Sábado, 20 de Dezembro de 2014

Lumbudus em Allariz – Galiza

D75_1290.jpg

 Inaugurou-se ontem à noite, no Casa da Cultura do Concello de Allariz, mais uma exposição coletiva da Lumbudus, intitulada Alhariz, 25 Olhares da Lumbudus, com a presença da Direção da Lumbudus e alguns fotógrafos da Associação, da Direção da Associación Vicente Risco e o Alcaide de Allariz.

D75_1252.jpg

A exposição resulta do passeio fotográfico que a Lumbudus promoveu ao Concelho de Alhariz no inverno passado e é agora levada a efeito numa organização da Fundación Vicente Risco e o apoio do Concello de Alhariz.

 

Os “25 Olhares da Lumbudus” contrastam com a exposição “ALLARIZ25MIRADAS”, esta a decorrer nas ruas de Allariz, de autoria de fotógrafos galegos, onde em cada uma está retratada uma personagem de Allariz que esteve envolvida na Revolta Veciñal de Allariz de há 25 anos. Exposições que estão integradas precisamente nas comemorações dos 25 anos dessa mesma revolta, de onde também resultam duas publicações coordenadas pela jornalista galega Mar Gil.

D75_1264.jpg

25 olhares Lumbudus Transmontanos sobre Alhariz e 25 olhares de fotógrafos de Alhariz sobre eles próprios. Olhares conjuntos de Galegos e Transmontanos que têm na origem uma mesma língua e identidade.

 

Após a inauguração dos 25 Olhares da Lumbudus todos os presentes visitaram ao longo das Ruas de Alhariz a a exposição Allariz 25 Miradas, tendo como cicerone o próprio Alcaide do Concelho, Francisco García.

D75_1265.jpg

Assim, se for por Alhariz não perca estas duas exposições que estarão patentes ao público até ao próximo dia 30 de janeiro de 2015.

 

Os créditos para as fotografias de hoje são todos para Humberto Ferreira, um dos fotógrafos Lumbudus presente na inauguração.

 

http://www.fundacionvicenterisco.com/

http://www.allariz.com/

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 18:25
link do post | comentar | favorito
|  O que é?

S.Pedro de Agostém - Chaves - Portugal

1600-s-pedro-agostem (133)

 E cá estamos de novo para abrir mais uma vez a janela para o nosso mundo rural, hoje, abrimo-la para S.Pedro de Agostém.

1600-s-pedro-agostem (94)

Um mundo rural aqui ao lado da cidade, com a freguesia ainda a ocupar parte do vale de Chaves mas a abrir as suas portas para entrar em plena Serra do Brunheiro.

1600-s-pedro-agostem (95)

 S.Pedro de Agostém que anualmente também abre as portas do Santuário da Srª da Saúde para receber a população, numa das mais concorridas celebrações religiosas do concelho de Chaves.

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 03:34
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2014

Discursos Sobre a Cidade - Por Francisco Chaves de Melo

discursos-chico

 

Mais milhão, menos milhão …

 

Já ninguém duvida que o erário municipal deu um grande trambolhão! Por este motivo, o atual presidente vê-se e deseja-se com os cofres municipais sem um tostão! Tal facto deve-se à “bancarrota”, tónica da gestão do anterior Presidente, agora 1º Secretário da CIM (Comunidade Intermunicipal) do Alto Tâmega.

 

Lembro que o lugar por si ocupado desde que saiu da Câmara foi criado pelo antigo ministro Miguel Fernando Cassola de Miranda Relvas que, com a conversa para “meninos” de ter extinguido 17 lugares de Governador Civil, acabou por os substituir por 23, 1º Secretários de CIM’s. Estes, são em tudo assemelháveis aos anteriores Governadores Civis: têm carro com “Chauffeur”, secretária, boa remuneração e tempo para ir a inaugurações cortar fitas ou abrir congressos. Isto tudo para além de menores responsabilidades que os anteriores Governadores. Claro está que a CIM só poderia estar nas mãos de um “amigalhão”! Só para dimensionar aquilo de que estamos a falar, cumpre referir que, em 180 mil euros de receitas totais, as despesas com remunerações consomem 143 mil euros.

