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Sexta-feira, 27 de Março de 2015

Chaves - Torre de Menagem

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:30
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Discursos Sobre a Cidade - Por Francisco Chaves de Melo

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Geriatria gratuita.

 

Não terá havido político consciente que nos últimos 30 a 40 anos não tenha prometido desenvolver a oferta educativa gratuita para todas as crianças e jovens, alargando de década para década, o número de escolas e anos de escolaridade obrigatória. Atualmente, essa obrigatoriedade de frequência estende-se até que um jovem perfaça 18 anos.

 

Se no litoral do país, nas grandes cidades, o abandono escolar precoce ainda se envolve de atualidade e é ainda necessário garantir escolaridade obrigatória para todas as crianças e jovens até ao 12º ano, no interior esse objetivo já perdeu força em virtude de o abandono escolar se ter eclipsado pela quebra acentuada da natalidade. Mas terá a promessa de escola gratuita para todos ainda a mesma força mobilizadora dos últimos anos?

 

A pergunta surge para nós porque o debate sobre a oferta educativa já não se situa na ampliação, mas na sua inexorável redução. Não se debate, agora, a necessidade de haver escola para todos, mas sim sucesso escolar para os poucos que a frequentam, ou quando não o seu encerramento. Relembro que ainda no início do ano letivo se assistiu ao fecho de mais escolas por falta de alunos no nosso concelho. Esta calamidade demográfica, infelizmente, vem sendo recorrente nos últimos 12 anos. Pode ser coincidência, mas o facto é que se iniciou com a gestão municipal do PSD de João Batista.

 

Os dados demográficos que se reproduzem na imagem espelham com clareza a tendência decrescente de crianças e jovens entre os 0 e os 14 anos no concelho, ao mesmo tempo que revelam um crescimento do número de idosos entre os 75 e mais de 85 anos. Esse crescimento de idosos nos últimos 5 anos ultrapassou a meia dúzia de centenas.

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Deverão estes dados fazer-nos repensar objetivos? Será agora necessário que em vez de educação gratuita se exija geriatria gratuita?

 

Que políticas municipais temos em execução no concelho que garantam o máximo grau de independência aos idosos? Que estratégia existe para a manutenção da funcionalidade decorrente da redução da capacidade de adaptação a sobrecargas funcionais decorrentes da idade avançada? E deteção precoce de problemas funcionais, quem a faz? Já agora, com as polémicas à volta do nosso hospital, quem garante tratamentos atempados no concelho ou mesmo no distrito?

 

Outras questões poderão ser colocadas, questões que podem ir desde saber se existem maus tratos a idosos, se os medicamentos são usados racionalmente, de que modo se estimula a prática de atividade física ou se é realizada formação para os cuidadores de idosos.

 

Pelo exposto, não será legítimo exigir a uma gestão autárquica atenta às pessoas que, no mínimo, procedesse à elaboração de um estudo para a criação e desenvolvimento de um programa de apoio à população idosa do Concelho? Estudo que permitisse determinar a importância de disponibilizar uma Unidade Móvel de Saúde – UMS – pluridisciplinar, composta por um enfermeiro, um nutricionista e um assistente social? Não seria importante que essa equipa fosse responsável pelo acompanhamento domiciliário dos idosos, nas áreas prioritárias seguidamente discriminadas:

 

a) Medicação a tempo e horas (renovação do receituário);

b) Alimentação que dá vida (Combate à diabetes, ao tabagismo e/ou ao alcoolismo);

c) Ajuda na hora, procurando dar resposta social aos idosos isolados, nomeadamente na prevenção da doença, no apoio àqueles que têm mobilidade reduzida e estão integrados em famílias carenciadas.

 

Na minha opinião, tal unidade móvel poderia assegurar, preventivamente, rastreios de colesterol, diabetes, tensão arterial, visão e audição, realizando ainda pequenos exames médicos (exames respiratórios e pequenos curativos). Insisto, por isso, na necessidade de criação da unidade móvel e também penso que essa unidade móvel deverá desenvolver a sua ação, em parceria com os centros de saúde e a Segurança Social, mas em estreita coordenação com os diversos centros de dia, com as respetivas juntas de freguesia e, bem assim, com as IPSS sedeadas no concelho.

 

Esta iniciativa será, seguramente, bem acolhida pela população do Concelho, particularmente, pela população mais idosa, sua destinatária, proporcionando-lhe outra qualidade de vida.

