Sexta-feira, 31 de Outubro de 2008

Discursos Sobre a Cidade - Porrório - de Gil Santos

 

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Texto de Gil Santos

 

 

porrório

 

 

O rio Tâmega, artéria aorta da cidade de Trajano, espraia-se pela Veiga como o manto da princesa pelo salão de baile do palácio. Deus brindou-a com esta bênção que começa a ser reconhecida e dela tirado o devido partido de serviço público. As margens do nosso rio estão irreconhecíveis e começa a dar gosto olhar o Tâmega. Tomaram muitas urbes ter a possibilidade de oferecer aos seus cidadãos uma tal beleza e ainda o descanso idílico dos seus limites.

 

Durante muitos e muitos anos apenas foi possível atravessar o Tâmega a vau - quando a seca o permitia, pelas velhinhas poldras - do Caneiro ao Tabolado, ou pela única ponte existente - a (bi)milenar Ponte Romana, baluarte da cidade. Já nos anos quarenta do séc. XX, no fulgor do Estado Novo, a jusante desta construiu-se a Ponte Nova que, inaugurada nos primeiros anos da década de cinquenta, aliviou finalmente os costados da Romana.

 

O Tâmega divide a cidade em duas: a alta, com o centro medieval, do lado do castelo e a baixa, mais erma e dada às cheias, com a Madalena e o Caneiro. O Caneiro, era praticamente uma rua única, que da ribeira de S. Lourenço conduzia, por entre viçosas hortas, por essa Veiga além. Aqui, junto às poldras, nasceu o herói da nossa estória o Porrório.

 

Com origem numa família de parcos recursos e com um rancho de filhos, como quase todas as famílias das aldeias e dos arrabaldes das cidades, Porrório cresceu aos emboleques da vida: descalço, com o monco no nariz, esfomeado, as calças rotas no cu e cheio de porrada e piolhos. Fez-se fino como azougue e o rio era o seu mundo. Ali pescava, lavava as catotas, cucava os ovos nos ninhos dos salgueiros, rapinava os passarinhos já vestidos para fritar e apanhava os melros que criava e ensinava a assobiar como ele bem sabia e depois vendia na feira. Quando podia, fanava uma ou outra postita de bacalhau do que as famílias, com mais posses, punham de molho no rio, ou um punhado de tremoços que as feirantes curtiam nas águas correntes e límpidas do Tâmega. Enfim, assim cresceu e se fez homem a pus de muito bofetão. Apesar de tudo, Deus fê-lo escorreito e respeitador e aos doze anos já mostrava bom lombo para trabalhar. O pai, não demorou a desaninhá-lo e a botá-lo a criado de servir.

 

Correu Seca e Meca, conheceu muitos amos mas não parou em nenhum para lá de meio ano. Depressa aprendeu o suficiente para se estabelecer por conta própria. Retornou à cidade, casou e instalou-se num pardieiro junto à casa onde nascera. A sua empresa tratava de angariar homens para, à jeira, trabalharem nos campos agrícolas da Veiga. Contratava conforme a encomenda dos patrões com quem ajustava as respectivas empreitadas. Portanto, quanto mais depressa os seus homens fizessem a ceifa, a malhada ou a arranque das batatas, mais o Porrório ganhava. Nesta fazenda construiu um pé-de-meia que, não o pondo milionário, contribuiu, ainda assim, para o afastar do trabalho aos sessenta anos, dedicando-se de novo aos deleites das margens do rio. E assim viveu uma vida justa até ser velhinho e falecer antes da Ponte Nova ser inaugurada.

 

Enquanto patrão, Porrório era pouco tolerante para os seus trabalhadores. Contava-se que certa vez, trazendo à sua conta para mais de trinta trabalhadores, que levavam uma embelga de outros tantos regos num arranque de canibeques, um dos homens lhe pediu autorização para ir ao giestal arriar calças. Porrório só a muito custo anuiu à pretensão. Porém, verificando que o trabalhador, naquele serviço, demorara mais tempo do que o que ele achava necessário, no regresso e antes que pegasse de novo na enxada de ganchos e dobrasse a espinha sobre o rego, mandou que o rancho parasse e escutasse a reprimenda. Assim se fez ouvir:

 

─ Oh Gaudêncio, um home p’ra cagar precisa pelo menos de meia hora! Mas não és tu, nem outros como tu, sou eu e outros como eu!...

 

Evidentemente que o pobre do Gaudêncio e todos os outros, perceberam que quem mandava, afinal, na sua tripa grossa era o Porrório!... Sorte madrasta que só a espaçada passagem da lingureta faria esquecer!...

 

Era já sexagenário quando decidiu deixar a vida do trabalho e dedicar o resto dos seus dias aos prazeres da infância: criar de novo melros, armar pescoceiras e dedicar-se à pesca. Dos tremoços e das liscas do bacalhau já não carecia. Agora, podia lerpar do que era seu e à tripa forra se assim desejasse. No entanto Porrório era avarento e só gastava mesmo o que tivesse de ser.Com a actividade da pesca não torrava senão uns míseros tustos em anzóis por ele próprio ser incapaz de os fabricar. A sediela fazia-a de crina de cavalo, a bóia da cortiça de rolha de garrafa, o chumbo de velhos caleiros dos telhados e a cana de bambu que apanhava e preparava devidamente. Quanto ao isco, a mioca para o barbo, apanhava-a, com facilidade, na terra húmida das hortas, o bicho do sebo para os outros ciprinídeos, fabricava-o de uma forma sui generis e que arrepiava os seus pobres vizinhos. Meteu-se-lhe na cabeça que a melhor larva da varejeira era a que criava o corpo de gato morto. Por isso, no tempo desta pesca, gato que lhe passasse a jeito levava com a moca e, morto, era pendurado pelo rabo num caibro do telheiro do seu quintal. No chão punha uma chapa de zinco para aparar a bicharada que ia caindo e que depois metia-a numa lata velha cheia de farelo misturado com serrim. Ora, como é bom de ver, o bicho morto exalava um cheiro nauseabundo que punha os vizinhos em polvorosa, mas isso pouco importava ao Porrório. O que era de veras importante é que do bicho brotassem as larvas roliças. Os vizinhos calar-se-iam com meia dúzia de escalos para a ceia! Mas Porrório não era grande espingarda a pescar. Se cada vez que fosse à azenha do Agapito trouxesse uma dezena de peixes já era muito bom. Quando o rio enlourasse ainda se safava, de resto!...

 

Ora um belo dia de Outono, após uma semana de intensas chuvadas, o rio ia mesmo jeitoso para o barbo. Porrório levantou-se cedo, veio à varanda, debruçou-se sobre o balaústre de madeira, cheirou o tempo como sempre fazia, mirou o rio e com o olhar experimentado decidiu ir pescar. Depois de preparar uma merenda e botar dois calistros de cachaça, entre quatro figos secos que lhe mataram o bicho, meteu-se a caminho para a tal azenha. Pousou-se sobre um penedo junto a um rimance que a corrente fazia jeitoso. Preparou tudo e começou a malhar neles! Bem puxava e voltava a puxar, bem mudava o isco cada vez que a bóia dava de si, mas de barbos nem sinal! Era já hora da merenda quando ferrou o primeiro, um bonito peixe, para cima de quilo e meio. O desgraçado do bicho, nas ânsias da morte, debatia-se heroicamente. Porrório, lutava como podia com a manha dos seus longos anos de experiência e contando ainda com a flexibilidade limitada da sua cana-da-índia. A tarefa mostrava-se difícil, quase impossível até, dada a corpulência e a ferocidade do barbo. E como ele sonhava no sucesso que faria, à noitinha, quando o exibisse na tasca do Malgudo!... Ele puxava para um lado, o peixe para outro e nesta luta invocava a sorte prometendo:

 

─ Oh alminhas uma coroa!... Oh alminhas uma coroa!... Oh alminhas uma coroa!...

 

Tanto lutou, tanto lutou, que a sediela, não resistindo, partiu-se permitindo que o peixe se pusesse ao fresco!...

 

O Porrório, muito zangado, continuou prometendo, agora de forma diferente:

 

─ Oh alminhas um caralho!...

 

Como já se disse, Porrório era muito poupado e sempre que metia na cachimónia que a mulher esbanjava, pintava a manta. Um dia, Marquinhas da Mó, sua esposa, madrugou para cozer o pão. Às seis da matina já suava batendo na masseira um alqueire e meio de farinha, que o moleiro entregou no dia anterior e que estava num canto da casa do forno num coleiro de serapilheira. Às oito a massa já levedava no estendal. Entrementes, acendeu o forno e cortou um cibo de carne da para fazer umas bôlas de carne. Depois de ranhar o forno com um lareiro de ferro, mirou a cor do tijolo burro e pareceu-lhe no ponto para meter o pão. Com a reza do costume, enfornou sete pães e duas bôlas. Passadas umas duas horas e quando se preparava para desenfornar, reparou que o pão não havia crescido como era costume, estando atarracado e com um aspecto pouco apetitoso. Cismava: Seria do fermento, do suor que da testa vertera sobre a massa? Fosse do que fosse, a vida não estava para modas e teria que se morfar mesmo assim. Arrumadas as boroas de centeio na galheira, a um canto da cozinha, quando servia a ceia ao Porrório, este, mesmo antes de se botar ao caldo de baldruegas, franziu o sobrolho, olhou de soslaio para um dos pães que esperava sobre a mesa, encostou-o ao peito e meteu-lhe a faca do Palaçoulo estranhando não a ouvir cantar como era costume. Pegou no encerto e reparou que tinha bezerra. Não esteve com meias medidas, em vez de pespegar uma boa trepa na mulher como à época era costume, correu para a sacada de madeira que dava para a rua e atirou aquele e todos os outros pães para o rio ao estilo do atleta olímpico que lança o disco. No meio deste tresloucado propósito gritava:

 

─ Porrório, o meu capital arde e não faz fumo. Aí vai laje!...

 

O pão batia na água com estrondo perante a admiração dos seus vizinhos. Ao menos que alimentasse os escalos que depois havia de os pescar, pensava ele!...

