Costuma-se dizer que na farmácia há de tudo, pois na INTERNET há muito mais, até farmácias. Mas sobretudo a INTERNET transformou todo o nosso planeta numa pequena aldeia onde, apenas com um click, podemos viajar por esse mundo fora, visitar museus, bibliotecas, (reencontrar) re-encontrar ou fazer amigos…quase tudo que se possa imaginar, a INTERNET tem, para o bem e, inevitavelmente, também para o mal, mas tal como na vida real, cabe a cada um de nós escolher os caminhos que quer trilhar.
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Caminhos, sítios, mares e montanhas, não faltam num sítio da NET, tudo virtual mas feito da realidade da fotografia de satélite ou aérea que nos permite viajar por esse mundo fora e conhecermos quase ao pormenor, locais que iremos visitar ou que nunca visitaremos. Esse sítio, de acesso e instalação gratuita, disponibiliza-nos todo o nosso planeta em imagem. Refiro-me ao Google Earth e está disponível para cópia e instalação aqui: http://earth.google.com/intl/pt/download-e
Visitar Nova York, Paris, Londres, Berlim, Chicago, a Amazónia, Toronto, Rio de Janeiro, Luanda, Australia… tudo que nos apetecer, até mesmo Segirei, Faiões, Loivos ou o Bairro da Moca em Chaves, é possível apenas com um click e sem sair de casa. Claro que não tem o gosto do real, mas pelo menos dá para se ficar com uma ideia dos sítios, principalmente se esses sítios forem apresentados a 3 dimensões, como acontece com as grandes cidades e capitais.
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Pois há dias atrás, por motivos profissionais, descia eu (virtualmente no Google Earth) a Rua de Santo António, desde o Bacalhau até ao Arrabalde. Ao passar pelas freiras notei algo de estranho na trama do largo. Parei para espreitar e eis que dou com todo o Largo das Freiras em três dimensões. Eia lá! … seria possível!? As Freiras a três dimensões no Google Earth, coisa que só via nas grandes cidades e capitais mundiais…e as nossas Freiras a par de Lisboa, Nova York, Paris… era demais, quase nem dava para acreditar. Entretive-me durante uns minutos a passear nos jardins do Liceu, fui ao campo de basquetebol, estive na esplanada do Aurora e até me sentei nas escadinhas dos correios depois de ter passado pela biblioteca…mas quis saber mais, quem teria sido o benemérito que nos brindava com as Freiras em 3D. Na feitura da obra, uma empresa que dá pelo nome de iNovmapping, Lda, com sede em Coimbra e sítio na NET em http://www.inovmapping.com/ . No mínimo era estranho uma Empresa de Coimbra meter as Freiras no Google Earth a 3D.
Entre pesquisas e um mail precioso que caiu na minha caixa de correio, parti à descoberta desta Empresa, que continuou a surpreender. Vejas este vídeo (de autoria dessa empresa) que a seguir vos deixo e compreenderão porque:
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Mas vamos continuar então com esta empresa, a sua história e os seus (projectos) projetos e também um pouco de publicidade, no final do post, entenderão porque.
iNovmapping, LDA, empresa nascida em (Agosto) agosto de 2009, tem até este momento como clientes principais a Faculdade de Letras e a Empresa Municipal de Turismo de Coimbra. Com esta última, tiveram a oportunidade de lançar uma Rota temática (interactiva) interativa, subordinada ao tema: Coimbra – Rota da 1ª Dinastia, onde recriaram em 3D toda a cidade amuralhada de Coimbra na época da 1ª dinastia em Portugal. Surgiu assim um Tour “Documentário de 35 minutos” que é ainda neste momento único a nível mundial. www.turismodecoimbra.pt
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Quanto a trabalhos futuros, de momento existem negociações com o grupo Chamartin, donos da cadeia de centros comerciais Dolce Vita e estão a colaborar com a empresa, "BulbLightImagination" num (projecto) projeto inovador, para áudio guias urbanos, no que toca ao conceito de (interactividade) interatividade e user experience.
O conceito de negócio da empresa, revoluciona a abordagem ao mercado dos Sistemas de informação geográfica (sig), sendo a primeira empresa em Portugal a assumir-se como uma empresa de websig, ou seja, aliando os recursos da web2.0, aos dos sig, numa síntese funcional única e inovadora. Este conceito foi já premiado com um prémio no concurso “Google My Maps”, atribuído pela Google, e no Final de 2009 a iNovmapping, LDA foram vencedores no concurso de ideias de negócio “Arrisca Coimbra 09”.