 

Mas, e os milhões de que se fala no título? Perguntará o leitor!

 

Esses são de malhão! Ai, se são!

 

Diz o Presidente que na altura em que entrou para a Câmara (e já la vão treze anos) também se devia, mas não diz que durante esse tempo multiplicou a dívida por quatro. Consequentemente, uma dívida a rondar a dezena e meia de milhões, atinge agora as seis dezenas de milhões.

 

O Presidente fala num total atual da dívida municipal no valor de 56 milhões, para menos de 22 milhões de receitas anuais totais da autarquia e, embora estes milhões de dívidas sejam um enorme talhão, não são, contudo, a sua totalidade.

 

Convém recordar que os terrenos onde anda a ser construído o edifício projetado pelo Sr. Arq. Álvaro Joaquim de Melo Siza Vieira, ainda não foram pagos pela Câmara aos seus legítimos proprietários. Refiro-me ao edifício construído ao engano para ser a sede da Fundação Nadir Afonso, sedeada agora na rua Dr. Júlio Martins, no edifício do Antigo Magistério. Por sua vez, este último edifício foi remodelado com apoio de dinheiros públicos para albergar o Centro de Indústrias Criativas mas, também isso, não aconteceu e, agora, além da Fundação Nadir Afonso, assentou lá arraiais a associação afeta ao PSD local, “A Voz da Juventude”.

 

Pois bem, não se admirem se os terrenos a pagar vieram a ultrapassar os dois milhões de euros e o total da dívida da Câmara saltar para os 58 milhões.

 

Mas não ficamos por aqui! Os terrenos junto ao rio Tâmega para o projeto POLIS, também não estão pagos aos seus legítimos donos pela Câmara. O antigo Presidente, se a memória não me falha, referiu que tinha de lado 1,7 milhões para pagar esses terrenos. Referiu, aquando da extinção da sociedade POLIS, que ficaria com a parte do Estado (51%), bens e responsabilidades, e que assim a Câmara ainda receberia, desses 1,7 milhões, alguma parte, após se pagarem os terrenos expropriados. Mas isto foi mais um grande, grandíssimo desaire! Atualmente, após se tomar conhecimentos do valor real a pagar pelos terrenos expropriados (valor ainda em decisão nos tribunais), de 1,7 milhões iniciais, já vamos em 5,6 milhões e, pelos vistos, a procissão ainda vai no adro. Com esta “habilidade” assumiu o município despesas que o estado pagaria em mais de metade (51%). É caso para se dizer que com o olho em minguados milhares, que pensava receber-se, vamos é todos pagar milhões durante a próxima década! Computa-se, no entanto, que se somarão ainda mais dois milhões ao referido desaire para, desta forma, atingimos os 60 milhões de dívidas totais.

 

Seis dezenas de milhões!

 

É obra!!!

 

Continuo ……??

 

Não, não vou continuar, é Natal!

 

Mas reparem que a auditoria financeira às contas não foi chumbada sem que houvesse motivo. Lembro que a Câmara tem responsabilidades na Escola Superior de Enfermagem, nas Águas de Trás-os-Montes, na Flavifomento, na Empresa Municipal ……

 

Enfim, a dívida está a ser um enorme aguilhão para a administração municipal e já começa a ser um peso acrescido de impostos e taxas para todos os que aqui vivemos.

 

Ora, por cá, neste assunto, não se pode dizer que o mexilhão não se lixou! Nem que não se “lixará” mais ainda!

 

Bom Natal para todos!

 

Francisco Chaves de Melo

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 00:50
link do post | comentar | favorito
|  O que é?

