Segunda-feira, 25 de Setembro de 2017

O Barroso aqui tão perto - Caniçó

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Hoje no “Barroso aqui tão perto” vamos até uma das aldeias do Barroso mais distante, isto para nós que temos o ponto de partida a partir da cidade de Chaves. Iniciemos então pela sua localização e itinerário que nós aconselhamos.

 

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A uma altitude a rondar os 900 metros, Caniçó pertence à freguesia de Salto, concelho de Montalegre, mas com três concelhos ali à beirinha, o mais próximo, o de Vieira do Minho fica só a 700m, o de Cabeceiras de Basto a 4 km e o de Boticas a 5 Km, medidas em linha reta. Por sua vez, a sede de freguesia fica a apenas 3 Km, mas mesmo, mesmo ali ao lado, a coisa de 400 metros tem as Minas da Borralha a Norte, ou aquilo que delas resta, mas também e ainda a 400 m, mas a Poente, tem a aldeia de Paredes.

 

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Quanto ao melhor itinerário (a partir de Chaves), mais próximo (55.5 Km), mais económico (6.82€) e mais interessante é via Estrada Nacional 103 (Estrada de Braga) até Sapiãos, aqui abandona-se a EN 103 em direção a Boticas e a partir daqui toma-se a Estrada Nacional 311. Esta última atravessa todo o concelho de Boticas, não é para grandes velocidades, mesmo porque as curvas e paisagem não o permitem, pois vamos sempre em estado de apreciação.

 

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Como sempre deixamos as coordenadas de um ponto central da aldeia: 41º 38’ 55.11”N e 7º 58’ 54.06”O e também o nosso habitual mapa.

 

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Atrás, nas coordenadas, falei de um ponto central da aldeia e não do centro da aldeia, isto porque a forma de povoamento da aldeia é um pouco atípico daquilo que é tipicamente habitual nas nossas aldeias, tanto daquelas que tem um aglomerado concentrado com um núcleo bem definido como das que se desenvolvem ao longo de uma estrada principal, sem núcleo definido ou ainda daquelas que têm um povoamento disperso, como acontece por exemplo nas aldeias de Covelo do Gerês .

 

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Pois esta aldeia de Caniçó é um misto de todos os tipos de povoamento atrás apontados e com exceções, pois desenvolve-se ao longo de dois arruamentos principais  onde existem dispersos pelo menos quatro aglomerados  bem definidos, mais parecendo pequenas aldeias que fazem um todo de uma aldeia. Aparentemente pequenos núcleos, cada um ligado a uma grande casa rural ou como se fossem pequenas “villas”.

 

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Quanto à aldeia, agora no seu todo disperso, estamos na freguesia de Salto onde já estamos habituados à exuberância do seu verde dos campos, aliás penso que hoje isso mesmo fica bem demonstrado na maioria das fotos que vos deixo. Caniçó  é uma aldeia daquele Barroso que já faz a transição para o Minho que lhe fica mesmo ali ao lado, a 700m (Alto Miho), bem diferente do Alto Barroso.

 

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Passemos para o topónimo Caniçó onde, como é habitual, vamos beber à fonte da “Toponímia de Barroso”, onde ao respeito se diz:

Caniçó

De Canna, por  cannicia+ola >  canizolo > canizoo > caniçó, pequeno canavial. Na forma evolutiva intermédia têmo-la em:

- 1258 « dixit quod Canizoo et» INQ 1511.”

 

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E continua a “Toponímia”:

“ Fazia então parte de freguesia e concelho de Vilar de Vacas (Ruivães) hoje no concelho de Vieira do Minho, tendo entretanto transitado, tal como Linharelhos, para a freguesia de Salto, concelho de Montalegre”

 

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E acrescenta:

GEDA, topónimo arcaico, talvez nome pessoal, feminino de Gedo > Geto, este, nome de origem germânica cujo significado desconheço.

- 1282 «en’o casal que chamarom de Geda en esse logar de Caniçoo que serve de servizaria dell Rey»

 

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E remata:

“Deve ter pertencido a este casal que foi serviçaria real o pedaço de tranqueiro de porta que há meia dúzia de anos apareceu e se guarda no Pólo do Ecomuseu.”

 

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Nas nossas pesquisas encontrámos algumas referências a Caniçó num blog “Norte Português”, nomeadamente no que diz respeito ao seu povoamento noutros tempos (o negrito e sublinhado é meu):

“O censo da população de 1530, ordenado por D. João III, indica moradores ou fogos nas seguintes povoações: Pereira, 6; Amear, 7; Pomar de Rainha, 3; Salto, 14; Cerdeira, 7; Reboreda, 21, Tabuadela, 7; Póvoa, 12; Bagulhão, 12; Amial, 4; Corva, 10; Paredes 5; Linharelhos, 7; Caniçó, 14.”

 

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Ainda no mesmo blog ( o sublinhado e negrito continuam a ser meus):

“Consta esta freguesia de duzentos fogos e de novecentas pessoas de sacramento, dividida em dezoito lugares ou aldeias de quazi semelhantes ares e clima frigidíssimo.

Salto e Cerdeira (…) constam ambos de trinta vizinhos; Linharelhos consta de doze fogos; Caniçó, treze; Paredes, quatro; Corva, dezoito; Ameal, cinco; Bagulham, dez; Ludeirodarque, seis; Póvoa, nove; Carvalho, onze; Beçós, dez; Reboreda, vinte; Taboadella, seis; Seara, cinco; Pereira, nove; Amear, vinte e Pomar da Rainha, seis.”

 

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E no mesmo blog diz-se  ainda ( o sublinhado e negrito continuam a ser meus):

“Um ensaio estatístico de 1836 fornece indicações dos seguintes lugares e habitantes: Ameal, 36; Armiar, 73; Bagulhão, 67; Caniçó, 93; Corva, 73; Linharelhos, 48; Paredes, 27; Pereira, 53; Pomar de Rainha, 48; Póvoa, 34; Reboreda, 91; Salto, 113; Cerdeira, 34; Tabuadela, 59.”

 

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E quase para finalizar, ficam mais algumas impressões pessoais a respeito da nossa aldeia de hoje – Caniçó.

Pois se de início as aldeias da freguesia de Salto me surpreenderam pela exuberância do seu verde, com o tempo deixei de ser surpreendido, não quero com isto dizer que deixasse de apreciar, antes pelo contrário, dá sempre gosto entrar e desfrutar de aldeias como estas, e que me respondem (como se me interrogasse) ao porquê do andar à sua procura, na sua descoberta a fotografá-las.

 

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Mas mais agradados ficamos ao encontrarmos nestas aldeias mil e um motivos para registar, não só para memória futura mas também para de vez em quando nos deliciarmos aos vêr esses motivos no monitor do nosso computador, impressas em papel ou publicadas em espaços dedicados à fotografia ou aqui no nosso blog e partilhadas pelas redes sociais. Mas sobretudo porque confirma que o Barroso é mesmo uma pérola dentro do nosso Reino Maravilhoso, mas como sempre, tal como Torga dizia, para a ver “ é preciso (…) que os olhos não percam  a virgindade original diante da realidade e o coração (…)”.

