Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017

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  1. “LAUS AMORIS”.

 

Seguiram-se outros breves encontros, com os pombinhos a se aproveitarem das oportunidades da sorte, uma vez que, naquele tempo, os namoros só eram bem vistos quando encarados com uma seriedade pré-nupcial.

 

O moço das belas suíças estava sempre elegante, em seu fato de linho, a portar consigo um vistoso Swiss Tissot, preso a uma corrente de ouro, a qual se estendia de um dos bolsos do colete até à algibeira. À cabeça, tinha habitualmente um charmoso chapéu comprado ao Porto. Ele que, até então, tal como os demais rapazes da Vila, restringia sua religiosidade às missas dominicais e a ofícios em datas festivas, mostrava-se agora um fervoroso devoto, a marcar sua presença em novenas, rezas, ladainhas e que tais, em tudo, enfim, a que a sua amada estivesse presente.

 

Nonô, por sua vez, entregue a esses atos piedosos com real sinceridade e constância, entrara para a congregação das Filhas de Maria na Igreja Matriz, onde cantava ao coro. Acabou por ganhar aquilo que, após os números de mágica, vinha sendo negado à mana Aurita: a confiança de Papá. Vivia saindo de casa, agora, com uma frequência nunca antes permitida, aldemenos que fosse de casa para a igreja e da igreja para casa, e sempre junto de sua fiel escudeira Sancha Maria Pança de Tourém. Por ordens de Mamã, a criada acompanhava a beatífica menina às reuniões vespertinas na igreja, para esta se dedicar às orações e obras de caridade (agora, na caridosa companhia de um recém-beato). Graças a doces afagos verbais e à promessa de um manhuço de réis, Maria sempre deixava que a menina, à saída da igreja, demorasse um pouquinho mais para usufruir de alguns momentos de boa conversa com Sidónio.

 

Os namoradinhos passaram a trocar bilhetes, em que falavam do mais puro amor, como nestes versos que um dia o rapaz, em sua melhor caligrafia (a possível) e de acordo com a ortografia da época, dedicou à sua amada:

 

“A vida é cheia de trevas e de frio.

Só se bebe fel, só se pisam ´spinhos.

Cahem de cima os vendavaes a fio

 Estão cheios d’ abysmos os caminhos

E por todo esse mundo só achamos

Miseráveis e nus os pobrezinhos.

 

 

Por isso se na vida deparamos

Com um amor singello, casto e puro

Paremos, porque o céo já alcançámos.

O amor é o alto e inabalável muro

Contra o qual não prevalece o pecado,

Nem inveja ruim, nem jogo impuro.

 

Seja, por isso, o amor sempre louvado!”

 

Assinou apenas “António”. Tratava-se, todavia, do poema “Laus Amoris”, copiado a um jornal de Chaves e seu verdadeiro autor era um outro António, o Granjo. À altura da escrita desses versos, o poeta era, então, um jovem estudante flaviense em Coimbra, mas já prosseguia em sua obstinada atuação política a favor dos ideais republicanos.

 

A um dos raros bailes em que o Papá concedia que as filhas prestassem o brilho de seu comparecimento, os da Sociedade Recreativa Flaviense, Nonô estava a dançar com Sidónio, ao som da valsa de Armando de Pinho Dias “Os teus sorrisos”, quando o rapaz mirou-a bem nos olhos e disse – Amo-te. Quero que sejas minha companheira para todo o sempre, sob as bênçãos de Deus e dos homens – e Aldenora apertou a mão do rapaz que, a bailar consigo, já a mantinha entrelaçada à de sua jovem parceira – Também te amo, mas sabes que uma rapariga que tem família não é senhora de si. Hás de falar com o Papá – Falarei sim, com ele, com tua Mamã, com Chaves inteira, com Portugal inteiro. Ao mundo inteiro, enfim, gostava de dizer, em alto e bom som: amo-te! Amo-te! Amo-te!

 

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Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017

SINCELOS - ESTÓRIAS DE CHAVES

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SINCELOS

estórias em Chaves

 

Sincelos – estórias em Chaves, mais que estórias é um presente de Natal com estórias nossas, da nossa terra,  que o Gil Santos, também ele flaviense do planalto do Brunheiro e que também faz parte da família deste blog,  nos oferece, partilhando-as connosco. Estórias de vidas de montanha, de Chaves, de leitura obrigatória, de contar à lareira, de partilhar, de oferecer como quem oferece um pouco de nós. Sem dúvida um bom presente par oferecer neste Natal.

 

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Roubámos a sinopse e as notas de abertura de SINCELOS para partilhar aqui:

 

SINOPSE

«Sincelos» oferece-nos estórias simples, retalhos humildes, tal como as hortas da minha terra que se fazem de singelos talhões de renovo.


Mal ou bem ditas, estas estórias pretendem emprestar voz aos modos de vida, mas sobretudo às falas que o turbilhão do devir força ao olvido.


Que sejam o que eu quero ser, simples e ingénuas, «cortando o real com a faca da língua»!


Desabridamente destemperadas, as estórias radicam na «franqueza absoluta de uma oralidade recolectora dos sentimentos» de um povo modesto e sofrido.


Um tributo da escrita à nostalgia do Planalto!

 

 

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NOTAS DE ABERTURA

Sincelos hão de ser preitos ao linguajar das gentes do Planalto. As palavras, navalhas amoladas pelo suão, os sentimentos tributos a um povo simples e sofrido que ama e odeia como os demais.

 

Sincelos hão de ser memoriais aos jeitos de dizer da minha terra, um lugar livre e descomprometido.

 

Sincelos serão a evocação de um passado remoto, fragilmente registado, que o resgatará do turbilhão do devir.

 

Sincelos serão asas que rasgam os ventos da imaginação em pedaços tangíveis.

 

Sincelos serão testemunhos que nos acertam a vida.

Sincelos serão viagens a um tempo outro. O saldo das contas com a

simplicidade que lhe marcará a diferença.

Sincelos serão pontes para a nostalgia.

Sincelos serão a alma gémea de um homem do povo, que assuca o torrão

com a relha da caneta. Um lavrador de courelas que não renega o berço que o pariu.

 

Aproveitem, mas botem samarra que o vento corta!

 

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Para quem estiver interessado em comprar o livro, o preço de capa é de 15€ e está à venda na FNAC, em Chaves na Rua do Olival (Livraria da papelaria Flávia Douro) ou pode ser pedido por mail ao autor para enviar à cobrança, com pedidos enviados para o seu mail pessoal: gilmmsantos@gmail.com.

 

Da minha parte um agradecimento ao Gil Santos por ter escolhido duas das minhas fotografias para compor a capa e contra-capa do livro. Obrigado Gil pelas fotos e principalmente pelas estórias.

 

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Quem conta um ponto...

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371 - Pérolas e diamantes: Os efabuladores sentimentais

 

Por vezes acordamos sobressaltados e não sabemos bem porquê. Outras vezes lembramo-nos que os sonhos são sempre idênticos, enquanto lá fora se ouve o frufrulhar das ramagens ou os passos silenciosos dos gatos ou, ainda, o ruído conhecido das ruas tranquilas.

