12 anos
Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2017

Cartas ao Comendador

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Meu caro Comendador (8)

 

Reconheço hoje que estou num daqueles dias em que mais preciso de falar consigo, digo pessoalmente! Na impossibilidade disso, recorro a esta forma sempre eficaz, embora reconhecidamente egoísta, que assumo!

 

Nesta fase, de alguma forma tardia, da minha vida e provavelmente da sua, tenho a consciência da insignificância do ser humano no que respeita à integridade moral ou ao carácter ético! Aquelas coisas que aprendemos na Filosofia dos liceus, do ser humano ser um embrulho, pacote ou encomenda, que passa de uns para outros, segundo a Náusea de Sartre ou a interpretação que dessa obra fazia o meu professor de Psicologia, e da qual, interpretação, eu não duvidava porque tinha apenas 15 anos e nessa circunstância raramente se duvida da visão de um professor, reflito hoje! As pessoas são piores do que os animais e digo-lhe porquê: o leão se estiver bem alimentado não ataca, mas o ser humano ataca em qualquer circunstância, está na sua natureza! É certo que umas vezes o faz para se alimentar, mas outras, as mais das vezes, para estragar a comida que tem no prato!

 

Detenho-me hoje num sentimento que não queria, porque não sei, classificar: não próximo da vingança, mas não encontro melhor palavra! Há uns que veem nisso um sinónimo de justiça, outros sabedoria ou aprendizagem, outros educação, quando há transferência do sentimento e outros ainda, necessidade, voracidade, vício ou dependência!

 

O senhor conhece-me, sabe-me um visionário, independentemente do que isso signifique, já mo disse, um justiceiro, mas também um maníaco, isto sou eu que lho digo! Quando é que as pessoas deixam de identificar nos outros os seus próprios defeitos? Dizem: eu não gosto disto nas pessoas, mas são assim!

 

Eu continuo, como o senhor bem sabe, posto que me cedeu o lugar, numa das cadeiras da plateia ou de orquestra a assistir a tudo isto, e da forma como também me instruiu, a argumentar, a tentar perceber, a corrigir, a questionar, a acrescentar, a pôr em causa, a contrariar, a completar... e só porque o sei bem intencionado, nunca lhe levaria a mal ter-me cedido este lugar, se bem que todo o conflito da minha vida ande à volta disto! Bem ou mal, encaro o facto como tendo-me escolhido o senhor para seu discípulo e, porque o considero sumamente inteligente, só posso considerar-me, por esse facto, honrado, pese embora o infortúnio que sobre mim caiu ao assumir espontaneamente e deliberadamente esse papel!

 

Um dia falaremos dessa exacta função da qual me incutiu, de forma propositada, que eu sempre desempenhei o melhor que pude e soube porque percebi a excelência da escolha e nunca quis desiludi-lo! Nesse preciso dia, quando tiver a maturidade necessária que possa contrastar com a sua, talvez lhe possa falar do quão penosa foi esta tarefa, a qual só assumi e levei a cabo pela enorme consideração que por si tenho e que nunca, acredite que em circunstância alguma, eu o conseguiria desapontar. Ainda que para isso fosse necessário deixar de ser em parte quem sou! Acho que sabe, e se não digo-lho agora, que quando em mim depositam a confiança que o senhor depositou e eu tenho pela pessoa que o fez a sumíssima consideração como é o caso, eu virar-me-ia do avesso, faria o possível e o impossível para o não desiludir. Tenho aquilo a que se chama espírito de missão, sabendo que na base disso está a concordância de princípios, o respeito pela identidade e idoneidade de cada um, a liberdade de pensamento e de atitude que têm aqueles que a nada temem e a quem nada devem!

 

O senhor antes de me escolher para seu amigo sabia destas minhas características, ainda que nunca mo tivesse expressamente dito nem eu assumidamente reconhecido que o sabia. Havia entre nós, sempre houve, uma espécie de ligação empática, receio que a palavra exacta não exista, que nos permitiu sempre estar numa espécie de sintonia como se de uma música se tratasse: ouvíamos a mesma, embora não soubéssemos qual, isso nunca nos importou. Tinha a força do piano, o som dos violinos, nunca foi necessário dizer o nome das músicas que ouvíamos quando as decisões eram tomadas ou quando as reflexões eram propostas! Que diferença é que isso fazia? Ambos sabíamos que as conclusões a que chegaríamos estariam sempre muito além ou muito aquém do ponto de onde tínhamos partido.

 

Haveria possivelmente interpretações diferentes, algumas divergências, algumas disparidades, mas seriam, depois de bem vistas as coisas, apenas os dois lados da mesma moeda. Diferenças pontuais de linguagem, de caracterização, de nomenclatura, de sintaxe, de gramática, mas nunca nada que pusesse em causa a ideologia que partilhamos ou os conceitos básicos da vivência em sociedade!