 

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Da aldeia de Caniçó há a ainda a realçar o conjunto dos conjuntos do seu casario no meio de todo aquele ver, algumas construções mais nobres, a imponência de algum do seu arvoredo, autóctone, os espigueiros e muitos pormenores.

 

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Bem gostaria de acrescentar mais alguma coisa mas infelizmente, por ausência de outros dados, não posso. A partir de aqui só inventando e nós nem por isso gostamos de inventar. Certo que às vezes podemos mandar uns palpites, acertando às vezes e errando outras tantas ou mais vezes, mas além de avisarmos sempre,  palpitar não é o mesmo que inventar. E com esta já posso meter mais uma fotografia pelo meio.

 

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E desta vez as imagens têm mesmo que valer mais que palavras, pois só nos restam mesmo para deixar aqui as referências às nossas consultas, respetivos links e também os habituais links para as anteriores abordagens ao Barroso publicadas neste blog.

 

Bibliografia

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso

 

Sites

http://norteportugues.blogspot.pt/2011/03/historia-breve-da-freguesia-de-salto.html

 

Links para anteriores abordagens ao Barroso:

A

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Algures no Barroso: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1533459

Amial - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ameal-1484516

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Antigo de Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-antigo-de-1581701

Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-arcos-1543113

 

B

Bagulhão - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bagulhao-1469670

Beçós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-becos-1574048

Bustelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bustelo-1505379

 

C

Cambezes do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cambezes-do-1547875

Carvalhais - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-carvalhais-1550943

Castanheira da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-castanheira-1526991

Cerdeira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cerdeira-1576573

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Cervos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cervos-1473196

Contim - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-contim-1546192

Cortiço - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1490249

Corva - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-corva-1499531

 

D

Donões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-donoes-1446125

 

F

Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619

Fírvidas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-firvidas-1466833

Frades do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-frades-do-1440288

 

G

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Gralhós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhos-1531210

 

L

Ladrugães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ladrugaes-1520004

Lapela   - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209

Larouco - Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

 

M

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

Meixide - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixide-1496229

 

N

Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-negroes-1511302

Nogeiró - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-nogueiro-1562925

 

O

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886

Ormeche - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ormeche-1540443

 

P

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Paio Afonso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paio-afonso-1451464

Parafita: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-parafita-1443308

Pardieieros - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pardieiros-1556192

Paredes de Salto - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-1448799

Paredes do Rio -   http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-do-1583901

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Penedones -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-penedones-1571130

Pereira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pereira-1579473

Pomar da Rainha - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pomar-da-1415405

Ponteira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ponteira-1481696

 

R

Reboreda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-reboreda-1566026

Roteiro para um dia de visita – 1ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104214

Roteiro para um dia de visita – 2ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104590

Roteiro para um dia de visita – 3ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105061

Roteiro para um dia de visita – 4ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105355

Roteiro para um dia de visita – 5ª paragem, ou não! - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105510

 

S

São Ane - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-ane-1461677

São Pedro - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-pedro-1411974

Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sarraquinhos-1560167

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Senhora de Vila Abril - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-senhora-de-1553325

Sezelhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sezelhe-1514548

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

 

T

Tabuadela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-tabuadela-1424376

Telhado - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-telhado-1403979

Travassos da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-travassos-1418417

 

V

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1508489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

Vilaça - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilaca-1493232

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

 

X

Xertelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-xertelo-1458784

 

Z

Zebral - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-zebral-1503453

 

 

 

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:06
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Quem conta um ponto

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360 - Pérolas e diamantes: Quanto vale a Democracia?

 

 

No seu livro Contra a Democracia, Jason Brennan, parte do princípio de que a democracia é o melhor sistema viável, mesmo assim não é lá grande coisa, e por isso se torna necessário melhorá-lo, mesmo que seja com menor participação.

 

O grande filósofo moral do século XIX, John Stuart Mill, argumentava que devemos instituir qualquer forma de governo que produza os melhores resultados.

 

Apesar de Mill ter a esperança de que envolver as pessoas na política as tonaria mais inteligentes e mais preocupadas com o bem comum, afirma que algumas formas de governo podem deixar-nos estúpidos e passivos. No entanto existem outras que podem tornar-nos perspicazes e ativos.

 

Apesar das boas intenções, as formas mais comuns de compromisso político não só falham em educar-nos ou enobrecer-nos, como tendem inexoravelmente para a estupidificação e a corrupção.

 

O economista Joseph Schumpeter bem lamenta: “O cidadão típico desce a um nível de desempenho mental inferior assim que entra no campo político. Argumenta e analisa de um modo que prontamente reconheceria como infantil na esfera dos seus interesses reais. Torna-se novamente um primitivo.”

 

Em 1800, 70% a 80% dos americanos com direito a voto votavam nas principais eleições. Agora, no máximo, votam 60% para as eleições presidenciais e cerca de 40% para as eleições intermédias, estaduais ou locais. Por isso é que os democratas rangem os dentes.

 

Segundo Brennan até existe um lado positivo no declínio democrático, pois a democracia no seu país está mais inclusiva do que nunca, com cada vez mais pessoas convidadas a assumir uma posição na mesa das negociações políticas. Contudo, cada vez menos pessoas respondem ao convite.

 

Os principais teóricos políticos querem que a política se infiltre em mais aspetos da vida. Pretendem mais decisão política. Partem do pressuposto que a política nos enobrece e que a democracia é uma forma de capacitar a pessoa comum a assumir o controlo das suas circunstâncias.

 

Jason Brennan considera mesmo que os “humanistas cívicos” consideram a própria democracia como a vida boa, ou, pelo menos, um chamamento superior.

 

Segundo o cientista político e filósofo americano, existem três tipos de cidadãos democráticos:

 

Os hobbits, que são sobretudo apáticos e ignorantes sobre a política, pois carecem de opiniões fortes e firmes sobre a maioria das questões políticas. Preferem seguir as suas vidas diárias sem prestar muita atenção à política. É o típico não votante.

 

Os hooligans, que são os fanáticos desportivos da política. Têm ideias fortes e firmes sobre o mundo. Podem apresentar argumentos para as suas crenças, mas não conseguem explicar pontos de vista alternativos de um modo que as pessoas com outras visões considerem satisfatórias. Consomem informação política, embora de uma forma tendenciosa. Tendem a desprezar as pessoas que discordam delas, sustentando que as pessoas com as ideias alternativas sobre o mundo são estúpidas, más, egoístas ou, na melhor das hipóteses, estão profundamente enganadas. A maior parte vota regularmente, participa nas atividades políticas e são membros filiados em partidos políticos.

 

Os vulcanos, que são os que pensam científica e racionalmente sobre a política. As suas opiniões são fortemente sustentadas em ciência social e filosofia. São autoconscientes, e apenas confiam naquilo que os indícios permitem. Conseguem explicar pontos de vista diferentes e visões alternativas de forma satisfatória. Interessam-se por política, mas, ao mesmo tempo, são imparciais. Evitam ser tendenciosos ou irracionais. Não pensam que todos aqueles que discordam deles são estúpidos, maus ou egoístas.

 

Estes são os tipos ideais ou arquétipos conceptuais. Algumas pessoas encaixam-se melhor do que outras nestas descrições. Ninguém consegue ser um verdadeiro vulcano, pela simples razão de que todas as pessoas são pelo menos um pouco tendenciosas.