 

Parece que as fotografias que retemos na memória sabem tudo e não explicam nada.

 

Também Cristo foi vítima de maquinações políticas e por isso sucumbiu dolorosamente vítima de um processo armadilhado. Temos de confiar nas pessoas que são serenas como a água, mesmo não sabendo o que há no fundo do rio. Ou seja, devemos evitar turvar a água.

 

Umas vezes estão os brancos no poder e as coisas correm mal, depois vêm os vermelhos e a coisa repete-se.  

 

Uma coisa sei, os animais não sabem denunciar, nem caluniar. Os humanos sim, por isso se distinguem deles. A moral é apenas uma disciplina.

 

Na semana em que Mario Draghi fez um apelo para, em nome da Europa, sugerir um aumento de salários e pensões, os patrões portugueses, pela voz de António Saraiva, queixaram-se em Bruxelas do OE português, indignando-se com a hipótese de o salário mínimo nacional passar para os incríveis 600 euros mensais.

 

Já a PGR informou o Estado-Maior do Exército de que não pode promover a tenente-general o major-general Tiago de Vasconcelos, colocado no EMGFA desde o início do ano. Tudo se deve a uma queixa, alegando, entre outros, o crime de falsificação de documentos. Ao que tudo indica, o general deverá passar à reserva.

 

Soares, o filho de Soares, deputado socialista, defendeu que o ex-líder do CDS-PP Paulo Portas foi “um excelente ministro da defesa, se não o melhor”, elogiando a solução encontrada para a OGMA e a respetiva compra de submarinos.

 

A cidade do Porto rejubilou com a deslocação da sede do Infarmed de Lisboa para o Norte. Mas nem meia dúzia de dias eram passados e logo o Governo recuou. Afinal, no Porto, parece que vão operar sobretudo os serviços administrativos e de suporte. Em Lisboa continuarão a funcionar 70% dos serviços anunciados pelo ministro da Saúde. Os laboratórios, os serviços mais especializados e cuja despesa ascende a 40 milhões de euros vão permanecer na capital. Ou seja, a deslocação é uma falácia. Eu gostava de saber como reagiriam os lisboetas se a decisão fosse ao contrário. Em matéria de regionalização, todos os partidos são iguais. Mas há uns que são mais iguais do que outros.

 

Está na hora de dividirmos o país ao meio, com fronteira no Mondego. Depois que se amanhem como puderem.

 

O único que faz que anda mas não anda, apenas sorri e ilude, é o senhor Presidente da República de Lisboa e dos Algarves. Já o apelidam de “Presidente dos Afetos”. Ele diz que sim. E sorri. Sai de Belém e vai até ao Hospital São Francisco Xavier, cumprimenta o ministro da Saúde, sorri, beija três velhinhas e volta a sorrir. Depois abraça um bombeiro e fica com cara de caso.

 

Regressa a Lisboa e passa um bocado da noite com os sem-abrigo. Sorri, beija e torna a beijar. E abraça de novo. Dizem que Deus está em todo o lado. Eu desconfio. Mas confirmo que o nosso Presidente, esse sim, é omnipresente. Gosta, sobretudo, de aparecer onde há tragédia, ou infelicidade. Os ministros e secretários de Estado apreciam chorar no seu ombro e abraçá-lo como se fosse um santo.

 

Marcelo dorme pouco. Aproveita as insónias para praticar o bem durante a noite. Ele e as televisões, já que não dá um passo sem que um ou vários repórteres o sigam para todo o lado. Marcelo Rebelo de Sousa beija tudo aquilo que mexe. E diz coisas que mais parecem uma espécie de genéricos de opinião, muito parecidos com as tretas que debitava todas as semanas na TVI e que o levaram à presidência. Dizem que era ele quem escrevia as perguntas que o jornalista depois lhe fazia, o mesmo para as cartas a que ele respondia.

 

Mas não está sozinho nesta sua peregrinação pelo meio das desgraças. Assunção Cristas, e o seu cortejo funerário, seguem-lhe as pisadas. Tenta ganhar votos contando os mortos. Quer deixar a impressão de que lhes reza pela alma.

 

Mas o que mais incomoda na senhora é dizer coisas diametralmente opostas ao que afirmava quando estava no governo. Agora é vê-la, em plano sindical, exigir o aumento das pensões e o descongelamento das carreiras da função pública.

 

Não tarda nada, ainda a vamos ver de joelhos em Fátima, de vela na mão, a cumprir a promessa do milagre de ter conseguido quase duplicar a miserável votação do PSD em Lisboa.

 

João Madureira

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Domingo, 10 de Dezembro de 2017

O Barroso aqui tão perto - São Bento de Sexta Freita

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Antes ainda de entramos em mais uma aldeia do Barroso, deixo um pedido de desculpas a quem veio aqui nas últimas semanas a procura de mais uma aldeia barrosã. Embora não tivesse sido por falta de conteúdos, mesmo porque já recolhemos imagens de todas as aldeias do Concelho de Montalegre, nem tão pouco por falta de vontade ou de tempo, pois tempo sem fazer nada não tem faltado. A verdade é que por motivos de saúde estivemos impedidos de nos sentarmos ao computador e mesmo a feitura deste post, foi feito aos pouquinhos durante toda a semana. Mas como tudo começa a regressar à normalidade das habituais rotinas dos dias, também esta rúbrica de “ O Barroso aqui tão perto” voltará a sua normalidade de estar por aqui todos os domingos ou com algum atraso, às segundas-feiras. Assim o espero.

 

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Vamos então até à nossa aldeia barrosã de hoje e à primeira vez que a avistei,  embora sem tempo para entrar nela, mas quis ir até lá, avistá-la desde a estrada, tudo pelo seu curioso topónimo que então tinha visto num mapa qualquer (já não recordo qual) onde aparecia como Sexta-Feira. Mas isto foi há cinco anos, que deu para satisfazer a curiosidade e ficar a saber que afinal o seu topónimo não era Sexta-Feira, mas sim Sexta-Freita antecedida ainda pelo nome de um santo – São Bento, ou seja – São Bento de Sexta Freita.

 

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Iniciemos então pelo seu topónimo que não sendo Sexta-Feira também não deixa de ser curioso ser Sexta Freita, com uma abordagem àquilo que se diz na “Toponímia de Barroso”

 

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Sexta Freita ou São Bento de Sexta Freita

Topónimo de grande beleza e raridade. Trata-se do adjectivo latino FRACTA > FRAITA > FREITA que significa partida “quebrada”. Uma quebrada aqui relacionada com a orografia ou com a terra e teria o sentido de lavrada, arroteada. Julgo que no caso vertente é evidente o sentido orográfico, ou seja, é a sexta “quebrada” ou corga da lomba onde a povoação demora; Sexta Quebrada (nesse sentido,  existia e até está documentada em:

- 1258 « in leyras et quebradas (sis) divisas» INQ 1442) provavelmente a partir da Igreja de S. Pedro de Covelo.

