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Sábado, 23 de Julho de 2016

Castelo de Monforte - Chaves - Portugal

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:44
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Sexta-feira, 22 de Julho de 2016

Cidade de Chaves - Largo do Arrabalde

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:06
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Quinta-feira, 21 de Julho de 2016

O Factor Humano - Sempre a questão da humanização

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Sempre a questão da humanização

 

Na sua mão imensa expunha os mosquitos artificiais. Aí estavam a “falangista” (vermelha e amarela) e o famoso “ nazareno” (roxo). Olhava-os com a mesma seriedade com que antes tinha estudado os evangelhos. Indiferente ao frio, à chuva e ao facto de ainda não ter ainda pescado nenhuma truta no rio Terva, nesse dia de Março, dos inícios dos anos 80.

 

Parecia o que sempre foi: um “velho e bondoso filósofo”, uma torre consistente, sólida, tranquila, humana.

Depois largava dois “peidos”, como trovões, e ria-se infantilmente.

 

Escolhia então os mosquitos e pacientemente montava o aparelho de pescar. Retomava a sua pesca, tão inútil, tão maravilhosa.

 

Esta é uma imagem, memória mais ou menos fiel, de um dia de pesca com o meu primo César.

 

Não me recordo de nenhuma memória dele, que não seja agradável.

 

Há umas semanas atrás, com 77 anos, teve um AVC extenso, na cidade de Madrid.

 

Fui visitá-lo a um hospital de reabilitação no passado fim-de-semana. A sua expressão de alegria, quando me viu, vinda do fundo do poço onde mergulhou e a sua exclamação “Pité!”, valeu por todas as viagens.

 

Impossível não reflectir sobre a humanização dos cuidados de saúde. Até porque estamos perante um ser tão humano.

 

É importante e útil que os profissionais de saúde, em especial os médicos, tenham vivências, directas ou indirectas, como utentes dos serviços públicos de saúde. Estas experiências podem ajudar a humanizar a nossa actuação profissional. Ajudar-nos a perceber a importância das questões “não técnicas”. A importância da postura, do carinho, da simpatia, da disponibilidade que devemos ter. Mesmo quando a disposição e os ritmos de trabalho são difíceis ou quando as remunerações são baixas.

 

É triste uma sociedade reduzida a números e a rentabilidades, abandonando os mais desprotegidos, os doentes crónicos, os incapacitados crónicos.

 

Vai havendo algum dinheiro público, agora mais reduzido, para as questões técnicas da saúde. Mas faltam auxiliares, enfermeiros, médicos, simples companhia para os doentes. Dei por mim a pensar a diferente situação que vi em Cuba. Lá há muito menos dinheiro para as questões técnicas da saúde, mas mais recursos humanos, mais humanização, que se traduz tantas vezes em mais eficácia e em ganhos maiores na saúde, vista como um todo. Até nós, como sociedade, nos vamos desumanizando mesmo no acompanhamento aos nossos mais próximos, quando mais necessitam. Mesmo na contestação política e social, muito se fala das questões técnicas e menos se fala das questões humanas. Os resultados estão à vista.

 

Confio que poderei um dia rediscutir este tema com o meu primo César, ouvi-lo contar a sua experiencia, a sua paciência infinita, a sua tranquilidade, como se continuasse a escolher os mosquitos da sua vida.

 

Manuel Cunha (Pité)

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 02:44
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Cidade de Chaves - Uma imagem

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:52
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Quarta-feira, 20 de Julho de 2016

Quente e Frio!

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II

A Turma da alínea F) era mista.

 

Os Rapazes desceram as escadas para o pátio de recreio dos Rapazes.

 

As Meninas desceram pelas escadas do pátio de recreio das Raparigas.

 

Porém, Rapazes e Meninas vestidos com capa e batina, a maioria já a frequentar o 7º Ano, desceram pelas escadas da porta principal, mais pertinho da “Toca da Raposa”.

 

Como é natural e frequente, vão-se formando pequenos grupos, fermentados pela curiosidade estimulada pelo «donde és», «donde vens», «que queres ser», ou se «sabes onde é a «Meia-laranja», o «Codeçais», a «Patrulha», ou, ainda, se já ouviste falar do “Regadinho”, das «ganchas do S. Brás» e dos «pitos de Santa Luzia».

 

E uma visita a «Trás do Cemitério”, na Vila Velha, de Vila Real, é mais sacramental do que «ir a Fátima a pé» ou a Roma ver o Papa!

