12 anos
Segunda-feira, 30 de Abril de 2007

Chaves, Rua Cor. Bento Roma – Um elogio à cor

.

 

Na minha adolescência, num daqueles livros para adolescentes, li uma vez uma passagem a respeito da moda que dizia mais ou menos assim:
 
 “ Uma vez um pato foi dar uma volta para fora do seu habitat. Um caçador deu-lhe um tiro mas não lhe acertou, apenas o depenou deixando-lhe apenas três penas na cauda. O pato, embora muito envergonhado por estar depenado voltou para junto dos outros patos. Todos se começaram a rir quando o viram depenado, mas como o pato em questão era um bocado ousado e gostava de andar sempre na moda, todos se interrogaram sobre as três penas, não seria a última moda!? Silenciaram, e no dia seguinte a maioria dos patos tinham apenas três penas na cauda.”
 
É assim que nasce a moda.
 
Em Chaves não é diferente, e em termos de construção, pinturas, arquitecturas e revestimentos, vai acontecendo o mesmo. Houve tempo em que as construções de cantaria de pedra mostravam a sua moda com as caixilharias pintadas a vermelho sangue de boi ou verde-garrafa. Depois, com o aparecimento do tijolo e do reboco veio o branco, que aliás era a única cor permitida, ou melhor, isenta de licenciamento. Com a chegada de arquitectos à Câmara Municipal, a construção em Chaves começou a ser mais cuidada e a reflectir um pouco a tendência da moda do arquitecto responsável da Câmara. Foi assim que na fase da passagem do Arquitecto Júlio Grilo pela Câmara, a moda no centro histórico passou a ser a pedra à vista, a proibição de alumínios anodizados e introdução de alguns elementos ousados e diferentes da arquitectura tradicional que até então se praticava na cidade. A construção começou a ser mais cuidada e marcou uma época, da qual eu saliento a da pedra à vista.
 
Após o abandono da Câmara do Arq. Júlio Grilo, um novo arquitecto, e também flaviense, já veterano, o arquitecto António Luís Guerra passa a ditar os desígnios da moda da arquitectura flaviense. É abandonada a pedra à vista e passa-se a uma nova fase. Os rebocos começam a tapar a pedra à vista (respeitando-se as molduras) e começa a aparecer a cor nas construções do centro histórico. Amarelos, rosas velhos ou não, verdes, azuis e familiares. Era uma nova época, aliando a cor a novos materiais disponibilizados no mercado (como o inox escovado), que inicialmente e timidamente começou a aparecer na cidade e depressa começou a ganhar adeptos. Iniciava-se em Chaves uma nova época de olhar a arquitectura e que ainda hoje vai dominando, mesmo depois do Arq. Luís Guerra se ter reformado. É a época da cor, das cores vivas e alegres que agora vai animando o olho dos flavienses.
 
Cada época tem os seus adeptos. Sei que há os adeptos da pedra e os adeptos da cor. Pela minha parte, aprecio a cor e a sua vida e alegria conciliadas com a pedra, mas na sua medida devida, vou por assim dizer, pela moda do pato pintado e multicolor. Mas claro que respeito os que têm opinião contrária, desde que, claro, não me atirem com mamarrachos para cima de mim.
 
Seria injusto se terminasse sem demonstrar o meu apreço e admiração por ambos os arquitectos aqui mencionados, com os quais tive o gosto de trabalhar e sobretudo de aprender, como autênticos mestres e amigos que o foram e ainda são.
 
E agora a foto de hoje. É da Rua Coronel Bento Roma, uma rua de contrastes onde de um lado da rua as construções da foto marcam presença e do outro lado um mamarracho que me nego a fotografar, um dos tais atentados que se cometeram e que tanto prejudicam o nosso centro histórico.
 
A respeito da foto de hoje, há ainda mais um apontamento. Agora que todas as infra-estruturas no centro histórico já se desenvolvem no subsolo não seria já tempo de acabar com os cabos de eléctricos e de telecomunicações aéreos!? Claro que aqui entra a falta de coordenação, entendimento e burocracia inter instituições que tanto mal fazem à nossa bolsa e à nossa vista.
 