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A empresa está incubada no Instituto Pedro Nunes (IPN) em Coimbra, reconhecido como a 2ª melhor incubadora de empresas do Mundo.
No que diz respeito ao facto desta empresa ter modelado o Largo das Freiras completamente a 3D, surgiu como uma iniciativa completamente privada, fruto da investigação na iNovmapping, LDA, servindo como (projecto-piloto) projeto-piloto e demonstrativo de valorização e promoção de centros históricos e de regiões que sofrem das dificuldades da interioridade, sendo neste momento a segunda cidade de Portugal Continental a ter, logo após Lisboa, um Largo modelado completamente a 3D. São também neste momento os únicos edifícios do Alto Tâmega modelados a 3D, presentes no browser geográfico da Google (Google Earth), na camada Edifícios 3D.
Claro que para ter acesso a estes dados houve uma troca de mail’s entre mim e um dos dois sócios gerentes desta empresa e, a resposta ao Largo das Freiras estar no Google Earth a 3D foi-me dada por ele mesmo (vou realçar e sublinhar): Sendo ambos (os sócios) de Chaves, o coração fala mais forte na hora de escolher o local para investigação, daí o facto de ser este o local eleito.
Pois é meus senhores, esta empresa (iNovmapping, LDA ) tem como sócios gerentes dois jovens geógrafos formados pela universidade de Coimbra e dão pelo nome de Rogério Coelho, 24 anos natural de Faiões e Luís Miranda, 26 anos, natural de Loivos, sendo o Rogério um velho conhecido nosso por seu um dos fundadores do Blog de Faiões e do Chaves Mapas , disponível na Internet já há uns largos meses.
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Todo o trabalhinho que estes dois jovens e a sua empresa fez por Chaves e pela região, foi a título gratuito (de borla). As entidades (associações e câmaras) referidas no vídeo de apresentação do (projecto) projeto, estão referenciadas pelo uso das estatísticas e dados que fizeram, que as entidades têm disponíveis para o público nas suas webpages, não tiveram apoio formal de nenhuma instituição.
Sei que este (projecto) projeto e a empresa já foram apresentados oficialmente em Chaves no mês de (Janeiro) janeiro passado, para a qual foram convidadas as principais entidades dinamizadoras da região.
Sei também que, até ao momento, nenhuma (das tais entidades dinamizadoras da região) mostrou vontade de levar mais além esta experiência disponibilizada pela iNovmapping. LDA de forma totalmente gratuita.
Pois é, temos pena, que haja dinheiro para pseudo eventos que pretendem promover Chaves e pouco ou nada promovam, temos pena que haja dinheiro para pimbalhadas e rapazões das concertinas, temos pena que haja dinheiro para (infra-estruturas), infraestruturas, edifícios e equipamentos concluídos há anos e que nunca funcionaram, temos pena que haja dinheiro para estátuas e muros levantados a que abandonou os flavienses e deixem esquecidos os nossos heróis, temos pena que haja uma entidade para promover o turismo e não se dê por ela, temos pena que haja dinheiro para eventos de premiar indianos e não o haja para apoiar flavienses com (projectos) projetos inovadores para tentar colocar Chaves no "mapa" da inovação em novas tecnologias, valorizando e promovendo o que de melhor temos, o que nos poderia conduzir, a termos um dia os monumentos e centro histórico de Chaves e das Vilas e Cidades do Alto Tâmega completamente modelados a 3D, com todo o beneficio para o (sector) setor turístico e para a economia em geral, dando a conhecer o nosso património (natural e construído) e as nossas gentes.
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Temos pena, mas é a nossa realidade e assim, até nem me admira que após a conclusão do despovoamento das nossas aldeias, seja a cidade a começar o processo de despovoamento, não só com o que sistematicamente nos roubam ou não nos dão, mas também ao nós próprios pouco fazermos pelo seu futuro, começando por não se criarem oportunidades para termos de volta os nossos jovens flavienses licenciados.