 

No pátio do recreio dos Rapazes, meia dúzia de palmos elevado, há um pequeno recinto cimentado, separado por uma rede.

 

O “Rapaz da Terra Fria” perguntou a um do grupo que saía do Liceu com ele para que servia aquele pedaço roubado ao recreio.

 

O Zé da Cumieira, tarimbado no Liceu desde o 1º Ano, esclareceu:

 

- É para o «Hóquei em patins».

 

Mas logo acrescentou:

 

- O nosso verdadeiro «rinque» é ali na «Bila Velha», em terra solta, batida com as nossas tacadas e os nossos tombos, dadas com «setiques» feitos de toros de giestas, já que freixos e marceneiros à mão não temos, e, e os «setiques», em vez de «pá»…

 

- … tem uma moca a quem foram aparadas as barbas das raízes!  - interrompeu o “Rapaz da Terra Fria”.

 

O grupo parou «num repente»!

 

O Zé da Cumieira e o Garfejo olharam um para o outro com o maior espanto do mundo espetado na cara!

 

- Chamas-te “Belasco”?! – interroga o Zé da Cumieira, agora com o espanto já espalhado pela voz.

 

- Não me digas que és «Bouçós» - exclama, para não se ficar atrás na «admiração», o Garfejo.

 

- “Bós aqui jogaides o «óquei em patins» no «faz de conta»; na minha terra joga-se a «CHOCA» como debe ser”!

 

Que bem lhe soube ao “Rapaz da Terra Fria” falar deste modo!

 

O grupo foi dar a volta por «Trás do Cemitério Velho».

 

Mesmo aqueles que estão habituados às serranias, aos córregos e aos desfiladeiros, apreciam com encantamento os moldes que o Corgo e o Cabril esculpiram naquelas faldas do Marão, nas vésperas do seu abraço.

 

O Zé da Cumieira, satisfeito com a simpatia e a franqueza dos novatos do grupo e com a amizade já feita com os «tarimbeiros», convidou aquele magote de, mais ou menos, uma dúzia de «pré-universitários» a irem comer um «mil-folhas» ou um «jesuíta» à “GOMES NOVA”!

 

Uma vez mais, «para não se ficar atrás», o Garfejo acrescentou:

 

- Ou então vamos à «ROSAS» comer um «pastel de nata»!

 

E assim se davam as boas-vindas aos noviços colegas do Liceu Camilo Castelo Branco!

 

(continua)

 

 

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 03:00
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Crónicas Estrambólicas - Portugal, o maioral!

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Portugal, o maioral!

 

Para mim, Portugal é o melhor país do mundo, nem que seja por sentimental reasons (como diriam os panascas dos meus amigos da cidade, que passam a vida no caralho das lounges a comer tapas, sushis e essas merdas, mas que nem imaginam o que é um rojão do soventre. Se calhar é por isso mesmo que são uns palermas deslumbrados com a merda do sushi e do caralho que os foda...). Tirando as razões sentimentais, é muito fácil de ver que Portugal não é o melhor mas é dos melhores países do mundo. Basta ir consultar as tabelas daquilo que verdadeiramente interessa. Na esperança média de vida, estamos em 21º, à frente da Alemanha ou dos EUA. Há 200 países no mundo. A esperança de vida diz muito da qualidade de vida das pessoas. Na lista do Social Progress, estamos em 18º, à frente da Espanha ou da França. Na mortalidade infantil estamos entre os 10 melhores. Podia ir buscar mais um ou dois índices, dos que importam, mas não vale a pena, sei que estamos sempre, mais ou menos coisa, entre os 20 melhores dos 200, ou seja, de 0 a 10 temos 10. Pensando nestas merdas, não achais que é uma seca do caralho ter que estar sempre a aturar os discípulos do Eça, sempre a botar abaixo, a dizer mal de tudo, que eles estavam bem era em Paris ou em Londres? Ainda por cima só nos comparam com 2 ou 3 países de top e em coisas específicas, o que é absurdo, porque assim não havia países que dormissem descansados. Coitados dos austríacos se andassem por aí deprimidos por não terem nenhuma universidade nas 100 melhores ou por nunca terem ganho um campeonato mundial de hóquei em patins. Também não estamos numa altura tipo camoniana em que se podia mandar calar os gregos e os troianos ou Trajano e Alexandre (O Camões esticava-se p´ra caralho, é como estes tarados que acham que somos os maiores do mundo porque houve uma das 500 revistas espanholas disse que temos uma praia que é a melhor do mundo, baseada em comentários de sabe-se lá bem quem...). Tirando os exageros para um lado e para o outro, o que eu sei é que esta merda é muito fixe, tenho perfeita consciência que nunca vamos ter uma NASA e em vez disso teremos algumas aberturas de telejornal onde se conta que se descobriu que uma das 5000 mulheres da limpeza da NASA é tuga, talvez até consigamos meter lá um engenheiro, mas a verdade é que eu estou-me a cagar para essa merda. O que eu sei é que as naves e os satélites não me ajudam em nada a afumar a chouriçada, e em chouriçada, nem que eles se fodam todos, todos os anos somos campeões do mundo por larga margem. A mim, para me mudar para as finesses das Noruegas ou das Finlândias ou de NY ou de Londres, tinham que me pagar e não era pouco, ide-vos lá foder vós e a burrice! Aliás, um gajo vai a NY e nas montras é só merdas do estilo "European Food", "European Hair Style", etc. Concluindo: parolos e complexados há-os em todo o mundo, mas comedores de bom fumeiro só aqui em Barroso. Emigrai todos lá para as NY's que mais sobra, fodei-vos!

