10-anos-500
Domingo, 30 de Agosto de 2015

Terra queimada

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Ficam sem mais comentários dez imagens do incêndio de ontem em Avelelas, Sobreira e Oucidres — e se não é terra queimada, parece…

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publicado por Fer.Ribeiro às 05:12
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Sábado, 29 de Agosto de 2015

Agrela - Chaves - Portugal

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Hoje vamos fazer uma breve passagem pela Agrela, uma daquelas aldeias que para se conhecer temos que entrar dentro dela.

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Depois de entrarmos, primeiro invadem-nos os sentimentos de agrado por entramos numa das nossas aldeias que vai mantendo as suas características de aldeia tradicional transmontana de ruas estreitas, casario maioritariamente em pedra e poucos atentados que firam a sua integridade e, é aí que outros sentimentos nos começam a invadir.

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Sentimentos controversos. Por um lado apreciamos coisas de que gostamos, por outro, o ver casas abandonadas, algumas em ruinas, a ausência de crianças e gente jovem nas ruas, faz com que a revolta e os porquês nos invadam. Porquê estamos a perder as nossas aldeias e ninguém faz nada para travar o seu despovoamento? — E não preciso de respostas, pois infelizmente sei quais são. E isso é o que revolta!

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 03:46
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Ocasionais - Ele há cada um!

ocasionais

 

”Ele há cada um!”

 

“Há dias alguém me dizia que

Chaves tinha de se afirmar

como um concelho urbano que é”.

F.R.

 

Eu, que sou tão avesso ao uso de estrangeirismos baratos quanto pedantes, respondo a esse idiota petulante que lhe afirmou tal disparate com a expressão cunhada por um «artista de circo»:

 

"There's a sucker born every minute".

 

Hoje, ser Flaviense é viver com mágoa.

 

O lamento que melhor a esconde ou disfarça é aquele que se escuta a toda a hora e momento a chorar a traição e o crime feitos às “Freiras”!

 

O Jardim das Freiras era a coroa de glória de uma Cidade, de um Concelho e de uma Região que vivia com alegria, estava em desenvolvimento.

 

A pujança da Cidade aí se manifestava na exuberância das brincadeiras dos estudantes, no movimento apaladado do “Aurora”, humorístico do Lopes, «construtor» do “Xavier”, financeiro da “Caixa” e de mensagens e segredos dos Correios.

 

E as Ruas e os Largos da cidade estavam sempre cheios de gente!

 

E havia cinema, Verbenas, música no Jardim do Tabulado … e a Srª das Brotas!

 

CHAVES era o celeiro e o alpendre de toda a Região.

 

No centro da cidade tirava-se o retrato, compravam-se as sementes e os adubos; as albardas, as sogas e as campainhas para o gado; o Mercado, amparado pela muralha da Rua do Olival, era um dos campos de batalhas floridas das donas de casa … e de algumas maroteiras de estudantes mais espevitados.

 

Na Lapa, naquela terra batida e pedregosa, germinavam futuros «pontas de lança», «defesas» e defensor do Desportivo!

 

Nos Bombeiros aprendia-se a apagar incêndios nas carvalheiras, nos restolhos e nos pinhais, e aprendia-se a incendiar o olhar e os corações.

 

No Arrabalde, bastava um único sinaleiro para que o trânsito na cidade fosse seguro.

 

Na Madalena havia o Posto da “PVT” -   e chegava para não se pisar a linha, fazer pisca à direita e à esquerda; havia o da Guarda Fiscal, que mal chegava para assustar os contrabandistas; havia a Feira dos Recos, que dava garantia ao «Presunto de Chaves»; e havia a “Casa Azul”, ponto de partida para a recta da fronteira, da subida da Montanha, e cruzamento de afectos, sonhos e paixões.

 

Pela recta de Outeiro Juzão chegavam as nozes e o «branco» de Vidago … e as «trovoadas de “Stª Barbѽra”.

 

No rio lavava-se roupa, tomava-se banho, pescavam-se bogas, barbos, escalos, enguias …e trutas!

 

Nele havia fartura de lontras e de galinhas-d’água.

 

O Liceu aumentou os “Ciclos”; a Escola Comercial e Industrial, as instalações.

 

Surgiu a Escola Normal.

 

Construiu-se um Hospital Moderno.

 

No Campo da Roda pousavam avionetas.

 

As Telhas e as caçoulas de Barro, de NANTES, eram famosas e procuradas.

 

A Veiga dava os melhores melões do mundo.

 

Faiões tinha enchentes de tordos e um delicioso «Trigo de quatro cantos»!

 

Em Valdanta sobravam caçadores.

 

Os «Pimentos do Cambedo» faziam um lindo par com «Os de Lebução»!

 

As «bicas de manteiga» chegavam das terras altas do Barroso.

 

As «Águas de Salus e de Vidago” davam fama e traziam gente.

 

Jogava-se «à macaca», ao «eixo-baleixo», à «bisca dos nove» ou «à delambida», à «sueca» ou ao «xincalhão», ao «fito» ou ao «sapo»; saltava-se «à corda» ou fazia-se «rappel» no Forte S. Francisco, e jogava-se futebol na Lapa!

 

“ ‘Stouque” em terra alguma o comboio tinha tanto significado e tanta ligação com as gentes como em Chaves!

 

Vi-o sempre cheiinho de pessoas e carregadinho de saudades!

 

Nele transportei muitas vezes, na ida e na vinda, cestinhas de lembranças.

 

O seu apito marcava horas com importância.

 

E até nos dava oportunidade para lhe concedermos a ele, porque ele nos concedia a nós, uma consideração maior distinguindo-o ora como «comboio-correio ora como comboio-batateiro!

 

Mais tarde, quando a Rádio propagou o “Angola é Nossa”, além da batata, do correio, e da Saudade passou a transportar a angústia.

 

Até ele serviu para decorar o abastecimento de carqueja e carvão à cidade, com o gracioso e histórico «comboio de Seara Velha»!

 

Por mais alcatrão que lhe espalhem, por mais pórticos e portagens com que a enfeitem, por mais cimento armado que lhe atirem, por mais pantominas festivaleiras que nela realizem, CHAVES jamais deixara de ser um concelho rural, “O CONCELHO RURAL QUE É” - e com muita honra!

 

O decaimento de Serviços e de população, dia a dia mais notório em Chaves, como pode inspirar tal disparate a esse idiota?!