Duas images, dois olhares

1600-(21425)

Hoje ficam dois olhares diferentes, embora a receita seja a mesma – luz, contrastes, reflexos e por aí fora…, é, é assim a fotografia com a sua polivalência singular que vai desde o cliché que a quase todos agrada até à realidade abstrata que sem alterar, o olhar distorce, agradando a uns, a outros nem tanto e, a outros ainda, nada ou quase nada.

1600-(21559)

Hoje, em imagens, foi assim, mas já de seguida voltamos à normalidade das sextas-feiras com mais um “Discurso Sobre a Cidade”, onde com as palavras e opinião de Francisco Chaves Melo.

 

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 00:48
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2014

Factor Humano, por Manuel Cunha (Pité)

1600-cab-mcunha-pite

 

“De chapéu na mão”?

 

Recordo-me de um doente me contar uma história antiga, dos tempos do fascismo de Salazar. Nessa época era possível que um proprietário rural abastado, pelo simples facto de “dar trabalho a um casal”, se achar com o direito, de que todos os filhos desse casal, trabalhassem para ele, gratuitamente! Sem terem direito a comida, nem sequer lhes era permitido beber água da torneira, “só da do tanque” dizia o Sr. Patrão. E o meu doente, que era exactamente um desses filhos, dizia-me com ar triste: sabe doutor, o meu pai era daqueles “de chapéu na mão, perante o patrão. Com esta imagem conseguiu-me transmitir, certeiramente uma posição de submissão e de medo por parte do pai. Esse medo, que não era igual para todos, entranhou-se em muitos durante esse regime fascista e permitiu-lhe um tempo de duração de quarenta e oito anos.

 

Um dos aspectos mais bonitos do 25 de Abril foi o desaparecimento dos medos. Deixou de haver medo da guerra, deixou de haver medo da PIDE e dos bufos. Deixou também de haver medo desses tais patrões. Esses que antes gostavam que lhes falassem “de chapéu na mão”.

 

Nasceu a esperança num futuro melhor, sem misérias, sem fome, com educação e com saúde mais acessíveis. Começou um tempo com direito ao trabalho, a um trabalho com direitos.

 

Pouco a pouco o medo voltou a insinuar-se… Começou a entranhar-se de novo. Foi nos locais de trabalho, um dos sítios onde mais cedo se notou o ressurgimento desse medo.

 

Durante algum tempo o emprego público parecia ainda, uma ilha de resistência a esse medo. Não havia receio de protestar, não havia receio de fazer greve, nem de denunciar situações injustas.

 

De alguma forma era preciso acabar com este mau exemplo, de locais de trabalho sem medo. Essa era uma das condições que os herdeiros dos antigos patrões entendiam como indispensável para a restauração do tal medo. A empresarialização dos serviços públicos, a precarização do seu emprego e as pressões sucessivas da limitação da liberdade de expressão, têm vindo a permitir, de uma forma assustadora, que o medo domine até os ambientes do emprego público.

 

Isto tem tido reflexos no medo de denunciar situações inaceitáveis nos serviços públicos, ao nível do ensino, da saúde, da segurança social, das autarquias… Começa a ser comum que essas denúncias fiquem na esfera da conversa privada, por medo de retaliações por parte dos responsáveis dos serviços públicos.

 

É importante que cada um de nós resista ao domínio deste medo, que é condição indispensável para a diminuição das liberdades. Torna-se imperativo que exerçamos a liberdade de expressão, também como uma forma de defender essa própria liberdade de expressão. Senão um dia acordamos todos “de chapéu na mão”.

Manuel Cunha (Pité)

 

publicado por Fer.Ribeiro às 00:25
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|  O que é?

Chaves e a sua névoa

1600-nevoa (20933)

 

publicado por Fer.Ribeiro às 00:10
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Quarta-feira, 17 de Dezembro de 2014

Momentos de Meditacão

1600-(20074)

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 02:35
link do post | comentar | favorito
|  O que é?