Até amanhã, em Chaves, como não poderia deixar de ser.
 
´
tags:
publicado por Fer.Ribeiro às 02:13
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Domingo, 29 de Abril de 2007

Carvela e as máquinas de lavar à mão

Máquina de lavar à mão

 

.

 

O tempo em que só na cidade é que havia electricidade e electrodomésticos, água canalizada e casa de banho em casa, já lá vai. Como há tempos me dizia um velhote lá de cima dos seus 87 anos: – “Agora, não é como antigamente, agora já temos televisão e frigorífico, agora já temos tudo…” e para pessoas dessa idade, que nas aldeias a grande maioria só conheceu o “a luz” em casa já depois dos seus 60 anos de idade, ter televisão e frigorífico é mesmo tudo, alta tecnologia que nem por perto compreendem, mas que lhe trouxe a felicidade que lhes faltava, ter água canalizada e “luz”, televião e um frigorífico, como quem diz, ter electricidade em casa.
 
Claro que agora, ter televisão e frigorífico em casa já vai sendo coisa comum e casa de banho já é coisa indispensável. Ter máquina de lavar roupa ou loiça, torradeiras, micro-ondas, vídeos, e até computador, já é coisa comum em qualquer aldeia e já vão existindo em casa de cada um, conforme as necessidades e, se não os têm, já não são objectos estranhos, pois pela certa que os filhos ou os netos lidam com essas coisas como eles dão milho às galinhas.
 
Pois claro que já vão tendo tudo, mas vão vocês dizer isso à Tia Joaquina do Necas, à Dona Arminda , ou a Tia Arlinda para meter aquela peça de roupa delicada, que tanto estimam, numa máquina de lavar! Claro que peças dessas é à mão que têm de ser tratadas e estimadas, ou então o contrário, não vão meter um “rodilho” todo sujo na máquina, não se vá ela estragar. Solução!? - o tanque da aldeia, e depois sempre se dão dois dedos de conversa e lá se vão sabendo as novidades e, sempre é mais saudável, pois não se está fechado dentro de casa, mas o melhor, é que se poupam um “érios” na luz e na “áuga” que lá irão fazer falta para uma necessidade qualquer e a vida não esta para brincadeiras e já todos sabemos que a reforma não chega para tudo.
 
Até amanhã, na cidade.
´
tags:
publicado por Fer.Ribeiro às 01:12
link do post | comentar | ver comentários (8) | favorito
|  O que é?
Sábado, 28 de Abril de 2007

Vilela Seca

.

 

Vilela Seca é uma terra de contrates, muitos, principalmente no que diz respeito a velho-novo,  a bonito-feio e a abandonado-recuperado.
 
Forçosamente nem tudo que é velho é feio ou abandonado e, o contrário também se aplica, mas também não é menos certo que há por lá coisas velhas e abandonadas que são bonitas. Claro que há o novo, habitado e feio, mas também há os casos do velho, recuperado e bonito.
 
É como a história da Igreja velha, no centro da aldeia, uma bela construção que rebentava pelas costuras de fiéis e que o padre abandonou e partiu para a construção de uma nova igreja, muito maior, na entrada da aldeia. A igreja velha, despojada de santos e haveres está em ruínas e a nova, cheia de haveres e santos, não tem fiéis.
 
É contudo uma aldeia interessante, com um núcleo bonito, abandonado mas com algumas recuperações e onde se podem encontrar verdadeiras obras de arte da construção antiga e tradicional, das ricas e das pobres, mas que hoje são verdadeiros tesouros dignos de serem apreciados e até estudados por quem hoje só vê betão do armado à sua frente e que matou de vez os velhos mestres da antiga arquitectura tradicional.
 
Hoje fica um exemplo de mestria dessa tal antiga arquitectura tradicional, que embora e pela certa de uma casa pobre, tem toda a riqueza de pormenores.
 
