Sexta-feira, 31 de Julho de 2009

Discursos Sobre a Cidade, por José Carlos Barros.

 

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Um Exame no Liceu de Chaves

 

conto de José Carlos Barros

 

http://casa-de-cacela.blogspot.com

 

 

Imagino, agora à distância, poucas conjugações mais adversas: eu tinha acabado de fazer dezassete anos, de saber a data do exame de matemática e de me apaixonar por uma rapariga belíssima do décimo primeiro ano de letras.

 

Lembro-me: o Notícias de Chaves aberto no suplemento do Florêncio. Ansioso, nervoso, à espera que ela saísse da aula de Filosofia. E, enfim, a mostrar-lhe o poema acabado de publicar. Era o começo da minha glória literária. Matilde (nome de código) leu vagarosamente. Depois olhou-me. «Que achas?», perguntei. Impaciente. Já a medo. E ela a ler de novo. Vagarosamente. E só então, num tom de opereta, num tom de falsete: «As obras de arte são de uma solidão infinita: para as abordar, nada pior que a crítica.» Eu fiquei a olhá-la, ela riu-se. «Anda», disse. Subimos à Rua Direita, descemos, entrámos na Ana Maria. «Acho que isto te vai fazer bem.» E ofereceu-me as Cartas a um Jovem Poeta, do Rilke.

 

Não me era estranha a aura intelectual que Matilde (nome de código) ganhara dia após dia nos corredores do Liceu. Os seus interesses, os seus conhecimentos, pareciam não ter fronteiras, limites. O Sebou, em compreendendo que havia ali uma chispa, avisou-me logo: «Ui, onde te vais meter.»

 

A matemática, portanto. Essa parecia a maior preocupação de Matilde. O meu exame. Como se os meus desassossegos lhe pertencessem. Uma preocupação a crescer à medida que o meu desinteresse se tornava mais óbvio.

 

Tínhamos combinado passar a tarde a estudar. Em casa dela. E ali estávamos nós, sozinhos, pela primeira vez. Sozinhos. Sentei-me, puxei do caderno de exercícios, do livro de matéria. Ela demorou-se na cozinha. Trouxe, enfim, chá e bolachas champagne, poisou o tabuleiro num canto da mesa redonda. Eu a olhá-la. Interdito. Deslumbrado. A morrer de desejo. Sentou-se. Eu continuava a olhá-la. A imaginar a curva finíssima dos seus ombros sob a blusa leve. «Quero tanto beijar-te, Matilde.» E ela a sorrir como se eu fosse parvo. E eu a respirar com dificuldade. A sentir-me parvo.

 

Matilde quebrou o gelo súbito, encheu duas chávenas com o chá ainda quente. «Bom. Vamos lá então a ver os teus grandes desafios, os teus grandes dramas.» Disse. Decidida, quase a impor uma ordem, a estender a mão esquerda ao livro de matemática. Não disfarcei um sorriso, a ironia, uma certa sobranceria. «Isto é complicado, Matilde. Isto não é filosofiazinha, os pré-socráticos a zimbrar conceitos, o Heraclito, o Zenão. Isto é senos e cossenos, tangentes. As chamadas funções complexas, Matilde.» E ela a corrigir-me: «Funções complexas elementares.» Não queria crer. Mau. Tu não queres ver que à gaja não lhe era estranha a trigonometria? Puxei dos galões. Fiz um ar sério. Abri o livro quase ao acaso. E disparei, pomposo, a arredondar as sílabas: «Pois muito bem: qual o valor máximo da função ípsilon igual a dez mais cinco cosseno vinte xis?» E ela a olhar-me como se me desarmasse. Como se me apanhasse em falso. Eu sem rectaguardas, sem defesas. «Quinze, claro. Dez mais cinco vezes um. É só fazer as contas. Quando é que o factor cosseno vinte xis é máximo? Quando, claro, é igual a um.»

 

A camioneta da carreira de Boticas saía do Jardim do Bacalhau às sete menos vinte. Sentei-me, sozinho, num dos bancos da frente. Sentia-me a pessoa mais infeliz à face da terra. Colei a cabeça ao vidro grande da janela, deixei que passassem por mim os telhados do Santo Amaro, a linha dos amieiros da margem do Tâmega, as valetas da subida de Curalha, os pinheiros da Pastoria, o castanheiro imenso no fim da recta de seiscentos metros que levava de Curalha às curvas fechadas de Casas Novas. E puxei do livro que Matilde (nome de código) me tinha oferecido em resposta a uma solicitação de crítica literária.

 

Foi então que o Sebou se aproximou e se sentou a meu lado. «Então aquilo lá deu em águas de bacalhau.» Continuei em silêncio. Sentia-me triste. «Mau. Já vi que te fodeu a molécula. E que livro é esse?» Abri as Cartas a um Jovem Poeta. De Rainer Maria Rilke. Ao calhas. E comecei a ler:

 

«Ninguém o pode aconselhar ou ajudar: ninguém. Não há senão um caminho. Procure entrar em si mesmo. Investigue o motivo que o manda escrever; examine se estende as suas raízes pelos recantos mais profundos da sua alma; confesse a si mesmo: morreria se lhe fosse vedado escrever? Isto acima de tudo: pergunte a si mesmo na hora mais tranquila da sua noite: ‘Sou forçado a escrever?’ Escave dentro de si uma resposta profunda. Se for afirmativa, se puder contestar aquela pergunta severa por um forte e simples ‘sou’, então construa a sua vida de acordo com esta necessidade.»

 

A camioneta da carreira descia agora da Curva do Leite à Ponte Pedrinha. «Estás bonito, estás», disse o Sebou. E levantou-se.

 

Saí na paragem da Granja. Sentia-me triste, confuso. Nesse tempo eu vivia na Granja. Ia pela estrada, a caminho de casa, quando o Jeremias me acenou lá do fundo, das quatro mesas de plástico da esplanada do café das Sobreiras: «Tudo bem, campeão?» E eu que sim, a inventar um sorriso, a erguer a mão com o polegar esticado.

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:19
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Quinta-feira, 30 de Julho de 2009

Coleccionismo de Temática Flaviense * Porta Chaves

 

 

Porta Chaves com Brasão da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:30
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Quarta-feira, 29 de Julho de 2009

Torga, Chaves e uma imagem para recordar

 

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A poesia e Torga, cabem sempre neste blog. Enquanto a homenagem ao poeta não chega, fica a sua poesia e imagens para recordar.

 

No poema, cada um leia o que quiser ler, pois é aí que está toda a magia da poesia.

 

Chaves, 12 de Setembro de 1983

 

Resguardo

 

Quero-te num poema.

Viva e transfigurada,

Sentada

No banco dum jardim

De versos outonais,

A ver nos horizontes irreais

Sumir-se o tempo, o burlador

Do amor,

Que diz que volta, mas não volta mais.

