10-anos-500
Terça-feira, 3 de Março de 2015

Intermitências

800-intermitencias

 

Proximidade

 

Cabelo pintado de azul. Olho mal maquilhado. Blusão de ganga gasto. Mochila estampada com desenhos infantis coloridos às costas. Lá ia caminhando pela grande avenida da cidade, sem reparar nos olhares à sua volta, como se não se importasse com os estranhos à sua vida. E os próximos?

 

Quanto mais olhava para ela e a sua suposta indiferença pelo resto do mundo, mais acreditava que sentir-se próxima de alguém era a única maneira que ela encontrava para não se sentir só. Porque estaria ela a caminhar aqui, de cabelo azul, desleixada e mal-tratada por esta cidade gigante? Como é que se regressa quando não se sabe porque se partiu?

Proximidade.jpg

 Pedra do Sal, Rio de Janeiro, Dezembro de 2014 - Fotografia de Sandra Pereira

 

Tentei encontrar a proximidade no seu caminhar, no seu olhar, no seu comportamento humano. Queria a todo o custo compreendê-la. Tinha um ar baço e de desprezo pelo mundo. Talvez ela se sentisse mesmo só. Talvez pensasse que não precisava de ninguém em especial, que a sua independência lhe bastava. Será que o que achamos que sentimos é mesmo aquilo que sentimos?

 

Se me aproximasse dela um pouco mais, de certeza que descobriria mais sobre ela, encontraria mais detalhes, além do cabelo pintado de azul, do olho mal maquilhado, do blusão de ganga gasto, da mochila estampada com desenhos infantis coloridos às costas, do ar baço e do olhar de desprezo pelo mundo. Talvez ela me achasse louco. Mais do que animais racionais, somos animais emocionais.

 

Sandra Pereira

 

 

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Cidade de Chaves, uma imagem

1600-(39822)

 

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Segunda-feira, 2 de Março de 2015

Quem conta um ponto...

avatar-1ponto

 

229 - Pérolas e diamantes: ping-pong - AC versus NV

 

Tocqueville acreditava que as democracias modernas gerariam menos crimes e mais vícios privados. Talvez daí resultem as públicas virtudes.

 

Montaigne e Pascal defendiam que a força da virtude de um homem ou da sua capacidade espiritual se mede pela sua vida vulgar.

 

Já Herzog, o polifacetado personagem do romance de Saul Bellow, nos adverte que em todos os agregados humanos existe um grupo de gente que é profundamente perigosa para os restantes. E não se refere aos criminosos. Para esses possuímos sanções castigadoras. Refere-se, isso sim, aos dirigentes. Invariavelmente, as pessoas mais perigosas procuram o poder.

 

O mesmo Herzog lembra-nos que todas as tendências morais consideradas mais elevadas se encontram sob suspeita de serem fachadas enganadoras. Coisas que se honram com velhas palavras, mas que traímos ou negamos intimamente.

 

Caros políticos presidentes de comissões políticas das oposições, presidentes das câmaras, presidentes dos governos, presidentes das repúblicas e fauna similar, estas regras dos impostos sobre tudo o que mexe vão fazer de nós uma nação de contabilistas.

 

A vida de cada um de nós está a transformar-se num negócio. Esta é provavelmente uma das mais nefastas interpretações históricas do sentido da vida humana a que o Homem já assistiu. Mas tem de ficar claro, de uma vez para sempre, que a vida dos homens não é um negócio.

 

Parafraseando os Monty Python, vamos passar agora para uma coisa completamente diferente.

 

A Câmara de Chaves, superintendida por António Cabeleira e João Neves, num gesto de boa gestão, muito ao jeito dos verdadeiros social-democratas, vai aumentar o preço da água.

 

Mal a notícia foi tornada pública, logo a cara-metade do poder autárquico flaviense, o PS, por iniciativa do seu líder concelhio, Nuno Vaz, resolveu entreter-se de novo com as conferências de imprensa. E marcou uma. O PSD, através de António Cabeleira, para não lhe ficar atrás, agendou outra. Começou então o ping-pong ideológico entre a esquerda e a direita, entre o PS e PSD.

