Domingo, 22 de Novembro de 2009
Mosaico da Freguesia de Lamadarcos

 

Estamos de regresso aos mosaicos das freguesias, hoje com o mosaico de Lamadarcos.

 

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Localização:

A 12 km da cidade de Chaves, a Noroeste desta e na orla raina.

 

Confrontações:

Confronta a Norte com a Galiza, a Nascente com a freguesia de Mairos, a Sul com a freguesia de Stº António de Monforte e a Sudoeste com a freguesia de Vila Verde da Raia.

 

Coordenadas: (Adro da Igreja)

41º 49’ 56.89”N

7º 23’ 07.73”W

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Altitude:

Variável –  a rondar a cota dos 400m

 

Orago da freguesia:

Nossa Senhora da Conceição

 

Área:

13.83 km2

 

Acessos (a partir de Chaves):

– Estrada Nacional 103 até ao Lameirão e 103-5 até próximo da fronteira (depois de Vila Verde da Raia), E.M.504. Em alternativa, a A24 até ao nó de Vila Verde da Raia.

 

 

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Aldeias da freguesia:

            - Lamadarcos e Vila Frade.

 

População Residente:

            Em 1900 – 626 hab.

            Em 1920 – 707 hab.

            Em 1940 – 919 hab.

Em 1950 – 1035 hab.

            Em 1960 – 990 hab.

            Em 1981 – 669 hab.

            Em 2001 – 425 hab.

 

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Tal como a grande maioria das aldeias do concelho, principalmente as de montanha e da raia, também Lamadarcos viu o seu topo de população residente nos anos 50 e a partir dessa data uma descida acentuada ao longo dos anos, perdendo nos últimos 50 anos, mais de metade da sua população.

 

Principal actividade:

- Se em tempos o contrabando foi uma actividade importante na freguesia, hoje apenas se resume à agricultura e alguma pecuária.

 

Particularidades e Pontos de Interesse:

 

A sua história ligada às antigas aldeias promíscuas em que a raia atravessava e dividia a aldeia em duas. Assim foi até ao ano de 1864 em que no Tratado de Lisboa, Lamadarcos passava a ser inteiramente portuguesa, conjuntamente com o Cambedo e Soutelinho da Raia, que partilhavam da mesma condição. Em troca, Espanha, ficou com as três aldeias do Couto Misto.

 

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Lamadarcos (aldeia) foi outrora um curato anexo ao priorato de Chaves, vindo a beneficiar da extinção da freguesia de Vila Frade, para se tornar freguesia, à qual esta passou a pertencer.

 

A riqueza de estações castrejas no nosso concelho, também contempla a freguesia com um provável habitat fortificado da idade do ferro, num local que hoje denominam por “Castro” ou “Fraga da Moura”.

 

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As duas aldeias da freguesia mantêm ainda um casario tradicional mais ou menos interessante, onde se destacam um pombal de curiosas forma e único no concelho e região, mas também a Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Conceição de sabor românico tardio, as Capelas de Santo Amaro, Santo António e São Caetano e Santa Marta. Também curiosa e interessante é a Igreja denominada por “espanhola”, por antigamente ficar do lado espanhol da aldeia. De salientar ainda a Fonte de Santa Marta e diversos cruzeiros graníticos.

 

Também o verde da paisagem que se repete por quase toda a freguesia, merece algum destaque, sendo agradável aos olhos e de verão transmite uma certa sensação de frescura.

 

Para saber mais sobre as duas aldeias da freguesia, nem há como seguir os links que a seguir deixo para os posts já publicados neste blog.

 

 

Linck para os posts neste blog dedicados à  freguesia:

 

            - Lamadarcos

 

- Vila Frade

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:56
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Sábado, 21 de Novembro de 2009
Casas Novas - Chaves - Portugal

Pois hoje chegou a vez de Casas Novas ter por aqui o seu post alargado e, se algumas aldeias ainda não passaram por aqui por falta de fotografias ou visitas, não é o caso da aldeia de hoje. Talvez a demora se deva mesmo aos motivos e ao excesso de fotografias que tenho desta aldeia, mas também à sua história, que rica ou não, é bem diferente das restantes aldeias do concelho.

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Mas, diga-se a verdade, tinha algum receio de abordar esta aldeia. Receio em com o seu post alargado, ficar aquém de transmitir realidade desta aldeia, feita de contrates de tempos de outrora e de hoje, mas também contrates reflectido no seu casario solarengo por um lado, e tradicional típico do granito por outro e, ainda bem, que não trago aqui outros contrates que se verificavam há anos atrás, com os solares abandonados e em ruínas, como os solares habitados ou em bom estado.

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Claro que não irei aprofundar a história de Casas Novas e a razão porque em Casas Novas, Redondelo e também na vizinha Rebordondo se concentram, relativamente ao restante e existente no concelho, tantas casas solarengas, e solares brasonados. Não abordarei essa parte da história por duas razões: primeira porque cada uma dessas casas e solares merecem um post alargado e, segunda, porque confesso não saber a história de todas essas casas e solares.

