Sexta-feira, 19 de Janeiro de 2018

Chaves, cidade, concelho e região - Uma foto por dia

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:02
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O factor Humano

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Sobre as questões da Juventude

 

É consensual e considerado natural o conflito geracional.

 

Em quase todas as épocas históricas, a geração dos pais entra em “conflito” com a geração dos filhos. De alguma forma isso faz parte do processo de maturação e autonomização dos adolescentes e da sua passagem para a idade adulta (e será também um mecanismo de evolução social e histórica?).

 

Também é considerado comum, que em determinadas fases, essa oposição seja mais intensa e o conflito mais exacerbado.

 

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De uma forma geral, o que se tem assistido é a uma situação clássica em que ao espirito sonhador dos mais jovens, para alguns um certo grau de ingenuidade e um certo grau de utopia, acompanhados pelo correspondente altruísmo e por níveis elevados de solidariedade para com o outro, se opõem a maturidade, para alguns o pragmatismo e o realismo, para outros a falta da capacidade de sonhar, dos mais velhos. Recordam-se da ideia antiga: “quem não é um revolucionário na juventude, algum problema tem”? Ou seja, era natural reconhecer o espirito revolucionário e sonhador dos jovens e era comum que esse espírito se fosse perdendo à medida que os anos iam passando.

 

Estaremos de acordo em que actualmente, pelo menos em Portugal, qualquer coisa de diferente se está a passar.

 

Parece haver menos solidariedade, menos altruísmo, menos preocupação com os outros, nos jovens atuais. Menos confiança e entusiasmo em poder construir um futuro melhor para todos, talvez por isso, menos empenhamento na luta e na defesa colectiva dos seus direitos.

 

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É evidente que os tempos actuais são de aceleradas mutações a todos os níveis. Ao nível familiar com núcleos cada vez mais pequenos, com frequência sem pai ou sem mãe, ou em que os pais estão ausentes de casa por longos períodos, devido ao trabalho. Aumento da esperança de vida, da vida activa e uma espécie de recusa em deixar de ser jovem por parte dos mais velhos. Mudanças políticas mundiais (por exemplo: desaparecimento dos países socialistas) ou mudanças nacionais resultantes da integração na União Europeia, ou até do fim do serviço militar obrigatório. As mudanças tecnológicas, nomeadamente telemóvel, internet, televisão por cabo, afectam profundamente as relações humanas. A facilidade do contacto permanente contribui para a redução da autonomia que se dá em idades cada vez mais avançadas. Mudou a imprensa, mudaram os programas de televisão.

 

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O próprio sistema de ensino sofre uma profunda modificação, não só resultante das novas tecnologias, como também dos novos conteúdos com uma deriva evidente em direcção às questões técnico-científicas e em prejuízo dos valores humanistas e artísticos. Valoriza-se a memorização em detrimento da capacidade de analisar e de pensar.

 

A crise actual reduziu fortemente a confiança e a esperança num futuro melhor, em especial nos mais jovens. Formou-se assim um ciclo vicioso de promoção do egoísmo e do egocentrismo, com o desaparecimento dos sonhos, do convívio, da partilha, da solidariedade.

 

A situação é bem mais complexa e tem tradução actual, por exemplo, no exercício da medicina. Voltaremos a este tema no fim do próximo mês.

 

Manuel Cunha (pité)

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:58
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Quinta-feira, 18 de Janeiro de 2018

A Pertinácia

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De caminho para Chaves começo a pensar: porquê morar em Chaves?

 

É terça-feira, um dia normal da semana, mas com a rotina matinal um pouco alterada. Já fiz parte das tarefas, mas ainda preciso de passar pela pastelaria e de meter combustível. Dou a volta ao quarteirão e paro mesmo em frente à pastelaria: “meia dúzia de pastéis de Chaves”. Aos 18 anos percebi que os tais pastéis com carne picada, que eu até nem apreciava muito, eram uma iguaria singular e típica da minha terra. O chamado “doutor”, que não era mais que um colega de curso mais velho, virou-se para mim e disse: “Caloira, sabe o que é um Chaves?” e eu pensei: “Cromo, os habitantes de Chaves são flavienses.” E pus a minha expressão típica de quem diz com uma abominável impaciência e saturação: “Lá vem mais do mesmo”. Então percebi que os “Chaves” eram os vulgos pastéis de carne. O bom de ir ao Hospital de Sto António, no Porto, é que passo à beira do antigo edifício da faculdade de ciências, onde tenho boas memórias. Bem que podia gastar o dinheiro que me vai custar a ida ao Porto para fazer algo mais prazeroso. Vejámos. Vou ao Porto ao hospital de Sto António, a uma consulta, mas tenho um hospital a dois passos da casa onde moro, contudo não tenho aí todos os recursos necessários para resolver o meu problema. Assim, tenho que faltar um dia inteiro ao trabalho, o que é desagradável para mim, para os patrões e para os colegas. Se fosse ali ao lado de minha casa, na pior das hipóteses, perderia apenas parte da manhã ou da tarde ─ mal menor. Depois, desgasto o meu carro, gasto gasolina e pago portagens… Fico cansada. A primeira vez perguntei ao médico que para lá me encaminhou: Sr. Dr. mas se vou fazer uma cirurgia ao Porto… há transporte? Há alguma comparticipação? Não havia, e podia ter ficado por ali com a conversa. Mas eu explanei bem o meu ponto de vista, argumentei, dissequei o problema e, uma vez que ele concluiu que era uma injustiça e a sua resolução estava para lá do seu alcance, decidiu que era inútil pensar em embrenhar-se no sistema e alterar decisões administrativas e burocráticas… decisões politicas… e soltou então esta pérola: “Ó menina, sabe que lhe digo: arranje um namorado – não lhe deve ser difícil – e que lhe dê boleia!”. Ora era o que mais faltava! Fiquei duplamente revoltada.

 

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Já estou de regresso, de uma das já inumeraveis idas aquela instituição, onde também os especialistas técnicos e todos se queixam da inadequação e ausência de recursos e ferramentas de trabalho, mas onde, mesmo assim, em comparação com o nosso hospital é tudo mais sofisticado e a vontade de investigar e estudar é motivada pela proximidade com a ciência e com a tecnologia, com os centros de investigação e com as universidades.

 

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Ligo o rádio. Está a ser transmitido o primeiro debate quinzenal de 2018 com o primeiro-ministro. Ao fim de algum tempo já estou saturada de ouvir Hugo Soares do PSD. O homem dá-lhe com o mesmo assunto, uma e outra vez: que Francisca Van Dunem disse, em entrevista, sobre a Constituição prever um mandato longo e um mandato único para a procuradora-geral da República Joana Marques. Será impressão minha ou estes indivíduos não sabem o que dizer? Pouco mais e já parece uma Assembleia-Municipal qualquer… fico farta, revoltada, às vezes os assuntos são tratados com uma leviandade como se qualquer um pudesse fazer política.

 

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Estou no Alvão, é agora a intervenção da Catarina Martins, do nosso Bloco de Esquerda. Este é o ponto mais alto da viagem. Como de costume, o Bloco fez o seu trabalho de casa: estudou investigou, traz números e observações pertinentes. Vem falar dos problemas que afetam os portugueses no momento – oportunidade. As pessoas estão doentes e estão doentes porque têm frio. Há problemas na saúde, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) não está bem e a EDP está praticar preços exorbitantes… as pessoas não podem ligar aquecimento, além disso a EDP anunciou que não pretendia pagar os 69 milhões de euros, devidos em 2017, pela Contribuição Extraordinária Sobre a Energia.

