12 anos
Terça-feira, 21 de Fevereiro de 2017

3 do Entroido galego de Verin

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  Ele aí está na rua, o entroido galego de Verin, com algumas imagens do Domingo Corredoiro em que os cigarrons saiem à rua pela primeira vez.

 

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Cigarróns e aspirantes a cigarróns, já são às centenas nas ruas de Verin.

 

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Para já ficam três imagens, mas durante a semana iremos deixar aqui mais umas tantinhas.

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:13
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Chaves D'Aurora

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  1. GRANDE MILAGRE.

 

Era um dia chuvoso e nublado, quando ocorreu, então, conforme a narração de alguns espetadores, o milagre prometido: “O Sol apareceu por entre as nuvens, como um grande disco prateado de brilhante fulgor e logo começou a girar, de modo rápido e vertiginoso. Parou por algum tempo e recomeçou a girar velozmente sobre si mesmo, como se fosse uma imensa bola incandescente, de bordos avermelhados, a espalhar pelo céu chamas de fogo em um inacreditável redemoinho, refletindo-se a luz dessas chamas nas árvores, nos objetos e nas faces de todos os que assistiam. Nesse fenómeno, que durou cerca de 10 minutos, o Sol girou loucamente e a multidão de fiéis, apavorada, pedia aos Céus o perdão e a misericórdia pelos seus pecados”.

 

Segundo a notícia que se espalhou por toda parte, o evento teria sido visto, com grande espanto, por toda a multidão presente ao local.

 

 

Aos primeiros rumores provindos de Fátima, a Igreja Católica, do ponto de vista institucional (bispos, cardeais e o Papa) comportou-se com muita cautela a analisar os factos, tal como sempre ocorre quando se noticiam essas histórias de aparições e milagres, pelo mundo afora. Antes de se divulgarem pelos jornais, entretanto, as novas já corriam de aldeia em aldeia, com a devoção a se espalhar entre os párocos e os fiéis, até chegar aos mais longínquos rincões de Portugal. Por aqui, por ali, por acolá, alguns aldeães já começavam a mencionar as curas de pequenos males, graças às orações e súplicas à Senhora de Fátima. Em brevíssimo tempo, a novidade viria a se propagar em todo o mundo católico, até mesmo nos países onde predominavam outras religiões.

 

Ao ver, portanto, a nova devoção cair no gosto popular, a Igreja passou a assimilar tal prática e a incentivar os cultos, do modo que fosse mais favorável à manutenção da fé católica, apostólica, romana. Em 1931, o Episcopado Português faria a solene consagração do país a Nossa Senhora do Rosário de Fátima.

 

Como tantos outros carolas flavienses, tão logo se confirmaram as notícias dessa aparição, os Bernardes se reuniram em torno de seu patriarca e se dirigiram à Igreja Matriz, para dedilhar os rosários e unirem suas vozes ao coro das beatas – Creio em Deus Pai... Ave-maria, cheia de graça!... Pai-nosso que estais no Céu... Salve-rainha, Mãe de Misericórdia... –  e se uniram também aos mais da parentela, em um consensual revezamento de anfitriões, para rezarem juntos o rosário da Virgem.

 

A imaginação dos campesinos portugueses, então quase todos analfabetos, misturada à dos párocos das aldeias em seus púlpitos dominicais, fez crescer por toda parte o volume de orações e penitências, ante o temor de um Apocalipse próximo a chegar. De menos a mais e de pouco a muito, já isso bastara para deixar, aflitas e apavoradas, as mulheres da Quinta Grão Pará.

 

No entremeio, ao que mais Aurita pensava, o tempo todo, era no Inferno. Punha-se a recordar aquele retábulo aterrador de sua infância, exposto à sacristia na Igreja da Misericórdia, diante do qual fora torturada, junto com os irmãos, por um cura de olhos terríveis e mãos ameaçadoras. Essa purgação infernal, aliás, era um pretexto a mais para que Aldenora se aproveitasse dos ditos para os aludidos a Hernando. Aprazia-lhe descrever à pobre Aurora como o pecaminoso rapaz estaria entre os primeiros a arder no fogo de Satanás. Por motivos que, a si própria, dizia serem apenas piedosos, Aurita corria a rezar pela alma do cigano.

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:19
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Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 2017

Quem conta um ponto...

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329 - Pérolas e diamantes: Donald Trump é kitsch

 

Oiço Marine Le Pen falar e tenho uma sensação de déjà vu. A senhora, dizem, é de extrema-direita. É contra o euro, a união europeia e a NATO. Exatamente o mesmo discurso do PCP e do BE em Portugal que, dizem, é a extrema-esquerda portuguesa, partindo do princípio, claro está, de que o PS é a esquerda, ou é de esquerda, ou é socialista, já que partido é-o de facto, com as vantagens que todos lhe reconhecemos, sobretudo para os seus dirigentes e apaniguados

 

Ao que tudo indica estão-se a trocar os nomes e os níveis semânticos mais populares da política. A esquerda parece uma nova direita e a direita encaminha-se, já não para o centro, mas diretamente para a esquerda. Talvez tenha sido por isso que, nos EUA, Donald Trump conquistou os votos dos operários da indústria do rust belt (cintura da ferrugem). Também ele é contra a NATO, a União Europeia e o euro. Ou seja, defende os mesmos princípios teóricos de Jerónimo de Sousa, Catarina Martins, Marine Le Pen e de Nigel Farage.