Chá de Urze com Flores de Torga - 61

1600-torga

 

Coimbra, 27 de Maio de 1987

 

Portugal suspenso dum jogo de futebol. É o máximo a que pode chegar a tensão nacional. Medularmente desinteressados do nosso destino coletivo, só atentos a um egoísta quotidiano pessoal, satisfazemos as obrigações gregárias de sonho e acção apaixonando-nos momentaneamente por um mero resultado desportivo. Como não nos é possível esquecer inteiramente que fazemos parte de uma comunidade, e que a nossa justificação também depende do que ela for e fizer, sofismamos os seus valores. Amanhã, se ganharmos hoje, toda a mediocridade nacional, que obscuramente nos mortifica, estará redimida. Seremos os melhores do mundo por alguns dias.

Miguel Torga, In Diário XV

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 02:16
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Terça-feira, 16 de Dezembro de 2014

Momentos!

1600-(38501)

Sempre gostei destes momentos do anoitecer, ainda mais quando os últimos raios de sol refletem o seu doirado sobre as águas mansas de um rio onde nem o arvoredo se atreve incomodar, mas gostar mais ainda, gosto da certeza de que amanhã haverá um momento igual, com o mesmo doirado, com o mesmo rio, fiel, que voltará a passar sem qualquer murmúrio e, em que as mesmas árvores de hoje também vão lá estar, transparentes, para que o doirado possa doirar por inteiro estes momentos.

 

publicado por Fer.Ribeiro às 01:05
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Segunda-feira, 15 de Dezembro de 2014

Quem conta um ponto...

avatar-1ponto

 

219 - Pérolas e diamantes: o BCI e a Alternativa

 

A carga dos impostos atingiu em Portugal níveis de autêntica extorsão, protegida por lei. Quer o poder central, quer o poder local, não se cansam de continuar a carregar as pessoas com taxas e taxinhas para todos os gostos e feitios. Num lado somos taxados como contribuintes, noutros apelidam-nos de munícipes. Mas no final vai tudo dar ao mesmo. O desgraçado do português chega ao final do mês com muito menos dinheiro.

 

Feitas as contas, apurou-se que entre o primeiro dia do ano e o dia 6 de junho subsequente, cada português trabalha única e exclusivamente para pagar impostos. Isto no que diz respeito à denominada carga fiscal, constituída pelos impostos pagos obrigatoriamente ao Estado e os descontos relativos à Segurança Social.

 

As taxas e taxinhas não estão englobadas nestas estatísticas. Qualquer dia a nossa autarquia começa a exigir-nos o pagamento de uma taxinha pelo ar que respiramos e uma taxa pela utilização dos passeios, caminhos e estradas. Isto é se já não as pagamos de forma encapotada, que é o mais provável.

 

A ironia de tudo isto é que três anos de sacrifícios brutais, feitos de forma metódica e planeada pelo governo do PSD/CDS, obedecendo a uma ideologia neoliberal pura e dura, destruíram a maior parte do tecido económico português e não produziram, afinal, resultados minimamente satisfatórios e duradouros.

 

Para explicar melhor aquilo de que falo, vou recorrer às palavras de Marco António Costa, vice-presidente e porta-voz do PSD.

 

Numa entrevista ao DN, relativamente ao emprego, o senhor, com a eloquência que o carateriza, afirmou que “a verdade é que foram criados 160 mil postos de trabalho no último ano”. O jornalista, atento, perguntou-lhe a seguir: “E quantos foram destruídos: «Foram destruídos muitos mais…» ”

 

Os políticos lusos são mesmo assim, por isso é que muitos deles estão atualmente às turras com a Justiça em casos de fuga ao fisco, branqueamento de capitais e corrupção. Enquanto outros não se atrevem a auditar externamente as contas da sua gestão autárquica.

 

Afinal para que raio serviram estes três anos de devastação?

 

Os portugueses começam a estar mais do que fartos deste sistema político capturado pelo Bloco Central dos Interesses (BCI), constituído pelo CDS/PSD/PS. No fundo são eles os principais culpados pela corrupção que assola o sistema democrático e republicano português, crise que explica a insatisfação com o regime. O que é verdadeiramente preocupante.