 

O Bloco fala com oportunidade e tráz dados. Fala das rendas excessivas da EDP e dos 385 milhões que o governo podia e não investiu no SNS. Eles sabem que o valor não foi investido e estudaram todas as fórmulas das finanças e economia que relacionam o défice a dívida e resultado: -  eram possíveis as duas coisas, investir no SNS e melhorar esses indices. É o que importa esclarecer.

 

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Costa responde. Costa diz que estamos no caminho. Costa diz que o mal vem de trás, que diabo, o mal vem sempre por trás ou de trás. Depois, já foi feito muito, contrataram-se técnicos, enfermeiros… Catarina disse que há os especialistas necessários para entrar mas estão à espera do ok das finanças. O Costa fala de décimas… e o meu carro deu-me o sinal cor de laranja, se a minha filha estivesse aqui até ela sabia: “Mamã tens que meter gasolina”.

 

A gasolina aumentou. Lá vou eu abastecer novamente – tenho a mania de abastecer pouco de cada vez, é que me dá a sensação que gasto menos… e penso: miséria, sou uma rapariga miserável! E pelos vistos a única solução era … “arranje mas é um namorado!”. O Costa, não se importa com esta rapariga miserável, mas eu tenho dignidade e respeito por mim mesma, eu mereço essa dignidade, como merecem os doentes que estão nas urgências, como merecem os profissionais de saúde, enfermeiros que não veem os filhos crescer, médicos nas urgências com mais de 60 doentes para antender… merecem dignidade os que morrem em casa isolados nas aldeias, idosos, sozinhos, porque os filhos têm que ir para fora trabalhar, porque os filhos não têm tempo; merecem respeito os que querem morar onde são felizes mas não têm os meios necessários que teriam noutros sitios! Merecem dignidade as grávidas que têm que se deslocar a Guimarães, porque é aí que há o melhor equipamento de obstetrícia, o melhor em pediatria e neonatologia… mas onde aí faltam técnicos, onde aí todos correm para atender a todas e pelos vistos: chove…

 

É a vez do PCP. Visualizo o sinal “perigo de nevoeiro”. Esta parte da viagem é assombrada pela neblina. Neblina e passado andam sempre juntos no meu imaginário. Algo terá de Sebastianismo. Tenho pressa de chegar. O homem comete um ato falhado diz “campas” em vez de “camas”. O assunto é a mesma Saúde. Eu acho que o Jerónimo está rouco, pode estar doente.

 

Agora vem a Cristas do CDS. A senhora parece que esteve a ouvir a Catarina com atenção. Na escola, talvez na primária havia colegas que repetiam as respostas dos outros: “O que gostavas de fazer nas férias?”, e os menos criativos e mais preguiçosos respondiam “Também quero brincar, como o Carlinhos.” E pelos vistos o Costa acha o mesmo que eu.

 

Paro para meter gasolina. É esta a melhor altura.

 

Volto à estrada. A Heloísa Apolónia, diz algo que eu tenho repetido inúmeras vezes: os edifícios não estão construídos de forma adequada. Sim, cara Apolónia, devia haver outro tipo de exigências na construção e incentivos para remodelar as casas. Ela fala de incentivos para por “janelas duplas” – e instintivamente corrijo em voz alta “vidros duplos”. “Estou a ficar velha” penso. Continuo a ouvir a Heloísa. Eu não entendo como é possível vivermos numa região tão fria e as casas, tão caras para comprar ou com rendas tão altas comparativamente ao que ganhamos, terem piores condições que as casas tradicionais! Pelo menos as casas antigas, entre outras coisas, pensadas para proteger do tempo rigoroso, tinham lareiras e ficavam sobre os estábulos dos animais o que sempre dava algum calor.

 

Mas nem as casas particulares nem os edifícios públicos, e “há escolas onde chove e onde as crianças levam cobertores paras as salas”… a Heloísa já não tem tempo de explicar tudo e enumerar os diversos exemplos, “acabou o seu tempo senhora deputada”.

 

E eu tenho pressa de chegar ao fim, porque tenho pouco tempo para chegar.

 

Fui ao Porto e vim. Gastei imenso dinheiro para fazer a viagem, isso custa no meu orçamento. Se quero ser bem cuidada, como estou a ser devo continuar a fazer isso. Não devia ser necessário deslocar-me. Mas há quem diga que não tenho muito de que me queixar e que podia ser pior, ou então a conversa termina com um: “A menina devia arranjar um namorado que lhe desse boleia!”

 

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Entretanto o debate quinzenal com o primeiro-ministro está quase a chegar ao fim, falaram mais alguns, não ouvi, o rádio não estava bem sintonizado. O PAN falava das suiniculturas que poluem o Liz, e dos boletins de voto em braille…

 

Não podemos nascer pobres, nem cegos, nem surdos… nem longe não sei de onde.

 

Estou quase a chegar e no cenário de desgraça solto uma gargalhada. O Costa diz qualquer coisa do género, a propósito da intervenção do PSD: “os senhores levantam-se de manhã e pensam: o que vamos perguntar? Então dão uma vista de olhos aos jornais, vêm o noticiário, vão as redes sociais…”

 

Pois, o problema é que é mesmo assim que acontece.

 

E porque havia de morar em Chaves? Eu acho que deve ser amor.

 

Lúcia Pereira da Cunha

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:45
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Chaves, cidade, concelho e região - Uma foto por dia e algumas palavras

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Ontem ao início da noite, o Rio Tâmega, o céu e a Ponte Romana estavam assim, a pedir uma foto. Claro que não lhe resisti e ela aqui está com a nossa sempre Top Model, a ponte romana, a velha e antiga ponte romana com quase dois mil anos de existência.

 

Velha ponte mas sempre tempo para nascer alguma coisa e hoje no blog nasce mais uma nova crónica, que estará aqui de 15 em 15 dias, intitulada “A Pertinácia”,  e escrita no feminino pela pena de Lúcia Pereira Cunha. Até já com esta nova crónica.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:40
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Quarta-feira, 17 de Janeiro de 2018

Chaves, cidade, concelho e região - Uma foto por dia

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:17
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Nós, os homens

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XVII

 

Aquela frase: ”A minha vida dava um filme”, nunca a subscrevi. Eu sempre achei que a minha vida era um filme e eu o seu realizador. Era eu que decidia quem entrava e saía de cena, quem punha e tirava vozes nos personagens, que cenários colocava, quem perdia e quem ganhava, quem sofria mais e quem sofria menos, quem falava e quem ouvia, qual era o olhar que brilhava e o que chorava, quem se apaixonava e por quem. Era eu que escolhia os actores e que os dirigia. Quando a cena não estava bem, repetia até ficar a meu gosto. Mas a realidade não era nada disto! No máximo, a minha vida dava um filme.

 

A conclusão, ou uma delas porque tirei várias, é que fiz tudo mal.

