Sexta-feira, 21 de Novembro de 2014

Discursos sobre a cidade - Por António de Souza e Silva

SOUZA

 

HOMENAGEM AOS NOSSOS VIRIATOS CENTENÁRIOS

 

Quando nos debruçamos um pouco, e refletimos, sobre a Grande Guerra - o acontecimento mais marcante à entrada do século XX - vemo-la como um enorme terramoto, que abalou e transfigurou, de uma forma profunda e determinante, a Europa, continente dominante e hegemónico em todos os setores da atividade humana - social, cultural, científico, técnico, económico e financeiro.

Era uma Europa aristocrática, arrogante, imperialista, ciosa do seu poder, orgulhosa do Progresso, que julgava sempre incessante e ilimitado, e que dominaria tudo quanto à face da terra existisse.

À superfície, na placidez desse mundo, fervilhava uma sociedade que, cuidando de viver no melhor dos mundos, gozava a «sua» Belle Époque.

Tudo isto simplesmente se passava à superfície.

As principais «placas» em que aquele mundo assentava (império inglês, alemão, francês, austro húngaro e russo e o moribundo otomano) começavam a movimentar-se. E seus movimentos pressagiavam um «fin de siècle» em que tudo poderia deixar de ser como dantes.

A era da Razão e do Progresso, científico e tecnológico, sem limites, iria dar lugar à ubris, à loucura e catástrofe.

Bastava agora apenas um simples movimento em qualquer ponto mais sensível de uma das «placas» para tudo começar a desmoronar-se.

E, inopinadamente, num remansoso verão em que as classes possidentes e dirigentes vão de férias, a banhos, um outro banho, de sangue, começa a acontecer!

Sarajevo foi o epicentro desse enorme terramoto que, em longas e profundas ondas de choque, se alastrou por toda a Europa e pelas áreas desse mundo por ela dominado.

Uma Europa ébria, incontida, cega às consequências das sucessivas decisões que se iam tomando, lançando, em massa, toda uma geração de uma juventude promissora, na fornalha de aço que a metralha, que veio com o Progresso, gerou.

Era o princípio do fim de uma civilização a quem faltou o bom senso e a lucidez para pugnar pela construção de uma sociedade outra, numa convivência pacífica de povos.

Um pequeno país, «à beira mar plantado», nesse extremo ocidente da Europa, prenhe de orgulho da sua gesta histórica, de sulcador de mares, e que deu a conhecer novos mundo ao Mundo, dormia numa letargia de séculos, sonhando com um passado áureo, mas, inconsciente ou anestesiado, mergulhado no mais puro dos obscurantismos, vivendo de «esmolas» de outros impérios que prosperaram à sua sombra, porque, do seu, nenhuma riqueza consistente e duradoura tirara grande proveito e conseguira construir, a não ser o fausto, que classes ociosas amplamente desperdiçavam.

Cheio de grandezas passadas, mas carente de vontade, engenho e arte, firmeza e determinação para, arregaçando mangas, «botar novos barcos» ao mar, sulcando-o com novos navios em novas águas, ficou presa fácil das aves de rapina apostadas a nem lhe deixarem os brincos das orelhas ou as alianças dos dedos e, quiçá, sem o seu próprio e humilde casebre.

Uma geração nova, aguerrida, inconformada e radical, ao contrário das gerações anteriores que a precederam - tão brilhantes de pensamento, mas Vencidos da Vida, incapazes de dar corpo às suas generosas ideias - toma as rédeas do leme do barco e tenta levar por diante o sonho, tão acalentado, de um novo navegar, em ordem a uma nova «regeneração».

Mas - o tempo veio a prová-lo - ainda não estava suficientemente madura, preparada, para enfrentar os novos e grande embates que tinha pela frente.

Na construção desse novo remar, cada cabeça, sua sentença. Era a babilónia de ideias, programas, projetos e de personalidades que, à partida unida, cedo veio a provar que estava completamente dividida, sem um projeto matricial que os unisse, a não ser a sua radical oposição a tudo quanto cheirasse «ao do antigamente».