 

Em França, o direitista Fillon, foi apanhado por, enquanto deputado, ter criado um emprego fictício para a mulher, Penelope Fillon, e para dois dos filhos, o que lhes permitiu receber centenas de milhares de euros de fundos parlamentares. O centrista Emmanuel Macron foi quem mais beneficiou com a escandaleira. Dizem as sondagens que pode ser ele o próximo presidente francês, isto se a putativa “frente republicana” se unir contra a extrema-direita de Le Pen.

 

Numa coisa Emmanuel tem razão: “Alguns políticos fingem falar em nome do povo, mas são apenas ventríloquos.”

 

Também Angela Merkel se vê atrapalhada nas sondagens, já que pela primeira vez uma delas colocou a chanceler alemã atrás do social-democrata Martin Schulz. 

 

É tudo uma questão de imparidades. Por causa delas, os bancos registam todos os anos centenas de milhões de euros de perdas em créditos concedidos. Assumem agora que essas dívidas são incobráveis. A destruição de valor é gigantesca. Desde 2008, ultrapassa os 40 mil milhões de euros. Uns não pagam porque foram à falência, outros safam-se porque as garantias que deram não são executáveis. 

 

Joe Berardo, esse génio dos negócios e altruísta da arte, por exemplo, pediu mil milhões de euros à Caixa, ao BES e ao BCP para comprar ações. Deu na altura como garantia outras ações que valiam, dizem os analistas financeiros, cerca de 5 euros. A dívida de milhões da Ongoing aos bancos já citados foi dada também como praticamente perdida. A Lone Star, candidata à compra do Novo Banco, também já veio dizer que o crédito concedido ao construtor civil José Guilherme (o tal senhor que ofereceu um presente de 14 milhões de euros a Ricardo Salgado) está perdido.

 

Como se isto fosse pouco caiu-nos em cima a eleição do inenarrável Trump. O escritor Paul Auster considera que, por causa disso, o futuro da América está em risco. E põe o dedo na ferida: “Apesar das belezas da Constituição Americana, os EUA é um país fundado em dois enormes crimes: o genocídio dos indígenas e a escravatura durante 350 anos. É obsceno!”

 

No seu país, diz Auster, “ninguém quer saber de intelectuais ou escritores. As únicas figuras públicas que as pessoas gostam de ouvir são os atores de cinema”, e, digo eu, os demagogos do kitsch.

 

Eu explico. Kitsch, é uma espécie de ideia artística que envolve a falsificação da verdadeira arte, ou, então, o seu rebaixamento sensacionalista. Pretende tornar aceitável tudo aquilo que, na existência humana, é intolerável e se esconde atrás de uma fachada de sentimentalismo barato, beleza enganadora e virtude aparente.

 

Kitsch, defende Javier Cercas, “é uma mentira narcisista que esconde a verdade do horror e da morte”. Da mesma forma que “o kitsch estético é uma mentira estética – uma arte que, na realidade, é uma arte falsa –, o kitsch histórico é uma mentira histórica – uma história que, na realidade, é uma falsa história.”

 

Trump pertence ao kitsch político, porque é um embuste político, uma realidade adulterada e fabricada, uma mentira estética, uma história falsa.

 

Tudo isso é Trump. Donald Trump é tudo isso e, se calhar, até é um pouco mais.

 

PS - Peço que, se vos for possível, me desculpem estes apartes aparentemente insubstanciais. Mas eu não me pretendo esconder atrás dessa perspetiva cobardolas de não escrever o que me sai da alma, para, em troca, escrevinhar aquilo que acham que devo escrever para agradar aos críticos, aos falsos amigos e aos néscios oficiosos.

 

João Madureira

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publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
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De regresso à cidade - Rua Direita

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:02
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Domingo, 19 de Fevereiro de 2017

O Barroso aqui tão perto... Corva

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Hoje vamos até Corva, mais uma aldeia da freguesia de Salto, do concelho de Montalegre.

 

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Depois de já ter percorrido todas as aldeias da freguesia de Salto e de algumas já terem passado aqui pelo blog, na caracterização da aldeia quase me apetecia dizer: Corva segue as características das restantes aldeias da freguesia. O que é verdade e talvez por isso, para além do território onde se insere, pertença à freguesia de Salto.

 

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Mas o que é que se pode entender por segue as mesmas características? – Pois, resumindo, é muito simples. É o Barroso onde a terra é fértil, a água abundante, o verde das pastagens predomina a par de alguma floresta autóctone,  numa notória transição para a paisagem minhota. Terras altas, na ordem dos 800 aos 1000 metros de altitude. Outrora terras de minas, hoje com a maioria da população a dedicar-se à agricultura e criação de gado, onde os bovinos fazem jus ao nome da raça – barrosã, aliás, dentro de todo o Barroso, é na freguesia de Salto que a raça barrosã abunda, ao contrário do restante Barroso onde esta raça é raro aparecer.