 

Foi por ter subido ao cimo do mamarracho que tira as vistas à Torre de Menagem?!

 

Ou será por estar convencido de que ele e os seus pares, «lalões, «lalõezinhos» e «poneyzinhos de Tróia» já conseguiram infectar todos os Flavienses com a sua mentalidade enviesada, impostora, ridícula e idiota?!

 

CHAVES tem, mesmo dentro de portas, mais cortinhas, quintais e hortas que Serviços, comércios e indústrias.

 

Nem de uma estrutura turística mínima e decente dispõe!

 

E embora a cabeça dos seus mais proeminentes, luzidios e exibicionistas iluminados não crie piolhos tem lá dentro tanta porcaria e imundície que até transvasa para o Ribelas e o Tâmega, tal qual mostram as imagens que frequentemente são divulgadas, para nojo, vergonha e desgosto dos verdadeiros Flavienses.

 

CHAVES está uma cidade e um CONCELHO RURAL entregue ao deus-dará.

 

Enquanto não excomungarem o padre falso e os seus diáconos; enquanto não fizerem uma «cabidela de pavão» e com ela envenenarem os «lalões», «lalõezinhos», «pavões», pavõezinhos», «pa(ᴚ)vinhos» e «poneyzinhos de Tróia» desse seu «jardim zoológico politicastra e politiconeiro», os Flavienses autênticos e «retintos» não vão a lado nenhum!

 

Um CONCELHO da BATATA, da COUVE, do AZEITE, da “PINGA”, das “CALDAS”, dos “PASTÈIS”, do “FOLAR”, das PAVIAS, do “CALDO de CHÍCHARROS”, da «MATANÇA DO RECO», da “FEIRA dos SANTOS”, do “S. CAETANO, da “Srª da SAÚDE” e da «falecida» Srª das BROTAS, como diabo pode ser um “concelhito urbano»?!

 

CHAVES é, mas é, e TEM de SER, um IMPORTANTE CONCELHO RURAL!

 

“Urbano”?!

“Bem m’ou finto”!!!

 

M., 23 de Agosto de 2015

Luís Henrique Fernandes, flaviense

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 01:37
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Sexta-feira, 28 de Agosto de 2015

Discursos Sobre a Cidade - Por Francisco Chaves de Melo

discursos-chico

 

Os treze anos que puseram a cidade a perder!

 

O verbo perder entrou nas conversas do dia-a-dia em Chaves!

 

Perdemos o Tribunal, perdemos população, perdemos serviços no hospital, perdemos a PJ, perdemos a isenção de portagens, perdemos no final de cada mês porque a Câmara aumentou a água e a recolha de lixo, perdemos no fim do ano porque o imposto sobre as casas (IMI) também foi aumentado pelo governo e pela Câmara, perdemos no IRS, porque a Câmara fica com todo o valor dos 5% disponíveis que podia descontar a favor dos que cá vivemos.

 

Perdemos o comércio tradicional, principalmente no centro histórico, perdemos o Polo da UTAD, perdemos os aquistas nas termas, por terem estado incompreensivelmente fechadas um ano inteiro, e sei lá mais o quê! Até perdemos a subida do Chaves à 1 divisão.

 

O que ganhamos em troca foi uma dívida de dezenas de milhões de euros na Câmara, o abandono do mercado e feira, o poço sem fundo da Fundação Nadir Afonso, as obras sem fim nem proveito do Museu Romano, um parque de estacionamento desocupado, uma avenida do Casino ao Bairro do Telhado, com estacionamentos para ninguém, que custou milhões por megalomania e desmesura.

 

Assim não admira que as instituições da cidade estejam agora confrontadas com o garrote da dívida e sem ninguém que lhe possa dar uma mão. São as instituições de solidariedade social continuamente esganadas financeiramente, são as instituições educativas que andam em sobressalto por falta de alunos, são as instituições de apoio à atividade produtiva que se deparam com os credores aflitos em recuperar o seu dinheiro, são as empresas comerciais sem clientes, as de construção sem obras, e sei lá mais o quê!

 

O PSD local nada teve a ver com este estado de situação. Para esse partido nem tal situação existe. O que foi dito é pura ficção! Os do PSD estão bem!

 

Só é pena não estarmos todos bem!

 

Nem a hecatombe que tiveram no número de votos nas últimas eleições os demoveu do caminho que nos conduziu ao garrote da dívida. Inventaram uma dissidência interna e fomentaram o MAI, para apanharem incautos (que sempre os há) e assim, mantiveram o poder. Tudo sacrificaram para isso. Cada voto foi angariado com dívidas acumuladas, dívidas geradas para se vangloriarem e apresentarem obra aos flavienses. Agora sabemos que os terrenos do Pólis ainda não foram pagos, que os terrenos da fundação Nadir Afonso também não tinham sido pagos, que não pagavam a água aos fornecedor e que utilizavam o dinheiro que nos cobravam a nós pela água para lançar obra que não faz falta. Tramaram-nos a todos. Vamos ficar décadas a pagar tudo mais caro por causa deste modo inconsciente de gerir os destinos municipais.

 

Agora sabemos que a obra não foi paga. Agora pesa-nos no bolso a todos. A mim só me custa ter de pagar também!

 

Eu não votei neles!

 

Francisco Chaves de Melo

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 01:18
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A ressurreição do bruxo galego Queiman

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Duas cenas do milagre das termas romanas na ressurreição do bruxo galego Queiman pelos encantamentos da sua deusa na guarda dos romanos. Certo, certo é que o bruxo galego Queiman ressuscitou.

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:00
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Quinta-feira, 27 de Agosto de 2015

Flavienses por outras Terras - Amaro Frutuoso

Banner Flavienses por outras terras

 

Amaro Frutuoso

 

Nesta crónica do espaço “Flavienses por outras terras” vamos até ao Minho, mais concretamente até à Póvoa de Varzim, uma cidade conhecida pelas suas praias, mas também por uma importante dinâmica cultural e literária, destacando-se o Festival Literário “Correntes d’Escritas”, que anualmente reúne escritores de língua portuguesa e espanhola.

 

É lá que vamos encontrar Amaro Frutuoso, um Flaviense ausente desde 1952.

 

Mapa Google + foto - Amaro Frutuoso.png

 

Onde nasceu, concretamente?

Nasci em Chaves.

 

Nos tempos de estudante, em Chaves, que escolas frequentou?