 

Infelizmente a atual gestão municipal tem uma visão politizada do apoio aos idosos, criou por isso a “Chaves Social”, associação sujeita ao seu domínio político desde a contratação de pessoal à gestão quotidiana, já que não vive do apoio dos seus associados e subsiste com os sucessivos e avultados subsídios que recebe da Câmara e da EHATB.

Francisco Chaves de Melo

 

publicado por Fer.Ribeiro às 00:00
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Quinta-feira, 26 de Março de 2015

Panorâmica do Largo do Arrabalde - Chaves

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:28
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Vivências

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Os livros só se emprestam aos amigos…

E os amigos não pedem livros emprestados

 

Há vários anos atrás, no meu primeiro ano de atividade como professor, numa visita a casa de um amigo meu, homem das letras e apreciador da boa escrita, e que já naquela altura me levava seguramente uma centena ou mais de livros de avanço, fui surpreendido no seu escritório/biblioteca com uma inscrição que dizia: “Os livros só se emprestam aos amigos e os amigos não pedem livros emprestados”.

 

Apesar das várias visitas posteriores com que fomos cultivando a nossa amizade nunca surgiu a oportunidade de lhe manifestar a minha discordância. É certo que os livros, para quem realmente os aprecia, ou até os devora, acabam por se tornar um pouco de nós próprios. Em determinada altura da nossa vida surpreenderam-nos, fizeram-nos sonhar e alargaram os nossos horizontes. Com eles rimos, ansiamos, e alguns até nos fizeram derramar lágrimas… Outros marcaram-nos de tal forma que os chamamos de “o livro da minha vida”. E por isso os guardamos cuidadosamente numa estante, bem cuidados, ordenados, e sempre à mão para serem consultados e revividos. Não os deixamos ao acaso, esquecidos num qualquer canto da casa. Mas se for para emprestar a um amigo, por que não? Por que não proporcionar-lhe também a ele a mesma satisfação que o livro nos fez sentir a nós quando o lemos? A mesma, ou outra, maior ou menor, porque isto das satisfações e dos gostos pessoais em termos de leitura, como aliás em tudo na vida, não se comparam nem se discutem…e ainda bem. Apenas deverá haver uma condição sine qua non: a sua devolução, tão breve quanto possível e igualmente bem cuidado, para, quem sabe, nos voltar a fazer sonhar como se fosse a primeira vez.

Luís dos Anjos

 

 

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Quarta-feira, 25 de Março de 2015

Chaves - Uma Imagem - Con(trastes)

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:15
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Chá de Urze com Flores de Torga - 73

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Chaves, 30 de Agosto de 1987

 

É pérfido. E a perfídia é a perversão da maldade. Daí que fira sempre por interposta pessoa, a atingir impunemente a vítima e a tentar ao mesmo tempo corromper o medianeiro. Mas não se pode pedir mais a um homem negativo, como o são todos aqueles que, antes de agredirem o semelhante pelas costas, já negaram em si próprios a sacralidade frontal da condição.

Miguel Torga, in Diário XV

 

 

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Terça-feira, 24 de Março de 2015

Crónicas estrambólicas - A flora de Chaves

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A flora de Chaves

 

Andei a folhear uma publicação antiga, a Ilustração Transmontana (Archivo Pittoresco, Literario e Scientifico das Terras Transmontanas). No volume de 1909, há alguns artigos sobre Chaves. Num artigo sobre a flora (escrito no português de antes do grande acordo ortográfico de 1911, aquele que mudou os PH’s para F’s) conta-se que a flora da zona nunca foi estudada, excepto uma vez, há uns cem anos atrás. Em 1797, dois allemães illustres, o conde de Hoffmansegg e o professor Link, vieram a Portugal estudar a flora, mas a zona transmontana ficou em claro por o professor ter sido chamado a apresentar-se na universidade de Rostock. O conde voltou sozinho em 1800 e visitou Chaves, depois duma passagem por Montalegre.

 

As conclusões, que o conde publicou no livro Viagem em Portugal, são descritas nesse artigo:

 

“O termo de Chaves, com vinte e oito leguas quadradas de extensão, comprehende cento e oitenta e seis aldeias, sete mil e setenta e oito fogos, e trinta e tres mil e oitenta almas—o que dá mil duzentos e sete habitantes por legua quadrada, população bastante consideravel. A villa contém seiscentas e oitenta casas, e tres mil seiscentas e cincoenta almas.”