 

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Mas sejamos mais concretos em relação a Corva e passemos à sua localização, que para iniciar, tal como já o afirmámos, pertence à freguesia de Salto, distando desta localidade pouco mais de 1 quilómetro, localizando-se a SW da mesma. Em linha reta, fica a cerca de 30 quilómetros de Montalegre e apenas a cerca de 4 quilómetros do concelho de Vieira do Minho e a 3 do concelho de Cabeceiras de Basto. As suas coordenadas são: 41º 37’ 44,83”N e 7º 57’ 19,14”O, a rondar os 900 metros de altitude. Mas nem há como uma imagem de um mapa para melhor podermos localizar as localidades e como tal cá o habitual mapa com a localização da nossa aldeia de hoje.

 

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Nas pesquisas do costume pouco encontrei, apenas uma referência à Casa da Fonte, que aliás é assinalada em algumas placas turísticas da proximidade nas quais apurei que a Casa da Fonte é datada do século XVIII, foi construída por um pároco local, servindo de local de convívio entre padres até meados do século XIX, altura em que foi adquirida por um habitante de Corva, ex-emigrante no Brasil. Atualmente, a casa pertence ainda aos descendentes deste emigrante. É de facto uma casa que pelas suas características construtivas é digna de realce, construída em perpianho de granito à vista, com molduras em todos os vãos e remates salientes e cuidados das cornijas e cunhais, sobressaindo da construção uma imponente chaminé de uma beleza daquelas que já não se usam e que fazem jus à arte de cantaria.

 

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De salientar ainda que embora a Casa da Fonte seja a que mais se destaca na aldeia, há pelo menos mais três construções que também se destacam pelas suas dimensões e igualmente construídas em cantaria de granito.

 

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Mas voltando às minhas pesquisas, encontrei também um blog (referenciado no final do post) onde num artigo se faz a “História Breve Da Freguesia De Salto” onde há alguma informação preciosa, pelo menos em relação de dados de algumas aldeias, como Corva, onde ficámos a saber ser uma das aldeias mais antigas da freguesia e de certa importância, pelo menos a jugar pelos dados como os Censos da população de 1530, ordenado por D.João III, indica que Corva tinha 10 moradores ou fogos, quando na mesma data Salto tinha 14 e Reboreda tinha 21.

 

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No mesmo blog há ainda uma curiosidade a apontar e que tem a ver com «as aldeias “Dizimadas” – Madanelas, Casas da Lama da Póvoa, lugar de Oliveira, Cristelo da Seara» seguido do seguinte apontamento, que por outras razões hoje não nos é estranho: “As invasões de formigas e gafanhotos e as ameaças de lobos ou salteadores são invocadas para explicar o abandono de certos lugares: é impossível separar o real do lendário; por qualquer motivo (mortes, emigração), um povoado vai-se reduzindo, caindo as casas em ruínas, ficando apenas os velhos que não têm para onde ir, e com o falecimento dos últimos, de todo se extingue.”

 

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E bem gostávamos de dizer mais alguma coisa sobre a aldeia, como por exemplo a origem do topónimo e outros dados, mas não os sabemos e não queremos inventar. Também quanto ao topónimo, que às vezes nos aventurámos a mandar uns palpites, hoje não o vamos fazer, tudo pelos significados que são associados ao vocábulo que pessoalmente penso a aldeia de Corva nada ter a ver,  e pela certa o topónimo terá outra qualquer origem. Assim ficamo-nos por aqui em palavras, mas como quisemos pelo menos ser mais generosos em imagens, hoje apresentamos duas seguidas para caberem todas. Espero que gostem.   

 

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E no próximo domingo cá estaremos de novo com mais uma aldeia do Barroso, do concelho de Montalegre, que ainda não sabemos qual vai ser, mas uma será. E por agora é tudo e só resta mesmo deixar as habituais referências às nossas consultas e o link para as anteriores abordagens a terras e temas do Barroso.

 

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Sítios da WEB consultados:

 http://norteportugues.blogspot.pt/

 

Anteriores abordagens ao Barroso:

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Amial - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ameal-1484516

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Bagulhão - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bagulhao-1469670

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Cervos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cervos-1473196

Cortiço - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1490249

Donões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-donoes-1446125

Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619

Fírvidas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-firvidas-1466833

Frades do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-frades-do-1440288

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Lapela   - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

Meixide - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixide-1496229

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Paio Afonso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paio-afonso-1451464

Parafita: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-parafita-1443308

Paredes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-1448799

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Pomar da Rainha - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pomar-da-1415405

Ponteira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ponteira-1481696

Roteiro para um dia de visita – 1ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104214

Roteiro para um dia de visita – 2ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104590

Roteiro para um dia de visita – 3ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105061

Roteiro para um dia de visita – 4ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105355

Roteiro para um dia de visita – 5ª paragem, ou não! - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105510

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

Tabuadela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-tabuadela-1424376

Telhado - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-telhado-1403979

Travassos da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-travassos-1418417

Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

São Ane - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-ane-1461677

São Pedro - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-pedro-1411974

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

Vilaça - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilaca-1493232

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

Xertelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-xertelo-1458784

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:45
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Pecados e Picardias

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Contas de Merceeiro

 

Entristece-me sobremaneira o recrutamento de profissionais para a função pública quando trazem previamente a seriação feita por habilitação filho de, boa pessoa, filiação político-religiosa e de doutrinas, dos mais fortes de momento, ou seja dos que estão nos cargos: de governo, de instituições, municípios ou afins, exercendo funções em instituições públicas e ou, com estatuto de interesse público.

