lidar com estes índios em relativa paz. Outros sofriam a bom sofrer. Algumas aulas eram autênticos circos romanos. Contrariados, por natureza, alguns alunos faziam das aulas um martírio contínuo e para que o tempo passasse em delírio, pintavam a manta. Enquanto pudessem faltar vai que não vai, em estando tapados obrigavam-se a trocar o roço do Tabolado pela sala de aula, o que era catastrófico!

 

No entrudo, eram os peidos chocos e as bichas de rabiar; no natal, os confetes e as serpentinas; na primavera, os grilos e as cobras de água; noutras ocasiões outras coisas variadas. O importante era que a aula fosse divertida e o professor não pudesse lecionar matéria.

 

Ora, certa ocasião, esgotadas as inovações, alguém da turma se lembrou de promover um concurso de flatulência. Arranjaram-se os patrocinadores, elaborou-se detalhadamente um regulamento, definiu-se um júri, o prazo e os prémios.

 

Seria pela segunda quinzena de maio que o concurso começou, pois lembro-me que já apareciam as primeiras cerejas na velha praça das Longras.

 

Aquilo era um foguetório de rebimba o malho, nalgumas ocasiões pior do que o do arraial de Valpaços. E tanto se soltavam os rapazes como as raparigas, pois nesta altura as turmas já eram mistas[1]. Era de toda a forma e feitio: silenciosos e inodoros, abafados e fedorentos, sonoros, fininhos, longos, curtos, altos, baixos, sei lá!.. Aquilo ia progredindo em luta renhida.

 

Era vulgar que quando o professor se virasse para o quadro alguém estourasse sussurrando:

 

Trocaide-me este por miúdos!.. — Não demorava muito que aquela nota se transformasse em moedas.

 

Isto andava a ser insuportável, até que uma professora decidiu queixar-se ao Reitor.

 

Sem saber bem o que fazer, o Reitor decidiu convocou para uma reunião a Encarregada de Educação do campeão, Antenor Barracuda, um gargalhote de maus fígados.

 

Depois de uma abordagem d’amodinho, sem que a mãe tivesse entendido patavina do introito, o Reitor lá se atirou à coisa de forma mais grave:

 

— Saiba Vª Exª que o seu Antenor se anda a portar muito mal nesta escola!

 

— Pois sim senhor Reitor, vai satchar batatas que se cose!

 

— Mas sabe a senhora, exatamente, o que o malandro anda por aqui a fazer?

 

— A apalpar o rabo às raparigas de certo! O macaco sai ao pai! Saiba bossa senhoria que o meu home era lubado do catancho, num se le escapaba um rabo de saia! Mula que se le arreganhasse!...

 

— Não, não é nada disso minha senhora, ele anda a soltar flatulências nas aulas, o que tem causado graves problemas, quer aos professores quer aos colegas!

 

Flatuquê, senhor Reitor? Quer o senhor dezer que o filho da p*** escope p’ró tchão?

 

— Nada disso, senhora, são flatos, flatos que ele solta, à tripa forra, na sala de aula!

 

— Bossemecê é que me cose, não estou a perceber nada do que me diz. Quer ber que o rapaz fala mal na escola, ou andará a mija no recreio?!

 

O Reitor, espumando de raiva, atalhou:

 

— Ó minha senhora, peida-se nas aulas!..

 

Porra, que alíbio! Pensei que era coisa pior! Peidará, peidará, deve ser das cereijas que tenho lá no quintal. Come-as quentes, o sacripanta e depois não é capaz de os arrebater! Saiba o senhor que ele faz o mesmo à mesa e o meu Antóino está sempre a dezer para o deixar cagar à bontade que também se alebeia!..

 

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O Reitor descorçoado levantou-se e desandou, deixando a mãe a ruminar sobre a gravidade do assunto!

 

Ontem como hoje!

 

Já estou como dizia Aleixo:

 

Descreio dos que me apontam

uma sociedade sã,

isto é hoje o que foi ontem

e o que há de ser amanhã!

 

Gil Santos

 

[1]Decreto-Lei 482/72, de 28 de Novembro

 

 

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Quinta-feira, 23 de Março de 2017

Cidade de Chaves - Forte de S. Francisco

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De tanto passarmos pelos nossos monumentos, temos a tendência de os ignorar, às vezes nem sequer olhamos para eles, basta que estejam lá, e pronto! Mas de vez em quando convém olhar para eles como se fosse a primeira vez, com olhares de descoberta, reparando nos pormenores ou, nem que seja e só, para ver se tudo está no sítio, afinal trata-se do nosso património.

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:29
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Flavienses por outras terras

Banner Flavienses por outras terras

 

Filipe Silva

 

Nesta crónica do espaço “Flavienses por outras terras” vamos até ao Sudeste Asiático, mais concretamente até Timor-Leste, uma antiga colónia portuguesa que corresponde à metade oriental da ilha de Timor, no vasto arquipélago indonésio.

 

Em Díli, a capital do país, vamos encontrar o Filipe Silva.

 

Cabeçalho - Filipe Silva.png

 

 

Onde nasceu, concretamente?

Nasci em Santa Maria Maior, mas os meus pais vivem em Soutelinho da Raia (aldeia onde cresci).

 

Nos tempos de estudante, em Chaves, que escolas frequentou?

Frequentei a Escola Primária de Soutelinho da Raia, depois fui aluno da Telescola nos 5º e 6º anos, e frequentei a Escola Secundária Fernão de Magalhães.

 

Em que ano e por que motivo saiu de Chaves?

Saí de Chaves em 1993, tendo ido frequentar o Ano Propedêutico da Faculdade de Filosofia da Universidade Católica de Braga.

 

Em que locais já viveu ou trabalhou?

Soutelinho da Raia, Braga e Díli.

 

Diga-nos duas recordações dos tempos passados em Chaves:

Tenho saudades de muitas coisas que vivi na infância e com as quais, com o decorrer do tempo, fui perdendo o contacto, nomeadamente os períodos das vindimas, da matança do porco e das “cegadas” (havia sempre muita gente e muito convívio). 

Claro que também recordo com saudade os tempos do “Liceu” e os amigos que fiz nessa altura. No entanto, lembro-me especialmente dos períodos em que os emigrantes vinham passar férias à minha aldeia e o número de pessoas praticamente triplicava. Parecia que a aldeia ganhava “outra vida”…

 

Proponha duas sugestões para um turista de visita a Chaves:

Visitar as Termas e a Zona Histórica da cidade, incluindo o Castelo.

 

Estando longe de Chaves, do que é que sente mais saudades?

Da família e dos amigos.

 

Com que frequência regressa a Chaves?

Não tenho uma frequência regular e sempre que tenho ido tem sido por períodos muito curtos (3 ou 4 dias).

 

Gostaria de voltar para Chaves para viver?

Por razões profissionais, não me parece ser possível que isso se concretize. No entanto, gostaria de ter a possibilidade de “passar” mais tempo em Chaves.

 

Foto Timor.JPG

 

O espaço “Flavienses por outras terras” é feito por todos aqueles que um dia deixaram a sua cidade para prosseguir vida noutras terras, mas que não esqueceram as suas raízes.

 

Se está interessado em apresentar o seu testemunho ou contar a sua história envie um e-mail para flavienses@outlook.pt e será contactado.