Frequentei a Escola Primária, na Rua de Santa Maria (onde foi a Casa de Saúde do Dr. Mário Carneiro) e a Escola Industrial e Comercial, hoje Escola Secundária Dr. Júlio Martins, nas antigas instalações, na Lapa.

 

Em que ano e por que motivo saiu de Chaves?

Saí em 1952, por falta de trabalho.

 

Em que locais já viveu ou trabalhou?

Já vivi e trabalhei em Malanje (Angola) e na Póvoa de Varzim.

 

Diga-nos duas recordações dos tempos passados em Chaves:

A infância e adolescência passadas na Rua Santa Maria.

 

Proponha duas sugestões para um turista de visita a Chaves:

As termas e a beleza paisagística.

1600-povoa-varzim (126).jpg Porto da Póvoa de Varzim

Estando longe de Chaves, do que é que sente mais saudades?

Tenho saudades de jogar futebol no postigo e no tabulado, de jogar a bilharda e ao peão, de ir às caldas ver as "sopeiras" no transporte de água nos cântaros de folha de flandres, magistralmente equilibrados na cabeça.

 

Com que frequência regressa a Chaves?

Muito raramente. A última foi há dois anos.

 

 

O espaço “Flavienses por outras terras” é feito por todos aqueles que um dia deixaram a sua cidade para prosseguir vida noutras terras, mas que não esqueceram as suas raízes.

 

Se está interessado em apresentar o seu testemunho ou contar a sua história envie um e-mail para flavienses@outlook.pt e será contactado.

Fotografias com fundo branco.png

 

 

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 08:30
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Quarta-feira, 26 de Agosto de 2015

O Barroso aqui tão perto... de luto

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Ainda ontem tivemos aqui o Barroso com algumas “Histórias da Vermelhinha” de Bento da Cruz. Hoje é de novo o Barroso e Bento da Cruz que nos traz aqui , mas um Barroso mais pobre e de luto pela morte, hoje, do escritor e ilustre barrosão Dr. Bento da Cruz. O Barroso está de luto e todos estamos mais pobres com a partida de um grande escritor que sobretudo escrevia sobre nós, sobre a nossa gente de Trás-os-Montes, sobretudo a do Barroso. Parte o Homem Bento da Cruz, parte o seu corpo mas ficará para todo o sempre a sua presença e sabedoria na inúmera obra que publicou e com a qual nos continuaremos a deleitar.

 

E sobre o Bento da Cruz, em jeito de repositório, deixo aqui aquilo que foi publicado no blog no dia 24 de março de 2010, aquando do lançamento do seu livro «A Fárria» em Chaves.

 

+++++++++++++++++

 

 

PROLEGÓMENO 30 de Agosto de 2009.

 

Caia a tarde e eu regressava das Caldas de Chaves onde tenho estado em tratamento de águas quando, ao desembocar na Rua Direita, ouvi um violino. Ou seria um violoncelo? Por esta hesitação se podem avaliar os meus conhecimentos musicais. Para além do realejo e do bombo, não sou homem de distinguir um violino Stradivarius de uma viola chuleira. Mas lá por não perceber nada de música, não quer dizer que a não saiba apreciar. E aquela que enchia a Rua Direita era aquilo que os poetas julgam que é o canto da sereia.

 

Quedei logo de nariz no ar e ver de onde é que aquilo vinha. Alguma escola de música? Não. Aquilo não era de principiante. Alguma jovem apaixonada e triste? Mas onde é que hoje se encontra uma jovem triste? Andam todas alegres e despreocupadas como andorinhas. Alguma velha saudosa de amores antigos? Como se as velhas não tivessem mais em que pensar.

 

Nisto especulava eu quando descobri, à esquina da “Sociedade Flaviense”, um pequeno grupo de mirones. Aproximei-me. Um indivíduo ainda novo montara ali o seu guinhol de feira: uma figura feminina, delicada, gentil, vestida de princezinha da Baviera, a fingir que tocava violino. Um trecho de Mozart, assim me pareceu, executado na perfeição. Pérolas a porcos. A maioria dos transeuntes passava indiferente. Que o digam três moedas de cobre a reluzir aos pés da grácil e aristocrática violinista.

 

Eu também me não detive nem descosi, com vergonha o confesso. Mas indiferente não fiquei. Aquela suave melodia acompanhou-me até ao cimo da rua. Mesmo depois de ter deixado de a ouvir, ela persistiu no meu ouvido durante muito tempo e fez-me saudades. Da flauta do Virgílio, para não ir mais longe.

 

Que ninguém fique a pensar que me estou a referir ao poeta latino do mesmo nome, o melhor tocador de avena de todos os tempos. Não. O Virgílio de que falo era um adolescente dos seus catorze ou quinze anos, servia em casa do meu vizinho Pitrasca e tinha uma flauta de cana.

 

Não estou em condições de dizer se o Virgílio era bom ou mau executante. O que sei é que, quando ele ia com o rebanho e se punha a tocar flauta na solidão dos montes, eu quedava pensativo. É caso para dizer que a minha inclinação para a poesia bucólica vem de longe. Dos meus seis ou sete anos, idade em que, influenciado pelo Virgílio, pedi uma flauta à minha mãe.

 

Ela foi à feira, vendeu uma dúzia de ovos e comprou-me um pífaro de barro. Comecei logo a ensaiar. E ao cabo de um mês já tocava o tiroliro razoavelmente.

 

Principiava eu a ensaiar o malhão, quando a desgraça aconteceu. Fui com as vacas lá para um prado ribeirinho, sentei-me numa pedra, à sombra de um salgueiro, e agarrei-me à flauta. Tão fora de mim e do mundo, que não dei conta de que as vacas me tinham ido para o lameiro do Pitrasca. Este surdiu detrás de uma parede, correu a mim como um lobo, e perpetrou dois crimes qual deles o mais execrável. Primeiro, desfez-me a flauta no cangote. Depois suspendeu-me pelas orelhas. Deu-me cabo do ouvido para o resto da vida, o bruto…

 

Esta a razão pela qual cheguei a velho sem perceber nada de música. Mas isso não tira que eu a saiba apreciar. Como aconteceu hoje, no regresso das Caldas, ao cair da tarde.

 

VIVA BARROSO!

 

Bento da Cruz

 

.