 

Na Primavera gostava muito de seguir Veiga fora, até Outeiro Jusão, onde ao lado do cemitério apanhava uma rodeira que o conduzia pela margem esquerda do rio à presa onde o Maneta tinha o seu moinho. Aí pescava luzidias bogas quando, na desovam, se esfregavam contra os seixos do fundo.

 

Como todos sabem Maio é o mês dos burros por ser o período do ano em que este, simpático, animal entra no período do cio, isto é anda à cria. Para que melhor se perceba o desenlace desta estória, discorramos brevemente sobre algumas curiosidades destes animais que se dizem em perigo de extinção.

 

O gado asinino, é constituído por animais fortes, inteligentes, de temperamento dócil e que falam zurrando. Estes animais têm, por vezes, comportamentos bizarros. São portadores de uma curiosa faculdade olfactiva secundária que é usada para testar certos odores e a que os doutos chamam “resposta de Flehmen”. Consiste em ficarem com o cachaço levantado, frequentemente virado para um dos lados, enquanto o beiço superior é arreganhado para cima o inferior para baixo. Os queixos ficam juntos, com os dentes da frente, cavilhas longas e amareladas, a descoberto. Exibem esta bizarra figura quando cheiram a urina ou as fezes uns dos outros, presumindo-se que tenha a ver com funções sociais relevantes, pois a urina deve conter informações relativas à receptividade da fêmea e à identidade e estatuto de cada um. Também se pensa que o comportamento de se espojarem rebolando o lombo na terra poeirenta e cobrindo-se com ela, para além das funções de remoção do pêlo e da eliminação das pulgas e carraças, sirva igualmente para o gozo de coçar as costas e, por ser feito em grupo, para conviver com os seus pares. Contudo, ainda mais curioso, é o seu comportamento sexual. A fêmea, contrariamente a bichos de outras espécies, exibe um comportamento sexual muito explícito. Quando anda à cria, mostra-se irrequieta, urina mais do que o normal, agita muito o rabo, fecha e abre a vulva frequentemente e masca quando lhe cheira a macho. Este comportamento de mascar, semelhante ao movimento exagerado de mastigação e no qual os beiços nunca se tocam, é interpretado como um comportamento de submissão. As orelhas posicionam-se deitadas de lado e o pescoço fica esticado horizontalmente. Ela solicita ser montada, colocando-se de costas em direcção ao macho e fazendo pequenos movimentos de saltos com os quadris. Este experimenta a receptividade da burra cheirando os seus genitais e descansando a cabeça nos seus quadris ou empurrando o peito contra a garupa da fêmea. Durante a cópula os machos frequentemente mordem o pescoço da amada, podendo feri-la com alguma gravidade. Por vezes é necessário ajudá-los a encaminhar o abonado pénis na direcção certa.

 

Pois bem, pelo caminho do cemitério de Outeiro Jusão seguia Gertrudes, numa manhã de um luminoso dia de Maio, em direcção à cidade, onde ia pagar a décima de uma leira que tinha às Quartas. Seguia montada, em pêlo, na sua burra Cacilda, um animal lustroso “com o trevo da mocidade eriçado”. Gertrudes vestia saia rodada, até aos pés e blusa de chita às flores, calçava socas pretas de verniz e na cabeça transia um lenço enorme que, se necessário, poderia até fazer de xaile, a burra albardada e com arreios de festa. Pela estrada nacional, oblíqua, seguia Jerónimo com o seu burro Zarabatana pela cabeçada.

 

Não demorou muito que, mesmo à distância, os animais sentissem no ar o silvo da seta de Cupido e ficassem, ambos, loucos de paixão. Zarabatana, não esteve com meias medidas, ensaiou um esticão da corda e soltou-se do amo. Investiu rodeira fora em direcção à Cacilda que já mascava largo! Gertrudes, adivinhando o que se iria passar, apeou-se o mais depressa que pôde. Zarabatana, investia louco como um trovão e armado com tudo o que lhe fazia falta. Espumava de desejo!...

 

Meu amigo, a burra pôs-se a jeito e o Zarabatana, em carreira desenfreada, fez menção de lhe saltar para a espinha. A pobre mulher em pânico, querendo salvar a burrinha daquele alma do diabo, não tem mais nada, quando o burro apontava ao alvo já montado nos quartos da burrita, rapou do lenço da cabeça e tapou a senisga da burrinha. O diacho do Zarabatana que entretanto já tinha a primeira engrenada, não pôde deter o desejo louco de a possuir, e fê-la engolir lenço e tudo!...

 

Quando o serviço estava acabado e os burrinhos alegres e satisfeitos, da contenda amorosa sobrava apenas uma pequena ponta do lenço pendurada, tristemente, antre as pernas traseiras da fêmea. Gertrudes não pensou duas vezes, puxou pelo lenço que, como se imagina, saiu numa lástima! Mas que importava se isso tivesse prevenido aquela gravidez indesejada?...

 

A burra não engravidou. Se foi do lenço, da aflição da dona ou da incapacidade fisiológica dos animais não sei. Creio é que a Getrudes, noutro tempo, teria o exclusivo da invenção do preservativo para a raça asinina!...

 

Porrório observou, pasmado, este espectáculo do cimo de um talude do caminho que o conduzia ao rio.

 

É claro que tão raro e inusitado acontecimento foi, durante largos anos e entre risadas e copos de maduro tinto, motivo de conversa na taberna do Malgudo.

 

E não era para menos…Arre burro!...

 

Gil Santos

 

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Quinta-feira, 30 de Outubro de 2008

Hoje foi notícia - 2ª edição

 

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No âmbito do programa europeu “URBACT”

 

Eurocidade Chaves-Verin vai partilhar experiências com “eurocidades”

 

Em representação da eurocidade Chaves-Verín, o Município de Chaves é um dos parceiros do projecto EGTC (inovação na governança de conurbações transfronteiriças) no âmbito do programa europeu “URBACT”. Trata-se de um projecto que procura encorajar a partilha de experiências entre eurocidades e eurodistritos e disseminar conhecimento acerca de desenvolvimento urbano sustentável.

 

Flavienses aderem à utilização dos oleões

 

Desde que foram colocados na via pública, no passado mês de Junho, os quatro “oleões” existentes na cidade de Chaves têm sido bastante utilizados pelos munícipes, contribuindo desta forma para a produção de um combustível mais ecológico. De referir que os resíduos colocados nestes contentores, óleos e azeites de frituras, são encaminhados para a empresa “Supermatéria”, sedeada no Parque Empresarial em Outeiro Seco, e que se dedica à transformação de óleos e gorduras alimentares em biodiesel.

 

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Fornecimento de refeições aos alunos do pré-escolar

 

No âmbito dos apoios educativos que são concedidos aos alunos que frequentam os ensinos pré-escolar e 1º ciclo, durante o presente ano lectivo, o Município de Chaves continuará a assegurar o fornecimento de refeições às crianças dos jardins-de-infância, da rede pública e alunos do 1º ciclo. Para tal, e à semelhança de anos lectivos anteriores, a Câmara celebrou protocolos com os Agrupamentos Dr. Francisco Gonçalves Carneiro, Nadir Afonso e de Vidago e com as Escolas Secundárias Dr. António Granjo e Dr. Júlio Martins.

 

Nó do Parque Empresarial já foi adjudicado

A empreitada foi entregue à empresa “Socorpena - Construção e Obras Públicas, Lda.”, por 1,528 mil euros, prevendo-se que fique concluída no prazo de seis meses.

 

 

II Feira Produtos da Terra & Artesanato

recebeu mais de 4500 mil visitantes

 

Pelo segundo ano consecutivo a Casa de Cultura de Vidago promoveu a sua Feira de Produtos da Terra & Artesanato.

 

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Projecto “Viver a Escola”

Município renova Protocolo com os três agrupamentos do concelho para a promoção de actividades nos Jardins-de-infância.

 

 

Notícias a desenvolver na próxima edição do Semanário “A Voz de Chaves – O Jornal do Alto-Tâmega”

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Hoje foi notícia - 1ª Edição

 

Valpaços

 

Empresa coloca lista de devedores à porta

 

Os mais de 20 mil euros de dinheiro em falta levou um empresário valpacense a colocar um aviso de dar nas vistas na vitrina da sua loja.

 

 

Chaves

 

Discriminação dá origem a grupo de apoio

 

Cansada de não haver na cidade soluções para casos de discriminação de crianças diferentes, uma flaviense decidiu criar o grupo de apoio “As Joaninhas”.

 

 

Carlos Pintado é treinador adjunto no Sporting de Braga

 

Depois do Departamento Juvenil do Desportivo de Chaves ter entendido que Carlos Pintado não devia ficar nas Escolas B como treinador, este rumou para outras paragens e em Braga integrou as equipas técnicas dos escalões de formação.

 

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Jovens criaram associação para animar aldeia

 

“À Volta do Pote” é o nome da associação que dá vida a Seara Velha e promove estilos de vida saudáveis para a população.

 

 

Notícias a desenvolver na próxima edição do Semanário “A Voz de Chaves – O Jornal do Alto-Tâmega”

 

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Coleccionismo de Temática Flaviense - Marcofilia

 

 

 

Bilhete postal editado pela Casa Geraldes, provavelmente na década de 1940, com o carimbo especial alusivo à primeira mostra filatélica promovida pelo Aero Clube de Chaves, em 1971.

 

Na ocasião, o Aero Clube editou também um envelope comemorativo ilustrado e uma medalha comemorativa, em bronze, já reproduzida em http://chaves.blogs.sapo.pt/289929.html.

 

 

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Quarta-feira, 29 de Outubro de 2008

Feira dos Santos - Edição de 2008 - O Programa

 

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Pois o prometido é devido e cá fica a primeira abordagem à Feira dos Santos, que como todos os anos, arrasta consigo a polémica, que aliás também já é tradição da feira. Estou mesmo em crer, que quando toda a gente estiver de acordo e satisfeita com a feira, a feira acaba e depois, se calha, até vamos ter saudades das suas polémicas.

 

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Este ano, com a ausência do criançada, até aos bonecos dos carrosséis dá o sono

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Ao longo dos anos, pelo menos desde que a conheço, a Feira dos Santos tem vindo a transformar-se e também a adaptar-se aos tempos decorrentes. A feira sim, mas a polémica é sempre a mesma e começa nos nossos comerciantes e no local da feira, ou seja, ninguém a quer à porta mas também ninguém a quer longe e seja como for, os comerciantes cá da terrinha, sentem-se sempre prejudicados.