 

Infelizmente, a maioria das pessoas enquadra-se nos moldes hobbit e hooligan, ou encontra-se lá pelo meio.

 

De facto, a política não é valiosa para a maior parte das pessoas. E a democracia tem os seus defeitos e mesmo os seus limites.

 

Uma coisa devíamos ter presente no ato de votar: “A tomada de decisão política não é escolher para si próprio; é escolher para todos.”

 

Alguns filósofos defendem que a democracia é um procedimento de tomada de decisão inerentemente justo.

 

Jason Brennan, não está pelos ajustes. Argumenta que o valor da democracia é puramente instrumental, pois “a única razão para favorecer a democracia sobre qualquer outro sistema político é que é mais eficaz a produzir resultados justos, de acordo com padrões de justiça independentes do procedimento”.

João Madureira

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:00
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Sábado, 23 de Setembro de 2017

Condeixa (Quinta), Casa Azul, Sr. da Boa Morte, Prado e Campo de Cima

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Quando iniciei esta nova ronda pelas aldeias de Chaves disse que, ao contrário do que tinha feito até aí em que as abordagens as nossas aldeias tinham sido feitas aleatoriamente, desta vez iria seguir a ordem alfabética das mesmas. E assim tem sido.

 

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Ora acontece que no meu arquivo fotográfico das aldeias,  a seguir a Cimo de Vila da Castanheira, a aldeia do último sábado, aparece a Condeixa, que se calha deveria estar na letra Q, de Quinta da Condeixa.

 

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Mas há alguns mas, iniciando por a Quinta da Condeixa não ser propriamente uma aldeia, mas antes uma quinta, quando muito poderia ser uma das antigas “Villas”. Um outro mas é que para ir até à Quinta da Condeixa passo obrigatoriamente pela Casa Azul e o Sr. da Boa Morte, que também não é (são) uma aldeia, mas antes um dos antigos bairros periféricos da cidade, atualmente da freguesia da Madalena. Mas também a Casa Azul é muito mais, mas mesmo muito mais, não tivesse sido aí que eu nasci e vivi até aos meus 15 anos de idade, os primeiros anos que nunca na vida se esquecem.

 

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Ora uma vez que cheguei ao berço e aos meus domínios de infância e primeira adolescência tinha de forçosamente também passar pelo Prado e pelo canal e talvez, deveria também ir até ao Campo de Cima que está ligado às minhas primeiras leituras dos clássicos portugueses que a idade ia permitindo, entre outros que me iam sendo recomendados pelo “recomendador” da biblioteca itinerante da Gulbenkiam.

 

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Hoje resulta assim ser um post estranho e talvez mesmo egoísta porque ao ver e tratar estas imagens, fui regressando no tempo e recordando muitos e bons momentos que passei e que seriam impossíveis, ou não saberia como vos poderia transmitir para senti-los e vivê-los como eu senti então e revivi nestes breves momentos da feitura deste post.

 

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Mas talvez até nem seja apenas eu a reviver esses momentos, pois pelo menos num dos locais que aqui deixo, toda a juventude do bairro (Casa Azul)  passou por lá, nesses outros tempos em que aos bandos invadíamos aquela que era a nossa praia.

 

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Também é com alguma nostalgia que faço estes regressos, tudo porque se perdeu o espirito de bairro,  onde todos os vizinhos faziam parte de uma grande família, onde todos se conheciam, conviviam, entreajudavam e claro, como numa família a sério também havia algumas zangas, e onde os mais novos, faziam da rua a sua sala de brincar e divertir, com as devidas brincadeiras e diversões ajustadas às idades, mas que cabiam todas na rua…   

 

 

 

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Pedra de Toque

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Minha Senhora, minha.

 

                        Há coisas que não entendo.

 

                        Eu não entendo a doença que fere e pode matar gente.

 

                        Eu não entendo a crueldade que petrifica os sentimentos das pessoas.

 

                        Continuo a não perceber as calamidades que destroem, que semeiam fome e miséria, bem como o estado dormente de quem manda, se é que alguém manda.

 

                        Não entendo também a ignorância assumida, a inveja incontrolável, a vaidade que supera todos os desígnios e que vira maldade incompreensível.

 

                        Entendo, no entanto, o sol que alivia a depressão, que oculta o nevoeiro que definha as mentes.

 

                        Entendo as águas dos rios que empurram outras para a imensidão dos oceanos que atemorizam e assustam.

 

                        Entendo-te a ti, minha senhora minha, que me falas dos confins e persistes em não aparecer.

 

                        Eu estou à tua espera no fim de todos os caminhos de braços abertos para estreitamente te apertar.

 

                        Esse dia, dizem-me os santos em que não acredito, chegará vindo de nuvens embaladas pela brisa com cheiro a camélias e jasmins.

 

                        Estou cansado, um pouco doente e entristecido, mas quero que saibas até porque “a dor também precisa de respiro” que TE AMO,

 

                        Minha senhora minha.

 

António Roque

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:00
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Sexta-feira, 22 de Setembro de 2017

Cidade de Chaves - Um olhar sobre a Madalena

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:36
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Crónicas estrambólicas

estrambolicas

 

Um Burro Para As Autárquicas

 

Ao chegar o tempo de campanha eleitoral, aumenta o volume das críticas a quem está no poder. Nas autárquicas é assim e é-o em todos os concelhos. Porém, como diz o dito popular “Criticar é fácil, fazer melhor é que é difícil”. Claro que para se fazer, melhor ou pior, é preciso chegar ao poder. No entanto, antes disso, parece-me essencial que os candidatos tenham ideias e saibam o que se querem fazer. Ter ideias é indispensável, embora se saiba que depois é preciso o trabalho de as pôr em prática. É aqui que queria chegar. Uma coisa que me aborrece bastante é ouvir (ler) muitas críticas e muito maldizer mas não ouvir, de quem critica, sugestões alternativas ou ideias novas. Normalmente, as oposições que ambicionam chegar ao poder mas que são de fraca qualidade, têm essa característica: limitam-se a criticar (sem qualidade e sem profundidade) e não apresentam ideias ou um programa interessante que convença as pessoas a mudar de rumo. E as pessoas não mudam de rumo...