 

NV avisou os eleitores/leitores de que este aumento é uma agressão ao magro orçamento da generalidade das famílias flavienses. Defendendo que o aumento não seria necessário se a Câmara tivesse pago pontualmente a fatura da água à empresa respetiva e dessa forma não fosse obrigada a pagar os respetivos juros de mora.

 

A seu lado, um vereador do partido mexia nos papéis, fazendo cara de preocupado.

 

Imbuído de todo o sentido de responsabilidade, NV resolveu mostrar a sua efetiva inclinação para a política partidária, informando-nos que, na prática, a fatura da água sofre um “brutal” aumento, pois cada família flaviense na prática paga 3 euros pela tarifa fixa da água, 3 euros pela tarifa do saneamento e 3 euros pela tarifa do lixo. Ou seja, paga todos os meses à Câmara de Chaves 9 euros.

 

Quem diria? Agora todos começamos a entender a profunda clivagem ideológica entre o PS e o PSD.

 

AC, eufemisticamente, fala de apenas um “aumentozinho”, pois o preço apenas se amplia em seis míseros cêntimos, passando dos 49 para os 55 cêntimos o m3, fixando-se a tarifa de disponibilidade não em 2 euros, nem nos 4 euros, que é o intervalo possível, mas no meio, ou seja nos 3 euros, quando em 2014 era de 2,65 euros.

 

Quem diria? Agora todos começamos a entender melhor a enorme diferença ideológica entre o PSD e o PS.

 

Não se dando por satisfeitos com o elevado nível do debate político e ideológico encetado ao nível do preço da água no nosso concelho, resolveram trazer à liça o exemplo perfeito da prática política em Vila Real, no que à água diz respeito, claro.

 

NV lembrou que se a gestão da CMC tivesse tido juízo hoje estávamos a falar da redução das tarifas, como aconteceu no município de Vila Real que desagravou em 8%, e não, num só ano, de um brutal aumento de 14%. O socialismo em Vila Real, segundo NV, é um maná caído dos céus.

 

AC diverge da fundamentação ideológica do seu adversário político, pois, na sua leitura, as tarifas praticadas em Vila Real, são superiores às de Chaves. E argumenta, talvez inspirado em Sá Carneiro, ou Eduard Bernstein, que se compararmos as tarifas praticadas nos dois concelhos, em Chaves, sob a gestão social-democrata, já contando com o aumento, 5m3 custam 5,75 euros, enquanto em Vila Real, sob o jugo da gestão socialista, o custo é de 7,16 euros. Nos consumos de 10m3, em Chaves, o custo, no ano passado era de 9,75 euros, passando agora para 10,50 euros. Enquanto em Vila Real é de 11,16 euros.

 

Apesar dos arrufos e dos cêntimos que os dividem, está visto que a gestão autárquica do PSD é da confiança da oposição PS e que a oposição PS é da inteira confiança da gestão PSD.

 

Isto tem de levar uma volta. Mas tem mesmo.

João Madureira

 

PS – Para que os flavienses não fiquem com a impressão, incorreta, por certo, de que o acordo estabelecido entre o PSD de António Cabeleira e o vereador eleito em nome do MAI, não foi a derradeira tentativa para que a prometida, e devida, auditoria externa às contas da CMC não vingasse, aqui fica mais uma vez o nosso apelo ao senhor presidente da autarquia flaviense, e aos seus distintos vereadores, para que, em nome da transparência e do bom nome da Câmara de Chaves, aprove uma auditoria externa às contas da CMC. Passaríamos todos, com certeza, a dormir um pouquinho mais tranquilos.