 

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Num golpe de esperteza da Câmara Municipal, há uns anos atrás, cede a organização e os lucros do “estacionamento das barracas” (ou parte dele) à associação de comerciantes ACISAT, e assim com um tiro, matava dois coelhos: - livrava-se da responsabilidade da feira e calava os comerciantes. E seria o plano perfeito se resultasse, mas pelos vistos não resultou, pois os comerciantes continuam descontentes e o falatório continua na rua e este anos, pelo diz-que-diz que ouvi, até o pessoal das barracas se juntou à polémica, principalmente o pessoal das diversões com o novo espaço que lhe destinaram e com alguma razão, pois excepção para o último Domingo, os carrosséis têm andado para as moscas, pelo menos nos dias em que lá fui com a minha criancinha.

 

Mas a polémica promete não acabar por aqui, pois a separação dos espaços da feira em sítios tão distintos, ainda vai dar que falar, mas vamos esperar para ver como tudo vai correr.

 

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No último Domingo foi uma excepção

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Quanto à organização da feira, da tal que a ser feita com até aqui, a meu ver se fazia sozinha, pois bastava indicar um local ao pessoal das barracas, que eles lá se encarregariam do resto, pois a chamada da ACISAT à organização da feira, em nada a enriqueceu, pelo menos em termos de oportunidades para a cidade e para o concelho poder lançar os seus produtos e tudo aquilo que temos de bom, fazendo da feira (a par da que se faz sozinha) uma verdadeira feira da região e a verdadeira festa da cidade e do concelho. Mas não, continua tudo na mesma, e penso que a única preocupação da ACISAT será mesmo saber quanto vai encaixar de lucro com a feira, pelo menos a julgar pelo programa da mesma, que para encher e “inglês ver” até o jogo do Campeonato Nacional de Futebol da 2ª Divisão entra no programa, como se o mesmo não se realizasse se a feira não acontecesse.

 

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 Imagem de Arquivo

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Enfim, fica aqui o rico programa deste ano da Feira dos Santos que como poderão observar é muito rico em termos de lançamento da região e dos seus produtos e tem pontos altos que desde já destaco, como as arruadas dos Bombos do Marco de Canavezes e o concerto de FENANDO CORREIA MARQUES, que pelo destaque deve ser um nome importante da música portuguesa, seja lá ele quem for (desculpem a minha ignorância musical).

 

Mas vamos lá ao programa, que como sempre, as notas a azul, são minhas.

 

Dia 30 de Outubro

 

10H30 – Arruada – Bombos do Marco de Canavezes

(primeiro momento promocional e cultural do dia)

 

11H00 – Portugal/Suíça, jogo de preparação para o campeonato da Europa Sub 16, Estádio Municipal de Chaves.

 

15H00 – Sessão de Abertura na Sala Multiusos do Centro Cultural de Chaves

(fatos e gravatas a mais para o meu gosto, mas uma boa oportunidade para os que gostam de se mostrar e marcar presença…nunca se sabe o que vai ser o dia de amanhã!)

 

15H00 – Arruada – Bombos de Marco de Canavezes

(segundo momento cultural do dia e alternativa para quem não gosta de cerimónias com engravatados – à mesma hora)

 

21H30 – Conjunto musical – NOVA DIMENSÃO – Largo General Silveira

(com tantos locais para espectáculos e com condições, que Chaves tem, continua-se a insistir nas Freiras como a sala de espectáculos de Chaves, onde sempre se improvisa…)

 

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Imagem de Arquivo

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Dia 31 de Outubro – Feira do Gado

 

08H30 – Feira do Gado, Zona Industrial (junto à Munivel)

 

10H00 – 6º Concurso Nacional Pecuário, Forte de S.Neutel

( Penso ser o maior erro da edição deste ano da feira, separar uma coisa que se quer e sempre esteve junta, pois os “clientes”, curiosos e apreciadores do concurso e da feira do gado são os mesmos – mas vamos esperar para ver)

 

10H30 – Arruada – Concertinas da Venda Nova

(Primeiro momento cultural do dia)

 

12H00 – Festival Gastronómico do Polvo

(vá lá que este ano não é à Galega, o que embora seja pena, pois era bom, caro mas bom. Continua a faltar o festival do presunto e do pastel de Chaves. Esta do festival do Polvo também é uma invenção da ACISAT, pois antigamente, antes de haver festival gastronómico, lá tínhamos que nos contentar com o polvo das barracas, mas está claro que o sabor não era o mesmo…)

 

15H00 -  Arruada – Concertinas da Venda Nova

(segundo momento cultural do dia)

 

21H30 – Conjunto Musical  - FUNÇÃO PÚBLICA – Largo General Silveira

(a este só vou se me garantirem que os funcionários não são os das finanças… que às tantas ainda contabilizam a nossa presença como um sinal exterior de riqueza, pois se não estamos a trabalhar é porque temos rendimentos para nos podermos divertir…  comentários à parte, parece que os rapazes até tocam umas coisas, continua a ser pena o espaço de actuação não ser dos melhores).

 

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Imagem de Arquivo

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Dia 1 de Novembro – Dia de Todos os Santos

 

10H30 – Arruada – Grupos de música tradicional

(só espero que não venham outra vez os Bombos do Marco de Canavezes e as concertinas da Venda Nova – vamos esperar para ver o que isto é…)

 

14H00 – Festival de folclore: Grupo de Danças e Cantares Regionais de Santo Estêvão; Rancho Folclórico de Selhariz, Largo General Silveira.

(aqui nada a dizer, antes pelo contrário, mas se calhar acrescentar um festival de Bandas de Música do Concelho, também não ficaria mal, mas enfim, com tanta preocupação de organização, nem tudo pode lembrar).

 

15H00 – Arruada – Grupos de Música Tradicional

(Repetição do momento cultural da manhã – será que os escuteiros também entram na arruada… sempre faziam número e já estão habituados a arruadas e desfiles de feiras, até medievais ….

 

22H00 – Concerto FERNANDO CORREIA MARQUES – Largo General Silveira

(Como grande momento cultural e musical da Feira, penso que o lugar ideal para este concerto seria o Forte de S.Neutel, pois embora eu não conheça o Fernando, pela certa que as Freiras vão ser pequenas para tão grande artista).

 

Dia 2 de Novembro

10H30/18H00 – Animação de rua

(como mais nada é dito, vou esperar para ver. Quanto mais não seja, são pessoas a andar pela rua abaixo e outras a andar pela rua acima e sempre a cruzarem-se. Se conseguirem arranjar um lugar cómodo e abstraírem-se da envolvência, até é divertido. Eu já experimentei várias vezes e gostei. Claro que é preciso uma pequena dose de loucura e muito intelectualismo e até tem mais movimento que um filme do Oliveira…)

 

14H00 – Festival de Folclore:  Rancho de Folclore da Vila Medieval de Santo Estêvão; Grupo Cultural e Recreativo da Cela; Grupo Folclórico da Associação Desportiva e Cultural dos Amigos de Vilas Boas.

(aqui além de não sabermos onde o festival se vai realizar, que suponho continuará a ser nas Freiras, falta o Grupo de Danças e Cantares Regionais de Santo Estêvão e Rancho Folclórico de Selhariz, mas nada a apontar, pois é gente da terra e é sempre de louvar que as nossas aldeias ainda tenham gente para continuar a tradição)

 

15H00 – Grupo Desportivo de Chaves/Caniçal – 8ª Jornada do Campeonato Nacional, 2ª Divisão – Estádio Municipal de Chaves.

(E ainda dizem que não há corrupção no futebol… algum dia este jogo se realizaria em Chaves se não fossem os presuntos que enviaram ao Medail!? Pois, pois! – Só fico admirado é com o jogo não se realizar nas Freiras, seria ouro sobre azul!)

 

19H00 – Fogo de artifício, Forte de São Neutel

(pensei que com tanto bombo e concertina nas ruas os foguetes fossem para o ar, mas está bem, são no Forte de S.Neutel. Pelo menos não são nas Freiras…)

 

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TODOS OS DIAS – STOCK OUT

“ O Comércio Sai à Rua”, Feira de Stocks do Comércio Local

(vou gostar de ver os comodistas e inconformados dos nossos comerciantes locais com a barraca montada)

 

E já que há Stock out todos os dias, também termino com um THE END ao programa da feira deste ano e se depois de assistir a todos estes festivais, momentos culturais, eventos, palestras e outros ainda lhe restar tempo, dê uma volta pelas barracas e não se  esqueça de regatear, que também faz parte do espectáculo.

 

Quanto aos responsáveis pela feira, o que vale é que tão atarefados que andam  não têm tempo para acompanhar blogs, senão diriam “pois, pois, criticar é fácil!” e eu responder-lhes-ia: Para organizar uma feira que se faz sozinha, com os meios que lhes são dispensados e para um programa destes,  até eu sozinho o conseguia fazer, mas claro, não dispensaria as receitas nem “botaba grabata”.

 

Até amanhã!

 

 

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Terça-feira, 28 de Outubro de 2008

Hoje foi notícia

 

Incêndio urbano testou capacidade de resposta dos bombeiros

 

25 homens, quatro carros de combate a incêndios e um carro de comando e apoio, combateram um incêndio que deflagrou e destruiu por completo uma casa no Canto Passara e Porras, na Fonte do Leite em Chaves.

 

 

 

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Escola Profissional festejou 19º aniversário

 

A Escola Profissional de Chaves (EPC) comemorou o XIX aniversário, entregando os diplomas a 52 alunos que terminaram os seus cursos.

 

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Ténis de Mesa

 

A força do Norte

 

Decorreram na cidade de Faro o primeiro Torneio pontuável para a Classificação Nacional de Cadetes e as atletas flavienses voltaram a estar em grande e subiram ao pódio.

 

 

 

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O olhar de Lamadeiras/Armando Sena, sobre a cidade

 

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O olhar sobre Chaves de hoje é de Lamadeiras ou Armando Sena, que é a mesma coisa, pois o primeiro é nick no flickr e o segundo o verdadeiro nome do dono dos olhares de hoje.