 

Sabendo que o blogue de chaves não é um partido político e que a maioria dos leitores não são candidatos a nada, apresento um desafio (que acho interessante e que poderá resultar nalguma futura iniciativa) aos leitores e colegas de blogue: gostava que as pessoas comentassem e apresentassem ideias para o concelho de Chaves. Podem ser as ideias mais variadas, o que quiserem. Podem ser coisas simples como meter fibra óptica seja onde for que falte, arranjar uma estrada, fazer obras nalgum edifício interessante, etc. Também podem ser ideias mais gerais como soluções para combater a desertificação, o que fazer ao centro histórico da cidade, etc. Eu começo por dar o exemplo e apresento um pedido ao Sr. Presidente da Câmara: Sr. Presidente, venho por este meio blogosférico pedir-lhe que ponha o jardim das freiras exactamente como era antes. Você bem sabe que não há uma única pessoa em Chaves que tenha gostado da obra do seu antecessor. Já agora, quanto é que custou desfazer aquilo tudo só para arreliar o povo? Foram 1 ou 2 ou 3 milhões de euros, quanto é que foi? Se não for possível pôr o jardim como era antes, seja porque não há dinheiro ou porque agora não dá jeito ou é melhor esperar mais um bocado até o povo se esquecer e já não ser preciso fazer nada, então faça-me uma coisa mais fácil e barata. Faça o favor de mandar fazer uma estátua ao seu antecessor e coloque-a no actual empedrado das freiras. Desejo uma coisa de requinte, artística, grandiosa, com inspirações na antiga mitologia grega. Quero o corpo dum burro mas com a cabeça do seu antecessor (de preferência com orelhas de burro). Remate a estátua com a placa e o seguinte dizer: “Em honra ao presidente da câmara mais burro que esta cidade já teve, quiçá Portugal. Para que a burrada das freiras não caia em esquecimento (tão cedo não vai cair de certeza) e que outras que tais não venham mais”. Sei que é uma ideia estrambólica mas pelo menos é original, importante e educativa. Estão a ver? Venham lá essas ideias, não interessa se parecem estapafúrdias.

 

Luís de Boticas

 

 

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Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017

Flavienses por outras terras

Banner Flavienses por outras terras

 

Carlos Minga

 

Nesta crónica do espaço “Flavienses por outras terras” vamos percorrer toda a Estrada Nacional 2, de Chaves até Faro, para encontrarmos o Carlos Minga.

 

Cabeçalho Carlos Minga.png

 

 

Onde nasceu, concretamente?

Nasci em Chaves.

 

Nos tempos de estudante, em Chaves, que escolas frequentou?

Frequentei a Escola Primária de Santa Cruz, a Escola E.B. 2,3 Nadir Afonso e a Escola Secundária Dr. Júlio Martins.

 

Em que ano e por que motivo saiu de Chaves?

Uma primeira saída, a qual durou um ano, em 1992, para cumprir o serviço militar obrigatório, em Lamego. Depois, uma segunda saída, em 1995, (definitiva) por razões profissionais.

 

Em que locais já viveu ou trabalhou?

Em Lamego, em Lisboa, no Porto, em Ponta Delgada e em Faro.

 

Diga-nos duas recordações dos tempos passados em Chaves:

Os tempos de estudante na Júlio Martins.

Uma pequena experiência musical que nunca mais esquecerei numa banda chamada “S-Gredo”.

As aventuras e os ensinamentos nos Escoteiros, mais concretamente no Grupo 86 da AEP (Associação de Escoteiros de Portugal) de Chaves.

Os tempos vividos com a minha outra metade – a Maria João, a qual veio a ser a mãe dos meus filhos e ao lado de quem tenho um já largo percurso de 25 anos.

 

Proponha duas sugestões para um turista de visita a Chaves:

Seguramente a zona das Termas e toda a sua envolvência, incluindo a Ponte Romana e a Taberna do Faustino.

 

Estando longe de Chaves, do que é que sente mais saudades?

Da cidade, das suas gentes, dos velhos amigos, da gastronomia, dos cheiros e sobretudo do antigo Jardim das Freiras…

 

Com que frequência regressa a Chaves?

Uma a duas vezes por ano.

 

O que gostaria de encontrar de diferente na cidade?

Gostava que houvesse um crescimento económico que contribuísse para que os Flavienses pudessem fixar-se na sua terra e não terem necessidade de sair à procura de um futuro noutras paragens.

 

Gostaria de voltar para Chaves para viver?

Claro que sim…

 

 

O espaço “Flavienses por outras terras” é feito por todos aqueles que um dia deixaram a sua cidade para prosseguir vida noutras terras, mas que não esqueceram as suas raízes.

 

Se está interessado em apresentar o seu testemunho ou contar a sua história envie um e-mail para flavienses@outlook.pt e será contactado.

 

Rostos até Carlos Minga.png

 

 

 

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Quarta-feira, 20 de Setembro de 2017

Cidade de Chaves - Um olhar sobre a Igreja da Madalena

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:17
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Terça-feira, 19 de Setembro de 2017

Chaves D'Aurora

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  1. BEBEZÃO.

 

O rapaz de maior permanência, na condição de enamo­rado, veio a ser o Gustavinho Bebezão. Era um rapaz com­prido e magricela, filho único do Comendador Aires de Bragança e de dona Maria, senhora que nunca fora rainha nem primeira, mas era também um pouco louca. Ele estava sempre entre os colegas que Afonso, muitas vezes, levava a casa após as aulas no Liceu, para se entreterem com as figuras dos livros da biblioteca de João Reis, ou conhecerem algumas das novidades que os pais trouxeram do Brasil.

 

Dentre as que mais atraíam os rapazes, estava a pequena coleção de aves, répteis ou outros animais exóticos empa­lhados e, agora, já um tantinho entregues ao natural desgas­te. Aqueles olhos sem vida de animais mumificados, aliás, muito assombravam a Maria, quando esta ia limpar a peque­na sala do patrão. Esses bichinhos sem vísceras foram a úni­ca herança deixada por Belmiro Morais, um tio de Florinda que era dado à Taxidermia. A malária dos trópicos (também conhecida em Chaves como maleita) havia levado o pobre cientista a ver de perto a face do deus Tupã, durante uma de suas longas incursões pela selva amazónica. Dizem que, em  seus tremores e delírios finais, ele pedia para ser também empalhado e colocado junto às preguiças, cotias e os mais de sua coleção.

 

Nessas ocasiões, os do lar e os convidados, todos ansia­vam pela hora da merenda quando, com exceção do patriar­ca que, a esta altura, ainda estava a comandar seus funcio­nários no escritório, iam todos provar de tudo que, de bom ou de melhor ao paladar, Florinda pudesse oferecer. Tudo lá, certamente, estava a saber muito bem ao paraíso do ventre, esse éden no qual ninguém recebe castigo de Deus por ter comido demais, nem mesmo por ter saboreado uma simples maçã de origem serpentina, pois lá, nenhum manjar é proi­bido.

 

 

Na primeira vez, Aurora e Gustavo trocaram somente al­guns olhares e sorrisos, ansiosos e inquietos. Na segunda, acabada a merenda, os dois foram a uma das janelas e con­versaram sobre aqueles mil assuntinhos que, não se sabe de que baús eles saem, nem de que maravilhosas lâmpadas de Aladino se esvaem, estão sempre a fazer parte da vida dos jovens, em qualquer tempo e lugar. Na terceira, sentaram-se nas cadeiras de cana-da-índia da sala de estar e ficaram a sussurrar , entre risinhos, com as húmidas mãos a se toca­rem, ávidas, mas não havidas. Enquanto isso, na biblioteca ao lado, os colegas ficavam a troçar – Afonsinho, ó pá! Vais ser cunhadinho do Gustavinho, que, apesar do tamanho, tudo nele é assim como lhe diz a Mamãezinha, com muito inho, pro casamentinho, delezinho, de seu filhinho, queridi­nho, com a Auritinha, tão lindinha.