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Mas hoje quero mesmo é dar uma ideia em geral da aldeia de Casas Novas, aldeia da qual guardo “imagens” de sempre, desde tenra idade, pela simples razão de que, vista de passagem desde a nacional 103, encanta qualquer um.  Mas mais encantado se fica quando penetramos nela e conhecemos a restante aldeia e a nobreza do seu casario, quer seja nobre em todo o sentido da palavra, quer porque também é nobre em termos de construção típica tradicional, a tal da pedra, ferro e madeira, embora, claro, era inevitável não ter os seus atentados pelo meio. Mesmo assim, Casas Novas ainda se recomenda.

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A aldeia em si, não é grande. Na realidade trata-se de uma pequena aldeia que se vai desenvolvendo ao longo de uma rua onde, quase paredes meias, há dois solares e menos de uma centena de casas. Adivinha-se que a antiga aldeia estaria dividida entre duas ou três casas ricas à volta das quais nasceu a aldeia do povo que as servia, mas isto sou eu a adivinhar ou a mandar palpites, pois como inicialmente disse, tenho poucos dados da história da aldeia.

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Localizada numa pequena colina de terras não muito elevadas, com o Rio Tâmega a seus pés (embora não se sinta), andam todas elas na cota dos 400/500m. Fica a 10 quilómetros de Chaves e outros tantos de Boticas. Aliás Casas Novas faz mesmo fronteira com o concelho de Boticas e é também pelas suas terras que se inicia a transição para terras do Barroso.

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Embora de proximidade de terras frias, são ainda ares da veiga de Chaves e do rio que chegam até às suas terras, e talvez por isso, ainda terra férteis que o povo sempre destinou à agricultura, mas que nem sempre chegavam às colheitas, pois reza a história da aldeia, que os temporais destruíam quase todos os anos as suas colheitas. Reza também a história ou a lenda, que para acabar com estes males, a povoação mandou construir uma capelinha, com uma galilé e invocação a S. Bernardino de Sena, pois continua a história, que foi mandada construir como agradecimento ao santo, pela protecção que devotou às colheitas, quando lhe foram encomendadas, não tendo sido destruídas pelos temporais, como acontecia todos os anos. O resultado, é uma pequena mas interessante capela, que pelo seu enquadramento bem pode ser considerada uma pequena pérola da aldeia.

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E já que falamos de pérolas, outra, é a o edifício da Escola Primária. Uma escola que teve o seu início de construção em 1900, com duas salas, uma para cada sexo e ainda habitação dos respectivos professores. As despesas da construção da escola (4.010$000 réis) foram pagas com dinheiros que Luiz Teixeira de Morais, um emigrante no Brasil, natural da aldeia, que legara para a sua construção.

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Desconheço quem é o autor do projecto da escola, embora haja quem defenda que foi construída ao estilo ou que é do tipo Adães Bermudes (Arnaldo Redondo – Porto 1/10/1864 -  Sintra 18/02/1948), um importante arquitecto, professor de arquitectura e político que se notabilizou como um dos expoentes da  arte nova em Portugal. Com belíssimas obras executadas desde Bragança ao Algarve e ilhas. Embora haja que defenda tal, a escola não consta no seu curriculum e a ser verdade, seria uma das suas primeiras obras, pois o mesmo só começa a ser notabilizado com o projecto do Banco de Portugal, em Bragança, no ano de 1902.

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Um pequeno apontamento só para dizer a importância que pode ter na história, em especial na história da arquitectura,  a autoria de um projecto e a sua obra. Sem tirar o valor arquitectónico da Escola de Casas Novas, teria ainda mais valor se realmente fosse de Adães Bermudes. Claro que esse valor é sempre relativo e nem todos o entendem. Exemplo recente acontece com uma obra do Arquitecto Eugénio Correia (1897-1985), essa sim, de autoria do próprio com placa e tudo, colocada na construção, sito na Rua 1º de Dezembro em Chaves, e que actualmente está a ser demolida para dar lugar a mais um edifício de betão no Centro Histórico de Chaves. Eugénio Correia, também apenas, importante, por ser um dos pais da “casa portuguesa”, autor da moradia da Rua 1º de Dezembro em Chaves, que era um belíssimo exemplar de arquitectura de uma “casa portuguesa”. E disse bem – era! Mas como a Rua 1º de Dezembro é em Chaves e hoje estamos em Casas Novas, voltaremos ao assunto durante a semana.

Voltemos então às pérolas e jóias de Casas Novas. A capela e a escola são dois exemplares que espero seja tratados e cuidados por muitos anos, mas em Casas Novas há mais – Os solares.