 

Miguel Torga, in Diário XIV

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:26
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Terça-feira, 28 de Julho de 2009

O Olhar de Mr Conguito sobre a Cidade

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É sempre agradável entrar pelo flickr dentro e encontrar  fotos de Chaves e, até nem é difícil encontrá-las, pois por Chaves já há meia dúzia de fotógrafos que quase diariamente deixam por lá fotos. Mas ser surpreendido com as fotos de Chaves que se encontram no Flickr, isso já é outra música. Não quero com isto menosprezar os fotógrafos de Chaves, antes pelo contrário, mas esses já os conheço, já lhes conheço as virtudes e as qualidades, já lhes adivinho as fotos e os olhares… agora, gostar, gosto mesmo de ser agradavelmente surpreendido com olhares diferentes daqueles a que estou habituado. É o caso de hoje.

 

Na minha espreitadela semanal à procura de outros olhares encontrei o Mr. Conguito, nick de Pedro Dias, professor do 1º Ciclo e natural de Famalicão.

 

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Mas além dos seus belos e interessantes olhares, o encanto prolonga-se nas legendas das fotos, comum a todas as fotos de Chaves e que,  simplesmente diz:

 

“Chaves é uma das cidades mais bonitas de Portugal. Não fosse ela a cidade que me acolheu durante 5 anos...
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Chaves is one of the most beautiful Portuguese cities. It was the city were i lived for 5 years.”

 

Pois é meu caro Mr.Conguito, Chaves sempre teve este encanto, de picar com o seu encanto quem por cá passa. Dizem ser das águas das caldas, mas o encanto está na velha cidade, nas tais pessoas, as mesmas,  que continuam atrás dos balcões das lojas, das mesmas pessoas que gastam as calçadas… e, claro, do bacalhau, pena que não seja regado com um Quinta de Arcossó (branco ou tinto, tanto faz).

 

Mas o nosso fotógrafo convidado de hoje, pelo que se depreende pela sua galeria passou por Chaves durante 5 anos, como estudante do pólo da UTAD. É a essa conclusão que chego também pelo seu blog:  O Sítio do Conguito  - http://mrconguito.blogs.sapo.pt/

do qual lhe roubei também o texto que deixo a seguir, ilustrado com uma foto cá da terrinha (mas não era esta do bacalhau):

 

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“Foi uma oportunidade para rever amigos, colegas, professores e funcionários dos melhores tempos da nossa vida: a boémia universitária!

 

Soube tão bem passear pelas ruas e descobrir que continua quase tudo na mesma. Quase todas as lojas continuam lá, a maioria dos rostos ainda estão atrás das mesmas montras. Os antigos funcionários ainda estão na UTAD. Alguns dos professores já se foram embora, mas outros continuam  pelos corredores.

 

Mas o melhor de tudo foi ver as caras e relembrar as memórias que 8 anos não apagaram. Há muito tempo que eu não passava uma noite (literalmente) sem dar pelas horas com um sorriso de orelha a orelha.

 

Conclusões: estou a ficar "velho" (era o veterano do grupo). A maioria já casou ou caminha para lá. As verdadeiras amizades podem enferrujar mas não quebram!”

 

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Pois meu caro Mr. Conguito (Pedro Dias)  volta sempre e não esqueças a máquina fotográfica para outros belos registos desta cidade.

 

Como sempre fica o link para a galeria de fotos no flickr do nosso convidado. Galeria à qual aconselho uma visita, pois para além de Chaves, também há outras coisas interessantes:

 

http://www.flickr.com/photos/mrconguito/

 

Desta vez só ficam 4 fotos de Pedro Dias, mas ficam mais algumas guardadas para uma próxima oportunidade.

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:59
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Segunda-feira, 27 de Julho de 2009

A Festa da Pintura e do Foclore em Vilas Boas

No Sábado anunciava aqui a festa da pintura e do folclore de Vilas Boas, pois hoje, ficam as fotos, sem comentários.

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:50
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Domingo, 26 de Julho de 2009

Rebordondo - Chaves - Portugal

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Hoje, bem mais tarde do que é habitual, vamos até mais uma aldeia – Rebordondo.

 

Embora este blog já tivesse feito umas passagens breves por esta aldeia, faltava este post alargado, mas vai continuar a faltar o prometido post sobre a família “Bragança”, pois esse continuará em fila de espera, pois pelo seu passado e pela sua história, merece um estudo mais aprofundado. Entretanto, vamos lá até Rebordondo.

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Esta aldeia tem um nome sonante, embora até se esconda ali por terras que não se sabe bem se descaem para os lados de Vidago, se para os lados “das Boticas” ou se, mesmo, aproveitando as vertentes que descaem para o Tâmega, não são terras de um baixo planalto que espreita para o grande vale de Chaves.

 

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Na realidade Rebordondo fica a 15 quilómetros de Chaves e embora pertença à freguesia de Anelhe, o acesso à aldeia (para quem está em Chaves) é comum fazer-se pela Nacional 103, via Curalha e Casas Novas, embora hoje também se possa fazer via Anelhe, para a qual, comummente utilizamos a Nacional 2 ou agora a Auto-estrada.

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Tenho consciência de que este blog geralmente é crítico em relação às coisas que o poder autárquico não faz ou faz mal feito (no meu entender – claro) e que, embora aborde esses temas com consciência crítica, é a minha opinião, ou seja, uma opinião de quem gostava de ter e ver melhor, porque tal é possível. Também é certo que algumas vezes cometemos o pecado da omissão com a tendência de ignorar sem enaltecer aquilo que de bom se vai fazendo, talvez porque aquilo que essas coisas trazem de bem para todos, sejam assimiladas naturalmente como uma coisa que foi feita e está bem feita,  porque naturalmente, assim também era sugerido e,  quem manda, apenas fez aquilo que lhes competia e lhes é exigido. Ou seja, se votamos nos nossos autarcas, acreditamos neles, mas também exigimos deles o melhor que têm para dar e oferecer. Eles, voluntariamente, candidataram-se para representar e servir a população, toda, e,  é também por isso,  que a população olha com naturalidade para as coisas que vão fazendo de bem, pois afinal para isso foram eleitos e para isso lhes pagam, mas, não esquece nem perdoa quando lhes viram as costas e os ignoram. O prémio, têm-no nas urnas, quando a elas se sujeitam e o contrário, democraticamente, também deveria ser verdade.

 

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Devaneios à parte,  ia eu dizendo que esquecemos de enaltecer aquilo que os nossos autarcas fazem de bem. Pois também o vão fazendo e,  uma dessas coisas boas que foram acontecendo desde que nos tocou uma fatia dos fundos comunitários, foram a melhoria das acessibilidades entre povoações, pois há coisa de 20 a 25 anos atrás, apenas as principais ligações estavam pavimentadas, ou seja, apenas as Estradas Nacionais e as principais Estradas Municipais tinham direito a pavimentação, maioritariamente em paralelos e com traçados que deixavam muito a desejar.