 

Não houve a quarta vez. Dona Maria, mais transtornada do que a Primeira, em um momento de lucidez ou de loucura (soubesse lá qual dos estados, só mesmo o pobre do marido pachorrento a lhe aturar os nervos; ou então o seu Dom João Sexto miúdo, que temia mais a ela do que a qualquer armada de Napoleão) mandou à senhora dona Florinda os seus pro­teistos de estima e concideração, em um bilhete de muito mal trassadas linhas e, como se vê, de estropiada gramática. Nele, a matrona pedia que se puzece um termo às sandisses do Gustavinho (não fosse ela, como todos diziam, à boca miúda e graúda, a própria sandice em pessoa). Lamentava ser este ainda um miúdo, que mal deixara de ca... (riscou com um xis) de obrar nos cueiros e já lá estava a pensar em faser outros miúdos, ainda que tais sem-vergonhisses venho a si permitire sobre as benssas e confirmassons da Santa Madre Igreija.

 

Seguiam-se numerosos blá-blá-blás e mais que tais.

 

Gustavo Toledo Ayres de Bragança já chegara aos 21 anos, mas, tanto na mente quanto no comportamento geral, não passava de um puto choramingas. A um simples olhar de sua Mamãezinha, metia o rabo entre as pernas e fazia um mé mé mé de carneirinho. Não foi diferente, portanto, o seu agir para com Aurora. Em péssima e nervosa caligrafia, entremeada com borrões de lágrimas, mandou dizer à sua quase futura sempre amada que, doravante, ela podia sen­tir-se desobrigada de qualquer compromisso a que ambos estivessem por firmar.

 

Aurita apenas deu de ombros e concluiu, para si mesma – Se amada não fora, por esse filhote de Mamã Ratazana, um criançola estúpido e cobarde, cheia de amor por ele é que ela, jamais, haveria de ficar. Enquanto isso, o que mais sen­tiu o ratinho, digo, o rapazinho, foi nunca mais ir à casa de Afonso com os colegas e, assim, deixar de roer, digo, deixar de provar os saborosos bolinhos de dona Florinda.

 

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Segunda-feira, 18 de Setembro de 2017

Cidade de Chaves e a Nª Srª das Graças - Edição 2017

 

E como ontem aconteceu mais uma edição da Nª Senhora das Graças em Chaves, é com um pequeno resumo do final da procissão que fazemos o regresso à cidade de hoje. Espero que gostem. A título de curiosidade, o video que vos deixo é composto por 550 fotografias e 1 vídeo (com a marcha de chaves.

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Quem conta um ponto...

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359 - Pérolas e diamantes: Os escritores devem andar loucos

 

 

Os escritores devem andar loucos. Louquinhos da silva. O nosso conterrâneo transmontano Rentes de Carvalho, ainda radicado na Holanda, anunciou há uns meses atrás que iria votar em Geert Wilders, o líder do partido da extrema-direita. Na Holanda parece que não lhe ligaram muito. Já por cá chamaram-lhe de tudo, até senil. De facto, o escritor tem 86 anos, mas dissesse ele que iria votar no BE ou no PC de lá e até lhe teciam loas. E das grossas.

 

Muitos dos nossos escrivas e comentaristas de esplanada descobriram agora que os seus livros não prestam, partindo do princípio de que quem vota em Wilders só pode escrever livros reles ou escabrosos. Já outros afirmaram mesmo que não voltariam a ler um livro de Rentes de Carvalho. Estou em crer que esses tais outros nunca leram nenhum dos interessantes romances do escritor. Eu sim li e vou continuar a ler. E até os recomendo vivamente.

 

Eu não me indigno com essas coisas. A escritora Patrícia Reis, sim. Até se questionou, coitada dela, como é que se pode “amar um escritor que afirma que vota na extrema-direita por ter vizinhos árabes e não se sentir seguro?”

 

Nem eu, nem, estou em crer, Rentes de Carvalho caímos nessa ratoeira do sentimentalismo piegas que enxama as redes sociais, que tenta confundir os livros com a pessoa que os escreveu. 

 

Ele escreve e diz o que pensa de uma forma livre e direta, sem estar a pensar nos likes que vai conseguir nas publicações do Facebook. Além disso é um escritor cheio de humor, inteligência, lucidez e, acima de tudo, é um excelente cultor da língua portuguesa.

 

Eu admiro-o por isso. Por prezar a sua liberdade acima de tudo. Por não se deixar ir no politicamente correto, nas declarações brandas e medíocres dos adeptos da lágrima fácil e dos sentimentos cultivados nos centros comerciais.

 

A sua liberdade é rara e no nosso país é mesmo uma excentricidade, daí a confusão com senilidade. Daí a zanga dos escritores que participam alegremente nas vernissages da esquerda e que esquecem sempre os gulags do seu descontentamento.

 

Os milhões de cadáveres produzidos pela ditadura do proletariado continuam enterrados na vala comum da hipocrisia e debaixo dos muros da vergonha e das cortinas de ferro do leninismo.  

 

Numa sua crónica, publicada no Mazagran, Rentes escreveu, antecipando em muitos anos a resposta aos indignados do costume: “O meu medo é notar que com os anos me vou tornando razoável em excesso, quase doentiamente tolerante. É disso que quero que me guardeis, Senhor. Dai-me raivas. Mantende viva em mim a capacidade de me enfurecer. Deixai que continue a chamar as coisas pelo seu nome, a criticar sem medo, a rir de mim próprio, e livrai-me até ao último momento das aceitações que crescem com a idade”.

 

Abençoado sejas, estimado Rentes.

 

António Lobo Antunes, em entrevista a João Céu e Silva, no ano de 2007, comparou as opções políticas à afetividade das opções clubísticas. Transcrevo: “Há pessoas de direita mais democratas que as de esquerda, há partidos de esquerda mais conservadores, as ideologias foram-se dissolvendo e a maior parte dos partidos são frentes e aqueles que ainda têm ideologia, ela está caduca. O único partido que vejo com corpo ideológico mais ou menos coerente é o Partido Comunista, mas é de um tempo que já não existe. As conquistas de Abril, onde estão?”

 

A liberdade, a independência e a dignidade continuam a ser um arquipélago no meio da imensidão da estupidez humana.

 

No entanto, o grito de revolta de Pissarev continua válido: “Para o homem comum um par de botas conta muito mais do que as obras completas de Shakespeare ou de Puchkine.”

 

Mas eu continuo a conseguir fazer a distinção entre a catedral de Chartres e a Disneylândia e entre o Europeu de Futebol e os Concertos de Brandeburgo de Bach.

 

João Madureira

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:39
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Domingo, 17 de Setembro de 2017

O Barroso aqui tão perto - Paredes do Rio

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Hoje vamos até a aldeia de Paredes, mas como Paredes há muitas, esta tem no seu topónimo o apelido “do Rio”, mas a razão do apelido não é apenas para distingui-la de outras localidades com o mesmo topónimo, mas sim porque faz parte de um conjunto de aldeias barrosãs com o mesmo apelido “do Rio” por se encontrarem ao longo e nas proximidades do Rio Cávado.

 

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Na imagem seguinte, uma vista geral sobre Paredes do Rio tomada desde a aldeia de Vilaça, parece que entre ambas as aldeias apenas existe um pequeno carvalhal, mas na realidade não é bem assim, isto são coisas dos enganos aos que a fotografia nos leva, pois entre as aldeias existe ainda o Rio Cávado, e embora desde o ponto em que tomámos a fotografia (em Vilaça) até a aldeia de Paredes do Rio em linha reta seja pouco mais de 1 quilómetro, a barreira Cávado, faz com que a distância por estrada entre as aldeias seja de 10 quilómetros.