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O Solar dos Vilhenas, um belíssimo conjunto habitacional com uma não menos bela e artística pedra de armas e capela de invocação da Senhora da Piedade. As armas que constam do brasão foram concedidas no ano de 1752 a Manuel Álvares Calvão, 1º Morgado de Casas Novas, Capitão de Infantaria Auxiliar, Escrivão da Câmara de Chaves e Juiz Almoxarife da Comenda de Moreiras, que intituiu o vículo com capela de invocação à Senhora da Piedade. Manuel Álvares Calvão está sepultado na capela do solar. Do solar destaca-se ainda uma passagem superior em arco sobre a rua principal da aldeia.

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Mesmo, ou quase, ao lado deste solar dos Vilhenas, encontra-se um outro solar, o Solar da Viscondessa do Rosário, do início do século XIX e que embora tivesse estado francamente degradado e à beira da ruína total há poucos anos atrás, foi recentemente recuperado para Hotel Rural, ao qual este blog já dedicou um post alargado e que poderá ver/ler aqui:

http://chaves.blogs.sapo.pt/286402.html

Será pela certa um local agradável onde poderá ficar um fim-de-semana para conhecer esta aldeia de Casas Novas, mas também as aldeias vizinhas de Redondelo e Rebordondo onde uma rica arquitectura rural e solarenga se repete.

 

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A história deste solar é contada na página do Hotel Rural (http://www.hotelruralcasasnovas.com) que transcrevemos:

“Trata-se de um antigo Solar com uma antiga e relevante História. Após o seu restauro, ainda se mantém imponente o Solar do Conde de Penamacor também chamado Solar do Visconde do Rosário.

 

No final do século XVIII, o Solar era propriedade o 2º Conde de Penamacor, António de Saldanha de Albuquerque e Castro Ribafria, nasceu a 3 de Novembro de 1815 e morreu a 15 de Maio de 1864. Era filho do Alcaide-mor de Sintra e de D. Maria Teresa Braamcamp. Terá sido ele que mandou gravar a pedra de armas que se encontra na fachada do Solar. Outras fontes apontam como responsável desta gravação o seu pai, João Maia Rafael Saldanha de Albuquerque e Castro Ribafria.

 

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Em Casas Novas, o nome Albuquerque do terceiro quartel foi substituído por Pereira, apelido e armas do pai da avó paterna do 2º Conde. O título de Conde de Penamacor tem uma história curiosa e invulgar. O rei D. Afonso V, em 1475, concedeu-o ao seu valido e Camareiro-mor D. Lopo de Albuquerque, que foi embaixador do Rei de Castela e Roma. Este 1º Conde, tendo sido considerado culpado na conspiração dos Duques de Viseu e Bragança contra D. João II, receando o castigo deste, fugiu do país. Depois de uma vida aventurosa, acabou por morrer no exílio, em Sevilha. Por isso o título não foi renovado e assim se manteve durante mais três séculos, embora os seus descendentes tivessem regressado a Portugal e prestado relevantes serviços em sucessivas gerações.
A associação das armas referidas deve-se à seguinte linha de sucessão: D. Luís de Albuquerque, neto do primeiro conde, casou com uma filha do grande Vice-rei D. João de Castro. Desse casamento nasceu uma filha, D. Luíza de Castro, que casou com André Gonçalves Ribafria, Alcaide-mor de Sintra, filho de Gaspar Gonçalves Ribafria. Uma bisneta destes casou com Manuel de Saldanha Távora, Capitão-mor das Naus da Índia. É um bisneto destes que se liga pelo casamento a Casas Novas. O título foi renovado em 1844 por D. Maria II num neto deste último que assim veio a ser o 2º Conde de Penamacor. A ascendência do 2º Conde em Casas Novas, tendo um percurso histórico completamente diferente, é um bom e curioso exemplo da mobilidade social que caracteriza a sociedade portuguesa. Ademais, revela-nos um notabilíssimo flaviense que está completamente esquecido.

Este solar foi mais tarde vendido pela família, passando para a posse de uma filha do Visconde do Rosário. Mais tarde foi doado por esta à Santa Casa da Misericórdia de Chaves.

 

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Falemos agora desta família. Como foi dito, a casa foi habitada pela Viscondessa do Rosário, Maria Clementina Conde Saraiva. Era filha do Visconde do Rosário, Manuel José Conde, e de D. Eufrosina Ermelinda do Nascimento, natural da Bahia. Casada com António Teixeira de Morais, adoptou a cidade de Chaves como sua terra. Faleceu em 21 de Dezembro de 1935.

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O seu marido António Teixeira de Morais, era natural de Casas Novas, e faleceu em Lisboa em 6 de Junho de 1887. Esteve no Brasil durante muitos anos. A Câmara de Chaves dedicou-lhe uma rua urbana pelo facto de ter doado à Santa Casa da Misericórdia da cidade, a quantia de 40 contos (em moeda brasileira), destinada a cuidar dos pobres da sua freguesia. Além da avultada importância em dinheiro, doou também a sua quinta de Casas Novas, em 12 hectares e respectiva casa solarenga, brasonada, aos mesmos fins.”