Até amanhã, noutra aldeia do concelho.
´
tags:
publicado por Fer.Ribeiro às 03:00
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Sexta-feira, 27 de Abril de 2007

Chaves - Relógio de Sol

 

.

 

Acho que a minha caixa de correio electrónico deve ser como a de toda a gente. Muitos mail’s, muita publicidade chata que, por mais que a rotulemos como publicidade não solicitada, ela usa o efeito camaleão e entra novamente no dia seguinte. No entanto às vezes tenho agradáveis surpresas, como mail’s de amigos dos quais já não sabia há mais de 20 anos, mail’s de gente que vem beber ao blog um pouco das suas origens e que em terras distantes já são netos e bisnetos de flavienses e vivem no blog um bocadinho da cidade de  Chaves  que lhes foi contada, etc.. Enfim, como costumo dizer na brincadeira: - nem sei como é que antigamente se conseguia viver sem Internet e sem mail’s.
 
Pois ontem recebi um desses mail’s agradáveis e que em anexo trazia a fotografia que hoje é publicada. Era um mail da FE, é assim o nome dela e que já vai sendo conhecida na blogosfera flaviense pelos seus sempre oportunos e agradáveis comentários, em Castelhano (graças à sua origem asturiana) e, que encontrou em Chaves alguns dos seus amores, um que a levou ao altar e outro que é a cidade de Chaves. Mas com um pormenor, é que a FE tem olho clínico para descobrir pormenores e belezas como a que hoje fica em imagem.
 
Além de agradecer à FE a sua fotografia quero também pedir-lhe desculpas pelo abuso de entrar assim na sua vida, pois além de não ter a honra de a conhecer pessoalmente, nem sequer lhe pedi autorização para dela falar, mas sei que, como flaviense de coração, devo estar perdoado e se não o estiver, reparto culpas com o amigo, companheiro de viagem, de blogs e trabalho – o “Avô Cancelas”.
 
Mas vamos então à fotografia e ao pormenor. Trata-se de uma coluna, de uma varanda do edifício que nasce na Rua Direita, vira ao Largo do Arrabalde e termina na Travessa das Manas e, é nesta, que podemos encontrar este pormenor de coluna do qual faz parte integrante um relógio de sol. Penso que actualmente o relógio de sol é mesmo exemplar único em Chaves, e digo actualmente porque julgo ter existido (não tenho a certeza) um outro até há coisa de quinze ou vinte anos atrás no Largo do Anjo. Seja como for, o exemplar de hoje é um belo exemplar que espero seja cuidado e preservado por muitos e longos anos, pois é mais um pormenor que enriquece o nosso Centro Histórico e mais um pormenor que é património da humanidade num Centro Histórico que também o poderia ser se houvesse a vontade de quem nos tem governado e governa e, não fossem praticados atentados com construção de mamarrachos que assombram a história centenária e milenar da cidade de Chaves.
 
Até amanhã de regresso às aldeias de Chaves.
´
tags:
publicado por Fer.Ribeiro às 00:00
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
|  O que é?
Quinta-feira, 26 de Abril de 2007

Chaves em dia de chuva

.

 

Eu sei que disse que hoje ia andar pela cidade de Chaves e é precisamente isso que estou a fazer, só que em vez de vos dar uma imagem da cidade, dou-vos uma imagem vista desde a cidade.
 
Também sei que os dias de chuva estragam muitos planos, molham, são um pouco nostálgicos e até chatos, mas mesmo assim, geralmente, até gosto dos dias de chuva, principalmente destes dias de chuva de Abril, chuva de primavera, em que a temperatura já é agradável e os campos e agricultores agradecem, principalmente se a chuva for “certinha” com tem sido. Mas do que gosto mesmo é ver o verde, o verde novo das montanhas e quase luminoso por debaixo de um céu cinzento e feio que faz até lembrar paisagens de outras paragens e outras margens.
 
Gosto, desde o vale, de apreciar o verde do Brunheiro nos dias de chuva, do mesmo Brunheiro que nos dias de sol nos brinda com azuis, amarelos, laranjas e outras cores de primavera.
 