Parabéns à iNovmapping. LDA e aos seus sócios gerentes e flavienses pelos prémios e pelo seu trabalho de qualidade, por tridimensionarem as Freiras e vamos desejar que no meio dos (projectos) projetos que por cá se lançam, haja um para apoiar o vosso trabalho em prol de Chaves e da Região, que, é sempre diferente quando o trabalho é de qualidade e feito com amor à terra.
Se não tem o Google Earth instalado no seu pc, instale-o (é fácil e gratuito) e maravilhe-se a passear por esse mundo fora e pelas nossas Freiras em 3D.
Entretanto para irem seguindo o que estes dois flavienses fazem ou vão fazendo, siga os links que deixo a seguir.
Sobre o Alto-Tâmega:
http://dl.dropbox.com/u/1013497/Alto%20T%C
Video de apresentação do projecto:
http://www.youtube.com/watch?v=Rt2RPtLkk
iNovmapping, LDA:
Da minha parte, agradeço ao Rogério Coelho e ao Luís Miranda o vosso trabalho sobre Chaves.
Até amanhã!
Hoje, dia de outros olhares, vamos trazer aqui um bocadinho de Chaves a preto & branco, tipo revisão da matéria dada ou passada neste blog. Olhares apenas, sobre Chaves, a Preto & Branco, vários autores, olhares repetentes que espero, gostem de os ver juntos.
Até amanhã!

Foto de APh71
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Foto de Orcar AF
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Foto de Orcar AF
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Foto de Rui Trancoso
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Foto de Mr Conguito
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Foto de Nibes
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Foto de Filipe Martins
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Nota: Autoria das fotos conforme Nick no flickr.
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Como é que podemos viver a modernidade sem ofender o passado?
A resposta é simples: – respeitando-o!
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Costumamos dizer que a Ponte Romana é o nosso ex-líbris e, sem dúvida alguma que o é, mas não a consigo ver sem a imagem do pequeno conjunto de casario da Madalena adossada à ponte. Um crime do passado que ganhou o estatuto e direito de estar lá para fazer parte da própria ponte e também ele fazer parte e compor a imagem do ex-libris.
Da ponte para o rio. Um conjunto de harmonia e perfeição. Também, julgo, que não conseguiria ser flaviense sem o rio, este rio, pequeno, quase sempre calmo e sereno, que já foi mais transparente e mais puro, pois foi, mas que ainda pode voltar ao seu melhor e conviver com a modernidade. Como!? – Respeitando-o!
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Pois no meio de tanto desrespeito e maldade que se tem praticado no nosso centro histórico, penso que estas imagens que hoje vos deixo, separadas temporalmente por umas 5 ou 6 dezenas de anos, continuam a manter a sua beleza e integridade quase intacta e um bom exemplo de como a modernidade se pode conjugar com o passado, tanto, que não resisti em colar o pensador de um momento feliz do passado num momento (actual) atual.
Enfim, fiquemos com a reflexão do dia: “Em vez de políticos e pavões, Chaves, precisa de pensadores e amantes”
Até amanhã, com outros olhares.

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Escrita de pedra de padieira
De parede de cinzel
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Fazem a memória dos dias
A história dos tempos
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Seculares são testemunhas
por não terem a leveza do papel
resistem anónimas sem autor.

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Na ronda pelas nossas aldeias, hoje vamos até Castelões, com o seu post alargado, pois em imagem já fez por aqui breves passagens.
Que dizer de Castelões!?
O problema não está bem no que dizer, mas antes em começar e dizer tudo sobre esta aldeia. Mas vamos tentar estar à altura da aldeia.
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Castelões é uma daquelas aldeias que eu costumo apelidar de aldeia barrosã, pois talvez pela proximidade e pelo clima ou antigo povoamento e seus construtores, segue, a par de Soutelinho da Raia e de Seara Velha, as características construtivas das aldeias do barroso. E que ninguém considere isto uma desconsideração de a afastar da “cidadania” de Chaves, antes pelo contrário, pois todas as aldeias barrosãs são interessantíssimas em termos de casario e usos e costumes comunitários, não se ficando Castelões atrás em nenhum desses aspetos, tal como as outras duas aldeias atrás mencionadas, só é pena que, tal como as outras duas, o PDM flaviense não a tivesse considerado como “Aglomerado com núcleo tradicional”, pois a comparar com outras aldeias classificadas, esta, tem um núcleo interessantíssimo e tradicional. Mas enfim, os “iluminados” do costume é que têm as decisões nas mãos.