 

 

Consta ainda na história da aldeia, ou nos seus arredores, a assinatura da Convenção de Chaves que deu como finda a Revolta dos Marechais, em 20 de Setembro de 1837.

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E sobre a aldeia não digo mais. Nem há como passar por lá, pois fica apenas a dois ou três quilómetros do nó de Curalha da auto-estrada, a 10 quilómetros de Chaves e por ela pode fazer passar um interessante roteiro com saída de Chaves, passagem por Curalha com visita ao Castro, dar um pulo à Pastoria, Casas Novas e Redondelo, Rebordondo, Anelhe, Souto Velho e regresso a Chaves. Deixe Vidago para outra altura, pois com olhos de apreciação e visita o itinerário que lhe acabo de traçar da para todo um dia, ou para uma manhã ou tarde com olhos de ver apressados.

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Vai ver que é um passeio que vale a pena e que muito flaviense desconhece. Não é preciso sair do concelho para se conhecerem verdadeiras pérolas, onde até pode almoçar ou jantar bem e pernoitar, com qualidade,  ao longo de várias ofertas que a nossa ruralidade põe à disposição.

 

Até amanhã!

 

 

 



publicado por Fer.Ribeiro às 03:54
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Sexta-feira, 20 de Novembro de 2009
Discursos Sobre a Cidade, por Gil Santos

 

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BOTA-LE BINHO

 

Conheci o Ti Chico Milheiro já ancião. Nas torreiras de Agosto juntava a rapaziada nova à sombra do negrilho do Prado e, sentado na massadoura, entretinha os seus já longos anos com as reacções às curiosas histórias de vida que os ouvintes sorviam como água quando se tem sede. Ouvi-lhe muitas! Esqueci-as quase todas. Retenho apenas esta que vos conto:

O Chico Milheiro nasceu pobre em Milhais, lá para os lados de Mirandela. Órfão temporão de pai e mãe, cedo se fez à vida, na qualidade de criado de servir. Tirando a fartura de bogas do Rabaçal, que pescava na desova, no tempo das formigas fazerem carreira — como ele dizia — e dos raros coelhos e lebres que caçava nos laços que com mestria sabia armar, passava fome de rato. Serviu muitos patrões, levou muitos pontapés no cu, trabalhou de sol a sol e comendo o pão que o diabo amassou aprendeu a ler nas entrelinhas da agrura da vida o que mais lhe convinha. Juntava à sapiência da coruja a manha da raposa! E, desta forma, tão cedo se fez à vida de serviçal como a deixou. Não teria um quarto de século quando, proprietário de uma leira de couves, passou a servir-se a si mesmo. Botou umas colmeias, únicas nas redondezas, e quase só com elas se sustentava no Carregal, onde se fixou. Ao tempo, o mel era remédio para quase todos os males. Vendia-se bem para qualquer mezinha. Contudo, continuava pobre o Chico Milheiro. Pobre mas orgulhosamente dono de si!

 

Fez-se à vida pelos dezasseis anos, idade em que a força de crescer tonifica os músculos e dá ao corpo a forma masculina do homem grande. Procurou trabalho por terras de Valpaços. Encontrou-o em Brunhais, na casa de um lavrador rico mas usurário. A produção de vinho era a sua principal actividade. Durante todo o ano, o Chico, não trabalhando na vinha, trabalhava no bacelo. Porém, aguentou-se pouco tempo neste patrão. O homem estava sempre com pressa de o fazer trabalhar e mesmo nas sagradas horas do repasto pressionava o desgraçado. Um belo dia reparou que o Chico soprava ao caldo de vagens chitcharras que fumegava numa malga à sua frente.

─ Despacha-te rapaz, temos a vinha da Silva para satchar!

─ Está quente o caldo, patrão!

─ Oh homem, bota-lhe água.

Água?!!!... Este patrão não me serve! E tão depressa o pensou como rumou ao mundo à procura de melhores promessas.

Deu com patrão novo no Planalto, lá para os lados de Carvela. Um homem austero, que vivia da batata e do centeio. Sofria, porém, da mesma doença do anterior: o tempo era sempre curto para o trabalho. Um belo dia, ainda no primeiro semestre do emprego, o Chico defrontava-se com uma bela malga de caldo de lombarda, reluzente e fumegante. Fora lançada directamente do pote, que à força do braseiro apurava num borbulhar de cachoeira nervosa. O Chico bem lhe soprava mas o raio do caldo não havia maneira de arrefecer.

─ Despacha-te, rapaz! Temos a leira dos Bagueiros para agradar nesta tarde. Uma campina!...

─ O caldo está quente patrão!

─ Oh Chico, bota-lhe pão!

Pão?!!!... Ora essa, pão tenho-o eu à farta à minha frente, cogitou o criado em jeitos de despedida. Não demorou um mês que pusesse a trouxa às costas e procurasse novo destino.