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Neste capítulo temos que enaltecer o trabalho que foi feito pela autarquia, mas também pelas juntas de freguesia que fizeram com que, neste momento, quase todas as aldeias estejam interligadas por estradas e caminhos pavimentados, havendo apenas um ou outro caso, que ainda não dispensou a atenção da Autarquia.

 

Pois tudo isto para chegar à antiga ligação da nossa aldeia de hoje, Rebordondo e a sua sede de freguesia Anelhe, pois até há coisa de 15 anos atrás, essa ligação era feita por um estradão de montanha que, se de Verão lá ia permitindo aos mais ousados a sua circulação automóvel, de inverno e em tempo de chuva, essa  circulação tornava-se praticamente impossível , tendo a ligação de fazer-se via Chaves, ou seja, ter-se-ia que percorrer cerca de 30 quilómetros, quando as duas aldeias apenas distam 2 quilómetros uma da outra.

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Como dizia no início Rebordondo é um nome sonante, e essa sonoridade deve-a à música que a sua Banda Musical (de Rebordondo) tem debitado por tudo quanto é festa e arraial da região, pois desde sempre, na minha memória, a Banda Musical de Rebordondo faz parte de muito cartaz de festas.

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Pois também desde sempre esta Banda musical existe. Não será bem desde sempre, mas pelo menos na aldeia, já não há memória do início da sua existência. Diziam-me na aldeia, que já quando nasceram os seus  avós, a Banda já existia, e que a estes, os pais, também lhe contavam que a Banda sempre existiu.

 

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Então e mesmo sem memória de uma data de início desta Banda Musical, sem uma data comemorativa, podemos afirmar que será a Banda Musical mais antiga do concelho e pelas contas feitas na aldeia, terá mais de 300 anos. Uma terra de músicos, portanto, com músicos em todas as gerações das famílias da aldeia. Actualmente a Banda tem cerca de 50 elementos, dos dois sexos e maioritariamente da aldeia. Anualmente, em média, fazem 30 actuações, só possíveis, com muita carolice de todos e algumas, poucas , ajudas, de entre as quais do Conselho Directivo de Baldios e da junta de Freguesia. Quanto a subsídios do Município, não há, mas paga as actuações que faz ao seu serviço, ou seja, não faz mais que a sua obrigação. Mas embora o dinheiro ajude e seja necessário para manter com vida a Banda Musical, tocam por gosto à música e também por tradição, não fosse a sua banda a mais antiga do concelho e, pelo tempo que se crê ter de existência, é pela certa também uma das mais antigas do país.

 

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A Banda actualmente (desde há 10 anos a esta parte)  é dirigida musicalmente pelo maestro Manuel Melo, que também é músico da Banda da GNR do Porto, mas quando se fala da Banda de Rebordondo, temos que falar também de outro maestro que esteve durante longos anos ligado a ela, o Sr. Alfredo Duarte “cesteiro”.

 

E sobre a banda Musical de Rebordondo, é quase tudo e só resta mesmo agradecer ao Sr. Rui Rosa, tesoureiro da Banda mas também Primeiro Clarinete da mesma, a disponibilização dos dados e das fotos da Banda Musical. Rui Rosa que nos leva também para mais um assunto deste post – as resinas.

 

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Claro que ao se falar em Rebordondo temos que falar de uma das maiores (senão a maior) mancha de floresta de pinheiros no nosso concelho. Mancha essa que é quase na totalidade baldio que está entregue a um Conselho Directivo de Baldios, de gente da aldeia. Esta é uma das riquezas da aldeia, pois deste pinhal extraem cerca de 20 toneladas de resina por ano, cujos dinheiros que obtêm do seu rendimento, vai dando trabalho a alguma gente da aldeia que trabalha no pinhal, na sua limpeza e recolha de resinas, mas também é aplicado em benfeitorias da aldeia, tendo mesmo construído uma  Casa do Povo, também de apoio à aldeia.

 

Talvez por ainda haver trabalho na aldeia e as suas terras, para além da floresta, ser fértil, é que a aldeia ainda tem vida e gente nas ruas, com crianças que fazem com que a escola ainda se mantenha em funcionamento, mas não só, pois também tem um jardim-de-infância.

 

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Ainda se nasce em Rebordondo, ou melhor, ainda há casais em Rebordondo que têm filhos e, gente para a bola, há para duas equipas de futebol. Podemos assim considerar Rebordondo como uma aldeia que foge à regra das restantes aldeias de Chaves e também à regra do despovoamento, por isso, têm ideias e festa nas ruas. O arranjo do Largo do tanque, onde está também uma lindíssima fonte de mergulho, é uma das promessas da junta de Freguesia e, se o largo nada perde em ser arranjado, desde que seja feito com gosto, o que destoa mesmo no tanque é a sua cobertura em chapa zincada. Aquele recantozinho, de tão bonito e poético, com água tão pura, fresca e cristalina a correr por lá, com mulheres que ainda utilizam os lavadouros, merece uma cobertura digna com o que a tradição manda. Vá lá, quando arranjarem o largo do tanque, mudem também a cobertura e peçam ao vizinho da construção ao lado, que faça o mesmo. Não deixo a foto das coberturas porque em nada dignificam uma aldeia que é tão interessante.

 

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Interessante ficou também o arranjo da casa anexa à igreja, propriedade (suponho) da Câmara Municipal e entregue a uma nova Associação também do Município – A Chaves Social (penso que é assim que se chama, pois de entre tantas associações que a Câmara tem,  não lhes sei ainda os nomes). Mas, a julgar pelo que por lá se pretende fazer, a ideia não é má, desde que a actividade a desenvolver-se por lá seja também (preferencialmente) aberta à população de Rebordondo e desde que os custos/produção da Associação justifiquem a sua existência.

 

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 Quanto ao casario, recomenda-se, pesem algumas reconstruções menos felizes, mas ainda mantém um núcleo interessante de casario tradicional, e uma casa brasonada com capela e quinta anexa, que embora não seja habitação de permanência, a construção está bem conservada e as terras são cultivadas. Ouro sobre azul que só enobrece ainda mais a nobreza do solar. Junto a este solar, existem mais duas casas ligadas às respectivas quintas, também casas não habitadas em permanência, mas também bem conservadas e as respectivas quintas cultivadas. Duas destas casas (o solar e a construção vizinha) são propriedade dos familiares dos seus proprietários originais da família Bragança, a tal família que merece por aqui um post futuro.

 

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Rebordondo, uma aldeia com Banda de Música, gente nas ruas, crianças, escola aberta, cafés, terras férteis e cultivadas, a maior mancha de pinhal do concelho, casario tradicional interessante, casas solarengas, água fresca e cristalina nas fontes. Uma aldeia onde ainda se vive. Claro que também tem os seus filhos emigrados ou ausentes, mas pela vida da aldeia, deve-lhes ser sempre fácil e agradável voltar.

