Domingo, 22 de Julho de 2007

Chaves Rural - Redondelo

 

.

 

Toda a gente conhece o termo aldeia, que não é mais que uma pequena localidade ou povoação rural, com nome, de organização muito simples, sem autonomia administrativa e geralmente com poucos habitantes. Tem contudo o seu nome associado a uma afirmação comum nas gentes das cidades e vilas, empresas e governantes, a de “repartir o mal pelas aldeias” e cujo significado não é mais que o de partilhar tarefas difíceis ou responsabilidades com outras pessoas. Pois as aldeias são ou eram assim mesmo e o mal foi mesmo repartido pelas aldeias.
 
Dentro da sua organização simples e dados “os males que por elas repartiram”, as aldeias e suas gentes foram obrigadas a viver em comunidade, geralmente muito fechada, mas com um verdadeiro espírito comunitário. Tinham geralmente as suas leis, que não estava escrita mas que era ensinada e passava de geração em geração e, que tal como a simplicidade das aldeias, também era muito simples. Era a lei do “parece bem” e do “parece mal” ou seja, tudo que parecia bem era permitido e tudo que parecia mal era proibido. Simples mas eficaz.
 
Todos nós sabemos também que as famílias mais antigas das aldeias eram famílias numerosas de pelo menos 7 ou 8 filhos e até havia exageros que chegavam aos 15, 18 ou vinte e tal filhos. Se por um lado a igreja católica era a culpada, pois o prazer do sexo tinha de ser a “ bênção da procriação” muitos dos aldeãos estavam-se (na cama) a marimbar para a igreja e o que queriam mesmo era o prazer do sexo e mais duas mãos que dele haviam de nascer para o amanho das terras ou uma ajuda na casa.
 
Claro que as muitas mãos de trabalho davam jeito para o amanho diário das terras, mas no tempo das colheitas todas as mãos eram poucas. Assim, nas sua simples organização criaram as “tornas” e que não era mais que uma inter-ajuda entre famílias ou vizinhos e que consistia em uma família ou vizinho (ou vários) disponibilizar as suas gentes para ajudar nas colheitas de outro, sabendo que este iria retribuir a “torna” nas suas colheitas, disponibilizando os seus. Mas o espírito comunitário não terminava aqui, pois havia coisas e bens que eram feitas por toda a povoação e em prol de toda a povoação. Os caminhos, a capela ou igreja, o cemitério, os fornos do povo, os tanques, fontes e lavadouros públicos ou do povo, era um bem de todos, que todos tratavam e todos respeitavam.
 
E assim chegamos à nossa imagem de hoje, que não é mais que um retrato desse espírito comunitário – A mina de água e o tanque público de Redondelo que hoje para além do retrato é apenas um símbolo desse espírito comunitário, pois a ausência de lavadeiras, de roupa para lavar e do sabão fazem com que a água do tanque seja transparente, cristalina e onde as algas se dão bem com a pureza da água e embora não se possam apreciar as jovens lavadeiras ou ao assistir ao diz-que-diz de pôr a conversa em dia, podemos apreciar estas verdadeiras obras de arte comunitária de tanques, fontes e minas que ainda chegaram até aos nossos dias e que são autênticos “monumentos” a preservar e que fazem também parte da história das nossas aldeias.
 
E como a prosa já vai longa para o post de um blog, só resta dizer-vos até amanhã, de regresso à cidade de Chaves.
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publicado por Fer.Ribeiro às 01:43
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1 comentário:
De robbiewilliams1023 a 22 de Julho de 2007 às 01:48
Tá giro o blog =)
bjnhs


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