 

Queixamo-nos, agora, da desertificação... Se calhar o alemão tinha razão, há gente que chegue.

 

“Dois quintos da comarca são cobertos de castanheiros e algumas outras arvores; um quinto está inculto e dois quintos são agriculturados. Cultiva-se muito centeio, colhe-se milho maez, trigo e batatas, mas pouco vinho e quasi nenhuma seda. As outras producções consistem em linho, de que se recolhe annulamente seis mil arrobas (a arroba tem vinte e oito libras); em lã quatro mil arrobas por anno; e em cera duzentas arrobas.”

 

Já na altura a agricultura não era afamada.

 

Seria engraçado recriar algumas coisas desse tempo, como a cultura da seda e do linho.

 

“Emprega-se uma charrua especial, cuja relha é curva e abre sulcos pouco profundos e afastados uns dos outros deseseis pollegadas; como o sulco da relha não tem mais de quatro pollegadas de largura, fica entre cada sulco um espaço inculto de dez a nove pollegadas. Este methodo, usado em muitas províncias em Portugal, é sem duvida uma das causas principaes do pouco rendimento das terras. Não se estrumam os campos, porque se imagina que é inutil. Lavra-se quatro vezes e estorroa-se ou grada-se outras tantas, as grades são semelhantes às nossas mas os seus dentes são feitos de pau. O desterroador não está em uso, porque se julga demasiadamente trabalhoso o leval’o todos os dias para o campo e tornal’o a trazer.”

 

Estamos sempre atrasados tecnologicamente, até nessa altura as charruas não lavravam fundo e as grades ainda tinham dentes de pau, não de ferro, como os alemães! Adiante.

 

“Ainda que o lavrador portuguez não goste do trabalho, entrega-se no entanto a uma operação fatigante que repete duas vezes por anno, a de sachar a terra em volta do milho e doutros cereaes.”

 

A ideia que já nessa altura os alemães tinham de nós...

 

O artigo da revista transmontana é assinado por Gonçalo Sampaio, da Academia Polytechnica do Porto.

 

Luís de Boticas

 

publicado por Fer.Ribeiro às 00:31
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Chaves - Praça da República

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:14
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Segunda-feira, 23 de Março de 2015

Quem conta um ponto

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232 - Pérolas e diamantes: o suave odor da pestilência

 

Virgílio, porque era um homem previdente e sábio, escreveu que, mesmo que não a avistemos, “está sempre uma cobra escondida na relva”.

 

Aos incautos, manobradores e restante pessoal distraído é bom lembrar as palavras de John Selden: “Pega numa erva e atira-a ao ar, saberás de que lado sopra o vento.”

 

A verdade é sempre, mas sempre, uma coisa simples.

 

Há quem fale da minha obstinação e da minha teimosia como se elas fizessem parte de algo de indeterminável, ou, talvez, de uma maneira de ser polémica e demasiado frontal. Pois ser frontal e polémico na nossa terra é a modos como um pecado. Eu diria, se me conheço bem, que o meu grande defeito, ou pecado, se preferirem, é possuir caráter. Tão simples quanto isso.

 

Identifico-me plenamente com o que escreveu o advogado e conferencista norte-americano, Michael Josephson: “As pessoas de caráter fazem o que acham certo não porque isso vá mudar o Mundo mas porque se recusam a ser mudadas pelo Mundo.”

 

Para os que se fazem de cegos, surdos ou mudos, lembro as palavras de Winston Churchill: “Há pessoas que mudam de ideias para não mudarem de partido e existem outras que mudam de partido para não mudarem de ideais.” Convém lembrar, aos mais distraídos, que o falecido estadista inglês mudou várias vezes de partido, mas, como a História prova, não mudou de ideias.

 

Resumindo, à boa maneira de Oscar Wilde: “O único pecado que existe é a estupidez”.

 

  1. K. Chesterton disse que existem duas maneiras de chegar a casa; uma delas é não chegar a sair. Mas eu sou dos que arrisco ir. A minha avó ensinou-me a ousar.

 

O mesmo filósofo britânico, que também foi escritor, poeta, narrador, ensaísta, jornalista, historiador, biógrafo, teólogo, desenhista, conferencista e brilhou igualmente no campo da economia, demonstrou que o homem não é um ídolo, mas é quase sempre um idólatra.

 

Convém lembrar aos idólatras que o culto dos demónios foi sempre posterior ao culto das divindades, ou mesmo ao culto de uma única divindade.