Perante a grandeza da missão a que se propuseram levar a cabo, foram incapazes de encontrar um mínimo traço de união. E, assim, ao primeiro obstáculo ou problema, a dissensão e a discórdia.

Embora determinados na construção de um novo porvir, esqueceram-se daqueles - e eram muitos - para quem esse porvir deveria ser dirigido. E, a um autoritarismo de duas cores e uma bandeira, outro surgiu, de duas cores diferentes, com outra bandeira também diferente. De matriz bem diferente, a I República, pese embora os seus profundos ideais generosos de mudança, na essência prática, pouco mudou. Foi o estertor final do liberalismo novecentista. No meio, um povo servo, analfabeto, à espera de condutores que o entendessem, escutassem e, com ele, com um novo processo, construir um «novo mundo», um novo porvir.

Infelizmente também o mundo que o rodeava, na aparência tão desejável de um bom viver, estava, nas suas profundas entranhas, com enormes contradições, conflitos e convulsões, em profunda mudança.

Poucos, fracos estrategas, e tão distantes do povo - pois só a «rua» não bastava! - facilmente se deixaram corromper por processos e métodos herdados dos tempo da outra «velha senhora».

E o povo novamente se sentiu servo - se é que algum dia o deixou de ser - e continuou presa fácil daqueles que, durante décadas ou séculos, o subjugou e dominou, com o beneplácito e a ajuda militante de uma «santa madre igreja» que todos os dias martelava que o paraíso não está aqui na terra, que este lugar era uma simples passagem.

Sem que os seus grandes protagonistas o desejassem, inconscientemente, levaram-nos para um mundo que não desejam viver, reproduzindo uma sociedade de «escuridão» e «servos» pelos quais tanto se havia lutado para a abandonar...

Aos problemas que internamente se viviam, as ondas de choque que o terramoto da Grande Guerra provocou veio ainda mais agravá-los. Mas, para alguns, aquela catástrofe que se estava desenrolando, alimentou a esperança de, na sua destruição, poder vir a transformar-se numa solução redentora.

Massas enormes de serranos, lãzudos, incitados para terem alma de novos Nun’Álvares, entraram naquela fornalha para defenderem as sobras, mal aproveitadas, daquilo que era nosso, de um império que outrora fora grande, gerado por um povo tão pequeno e uma terra tão estrita, que até parecia um milagre. Naquela altura, a alma era bem grande. Mas agora, não! E a nossa vizinha, e rival, agora sem o império das américas, espreitava pela oportunidade de ganhar o terreno perdido nos longínquos tempos da mourama.

Urgia, pois, entrar naquela fornalha de aço e, num esforço de sobrevivência (colonial, nacional, de defesa do berço pátrio e de reconquista de um lugar no concerto das nações) estar ao lado dos nossos, nem sempre impolutos, honestos e fiéis, aliados de sempre.

E quantas amarguras este esforço global e brutal nos trouxe! Por nossa culpa e por demasiada cobiça alheia.

Uma singela região e vila, encarnando nas suas gentes, e na sua guarnição militar, o espirito do dever, porque imbuída dos ideais dessa «nova era», desse novo sonho, que ajudou ativamente a criar, dando a machadada final naquele regime que não nos queriam deixar sonhar por um novo mundo, contribuiu com a sua quota-parte para a nossa sobrevivência como povo.

Gentes habituadas já à diáspora sabiam quanto de valor afetivo e simbólico tinham aquelas paragens africanas; paredes meias com um ávido estado vizinho - mas vivendo em boa paz e harmonia com as gentes, suas iguais, que apenas as separavam um traço legal de fronteira, partilhando a mesma terra e a mesma veiga fértil - não estavam, contudo, dispostas a «servir» outro amo senão aquele que, ao longo dos séculos, por sua livre vontade escolheram.

Por isso, quando lhes dizem da ameaça que sob o solo pátrio pendia, não hesitaram dar os seus filhos, os seus maridos, os seus noivos ou namorados aos diferentes campos de batalha onde Portugal - lhes diziam - se decidia.

