Segunda-feira, 30 de Novembro de 2009

Chaves de Ontem e de Hoje - A nóia das demolições das casas dos arcos

Em matéria de demolições, Chaves bem poderia entrar para a história dos disparates, pois quase tudo que historicamente tínhamos de melhor, ao longo dos anos e dos séculos, foi sendo demolido ou absorvido. Começando pelas muralhas medievais, passando pelas seiscentistas e terminando nos edifícios públicos e militares. Em nome da modernidade e de muitos interesses particulares, porque esta coisa dos interesses já não é de hoje, sempre encobertos pela capa da modernidade, foram-se cometendo os maiores crimes no nosso património arquitectónico e histórico.

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Rua Direita - Inícios do Séc. XX

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Nos disparates e ilegalidades particulares, nesses, nunca se entra e quanto a demolições, está quieto, pois têm dono, que têm amigos e familiares que são amigos de outros amigos e familiares de outros tantos e, não vale a pena estar para aí a criar ondas quando o mar está tão sereno… e depois,  os papalvos do povo, comem aquilo que lhes derem.

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Rua Direita - 29.Nov.2009

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Mas também é tudo uma questão de modas e das cabecinhas que estão no poder. Já se sabe que a moda actual tem sido o empedrar de praças, que por serem públicas, são de toda a gente e como tal, não são de ninguém, ou melhor, não têm dono, não têm amigos, familiares e essas coisas todas. Mas, diga-se a verdade, desde que foi criado e limitado o centro histórico tem havido também alguma preocupação em preservar a cidade antiga. Embora, claro, muitas vezes a preocupação não passe de boa intenção, pois por pura desobediência, também amizades, intempéries de fim-de-semana ou contorno das Leis, os proprietários, lá vão fazendo o que lhes dá na gana…

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Praça da República - Inícios do Séc. XX

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Mas ia eu na questão da moda. Pois se houve tempo em que as muralhas da cidade eram apenas um estorvo ao crescimento da mesma e, por isso se foram demolindo, tempos houve em que se aproveitaram para encostar (adossar) as casas, o mesmo aconteceu com a Ponte Romana e só não foi demolida ou não construíram em cima dela, porque ela era a única passagem para a outra margem do rio.

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Praça da República - 29.Nov.2009

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Depois veio o tempo de acabar com as ruas estreitas da cidade e, se para a nova cidade o conceito até era valioso, como o foi na Avenida Nun’Alvares, para o centro histórico seria um desastre que, ainda começou a ser ensaiado na Travessa das Caldas e na Rua de Santo António. Note-se no desalinhamento do Café Sport/Atique e nos edifícios do Antigo 5 Chaves, Sarmento e Telecom, precisamente para dar origem à tal avenida larga do centro da cidade.

 

Depois veio a moda de demolir tudo que era edifício militar, tal como aconteceu na envolvente do Castelo (Torre de Menagem), os edifícios do Jardim do Bacalhau encostados à muralha e ainda antes da demolição do edifício de Cavalaria, a própria muralha, etc. E se algumas dessas demolições até seriam de aplaudir, como as que estavam adossadas ao castelo, não só pelo castelo mas também pela falta de qualidade arquitectónicas das mesmas, já há outras que foi um autêntico disparate mandá-las abaixo, como o edifício militar do Terreiro de Cavalaria (Jardim do Bacalhau).

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Madalena - Inícios do Séc. XX

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Mas hoje, quero ir para o tempo em que foi moda demolir as casas dos arcos de Chaves, as mesmas das quais hoje deixo por aqui as suas imagens.  Felizmente que não eram muitas mas de entre demolições e alguns arcos tapados, Chaves, ficou sem casas com arcos.

 

Claro que em nome da modernidade, tudo isto é discutível e, aposto até, que haja por aí muita gentinha que veria com bons olhos que toda a cidade antiga, porque está velha, fosse demolida para no seu lugar nascerem bonitas torres de b€tão.

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Madalena - 29.Nov.2009

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Mas mais interessante ainda, seria virem à luz, as razões ou pretextos que levaram à demolição de todos esses edifícios antigos e, como com golpes de mestria, razões e pretextos deixaram de ter razão de ser.