 

Eu não pertenço ao grupo das pessoas que se agarram à ideia bizarra de que aquilo que é sórdido tem sempre de vencer o que é magnânimo.

 

Os políticos, os respetivos aparelhos partidários, e as oligarquias comerciais que nos governam dão a impressão de serem múmias de olhar fixo, envolvidas em tecidos discursivos e em palavras ocas, que ninguém consegue perceber se são velhas ou novas.

 

Tornaram-se antinaturais pelo facto de prestarem culto ao dinheiro em vez de defenderem a humanidade.

 

Existe muita gente por aí que leva tempo a perceber a piada que contam, sendo eles os autores da própria piada.

 

Há homens que na sua génese conspirativa, transformam a fé numa religião das coisas pequenas.

 

Chesterton escreveu que “a moralidade da maioria dos moralistas, antigos ou modernos, tem sido sempre uma catarata, sólida e bem polida, de banalidades em fluxo interminável”.

 

Se repararem bem, de uma maneira geral, os elogios ao esforço e outras milhares de trivialidades ditas pelos nossos políticos, ou enunciadas em conversas conspirativas, pelos militantes e simpatizantes dos partidos, são sempre expressas por aqueles que não fazem esforço nenhum em enunciá-las.

 

O problema é que combater a floresta de intriga e má-língua que campeia por aí em núcleos conspirativos, bem circunscritos e perfeitamente identificáveis e identificados, é como tentar limpar uma mata com uma navalha.

 

Muito se diz e nada se traz à luz do dia. A coragem é uma palavra vã. Aos homens da política sobra-lhes em intriga o que lhes falta em caráter.

 

Assim é impossível trazer para a política os melhores. Por isso é que nela triunfam os conspiradores, os medíocres, os aparelhistas, os tartufos, os pavões, os secretários para todo o serviço, os disformes, os conformes e os tachistas. Enfim, os homens sem escrúpulos.

 

Cristo, estimados leitores, segundo os evangelhos, no seu aspeto humano, deu-se sempre melhor com os romanos do que com os judeus, que eram o seu próprio povo.

 

É verdade, e eu sei do que falo, os adversários estão sempre nos outros partidos, mas os inimigos encontram-se sempre dentro do mesmo partido.

 

Daí a necessidade de uma lufada de ar fresco no nosso ambiente político e partidário.

 

Os partidos tradicionais exalam um cheiro próximo do dos esgotos a céu aberto em Vale de salgueiro – Outeiro Seco.

 

PS – Tchékhov dizia que “a arrogância é uma qualidade que fica bem aos perus”. Por isso, mais uma vez solicitamos ao senhor presidente da CMC e aos seus distintos vereadores, que aprovem uma auditoria independente às contas da nossa autarquia. Quem não deve não teme.

 

PS 2 – Também em nome da transparência, já agora senhor presidente, talvez fosse boa ideia aprovar conjuntamente uma auditoria externa às contas da JF de Santa Maria Maior.

 

PS 3 – Era um ato de coragem redentora, o senhor presidente deixar-se de desculpas de mau pagador e por fim ao deplorável espetáculo dos esgotos a céu aberto em Vale de Salgueiro – Outeiro Seco.

publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
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De regresso à cidade com duas imagens

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De regresso à cidade com duas imagens, bem diferentes. Em comum, apenas, serem ambas do Centro Histórico de Chaves.

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Esta segunda imagem com um momento de luz único, daqueles que só acontecem às vezes, geralmente quando não temos a câmara fotográfica connosco.

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 03:37
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Domingo, 22 de Março de 2015

Pecados e picardias

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A Taverna- Noite

 

Chegaram os diários para jantar

 

Zé da bisca, com outro camionista

O TS!... só faltava cá este, a babar

Tem uma lata ,passa tudo em revista

A ver se encontra alguém…com quem sonhar

Fantasias eróticas …julga não haver quem resista

 

O TS figura bizarra

Fato a regar o cebolo

A presunção estampada na cara

No sorriso a anuência de dolo

Num pensamento que encarna

O veneno embrulhado num bolo

 

Um olfacto prodigioso

Cheirando a fêmea a léguas

Tresanda a erecção

De um sexo religioso

Que nem a ele dá tréguas

Deixando-o em ebulição

 

Sentiu o desagrado do servente

Pousar-lhe, como cocó de ave

Sabia que hoje era o dia…

Faltava essa, não estar presente

Vinha jantar ,tomar conta da chave

Do lugar de visão da sua alegria

 

Cada um olha por si

Queria lá saber do taverneiro

Queria-a só para ele, aqui…

Se ele deixasse… imaginou o gesto

Invejoso, conhecia-o, sorrateiro

Dedo médio erecto a oscilar, em protesto

Queria ele era que os outros deixassem o dinheiro

 

Aspirou a antevisão do prazer

Divinal a francesa…Hum…

Por agora o rancho…precisava de comer

-Então? Dona Bertinha muito que fazer?

