12 anos
Sexta-feira, 30 de Novembro de 2007

O lamento das Sextas - A las malas lengoas estas figas

 

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          LEGENDA
 
          1 – A LAS MALAS LENGOAS ESTAS FIGAS
          2 – Caretas
          3 – Imagem de Santa Maria Maior a padroeira de Chaves
          4 – Um pouco de luz
          5 – Pedra da região
 
O lamento de hoje era para ser outro, mas calhou este, e também calha bem.
 
Então o lamento de hoje vai para as más-línguas de Chaves.
 
Chaves, por muito que se esforce, é provinciana e não passa de uma aldeia cheia de aldeãos. Uma aldeia grande, é certo, mas que comunga todo o ser das aldeias mais profundas da montanha. Toda a gente conhece toda a gente, é uma terra de comadres e compadres, vizinhos do lado, de cima ou de baixo, de primos carnais ou afastados e, também tem os seus senhores, os seus doutores, o padre, o presidente, os pobres e netos dos nobres…
 
Claro que como aldeia que é (grande é certo) tem as suas virtudes, muitas até. Tem ainda uma boa qualidade de vida em termos de pacatez, ou stress, vive-se a calma dos dias, tanto que uma bicha de três carros, já é uma grande bicha…mas não é de bichas que quero hoje falar. Hoje quero mesmo é falar da nossa aldeia mental e também da nossa aldeia física, provinciana, entalada entre o mais profundo de Trás-os-Montes e o mais profundo a Galiza, que é a mesma coisa.
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Só um meio lamento antes ainda de chegar ao segundo lamento - Porque é que com tanta festa que se inventa por aí não se inventa  e dedica uma em homenagem à Padroeira de Chaves, a nossa Santa Maria Maior!?
Pois o lamento de hoje é feito de dois lamentos, o primeiro, o lamento das más línguas e o segundo, o lamento de como a nossa qualidade de vida nos sai tão cara.
 
Quanto à má língua, já todos sabemos que se por desgraça caímos nas bocas do povo, estamos desgraçados, podemos ir directamente prá cama, sem passar mesmo pela fama. A cidade é feita de um certo landainismo (com todo o respeito a quem dá o nome ao termo), mas se o landainismo puro, era mesmo puro, o que hoje se pratica já não é assim. É landainismo, de mal dizer, este sim puro, mas que disfarça interesses, ou pior que isso, invejas, ou seja, reflecte a pobreza da nossa aldeia, quer a pobreza intelectual,  quer a pobreza, ela mesma pobreza. Não admira que tantos filhos desta terra partam por esse Portugal fora, e por esse mundo adentro, à procura de alguma civilização. Claro que como em tudo há algumas excepções, que como sempre (infelizmente) são poucas.
 
Quem por cá vive, já sabe daquilo que esta aldeia gasta, e embora a esquina do Lopes já tivesse sido desactivada, ainda são conhecidos os locais de “tertúlias” de mal dizer. Esquinas de quiosques, frentes de cafés ou santas casas da praça maior, de tudo serve para quem gosta e vive do diz-que-diz. Lamentamos, é certo, mas só caí no “landainismo” quem quer, pois sempre há o opção de partir ou, se ficar, de virar a esquisito, indisposto, antipático ou então, a responder indiferente (com um sorriso nos lábios) aos cumprimentos e vénia, ignorando o adivinhado que fica entre linhas, que é como quem diz, entre dentes.
 
Mais uma vez recorro aos nossos antepassados flavienses e que deixaram para todo o sempre o registos de: “AS LAS MALAS LENGOAS ESTAS FIGAS”, já então, ao que parece, Chaves sofria dos males da má-língua. Pois, com ou sem figas, estou em acreditar que as nossas novas gerações, os nossos filhos, são temperados com outra tempera, desde que a vida os deixe viver as suas vidas!
 
Para as más línguas também eu deixo as minhas figas, mesmo que não acredite no gesto.
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Imagem de Stª Maria Maior, Padroeira de Chaves
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Então estou chegado ao segundo lamento e este, é um lamento de interioridade e de provincianismo político, económico e real.
 
Já entrei noite dentro, madrugada, o termómetro exterior já entrou nos graus negativos. Vivemos em Trás-os-Montes, temos frio e um pouco de calor, sai caro, Vivemos distantes do mar, do cinema, do teatro, da cultura. Não temos universidades para formar os nossos filhos, nem hospital para tratar as nossas maleitas mais graves e os horizontes deste vale, mesmo para sonhadores, limitam-se a ficar entalados entre as montanhas e até o sonho, só é possível sonhando-o….mas somos iguais ao resto deste nosso Portugal. Pagamos os mesmos impostos, recebemos os mesmos (ou até menores) vencimentos, temos menos oferta e mais despesas. Despesas para aquecer o frio, despesas para formar os nossos filhos, despesas para termos saúde e até despesas para, com sanidade física e mental, sobrevivermos no vale. Com tanta despesa, somos pobres. Temos deveres iguais ao Portugal dos grandes centros e do litoral, mas não os mesmos direitos, deste Portugal que se quer  e diz democrático, mas que é diferente.
 
Eis o meu segundo lamento, que vai direitinho para a nossa diferença, que não nos é reconhecida e também para os que daqui partiram e têm responsabilidades na vida deste país, que é desigual.
 
E para terminar ainda há um terceiro lamento, o lamento de uma opção pessoal mas que é colectiva: Hoje estou em greve e lamento-o, não só por estar em greve, mas lamento mais ainda pelos colegas que estão solidários, mas que os custos da interioridade não lhes permite os luxos da despesa de uma greve. Estou em greve pelo simples facto de não ser desculpa para as más governações da nossa geração rasca de políticos e tal como o Queirós, também eu não nasci rico nem tenho cunhas e por isso, sou trabalhador, que admite ter grandes políticos que não são grande coisa… mas aqui (valendo-me mais uma vez das bocas futebolísticas) nós somos burros e, a culpa também é nossa.  
 
E hoje não me lamento mais, embora amanhã vá até uma aldeia, que sofre dos mesmos males em relação à cidade, que nós vivemos em relação a Portugal, ou seja, duplamente “culpados”. Afinal havia outro lamento.
 
Até amanhã, por aí, numa das nossas aldeias.
 
 
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publicado por Fer.Ribeiro às 04:19
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Quinta-feira, 29 de Novembro de 2007

Praça de Camões, Chaves, Portugal

 

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Se ontem andei pelos traiçoeiros telhados da cidade, hoje desço à terra, pés bem assentes no chão e, faço uma descida em grande até a nossa praça principal.
 
Esta é a nossa praça maior, a principal, a do poeta de Portugal, do duque, das monarquias, repúblicas, do poder, ou dos poderes e onde os passos se vão repetidamente repetindo à espera de qualquer coisinha, coisa pouca, pode ser, desde que a coisa, seja qualquer coisinha.
 
Uma praça onde no dia-a-dia, vive os dias como eles são. Nos dias de sol tem sombras, nos dias de chuva molha-se, nos de nevoeiro fica húmida e um pouco embaciada e, à noite, fica escura. Alegre, só quando há festa… e os actores!? Uff! São muitos! Quase todos sem papeis principais, apenas e simples figurantes, pois uns apenas têm o papel de passar, outros de parar por breves instantes em cumprimentos ocasionais ou conversa breve, outros apenas fazem número, mas todos vivem a, e à volta da praça, da praça grande e do poder, mas quem manda mesmo, é o Sr. Duque, que de espada bem levantada, domina todos os olhares.
 