 

Mas das três imagens que hoje vos deixo por aqui, penso mesmo que só no caso da Praça da República é que a cidade ficou a ganhar, pois no caso da Rua Direita hoje seria um mimo termos lá aquela casa dos arcos e no Caso da Madalena, a demolição da casa dos arcos , foi um autêntico atentado ao coração da Madalena, ainda para mais, para dar lugar à imagem actual.

 

Sonho que um dia a moda mude e, venha por aí gente com nóia pró poder e com poder, para demolir mamarrachos.

 

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Domingo, 29 de Novembro de 2009

Bóbeda - Chaves - Portugal

Antes da auto-estrada (A24) existir, a nossa grande via era a Estrada Nacional 2. Por ela saímos para tomar Portugal e por ela se entrava de regresso à terrinha. Sempre gostei mais das entradas que das saídas e, chegado à descida e curvas do Reigaz, sentia-se o pequeno aperto no coração de estarmos à porta de casa. Oura, Salus, Vidago, Vilarinho das Paranheiras, Vilela do Tâmega, as placas de Moure e Redial, Bóbeda, Vila Nova de Veiga, Outeiro Jusão e finalmente a entrada triunfal no vale de Chaves, que, se a ausência tivesse sido longa, a pele picava-nos  no desfazer das saudades.

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Repetidamente , com mais ou menos frequência, atravessava-mos as aldeias da Estrada Nacional 2, quase sempre com a pressa de chegar ao destino a horas ou de regressar a casa na hora de reunião da família, não fosse a sopa arrefecer ou as batatas ficarem desfeitas da espera.  Com a pressa, quase e só dávamos conta das placas das aldeias que ia-mos debitando à estrada e nunca reparávamos que a placa anunciava uma aldeia, com um coração, gente e vida dentro dela, tanto mais, que as aldeias se iam arrumando a um só lado da estrada e se iam escondendo ou diluindo por entre a confusão da montanha. Ao conhecimento, apenas se dava a placa e duas ou três casas junto à estrada. Tudo o resto nos era alheio. Excepção para Vidago e Vilarinho das Paranheiras, mas nesta última, apenas enquanto existiu o velho traçado que nos oferecia a aldeia num anfiteatro. Com o traçado novo, perdeu também o romantismo e fica alheia a quem passa.

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Sempre tive curiosidade de conhecer essas aldeias de estrada por dentro, na sua intimidade, viver o seu largo da festa, atravessar as suas ruas, beber das suas fontes, sentir a sua vida.

 

Uma a uma, nos últimos anos, percorri todas as nossas aldeias, algumas repetidamente por uma ou outra razão e só lamento tê-lo feito tão tarde e delas ter perdido grande parte da sua verdadeira vida e do seu verdadeiro espírito de aldeia, com muita gente nas ruas, sobretudo crianças, mas também galinhas, cavalos, burros, cães e até perus, patos e porcos. Com as escolas a funcionar e os altifalantes das carrinhas dos vendedores ambulantes a debitarem música pimba, ou assistir à chegada do peixe, do pão e finalmente, beber um copo na taberna escura, balcão de madeira onde tudo se vendia a granel e sobre o qual havia sempre uma balança e as medidas das canecas de inox perfiladas por ordem decrescente, desde o Litro ao quartilho, até às medidas pequenas que por força da Lei estavam por lá, mas apenas serviam de enfeite.

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Teria tido tempo também para assistir a uma partida de matraquilhos ou a uma “negra”, de ver bem jogar à “sueca”,  ou ao “chino”, à malha, ao espeto, ao pião, à bola e essas coisas dos homens e rapazes, ou então, às coisas das raparigas, mais de jogar elásticos e à macaca do que andar com bonecas atrás delas. Tempo teria ainda para passar pelo tanque do povo e ver como as fatias do sabão  vermelho deslizavam sobre as roupas, batidas e torcidas à força dos braços entre falares, cantares e bocas do mulherio. Tempo para pelo cheiro das giestas acabadas de queimar ou do pão acabado de cozer, descobrir o forno do povo, onde talvez uma bica estivesse a ser saboreada, depois de regada com azeite e salpicada de açúcar… enquanto distraidamente, se calha, meter pés no rego de água que livremente e apressadamente corria aldeia abaixo, para mais tarde regar uma horta antes de, definitivamente se perder por entre o verde de um lameiro, onde pela certa estaria meia dúzia de pachorrentas vacas a pastar.