 

Luís de Boticas

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 02:43
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Imagens para gregos e troianos e texto para quem quiser ler e entender…

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A cidade e antiga vila de Chaves sempre teve uma larga e rica tradição militar, e para a história ficaram, como prova dessa riqueza, o que de melhor se fez em arquitetura militar, incluindo no conjunto as atuais instalações do Regimento de Infantaria. Pena que nem todas essas obras tenham chegado até nós, aos tempos de hoje, com toda a sua grandeza, tal como as muralhas medievais e mesmo as seiscentistas, aí teriamos um tesouro, mas mesmo assim mantemos em bom estado a Torre de Menagem e as duas fortalezas do Forte de S.Francisco e do Forte de S.Neutel, aliás, que eu conheça, Chaves é a única cidade com duas fortalezas, mas pouco proveito tiramos disso e de todo o conjunto.

 

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Certo que o Forte de S.Francisco, transformado em hotel, lá vai cumprindo a sua missão, apenas penso, que quando os imóveis são públicos e concessionados a privados, como é o caso do Forte de S.Francisco,  deveria haver contrapartidas para a população local, nomeadamente em termos culturais. Já quanto ao Forte de S.Neutel, que infelizmente só abre uma vez por ano para saudosistas fazerem uma festa em honra da Nossa Senhora das Brotas, se é que se pode chamar festa à coisa… bem poderia ter uma animação bem diferente. Já tem muitas das condições que se exigem, principalmente a nível de auditório aberto, outras se exigiam, é certo, mas não são coisas do outro mundo e perfeitamente executáveis, como executável seria que durante os três meses de verão, principalmente no mês de agosto, o espaço fosse um espaço de entretenimento e também de cultura.   

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 02:30
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Terça-feira, 19 de Julho de 2016

Chaves D'Aurora

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2 - ESPERA

 

Naquele momento, porém, Aurora não se havia com mais nada, senão a obsessiva espera de algo. A melhor dizer, de alguém.

 

Nesse entretanto de ânsias, àquela densa friagem do porto, punha-se a observar, lá em baixo, alguns passageiros retardatários ou se distraía com a azáfama dos carregadores portuários, a imaginar se alguns pingos de suor lhes estariam a congelar sobre as faces, enquanto conduziam, para dentro do paquete, imensos baús, quadrados, cilíndricos, redondos; grandes arcas encouradas; malas de viagem de vários tamanhos, em estruturas de madeira forradas de couro ou de papel encerado, cujas hastes e fechaduras eram recortadas com arabescos de metal; tonéis de vinho tinto, branco, rosé e do Porto; bacalhaus e sardinhas de exportação ou para servirem, como os enchidos e outros farnéis, de refeição aos tripulantes e aos demais viageiros; tantas coisas, enfim, que iriam preencher os vários nichos bagageiros do porão do navio, durante a longa travessia.

 

Na verdade, o olhar de Aurora dirigia-se para além dos próprios olhos e se perdia ao longe, entre névoas de espera. Para tanto ou quanto dessa esperança, a fé de que “ele” chegará como um romano e a raptará, sabina, para algum vale perdido entre colinas distantes, onde uma Roma só deles será então construída. Para bem longe de tudo aquilo que ora, e em tão recente outrora, ou, mais ainda, em uma e outra aurora, tanto a fez sofrer.