 

Só resta agradecer ao Tesoureiro da junta de Freguesia, Sr. Arlindo Costa, por nos ter acompanhado na visita a Rebordondo. Obrigado.

 

Até breve, com algumas Imagens, apenas imagens, da festa da pintura e do folclore de Vilas Boas.

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:20
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Sábado, 25 de Julho de 2009

Em Vilas Boas acontecem coisas

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E hoje vamos de novo até Vilas Boas, não para o seu post, pois já foi feito, nem sequer para o mosaico da freguesia, pois esse também já passou por aqui.

 

Mas vamos de novo até Vilas Boas porque por lá, acontecem coisas. Coisas que fazem com que este blog se desloque outra vez até esta aldeia.

 

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Claro que é sempre com agrado que voltamos a Vilas Boas, não só porque até lá temos oportunidade de atravessar  um dos itinerários mais frescos, bonitos, verdes e “selvagens”, mas também porque a própria aldeia convida sempre a uma visita e mais umas fotos.

 

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Hoje, no entanto, vamos até Vilas Boas por outras razões, pois não é em qualquer aldeia que a arte acontece, ainda para mais, quando essa arte acontece ao vivo, com artistas de carne e osso a pintar Vilas Boas.

 

Uma iniciativa que se repete já pelo terceiro ano consecutivo e que pela adesão que teve de artistas, da população e de visitantes, promete vir a ser um evento que veio para ficar.

 

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É Vilas Boas a marcar pontos na cultura mas também no desporto e, uma boa prova de que com um bocadinho de imaginação e boas ideias se pode fazer diferença, com a aceitação de todos e simultaneamente aliar a cultura e o desporto, à festa.

 

Claro que me estou a referir às III Jornadas Culturais de Vilas Boas que decorrem hoje (dia 25) e amanhã (dia 26) na aldeia e cujo programa, em jeito de convite,  deixo por aqui, e não é só para tomar conhecimento, mas para ir até Vilas Boas

 

III Jornadas Culturais

Vilas Boas

25 e 26 de Junho de 2009

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PROGRAMA

 

Dia 25 – Sábado

17h00 – Abertura do Secretariado BTT

17h45 – Encerramento do Secretariado BTT

18h00 – Início do Passeio BTT

21h00 – Jantar Convívio

22h00 – Baile TRIO AQUAE FLAVIAE

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Dia 26 – Domingo

09h00 – Abertura do Secretariado de Pintura ao Ar Livre

10h30 – Almoço

15h30 – 1º Festival de Ranchos Folclóricos, com a participação do Rancho da A.D.C.D. de Vilas Boas, o Rancho de S.Miguel de Vila Boa (Viseu) e Rancho Folclórico de Santa Valha (Valpaços).

19h00 – Jantar Convívio

21h00 – Noite de Talentos

 

Durante todo o dia há venda de produtos da região.

 

Da minha parte só resta dar os parabéns à organização e à festa de Vilas Boas.

 

Eu vou a Vilas Boas.

 

Até amanhã.

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:21
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Sexta-feira, 24 de Julho de 2009

Discursos Sobre a Cidade - LAS APARIENCIAS ENGAÑAN

 

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 Texto de Fe Alvarez

 

LAS APARIENCIAS ENGAÑAN

 

Era el primer hijo, la ilusión, el nerviosismo la espectativa eran el pan nuestro de cada día, sería niño o niña? de aquella no existía, ni remotamente la eco, por eso la canastilla pobre, en su mayor parte, era en colores claros, predominando el blanco, aprobechado de algo que ya no se usaba, había que ahorrar, así con estas precauciones seviría todo para las dos posibilidades, faltaba poco para que llegase el día en que el nuevo ser, dejase del seno materno.

 

Llegó el día señalado y nació un niño, un niño que traía de la mano, lo que los padres no vislumbraron ni en sus peores pesadillas, era portador de parálisis cerebral, el mundo pareció aplastar materialmente a los jóvenes papás, qué hacer?, no tenian información y tampoco les dieron muchas explicaciones cuando indagaron, los médicos, en su pedestal, no sabian bajar al nivel de los progenitores, los despacharon con unas palabras, ciertas, pero crueles; el futuro, que ya no se presentaba minimamente alagüeño, se desmoronó como un castillo de naipes, los dias empezaron a sucederse sin alegría, que la falta de una situación económica precaria, agravaba las negras perspectivas, después de mucho cabilar y sopesar los pros y los contras decidieron emigrar, algunos familiares, que ya habían dejado estas tierras para buscar el sustento fuera del suelo patrio, los animaron a dar el paso, ellos sabian que no sería sencillo, juntaron sus escasos haberes y allá se fueron, a la aventura, con el corazón encogido, el miedo pegado y mal disimulado, un nudo enorme en sus gargantas y escondida, oculta, casi avergonzada, la esperanza, que les ponía mariposas en el estómago.

 

Todo era diferente en aquellas tierras lejanas, más de lo que esperaban, el idioma, el clima, las costumbres, el alimento... los primeros tiempos fueron duros, crueles, anuladores, no valoraron el regreso, eso nunca! sabian lo que dejaran atrás, huyeran de ello y eso anulaba la posibilidad de volver, lucharon con uñas y dientes, después de un tiempo, cuando los servicios sociales franceses tuvieron conocimiento de la situación del pequeño, todo cambió, tuvo los mejores cuidados, pensaron que les hubiese tocado un angel, fue acompañado en sus limitaciones y los padres empezaron a ver la luz del final del tunel, muy chiquitita, pero era una luz, en cuanto el pequeño quedaba al cuidado de los organismos oficiales, la madre, que ya esperaba otro hijo empezó a limpiar escaleras y casas particulares, por eso la economía familiar empezó a enveredar para una bonanza, tantas veces anhelada. Vinieron más niños y niñas, que de aquella aun no estaba de moda tener uno o dos, o como dicen las estadísticas uno y medio, el primogénito ya estaba estudiando, tenía una silla  adaptada, que le daba más autonomía, él sabía que sus padres eran trabajadores y  trabajaba con su esfuerzo y tanto tesón que lo llevaron a la universidad, la vida corría apacible y pasados los años, nuestro matrimonio, que dejara la juventud en Francia, decidió volver a Chaves, usufruir de un merecido descanso, los hijos estaban todos trabajando, no conocian otra vida y optaron por quedarse en la pátria que les vio nacer y les dio oportunidades, van y vienen, siempre tendrán el corazón dividido, el mayor también viene de visita, tiene un coche adaptado a sus necesidades y con gran esfuerzo se merienda los kilómetros que le separan de Chaves, siempre llega con vejigas en las manos, pues no está acostumbrado a recorrer grandes distancias en el día a día, lo que no es obstáculo para él, que es un luchador, salvó tantas barreras y alcanzó tantas metas... no serán unos kilómetros que lo amilanen.