 

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Como sempre as imagens dizem-nos coisas, e ainda na imagem anterior podemos ver em terceiro plano um bocadinho de serra. Trata-se já da Serra do Gerês e não muito longe daquele piquinho mais afiado é Pitões das Júnias, mas antes, entre a aldeia de Paredes do Rio e a Serra do Gerês temos ainda a Barragem de Paradela e as aldeias de Outeiro e Parada de Outeiro. Ou seja, já estamos em pleno Parque Nacional da Peneda Gerês, incluindo a nossa aldeia de hoje.

 

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Mas voltando àquilo que as fotografias nos dizem, nesta vista geral sobre a aldeia, pelo azul , pelo verde e pelo sol e sua luz, adivinha-se ser um dia de verão e bem quente que estava, por sinal, e de facto era verão, pois a imagem foi tomada no mês de julho de 2016. Já as restantes imagens são do mês de maio de 2017, mais precisamente do dia 12.

 

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Diz-nos a experiência que o Barroso, em termos climáticos, é traiçoeiro e para quem não o conhece, pode ser apanhado de surpresa nas suas malhas. Nesse dia 12 de maio, à nossa partida desde a cidade de Chaves, tínhamos um normal dia de primavera, temperatura amena e algumas nuvens no céu, daquelas que não ameaçam ninguém e apenas lá estão para quebrar o azul do céu e enfeitar a primavera.

 

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Quando começámos a entrar no Barroso, as nuvens começaram a escurecer. No itinerário do dia tínhamos Covelães para completar reportagens anteriores incompletas e logo de seguida Paredes do Rio onde iriamos entrar pela primeira vez, pois até aí sempre lhe passámos ao lado. Acontece que quando chegámos a Covelães, a nuvem escura que ia pairando sobre nós fartou-se de conter a sua água e resolveu descarregá-la toda sobre nós.

 

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Parados e dentro do carro ainda aguardámos uns 10 a 15 minutos a ver se descarregava tudo, mas não parecia ser essa  a sua intenção. Daí, e como ainda tínhamos muito caminho para andar, resolvemos passar à frente, a caminho de Paredes do Rio e eis que o “milagre” acontece - deixou de chover, mas em sua substituição caiu um denso e frio nevoeiro sobre nós. Era primavera, pouco provável de acontecer, mas no Barroso acontece. Daí, na mala do meu carro, ter sempre um “kit de sobrevivência”, uns agasalhos que no Barroso nunca se sabe quando vão ser necessários.

 

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Bem, mas tudo isto, esta introdução, além de ser real e um aviso para os que não conhecem as alturas do Barroso, é mais para justificar a qualidade das fotografias, sem o colorido habitual dos matizes que o Barroso oferece nos dia de sol. Com o nevoeiro cerrado tudo se torna mais cinzento, melancólico e misterioso, mas mesmo assim, a aldeia surpreendeu-me pela sua beleza, pelos muitos pormenores dignos de registo e sobretudo, porque desde de Vilaça parece ser uma aldeia esventrada pela modernidade, quando a realidade é outra, embora com alguns pecados.

 

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Mas entremos em Paredes do Rio.  Assim de repente se me preguntarem algumas das aldeias do Barroso às quais eu recomendaria uma visita, sem dúvida alguma que recomendaria Paredes do Rio. Se me perguntassem porquê? Responder-lhes-ia pelo conjunto do seu casario, mas sobretudo pelo conjunto de moinhos que vão descendo ao longo da aldeia, pela sua igreja e pelo “Complexo hidráulico” - é assim que está na tabuleta do Parque Nacional da Peneda-Gerês, e que se trata de uma construção recuperada, incluindo a sua cobertura em colmo. Pena que os moinhos não tenham também a sua cobertura original em colmo.

 

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Sobre o tal “Complexo Hidráulico” (imagem anterior), transcrevemos aqui o que se diz na atrás mencionada tabuleta:

“ «Núcleo ecomuseológico Complexo hidráulico de Paredes do Rio»

Este complexo hidráulico compreende uma estrutura formada por um pisão, uma serra hidráulica, um moinho e um gerador elétrico, que funcionam movidos pela força motriz da água, conduzida por uma levada com início na grande poça existente junto ao caminho”

 

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E continua:

“ É um engenho bastante polivalente, pois permite moer o grão ( de centeio ou milho), cortar madeira e pisoar o burel – tecido obtido a partir da lã.

Este imóvel foi adquirido pelos Serviços do Parque Nacional, em 1988, tendo sido realizado um trabalho de restauro de toda a estrutura, com vista à sua utilização por parte da comunidade local, sendo único em toda a área do Parque Nacional."

 

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E conclui:

“Aqui em Paredes do Rio, entre outros aspectos, podem ainda apreciar-se também nove moinhos de água, formando um conjunto de interesse sob o ponto de vista do património construído.

 

Para visitar, contacte: Delegação do Parque Nacional Rua do Reigoso – 5470-236 Montalegre, Telef. 276 518 320”

 

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Espero que os dados de contacto ainda estejam atualizados, pois para se visitar o interior do complexo penso que é mesmo necessário contactar a Delegação do Parque, isto a julgar pela nossa visita, pois encontrámo-lo fechado, e embora não estivesse nos nossos planos visitá-lo, isto porque desconhecíamos a sua existência, gostaríamos ter dado uma vista de olhos ao seu interior, mas fica para uma próxima oportunidade, tanto mais porque quero repetir alguns registos num dia sem nevoeiro.

 

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Aparte das anteriores recomendações de visita, também apreciámos ter visto as alminhas cobertas e as fontes e tanques/bebedouros onde dá sempre gosto ver correr a água cristalina, daquela que ainda se pode beber.

 

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Quando à sua localização, para além de alguns dados que já atrás deixámos, podemos ainda acrescentar mais algumas informações. Já sabem que o nosso ponto de partida é sempre de Chaves e mais uma vez temos sempre duas grandes alternativas, a da Estrada Municipal 507 via S.Caetano/Soutelinho da Raia e a Nacional 103 (Estrada de Braga).

 

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Para esta ida a Paredes do Rio recomendo a Municipal 507, não por ser a de menor distância mas por ser a mais interessante. É um percurso de 54 Km, que se faz em cerca de uma hora, isto se não houver paragens pelo caminho, pois embora o nosso destino possa ser esta aldeia, pelo caminho há sempre um ou outro motivo que convida a uma paragem para mais um registo fotográfico, sem contar a paragem quase obrigatório na Vila de Montalegre.

 

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Rematemos então com a localização com a exatidão das suas coordenadas, a altitude, o nosso habitual mapa e mais alguns dados. Pois então já sabemos que no concelho de Montalegre quando uma aldeia tem o apelido de “do Rio” fica nas margens do Rio Cávado. Neste caso fica na margem direita, logo a seguir a Covelães, freguesia à qual pertence Paredes do Rio e também a seguir à Barragem de Sezelhe mas muito próxima da Barragem de Paradela, ambas alimentadas pelo Rio Cávado.