 

Talvez venha a cavalo como um príncipe, para resgatar a menina Rapunzel da sua torre de angústia; ou, se calhar, ele surja de repente em um dirigível aéreo, como os do senhor Júlio Verne, para com esse balão darem voltas ao mundo em oitenta dias, a um tempo em que os dois nem se haveriam de dar conta de nada, sequer de contar o tempo.

 

Uma e outra vez, estão a brilhar suas meninas dos olhos, com uma alegria maior do que a das pupilas do Senhor Reitor, de Júlio Dinis. É quando algum homem no cais volta a cabeça para cima, como se quisesse com os olhos desvirginar o nevoeiro e conduzir os seus atrevidos glóbulos oculares a se abraçarem com os dela. Mas não, aquele lá, o outro ali e o mais além, nenhum deles é o seu amado, esperado, esper’amado, protagonista desse amor de perdição, a que nenhum Camilo Castelo Branco alcançava descrever.

 

Eis que, então, sem desviar os olhos do cais, pressente no chão do convés os passos de um homem que se aproxima. Parece sair de entre as fímbrias de luz da nebulosa manhã, mas ela tem certeza, é ele sim. É Dom Sebastião voltando d’África para os destinos de seu Portugal interior. É um dos irmãos Garcia Lopes que vem expulsar os mouros que a atormentam e estão a causar suas inquietudes de mulher e amante.

 

De soslaio, percebe um casaco de lã xadrez, a chegar cada vez mais perto de seu apertado coração. Encoraja-se de virar os olhos para esse homem.

 

Seu homem, por certo.

 

Agora ele detém-se bem ali ao seu lado, uma enluvada mão cor de morcela a se estender para tocá-la. Talvez para acariciar os seus louros e longos cabelos ocultos pelo xaile, quiçá o seu belo rosto de jovem rapariga ou, ainda, suas mãos. Estas se acham envoltas na lã que lhe foi cedida por alguma ovelha negra, em um proveitoso tosquio. – Ah enegrecido cordeiro que não tirais os pecados do mundo, mas os carregais convosco! – assim Aurora sentia-se, desgarrada de seu próprio rebanho, pois assim era, aos feitos e aos factos, como ela agora se achava, tida, sentida e contida pelos seus. Mas quem em tal a convertera? O Destino traçado nas constelações? Ou o seu livre, mas impensado arbítrio? Não lhe alcançava, certamente, ser ela apenas um peão a mais no xadrez dos bispos e rainhas, ciosos guardiães da Moral e das Santas Tradições.

 

Ainda hesita em se voltar para trás e olhar dentro dos olhos do amado, mas sabe que essas mãos enluvadas são as mesmas que incerto dia, incertos meses, incertos anos, tocaram as cordas de seu instrumento carnal de sopro e percussão; fizeram vibrar, com intensidade, as fibras mais íntimas de sua alma atormentada.

 

Nem certa de si mesma ela está se, ao revê-lo, haverá de converter os seus pensares em alguns simples dizeres – Oh, és tu, afinal! Diz-me que és tu, de verdade e me abraça antes que eu morra, pois de ventura também se morre! – e, certamente, ele irá dizer, em resposta – Sim, sim, cá estou! Sou eu, minha brasilita, pra não te deixar partir, sozinha de mim, a esses todavias d’ Além-mar; pra te levar comigo aos Açores, à África, ao Timor, a qualquer parte do mundo, enfim, onde possamos viajar ciganos, voejar libertos, navegar felizes.

 

Toca afinal, em seu ombro, a mão enluvada.

 

O coração de Aurora dispara.

 

Estremece.

 

(continua)

 

 

fim-de-post

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 02:18
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Intermitências

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Intermitência de Verão

 

“Se queres compreender a palavra felicidade, tens que entender-la como uma recompensa e não como um fim”.

 

Antoine de Saint-Exupéry

 

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Castelldefels, Catalunha, Espanha. Foto de Sandra Pereira

 

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 01:51
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Segunda-feira, 18 de Julho de 2016

Quem conta um ponto...

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299 - Pérolas e diamantes: o abandono

 

Há coisas que continuamos a sentir mesmo depois delas desaparecerem. Por vezes adormeço a fantasiar com as velhas ruas da cidade e com os rostos jovens dos meus antigos colegas de liceu.