 

Un buen día llega a la casa paterna, saca de su coche la silla automática, se sienta en ella y empieza el corto recorrido hasta la puerta, la madre, coge las maletas cuando oye este comentario salido de una terraza de un café.

 

- Quién sería el anormal, que le concedió un carnet de conducir a eso?

 

La madre, traga saliva, respira hondo y deja que el chico desaparezca tras la puerta, comiéndose la rábia que la atormenta, se dirige al ofensor y con cara de quien no espera respuesta, le dice enfrentándolo de cerca, casi mascando las palabras:

 

-El que le dio el carnet a mi hijo, era más capaz, que el que le dio a usted el título de doctor, y "eso" como le llamó es tanto, no tanto es mucho más que un borracho que debió comprar el titulo de doctor, que es una vergüenza para todos, mi hijo, para su información es doctorado en derecho por una  renombrada universidad de Francia. Por eso es el "Señor Doctor". Y yo, que soy casi analfabeta, nunca diría delante de su madre nada que la pudiese ofender, claro que yo no bebo.

 

Levantó la cabeza, en un gesto de orgullo, le lanzó una última mirada, que lo decía todo, se dio media vuelta, entró en su casa y cerró la puerta; atrás quedó con la boca medio abierta, el  abogado, mas corrido que la mona, pues los vapores etílicos a tan temprana hora, aun no hicieran mella en su mente, por eso calló, el acompañante se sintió avergonzado, él no tenía estudios aun así, se percatara que el comentario había sido muy fuerte, además proferido en un tono de voz alto y ofensivo y delante de una madre, no hizo ningún comentario, se despidió, regocijándose con la reacción rotunda de la mujer que como una leona herida, defiende a su cria y menos mal que el padre no estaba allí, lo conocía y sabía que de ser así, las consecuencias hubiersen tomado otros derroteros y podrian llegar a ser lamentables.

 

Y es que no todo es lo que parece.

 

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Quinta-feira, 23 de Julho de 2009

Coleccionismo de Temática Flaviense - Emblema da Escola Industrial

 

Emblema da Escola Industrial e Comercial Dr. Júlio Martins, do final da década de 1950 ou início da década de 1960. Apresenta os habituais símbolos da Indústria (roda dentada), Comércio (capacete alado do deus Mercúrio, ou Hermes) e do Ensino/Aprendizagem (livro).

 

Este emblema é de uma época em que também se usavam emblemas para os alunos de cada ano de ensino, desde a primeira classe até ao sétimo ano (actual décimo primeiro ano), este último correspondendo à conclusão do curso complementar dos Liceus, que dava acesso à Universidade.

 

 

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Quarta-feira, 22 de Julho de 2009

Hoje há feijoada

 

Na feijoada da última quarta-feira caiu um comentário que diz que eu ando mesmo distraído, pois nunca Chaves teve tantas festas como agora… e ao que parece até é verdade, principalmente as festas da cultura, em que uma agenda cultural tão preenchida e tão rica em eventos, nem sequer conseguiu abrir um espacito que fosse para receber e anunciar Mia Couto e o lançamento do seu último livro em Chaves. Graças a Deus que o Forte de São Francisco Hotel acolheu o evento de braços abertos e Chaves pôde assim ter a honra de receber Mia Couto, que também foi recebido calorosamente com um auditório cheio de gente interessada.
 
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Imagem retirada de video on-line na Alto Tâmega TV
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Isto só veio a respeito da minha distracção quanto às festas que acontecem na cidade, pois hoje quero mesmo é falar de obras, daquelas que se fazem e das que também não se fazem.
 
Em Chaves e, penso que nas outras localidades também não é diferente, só se fala de um assunto da comunidade, quando esse assunto é visível ou mexe com o nosso dia-a-dia, principalmente no segundo caso.
 
Ultimamente tem sido tema de conversa e de protesto as obras que decorrem na Avenida da Galiza/ Avenida D.João I, principalmente por quem utiliza aquele troço diariamente ou pelos comerciantes/habitantes da Madalena e, é caso para dizer que o tema até é oportuno pois, quem protesta, até tem razão.
 
Pessoalmente, que também sou utilizador desse troço quase diariamente e em tempo de aulas, sou-o diariamente mais que uma vez por dia, mas simultaneamente também sou cliente de algumas lojas da Madalena, sei o transtorno que as obras causam. Claro que não sou tão crítico como alguns o fazem levianamente, principalmente aqueles que protestam sempre que há obras e pela ocasião em que as obras acontecem, ou seja, por acontecerem no verão, quando vêm os emigrantes, quando há pó, quando isto, quando aquilo, etc. Pois se acontecessem no inverno, esse tipo de protesto seria idêntico e então seria pela lama, pelo frio, pela chuva, pelas aulas, pelo Natal, ou pelos Santos. Claro que as obras e os trabalhos de obras, têm de acontecer durante todo o ano, mas há algumas, pelas suas características, que até só devem e podem acontecer no verão ou com tempo quente e seco, e, a causar transtorno, tanto causam no verão como no inverno, por isso não é por aí que eu vou. Mas também sou critico quanto às obras neste troço, e não me refiro a estas em particular (embora estas tenham mais impacto), mas ó raio das obras que aí acontecem desde há 7 ou 8 anos para cá, e aí tenho de dar razão aos utilizadores e aos comerciantes da Madalena.
 
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Já vai sendo hábito em determinado troço, terminar uma obra para logo de seguida começar outra. Primeiro são as Águas de Trás-os-Montes, depois vem o gás, depois a EDP, depois a Telecom, depois a TV cabo, depois o saneamento, depois isto e aquilo. O mal está no sistema e nas descoordenações ou falta de coordenação que há entre as diferentes entidades e para o mesmo local, às vezes acontece, que as diferentes obras se prolongam por anos. A Estrada de Outeiro Seco tem sido um exemplo disso e este troço da Madalena, bate o recorde, mas o pior de tudo, é a estrada que resta após as obras, sempre com as reposições deficientes de pavimentos.
 
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Esta, embora recente, já é para recordar...
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Mas nestes protestos, em particular nestas obras que estão a acontecer na Madalena, se alguém tem toda a razão em protestar, são os comerciantes e os seus habitantes, pois praticamente é-lhes cortada a única ligação que têm ao seu núcleo e, será oportuno perguntar se estas obras serão oportunas acontecer sem antes se fazer a outra ligação prometida e projectada para Madalena . Penso que era por aqui que se deveria ter começado e só depois desse acesso estar garantido é que se deveria avançar para as actuais obras. Penso eu!
 
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Outro, e já velho assunto, são os estacionamentos da cidade e as promessas de há 20 ou mais anos de se criar um parque de estacionamento na cidade, que constantemente vai sendo adiado, projectado e “desprojectado”, enquanto que os espaços gratuitos vão sendo ocupados por espaços pagos, sem contudo haver alternativas ou uma rede de transportes públicos que justifiquem tal acto.
 