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Sem dúvida alguma que Castelões é uma das aldeias mais interessantes do nosso concelho. Aliás este trio de aldeias (Soutelinho, Seara Velha e Castelões) fazem parte das aldeias que costumo recomendar a amigos fotógrafos de fora para uma passeio fotográfico. Mas Castelões não é só interessante pela beleza do seu núcleo, pois há muitas mais coisas interessantes na aldeia. Começando pela própria comunidade e vida que a aldeia tem, embora envelhecida, é uma população que dá vida às ruas onde ainda se sente o verdadeiro espírito comunitário da aldeia transmontana.
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De facto, desde o primeiro dia (já há muito anos) que pisei o chão de Castelões, fui hospitaleiramente recebido. Hospitalidade e simpatia que se repetiu em todas as minhas visitas, onde não faltam interessantes conversas com a população, bem como as inevitáveis visitas às adegas, onde por sinal, há sempre bom vinho.
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Vinho que é sempre sagrado e bíblico, não sendo por mero acaso que faz parte do cerimonial e do ritual religioso da igreja católica. Mas em Castelões, deixando o bom vinho e o seu estágio nas adegas de parte, até é a água que faz milagres. Água e santidade à qual até Miguel Torga se rendeu e, convenhamos, que Miguel Torga não era só o poeta e escritor, pois com ele e fazendo parte dele, andava sempre o médico Adolfo Rocha.
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Claro que agora em palavras e imagens já estou no Santuário de Castelões, a uma escassa centena de metros da aldeia, na Senhora das Necessidades e do Engaranho, um pequeno mas belíssimo santuário, onde só a montanha se respira, as vistas se alargam e a água da rocha junto à pequena capela dizem ser santa e curandeira de engaranhos, desde que se siga um ritual sequencial que já à frente abordaremos. Antes, vamos para as palavras do poeta escritor Miguel Torga, precisamente a respeito desta Srª do Engaranho:
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Castelões, Chaves, 9 de Setembro de 1982
Visita à Senhora do Engaranho, pobremente recolhida numa ermidinha tosca da serra, com lindas vistas e muita solidão. É um consolo verificar como o nosso povo teve antes de arranjar em todas as horas advogados para todas as suas aflições. A Desgraça é que os arranjou sempre no céu.
Miguel Torga, in Diário XIV
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São palavras resultantes de uma visita que se iria repetir durante nos anos seguintes nas suas habitua férias terapêuticas em busca das águas quentes e frias de Chaves.
Mas vamos ao tal ritual que se deve seguir, para obter cura do engaranho, neste Santuário da Senhora das Necessidades e Engaranho.
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Geralmente há sempre alguém de Castelões pelo Santuário que poderá explicar esse ritual, o mesmo que a população ou comissão do Santuário já fez publicar no verso de um postal com a imagem da Santa. No verso desse postal consta a sequência do cerimonial que é o seguinte:
Senhora das Necessidades e do Engaranho
Como proceder para obter a cura do engaranho.
1º - Lavar o doente com água existente na rocha
2º - Atirar com 8 conchas de água por cima da cabeça, e a nona atirar água e concha.
3º - Dirigir-se à capela e no altar dar-lhe 9 tombos
4º - Rezar uma novena de 9 Pai Nossos, Avé Marias e Santa Marias.
5º - Vestir o doente com outra roupa, porque a que traz deve ficar.
PS – Se possível regressar por itinerário diferente daquele que veio.
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Não sei se Miguel Torga assim procedeu ou não, quando em 1989 lá foi por sua intenção:
Castelões, Chaves, 29 de Agosto de 1989
Peregrinação contrita à Senhora do Engaranho, desta vez por minha intenção, na esperança de que ela seja também advogada dos enjeridos do espírito.
Miguel Torga, in Diário XV
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Deixando o Santuário, regressemos à aldeia e a um pouco da sua história.
Comecemos pelo seu topónimo Castelões que tal como indica, advém de castelo, designação que é dada à parte mais alta da aldeia. Refere a história que foi aldeia castreja, existindo perto da aldeia um lugar popularmente conhecido por “Outeiro dos Mouros” onde dizem existir ainda as ruínas de dois panos de muralha. Diz a população e dizem os livros dos historiadores embora eu pessoalmente não conheça o local. Pois será proveniente desta sua história castreja, que Castelões adotou nome para a aldeia, aliás defendido por alguns historiadores e mencionado nos escritos de Alexandre Herculano quando diz que os tenentes e governadores dos castros espalhados pelo nosso Portugal eram denominados de castelões ou castelãos.