 

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As coordenadas:  41º 47’ 42.01”N e 7º 55’ 10.44”O. Quanto à sua altitude, varia entre os 950m e os 1050m em plena encosta da Mourela, correspondendo a altitude mais baixa a cota da estrada de acesso à aldeia e a mais alta à última construção da aldeia (contada a partir da estrada).

 

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Passemos agora ao seu topónimo – Paredes do Rio. Pois o apelido “do Rio”, como já atrás referimos, refere-se à proximidade do Rio, neste caso o Cávado. Quanto a Paredes, não faço a mínima ideia. A título de curiosidade é um topónimo muito comum em Portugal e no Barroso de Montalegre existe ainda outra aldeia com este topónimo, que para se distinguir desta adota o apelido de “Salto” ou seja Paredes de Salto por pertencer à freguesia de Salto. Aldeia por sinal bem interessante e que já passou aqui pelo blog.

 

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Mas vejamos o que diz a toponímia de Barroso:

“ Povoação que consta já do testamento de Dona Ilduara de São Rosendo, feito em 27 de Fevereiro de 948 – há 1063 anos! E que integra o Tombo de Celanova. Com efeito, Dona Ilduara doa ao mosteiro de Celanova, na Galiza, sete “Villae” (povoações) entre as quais Paredes (secas) – “Paredes Sicas”, São João (da Ponteira) etc. todas situadas “Catavello” – no Rio Cávado. Por isso ainda hoje se apõe aos lopónimos “do Rio”: Cambeses do Rio, Frades do Rio, Paredes do Rio, etc.

O étimo é o latino pariete > parede, no plural. Já foi sede de freguesia e hoje anda anexa a Covelães."

 

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Na “Toponímia Alegre” consta o seguinte ( e como hoje temos muitas fotos, metemos uma entre cada quadra):

 

“ Pelo rio Mau acima

Quarenta ferreiro vão:

Cada um leva forquilha

Para matar um rão.

 

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Boticário de Paredes

Diga-me se sabe e pode:

Duma pontinha dum corno

Pode sair um charope?

 

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O Padre de Covelães

Fazia muitas misturas

Molhava o pão em azeite

Deixava o Cristo à escuras”

 

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Digamos que o poeta não era lá grande coisa mas, mas a “literatura” não deixa de ser curiosa, só não fiquei a saber o que raio é um “rão”, mas como a coisa se desenvolvia ao longo do rio só poderá se o macho da rã e grande, pois “rão”, segundo a língua portuguesa é um sufixo nominal com sentido aumentativo…

 

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Nas nossas pesquisas encontrámos alguns dados na Wikipédia, dados que valem o que valem e até com alguns erro ortográficos, mas que nós validamos (a informação, não os erros)  porque temos conhecimento que assim é. Então por lá consta isto:

“Paredes o Rio aldeia situada no concelho de Montalegre freguesia de Covelães distrito de Vila Real, conhecida pela sua bela paisagem turística assim como as suas raras antiguidades recuperadas, antiguidades como canastros para quem não conheça espigueiros, moinhos, pisão (onde se pisava o burel, que servia para fazer capas, calças e coletas para a população). actualmente tem também museu com várias antiguidades, e fundou há seis anos uma Associação Social e Cultural que realiza várias actividaes assim como. Cantar dos Reis. Sábado Filhoeiro. Carnaval. Queima do Judas. Segada e Malhada do centeio. Desfolhada do milho. Festa de S.Martinho, Matança do porco Bísaro.”

 

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E acrescenta ainda:

 

“Esta serve também a população mais idosa prestando-lhe apoio domiciliário na aldeia assim como nas aldeias vizinhas. Não é de perder a oportunidade também de fazer uma visita guiada a esta bela a aldeia do concelho de Montalegre.

Pisão

O Pisão é composto por um engenho hídrico que aproveita a força motriz da água canalizada, funcionando como serra, moinho e pisão de tecidos de lã. A água põe em funcionamento os malhos que pisavam as teias de lã para fabricar o famoso burel, a capa dos pastores.”

 

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Uma palavra de apreço para o associativismo, neste caso para a Associação Social e Cultural de Paredes do Rio que pelo que vimos tem promovido os sabores e saberes da aldeia. Espero que ainda exista e continue a existir por muitos e longos anos, por várias razões que não vale a pena aqui enumerar, pois fazem parte do associativismo. Só espero também que seja acarinhada pela Junta de Freguesia e Município de Montalegre, pois também é a estas entidades que corresponde e compete apoiar as associações, principalmente estas a nível local que têm sempre poucos meios para desenvolver as suas atividades. Digo isto porque nem sempre os municípios apoiam as associações, às vezes, por politiquices, má formação, ignorância, incompetência, inveja, ruindade e todos os nomes feios que conheço, antes de apoiar fazem tudo para as aniquila. E que  a associação tenha também a sorte, de os seus associados terem sempre em conta os interesses da associação acima dos interesses pessoais. E não digo isto em vão, pois sei o que digo…

 

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E estamos nos “finalmentes” , ou seja, no tempo de passar às referências das nossas consultas e anteriores abordagens às aldeias e temas do Barroso.

 

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Bibliografia

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso

 

Sites

https://pt.wikipedia.org/wiki/Paredes_do_Rio

 

 

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Links para anteriores abordagens ao Barroso:

A

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Algures no Barroso: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1533459

Amial - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ameal-1484516

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Antigo de Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-antigo-de-1581701

Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-arcos-1543113

 

B

Bagulhão - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bagulhao-1469670

Beçós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-becos-1574048

Bustelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bustelo-1505379

 

C

Cambezes do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cambezes-do-1547875

Carvalhais - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-carvalhais-1550943

Castanheira da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-castanheira-1526991

Cerdeira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cerdeira-1576573

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Cervos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cervos-1473196

Contim - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-contim-1546192

Cortiço - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1490249

Corva - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-corva-1499531

 

D

Donões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-donoes-1446125

 

F

Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619

Fírvidas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-firvidas-1466833

Frades do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-frades-do-1440288

 

G

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Gralhós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhos-1531210

 

L

Ladrugães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ladrugaes-1520004

Lapela   - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209

Larouco - Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

 

M

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

Meixide - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixide-1496229

 

N

Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-negroes-1511302

Nogeiró - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-nogueiro-1562925

 

O

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886

Ormeche - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ormeche-1540443

 

P

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Paio Afonso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paio-afonso-1451464

Parafita: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-parafita-1443308

Pardieieros - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pardieiros-1556192

Paredes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-1448799

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Penedones -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-penedones-1571130

Pereira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pereira-1579473

Pomar da Rainha - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pomar-da-1415405

Ponteira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ponteira-1481696

 

R

Reboreda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-reboreda-1566026

Roteiro para um dia de visita – 1ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104214

Roteiro para um dia de visita – 2ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104590

Roteiro para um dia de visita – 3ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105061

Roteiro para um dia de visita – 4ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105355

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Sezelhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sezelhe-1514548

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

 

T

Tabuadela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-tabuadela-1424376

Telhado - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-telhado-1403979

Travassos da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-travassos-1418417

 

V

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1508489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

Vilaça - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilaca-1493232

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

 

X

Xertelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-xertelo-1458784

 

Z

Zebral - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-zebral-1503453

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:11
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Pecados e Picardias

pecados e picardias copy

 

Foice em seara própria

 

Enfermagem.