Até amanhã, mesmo em Chaves.
´
publicado por Fer.Ribeiro às 01:50
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Quarta-feira, 25 de Abril de 2007

Desde Chaves, 25 de Abril, Sempre!

 

.

 

E hoje há post extra, é dia 25 de Abril.
 
A idade ensina-nos muitas coisas, uma delas é como se faz a história.
 
Confesso que nos meus tempos de estudante nunca fui amante de história, mas uma coisa aprendi – é a de que a história tem sempre duas ou mais versões, dependendo, claro, de quem a faz. Com o tempo comecei a aprender a gostar da história, principalmente daquela que directamente nos diz respeito. A história da família, a história dos amigos, a história da minha cidade, a história do meu país e por aí fora, numa descoberta que é afinal a descoberta de nós mesmos e do nosso passado, que tanto dita o presente.
 
Mas há aquela história em que nós próprios somos historiadores e em que podemos contribuir com a nossa versão para a verdade dos acontecimentos e para que se faça história, simplesmente porque a vivemos e somos parte ou intervenientes do acontecimento. É o que se passa com o 25 de Abril, que embora historicamente recente já é tão deturpado, principalmente pelas camadas mais jovens e nascidos após o acontecimento, é certo que inocentemente e sem culpa, por parte deles, mas já sem inocência e com culpa de quem lhas deturpa.
 
Da minha parte, e enquanto for vivo, farei o meu culto ao 25 de Abril, ao antes ao durante e ao depois, que embora com apenas 14 anos aquando da “revolução”, deu para perceber, a partir de aí, o verdadeiro significado da palavra LIBERDADE, como por exemplo a liberdade do poder estar aqui todos os dias, neste blog, a publicar as imagens que me der na gana e a escrever aquilo que me vai na alma, sem traços azuis da censura e sobretudo sem medo, mas sempre consciente que a minha Liberdade termina onde começa a Liberdade dos outros.
 
Com todos os defeitos que a democracia possa ter, para mim: 25 de Abril, Sempre!
 
E agora o regresso a nossa cidade, onde o verdadeiro 25 de Abril de 1974 só chegou às ruas no dia 1 de Maio. Para comemorar hoje a data, saí ontem à procura de uma imagem e de um símbolo da liberdade e encontrei-o dependurado, de cabeça para baixo – é certo, mas encontrei-o numa varanda da Rua de Stº António.
 
Pois aqui fica desde Chaves, o símbolo do 25 de Abril – um cravo e flaviense.
 
Até amanhã, em Chaves Sempre!
´
publicado por Fer.Ribeiro às 00:43
link do post | comentar | ver comentários (9) | favorito
|  O que é?

25 de Abril - Sem Comentários

" class="ljvideo"> 
´
publicado por Fer.Ribeiro às 00:00
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|  O que é?
Terça-feira, 24 de Abril de 2007

Pormenores da cidade de Chaves

.

 

Às vezes perco-me na beleza dos pormenores de uma fachada, de uma janela ou de um simples batente. Outras vezes gosto de subir mais alto e perder, como quem repousa, a vista sobre a nossa cidade.
 
Deixados que estão para trás os pormenores, alargadas as vistas sobre a cidade, é então que lá do alto me dou conta que afinal, a cidade no seu todo, também é um belo pormenor.
 
Pormenores!
 
Até amanhã com mais um pormenor sobre a cidade.
´
tags:
publicado por Fer.Ribeiro às 01:02
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Segunda-feira, 23 de Abril de 2007

Desde o castelo, os jardins do castelo

 

.

 

São imagens como a de hoje que me fazem subir ao cimo da torre do castelo. O esforço da subida de tanta escadaria vale sempre a pena pelas vistas.
 
E hoje é um daqueles dias em que a imagem vale mais que mil palavras.
 