Sacrificou-se o Jardim das Freiras para um estacionamento e o resultado foi ficar sem jardim e sem estacionamento. Numa só palavra: mataram as Freiras e, nem sequer uma praça atraente ou convidativa se ganhou e muito menos a polivalência do espaço ou sala de espectáculos que dela querem fazer, pois também não tem o mínimo de condições para tal.
 
No Arrabalde, além de (no meu entender) não ser o melhor local para um parque de estacionamento, adivinhava-se que por lá apareceria qualquer coisa de valor arqueológico…mas enfim, lá diz o ditado, “Deus escreve certo por linhas tortas”, e mais uma vez se perdeu um estacionamento, mas neste caso ganharam-se umas termas romanas que vai dar em museu.
 
Haveria que partir para um novo local e de entre os espaços disponíveis, a escolha tinha de cair sobre o pior e já anteriormente rejeitado por outros autarcas. Em suma, reúne quase todos os pecados, pois o local é de dimensões reduzidas para aquilo que se pretende, os acessos vão ser complicados e poderão hipotecar definitivamente a possibilidade de uma Rua de Stº António pedonal, para além de a construção em altura comprometer ainda mais o centro histórico com aquele que se adivinha ser mais um mamarracho em betão e, aquela candidatura de Chaves a Património da Humanidade, se já nasceu cancerosa que a não ser eleitoralista, é de sonhadores, recebe agora a machadada final quer para o património, quer para a humanidade, e já me fico só pela flaviense.
 
Locais que pedem um estacionamento e sempre o pediram, não sei porquê, são sempre rejeitados pelas mentes iluminadas desta cidade, e só aponto dois, que ficam dentro do espírito de um estacionamento no centro da cidade, com condições para ter as dimensões que se pretendem: A Lapa ou, em alternativa, o Jardim do Bacalhau.
 
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Finalmente, mais um vez o Cine Teatro. Sou saudosista porque naquela casa passei muitos momentos de lazer e, em tempos que Chaves tinha metade da população actual, vi encher os seus 999 lugares muitas vezes e se, se tratasse de uma peça de Teatro, era garantido que a sala esgotava, tal como esgotava sempre que havia bons filmes ou até os espectáculos escolares que por lá se realizavam. Os pequenos auditórios não me convencem. Podem servir para muitos espectáculos, mas nenhum deles tem condições para cinema e muito menos para receber um espectáculo de âmbito nacional quer seja de teatro, quer seja musical.
 
Tal como o estacionamento é necessário para a cidade, também um sala de espectáculos a sério que possa receber também espectáculos a sério, é necessária para a cidade. Com a compra do antigo Cine Teatro pela Câmara Municipal e, a seguir, com a execução do projecto de uma Sala de espectáculos a sério e posterior candidatura ao POLIS, ressurgiu a esperança de termos o Cine Teatro de volta, mas, como diz o ditado “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades” que neste caso, o tempo até nem mudou a vontade da população e, o ditado até é mais correcto se for lido como “Mudam-se os políticos, mudam-se as vontades”… e são abandonadas todas as intenções de recuperar aquele espaço, pondo-se o espaço à venda. Como ninguém o comprou, há que lhe dar alguma utilidade e surge a “brilhante” ideia de transformar o local numa “salada russa” ou centro multiusos, mas sem sala de espectáculos, que mesmo que existisse, com tanta coisa que lá se quer meter, não passaria de uma “sala bebé”. (O edifício novo vai ter três pisos, sendo cada em um destes contempladas as seguintes actividades: No piso 0, com acesso através da Travessa Cândido dos Reis, prevê-se a instalação de espaços multiusos, espaço expositivo, centro multimédia, espaços interactivos, centro de convívio para idosos e espaço para crianças; no piso 1, com acesso principal pela Rua de Santo António, prevê-se a instalação de espaços comerciais e de serviços; no piso 2, também com acesso principal pela mesma rua, prevê-se a instalação de espaços polivalentes de serviços, preparados para actividades de profissionais liberais, objectivando-se a criação de uma espécie de “Centro de Negócios”, onde diversos serviços poderão ser partilhados por todos os utilizadores – In Página oficial do Município)
 
Este seria um bom tema para democraticamente ser aberto à discussão pública, mas uma vez que a democracia morre no dia seguinte ao das eleições, transformando-se em poder de quem quer e manda, eu deixo por aqui uma votação on-line para deixar a sua opinião.
 
A pergunta é simples:
 
Gostaria de ver o antigo Cine Teatro recuperado para um novo Cine Teatro, moderno e com todas as condições para receber qualquer tipo de espectáculo?
 
Como este espaço é de todos, deixe a sua opinião na votação on-line situada na barra lateral deste blog, logo no início por baixo do calendário. Só estará on-line até 30 de Setembro.
 
E por hoje é tudo.
 
Até amanhã!
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publicado por Fer.Ribeiro às 13:00
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Terça-feira, 21 de Julho de 2009

O Olhar de Gentleman Traveller sobre a cidade

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Gentleman Traveller é o autor das fotos de hoje e, é apenas o que sei deste fotógrafo.
 
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Pela sua galeria, suponho que seja um turista estrangeiro que passou cá por Chaves e fez alguns registos. São esses registos, disponíveis na sua galeria, que hoje vos deixo por aqui.
 
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Poucas imagens, mas o suficiente para captar aquilo que de mais interessante temos por cá. A Ponte Romana, as poldras, uma vista sobre Castelo e, curiosamente, do Castro de Curalha.
 
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Como sempre deixo link para a sua galeria no flickr, uma galeria que é também uma viagem por terras de Portugal:
 
http://www.flickr.com/photos/40105611@N02/
 
Até amanhã!
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publicado por Fer.Ribeiro às 13:00
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Segunda-feira, 20 de Julho de 2009

Desde o miradoiro um poema de Torga - Chaves - Portugal

 

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Miradoiro

 

Não sei se vês, como eu vejo.

Pacificado,

Cair a tarde

Serena

Sobre o vale,

Sobre o rio,

Sobre os montes

E sobre a quietação

Espraiada da cidade.

Nos teus olhos não há serenidade

Que o deixe entender.

Vibram na lassidão da claridade.

E o lírico poema que me acontecer

Virá toldado de melancolia,

Porque daqui a pouco toda a poesia

Vai anoitecer.

 

Miguel Torga

Chaves, 6 de Setembro de 1986

 

Se há poeta que ao longo da sua vida foi cantando Chaves e, em Chaves, encontrou muita da sua inspiração, esse poeta foi Miguel Torga. Este nome, não é um nome qualquer da e na poesia portuguesa e de Portugal, pois é só um dos maiores nomes de sempre da poesia.