 

Lamadeiras é um amigo do flickr desde já há algum tempo. Não o conheço pessoalmente, mas sei que alguns dos seus passos passam por Chaves e por este concelho. Não o conheço mas conheço-lhe e reconheço-lhe o seu ser transmontano, que embora fora da terrinha (a sua que também é nossa), tem-na presente no coração.

 

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Tanto quanto sei e deixa perceber pela sua galeria de fotos do flickr, Lamadeiras/Armando Sena é nosso vizinho de origem, mais propriamente de Pedome, mesmo aqui ao lado, onde esticando o braço se toca em Tronco, uma das nossas últimas aldeias antes de entrar no concelho de Valpaços, ao qual pertence.

 

E como sempre resta deixar por aqui um link para a sua galeria de fotos, bem interessantes e que merecem uma visita aqui mas, Lamadeiras/Armando Sena, também é companheiro de viagem nesta coisa de bloguear a terrinha e marcar presença na NET, assim é também autor de um blog dedicado à sua aldeia de Pedome, que pelos vistos também sofre dos mesmos males das nossas aldeias, pelo menos a julgar pelo nome/título do blog:  “Pedome - Ao Encontro do Fim  * Retratos de uma terrinha de boa gente. Objectivo de preservar um dialecto muito particular”. Poderá dar uma vista de olhos ao blog e deliciar-se até com os seus post’s do terra-a-terra e dos termos utilizados na aldeia, que afinal também são os nossos. Veja tudo em: pedome

 

 

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Obrigado ao amigo flickriano pelas fotos de hoje e ao Armando Sena, lembro que ainda falta cumprir uma promessa que ainda não esqueci e que cumprirei com um olhar a Pedome, quando deitar um olhar a Tronco.

 

Quanto aos olhares sobre a cidade, as imagens dizem tudo, os olhares nocturnos sobre a praça do Duque que sempre encantam, um olhar também da noite da nossa Top Model e o United Colors of Chaves, a fazer concorrência aos de Casas de Monforte.

 

Até amanhã, com a minha reportagem antecipada da Feira dos Santos, edição 2008.

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:23
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Segunda-feira, 27 de Outubro de 2008

Ilustres Flavienses - António Joaquim Granjo

 

In Ilustração Portuguesa nº337, de 5 de Agosto de 1912, Pag.162

 

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António Joaquim Granjo

(1881 – 1921)

 

 

António Joaquim Granjo é o ilustre flaviense que hoje vai ficar aqui no blog, e se sobre alguns ilustres flavienses irei ter algumas dificuldades em arranjar imagens e biografia, sobre António Granjo há muita documentação escrita e também algumas imagens, a dificuldade será mesmo resumir o que há por aí em livro, artigos, estudos e na net, tudo isto, porque o Ilustre António Joaquim Granjo não é um nome que limita a sua ligação a Chaves, pois é um nome da República e de Portugal.

 

António Joaquim Granjo nasceu em Chaves em 27 de Dezembro de 1881 e faleceu assassinado em Lisboa em 19 de Outubro de 1921, quando desempenhava as funções de Presidente do Ministério, ou seja, presidente do governo português e que equivale hoje ao Primeiro-ministro. O dia da sua morte ficou para sempre registada na história de Portugal como “A Noite Sangrenta” à qual esteve associada a “Camioneta Fantasma”, acontecimentos e morte que viria a ditar o fim da 1ª República de Portugal.

 

 

 

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“Era franco, rude, generoso e exagerado. Tinha todas as virtudes e todos os defeitos do montanhês e quem atentasse no seu tórax herculeo, julgaria admirar um pedaço de granito arrancado lá de cima, das serranias de Trás-os-Montes e afeiçoado pelo cinzel de qualquer escultor amigo de fortes plásticas.”

Consiglieri Sá Pereira

 in A Noite Sangrenta,

Aillaud & Bertrand, Lisboa,1924

 

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Casa onde nasceu António Granjo, junto à ponte do Ribelas nas Caldas, demolida nos finais dos anos 80 para construção do Hotel Aquae Flaviae

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António Joaquim Granjo nasceu em Chaves, em 27 de Dezembro de 1881. Era filho de Domingos Pires Granjo, um curtidor e vendedor de peles e de Maria Joaquina Granjo.

 

Obteve, em 1907, o bacharelato em Direito pela Universidade de Coimbra, para onde se deslocou em 1899, tivera formação religiosa, frequentando o Seminário de Braga, entre 1893 e 1898, e cursando Teologia no Porto, no ano seguinte. Quanto à frequência do Seminário de Braga, não há contudo consenso nos escritos a que tive acesso, pois Júlio Augusto Montalvão Machado, num documento publicado no nº6 da Revista  Aquae Flaviae, referia-se a este assunto da seguinte forma:

 

Por 1899-1900 frequentava o Colégio de S. JOAQUIM e conseguiu agrupar bons companheiros, a quem iniciou magistralmente no seu credo republicano! Devido a iniciativa sua, se começou então a publicar em Chaves o semanário republicano «A Alvorada», que foi querelado e punido (devido a artigo do Granjo), passando seguidamente a publicar-se com o título «Aurora». Colaboradores principais: Antonio Granjo, João Amorim, António Castilho, Maximiano Seixas Martins (Vila Pouca de Aguiar) e João Sarmento, de Soutelinho do Monte. 0 Granjo sentia-se cada vez mais revoltado contra a profissão eclesiástica que lhe escolhiam, não tinha feitio; mas também não queria desgostar a família, que muito sinceramente o estimava. Então no seu jornal, que logo conquistou público, conseguindo impor-se pelo seu valor literário, começou  a satirizar certas criaturas, inclusive António Carneiro, secretário do Vigário Geral, e ainda outros elementos clericais, - havendo (e desta feita, ainda bem!) quem de tudo desse completo conhecimento para o Ver.º Arcebispo de Braga. Sucedeu porém que, terminados os estudos da latinidade, e por obediência aos pais, viu-se obrigado a requerer sua admissão para 0 Seminário de Braga, - onde muito desejava não chegar a entrar. A pobre mãe, ainda iludida, lá conseguiu arranjar o enxoval para a frequência do caloiro nos estudos canónicos, e foi ela própria acompanhar 0 filho a Braga, onde com outros estudantes amigos e da região nortenha, todos foram almoçar à Hospedaria Igo; por lá se acantonaram até à manhã seguinte, em que foi a pauta de inscrição afixada à porta, no gradeamento do Seminário dos Apóstolos, ou Seminário Conciliar, (espécie de Porta-Férrea, de Coimbra), e onde constavam os nomes dos requerentes admitidos. Na longa coluna dos A-A-A ..., não aparecia 0 nome de António Granjo! Produzira efeito o plano urdido na gazeta flaviense, mas o excluído (intimamente radiante) por necessidade e respeito, acompanhava sentidamente as lágrimas da mãe, - e para a contentar ficou logo ali assente que seguiria a continuar os seus estudos na Universidade de Coimbra, onde iria matricular-se na Faculdade de Teologia.”


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Tivesse ou não frequentado o seminário o facto é que assentou praça em 1899 no Regimento de Cavalaria nº 6, mas a 15 de Outubro desse mesmo ano pediu baixa da vida militar, experiência a que dará continuidade mais tarde, quando liderar um grupo de voluntários contra as invasões monárquicas de 1911 e 1912 e integrar o Corpo Expedicionário Português na qualidade de alferes miliciano. Depois de concluir os estudos superiores em Coimbra, regressa à sua terra natal, onde se dedicará à advocacia até se fixar em Lisboa, no ano de 1919.

Quando estudante em Coimbra convive com Cândido Guerreiro, José Lobo de Ávila Lima, Fernando Emídio da Silva, António Abranches Ferrão, sendo António Granjo um dos alunos melhor classificados do seu curso. Casou ainda estudante, em 8 de Outubro de 1906, com Cândida Lamelas. Funda o Centro Republicano de Chaves, que se torna uma verdadeira "sociedade revolucionária" (Rocha Martins, Vermelhos, Brancos e Azuis, vol. II).

A sua actividade política começa no contexto das greves estudantis em Coimbra - quando, em 1907, integra o Comité Revolucionário Académico – e consolida-se, logo a seguir, por via da organização de um núcleo revolucionário em Chaves e da participação no Comité Revolucionário de Trás-os-Montes, onde tem um importante papel na propaganda republicana.

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Desenho em gafite e tinta da china, 14x14cm (1918?) de autoria de Leal da Camara

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Participou na tentativa revolucionária de 28 de Janeiro de 1908, tendo desenvolvido contactos na cidade do Porto, onde vivia o irmão Manuel Augusto Granjo. A sua acção, durante esta tentativa revolucionária republicana que fracassou, seria tomar o forte S. Neutel, em Chaves, para apoderar-se das munições e armas ali existentes.

A 8 de Outubro de 1910, foi proclamada a República em Chaves, com a sua presença na Câmara Municipal. Faziam parte do núcleo revolucionário de Chaves, além de António Granjo o Antão Fernandes de Carvalho, Vitor Macedo Pinto, Adelino Samardã (jornalista e organizador da Carbonária na região transmontana), José Mendes Guerra e António da Silva Correia.

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Na segunda fila (esq.-dir) António Granjo, Nicolau Mesquita e António Vilhena, numa foto do casamento de Artur Maria Afonso e Palmira Rodrigues (pais do ilustre flaviense Nadir Afonso) também na segunda fila abraçados. Foto gentilmente cedida por Laura Afonso.

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A 6 de Outubro de 1911 partiu para Vinhais, para enfrentar as invasões monárquicas comandadas por Paiva Couceiro, levando com ele António Cachapuz, Joaquim Monteiro, Vitorino Vidago e António Luis Pereira. Nesse mesmo ano, dá início à sua carreira de deputado, eleito e reeleito por Chaves até 1921, em que se destaca, logo em 1912, por defender a amnistia para os inimigos do novo regime.

 

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Em 1912, trava-se de razões contra os denominados jovens turcos: Álvaro de Castro, Sá Cardoso, Álvaro Pope, Américo Olavo, que defendiam as opiniões de Afonso Costa, enquanto António Granjo se perfilava ao lado de António José de Almeida.