Olhos rasos de lágrimas, corações partidos, e repletos já de saudades à partida, acompanharam os seus homens, que tanta falta faziam ao lavor da terra, até ao último adeus na parada da vila, na marcha pelas povoações por onde passavam, ou no arrancar dos comboios que, em 1915 e 1917, de Vidago, partiram para terras longínquas.

Saíram simples, analfabetos a maioria deles, rudes e humildes trabalhadores da terra e pastores dos montes, para serem transformados em bravos, heróis de uma guerra que não lhe conheciam o jeito, que nem em sonhos ou fantasia adivinhavam o seu poder destruidor.

Alguns por lá ficaram; outros vieram doentes; alguns estropiados; muitos conheceram o cativeiro e, os que vieram, vinham diferentes. Tinham uma história para contar e partilhar. Mas não com todos, pois não a compreenderiam. Apenas com seus camaradas-irmãos, que tiveram a mesma feliz sorte de sobreviver aquele inferno. Foram esses os seus confidentes privilegiados, com quem partilhavam aqueles dias de dor, sofrimento, horror e carnificina. Os familiares e amigos respeitaram o recato íntimo das suas memórias.

Sabemos que não foi uma história de glória e de conquista. Foi uma história triste, sofrida, muito sofrida e, sabe Deus com que mágoa, por tantos tão incompreendida e tão depressa esquecida.

Mas não é só de vitórias que se faz um povo. É também na suprema dor da derrota que mais nos sentimos próximos e irmanados. Porque o que conta é a luta por um ideal em que acreditamos. E a Vida dos nossos antigos combatentes de há cem anos foi dada por esse ideal e pelo dever de o cumprir. E é por ele, pelo Portugal que hoje somos, que a nossa História, e parcelas da mesma, deve ser relembrada. Para sabermos donde vimos e como aqui chegámos. História que, tal como a vida, tem tristezas e alegrias, dor e sofrimento, festa e dias de luto, comemorações, vitórias. E também derrotas.

As nossas lutas em África e na Europa, ao contrário do que muito dizem, não foi um segundo Alcácer-Quibir. Em Alcácer-Quibir perdemos um rei e a nossa independência. Nos tórridos areais e savanas africanas e na gélida planície da Flandres, perdemos parte da flor da nossa juventude, mas restou Portugal inteiro, incólume.

Aos bravos que há cem anos se bateram pelo Portugal que hoje somos devemo-nos curvar em respeito pelo seu sacrifício, conhecendo e respeitando a sua memória. E honraremos a sua memória, como cidadãos, lutando militantemente pela paz contra a guerra, e com o dever ingente de, cada vez, mais e melhor, pugnarmos por um Portugal mais moderno, desenvolvido, e mais justo para todos.

António de Souza e Silva

 

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Chaves - Uma Imagem de Outono

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Quinta-feira, 20 de Novembro de 2014

O Factor Humano

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Tenho resistido nestas primeiras crónicas em abordar as questões da saúde na nossa região.

 

Talvez porque hoje tenha havido uma reunião entre o Conselho de Administração (CA) do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto-Douro (CHTMAD) e os médicos do Hospital de Chaves, não resisto a expor aqui a minha opinião.

 

Esta reunião tem origem num documento discutido por um grupo de médicos de diferentes especialidades do nosso hospital de Chaves. Esse documento em cuja elaboração colaborei foi depois assinado por mais de 80% dos médicos do nosso hospital. Foi entregue ao Director Clínico ainda em Julho 2014. Nesse documento denunciava-se o esvaziamento funcional progressivo da Unidade Hospitalar. Eram os profissionais que aí trabalham a dizê-lo. A reafirmar que queriam projectos, que dinamizassem o hospital, serviço a serviço e como um todo. Profissionais que exigiam um futuro para o seu trabalho, sendo que a existência desse futuro é indispensável para o acesso a cuidados hospitalares de saúde para as populações do Alto Tâmega.

 

Só em Novembro 2014 o CA mostrou disponibilidade para ouvir os profissionais. É estranho. Mais estranho porque o que os médicos queriam dizer, já estava no documento. O que eles pretendiam era uma resposta às questões e preocupações plasmadas no texto. Quando muito esperavam que a direcção médica viesse aclarar o projecto para a Unidade Hospitalar de Chaves, como é que este projecto se enquadrava no projecto do CHTMAD e em cada serviço médico, como é que ele era concretizado.