Até amanhã, em Chaves, pois então!
´
tags:
publicado por Fer.Ribeiro às 00:45
link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito
|  O que é?
Domingo, 22 de Abril de 2007

Chaves Rural - Sanjurge

 

.

 

Este sol de primavera e “atrovoado” é traiçoeiro. Um pouco de sol, sim senhor, mas chapéuzinho de palha e uma sombra por perto, são boas companhias e depois, claro, dois dedos de conversa para a pôr em dia, é sempre salutar. É assim nas nossas aldeias.
 
A aldeia de hoje é Sanjurge, com cerca de 400 habitantes, é uma aldeia, rural também, mas a apenas uns minutos da cidade (6 Km), com auto-estrada, nó e até casino vai ter ali a dois passos. Rural sim, mas também mais um dormitório da cidade, por isso, embora a imagem de hoje seja bem real e de apenas alguns dias atrás, é também enganadora, porque Sanjurge não é tão rural assim e embora com montanha, também não é aldeia de montanha.
 
A imagem de hoje mostra a ruralidade do rural de Sanjurge e, além de dormitório, é mesmo uma freguesia agrícola ou com complemento agrícola, mas tem também algumas preciosidades arquitectónicas (antigas) dignas de novo post, um belíssimo largo mesmo no centro da aldeia que é uma autêntica sala de visitas e uma casa de turismo rural. Um dia destes passamos por lá outra vez.
Até amanhã, por aí na cidade de Chaves.
´
tags:
publicado por Fer.Ribeiro às 00:00
link do post | comentar | ver comentários (4) | favorito
|  O que é?
Sábado, 21 de Abril de 2007

Chaves de Chaves Rural

.

 

Enquanto que no “nosso” mundo “civilizado” (!?) andamos preocupados em preservar os nossos haveres, identificações e o nosso ser com códigos de 4, 6, 8 dígitos, numéricos e alfanuméricos, com palavras passe, passwords, reconhecimentos bio-métricos digitais e da retina, assinaturas digitais, confirmações por mail e sms e toda uma série de complicações com recurso à informática e à net que tanto nos tem formatado as cabeças, aqui mesmo ao lado, no nosso concelho rural e nas nossas aldeias, basta perguntar-mos pelo nome de alguém para nos ser oferecida toda a sua biografia e, é com “chaves” como a da imagem, que guardam os seus haveres. Ah!... e não precisam dos computadores para abrir estas “chaves”, os mesmos que nós julgamos indispensáveis
 
Porque será que “nós os civilizados” da cidade complicamos tanto!?
 
Já agora que entrei nesta complicação e nos conflitos de identidades, aqui ficam meia dúzia de palavras que convém não esquecer para quem tem andado em demasia agarrado ao computador e à civilização (apenas meia dúzia delas):
 
- Engaço;
- Carabunha;
- Argana;
- Retouta;
- Esbarrondar;
- Garbanço ou grabanço
 
Se as reconheceu a todas, parabéns, ainda é flaviense deste concelho rural e um “home ou Maria deste pobo”.
 
Até amanhã, por aí no nosso pobo!
´
tags:
publicado por Fer.Ribeiro às 02:37
link do post | comentar | ver comentários (6) | favorito
|  O que é?
Sexta-feira, 20 de Abril de 2007

Os resistentes da Rua do Poço

.

 

Segunda-Feira passada, enquanto fazia horas à espera que a minha filha saísse da catequese, dei mais uma das minhas voltinhas pelo Centro Histórico de Chaves. Rua de Stª Maria, Rua Luís de Viacos, Rua do Correio Velho e uma espreitadela rápida às Escadinhas das Manas. Já que estava ali, fui dar uma vista de olhos à abandonada Ilha do Cavaleiro, cumprimentei a Manuela que lá do alto do seu palacete observava o intruso, deliciei-me ou pouco com a sinfonia da passarada do Quim e que povoam as paredes do Largo do Cavaleiro e, claro, já na Rua do Poço – dois dedos de conversa obrigatória com o próprio Quim, um desalojado da Muralha que só por sorte não lhe caiu em cima e que é também um dos últimos resistentes de Chaves na arte de tratar botas e sapatos, à mão, como deve ser. O tempo ia passando e estava na hora do regresso. Ao fundo da rua reconheço uma velha amiga da família, a D.Cármen do “Carunho” que antes de cumprimentar quis brindar com uma foto para recordar, mas a objectiva insistia em ficar pelo caminho, entretida com uma resistente da rua, sentada à porta na apanha do ar saudável do fim de tarde e entregue à leitura da sua própria sina. Repeti o click uma, duas, três…n vezes, enquanto a memória me ia recitando um poema de Alexandre O’Neill, uma velha mania minha de ir associando imagens a poemas e poesia.
 