 

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E a “Toponímia de Barroso” continua com:

Tendo-se perdido o sentido de fracta, sentido de terreno adequado à cultura, houve que juntar-lhe o numeral Sexta > sexta para especificar o local — é a sexta quebrada, a sexta lomba arroteada daquela encosta fronteira ao Gerês começando a contar desde o Rio, por alturas da Misarela. A localidade não foi arrolada (salvo se tiver havido mudança de topónimo – o que não creio) nas inquirições seguintes à de 1258. Ao invés do que geralmente se pensa o culto a São Bento é bastante tardio. Deve-se sobretudo aos muitos sermões dos monges beneditinos dos quais o Santinho foi Patriarca e cuja apologia, milagres e sabedoria propalaram.

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Ainda na “Toponímia de Barroso”:

Em 1530 tinha apenas um casal. Nesse documento o hagiotopónimo foi substituído pelo ridículo nome de Cestafrita, em vez de Sexta Freita!

 

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E como sempre a “Toponímia Alegre” também parte integrante da “Toponímia de Barroso”:

 

Se fores ao São Bentinho

Não vades ao de Gerês;

Ide ao de Sexta Feita

Que tantos milagres fez!

 

Ó passantes de Covêlo

Não me comais as cerejas

Que o meu patrão vai à feira

Pode-me botar as queixas.

 

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Quanto à nossa recolha fotográfica foi feita há quase um ano, após o Natal e ainda antes do ano novo, num itinerário que tínhamos marcado para algumas aldeias na proximidade da Barragem de Paradela, como passagem por Ponteira, Sexta Freita e as três Penedas.

 

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Para sair do itinerário já nosso conhecido da M308-4, que liga Paradela a Ferral, optámos pela estrada secundária entre Paradela e Ponteira, e a partir desta última, pelo estradão em terra batida que liga à Sexta Freita. As vistas para a Serra do Gerês compensam alguma aspereza do piso do estradão.

 

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Chegados a São Bento de Sexta Freita o que mais surpreende e atrai, em primeiro lugar, são mesmo as vistas que se podem lançar sobre Ponteira e Sobre a Serra do Gerês, logo de seguida é o conjunto da Igreja, largo e Cruzeiro, instalados num dos pintos mais altos da aldeia e desde onde se podem lançar os tais olhares paras as redondezas não muito distantes, como para a imponência, recortes e penedio da Serra do Gerês.

 

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Quanto à orografia do terreno, S.Bento de Sexta Freita encontra-se no topo de uma elevação entre muitas elevações, algumas com declives bem acentuados com vertentes para pequenos vales ou linhas de água.  Quando por aqui digo que não existe um Barroso, nem apenas o Alto e Baixo Barroso, podemos dizer que esta aldeia está no limite de dois Barrosos bem distintos. Um que deixa os planaltos das terras do “Rio” e da “Chã” para se entrar num outro, mais cultivado, mais verde com aldeias com aglomerados mais dispersos, em terras inclinadas com um misto de influência de terras e cores do Minho, a usufruir das vertentes dos montes paras os Rios Cávado e Cabril onde a Barragem de Salamonde se começa a formar e desenvolver, mas sempre com as aspereza dos azuis refletidos no penedio da Serra do Gerês.

 

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Durante trinta e muitos anos andei a apreciar o Barroso que ia desde Chaves até Montalegre, onde o Larouco, ainda antes de ser “deus” era rei e senhor daquela região. Para além do planalto, ia conhecendo e apreciando também as terras do Rio e as Terras da Chã, sem esquecer a grande Barragem dos Pisões. Para além disso, algumas incursões pela Mourela, Pitões e Tourém, ainda no tempo em que o verdadeiro comunitarismo se comungava nesta região, com as vezeiras e os fornos do povo a funcionar na sua labuta diária de fazer pão e outras iguarias em dias de festa. Para mim, esse, era todo o Barroso que eu conhecia, e bem interessante por sinal.  

 

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Espanto meu foi conhecer os outros Barrosos, e para já não vamos falar do Barroso do Concelho de Boticas. Os Barrosos ao longo da Serra do Gerês, desde Paradela, Sirvozelo e por aí fora, passando por Cabril e terminando em Fafião, um outro Barroso entre as três barragens (Pisões, Paradela e Venda Nova, um outro que tem como centro a freguesia de Salto e envolvência e por último o de influência da Serra do Barroso, este repartido pelo concelho de Montalegre e Boticas. Em tom de jocoso poderia dizer que são os Barrosinhos que fazem o todo do Barroso, esse todo que no conjunto com os seus contrastes, fazem dele uma pérola do Reino Maravilhoso que Torga tão bem cantou e deixou registado nos seus escritos, diários e poemas.

 

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Mas vamos à localização de S.Bento de Sexta Freita e o itinerário que nós recomendamos para chegar até lá, como sempre a partir da cidade de Chaves. Já sabem que o meu itinerário preferido é mesmo o da Estrada de S.Caetano/Soutelinho da Raia, até Montalegre. A Partir de Montalegre nem há como seguir o Rio Cávado, não pelo Rio, mas pela Estrada N308, primeiro a acompanhar a margem esquerda do Cávado, depois, antes de Frades passa-se para a margem direita e em Sezelhe passa-se outra vez para a margem esquerda, passando para a EM514, mas só até S.Pedro, pois aí há que abandonar esta estrada, passar por S.Pedro e tomar a Rua da Estrada que passa Por Vilaça, Fiães do Rio, Loivos e Paradela (aldeia e barragem). Aqui toma-se a N308-4 em direção a Ponteira (passando-se ao lado mas com lindíssimas vistas sobre Ponteira onde os penedos são mais e maiores que as casas), logo a seguir é S.Bento de Sexta Freita. No total são perto de 70 km e 1H30 a 2 H de viagem, isto contando com as paragens de apreciação e a obrigatória toma de café em Montalegre.

 

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Claro que o itinerário que deixei é o meu preferido e aquele que acho mais interessante. Em alternativa tem sempre a EN103, por onde até são menos 5km de distância, mas para mim menos interessante.

Quanto às coordenadas da aldeia são:

41º 43’ 55.45”N

7º 58’ 37.17”E

Altitude de Sexta Freita entre os 820 e 853m

 

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E pouco mais a a dizer sobre S.Bento de Sexta Freita, mesmo porque nas nossas pesquisas não encontrámos mais nada, nem no livro “Montalegre” onde apenas se refere que a aldeia pertence à freguesia de Covêlo do Gerês.

 

E por hoje é tudo e “O Barroso aqui tão perto” estará por aqui no próximo domingo, pelo menos assim esperamos que aconteça.

 

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Como sempre ficam as habituais referências às nossas consultas e links para as anteriores abordagens ao Barroso.