 

PS 2 – E, já agora senhor presidente, talvez fosse boa ideia aprovar conjuntamente uma auditoria externa às contas da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, da qual foi digno presidente, até 2013, o simpático vereador João Neves (ex-MAI e atualmente do PSD), pois quem não deve não teme; certos de que aquele que tão garbosamente exigiu, durante toda a campanha eleitoral, uma auditoria às contas da Câmara de Chaves, com toda a certeza verá com bons olhos, e até aclamará efusivamente, uma auditoria realizada às contas do seu próprio virtuoso mandato.

publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
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De regresso à cidade - Rua Direita

1600-(39823)

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 01:29
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Domingo, 1 de Março de 2015

Pecados e picardias

pecados e picardias copy

A taverna


Noite, longa a Noite


 
Esperto o maluco
Demonstra que sabe quando debandar
Encolhe os ombros, …é assim que responde
Dá meia volta… põe-se a andar
Regressa a Bertinha à cozinha, lá se esconde
 
No seu espaço seu refúgio
Só lá se consegue encontrar
A fazer  comidas a cozinhar
Qualquer outro é um intruso
Na cozinha é só ela a mandar
 
A hora é de se saber esperar
Hoje as rotinas das refeições
São só compassos a cadenciar
O momento em que as feições
Do javardo hão-de rejubilar
 
Mas ela é mulher
Remetida para a insignificância
Que comodamente aceita, sem sofrer
Apenas por … pura displicência
Hoje vai ver…
O jantar quase pronto
Rancho, já no seu ponto
Batata, massa, carne, grão
Acrescentou pimenta branca
Segredos gastronómicos de então
Que ela domina e fecha à tranca
 
Os clientes gostam
Pôs bastante cenoura e couve
Num misto de cores, até apostam
Ser afrodisíaco, o rancho, o que se ouve!
Claro que é a pimenta que mais degustam
 
O marido ansioso
E porquê? Outra mulher?
Porque será o javardo tão precioso
Tinha mesmo que saber
 
Pôs um nadinha de tomate
Só para dar mais cor
Não queria que interferisse no aroma
Muito menos no sabor
Só aumentar o tom escarlate
Provou hum…aí está ela, a noite…À tona.
 
Isabel Seixas in A taverna
Ultimo episódio da Taverna publicado em  Abril de 2014

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 23:46
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Três olhares sobre Rebordondo e algumas palavras...

1600-rebordondo (266)

 

Hoje toca ir por Rebordondo com mais uma breve passagem de três olhares, uma aldeia que com(vida) nos vai atraindo de vez em quando a passarmos por lá e de onde trazemos sempre novos registos.

 

Rebordondo é uma aldeia que nos meus roteiros integro nas aldeias das casas solarengas, em conjunto com as aldeias vizinhas de Casas Novas, Redondelo e Anelhe. Casas e solares que ainda se vão mantendo mais ou menos a sua integridade, embora agora fechadas ou convertidas casas e hotéis de turismo rural, pois o tempo das famílias habitarem a tempo inteiro estas casas já há muito que pertence ao passado.

1600-rebordondo (256)

Tenho esperança que a crise financeira e económica que atravessamos sirva de alguma coisa e que num futuro que se deseja próximo se verifiquem algumas alterações ao nível da política e dos políticos. Alterações que não ponham em causa o sistema democrático que temos, mas alterações que vão de encontro à sua melhoria e à melhoria em qualidade e responsabilidade daqueles que manobram os poderes, acabando com a garotada e canalhada dos chico-espertos que agora os povoam. Tenho esperança de que um dia o nosso mundo rural seja de novo povoado com novos rurais, cultos, e que encontrem na terra-terra e na terra dos seus antepassados um novo meio de vida, digno, com as suas famílias e com a qualidade de vida que o mundo rural pode oferecer. Basta que alguns senhores deixem de pensar tanto neles e no seu dia-a-dia do bem imediato e pensem também eles de uma forma sustentada, em que o eu, que não passa além do umbigo, possa olhar para o futuro dos filhos, dos netos, bisnetos e gerações futuras. Há que abrir os olhos, exigir e esquecer de vez “o mal menor” que está provado que a levar-nos a algum lado, é a crises.

1600-rebordondo (311)

As desculpas para Rebordondo por estes desabafos e por aproveitar-me de uma pequena passagem pela aldeia para deixar aqui o recado aos mesmos de sempre.