Em Maio de 1917, ingressa como alferes miliciano no Regimento de Infantaria nº 19, de Chaves, após ter concluído o curso de alferes no Regimento de Infantaria nº18, no Porto. Antes de partir manda elaborar o seu testamento antes de partir incorporado no Corpo Expedicionário Português em direcção à Flandres.

Quando regressa envolve-se nas conspirações e revoltas de 12 de Outubro de 1918 e de 10 de Janeiro de 1919, contra Sidónio Pais. A primeira das tentativas restringiu-se às cidades de Coimbra, Évora e Vila Real. A segunda, deflagrou somente em Santarém.

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Um Duelo entre António Granjo e Álvaro de Castro retratado na Ilustração portugues

nº354 de 2 de Dezembro de 1912 pág.. 720

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Proclamada a República, torna-se administrador do concelho de Chaves e, em 1911, é iniciado na Maçonaria, no triângulo 187, de Santa Marta de Penaguião, adoptando o nome simbólico deBuffon. Pertenceu depois à Loja Cavalheiros da Paz e Concórdia, em Lisboa. Manteve ligações a esta sociedade até ao final da sua vida, quando pertencendo à Loja Liberdade e Justiça, nº 373, de Lisboa, foi alertado por uma prancha datada de 15 de Outubro de 1921, que referia os problemas causados pela "questão dos eléctricos" e a necessidade de "meter na ordem obrigando a cumprir as leis nacionais e estrangeiras" (Rocha Martins, ob. cit.).

Depois de deixar o Partido Republicano Português e de se tornar membro do Partido Evolucionista, integra ainda o Partido Liberal, de que foi líder entre 1919 e a cujo directório pertenceu até 1921. Estreia-se como ministro entre 30 de Março e 28 de Junho de 1919, à frente da pasta da Justiça num governo liderado por Domingos Pereira.

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Fotografia de António Granjo (Ao centro) quando era Presidente do Concelho de Ministros

Acompanhado dos seus ministros - 1921

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Em 15 de Janeiro de 1920, sendo já membro do Partido Liberal, a cujo Directório pertenceu desde os finais de 1919 a 1921, é nomeado ministro do Interior, mas não chega a tomar posse. Quando voltou a ser nomeado para cargos governativos, assumiu a pasta da Agricultura e chefiou o próprio Executivo, ambas as funções decorrendo entre 19 de Junho e 20 de Novembro de 1920, além de se ter encarregado da pasta das Finanças, a título interino, entre 14 de Setembro e 18 de Outubro de 1920. Será, ainda, ministro do Comércio, de 24 de Maio a Agosto de 1921, até acumular, pela última vez, a chefia do Executivo com uma pasta ministerial, desta feita, a do Interior, no período de 30 de Agosto até à Noite Sangrenta de 19 de Outubro de 1921, que ditou a queda do Governo e a sua própria morte.

Da sua participação na Grande Guerra, escreveu um livro de impressões, que intitulou A Grande Aventura (Cenas de Guerra), além de ter publicado poesia e dirigido o jornal A República a partir de 9 de Março a 19 de Julho de 1920, em virtude de António José de Almeida ter sido eleito presidente da República. Volta a assumir esta função entre 20 de Novembro de 1920 e 9 de Junho de 1921. Colaborou ainda na revista Livre Pensamento de Coimbra, em 1905. Foi ainda colaborador de O Norte, Porto, 1918-1920.

Escreveu: Carta à Rainha D. Amélia (1909) e Águas obras em verso; Vitória de Uma Mocidade, 1907; A Grande Aventura (cenas de Guerra), 1919, dedicado ao Regimento de Infantaria nº 19(prosa).

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Visita do Chefe do Governo (António Granjo) a Bucelas - 1921

 

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A Camioneta Fantasma e a Noite Sangrenta

 

Em 19 de Outubro de 1921 a barbárie sai com toda a ferocidade para a rua: uma camioneta fantasma, conduzida por verdadeiros facínoras, vai buscar às suas casas António Granjo, Machado Santos, José Carlos da Maia, e o coronel Botelho de Vasconcelos. Assassinam-nos com uma violência e brutalidade inauditas.

O empobrecimento e o embrutecimento do país é geral. Ninguém sabe o que quer. Ninguém se entende. A fome grassa por todo o lado. Por falta de azeite fecham as fábricas de conservas do Algarve.

Era o começo do fim da Primeira República que tinha sido um somatório de idealismo, instabilidade, ignorância, revoluções, caos e crimes hediondos.

 

Para melhor se entender o conturbada que foi a primeira república fiquemos com alguns acontecimentos dos dois meses que antecederam a noite sangrenta:

 

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António Granjo e o Presidente da República Bernardino Machado e outras individualidades em 1917

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Setembro de 1921

 

- Deputado António Luís Gomes, em 1 de Setembro, considera que o sistema parlamentar está condenado por causa do regime de mentira, ao mesmo tempo que os ministros são uns verdadeiros criminosos que estão a arrancar o sangue do povo português. Conclui salientando: cada vez enjoo mais a política. Nunca entrei para partido algum, porque os partidos da República têm colocado os homens acima dos partidos … Por isso é que os homens de bem se retraem, afastando-se da política.

 

- Artigo em O Século, em 1 de Setembro, sobre a crise das subsistências considera que a classe média ficou entre o martelo e a bigorna.

 

- Confirmada a burla do empréstimo dos 50 milhões de contos através de comunicação diplomática do visconde de Alte em 4 de Setembro. O gabinete de Barros Queirós já conhecia a trama desde 28 de Agosto.

 

- Em 5 de Setembro, comício em Loures, com violentos discursos anti-católicos. Declarações de António Granjo no Senado, em 2 de Setembro são desvirtuadas pelo relato parlamentar do Diário de Notícias, quando se refere que Granjo reconhecia a religião católica como a única do país.

 

- Em 8 de Setembro, Cunha Leal interpela o ministro das finanças sobre a matéria. Sobre os boatos que correm, Vicente Ferreira apenas diz fumo. Na Câmara dos Deputados, intensos ataques aos banqueiros portugueses que serviram de intermediários no processo.

 

- Em 16 de Setembro, o deputado Carvalho da Silva denuncia o facto do governo ter indemnizado com 4 500 contos indivíduos e empresas consideradas vítimas da última revolução. Jornais O Mundo e O Portugal, afectos aos democráticos, são contemplados com 260 e 330 contos, respectivamente.

- Em 17 de Setembro, os trabalhos parlamentares são suspensos até 7 de Novembro.

- Aborta golpe de Estado em 30 de Setembro. O chefe da conjura é o tenente-coronel Manuel Maria Coelho, com o capitão-de-fragata Procópio de Freitas e os oficiais da GNR Camilo de Oliveira e Cortês dos Santos. Presos alguns desses cabecilhas, eles são depois libertados por  António Granjo. Entre os presos, o coronel Xavier Ferreira, Orlando Marçal, Sebastião Correia e Procópio de Freitas.

- Surge um esboço de movimento de salvação pública, subscrito por José de Castro, António Luís Gomes, Jaime Cortesão, João de Deus Ramos, Francisco António Correia, Ramada Curto, Cunha leal, Leonardo Coimbra e Sá Cardoso.

 

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Visita do Chefe do Governo (António Granjo) a Bucelas - 1921

 

 

Outubro de 1921

- Fausto de Figueiredo, um dos financiadores da Imprensa da Manhã, promove encontro de António Granjo e Cunha Leal no Estoril em 5 de Outubro. Nas cerimónias do cemitério do Alto de S. João, na romagem aos túmulos de Cândido dos Reis e Miguel Bombarda, há insultos a Granjo, com morras  à reacção e aos jesuítas. Mas o presidente do ministério manda libertar os implicados no 30 de Setembro que se encontravam detidos. Considera que só pela brandura se consegue governar.

 

O 19 de Outubro de 1921 pode-se considerar como a data do fim da 1ª República, embora formalmente ela continuasse até 28 de Maio de 1926.

Entre o assassinato de Sidónio Pais e os massacres de 19 de Outubro de 1921, Portugal, teoricamente um regime parlamentar, viveu sob uma ditadura tutelada pelos arruaceiros e rufias dos cafés e tabernas de Lisboa e pela Guarda Nacional Republicana, uma Guarda Pretoriana do regime, bem municiada de artilharia e armamento pesado, concentrada na zona de Lisboa e cujos efectivos passaram de 4575 homens em 1919 para 14341 em 1921, chefiados por oficiais «de confiança», com vencimentos superiores aos do exército. A queda do governo de Liberato Pinto, o principal mentor da GNR, em Fevereiro de 1921, colocou as instituições democráticas na mira dos arruaceiros e pretorianos do regime a que se juntaram sindicalistas, anarquistas, efectivos do corpo de marinheiros, etc.. O governo de António Granjo, formado a 30 de Agosto, era o alvo.

 

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.Funeral de António Granjo em Lisboa

O nó górdio foi o caso Liberato Pinto, entretanto julgado e condenado em Conselho de Guerra por causa das suas actividades conspirativas. Juntamente com o Mundo, a Imprensa da Manhã, jornal sob a tutela de Liberato Pinto, atacavam diariamente o governo, tentando provar, através de documentos falsos, que o Governo projectava o cerco de Lisboa por forças do Exército, para desarmar a Guarda Nacional Republicana. No Diário de Lisboa apareceram, entretanto, algumas notas relativas ao futuro movimento. Em 18 de Agosto, um informador anónimo dizia da futura revolta: «Mot d'ordre: a revolução é a última. Depois, liquidar-se-ão várias pessoas».

O coronel Manuel Maria Coelho era o chefe da conjura. Acompanhavam-no, na Junta, Camilo de Oliveira e Cortês dos Santos, oficiais da G. N. R., e o capitão-de-fragata Procópio de Freitas. O republicanismo histórico do primeiro aliava-se às forças armadas, que seriam o pilar da revolução. Depois de uma primeira tentativa falhada, em que alguns dos seus chefes foram presos e libertos logo a seguir, o movimento de 19 de Outubro de 1921 desenrolou-se num dia apenas, entre a manhã e a noite. Três tiros de canhão disparados da Rotunda pela artilharia pesada da GNR tiveram a sua resposta no Vasco da Gama. Passavam à acção as duas grandes forças da revolta. A Guarda concentrou os seus elementos na Rotunda; o Arsenal foi ocupado pelos marinheiros sublevados, que não encontraram qualquer resistência; núcleos de civis armados percorreram a cidade em serviço de vigilância e propaganda. Os edifícios públicos, os centros de comunicações, os postos de comando oficiais caíram rapidamente em poder dos sublevados. Às 9, uma multidão de soldados, marinheiros e civis subiu a Avenida para saudar a Junta vitoriosa. Instalado num anexo do hospital militar de Campolide, o seu chefe, o coronel Manuel Maria Coelho, presidia àquela vitória sem luta.