 

Estas foram algumas das palavras que o Dr. Bento da Cruz partilhou com quem assistiu ao lançamento em Chaves do seu último livro « A Fárria ». Livro que aliás tive o gosto de anunciar aqui o seu lançamento, e tive esse gosto, pelas mais variadas razões, como ser apreciador da obra de Bento da Cruz, mas também porque este blog já bebeu muito daquilo que o autor escreveu em alguns dos seus livros, principalmente na feitura dos posts do Cambedo Maquis que viria a dar origem a outro blog, mas também, porque Bento da Cruz, barrosão, é um dos nossos, que tão bem tem sabido contar e enaltecer o Barroso e a região, fazendo a nossa história de uma forma universal, ou seja, em estória e romances.

 

 

Pois embora este blog já muitas vezes tenha bebido nas obras de Bento da Cruz e dezenas de vezes ele tivesse sido referido ou mencionado, nunca falei de Bento da Cruz, do homem e a sua obra. É tempo de o fazer, pois este blog há muito que está em dívida com ele e com o escritor que já fez 50 de vida literária.

 

 

Bento Gonçalves da Cruz

 

Filho e neto de lavradores, nasceu em 22 de Fevereiro de 1925 na aldeia de Peireses, concelho de Montalegre.

Até 1940 trabalhou na lavoura. Nesse ano ingressou na Escola Claustral de Singeverga, dirigida por monges beneditinos.

Em 1946, após noviciado, abandonou, de moto próprio, a vida religiosa.

Em 1948 matriculou-se na faculdade de Medicina de Coimbra.

De 1956 a 1970 trabalhou em Barroso, acumulando a clínica geral com a estomatologia.

Em 1971 fixou-se no Porto.

Foi deputado à Assembleia da República, distinguido com a medalha de honra (oiro) da Câmara Municipal de Montalegre e é patrono da Escola Secundária da mesma vila.

Logo após o 25 de Abril, fundou o quinzenário regionalista Correio da Manhã que ainda hoje dirige.

 

 

Bento da Cruz Jornalista, Médico, Deputado, “Monge”, Lavrador, todo um percurso de vida, no entanto, será como contador de estórias e escritor que registará, ou melhor, já tem registado o seu nome na história e para a posteridade.

 

Publicou o seu primeiro livro em 1959. Chamava-se Hemoptise e era de versos. É, como ele diz, um livro do qual não fala nem menciona na sua bibliografia, mas também não enjeita, como um pai nunca enjeita um filho.

 

Da sua bibliografia constam:

 

PLANATO EM CHAMAS – romance, 1963

 

AO LONGO DA FRONTEIRA – romance, 1964

 

FILHAS DE LOTH – romance, 1967 (4 edições, a última em 1993 – Circulo de Leitores)

 

CONTOS DE GOSTOFRIO – 1973 – Prémio “Fialho de Almeida” (2ª edição – 1993)

 

HISTÓRIAS DA VERMELHINHA – Contos de tradição oral de Barroso – 1991 (2ª Edição – 2000)

 

PLANATO DE GOSTOFRIO – romance – 1982 – (2ª edição – 1992)

 

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O LOBO GUERRILHEIRO – romance – Prémio Literário “Diário de Notícias”, Prémio de literatura (Ficção) da Sociedade Portuguesa de Escritores Médicos. Traduzido para galego: Edicións Xerais de Galícia, 1996. (2ª Edição – 2001).

 

VICTOR BRANCO – Escritor Barrosão – Vida e Obra, Prémio Literário de Investigação da Câmara Municipal de Montalegre, 1995.

 

O RETÁBULO DAS VIRGENS LOUCAS – romance – Prémio Literário (Ficção) da Câmara Municipal de Montalegre – 1996.

 

HISTÓRIAS DE LANA-CAPRINA – contos – 1998 (2ª edição – 1999)

 

A LOBA – romance. “Prémio Eixo Atlântico de Narrativa Galega e Portuguesa” de 1999 e “Prémio Arzobispo Juan de San Clemente” na modalidade “ A melhor novela em galego do ano 2000” 1ª Edição – 2000. 2ª Edição – 2000. 3ª Edição – 2001.

 

.

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GUERRILHEIROS ANTIFRANQUISTAS EM TRÁS-OS-MONTES – história – 1ª Edição – 2003. 2ª Edição – 2005.

 

EIXO ATLÂNTICO – Um mundo a descobrir. Co-autoria - 2004.

 

A LENDA DE HIRÃN E BELKISS – Novela, 2005.

 

PROLEGÓMENOS – Crónicas de Barroso, 2007. 2ª Edição – 2008.

 

PROLEGÓMENOS II – 2009.

 

A FÁRRIA – romance – 2009.

 

Para já é esta a sua obra publicada.

 

Pela minha parte, confesso-me um devoto leitor de Bento da Cruz desde que o descobri com o “Lobo Guerrilheiro”.

 

Fica a minha pequena homenagem a este Homem grande do Barroso que tão bem escreve e descreve nos seus escritos e romances. Escritos que muitas vezes também passam por Chaves e que faz grande parte da história dos acontecimentos de Dezembro de 1946 no Cambedo da Raia, com o relato dos acontecimentos no seu livro «Guerrilheiros Antifranquistas em Trás-os-Montes».

 

Para saber mais sobre Bento da Cruz:

 

http://www.bentodacruz.com/

 

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 23:00
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O bruxo galego e o leão romano

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:12
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Chá de Urze com Flores de Torga - 93

1600-torga

 

Valoura, Vidago, 16 de Setembro de 1966

 

Não sei se por dom natural, se por educação profissional, diante de todas as pessoas com quem converso, sejam cultas ou incultas, estou sempre de ouvido alerta, à espera de surpreender, no meio das trivialidades de que se alimenta o convívio, qualquer revelação singular. E nunca me arrependo. A cada momento sou recompensado com um dito curioso, um aparte feliz, uma ponderação clarividente. Hoje assim sucedeu, mais uma vez.

 

Gabei-lhe a decisão com que habitualmente enfrenta a vida.

 

— Ora, ora! — respondeu. — Não faço avaria nenhuma. Lutar aqui em baixo, no chão da realidade, é fácil. Agora lutar em cima das nuvens, como se fosse em terra firme, isso sim. E vocês, os poetas, lutam dessa maneira.