 

A insatisfação com o sistema político é consequência da impotência política dos governos face à crise económica e social.

 

Todos assistimos impotentes e desiludidos à debilidade da nossa democracia. É urgente que as nossas opções individuais de voto se concentrem em novas formações partidárias constituídas por pessoas impolutas e visceralmente honestas.

 

É urgente acabar com este triângulo vicioso. Se não, como o provam os últimos acontecimentos mediáticos, esta gente acaba com o país.

 

 João Madureira

 

PS – Diz o filósofo que não há pior surdo do que aquele que não quer ouvir. Mas nós ainda acreditamos que o político sério e honrado, tudo faz, para que as contas públicas sejam transparentes.

 

Por isso mesmo renovamos o apelo ao senhor presidente António Cabeleira, e aos seus distintos vereadores, João Neves incluído por inteiro, para que aprovem uma auditoria externa às contas da autarquia.

 

É que o buraco da dívida camarária é de tal dimensão que tememos que nos arraste a todos para dentro dele e nos devore.

 

Além disso quem não deve não teme e à mulher de César… o senhor presidente sabe, com toda a certeza, o resto do refrão.

 

Assim o saiba rematar, não apenas com as palavras, mas, sobretudo, com a ação.

 

PS 2 – E, já agora senhor presidente, também em nome da transparência, talvez fosse boa ideia aprovar conjuntamente uma auditoria externa às contas da JF de Santa Maria Maior, da qual foi digno presidente, até 2013, o gracioso vereador João Neves (ex-MAI e atualmente do PSD), pois quem não deve não teme; certos de que aquele que tão entusiasticamente reivindicou, durante toda a campanha eleitoral, uma auditoria às contas da Câmara de Chaves, com toda a convicção verá com bons olhos, e até aclamará fervorosamente, uma auditoria realizada às contas do seu honrado mandato.

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
link do post | comentar | favorito
|  O que é?

De regresso à cidade - Jardim do Castelo

1600-(41415)

 

publicado por Fer.Ribeiro às 00:45
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Domingo, 14 de Dezembro de 2014

Abandonos, Traços e Tradições

Os abandonos

1600-CURALHA (198)

 Castro de Curalha

Como sempre aos fins-de-semana venho por aqui com as nossas aldeias (do concelho de Chaves) e a dificuldade não está em escolher uma aldeia, pois temos perto de 150 e daí muita escolha, a dificuldade está em não ser repetitivo, e trazer qualquer coisa de novo, quer em imagem quer em palavras Acontece que comecei a fazer recolha de imagens das aldeias apenas na era digital da fotografia, que coincidiu mais ou menos com o início deste blog que em breve fará 10 anos de existência, e durante este período tento ser diferente nas imagens, mas as palavras, acabam sempre por ir para ao mesmo, mas já lá vamos.

1600-CURALHA (217)

 Castro de Curalha

Pois na escolha de hoje parei no Castro de Curalha e fiquei durante largos minutos pasmado a olhar para as imagens. Em silêncio, em reflexão e com muita interrogação. Quem foram estes povos dos Castros? Porquê a croa dos montes e elevações para a sua construção? Porquê os abandonaram?

1600-CURALHA (209)

Vistas desde o Castro de Curalha

Embora se possa chegar às respostas pela simples dedução ou pela História, a última questão dá muito que pensar e refletir, pois ao longo dos séculos a história foi-se repetindo e outros abandonos, mais ou menos recentes, foram acontecendo, ou melhor, acontecem, pois estamos em pleno processo de abandono das nossas atuais aldeias de montanha.

 

Traços e Tradições

1600-_FCR4044

Hoje em vez de uma aldeia, ou um lugar que já foi povoado, temos dois lugares, esta última ainda aldeia, que graças á sua proximidade da cidade, se vai mantendo como um dormitório por excelência, mas permitindo que os seus habitantes se mantivessem fiéis ao berço, à casa, às terras, à família, à vizinhança, às tradições e saberes, alguns deles comunitários. Em suma, uma aldeia que se mantém aldeia, mesmo que rodeada de modernidade.