As mulheres são especiais. No todo e em parte. Fiz o que pude e mais do que isso, mas falhei na forma. As portas servem para abrir e para fechar, mas há formas infinitas de o fazer, qualquer fazedor de portas sabe isso. Eu não sabia. Entre o sim e o não, faltavam-me as palavras e havia um dicionário pelo meio. Ninguém mas ensinou, aprendi-as depois, quando fiquei sem ela. A cada dia de ausência e vazio, aprendi uma nova e fui construindo um prontuário íntimo de duas colunas: “palavra incorrecta”, “palavra correcta”. Talvez nunca o termine, talvez não tenha tempo de o usar. Não o estou a fazer para isso. É mais uma necessidade intrínseca de não desiludir o Criador, ou de me aproximar, embora estando a léguas disso, daquilo que Ele imaginou para mim. E é engraçado como Ele nos deixou este trabalho nas mãos, tanto mais árduo a quem mais achou capaz, dizem. E o que de início me parecia uma injustiça atroz, parece-me hoje sinal de inteligência. Então não? Se tens os meios, hás-de conseguir utilizá-los e encontrar a forma! Não deixa de ser um filho da mãe por causa disso! Um grandessíssimo filho da mãe, Deus me perdoe!

 

Porque não havia Ele de premiar os bons, os homens de boa-fé? Tínhamos de ser nós, nós sozinhos a encontrar o bem, a antagonizar o mal? Por isso é que o filho lhe disse: “ Meu Deus, porque me abandonaste?” Se fosse hoje, ia preso! Bem, preso talvez não. Os maus nunca vão presos, mas da liberdade condicional penso que não se safava! Então não é crime criar os filhos para depois os abandonar?! Entre a Justiça divina e a Justiça dos homens, qual é mais justa?

Mas tudo isto é um devaneio de quem muda de vida à força, por imposição alheia, por circunstâncias do destino, por imprevisibilidade, por falta de controlo em si e falta de domínio sobre os outros no domínio sobre nós.

Quem sou eu ou quem eu sou? Há diferença nisto?

 

Telefonei-lhe. Ela estava muito mais perto de Deus do que eu, embora eu não soubesse se isso era bom ou mau. Quem era Deus? O que é que Ele queria de mim? E ela? Nunca percebi. Deixou de me interessar no dia em que decidi que isso ia deixar de me interessar e que ia continuar a viver, fosse qual fosse o significado disso. Só há esta forma de lidarmos com o que não percebemos. Há outras, mas fazem todas mal.

Eu tinha de me desligar da corrente e continuar a dar luz. Nada que não tivesse já feito na minha vida. Tantas alternativas: geradores, baterias, pilhas, painéis solares…

 

Estava ocupada, não tinha tempo…

Eu era um homem cheio de sorte, tinha sempre tempo para o que considerava importante e sabia estabelecer as minhas prioridades de uma forma inequívoca: ela, estava sempre em primeiro lugar. Sabia que haveria de chegar uma altura em que não seria assim, o tempo opera sozinho. Tinha algum receio, muito vago, que ela acordasse nessa altura e fosse tarde para mim. O meu tempo não era igual ao dela e eu não lhe consegui explicar isso. Não porque não tentasse, havia coisas que ela não queria perceber e eu nunca entendi porquê. Medo, recusa, convencimento?

 

Desliguei, ficava para depois. Com ela era assim, eu ficava sempre para depois. Para ela só era urgente o que não me interessava para nada, o que podia ser feito depois.

Talvez ela também fosse uma mulher cheia de sorte, talvez tivesse sempre tempo para o que considerava importante e talvez soubesse estabelecer as suas prioridades de uma forma inequívoca: eu, é que nunca estava em primeiro lugar. Talvez fosse só nisto que éramos diferentes!

Sabia que haveria de chegar uma altura em que não seria assim, o tempo opera sozinho. E tinha algum receio, muito vago, que ela acordasse nessa altura e fosse tarde para ela. O seu tempo não era igual ao meu e eu não lhe consegui explicar isso. Não porque não tentasse, havia coisas que ela não queria perceber e eu nunca entendi porquê. Medo, recusa, convencimento?

 

Saí, fui ver uma exposição de um amigo que se inaugurava nessa noite e para a qual me tinha convidado, gostava muito que viesses. Gostei muito de ter ido. Arte, se pudesse comprá-la, tal como a ela, trazia-a para casa. A arte punha-a na sala, a ela espalhava-a pela casa toda.

 

Eu sabia o que tinha de fazer, apagar a chama das velas sem ter outras para acender. Encher os meus pulmões de ar frio utilizando toda a minha capacidade torácica e num só sopro, de frente e a direito, esvaziá-los na sua direcção. Mas a luz das velas era de um amarelo pálido, cálido e morno que deixava as faces dos amantes, ternas de paixão, numa cumplicidade comungada, partilhada, pacificada. E eu não conseguia. Enchia os pulmões de ar frio o mais que podia, mas depois ao olhar a chama das velas e a luz que delas emanava sentia-me um assassino em noite de luar, um lobisomem com os dentes ensanguentados a pingar sobrevivência e maldade. Eu não era assim e por isso deixava as velas arder até ao fim, numa insistência amargurada, numa persistência arrebatada. E não havia nenhum altar a Nossa Senhora, nem nenhum pecado de que eu me quisesse salvar, nem tinha a alma a penar nem nada para confessar. As velas ardiam, dia após dia, eu protegia-as do vento incauto como se protegesse uma criança no ventre, por entre a passagem descuidada do tempo, que tudo leva pela frente, atropelando as coisas simples de que eu era o guardião. Ninguém mexe! Gritaria se fosse preciso e protegia a chama das velas como se de mim se tratasse. Era de mim que se tratava. Quando a chama nelas largasse o último suspiro, o meu amor por ela chegaria ao fim. Teria terminado o que eu não queria que terminasse, agora sim, por minha vontade e de forma natural.

 

Do que nós somos capazes! Imagem por imagem, construímos um mundo irreal porque este não nos satisfaz. Eu nunca aceitaria que me ditassem um mundo alheio, criança como nasci e como hei-de morrer, teria de construir um mundo à minha maneira. Pequenino, imaginário, de cartão. Nele coloquei um céu dourado. Pus as estrelas cá em baixo a fazer de homens e mulheres. A Lua no meu quarto e o Sol, meu Deus o Sol, por trás do céu, era o que fazia dele, todos os dias, um céu dourado.

Aos milhões de estrelas que brincavam cá em baixo, dei-lhes, em partes iguais, inteligência e sensibilidade, mas fiz um truque, colei-as uma à outra, não podiam ser usadas sozinhas e de forma independente. Quem quisesse usar uma, tinha de usar as duas. Não foi por mal. Foi por precaução. Pareceu-me, a mim, quando construi este meu mundo de cartão que, fosse qual fosse o caso, quando usamos uma sem a outra dava sempre mau resultado. Vinha depois o arrependimento, a frustração, a desilusão, a angústia, a ansiedade, … Neste meu mundo, não havia depois forma de lidar com isso nem a quem recorrer, ninguém sabia que sentimentos eram esses. Como e a quem falar deles?

E faltava o elemento água, onde o colocar?

No centro do mundo de papel havia um lago enorme com uma nascente de água pura e cristalina, onde diariamente as estrelas tomavam banho. Havia uma única condição para nele mergulharem: para além da roupa, tinham de se despir do passado.