 

Rumou desta feita ao Carregal onde encontrou trabalho na casa do Ti Moreiras. Um lavrador remediado que repartia os seus dias entre o trabalho árduo da terra magra que mal dava para sobreviver e o relato apaixonado das peripécias da primeira Grande Guerra, onde fora combatente e prisioneiro. Mas também o Ti Moreiras gostava pouco de perder tempo, nomeadamente a comer. Um dia de malhada, pelo fim dum Julho de canícula, criado e patrão sentaram-se à mesma mesa para repor as forças num lauto almoço de couve, toucinho e feijão vermelho. Encheram as ventas! No fim, como era hábito em Trás-os-Montes, veio a malga de caldo de baijes. Fervente! O Chico bufava-lhe, desta vez não só para o arrefecer mas também e sobretudo para ver no que é que aquilo dava.

─ Apressa-te, home! A malhadeira reclama-nos. Temos de acabar a malhada hoje.

─ O caldo está quente patrão!

─ Bota-lhe binho, catano!

Ah grande patrão, este é que me serve!!!...

E, desta feita, laborou em casa do Ti Moreiras até desposar a Rosa Milheira. Uma rapariga simples, mas trabalhadeira, filha da Ti Carminda da Rua, uma cabaneira pobre.

 

O empenho do Chico Milheiro foi tal que o patrão Moreiras aceitou apadrinhar o seu casamento. Doou-lhe uma pequena horta contígua ao casebre onde o Chico morava. Não demorou que se despedisse. A Rosa e o Chico trabalhavam à jeira. O soldo, a hortita e as colmeias sempre davam para o consumo e, sequer ao menos, eram homens livres!

 

Tenho saudades das histórias do Ti Milheiro. Alimentou muita da imaginação que me havia de fazer voar por sítios onde nunca fui capaz de chegar sozinho.

Obrigado Francisco Milheiro também por reconheceres no Ti Moreiras as qualidade do homem bom que ele sempre foi!

Gil Santos

In Ecos do Planalto - estórias

 



publicado por Fer.Ribeiro às 00:30
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Quinta-feira, 19 de Novembro de 2009
O Repórter de Serviço e o blog Chaves estão solidários

 

 

Porque sei o quão importante é os nossos jovens sentirem o apoio dos mais velhos nos seus projectos, não poderia deixar de responder ao apelo de um grupo de trabalho de alunos do 12º ano da Escola Dr. António Granjo, na divulgação do seu blog e do seu projecto “Pintar a Solidariedade”.

 

E já que é de solidariedade que se trata, o blog Chaves está solidário com o vosso trabalho e com o vosso blog, ainda para mais quando o que é tratado pelo tema, deveria fazer parte da formação de todos nós.

 

Felicidades para o vosso projecto e, no final do ano lectivo, quero de novo vir aqui, com as conclusões do vosso trabalho.

 

Para acompanhar o trabalho, siga o link:

 

http://pintarasolidariedade.blogs.sapo.pt

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 22:15
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Repórter de Serviço - Polis

 

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Pois foi prometido e ele aqui está. O Repórter de Serviço, como não é político, ainda cumpre a palavra. Cumpre e pede desculpas por anteriores apontamentos e reportagens, principalmente as que se prendem com o burro do polis estar enterrado no pântano, pois o Repórter ignorava que as obras do polis ainda não tinham terminado, pois segundo o placar, ainda faltam 40 segundos para a obra terminar. Talvez cheguem para o burro…

 

Desculpas, tá!?



publicado por Fer.Ribeiro às 18:30
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Repórter de Serviço - Remendos de Sapateiro!?

 

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O PM Sócrates e os seus assessórios bem podem dizer que Portugal já saiu da recessão e está a sair da crise a passos largos, mas todos sabemos que não é bem assim, aliás até já estamos habituados a não levar a sério aquilo que ele diz. Por cá, como bons transmontanos que somos, conhecemos a crise desde há séculos, e,  já se sabe que em tempo de crise, nem há como poupar. Sócrates que ponha os olhos em Chaves, em como por cá se poupa sustentadamente, com reciclagem, reutilização e tudo…

 

Já sei que os puristas vão dizer que aquilo são remendos de sapateiro, que põe a arte em causa, o bom gosto, a geometria dos passos, a harmonia da coisa, etc, e tal. Puristas e intelectuais, tudo a mesma corja… lá por lerem uns livros e pseudo perceberem de arte já pensam que são detentores da verdade toda, quando não passam de parolos armados em pavões… eles que falem! O momento é de crise e, mesmo que supostamente tivessem razão, que se lixe a arte, a harmonia, o bom gosto e essas tretas todas. Os buracos foram remendados e muito bem. Os meus parabéns ao iluminado da crise.