1600-_FCR3910

 Uma aldeia onde no tempo no final do ano, quando o frio começa a marcar presença, o reco cevado ainda vão ao banco. Certo que já não é em todas as casas, como há duas ou três dezenas de anos atrás, mas ainda os há e, mesmo que não houvesse, de há uns anos para cá, anualmente, um benemérito das tradições, faz uma matança do reco comunitária, isto no sentido de que convida toda a população da freguesia e da aldeia da Abobeleira, onde também fomos durante alguns anos e que, embora o convite se mantenha, não temos tido disponibilidade para ir, mas temos o registo dos anos anteriores. Estes que vos deixo, são do ano de 2012.

1600-_FCR4145

Esta última imagem é do “santuário” da Abobeleira, feito com a carolice de um habitante, curiosamente voltada para uma antiga barragem romana mais que abandonada e da qual quase nem restam vestígios, mas com o pecado do vício e do jogo de fundo, uma daquelas modernidades que nos últimos anos se implantaram em Chaves que, com o pretexto de servirem Chaves e a região, se vão servindo.

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 18:59
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Sábado, 13 de Dezembro de 2014

Pedra de Toque - A voz

pedra de toque copy

 

A voz

 

As palavras e o papel comungam-se a todo o instante.

 

Mas as palavras são ferramenta da voz que nasce na garganta e os lábios pronunciam.

 

Alguns conseguem trazê-las do fundo dos sonhos e a voz então tembla, nas cordas da sensibilidade.

 

Um amigo muito estimado, companheiro de muitos anos, daqueles que sempre se encontram em lugares longínquos, parecendo a todo o momento que foi ontem, um amigo enorme, por doença ou acidente com alguma gravidade, viu-se sofridamente sem voz.

 

Ele que usufruía da sua, doce e profunda, tantas vezes contundente, voz que emprestava aos poetas quando dizia seus versos.

 

Foram muitas as jornadas em que, com outros, “cantamos” poemas com paixão contaminante.

 

Doeu-me demais o sucedido.

 

Há poucos dias, no entanto, na visita mais recente, ouvi-lhe ainda que ténues, as palavras que tanto gosta de dizer.

 

Segundo os médicos tudo indica que a recuperação total poderá acontecer em breve.

 

Para bem dele, para bem dos amigos, para bem dos poetas.

 

As doenças graves dos meus amigos, continuam a adoecer-me.

 

Serei assim, até sempre.

 

António Roque

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 18:39
link do post | comentar | favorito
|  O que é?

Torre de Ervededo - Chaves - Portugal

1600-torre (192)

Um bocadinho mais tarde que o costume mas não poderia deixar de fazer uma ronda pelas nossas aldeias. Hoje vamos fazer uma breve passagem, apenas dois registos sobre a Torre de Ervededo.

1600-torre (184)

Uma imagem das portas, das antigas à moda antiga, feitas de boa madeira maciça de castanho, quase sempre para pintar a vermelho sangue de boi ou a verde garrafa, para resistirem tanto aos infernos do verão como aos rigores do inverno. A segunda imagem é do largo principal da aldeia, o histórico, onde ainda existe o antigo edifício da sede do concelho de Ervededo e também cadeia e onde, reza a história, teria existido um pelourinho.