Cada dia, era um começo.

 

Cristina Pizarro

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:13
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Terça-feira, 16 de Janeiro de 2018

Chaves, cidade, concelho e região - Uma foto por dia com coisas do frio

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Eu sei que está frio, que muita gente não gosta, que andam por cá todos encolhidinhos e até há quem proteste, aliás eu sou um deles, não protesto com o frio que até o prefiro aos dias de inferno do verão, é mais um protesto de reivindicação, o de que deveríamos ter um subsídio (ou subsílio) do frio, e era mais que justo (digo era porque já sei que não o vamos avezar), pois além de estarmos para aqui longe de tudo (saúde, educação superior, cultura, etc.) e de contribuirmos como os restantes portugueses com os nossos impostos, ainda temos de mamar com 9 meses de inverno, frio, gelado. Antigamente ainda davam qualquer coisinha para o combustível de aquecimento, agora, nem isso. Havíeis de ver como era se Lisboa mamasse com o nosso frio… mas hoje não quero falar disto, mas antes das coisas boas que o frio também nos dá, ou ajuda a fazer.

 

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Com a variedade de coisas que vos deixo nas imagens de hoje dão para esquecer e aquecer durante umas horas ou uns dias, depende do tempo que durarem. E o que se pode fazer com elas? Ui! Uma variedade de iguarias, não sei qual a melhor. Tudo junto, peça a peça, cozidas, assadas, cruas, às rodelas, aos pedaços, misturadas, etc. Desde a simples rodela crua de uma linguiça ou salpicão ou mesmo em omeleta com ovos caseiros das galinhas poedeiras, pés, orelhas e pernil cortadinhos em saladas ou entradas, bem isto e muito mais, que  marcha sempre, a qualquer hora e sem ser necessário irmos à mesa, que essa, fica reservada para iguarias que demoram muito mais a comer, pois comem-se com calma e sem medo de acabar, pois estas coisas é sempre à fartazana.

 

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Pois vamos então à coisas que vão à mesa, começando talvez pelas mais simples como uns ossinhos da assuã, umas couvinhas, uma batatinha, um pouco de azeite e mais nada, coisa simples, para desenjoar. Ou então podemos ir para uns milhos, nas duas versões, a versão pobre, com milhos, couve e umas coisinhas das que estamos a falar lá pelo meio, os mais gostosos, ou então os mais ricos, com os milhos e um bocadinho de tudo das coisas que estamos a falar. Para mim tanto faz… desde que o vinho seja do bô, venham eles quentinhos para a mesa. Depois há o tradicional cozido ou variantes como a palhada, onde leva de tudo um pouco, que é sempre muito: linguiça, salpicão, pé, orelha e orelheira, uns ossinhos da assuã, pernil, presunto, barriga, sangueira, chouriços de sangue, de cabaça, etc, etc, etc, pois isto varia um pouquinho de casa para casa e de terra para terra, que eu nunca sei bem como é, pois como cresci com cozidos feitos com influências de Chaves, Montalegre e Vila Pouca de Aguiar  tudo no mesmo pote, nunca cheguei a perceber à moda de quem era, mas era à moda de cá, da região… Claro que isto são só as carnes e enchidos, pois há a acrescentar as couves, grelos também marcham, uma batatinha cá da terra que das outras nem os recos gostam delas, azeite também cá da região, incluindo o vinho do bô, aliás, tudo isto tem de ser cá da terra ou da região, pois o tal frio que nos tolhe, tempera estas coisas todas q.b. para nos arregalar os olhos à mesa.

 

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Claro que isto não é manjar para todos os dias, duas a três vezes por semana está bem, nos outros dias podem ser coisas mais simples, como uma alheira com uns grelinhos, uma batatinha, azeite, vinho do bô e chega. Outras vezes pode ser apenas um petisco com linguiça e salpicão assado na brasa, uns grelinhos, se houver um butelo também pode marchar, uma batatinha, azeite e vinho do bô. Ou então um pernilzinho fumado assado no forno, com umas batatinhas ao lado, uns grelinhos e vinho do bô. Aqui pode-se dispensar o azeite, mesmo os grelos marcham bem sem ele e depois o prato tem de estar equilibrado, daí a importância das verduras e do vinho do bô que são para quando estas coisas entrarem todas em reboliço no estomago, o vinho do bô e as verduras estão lá ao lado e cortam as gorduras e outras coisas que fazem mal. Tudo isto só com as coisas das fotografias, pois o resto do requinho, ui, dá para milhentos pratos variados para todas as refeições, como por exemplo um rojões ao pequeno almoço com café e leite ou então umas filhoses de sangue… já sei que estas últimas na maioria não as conhece, só os barrosões, mas era a minha vantagem de ter uma cozinha mista de Chaves, Vila Pouca e Montalegre, pois essas filhoses de sangue eram receita de Montalegre, uma delícia que já há muito não avezo… Acho que vou ficar por aqui e ainda bem que o meu médico não acompanha o blog!

 

Até amanhã!

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:56
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Chaves D'Aurora

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  1. PEDIDO.

 

O clima ansioso do encontro pôs-se ainda mais acentuado após a sobremesa, antes que os homens passassem ao pequeno escritório doméstico e as mulheres à sala de estar, a fim de lhes saberem bem o vinho do Porto, os licores e o café.

 

Enquanto Aldenora dirigia seus olhos à alvura da toalha, os mais entreolhavam-se, curiosos. Ao presumível noivo, dirigiam-se os demais olhos ali presentes, com discreta intermitência.

 

Eis então que o rapaz, a suar bem mais, naquela fresca primavera trasmontana, do que um pescador no verão das colónias d’África, após um olhar de soslaio para o sisudo dono da casa, levantou-se de chofre e – Exlecentíssimo... Extelentíssimo... Ex-ce-len-tís-simo senhor João Reis Bernardes, Ex-ce-len-tís-sima senhora dona Florinda, senhor meu Papá, senhora Mamã, me...me...menina Aldenora e todos que estão cá... cá... ne...nesta noite es... especial, a com... compartilhar connosco o vinho e o cão...digo, o vinho e o pão... eu... eu...faz favor, senhor meu pai! Gostava que por mim falasses...

 

Após alguns pigarros teatrais, o pai do pretenso noivo tomou a palavra – Deixa estar, meu rapaz, vou falar por ti, mas, por certo, não vou falar por teu coração, ora pois que esse.... ô meu prezado João Reis, vamos andar com isso de uma vez. Ora pois, pois! Já todos estão a saber por que raios de motivo é que nós todos cá viemos. Meu menino pede a mão de tua filha, a bela e prendada Aldenora, para...para... mas por agora, que fales tu, de novo, e por ti mesmo, ó António Sidónio!

 

O rapaz, ainda mais nervoso – Eu...eu peço a sua bênção, senhor João Reis Bernardes, para que eu... eu quero um sincero compromisso com a menina Aldenora e, portanto… – fez uma pausa e, na ocasião, por estar muito emocionada, a noiva não atentou para o resto – assim que eu… que eu concluir meus estudos, vamos dar corrida aos banhos na Cúria e aos preparos de nosso... nossa futura união, pelos laços sagrados do matrimónio. Ufa! – sentou-se e o pai arrematou – Ufa, digo-te eu. Mas ora pois que falado foi e, portanto, falado está. Tem que ser! Ouçamos agora o que diz a rica menina e o venéreo... ai que me perdoem... o venerável senhor seu pai!