 

Rostos até Filipe Silva.png

 

 

 

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Quarta-feira, 22 de Março de 2017

Cartas ao Comendador

cartas-comenda

 

Meu caro Comendador (17)

 

Hoje acordei desiludido e, não fosse o ter consciência disso, não teria isto qualquer importância! Lembro-me a este respeito de um comentário seu e o senhor sabe perfeitamente em que contexto mo disse: só se vai curar quando deixar de se preocupar com o óbvio! Saiba que até hoje ainda não fui capaz! E isto decorre talvez do facto de acreditar que nada do que acontece é por acaso, rectifico, de que tudo o que acontece tem certamente uma explicação, embora nem sempre eu a conheça ou saiba sequer qual é! É esta, penso que poderei dizer, falsa esperança que me remete não raras vezes, pecaria menos se dissesse com frequência, para uma amargura que às vezes se me entranha nos ossos.

 

Explico-me melhor: finalmente alguém me disse o que eu já sabia! Agora não tenho como ignorá-lo. Enquanto a certeza foi só minha, podia chamar-lhe o que queria, bem sabe como são estas coisas do foro íntimo, a gente faz o que quer e ninguém tem de saber de nada. Conseguimos com uma facilidade extrema duvidar das certezas que temos e acreditar nas maiores mentiras, por isso mesmo, porque nos dá mais jeito! E quantas vezes vivemos assim, deliciosamente enganados até ao dia em que alguém de fora nos diz o que há muito sabemos. Ainda aqui, os nossos mecanismos de defesa operam ao limite! Se for um estranho não damos importância nenhuma, mas se for alguém por quem temos estima, consideração e respeito é o diabo, não há como fugir a isso. É por demais evidente, concordo consigo, que ainda assim inventamos desculpas como o pôr a hipótese de termos percebido mal, que não foi bem isso que a pessoa quis dizer, que talvez esteja a exagerar, que não tenha toda a informação disponível para tirar essa conclusão ou até, é verdadeiramente incrível isto, que nos estão propositadamente a enganar, para nos poupar a coisas piores!

 

É essencialmente por isto que hoje lhe escrevo! Lembra-se do dia em que isto me aconteceu pela primeira vez e o senhor me gritou dizendo: “Chega!”? Sei que já lá vão mais de trinta anos, mas nunca apaguei esse seu acto da memória porque funcionou comigo como um despertar para a vida, foi sinónimo de: Acorde!

 

À semelhança do que então se passou, precisava hoje que me fizesse o mesmo, embora desta vez a coisa tenha, não digo contornos piores posto que isso seria impossível, mas certamente mais graves! É que desta vez o problema não se resolve fazendo-me ter consciência dele! Desta vez eu quero, em consciência, depois de ter tomado consciência dele, continuar a ignorá-lo!

 

Está a perceber não está?! E escolhi escrever-lhe a si porque sei que sabe perfeitamente distinguir este sentimento daquele outro que é o de nos querermos propositadamente enganar. Com este último, o senhor já me ensinou em tempos a saber lidar, mas do que hoje lhe falo põe-me algumas dificuldades acrescidas.

 

Sem qualquer critério de eleição para referir este em primeiro lugar, coloco-me a questão da medição do ser consciente e sei perfeitamente, ao menos julgo-me disso consciente, que me estou a meter num beco sem saída.

 

Faço um parênteses literário, acabei, também consciente, de utilizar um pleonasmo pois que beco é por definição qualquer ponto sem saída e o ter-lhe acrescentado outra, é uma tentativa de usar o objetivo da hipérbole, mas em sua substituição! Falhada a tentativa de medir fisicamente em graus de adjectivos, grandezas imensuráveis, apelo a outras soluções menos objectivas, mas neste caso necessárias. O senhor sabe como me preocupa o racional!

 

Pergunto então que credibilidade terá para mim o querer? E, da mesma forma, quero medi-lo, ou seja, até que ponto eu quero?

 

Qualquer um, à excepção do senhor, estaria aqui já perdido, mas como no seu caso eu sei que me segue em pensamento, ainda que só muito raramente ele seja linear, prossigo.

 

Para medir o querer, analisá-lo ou pesá-lo eu tenho de introduzir aqui outra grandeza: o sentimento. Até que ponto eu sinto para, ainda assim ou apesar disso, querer?

 

Parece-lhe correcta esta ordem dos factos ou colocaria, se fosse o senhor a fazê-lo, a vontade à frente do sentimento, digo, antes?

 

É o que queremos que define o que sentimos ou ao contrário? Escolhendo uma das duas, é sempre da mesma forma, ou depende dos casos? E o que é que faz depender ou variar as vezes em que é uma ou outra?

 

O senhor também é um jogador! Embora nunca mo tenha expressamente dito, há coisas que não é necessário que se ponham em palavras. Sei até, um dia podemos discutir sobre isto, porque o faz. É uma das formas que tem de ensinar. Até aqui eu sei. O que já não sei e gostava de o saber, é se essa também é uma das formas que tem de aprender! Digo isto porque no meu caso, suspeito, com algum grau de confiança, que é disto que se trata e que em alguns casos esta atitude se sobrepõe à outra. Sim, dependerá essencialmente dos temas e mais das pessoas a que os temas dizem respeito.

 

Aproveito para lhe dizer o quão grato fico sempre que, desta forma elegante, o senhor me faz notar alguma imprecisão, seja ela de escrita, pronúncia, raciocínio, comportamental ou qualquer outra a que se refira. É justamente essa sua atitude que ao longo dos anos que dura a nossa amizade me fez crescer de forma livre, ainda que o senhor sempre saiba para que lado a minha sombra se inclina!

 

Dito isto, termino hoje aqui, ainda que seja improvável neste ponto fazê-lo, o senhor sabe-me desconcertante e nunca isso o incomodou, bem pelo contrário.

 

Com o abraço deste seu amigo

José Francisco

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publicado por Fer.Ribeiro às 13:00
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Cidade de Chaves, um olhar com o castelo dentro

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Ocasionais

ocasionais

 

“De uma vez por todas!”

 

"Não há pior analfabeto que o analfabeto político.

Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha de o ser e,

de peito feito, diz que detesta a política.

Não sabe, o imbecil, que da sua ignorância política

 é que nasce a prostituta, a criança abandonada

 e o pior de todos os bandidos,

que é o político vigarista, desonesto,

o corrupto e lacaio dos exploradores do povo”

– Bertolt Brecht

 

 

Vêm aí as Eleições Autárquicas de 2017.

 

OS de CHAVES, que saltitam, batem palmas, seguem em procissão e louvaminham esse «pavão de Castelões» e o seu galinheiro real, com os olhos mais tapados do que uma coluna de cimento armado, teimam em não dar conta de que em vez de honras colhem, daí, vergonhas!

 

Os Flavienses, não podem deitar fora a oportunidade de defenestrar, de correr, De uma vez por todas, com a cambada de incompetentes, medíocres e malfeitores que só têm contribuído para o atraso civilizacional, para o apoucamento e para o definhar dessa Cidade, desse Município!

 

CHAVES tem, De uma vez por todas, de deixar de ser o «Bairro Raiano» de VILA REAL, o «Ilhéu das Rolas» dos milhafres da capital do Trancão.

 

Por aí, ainda há «defensores de Chaves», gente que chegue para «levantar a cidade», recuperar o brilho e o prestígio de um território com um Passado, distante e recente, glorioso, nobre!

 

Aquilo que os Flavienses têm feito até hoje é votarem e elegerem um vilão e seus vilões que estavam em luta (eleiçoeira) com outro vilão e seus vilões!