 

O romantismo da infância persegue-nos a todos. Nós brigávamos arremessando paus e pedras uns contra os outros. Saímos quase todos meio abrutalhados. Outro galo cantaria se tivéssemos sido criados, por exemplo, numa fábrica de violinos. As nossas guerras teriam sido muito mais educativas e interessantes, batendo uns nos outros com as rabecas.

 

Talvez as palavras de Tolstoi ganhassem outro sentido: “Fingir diante de si próprio é pior do que fingir diante dos outros.”

 

Ao jantar, as nossas mães até comiam bem. Comiam como crianças. Comiam como nós. No entanto, pareciam sempre ausentes. Sofriam por nós. Muitas das vezes nos sítios onde as não podíamos ver.

 

Engoliam a comida ao mesmo tempo que engoliam a dor.

 

O barulho das brincadeiras das crianças continua a irritar os mais velhos. E o silêncio dos velhos causa mal-estar nos mais novos. Há coisas que não mudam.

 

Por vezes esquecemo-nos da ideia de moderação que nos ensinaram. Refletimos muito. Mas a inteligência parece que já não nos serve para grande coisa, ao contrário do que acontecia antes.

 

Continuamos a gostar apenas do peixe que nos servem no restaurante ou aquele que tenha sido cozinhado de maneira a deixar de parecer peixe.

 

Atraem-nos os diligentes de aspeto limpo e asseado, ainda que ligeiramente descompostos. São sedutores, com o seu sotaque lisboeta e fluentes em inglês, língua que articulam de forma muito agradável. Quando começam a falar, parece que vão dizer qualquer coisa de muito interessante. Mas a verdade é que nunca chegam a ser verdadeiramente originais.

 

Por vezes sei que tenho razão, mas, em muitas ocasiões, parece errado dizer que se tem razão.

 

Acertar e afirmá-lo, pode ser, em certos casos, um erro.

 

Insistir na razão, por vezes, é contrariar a razão do outro.

 

Muitas vezes dizer a alguém que aquilo que diz é certo, pode ser um erro. 

 

Muitas vezes, fazer coisas certas é errado.

 

Por isso é que diversas vezes acertamos quando erramos e outras erramos quando acertamos.

 

Dizem-nos que somos todos muito especiais, só que nunca nos explicam em quê.

 

Há cada vez mais pessoas que se rendem àquilo que lhes dizem que é a realidade. Não possuem nenhuma capacidade de iniciativa face ao que se passa à sua volta. Vivem prisioneiros dos acontecimentos. Uma atitude de conformismo vai tomando conta de nós.

 

Vivemos numa época de abandono.

 

Tonino Guerra, o argumentista de Amarcord, de Fellini, no seu Livro das Igrejas Abandonadas, escreveu esta pequenina história: “Eu abandono Roma, os camponeses abandonam a terra, as andorinhas abandonam a minha aldeia, os fiéis abandonam as igrejas, os moleiros abandonam os moinhos, os montanheses abandonam os montes, a graça de Deus abandona os homens, alguém abandona tudo.”

 

João Madureira

publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
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De regresso à cidade, com a Rua do Poço

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Hoje fazemos o regresso à cidade com a Rua do Poço, em pleno centro histórico e dentro do perímetro da antiga fortaleza medieval, da qual ainda existem alguns troços de muralha visíveis, aliás todo o casario que se vê na imagem, do lado esquerdo da rua, está construído em cima dessa mesma muralha medieval, hoje ainda visível desde a Rua do Sol ou do Largo do Postigo. Uma rua cheia de história onde, por exemplo, existiu o primeiro Liceu de Chaves, no entanto raramente tem passado aqui pelo blog e a razão é muito simples, as intervenções no restauro do casario, suponho que dos anos 50 a 70, são pouco atraentes para a objetiva da câmara fotográfica, bem visíveis ao longo da rua no lado direito da imagem, mesmo que disfarçadas pelo p&b.  

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 01:22
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Domingo, 17 de Julho de 2016

O Barroso aqui tão perto... São Pedro

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Hoje vamos até mais uma aldeia do Barroso, aqui tão perto, que os palulas presumem conhecer mas conhecem tão mal. Mas ainda antes de irmos por aí, fiquemo-nos nos palulas.