 

A um ato cénico previamente estudado, João Reis deixou passarem correndo, em maratonas pela sala, alguns segundos de silêncio. Enfim – Gostava que me respondesses, ó filha, se te afeiçoas a este menino, filho de nosso prezado Professor António Sidónio de Castro Cordeiro – e a rapariga respondeu, quase em um sussurro – Sim, Papá – e ele – Ora pois… não digo menos disto. Estamos concertados – e, a brindar – Cá vai! À saúde dos noivos! – ao que os mais ergueram suas taças e copos – E de todos nós! – enquanto os manos de Nonô e sua futura cunhada, a baterem com as colheres nos pratos, faziam ecos da alegria geral. Só então a noiva ergueu, enfim, os olhos para o amado. Já que os lábios ainda eram, àquela altura, reprimidos pela sharia cristã, as pupilas de um e de outro, a quem nenhuns podiam negar a liberdade, trocaram entre si muitos, muitos e muitos beijos, molhados de emoção.

 

Aos dias que se seguiram, Aldenora era uma ansiedade só a que chegasse cada sábado, o dia autorizado para que o rapaz visitasse a noiva. Eram tardes ansiosamente esperadas por Nonô, a se esmerar nos melhores vestidos e, quando não fosse o xaile habitual à cabeça, ornava os cabelos com laçarotes ou flores, além de outros adornos próprios das raparigas. Nesses encontros, como já vimos ser de praxe e assim mandarem os bons costumes, os pombinhos jamais eram deixados a sós. Fosse Mamã ou uma das filhas, alguém sempre estava a servir de guardião da moral familiar.

 

À noiva, gostava que sempre fosse Aurora a cumprir tais funções. Com esta irmã, apesar das constantes briguinhas e competições que mantinham entre si, desde miúdas, Aldenora sempre conseguia alguma cumplicidade, a lhe favorecer ao menos um entrelaçar de mãos e alguns rápidos beijinhos às faces. As outras manas também fechariam os olhos, mas não as bocas. Correriam a reportar tudo que ali se passasse à Mamã, menos por maldade, mais por falta do que fazer. As cândidas carícias, porém, eram para os dois jovens o motor que os fazia vislumbrar, cada vez mais, as sendas para o ungido e abençoado leito conjugal...

 

fim-de-post

 

 

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Segunda-feira, 15 de Janeiro de 2018

De regresso à cidade com um dia que já vivi...

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Cai a noite, fria,  como sempre nestes dias de inverno. A lareira dá algum conforto enquanto o lume dura, mas é na cama, com o sono, que o corpo se conforta, sono que tal como a lareira, dura enquanto dura. Depois vem de novo o dia, é segunda-feira, dia de fazer o regresso à cidade, lá fora o frio é gelado e com o nevoeiro que invade todo o vale durante a noite, o frio ignora a roupa do corpo e entra-nos nos ossos. Como todas as segundas-feiras é tempo de regressar à cidade, hoje, porque é segunda-feira, não vai ser exceção, mergulhada no nevoeiro, a cidade vai lá estar, escondida, sem céu para ver, sem sol para receber, apenas a sua luz o consegue atravessar, mas chega à cidade muito atenuada, mais cinzenta que branca, mergulhada no nevoeiro a cidade é como se não existisse,  mas o regresso à cidade tem de ser feito, como sempre, todas as segundas-feiras, mas hoje, regresso à cidade com um dia que já vivi, atravesso o vale, subo a encosta da montanha e deixo a cidade para trás, mergulhada no nevoeiro, chegado lá cima, quase no alto da montanha, viro-me para trás, e lá está ele, um mar de nevoeiro, e sim senhor, confirmo, a cidade não existe, apenas um mar de nevoeiro que dá à costa nas montanhas mais altas, por cima o céu e o sol, mesmo que meio encoberto por uma nuvem passageira, está lá, nota-se, sente-se…

 

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Tomada a liberdade de transgredir na rotina dos dias, subo e desço as encostas das montanhas e tal como dizia o pastor, as montanhas nunca acabam, a seguir a uma montanha há sempre outra montanha. Sigo para a mais alta, lá na croa confirma-se, há montanhas e mais montanhas,  mas ao fundo, há uma que é mais alta, nota-se pela brancura da neve que a cobre. A criança que vive sempre dentro de nós,  leva-me até ela, subo e desço novas montanhas, mais baixas, sempre com a brancura da mais alta no horizonte, é ela que me guia até estar debaixo dos meus pés. Está frio, mas aqui não atravessa a roupa do corpo. Sente-se apenas no rosto e nas mãos o que faz com que o calor do corpo saiba bem. Queria subir lá cima, pois queria, mas não pude, e também de nada serviria, o dia já estava e entrar em final de tarde, a neve estava gelada e  com o aproximar da noite as nuvem desciam sobre a montanha passando ao estado de nevoeiro, e não tinha sido para isso que eu tinha ido até lá.

 

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A meio da montanha, desço de novo até aos pequenos vales que a rodeiam, alguns com alguma  neve, outros nem tanto, mas de neve já chegava e a nossa criança já estava satisfeita e o abrigo do popó agradecia-se e dava para recompor o conforto nas faces e nas mãos. Indiferentes,  a nós e ao frio,  pareciam estar os animais nas pastagem. Despidos como sempre, sem abrigos para os proteger, mas com a aproximação, deixámos de ser indiferentes, com o frio deve ser o mesmo, mas em dia de transgressão, não estava muito virado para filosofar sobre o assunto e tirar ou chegar a conclusões… além do mais a noite aproximava-se e era tempo de regressar.

 

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Tempo de regressar para de novo esperar pelo cair a noite, fria,  como sempre nestes dias de inverno. A lareira, em casa,  dar-nos-á algum conforto enquanto o lume durar, mas vai ser na cama, com o sono, que o corpo se vai confortar, sono que tal como a lareira, vai durar enquanto durar. Depois vem de novo o dia, já será terça-feira, dia de regressar de novo à cidade, lá fora o frio vai estar gelado e com o nevoeiro que invade todo o vale durante a noite, o frio irá ignorar a roupa do corpo e entrar-nos-á nos ossos. Como todas as terças-feiras é tempo de regressar mais uma vez à cidade, e amanhã, porque é terça-feira, não vai ser exceção, pela certa irá estar mergulhada em nevoeiro, a cidade vai lá estar, escondida, sem céu para se ver, sem sol para se receber, apenas a sua luz o conseguirá atravessar, mas chegará à cidade muito atenuada, mais cinzenta que branca, mergulhada no nevoeiro a cidade vai ser como se não existisse,  mas o regresso à cidade terá de ser feito, como sempre, em todas as terças-feiras, mas amanhã, vou ficar lá… a liberdade também tem limites.

 

E com esta me bou!

 

 

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Quem conta um ponto...

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375 - Pérolas e diamantes: Viver na era do caos

 

O jornalista e ensaísta italiano, naturalizado americano, Federico Rampini veio a Portugal fazer uma análise ampla das tendências políticas e económicas dos últimos 25 anos, partindo do princípio de que vivemos na era do caos, pois a globalização fez falhar muitas das promessas, aumentou as desigualdades, fazendo com que a resposta à incerteza passe pelo populismo e o nacionalismo. Mas, em certos setores, parece que o tal ambiente caótico é visto como o terreno ideal para a criatividade.