 

Chaves deve-lhe uma verdadeira homenagem, não só pelo seu cantar e sentir a cidade e aldeias em poesia, mas também pelo fiel “cliente” que foi da Termas de Chaves durante muitos dos anos da sua vida.

 

Miguel Torga também era feito com um bocadinho de Chaves, mas como (quase) em tudo que dá nome ou de bom acontece em Chaves, ignora-se como coisa terceira…

 

Da minha parte, fica a modesta homenagem de ir trazendo aqui Torga de vez em quando, com todas as referências e poesia escrita e inspirada nesta cidade de Chaves, talvez assim, alguém um dia se lembre da tal homenagem merecida.

 

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Domingo, 19 de Julho de 2009

Torre de Ervededo - Chaves - Portugal

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Ao entrarmos por Torre de Ervededo adentro, sentimos que estamos a entrar num pedaço da história desta região, tanto, que me sinto pequenino ao escrever o post de hoje.

 

De facto, Torre de Ervededo e a freguesia,  têm uma história rica em acontecimentos e importância que mereciam aqui um post ou vários posts alargados para a contar. Não prometo que o venha a fazer, mesmo porque por estas bandas o recorrer a documentação antiga é tarefa bem difícil ou quase impossível e,  eu da história, gosto de beber tudo, pois cheguei a uma idade em que desconfio sempre daquela que me oferecem de bandeja ou que muitas vezes me tentam impingir.

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É sabido que numa anterior divisão administrativa de Portugal, Torre de Ervededo foi sede de Concelho, sendo mesmo um dos concelhos mais antigos de Portugal e, teve a sua importância económica para os senhores que então mandavam nesse concelho. Economia, imagine-se,  ligada à seda e tanto quando se depreende pela documentação existente, seriam os senhores da Igreja, do arcebispado de Braga,  a ter esse poderio, quer sobre a administração do tal concelho, quer sobre a economia da seda, que sobre as gentes que o habitavam.

 

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Será um assunto que terei todo o gosto em estudar e aprofundar se tiver disponibilidade para… e então, se este blog ainda existir, terei também todo o gosto em trazer aqui as conclusões, entretanto, vamos até à aldeia que hoje existe, bem longe da nobreza e do poder que já teve, pois hoje, é apenas mais uma das aldeias deste concelho de Chaves. Não levem este apenas como um desprestígio para aldeia, pois a sua riqueza da história ninguém lha tira, este apenas, entra aqui, para dizer que hoje é uma aldeia das cerca de 150 aldeias que administrativamente pertence ao concelho de Chaves.

 

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Na realidade e geograficamente falando e olhando às suas características físicas, toda a freguesia de Ervededo tem características próprias, que embora a proximidade do Barroso não lhe herdou os seus ares, como acontece com (as freguesias de) Calvão, Soutelinho da Raia e Seara Velha, mas também não se integra nas características das restantes aldeias de montanha do concelho de Chaves. É mais uma aldeia de proximidade do grande vale, mas curiosamente do grande vale de Monterrei. Digamos que os ares que respira são mesmo os ares que vêm da Galiza, na fosse também a freguesia de Ervededo uma das freguesias da raia.

 

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Quem fala em raia, fala em contrabando, mas também em muitas estórias que deveriam fazer a história de uma guerra e de uma guerrilha ligada à vizinha Espanha e que todas esta aldeias da raia, viveram amargamente de perto. Amargamente é mesmo o termo a aplicar, pois embora Portugal fosse alheio à guerra civil de Espanha e à segunda guerra mundial, não esteve assim tão distante delas, e sem entrar nelas, sofreu as consequências da estupidez das guerras.

 

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Ervededo concelho, com sede em Torre de Ervededo, já é muita história para fazer livros, mas também o contrabando, a guerra civil de Espanha e principalmente a guerrilha anti-franquista, daria também muitas páginas de livro para escrever.

 

Quanto à actual aldeia da Torre de Ervededo, conserva (dizem) o antigo edifício que foi sede dos Paços do Concelho e também prisão que dá para um pequeno largo adornado com uma belíssima fonte em granito. É sem dúvida o edifício mais nobre da aldeia, pois o restante casario não sai do tradicional casario típico das nossas aldeias, que também tem a sua riqueza, precisamente por ainda manter muitas das construções típicas do granito/madeira, pois para além destas, não há casario solarengo ou que se possa atribuir a grandes senhores, pelo menos que eu tivesse visto. Parece mesmo ter sido a aldeia administrativa do tal concelho de Ervededo.

 

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Poder-se-á pensar que, como a aldeia foi sede de um antigo concelho, é uma aldeia de grandes dimensões, mas tal não é verdade, ou pelo menos não é na totalidade verdade, pois a aldeia desenvolve-se essencialmente ao longo de uma longa rua e em termos de dimensão, poder-se-á dizer que está na média das aldeias do nosso concelho. Tal tem alguma lógica, mesmo tendo sido concelho, pois pelo que sei, o tal concelho existiu pela sua riqueza em seda, mas os senhores de então (os do poder), não habitavam nenhuma das aldeias do concelho de Ervededo.

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E sem querer aprofundar a tal história da aldeia e da freguesia, teremos que passar um bocadinho pela sua história para melhor se compreender esta aldeia.

 

Na realidade a aldeia dever-se-ia chamar apenas Torre, pertencente à freguesia de Ervededo. E assim foi até à constituição da freguesia, ou seja, as aldeias do antigo concelho eram o Couto, a Torre e Bustelo. A denominação de Ervededo só aparece após a extinção concelho, que não era mais que um Couto do arcebispado de Braga e que, para passar a integrar o concelho de Chaves em 1853, dando lugar às freguesias de Ervededo e Bustelo, ficando a pertencer à primeira as povoações do Couto, da Agrela e da Torre.

 

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Mas tem toda a lógica que a Torre adopte também o topónimo de Ervededo para evitar confusões com outros topónimos iguais, inclusive no nosso concelho, que tal como esta Torre, também adopta o topónimo da freguesia, tal como acontece com Torre de Moreiras, da freguesia de Moreiras.

 

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Há quem se refira também a esta aldeia como Torre do Couto e este topónimo até tem mais lógica que o de Torre de Ervededo, pelo menos seria bem mais antigo, pois tudo leva a crer que a origem do topónimo estará precisamente aí, com origem numa torre do antigo Couto do arcebispado de Braga em que referem esta aldeia como sendo o celeiro do antigo concelho.

 

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Longe da sua história ligada ao antigo concelho, hoje é uma aldeia essencialmente agrícola que tal como a grande maioria da aldeias do concelho tem o seu velho casario em mau estado ou abandonado, também tem as suas construções recentes na periferia da aldeia e também conhece de perto o despovoamento, um fenómeno que já não nos é desconhecido e que pelos vistos ninguém faz nada para o contrariar. Restam os resistentes, que por teimosia ou amor à sua aldeia, insistem em ficar para lhe dar alguma vida. Mas diga-se também a verdade, pois esta aldeia, mesmo assim, ainda é uma aldeia com vida e com gente na rua.