 

Como todos sabem, nós por cá, temos alguns regionalismos, alguns utilizados um pouco por toda a região de Trás-os-Montes, outros mais nas terras da raia galega e outros que são mesmo locais. Por cá, vão fazendo parte da nossa linguagem falada e muitas das vezes só nos apercebemos ser nossa, quando fora de portas utilizamos esse termo e nos perguntam o significado, isto,  quando não somos gozados por utilizá-los. Zerbada, carabunha, grabanços ou erbanços, giga. Um desses termos que oiço frequentemente desde miúdo é o palula. Pensava eu que era por cá ( em terras flavienses) que o ouvia amiúde, mas afinal onde o ouvia frequentemente era em Montalegre, quando se referiam aos flavienses, em jeito de troça.

 

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Pois não sei quando começou esta coisa de os de Montalegre chamarem palulas aos flavienses, mas quis saber o que verdadeiramente significava o termo que em Portugal. Procurei em tudo quanto era sítio, dicionários antigos e recentes, na internet, mas em português falante, o termo não existe, erradamente, pois deveria existir. Na realidade o Palula  é uma linguagem Dardic  (línguas dárdicas) falado por cerca de 10.000 pessoas nos vales do Ashret e Biori , bem como na aldeia Puri (também Purigal ) no vale Shishi  e por uma parte da população na aldeia Kalkatak , no distrito de Chitral da província de Khyber Pakhtunkhwa no Paquistão. Internacionalmente falando, segundo o Ethnologue – Languages of de Word, o Palula é uma língua Indo-Iraniana que pertence às línguas Indo-Europeias. Vai daí, que quem nos batizou de palulas pela certa era erudito. Mas não só, pois Palula é ainda um topónimo de uma cidade do México, de outra no Norte da India, de uma região no Malawi e ainda de uma localidade de uma ilha lá bem no meio do oceano pacífico. Mas isto são línguas e topónimos, mas os de Montalegre utilizam-no com outra intenção, e se a conheço bem, eu próprio além de enfiar a carapuça por ser flaviense, tenho mesmo andado a fazer de palula em terras do Barroso. A explicação vem a seguir.

 

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Voltemos então ao início deste post aquando ia dizendo “Hoje vamos até mais uma aldeia do Barroso, aqui tão perto, que os palulas presumem conhecer mas conhecem tão mal.” E é uma realidade, pois a ideia que temos de um Barroso frio e agreste fica desmontada quando começamos a entrar noutros barrosos bem diferentes. Mesmo aqueles que dividem o Barroso em duas partes, em Alto-Barroso e Baixo-Barroso, em suma no Barroso agreste e no Barroso verde,  terão de rever essa divisão, pois agora que o começo a descobrir passo-a-passo, como quem diz aldeia-a-aldeia ou lugar-a-lugar, já levo contados pelo menos cinco Barrosos a caminho dos seis, isto no que respeita ao Barroso de Montalegre, pois falta ainda o de Boticas e o de Chaves.

 

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Embora essas áreas atrás mencionadas já estejam bem definidas no meu mapa do Barroso de Montalegre, falta-me ainda penetrar, no possível, naquela que eu penso ser o tal sexto Barroso, e ainda passar mais detalhadamente por algumas aldeias.

 

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Bem, mas vamos lá a nossa aldeia de hoje, cujo topónimo é São Pedro, localizada entre a Serra do Barroso e a Serra do Geres e entre o Rio Rabagão e o Rio Cávado, mais próxima deste último,  e entre as principais albufeiras barrosas que os rios atrás citados alimentam. Fica então localizada entre duas das mais altas serras portugueses, o que à primeira vista ou impressão poderíamos crer que se encontra num vale, mas não, também São Pedro está na croa de uma montanha ou serra da qual não sei o nome, e igualmente lá no alto com toda a aldeia implantada a mil metros de altitude (mais metro, menos metro).

 

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Mesmo assim, lá nas alturas, as suas terras vestem-se de verde e o seu casario, maioritariamente de granito. Nitidamente são terras de transição entre o Alto Barroso e os outros Barrosos que mais tarde explicarei.

