Sábado, 7 de Abril de 2007

Foi aqui que pediram folares!?

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Foi aqui que pediram folares!? Pois então vamos à procura deles e dos seus “passos”.

 

Nesta quadra, em Chaves concelho, é proibido não ter folar em casa. Do pequeno-almoço até à ceia, acompanhado por café, leite, chá, vinho branco ou tinto, cerveja, mas sempre de copo ou caneca na mão, o folar é rei e senhor de qualquer mesa.

 

Mas há folares e folares, e sem desprezar o folar de outras terras, como o de Chaves não há. Há, isso sim, muita mestria na sua confecção e nos ingredientes, que para darem um bom folar, terão que ser todos caseiros – ovos, linguiças, salpicões, presunto e até as carnes gordas, o segredo de uma boa farinha e depois o mais importante de tudo – umas mãos que saibam amassar, aquecer e temperar o forno e dosear tempos e ingredientes. Podem crer que mãos assim não há muitas.

 

 

 

 

Como hoje é sábado, dia de irmos até ao concelho rural, propus-me procurar mãos mestras numa aldeia. Podia ser qualquer aldeia do concelho, pois em todas elas há boas mãos para folares, mas como o tempo já era pouco, decidi-me por uma aldeia aqui à porta e tocou a sorte a Vilar de Nantes.

 

 

 

 

Claro que nestas aventuras temos de ter sempre a cumplicidade de alguém e em Vilar tinha de recorrer à cumplicidade de um amigo que sabe sempre tudo e conhece toda a gente – o Costa. Dito e feito, em apenas alguns minutos estávamos dentro do forno da Tia Luísa que por sorte estava a preparar a sexta fornada do dia.

 

Mas antes dos pormenores, vamos à receita:

 

FOLAR DE CHAVES

Ingredientes:

(Para dois folares)

 

- 1 Dúzia de ovos caseiros

- 1 kg de farinha (55)

- 125 Gramas de manteiga

- Presunto de Chaves q.b.

- Linguiça caseira q.b.

- Salpicão caseiro q.b.

- Carne gorda de porco q.b.

- Uma chávena (de café) de azeite da região

- Fermento q.b.

- Sal grosso q.b.

 

 

 

 

Preparam-se as carnes, cortando-as em pedaços pequenos, batem-se os ovos e vão-se misturando e amassando com farinha, junta-se a manteiga derretida, azeite, fermento e sal, depois de bem amassado põe-se a massa a levedar durante 20 minutos. Depois de levedada, separa-se a massa, juntam-se as carnes, forma-se o folar e põem-se a dormir enquanto se põe o forno no ponto. Depois do forno pronto, metem-se os folares e aguarda-se entre 45 minutos a 1 hora (dependendo do aquecimento do forno). Tiram-se, e “prontos”, basta uma faca para cortar e está pronto a ser comido e deliciado.

 

 

 

 

Parece fácil, mas é preciso ter mãos e saber amassar, saber as doses do q.b. e até saber aquecer devidamente o forno, onde até a lenha que se queima, não é uma lenha qualquer, e depois é só ter a arte e a mestria de os saber fazer, arte que vai passando de geração em geração, de mães para filhas, que embora sem segredos nem truques, há que saber todos os pormenores e sobretudo muita experiência.

 

Pois ontem tive a sorte de chegar no momento certo ao forno da Tia Luisa e de assistir à sexta fornada do dia. Com o forno quente e os folares já bem dormidos, foi só meter ao forno e esperar a cozedura. Mas enquanto coze e não coze, a Tia Luísa “botou” mãos à amassadura da sétima fornada do dia, a última, pois eram quase 6 da tarde e já estava no forno desde madrugada, já era tempo do merecido descanso. Amassa e mais amassa, dois dedos de conversa pelo meio e aí estava a sétima fornada a levedar, uma espreitadela ao forno, agarrar na pá e está pronta a sexta fornada. Como tinha a visita do blogueiro de serviço, há que abrir um folar quentinho, mas sem carne porque o dia é de jejum e, aqui cumprem-se rigorosamente, um copo dos que não partem, vinho do caseiro para o engasgo, e quanto ao resto…não sei como traduzi-lo em palavras. Só vos posso dizer que tanto o folar como o vinho, eram muito bons.

 

 

Ainda quente, havia que prova-lo, com um copo de tinto

 

 

Só falta mesmo agradecer ao amigo Costa e à Tia Luísa por nos abrir a porta do seu forno e pela prova que ficou aprovada e com distinção, sem a colaboração dos quais este post não seria possível.