Quero uma dose bem servida

Um bom jantar para se fazer pela vida

De sobremesa café e um cálice de rum

 

Ia ficar a aguardar

Era dos primeiros

Ficou contente, sabia esperar…

E também vinham os matreiros

E muita mais gente ia chegar

A noite esconde outro tipo de obreiros…

Chegaram o patrão e um amigo

Querem jantar? Pergunta o servente

-Duas de rancho, traga pão de trigo

Uma caneca do da casa para a gente

 

Chegou a comida, rancho a fumegar

Cozinhava bem a Bertinha

E o prato do dia era sempre a aviar

Punha tudo na mesa, enquanto ia e vinha

 

Será que o doutor viria?

Hum… duvidava

A mulher punha-o na ordem

Coitado …era ela quem decidia

Bem feita, pensava

Lá para as onze já dormem.

 

Ainda bem não suportaria

Partilhar com ele a noite…

Nem o que esta trazia

Vê-lo… era pior que um açoite

 

-Ó patrão olhe o rancho a arrefecer

Coma faça por não se esquecer

Nem sei como conseguiu vir

A patroa que disse? diz a rir

 

Encolheu os ombros, sorriu…

Forma eficaz de responder

-Não disse nada… Anuiu

Como quem diz por dizer

 

Lembrou a cara da mulher

Um silêncio devastador

Sem a indiferença esconder

0 Rosto velado do desamor

 

Hoje ia permitir-se sonhar

Com a vinda do javardo

Fazia falta desanuviar

Da sua vida amorosa…um fardo

 

Sentia o martírio dela…

Cada noite que a solicitava

Estática sem qualquer emoção

Aceitava-o como qualquer devoção

Fazia-o sentir um…quando acabava

Só passava com uma escapadela…

 

 Isabel Seixas

publicado por Fer.Ribeiro às 23:50
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Assureiras de Baixo - Uma das três vilas

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 Já há muito que tinha chegado à conclusão que são as coisas simples as que mais me apaixonam. E entenda-se por coisas simples tudo que é simples, não só aquilo que é material, mas também o imaterial, os sentimentos por exemplo, as atitudes, os atos, os gestos, e as coisas que as pessoas fazem quando são simples, com sonhos simples, apenas do tamanho da necessidade e mais um bocadinho, mas apenas se puder ser.

 

É na simplicidade que se encontra a beleza, o amor, a felicidade. É um pouco como ser criança durante toda a vida, comer quando se tem fome, adormecer quando se tem sono. É por isso que gosto dos fins de semana e de regressar às aldeias, a um mundo que já não existe.

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E com tudo isto chego também à conclusão que é complicado entender as coisas simples, ser-se simples, com essa simplicidade que hoje só se encontra às vezes esquecida ou ignorada no meio de tanta complexidade. Digo eu, que de vez em quando também gosto de dar liberdade à escrita para dizer o que penso que me vai na alma para justificar e explicar coisas que às vezes não têm explicação.

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Não sei se entenderam o discurso, mas se não entenderam, não se preocupem, que eu, o próprio que o escreveu ainda estou pra ver se o entendo. Mas uma coisa vos garanto, é sincero, mesmo que não tivesse dito nada daquilo a que me propunha dizer. Há dias assim!