Miguel Torga, in Diário X

 

Chaves, 20 de Setembro de 1966

 

Contava, contava, e eu ia revendo o filme em mil episódios da nossa emigração. A orfandade temporã, a servidão na pátria, a largada para o Brasil, as humilhações, a tenacidade, e, finalmente, o triunfo. Mas desta vez um triunfo inquieto, sem firmeza nos alicerces de oiro, agitado pela ventania de leituras desordenadas, de tacteio e deslumbramento, os milhões misturados com sonetos sentimentais, a imaginação a cavalgar o bom senso rotineiro.

 

— Diga-me francamente: não estou a desiludi-lo?

 

A princípio fiz-me desentendido. Mas quando voltou à carga, abri-lhe a alma:

 

— Continue, que só me dá prazer. Bem vê: também por lá passei. Simplesmente, a certa altura, meteu-se-me em cabeça escrever livros. E os livros escrevem-se a uma mesa. Sedentarizei-me. Acontece, porém, que no calendário perdura a nostalgia do nómada que foi. Ora o senhor é justamente esse nómada de que tenho saudades, esse invejado aventureiro persistente, esse Fernão Mendes Pinto sem regresso e sem Peregrinação.

Miguel Torga, in Diário X

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 02:51
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Terça-feira, 25 de Agosto de 2015

O Barroso aqui tão perto... Histórias da Vermelhinha

montalegre (549)

 

Pelo Tribunal

 

O Regedor de Donões

 

Um dia o Regedor de Donões andava com as vacas num prado ribeirinho ao Cávado. Era Janeiro e os montes cobertos de neve. Nisto, vê chegar um figuro junto do rio e começa a despir-se.

 

O Regedor, que andava a limpar uns regos, recostou-se ao cabo da sachola.

 

— Ó alma perdida! Tu que vais fazer?

 

O desconhecido fez que não ouviu.

 

— Não me digas que te queres deitar à água com um frio destes…

 

O promitente banhista acabou de se despir e foi colocar a roupa em cima de uma pedra.

 

— Não, catano! — disse o Regedor, virando o rabo à sachola.

 

Ia já o figurão a correr para formar o mergulho, cai-lhe o Regedor em cima de sachola em riste.

 

— Ó filho da puta! Que apanhas alguma pneumonia que te leva o diabo…

 

Só então o banhista se apercebeu do perigo e fugiu, direito à roupa. Mas não tão lesto que não apanhasse duas derrabadas testes pelas nádegas.

 

— Eu é que te dou o banho, maluco dos infernos… — gritava o Regedor , correndo e brandindo a sachola atrás do tipo.

 

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Quando o viu longe do rio, regressou para junto das vacas, monologando, com voz incrédula:

 

— Um homem vê cada um neste mundo…

 

Dias depois, tinha o citote à porta:

 

— Assine aqui.

 

— Que é isto?

 

— Uma contra-fé.

 

— Para quê?

 

— Comparecer no tribunal no dia e hora aí indicados.

 

— Mas para quê?

 

— Você lá sabe.

 

— Se soubesse não perguntava.

 

— Não fez nada ao juiz?

 

— Quem?...

 

O Regedor tirou-se dos seus cuidados e foi ter com o advogado. Afinal, já toda a vila sabia da história: o banhista era o novo juiz da comarca, um morenaço com a mania do desporto ao ar livre. O advogado muito se ria.

 

— Ora conta lá, João: ele estava mesmo em pelote?

 

O Regedor coçava a cabeça.

 

— E agora, doutor?

 

— Não te aflijas. Eu trato do caso.

 

Chega o dia do julgamento, estava o meritíssimo no seu trono, o delegado na sua poltrona, o Regedor de Donões no banco dos réus, a sala cheia de gente.

 

Pergunta o juiz:

 

— Sabe do que vem acusado?

 

— Eu não.

 

— Lembra-se de, no dia 13 de Janeiro, pelas 11 horas, quando eu me preparava para tomar banho na represa do Moinho Velho, o senhor me ter insultado e agredido?

 

— Ó raio! Ai ele eras tu? Olha que te não reconheci, catano…

 

O juiz olhou para o escrivão. O escrivão, que também estava por dentro da marosca, fez o gesto de furar a testa com o indicador, como quem diz: « É maluquinho…»

 

— Mande lá o homem embora — remata o juiz, após breve hesitação.

 

1600-montalegre (233)

 

A Rosária

 

Esta do Regedor de Donões fez-me lembrar uma da Rosária.

 

A Rosária foi a última recoveira a muar a carroça entre Montalegre e Chaves. Mulher de estrada que era, tinha uma língua de fazer corar um almocreve.

 

Um dia, estando a Rosária a despejar água na valeta da Rua Direita, apareceu a guarda republicana.

 

— A senhora não sabe que é proibido fazer despejos na via pública?

 

— Oh, almas do diabo! Não vistes vós a puta da Cândida ainda agora a fazer o mesmo… Só tendes olhos para a desgraçada da Rosária…

 

— Tento na língua, senão…

 

— Se não, o quê?, «carvalho»?

 

— Apanha duas multas. Uma, por infracção às posturas da Câmara; outra, por ofensas à autoridade e à moral pública.

 

— Oh! «Carvalho»!...

 

A Rosário nunca mais se calou e os guardas carregaram-lhe nos calos.

 

Foi a multa para tribunal.

 

No dia do julgamento, o juiz pega no atestado de pobreza que a Rosário juntara ao processo, olha para a ré sentada muito compostinha no mocho e pergunta-lhe:

 

— Então a senhora é assim tão pobre como diz?

 

— Oh senhor doutor, tenho o dia e a noite…

 

— Mas traz uma saia nova?...

 

— Oh! «Carvalho»! Ainda agora a fui pedir emprestada à puta da Maria Pinheira, para não vir para aqui com o cu ao léu, e já me está a olhar para o «carvalho» da saia… Mas que porra de…

 

Ainda a Rosária não acabara, já o meritíssimo ordenava ao meirinho:

 

— Ponha a mulherzinha lá fora! Ponha a mulherzinha lá fora…

 

1600-n103 (1)

 

A Quininha do Relvas

 

À cadeia devia ir parar a Joaquina do Rilvas, não pelo que fez entre o feno, mas pelo jeito com que falou ao pai. Se não, vejamos:

 

Contava a Joaquina uns 15 anos incompletos, começou a circular entre as más línguas que o Zé da Poça a tinha enganado. Sabedor do que rosnava a respeito da filha, o pai da moça levou-a à examina. Se a rapariga estivesse virgem, calava as bocas do mundo; se desonrada, obrigaria o sedutor a casar ou dotá-la.