 

Se os FLAVIENSES querem ter Futuro, corram com esses falsários moinantes da política, e elejam os melhores que, por aí, ainda restam!

 

Por aí, esses «pavões» e «lalões», e os seus coreutas, se bem (bem mal!) imitados por outros «poneyzinhos-de-Tróia» incapazes, por incompetentes e medíocres, de serem apóstolos das doutrinas que professam (ou dizem professar) têm-se prestado, prestam-se, sim, para serem autênticos «algozes dos seus conterrâneos»: a política tem-lhes servido como frondosa árvore à sombra da qual conseguem «fartar os seus odiozinhos pessoais».

 

Esse «pavão-mor», embora com alguma instrução, não tem grandeza de ideias nem de reflexão para o lugar a que trepou!

 

Não conhece o Passado da «Província», nem tem a capacidade para compreender o Presente.

 

As suas “ideias” assemelham-se às daquele «Imperador Feminino Chinês» que decretou que as flores brotassem no Inverno !

 

Já ouvi a alguém dizer que esse «pavão» acredita ser um “Buda Maitreya” encarnado!

 

Aqueles que o elegeram apenas lhe têm servido de adorno.

 

Antístenes dizia não se poder fazer de um mesmo ser mais que uma única definição.

 

Antístenes não imaginava que, qual cisne negro da Nova Zelândia, vinte e cinco séculos depois, na NORMANDIA TAMEGANA, «rebentasse» um «pavão de Castelões» a quem cabem tantas e tão vis definições!

 

O meu amigo de Roterdão, ao ler as minhas “Conversas com ZEUS” e dar com os olhos nos Post(ai)s de alguns Blogues de CHAVES, numa das suas cartas mostrava o seu espanto: - «Que estranho haver tantos “De CHAVES” a prestarem-se ao papel de bobos mercenários ou de parasitas ridículos”!   

 

Às vezes, chego a crer que os Flavienses, submetidos à estagnação e atormentados com os castigos, os dislates e malfeitorias; o desleixo, a deslealdade, a má-fé; a incompetência e a mediocridade da maior parte dos seus edis, atingiram um tal grau de apatia que não se atrevem a mexer uma palha para mudar a situação, com o medo de ficarem ainda mais prejudicados e «atrasados»! 

 

Podeis crer que, nem com o espelho nem com a varinha mágica, Circe conseguiria transforma esse «pavão» e os seus «lalões» em bons flavienses. 

 

Ó de CHAVES, «lembrende-βos» que esse cafajeste e os seus correligionários são flavienses nas campanhas eleitorais!

 

Chegados aos pedestaizinhos onde vêem multiplicados os salários e as mordomias, e aumentada a untuosidade da sua ridícula quão miserável vaidade, imediatamente consideram inconveniente permanecer no credo da juventude e de toda a conveniência renegarem as juras dos comícios e faltarem às promessas da campanha!

 

Após o 25 A/74, a política tem sido um lindo refúgio de medíocres e infames, de hipócritas e incompetentes, de desleais e de traidores, onde chocam e cultivam a sua mesquinhez moral, as suas vinganças covardes, os seus caprichos doentios, as suas patológicas fantasias.

 

As campanhas, os comícios, os discursos servem mais, muito mais, para ocultar os verdadeiros interesses em jogo do que para esclarecer os eleitores.

 

A preocupação dos candidatos, para agradarem aos seus verdadeiros senhores, consiste mais em inventar argumentos que desviem a atenção pública dos verdadeiros problemas nacionais, sociais e individuais.

 

As campanhas eleitorais são, na realidade, a instalação de uma fraude, concluída e aplaudida no acto eleitoral.

 

Na verdade, o voto democrático corresponde àquilo que Chesterton disse: -“um voto torna-se de tanto valor como um bilhete de viagem de comboio numa linha impedida”.

 

A Assembleia da República, o Parlamento, a “Casa da Democracia”, enche-se de gente cujo maior mérito reside na sua habilidade para ter sido nomeado candidato graças ao seu carácter servil, submisso aos caprichos e disciplina dos seus chefezinhos, e à sua elasticidade de consciência.

 

A (esta) Democracia trouxe à luz do dia a verdadeira qualidade de gente ambiciosa e medíocre, suficientemente esperta e manhosa para se meter em lugares elegíveis em Lista eleitorais   -  foi revelado que apenas possuem um cérebro réptil!

 

E quanto mais medíocres maior a possibilidade de se sentarem em lugar mais à frente no anfiteatro do “Parlatório Nacional”!

 

Mal sabem ler e escrever. E votam de acordo com a «disciplina partidária»!

 

No presente, que valor tem o voto quando é «Bruxelas» a aprovar ou a reprovar o que as nossas Assembleias deliberam?!

 

Que certeiro esteve quem disse: - “A Democracia é o governo dos que não sabem”!

 

CHAVES está empestada com o bodum de falsos políticos.

 

 Os monumentos religiosos do Município de CHAVES são, HOJE, tão esquecidos e abandonados que nem para celebrações religiosas e, nem muito menos, para turismo servem!

 

Aos fins-de-semana, CHAVES é uma cidade tão vazia como a Igreja da Madalena quando nela não se celebra missa!

 

A esse «pavão», persistente no assentimento do lixo espalhado pela cidade e das lixeiras espalhadas pelo Município, a sordidez e a imundície parecem-lhe «luxuoso fedor aromático»!

 

Como gostaria de contrariar, De uma vez por todas, o Gustavo Le Bon ao ver que em CHAVES, nas Eleições Autárquicas de 2017, o «Talento e o Génio» desmentiram que «o exagero das multidões incide unicamente nos sentimentos e de modo algum na inteligência».

 

E como na sua eterna «luta contra a razão o sentimento nunca foi vencido», os espertos-espertalhões, que chamam à ocupação do Poder Governo, adubam bem a imaginação popular e logo as multidões aparecem principalmente constituídas por aqueles que, dentro delas, acreditam conseguir subir muito alto.

 

O adormecimento e a distracção da maioria dos flavienses, junto com a sua falta de coragem para a mudança, faz-me lembrar aquele dito latino-lusitano:

 

-“primo est bibere, deinde philosopfari”.

 

Para os que sabem, mas não se lembram, ou «estão esquecidos», direi:

 

-“Que (lhes) importa (aos flavienses) que a liberdade de pensamento se perca (ou fique arrumada numa choça), se a liberdade de beber continua garantida?!”.

 

Piores que as calamidades do «relâmpago», as cheias furiosas do Tâmega, as trovoadas vindas de Vidago, o calor infernal de um Verão (sempre) «como nunca se viu»; pior que essas calamidades, para os Flavienses são bem mais catastróficas as calamidades dos que os têm governado, quer a partir de Lisboa, quer da Praça do Duque!

 

Um dos erros mais graves no comportamento dos (nossos) políticos caseirotes (autárquicos) consiste no seu enfeudamento, no seu vínculo, não à terra natal (ou adoptiva) na qual exercem uma função administrativa, mas, sim, nesse seu enfeudamento, vínculo e engajamento cegos à comunidade partidária, e com covarde, quão estúpida, submissão ao líder ou ao directório partidários.

 

Os administradores autárquicos «abrileiros», dessa CIDADE, da NOSSA TERRA, não descansaram enquanto não puseram essse Território na miséria civilizacional e política! Julgaram-se triunfantes, pois isso! Porém, o momento, a hora da vergonha lhes chegará!

 

O grande e trágico problema dos flavienses é que têm caído na esparrela de eleger lacaios de cabecilhas políticos «de Lisboa», e de outros políticos «interesseiros, e não Flavienses homens-bons!