Deixo-vos então com a imagem e com o poema já quase esquecido que a memória ressuscitou:
 
Velhos
 
Tem sempre um quadradinho de marmelada para o bisneto pequeno.
Tira-o não se sabe donde.
Guarda os baraços dos embrulhos,
desfaz-lhes os nós ("Os japoneses põem os meninos nas escolas a desfazer nós!")
e, baraço a baraço, fabrica um novelo multicor
que pode fornecer fio para atar um embrulho,
por exemplo, o da louça chinesa, que, peça, a peça,
vai pondo no prego.
Não se engana (e já trepou aos oitenta e muitos)
a declinar o rosa-rosae que aprendeu em coro quando pequena.
 
Gosta de cães, mas tem medo, desde que outro dia,
isto é, há vinte anos,
lhe morreu o Kiss atropelado,
das trelas sentimentais.
Numa gaveta defendida a naftalina,
dentro duma caixa de cânfora,
guarda palminhos de renda, uma gargantilha, véus, vidrilhos,
longos alfinetes ornamentais (aqueles de chapéu).
Arrasta consigo um passado a sépia de fotografias.
 
Diante de cada uma, recita parentescos, genealogias.
E a fechar o cortejo mostra sempre a do seu casamento.
Era formosa, cheiinha, um verdadeiro quanto-baste de mulher.
Enviuvou; sobreviveu a dois filhos; vive com uma amiga.
Às vezes está amuada, não sai do seu quarto e passa o dia inteiro a tisanas.
 
Quando visita o bisneto,
insiste em ensinar-lhe o rosa-rosae:
quer que ele seja um causídico.
Já não escolhe a comida; escolhe os dentes.
É um passarinho.
Mas nos seus olhos doces, azuis e moços,
uma gaiata traquina.
 
In “a saca de orelhas” de Alexandre O’Neill – 1979
 
 
E “prontos” já vai longa a conversa, só me resta despedir.
 
Até amanhã, em mais uma aldeia do concelho.
´
tags:
publicado por Fer.Ribeiro às 01:38
link do post | comentar | ver comentários (4) | favorito
|  O que é?
Quinta-feira, 19 de Abril de 2007

Blog Chaves - 200.000 visitas

 

.

 

Este blog atingiu as 200.000 visitas.
 
Cabe-me a mim, como autor do blog,  a obrigação de vos levar Chaves todos os dias, principalmente aos flavienses ausentes, foi a isso que me propus desde o início e é também desde o inicio desta aventura que vos deixo aqui diariamente a cidade de Chaves e as aldeias da maneira que sei e posso, às vezes mais documentado, às vezes com o coração, às vezes com alguma revolta, às vezes reivindicativo, às vezes inspirado, às vezes não, às vezes privilegiando a imagem, outras vezes a palavra, e às vezes (confesso) com a obrigação de só cumprir calendário, mas é, e sempre será, Chaves e o concelho que povoarão este blog.
 
Agora vamos aos Parabéns das 200.000 visitas e, esses, vão inteirinhos para vós que estais aí desse lado e que diariamente ou regularmente brindais o contador do blog com mais uma visita. Gente da terrinha que por nascença, pelos antepassados ou por amor a Chaves é flaviense, gente presente ou ausente que vem beber a este blog um bocadinho da nossa cidade, gente espalhada pelos quatro cantos do mundo e que guardam Chaves e a sua aldeia no coração. É de fibra aventureira e lutadora que o flaviense está feito, mas também leva consigo a fibra “piegas” e “lamecha” com que se fazem a palavra Saudade, saudade da terrinha e das suas gentes.
 