 

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.Cunha Leal no uso da palavra no funeral de António Granjo

 

Em face da incapacidade de resistir, às dez da manhã, António Granjo escreveu ao Presidente da República: «Nestes termos, o governo encontra-se sem meios de resistência e defesa em Lisboa. Deponho, por isso, nas mãos de V. Ex.a a sorte do Governo...» António José de Almeida respondeu-lhe, aceitando a demissão: «Julgo cumprir honradamente o meu dever de português e de republicano, declarando a V. Ex.a que, desde este momento, considero finda a missão do seu governo...» Recebida a resposta, António Granjo retirou-se para sua casa. Eram duas da tarde.

O PR recusou-se a ceder aos sublevados. Afiançou que preferiria demitir-se a indigitar um governo imposto pelas armas. Às onze da noite, ainda sem haver solução institucional, Agatão Lança avisou António José de Almeida que algo de grave se estava a passar. Perante tal, conforme descreveu depois o PR, «Corri ao telefone e investi o cidadão Manuel Maria Coelho na Presidência do Ministério, concedendo-lhe os poderes mais amplos e discricionários para que, sob a minha inteira responsabilidade, a ordem fosse, a todo o transe, mantida».

Passando a palavra a Raul Brandão (Vale de Josafat, págs. 106-107), «Depois veio a noite infame. Veio depois a noite e eu tenho a impressão nítida de que a mesma figura de ódio, o mesmo fantasma para o qual todos concorremos, passou nas ruas e apagou todos os candeeiros. Os seres medíocres desapareceram na treva, os bonifrates desapareceram, só ficaram bonecos monstruosos, com aspectos imprevistos de loucura e sonho...».

 

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Sentindo as ameaças que se abatiam sobre ele, António Granjo buscou refúgio na casa de Cunha Leal. Cunha Leal tinha simpatias entre os revoltosos (tinha aliás sido sondado para ser um dos chefes do movimento, mas recusara) e Granjo considerou-se a salvo. Todavia, a denúncia de uma porteira guiou os seus perseguidores que tentaram entrar na casa de Cunha Leal para deter António Granjo. Cunha Leal impediu-os, mas a partir desse momento ficaram sem possibilidades de fuga porque, pouco a pouco, o cerco apertara-se e grupos armados vigiavam a casa. Apelos telefónicos junto de figuras próximas dos chefes da sublevação, que pudessem dar-lhes auxílio, não surtiram efeito.

Perto das nove da noite compareceu um oficial da marinha, conhecido de ambos, que afirmou que levaria Granjo para bordo do Vasco da Gama, um lugar seguro. Cunha Leal vacilou. Granjo mostrou-se disposto a partir. Cunha Leal acompanhou-o, exigindo ao oficial da marinha que desse a palavra de honra de que não seriam separados. Meteram-se na camioneta que afinal não os levaria ao refúgio do Vasco de Gama, mas ao centro da sublevação.

A camioneta chegou ao Terreiro do Paço onde os marinheiros e os soldados da Guarda apuparam e tentaram matar António Granjo. Cunha Leal conseguiu então salvá-lo. A camioneta entrou, por fim, no Arsenal e os dois políticos passaram ao pavilhão dos oficiais. Um grupo rodeou Cunha Leal e separou-o de Granjo, apesar dos seus protestos. Os seus brados levaram a que um dos sublevados disparasse sobre ele, atingindo-o três vezes, um dos tiros, gravemente, no pescoço. Foi conduzido ao posto médico do Arsenal.

Entretanto, vencida a débil resistência de alguns oficiais, marinheiros e soldados da GNR invadiram o quarto onde estava António Granjo e descarregaram as suas armas sobre ele. Caiu crivado. Um corneteiro da Guarda Nacional Republicana cravou-lhe um sabre no ventre. Depois, apoiando o pé no peito do assassinado, puxou a lâmina e gritou: «Venham ver de que cor é o sangue do porco!»

A camioneta continuou a sua marcha sangrenta, agora em busca de Carlos da Maia, o herói republicano do 5 de Outubro e ministro de Sidónio Pais. Carlos da Maia inicialmente não percebeu as intenções do grupo de marinheiros armados. Tinha de ir ao Arsenal por ordem da Junta Revolucionária. Na discussão que se seguiu só conseguiu o tempo necessário para se vestir. Então, o cabo Abel Olímpio, o Dente de Ouro, agarrou-o pelo braço e arrastou-o para a camioneta que se dirigiu ao Arsenal. Carlos da Maia apeou-se. Um gesto instintivo de defesa valeu-lhe uma coronhada brutal. Atordoado pelo golpe, vacilou, e um tiro na nuca acabou com a sua vida.

A camioneta, com o Dente de Ouro por chefe, prosseguiu na sua missão macabra. Era seguida por uma moto com sidecar, com repórteres do jornal Imprensa da Manhã. Bem informados como sempre, foram os próprios repórteres que denunciaram: «Rapazes, vocês por aí vão enganados... Se querem prender Machado Santos venham por aqui...». Acometido pela soldadesca, Machado Santos procurou impor a sua autoridade: «Esqueceis que sou vosso superior, que sou Almirante!». Dente de Ouro foi seco: «Acabemos com isto. Vamos». Machado Santos sentou-se junto do motorista, com Abel Olímpio, o Dente de Ouro, a seu lado. Na Avenida Almirante Reis, a camioneta imobiliza-se devido a avaria no motor. Dente de Ouro e os camaradas não perdem tempo. Abatem ali mesmo Machado Santos, o herói da Rotunda.

Não encontraram Pais Gomes, ministro da Marinha. Prenderam o seu secretário, o comandante Freitas da Silva, que caiu, crivado de balas, à porta do Arsenal. O velho coronel Botelho de Vasconcelos, um apoiante de Sidónio, foi igualmente fuzilado. Outros, como Barros Queirós, Cândido Sotomayor, Alfredo da Silva, Fausto Figueiredo, Tamagnini Barbosa, Pinto Bessa, etc., salvaram a vida por acaso.

Os assassinos foram marinheiros e soldados da Guarda. Estavam tão orgulhosos dos seus actos que pensaram publicar os seus nomes na Imprensa da Manhã, como executores de Machado Santos. Não o chegaram a fazer devido ao rápido movimento de horror que percorreu toda a sociedade portuguesa face àquele massacre monstruoso. Mas quem os mandou matar?

 

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O horror daqueles dias deu lugar a uma explicação imediata, simples e porventura correcta: os assassínios de 19 de Outubro tinham sido a explosão das paixões criadas e acumuladas pelo regime. Determinados homens mataram; a propaganda revolucionária impeliu-os e a explosão da revolução permitiu-lhes matar. No enterro de António Granjo, Cunha Leal proclamou essa verdade: «O sangue correu pela inconsciência da turba — a fera que todos nós, e eu, açulámos, que anda solta, matando porque é preciso matar. Todos nós temos a culpa! É esta maldita política que nos envergonha e me salpica de lama». No mesmo acto, afirmaria Jaime Cortesão: «Sim, diga-se a verdade toda. Os crimes, que se praticaram, não eram possíveis sem a dissolução moral a que chegou a sociedade portuguesa».

É esta a história do ilustre flaviense António Granjo, que dá nome a Uma Escola em Chaves, a uma Avenida e que tem hoje o seu devido monumento, com a sua estátua no antigo largo da Estação. Os acompanhantes deste blog e que desconheciam a história de António Granjo, já ficam a saber quem é o Homem da estátua do largo que aponta para a cidade como quem aponta para Portugal.

Bibliografia e fotos:

http://arepublicano.blogspot.com

http://semiramis.weblog.com.pt

http://www.iscsp.utl.pt

Revista Aquae Flaviae nº 6 de Dezembro de 1991

Arquivo Municipal de Lisboa

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:05
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Domingo, 26 de Outubro de 2008

Repórter de Serviço - Praia Fluvial de Chaves

Foto de Dinis Ponteira

 

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Queixinhas… é o que nós somos. Ai o frio isto, o rio aquilo… pois, pois é… está-nos no sangue.

 

Vejam lá o que é desfrutar do rio e do sol…e qual frio qual carapuça!

 

A foto é de ontem à tarde e o repórter de serviço foi o companheiro de viagem  Dinis Ponteira. Obrigado Dinis e manda mais, este espaço também é teu e de todos.

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 15:52
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Avelelas - Chaves - Portugal

 

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Finalmente chego também às Avelelas com um post alargado.

 

Avelelas é uma das aldeias que fazem parte do meu imaginário de criança, do tempo em que se vivia na cidade mas cada família tinha quase sempre duas aldeias à que estava ligada por laços familiares de descendência ou nascença. Por exemplo eu, flaviense de nascença, no entanto o único flaviense na minha família, de pais, irmãos, avós, tios e primos, pois para além da minha cidade de Chaves, eu também sou pertença de Parada do Corgo (em Vila Pouca de Aguiar) e de Montalegre.

 

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No condomínio fechado onde nasci, nome pomposo que hoje se dá para várias famílias que entram pela mesma entrada, mas que no meu tempo até era uma quinta no bairro da Casa Azul (Madalena) a confrontar com uma rua que eu estou certo que foi calçada romana e que mais tarde vieram a baptizar por Rua Cabeça da Galinha (vá lá saber-se porquê), viviam 5 famílias e, embora os filhos dessas famílias fossem todos flavienses de nascença (á excepção dos meus irmãos barrosões) os pais dessas mesmas famílias tinham origens em aldeias ou vilas. Vilarandelo, Carrazedo de Montenegro, Nantes, Ribeira das Avelãs, Moure e Avelelas eram aldeias de origem do “condomínio fechado”. Aldeias que arrastavam com elas apelidos e aos quais esses apelidos estão ligados. Os Milheiros e Abelhas e Vilarandelo, os Pintos de Carrazedo ou os Baías das Avelelas, eram também apelidos conhecidos na quinta do Tio Domingos americano, o nosso condomínio fechado.