 

As leis de bases de forma singela mas não menos incongruente, vertem intenções de exercício da transparência e de facto há uma transparência tacitamente aceite, com uniformidade de critérios de seguidismo comum aos partidos que estão, ou vão assumir o poder, aliás a incursão da família partidária é um excelente preditor do exercício profissional assente em carneirismo e subjugação aos lideres que se candidatam.

 

Perfilam-se estratégias de cada vez mais cada vez, jogos de batalha naval, onde se trocam torpedos, galhardetes do passado, para augurar futuros, sem discussão de metodologias alternativas e inovadoras de resolução de problemas ancestrais, mas cada vez mais reais da população.

 

Comecemos pela tão discutida sensibilidade estética que invade os discursos dos membros das quintas colunas e esplanadas e que sem dúvida conferem identidades  à cidade, e são mote elegível de programas eleitorais dada a sua importância cromática  e de visibilidade de feitos bem feitos,  endeusados, ou feitos malfeitos diabolizados, é um facto incontornável o glamour das cidades através da modernidade da sua aparência, do uso de maquilhagem de qualidade e de cirurgias estéticas de rejuvenescimento ou tentativa de embelezamento.

 

O protagonista estatisticamente vencedor por dar nas vistas,  é sem margem de dúvida estatística, o jardim das freiras onde desaguam todos os saudosismos, eu incluída, por uma configuração promotora dos passeios em círculo num retângulo ajardinado à mercê de um tempo volta pra trás, que mais não quer dizer que passamos à história, frustrados e sem deixar vagas no país para todos os nossos filhos a não ser os pródigos em ficar em casa por… serem capazes ou incapazes, porque sim, ou porque não conseguiram emigrar, ou não puderam…

 

Vêm por acréscimo as grandes obras, a catedral das emoções  de primeira união  o campo de futebol do desportivo de chaves, o museu de arte contemporânea , os balneários romanos ,grandes obras de catarse, de lazer e de alimento sensorial,SIMMMMMMMMMMMM, mas…

 

E o pão?

 

Exportamos  os jovens, o sangue novo, a força anímica que vai e nesse ir cava o vazio da nossa sepultura com epitáfios de constante adeus e até ,aos poucos momentos, que são agora os grandes momentos e A  Gostos  atuais da família e amigos, exportamos daqui da terra trabalhadores jovens e licenciados, agora mais licenciados em Enfermagem cuja indústria de grandes feitos, feitos em  fábricas e oficinas escola e instituições de saúde de grande qualidade, são, grandes cabeças em corpos ainda jovens para a europa, que lhes permite a liberdade da autodeterminação e do preço do trabalho que lhes permite comprar a paz , o pão, a saúde, a habitação e a cultura das viagens e do conhecer ao vivo e a cores, mas que lhes penhora a juventude e a vida em família e não vai sair barato .

 

Pelas minhas contas,

Os meus pais deram-nos à terra

Já nós…

Contas de merceeiro…

 

Isabel seixas

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 21:44
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Sábado, 18 de Fevereiro de 2017

Agrela - Chaves - Portugal

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Nesta nova ronda pelas aldeias vamos seguindo a regra de seguir a ordem alfabética pelo que, a seguir a Agostém que esteve aqui no último fim de semana, vem a Agrela, aldeia da raia seca, com a Galiza ali ao lado.

 

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Nesta imagem da vista geral da aldeia, à esquerda e a cerca de 2 quilómetros, fica a raia seca com a Galiza e logo a seguir, mais 1,5 quilómetros, temos a sua congénere  galega, Bousés. Suponho que era com esta aldeia que no tempo das fronteiras e da Guarda-Fiscal, se faziam os negócios de contrabando. Ainda nesta imagem, a primeira montanha a seguir à aldeia ainda é portuguesa e logo a seguir temos a antiga aldeia promíscua do Cambedo que até 1864 era dividida a meio pela fronteira, mas hoje administrativamente portuguesa na sua totalidade. As serras cobertas de neve, que servem de fundo à imagem, essas sim já são bem galegas e entre a primeira montanha nossa e essas serras nevadas existem muitas localidades galegas, entre as quais Verin e Monterrei, duas das mais importantes da proximidade, a primeira pela sua dimensão e a segunda pelo Castelo.

 

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Raia seca e aldeias de ambos os lados  que sempre tiveram uma relação muito próxima, com muitas estórias e história para contar e por contar. Um projeto adiando deste blog que esperamos um dia retomar para contar algumas dessas estórias e também fazer alguma história. Para já e durante cento e tal semanas, tantas quantas as nossas aldeias, continuaremos a trazer aqui todos os sábados pelo menos três imagens (uma a cores, uma a p&b e outra em arte digital).

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:18
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Pedra de Toque

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Coro Misto da Universidade de Coimbra



Nas férias da Páscoa de 1964, o Coro Misto da Universidade de Coimbra, efectuou uma digressão pelo norte do país e realizou um sarau em Chaves, no velho e saudoso Cine-teatro.