 

Infelizmente as expectativas foram goradas.

 

A reunião não correu bem e saí dela mais pessimista do que quando entrei.

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 Não cabem aqui considerações técnicas sobre este tema. No entanto, não resisto a contar uma história que ilustra os tempos que atravessamos. Do que sei estruturas partidárias do PSD, locais e nacionais procuraram tirar um “coelho da cartola” para limpar a sua face perante as populações. E encontraram um coelho, que é a remodelação do Bloco Operatório. De cima para baixo, via Administração Regional de Saúde do Norte dizem que vai chegar 1 milhão de euros para essas obras. Esse milhão estaria fora do orçamento hospitalar de 2014. É estranho que em plena crise e depois de nos dizerem que se tinha andado a gastar dinheiro mal gasto (por vezes com razão), apareça agora este milhão, que falta para assegurar o adequado apetrechamento humano de todos os serviços, assegurar a formação profissional, mas também os reagentes de laboratório, os consumíveis, as limpezas…

 

Mais uma vez, o projecto não nasce da auscultação dos profissionais do hospital, mas de uma manobra, que não tem em conta o essencial, nomeadamente a gritante escassez de recursos humanos no Bloco Operatório, mesmo antes das famosas obras.

 

Como contributo deixo aqui o meu alerta de que se o governo, a ARS Norte e Administração do CHTMAD têm 1 milhão de euros para investir na Unidade Hospitalar de Chaves, revejam esse projecto e ouçam os profissionais de saúde e tomem outras decisões mais adequadas à realidade.

 

O problema principal da Unidade Hospitalar de Chaves, não passa pelas instalações, aliás uma parte das enfermarias de internamento está desactivada, as instalações fabulosas da medicina física estão claramente subaproveitadas por escassez de recursos humanos, não por falta de potenciais utentes.

 

O que eu já não compactuo é com o silêncio.

 

Que fique claro que não é esse o projecto que o Hospital de Chaves necessita. O que nós necessitamos é de uma aposta que responda às necessidades reais das populações, empobrecidas, envelhecidas, isoladas. Pensar que é na cirurgia minimamente invasiva de ambulatório que está a solução dos problemas actuais de saúde no Alto Tâmega, é mostrar que se confunde a necessidade de financiamento do hospital com as necessidades reais das populações.

Manuel Cunha (pité)

 

 

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Chaves - Uma Imagem de Outono

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Quarta-feira, 19 de Novembro de 2014

O Barroso aqui tão perto... à volta de Criande e Morgade

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Hoje vamos dar uma voltinha, com três olhares, pelo Barroso nas margens da barragem dos Pisões, mais propriamente por Ciande e Morgade.

 

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Terça-feira, 18 de Novembro de 2014

Estratos

800-rita

 

Palavras lá da rua

 

-Você? Você? Você? Que horror!

-Lá na minha terra há uma frase não muito bonita sobre isso…

-Então?

-Você na minha terra é um burro.

-Ah de onde é?

-Sou de Trás-os-Montes.

-Olhe, eu sou da Beira Alta. Sabe o que costumo dizer?!

-Não…

-Isto de Coimbra para cima é outra gente!

 

Rita

 

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Amanhecer em Chaves numa imagem

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Segunda-feira, 17 de Novembro de 2014

Quem conta um ponto...

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215 - Pérolas e diamantes: mensagem numa garrafa

 

 Jorge Luis Borges disse que somos feitos de tempo. Que o tempo é um rio que nos leva. Que nós somos esse rio.

 

Martin Amis afirmou que a escrita é liberdade, por isso é que ela é tremendamente sensível a qualquer coisa que a ameace.

 

Por aqui continuam os sinais de sempre. Por aqui não ascende quem é reto e competente, mas aqueles que sabem quais as botas que devem engraxar e, sobretudo, como conspirar e intrigar para dessa maneira afastar os que se podem atravessar no caminho. Pois que lhes faça bom proveito. Fiquem descansados, eu já me fui embora. Metaforicamente falando, claro. Eu já dei para esse peditório. Que a inveja, a intriga e a maledicência, vos seja leve.