 

Aproveito para lhe dizer que é esta uma das características que muito admiro em si: o não se desviar do seu caminho, de nenhuma das ideias que tem por fundamento de vida, por princípio a ser cumprido, por orientação a ser seguida e como arrisca tudo pela fidelidade a uma integridade que lhe é única. Admiro ainda nunca se sentir sozinho ou isolado nessa sua atitude, por mais opositores que haja à sua ideologia, às suas teorias e à sua decisão. Sempre essa sua postura me deu um ensinamento de segurança interior, mesmo quando isolado na multidão. Fez-me ver que a razão, a lógica e tantas outras coisas não são justificáveis por maioria ou quantidade, mas pela presença da essência delas em cada um de nós! E isto sim, eu venero acima de tudo: é sempre, no desequilíbrio entre o racional e o emotivo, o senhor decidir pelo inequívoco!

 

Despeço-me hoje com um humilde obrigado, por poder partilhar consigo, não o espaço, que seria precário, mas o tempo!

 

Um grande abraço do seu

 

José Francisco

 

 

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Terça-feira, 17 de Janeiro de 2017

Arquitetura Português Suave em Chaves

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Uma das formas de nos localizarmos no tempo ou épocas do passado é através da arquitetura. O estilo Estado Novo também conhecido por Português Suave, foi um dos modelos utilizados em Portugal nos edifícios públicos a partir dos anos 40 do século passado, prolongando-se pelos anos 50 e 60. A cidade de Chaves também tem alguns edifícios com a marca Português Suave, muito fáceis de identificar por ter (quase sempre) um estilo de arquitetura cuidada e interessante onde a cantaria se conciliava com os rebocos, e os edifícios, conforme os fins a que se destinavam, seguiam as mesmas características ao longo de Portugal, sem contudo serem um projeto tipo, mas muito próximo disso, ou melhor, iam-se adaptando conforme a sua localização. Edifícios destinados a tribunais, escolas primárias e secundárias (liceais e comerciais/industriais), caixas gerais de depósitos, correios/CTT, paços do concelho, etc.

 

Em Chaves, com a marca Português Suave,  temos a Caixa Geral de Depósitos (na foto de hoje), ao lado os Correios, o Tribunal, o Regimento de Infantaria, a maioria das escolas primárias do concelho e de Chaves (Caneiro, Estação, Stº Amaro), A Escola Dr. Júlio Martins, o Liceu e a Ponte Nova. Assim de repente são estes os que me ocorrem, mas é natural que tivessem escapado mais algum.

 

 

 

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Chaves D'Aurora

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  1. DIVERSÕES FORÂNEAS.

 

Apesar de Afonso ter um pouco mais de liberdade, não era de seu feitio ausentar-se muito de casa. Tinha apenas alguns amigos fiéis, aos quais lhe aprazia levar à Quinta – A rir das adivinhas da tua irmã – como diziam a sorrir. Estavam sempre a estudar, em equipa, as sebentas do Liceu, ou a assistir filmes novos no Cinematógrapho, ou, ainda, a ouvir os concertos da Banda de Infantaria 19, no Jardim Público.

 

Essa Banda costumava se apresentar no coreto do Jardim todos os domingos, a partir das 19 horas e sempre com um repertório diferente, que ensaiava durante toda a semana. O público gostava muito de suas execuções musicais, nas quais ofereciam peças como “Un jour de fête”, “Ouverture”, de Scweinsberg; “Un ballo in maschera”, de Verdi; “La Divina Comedia – Il Inferno”, de S.Fiorenzo; “Las Bribonas”, zarzuela de R. Callega; “Danse des Bachantes”, de Gounod; “Peer Gynt – Suite 1”, de Grieg; e mais algumas marchas e valsas. Falava-se tão bem da maestria desse conjunto, que a Banda dos Bombeiros Voluntários de Chaves, igualmente boa, jamais conseguia superá-la.

 

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Como já entrevimos, Florinda também saía pouco de casa e isso apenas eventualmente, em caso de obrigações sociais ou motivos de extrema necessidade. Uma dessas raras ocasiões era a de entregar seus dentes aos cuidados do doutor António Júlio Gomes, um dos poucos dentistas da vila e que costumava anunciar no jornal suas hábeis “extracções dentárias sem dor, obturações a cimento, ouro e platina, dentes e dentaduras artificiais com ou sem placa de ouro ou volcanite”.

 

Uma vez ou outra por mês, Mamã ia a um chá de senhoras ou a jantares de mera cortesia, à casa de pessoas de interesse comercial para o marido, como também, certamente, a visitas de retribuição aos parentes e amigos que tivessem ido à Quinta.