Para além da exibição coral, o Coro apresentou também o seu grupo de fados de Coimbra, cuja estrela era o jovem Bernardino, a quem carinhosamente tratávamos por Berna,e que mais tarde veio a fazer grande sucesso na Lusa Atenas.

O espectáculo foi um êxito.
Havia dois flavienses no grupo, eu e o meu estimadíssimo colega e grande amigo, Dr. António José Gomes Teles Grilo.

Fomos recebidos com a reconhecida hospitalidade flaviense.

Os colegas adoraram "a cidade linda" e na partida levaram saudade.

Após a récita, fomos brindados com um beberete e um bailarico nos espaços do antigo Duque de Bragança, festa que a comissão de antigos estudantes de Coimbra, que organizou a recepção, nos ofereceu.

 

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Na foto que posto, tirada na dita festinha, estou acompanhado de uma bonita colega, de quem fiquei muito amigo, e por um ilustre flaviense, na altura "jovem", com pouco mais de quarenta anos.


Reconhecem-no?



Foi tudo no tempo em que tínhamos muito orgulho na nossa cidade milenar.



António Roque

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:39
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Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2017

O factor Humano

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10 contos de reis, sem notas - 2

 

" Se hoje soubesse"

 

" A doença não tinha evoluído bem. Situação grave, irresolúvel, com desfecho iminente. Ele sabia-o e por isso a necessidade de falar, de contar, de assumir, no seu sotaque alentejano. Com a serenidade de quem dominou o medo , de quem percebeu a morte e a reduziu à vida.

 

Há muitos anos tinha trabalhado no estrangeiro, longas e difíceis ausências. Viagens infinitas de camião, nele dormindo, solitário. Comer o possível, cozinhados rápidos, enlatados, sandes. Ao contrário de tantos, resistia ao assédio das mulheres, fascinadas por uns olhos de um azul denso e profundo, que olhavam para o fundo dos outros que os miravam, transmitindo sempre uma bondade profunda e serena.

 

Gostava da sua mulher, ainda mais dos seus filhos e sofria com as distâncias que o trabalho lhe impunha. Fazia tudo por eles e assim lhes foi proporcionando uma vida confortável, com a ajuda do magro salário da mulher. " Tempos passados, difíceis" resumiu-me com dignidade.

 

1600-camiao.jpg

 

"Num dia de regresso, percebi que a minha mulher estava grávida. Ao princípio tentou ocultá-lo, depois baralhar as datas, de forma a ser verosímil que o filho fosse meu".

 

Mas era tudo por demais evidente. A sua curta estadia prévia, mal se tinham encontrado na cama. Dias sem fertilidade, dias sem felicidade. " Talvez ela já andasse embeiçada pelo outro".

 

O certo é que as vozes na aldeia eram implacáveis. Sorrisos de desdém, piadas, insultos sussurrados nas costas. Até uma carta anónima, com datas e lugares. A impiedade não conhece limites.

 

Um dia ela própria assumiu, em termos quase agressivos, a roçar a provocação. A seguir veio o choro e o arrependimento, a vitimização. Que ele também tinha culpas, que era bom demais e isso tornava tudo, para ela, mais difícil.

 

gravida-post.jpg

 

O outro tinha desaparecido para longe. Não queria saber de nada, nunca assumiu nada.

 

Foram dias pesados, a chacota da aldeia, a necessidade de proteger os filhos, as dificuldades na decisão. Nas suas análises prevalecia a pena, pela mulher, pelo bebé que ia nascer, pelos que tinham nascido.

 

"Sempre precisei de tempo para pensar, de dormir em cima dos problemas, de caminhar com eles, analisando-os e simplificando-os".

 

A decisão chegou então definitiva. Perdoou-lhe e perfilhou, nos papéis e também na alma, o menino que então nasceu.

 

"Com ela as coisas nunca mais foram as mesmas. Aliás já não o eram, muito antes disso".

 

Nesse momento resisti à tentação de lhe perguntar se o menino, agora já homem, sabia que não era seu filho biológico. E ele prosseguiu até ao fim " nunca soube realmente quem foi o homem que me enganou. Mas se hoje soubesse quem foi e conseguisse encontrá-lo, queria beijar-lhe os pés e agradecer-lhe pelo filho que me deu".

 

Ao contar olhava-me nos olhos, retirando-me as angústias que o seu estado produzia em mim: " Sabe doutor, agora que estou a morrer, os outros filhos estão longe, ausentes. Este está sempre comigo e cuida de mim. É o meu carinho e o meu conforto.

 

O menino compensou tudo."

 

 

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Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2017

Cidade de Chaves, uma imagem

1600(45298)

 

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Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2017

Pescadores do anoitecer

1600-(30659)

 

 

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Cartas ao Comendador

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Meu caro Comendador (12)

 

 

Começou ontem a ter corpo em mim, a ideia de escrever um livro, uma ideia sem qualquer propósito. Veja!

 

Os personagens viajam todos no mesmo comboio, mas em carruagens diferentes. Não se conhecem, pior do que isso, não se veem. De quando em quando deslocam-se à carruagem bar, onde se encontram, mas passam uns pelos outros sem se aperceberem uns dos outros, como se vivessem em diferentes níveis de realidade, paralelos entre si, mas não sobreponíveis nem interceptáveis.