 

Bibliografia

 

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

 

Links para anteriores abordagens ao Barroso:

 

A

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Algures no Barroso: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1533459

Amial - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ameal-1484516

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Antigo de Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-antigo-de-1581701

Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-arcos-1543113

 

B

Bagulhão - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bagulhao-1469670

Beçós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-becos-1574048

Bustelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bustelo-1505379

 

C

Cambezes do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cambezes-do-1547875

Caniçó - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-canico-1586496

Carvalhais - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-carvalhais-1550943

Castanheira da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-castanheira-1526991

Cela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cela-1602755

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Cerdeira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cerdeira-1576573

Cervos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cervos-1473196

Contim - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-contim-1546192

Cortiço - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1490249

Corva - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-corva-1499531

Covelães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-covelaes-1607866

 

D

Donões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-donoes-1446125

 

F

Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619

Fírvidas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-firvidas-1466833

Frades do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-frades-do-1440288

Friães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-friaes-1594850

 

G

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Gralhós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhos-1531210

 

L

Ladrugães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ladrugaes-1520004

Lapela   - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209

Larouco - Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

 

M

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

Meixide - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixide-1496229

Mourilhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-mourilhe-1589137

 

N

Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-negroes-1511302

Nogeiró - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-nogueiro-1562925

 

O

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886

Ormeche - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ormeche-1540443

 

P

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Paio Afonso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paio-afonso-1451464

Parafita: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-parafita-1443308

Pardieieros - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pardieiros-1556192

Paredes de Salto - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-1448799

Paredes do Rio -   http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-do-1583901

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Peneda de Cima, do Meio e de Baixo, as Três Penedas: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-as-tres-1591657

Penedones -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-penedones-1571130

Pereira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pereira-1579473

Pomar da Rainha - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pomar-da-1415405

Ponteira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ponteira-1481696

 

R

Reboreda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-reboreda-1566026

Roteiro para um dia de visita – 1ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104214

Roteiro para um dia de visita – 2ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104590

Roteiro para um dia de visita – 3ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105061

Roteiro para um dia de visita – 4ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105355

Roteiro para um dia de visita – 5ª paragem, ou não! - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105510

 

S

São Ane - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-ane-1461677

São Pedro - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-pedro-1411974

Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sarraquinhos-1560167

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Senhora de Vila Abril - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-senhora-de-1553325

Sezelhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sezelhe-1514548

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

 

T

Tabuadela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-tabuadela-1424376

Telhado - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-telhado-1403979

Travassos da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-travassos-1418417

 

V

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1508489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

Vilaça - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilaca-1493232

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

 

X

Xertelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-xertelo-1458784

 

Z

Zebral - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-zebral-1503453

 

 

 

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Sábado, 9 de Dezembro de 2017

Fornelos - Chaves - Portugal

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Nesta nova ronda pelas aldeias do concelho de Chaves, hoje toca a vez a Fornelos, uma das nossas aldeias atravessadas pela Nacional 314, que liga Chaves a Murça com passagem por Carrazedo de Montenegro. Embora desclassificada como Estrada Nacional e sendo uma estrada secundária é uma das vias mais importantes do concelho de Chaves, a par das outras Estradas Nacionais, não fosse por ela que se faz a ligação a quase 1/3 das aldeias de Chaves, para além de ser uma das estradas da nossa rede viária do concelho mais interessantes de percorrer, embora com o devido cuidado, pois a sinuosidade e largura da estrada a isso recomenda.

 

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É também por esta estrada que se faz o principal acesso à Serra do Brunheiro e seu planalto e um dos dois acessos principais ao concelho de Valpaços, aliás a aldeia está no limite do concelho de Chaves, num dos pontos mais altos do concelho (920m),  localizada no alto do planalto onde a montanha de começa a desdobras paras as duas vertente, a do concelho de Chaves e a do concelho de Valpaços.

 

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Embora em fotografia a aldeia de Fornelos não passe por aqui muitas vezes, mesmo porque é uma aldeia pequena e maioritariamente com construções mais recentes, o que não vai muito de encontro às preferências deste blog, mais dedicado à antiga arquitetura rural transmontana. Ia dizendo que tem tido muitas imagens mas tem passado por aqui muitas vezes nas palavras de Gil Santo, s com as estórias e contos  que já há uma década vai deixando neste blog e nos seus livro, com mais um acabadinho de sair e que num dos próximos dias traremos aqui.

 

 

 

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Sexta-feira, 8 de Dezembro de 2017

Chaves, cidade, concelho e região - Uma foto por dia

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Vivências

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Quando é que estamos connosco?

 

Há uns 3 ou 4 anos, numa ação de formação na área do coaching, em Lisboa, a formadora dizia-nos que era importantíssimo encontrarmos no meio da agitação do dia-a-dia um tempo para estarmos connosco próprios. Mais ainda, ela afirmava que devíamos mesmo marcar esse tempo na nossa agenda, tal como fazemos para qualquer outro compromisso da nossa vida social ou profissional…

 

A vida agitada que a sociedade moderna nos impõe obriga-nos constantemente a estar com determinadas pessoas, em determinado local e a uma determinada hora. Às 8h15 temos de estar no infantário para deixar o nosso filho mais novo; às 8h30 temos de estar na escola a tempo do início das aulas do nosso filho mais velho; às 9h00 temos de estar no trabalho… e assim por diante, até ao final do dia, sempre orientados por horas, locais e pessoas que preenchem todo o nosso tempo. E este ritmo repete-se, com algumas (poucas) variações, dia após dia… Então, surge realmente a questão: “Quando é que estamos connosco?”.

 

Como seres sociais que somos, a nossa vida organiza-se, inevitavelmente, em função da vida de outras pessoas, em função de horários e de regras. Mas precisamos também de um tempo só para nós. Precisamos de estar apenas connosco, com os nossos pensamentos, com os nossos silêncios. Precisamos de tempo para parar, para olhar para dentro, para avaliar serenamente o passado e projetar entusiasticamente o futuro. Precisamos de tempo para recuperar forças para continuar a nossa luta. Mas, como encontrar esse tempo quando tudo à nossa volta parece chamar-nos constantemente para alguma coisa: as pessoas, o telemóvel, o e-mail, o Facebook… Sendo extremamente difícil, admito que, no limite, a única forma de conseguir esse tempo é mesmo marcá-lo na nossa agenda, seja ela em papel, no smartphone ou apenas mental. E, assim, quando alguém nos perguntar se no próximo sábado à tarde temos algum compromisso, diremos: “Por acaso não tenho nada marcado, mas preciso de estar comigo…”

 

Luís dos Anjos

 

 

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Quinta-feira, 7 de Dezembro de 2017

Chaves, cidade, concelho e região - Uma foto por dia

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Quarta-feira, 6 de Dezembro de 2017

Chaves, cidade, concelho e região - Uma foto por dia

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Nós, os homens

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XI

 

O ser humano é versátil e inverosímil, se calhar quanto mais a primeira, tanto mais a segunda! Se esta história se tivesse passado com um amigo meu, mesmo de infância e íntimo, eu achava que ele me estava a contar isso mesmo: uma história, mas passou-se comigo. Só a posso escrever porque se a contar a alguém, as pessoas vão pensar que eu estou a contar uma história e não é disso que se trata.