 

Além disso, eu já não consigo acreditar em vitórias. Basta-me olhar para os “vitoriosos” para me dar conta de que nunca ganharam nada de verdadeiramente consistente e importante na vida. Além das palmadinhas das costas, o que esses “triunfadores” conseguiram foi o direito à indiferença e ao desdém. Deles nada mais sobra do que as bandeiras eleitorais que guardam como recordação na despensa lá de casa ou na garagem. São uns pobres coitados trajados de futilidades.

 

Grande parte da gente que está na política apenas se preocupa com o almoço ou com a merenda. São os políticos da flatulência e do embuste. E são tão bons nisso que até conseguem fazer-se eleger vereadores camarários.

 

Eu, caros “vitoriosos”, não preciso de poder. Apenas necessito de descanso. Vós é que precisais de tachos, potes e panelas. Para vós e para os vossos filhos, netos, sobrinhos ou afilhados. Por isso sois os verdadeiros artistas da falsidade, da mentira e da intriga. E apenas conspirais nas costas das pessoas sérias e livres. Possuis a verticalidade dos répteis e a frontalidade das toupeiras.

 

Todos vós vos endividastes com o crédito da liberdade, da fraternidade e da igualdade. Mas uma coisa vos digo: As dívidas devem ser pagas. Por isso, aqui fica o desafio: Pagai o que deveis, para verdes aquilo que vos resta.

 

Existem várias formas de fazer política. Mas para os “vitoriosos” da nossa urbe o que importa é manter as aparências. E por isso elas são mantidas. Pois por aqui o poder mantém as aparências e a oposição tradicional faz o mesmo.

 

Para as terras pequenas basta um louco. Dois são muitos. E três demais. Por isso é que por aqui a política é uma brincadeira.

 

Mas outra coisa vos digo: As águias voam sós, os carneiros andam em rebanho.

 

O povo, como todos sabemos, exterioriza ruidosamente os seus afetos. Afinal que outra coisa podem fazer os pobres? Aplaudir não custa dinheiro.

 

João Madureira

 

PS – Seriamente inquieto e preocupado com o que vejo ocorrer de norte a sul de Portugal, incluindo necessariamente as ilhas, relativamente às contas autárquicas, às dos bancos e às do governo do país, venho, em nome de, pelo menos, mais de metade dos eleitores flavienses que votaram nesse sentido, solicitar ao senhor presidente António Cabeleira, e demais vereadores, que aprovem uma auditoria independente às contas da nossa autarquia. Quem não deve não teme. E à mulher de César não lhe basta ser séria, tem de parecê-lo. Assim poderemos todos dormir um pouco mais descansados.

 

PS 2 – E, já agora senhor presidente, talvez fosse boa ideia aprovar conjuntamente uma auditoria externa às contas da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, da qual foi digno presidente, até 2013, o atual vereador João Neves (ex-MAI e presentemente do PSD), pois quem não deve não teme; certos de que aquele que tão intrepidamente reclamou, durante toda a campanha eleitoral, uma auditoria às contas da Câmara de Chaves, com toda a certeza verá com bons olhos, e até aclamará de pé, uma auditoria realizada às contas do seu próprio mandato.

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
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Domingo, 16 de Novembro de 2014

Pecados e picardias

pecados e picardias copy

 

Daquela vez meu amigo, já            

ao de leve, numa penumbra de paz

cínica de indelével

proibimo-nos as lágrimas,

deixamo-nos morrer nos silêncios

e na tarde gelada da solidão .

um travo insondável

sombras sem fé,

nuvens cinza nos teus olhos

castanhos,

sangue seco por trás da palidez

não, não podíamos mentir-nos

não, não podíamos dizer-nos a verdade.