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 04:21
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Fugas

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De férias no Gerês

 

De Melgaço a Lamas de Mouro, uma das portas de entrada no Parque Nacional da Peneda-Gerês, separam-nos 18 quilómetros por uma estrada de montanha que percorremos calmamente, apreciando a paisagem. À chegada procuramos o parque de campismo para nos instalarmos. Após os breves formalismos da inscrição somos inesperadamente convidados a sentarmo-nos numa mesa ali ao lado em cima da qual estão desdobrados vários mapas. E então, sem que nada nos fosse perguntado e quase sem tempo para reagir, o Senhor Baltasar vai-nos esboçando vários croquis para partirmos à descoberta da região. A forma como fala denota um profundo conhecimento, mas acima de tudo uma ainda maior paixão pelo Parque da Peneda-Gerês. As opções são variadas: o trilho da água, as piscinas naturais, as pontes românicas, as brandas e as inverneiras... Ficamos agradecidos com as sugestões e decidimos ainda nesse dia ir até Castro Laboreiro. A vista sobre o vale do rio Laboreiro é magnífica, mas não nos podemos demorar porque ainda queremos subir ao castelo: 600 metros a pé, assinalados nos marcos do percurso, outros tantos para o regresso, em ritmo lento, para a mais nova da família poder acompanhar. E logo ali, no início da caminhada, lá está ela, a enorme rocha em forma de tartaruga, o primeiro de vários pontos de interesse que levamos assinalados nos nossos croquis. No final da caminhada, para recuperar as forças, entregamo-nos a um magnífico bacalhau com broa.

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 Fotografias de Luís dos Anjos

O dia seguinte amanhece com bom tempo. Preparamo-nos e logo à saída do parque somos agradavelmente surpreendidos por um grupo de cavalos selvagens que se passeia, tranquilamente, ali mesmo, à beira da estrada. Paramos para umas fotografias. Segue-se um passeio por várias aldeias dos arredores e sucedem-se os motivos de admiração. No cruzamento para a Senhora do Numão deparamo-nos com a enorme rocha em forma de águia. No Santuário propriamente dito, agrada-nos o silêncio e a imponência de toda aquela envolvente... E pelo caminho, enquanto contemplamos o verde da vegetação e o azul do céu, quando menos esperamos, surpreendem-nos pontes românicas, debaixo das quais correm cursos de água límpida... São tantas coisas para registar mas, mais do que o registo fotográfico destas férias, ficam-nos, sem dúvida, impressas na alma as mais admiráveis emoções para um dia mais tarde recordar.

 

Até uma próxima...

 

Luís Filipe M.Anjos

"A Voz de Chaves" - 18 de Julho de 2008

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 01:54
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Sábado, 21 de Março de 2015

Vilarelho da Raia - Dois olhares

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No regresso ao nosso mundo rural ficam duas imagens apenas e com a brevidade que o tempo dos relógios nos permite. Um pormenor e a vista geral.

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Bom fim de semana!

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 17:02
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Sexta-feira, 20 de Março de 2015

Discursos Sobre a Cidade - Por Gil Santos

GIL

 

O SARRONCO

 

O raparigo mijava-se todo quando o ameaçavam com o sarronco! Foi temor que lhe ficou dos raros anos em que conviveu com o seu pai. O sarronco tolheu-lhe a infância e mirrou-lhe o miolo enquanto cresceu. Já gargalhote era dado à zombaria no lugar planáltico da Quinta da Igreja. Era o bombo da festa, como soi dizer-se. Nunca deu ninguém. Vá-se lá saber se a culpa não teria sido mesmo do sarronco!

 

O João Parpalhaça nasceu, como o Deus Menino, numa manjedoura! E teve a desdita de uma vida amarga! Alcançou ar, pela prima vez, num tugúrio de pedra solta, entre o bafo da burra, o balido da ovelha e o cacarejar das pitas que partilhavam mesa e cama com a família. Habituou-se a engolir a névoa das fronças verdes das giestas brancas crepitando sobre o lajedo da lareira. E a néboa era tanta que nem as frinchas da telha de meia cana lhe dava vazão. Sim, porque chaminé era coisa de casa rica e alçapão de cortiça de remediada! Forro a cabana não tinha. Essa fidalguia as casas pobres não avezassem, nem tão pouco sobrado! O chão era de terra batida, uma estrumeira, e o telhado de telha vã, rara, assente sobre ripas e caibros de pinho felugento. Quando a neve era furinheira, a cobertura deixava que caísse no interior da casa, quase como na serra da Padrela. No estio o fresco entrava por todo o lado, o que era agradável. No tempo invernal valia-lhes o calor que a Zaratrusta, uma burra velha e fiel, exalava.

 

Batatas emorouçadas, pão na galheira, pá de reco ou pingue no pote de barro, eram miragens para a família Parpalhaça.

 

Muitas liscas de presunto ofereci ao João quando andávamos na escola de Adães, para acompanhar o carolo de pão seco que levava para a merenda! Os olhos saltavam-lhe por elas!