 

A gaja não batia com o baralho todo, embora eu nunca percebesse qual era a carta que lhe faltava, decididamente o Ás de copas não estava lá, mas havia muitas outras.

Na primeira noite que passámos juntos avisou-me, antes de adormecer, que no dia seguinte tínhamos de acordar cedo, 8h30, porque tinha um jogo de badminton. Concordei, achando que aquilo era uma brincadeira porque a menina era divertida que chegasse para dizer coisas deste tipo.

 

No dia seguinte acordo com o despertador, por estúpida coincidência, à hora exacta que ela me tinha avisado. A menina salta da cama para a banheira sem hesitação e eu percebo então que, afinal, era a sério. Tentando não fazer um drama e aproveitar o bom das coisas más, comecei a pensar que roupinha ela iria vestir! Se uns calções brancos ou aquelas sainhas às pregas, lisas à frente e de trespasse, muito curtas em que se vêem as cuecas quando apanham as penas. Depois pensei se vestiria collants transparentes ou meias até aos joelhos e excluí rapidamente as duas hipóteses pensando que o estilo dela se encaixava muito mais nos soquetes com uma ou duas riscas cor-de-rosa. Depois pensei no cabelo. Será que leva totós ou vai meter uma faixa de feltro elástica na testa como os jogadores profissionais?

 

- Ainda aí estás? Despacha-te, não posso chegar atrasada, o meu parceiro não joga sem eu chegar!

Que cabeça a minha! Nisto dos desportos a dois, não se pode nem faltar nem chegar atrasado porque a prática de um depende da presença do outro. Havia de me explicar isto um dia, muito mais tarde, quando eu tive o atrevimento de lhe dizer que, uma vez por outra, se calhar, podia faltar para estar mais tempo comigo. Como é que eu lhe podia pedir uma coisa destas! Eram práticas muito antigas, faziam parte da sua vida!

 

Ela tinha uma capacidade inédita de me dizer de mil e uma formas que eu não fazia parte da sua vida, que a nossa relação não era uma prática a dois e por isso podia-se faltar e chegar atrasado, sempre.

Por exemplo, um café depois do almoço era com frequência sinónimo de tomado às 6h da tarde e eu tinha de a receber com um sorriso nos lábios, não pude vir antes ou atrasei-me um bocado, era só o que dizia. Claro que pedia desculpa baixinho, num timbre quase imperceptível.

Eu aguentava aquilo tudo num exercício de testar os meus limites ou o quanto gostava dela, ou as duas coisas.

Quando se chega a este ponto, está-se completamente perdido! Eu estava assim, sabia e não mudava nada para ser diferente. Sabia que se mudasse uma vírgula, a perdia para sempre e eu isso não suportava sequer pensar quanto mais arriscar.

Acabei por me levantar da cama e não assistir ao ritual de a ver vestir porque não havia tempo, era domingo de manhã e ela não se queria atrasar

Dirigiu-se então à cozinha para tomar o pequeno-almoço, leve por causa do jogo, chá e torradinhas com pouca manteiga ou bolachas, não me lembro bem. Sentou-se calmamente, como se tivesse acordado de uma noite perfeitamente normal e fosse para o trabalho, um dever a que não podia faltar. É claro que educadamente me perguntou o que é que eu queria tomar: nada, obrigado.

 

Aquela negação funcionou para mim como a defesa da honra, nunca saberei explicar isto, mas naquele momento se me tivesse sentado à mesa com ela a tomar o pequeno-almoço era o mesmo que ter aceitado uma nota pelos serviços prestados. Fiquei ali sentado a olhar para ela, surpreendido com a agilidade daquela rotina. Nenhuma referência à noite que tínhamos acabado de passar juntos e que, pelo menos comigo, era a primeira vez que ela tinha dormido.

 

Enquanto ela se alimentava com aqueles vulgares nutrientes, a mim só me vinha à cabeça o exacto momento em que o meu corpo foi projectado para fora do sistema solar, em que senti visceralmente o perder da gravidade, o sair da órbita, no preciso instante em que o meu corpo deslizou no dela e a palavra fi-nal-men-te, entrecortada, era deglutida e saboreada e deixei completamente de sentir o meu corpo para só sentir o dela, numa comunhão de corpo, o dela, e alma, a minha.

E quando instantes depois não resisti e quis partilhar com ela este momento, a meio do êxtase com que estava na descrição, ainda no recobro das forças, ela interrompeu-me dizendo, com um ar condescendente:

- Pronto, está bem.

Como quem diz, poupa-me os detalhes! E eu calei-me e fiquei a sentir sozinho o que podia ter sido a dois, mas se ela não queria saber, que direito era o meu de lho impor?

 

As pessoas têm sempre uma razão oculta para fazerem o que fazem e era este o princípio que me regia para eu ultrapassar tudo e não lhe levar nada a mal, pelo menos enquanto isso me fosse suportável.

Quando se gosta muito, adia-se isso ao limite, embora ele chegue inevitavelmente. Fica por saber se quanto mais tarde melhor ou pior. Isso, nunca havemos de o saber, não temos termo de comparação ou referência para isso, é simplesmente a nossa vida.

 

Depois do pequeno-almoço ofereceu-se para me dar boleia, uma vez que a minha casa ficava a caminho do complexo desportivo para onde ela se ia dirigir. Aceitei. Quando cheguei a casa enfiei-me na cama e dormi aquilo a que se chama o sono dos justos. Nunca percebi muito bem este conceito, mas acho que é aquilo a que se chama quando um gajo depois de uma noite mal dormida se enfia na cama enquanto a namorada vai jogar badminton!

Namorada é uma forma de dizer! Eu pertenço àquela cambada de otários que quando andam com uma gaja com quem têm uma relação mais íntima pensam que a podem chamar assim.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                        

Cristina Pizarro

 

 

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Terça-feira, 5 de Dezembro de 2017

Chaves D'Aurora

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  1. PRETENSORA.

 

Aldenora valeu-se do pretexto de ir até ao irmão, a perguntar de que riam tanto e nem ao menos se deu conta de sua tamanha ousadia. Estava a sair do grupo de raparigas e a se fazer intrusa no restrito e tradicional espaço masculino. Tal ato, certamente, poderia causar maledicências às suas costas ou, até mesmo, redundar-lhe em um baixo conceito social. O estratagema deu certo, no entanto. Afonso apresentou a irmã a António Sidónio e os pombinhos logo se viram a sós. Após um pequeno iceberg de titânico silêncio, os barcos de cada um singraram as águas aquecidas pelo mútuo encanto e, de imediato, puseram-se os jovens a palestrar, com as bocas e as palavras soltas, a deixarem fluir o que, antes, a timidez dos olhos apenas esboçara.