Proibimo-nos sorrir

Desfolhamos as pétalas da nossa amizade

No desespero da partida,

Queríamos proibir-nos de desistir

Ignoramos o lusco fusco da despedida pra se despedir

Ainda tínhamos um sopro de vida

Tão triste sem liberdade, sem abrigo, sem devoção…

 

Daquela vez meu amigo,

já eramos consternação

e adeus

 

Isabel seixas

 

publicado por Fer.Ribeiro às 23:30
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Sobreira - Chaves - Portugal

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 E como não há uma sem duas, aqui fica outra aldeia que também há muito não vinha de visita ao blog – Sobreira, ali para terras de Monforte, bem lá no alto e bem próxima do castelo, também ele de Monforte.

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:41
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Sábado, 15 de Novembro de 2014

Noval - Chaves - Portugal

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Já há muito que não trazíamos aqui Noval, mas há sempre um sábado ou domingo em que uma das nossas fica aqui no blog, sem qualquer critério, e hoje calhou a Noval, com duas imagens, a primeira com a curiosidade de uma cor no soco e na porta da casa que não é muito usual por estas bandas, mas que vai aparecendo aqui e ali…

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publicado por Fer.Ribeiro às 12:00
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Pedra de Toque - O Céu Espreitou

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"O céu espreitou..."



O céu espreitou cinzento e frio pelo estore do meu quarto.


Saí de casa em busca de campo verde com água nas levadas.


Quando o encontrei detive-me perante a transparência do líquido correndo e permaneci quedo durante infindáveis momentos.


Acompanhado tão só pela brisa e pelas montanhas altaneiras espreitando.


Como diz Bernardo Soares "uma vista breve do campo, ... liberta-me mais completamente do que uma viagem inteira libertaria outro".


A liberdade e a magia das coisas simples, estão no murmúrio do vento, no cheiro intenso a húmus, no zumbido dos insectos.


A serenidade, a quietude, penetram no sangue como o amor e enlaçam-me.


Sempre que me fascino descubro e invado a gruta onde os teus olhos, a tua pele e a tua boca acontecem.


E quando me perguntam se sou feliz eu respondo que não sou.


Mas já fomos, segredas-me tu.
Já fomos, meu amor, já fomos...

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A água corre suave, clara e límpida pelas reentrâncias da levada e pára,
Encostada aos sonhos nas escarpas da minha alma.

 

António Roque

 

 

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Sexta-feira, 14 de Novembro de 2014

Discursos Sobre a Cidade - Por Francisco Chaves de Melo

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As Cidades abrem falência, não podem continuar a fornecer os serviços básicos.

 

Quando se gasta dinheiro escasso para construir fundações, megalómanas ou não, ficamos com menos poder de aplicar dinheiro noutra realização qualquer. Mesmo que o crescimento seja efetuado numa direção, foi correspondentemente reduzido noutra. Se aumentamos edifícios para a cultura, diminuímos na recuperação da rede de abastecimento de água.

 

É necessária uma certa quantidade de obra públicas – ruas e estradas, edifícios de bombeiros, pontes etc. – para proporcionar serviços públicos essenciais. Estas são necessárias por si próprias. Contudo, o que preocupa são as obras públicas consideradas como um meio de acrescentar à comunidade uma riqueza que de outra forma não teria adquirido (pelo investimento individual privado). Quando a finalidade passa a ser acrescentar riqueza à comunidade, a necessidade torna-se uma consideração secundária. Inventam-se projetos. Os que duvidam da sua necessidade são desconsiderados como obstrucionistas e reacionários.

 

A obra “de regime” é que está imediatamente à vista. Mas se virmos para além das consequências imediatas, vendo também as consequências secundárias, indo além dos que são diretamente beneficiados pelo projeto, podemos ver outros que são indiretamente afetados. Não falo em particular dos contribuintes que ficaram com menos dinheiro do que teriam se a obra não fosse realizada. Se a obra custou 11 milhões, os contribuintes desembolsaram 11 milhões. Falo também dos que agora não podem beneficiar de reduções no IMI, dos que agora vão pagar a água e saneamento muitos mais caros, porque as redes de abastecimento de água potável e saneamento básico foram abandonadas durante uma dúzia de anos e agora estão destruídas pelo desgaste do tempo e do uso.