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 04:51
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Pedra de Toque - Azul cor de cântaro

pedra de toque copy

 
Azul cor de cântaro

 

No fim da década de 40, a década em que pela primeira vez abri meus olhos, a cidade de Chaves, já prenhe de história, era uma cidade aprazível, bonita que o Tâmega alindava.


Em termos comerciais, era a grande metrópole transmontana.


Aqui geravam-se fortunas provenientes do volfrâmio, do contrabando (a fronteira aqui tão perto…) das termas (que já atraiam aquistas) e necessariamente do próspero comércio.


As pessoas conheciam-se bem, de tal sorte que, quando aparecia uma cara nova, a curiosidade procurava satisfazer-se com a pergunta: “A quem pertence?”.


Era sereno e tranquilo o dia-a-dia na Aquae Flaviae.


Os invernos rigorosos suportavam-se com a quentura das braseiras ou com a lenha a crepitar nas lareiras.


A telefonia e os folhetins, eram opção para muitos em horas de ócio.


Os verões tórridos pediam a aragem do rio e das suas margens.


As visitas nas noites frescas até ao jardim público, onde por vezes as bandas tocavam as melodias da moda, eram programa obrigatório.


Como sabem gosto imenso de revisitar o passado.


Por isso, aqui há tempos, decidi voltar à minha cidade dessa era.


Estávamos no início da primavera.


O tempo mantinha-se mais fresco do que morno.


Caminhar na rua já era, no entanto, agradável.


Desci a Rua de Santo António.


Os comerciantes atendiam os clientes nas suas lojas, medindo a metro as peças de fazenda ou vendendo seus produtos ao litro ou ao quilo.


Vi o Sr. Lopes (Casa Lopes) à porta de sua loja de modas e confecções.


Dizia-se que levou o nome da loja tão a sério que casou 3 vezes.


Entre o Geraldes e a Casa de São João, cirandava ladino o Sr. Lila, pessoa estimada, muito popular e futebolista exímio.


Ainda vi animais de porte descerem a rua a caminho da Madalena, devidamente conduzidos pelas varas de seus donos.


A Sra. Pássara dirigia a sua carroça transportando em bojudo bidão a água das termas para levar para banhos às pensões.


Cheguei por fim ao arrabalde e dirigi-me ao quiosque onde encontrei o Sr. Morais, já de idade proveta que, cumprimentei.


Comprei então o Século do dia anterior, o diário preferido da minha avó que chegava no comboio da noite e era distribuído porta a porta pelos ardinas.

cantaroazul055-azul.jpg

 Foi então que a vi.


Com um cântaro azul-turquesa à cabeça, vinha das Caldas, levando água quente muito utilizada nas casas para a limpeza e banhos semanais.


Muitas empregadas domésticas chamadas na época criadas de servir, equilibravam o cântaro, maneando-se até à casa dos patrões.


O azul vivo dos cântaros, pegou de tal maneira que quando se via algo com aquela cor se apelidava logo de “azul de cântaro”.


O meu primeiro automóvel, um Ford Escort era conhecido na cidade por ser dos primeiros automóveis aqui vistos com a cor azul de cântaro.


Mas retomemos a “aparição” da jovem que vislumbrei proveniente das Caldas.


Era uma moçoila que devia ter pouco mais de 20 anos.


Mas a maneira graciosa, realçando as suas formas trigueiras no equilíbrio do cântaro, retiveram o meu olhar.
Ela deu conta e apreciou devolvendo-me um sorriso bonito e tímido.


Não descansei até saber onde ela trabalhava.


Uns dias depois consegui falar-lhe.


Era linda. Sorria com um rosco todo iluminado pelos olhos vivos e uns dentes que pareciam pérolas brancas.


Disse-me que era de Ribeira de Oura, região das minhas origens paternas cujas aldeias e paisagens sempre admirei.


Das poucas vezes que pude namoriscá-la, sentia-a sensível, esperta e carinhosa. Ela sabia-se atraente pelas miradas dos jovens que a apreciavam.


Numa verbena, lá para o escurinho junto ao ribeiro, no jardim público ainda a usufrui num bolero que aceitou danças comigo.