 

Enquanto alguns miúdos, como inoportunas osgas ou lagartixas, passavam aos corre-corres por entre o jovem e a bela rapariga, antes que seus papás respetivos lhes aplicassem uns generosos cascudos para se aquietarem, Nonô punha-se a trocar com Sidónio algumas ideias de interesse mútuo. Os breves instantes (assim diria o rapaz a Afonso, mais tarde) foram suficientes para lhe revelar que a menina era dotada de um admirável lustre intelectual. Esse era um dote incomensurável, mais raro do que a simples beleza, pois, ao contrário desta, não era fácil encontrar amiúde, entre as arcas de enxoval das jovens flavienses, um mínimo de erudição.

 

Ao contrário de Aurora, com sua paixão e sensibilidade à flor da pele ou, conforme já mencionamos, a sentir pela cabeça e a pensar com o coração; diversa de Aurélia, que não queria crescer nunca, feito um Peter Pan de saias; e posto que Arminda ainda estivesse a se pôr, para que dela já se pudesse analisar o jeito de ser; Aldenora era de uma personalidade forte e determinada, especialmente nos modos de controlar suas ações e emoções e de conciliar pejos com desejos. Quando percebeu que já estava a conversar mais tempo do que devia com o jovem Sidónio, pediu licença e voltou ao sítio das meninas. Não tivesse o rapaz um mau juízo dela, menos ainda se ele a comparasse a essas estrangeiras do novo século, a que tanto o Papá costumava aludir, após a ceia.

 

Era sobre isso, a uma outra roda formada por respeitáveis cidadãos de Chaves, que João Reis estava a comentar, naquele exato momento, com base no que estivera a folhear em um jornal do Porto. Exaltava-se – O que estão a querer, por certo, essas raparigas libertinas a fumarem, beberem e de tudo falarem às escâncaras, como os homens? Alcançar que elas venham a ser iguais a nós, ou, o que seria uma tontice bem pior... superiores?! – ao que outro convidado concordava – Uma imoralidade!!! – e outro mais suspirava – É, desses modos e feitios, para onde vai este mundo?! – uma vez que se fazia questão, ora pois, de se preservarem na Vila as boas tradições e os bons costumes.

 

Eram, certamente, posições avessas aos ares de liberação desses anos 20, quando se iniciavam tantos avanços femininos que, por algumas mulheres carismáticas, em suas reflexões sobre a vida e o modus vivendis, seriam defendidos em várias partes da Terra. Com o seu livre pensar e agir liberto, algumas se tornariam famosas nessa década, como Dorothy Parker, Anaïs Nin, Zelda Fitzgerald, as brasileiras Pagu e Chiquinha Gonzaga, a mexicana Frida Kahlo e, entre as portuguesas, a alentejana Florbela Espanca. Decerto que, a seguirem os passos de tais pioneiras, tais ventos libertários estariam ainda muito longe de arejar por aquelas paragens trasmontanas.

 

Ao resto da noite, não deixaram Aldenora e Sidónio de se entrecruzarem as pupilas e, com elas, exibirem um brilho especial de encantamento. Recíproco, pois. Quando, à hora de se fazer um brinde ao aniversariante, os dois ficaram lado a lado, por alguns instantes, com suas mãos a se roçarem levemente, ele murmurou – A que missa vais, aos domingos? – Sem lhe ver a face, ela sussurrou – À do meio-dia, na Santa Maria Maior.

 

 

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Igreja de Santa Maria Maior. Postal público. Autor desconhecido.

 

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Sábado, 2 de Dezembro de 2017

Fernandinho - Chaves - Portugal

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Nem que fosse e só pelas vistas que se alcançam desde Fernandinho, a nossa aldeia de hoje, já valia de pretexto para uma visita, mas Fernandinho não são só vistas, pois outros interesses detém na sua intimidade.

 

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Com um curioso topónimo, é uma aldeia pequena, mas que tem tudo para ser uma das nossas aldeias tipicamente transmontana.

 

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Curiosamente só pela terceira vez que fomos por lá é que a conseguimos descobrir em toda a sua essência, pois nas anteriores visitas, faltou-nos sempre o fator humano, fator sem o qual uma aldeia nunca fica completa, pois elas são feitas à imagem dos seus filhos. Pena, tal como a grande maioria das nossas aldeias, sofrer dessa maleita chamada despovoamento e envelhecimento da população.

 

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Mas ainda há resistentes e quem lhes dê corda aos seus relógios, onde a terrinha (a nossa terrinha) é um  prolongamento do nosso lar, é lá onde estão as nossas ruas, as portas onde se bate para dar ou receber tudo que é necessário quando há necessidade de… nem que seja só a necessidade de ouvir ou ter de dar uma palavra amiga, como quem diz presente.

 

 

 

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Festival Galego Outono Fotográfico em Chaves

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Inaugura hoje a terceira exposição, na cidade de Chaves, do Festival Galego de Fotografia -  Outono Fotográfico. A Edição deste ano em Chaves contou com os fotógrafos flavienses Humberto Ferreira no mês de outubro, António de Souza e Silva no mês de novembro e inaugura hoje a de Fernando DC Ribeiro, que estará patente ao público todo o mês de dezembro e extra Outono Fotográfico durante o mês de janeiro de 2018, na Galeria da Adega do Faustino, uma das galerias que nos últimos anos tem estado associada a este festival galego.

 

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A temática do Outono Fotográfico deste ano é: descrenza/disbelief /descrença – e é dentro deste temática que Fernando DC Ribeiro apresenta a exposição intitulada “Resistentes”, abordando em geral a ruralidade, envelhecimento e despovoamento da nossa região.

 

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Resistentes

Perdem-se na névoa dos dias, a mesma que lhes humedece o olhos e turva o olhar. Sabem que são os resistentes, os últimos. Saudades já não têm, perderam-nas em esperas inúteis, vestem de escuro, de preto, é nele que conjugam as juras eternas, nunca cantaram o fado, o triste fado,  mas de terem andado abraçados a ele toda uma vida, conhecem-no tão bem como a palma das suas mãos e há muito sabem que quem se perde no nevoeiro, jamais regressará. Restam-lhes as horas de um relógio com ponteiros que teimam após cada volta dar outra volta, mas sabem que um dia, quando não tiverem quem lhes dê corda, os ponteiros pararão.

 

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O OUTONO FOTOGRÁFICO é um festival galego de fotografia, o decano da península ibérica, que atinge este ano de 2017 a sua 35ª edição e celebra-se nos meses de outubro, novembro e dezembro, em várias cidades galegas e portuguesas do Norte de Portugal, entre as quais a cidade de Chaves, na galeria da Adega do Faustino. Este ano o festival é subordinado ao tema descrenza/disbelief /descrença. «Entre o val e a crista da vaga vivimos: dende a crista avistamos apenas horizontes ou «aforas» imprecisas, e de volta ao val, coa memoria e os sentimentos armamos «adentros» e identidades cos que afrontar de novo o ascenso á crista. O documentar e inventar sobre o «fóra» e o «dentro», sucédense na história da fotografía de vaga en vagas nun entramado fecundo autointerferido proteico. Documentar e inventar: entre a acción de Francesc Boix, fotógrafo que cos negativos expropiados en Mauthausen e a súa testemuña en Nürnberg combateu o terror nazi, e as docufábulas de Jeff Wall ou Cindy Sherman cohabitan multitude de formalizacións fotográficas comprometidas coa contemporaneidade humanista, mais o terreo no que operar é infindo: para alterar o método, aventurarse na refutación do evidente e descrer a evidencia; dilucidar e raer os camiños da reflexión que nos reconecten co medio natural e o ser humano, que conduzan neste a respectar a complexidade magnífica da sua «diversidade» identitaria e naquel a rescatar o seu carácter radical de «ser vivo» e descrer así os modelos decretados, descrer para avanzar. Característica esencial da evolución, da ética e do coñecemento: a descrenza. Eis o tema da XXXV edición do OF.»