 

Os Parpalhaça viviam da jeira, quando a havia, o que era raro, mas, o mais das vezes, da misericórdia dos vizinhos. Os trabalhos do campo, naquela altura, faziam-se, quase sempre, à ajuda! Eles não tinham leira onde botar um cibo de renovo e, muitas vezes, valiam-se das hortas dos vizinhos com o seu consentimento não declarado.

 

O João ainda não teria 12 anos quando ficou órfão de pai. Horácio Parpalhaça morreu tísico por mor do pó da pedra, diziam. Pereceu estrezicado, seco, só com pele e osso!

 

O rapaz teve uma infância lazarada. Tirando o tempo da castanha, dos ninhos, dos níscaros e do rebusco, era fome de criar bicho. Na maré da castanha, andava sempre com uma caixa de palhitos (Quinas) no bolso. Quando a fome apertava ia-se aos castanheiros da vizinhança e bota abaixo. Fazia uma cama de giesta, atapetava-a com uma abada de castanhas, cobria-as com outra gabela de fronças, rascava um amorfe e botava-lhe o fogo. Daí a pouco regalava-se com os bilhós.

 

E para os ninhos? Era fino como azougue. Não lhe escapava um. Mas só os queria de eivão, de melro ou de rola. Aos de pardal, de carriça ou de xenxilhão cucava as pedrinhas, aos outros, esperava que os passarinhos vestissem e quando os topasse a querer desaninhar, ia-se a eles e esganava-os. Depois depenava-os, estripava-os e empaláva-os num guiço de loureiro para churrasco. Uma delícia! Ainda provei alguns. Quando eram gordos pareciam rijões do sobentre. No tempo das pescoceiras e das esparrelas também era um bom artista!

 

Aos níscaros era imbatível. Saía pela matina e só regressava quando a cambalhota fosse da sua altura! E só lhe chaldravam os de castinheiro por serem mais ensaibidos! Não os apreciando em cru e sem peguilho que lhe untasse o estrugido, trocava-os por aquilo que pudesse.

 

Após o arranque da batata, o ouro do Planalto, era costume, nas primeiras zerbadas, ficarem ao léu muitos dos tubérculos esquecidos na terra. Os proprietários nunca se importavam muito que os mais pobres fossem ao rebusco nas suas fazendas. Era uma espécie de esmola, muito apreciada pelos desfavorecidos. Nesta altura o João não fazia mais nada. Metia uma saca de serapilheira pela cabeça a fazer de impermeável, uma cesta emprestada no braço e corria os termos da povoação e das vizinhas. Quase sempre tornava com um coleiro com que mal podia. E assim, enquanto o pão da serra durasse, não havia fome. O caraito é que a fartura nem outubro botava fora!..

 

Mas, como vínhamos dizendo, o João tinha um pavor enorme ao sarronco. Mesmo grandote, ninguém o via na rua depois do lusco-fusco. Encafuava-se com as galinhas na palhota. Tinha horror da noite escura. O seu pai, quando queria que lhe obedecesse, ou quando lhe queria curar alguma ferida com o único remédio que conhecia a cerúdia, ameaçava-o com o sarronco, contando-lhes estórias do arco-da-velha. Histórias de monstros e lobisomens que percorriam as touças e os giestais e levavam os meninos para grutas escuras onde os partiam aos cibos e os comiam rijados em azeite. Cresceu com este temor que lhe tolheu a moleirinha. Tanto assim que o professor Matos de Adães viu-se negro para o ensinar a ler a tia tapa o pote, ou a memorizar a tabuada do um. A música da tabuada ainda a ia aprendendo, agora a letra nunca lhe entrou. Não passou da primeira classe e desistiu da escola com a vergonha de ser um matulão ao lado dos mais pequenitos. Que já tinha bom lombo para ir com a cria para o monte! Ler nunca aprendeu, contudo, nas contas de cabeça feitas à sua moda, ninguém o enganava. Lá como conseguia nunca percebi, mas a verdade é que nunca o conseguíamos engrampar naquilo que metesse contas.