 

Apetecia-lhe mais essa última parte dos compromissos sociais. Em seu lar doce lar, esmerava-se na arte de bem servir e de bem receber. Apesar de não ser nativa da região, integrava o espírito de hospitalidade da qual nos fala o poeta Alexandre de Matos: “As terras de Trás-los-Montes / Inda que a vida vá torta / Todos encontram poisada! / Passante que bate à porta / E brade rijo: – ó da casa! – / Ouve de dentro: – lá vai… / Sente gente pôr-se a pé / Saltar do catre num ai / Ir acender a candeia / Ao fogo vivo da brasa / Alçar a barra da tranca / Abrir a porta com fé / E convidar, em voz cheia / Estremunhada, mas franca: / Faz favor… entre quem é…”

 

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Segunda-feira, 16 de Janeiro de 2017

Quem conta um ponto ...

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324 - Pérolas e diamantes: incarnar segundo as leis

 

Quando visitei pela primeira vez o museu Quai d’Orsay e observei um quadro de Vicent van Gogh senti-me como Po, o Panda do Kung Fu, quando entrou no átrio proibido onde está guardado o Rolo do Dragão, viu uma obra preciosa de pintura sacra e exclamou, com veneração, como não podia deixar de ser: “Nunca vi senão cópias desta pintura”, momento dignamente ascético e com uma referência à distinção da cópia e da cópia da cópia.

 

Reconheço que senti gozo e prazer, numa leitura freudiana, claro está. Isto fez-me lembrar a oposição entre os pelagianos (o pelagianismo foi um conceito teológico que negava o pecado original) e Agostinho de Hipona. Para os pelagianos, o gozo era em si mesmo uma coisa boa que podia ser mal usada, enquanto para Agostinho, o gozo era uma coisa má, mas que, no interior do casamento, podia ser bem usada.

 

Este mesmo dilema sentiram os militantes comunistas perante a atitude a tomar relativamente à “libertação sexual”, oscilando entre dois extremos: de um lado estavam os wilhelm-reichianos (pelagianos), que insistiam na capacidade libertadora da sexualidade livre e do outro situavam-se os marxistas-leninistas ascéticos (agostinianos), que zurziam na “sexualidade livre”, considerando-a como um fenómeno ilustrativo da decadência burguesa, tendo como propósito confundir o povo e desviar a sua energia dos objetivos revolucionários.

 

No fundo, um corpo limpo e roupas asseadas podem, apesar de tudo, esconder uma alma suja. Afinal o heroísmo e o erotismo podem fazer parte da perversão humana.

 

Em Gallipoli, Mustafa Kemal Ataturk disse às suas tropas: “Não vos dou ordem de lutar, dou-vos ordem de morrer. Enquanto morremos, outras tropas e outros comandantes poderão chegar e render-nos.”

 

Como diz Slavoj Zizek, o sacrifício do reagrupamento para a batalha decisiva “é a última tentação a que devemos resistir, a última máscara com que uma atitude não ética se disfarça como se fosse a própria ética”.

 

Marcuse bem nos avisou: “A liberdade é a condição da libertação”. Por outras palavras: “Se transformarmos a realidade tendo como objetivo realizarmos os nossos sonhos, sem transformarmos esses nossos sonhos, terminaremos, mais cedo ou mais tarde, por regressar à realidade anterior.”

 

Quando nos confrontam com as crianças que morrem de fome e nos dizem, por exemplo, que com o preço de dois cafés podemos salvar a vida de uma delas em África, a verdadeira mensagem é a de que pelo preço de duas bicas, cada um de nós pode continuar a levar a sua vida agradável e relativamente ignorante, não só livre de problemas de consciência, mas até consolado pela participação ativa na luta contra a fome.

 

No século IV, quando o cristianismo logrou impor-se como religião do Estado do Império Romano, Hilário, o bispo de Poitiers, avisou os seus congéneres: “O imperador não vos traz a liberdade pondo-vos na prisão, mas trata-vos com respeito no seu palácio e assim torna-vos seus escravos.”

 

E a radicalidade ainda torna as coisas mais complicadas. Durante a Revolução Cultural, os Guardas Vermelhos levaram tão a sério o apelo à auto-organização popular fora do enquadramento do Estado-Partido, que o Partido Comunista reagiu organizando os seus Guardas Escarlates, que pretendiam ser ainda mais vermelhos do que os Guardas Vermelhos, embora, evidentemente, ao serviço do Partido.

 

Em 2007, os órgãos de informação liberais do ocidente tiveram motivo para rir, pois a Administração dos Serviços Religiosos do Estado chinês publicou a “Ordenação Nº 5”, uma lei destinada a entrar em vigor no mês seguinte. O seu perfil abrangia “as medidas administrativas a tomar quanto à reencarnação de budas vivos no budismo tibetano”.