 

 

A Tia Luísa

 

 

Quanto ao folar só resta desejar aos flavienses presentes que façam bom proveito do folar que têm em casa, o mesmo desejo aos flavienses ausentes que receberam um folar da terrinha, quanto aos outros flavienses ausentes que não receberam o folarzinho da terrinha, há que ter paciência, deixo-vos com as fotografias e o mais que posso fazer, é comer uma fatia de folar por vos.

 

Uma boa Páscoa para todos e até amanhã em mais uma aldeia.

 

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:30
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9 comentários:
De Jose Goncalves a 7 de Abril de 2007 às 14:13
Venho por este meio desejar ao Sr Fernado e users do blog uma Pascoa muito feliz com muito folar de Chaves ha mistura.

Eu aqui nao fiz folares ja que eh mais facil ir ha "Chaves Bakery" compara-los assim como umas boas natas que eles fazem como ninguem.

Um abraco dos Estados-Unidos



De anitta a 7 de Abril de 2007 às 19:30
olá boa tarde eu já sabia que a d.luisa fazia muito bem o folar e o pão, mas não sabia que iria a estrela principal da Pascoa! sinceramente adorei, os folares estão que fazem agua na boca ... beijinhos e pascoa feliz


De costa a 7 de Abril de 2007 às 23:12
Está de parabens o bloguista que não sendo pessoa destas "lides" consegui fazer um "retrato" fiel dos verdadeiros passos do nosso tão afamado e delicioso Folar...
Quanto à receita, para não atrapalhar mais a tia Luisa que por alguma tradição lá vai dando continuidade a estas épocas, a mesma foi concedida por uma pessoa mais nova mas conhecedora da matéria e que tambem lá faz a sua perninha nestas tradições... pois já havia feito tambem duas fornadas...
A todos eu que sou o cumplice posso dizer-vos que o nosso amigo Fernando, aguentou muito bem a tradição destas lides num forno onde tudo está a preceito até o fumo que abunda, mas são ossos do oficio...
Aproveito para a todos em geral, Portugueses em particular e Flavienses em destaque, aqui ou em qualquer parte do Mundo para desejar Uma Santa e Feliz Páscoa na companhia destes deliciosos folares... já que não pode ser ao vivo que seja pelo menos com a delicia destas imagens e desta descrição tão curta como tão autêntica...
Páscoa Feliz...


De afonso cunha a 9 de Abril de 2007 às 22:53
Felizmente este ano tive a oportunidade de dar uma fugida à terrinha e poder provar esta e outras maravilhas.
As novas vias dão alento para repetir as visitas com mais frequencia.


De sandra a 16 de Março de 2008 às 22:11
olá, tem um especto delicioso. NA próxima quarta feira vou a minha aldeia para fazer e comer o folar.
As fotos estão fantásticas.
Beijos.


De Olga a 1 de Abril de 2010 às 18:26
Olá Flavienses ,

Por terras dos Estados Unidos , podem encontra-se folares em alguns locais de mais concentracão de comunidade Portuguesa, mas nenhum como os da minha linda terra ( Chaves). Ai que saudades...
Quero no entanto agradecer ao Sr Ribeiro e a Dª Luisa estas maravilhosas fotos que tanto nos alegram a vista e o coracão.

Beijinhos e votos de uma Santa Páscoa desde Providence, Estados Unidos da América.


De ALDO SALGADO a 25 de Abril de 2011 às 22:39
BOA TARDE A TODOS
COMO BOM FILHO DE CHAVES FIQUEI MUITO TRISTE POIS NÃO COMI O NOSSO FOLAR ESTE ANO.
MAS FICO FELIZ AO SABER QUE MINHA FAMÍLIA NOS ESTADOS UNIDOS ESTÃO MANTENDO AS TRADIÇÕES.
AQUI NO BRASIL ESPECIALMENTE NO RIO DE JANEIRO AINDA CONSIGO UNS BONS FUMEIROS.
CLARO QUE COM UM BOM VINHO RSRSRSS
BEIJOS


De Anónimo a 13 de Setembro de 2011 às 05:38
Sou filha de portugueses cresci saboreando toda a tradição culinária da terra de meus pais e avós. Perdi minha linda avó em setembro de 2010. O folar era o presente dos netos. hoje ficou a saudade que amenizamos presenteando uns aos outros em nossos aniversários. Minha família é de Vilar de Nantes, estive na terra natal de minha mãe há alguns anos. Meu avô, Manoel Cunha, era oleiro em Vilar. Em breve espero em Deus levar meus filhos para conhecer a história de nossos antepassados.


De Anónimo a 5 de Abril de 2014 às 18:46
Como nao tenho forno a Lenha podem-me emformar qual a temperatura do forno eletrico caseiro e mais ou menos o tempo que e presiso para que ele fique pronto


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