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Embora em miúdo tivesse vivido e assistido alguns destes grandes momentos das aldeias, penso ter perdido definitivamente o seu registo fotográfico, pois as aldeias de hoje, são uma longínqua imagem daquilo que foram, para o bem e para o mal, pois com certeza se há coisas que nas aldeias se perderam sem deixar saudades e facilmente foram esquecidas, muitas há, que deixarão saudades eternas.

 

Mas vamos até Bóbeda, que, como todas, também já foi uma dessas aldeias que deixam saudades.

 

Bóbeda, localizada junto à tal Nacional 2, pertence à freguesia de São Pedro de Agostém e dista 6 quilómetros da cidade de Chaves.

 

Quanto ao seu topónimo, dizem, poder ter origem árabe, no entanto, é apenas um palpite, pois não há qualquer base que possa sustentar esta origem do topónimo.

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Também quanto à história do seu povoamento antigo, não há muitos dados disponíveis. Sabe-se que possivelmente os romanos exploraram junto ao Tâmega uma mina de ouro, mas pouco mais. Até ao século XVIII, não existem dados que possam falar do passado de Bóbeda, mas a partir dessa data, a família Pizarro, faz um pouco da história da aldeia.

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Família Pizarro que já várias vezes foi abordada neste blog. Esta família habita Bóbeda desde os inícios do Século XVIII. Oriunda de Espanha, mais propriamente de Trujillo, da Estremadura espanhola, descendente de cavaleiros que participaram na Reconquista Cristã e na conquista do México e Peru, no século XVI.

 

Algum casario nobre que ainda existe na aldeia, com destaque para a Casa do Cruzeiro, com Pedra de Armas e capela (de devoção à Senhora da Conceição), deve-se ao povoamento da aldeia por parte da família Pizarro.

 

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Família Pizarro que também faz parte da história flaviense e da qual saíram alguns ilustres, já aqui abordados: Ignácio Pizarro de Moraes Sarmento, nascido em 22 de Novembro de 1807 na referida Casa do Cruzeiro, em Bóbeda. Político e poeta, foi um dos nomes maiores da literatura portuguesa de então. Mas tudo que há a dizer sobre Ignácio Pizarro, já aqui foi dito, e nem há como passar pelos post´s que lhe foram dedicados para ficar a conhecer a sua vida e obra, em:

 

Ignácio Pizarro – 1ª Parte

e

Ignácio Pizarro – 2ª Parte

e

Ignácio Pizarro – 3ª Parte

e

Ignácio Pizarro – 4ª e últipa parte

 

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E se Ignácio Pizarro, embora hoje esquecido, foi reconhecido e a cidade lhe prestou algumas homenagens, já o com seu pai, não se passou o mesmo e, ainda hoje Chaves lhe deve o devido reconhecimento, não só como militar, mas principalmente no que diz respeito às Invasões Francesas, pois a haver um herói na defesa de Chaves nessas invasões, o herói foi Francisco Pizarro e não o General Silveira, pois enquanto o primeiro ficou em Chaves a defender a população, o segundo, fugiu cobardemente. Mas também assim se faz a história, reconhecem-se os falsos heróis e esquecem-se os verdadeiros. Uns têm direito a cerimónias e estátuas, outros ao esquecimento. Para saber mais sobre quem foi Silveira e Francisco Pizarro nas II Invasões Francesas, siga o link:

 

O Muro da Vergonha do General Silveira

 

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Sobre o Silveira e Francisco Pizarro, da minha parte, a história ainda não encerrou o capítulo. Oportunamente haverá mais novidades sobre o assunto.

 

Sobre Francisco Pizarro, ou melhor, sobre o Marechal de Campo Francisco Homem de Magalhães Quevedo Pizarro – o «Maranhão», falta escrever a história que lhe fará justiça, mas mesmo sem essa, ele é um ilustre Flaviense que a cidade teima em esquecer.