 

Alertava-se o povo para o facto deste “importante passo de institucionalização da administração da reencarnação”, definir os procedimentos a observar por quem pretenda reencarnar, ou seja, resumindo: proíbe-se os monges budistas de reencarnarem sem autorização do governo, pois ninguém, fora da China, pode exercer influência sobre o processo de encarnação, e apenas os mosteiros chineses podem solicitar as necessárias autorizações.

 

Afinal o comunismo ainda não desistiu de controlar tudo. E se já orienta o próprio capitalismo, só lhe falta mesmo dirigir a incarnação.

 

Deus que se cuide, pois os camaradas chineses já andam no seu encalce. 

 

 João Madureira

 

 

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Domingo, 15 de Janeiro de 2017

O Barroso aqui tão perto - Ameal

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Hoje no “Barroso aqui tão perto” vamos até Ameal, às vezes também grafado como Amial. No Barroso aqui tão perto que por sinal, para nós flavienses, até é uma das aldeias do Barroso mais distante.

 

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Iniciemos então pela localização desta aldeia, ainda antes de abordarmos o topónimo ou topónimos. E ainda a este respeito, para ao longo do post não estar sempre a grafar Ameal e Amial, vamo-nos ficar apenas por Ameal, que parece ser o mais consensual ou pelo menos aquele que aparece na placa identificativa da aldeia à entrada desta.

 

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Pois Ameal fica a cerca de 3 quilómetros da sede de freguesia, Salto, a Sul desta. Fica portanto também no limite do concelho de Montalegre e a menos de 4 quilómetros (linha reta)  dos concelhos de Vieira do Minho e de Cabeçeiras de Basto. A aldeia, a rondar os 900 metros de altitude, desenvolve-se ao longo do C.M. 1033, parecendo fazer a fronteira entre a terra fértil/arável em planalto e uma pequena elevação onde as rochas e pequenos arbustos são mais abundantes. Quanto às coordenadas (recolhidas no Google Earth) são: 41º 37’ 14,03” N e 7º 57’ 21,48” O.

 

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Vamos então ao topónimo, ou topónimos e sua origem. Pois bem, pesquisámos nos sítios habituais e alguma bibliografia mas nada encontrámos. No entanto se formos pelo significado do vocábulo temos para Ameal um lugar onde crescem amieiros. Já para Amial, aí temos que recorrer ao espanhol (talvez galego ou talvez castelhano) onde o termo embora não muito utilizado tem o significado de palheiro ou meda, daqueles que também já caíram em desuso em que a palha  se reunia em círculo à volta de um pau, tomando no final uma forma cónica. Ou seja, ambos os topónimos apontam para a ruralidade e conhecendo o local, ambas as hipóteses são possíveis. Mas repito, isto é olhando ao significado dos vocábulos, ficando em aberto outra qualquer hipótese.

 

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E nas nossas pesquisas sobre a aldeia, para além de aqui e ali vermos a referência de que a aldeia pertence à freguesia de Salto e concelho de Montalegre, mais nada encontrámos, assim, o que hoje fica, é de pura observação da nossa passagem pela aldeia, pequena por sinal, entre as 20 e 30 casas, uma pequena capela e alguns canastros.

 

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Como já atrás referimos a aldeia que se desenvolve ao longo da estrada, tem por um lado uma pequena elevação e pelo outro terra arável e aparentemente fértil mas maioritariamente ocupada por verdejantes pastagens,  para delícia do gado bovino de raça barrosa, pelo menos a julgar pelo gado que vimos nas pastagens. Aliás, em todo o Barroso só, ou quase, aqui na freguesia de Salto é que aparece com certa abundância a raça barrosa.

 

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E como não temos mais dados hoje decidimos brindar e  ensaiar com Ameal um pouco de arte digital, tendo como base dois motivos da aldeia. Arte digital que tem, claro,  como base a fotografia, e diga-se a verdade, o software utilizado é que faz quase tudo sozinho. E já agora fica com dedicatória:  Para os puristas da fotografia!

 

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E bem queria dizer mais qualquer coisinha sobre Ameal, mas a partir de aqui só se inventar, a não ser o de fazer a referência a uma outra aldeia, também da freguesia, com um topónimo muito semelhante: Amiar às vezes também grafado como Amear, aldeia que já passou por aqui no “Barroso aqui tão perto”.

 

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 E como hoje não há referências a bibliografia ou sites da WEB, ficam os habituais links para anteriores abordagens a aldeias e temas do Barroso aqui no “ O Barrosos aqui tão perto”:

 

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A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Bagulhão - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bagulhao-1469670

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Cervos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cervos-1473196

Donões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-donoes-1446125

Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619

Fírvidas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-firvidas-1466833

Frades do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-frades-do-1440288

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Lapela   - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Paio Afonso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paio-afonso-1451464

Parafita: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-parafita-1443308

Paredes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-1448799

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Pomar da Rainha - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pomar-da-1415405

Ponteira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ponteira-1481696

Roteiro para um dia de visita – 1ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104214

Roteiro para um dia de visita – 2ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104590

Roteiro para um dia de visita – 3ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105061

Roteiro para um dia de visita – 4ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105355

Roteiro para um dia de visita – 5ª paragem, ou não! - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105510

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

Tabuadela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-tabuadela-1424376

Telhado - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-telhado-1403979

Travassos da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-travassos-1418417

Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

São Ane - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-ane-1461677

São Pedro - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-pedro-1411974

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

Xertelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-xertelo-1458784

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:55
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Pecados e Picardias

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A  deus

Foi por um fio

Que um improvável trajeto de sonho expirou na sombra

Nós?