 

Mais do que a penúria material de grande parte dos Portugueses, assusta-me e lamento a penúria moral de quem (n)os governa   -   desde «lá de cima», da capital, até «cá em baixo», nas autarquias!

 

Os flavienses (e os Portugueses) preferem viver num mundo de fantasia e num esquecimento cinzento, ameaçado por um Passado e Presente que os magoa e angustia.

 

Quando se tenta ocultar uma grande verdade, semeia-se a dúvida no coração daqueles que anseiam descobrir o que há por detrás das palavras, das aparências.

 

Teimam em negar o que existe, o que lhes tem estado, e está, a acontecer.

 

Mas ainda há por aí, e por aqui, alguns, poucos, que se recusam a esquecer, a fazer há-de conta de que vai tudo bem no reino flavínio; alguns que não temem lutar contra crenças falsas, nem desistem da luta pela verdade.

 

É difícil lutar contra a mentira de muitos”.

 

É difícil sonhar com um amanhã melhor quando a obscuridade parece imperar em todas as direcções.

 

«Querer esquecer uma verdade inegável é viver sobre uma mentira que nos vai sumindo, é convertermo-nos em nossos próprios verdugos, fazendo com que a nossa consciência apodreça».

 

Sabemos da importância que grupos e instituições não-governamentais têm na Sociedade e, especialmente, na Sociedade democrática.

 

E do grau da sua autonomia muito depende a realização dos seus próprios objectivos e satisfação de necessidades da Sociedade.

 

Estes grupos e instituições não-governamentais muito contribuem para a resistência a Governos prepotentes e injustos.

 

Daí, a preocupação e o esforço de governantes medíocres, tirânicos (mesmo que disfarçados) em suprimir a autonomia e a liberdade de tais grupos e instituições, tentando impor, ou mesmo imponde-lhes, um mal disfarçado controle ditatorial.

 

Infelizmente, aí por CHAVES (ai, se fosse só por CHAVES!...) muitas instituições não-governamentais passaram à condição de organizações «recomendadas»!

 

Por aí, os «faroleiros» e candidatos a candidatos dos Partidos e Movimentos da Oposição mexem-se, remexem-se e coçam a comichão pelo Arrabalde e pelas cadeiras dos Cafés, criam células de fanfarrões e de oportunistas e atiram com flores ao peito uns dos outros, contando sempre com o ovo no cu da pita, acabando sempre por ficarem a chupar no dedo!

 

A preparação das Eleições Autárquicas confundem-na com um perliminar olímpico da prova de estafermo, bajulador, «poneyzinho-de-Troya», de «saber fazer pela vida» e vencer a guerrinha entre os seus,  com o qual pensam conquistar a medalha de ouro de integrante na Lista de candidatos aprovada pelo «chefezinho»!

 

Entretanto, a oportunidade de construir a melhor planificação estratégica para derrubar a capoeira de medíocres e infecciosos «pavões» e apresentar projecto sólido, eficiente e exitoso da recuperação do prestígio da CIDADE e do Município, e do Progresso que se lhe ajuste, vai pelo Caneiro abaixo!

 

A modorra, o narcisismo e a falta de sinceridade num ideal político-administrativo para a CIDADE (polis) tem feito com que CHAVES vá de mal a pior! E a perpetuação de gentalha reles e medíocre, no Palácio do Duque, fica garantida!

 

Que notória gente essa da Oposição, que não se cansa de tristes e humilhantes derrotas eleitorais!

 

Pobrezita!

 

Fica de papo cheio e com o ego bezuntado de vaidade balofa só por   -   de eleição em eleição  -   misturar umas bazófias de pretensa sabiciche política, em autênticos pelágios reciclados de si própria, com interpretações tão indigentes quão inifensivas, de ridículos actos ou omissões do «pavão», dos «pavões», dos «lalões», e regadas com uns copecos ou umas «bejecas» nos «Sport’s” ou nos “Faustinos” trajano-chavinos!

 

Fatalmente, sem imaginação nem credibilidade!

 

Porra!

 

Numa terra onde abundam arquitectos, não aparece   -   na Oposição   -   um Plano Estratégico com que se vencer esse bando de aves de rapina e de mau agoiro, que tem destruído o Passado, o Presente e o Futuro dessa CIDADE?!

 

Terão os Flavienses de gritar “aqui d’el rei” quando se virem obrigados a imitar Luís XVI , fazendo dos Jardins da cidade; da Veiga, da Groiva e da Ribeira; das vinhas, dos soutos, das carvalheiras ; das hortas, das cortinhas; dos batatais, das searas, dos pinhais, e dos olivais pomares de laranjeiras?!

 

CHAVES, cidade e Município, está num perigoso plano inclinado de degradação.

 

O Governo Central (de ontem, de hoje, de sempre), com a vergonhosa e indecente colaboração da maior parte dos autarcas e deputados Normando – Tameganos, parece ter um ódio de morte aos que trabalham, vivem, e aos que amam essa Região.

 

A malvadez, a ruindade, a estupidez, a imbecilidade, a ignorância, a mediocridade e a covardia de alguns flavienses, de nascimento ou por adopção, anda mal disfarçada pelos verdes véus de espuma da inveja e pelos amarelo-pálidos véus da ingratidão.

 

Aí por CHAVES, não quero que a tragédia político-administrativa vivida nos últimos decénios não cumpra a profecia «karlista-marxista» de voltar a ocorrer, como uma farsa!

 

Os flavienses (muitos, tantos, demasiados) continuam a descobrir boas qualidades no «salteador de estrada», na esperança de que ele lhes poupe nas algibeiras”:

 

- O “Pita” já morreu há muito!.......

 

Cumpre lembrar o meu amigo, e de Michel Eyquem,  Éthiene de la Boétie:

 

- “É muito próprio do vulgo desconfiar de quem o estima e confiar nos que o enganam”.  

 

Meus conterrâneos, FLAVIENSES, arrumai De uma vez por todas com essas almas pequeninas, com esses manobristas politíticos, que até mesmo nisso são reles e medíocres!

 

M., dezassete de Março de 2017

Luís Henrique Fernandes

 

 

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Terça-feira, 21 de Março de 2017

Cidade de Chaves, centro histórico

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Como se pode inverter uma coisa, uma situação?

 

A resposta é simples, basta mudar-lhe a ordem, alterá-la, pô-la das avessas, virá-la, etc, pelo menos são algumas das definições do verbo inverter. Fácil, basta reparar na imagem de hoje, foi coisa de uns minutinhos, algum Photoshop, et voilá , já está. Fácil, não é? Mas claro, estamos a falar de coisas,  pois se entrarmos na realidade da rua, aí as coisas já são bem diferentes, complicadas de inverter, aí já entram outras componentes e fatores para que o verbo (inverter) possa assumir o seu significado, tal como ideias, vontade, planeamento, incentivos, políticas e claro, dinheiro, não como um investimento tendo em vista um lucro fácil e rápido, mas como um investimento num futuro,  um investimento de vida para o centro histórico e cidade.

 

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Chaves D' Aurora

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  1. RETRATO.

 

Com admirável beleza, Aurita estava no esplendor de seus quinze anos, cada vez menos menina, u’a mulher a se pôr. Ao vê-la à janela da Quinta ou com os seus, a caminho da igreja, as pessoas exclamavam – Ai que belo rosto, o dessa rapariguinha! Há de ser assim, o da Senhora de Fátima!