 

P.S.

Só me resta mesmo agradecer ao Humberto Ferreira a montagem desta exposição, sem a ajuda do qual, a mesma, não seria possível.

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:38
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Sexta-feira, 1 de Dezembro de 2017

Discursos Sobre a Cidade

SOUZA

 

NOVAS POSTURAS E MENTALIDADES AUTÁRQUICAS PRECISAM-SE!

 

No nosso último Discurso, nesta rubrica, falando a propósito das ideias e princípios básicos que devem presidir aos processos políticos, a certa altura, dizíamos que uma das ideias prendia-se com o facto de que a “era” dos políticos e líderes providenciais tinha acabado e que a política e o desenvolvimento das sociedades, e seus respetivos territórios, não se fazia unicamente com personalidades individuais, por muito sábias ou carismáticas que fossem. Assenta nas instituições que se têm e na sua renovação.

 

Num outro Discurso, publicado o ano passado, também nesta rubrica, sob o título «Desenvolvimento do Alto Tâmega – As nossas Interrogações», a propósito dos pilares onde assenta o desenvolvimento local (territorial), apresentávamos o esquema que aqui, mais uma vez, recolocamos:

 

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Fonte: Bramanti; (Retirado de Cerqueira)

Os processos de desenvolvimento territorial - Da base ao ponto de chegada

 

Não vamos falar dos quatro pilares em que assenta o desenvolvimento territorial; nem tão pouco nos dois eixos em que os mesmos se devem articular, aliás de importância fundamental para qualquer processo de desenvolvimento e, consequentemente, para a consecução e sucesso dos territórios e regiões ganhadoras, no plano do desenvolvimento.

 

Concentremo-nos hoje essencialmente naquilo que o autor do esquema chama de Densidade Institucional, a base essencial em que os quatro pilares assentam, falando particularmente na sua articulação com o conceito de governância (ou governança).

 

O conceito de governança surgiu a partir das reflexões conduzidas principalmente pelo Banco Mundial. “tendo em vista aprofundar o conhecimento das condições que garantem um Estado eficiente”.  A capacidade governativa não seria avaliada apenas pelos resultados das políticas, mas também pela forma como o poder é exercido.

 

Com base neste conceito de governança, duas questões merecem aqui destaque. A primeira, é a ideia de que uma boa governança é um requisito fundamental para um desenvolvimento sustentado, que incorpora não só crescimento económico como também equidade social e direitos humanos; a segunda, tem a ver com a questão dos procedimentos e práticas de «governo» na prossecução das suas metas, adquirindo aqui relevância aspetos como o formato institucional do processo decisório, a articulação público-privado na formulação de políticas ou, ainda, a abertura maior ou menor para a participação de todos os setores da sociedade.

 

O município de Chaves está integrado nas NUTS III – Alto Tâmega – um acrónimo de “Nomenclatura das Unidades Territoriais para fins estatísticos, sistema hierárquico de divisão do território em regiões”.

 

Com base nesta divisão estatística, e neste sistema hierárquico de divisão do território, para efeitos de desenvolvimento do Alto Tâmega (e Barroso), apesar de até já haver uma Associação de Municípios do Alto Tâmega (AMAT), canalizando melhor os diferentes fundos, particularmente os Comunitários, como alias por todo o país aconteceu, até se criou uma outra estrutura – no caso vertente para o Alto Tâmega – a Comunidade Intermunicipal (CIM).

 

A CIM do Alto Tâmega até mandou elaborar uma «Estratégia Integrada de Desenvolvimento Territorial – Alto Tâmega».

 

Consultámos o website da CIM – Alto Tâmega.

 

Dos seus órgãos, constam:

  • Assembleia Intermunicipal. De 2013 a 2017, apenas existe uma ata – a da Eleição da Mesa;
  • Conselho Intermunicipal, a mesma coisa;
  • Secretariado Executivo, liderado por um ex-Presidente de Câmara, começou a sua atividade em 2014. Desde 2014 até à presente data, este Secretariado Executivo efetuou 93 reuniões. Numa visão muito sumária destas 93 reuniões, outra coisa não se fala senão em “Pontos da situação”; “Criação de Website”; “Logotipo”; “Preparação de Informações a prestar”; “Assuntos de Interesse”; “Planos de Atividade e Orçamento”…

Conselho Estratégico para o Desenvolvimento Intermunicipal do Alto Tâmega. Tratando-se de um órgão consultivo, eis o conjunto das entidades que o compõem:

  • ACISAT
  • ADRAT
  • AECORGO
  • AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE RIBEIRA DE PENA
  • AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE VALPAÇOS
  • AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DE VILA POUCA DE AGUIAR
  • AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DR. ANTÓNIO GRANJO
  • AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DR. BENTO DA CRUZ
  • AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DR. JÚLIO MARTINS
  • AGRUPAMENTO DE ESCOLAS FERNÃO DE MAGALHÃES
  • AGRUPAMENTO DE ESCOLAS GOMES MONTEIRO
  • AGRUPAMENTOS DE CENTROS DE SAÚDE DO ALTO TÂMEGA E BARROSO
  • ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE BOTICAS
  • ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE CHAVES
  • ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE MONTALEGRE
  • ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE RIBEIRA DE PENA
  • ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE VALPAÇOS
  • ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE VILA POUCA DE AGUIAR
  • AUTORIDADE NACIONAL DE PROTEÇÃO CIVIL- CDOS – VILA REAL
  • CÂMARA MUNICIPAL DE BOTICAS
  • CÂMARA MUNICIPAL DE CHAVES
  • CAMARA MUNICIPAL DE MONTALEGRE
  • CÂMARA MUNICIPAL DE RIBEIRA DE PENA
  • CÂMARA MUNICIPAL DE VALPAÇOS
  • CÂMARA MUNICIPAL DE VILA POUCA DE AGUIAR
  • CAPOLIB
  • CENTRO DE EMPREGO E FORMAÇÃO PROFISSIONAL DO ALTO TÂMEGA
  • CENTRO DISTRITAL DE SOLIDARIEDADE E SEGURANÇA SOCIAL DE VILA REAL
  • COMISSÃO DE COORDENAÇÃO E DESENVOLVIMENTO REGIONAL DO NORTE
  • COOPBARROSO
  • COOPERATIVA AGRICOLA DE VILA POUCA DE AGUIAR
  • DESTACAMENTO TERRITORIAL DE CHAVES DA GNR
  • DIREÇÃO REGIONAL DE AGRICULTURA E PESCAS DO NORTE
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Este Conselho nunca reuniu, que se saiba.