 

O dinheiro público só deve ser aplicado quando as realizações são mais necessárias aos contribuintes coletivamente do que aquilo que, individualmente, cada contribuinte teria realizado com o seu dinheiro se não lho tirassem através dos impostos.

 

Não é por obra e graça do espírito santo que as Cidades abrem falência ou não podem continuar a fornecer os serviços básicos. A erosão das finanças municipais motivada por juros excessivos oriundos de dívidas, ano a ano acumuladas, ao longo da última década, quer por não se pagar aos fornecedores a água e saneamento (gastando o dinheiro em fundações ou outras miragens), quer por se deixar degradar a rede de abastecimento público ao ponto de serem maiores as perdas pelas ruturas que a água que nos chega a casa, quer ainda por andar a tratar a água da chuva como se fosse dos esgotos, vai sair-nos dos bolsos.

______________________

 

Texto adaptado em parte da obra de Henri Hazlitt, “A economia numa lição” editada pela primeira vez em 1946.

 

Obs: não coloquei os valores em euros envolvidos no que se afirma, nem as repercussões de custos para os cidadão pelas opções tomadas, as que levaram a abandonar as redes de abastecimento por não haver dinheiro para tudo se fazer ao mesmo tempo. Algumas das repercussões dependerão do “negócio” da venda das águas de Chaves que se está a realizar por esta altura.

 

Francisco Chaves de Melo

publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
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Quinta-feira, 13 de Novembro de 2014

Chaves, Praça do Duque, das Igrejas, Capelas e Santa Casa

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O título já diz tudo, ou quase tudo e nas fotos de hoje fica também o título traduzido em imagens, com o Sr. Duque de costas, a Igreja grande, ou Matriz ou de Stª Maria Maior (como preferirem), no seu alçado a sombra da Igreja da Misericórdia e, do lado esquerdo do Sr. Duque, a Capela da Santa Cabeça. Quanto à Santa Casa, não se vê, mas todos sabemos que também está na praça, e há mais, mas para saber bem, nunca podemos dar tudo.

 

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Vivências

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A loucura dos 50% em brinquedos

 

Sábado, 8 de novembro de 2014. São 9h30 da manhã e estou a passar pela zona do centro comercial para me dirigir com o meu carro à oficina para uma operação de manutenção. Admirado, reparo no movimento fora do normal que por ali vai, com uma fila já considerável de carros a entrarem para o parque de estacionamento. Alguns minutos depois, já na oficina, em conversa com o mecânico, fico a saber que neste fim de semana existe uma campanha de desconto de 50% em cartão em todos os brinquedos. Ainda não comemos as castanhas assadas nem provamos o vinho novo, mas já nos bombardeiam com campanhas para comprarmos as prendas de Natal para os mais novos…

 

São agora 10h30 e já saí da oficina, e como tenho umas pequenas compras para fazer aproveito para ir ao hipermercado do centro comercial, mesmo ali ao lado, e é então que me apercebo da verdadeira dimensão do movimento… Como a zona dos brinquedos fica logo à entrada, é quase impossível passar por ali para ir para as outras secções… Só vejo pessoas e mais pessoas, carrinhos de compras com caixas de brinquedos empilhadas até ao cimo e funcionários com porta-paletes a fazerem já a reposição de artigos nalgumas prateleiras… Quase me arrependo de ter vindo, mas lá consigo passar pela multidão para chegar à padaria e à zona das frutas…

 

Refletindo um pouco sobre este episódio, custa-me imenso compreender como é que é possível encher um carrinho de compras só com brinquedos, a maior parte deles com um interesse pedagógico ou lúdico certamente muito discutível. As crianças, é certo, precisamente pelo facto de serem crianças, precisam de brincar… mas precisarão realmente de tudo isto? E para além de brinquedos não precisarão também (e sobretudo) de mais livros e jogos educativos para o seu crescimento? Não precisarão de passar mais tempo com os pais, em família? Não precisarão de mais atenção e mais diálogo?

 

Afinal, o que queremos transmitir aos nossos filhos?

Luís dos Anjos

 

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