 

Até um requisitado fotógrafo de Chaves atreveu-se a pedir a João Reis que lhe concedesse a honra de retratar a menina, vestida com o alvo manto de Nossa Senhora e tendo às mãos o Santo Rosário. Recebeu do patriarca um sonoro e perentório – NÃO!!!

 

A uma tarde qualquer, quando estava a se dirigir a um café no Largo das Freiras, Reis viu exposta, na montra de uma loja de artigos religiosos, à Rua Santo António, uma pintura a representar a Virgem e os três pastorinhos. A face da Santa, porém e os seus loiros cabelos, não lhe deixaram qualquer dúvida. Indignado e furioso, adentrou o estabelecimento, mas logo se arrefeceu ao ver que o dono era um velho amigo. Este contou ao brasileiro que, tal quadro, fizera-o seu filho mais jovem, a se valer apenas de sua pura e excelente memória visual. Em momento algum, porém, gostava ao pintor autodidata sequer pensar em ofender a honra da menina, os brios de João Reis Bernardes e a dignidade de uma tão conceituada família.

 

Reis propôs então a compra imediata de tal peça de arte. Muito constrangido, o comerciante explicou que o precioso quadro já não estava disponível. Outro freguês já o comprara, na véspera e por muito bom preço, deixando-lhe vultosa quantia à guisa de sinal e ficando de passar por lá, ao cabo da semana, para trazer o restante. – E cá me podes dizer, meu caro, quem é esse freguês? – Ora, pois, é aquele ciganinho, o filho mais novo do Camacho. – o que deixou o rosto do patriarca encarnado, purpúreo, arroxeado – Pois então, pra já é que me hás de vender essa pintura! Pago-te o dobro do preço! – Mas ó Reis, sabes tão bem quanto eu como são as regras do negócio, as leis do comércio. Não posso faltar com a palavra dada a um freguês. Ainda mais que...

 

De logo, porém, o Brasileiro o contradisse – Nem mais nem meio mais! Ora, pois, meu amigo, diz a ele que... pronto, aí está! Diz-lhe que ameacei de levar o teu filho à Justiça, por retratar uma menina sem a aprovação dos pais. Não, não precisas ficar assim! Não te vou fazer mal nenhum, muito menos ao teu menino. Basta dizer ao gajo que eu, João Reis Bernardes, foi quem t’obrigou a desfazer o trato com ele e pronto! Aos raios que o parta! Sabe-se lá pra quê esse patife quer ter em casa o rosto da minha filha?! – e mal ouviu os argumentos do colega de comércio – Mas ó Bernardes, tua menina tem mesmo a face da Santa. Isto cá é para se pôr a um oratório! – Que o seja! Mas não quero ver o retrato da minha filha por algures nem alhures, ora pois e pronto! Estamos conversados!

 

Assim, com a virginal face de Aurora a lhe servir de modelo, a imagem da Senhora de Fátima, devidamente benzida por um cura da Madalena, foi entronizada em um lugar de honra na sala de estar da Quinta Grão Pará.

 

fim-de-post

 

 

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Segunda-feira, 20 de Março de 2017

Quem conta um ponto...

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333 - Pérolas e diamantes: O carinho enternecedor da burguesia

 

A propósito do seu último livro “Os Pobres”, a socióloga Maria Filomena Mónica deu uma interessante entrevista ao jornal de Negócios onde defende que em Portugal existe uma espécie de “apartheid” social, pois a composição da sociedade portuguesa é de tal forma desigual, e essa desigualdade é já tão antiga, que surge aos nossos olhos como uma coisa normal e banal.

 

Esta sua preocupação com a pobreza teve início logo na sua adolescência, quando, na companhia de freiras, foi levada a um bairro de lata em Lisboa para poder ver os pobres no seu meio e dessa forma iniciar o seu treino para exercer a caridade. Disseram-lhe que exercendo a caridade rapidamente iria para o céu. MFN não considerou que a sua viagem para o céu justificasse aquilo que viu.

 

Na sua perspetiva, “a caridosa burguesia tradicional cultivou a pobreza dos outros com um carinho enternecedor. Nunca lhe passou pela cabeça que talvez fosse possível acabar com ela ou, pelo menos, tratar muito seriamente disso”.

 

No seu livro pode ler-se este belo naco de prosa: “Cultivavam-se os pobrezinhos, regavam-se com bocadinhos de pão com conduto, com pequenas moedas e cultivava-se sobretudo a sua pobreza. Havia a comida dos pobres, as visitas dos pobres e a sexta-feira que era dia dos pobres.”

 

Esta crítica ao antigamente, também se estende até aos dias de hoje. Reconhece que as redes de solidariedade social, muitas delas com presença de pessoas católicas, até realizam um bom trabalho. Mas a ideia que lhe está por trás é que os ricos estão por cima dos pobres.

 

De facto, estas redes apoiam mas não estimulam as pessoas a sair da pobreza. Habituam-nas a pensar que a pobreza é uma coisa normal. Sim, existem pobres e qual é o problema? O problema é que não devia haver. Ou pelo menos não deviam existir tantos. Propaga-se então a ideia de que não são iguais a nós, de que não têm as mesmas necessidades, de que se satisfazem com menos. Esse é o carimbo da desigualdade. E a desigualdade ali fica como uma espécie de barreira intransponível.

 

De um lado os ricos, que necessitam das melhores coisas. Do outro lado, eles, que são pobres, só necessitam do básico e servido em pequenas doses para não oparem.

 

Desde cedo que MFN abandonou a religião. Ou melhor, foi expulsa da Igreja por um padre. Foi um drama para a sua mãe, que era dirigente da Ação Católica Portuguesa.

 

Revoltava-a a visão da pobreza por parte da Igreja, onde os pobres estavam sempre a mendigar a ajuda dos ricos, e onde estes, sob o olhar majestático de Deus, se viam obrigados a exercer a caridade.

 

Para ela, isto era um sinal de que a Igreja não tinha compaixão por aqueles que mais sofriam e dava boa consciência aos ricos, que tricotavam três casacos de bebé para dar no Natal e iam para casa. “Eu não conseguia fazer isso.”

 

Não se resignava à glorificação do sofrimento. Os pobres eram resignados e aceitavam a doutrina de Cristo, pensando que “estavam ali para serem pobres e não havia nada a fazer. Pessoalmente, eu não quero ser resignada, não queria e não quero sê-lo no futuro”.

 

Na sua infância, a socióloga conviveu com pessoas das boas e católicas famílias portuguesas. Até das mais antigas. Considera no entanto que, apesar da sua bondade, não lhes passava pela cabeça que a desigualdade social é um crime. Já os seus colegas universitários, que eram todos do MES (Movimento de Esquerda Socialista), achavam que os pobres iriam desaparecer de um dia para o outro. Ela também achava, mas depois verificou que não era assim.

 

Eles aí permanecem com todo o seu esplendor. Apesar disso, pensa que com todas as críticas que se possam fazer à sociedade portuguesa, “não há comparação entre aquilo que se vive hoje e o que se vivia há 50 anos. Portugal melhorou bastante e as pessoas, às vezes, esquecem-se. A tendência é para glorificar o passado. O passado, para algumas pessoas, tornou-se um mito. Dantes é que era bom. Dantes, mas quando?! Só se for no século XII”.

 

Apesar de pertencer à secção dos portugueses ricos, Maria Filomena Mónica não se deixa apanhar na teia do ceticismo. É que os ricos são todos iguais, mas há os que são mais iguais do que outros.