 

O comboio não é expresso, tem várias paragens onde entram e saem novos passageiros. Varia neles tudo, o perfil, as roupas, a bagagem, as pessoas que os acompanham, os passados que carregam e os futuros em que acreditam. Têm diferentes esperanças, experiências de vida, intenções, sonhos, projectos e ambições. Há entre eles muitas coisas em comum, que não descobrem em toda a viagem, porque não comunicam entre si. O que uns sabem, serviria a outros se o soubessem e poder-lhes-ia até modificar para sempre o futuro ou o desenlace das suas vidas. Nunca o saberão. Importaria saber os motivos porque assim é, mas também nunca o saberemos.

 

Na carruagem bar, este cenário repete-se uma e outra vez, único ponto da vida em comum e única possibilidade de isso acontecer, passam de novo uns pelos outros como se lá não estivessem uns e outros em simultâneo. Nunca, por toda a sua vida, vai acontecer outra oportunidade destas, que desconhecem, por ignorância e atitude, ser também única. Em nenhum deles está presente a ânsia do conhecer e do saber. Limitam-se a passar uns pelos outros. E, embora sendo o destino o mesmo, saem aleatoriamente nas paragens e apeadeiros, que se sucedem no percurso deste comboio regional.

 

As crianças, mais atentas e pertencendo a uma realidade mais permeável, de vez em quando trocam olhares e sorrisos com os passageiros, mas a essas é-lhes permitido outro estatuto, embora não merecedor de qualquer interpretação. Ninguém repara nisto, ainda não são reconhecidas como seres humanos, capazes de alterar ou ditar o futuro. Andam todos à procura da mesma coisa ou de coisa nenhuma. Em muitos dos casos ficaria sem resposta a pergunta, se fosse feita, que não é!

 

Durante a viagem fazem as coisas mais díspares e insignificantes. Sem pôr nisto qualquer juízo de valor, fazem malha as mulheres, leem jornais os homens, brincam as crianças, dormem os gatos e permanecem atentos os cães. Qualquer alteração a esta normalidade é denunciada por um olhar dirigido por um vizinho, que reprime ou aprova o comportamento do outro. Por instinto, corrige-se. Parece viver-se ali uma sociedade anárquica onde, sem rei nem roque, as coisas acabam por fluir sem acontecer.

 

De súbito, interrompendo o que há de irreal em tudo isto, uma senhora intercepta o olhar de um jovem que não tira, desde o início da viagem, os olhos dela. Pensa, o que faço? Se não lhe interessasse ignorava-o, mas interessa-lhe. Devolve-lhe um sorriso, que ao jovem parece natural e espontâneo, mas que não é. Nada nas mulheres, mesmo nas jovens, é espontâneo. Foi pensado, refletido, intencional, há nele um qualquer propósito que desconhecemos. Em segundos, a senhora, também jovem, mediu com exactidão os prós e contras dessa atitude. Nos mesmos segundos, imaginou-se com ele no altar, levada pelo pai, escolheu até a cor das flores, viu a cara dos filhos que teria com ele, a partilhar uma vida ou, ao contrário, a ter um encontro ocasional sem consequências nenhumas, uma satisfaçao pontual de um desejo sexual provavelmente há muito tempo reprimido. Decidiu por este. O jovem que recebe o sorriso nunca saberá isto. Acredita na inocência das mulheres com a mesma naturalidade e convicção com que acredita na das crianças, embora estejamos a falar ao mesmo tempo de anjos e demónios. Inversamente os termos na ordem dos sujeitos, se quisermos usar de rigor na escrita, aplicando-os em correspondência. Pormenores que qualquer um entende.

 

O jovem pensa de si para si, que teria sorte se saíssem os dois do comboio na mesma paragem, sem perceber que esse seria o grande azar da vida dele. E anseia por isso, mas não sabe como o vai saber nem o que o espera. Apela para que o destino interceda por ele, longe de acreditar ou perceber que quem vai interceder contra ele é a jovem senhora, que em segundos, os mesmos de há pouco,  já decidiu que ele não vai ser o homem que a espera no altar, mas ao contrário, que o vai fazer sofrer, desprezando-o, depois de tirar dele o que quer. E não quer grande coisa, uma noite bem passada, onde o carinho e o romantismo o vai deixar a ele confundir-se com amor à primeira vista, sem da parte dela haver qualquer paixão.

 

O jovem não estabelece a relação, não percebe nem intui que a sua atitude de se levantar na paragem do seu destino, condicionou a saída da jovem senhora, que não tem destino nenhum, a sair exactamente na mesma e acha aquilo uma feliz coincidência, bastante pior do que isso, acha que Deus ouviu as suas preces.

 

Já percebeu não já? A intenção ou propósito que não existia de início, começou com o desenrolar da história a ter um fim. Neste preciso caso, concreto. A gratuidade da vida, que por ironia só temos uma, a determinar o que devia ser uma opção nossa! Muito pior, a dissimular que foi opção nossa, quando na verdade nos arrastou para ela!

 

O senhor acha que é assim que se escrevem os livros, grande parte deles e que se vivem as vidas, a maioria delas ou que no seu começo há verdadeiramente um objectivo ou um propósito bem definido? Assusta-o isso ou aceita bem que assim seja? O aleatório não o perturba? Nem mesmo quando tem poder efectivo?