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 18:29
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Sexta-feira, 12 de Dezembro de 2014

Discursos Sobre a Cidade - Por Gil Santos

GIL

 

A SAGA DE UM COMBATENTE NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

DE CHAVES A COPENHAGA

introdução

 

O avô António, paizinho como gostava de ser chamado, era um homem simples. Apenas um António como tantos, sem fama, sem proveito e sem glória! Esteve em dezassete na guerra de catorze e, ao jeito do João Ninguém, Soldado da Grande Guerra, repousa no eterno silêncio dos desprezados. Para além de herói, que outro nome lhe poderemos dar, questiona Menezes:

DSC_0523.JPG

 

“Que nome poderei eu dar aos simpáticos soldadinhos, aqueles trigueiraços que das oito províncias acorreram de mochila às costas, sem faltar ao embarque para honra dos seus batalhões? Nem «serrano», nem «lanzudo», nem «gambúzio», nem «folgadinho». Baptizá-lo-ei, muito simplesmente, com o nome de João Ninguém, incarnando assim, nesta modesta alcunha, aquele português que nas horas difíceis tudo faz para Maior glória da pátria e a quem muitos esqueceram, chegada a hora dos benefícios e compensações”[1]

34.jpg

 Não adornavam os seus ombros de miliciano os galões da oficialidade, mas somente as divisas de um 1º Cabo de Infantaria. Não lhe coube a sorte do cachapim, para fazer a guerra na recoca a colher os louros do front. Era apenas um dos muitos milhares que não mandava, obedecia! Foi um reles praça-de-pré da malta da trincha no Corpo Expedicionário Português.

41.jpg

 Teve a desdita de nascer em tempo de guerra. Sem padrinho que o livrasse, sofreu no corpo e na alma as agruras de um destino cruel que não mereceu. E, como se não bastasse o pavor quotidiano da morte, ainda viveu as maiores privações nas trincheiras. Experienciou, inclusivamente, o miserável estatuto de prisioneiro de guerra. Do Reno à Silésia, passando pela Prússia Oriental, vivenciou o ódio do boche sob a forma da desonra, da doença, da fome e do abandono. Da rija têmpera do granito do Brunheiro, venceu as maiores adversidades e, como o carvalho das touças do Planalto, sobreviveu a uma beligerância que nunca lhe explicaram e que ele pas compris. A guerra escacholou-lhe a alma, como o morteiro a Terra de Ninguém. Marcou-lhe o ritmo para o resto da sua vida. E de tal forma que não recordamos sesta, serão ou passeio d’acavalo, sem a eterna presença das suas memórias. A sua narrativa precipitava-se como os morteiros à pilha cão: orgulhosa, fria e medonha, porém, sempre admirável e bela. A resenha era tão real que trazia consigo o cheiro à pólvora, ao gás mostarda e à maçã assada. As suas palavras remedavam o matraquear da costureira e, por vezes, até passavam a sensação da coceira provocada pelas migalhas de pão com pernas, que chegavam a ser do tamanho de chícharos.

47.jpg

 Aqui daremos conta das suas memórias de gambúzio. Fá-lo-emos com a mesma emoção e o mesmo realismo com que foram escritas na trincha pelo próprio punho. As vivências, relatadas em primeira mão, genuínas, hão de arreganhar como ouriços maduros. Delas verterão as palavras como as castanhas: luzidias, escorreitas e cristalinas. A ingenuidade das suas expressões, lavradas como quem as diz, transporta-nos a uma realidade pura, ausente dos subterfúgios da escrita elaborada que desconhecia. Não se especte, por isso, literatura arrevesada. Seria até injusta tal exigência. De um homem simples, nascido nos corgos do Brunheiro, que poderíamos esperar? Muito se lhe deve por saber ler e escrever. Raríssimo privilégio para o seu tempo. Muito fez ele, movido, certamente, por uma vontade incomensurável de trazer à saciedade a sua vivência de serrano. Fê-lo com a mesma coragem com que foi aos arames ou cortou prego, a mesma abnegação com que lidou com os arraites do boche e a mesma fé com que sobreviveu à metralha e ao cativeiro. Quem sabe até se com a mesma ironia com que teria troçado dos kilt das mademoiselles de tranchée!

 

E versejou:

          Para quem nunca tinha visto                                 Perguntei se naquele campo

         Fogo de tantas maneiras                                        tinham arrancado castinheiros

         Foi uma entrada bonita                                          e responderam-me que eram covas

         Que eu tive nas trincheiras.                                   de granadas e morteiros.