 

Oiçamos a sua opinião sobre a União Europeia: “Não posso dar-me ao luxo de ser uma eurocética. Porque não pertenço a um país rico. Se pertencesse à Escandinávia, seria eurocética.”

 

João Madureira

 

 

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Um elogio à Primavera com flores de cerejeira

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Hoje regresso à cidade com um elogia à Primavera que hoje se instala entre nós. Um elogio com este punhado de flores que espero a Primavera ajude a transformar num punhado de frutos, redondinhos e vermelhinhos para poder saborear.

 

 

 

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Domingo, 19 de Março de 2017

O Barroso aqui tão perto... Negrões

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Vamos lá então mais uma vez até ao Barroso que fica aqui tão perto. Hoje toca a vez a Negrões que embora só hoje chegue aqui o seu post, já passou por aqui noutras ocasiões e a respeito de outros assuntos, como por exemplo com o assunto Miguel Torga, que visitou esta aldeia pelo menos duas vezes, isto a julgar pelos registos nos seus diários, mas lá iremos.

 

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Transmontano de gema, nascido aqui, bem entalado entre os seus montes, desde criança que tinha a curiosidade de saber como era viver fora de tanto monte, como seria viver à beira mar, à beira de um lago, numa ilha. Esse viver, embora não fosse um sonho meu, deveria ter um certo fascínio e uma dose de encanto. Foi assim até que vi o mar e em breves períodos de verão por lá vivi um pouco, tal como foi assim quando durante um ano vivi numa ilha, ou seja, não se quebrou o encanto nem se perdeu o fascínio, mas viver lá ou cá, tanto faz, ao fim de um ou dois dias, passam a interessar mais a casa que nos serve de abrigo, as ruas e caminhos que têm de receber os nossos passos e as pessoas, principalmente aquelas que também nos servem de abrigo e se cruzam ou caminham ao nosso lado nas ruas e caminhos.

 

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Toda esta prosa do viver ao pé da imensidão da água vem a respeito de Negrões, pois vista ao longe parece viver intimamente ligada à albufeira do Alto Rabagão e à água que quase parece entrar-lhes pelas casas adentro, mas depois de se entrar na intimidade da aldeia, depressa se esquece a água e passa a ser uma aldeia como outra qualquer isolada no meio de qualquer montanha sem água por perto. As casas abrigo, as ruas, os largos, as pessoas e os animais é que fazem a vida da aldeia, a água ali mesmo ao lado, é como se estivesse lá por estar, quando muito, limita-lhes a liberdade de por ali não poderem caminhar ou cultivar os campos.

 

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Contudo, e sem que isto seja uma contradição ou desdizer aquilo que foi dito, torna-se fascinante e a aldeia tem o seu encanto vê-la assim arrumadinha ao lado do grande lago, entalada entre a água e a montanha, com as suas cores de amarelos, verdes, laranjas e vermelhos e contrastar com o azul do céu que a água também reflete ou o azul escuro das montanhas mais distantes, quase parece, ou melhor, é um dos versos desse poema que Torga intitulou de Reino Maravilhoso.

 

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E já que falamos de Torga vamos então ao que ele registou no seu diário, suponho que na primeira vez que visitou Negrões, em 28 de maio de 1955.  

 

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Negrões, Barroso, 28 de Maio de 1955

Por mais que tente, não consigo reduzir estas vidas de planalto a uma escala de valores comuns. Foge-me das duas mãos não sei que força incomensurável que, exactamente por ser assim, se alcandora nos olimpos possíveis do mundo. Nada existe aqui de notável a testemunhar uma actividade humana superior ou singular. Seres esquemáticos , num ambiente esquematizado. E, contudo, cada indivíduo parece trazer à sua volta um halo de intangibilidade divina.

Talvez seja a própria pobreza do meio que, despindo-os de todo o acessório, lhe evidencie a essência. E a nossa perturbação diante deles seria a perplexidade de pobres Adões cobertos de folhas diante de irmãos que permanecem nus.

Miguel Torga, In Diário VII

 

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Entremos então em Negrões, que vista ao longe é uma coisa e na sua intimidade é outra, e não muito diferente das restantes aldeias do Barroso, principalmente das aldeias do Alto Barroso, das aldeias da Chã que estão do outro lado da albufeira ou das aldeias da proximidade do Larouco. Serra do Larouco que desde Negrões mostra a sua imponência, lá ao fundo, a Norte, já a confundir-se com o azul do horizonte que não é mais que céu galego. Na realidade, hoje Negrões está nas faldas da  Serra do Barroso, ao nível do grande planalto que aí começa e só termina, precisamente, na Serra do Larouco. E disse que hoje Negrões está nas faldas da Serra do Barroso, pois penso que nem sempre foi assim, pelo menos antes de 1964, ano da construção da Barragem, a Serra descia até aquilo que hoje é o fundo da barragem.

 

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Voltemos a Negrões e a Miguel Torga, com mais um registo do seu diário, ao qual suponho ter tido a influência da sua companhia de então e talvez as obras da própria barragem não seja alheias ao desabafo, mas isto sou apenas eu a supor, mas seja como for, as palavras de Torga continuam atuais e eu assino por baixo…

 

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Negrões, Barroso, 24 de Setembro de 1960

Tanto monta ser aqui, como no Terreiro do Paço. Ouvir um político, é ouvir um papagaio insincero.

Miguel Torga, in Diário IX

 

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Vamos à localização, que tal como já dissemos atrás, Negrões, situa-se junto à barragem dos Pisões ou Alto Rabagão, bem juntinha a ela, mais precisamente nestas coordenadas: 41º 24’ 27,55” N e 7º 47’ 02,26” O. Como sabem, e se não sabem ficam a saber, a E.N. 103 passa junto à barragem, mais ou menos a fazer as curvas das curvas da sua margem. Pois Negrões fica na outra margem, precisamente na margem oposta à estrada nacional, mas é a partir desta que se pode chegar até à nossa aldeia de hoje. Se for desde Chaves em direção a Braga, logo a seguir ao Barracão, no cruzamento da Aldeia Nova do Barroso, em vez de entrar para esta, vira para o lado oposto, ou seja, vira à esquerda, deixando a estrada Nacional, depois passa Criande, depois ao lado de Morgade e continua em frente que a próxima aldeia é Negrões, mais ou menos a meio da Barragem. Se vier de Braga, entra logo no paredão da barragem e quase logo a seguir ao paredão, vira à esquerda e logo a seguir a Vilarinho de Negrões, vem Negrões. Quanto à altitude, como é hábito em terras barrosas, são terras altas, Negrões está próxima dos 900 m de altitude. Para melhor localização, fica o nosso habitual mapa.

 

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Ainda antes de passarmos àquilo que encontrámos nas nossas pesquisas, vamos às nossas impressões pessoais sobre Negrões. Como já atrás dissemos, a sua localização em relação à barragem, uma península, dá-lhe um encanto singular, quase tanto como o da aldeia vizinha de Vilarinho de Negrões, mas infelizmente Negrões não está tão bem localizada para posar e brilhar tanto em fotografia. Já dentro da aldeia, para além do casario típico barrosão, que ainda vai existindo com alguma integridade, temos a realçar duas construções, o forno do povo, este muito bem localizado para a fotografia e em bom estado de conservação, para além de ser um dos fornos típicos do Alto Barroso, com cobertura em lajes de granito. A outra construção é a Igreja, com torre sineira separada da restante construção, e digna de ser apreciada, pelo menos no exterior, pois quanto ao interior nada sabemos, mas pela certa será igualmente interessante.