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Francisco Pizarro nasceu em Bóbeda em 27 de Setembro de 1776 e morreu também em Bóbeda, no dia de Reis de 1819, tendo sido sepultado na Igreja do forte de S.Francisco, quando era Governador e Capitão General da Capitania do Maranhão e Conselheiro de Estado.

Para saber mais sobre este ilustre flaviense, seguir o Link:

« O Maranhão»

 

E sobre Bóbeda, vai sendo tudo por hoje, mas fica a promessa que ainda se falará mais sobre esta aldeia, pois a história sobre os seus ilustres ainda não está encerrada.

 

Até amanhã!

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 13:24
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Sábado, 28 de Novembro de 2009

A teimosia da pedra - Chaves Rural, Portugal

 

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A teimosa da pedra vai-se mantendo de pé. Habituada que está à sua idade milenar, cairá só, e quando, nada tiver para a sustentar. Teimosamente continuará na função que lhe destinaram, de pedra sobre pedra, construir um abrigo, uma casa, um lar. Teimosa, deixa-se invadir por musgos e verdetes. Alheia a tudo e a todos diz teimosamente presente e, só a fúria da natureza que a pariu, terá força, um dia, para a tombar. Mas isso, será um dia…

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Aqui e ali, um pouco por todo o lado, mas sobretudo na montanha de onde quase sempre sai, quase sempre fica. Teimosa, estática, adormecida. Nem o bater das portas e janelas abandonadas, entregues a si próprias, num vai e vem constante se o vento sopra, terá força para a acordar e teimosamente, continuará adormecida. Com adorno ou sem adorno, continuará a ostentar a sua presença.

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Mas nem toda a pedra tem a mesma condição e, embora teimosamente seja a mesma, a algumas destinaram-lhe a nobreza dos templos. Assumida a arte da cantaria, da mestria dos relevos, deixa a natureza milenar para assumir a beleza secular dos tempos e dos templos que, embora carregados de fé, outrora dos Deuses, hoje de um Deus só, nem sempre têm a salvação garantida e, embora teimosamente lá, no sítio da sua condição, nem sempre tem a condição do sítio.

 

Há no entanto finais felizes e, o homem que corta, talha e ergue a pedra, às vezes, talvez num arremesso de alguma dignidade, lembra-se da nobreza e da dignidade que as pedras da fé devem ter.

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:57
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Sexta-feira, 27 de Novembro de 2009

Um gesto simples, interessante e bonito - tá fixe

 

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Coisas simples e gestos simples mas que são de grande importância para a cidade e para que os naturais, residentes e também para quem nos visita ficar a conhecer um pouco da história e importância monumental da cidade de Chaves.

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Aplaudo o gesto de colocar junto a cada um dos nossos monumentos uma placa com um pouco da história desses monumentos.

 

Da nossa parte leva um Tá Fixe.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:00
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Quinta-feira, 26 de Novembro de 2009

Coleccionismo de Temática Flaviense - Marcofilia

 

 

 

 

Como foi referido anteriormente, a marcofilia é a área da filatelia que se ocupa dos carimbos que obliteram os selos e de todos os outros que podem marcar a correspondência. Antes de o selo postal ser introduzido, facto que ocorreu em Inglaterra em 1840, era norma ser o destinatário, e não o remetente, a pagar o porte da correspondência que circulava oficialmente. Além disso, o valor do porte variava em função da distância a percorrer e do peso da carta.

 

O selo  veio estabelecer um porte nacional único, independentemente da distância a percorrer, porte esse que apenas variava em função do peso do objecto postal. Quando a prática de selar correspondência foi instituída em Portugal, no ano de 1853, o porte nacional era de 25 reis para o peso padrão de uma carta, valor que se manteve inalterado durante décadas e apenas sofreu um ajustamento com o estabelecimento de um porte especial, inferior, para jornais e impressos.

 

 

No período correspondente à Primeira Reforma Postal, entre 1853 e 1869, que abrangeu os reinados de D. Maria I, D. Pedro V e D. Luís I, a maioria dos carimbos de cada localidade apresentava um número entre barras horizontais. A Chaves correspondia o número 180. Juntamente com esse carimbo circular de barras, que obliterava o selo, apunha-se na correspondência uma carimbo nominal. Ocasionalmente, esse carimbo nominal era utilizado para obliterar o selo, sendo os exemplares resultantes dessa obliteração extremamente raros.