 

Do Parpalhaça lembro-me de duas passagens, curiosas, que vos conto:

 

Era Entrudo e tinha caído uma nevada boa no Planalto. Altura ideal para ir aos coelhos. Sabíamos alguns dos seus tocos à Galgueira e combinámos caçá-los numa noite de luar. Eramos quatro e a estratégia consistia em levarmos um furão, emprestado, para os desentocar. Acossados, os láparos haviam de fugir por um carreirão previamente aberto na neve, onde no final os esperava o João com um saco de sarapilheira aberto. Um metia o furão nas tocas, dois guardavam as laterais para que se enfiassem pelo sulco e o João caçava-os no final do carreiro. Os coelhos que conseguisse ficariam para ele. Claro, entre os três combinou-se coisa diferente.

 

Na noite anterior preparámos um espantalho com roupas velhas atacadas de feno e metemos-lhe dentro um arcanho, feito com bombas de carnaval, ajeitadas de tal forma que enquanto rebentavam, tocassem fogo ao boneco. Prendemo-lo em cima de um carvalho negral, sobre o sítio em que ele esperaria os coelhos.

 

Lá fomos. O João ia arrepiado e só a esperança de uma lauta refeição o movia naquela noite fria. Chegados, montámos o estaminé. Deixámos o Parpalhaça de cócoras, com a boca do saco aberta e fomo-nos à nossa parte. Fizemos algum estardalhaço, fingindo que íamos entocar o furão. Chegámos fogo ao rastilho das bombas que ia ardendo em silêncio. Às tantas, a bombaria começou a estourar e o espantalho a arder. Parecia a fim do mundo. O João apanhou tamanho cagaço que além de se esfourar, durante três dias ninguém lhe ouviu a fala!.. Ainda hoje, quando lhe lembramos a partida, diz ter pensado que era o sarronco em carne e osso que o queria lubar para as parafundas do inferno!

 

Noutra ocasião, por alturas da matança dos recos, o João estava sempre pronto para ajudar a segurar o animal sobre o banco, a chamuscá-lo e a botar água sobre as pedras dos lavadores. O fito era participar na comezaina no fim dos trabalhos.

 

Tratava-se da matança do Ti Moreiras. Duas taludas cevas aguardavam na loje a hora da faca. Preparou-se tudo para uma manhã fria de janeiro. Cedo, a tia Carolina pôs o mata-bicho no pátio, sobre um carro de bois. O pipo da aguardente, um prato de figos, outro de nozes e três bolas de trigo se quatro cantos. Estavam na matança o Gripino, o João da Taleta - o matador, o Beiças, O Nano, o Patalão e o João Parpalhaça. Morto o bicho, atacou-se o primeiro reco que ganiu durante mais de vinte minutos, enquanto não se escoou de sangue. A faca de sangrar acertou-lhe num bofe em vez de ser no coração. O segundo morreu mais depressa. A agonia do anterior deve ter ferido o orgulho do matador que se tinha como o melhor das redondezas! A seguir foram chamuscados com fachucos de colmo centeio. Enfarruscados, precisavam de ser lavados, esfregando calhaus ásperos sobre o couro, onde caiam fios de água vertida de canecos velhos, tarefa entregue, normalmente, aos mais miúdos. Não havia, propositadamente, qualquer pedra para aquele trabalho. O Beiças, mandou que o Parpalhaça as fosse pedir emprestadas ao Chico Milheiro, que as tinha ajeitadinhas. Este fora, previamente, preparado.

 

Lá foi o João de pé ligeiro até à eira, sobranceira à qual se encontrava a residência do dito cujo.

 

− Ó Ti Francisco, vossemecê empresta-me as suas pedras de lavar os recos para a matança do Ti Moreiras?

 

Atão num impresto rapaz, anda ali à loje por elas!

 

Apresenta-lhe um calhau de mais de 50 Kg.

 

− O Ti Milheiro, vossemecê agora é que me fodeu! Eu bou alombar com este rebo até ao prado? Estou que num’astrebo!..

 

Atão num astrebes! És home ou num és home? Não serve qualquer calhau para escarolir os recos do Ti Moreiras e este é especial, trouxe-o de Milhais. Leva-o assim que eles quebram-no aos bocados.

 

Botou-lho às costas e lá foi ele, carregado como um jumento, da eira ao prado!

 

Escusado será descrever a galhofa que provocou a sua chegada, esbaforida, ao pátio da matança!..

 

− Obrigado João, bom trabalho! De prémio vais ter direito aos rijões da palha! – Dizia o Beiças, lambendo as protuberâncias do seu lábio superior, como quem tivesse deglutido o verde da matança!

 

Gil Santos

 

publicado por Fer.Ribeiro às 01:27
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