Senti o requebro do seu corpo, o mesmo que lhe equilibrava o cântaro, ao som dos “Olhos castanhos” que no coreto os Pardais tocavam.


Vi-a mais tarde, na lameira do Canto do Rio, batendo e lavando a roupa com outras colegas que se fartavam de cantar para aliviarem mágoas.


Um dia, a Ângela, era assim que se chamava, desapareceu sem deixar rasto.


Não descansei até saber o que lhe acontecera.


Descobri que rumara à grande cidade, à capital luminosa, para servir em casa de gente abastada.


Nunca mais a vi.


Disseram-me também que não voltara à sua aldeia natal.


Deixou-me, contudo, uma recordação boa, uma saudade linda que permanece. Hoje lembrei-me dela ao ver o nosso Tâmega a fumegar junto às Termas, como a água do cântaro azul-turquesa que ela transportava à cabeça maneando-se esbelta pelas ruas da cidade.

 

Que esteja bem, seja onde for, e que jamais perca a elegância e o sorriso que lhe iluminava o rosto.


Daqui, em tom azul-turquesa, mando-lhe o beijo que, no vão da porta, esquiva e temerosa, sempre me negou.

 

Graças a ela, passei a gostar muito para o resto da vida do azul-turquesa, a cor de cântaro.

 

António Roque

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 03:03
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Sábado, 28 de Fevereiro de 2015

Vila Frade - Chaves - Portugal

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Hoje vamos mais uma vez até Vila Frade e, este mais uma vez, não quer dizer que tenha ido por lá muitas vezes, pois na realidade só lá fui duas vezes, ou melhor, vamos começar isto de novo pois as coisas não são bem assim. Ir a Vila Frade já fui muitas vezes e a primeira vez até já foi praí há coisa de trinta anos, quase sempre por razões profissionais. Quando eu dizia que só lá fui duas vezes, queria referir-me ao ir lá recolher imagens e informações para o blog, isso sim, só foi mesmo duas vezes e da primeira vez, em 2006, só recolhi seis fotos e todas do mesmo motivo — o pombal com a forma de coroa de rei.

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Não é que eu seja lá muito bom a recordar datas, pois apenas sei que foi em 2006 porque é o que consta no registo digital das primeiras fotografias de Vila Frade em arquivo e na altura pouca informação recolhi, ou nenhuma, aliás nem sequer sabia que a curiosa e singular construção que registava em imagem era um pombal, mas desde logo, aí, e pelo que já conhecia da aldeia sabia que tinha de fazer uma visita demorada à aldeia com alguém que a conhecesse bem, o que veio a acontecer só três anos depois, em maio de 2009, mas desta vez para passar lá toda a tarde e recolher num total mais de trezentas imagens e também a informação possível. Ficam assim explicadas essas tais duas visitas e simultaneamente justificar que as imagens de hoje são de arquivo.

1600-vila-frade (266)

Sorte a minha e azar das nossas aldeias, que desde 2009 até à presente data as aldeias não se transformaram muito, fisicamente falando, pois quanto à população, aí deve ser o que é habitual a todas as nossas aldeias — menos e envelhecida.

1600-vila-frade (371)

Talvez esteja na hora de atualizar aqui no blog os “Mosaicos das Freguesias” à luz dos últimos censos de 2011, que pela certa mostrará a tendência que a aldeia e freguesia vinha sofrendo, pois a surpresa, que não vai ser surpresa nenhuma, vão ser os Censos de 2021, que esses sim, embora tarde, vão dar para refletir ao refletirem a falta de políticas para todo o nosso interior, principalmente no Norte, que desde 1950 ( segundo os números), ou não as há ou pouco acertam, aliás penso mesmo que nunca houve intensão que elas acertassem, e muito menos nos últimos tempos em que o que vale são os números e as análises das folhas excel sempre deturpadas nos números das estatísticas, do género daqueles em que se têm 10 bifes para 10 pessoas, o que estatisticamente dá 1 bife por pessoa, quando alguns já há muito tempo que nem sabem ao que sabe um bife.