 

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Ainda dentro das impressões pessoais, atraiu-nos uma ave-chaminé em particular, pelo seu design, que quisemos ver repetida numa imagem real de um passarinho, suponho que uma arvéolas (motacillae) no caso a arvéola branca ( motacilla alba). Quem acompanha o blog ficará admirado por eu reconhecer a ave e conhecer a espécie, principalmente depois de há dois ou três dia atrás não ter reconhecido um tentilhão, mas nem há como consultar quem sabe da coisa para termos certezas. Já quanto à espécie de aves que ficam a seguir, essas conheço-a bem, e no prato ainda melhor, principalmente se forem como estas, ou este (o galo), caseirinhos como mandam as regras das boas iguarias da nossa região, hoje um privilégio que poucos avezam.

 

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Agora mais alguns dados sobre a aldeia resultantes das nossas pesquisas, por exemplo no Arquivo Distrital de Vila Real encontrámos o seguinte:

“Negrões foi curato anexo à freguesia de São Vicente da Chã, no termo de Montalegre. 

Formou uma comenda com São Vicente da Chã que inicialmente pertenceu aos templários e depois ao convento de Santa Clara de Vila do Conde. 

Em 1839 aparece na comarca de Chaves e, em 1852, na de Montalegre. 

Freguesia do concelho de Montalegre composta pelos lugares de Lamachã,. Negrões e Vilarinho. 

A paróquia de Negrões pertence ao arciprestado de Montalegre e à diocese de Vila Real, desde 22 de Abril de 1922. O seu orago é Santa Maria Madalena.”

 

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 Vistas desde Negrões com a Serra do Larouco ao fundo

 

Num outro documento cuja autoria penso ser do Padre Lourenço Fontes, intitulado “Alguns Roteiros Turísticos a partir de Mourilhe Hotel Rural”, encontrámos o seguinte:

“Negrões, (S. Maria Madalena) terra que mereceu de fotógrafos franceses dois belos livros a preto e branco, junto com Vilarinho bebem e espelham-se com suas casas negras de granito nas águas límpidas e mansas do Rabagão em presa. Muitos canastros esguios, alguns sem cobertura adornam as eiras de pedra, e os milharais. Toda a margem do lago une as aldeias desde Pisões, com paisagens relaxantes, convidando a parar para saborear. O forno do povo de Negrões, inactivo como todos, coberto em granito é um monumento a contrastar com poucas casas brancas, que prendem fotógrafos do branco e negro, devoradores de cenários raros que a terra negra lhes oferece. A igreja paroquial, torre e adro valem pela estatuária bem conservada. Zona de caça turística e a situação encantadora destas aldeias são no Verão e Inverno motivos fortes para estas aldeias não morrerem, mas terem um crescimento ordenado a um turismo aberto, e de qualidade. Lamachã mais na serra , nos limites do concelho, mas no centro de Barroso Montalegrense e de Boticas, concentra numa rua algumas famílias a viver da pecuária e agricultura, tem um castro ainda com ruinas bem à vista.”

 

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No livro Montalegre, de José Dias Baptista, sobre Negrões e freguesia, encontrámos o seguinte:

 

“Também esta freguesia integrou a Comenda da Chã às Clarissas de Vila do Conde, pelo rei de D. Dinis.

Em 1862, nasceu em Vilarinho de Negrões, Domingos Pereira. Ordenado padre e já abade de Refojos (Cabeceiras) contra vontade de seu tio, o também padre João Albino Carreira, filiado no Partido Regenerador, filiou-se no Partido Progressista. Fiel ao seu credo partidário, tornou-se amigo íntimo de Paiva Couceiro e recusou aderir à República em 1910. Perseguido, como os outros chefes monárquicos, após a estrondosa derrota, no espaldão da carreira de tiro, em Chaves, foi condenado a 20 anos de penitenciária. Conseguiu colocar no Brasil os seus “soldados, na ordem de alguns milhares” e regressou a Espanha e à sua actividade conspiratória. Conspirou a vida inteira. Depois da amnistia de Sidónio Pais, teve acções preponderantes na proclamação da “Monarquia do Norte”, em 1919, participando nos combates de Cabeceiras, Mirandela e Vila Real.”

 

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E continua:

“Restaurada a República exilou-se em Espanha e foi condenado à revelia a 20 anos de prisão maior. Excluído, como Paiva Couceiro, da amnistia concedida aos monárquicos, regressou em segredo, em 1926, a Cabeceiras, onde viveu até 1942. Por falar em condenações, é de lembrar a condenação de José Pereira, de Lamachã, em 1947, a 29 anos e meio de cadeia “acusado de ser o autor moral” dum crime que de certeza não cometeu. Eram assim os tribunais e juízes fascistas. Esta freguesia (e a maior parte de Barroso) ganhou direito à imortalidade através da documentação fotográfica “La Mémoire Blanche” de autores estrangeiros.”

 

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Como filhos da terra temos  António Carneiro Chaves que nasceu na aldeia de Negrões,  em 1943. Licenciou-se em Economia, no Instituto Superior de Economia de Lisboa, e obteve o grau de mestre em Economia Europeia no Instituto de Estudos Europeus da Universidade Livre de Bruxelas.

Foi correspondente da RTP e do semanário O Jornal, e colaborador de outros órgãos, durante a sua permanência na Bélgica.


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António Carneiro Chaves foi bolseiro do Instituto para a Alta Cultura e bolseiro do governo belga e da Gulbenkian para a especialização em Economia Europeia.

Enquanto Quadro Superior do Instituto do Comércio Externo de Portugal, foi responsável pelo acompanhamento da conjuntura económica nacional e internacional e do sistema monetário internacional, tendo publicado vários estudos na imprensa especializada.

Foi docente do ensino superior na área de Gestão e Marketing Internacional durante mais de duas décadas e trabalhou como consultor com as mais destacadas empresas de serviços na área de gestão e formação de gestores, diretores e quadros superiores de empresas.

 

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E por hoje com a aldeia de Negrões, vai sendo tudo. No próximo domingo cá traremos mais uma aldeia do Barroso de Montalegre.

 

Por hoje só nos restam mesmo as referências à feitura deste post, bem como os habituais links para posts anteriores com aldeias e temas do Barroso.

 

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Bibliografia

“Montalegre” de José Dias Baptista, edição do Município de Montalegre, 2006

 

Sitíos na WEB

http://digitarq.advrl.arquivos.pt/details?id=1066306

http://ultramar.terraweb.biz/06livros_AntonioCarneiroChaves.htm

 

Links para anteriores abordagens ao Barroso:

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Amial - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ameal-1484516

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Bagulhão - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bagulhao-1469670

Bustelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bustelo-1505379

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Cervos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cervos-1473196

Cortiço - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1490249

Corva - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-corva-1499531

Donões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-donoes-1446125

Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619

Fírvidas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-firvidas-1466833

Frades do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-frades-do-1440288

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Lapela   - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

Meixide - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixide-1496229

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Paio Afonso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paio-afonso-1451464

Parafita: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-parafita-1443308

Paredes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-1448799

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Pomar da Rainha - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pomar-da-1415405

Ponteira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ponteira-1481696

Roteiro para um dia de visita – 1ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104214

Roteiro para um dia de visita – 2ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104590

Roteiro para um dia de visita – 3ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105061

Roteiro para um dia de visita – 4ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105355

Roteiro para um dia de visita – 5ª paragem, ou não! - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105510

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

Tabuadela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-tabuadela-1424376

Telhado - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-telhado-1403979

Travassos da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-travassos-1418417

Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1508489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

São Ane - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-ane-1461677

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Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

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Vilaça - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilaca-1493232

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

Xertelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-xertelo-1458784

Zebral - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-zebral-1503453

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:30
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Sábado, 18 de Março de 2017

Almorfe - Chaves - Portugal

1600-almorfe (10)

 

Toma-se a Nacional 314 em direção à Serra do Brunheiro, passa-se o Peto e Lagarelhos, e lá em cima, já no planalto a caminho das Terras de Montenegro, um pouco antes de France e um pouco depois do posto de abastecimento de combustível há uma placa de estrada que aponta para a direita onde diz “Almorfe”. É essa a nossa aldeia de hoje.