É uma praça bonita, sem qualquer dúvida, mas também cruel. Nos dias quentes de verão, é um inferno e, nos dias frios de Inverno, mirra as pessoas, murcha-as, “engrunha-as” e torna pesados os passos à espera de um pouco de sol e às vezes, um bocadinho pouco, chegava, mas o que incomoda mesmo é quando a praça fica cinzenta e sem cor.
 
Ouvi dizer nas notícias da televisão galega (que felizmente para nós nunca tem notícias desagradáveis e por isso gosto tanto dela) que anda por lá um vírus que tem andado a atacar as gentes das suas cidade. Um vírus a sério do tempo do frio (não é dos informáticos) que cria maleitas nas pessoas e tudo… Parece que também já começou a atacar em Chaves, principalmente as pessoas de mais idade. Os sintomas são vómitos, diarreias, e dores de cabeça, nos mais idosos, nos mais jovens, embora ainda não esteja provado, parece causar outros distúrbios. O mau da notícia, é que o vírus é muito incómodo, o bom, é que apenas produz maleitas por dois ou três dias.
 
E penso que vou terminar, senão, como calhou hoje em conversa com o companheiro de viagens do blog cancelas, ainda acabo por entrar em casa, abrir a porta do frigorífico e chegar à conclusão que chove em Lisboa. Mas como tal não me consta, termino mesmo, com um até amanhã, em dia de lamentos.
 
Até amanhã!
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publicado por Fer.Ribeiro às 02:14
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Quarta-feira, 28 de Novembro de 2007

Pelas Ruas e Praças dos Gatos - Chaves - Portugal

 

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Às vezes farto-me de andar cá por baixo e até, de aturar certas baixezas dos baixos e, eis, que dou comigo subido aos telhados, às ruas e praças dos gatos, mas também por aqui as coisas não vão lá muito bem.
 
Está na moda o haver ou não química entre as pessoas, eu diria antes que é tudo uma questão de física e dos mestres da física que também se aplica aos telhados, pois também por lá, nada se perdeu e nada se criou, mas os gatos transformaram-se em pombas (desesperadas também), e o físico da física está transformado em ruínas ou quase ruínas de vidas não menos ruinosas dos que habitam as praças e ruas do chão.
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Se calhar nem a química nem a física são para aqui chamadas, mas antes a filosofia de um início de semana na cidade, entre gentes e humanos, uns mais que outros (humanos), é certo, mas humanos, porque ainda vou acreditando neles, e se às vezes se tornam traiçoeiros habitantes de telhados em ruínas, é porque alguma coisa vai mal no sistema, e aqui, acho eu, que já entramos nas matemáticas ou nos números das estatísticas, mas aqui então, penso ser já do campo da Geografia que estamos a falar. O melhor mesmo é parar por aqui, senão ainda entro por campos que não quero e que dominam e reduzem os habitantes do chão a desesperados habitantes dos telhados, onde se reflectem todas as politicas rasteiras dos que mandam nas ruas do chão. “Prontos” já disse e, valha-nos ao menos Deus, e isto, já é Teologia.
 
Até amanhã, prometo que mais “descomplicado”!
 
Até amanhã então, em Chaves, cidade com química e todo esse desencadear de reacções (químicas ou não)!
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publicado por Fer.Ribeiro às 03:07
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Terça-feira, 27 de Novembro de 2007

Olhares sobre a cidade de OURIGO - Carlos Gonçalves

Foto de Carlos Gonçalves

 

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Como hoje é Terça-Feira já sabem que o olhar sobre Chaves não é meu, mas sim um olhar diferente de um convidado não flaviense.
 
O nosso convidado de hoje descobri-o no Flickr e dá pelo nick de OURIGO1955, mas tem nome e chama-se Carlos Gonçalves. Quanto à sua naturalidade, é barrosão de Montalegre e os seus olhares sobre a cidade, são olhares quentes, vindos da terra do frio.
 
E sobre o Carlos Gonçalves ou o OURIGO vale a pena uma vista de olhos pela sua galeria de fotos no flickr para a qual deixo aqui o devido link: http://www.flickr.com/photos/ourigo1955/
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Foto de OURIGO / Carlos Gonçalves
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Também tem blog na NET, sobre terras de Montalegre e Barroso, que ele próprio admite não lhe ter dado a devida importância, o que é pena, pelo menos lamento-o (pela minha parte) que também sou amante das terras barrosas, com costela e tudo e, além disso, amante do Deus Larouco e das suas primeiras neves que eu e a rapaziada cá da casa nunca perdemos. Fica também o link para o seu blog e talvez assim anime os seus autores a dar-lhe a continuidade que a terras de Montalegre também merecem:  www.mtr.com.sapo.pt
 
E por hoje é tudo. Ficam dois olhares de Carlos Gonçalves e a promessa de que amanhã cá estarei de novo na cidade de Chaves.
 
Até amanhã!
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publicado por Fer.Ribeiro às 01:14
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Segunda-feira, 26 de Novembro de 2007

Chaves, Largo do Postigo e muralhas medievais, Portugal

 