 

Os médico deram a Joaquina como desflorada e com sinais de comércio sexual antigo e frequente.

 

O Zé da Poça negou que tivesse sido o primeiro.

 

Foram para tribunal.

 

No dia do julgamento, iam pai e filha a caminho de Montalegre, diz o velho:

 

— Ó rapariga? Agora vê lá como falas com o doutor juiz, ouviste?

 

— Esteja praí calado! Eu sei bem como é que se deve falar a um doutor juiz, ou o que é que vomecê julga?

 

Chegaram à sala de audiências, o aparato do costume, as bancadas cheias de curiosos, diz o juiz:

 

— Levante-se a queixosa.

 

A Joaquina levantou-se, toda lampeira e coradinha.

 

— Então a menina jura que este senhor a desflorou?

 

— Pela minha salvação.

 

— Ora conte lá como é que as coisas se passaram.

 

— Olhe, senhor doutor juiz: eu e aqui o Zé da Poça andávamos com as vacas nos lameiros da Corga. Eu no meu e ele no dele, que são pegados. Então ele veio para junto de mim e meteu conversa. Ele disse que eu estava uma rapariga pimpona. Eu respondi que ele estava um rapaz pimpão. Ele puxou-me pelos úberes. Eu puxei-lhe pelos tomates. Ele filou-se em mim. Eu catrafilei-me nele. Começámos a estarroiçar no feno, aos rebolões. Eu mordi-o. Ele beijou-me. Eu atriguei-me. Ele encanzinou-se. Eu aluei-me. Ele aleivou-se…

 

— E depois menina?

 

— Só me largou depois de me ter cuspido no nascedoiro…

 

Bento da Cruz, In Histórias da Vermelhinha

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 02:06
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Ocasionais - Suminhos de Tamarindo

ocasionais

 

“Suminhos de Tamarindo”

 

Nas últimas páginas dos seus livros “PITIGRAMAS”, Tupamaro escreve:

 

--- ””V   O   C Ê””

 

Não creio que em Portugal haja mais do que três pessoas a gastar tempo a ler o meu Livro:

-uma, por bondade; outra, por maldade; e a terceira para dizer que «fez há-- de conta» que o leu.

Talvez, por excepção, a quarta pessoa a lê-lo, inteirinho, seja você.

-----.

O interessante texto = DA «DITADURA» DO CAPITAL A UMA SOCIEDADE DE «IDIOTAS»=, como todos os que aqui nos tem oferecido o sobrinho do TIO NONA, pôs a minha inspiração em capítulos.

 

Aleatoriamente, direi que matar saudades do Tio NONA foi uma pequena surpresa e uma maior consolação.

Tio NONA é uma figura que estimo e aprecio.

 

Nele vejo a rudeza e a delicadeza das gentes do Douro Alto, majestoso, território por excelência da árvore sagrada, aquele em que as «rugas» dos seus socalcos são pautas de orações místicas ou profanas que as suas gentes erguem para os céus e as «rogas» interpretam com a alegria de quem conhece a virtude dos deuses e a pureza da seiva.

 

Homem do Douro, o Tio NONA é homem de boa cepa.

 

Encontrei certa graça à coincidência de gosto por autores sul-coreanos: o Tio NONA lê

 

“Byung-Chul Han” e eu “ Trinh Xuan Thuan”.

 

Como não sou segregacionista, também tenho obras de “Kim Il Sung”.

 

Tio NONA e eu, ambos gostamos da Filosofia. Porém, como a minha vida é um caos, vivida num caos político, eu procuro mais a (psico-)harmonia e Tio Nona a “psicoplítica».

 

A abordagem superficial (essas abordagens têm de ser necessariamente sempre superficiais, bem entendido) feita ao «capitalismo» recorda-me a postura de uma defensora radical desse sistema político, sistema político não estatista, mas do «laissez faire», em relação aos «capitalistas» em moda, acusando-os de «incapacidade e, ou, falta de vontade para batalharem no seu devido lugar»: nos seus princípios morais e filosóficos.

 

Assim, reprovado de um lado e de outro, o “neoliberalismo, enquanto forma de mutação do capitalismo” só se mantém e desenvolve graças a «sociedades de idiotas» e «ingénuos úteis».

 

O Homem, o cidadão, o eleitor não se dão conta de serem o principal recurso dos neo –estafadores da sua vida   - aceita, conforma-se, resigna-se «idiotamente» ser considerado simplesmente como um factor de produção menos significante que a terra, os bosques, as minas.

 

As “Merkel” e os “Schäuble”; os “JP Morgan, Goldman Sachs y Morgan Stanley”; os “Ulrich”, “Belmiro”, «Burroso» e «sr. Silva» e o seu exército de lacaios “Gaspares», Pedrod e Paulos, para apontar os d’ao pé da porta, têm por objectivo eliminar o barco a vapor e restaurar a navegação com força dos escravos das galés.

 

Ah! Como é que por uma frincha de uma das portas do DOURO se espreita (e vê ou julga ver) a sala de penteado de Madame Christine Lagarde!

 

O conceito «idiota» começou, na Antiguidade Grega, por dizer respeito àqueles que «não se interessavam pela política».

 

Na Antiguidade Romana, às pessoas «sem educação ou ignorantes».

 

Modernamente, para além dos sinónimos conhecidos, idiota é também o paciente de uma enfermidade mental revelada nas deficiências das qualidades psíquicas e mentais.

 

Então, se avaliarmos a capacidade (ou o interesse ou a conveniência) de memória dos Portugueses, o título e o texto batem certo, certinho, certíssimo com a realidade que por cá se vive.

 

Assim, nem admira que Portugal esteja sob a «ditadura» da idiotice!

..-

“….aquilo que digo e o que tio Nona diz ninguém lê”, remata o seu «Discurso».

 

Bem, pelo menos leu-o o impertinente que escreve este comentário.

 

E com mais uma impertinência, deixe-me recordar, para seu consolo, espero, Bárbara Tuchman:

 

- “Ler, como escrever, é o maior dom com que o homem se dotou, por meio do qual podemos realizar viagens ilimitadas.

 

Ler possui uma sedução interminável.

 

Escrever é um acto de criação”.

 

Para o seu «Discurso» saltou-me de imediato o título cunhado por Phineas Barnum: - «A cada minuto nasce um idiota», ou «Os trouxas nunca terão fim»!

.-.

Tio NONA, dei bem conta do seu “Recado”, de Julho.