 

Foi disso que Rampini veio falar: das ameaças e das oportunidades da era do caos.

 

A nível geopolítico o caos sobrevém das guerras, das guerras civis e da emigração em massa provocada pela instabilidade daí resultante. O segundo caos é a nível económico, com o crescimento incontrolado das desigualdades, sobretudo nas gerações mais jovens. De facto, o futuro parece pouco animador, pois, muito provavelmente, os nossos filhos serão mais pobres do que nós, o que é um fenómeno novo.

 

A maioria de nós já não acredita que com a educação é possível alcançar um melhor nível de vida.

 

Existe ainda o caos ambiental e o caos tecnológico.

 

Em Silicon Valley, as pessoas acreditam que o “caos” é uma palavra maravilhosa. Os que lá vivem e trabalham acham que é fantástico viver num mundo caótico porque é aí que as oportunidades florescem.

 

O caos geopolítico está a ser criado pelo facto de o Ocidente estar a perder a hegemonia, entrando num declínio irreversível. O centro do mundo está a deslocar-se para a Ásia. Isto quer dizer que estamos a entrar num período em que temos o declínio de um império, mas ainda não temos um novo império.

 

Vivemos num mundo que é menos desigual entre nações mas que é mais desigual no seu interior.

 

As desigualdades são tanto ao nível dos rendimentos como das oportunidades. Quando se olha para o sistema educativo vê-se de que maneira a desigualdade de rendimentos, de riqueza, se traduz numa desigualdade de oportunidades.

 

E o sonho europeu também se vai desfazendo à medida que o tempo passa e os problemas não se resolvem. A larga maioria dos países europeus já deixou de acreditar na Europa porque os seus líderes impuseram as famigeradas políticas de austeridade, sobretudo pela pressão da Alemanha. Agora é a sua legitimidade que está em causa. As gerações mais jovens perderam 10 anos das suas vidas sem terem arranjado um emprego a sério.

 

Triunfou a visão mercantilista. Na perspetiva de Federico Rampini, a Alemanha construiu a sua economia de modo a garantir um excedente permanente com os outros países, pois esse país necessita que os outros sejam mais fracos e menos bem geridos, sejam menos competitivos, de modo a que ela própria os absorva. Esta, lembra Rampini, é a regra básica do funcionamento do modelo alemão. Por isso nunca se esforçaram para exercerem uma hegemonia benéfica para o resto da Europa.

 

A crise financeira desencadeou uma nova perspetiva sobre o nosso sistema económico, pois afinal ele não é só ineficiente e instável, como também é profundamente injusto.

 

Todos nós vimos os Governos socorrerem os bancos, mas serem relutantes em estender o subsídio de desemprego aos que, sem culpa nenhuma, não conseguiram arranjar emprego depois de meses e meses de procura.

 

O problema é que o sistema não funciona, pois nem os governos nem o sistema judicial consideraram culpados os promotores da desgraça. Foram os bancos que provocaram a crise e foram os banqueiros aqueles que se safaram.

 

De facto, se ninguém é responsável, se nenhum indivíduo pode ser culpado pelo que aconteceu, isso significa que o problema reside no sistema político-económico.

 

Na sua opinião os políticos traíram-nos, os banqueiros roubaram-nos e, de uma maneira geral, as elites fizeram falsas promessas que não cumpriram, sobretudo em relação à globalização.

 

 João Madureira

 

 

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Domingo, 14 de Janeiro de 2018

O Barroso aqui tão perto - Chelo

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O nosso passeio de hoje pelo Barroso aqui tão perto vai ser até a aldeia de Chelo, na freguesia de Cabril, concelho de Montalegre. Aldeia com vistas lançadas para a imponência da Serra do Gerês, a sua vizinha da frente, aldeia que está estrategicamente colocada entre os rios Cabril e Cávado, sensivelmente a meio de ambos e a uma distância de aproximadamente 1 km de cada um deles. Rios que se encontram a cerca de 2 Km de distância da nossa aldeia de hoje, mas que nem por isso se dá por eles desde a aldeia.

 

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Estamos no Barroso verde do Parque Nacional da Peneda Gerês, não tão verde como o verde da freguesia de Salto, mas igualmente verde, que se desfaz em penedio mal toca nas encostas mais elevadas da Serra do Gerês.

 

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O povoamento desta zona não deixa de ser curioso. Junto a terras férteis e de altitude menos elevada, na ordem dos 500 m, é formado por pequenas aldeias. Para termos uma ideia, se no centro delas traçamos uma circunferência com 700 m de raio, podemos meter nesse círculo 9 aldeias, a saber: Chelo, Fontainho, Vila Boa, Chãos, Cavalos, São Lourenço, Bostochão,  São Ane e Cabril. Quase parece uma só aldeia com 9 bairros, tendo cada um uma grande quinta de cultivo. Exceção para São Lourenço e Cabril que sem serem grandes aldeias, são maiores que as restantes.

 

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Mas este tipo de povoamento, com o verde ao seu redor e a imponência da Serra do Gerês ali ao lado, da um ar pitoresco a estas aldeias, tanto mais que a grande maioria estão todas na mesma encosta da montanha, colocadas tipo anfiteatro, a várias altitudes, todas com vistas lançadas para a Serra do Gerês. A exceção continua a ser para Cabril, que já está junto ao Rio Cabril e São Lourenço que está na croa da montanha.

 

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E para terminar esta do povoamento conjunto destas pequenas aldeias, só queria referir que quando digo pequenas, são aldeias que têm até 20 construções cada uma. Estou a dizer construções e não habitações, pois estas são bem menos, para a contagem também entraram os armazéns e anexos. A exceção continua a ir para Cabril e São Lourenço onde atingem entre as 50 e 60 construções.

 

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Pelo que aqui deixei já se aperceberam onde fica esta aldeia. Para irmos até lá, como sempre a partir da cidade de Chaves, desta vez optámos pela Estrada do S.Caetano até Montalegre, daí rumamos até Sezelhe e depois Paradela. Entre Sezelhe e Paradela temos duas opções, uma via Covelães  (M308-5) a outra via S.Pedro (M514). Atenção que nesta segunda opção em S.Pedro temos que mudar de estrada, ou seja, se a seguir a S.Pedro encontrar Contim, vai enganado. Chegados a Paradela (ao lado da barragem com o mesmo nome) temos de atravessar o paredão da barragem e seguir essa estrada (M308) até ao nosso destino. Antes de lá chegar ainda passa (ao lado) por Sirvozelo, Cela, Lapela, Azevedo, e Xertelo. Ao todo, entre Chaves e Chelo são perto de 80 Km.

 

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Mas como sempre deixamos por aqui as coordenadas da aldeia:

41º 43’ 19,322 N 

08º  01’  09,88” O

Altitude: entre os 540 e os 580m

 

Fica também o nosso mapa com o itinerário assinalado.