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Já uma vez referi aqui em tom de brincadeira que em Chaves havia muralhas com janelas. Pois hoje vou mais longe e digo-vos que em Chaves há muralhas com janelas, varandas, quartos, salas e até retretes, ou seja, temos muralhas com casas lá dentro. É o caso da foto de hoje em que as construções em segundo plano estão todas construídas dentro ou em cima das antigas muralhas medievais.
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Hoje vamos a um bocadinho de história, da possível, oferecida por um leigo na matéria (eu), que no período escolar sempre a detestou e que nos últimos anos tem andado por aí à procura da historia de Chaves e, diga-se, que para leigo a tarefa não é assim tão fácil.
Se hoje abordo este tema é precisamente pela maneira complicada como os historiadores apresentam a história e não a oferecem ao povo “descomplicada”, para toda a gente entender.
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Desde que iniciei este blog senti-me na obrigação de oferecer também um bocadinho da história da cidade e, diga-se também, que nas bibliotecas não falta matéria sobre o assunto, mas cada vez que se aborda um flaviense não historiador sobre a história da cidade, está a léguas de distância da nossa realidade passada.
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A maioria das pessoas conhecem as nossas muralhas (restos existentes) e as nossas fortificações de S.Neutel e S.Francisco, mas quando se fala em muralhas medievais e seiscentistas, aí já a porca torce o rabo, pois muralhas são muralhas e são todas iguais, são muralhas e “prontos”, mas às vezes até a tiram pela pinta, pois, as medievais deverão ser da idade média e as seiscentistas talvez dos anos 600, ou 1600 ou século XI ou então XVI… sem dúvida alguma se entrarmos pelos conhecimentos da história que os flavienses Têm sobre a história da cidade, dava pela certa para mais um capítulo da “História de Portugal em Disparates”.
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Como disse no início, também eu sou um leigo nestas matérias da história e pela certa que também contribuiria com alguns disparates, mas tenho tentado informar-me e já sei quais são as muralhas medievais e as seiscentistas e para quem quer ficar a saber qual é qual há um truque simples para as distinguir – as seiscentistas são inclinadas e as medievais não. Claro que o melhor mesmo é ter acesso a uma carta antiga da cidade onde venham projectadas as duas muralhas. No blog Chaves Antiga já deixamos por lá imagens destas.
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Mas vamos a datas e à descodificação da história complicada, começando pelas muralhas medievais e pelo antigo castelo medieval. Atenção que a partir de aqui, já não sou eu a falar, mas antes a informação dispersa ou compilada que encontrarei por aí e que transcrevo, acreditando claro, em que a escreveu.
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“O castelo medieval”
“À época da Reconquista cristã da península Ibérica, Chaves foi inicialmente tomada aos mouros por Afonso III de Leão (866-910), que teria determinado uma reconstrução de suas defesas. Esta primitiva edificação do castelo é atribuída ao conde Odoário, no século IX. No primeiro quartel do século X, entretanto, Chaves voltou a cair no domínio mouro.
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Afonso VI de Leão e Castela incluiu a povoação de Chaves no dote da princesa Teresa de Leão e Castela, quando a casou com o conde D. Henrique de Borgonha (1093), passando a integrar os domínios do Condado Portucalense. A tradição local refere, entretanto, que, por volta de 1160, os irmãos Rui e Garcia Lopes, cavaleiros de D. Afonso Henriques, conquistaram Chaves para a Coroa portuguesa.
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Por volta de 1221, Afonso IX de Leão e Castela, visando assegurar para a sua esposa, D. Teresa, infanta de Portugal, a posse dos castelos que o pai dela, Sancho I de Portugal (1185-1211) lhe legara em testamento, e que o irmão, Afonso II de Portugal lhe reivindicava, invadiu Portugal, conquistando Chaves. O domínio de Chaves só seria devolvido a Portugal entre o final de 1230 e o início de 1231, em virtude de negociações tratadas na vila do Sabugal (então leonesa), entre Sancho II de Portugal e Fernando III de Leão e Castela.
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Embora tradicionalmente se afirme que Chaves foi o local das núpcias de Afonso III de Portugal (1248-1279) com a infanta D. Beatriz, filha ilegítima de Afonso X de Castela, na realidade o soberano dirigiu-se a Santo Estevão de Chaves (1253). Foi este soberano quem, determinando a reconstrução de suas defesas, outorgou o primeiro foral a Chaves, em 1258, com direitos idênticos aos de Zamora, no reino de Leão. Data desta época, assim, o início da reconstrução do castelo com a erecção da torre de menagem.
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O seu sucessor, Dinis de Portugal (1279-1325), deu prosseguimento às obras, concluindo a torre de menagem e a cerca da vila. Afonso IV de Portugal (1279-1325), por sua vez, confirmou o foral à vila (1350).”
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Agora sou eu de novo a falar. Como se pode observar pelo texto que transcrevi, um dos muitos que andam por aí, as muralhas medievais são do ano de…bem…, talvez tivessem… ou melhor, facilmente se pode concluir que as muralhas medievais, são mesmo medievais e da época medieval.
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Quanto às muralhas Seiscentistas e, embora o nome possa induzir em erro, as coisas já são bem mais fáceis e mais recentes. Pois tratam-se de muralhas da Restauração, da mesma que se vai comemorar no próximo Sábado e que resumidamente são muralhas que foram edificadas por todo o nosso Portugal entre 1640 e 1668 para proteger o povo (português) do inimigo castelhano, ou seja, daqueles a quem hoje chamamos espanhóis. Quanto às nossas, reza a história que foram construídas a partir das medievais entre o ano de 1658 e 1662 (embora me pareça muito pouco tempo, pois actualmente para se reconstruir um só baluarte, demorou-se muito mais tempo…pormenores de um leigo).
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Quanto à Restauração, nisto já não somos leigos, pois todos sabemos que é dia feriado em Portugal e até é evocado em canção com os vivas do Rui Veloso … “e viva o Stº António, Viva o S.João, Viva o 10 de Junho e a Restauração…”
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A quem me aturou até aqui, um muito obrigado e desculpem lá a seca, com a promessa de que amanhã cá estarei de novo e se possível, mais breve em palavras.
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Até amanhã em Chaves!
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publicado por Fer.Ribeiro às 03:32
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Domingo, 25 de Novembro de 2007

São Lourenço - Chaves - Portugal

 

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Hoje vamos mais uma vez até São Lourenço, aqui bem pertinho da cidade e de onde ela melhor se avista. Mas não são as vistas de Chaves que hoje interessam, hoje são mesmo as vistas e alguns pormenores de São Lourenço que por aqui deixo.
 
São Lourenço pertence à freguesia das Eiras, fica a 10 quilómetros de Chaves e desenvolve-se ao longo da Estrada Nacional 213 (Chaves-Valpaços) num dos contrafortes da Serra do Brunheiro entre colinas e outeiros. Mas tem um pequeno núcleo que se desenvolve à volta da capela, um núcleo com todas as características das nossas aldeias tradicionais e de montanha e onde geralmente gosto de poisar o meu olhar.
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Mas hoje até é diferente, além da vista geral da aldeia, temos também alguns dos pormenores desse núcleo, presunto e até um avião, que não voa, mas encanta com todos os seus pormenores.
 
Claro que São Lourenço já é bem conhecida de muitos flavienses amantes das merendas com bom presunto, do pão centeio, das azeitonas, da cebola e um bom vinho. Para quem é amante destas dietas, São Lourenço é um destino obrigatório e quer o presunto seja de Chaves ou não, é do bom.
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Mas a aldeia de São Lourenço está também ligada à história milenar pois está situada junto de um povoado pré-histórico, numa plataforma que se espraia até ao Penedo do Califa. Diz ainda a documentação existente sobre a aldeia, que noutro, denominado Penacova, existiu uma vasta caverna formada de penedias, que possuía bancos de pedra, pias e outros objectos graníticos, numa superfície pavimentada com mais de cinquenta metros quadrados. Por esta povoação também passava a via romana, que se dirigia até Pinetran e da qual ainda existem alguns troços, como o que é visível a partir do Miradouro de S.Lourenço e, a nascente da aldeia, ainda existe uma ponte romana com um arco.
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São Lourenço é a povoação mais importante da freguesia, possui campos férteis e muita água e embora os campos ainda se vão cultivando, alguma das suas gentes estão, naturalmente, mais virados para a cidade e segundo a história, Chaves bem lhes pode estar agradecida, pois sempre que Chaves foi palco de acontecimentos históricos, S. Lourenço desempenhou um papel relevante, dada a sua posição estratégico militar.
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A capela é de devoção a Santiago e possui um característico campanário galaico-transmontano. Pequenos mas grandes pormenores que pedem mais uma visita a São Lourenço e mais um registo fotográfico e um post futuro, pelo menos com estes ricos pormenores que a história lhes deixou.
E amanhã cá estarei de novo, de volta à nobre cidade de Chaves pelo Tâmega beijada.
Até amanhã!
 
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publicado por Fer.Ribeiro às 04:02
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Sábado, 24 de Novembro de 2007

Carvela, Chaves, Portugal

 

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Hoje como o dia é dedicado às aldeias, vamos mais uma vez até Carvela, freguesia de Nogueira da Montanha, Chaves, Portugal, quase profundo ou profundo mesmo, mas lá no alto, bem o alto da serra do Brunheiro.
 