 

Fig58.png

 

Quisemos, por isso, convocar na integra o seu Diário de Guerra e publicá-lo em fac-simile, para que não se perca cibo. Desta feita, cremos oferecer o encanto no seu estado mais puro. Os nossos escritos, em segunda mão, jamais conseguiriam proporcioná-lo.

livro 5.JPG

 Para que melhor se entenda o propósito, estruturámos a obra na correspondência cronológica do manuscrito do combatente. Assim, no início de cada capítulo, identificamos a paginação que no Diário lhe corresponde.

 

O objetivo da primeira parte deste livro, é o de contextualizar/esclarecer a leitura principal do Diário, a mais significativa.

71.jpg

 Não se pense que foi tarefa fácil reconstituir, com o rigor que se exigia, a saga do nosso toupeira! As lacunas naturais do relato e o difícil acesso à raríssima informação do Arquivo Histórico Militar e do Geral do Exército, foram obstáculos sérios, exatamente por se tratar de um António Ninguém, com um nome igual a tantos outros!

Fig12.jpg

 Contudo, a nossa persistência, o crédito das suas vivências, mas sobretudo a nossa curiosidade pela descoberta, conseguiram afastar todos os escolhos. Desta forma, que cremos digna, contamos, com ele, a epopeia na Grande Guerra. Apesar de tudo, o que indagámos e aqui vertemos é, do nosso ponto de vista, bastante para engrandecer os feitos de quem emprestou à pátria, ingrata, tanta dor!

51.jpg

 Queremos, no entanto, que esta saga vá mais longe. Que reze, também, por todos os que, ignorados, douraram a glória de quem os mandou para a trincheira.

 

Neste primeiro centenário da Grande Guerra, acreditamos que esta obra dignificará a memória de quantos empenharam a pele pela pátria imerecida!

333.jpg

 À sua tenacidade e inteligência devemos o orgulho da portugalidade, ao avô António a existência. Só isso basta para esta justa homenagem.

 

Reconheçamo-la como um humilde tributo à sua coragem, um hino imperfeito à sua sobrevivência e um preito inopioso à sua memória.

222.jpg

 

[1] Cf. Menezes Ferreira, João Ninguém Soldado da Grande Guerra, Impressões Humorísticas do cep, 1917-1919, Lisboa, Serviços Gráficos do Exército, 1921, p. 14

 

publicado por Fer.Ribeiro às 02:32
link do post | comentar | favorito
|  O que é?

.Fotos Fer.Ribeiro - Flickr

frproart's most interesting photos on Flickriver

.meu mail: ribeiro.dc@gmail.com

.Dezembro 2014

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9


21
22
23
24
25
26
27

28
29
30
31


 

 

El Tiempo en Chaves

.Veja aqui o:

capa-livro-p-blog blog-logo

.Facebook

Blogue Chaves Olhares

Cria o teu cartão de visita Fernando Ribeiro

Cria o teu cartão de visita Instagram

.subscrever feeds

.favorito

. Solar da família Montalvã...

.posts recentes

. Lumbudus em Allariz – Gal...

. S.Pedro de Agostém - Chav...

. Discursos Sobre a Cidade ...

. Duas images, dois olhares

. Factor Humano, por Manuel...

. Chaves e a sua névoa

. Momentos de Meditacão

. Chá de Urze com Flores de...

. Momentos!

. Quem conta um ponto...

. De regresso à cidade - Ja...

. Abandonos, Traços e Tradi...

. Pedra de Toque - A voz

. Torre de Ervededo - Chave...

. Discursos Sobre a Cidade ...

.pesquisar

 
blogs SAPO

.Blog Chaves no Facebook

Estou no Blog.com.pt

.Creative Commons

Creative Commons License
Este Blogue e o seu conteúdo estão licenciados sob uma Licença Creative Commons.

.Olhares de sempre

.links

.tags

. todas as tags

.arquivos

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Agosto 2005

. Julho 2005

Add to Technorati Favorites