 

1600-almorfe-13-art (12)

 

Na minha tarefa de percorrer todas as aldeias do concelho de Chaves, Almorfe foi a última a ser visitada. Não por qualquer razão em especial, mas foi ficando para o fim e acabou por ser a última, isto há 10 anos atrás e, confesso, que foi a única vez que lá fui.

 

1600-almorfe (12)

 

E se as nossas aldeias estão cada vez mais esquecidas, despovoadas e envelhecidas no que toca à sua população, mas também às próprias aldeias, pois também elas envelhecem, estas, como Almorfe, que não calham junto a estradas principais ou no caminho de outras terras, são muito mais esquecidas.

 

1600-almorfe (21)

 

Poderão ser aldeias pequenas e esquecidas por muitos, mas aqui o blog não se esquece delas e quando toca a fazer uma ronda por elas, vamos a todas, nem que seja com recurso às nossas imagens de arquivo, como é o caso de hoje.

 

No próximo sábado toca a vez à Amoinha Velha, curiosamente bem perto de Almorfe, lá em cima, no Planalto do Brunheiro.

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:41
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Sexta-feira, 17 de Março de 2017

O Factor Humano

1600-cab-mcunha-pite

 

10 contos de reis, sem notas - 3

 

A vida é de cada um

 

Era o meu doente mais idoso e, de alguma forma, o mais distinto. Idade para ser o meu avô, gosto pela conversa pausada. Educação extrema, só se sentava depois de eu o fazer. Chapéu por vaidade ou hábito, bengala por necessidade, embora mantivesse um andar digno, subtil e graciosamente equilibrado por aquele bastão elegante.

 

Algumas tragédias na sua vida, a morte acidental de um neto, o falecimento de um filho com cancro, a morte da mulher, após demência precoce prolongada.

 

Mantendo sempre a cabeça levantada, gostando de conversar sobre tudo e nunca procurando promover a pena ou a compaixão por ele.

 

O senhor A. vinha sempre à consulta acompanhado por uma senhora, bastante mais nova, na casa dos cinquenta anos, roupa humilde, quase sempre silenciosa. Não se comportava como familiar, tratava-o com uma consideração expectável na relação com os mais velhos.

 

Escassas palavras comigo, o estritamente necessário para esclarecer o circuito da consulta e das análises e para clarificar a toma dos remédios. O senhor A. tinha uma doença crónica que inspirava alguma preocupação, mas não limitava a sua autonomia, nem a sua capacidade física.

 

Apesar das referidas agruras da vida, na sua conversa pausada havia alegria e firmeza, temperadas por quase 90 anos de experiências.

 

Um dia apresentou-se sozinho na consulta. Não comentou porquê e eu respeitei a reserva. Pareceu-me mais triste, mais calado, mas na altura não valorizei.

 

Na vez seguinte, de novo veio só, ainda mais cabisbaixo, menos falador. Confrontei-o com a sua tristeza e a ausência da senhora. Com um suspiro prolongado tentou ser reservado e arrumar o assunto. Mas eu insisti. Pareceu-me então ficar aliviado para poder falar e explicar-se: " sabe doutor, a senhora que costumava vir comigo, a Dona G., era quem tomava conta de mim e me fazia companhia", e prosseguiu de forma subtil, que a senhora não era apenas uma simples governanta, mas desempenhava um papel mais profundo na sua vida. A tristeza era que, filhos e netos, o tinham alertado para os interesses da tal senhora. Que ela teria segundas intenções, subentendendo-se avidez pelo seu dinheiro...

 

Ele tinha decidido aceitar e por isso tinha-a afastado. Contrariado, daí a sua tristeza.

 

Não resistir em interferir: " Mas alguns dos seus filhos ou netos tem problemas económicos?". " Felizmente não doutor, estão todos muito bem na vida. Bons empregos, boas casas, dinheiro...".

 

Fiz então a pergunta inevitável. " E o senhor gosta da tal senhora? Sente-se bem com ela?". "Sinto, é com ela que estou feliz, com a sua companhia", respondeu-me de forma sentida.

 

Fiz-lhe então um desafio, que muitos considerariam desadequado. "E porque não os manda dar uma volta e chama outra vez a senhora G. para ao pé de si?", expressando-lhe que o dinheiro e a riqueza eram dele e essas decisões só a ele diziam respeito. A sua vida era uma escolha só dele.

 

Abriu-se num sorriso e despediu-se mais animado.

 

Na consulta seguinte, veio de novo acompanhado. Algo de subtil se tinha dado entre os dois, parecendo agora mais libertos.

 

Pouco depois mudei de hospital para uma cidade distante, deixando de ser seu médico. Durante 3 anos, não me faltou um telefonema natalício dos dois, simpático e agradecido.

 

Sempre achei que eu é que devia agradecer a oportunidade de me ajudarem na minha maturação como médico.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:50
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Quinta-feira, 16 de Março de 2017

O passarinho!

passaro1

 

Já o disse aqui mais de uma vez que de aves pouco percebo, lá vou conhecendo as mais comuns e que já andam por cá há muito tempo e pouco mais. E a minha ignorância tem aumentado nos últimos anos com o aparecimento por cá de novas espécies, como foi a cegonha e ultimamente as garças e outras de porte maior que também desconheço, no entanto vou vendo e ouvido e gosto do que vejo e oiço, só lamento não me ter dado para aprofundar o estudo da aves.

 

passaro2

 

Ontem por exemplo este passareco que hoje vos deixo em imagem fez o favor de posar para mim. Ele bem se mostrou de frente, de lado, de costas, além de várias posições mais complicadas.  Embora do tamanho do pardal, que esses conheço-os bem, vi logo que não era da família. Como lhe vi o dorso esverdeado, disse cá pra mim que deveria ser um verdilhão, mas em pesquisas na NET, os que vi, não são parecidos. Penso que este artista é um ao qual lhe tenho ouvido um canto de encantar, parecido com o rouxinol, mas não tenho a certeza, pois enquanto posou não cantou.

 

passaro5

 

Como gosto de saber aquilo que me entra na objetiva, também gostava de saber quem é este artista. Assim deixo o apelo para alguém que dai desse lado me possa dizer que ave é esta.

 

passaro4

  

Para ajudar na identificação, para o caso de interessar, vi-o ontem ao fim da tarde próximo do rio Tâmega, mas não muito próximo, pelo que penso que seja mais ave de terra do que de rio.

 

passaro3

 

Se alguém conhecer, agradecia mesmo que usassem a caixa de comentários para deixarem por lá o nome desta espécie de ave, ou então enviem para o mail do blog : blogchavesolhares@gmail.com

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:40
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