Sobre as aldeias, tudo que se diga, não é demais, mas Carvela já é aqui repetente e hoje quero privilegiar a imagem que, diga-se desde já, é de arquivo.
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O frio, o verão, as gentes de Carvela, os seus artistas e pormenores. Claro que por muito que traga aqui, nunca conseguirei trazer a aldeia de Carvela no seu todo, mas pode ajudar um pouco.
 
Carvela é terra de montanha pura, bem lá no alto, já no planalto do Brunheiro, ou seja, as terras mais altas do Brunheiro e ingratas, principalmente os Invernos, frios e secos às vezes ,mas também húmidos, frios e debaixo de nevoeiro intenso, daqueles que entram nas entranhas do corpo. Por seu lado, os verões são quentes e luminosos. Tudo isto é Carvela. Carvela aldeia que tem gente, simpática por sinal e que sabe receber.
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Da última vez que Carvela passou por aqui, deixei um pequeno texto e uma senhora a lavar no tanque público. Desta vez, e para o cenário ficar completo, deixo aqui um homem de Carvela, sorridente e a caminho do campo, fez o jeito para a fotografia, mas também era homem de conversa e quis o destino, curioso destino, que do registo humano que fiz de Carvela fotografasse marido e mulher, em locais distintos e nas distintas tarefas da aldeia.
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Também referi da última vez que Carvela é terra de artistas-artesãos. Da madeira talhadas e esculpidas na escuridão total, não só dos dias, mas também do seu autor, que embora cego, ensina o melhor vidente na arte de bem talhar a madeira. Curiosamente, encontramos também outro artista, este da pedra, que com material bem mais rude e difícil que a madeira, consegue também uma arte mais tosca, com menos pormenores, mas que é arte, uma arte de tempos livres à qual dedica o tempo em que deveria descansar.
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Também nas aldeias a realidade de cada um é uma realidade diferente da do vizinho. Todos iguais na sua rusticidade, que comungam os mesmos frios e ares, mas diferentes na, também arte, de viver a vida.
 
Situada a 874 metros de altitude, Carvela é por excelência zona de pastos e carvalheiras e também batata da boa, e deveria ser por aí que a sua maior importância haveria de se fazer sentir, mas é terra de montanha que é sinónimo de abandono de gentes mais novas e como as outras, é aldeia envelhecida e é pena, pois possui um importante casario tradicional que dadas as circunstâncias também está maioritariamente abandonado. Não é aldeia de grandes casas senhoriais, mas antes do mais tradicional que temos. Na entrada da aldeia encontra-se se a capela de Pardelhas, de razoáveis dimensões, dedicada à devoção da Senhora da Natividade. Está envolvida por um amplo adro, com um coreto, onde se realiza a festa da aldeia em 8 de Setembro, festa esta realizada em conjunto com a aldeia de Maços. Nesse perímetro, dizem os entendidos, que foram encontrados restos de cerâmicas romanas, testemunhos bem evidentes de que terá sido povoada, pelo menos, desde a povoação romana das nossas terras.
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Mas beleza mesmo é subir ao topo do Brunheiro e espraiar as vistas pelo vale de Chaves, por terras da Galiza e pelo Barroso, com o Deus Larouco a espreitar lá ao fundo e a mostrar um pouco da sua imponência, que nos dias mais frios de Inverno se vê sempre vestido de branco.
E sobre Carvela por hoje é tudo, mas sinto que vai ter mais visitas minhas, pois ainda há muitos e precisos pormenores para registar em fotografia. É uma daquelas aldeias que encanta quem gosta de fotografar o que de mais típico há nas nossas aldeias.
 
Até amanhã, por aí, numa outra aldeia de Chaves!
 
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publicado por Fer.Ribeiro às 03:46
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Sexta-feira, 23 de Novembro de 2007

O lamento das Sextas

 

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E como hoje é Sexta-Feira, é dia de lamentos.
 
Ontem tive que me deslocar com um familiar ao Hospital de Vila Real. Consulta marcada para as 9 horas mas o papel dizia para se estar lá uma hora antes, 8 horas portanto. Claro que nas nossas vidas actuais cada vez nos deitamos mais tarde, e acordar cedo, é uma autêntica tortura, mas o que tem de ser, tem de ser, e lá vamos acordando, mas indispostos, é claro! Como não gosto de falar quando estou indisposto, pelo caminho, fui pensando na vida e no Hospital. Afinal tanto lutamos pelo nosso Hospital para nada ou quase nada. É claro que lá vamos mantendo as urgências (desde que não sejam para casos graves) e mais umas valências (desde que não sejam para casos graves – está repetido, eu sei) e ficamos com o edifício (um belo edifício por sinal) e a Custódia para as limpezas. Para uma consulta de especialidade (mais complicada) ou os tais casos mais graves, lá temos que ir até Vila Real! …enfim, a bem ou a mal as politicas de concentração lá se vão aplicando, e fico por aqui, que isto é caso para outro lamento, pois só lamento mesmo é ter de ir até Vila Real, não pela vila em si, que até está crescida e tem muitos mamarrachos, agora até tem mais mamarrachos que Chaves. Para quem gosta de mamarrachos e atabalhoamento, Vila Real é uma boa vila para se viver. Não tiveram um desportivo na 1ª divisão, mas têm uma universidade que serviu de pretexto para a mesma estupidez, construir mamarrachos e crescer sem qualquer planeamento. Mas também não é disto que quero falar, pois em nome do progresso já estou habituado a estas asneiras e de Vila Real a única coisa que me incomoda mesmo é trocarem os oitentas e noventas, por oitântas e novântas, mas até tem a sua graça e dá-lhes um certo ar provinciano e parolo que lhes fica bem. Estou a reinar, é claro!
 
Mas nem há como regressar à terrinha, olhar para as placas da estrada e ver Chaves estampado nelas. Até se respira fundo.
 
Mas vamos ao lamento de hoje.
 
A auto-estrada baralhou por completo as entradas da cidade. Se antigamente as entradas principais e mais nobres da cidade eram feitas (a coincidir) conforme a categoria das estradas,  Estrada Nacional 2 para receber Portugal e que nos anos 60 pasmavam ao entrarem num túnel de 2 quilómetros de amoreiras e outras árvores (quem se lembra, sabe que era uma entrada nobre), logo seguida da estrada nacional 103 para receber gentes vindas de Braga , Bragança e Espanha, a seguir a Nacional 212 para receber gentes de Valpaços, depois a E.N 314 para receber gentes de Carrazedo de Montenegro e finalmente uma estrada municipal, estreita e acidentada para receber os barrosões de Montalegre (não admira que eles sempre estivessem mais voltados para Braga, pois Chaves neste aspecto de comunicações sempre olhou para eles como o parente ou vizinho mais pobre).
 
Pois hoje com auto-estrada tudo continua na mesma, ou seja, a nobreza das entradas mantém-se como sempre e até se beneficiou a entrada da E.N. 2, que polémicas à parte, foi beneficiada e,  estou finalmente chegado ao lamento de hoje. Com tantas entradas mais ou menos nobres na cidade, o nó da auto-estrada logo havia de nos cair na entrada mais foleira que temos. É uma realidade e como flaviense sinto-me envergonhado com a actual entrada principal da cidade. Não haverá por aí alguém bom em cunhas para pedirem a mudança da placa de entrada de Chaves para Vidago ou pelo menos para Curalha, e assim sempre se ia apreciando a paisagem.
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Mas diz o ditado que mais vale uma imagem do que mil palavras e nem há como dar largas à nossa imaginação e assim sempre que saio da auto-estrada pela entrada de Chaves, tento imaginar nos pequenos pormenores obras de arte e miniaturas do Mário Valpaços, transformando charcos (por exemplo) na barragem de Curalha. Fica a explicação das fotos.
 