 

Pergunto-lhe, se no dia em que o romancista escreveu o primeiro capítulo tivesse acordado só no dia seguinte, teria escrito o mesmo?

 

Claro que sim, sempre!

 

Do seu

 

José Francisco

 

 

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Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2017

Cidade de Chaves, um olhar

1600-(29061)

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:38
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Chaves D'Aurora

1600-chavesdaurora

 

  1. SENHORA DA IRIA.

 

As primeiras notícias da aparição da Virgem, aos 13 de maio do ano de 1917, na aldeia de Fátima, freguesia de Aljustrel, Concelho de Ourém, pelos pastorinhos Lúcia (10 anos) e seus primos Francisco (9) e Jacinta (7), foram trazidas aos Bernardes, de pronto e bem frescas, pela sempre linguareira Zefa de Pitões. Soube-se então que os miúdos, quando apascentavam um pequeno rebanho no lugar chamado Cova da Iria, detiveram-se para rezar o rosário e disseram ter visto, sobre uma pequena azinheira, “uma senhora mais brilhante que o Sol, com uma voz dulcíssima, aparentando não mais do que uns 18 anos de idade”.

 

Seu vestido, conforme consta de um folheto da época, publicado pelo Visconde de Montelo, “ (...) era de uma alvura puríssima de neve, assim como o manto orlado de ouro que lhe cobria a cabeça e a maior parte do corpo. O rosto (...) apresentava-se sereno e grave, como que toldado de uma leve sombra de tristeza. Das mãos, juntas à altura do peito, pendia-lhe, rematado por uma cruz de ouro, um lindo rosário, cujas contas brancas de arminho pareciam pérolas. De todo o seu vulto, circundado de um esplendor mais brilhante que o sol, irradiavam feixes de luz, especialmente do rosto, de uma formosura impossível de descrever, incomparavelmente superior a qualquer beleza humana”.

 

Com a Lúcia, assim dialogara a bela senhora – “Não tenhais medo. Não vos faço mal.” – “De onde é Vossemecê?” – “Sou do Céu” – e, a uma indagação sobre pessoas recém-falecidas – “A Maria das Neves já está no Céu e a Amélia estará no Purgatório até ao fim do mundo” – após o que disse aos pastorinhos que deveriam aprender a ler e, sempre aos dias 13 de cada um dos próximos cinco meses, retornar àquele mesmo local. Ali ela estaria a lhes falar, de novo, sobre muitos e importantes factos do mundo.

 

Como em todas as suas aparições posteriores, a Santa exortou os pastorinhos a “rezar sempre o terço, todos os dias, pelas almas dos pecadores, a paz no mundo e o fim da guerra”. Enfatizou a punição ou reparação dos pecadores, diante das “dores profundas que estes causavam a Ela e a Seu Filho, com suas ofensas, blasfémias e pecados”. A seguir, comunicou-lhes um segredo que não deveriam contar a ninguém. Seria o primeiro dos três famosos segredos, somente revelados, em três etapas, após 1941 (ou, para os céticos, apenas desmitificados, pelo menos no que tangia aos seus alardes apocalípticos e à exagerada importância).

 

No dia 13 de julho de 1917, a Senhora teria mostrado a Lúcia, sua única interlocutora, uma visão horrível do Inferno, “para onde vão as almas dos pobres pecadores”. De Sagres a Melgaço, multidões de devotos correram às igrejas para rezar, impregnados pelo intenso pavor do fogo infernal. Ante uma pergunta de Lúcia – “Que é que Vossemecê quer que se faça com o dinheiro que o povo deixa na Cova da Iria?” – a Virgem teria respondido – “Façam dois andores. Um, leva-o tu com a Jacinta e mais duas meninas, vestidas de branco; o outro, que o leve, Francisco com mais três

meninos. O dinheiro dos andores é para a festa de Nossa Senhora do Rosário; e o que sobrar é para a ajuda de uma capela, que vós m’a heis de mandar erguer.” A seguir, elevara-se aos céus e desaparecera.

 

Na manhã de 13 de agosto desse ano, soube-se que os miúdos foram sequestrados pelo administrador do Concelho de Ourém, o qual supunha que os segredos de Nossa Senhora se referiam a um acontecimento político que acabaria com a República, recém-instalada em Portugal. Como os pastorinhos nada revelassem, mesmo aprisionados e vítimas de uma forte pressão por parte do administrador, acabaram devolvidos às suas famílias. A aparição, nesse dia, teria sido em um sítio diverso do habitual.

 

Ao mês seguinte, setembro, com mais de 15 mil pessoas no local, a Virgem Maria mandara que continuassem a rezar o terço e prometera, para sua última aparição, em outubro, um milagre que faria “todos acreditarem no que os miúdos lhes estavam a contar”. Quanto aos sacrifícios que os três pastorinhos passaram a fazer, Ela teria dito – “Deus está contente, mas não quer que durmais com a corda” (um grosso cordão de penitência, cheio de nós incómodos e que as crianças usavam cingido aos rins). “Trazei-a só durante o dia.”