 

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Documentação sobre a aldeia, se a há, não a encontrei, pelo menos nos sítios do costume, ou seja na página oficial do Município de Montalegre e na monografia também de Montalegre, no entanto as imagens que deixo, embora poucas, dão para termos uma ideia da aldeia. Não é grande nem pequena, pela certa é à medida das necessidades dos seus habitantes que, como a maioria das aldeias do interior, sofre do habitual despovoamento e envelhecimento da população, Quanto ao casario, é também o tradicional na maioria das aldeias, com o seu casario de sempre em granito, algumas intervenções mais recentes com construção localizada no último quartel do século passado e sem casario nobre, ou seja, solares e coisas parecidas. Dada a topografia do terreno, onde é possível alguma agricultura, o mais provável é que a aldeia se tenha dedicado mais à pastorícia, pelo menos nos tempos atuais onde a água, em abundância como em todo o Barroso, mantém os campos verdes de pastagens.

 

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E é tudo por hoje, neste Barroso aqui tão perto. No próximo domingo cá estaremos de novo com outra aldeia barrosã do concelho de Montalegre. Hoje só falta mesmo referir as anteriores abordagens deste blog a aldeias ou temas do Barroso:

 

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

Telhado - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-telhado-1403979

Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

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Sábado, 16 de Julho de 2016

As nossas aldeias - uma nova realidade

1600-amoinha (140)

 

Este blog já vai a caminho dos seus doze anos de existência e desde início que as nossas aldeias do concelho têm marcado aqui presença. Até há bem pouco tempo atrás com presenças aos sábados  e domingos e ultimamente só aos sábados. Reduzimos um dia por duas razões, a primeira porque todas as aldeias já marcaram aqui presença várias vezes, umas mais que outras, é certo, mas o facto deve-se à dimensão das próprias aldeias e aos motivos de interesse que oferecem. A segunda razão é a de darmos oportunidade a outras aldeias da região marcarem também aqui presença, daí, ultimamente, dedicarmos os domingos às aldeias de aqui ao lado, do Barroso aqui tão perto, não só pelo interesse dessas aldeias mas também para despertar o apetite à sua descoberta.

 

1600-amoinha (151)

 

Ao longo da existência do blog fui dizendo tudo que havia a dizer sobre cada aldeia e, insistentemente, fui batendo na tecla do despovoamento e do envelhecimento da população rural. Um facto e uma realidade que nos leva a outras realidades daí resultantes e que, ao longo destes últimos anos (duas a três dezenas de anos) foi também transformando a arquitetura das aldeias.

 

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Primeiro as reconstruções e o aparecimento de novas construções nas periferias das aldeias. Isto era no tempo em que os nossos emigrantes ainda apostavam num regresso às suas aldeias e o ser possível fazer aí o resto das suas vidas. E se os primeiros emigrantes, que é parte da população envelhecida de hoje, foram ficando, os mais novos, deram volta atrás, partiram para a cidade ou regressaram de novo à condição de emigrante. Com a ausência de população jovem e o aumento da população envelhecida, as necessidades das aldeias passaram a ser outras. Fecharam-se as escolas, entrando algumas em abandono e outras vendidas a particulares ou cedidas para associações e centros de dia. Ampliaram-se os cemitérios e em várias aldeias foram construídos lares para a terceira idade. Entretanto as casas abandonadas começaram a cair com o peso do seu abandono e as ruas foram ficando desertas de gente e animais, as fontes secaram e os tanques, na maioria vazios, ou mesmo cheios, não passam de depósitos de lixo, deles restando apenas a memória dos lavadouros , ficando para exercício da imaginação a vida e alegria que outrora existia em seu redor.

 

1600-amoinha (159)

 

Embora na maioria das aldeias os resistente se tenham demitido da vida comunitária, mesmo porque sem comunidade é impossível a sua prática, existe também um desleixo e desinteresse pela coisa pública ou comum, em parte porque os novos tempos, erradamente, atribuem essas responsabilidades às Juntas de Freguesia ou à Câmara Municipal onde o poder do povo ou da comunidade na gestão da coisa comum deixo de existir, o mesmo que outrora  era geralmente regulado pelo bom senso da maioria no interesse da aldeia. Esse “poder” foi cedido ou exigido pelas junta de freguesia onde, em vez dos interesses da população se passou a olhar mais pelos interesses dos fregueses, principalmente dos fregueses seus eleitores, gerando-se nas aldeias e freguesias dois grupos de população, os da situação e os do contra a situação. No entanto, ao menos isso, há uma coisa que nunca deixou de ser do interesse de toda a população , onde em seu redor pode estar tudo a cair ou em ruínas, ou cheio de lixo, ou silvas, ou mato – em suma – abandonado e desprezado, mas essa coisa tem sempre os mimos da população. Falo-vos das capelas e igrejas, e não é só por uma questão religiosa, mas por ser uma das poucas coisas que fica fora da gestão do poder político e das politiquices e que, na realidade é verdadeiramente comunitária, de todo o povo, tal como as ruas e os largos, os tanques, as fontes, os fornos comunitários e etc. deveriam ser.   