 

Se a «Estratégia Integrada de Desenvolvimento Territorial – Alto Tâmega» era um Documento fundamental sobre o qual os diferentes órgãos da CIM - AT se deveriam preocupar e debruçar, consultando o seu website, e analisando as atas dos diferentes órgãos, como demos conta, só nos apetece exclamar: Uma Vergonha!

 

O que foi feito das diferentes propostas e ações do dito Documento «Estratégia Integrada»?

 

Que estratégia de comunicação a CIM – AT tem para com todas as instituições e munícipes do Alto Tâmega (e Barroso)?

 

Não brinquem connosco!!!

 

Onde é que pára um dos “slogans” da ACISAT, consubstanciado numa das suas ações/palestras - «Pouca gente, muita terra, grandes projetos»?

 

Como se pode atrair investimentos se o maior recurso/investimento, que são as gentes do Alto Tâmega e Barroso, estão arredadas não apenas do processo decisório como fundamentalmente daquilo que se passa (e do que se pretende) para e no Alto Tâmega e Barroso?

 

Num outro Discurso nosso, sob a designação «Onde pára a Comunidade Intermunicipal do Alto Tâmega (e Barroso)», observávamos que o Documento «Estratégia Integrada» apontava para a abordagem de uma estratégia integrada de desenvolvimento que privilegiava um processo abrangente e participado, envolvendo ativamente os atores do território, procurando um impacto positivo na região.

 

Tudo não passou de palavras. Que ficaram mortas nas folhas do Documento «Estratégia Integrada».

 

Por estas paragens, a “estratégia” parece-nos ser outra.

 

Para que aquelas palavras fossem arrancadas aquele Documento e tivessem vida, era necessária uma nova postura, de profundo e profícuo diálogo entre as diferentes instituições que atuam no território do Alto Tâmega (e Barroso). Batendo muita “pedra”, concitando o diálogo, chegando a acordos.

 

Que é o mesmo que dizer que a estratégia de desenvolvimento para o Alto Tâmega e Barroso não só depende da capacidade dos atores, mas fundamentalmente das instituições das quais eles são simples representantes, em ordem a uma efetiva participação nas tarefas do desenvolvimento territorial. A isto se chama Densidade Institucional.

 

O que no Alto Tâmega e Barroso presenciamos no passado, fundamentalmente dos seus atores principais na estratégia de desenvolvimento integrado, tendo em conta cada município, não é outra coisa senão comportamentos autocentrados, como se hoje em dia fosse possível viver numa verdadeira autarcia, que, infelizmente, o nosso sistema político-eleitoral propicia!

 

Senhores repetentes Alberto Machado, Amílcar Almeida, Fernando Queiroga, Orlando Alves, e recém-chegados, Nuno Vaz e João Noronha, respetivamente Presidentes de Câmara dos Municípios de Vila Pouca de Aguiar, Valpaços, Boticas, Montalegre, Chaves e Ribeira de Pena, - principais responsáveis pelo motor do desenvolvimento local, que são as vossas instituições -, se continuarmos com esta postura institucional, o Alto Tâmega e Barroso, e concretamente o nosso Município de Chaves, não vai a lado nenhum!

 

Não é só de novas caras que o Alto Tâmega e Barroso precisa é, essencialmente, de outras e novas mentalidades.

 

Se não as renovarmos não chegaremos a lado nenhum!...

António de Souza e Silva

 

 

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Quarta-feira, 29 de Novembro de 2017

Nós, os homens

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X

 

As melhoras da morte, traiçoeira, já todos ouvimos falar!

Era uma no cravo e outra na ferradura! A menina continuou no mesmo registo e eu continuei a aguentar aquilo até ao dia em que me passei completamente da cabeça! Era previsível, aquilo era uma bomba-relógio desde o início, um aneurisma, podia rebentar a qualquer momento e quando rebentasse era fatal.

Um homem não é de pau! Fartei-me de ser o segundo plano, o brinquedo nas mãos da menina, o boneco, a marioneta, o palhaço de serviço.

Disse-lho, em bom português, para que não houvesse dúvidas! E a menina reagiu da pior maneira: não reagindo, dizendo que o silêncio era uma resposta!

 

Como?! Eu não tinha nada contra a senhora sua mãe, que ela nunca me tinha apresentado porque isso fazia parte da sua intimidade a que eu nunca tive direito a ter acesso, e por isso não a pude mandar para a dita que a pariu. Também não a pude mandar pecar, não fosse ela, geniosa como era, pôr-me logo nessa noite o par dos tais que fazem comichão na testa de qualquer homem!

A única palavra que me saiu a seco, pois que tinha engolido toda a minha saliva, foi: Não!

Pouco mais do que isso acrescentou. Dejá vue, a cena repetiu-se. Reagiu como se eu a tivesse ofendido, exactamente como da outra vez e o motivo era o mesmo. Eu pedia-lhe mais tempo para estar com ela e ela entendia aquilo como se eu a estivesse a insultar. Mas que cena era esta?

Burro como sou, ou não tão inteligente como ela, só percebi à segunda: arrogância, pura e simples!

 

A menina achava-se perfeita e não aceitava que ninguém fizesse o menor reparo ao seu comportamento pois que ela era intocável. Pior do que isso, eu tê-lo feito levantando ligeiramente a voz foi considerado pelo seu ego como uma afronta. Quem é que eu pensava que era? Não se atreveu a perguntar, mas lia-se perfeitamente nos seus olhos. A reacção foi tão desajustada, tão desproporcionada, que rondou os contornos do ridículo! Não fosse eu o visado e tinha-me rido à gargalhada!

Quando percebi, depois de várias tentativas falhadas, que o seu orgulho ferido nunca iria perceber o que eu lhe tentei dizer, decidi pedir-lhe desculpa. Fi-lo várias vezes e ela nunca me respondeu.

Como o silêncio para mim não é uma resposta, obriguei-a, ou implorei-lhe não sei muito bem, a dizer-me: acabou, para que eu finalmente percebesse como é que era o meu dia seguinte, porque nem esse respeito eu lhe mereci, de ela o dizer voluntariamente!

Se não fosse assim, parvo como sou, ainda hoje estava à espera que o telefone tocasse!

 

Nesta fase da vida em que me encontro, já posso afirmar que consigo perdoar tudo, umas coisas são mais fáceis do que outras. A crueldade, coloco-a na lista das mais difíceis.

Mas foi pena, eu gostava da garota que me fartava e tratava-a assim por graça porque embora ela fosse mais nova do que eu, tinha mais dezassete anos do que eu!

Mas isto, nós, os homens, nunca havemos de perceber, porque tem a ver com uma sensibilidade que só nós, as mulheres, é que temos! E daí, talvez não, porque nestas coisas da alma, nós, as mulheres, enganamo-nos tanto ou mais do que nós, os homens!

 

 Cristina Pizarro

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