 

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 04:44
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Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2015

Rua de Stª Maria - Chaves - Portugal

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:33
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Discursos Sobre a Cidade - Por Francisco Chaves de Melo

discursos-chico

 

Investir com o dinheiro que os netos virão a ganhar!

 

Não é apenas a falta de recursos humanos bem preparados e em idade produtiva o que limita o desenvolvimento do nosso concelho. A falta de recursos financeiros também é um forte entrave. Nos últimos anos, o problema foi amenizado deitando mão do dinheiro que havia para pagar a água que consumimos. Essa atuação não autorizada de captação de recursos para execução de projetos de fraco interesse económico, vai ser paga pelos netos dos que gastaram sem orientação nem estratégia. Para ser mais correto, talvez os netos dos que gastaram sem sentido não estejam cá para pagar e, assim, serão os mesmos de sempre a aguentar com as consequências.

 

Ensina-se nas universidades que financiamento e desenvolvimento são as duas faces da mesma moeda, mas também se ensina logo a seguir que o financiamento pode ser causa de atraso, de declínio económico e social quando os recursos emprestados servirem principalmente para o consumo e não para o investimento.

 

É este conhecimento, esta certeza da ciência económica que nos deve preocupar. Deve preocupar-nos porque a nossa autarquia pediu nos últimos dois anos, perto de 27 milhões de euros para consumo, para despesas correntes. Refira-se, em abono da verdade, que destes 27 milhões pedidos em duas fases, apenas conseguiu obter um total ao redor de 21 milhões (7 e pico na primeira e 13 e tal na segunda).

 

Qualquer universidade sabe responder à seguinte questão sem margem de erro:

 

- O gasto destes 20 milhões em dois anos para despesas correntes (água, luz, transportes,…) é um investimento com retorno?

 

Para deixar uma pista de resposta ponho esta outra questão:

 

- Se comprar uma grade de cervejas e as beber quanto tenho de retorno com o investimento?

 

Aqui já respondo eu. Como é óbvio, tenho o retorno do valor do vasilhame. Nada mau! Sempre é melhor que uma má disposição pelo excesso de bebida ou uma multa se andar de mota depois de consumir as cervejas. Pois bem, o investimento dos últimos anos em Chaves está com os mesmos problemas que o consumo de cerveja.

 

O valor da dívida total não ajuda nada à disposição da atual câmara, as multas chegam em forma de juros de mora e expropriações milionárias a pagar pelos terrenos junto ao rio. Quanto ao valor do vasilhame vamos ver!

 

Por isso, como já chega de insensatezes, partilho o que penso que deve ser tido em conta para o futuro:

 

- O investimento que vier a ser captado em programas europeus, com o novo quadro de apoio, e em instituições financeiras, deve resumir-se ao investimento em projetos de desenvolvimento, e não em fonte de receita para cobrir gastos do dia-a-dia da autarquia.

 

Temo que este princípio tão simples venha novamente a ser desprezado. Desafio os atuais titulares quer da Câmara quer da CIM, a fazerem prova de que se vão emendar.

 

Até lá, continuaremos a investir com o dinheiro que os netos virão a ganhar (se algum dia ganharem!).

 

Francisco Chaves de Melo

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 01:59
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Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2015

Maravilhas de Chaves - Praça do Duque

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 Hoje fica um pequeno exercício de Photoshop, o de juntar seis imagens para termos a praça do Sr. Duque apenas numa, por sinal uma das praças mais bonitas da cidade de Chaves.

publicado por Fer.Ribeiro às 02:34
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Vivências - A lua de Joana

vivenvias

 

A lua de Joana

 

Setembro de 2011. Treze anos depois, e com uma perspectiva inevitavelmente diferente, pelo tempo que passou e pelo facto de agora ser pai, voltei a ler “A lua de Joana”. Escrito na década de 90, “A lua de Joana” retrata-nos a vida de uma jovem de 14 anos que vê a sua vida profundamente abalada pela morte da sua melhor amiga, vítima de overdose, e que não encontra em casa o apoio necessário para ultrapassar a situação.