Estais de parabéns, pois sem vós, este blog com certeza que já há muito tinha esmorecido. Este blog não é meu, mas vosso e nosso, por isso, reivindicai, pedi, protestai, criticai, louvai e usai os comentários ou o mail para dizer o que vos vai na alma, nessa alma flaviense, que é a minha também.
 
Um bem-haja a todos desse lado e obrigado pelas vossas visitas. Continuaremos a vermo-nos por aqui.
 
Um obrigado também a todos os companheiros de viagem dos outros blogs flavienses, a todos os comentadores habituais que (talvez) sem o saberem contribuem e muito para a feitura deste blog.
 
Por último um agradecimento à própria cidade e às suas maravilhas, principalmente à nossa Top Model, ao Castelo, ao Centro Histórico, às Muralhas, ao Rio Tâmega, aos Jardins e às aldeias do concelho que com a sua imagem têm ilustrado as palavras deste blog.
 
Obrigado a todos, um bem-haja para todos e para o nosso blog.
 
Claro que a imagem de hoje tinha que ser da nossa Top Model e daquela que faz o cabeçalho deste blog.
 
Até amanhã, de novo na nossa cidade de Chaves.
´
tags:
publicado por Fer.Ribeiro às 00:00
link do post | comentar | ver comentários (22) | favorito
|  O que é?
Quarta-feira, 18 de Abril de 2007

Chaves - Pormenores da Rua Direita

.

 

Não faltarei muito à verdade se disser que este é um dos mais belos edifícios de Chaves e felizmente que não é caso único, pois no Centro Histórico há umas dezenas destas belezas da arquitectura centenária da cidade, e nem sequer é preciso mudar de rua.
 
O que acabo de dizer pode parecer contraditório, mas não o é, pois cada edifício é um edifício que tem as suas belezas, os seus pormenores, as suas singularidades e que embora diferentes, cabem todos dentro do meu conceito de beleza.
 
Mas hoje o que interessa é mesmo este edifício da Rua Direita, mesmo no seu início e aberto ainda para o Largo do Arrabalde. Um edifício nobre, brasonado e onde todos os pormenores foram feitos com arte. Desde as caixilharias e o seu desenho com o pormenor dos vidros de cor que pela certa se transformam em alegria no ambiente interior, a riqueza de varandas e seus gradeamentos, as molduras dos vãos e até a cor dos rebocos e da pedras. Para mim cai tudo na perfeição, acho mesmo que a única coisa que está lá a mais é mesmo aquele cartaz do “ALUGA-SE”.
 
Gostaria de vos falar um pouca da história do edifício, do autor do projecto, do dono,  donos, ou famílias desta casa, mas sinceramente além de me espantar com admiração pelo edifício em sí, nada mais sei, mas pela certa que terá também uma história, por detrás de “grandes casas” há grandes histórias também.
 
Até amanhã, como sempre, em Chaves cidade.
´
tags:
publicado por Fer.Ribeiro às 01:34
link do post | comentar | ver comentários (14) | favorito
|  O que é?
Terça-feira, 17 de Abril de 2007

Chaves e os senãos!

.

 

Neste blog tenho dado preferência às maravilhas da cidade e, graças a Deus, à nossa escala, são muitas. Mas há sempre um mas para estragar tudo e Chaves não é excepção. São mais que conhecidas as construções em mau estado ou em ruínas no Centro Histórico, algum vandalismo, cães vadios e cantos de lixo. Tudo à escala de uma cidade pequena como a nossa, mas a uma escala que incomoda.
 
