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Foi aqui que pediram folares!? Pois então vamos à procura deles e dos seus “passos”.
Nesta quadra, em Chaves concelho, é proibido não ter folar
Mas há folares e folares, e sem desprezar o folar de outras terras, como o de Chaves não há. Há, isso sim, muita mestria na sua confecção e nos ingredientes, que para darem um bom folar, terão que ser todos caseiros – ovos, linguiças, salpicões, presunto e até as carnes gordas, o segredo de uma boa farinha e depois o mais importante de tudo – umas mãos que saibam amassar, aquecer e temperar o forno e dosear tempos e ingredientes. Podem crer que mãos assim não há muitas.

Como hoje é sábado, dia de irmos até ao concelho rural, propus-me procurar mãos mestras numa aldeia. Podia ser qualquer aldeia do concelho, pois em todas elas há boas mãos para folares, mas como o tempo já era pouco decidi-me por uma aldeia aqui à porta e tocou a sorte a Vilar de Nantes.

Claro que nestas aventuras temos de ter sempre a cumplicidade de alguém e em Vilar tinha de recorrer à cumplicidade de um amigo que sabe sempre tudo e conhece toda a gente – o Costa. Dito e feito, em apenas alguns minutos estávamos dentro do forno da Tia Luísa que por sorte estava a preparar a sexta fornada do dia.
Mas antes dos pormenores, vamos à receita:
FOLAR DE CHAVES
Ingredientes:
(Para dois folares)
- 1 Dúzia de ovos caseiros
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- Presunto de Chaves q.b.
- Linguiça caseira q.b.
- Salpicão caseiro q.b.
- Carne gorda de porco q.b.
- Uma chávena (de café) de azeite
- Fermento q.b.
- Sal grosso q.b.

Preparam-se as carnes, cortando-as em pedaços pequenos, batem-se os ovos e vão-se misturando e amassando com farinha, junta-se a manteiga derretida, azeite, fermento e sal, depois de bem amassado põe-se a massa a levedar durante 20 minutos. Depois de levedada, separa-se a massa, juntam-se as carnes, forma-se o folar e põem-se a dormir enquanto se põe o forno no ponto. Depois do forno pronto, metem-se os folares e aguarda-se entre 45 minutos a 1 hora (dependendo do aquecimento do forno). Tiram-se, e “prontos”, basta uma faca para cortar e está pronto a ser comido e deliciado.

Parece fácil, mas é preciso ter mãos e saber amassar, saber as doses do q.b. e até saber aquecer devidamente o forno, onde até a lenha que se queima, não é uma lenha qualquer, e depois é só ter a arte e a mestria de os saber fazer, arte que vai passando de geração em geração, de mães para filhas, que embora sem segredos nem truques, há que saber todos os pormenores e sobretudo muita experiência.
Pois ontem tive a sorte de chegar no momento certo ao forno da Tia Luisa e de assistir à sexta fornada do dia. Com o forno quente e os folares já bem dormidos, foi só meter ao forno e esperar a cozedura. Mas enquanto coze e não coze, a Tia Luísa “botou” mãos à amassadura da sétima fornada do dia, a última, pois eram quase 6 da tarde e já estava no forno desde madrugada, já era tempo do merecido descanso. Amassa e mais amassa, dois dedos de conversa pelo meio e aí estava a sétima fornada a levedar, uma espreitadela ao forno, agarrar na pá e está pronta a sexta fornada. Como tinha a visita do blogueiro de serviço, há que abrir um folar quentinho, mas sem carne porque o dia é de jejum e, aqui cumprem-se rigorosamente, um copo dos que não partem, vinho do caseiro para o engasgo, e quanto ao resto…não sei como traduzi-lo

Só falta mesmo agradecer ao amigo Costa e à Tia Luísa por nos abrir a porta do seu forno e pela prova que ficou aprovada e com distinção, sem a colaboração dos quais este post não seria possível.

Quanto ao folar só resta desejar ao flavienses presentes que façam bom proveito do folar que têm em casa, o mesmo desejo aos flavienses ausentes que receberam um folar da terrinha, quanto aos outros flavienses ausentes que não receberam o folarzinho da terrinha, há que ter paciência, deixo-vos com as fotografias e o mais que posso fazer, é comer uma fatia de folar por vos.
Uma boa Páscoa para todos e até amanhã em mais uma aldeia.