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Já agora, se não deram conta, um pouco mais abaixo, no Tabolado também há por lá uns remendos a botar. Pela certa que em armazém ainda há mais cubinhos de calcário dos desenhos pirosos das Freiras e do Arrabalde. A crise recomenda que se apliquem e os buracos no Tabolado destoam um bocadinho. Botem-lhe com os cubinhos em cima, que ninguém vai dar por nada.

 

Como parece que o Repórter de Serviço despertou, mais logo, promete trazer aqui nova reportagem, de fim de tarde. Até lá.



publicado por Fer.Ribeiro às 13:30
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Coleccionismo de temática flaviense - Autocolantes

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Decorriam os finais dos anos 80 e as rádios piratas nasciam por tudo quanto era sítio. Chaves não escapou ao fenómeno e, três rádios locais, piratas,  surgiram e impunham-se às ondas das rádios nacionais: Radiodifusão Transmontana, Rádio Larouco e Antena Radiante. De entre as três rádios, a Antena Radiante, feita com muita carolice e muita juventude, marcava a diferença, não só em audiência, mas também em programação e actividades culturais extra rádio.  Veio o processo de legalização das rádios,  para Chaves, destinaram duas licenças. Um processo de legalização feito à boa maneira portuguesa e o resultado, ficou à vista. A Antena Radiante  foi a rádio flaviense excluída.

 

Mas a Antena Radiante cooperativa, existia, e embora tivesse perdido os anéis, não perdeu os dedos e, nasce o “Jornal de Chaves”, propriedade da Cooperativa Antena Radiante, que durante alguns anos, também marcou a diferença na informação e intervenção flaviense, vindo a morrer, infelizmente, quando os ideais deram lugar a outros interesses dentro do jornal, numa salsada que terminaria na barra dos tribunais e aniquilava de vez o Jornal de Chaves.

 

Da Antena Radiante e do Jornal de Chaves, vão restando alguns testemunhos da sua existência, hoje apenas guardados nas boas e más memórias de alguns, como mera recordação ou como objectos de coleccionismo, tal como acontece com o autocolante que hoje vos deixo em imagem.



publicado por Fer.Ribeiro às 00:30
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Quarta-feira, 18 de Novembro de 2009
Em vez de feijoada, hoje há Torga

 

Miguel Torga - Retrato a Carvão de Isolino Vaz

 

Chaves, 7 de Setembro de 1982

Nenhuma terra da pátria me cansa. Em todas a minha curiosidade insaciável de ver e conhecer encontra sempre qualquer novo motivo interessante. É o que se dá com esta. Hoje descobri que é nela que renovo todos os anos, infelizmente só por alguns dias, o prazer calmo e urbano de viver.

Miguel Torga, in Diário XIV

 

Quanto mais leio e conheço Torga, mais convencido estou da sua grandeza e, é com orgulho e até vaidade flaviense que, em muita da sua prosa, da sua poesia e dos seus diários, vejo e leio Chaves, vista pela humildade e grandeza de escrita de Torga.

 

Assim, além da ideia fixa, mantenho a teimosia de trazer aqui Torga e, de cada vez que o faço, insistir que Chaves deve uma homenagem digna a Miguel Torga. Digna e a perpetuar no tempo.

 

Não é só pelo facto de Torga mencionar Chaves na sua obra, ou de vir cá religiosamente todos os anos no seu  “ ritual terapêutico”, mas pelas palavras que ele deixou escritas sobre a cidade e o concelho, pela divulgação que faz também da nossa história e do nosso povo, mas sobretudo, pelo elogio constante que faz das nossas termas e das suas águas, colocando-as ao lado de Anteu e filhas da mesma Deusa Gea a Deusa Terra.

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Chaves, 2 de Setembro de 1984

Integrado no ritual terapêutico dos mais anos, desde o amanhecer que sou um devoto em devoção, inteiramente alheado do resto do mundo. Quando o Outono se aproxima, toda a minha natureza doente me pede esta cura revitalizadora. E bebo religiosamente doses de água como se bebesse doses de energia. O mito de Anteu, para mim, vai até às entranhas da terra.

Miguel Torga, in Diário XIV

 

Mas tal como o Presunto de Chaves é afamado nos quatro cantos de Portugal sem que Chaves lhe tire o proveito da fama e publicidade ou sequer o saboreie, também Torga é da grandeza dos maiores escritores e poetas, à altura de qualquer Nobel, sempre cantou a cidade de Chaves e, como médico, o melhor publicitário (porque utilizador) das Caldas de Chaves, e a cidade, simplesmente ignora-o…certo que tem nome numa avenida, mas numa cidade onde os nós, a moca, ou até o “olho do …” são topónimos, apenas dar nome a uma avenida, nada significa. Torga merece muito mais.

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Chaves, 29 de Agosto de 1987

Os habituais 15 dias terapêuticos a ingerir linfas cálidas. Sou médico, mas acredito mais na natureza do que na ciência. E tenho inscrições votivas em todas as fontes de Portugal.