Tudo que é feito para corrigir estes problemas e os males da nossa cidade, são de louvar. A Câmara Municipal aprovou recentemente uma postura municipal em que pune a maioria destes pequenos “crimes” a “atentados” à cidade. Vandalismos como graffitis, partir árvores, plantas, animais domésticos à solta nas ruas, lixos, fazer as “necessidades” na via pública, etc. é condenado e punido pela mesma postura. Os mais críticos dizem que bem prega Frei Tomás, a postura está feita, ou seja a “Lei” existe, agora falta quem a ponha em prática. Seja como for a postura municipal é um passo dado para se passar ao passo seguinte – o da sua aplicação.
 
Vem tudo isto a propósito de uma obra, demorada é certo, mas que chegou ao seu termo – a reconstrução do Baluarte do Cavaleiro da Muralha Seiscentista. Após todos os problemas e desastres envolvidos na reconstrução da muralha, ela lá está como nova e digna de ser vista como nunca a contribuir como monumento histórico para as maravilhas de Chaves e tudo correria bem se não houvesse um senão ou mais um mas!... Então não é que após a reconstrução da muralha se faz o arranjo e muito bem da envolvente e agora está em construção, mesmo “em cima” da muralha um ponto de recolha de lixo… Já sei que os módulos (contentores enterrados) são simpáticos e nada têm a ver com os tradicionais contentores de lixo, mas já conhecemos o civismo da maioria do pessoal de Chaves (flaviense ou não) em relação aos lixos… ou seja, vai ser mais um ponto sujo, de maus cheiros e com lixo de fora à volta dos simpáticos receptores de lixo. Basta passar pela Rua do Olival para ficarmos a saber como eles funcionam.
 
O baluarte do cavaleiro, quase como novinho em folha, não merece esta companhia. Quanto à recolha de lixos na cidade, além da falta de civismo dos residentes, há também a considerar o modo de recolha como o mesmo é feito. Não sou iluminado, mas se há cidades, grandes cidades, onde a recolha de lixo é eficaz e não há lixo nas ruas, também numa pequena cidade como Chaves isso é possível. Quanto à falta de civismo, as posturas municipais já existem, agora só é preciso pô-las em prática e sancionar quem as não respeite.
 
Mesmo assim, com estes pequenos senãos e “mas” à mistura, Chaves ainda é uma cidade simpática, bonita e de confiança, só precisa de um pouco mais de civismo e de cumprimento da lei, além de, claro, as escolhas dos pontos sujos de recolha de lixos merecerem ser mais pensados, para bem de todos.
 
À moda do Prof. Marcelo, nota positiva para a reconstrução do baluarte e nota negativa (aí um 5 ou 6) para a localização do novo ponto de recolha de lixo.
 
Até amanhã, de novo em Chaves, talvez com cheiros de primavera.
´
tags:
publicado por Fer.Ribeiro às 01:25
link do post | comentar | ver comentários (4) | favorito
|  O que é?

.Fotos Fer.Ribeiro - Flickr

frproart's most interesting photos on Flickriver

.meu mail: blogchavesolhares@gmail.com

.Abril 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9


27
28
29

30


.pesquisar

 
ouvir-radioClique no rádio para sintonizar

 

 

El Tiempo en Chaves

.Facebook

Fernando Ribeiro

Cria o teu cartão de visita Instagram

.subscrever feeds

.favorito

. Abobeleira em três imagen...

. Solar da família Montalvã...

.posts recentes

. Cartas ao Comendador

. Chaves D'Aurora

. 25 de abril, Sempre!

. O Barroso aqui tão perto ...

. Quem conta um ponto...

. De regresso à cidade - Ru...

. O Barroso aqui tão perto

. Pecados e Picardias

. Assureiras de Baixo - Cha...

. Pedra de Toque

. O factor humano

. Cidade de Chaves - "Arreb...

. Ocasionais

. Momentos da cidade de Cha...

. Cartas ao Comendador

blogs SAPO

.Blog Chaves no Facebook

.Veja aqui o:

capa-livro-p-blog blog-logo

.Olhares de sempre

.links

.tags

. todas as tags

.arquivos

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Agosto 2005

. Julho 2005

Add to Technorati Favorites