O que vale é que amanhã este blog descansa as urbanidade numa das nossas aldeias, esquecidas em nome das políticas das concentrações e do progresso, mas que ainda vão sendo algo de bom e genuíno, com gente também boa e genuína que o concelho tem para oferecer.
 
É nisto que dá o ter de acordar cedo para ir a Vila Real.
 
Até amanhã!
 
 
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publicado por Fer.Ribeiro às 02:00
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Quinta-feira, 22 de Novembro de 2007

Entardecer na Lapa - Chaves - Portugal

 

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E eis como da Madalena damos um pulo para um entardecer em Stª Maria Maior, que é como quem diz a cidade urbana, mas pouco, porque ainda é uma cidade pequena e, é assim, pequena, que eu gosto dela. Aliás penso mesmo que os nossos males passam por nunca nos termos contentado em ser aquilo que somos ou seja,  uma cidade pequena da província. Mas atenção que com isto não quero dizer que Chaves não seja uma cidade interessante, antes pelo contrário, ainda é uma cidade interessante onde ainda é bom viver (esquecendo alguns lamentos) e, se não tivesse sido a mania das grandezas, a cidade de Chaves poderia ser bem mais pequena, mas bem mais rica e interessante.
 
Esta cidade existe há mais de 2000 anos e desde, pelo menos, a chegada dos romanos a estas terras que Chaves tem sido uma referência, e que me conste, não foi grandeza que os romanos viram em Chaves, no entanto, foi em Chaves que deixaram autênticas obras de arte, e estou em crer que essas obras de arte vão muito além da nossa Top Model (Ponte) e que descansa (infelizmente) a 4 ou 5 metros debaixo dos nossos pés. Mas afinal que é que os romanos encontraram em Chaves!? Estou em crer que encontraram um rio de águas puras e cristalinas, uma veiga fértil, encontraram águas quentes e termais e um ponto geograficamente estratégico, quer como encontro de vários caminhos, um ponto de passagem e de descanso. Posteriormente, também geograficamente, Chaves ganhou importância militar, e a prova está no castelo do qual ainda sobra a torre de menagem, mas muralhas medievais, nas muralhas seiscentistas e fortes de S.Francisco e S.Neutel e até nos aquartelamentos militares mais recentes que sempre tiveram em Chaves um poiso importante e que ainda hoje se mantém com um Regimento de Infantaria, onde ultimamente se preparam militares para representar Portugal em nobres missões de manutenção da paz.
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É claro que os tempos mudam, mas tudo que tínhamos há 2000 anos atrás, ainda o temos, aliás a única coisa que verdadeiramente perdemos foi a importância estratégica militar, mas, curiosamente, foi uma das que se soube adaptar aos tempos actuais.
 
Também é bem claro que não precisávamos de uma cidade tão grande (mesmo que ainda pequena) e com tantos mamarrachos, mas para isso era preciso ter havido a visão política de manter as aldeias atractivas, dando-lhes as condições necessárias, rendimentos e modos de vida necessários para não as abandonarem. Como!?, não o sei, pois não sou especialista na matéria, mas, presumivelmente, vamos depositando o nosso voto regularmente em quem supostamente deveria saber e preocupar-se com os nossos destinos, para isso é que lá têm as suas regalias e os seus vencimentos chorudos. Lamentos dos quais não me consigo desprender, mas isso, os lamentos, ficou estipulado passarem por aqui às sextas-feiras (enquanto me puder lamentar), mas hoje é quinta-feira e não quero por aqui lamentos.
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Hoje quero mesmo é um entardecer na cidade. Três olhares diferentes tomados do mesmo local. O Histórico e religioso, a poluição das comunicações e das televisões que não só poluem o convívio das famílias como poluem os olhares sobre os telhados (mas que ao entardecer dão sempre belas fotos) e por último o casario centenário a assistir à despedida de mais um dia.
 
Até amanhã, dia de lamentos sobre a cidade.
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publicado por Fer.Ribeiro às 00:25
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Quarta-feira, 21 de Novembro de 2007

Madalena, Chaves, Portugal

 

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Já sabem de  vez em quando regresso às origens, por isso hoje poiso olhares sobre a madalena, sobre pequenos pormenores e muitas recordações de infância. O marco do correio que recebeu muitas “cartinhas de Lâminas” sem remetente nem destinatário e que por telepatia de inocência de crianças lá chegaria ao destino pensado. Não há nada que se compare ao imaginário de uma criança e temos pena de adultos, ver como ficam esquecidos marcos da história e das estórias contadas nas cartas e como já nem sequer respeito há por estes símbolos, mais um bocadinho e desaparecia. Ficou anão, mas está lá a marcar presença, mesmo que não dêem por ele e já não cumpra a sua nobre missão de recolher para dar notícias ao mundo, pois hoje é mais mail’s e sms’s, tudo tecnologia de ponta, mas sem o gosto de abrir uma carta e de sentir a textura do papel ou o cheiro da tinta. Temos saudades, claro que temos!
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Sabe bem andar pelos velhos caminhos dominicais, pois por aqui era só mesmo aos Domingos, na hora da missa, vestidinho de roupinha domingueira, pois de resto era veiga, quando a veiga ainda era veiga, mas como por encanto, ainda aparecem imagens do passado, as velhas bicicletas e os sacos de couves, que estes, pela origem, ainda são certificados e vão fazer a delícia de uma mesa qualquer.
 
Hoje ficam as imagens actuais de um passado vivido intensamente no lado rural da cidade e, lá se vai recordando uma ou outra passagem que a memória ainda retem da infância, do tempo dos sonhos.
Até amanhã, em Chaves cidade.
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publicado por Fer.Ribeiro às 03:08
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Terça-feira, 20 de Novembro de 2007

Um olhar de Filipa de Almeida Garret sobre a cidade

 

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E como hoje é terça, vamos até um olhar diferente sobre a cidade de Chaves.
 
Temos a nossa Top Model como ex-libris da cidade, por direito próprio, mas nem que fosse pelo respeito à sua idade. A torre de menagem, pesem as muralhas de betão, ainda se consegue impor como o actor principal da cidade, pois como todos os actores, conhecem bem os locais privilegiados do palco e de fazer valer a sua postura. Temos muita história, milenar e centenária para contar, que está bem patente nas construções militares das muralhas medievais e seiscentistas, onde são visíveis e bem, os nossos fortes de S.Francisco e S.Neutel. No campo religioso, não temos grandes mosteiros, mas temos igrejas e capelas que são autênticas maravilhas. Somos uma cidade com história, com grande história, mas, também em pequenos pormenores, somos grandes.
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Passando aos pequenos, mas grandes pormenores, temos muita arte espalhada pela cidade. A arte do ferreiro e serralharia, que não sei porque parece não ter muitos aderentes, mas temos outras, como a do pedreiro e canteiro, a do carpinteiro e do marceneiro que,  fazem desta cidade velha, uma delícia em pormenores, aqueles que todos os dias vemos e de tão habituais que são ao nosso olhar e ao nosso convívio, os ignoramos e desprezamos. É aqui que um olhar diferente, de fora, de alguém que visita a cidade pela primeira vez, se torna interessante, principalmente quando tem o gosto pela fotografia e de o registar para sempre através da sua objectiva.
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Portas, portões, varandas, janelas, gradeamentos, clarabóias, maçanetas, chaminés, mansardas, tudo são pormenores que enriquecem a nossa arquitectura urbana e tradicional do centro histórico de Chaves. É nestes pequenos pormenores que os olhares diferentes são interessantes, como o que hoje vos deixo aqui, de Filipa de Almeida Garret, Lisboeta de nascença ou residência, pois mais uma vez, pouco ou nada sei sobre a autora destas fotos, sei que fez um belo registo das nossas mansardas e pormenores da cidade, dos tais que alguns nos passam despercebidos e que em jeito de concurso, deixo aqui o desafio para localizarem estes pormenores.
 