Miguel Torga, in Diário XV

 

Mas enfim, tal como dizia Torga, “em Chaves não há raças, mas castas”, que tal como na vinha, uma má casta nunca dá bom vinho!

A indiferença da natureza! Será ela que faz com que em Chaves nada permaneça de Torga e que por cá não haja resquício sequer das suas passagens por Chaves!? Ou serão outras indiferenças!?

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Chaves, 28 de Agosto de 1993

A indiferença da natureza! Revejo os lugares que há anos me são familiares e onde, num poema, numa frase ou num simples estremecimento emotivo, cuidei que qualquer cousa de mim permanecia e ficaria identificado. E em nenhum deles há resquícios sequer de que por ali passei. Ou então sou eu, que, de tão desfasado do mundo, me vou perdendo de vista até nos Tabores das minhas passadas transfigurações.

Miguel Torga, in Diário XVI



publicado por Fer.Ribeiro às 03:21
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Terça-feira, 17 de Novembro de 2009
Outros Olhares Sobre Chaves - Marcel Burger e Rik Janssen - Os barbeiros

 

Hoje é dia de outros olhares, diferentes, de alguém que passou por Chaves e a registou em imagem, em pormenores, e até, em intimidades.

 

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Fotógrafos repetentes neste blog, mas que hoje faço repetir, não só pela temática, mas também porque desde a primeira vez que vi estes olhares, fiquei preso a eles, e, nunca é demais recordar olhares interessantes.

 

Olhares sobre uma das profissões com mais tradição – os barbeiros e as suas barbearias, autênticas salas de estar de cidade onde a conversa: as novidades, o futebol, a pesca, a caça, a anedota, a política, o crime, os negócios e as “gajas”, tudo com uma pitadinha de exagero e onde a verdade nem sempre se consegue distinguir da sua parceira mentira  – são o entretém de quem não pode dispensar os seus serviços ou de quem lá vai, mesmo e só, para passar o tempo e se entreter.

 

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Claro que hoje em dia a velha barbearia já não é bem aquilo que era. Também se modernizaram, alguns até preferem ser cabeleireiros, mas para os de antigamente, cabeleireiro, ainda cheira a mariquice e nem sequer faz barbas, com espuma, pincel e navalha na cara, que fazer deslizar suavemente uma navalha na cara, não é coisa de qualquer um, é mesmo coisa de barbeiro, a sério.

 

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Pois os nossos convidados de hoje trazem-nos olhares de barbearias a sério e por sinal, também algumas das barbearias mais antigas da cidade, das que ainda existem, pois algumas já ficaram pelo caminho e pela certa deixam muitas saudades, tal como a velha barbearia do Inácio,  nas Freiras, onde a tradição se fazia até no passar de profissão de pai para filho.

 

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Os créditos das imagens de hoje vão para o Marcel Burger e para Rik Janssen, que no flickr são conhecidos pelos nicks de Catchcan e Look-to-see, respectivamente e, também respectivamente fica aqui o link para as suas galerias:

 

 http://www.flickr.com/photos/catchcan/

 

 

http://www.flickr.com/photos/60157365@N00/

 

Galerias que os amantes de fotografia não devem deixar de espreitar, para ver boas fotografias, mas também novos locais e novas tendências.

 

Por mim, fico por aqui, pois amanhã há feijoada e feira em Chaves, que promete ser bem molhada, mas ainda sem frio.

 

 



publicado por Fer.Ribeiro às 01:58
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Segunda-feira, 16 de Novembro de 2009
Chaves de Ontem e de Hoje - Praça do Duque D. Afonso

Vamos lá, mais uma vez, a Chaves de ontem e de hoje, em fotografia, através das quais também se pode fazer um pouco da história e dos acontecimentos desta cidade de Chaves.

 

Felizmente Chaves vai tendo um razoável espólio de fotografias antigas, que vão circulando por aí, sendo até comercializadas pelas casas de fotografia da cidade, onde se misturam antigo e recente, muitas vezes sem se saber qual a origem das fotografias ou a sua data. “Roubadas” de ilustrações e livros, reproduzidas de antigos postais, sucessivamente, vão perdendo qualidade em cada reprodução.

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Praça do Duque em 1909

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Desconhecendo-se a origem, é também difícil localizá-las no tempo em que foram tomadas. A qualidade ou falta dela, nas reproduções que por aí abundam, também não são indicativas da sua idade, pois há por aí alguns exemplares em bom estado que são bem mais antigas que outras, que por se apresentarem envelhecidas, parecem de mais idade.

 

Não foi fácil assim apresentar por ordem cronológica as fotos que hoje vos apresento, embora, graças a alguma documentação, não seja difícil enquadrá-las no tempo, com um erro mínimo de mais ano, menos ano.