 

A 13 de outubro desse mesmo ano de 1917, a multidão que, em sua maior parte, acorrera já na véspera à Cova da Iria, perfazia umas 50 a 70 mil pessoas, quase todas a rezarem com seus terços de devoção, seus nonos de fé e os seus inteiros de ingénua credulidade. Consta que então, mais uma vez, a Virgem apareceu em sua áurea de luz e pediu que fizessem ali “uma capela em minha honra”. Disse que era “a Senhora do Rosário” e que “não ofendessem mais a Deus Nosso Senhor, que por certo já anda muito ofendido com os pecados da humanidade”.

 

Contaram os miúdos que “ela abriu suas mãos de alabastro e fez com que estas se refletissem no Sol, ao que após elevou-se e desapareceu no firmamento”. Em seguida, os pastorinhos teriam visto, ao lado do Sol e de Nossa Senhora, o Menino Jesus com São José que “traçavam, com as mãos, gestos em forma de cruz, a modo de estarem assim a abençoar o mundo”. Lúcia vira depois Nosso Senhor a caminho do Calvário, “também a estender gestos de bênçãos ao mundo”. A mais daí, aparecera Nossa Senhora das Dores. Por fim, uma terceira visão: Nossa Senhora do Carmo, com o Menino Jesus ao colo.

 

fim-de-post

 

 

 

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Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2017

Quem conta um ponto...

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328 - Pérolas e diamantes: entre o status quo e a ira de Deus

 

A politóloga argentina Pia Mancini defende que uma das causas da apatia das pessoas em relação à política está ligada ao sistema, pois hoje em dia a democracia representativa preocupa-se exclusivamente com as relações dentro da corporação. Deixou de se centrar na educação dos cidadãos sobre a participação, o debate e a tomada de decisões. Qualquer projeto de lei é inacessível para quem não for advogado, “outra elite que luta para manter o status quo”. 

 

Estamos tentados a pensar que quem manda verdadeiramente em Portugal, mais até do que as direções partidárias, são os lóbis constituídos e arregimentados pelos grandes escritórios de advogados sediados em Lisboa e que devem despachar o serviço em franca camaradagem com os principais ministérios.

 

Por isso é que triunfa o politicamente correto. José Rentes de Carvalho acha que se abateu A Ira de Deus sobre a Europa.

 

Numa entrevista à revista Sábado, refere que “não há espaço para todos na Europa”.

 

Na sua perspetiva, o politicamente correto vai ser a desgraça das sociedades ocidentais “porque é a negação de uma realidade e do espírito crítico, a busca de harmonias impossíveis, a exigência de nos pôr a todos a olhar para o mesmo lado, a marchar com o mesmo passo, a aceitar a mesma dieta sob pena de desagradarmos ao grupo”.

 

JRC não entra no caminho fácil da banalização do medo ao bárbaro ou do complexo de culpa do branco. Ele acha que o perigo está “nesta identificação ingénua com «os pobrezinhos», os infelizes, os deixados por conta no que já se pode chamar de Terceiro Mundo, por ser agora ofensivo”.

 

Parece que os bárbaros não demonstram lá “muito interesse pelo carinho que lhes querem dispensar, preferindo tomar nas mãos o próprio destino, segundo a sua religião e tradições, dispensando as modas de conduta vigentes em São Francisco, Berlim ou Amsterdão”.

 

Ou seja, os atentados na Europa estão a acabar com o politicamente correto. O Brexit e a ascensão dos partidos xenófobos e racistas são disso o sinal máximo. As pessoas estão cada dia mais intolerantes, quer seja em nome de Alá ou de Deus.

 

E é possível que a sacudidela que se aproxima não venha do lado da política, mas sim da economia. “A dura realidade da precisão de três refeições ao dia, o abrigo de um teto e roupa para vestir, não se condói com os sentimentos fictícios do Facebook.”

 

Não lhe parece que as populações estejam agora mais intolerantes. “Já o eram, mas dá ideia de que aos poucos irão deixando a apatia, descobrindo que de facto podem ter voto na matéria”.

 

O escritor português, radicado na Holanda, diz que observa sinais de que os muçulmanos e as multidões da África, que deixaram de ser pacíficas, definiram como objetivo colocar um ponto final na velha ordem ocidental. Por isso, “a Europa vai continuar a ser presa fácil do islão”.

 

De facto, aos muçulmanos sobra-lhes o que aos europeus falta: “Fé, orgulho no seu ideal, um sonho a realizar. A Europa aparenta ocupar-se mais com a superficialidade do dia a dia, as férias, o rock, o hedonismo, o que é de pouca valia como propósito na vida”.

 

Perguntaram-lhe se tem medo. Ele, lá do alto dos seus 86 anos respondeu que medo não tem, tem apenas tristeza, “porque num mundo em que parecem imensas as possibilidades de melhoria para todos, gastamos a vida e o tempo em inimizades, conflitos bárbaros, entretemo-nos com criancices”, fazendo passar a ilusão de que atualmente as pessoas não “envelhecem a caminho de alguma sabedoria”, evidenciando a tendência de retrocederem para o infantilismo.

 

Questionaram-no sobre a possibilidade de uma guerra de civilizações na Europa. Respondeu que se lho tivessem perguntado antes da guerra dos Balcãs (1991-2001), a sua resposta seria não. Hoje não arrisca previsões.

 

 João Madureira

 

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