 

mapa-chelo.jpg

 

Ainda antes de entramos na toponímia só mais duas palavrinhas, uma para dizer que as vistas para a Serra do Gerês impressionam, são de uma beleza impar. Quanto à aldeia, como é pequena, não tem muito que ver e o que tem, está disperso em pequenos núcleos de meia dúzia de casas ou então estão mesmo isoladas. Contudo não deixa de ser interessante, com muito verde pelo meio, quer dos campos cultivados quer do arvoredo. Ao ver as fotos da recolha reparei que da capela apenas tenho imagens com ela lá no alto. Ainda estou para saber o porquê de não ter subido até lá, pois não recordo ou então pensei que cá de baixo seria mais visível, mas dada a hora em que as fotos foram tomadas, por volta das 12H30, o mais provável é que a barriguinha já mandasse mais que a cabeça. Não é por nada, mas por estas terras, com as iguarias que por lá há,  o comer é sagrado e quentinho é que ele é bom.  Mas peço desculpas pela capela não aparecer completa, pois penso que merecia uma foto.

 

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Vamos então à toponímia, como sempre recorremos à “Toponímia de Barroso”:

 

CHELO

É apenas um simples diminutivo de chão. Vem de PLANU+ELLLU = PLANELU > CHÃELLO > CHELO. Ainda na muito velha forma Chaelo documenta-se:

- 1258 « et in Chaelo ij leyras» INQ 1513,

Integra uma família toponímica muito representativa: Chã, Chão, Chelinho, Chada, Achada, Cheda, Chelas, Chainça, Chaíça, Cheira, Chaira, Plaina, Choso, Chainho e, talvez, o muitíssimo arcaico Char.

 

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Sem querer duvidar daquilo que se diz na Toponímia de Barroso, deixo a outra fonte onde vamos espreitar o significado dos topónimos (ver endereço do blog na webgrafia deste post), que acaba por chegar à mesma conclusão:

 

Chelas – tem sido dito que vem do lat. “cella”: armazéns de grão. porém, ver “Chelo” e “Chenlo”. sgnific. mais provável: diminutivo de “Chãs”

Cheleiros – gente vinda de “Chelas” ou de “Chelo”?
Chelinho - pronunc. “chèlinho” : diminutivo de “Chelo”

Chelo – pronunc. “chèlo”. diz-se que é do lat.“cella”, com influência moç.: armazém de grão (?), santuário pagão (?), recinto religioso. porém, a existência de “Chenlo” na Galiza aponta para “plannelum” – pequeno plano ou chão. seria, pois, diminut. de “Chão”. a topografia dos lugares parece confirmar esta hipótese

Chenlo (Gz.) – o mesmo que “Chelo”. o “n” dá indicações preciosas sobre a etimologia de “Chelo” e de “Chelas”. ver “Chelo” e “Chelas”

 

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No portal do Arqueólogo, encontram-se algumas referências a um sítio arqueológico com o nome de Chelo, na freguesia de Cabril, Montalegre. Teria sido um povoado fortificado da Idade Média e Moderno com a seguinte descrição: Observam-se restos de várias construções rectangulares de pedra irregular bem como muros definindo recintos dispondo-se segundo um padrão de distribuição disperso.

Em Vias de Classificação (Homologado como IIP - Imóvel de Interesse Público).

 

Penso que será nas proximidades da aldeia de Chelo, mas não sabemos, pois a única informação sobre este sítio arqueológico é mesmo apenas esta do Portal do Arqueólogo.

 

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Quanto ao livro Montalegre, Chelo apenas aparece no contexto da freguesia de Cabril, onde consta:

 

“É um mosaico de pequeninas povoações ao longo das encostas abrigadas que descem sobre os rios. Sertelo (trata-se do diminutivo de deserto – Deserto+elo > Desertelo, como ermo deu Ermelo, (após a aférese do de inicial resulta Sertelo) que fica acima dos 700 metros, Lapela e Pincães, acima dos 600 metros, São Lourenço, Chelo, Fafião e Azevedo, acima dos 500 metros, Bustochão e Vila Boa, acima dos 400 metros, e todas as restantes, Cabril (que já se chamou a Vila ou a Baixa), Cavalos, Chãos, Fontaínho, São Ane e Chã do Moinho não sobem para lá dos 300 metros de altitude. Não admira por isso que, nestas funduras quentes e húmidas, Barroso se orgulhe de colher boa fruta, vinho e azeite na freguesia de Cabril."

 

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E vai sendo tudo, pois mais nada encontrei sobre esta aldeia de Chelo, aldeia pequenina e dispersa em pequenos núcleos, mas com motivos interessantes para merecerem uma visita e até estar por lá um pouco em apreciação das vistas que desde lá se alcançam.

 

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No próximo domingo cá estaremos outra vez com mais uma aldeia do Barroso, que está aqui tão perto, com a proposta de mais uma aldeia para visitar, que sempre poderá juntar a outras no itinerário que traçamos entre Chaves e a nossa aldeia de destino. Fica perto, quase sempre a menos de uma hora de distância e sempre com paisagens de encantar, sem preocupações com a barriguinha, pois se não for dos que leva o farnel atrás de si, terá sempre um restaurante perto do local onde estiver. Um bom programa para um sábado ou domingo.

 

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Só faltam mesmo as referências às nossas consultas e os links para as anteriores abordagens ao Barroso.

 

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Bibliografia

 

BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

 

Webgrafia

 

http://toponimialusitana.blogspot.pt/2007/02/o-carvalho-um-samelo.html

http://arqueologia.patrimoniocultural.pt/index.php?sid=sitios.resultados&subsid=49527

 

 

Links para anteriores abordagens ao Barroso:

 

A

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Algures no Barroso: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1533459

Amial - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ameal-1484516

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Antigo de Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-antigo-de-1581701

Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-arcos-1543113

Azevedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-azevedo-1621351

 

B

Bagulhão - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bagulhao-1469670

Beçós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-becos-1574048

Bustelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bustelo-1505379

 

C

Cambezes do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cambezes-do-1547875

Caniçó - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-canico-1586496

Carvalhais - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-carvalhais-1550943

Carvalho - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-carvalho-1623928

Castanheira da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-castanheira-1526991

Cela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cela-1602755

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Cerdeira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cerdeira-1576573

Cervos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cervos-1473196

Contim - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-contim-1546192

Cortiço - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1490249

Corva - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-corva-1499531

Covelães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-covelaes-1607866

 

D

Donões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-donoes-1446125

 

F

Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619

Fírvidas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-firvidas-1466833

Frades do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-frades-do-1440288

Friães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-friaes-1594850

 

G

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Gralhós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhos-1531210

 

L

Ladrugães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ladrugaes-1520004

Lapela   - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209

Larouco - Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

 

M

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

Meixide - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixide-1496229

Mourilhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-mourilhe-1589137

 

N

Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-negroes-1511302

Nogeiró - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-nogueiro-1562925

 

O

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886

Ormeche - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ormeche-1540443

 

P

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Paio Afonso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paio-afonso-1451464

Parafita: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-parafita-1443308

Pardieieros - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pardieiros-1556192

Paredes de Salto - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-1448799

Paredes do Rio -   http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-do-1583901

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Peneda de Cima, do Meio e de Baixo, as Três Penedas: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-as-tres-1591657

Penedones -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-penedones-1571130

Pereira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pereira-1579473

Pomar da Rainha - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pomar-da-1415405