E sobre a autora dos nosso olhares de hoje, como já atrás disse, pouco ou nada sei. Conheço-lhe o nome, Filipa de Almeida Garret, Lisboa como referência e a sua galeria de fotos no flickr para a qual deixo aqui um link para uma visita: http://www.flickr.com/photos/50584441@N00/
 
E por hoje é tudo, amanhã cá estarei de novo na cidade de Chaves.
 
Até amanhã!
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publicado por Fer.Ribeiro às 02:19
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Segunda-feira, 19 de Novembro de 2007

Chaves, Antigo Liceu e novos blogues - Portugal

 

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E para começar bem a semana, nem há como anunciar novos blogues cá da terrinha. Pois hoje tenho dois novos blogues para anunciar, o primeiro da Associação dos Antigos Alunos do Liceu Fernão Magalhães.
 
Claro que como antigo aluno do Liceu, só me posso congratular com o aparecimento deste blog, pois também foi a minha casa durante uns anos e é uma casa que encanta quem por lá passou, além dos amigos de sempre que por lá se fizeram e que nos têm acompanhado no caminhar das nossas vidas. Guardo gratas recordações do Liceu e espero sinceramente que este novo blog, bem como a associação, sejam um meio para rebuscar na memória as memórias do Liceu.
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Quanto ao blog, está no início, precisa de algumas afinações de imagem e imagens que são desculpadas pela sua juventude, mas que espero vir a ser o tal local de encontro de antigos alunos e amigos ausentes para o qual todos possamos contribuir. Da minha parte podem contar com a minha colaboração. Quanto aos órgãos sociais da associação dos antigos alunos, dos nomes que conheço, mais parece a associação dos meus antigos professores, mas estou em crer que sejam considerados como antigos alunos todas as gerações de alunos que passaram por lá, desde os tempos do Liceu Nacional de Chaves até à actual Escola Secundária Fernão de Magalhães, e digo isto, apenas, porque muitas vezes neste tipo de associações comete-se o erro de pôr de parte ou ignorar gerações, principalmente as mais jovens, acabando estas, por logo à partida, se distanciarem da associação. Um simples reparo a bem da Associação e de todos os antigos alunos.
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Pois as fotos de hoje, as possíveis, são precisamente do Liceu, vistas pelo olhar de um antigo aluno.
 
E claro que a partir de hoje terá também link neste blog, além de ficar aqui o caminho para uma vista de olhos.
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Falei inicialmente em dois blogues.
Pois há outro novo blog em Chaves e que dá pelo nome de “ Ó Chaves quem te vie e quem te vê” diz ser independente e de crítica da vida flaviense e, é assinado pelo pseudónimo de “Imperador Trajano”. É também um blog que está no seu início. Quanto à independência e à crítica da vida flaviense, o tempo o dirá, lamenta-se desde já que o autor não dê o seu nome à autoria do blog, por uma questão de credibilidade, no entanto posso estar enganado e até compreendo o seu autor, pois o que é de lamentar mesmo, é que neste país que se diz democrático,  os cidadãos ainda não possam dar nome àquilo que escrevem e pensam com medo a represálias. Parece que a democracia ainda não é tão adulta como se apregoa.
 
Seja como for, aqui fica o link para este novo blog da vida flaviense:
 
http://ochaveschaves.wordpress.com
 
E por hoje é tudo. Amanhã cá estarei de novo com um olhar diferente sobre a cidade, um olhar de alguém que anonimamente por cá passou e registou para a posteridade um olhar da nossa cidade.
 
Até amanhã.
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publicado por Fer.Ribeiro às 04:24
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Domingo, 18 de Novembro de 2007

São Domingos, Chaves, Portugal

 

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Se não fosse por respeito ao santo, em vez de São Domingos chamava-lhe São Dominguinhos e pela única e simples razão de São Domingos ser a aldeia mais pequena do concelho. Em tamanho, da listagem oficial que tenho das aldeias, e para comparar, só mesmo as Nogueirinhas e Peto é que lhe fazem frente, mas estas até fazem jus ao nome que adoptam, pois Nogueirinhas já é diminutivo e Peto, já todos sabemos que são sempre pequenos e magros para as nossa necessidades. Fora estas duas aldeias, existem outras duas que me custa identificá-las: Vale de Zirma da freguesia de Vilar de Nantes e Vila Rei da freguesia de Selhariz.
 
Mas hoje é de São Domingos que se fala aqui, e como tal vamos até lá.
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A 13 quilómetros de Chaves, é uma das portas de entrada do concelho de Chaves para quem sai do Barroso e vem de Boticas, Montalegre (alternativa antigamente muito usada) ou Braga, pela E.N.103. Casas são meia dúzia, contando com as da periferia (leia-se à letra porque é a realidade, exagerada até, pois casas habitacionais serão no máximo três), pessoas suponho serem outras tantas (não vi nenhuma na minha deslocação mas como existem casas e os cães ladravam, suponho que há gente para habitar as casas e dar de comer aos cães), capelas são duas (uma é mais nicho e estão quase juntas) e uma paragem de autocarro.
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Vi-me e desejei-me para conseguir fotos para este post. Valeu-me a capela que tem interessantes pormenores, como o do Santo na torre sineira, que suponho ser São Domingos e um pouco de montanha.
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São Domingos é aldeia pequena, mas o prometido é devido e tem o mesmo direito que as outras a passar neste blog, ainda para mais quando é uma das 6 entradas principais no concelho e bem mais digna que a entrada principal na cidade a partir da auto-estrada.
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Consultei os entendidos, mas sobre São Domingos também nada dizem, aliás resumem-na às capelas e duas ou três casas.
 
E amanhã cá estarei de novo na cidade de Chaves.
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publicado por Fer.Ribeiro às 02:24
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Sábado, 17 de Novembro de 2007

Nantes - Chaves - Portugal

 

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Hoje vamos até Nantes.
 
Nantes é uma aldeia da freguesia de Vilar de Nantes e fica a apenas 4 quilómetros de Chaves, ou seja, mais que uma aldeia é um bairro da cidade de Chaves, aparentemente, apenas isso, pois embora seja uma aldeia urbana, mantém ainda toda a sua ruralidade, principalmente nos que são naturais da aldeia, pois quanto aos novos inquilinos, que nesta aldeia resolveram levantar o seu lar, aí a realidade já é outra, e Nantes apenas lhes serve de dormitório.
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Quis o destino que também eu fizesse desta aldeia o meu dormitório e por ela assentasse arraiais, mas o meu caso até diferente, pois além de vizinho de nascença desta aldeia, há laços de família ligados a Nantes, que sempre é uma referência quando se habitam meios rurais, por muito urbanos que sejam.
 