 

Digna a nossa luta, pelo investimento  que a  profissão exige por inerência, ao propor-se cuidar da pessoa ao longo da vida e ajudá-la a viver no SEU modelo  de saúde e de sentir-se bem.

 

Digna na advocacia do utente através do respeito pela sua individualidade e na evicção do dolo e da dor que a adversidade lhe pode causar.

 

Digna e íntegra pelo estudo que exige 4 anos de estudo obrigatório para a  licenciatura e mais dois  para o mestrado.

 

Digna pelo excesso de trabalho a que temos sido votados na falta de respeito pelas dotações seguras.

 

Digna a coragem dos enfermeiros unidos…

 

Pecados  o do sindicato dos enfermeiros  SE e algumas entidades da ordem, que só agora  mas bem, se lembraram, foi  pena por não se terem lembrado na vigência dos seus governantes de Eleição que a propósito preferiram passar ao largo…Agora, concordo que o Primeiro Ministro António Costa de quem eu gosto e aos meus  queridos colegas enfermeiros confesso, terá decerto melhor desempenho na reposição da justiça social, como aliás tem demonstrado claramente, contra factos não há argumentos.

 

Campanha

 

Escudo em riste num imaginário de tolerância fomentado em egocentrismos de passagem e de imagem é o autocarro dos amores e desamores dos nossos atuais e  alguns aspirantes a  governantes, mas que ideia dinâmica de peregrina,  já agora podiam era aproveitar a dar boleia aos munícipes enquanto andam pela cidade e arredores ou levar as pessoas à feira e às consultas, ou a visitar os utentes dos lares , estou a lembrar-me do lar S. Marcos em Outeiro Jusão pois os TUC não vão até lá… Já que a despesa está feita…

 

-Bem, mas dizes-me de onde conheces o tipo para ires votar nele? Sois todos iguais…

 

-Nem sequer o conheço… Mas como tu, presumivelmente o perfeito, não te deste ao trabalho  de te candidatar…

 

Olha pelo menos deu-me um voto de confiança além de que não tenho medo de me submeter à critica e dar o corpo às balas por Chaves …

 

 Aprendo com as pessoas principalmente aprendo a esperança, na já, alguma desesperança.

 

Chaves precisa de investimento sério e gerador de empregabilidade, não só de serviços…

 

Fazer alguma coisa com o que há…

 

Ó Maria faz o pão…

 

Ó Homem não tenho farinha…

 

E ela a dar-lhe com a farinha, faz mas é o pão e deixa-te de conversa…

 

Ó homem não tenho a farinha…Ainda, mas olha que até ao lavar dos cestos é vindima.

 

Isabel Seixas

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 15:29
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Sábado, 16 de Setembro de 2017

Cimo de Vila da Castanheira - Chaves - Portugal

 

 

1600-cimo-vila (2)

 

E nesta nova ronda pelas nossas aldeias, hoje toca a vez a Cimo de Vila da Castanheira implantada em terras altas do concelho de Chaves a rondar os 800 metros de altitude, ainda no planalto na transição para o mar de montanhas das terras de Vinhais.

 

1600-cimo-vila (33)

 

Aldeia e freguesia que se justifica pela sua população e dimensões, dispersa por vários arruamentos vai-se estendendo até à freguesia e aldeia vizinha de Sanfins da Castanheira, não havendo separação física entre ambas o que, à primeira vista, poderá parecer ser uma única aldeia, mas são duas.

 

1600-cimo-vila (55)x

 

Estamos em terras da Castanheira onde o românico marca presença com a Igreja de S.João Baptista, com o antigo cemitério em anexo e uma pequena torre, aparentemente mais antiga, conjunto que aliado à sua localização lhe confere uma particular beleza.  Nem que fosse e só por esta Igreja Românica, já valia a pena ir de visita por estas terras.

 

1600-cimo-vila (94)

 

Quanto ao casario, hoje em dia, é um misto entre casario típico e tradicional das nossas aldeias, com as suas construções em granito de pedra solta geralmente com as escaleiras lançadas para a rua terminado numa varanda coberta e outras construções mais recentes, umas de meados do século passado onde o reboco exterior já marca presença ou ainda construções muito mais recentes ligadas ao boom da construção dos anos 70 e 80 também do século passado.

 

1600-cimo-vila (216)

 

A 23 quilómetros de Chaves, tem como Orago o S.João e uma das aldeias que embora também sofra da maleita do despovoamento, não é das que mais tem sofrido com isso e ainda hoje mantém uma população considerável para uma aldeia, mas bem longe dos áureos anos 60 em que chegou a atingir os 1159 habitantes, hoje reduzida a menos de metade deste número.

 

1600-cimo-vila (231)

 

É também uma das aldeias de passagem do nosso concelho, pois é através dela que se chega até Roriz ou até Sanfins da Castanheira, Stª Cruz da Castanheira, Parada e S. Gonçalo.

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 05:35
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Sexta-feira, 15 de Setembro de 2017

O factor Humano

1600-cab-mcunha-pite

 

10 contos de reis – sem notas - 9

 

            Era uma senhora sofrida. Maltratada pelo marido e pelos filhos. Criada para tudo, desrespeitada, por vezes agredida. Vítima das dependências pelo álcool dos homens da casa. Apesar de dois deles terem nascido do seu interior, nem assim tinham piedade.

 

            Sofrida mas resiliente, encarava tudo com resignação religiosa. Era a vontade de deus, que poderia ela fazer?

 

            Não teve a alegria de ter netos. A única filha tinha-se escapado para os Estados Unidos, fugindo da condenação em que vivia a mãe. Aí estabelecera uma relação homossexual, simples, feliz, longe da brutalidade das origens. No entanto nunca voltara para visitar a família, talvez por vergonhas, talvez por medo. Telefonava com regularidade, conversas longas com a mãe, muitos silêncios e muitas lágrimas. Às vezes rogava-lhe que fugisse para a América, para junto dela, mas a Dona C. sempre respondia que a sua cruz era ali, a tomar conta do marido, dos filhos, do vinho. Não era uma pessoa muito lúcida, o que ajudava a explicar a sua submissão a todas as misérias e a todos os sofrimentos.

 

            Apesar da doença que justificava vindas regulares aos tratamentos, ia aguentando estoicamente. Às vezes às escondidas dos homens da casa, trazia-me uma malga de marmelada. Fomos estabelecendo uma relação que lhe permitia confidências e desabafos. Estranhamente tinha alguns traços de inveja e de maldade em relação aos outros doentes. Um dia disse-me: "Eles bem olham para mim, como se eu esteja muito doente, mas já vi irem uns poucos à minha frente". Na face expressava alguma malícia, que não se esperava numa mulher tão sofrida.

 

            Um dia entrou no consultório e, metendo a mão ao bolso da gabardina, disse-me muito rapidamente: " Outro dia botei esta corga pelo cu" e nesse momento colocou em cima da secretária um fragmento ressequido, com mais de 20cm. Foi a única vez que vi uma ténia.

 

Manuel Cunha (Pité)

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:42
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