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Também nas proximidades passava uma importante via romana, a mesma que é mencionada na história de Calvão, sede de freguesia e também da aldeia vizinha de Seara Velha.
Quanto à sua igreja barroca, num estado de conservação que se recomenda, esteve até há uns meses atrás escondida pelo casario e com um acesso pouco digno da sua beleza. Felizmente há pouco tempo com a demolição de uma construção abandonada a igreja já mostra o ar da sua graça a quem passa na rua principal da aldeia. Sem dúvida que a aldeia e a Igreja só ficaram a ganhar com esta abertura e este acesso, dando além disso, um interessante motivo fotográfico que anteriormente era quase impossível de conseguir.
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São este tipo de obras e gosto que deve ser apoiado e aplaudido, sempre que seja bem feito, claro.
No centro da aldeia eleva-se um interessante cruzeiro, datado de 1879. Na cruz, esculpida nas duas faces, apresenta numa Cristo Crucificado e na outra a Senhora da Piedade. Curioso este cruzeiro com cruz de duas faces, não muito habitual em Portugal e muito menos no concelho, pois igual, só conheço o de Vilela Seca. Não será estranha a proximidade da raia com a Galiza, onde este tipo de cruzeiros é comum. Embora não tenha nenhuma documentação que o prove, o cruzeiro poderá ter mesmo origem na Galiza ou a igreja ter tido influência nesta aldeia. Aliás, influência ou presença galega/espanhola que se repete num dos pilares exteriores em pedra do forno comunitário onde está inscrito em relevo “Dios te ajude”.
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Forno comunitário que também é secular e que, embora tivesse perdido a sua utilidade comunitária, dizem ainda funcionar em altura de festas. Forno que dada as suas dimensões servia também de abrigo a mendigos e talvez a peregrinos a caminho de Santiago, pois também por aqui passaria um dos muitos caminhos de Santiago.
A testemunhar a vida da aldeia, existe um Centro Cultural e Desportivo de Castelões, fundado em 1982, mas para falar desta Associação e do muito mais há para dizer sobre Castelões, deixo-o para quem melhor sabe e o faz bem, em blog feito a duas mãos, uma, bem longe nos Estados Unidos, o José Gonçalves e outro, o Afonso Cunha, que embora ausente da aldeia, está bem mais perto. Pois estes dois senhores mantém sempre atualizado um blog que já vai com mais de 60 000 visitas e por onde passam muitas fotografias e muita vida da aldeia e que serve sem qualquer dúvida, para fazer a história da aldeia mas também para a manter ligada a toda a sua comunidade emigrante e filhos ausentes da terra. Um blog amigo que vamos tendo o prazer de acompanhar desde 2007, altura em que foi criado. Fica aqui um abraço para os dois feitores e mais colaboradores do blog e pena, só temos mesmo da sua ausência nos nosso habituais encontros da blogosfera flaviense, mas sempre justificados.
Fica o link para um blog que devem visitar: http://casteloes.blogs.sapo.pt/
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Ainda antes de terminar fica também a referência a mais uma aldeia que elogia o fio azul mas também uma aldeia onde ainda existe, no Largo do Cruzeiro, um estabelecimento à moda e com filosofia das antigas tabernas, onde ainda se pode “botar” um copo de bom tinto em cima de balcão de madeira.
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E hoje por Castelões é tudo. Pela certa que continuará a passar por aqui em breves momentos de imagens, pois há muito mais para mostrar e também, brevemente estará aqui outra vez incluída no habitual mosaico da freguesia. Até lá.
Também continuará a fazer parte das minhas preferências dos passeios fotográficos e das minha recomendações para fotografar aquilo que vamos tendo de melhor e mais interessante.

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Cantigas ao Desafio
As noites de Inverno em Trás-os-Montes são muito mais longas do que em qualquer outro sítio. Logo que o sol se esconde, começa a gear e ainda a hora da ceia vem longe já o carambelo enche de diamantes os galhos das árvores e os beirais dos telhados. Uma melancolia gelada acompanha a cria que recolhe às cortes e o homem que se escapa, logo que pode, para o conforto do tição. No Inverno come-se do que o Outono pôs no celeiro e espera-se, na calma das horas longas, que amanheça mais favorável do que anoiteceu. O tempo transmontano corre pachorrento, mesmo hoje, apesar de a electricidade encher de luz os mais recônditos lugares, tornando as noites aparentemente mais curtas.