Foi por um fio

Só, era um beco com saída, e , valeu a pena

A  deus, Nós

Foi por um fio,

O esgar de liberdade que rimos nos murmúrios

das promessas, o corrupio de suspiros de avidez

de pele contra pele,

lábios confusos sem saber por onde ir, onde pousar

e sorrir, …

sem penitencia, a deus, foi por um fio, Nós

perdidos no tudo por tudo

Relâmpagos cardíacos tempestades da alma

E nós em uníssono a deus, foi por um fio

Que dissemos a deus, e valeu a pena

Até …

A deus

 

e… Se a morte for a nossa alvorada

Despe-me as flores.

 

Isabel  Seixas in Espólio

 

 

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Nogueirinhas - antes, durante e depois

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Hoje é dia de ir por esses caminhos até mais uma das nossas aldeias e a escolha, como sempre um pouco ao acaso, caiu sobre as Nogueirinhas.

 

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E os caminhos das Nogueirinhas vivem-se sempre em três momentos: o antes, o durante e o depois. Pode parecer que é isso o que acontece com todas as aldeias que visitámos, e com algumas é, mas com outras não é bem assim.

 

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Podia ser mais breve e dizer que há aldeias que não valem só por si, mas também pela sua envolvência como fazendo parte de um todo – é o que acontece com as Nogueirinhas, quer se aborde via Stº Estevão ou via Curral de Vacas.

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:02
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Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2017

Cidade de Chaves ainda em analógica

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O Luís nas “Vivências” de hoje trouxe aqui os escudos, contos e paus, pois agora em imagem também vamos até ao passado, não muito, mas com uma foto analógica  ainda antes dos telemóveis existirem e ainda no tempo da máquina de escrever. Uma breve ida até à Rua de Sta. Maria, que estando no centro histórico não difere muito da Rua de hoje, com exceção do pavimento, com calçada de seixo e passeios.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:55
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Vivências - Os Escudos, os "contos" e os "paus"

vivenvias

 

Os Escudos, os “contos” e os “paus”

 

1 de janeiro de 2002. O Euro chega para substituir o Escudo. As máquinas dos Multibancos começam a dispensar apenas notas de Euros e os Escudos vão sendo retidos sempre que vamos às compras e entregues nos bancos.  Hoje, passados 15 anos, parece-me que já poucos são aqueles que ainda pensam ou fazem contas em Escudos: os mais novos porque não têm memória de outra moeda e nós porque, inevitavelmente, acabámos por nos habituar e já nem quase nos lembramos que um Euro equivalia a 200,482 Escudos.

 

Perdemos, assim, uma moeda só nossa, como o atestavam os elementos referentes à nossa história nas suas faces. Mas, na verdade, não perdemos apenas o Escudo. Perdemos também os “contos” e os “paus”, pois na linguagem corrente tínhamos 3 unidades de moeda: o Escudo, a designação oficial; os “contos”, quando se queria designar uma quantia normalmente a partir dos dois mil Escudos (dizíamos 1999$00, mas depois eram dois “contos”); e os “paus”, termo mais popular e que se utilizava principalmente quando se queria realçar que determinada compra tinha sido cara (isto custou-me 500 “paus”…). Hoje só falamos em Euros e, vá-se lá saber porquê, parece que o valor das coisas passou a ser menor: um Euro é (apenas) um Euro, mas duzentos “paus” era muito dinheiro…

 

Com a chegada do Euro acabou-se a necessidade de cambiar moeda (ou “trocar”, como se dizia habitualmente). Pessoalmente, foram poucos as vezes em que tive de “trocar” Pesetas e na última vez que o fiz, para uma viagem a Sevilha, no verão de 2001, recordo-me de no regresso parar num posto de combustível, antes de chegar à fonteira, juntar todos os trocos que tinha e pedir ao funcionário para encher o depósito até àquele valor, pois já não ia voltar a Espanha no tempo das Pesetas.

 

Curiosamente, por saudade, por fazerem parte de coleções, por estarem perdidos ou ainda esquecidos debaixo de algum colchão, existem milhões de Escudos que nunca foram trocados pela nova moeda. Uma verdadeira fortuna...