 

As imagens de hoje poderiam ser de uma qualquer adeia, mas são da Amoínha Velha.

 

 

publicado por Fer.Ribeiro às 19:27
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Pedra de Toque - Fazes-me falta!...

pedra de toque copy.jpg

 

FAZES-ME FALTA!...

 

Preciso de te escrever.

 

Sinto saudade do teu comentário e de ti, que estás por detrás dele.

 

Tenho andado amargo, azedo, incapaz de tolerar a indignidade que me cerca, a desonestidade intelectual com que me cruzo, a mediocridade instalada, os interesses inconfessáveis e mesquinhos.

 

Indispõem-me a mentira, a presunção, a vaidade e as escadas que trepam os cabotinos para com injustiça subirem a lugares que não merecem.

 

E depois a barbárie que chega de todo o mundo, que vitima seres quase sempre inocentes, perante o silêncio ensurdecedor dos grandes senhores da terra.

 

O azedume que me consome é por vezes tamanho, que me visto de tristeza e me isolo dentro de mim.

 

Hoje escrevo-te porque a memória de ti me amacia a vida.

 

Trazes-me o sorriso aos olhos.

 

Os meus lábios humedecem-se.

 

E rogo para que as tuas duas mãos, e outras que podes inventar se aquelas não bastarem, me cubram o corpo todo.

 

Eu agradecido, acariciarei a lisura da tua pele, em vertigem, do rosto até ao teu ventre.

 

Vou então, serenando, esquecendo, graças à magia que me transmites, despindo-me da tristeza que a vida tantas vezes me provoca.

 

Ontem no limbo do sonho, o teu amor produziu-me palavras febris.

 

Tapei teus poros com meus beijos.

 

Avermelhei teus lábios com minha saliva.

 

O frenesi, as buganvílias, os jasmins, as águas do rio em que me espelho, pacificaram-me.

 

Meu amor, fazes-me tanta, tanta falta…

                       

António Roque

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 17:56
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Sexta-feira, 15 de Julho de 2016

Discursos Sobre a Cidade - Por Francisco Chaves de Melo

discursos-chico

 

Viúvas de vivos.

 

Por vezes a angustia invade o dia de um homem! Uma lembrança, um acontecimento furtuito, pequenos nadas, transportam-nos para outros tempos.

 

Acontece que também esses tempos se assemelham aos que vivemos agora. Parece até que a natureza da história humana não muda no essencial.

 

Digo-o porque para mim o essencial não é o telemóvel nem o facebook. Pois é!

 

Não são o essencial porque não me permitem viver como gosto, no contacto quotidiano com o outro. Com o meu semelhante!

 

Mas esta opinião está a mudar.  Não tanto por agora estar mais sentado em casa que a passear pela rua, mas porque muitos dos meus familiares e amigos partiram da terra e a tecnologia sempre me permite vê-los e ouvi-los.

 

Também fiz viagens para longe da terra, mas pude regressar. Havia antes fronteiras! Muitas, diversas, mais que políticas! Foram desaparecendo, já não nos prendem.  O desígnio da região, das gentes, cumpria-se além Atlântico, na França, na Alemanha e na Suíça. Na gesta da emigração.

 

Hoje a emigração já não é o tempo das “viúvas de vivos”, da poetisa Rosalía de Castro.

 

Deixo-vos o poema:

 

Este parte, aquele parte

e todos, todos se vão

Galiza ficas sem homens

que possam cortar teu pão

 

Tens em troca

órfãos e órfãs

tens campos de solidão

tens mães que não têm filhos

filhos que não têm pai

 

Coração

que tens e sofre

longas ausências mortais

viúvas de vivos mortos

que ninguém consolará

 

Hoje partem todos, homens, mulheres, jovens e menos jovens. Os que têm crianças levam-nas com a família.

 

Existe o sentimento generalizado de que o futuro está lá fora!

 

Eu ainda não me resigno! Acredito que é um mal passageiro, que podemos aqui construir o nosso futuro.

 

Temos de mudar!

 

Francisco Chaves de Melo

 

publicado por Fer.Ribeiro às 01:41
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