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Praça do Duque em 1909

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Então vamos aos ingredientes e dados que me serviram de apoio para as datar no tempo e num espaço de 100 anos que vai desde a primeira foto, que rondará o ano de 1909 e a última, que foi tomada às 18 horas, 30 minutos e 6 segundos do dia 14 de Novembro de 2009. A vantagem da fotografia digital e das informações escondidas no seu exif, dão-nos estes e muitos mais pormenores na fotografia actual, que, nunca enganam.

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Praça do Duque em 1909

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Pois se repararem bem nas fotos há umas em que o edifício da Câmara aparece com relógio, outras sem ele. Noutras aparece o pelourinho no meio da Praça do Duque, depois há edifício da Câmara com relógio e pelourinho e sem pelourinho mas com relógio e sem ambas as coisas. Mais tarde, muito mais tarde, aparece a estátua do Sr. Duque e a Câmara com relógio, mas sem pelourinho.

 

Também se repararem no edifício dos antigos Paços do Duque, hoje Museu Municipal, aparece com dois pisos ou com três, com muitas ou poucas janelas, com tropa à porta ou sem tropa.

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Praça do Duque em 1911

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Outra das diferenças entre as fotos são as árvores da praça, ou seja, com ou sem, grande e pequenas.

 

Por fim, uma cerimónia na praça, conhecida pela celebração de um acontecimento.

 

Todos estes ingredientes e a recolha de dados, levam-nos até às datas das fotos.

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Praça do Duque em 1914

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Comecemos pela cerimónia na praça que vem reproduzida em livros das primeiras comemorações dos 100 anos das guerras peninsulares que decorreram no ano de 1909. Se repararem nas fotos de 1909, não aparece o relógio da Câmara, nem o pelourinho e, nem poderiam aparecer, pois foram lá colocados à posteriori.

 

Quanto ao pelourinho, embora hoje esteja na Praça da República, antes de estar aí colocado, fez a sua passagem pela Praça do Duque. E embora não tivesse encontrado dados quanto à sua localização no Século IXX, sei que no início do século XX ele estava escangalhado e só por ordens de Lisboa da então recente República é que os pelourinhos nacionais foram reconstruídos. Chaves também recebeu notificação para a reconstrução do pelourinho, o que fez em 1911, colocando-o no local que se vê nas fotografias.

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Praça do Duque nos Anos 50

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Quando à deslocação do pelourinho para a Praça de República, também não encontrei dados, mas nunca poderia ter sido antes de 1920, pois até essa data, existia por lá a famosa casa dos arcos, só demolida nesse ano.

 

Quanto ao relógio, há quem por aí defenda que foi oferecido pelo proprietário do Hotel Comercio em troca da Câmara lhe ter permitido um acesso directo Hotel (passadiço) a partir da Ponte Romana. Acesso que ainda hoje existe. Embora as datas da execução desse passadiço e da colocação do relógio até sejam próximas e, o pagamento de favores por parte dos privados à ao poder até ainda hoje seja notícia (basta ligar a televisão e ler os jornais), parece que tal não aconteceu, pelo menos oficialmente, pois há documentos que rezam a aquisição do relógio por parte da Câmara no ano de 1914.

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Praça do Duque em 2006


Por último, a datação da fotografia/postal que eu aponto para meados do Século XX. Come este era fácil datá-lo, não me preocupei com ele e, vai daí que cheguei à hora de fecho da edição deste post sem conseguir encontrar dados, mas uma coisa eu sei, este postal é o último de uma edição da Casa Geraldes e fui eu que o comprei nos anos 70, quando esta colecção ainda estava em venda ao público na Casa de S.João, da família Geraldes. Ou seja, nem havia como passar pela Casa de S.João e perguntar ao Sr. Lila Geraldes quando a edição foi feita. Mas o facilitismo faz-nos sempre perder alguns dados que até podem ser importantes. Mas este é fácil de resolver.

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Praça do Duque em 2006


Quanto às fotografias a cores, embora idênticas e actuais, entre elas, também já há uma distância temporal de 3 anos. As primeiras são de 2006 e a última de há um dia atrás. Mas mesmo que não tivéssemos estes dados, obrigatoriamente tinham de ser posteriores a 1970, pois só a partir dessa data é que o nosso Duque D. Afonso passou a dominar a sua praça e pelo fenómeno "pombas nos telhados", posterior a 1980 e picos.

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Praça do Duque em 2006


Como podem observar, desde que não haja maroscas de photoshop, até nem é difícil irmos ao encontro das datas das fotos.

 

Por último, gostaria de estar por cá daqui a 100 anos para poder ver a evolução desta praça, pois a moda da pedra dos arquitectos e outros que tais, não vai durar sempre, e quem sabe, se mais ano menos ano, em nome do ambiente, não nascerão por aí árvores e jardins em tudo quanto espaço público. Assim a moda pegue ou os arquitectos troquem a pedra pela erva!

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Praça do Duque às 18:30:06 horas de dia 14 de Novembro de 2009

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Até amanhã.

 

 



publicado por Fer.Ribeiro às 02:39
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