 

Luís dos Anjos

 

 

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Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2017

Coisas do tempo, hoje com nevoeiro

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Quando não temos nada para dizer, ou calhamos num elevador ou numa sala vazia com um desconhecido, valemo-nos do tempo, do meteorológico, para iniciar uma conversa. Penso que é o quebra-gelo mais utilizado para iniciar e empatar uma conversa que muitas das vezes até nem queremos ter. Mas funciona. Na verdade, o tempo, condiciona e determina parte das nossas vidas do dia-a-dia. Vai chover, então não vou. Detesto a chuva, molha, é uma chatice. Eu sei que ela faz falta na dose q/b, mas bem podia chover de noite quanto estamos a dormir. Quanto ao resto do tempo, venha ele, seja ele qual for. Geadas, frio, calor, assim-assim, neve, nevoeiro, ventanias, eu sei lá. Chuva é que não, e prontos! Estão a ver como o tempo dá sempre jeito!? Nem que seja e só para meter um textinho entre fotografias, que fica sempre bem, mas mesmo assim o que disse é sincero.

 

1600-(20831)

 

Tudo por causa destas duas fotos de nevoeiro. Há quem não goste, mas para mim, à exceção de ter de conduzir uma viatura quando há nevoeiro, até lhe acho piada e gosto de andar por aí a levar com ele na face, coisas de conviver com ele desde que nasci, não fosse eu flaviense e depois, se o frio se começar a entranhar no corpo e nos ossos, dá-se um pulinho ao miradouro de S. Lourenço, por exemplo, e aí o temos a nossos pés, ainda com mais piada. Em alternativa sempre podemos recolher ao interior das casas ou entrar para um bar, tomar um café ou beber um copo, aí, visto desde o quentinho, o nevoeiro ainda sabe melhor.

 

 

 

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Quarta-feira, 11 de Janeiro de 2017

Cartas ao Comendador

cartas-comenda

 

Meu caro Comendador (7)

 

Sabe que eu tenho um problema, digamos que tenho vários, mas que neste momento me preocupa um em particular: o que é que as pessoas esperam de mim? Nem sempre isso coincide com o que nós esperamos de nós e quando as duas coisas entram em colisão, qual escolhemos?

 

Por um lado não queremos desiludir os outros, queremos ou temos necessidade de corresponder às expectativas que eles têm de nós e não é o medo de que eles se desiludam a nosso respeito, é apenas o medo que eles se desiludam e sofram com isso. Se gostamos deles, preocupamo-nos. Ou seja, não se trata de construirmos uma imagem que damos aos outros e depois ela falha, é antes não querermos falhar na ideia que os outros construíram de nós, para que não lhes seja penoso ver que se enganaram.

 

E ficamos neste ponto sem saber o que fazer: nós não controlamos nem ajudamos os outros a construir a imagem de nós próprios! Que culpa é que temos disso? Se calhar até ajudamos! Começa aqui a dúvida. Porque é que os outros formaram essa ideia de nós e não outra? O que é que nós fizemos para os induzir nisso ou o que é que nós não fizemos? Que comportamentos ou atitudes tivemos para eles formarem essa imagem, para construírem esse boneco, esse personagem, esse ser humano a quem puseram o nosso nome sem ter nada a ver connosco? Alguém aqui está a falhar: ou nós ou os outros!

 

Claro que é muito mais fácil aceitar que são os outros, mas se de facto não formos parvos temos de ter a dúvida: será mesmo isso? E o tamanho da dúvida, atrevo-me a dizer, é proporcional ao tamanho da nossa inteligência, então não foi isto que deu origem ao conhecimento: quem mais pergunta é quem mais sabe!

 

Concordo inteiramente consigo, isso era dantes, porque na sociedade actual quem menos questiona é considerado o mais sabedor: não ter dúvidas cai sempre bem! Mas o senhor e eu não obedecemos a critérios irracionais como esse e outros e ainda que estejamos em minoria, estamos conscientes e isso dá-nos um estatuto que embora não socialmente ou humanamente reconhecido, é para nós o pão para a boca.

 

A este respeito, não posso deixar de lhe perguntar o seguinte: como é que se mede para si o poder das minorias? Que critérios estabelece nesse sentido, para depois decidir em consciência sobre o bem e o mal?

 

Bem sei, nesta altura nada disto vem a propósito porque atravessamos tempos imprecisos, voláteis, versáteis, ambíguos e indefinidos, mas o senhor é, não o digo para lhe agradar, mas por ser verdade, independente disso!

 

Como é que analisa o equilíbrio das sociedades? Quando pensa na palavra totalitarismo vêm-lhe imediatamente à cabeça os conceitos de comunismo e fascismo ou retém-se apenas em um dos dois? Chamar-lhe-ia sistemas? O que entende o senhor por democracia?