Mas vamos a Nantes, aldeia.
 
Nantes, situada nas faldas da Serra do Brunheiro foi também terra de belas casas senhoriais rurais, uma ainda se vai mantendo conservada e habitada enquanto a outra, está num lastimoso estado de ruínas e já desenquadrada da sua envolvente original, pois novas construções assombram a sua beleza original, mas, mesmo assim mantém a sua beleza e está piedosamente a pedir um restauro e reabilitação, ainda para mais quando a sua entrada está virada para o largo principal da aldeia.
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No ano de1668 foi erigido em Nantes, pelas qualidades saudáveis do seu clima e já fora das humidades da veiga, o Hospício de Convalescença dos frades do Convento de S. Francisco de Chaves, com uma capela consagrada à Senhora do Socorro, um artístico fontanário (em foto anexa) enquadrado entre belos ornatos e uma fonte de mergulho, muito interessante também.
 
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A capelinha da aldeia é da devoção a Santa Ana, que dá nome ao largo e que se festeja, cada ano, no último domingo de Julho.
 
A aldeia desenvolve-se ao longo da sua rua principal e dentro da minha análise pode mesmo ser dividida em Nantes de Cima e Nantes de Baixo. Embora em Nantes de baixo seja o núcleo nobre da aldeia, com as tais casas senhoriais, as quintas importantes e seja aí o centro de Nantes, com a capela, a escola com alunos e até um jardim de infância, sinal que esta aldeia não sofre de desertificação (pese as casas tradicionais abandonadas), além do largo da festa (largo de Santa Ana) a parte superior da aldeia, a que começa a entrar Brunheiro dentro, é para mim a mais interessante e a aldeia rural de Nantes. Aí possui um interessante cruzeiro que há muitos anos deixou de o ser, pois deixou de estar no cruzamento dos caminhos e foi deslocado para o cimo de uma rocha. Perdeu a sua função de cruzeiro (dizem porque incomodava a circulação no cruzamento) e foi encostado. Perdeu a visibilidade mas mantém todas as características de cruzeiro e encontra-se em bom estado de conservação.
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Embora a aldeia se desenvolva ao longo da sua rua principal, por sinal de inclinação bem acentuada a entrar Brunheiro dentro, a aldeia rural entrava e entra pela veiga adentro. Pois era e ainda é aí que os agricultores (já poucos) de Nantes têm as suas terras férteis e davam o sustento para as famílias numerosas. Mas hoje a realidade é bem diferente e nas suas terras foi até erguida uma cooperativa de habitação com mais de duzentas famílias quase todas elas ligadas laboralmente à cidade e novos bairros habitacionais. É assim uma aldeia dormitório da cidade por excelência mas onde o núcleo antigo de Nantes se mantém ainda quase intacto. Falta a Taberna do tio Chico, que deixou saudades aos clientes habituais e aos “putos dos rebuçados”, mas ainda se mantêm as tertúlias à porta da Taberna, mesmo que esteja fechada.
 
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Aldeia de bons ares, prova está no antigo hospício e também nas duas “raparigas” que hoje deixo aqui em imagem, a Celeste Ramos (Tia Lete) com 94 anos de idade e a Saudade Lavouras (Tia Saudade) com 98 anos, esta com muitas,fascinantes e também difíceis  histórias de vida para contar (mas que não conta) dos velhos tempos do antigo regime e que “morre de medo” que nos seus 100 anos próximos a SIC venha por aí acima para lembrar a data em imagem. Pois estas duas jovens, a Tia Lete e a Tia Saudade são as minhas relíquias de hoje e também as relíquias desta aldeia de Nantes, que demonstram bem que Nantes é terra de bons ares.
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E por hoje é tudo, com mais imagem do que texto, mas para que mal gastar as palavras quando a imagem vale tudo.
 
Amanhã cá estarei de novo com uma nova aldeia do nosso concelho.
 
Até amanhã!
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publicado por Fer.Ribeiro às 02:56
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Sexta-feira, 16 de Novembro de 2007

O lamento das Sextas

 

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Como aos Sábados vamos para uma aldeia, vou passar a deixar aqui todas as Sextas, um lamento sobre a cidade.
 
Pois o meu lamento de hoje vai para as passadeiras de peões das nossas ruas e avenidas, pois já vai sendo habitual ser-se atropelado numa passadeira em Chaves e rara é a semana em que tal não acontece. O último atropelamento, múltiplo, aconteceu há dois dias atrás numa passadeira em frente à escola do Caneiro. Desta vez foram três adolescentes de 15 e 16 anos e segundo apurei uma delas está em estado muito grave.
 
Se às vezes não passa de pernas e braços partidas que lá deixarão para sempre as suas mazelas, outras vezes há em que o atropelamento tem consequências bem mais graves e até mortal.
 
Em conversa de café, muitas vezes é abordado este temas das passadeiras, principalmente após os atropelamentos ou sustos que vamos apanhando, quer como peões quer como condutores e, acabamos por cair sempre a falar das mesmas passadeiras, porque já as temos localizadas e já as conhecemos e sabemos quais o seus defeitos. Nós flavienses ou quem conhece a cidade já conhecemos os pontos negros das passagens, mas e os de fora, os que não conhecem a cidade!? Mas nestas coisas tem que se procurar sempre um culpado e se há peões inconscientes e autênticos suicidas, também há condutores inconscientes e verdadeiros assassinos, mas também acontece muitas vezes, inocentemente e sem culpas, o peão e condutor transformarem-se em inconscientes, até suicidas e forçados culpados, pela simples razão de as passadeiras não existirem, de existirem em excesso ou serem meras e autênticas ratoeiras.
 
Ontem dediquei-me a fotografar algumas daqueles que para mim são passadeiras negras, alguns sítios onde elas simplesmente não existem ou onde sem qualquer explicação razoável existem passadeiras espaçadas de 10 ou 15 metros ou em exagero e também tive conhecimento de algumas feitas a pedido ou por conveniência. É precisamente para estas, algumas que registei e conheço (pois pela certa haverão mais), que hoje vai o meu lamento.
 
Não sei se existem registos por parte da PSP, da Câmara ou da JAE do número de atropelamentos que há nas passadeiras, a gravidade do atropelamento, as causas do atropelamento, a identificação da passadeira e por aí fora, pois seria importante identificar essas passadeiras e tomar as medidas necessárias para que atropelamentos idênticos não se repitam. Se estas entidades não têm o registo e nada se faz é pura e simplesmente lamentável que tal não aconteça. Pessoalmente, eu e grande parte dos flavienses com quem tenho conversado sobre o assunto, temos, quer como condutores, quer como peões,  esses pontos negros localizados e até conhecemos as razões de tal. Posso então concluir que se as entidades responsáveis não têm conhecimento destes pontos negros é porque não querem ou então é o costume de tudo que não passa pela pesada, complicada e demorada burocracia dos papeis, não é oficial e como tal para estes organismos o problema não existe, apenas se fala dele, e tem-se conhecimento por acaso mas não existe em papel para se poder proceder em conformidade, a não ser que o casa já seja tão escandaloso e uma televisão aproveite o sensacionalismo para tornar o caso público e aí sim, todas as entidades responsáveis, em uníssono, dizem ter levantado o devido inquérito e vão repartindo responsabilidades entre sí, pois nunca nenhuma delas é culpada.
 