 

A sua família, de classe média/alta, vive demasiado ocupada para se aperceber que ela está a crescer, que também tem problemas e inquietações e que necessita de muito mais do que uma boa situação económica para se sentir feliz. O pai, um reputado cirurgião completamente viciado no seu trabalho, sai de casa de manhã cedo, ainda antes de Joana acordar, e volta quase sempre quando ela já está deitada, sendo raras as ocasiões em que janta com a família. A mãe, dona de uma loja de roupa, leva uma vida absolutamente fútil, apenas se interessando por revistas, moda e festas. O irmão, que ao longo do livro vai sendo rotulado de “pré-histórico”, “traumatizado”, entre outras coisas, vive num mundo completamente à parte, só dele, e apenas troca com ela alguns (poucos) monossílabos. Nesta família, apenas a sua avó, que entretanto vem a falecer, parece reparar nela e preocupar-se com os seus problemas, sendo para ela uma verdadeira conselheira. E assim, numa caminhada lenta, mas fatal, Joana, a rapariga exemplar, em casa e na escola, vítima de uma completa falta de atenção por parte dos pais acaba, também ela, por entrar no mundo da droga.

 

A principal mensagem a retirar deste livro é a de que o tempo existe para ser passado acima de tudo com quem mais amamos, com quem precisa das nossas palavras, do nosso sorriso e do nosso apoio. No final da história o pai de Joana entra no quarto dela, tira o relógio de pulso e pousa-o sobre a mesa de cabeceira. “Agora tinha todo o tempo do mundo. Para quê?

Luís dos Anjos

publicado por Fer.Ribeiro às 00:32
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Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2015

Rua Direita - Chaves - Portugal

1600-(40410)

 

publicado por Fer.Ribeiro às 02:08
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Chá de Urze com Flores de Torga - 69

1600-torga

 

Coimbra, 28 de Fevereiro de 1981

 

Há ocasiões em que os sentimentos valem como argumentos. E calei-o assim: sabia perfeitamente que a liberdade não é a mola real do homem. Que outras forças mais poderosas o solicitam a todo o instante. O fanatismo religioso, os mecanismos económicos ou as paixões políticas, por exemplo. Que não ignorava a que extremos de servidão podem chegar nações inteiras, cegas pela fé ou rendidas a qualquer ideologia. Que a ideia de que a liberdade é uma força incoercível tem muito de romântico. Simplesmente acontecia que tal romantismo, mesmo exautorado, nunca deixou de fazer frente à opressão, ate quando tudo parece perdido. E é essa vontade insofrível de quebrar todas as cadeias que desde rapaz sinto também no âmago da alma, embora tristemente convencido pela dura experiência da vida que este baixo mundo de ilusões não passa de uma redonda clausura.

Miguel Torga, in Diário XIII

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 00:47
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Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2015

Estratos

800-rita

 

A Rapariga das Laranjas

 

Regressou sem que alguma vez tivesse sido meu. Trazia roupa nova, mas guardava a mesma voz. Os livros são um passado onde se pode voltar. Sem contingências de orçamento não têm elementos que passem de moda.

 

Voltei a ver o anorak amarelo da rapariga das laranjas. E também o casaco preto e o travesseiro de prata que usou na missa de Natal. Não sei se eram iguais aos que vi há uns 10 anos. Mas podiam ser os que enfeitavam a rapariga com que me cruzei ontem.

 

O livro que guardava a história não era o mesmo. A dona do livro não era a mesma. A vida não é a mesma.

 

A rapariga das laranjas continua a morar em Oslo. Voltei a vê-la no eléctrico, onde reencontrou o Jan Olav. Tinha a visto passar da minha cama azul. Reencontrei-a enquanto me sentava no sofá castanho.

 

Não a quis deixar ir embora. Gostava de voltar a vê-la da minha cama azul. Do tempo em que vivia entre a cama azul, os livros que a mãe trazia da biblioteca e o leite com chocolate que me preparava todas as manhãs.

 

E as letras voltaram a ser puzzle. Um novo puzzle. Um puzzle sem fim, pelas respostas que não chegarão. Pelas muitas perguntas que tenho por aprender.

Rita

 

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