 

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Conheço assim as Avelelas do tempo em que aprendia o B-A-B ou o 1+1, tudo pelo vizinho do “condomínio” que tinha lá nascido e que tantas vezes falava da terra.

 

Na altura as Avelelas ainda ficavam longe e caras, talvez por isso não fosse frequente os seus filhos visitarem-na amiúde como desejavam, e então matavam saudades ou desabafavam falando dela, como era o caso do Sr. António.

 

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O Sr. António era e ainda é, um avelaleiro (será que é assim que se diz!?) que veio, ainda em puto, para a cidade como empregado do comércio, para uma das casas bem conhecidas da altura. Esteve dois anos a trabalhar à experiência em troca de dormida e comida. Após dois anos passou a empregado, com a condição de ser obrigatório usar gravata e com o vencimento de 100 escudos anuais, aos quais nunca viu a cor, pois as despesas de alimentação, estadia, vestimenta e alguns adiantamentos inevitáveis de envios de dinheiro para os pais,  eram descontados ao suposto ordenado e, quando chegava à altura de receber os 100 escudos, às vezes estava com saldo negativo ou então estava ela-por-ela. Vir da aldeia para trabalhar na cidade, tinha os seus custos, e ser empregado de balcão, era um curso caro. Claro que com o tempo e a velhice, o Sr. António foi subindo de posto, sempre no comércio e hoje já está reformado. Nunca fui com ele às Avelelas, mas numa das últimas vezes que lá estive, foi com o Sr. António e com uma das irmãs,  que tive o grato prazer de conviver, em dia de festa na aldeia. Quanto à irmã, mais à frente falaremos.

 

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Tudo isto que disse não é romanceado, é verdadeiro e sincero e a história do Sr. António, é uma história repetida em muitos Antónios daqueles que das aldeias se aventuravam na cidade e caíam na escravatura dos comerciantes da cidade. Escravo, mas com gravata. Graças a Deus que os tempos de hoje são outros e a escravatura da cidade, anos mais tarde, foi trocada por outra (em trabalho), chamada emigração, mas bem mais rentável e digna, embora também difícil, que a do “comércio” dos espertos da cidade. O que mais surpreende, é que antónios como o Sr. António, ainda estão agradecidos pela oportunidade que tiveram na cidade.

 

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Vamos então até às Avelelas que hoje tem muitos Antónios na cidade e que regressam à aldeia (hoje que está mais perto) sempre que podem. Talvez por isso a aldeia tenha sempre gente e seja uma aldeia com vida, com muita vida até, principalmente se a visitarmos num fim-de-semana e se a visita for em dia de festa,  bem, aí então retomam-se os dias de antigamente das aldeias do concelho, que as Avelelas ainda matem, com conjunto, banda e foguetes no ar, onde até nem faltam as rifas para os jogos tradicionais e populares que a irmã do Sr. António, a Maria Baía, reinventou para o 15 de Agosto na aldeia. Prometo que no próximo ano vou lá.

 

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Avelelas ficam a 15 quilómetros de Chaves, para onde se vai (mais uma vez) pela Nacional 103, até às Assureiras do Meio. Aí vira-se à direita, sobe-se em curva-contra-curva, um olho no Castelo de Monforte outro na estrada e logo a seguir ao desvio para Sobreira, temos as Avelelas, com o seu casario novo à beira da estrada e o campo de futebol. Foi este tipo de paisagem de entrada que sempre me fez adiar a reportagem fotográfica para depois, enquanto me fui entretendo com Oucidres, Vilar de Izeu, com o Castelo de Monforte e Vila Nova, pois para o meu gosto do tradicional das aldeias do granito ou até do xisto, o que se vê da estrada não é muito agradável, embora louvável. Claro que há excepções, e uma delas é uma recuperação que está em curso junto à igreja, que embora ainda no tosco, demonstra gosto e sensibilidade para o que devem ser as recuperações do casario nas nossas aldeias. Já o mesmo não digo da recuperação que se está a fazer na periferia da aldeia e que é apontado por todos como a coqueluche das recuperações, embora louve também o investimento na aldeia.

 

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Avelelas pertence à freguesia de Águas Frias e em termos de população residente e segundo os dados dos censos 2001, a aldeia tinha 183 habitantes residentes, dos quais 16 tinham menos de 10 anos e 36 menos de 20, embora 57 com mais de 65 anos. Como costumo dizer, os números dizem tudo e neste caso são excepção à regra do despovoamento, pelo menos do mais agressivo. Aliás é bem visível na aldeia a vida que ainda tem, sempre com gente e também com crianças, ou seja, ainda é uma aldeia com saúde e à qual os seus filhos se sentem fortemente ligados e onde é habitual ver muitas caras conhecidas da cidade. Aldeia com crianças, algumas em idade escolar, mas também com escola fechada. Novas políticas da modernidade que também estão a contribuir para a morte de muitas aldeias.

 

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Quanto à história da aldeia e à origem do seu topónimo não encontrei escritos que me pudessem ajudar na feitura deste post. Conheço-lhe em termos religiosos e tradicionais a forte devoção a Santa Bárbara, que até tem capela na aldeia e que segundo me disseram os populares, em dias de trovoada abre a porta da capela e põem a santa à porta e assim afastam as trovoadas.

 

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Suponho que a história da aldeia também estará ligada fortemente ao Castelo de Monforte, não só pela proximidade mas também por ser aldeia que ficava no trajecto para o mesmo e para as suas importantes e famosas feiras, que em termos cronológicos da história, ainda há tão pouco tempo se deixaram de realizar.

 

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E sobre as Avelelas vai sendo tudo. À festa já fizemos uma passagem, embora breve, neste ano. Aos jogos populares que a Maria Baía com a ajuda de gente interessada da aldeia vai realizando nas suas férias de emigrante, já prometi que numa próxima edição estarei por lá para fazer a devida “reportagem”, bem merecedora, não só pela iniciativa mas também por manter viva uma das tradições das aldeias com os seus jogos populares que sempre animavam Domingos, feriados e dias de festa. Uma iniciativa que deveria, tanto quanto sei, ser mais acarinhada, não só por toda a população, mas também por entidades que possam ter interesse neste tipo de acontecimentos – se é que os há!

 

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O por hoje é tudo, sem contudo deixar por aqui o elogio que a aldeia das Avelelas também faz ao fio azul – o melhor, e ainda com muito poucos infiltrados laranjas.

 

Amanhã estamos de regresso à cidade com mais um ilustre flaviense.

 

Até amanhã!

 

  

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:14
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Repórter de Serviço - Rance, uma nova aldeia do concelho de Chaves...

 

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Enquanto não aparece o post sobre a aldeia convidada de hoje, fica uma reportagem do repórter de serviço. Pois ontem andou pela montanha e entre as placas pelas quais se ia guiando, descobriu uma nova aldeia do concelho de Chaves e que dá pelo topónimo de RANCE, fica logo a seguir a Sandamil depois de passar por Capecudos ou talvez Capeludos, não sei… a ferrugem não deixa perceber muito bem.

 

Até breve com mais uma aldeia do concelho de Chaves.

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:30
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Sábado, 25 de Outubro de 2008

Santa Cruz da Castanheira - Chaves - Portugal

 

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E hoje vamos finalmente até Santa Cruz da Castanheira. Digo finalmente porque embora arrancasse de Chaves várias vezes com intenção de a fotografar, fui-me perdendo na sua envolvente e aldeias ou lugares vizinhos, e outros nem tanto, como S.Gonçalo. Como Santa Cruz ficava sempre ali à mão de semear, lá foi ficando sempre para uma próxima visita.

 

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Na realidade a freguesia à qual pertence Santa Cruz da Castanheira, Sanfins também da Castanheira, é um misto de proximidades e promiscuidades mas também de isolamentos, povoamentos e despovoamentos, vida e solidão, aconchego e desterro, de modernidade e antiguidades.

 

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Comecemos pela promiscuidades destas aldeias, que começa logo com a aldeia da freguesia vizinha de Cimo de Vila também da Castanheira, porque por ali anda-se sempre por terras da Castanheira, onde o concelho de Chaves começa a descer e a conhecer o seu términos  e começa a entrar por terras de Valpaços e Vinhais. Mas ia dizendo que a promiscuidade começava logo entre Cimo de Vila e a sede de freguesia – Sanfins, pois as duas aldeias não estão separadas fisicamente. Mas desde Sanfins, esticando o braço, quase se toca em Santa Cruz e de Santa Cruz quase se abraça Mosteiro. São quatro aldeias que são quase como uma aldeia de quatro bairros que vivem no aconchego verde entre montanhas, onde estas foram um pouco simpáticas para com as gentes.

 

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Há depois as outras duas aldeias, uma quase perdida de esquecimento e que dá pelo nome de Polide, que brevemente passará por aqui. A outra, Parada, goza de vistas únicas para o mar de montanhas de Vinhais e vizinhança, aquele mar de montanhas do qual às vezes falo por aqui e por onde as terras e aldeias de S.Vicente da Raia e até mesmo Roriz, também navegam. È sem dúvida alguma, geograficamente falando, o local e terras ideais para definir fronteiras e por onde se entra por uma lado para o mais profundo do nordeste transmontano e pelo outro para um pouco de cheiro a terra quente, sem esquecer a Galiza (também profunda) que espreita ali perto.

 

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São terras e aldeias, que tal como os melhores vinhos do porto, têm de ser mastigadas devagarinho para serem apreciadas devidamente. É preciso entranharmo-nos nelas para se entender o tal misto de coisas e sentimentos onde a vida das aldeias foi mais generosa ou menos, conforme os tempos e as épocas, que têm muita história e estórias para contar de aldeias que sempre viveram no aconchego difícil de se viver na montanha.