 

Até amanhã.

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:46
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Sábado, 18 de Julho de 2009

São estes os reinos maravilhosos

Amoinha Velha

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Haveria que inventar umas palavras

Para estas imagens

Imagens dos dias

Que quase sempre se fazem

Sem palavras

 

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Avelelas

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Dias que se sucedem

Na repetição dos dias

no entanto

São estes os reinos maravilhosos

Que se descobrem por entre montanhas

 que a montanha encobre

Ao nascer do dia

 

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Pastoria

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Haveria que inventar imagens

Para descrever estas palavras

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:47
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Sexta-feira, 17 de Julho de 2009

Discursos Sobre a Cidade - Pastor por castigo, por Gil Santos

 

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PASTOR POR CASTIGO

 

Meteu-se-me na cabeça deixar de estudar. Estava decidido!

 

Os companheiros que fizeram a instrução primária comigo faziam-me inveja, trabalhavam. Tinham motorizada e dinheiro no bolso. Gozavam da liberdade das aves de arribação e da vitalidade dos ribeiros libertinos. Bebiam água em todas as fontes. Saiam à noite e não tinham que dar satisfações a ninguém. Folgavam com os amigos e botavam figura de cigarro Kentuky ao canto da boca.

 

Eu, na escola, infeliz, escravo do toque de entrada, da malvadez dos professores e da prisão dos livros!

 

Não estava certo. Não estudaria mais, estava decidido!

 

Decidir, decidira, o pior era publicar, no boletim oficial da família, a decisão, de cima dos meus verdes quinze anitos!... Havia que escolher o momento certo e mesmo assim!... É que frustrar as expectativas de quem sonhava ver-me um dia doutor não era tarefa fácil! Como havia de fazer?

 

Depois de muito pensar, encontrei a solução: aproveitaria um desses serões à lareira dos meus avós para com eles ensaiar a empreitada. Se desse certo, tornar-se-ia mais fácil anunciá-la a meus pais.

 

Esperei a oportunidade. Finalmente surgiu. Uma noite escura como breu e fria como o gelo, serviria de cenário. O paizinho e a mãezinha – como gostavam de ser chamados – finalizavam o terço de todas as noites. O braseiro de carvalho era agora só borralho. Espargia serenidade e conforto na grande cozinha fumada. A luz mortiça da candeia de petróleo criava um ambiente perfeito. A minha presença era muito estimada pelos velhotes, não só porque trazia notícias frescas da cidade, como também porque representava uma lufada de ar fresco na vida dos idosos. Entrei, dei as boas noites e pedi a bênção ao meu avô como era uso.

 

— Bote-me a sua bênção paizinho!

 

— Deus te abençoe meu filho!

 

Sentei-me no escano de castanho a um canto da ampla lareira. Deixei a conversa fluir até ao ponto que me convinha. Quando vi a maré boa atirei a matar:

 

— Não quero estudar mais!

Não houve qualquer reacção. Não o esperando, isso tornou-me ansioso. A paz continuou a reinar. Temendo não terem percebido, voltei à carga, agora com mais convicção:
 

— NÃO QUERO ESTUDAR MAIS!

Nada!

 

E eu, sabendo do gosto dos velhinhos em me verem doutor, não percebia!... A minha avó Carolina continuava a mexer calmamente o borralho com um guiço de gesta. O meu Avô António aconchegava calmamente a almofada feita do capote que o acompanhou na Grande Guerra – e que fez questão que o acompanhasse também na mortalha – para se deitar no escano.

 

— Senta-te aqui Gilinho! – forma carinhosa como me tratava o meu avô – vou contar-te uma estória.

 

Ena pá, lá vou gramar com outra história da guerra, pensava eu.

 

Que nada! Com a voz calejada por setenta anos de experiência e canseira, assim me contou:

 

“Lá para os lados de Montalegre, em Perafita talvez, havia uma família de muitos teres e de grande lavoura que tinha um pimpolho a estudar para padre no Montariol em Braga. O filho era o orgulho e a esperança daquela casa, a menina dos olhos dos seus pais, futuro conforto das suas almas e via rápida para o céu. Estava tudo combinado. No dia em que se ordenasse padre haveria de se fazer uma festa de truz. Banda de música, foguetório e um banquete para a freguesia toda. Seria no Lameiro Grande, nas margens do Regavão, onde se estenderiam todas as brancas toalhas de linho do povoado. Dez vitelas e vinte recos seriam sacrificados e só para a doçaria estava já falada a camioneta de carga do Marinho para o transporte do açúcar. Haveria de ser uma festa de arromba. Até o Arcebispo Primaz haveria de estar presente!

 

O moço ia benzinho no estudo a fazer fé no que afirmava o prior da terra que, aproveitando as férias, o avaliava no latinório. Concluía quase sempre que, sabendo as declinações, pouco faltaria para professar!

 

Porém, um belo dia, no fim de umas férias grandes, não sei se por mor dalgum rabo de saia ou se por saudades da vida folgada, o rapazote declarou não querer regressar ao seminário.

 

Dilúvio de lágrimas!... Era a desgraça total!...

 

O pai não perdeu tempo a dar a notícia ao abade que fez imediata questão de reunir o conselho de homens bons da aldeia para encontrarem a solução. Podia lá Perafita perder a honra de ter padre nativo!? Podia lá ser!

 

Encontraram-na:

Como o moço era muito novo, não havia mal que perdesse o ano. Tinha tempo de se formar. Iria guardar as cabras do rebanho do pai durante um ano, para saber o que custava a vida!

 

De bornal às costas, cajado na mão e acompanhado por um Castro Laboreiro, lá levou o rebanho de centena e meia de cabeças para as faldas das Alturas. As cabritas, conhecedoras de atalhos e carreiros, desapareciam com’a diabos. O rapazote corria de um lado para o outro. Suava como um camelo. Não tinha paragem. Bufava, gritava, desesperava. As pernas já não respondiam, o peito parecia a concertina do Ti Malheiro!... Ah vida maldita!...

 

Aproveitando dois minutos de sossego, alapou-se, enfim, num penedo, a roer um pedaço de boroa e a pensar em voz alta:

 

– Ah cabras de mil diabos, quem vos guardará para o ano, que a mim já só me faltam trezentos e sessenta e quatro dias e o que vai daqui para a noite!...

 

Fez-se padre!”

 

Perante esta lição de vida contada pela experiência matreira do meu paizinho perdi toda a coragem para continuar a sustentar a minha decisão!...

 

No dia seguinte lá estava eu, resignado e triste, para assistir à aula das oito e meia!

 

O meu avô foi um santo que a guerra de catorze poupou às balas do inimigo para que fazer de mim um homem bom!...

 

Gil Santos

In “Ecos do Planalto – estórias” - adaptado

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:08
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