 

Concordo novamente consigo, ultrapassámos o âmbito das nossas conversas, mas o senhor sabe como eu sou irreverente nestes assuntos: quem ou o que define o âmbito das nossas conversas? Se o senhor aceitar e eu também, não poderá a nossa amizade estender-se a esse ponto? Tem algum tipo de receio que se politicamente divergirmos a nossa amizade possa ser afectada?

 

Agora sim, encontrei verdadeiramente assunto para conversa séria: do que é que depende para si ou no que, a amizade entre as pessoas? Concorda com aquela frase de que só é proveitoso discutir quando as pessoas estão de acordo?

 

Se assim for, saiba desde já que concordo consigo porque por nada deste mundo eu me escusaria a partilhar-lhe as minhas ideias, a não ser, por respeito, num particular contexto: o de que o senhor tenha coisas superiores com que se preocupar ou gastar o tempo!

 

Hoje, particularmente hoje e um dia explicar-lhe-ei porquê, sinto-me um privilegiado por poder contar consigo em qualquer e todas as circunstâncias da minha vida.

 

Cordialmente,

o seu

 

José Francisco

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Terça-feira, 10 de Janeiro de 2017

Cidade de Chaves - Rua Direita

1600-(47069)

Sábado passado, mais ou menos meio dia, 0º de temperatura. Já estamos habituados, dizem, e estamos, mas chega a doer, principalmente quando tem o nevoeiro por companhia, que era o caso, mas já passou, e quando o sol apareceu, até lhe achámos mais graça.

 

 

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Chaves D'Aurora

1600-chavesdaurora

 

  1. DIVERSÕES DOMÉSTICAS.

 

Depois da ceia, Arminda e Aurélia entretinham-se com os brinquedos, na infância prolongada daqueles tempos, após cumprirem os deveres letivos para o dia seguinte, enquanto, em companhia de Mamã, as irmãs mais velhas bordavam, liam ou conversavam um pouco na sala de estar. Logo após o chá das nove, recolhiam-se todos aos quartos.

 

Sob os sete cadeados patriarcais, assim seguia a vida para as quatro meninas da Quinta Grão Pará. Acerca disso, o próprio Papá dizia – Filhas mulheres, há que se velar como filhotes ao ninho – e todos compreendiam que, se duas pupilas estavam a se mover no rosto dele como rastreadores luminosos, havia outras, múltiplas, invisíveis, a se entronizarem em cada uma das meninas e a acompanhá-las por toda parte.

 

Esses focos de vigília estendiam-se até mesmo aos meninos Afonso e Alfredo, ainda que lhes fosse dada uma relativa liberdade, porque, como dizia João Reis – Os filhos homens sabem o que devem cuidar, não precisam guardar o que trazem entre as pernas, apenas ter siso e juízo, para que suas preciosas chaves sejam usadas de bom jeito e não façam mal à fechadura de ninguém.

 

Gostava às meninas que Afonso trouxesse os amigos putos a casa, pois eram ocasiões em que, entre merendas, jogos de salão e os olhares vigilantes de Mamã e dos próprios manos, podiam se dar a digressões adequadas entre rapazolas e mocinhas de boa família. O que mais agradava a todos eram as adivinhações que Aurita aprendera com as criadas, muitas vezes bem picantes, embora a menina continuasse a demonstrar certa ingenuidade (de facto, a malícia nunca lhe houvera de ser uma caraterística na vida).

 

Dentre as várias adivinhas, em geral inocentes, ou seja, apropriadas ao ambiente familiar, Aurora propunha também algumas que faziam corar os jovens, além de deixar os irmãos menores sem ver o boi. Os miúdos, no entanto, embora não pudessem alcançar os duplos sentidos e, portanto, ficassem sem saber nem metade da jocosa missa, riam por afinidade. A Nonô, tampouco ela risse por dentro, tais adivinhações causavam pudicos embaraços. Ao Afonso e demais rapazes, produziam risos meio gaguejantes, que alguns tentavam esconder com as mãos à boca ou à cara total. Eram do tipo – “Qual é a coisa, qual é ela, que roça na minha perna, quando sobe ou quando desce e, quanto mais no meu pelo roça, mais pra cima ela me cresce?” – ou então – “Tenho um brinco, c’o brinco, brinco, já do brinco me aborrece, quanto mais c’o brinco, brinco, mais o meu brinco me cresce”.

 

Sobrevinha então um silêncio constrangedor, até que ela dissesse – mas é meia, ora pois, meia comprida de mulher! – e todos se aliviassem, a uma risada geral. Aldenora, porém, logo estaria a correr até Mamã, que de nada se apercebera em seus afazeres domésticos e se punha a aborrecê-la com suas quezílias junto à irmã. A rapariga estava sempre ansiosa por relatar à Mamã as indecências que a mana tinha aprendido com as criadas no borralho.