 

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Terras de clandestinidades que passaram também por contrabandos, passagem de “peles” e até passagem e abrigo de guerrilheiros anti-franquistas, ou “os espanhóis” como lhes chamavam e por causa deles, estas aldeias viram também alguma da sua gente ser presa pela PIDE. Estórias de tempos difíceis de vida que todos querem esquecidas, por que hoje os tempos são outros. Tempos de modernidade e modernidades, que sem bons acessos, têm acessos dignos e pavimentados, água em casa, electricidade, telefone e a cidade da qual dependem hoje a uns minutos (largos) de distância, mas bem diferentes do tempo em que deslocações à cidade significavam um dia ou até mais, como era no caso da Feira dos Santos que agora temo à porta, em que as populações destas aldeias se deslocavam aos grupos até à cidade e por cá pernoitavam na espera do dia seguinte e faziam da noite da cidade uma festa.

 

Sem dúvida que não faltarão muitas estórias para contar, mas hoje quero mesmo é ir até Santa Cruz da Castanheira.

 

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Conheci pela primeira vez esta aldeia por intermédio de um amigo e colega dos tempos de liceu, em finais dos anos 70. Daquelas amizades que se fazem para toda a vida mesmo que estejamos meses ou anos sem nos avistarmos, e precisamente amizades que são duradoiras porque partilhamos muitos dos bons e também alguns maus momentos de juventude, como se a juventude tivesse maus momentos! Enfim, já se sabe que anos 70, em que as festas das aldeias e freguesias eram as nossas discotecas da altura. Pois um ano lá tocou também irmos até festa da terra do Zequinha. Poucas recordações tenho de então, mas sei desde essa altura que são gente amiga que hoje andam um pouco espalhados por esse mundo fora nas suas vidas, resta (da família) o presidente da junta, que é um dos resistentes de Santa Cruz da Castanheira e onde é obrigatório para sempre que vamos para aqueles lados.

 

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Santa Cruz da Castanheira fica a 27 quilómetros de Chaves e o acesso a partir de Chaves é feito pela tal via estruturante do concelho que o vai sendo a Nacional 103, em direcção a Vinhais, mas só até à Bolideira, pois a partir de aí, temos o Caminho Florestal (penso que ainda é assim que está classificada a estrada) que está devidamente pavimentada e que nos liga quase a um terço das aldeias do concelho. Ou seja, sigam em direcção a Dadim, ou Cimo de Vila, que logo a seguir é Santa Cruz da Castanheira, passando primeiro por Sanfins.

 

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Em termos de população, embora na aldeia haja sempre gente nas ruas e até crianças, casario novo, aliás até nem é uma aldeia típica das construções tradicionais do granito, os números oficiais apontam também para uma aldeia onde o despovoamento tem ganho alguma força. Em 2001 (Censos) havia 86 habitantes residentes, dos quais só 2 tinham menos de 10 anos e 6 menos de 20 anos enquanto que com mais de 65 anos havia 32 habitantes. Contra números não há argumentos, embora (como disse) ainda seja uma aldeia com vida, principalmente aos fins-de-semana com o seu auge no mês de Agosto em que muitos dos seus emigrantes vêm à terrinha matar saudades. Não tenho números nem dados, mas parece ser uma aldeia com muitos emigrantes.

 

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E agora um pouco da sua história, pois Santa Cruz da Castanheira, como toda a freguesia, foi local habitado desde tempos remotos. Testemunho disso foi a descoberta  a nascente da Igreja de cinco sepulturas de pedra, sob um castanheiro, mas que foram injustificadamente destruídas. Há quem levante mesmo a possibilidade de esse local ter sido uma necrópole da Idade Média. A Igreja é de provável estilo renascença, construída no século XVI mas com alterações recentes a julgar pela sua torre sineira.

 

É da tradição que D. Nuno Álvares Pereira tivesse estado instalado neste lugar quando se deslocou de Bragança para Chaves em 1385, pelo que passou a ser padroeira da aldeia a Senhora da Orada e lhe tivesse sido erigido um templo.

 

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Numa das construções da aldeia e ao longo de toda uma fachada encontra-se curiosas inscrições, as quais não sou especialista na matéria para as decifrar. Penso descortinar por lá a data de 1569. Talvez com uma visita ao local com um especialista na matéria se pudesse retirar algo dos escritos. Segundo informações do proprietário da construção já por lá passaram alguns historiadores locais, mas nas minhas pesquisas não encontrei qualquer referência às inscrições. Talvez até existam, mas desconheço.

 

Por hoje ficamos por aqui no que diz respeito a terras da Castanheira. Falta Polide para as terras da Castanheira ficarem com visita completa do blog. Brevemente também está aqui para concluir a freguesia de Sanfins da Castanheira, mas pela certas que continuarão a ser aldeias que constaram no meu itinerário de passeios e visitas.

 

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E para terminar, Santa Cruz da Castanheira, como qualquer aldeia que se preze, também faz honras ao fio azul… o melhor.

 

Até amanhã, com mais uma aldeia do concelho.

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:45
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Sexta-feira, 24 de Outubro de 2008

Discursos Sobre a Cidade

 

 

 

Hoje lembrei-me dos gerânios.

 

Durante um ano, em que as minhas leituras juvenis foram de Kafka a Júlio Dinis, com os mais inesperados autores de permeio, andei intrigadíssimo com estas flores.

 

Encontrava-as com frequência nos romances e novelas da nossa literatura dos séculos XIX e XX. Para minha exasperação, contudo, nunca as encontrava em Chaves.

 

Eu bem perguntava e as pessoas bem se esforçavam por ser simpáticas e prestáveis, mas nada! Ninguém das minhas relações me sabia dizer onde poderia encontrar gerânios...

 

A minha ansiedade crescia, enquanto eu fantasiava já sobre o misterioso aspecto das flores, tão comuns na literatura mas tão desconhecidas no dia-a-dia de amigos e vizinhos. Uma raridade a que Chaves não tinha direito...

 

Certo dia, enquanto conversava com forasteiros na sacada da casa de minha avó, decidi indagar se na terra deles haveria gerânios. A questão vinha a propósito. Comentava eu algumas diferenças entre as expressões, e o léxico, do norte e do sul do país, divertindo-me com essas nuances...

 

Uma das minhas observações favoritas era a de que as pessoas do sul pareciam ter sempre todo o tempo do mundo, enquanto as do norte pareciam andar sempre apressadas.

 

Intrigadas, as pessoas acabavam sempre por fazer a pergunta inevitável, e eu por dar sempre a mesma resposta divertida. "Como é que podes concluir isso partindo apenas do léxico ou de expressões particulares?", perguntavam, desconfiadas.

 

Eu, então, despachava-as. "Fácil. Se perguntares as horas a alguém lá de baixo, poderás certamente ouvir  dizer - dez para as sete, por exemplo. Aqui não. Aqui ninguém te sugerirá que ainda falta muito para as sete... Sugerir-te-ão até, muito compenetradamente, que já são sete horas. Sete menos dez..."

 

Ora, depois de lhes ter dado o tratamento habitual, decidi ser mais simpático, permitindo-lhes que se exibissem, também, ou que pudessem ser prestáveis perante a minha ignorância. E voltei à carga com os gerânios.

 

Naquela sacada existiam, desde que eu me lembrava, uns vasos com sardinheiras, cujas flores, brancas, rosas ou vermelhas, me encantavam. Não me agradava muito era o cheiro da planta. E então avancei a questão. "Lá na vossa terra haverá gerânios? Era uma planta que eu gostaria de colocar aqui, para substituir o cheiro desagradável das sardinheiras..."

 

Mal tinha eu acabado a frase, já eles se riam a bandeiras despregadas!

 

Entre risos de mofa, um deles lá me foi dizendo - "Haver, há. Só que não sei se cheirarão muito melhor que as sardinheiras... É que, sabes, as vossas sardinheiras são os nossos gerânios..."

 

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publicado por blogdaruanove às 00:27
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Quinta-feira, 23 de Outubro de 2008

Hoje foi notícia

 

 

Biblioteca organiza acção de promoção da leitura

 

 

“Como incentivar nas crianças o gosto pela leitura”. Esta é uma questão importante para muitos professores, educadores de infância, bibliotecários, animadores sócio-culturais e pais, e que deu mote a uma acção de formação, promovida pela Biblioteca Municipal de Chaves, no âmbito do Programa de Promoção do Livro e da Leitura, lançado pela Direcção Geral do Livro e das Bibliotecas.

 

 

Termas de Chaves recebem Troféu de Qualidade

 

Pela quinta vez desde o ano 2002, as Termas de Chaves foram agraciadas com prémios de qualidade dos seus serviços.

Desta feita, no âmbito do Programa Saúde e Termalismo Sénior – 2007, o INATEL atribuiu o Troféu de Melhor Unidade Termal às Termas de Chaves, à semelhança do que já aconteceu nos anos 2002, 2005 e 2006.

 

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Museu Ferroviário de Chaves supera expectativas

 

Todos os anos, milhares de visitantes passam pelos vários espaços museológicos da cidade de Chaves. Em 2007, por exemplo, passaram pelos Museus de Arqueologia, Arte Sacra e Militar mais de 40 mil visitantes.

 

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“Energy Bus” passou por Chaves

 

Entre 15 e 18 de Outubro, esteve estacionado junto ao Centro Cultural de Chaves um autocarro temático - o “Energy Bus”. Tratou-se de uma iniciativa da EDP, que contou com o apoio da autarquia flaviense, centrada em torno da utilização racional da electricidade.

O objectivo principal deste projecto foi informar, sensibilizar e promover o consumo eficiente da energia eléctrica em Portugal.

 

 

Notícias a desenvolver na próxima edição do Semanário “A Voz de Chaves – O Jornal do Alto-Tâmega”

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 18:27
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Coleccionismo de Temática Flaviense - Emblema Bordado da IBEREX 83

 

 

Emblema bordado com o logótipo da IBEREX 83, III Exposição Filatélica Luso-Espanhola, que decorreu em Chaves, no pavilhão do GATAT, entre 22 e 30 de Outubro de 1983.

 

Com design do arquitecto Florêncio Freitas (n. 1958), este logótipo foi oficialmente reproduzido em cartazes, calendários de bolso e autocolantes, bem como nos catálogos da exposição.

 

A reprodução em  tecido bordado deveu-se a uma iniciativa pessoal de Domingos Valtelhas, proprietário da Casa Plastic, o qual apenas terá mandado executar dois exemplares do mesmo.

 

 

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publicado por blogdaruanove às 01:10
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