 

Não lho disse logo porque hesitei entre um discurso longo ou breve.

 

E como para bom entendedor….! Atalhei a minha mensagem escrevendo um “Pitigrama” (uma folha curtinha). Não o enviei, mas guardei-o.

 

Agora que apanho o seu poiso e aproveito a conversa com o sobrinho, e(i)ntrometo-me, com sua licença.

…….-

 

“Do Castelo de Monforte de Rio Livre

ao

“Miradouro de S. Silvestre, do Tio Nona”

 

Da “Fonte Nova” para Vila Real, e de lá e daqui, para a Régua e para a Rede fiz inúmeras viagens no saudoso “comboio da Saudade”!

 

A pé, de carro ou de «caminete», de Vila Real para a Régua, por Santa Marta de Penaguião, Cumieira e Lobrigos, ou por Folhadela, Nogueira e Alvações do Corgo.

 

Na Rede subia para uma «caminete” de nariz comprido, que se arrastava a subir por uma enorme em ladeira empinada em forma de enorme curva apertada, até chegar ao Largo das “Portas do Douro”, em Mesão Frio, onde hoje estão sem «freguesia» os santos e santas locais!

 

Saudades (também) tenho eu do fabuloso, e famoso, “Rancho de Barqueiros”!

 

Aqui, em Mesão Frio, as uvas eram saborosas; as cerejas, deliciosas; a caça, farta; o cabrito assado no forno, uma preciosidade; o Verão, quente, e o Inverno, gelado.

 

E a amizade, um aconchego!

 

Do Douro gosta-se, gosta-se imenso! Fica-se encantado e enamorado por toda a vida, mesmo sem nunca o ter visitado: basta ouvir falar dele!

 

Se lá se vai!.....

 

Nenhuma bebida é mais distinta e mais celebrada do que a preparada com as suas uvas: o “Vinho do Porto”!

 

(Numa vindima, no DOURO,   -   há que tempos!   -   celebrada com Missa Solene, colhi uvas selecionadas para o vinho da Eucaristia celebrada pelo Papa de então!).

 

Ela é a única que confere uma dignidade divina a uma cerimónia: O (um) “Porto de Honra”!

 

Ah! Mas mais celestial é para mim o “Vinho Fino”!

 

E se mais não houver quem esteja de acordo comigo, basta-me o testemunho do meu amigo Zeus!

 

O Douro não é só o Vinho!

Ou só o Rio!

Ou só a paisagem!

Ou só os «barcos rabelos»!

Ou só as cachoeiras!

Ou só as «amendoeiras em flor»!

Ou só os figos e as laranjas!

Ou só as Barragens!

Tem (tinha) uma Linha de comboio!

- Maravilhosa!

Tem a Galafura e o Monte Raso!

- Deslumbrantes!

Tem a Vilarinho de Freires!

-Encantadora!

E Panóias!

- Histórica!

…E o “cabrito da Repentina”!!!

 

M., 27 de Julho de 2015

Romeiro de Alcácer

Luís Henrique Fernandes

..-…

Caros Tio NONA e sobrinho, o atrevimento deste comentário tendes mesmo de desculpá-lo.

Em baixo, digo-vos por quê, num dos meus «Pitigramas»:

--.-

 

“Peidinhos vocais”

 

 

Visito Blogues de diversas «raças».

 

Claro que alguns com mais afeição, não fossem eles os da NOSSA TERRA!

 

Nos «alcoviteiros» e nos «politiqueiros», abundantes na Blogosfera, não faltam comentários acerca dos temas, dos “protemas”, dos «sistemas» e de quaisquer «merdemas».

 

Nos da NOSSA TERRA, e reparando nas “centenas de milhar” ou, até, nos «milhões» de visitas, à mostra no «marcador», nas caixas de comentários …«níqueles»! É raro um dito (ou um escrito!) de quem os visita!

 

Ah! Mas no Facebook, por qualquer «criquice» (ou merdice!) não falta o aproveitamento da oportunidade para qualquer um fazer o papel de «delicadinho», senhor de imenso catálogo de salamalequices, elefântica memória, enciclopédicos conhecimentos, «surrealista» arte de artes e ofícios, enfim, por qualquer «criquice» (ou merdice!) não falta o aproveitamento da oportunidade para manifestarem a capacidade de disparar uns «peidinhos vocais» do paiol das sua vaidadezinha, das suas «peneiras», do seu «Egozinho» maior que o Karakórum!

 

Ah! Claro, clarinho, que vai erguer-se, já, já, já, um estrondoso vozeirão contra o «mau-gosto» do título e do texto.

 

Pois é!

 

É que o «Gosto» e «Beijinhos», no Facebok, não estão sujeitos à «aprovação» do autor do Blog; aparecem imediatamente associados ao brilho da graxa dada … e facilmente recebem «gorjeta»!

M., 18 de Abril de 2015

Luís Henrique Fernandes

--.-

 

Parafraseando Schopenhauer: «Uma condição prévia para ler bons Post(ai)s, com «Discursos sobre a cidade», é frequentar o Blogue CHAVES - Olhares sobre a Cidade     -   a nossa vida é curta”!

 

M., 21 de Agosto de 2015

Luís Henrique Fernandes

publicado por Fer.Ribeiro às 01:38
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Segunda-feira, 24 de Agosto de 2015

Quem conta um ponto...

avatar-1ponto

 

253 - Pérolas e diamantes: a ignorância sincera e o conhecimento

 

Foi passeando com um amigo e observando alguns olhares que nos observavam, que me lembrei de uma passagem do livro de Svetlana Aleksievitch, O Fim do Homem Soviético, onde a autora explica que foi na cozinha russa (khruschoviana) onde se iniciou o declínio e a morte do sistema soviético, vulgo comunismo. “Ali nasciam ideias, projetos fantásticos. Contavam-se anedotas. As anedotas floresciam! Comunista era aquele que lia Marx, o anticomunista era aquele que o compreendia.”

 

A isto se reduziu um dos mais brilhantes sonhos políticos do século XX: à anedota. Pelos vistos, a política vale pouco a pena. Os políticos, todos eles, ou quase todos, não são merecedores do nosso respeito e muito menos da nossa atenção.

 

No entanto eu penso que existe ainda alguma réstia de esperança. Pequena, é certo, mas, apesar desse trilho estreito, talvez ainda valha a pena não desistir de toda a política e de todos os políticos.