Há anos, não muitos, quando as noites gélidas eram alumiadas pelas candeias de petróleo, os homens consumiam as horas do serão tagarelando à volta de um canhoto de carvalho que ardia tranquilamente na lareira dos casebres. Aproveitavam para botar contas à vida, para lamentar a má sorte ou para contar histórias de mouras encantadas ou de lobisomens, muito gastas e com finais quase sempre felizes. Outras vezes juntavam-se na casa do forno, se o nevão o permitisse, consumindo lugares comuns e o mais das vezes ausência de novidades. Uma vida triste!...
Na casa da Ti Emília Paparrotas tudo se passava nesta calma de sempre. O Ti Adriano era o homem lá de casa ia para vinte anos. Dedicava a sua vida principalmente à agricultura. Porém, tinha jeito para a carpintaria e sempre que podia não renegava a uns magros cobres nesta arte. Tiveram filhos já muito tarde. A Ti Emília até pensava que nunca os teria não fora ter convencido o marido a acompanhá-la à Misarela na foz do Regavão. Passaram lá uma noite fria, mas valeu a pena. Engravidou de gémeos aos quarenta anos. O parto não foi muito normal e se não fosse a Tia Cândida ajudar a dilatar as carnes, já ressequidas, da parideira, os gémeos não teriam vencido. Mas venceram e deram dois rapagões de respeito: O Jorge e o Marcelino. O Jorge aos doze anos já se gabava de fazer a barba, embora reconhecesse que raramente precisava de afiar a navalha! O Marcelino começava já a pintar!
Não sendo uma família rica e nem tão pouco remediada, também não se podia dizer que fosse pobre. Vivia do que a terra dava e, não sendo muito, sempre se ajeitava a vidinha com a actividade da carpintaria que ajudava a controlar os calotes na mercearia do Antero.
Os rapazes eram dados às artes musicais. De latas faziam bombos, da casca das varas de castanheiro flautas, do colmo tenro do centeio gaitas, das bancas de tripé concertinas e passavam as noites a fingir grandes concertos. Umas vezes cantavam ao desfio com improvisos muito bem conseguidos, para gáudio da família, outras imitavam os cantores da moda dos anos sessenta, que ouviam na telefonia da taberna.
Era uma alegria na casa da Ti Adosinda!
Uma noite de inspiração, os rapazes combinaram, de aposta, uma desgarrada. Perderia o que primeiro deixasse de rimar. Assim estava combinado e assim se fez.
Quadra dum lado, resposta do outro e a coisa foi andando. Por vezes a rima era tão pândega que o Ti Adriano soltava gargalhadas estridentes entre dois golos de maduro tinto que aquecia ao borralho na pitxorra de barro de Nantes. Às tantas, o Marcelino, em resposta a um atrevimento do gémeo, botou a seguinte rima:
Boa noite meus senhores
No fundo d’um alguidar meu
O meu pai é serrador
Serrou os cornos ao teu!
Mal havia acabado e já a Ti Paparrotas tinha puxado a culatra atrás e espetado um tal bofetão nos focinhos do cantador que o fez afocinhar na cinza da lareira!
O rapaz ficou tão atromelizado com o sucedido que precisou de muitos anos para perceber o que justificara aquela tão inusitada atitude de sua mãe!
Uma coisa é certa, nunca mais, a partir daí, houve naquela casa cantigas ao desafio. Pudera, é que a Ti Emília tinha um brio incomensurável na sua fidelidade conjugal!...
O Ti Adriano não cabia em si de contentamento por ter sido simultaneamente considerado o serrador e a vítima!
Também ele precisou de tempo para perceber a atitude da mulher!...
Gil Santos
In “Ecos do Planalto – estórias” - adaptado

Um momento muito breve só para assinalar as 900.000 visitas ao blog.
Obrigado a todos quantos nos têm acompanhado nesta viagem.
Para assinalar o número, o blog apresenta-se com nova cara.
Até logo, com mais um discurso sobre a cidade de autoria de Gil Santos.


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