 

Depois que os colegas saíam, Afonso vinha muito sério até à irmã, a fim de repreendê-la. Apesar de sua condição de filho homem, naqueles tempos de plena supremacia masculina, talvez porque um ano mais novo do que a irmã, o rapazola não conseguia ter com Aurita a mesma autoridade do pai. Dizia apenas – Peço-te, minha irmã, não faças mais isso! Nunca mais estejas a dizer tais adivinhas, que eu não sei quem t’as ensinou e tu, ao que parece, nem alcanças de facto o que aprendeste!

 

fim-de-post

 

 

 

 

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Segunda-feira, 9 de Janeiro de 2017

Quem conta um ponto...

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323 - Pérolas e diamantes: a fé é o que nos mata

 

Depois de ter estado em alguns eventos culturais atrapalhadamente como escritor convidado, o que muito me honra, sinto que existe por ali a pairar a ideia de que se espera que os autores tenham uma vocação ou monástica ou uma aptidão estapafúrdica.

 

Agora fala-se muito de autores, quase como se fossem animadores de feiras da vacuidade ou pilares sustentáveis de estratégias políticas ou, ainda mais arriscado, promotores altruístas de entidades financeiras, de muito dinheiro mas de baixo quilate.

 

Por exemplo, a mim nunca me verão a posar nu na capa de um livro, como o badalado e consagrado Walter Hugo Mãe. Eu leio e sei o que interessa em literatura.

 

Émile Zola escreveu que o crítico de verdade fala nos livros e que o idiota fala dos autores.

 

Vivemos num tempo em que a tecnologia e o desenvolvimento da ciência nos permite ver documentários intermináveis sobre a vida animal recomendados pelos canais especializados. Neles deleitamo-nos em observar um mundo utópico no qual não existe a necessidade de aprendizagem e muito menos de linguagem. Todos sabem muito bem o papel que lhes compete, ou aquele que lhes calha em sorte. Afinal, o homem é um animal desnaturado. O pecado mora ali ao lado, na pirâmide zoológica.

 

Gérard Wajcman fala-nos da razão porque inventamos a literatura. Com vossa licença, passo a citar: “O mundo animal realizou o sonho humano do sexo sem história nem história – ao passo que nós, pelo nosso lado, inventámos a literatura, precisamente para contarmos os nossos amores em que nada acontece que não sejam histórias e história…”

 

Chesterton, como é seu timbre e feitio, acerta na mouche.

 

O homem é um ser muito estranho. Além de outras debilidades provocadas pela inteligência, é o único animal abalado pela loucura a que chamamos riso, como se possuísse a fórmula, ou o segredo, de como o universo se gerou.

 

É ainda o único animal a sentir a necessidade de afastar o pensamento que possui das realidades básicas do seu próprio ser corporal e de esconder a possibilidade de sentir o mistério da vergonha.

 

Mas de uma coisa podemos estar cientes. O retrocesso civilizacional é possível.

 

Os romanos, na véspera da queda do Império Romano, estavam tão certos como nós nos sentimos hoje de que o mundo persistia continuamente sem alterações substanciais. Enganaram-se. É avisado da nossa parte não repetirmos a sua indulgência.

 

Temos de aprender com a história, se não ela não vale para nada. Nem sequer para nos divertirmos.

 

Acho interessantíssima a ideia de Maria Teresa Horta, utilizada em Anunciações, da hipótese de Maria se ter apaixonado pelo Anjo. Em vez de matar o mensageiro, o que era habitual, o recetor da mensagem apaixonou-se por ele e daí resulta a história mais fantástica, e impregnada de fé, da Bíblia.

 

O Livro, e o Verbo, engendraram a sua própria alucinação. E no feminino. A religião, a ser alguma coisa de transcendente, é isso mesmo: alucinação premonitória.

 

Seja verdade ou não, e basta ler Slavoj Zizek para nos certificarmos disso mesmo, os ideólogos da doutrina costumam defender que a religião é capaz de fazer com que pessoas, que de outra forma seriam más, sejam capazes de praticar o bem.

 

Mas se nos lembrarmos da experiência recente, temos de admitir como boa a tese de Steve Weinberg, segundo a qual, embora sem religião, as pessoas boas continuam a fazer coisas boas e as pessoas más coisas más.

 

No entanto, só a religião é capaz de levar pessoas boas a fazer coisas más.

 

De certa forma tanto faz que Deus exista ou não.

 

Se Deus não existe, tudo depende de nós e por isso temos de nos preocupar o tempo todo. Se Deus existe e espreita a todo o momento aquilo que fazemos, não podemos deixar de estar ansiosos e preocupados o tempo todo.

 

Sem ironia nem com Deus, nem com Walter Hugo Mãe, nem comigo próprio e muito menos com Maria Teresa Horta, considero que Lacan tem razão: os teólogos são os verdadeiros ateus.

 

João Madureira

 

 

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De regresso à cidade

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