Nós cidadãos também somos culpados destas situações, pois também sabemos e nada fazemos para resolver estes casos, pois não denunciamos, não conhecemos a lei e geralmente acomodamo-nos e não participamos na vida colectiva da cidade.
 
Mas vamos a alguns dos pontos negros das passadeiras da cidade e desde já deixo aqui os culpados: JAE, Câmara Municipal e PSP, pois ou desconhecem porque não é oficial ou não são cumpridas as suas responsabilidades ou até por teimosias e politiquices.
 
Começando pela passadeira da escola do Caneiro onde se deu o último atropelamento grave e onde anualmente há vários atropelamentos. Suponho que da responsabilidade da JAE. Além de servir uma escola primária, a estrada tem muito movimento. Existem semáforos que pura e simplesmente estão desligados. Existe visibilidade e policiamento à hora de entrada e saída da escola mas a meu ver o problema está mesmo no semáforo desligado, no movimento excessivo e na via dupla que se inicia praticamente em cima da passadeira, iniciando-se também aí perigosas ultrapassagens. Penso que com a abolição da via dupla e o funcionamento dos semáforos poder-se-iam evitar alguns atropelamentos e acidentes.
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Passadeiras da rotunda da Praça do Brasil. Responsabilidade da JAE (suponho, mas aqui e em todas as passadeiras dentro da cidade, embora possam ser da responsabilidade da JAE, são também responsabilidade da Câmara Municipal). Além de a maior parte do tempo estarem com a pintura imperceptível e gasta, estão perigosamente mal localizadas, pois o diâmetro da rotunda não é assim tanto para se justificar 4 passadeiras em plena rotunda, quando mesmo ao lado, nos triângulos de acesso à rotunda existem outras tantas passadeiras. Rotunda com via dupla (duplo perigo). Solução: Abolir as passadeiras da rotunda e assim se evitarem os atropelamentos frequentes em duas das passadeiras, pois as outras duas raramente são usadas.
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Passadeiras da Escola da Estação. Os perigos nascem na via dupla nos dois sentidos e no separador central ajardinado com arbustos (camélias) que tiram toda a visibilidade aos condutores. O problema já não é de hoje e até é conhecido pelo município, mas aqui penso mesmo que é uma questão de teimosia e politiquices caseiras, pois o problema seria resolvido com o abate de meia dúzia de camélias de ambos os lados da passadeira, tal como aconteceu junto à escola Dr. Júlio Martins.
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Avenida Miguel Torga (a tal da escola Dr. Júlio Martins). Aqui acho mesmo que o pecado está no excesso de passadeiras e a perigosidade do separador central e via dupla em ambos os sentidos. Não consigo compreender como em 200 metros de via há 6 passadeiras e entre algumas haver apenas uns 10 metros de distância. Aqui o problema está em convidar o peão a passar (geralmente alunos da escola e ao magote) onde lhes dá a gana, quando quanto a mim estas passagens deveriam ser concentradas no mínimo de passadeiras possível e assim ganharem mais visibilidade. Penso que pelo menos duas passadeiras estão a mais.
 
Todas as passadeiras da Avenida Nun’Alvares são um perigo e aqui parte em algumas pela sua localização, havendo uma que não tem qualquer justificação de existir, mas o mais grave está nos estacionamentos diários em cima das passadeiras. Aqui as culpas poderão ser repartidas pela Câmara Municipal quanto à sua localização e na falta de policiamento eficaz e contínuo por parte da PSP.
 
Passadeira do monumento entre o edifício Nova York e o Banco Totta. Aqui é a falta de visibilidade para os condutores que torna esta passadeira perigosa. Culpas para a Câmara Municipal e talvez RESAT, pois deveria existir um espaço de protecção à passadeira onde fosse garantida a visibilidade. Solução, retirar os contentores do lixo de cima da passadeira e abolir dois ou três estacionamentos. Mas abolir, não é suficiente, pois aqui justificavam-se a colocação de pinos ou outra solução que impossibilitasse mesmo o estacionamento.
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Logo a seguir a passadeira do cemitério no início do viaduto. Esta embora sinalizada com sinalização vertical, os condutores só se apercebem da passadeira quando estão em cima dela, pois está localizada a seguir a uma lomba que lhe tira toda a visibilidade. (notem que me refiro a estes pormenores e problemas estando a pensar em condutores não habituais na cidade, pois nós flavienses já temos mais ou menos estes pontos localizados. Mas a cidade está aberta para todos as ruas não são só para flavienses). Aqui a solução é complicada. Penso que o melhor era mesmo abolir esta passadeira ou então ser assinalada com lombas e pinturas de aviso prévias.
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No final deste viaduto, junto ao hospital. Aqui não existe qualquer passadeira, quando no meu entender deveriam existir duas, ou pelo menos uma, a da saída do estacionamento.
 
Em frente ao Hospital. Mais um caso em que a duplicação de passadeiras com distância entre elas de apenas 10 metros só complica. Uma passadeira era suficiente, nem que a solução passe pela união das duas e se faça uma mega passadeira.
 
Passadeiras da Rua de Stº António, troço desnivelado. Será que aqui existem passadeiras!? Sinalização não existe e será que a mudança do tipo de pedra serve como passadeira? Qual o tipo de pedra que vale como passadeira? Aqui a solução para mim seria drástica, aliás defendida por muitos flavienses, senão pela maioria (tirando os comerciantes que nunca sabem o que querem, e onde a palavra do comerciante tradicional costuma valer mais que a do cliente, quando penso que deveria ser precisamente o contrário, pois comércio sem clientes…). Pois aqui a solução seria pura e simplesmente fechar toda a rua ao trânsito automóvel e nivelar a rua.
 
Passadeiras do Carlton. Penso que com uma passadeira a meio do pequeno troço da rua evitaria os atropelamentos na passadeira à saída do Bacalhau, pois para o condutor esta passadeira está em cima de uma curva num passeio muito movimentado.
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E poderia continuar por aí com mais algumas passadeiras, algumas que conheço e outras que por raramente lá passar não conheço a sua realidade.
 
Embora termine por aqui, penso que este assunto é muito sério, pois não só está em risco a integridade física e até a própria vida dos peões, como também as culpas ou não culpas do condutor estão em caso, mas o mal recai sempre sobre a vitima, que é quem sofre as consequência. Um pouco mais ou aliás, muita mais atenção por parte das entidades responsáveis, é necessária e urgente. As passadeiras deveriam ser repensadas e até, porque não, criar-se um gabinete ou uma espécie de provedor das passadeiras onde a nossa integridade e vida seja cuidada.
 
E termino por aqui o meu lamento sobre as passadeiras, como peão, pai de crianças e condutor e também referir uma coisa que neste como em todos é importante: Civismo, formação e respeito pelos outros, também cai sempre bem e evitaria muitos males deste nosso viver em conjunto e sociedade.
 
Até amanhã numa aldeia onde não sofrem tanto estes males de cidade.
 
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publicado por Fer.Ribeiro às 04:05
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