Ponteira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ponteira-1481696

 

R

Reboreda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-reboreda-1566026

Roteiro para um dia de visita – 1ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104214

Roteiro para um dia de visita – 2ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104590

Roteiro para um dia de visita – 3ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105061

Roteiro para um dia de visita – 4ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105355

Roteiro para um dia de visita – 5ª paragem, ou não! - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105510

 

S

São Ane - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-ane-1461677

São Pedro - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-pedro-1411974

Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sarraquinhos-1560167

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Senhora de Vila Abril - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-senhora-de-1553325

Sexta-Freita - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-bento-de-1614303

Sezelhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sezelhe-1514548

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

 

T

Tabuadela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-tabuadela-1424376

Telhado - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-telhado-1403979

Torgueda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-torgueda-1616598

Travassos da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-travassos-1418417

 

V

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1508489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

Vilaça - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilaca-1493232

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

 

X

Xertelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-xertelo-1458784

 

Z

Zebral - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-zebral-1503453

 

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:41
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Sábado, 13 de Janeiro de 2018

Granjinha - Chaves - Portugal

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Há aldeias que surpreendem e encantam pelo seu conjunto, principalmente quando são avistadas a uma certa distância em que não dá para repararmos nos seus pormenores. Há outras aldeias que, por estarem tão aconchegas as encostas do terreno, só damos por elas quando entramos na sua intimidade. A Granjinha é uma dessas aldeias que surpreende e encanta na sua intimidade.

 

1600-granjinha (341)

1600-granjinha (348)

 

Mas as coisas, os sentimentos, os gostos a opinião,  não são tão subjetivas assim, na realidade temos de aprender e educar o olhar para despertar os sentimentos, apurar os gostos e definirmos a nossa opinião, mas não só. Digo isto porque só a partir da terceira entrada na intimidade da Granjinha é que me começou a surpreender e encantar, pois nas duas primeiras abordagens à Granjinha, ia com tarefas definidas, em trabalho, sem espaço para outras observações e encantamentos. Assim, quando fui por lá com olhos de ver, já para trazer aqui ao blog a Granjinha, foi como se fosse a primeira vez, e cheguei a acreditar que era, não fosse depois vir-me à memória os outros dois momentos passados.

 

1600-granjinha (295)

 

Mas também estes encontros surpreendentes e de encantos dependem muito de momentos, quer sejam da hora, do dia, do ano e até de nós próprios. Pois a terceira abordagem à Granjinha todos os momentos, bons momentos, estavam reunidos num só. E quer acreditem ou não, ao descer a calçada de entrada na sua intimidade, acolhido ali entre os muros altos por onde as heras trepavam, numa sombra deliciosa de um dia quente de verão, parei e por ali fiquei uns minutos, em estado de espanto, contemplação, no silêncio consentido, digamos que entrei num momento zen.

 

1600-granjinha (377)

 

Depois desse dia, às vezes, dou comigo por lá, os momentos primeiros, virginais,  nunca mais se repetiram, é certo, principalmente porque já não sou surpreendido, mas  a Granjinha continua a encantar com  outros momentos, granjearam-se amizades e descobertas que fazem sempre valer a pena uma visita, sem ser preciso penar para lá ir, antes pelo contrário.

 

1600-granjinha-art

 

E por hoje é tudo, quanto à Granjinha, se quiser saber e ver mais, pode procurar na pesquisa do blog, pois já lhe dedicámos alguns posts, mas como sempre o meu conselho é mesmo ir lá, ver com os próprios olhos, ainda por cima quando esta aldeia fica aqui mesmo ao lado da cidade, a um passo apenas.

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 18:46
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Pedra de Toque

pedra de toque copy.jpg

 

 

TEUS OLHOS DA COR DA TERNURA

 

Sempre fui pessoa comunicativa, mas nos últimos tempos, tenho falado em demasia comigo.


Nem tenho escrito o que tenho para escrever. Começo algumas crónicas mas não as termino e envio-as para na gaveta fermentarem e aguardarem nova oportunidade.


Tenho sofrido muito com a saudade.


Banalizada a palavra, cita-se de forma leviana, sem respeitar a dor que tantas vezes provoca naqueles que a sentem fundo.


Eu tenho imensas saudades tuas.


De tal sorte que, desde o encontro fugaz em que trocamos curtas palavras num momento de júbilo, tu estás sempre comigo.


Senti a tua fragilidade nas mãos finas com dedos compridos que sempre me enamoraram, mas sobretudo nos teus olhos que aos meus se colaram até hoje.


Eles estão nos becos da cidade, nas mesas de café, nos passeios que ladeiam as ruas, nos regatos, entre as flores nos canteiros dos jardins.


Já os vi espelhados nas águas do nosso rio.


Tenho-te visto muito pouco, por vezes na rua quando me desloco, noutras ocasiões no face, com teus olhos a embelezarem o teu rosto doce.


Teus olhos têm cor indefinida. Tanto me parecem verdes, como me parecem azuis, ou até cinzentos.


Só sei que quando os vejo, me perco neles.


Sei, contudo, que têm sempre a cor da ternura, a cor da poesia, a cor da tua boca.

 

Quando passares por mim, olha-me por favor.
A minha saudade, comovida agradece.
Obrigado.


António Roque

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 18:43
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Sexta-feira, 12 de Janeiro de 2018

Chaves, cidade, concelho e região - Uma foto por dia

1600-(43999)

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:06
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Vivências

vivenvias

 

“Mentes pequenas discutem pessoas

Mentes medianas discutem acontecimentos

Mentes grandes discutem ideias”

 

 

 Vivemos hoje num mundo de grande mediatização e globalização do conhecimento. Esta crescente facilidade no acesso ao saber por parte de todos leva a que muitas vezes nos deparemos com situações em que todos se pronunciam sobre tudo. Abrimos os jornais ou ligamos a televisão e, de repente, é como se toda a gente fosse especialista em todos os acontecimentos do nosso quotidiano. A verdade, porém, é que se estivermos mais atentos vamos constatar que, na maioria das vezes, aquilo que toda a gente discute são... pessoas. Não se trata propriamente de dizer mal ou bem, mas simplesmente de comentar, dar a sua opinião, sem que muitas vezes ela tenha sido sequer solicitada.

 

Existe, no entanto, um outro grupo de pessoas que foca as suas observações não sobre as pessoas mas sobre os acontecimentos. Discutem, assim, factos concretos, mas quase sempre já pertencentes ao passado. É uma reflexão a posteriori e que já não vai alterar em nada o rumo dos acontecimentos; quando muito, se for uma reflexão construtiva, poderá servir para melhor preparar o futuro, evitando que se repitam certos erros do passado.

 

Finalmente existe um outro grupo, muito mais restrito, que não desperdiça o seu precioso tempo comentando pessoas ou acontecimentos, mas antes refletindo sobre ideias. Esta reflexão ultrapassa o limiar do imediato e do quotidiano para se centrar num plano muito mais elevado. São, porventura, visionários, mentes que conseguem ver mais além das pessoas, dos factos e do tempo em que vivem, mentes nobres, construtoras de um amanhã que outros não conseguem vislumbrar. São estas pessoas que decididamente mais contribuem para que “o mundo pule e avance.”

 

E nós, o que discutimos?

 

Luís dos Anjos

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:41
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