 

Tal como Vladimir Nabokov, “nada me aborrece tanto como os romances policiais e a literatura de intenções sociais”, e, acrescento eu, os políticos do “centrão" partidário português: Passos Coelho, Paulo Portas e António Costa.

 

Os três fazem-me lembrar um aluno citado por Nabokov, no livro Opiniões Fortes, que, ao ler um romance, gosta de saltar passagens “para fazer a sua própria ideia do livro, e não ser influenciado pelo autor”.

 

Continuando a citar Nabokov, igualmente “os meus desejos são modestos. Os retratos dos chefes de governo não devem exceder em tamanho um selo dos correios”.

 

“Para ser franco – e o que vou dizer agora é uma coisa que nunca disse antes, e espero que provoque um arrepiozinho salutar – sei mais do que posso exprimir em palavras, e o pouco que posso exprimir não teria sido expresso se não soubesse mais.”

 

A citação é inteiramente dedicada a todos os estimados leitores que gostam de fazer inferências. Esta e a que vou incluir no fim deste artigo.

 

É a modos como uma pequena homenagem que vos presto, já que não posso oferecer medalhas pela vossa persistente e zelosa leitura.

 

Mas voltemos à política e aos políticos. Aos do “centrão”, claro está. Aos outros que Deus os ajude e a mim não me desampare.

 

Rui Machete, um homem do PSD que anda na política vai para quarenta anos, e que o dizem ministro deste governo, afirmou que “não se reforma o Estado apenas fazendo fusões entre instituições”. É caso para perguntar o que andou este senhor a fazer durante perto de 40 anos à frente dos destinos da pátria. Ele e os eus companheiros de partido.

 

Em editorial, o Público diz que entre outros aspetos relevantes, o PS impôs um “compromisso ético” aos seus candidatos, proibindo o lobbying e a participação em “negócios do Estado”. É caso para perguntar se o PS não estará à beira da extinção. E porquê?, perguntará quem nos lê. Pois façam os prezados leitores as respetivas inferências, pois desta vez é por aí que estamos a caminhar.

 

Em pleno período estival, e também eleitoral, Marco Paulo está de volta com um videoclipe gravado em Kaxaça, no Montijo. Será para mais uma vez lembrar aos portugueses que devem continuar a votar nos seus dois amores PSD/PS? Espero bem que não, pois esse amor já deu o que tinha a dar: pré-bancarrota e austeridade.

 

Até ao dia das eleições, estou em crer que não faltarão trocas de acusações entre os dois líderes do PSD e do PS, que cada vez mais nos fazem lembrar a dupla de polícias do Tintim, Dupont e Dupont.

 

Só que desta vez à sua volta estão os denominados pequenos partidos que poderão, e deverão, penso eu, ter um papel fundamental na constituição do futuro governo, pois ao que tudo indica, nem a coligação nem o PS obterão maioria absoluta.

 

Estamos em crer que mesmo na penumbra, e sem tanto protagonismo mediático, os pequenos partidos, sobretudo o PDR de Marinho Pinto, poderão vir a ser os grandes vencedores das próximas eleições.

 

Volto de novo À Vida e Opiniões de Tristam Shandy, de que tanto gosto, sendo que, o papel do tio Toby deve ser reconhecido como “o bom povo português que vota de olhos fechados nos de sempre”.

 

“– Entendeis vós a teoria desta matéria (infinidade, presciência, liberdade, necessidade)? – Inquiriu o meu pai.

– Eu não, disse o meu tio.

– Mas tendes vós alguma ideia, insistiu o meu pai, daquilo de que estais a falar?

– Não mais do que o meu cavalo, respondeu o meu tio Toby.

– Santo Deus! – Exclamou o meu pai, olhando para cima, e unindo as duas mãos, – há tal valor nessa vossa ignorância sincera, irmão Toby, que seria quase uma pena trocá-la por conhecimento.”

 

João Madureira

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
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De regresso à cidade - silhuetas com marca Chaves

1600-(43923)

 

1600-(43900)

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 03:19
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Domingo, 23 de Agosto de 2015

Seara Velha - Chaves - Portugal

1600-seara-velha (805)

Hoje fazemos uma breve passagem por Seara Velha, com três olhares, um deles para memória futura, pois tanto quanto sei a construção foi recuperada recentemente, mas também é essa uma das funções da fotografia, a de congelar momentos para mais tarde recordar, para documentar, contribuir para a nossa história.

1600-seara-velha (814)

As outras duas imagens fazem parte do património coletivo de um povo, neste caso do povo de Seara Velha – A igreja onde o povo se reúne na sua fé, batiza os seus filhos, celebra os seus casamentos e se despede dos seus entes queridos. Igreja(s) que se vão mantendo sempre iguais, sendo elas próprias um documento da história e das recordações de todos nós.

1600-seara-velha (813)

Por último a imagem do forno do povo onde se fazia e ainda vai fazendo o pão de todos os dias, mas também as iguarias das festas, batizados e casamentos, mas também um local de encontros, de noites diferentes e pela certa também de muitas estórias.

 

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 05:01
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Pecados e picardias

pecados e picardias copy

A taverna 

A Bertinha silenciosa
Do seu recanto estratégico
Levantou-se corajosa
Pensativa no seu corpo enérgico
 
Saiu devagar cautelosa
Regressou ao quarto
Deitou-se ansiosa
Pra pensar num facto
Que a deixara furiosa
 
Como podia, como se atrevera
Transformar a taverna
Em bordel
Não o preocupava ofendê-la
Mas ia tê-la à perna
 
Não percebia o interesse
Do homem ausente
Ainda que… bebesse…
Que conduta aberrante
 
Porquê o interesse
Pelas duas mulheres
Nada que a convencesse
Serem só prazeres…
 
Mas o marido …
Descarado com a amante
Havia de o ver traído
Da forma mais mutilante
 
Não conseguia dormir
Mesmo a pensar no trabalho
A chorar conseguiu sorrir
Não era carta fora do baralho
 
Amanhã um novo dia
Decerto digno de ser vivido
As perdas são da agonia
Duras passam pela nostalgia
Quando se é mesmo preterido
 
Sentiu-o cauteloso
Em bicos de pés
Qual Fugitivo silencioso
Nem sabes quem és…
Ambos a tentar dormir
Ambos a tentar fingir…
Que não estiveram a fugir

 

Isabel Seixas

 

 

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 02:27
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