 

Esses primeiros selos não só não tinham denteado como também não apresentavam o nome de Portugal, sendo a identificação do país feita através da efígie do soberano. Característica adoptada dos selos ingleses, que ainda hoje conservam a tradição de apenas apresentar a efígie de Isabel II.

 

Com a Segunda Reforma Postal, vigente entre 1870 e 1878, o formato dos carimbos passou a ser oval e os números anteriormente atribuídos a cada localidade foram alterados. A Chaves passou a corresponder o número 111. A partir de 1878, numa renovação que se foi implementando ao longo de vários meses, os carimbos obliteradores do selo passaram a  incluir o nome da localidade e a data de aceitação da correspondência.

 

 

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publicado por blogdaruanove às 00:38
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Quarta-feira, 25 de Novembro de 2009

Hoje não há feijoada - Chaves - Portugal

 

Hoje não há feijoada, ou melhor, há feijoada. Aliás nem seria quarta-feira em Chaves se não houvesse feijoada. Assim, hoje também há feijoada, mas não me apetece!

 

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Será talvez do Outono, ou do frio que finalmente parece querer chegar, talvez cansaço, talvez comungar um pouco da indiferença a que todos são devotos. Seja o que for, hoje por aqui, não se come feijoada. Pode-se fumar um cigarro, beber um copo, calçar as pantufas, ligar a televisão e “prontos”, deixemos  que os outros nos conduzam até ao sono, que mais tarde ou mais cedo, chegará.

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Ainda pensei falar-vos um pouco de arquitectura, do único exemplar típico da casa portuguesa que existia em Chaves, que todos achavam bonita, que todos tinham pena de estar entalada pela modernidade do betão, que marcava a diferença e também fazia um pouco da história cá da terra. Enfim, engolida pelo betão, ninguém chorará uma lágrima sobre as suas cinzas… afinal estava desenquadrada do ambiente, dizem, por isso, para que andar “práqui” com merdas e requiens se, à única música a que terá direito será a das concertinas, tambores da Venda Nova e cabeçudos que desfilem pela rua na próxima festa.

 

Não, hoje não quero feijoada. Já disse, não me apetece.

 

De parte o intróito…esqueçamo-lo. Vamos mais uma vez a Miguel Torga, que como um bom poeta morto, deixou palavras para a posteridade e para os que ficam. Palavras, simples palavras para pensar e reflectir, os que conseguem, claro!

 

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Chaves, 20 de Setembro de 1963

 

Musa Ausente

 

Falta a luz dos teus olhos na paisagem:

O oiro dos restolhos não fulgura.

Os caminhos tropeçam, à procura

Da recta claridade dos teus passos.

Os horizontes, baços,

Muram a tua ausência.

Sem transparência,

O mesmo rio que te reflectiu

Afoga, agora, o teu perfil perdido.

Por te não ver, a vida anoiteceu

À hora em que teria amanhecido…

 

Miguel Torga, In Diário IX

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:35
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Terça-feira, 24 de Novembro de 2009

Outros Olhares Sobre Chaves - Jota - Jorge Ferreira

 Há 26 meses atrás, caía numa das minhas fotos publicadas no flickr, um convite para participar no grupo “Postais Ilustrados de Portugal”. O convite era endereçado por um “Jota”, penso que na altura, ainda “Jotinha PT”. É desde aí que conheço virtualmente o nosso convidado de hoje e, também desde esse dia, que quase diariamente, nos cruzamos nas esquinas e cantinhos do flick.


Atento à sua galeria, vai debitando olhares por esse Portugal e mundo fora e, sabia que um dia, haveria de debitar uns olhares sobre a cidade de Chaves. Atento, eu estaria cá para lhos roubar e trazer aqui ao blog. Pois esse dia chegou e, de uma passagem à pressa e de fim de dia, resultaram algumas fotos, poucas, mas suficientes para hoje ser o nosso convidado.

Com o respectivo pedido de autorização para publicar as suas fotos, pedi-lhe também umas palavras sobre Chaves. Pois então, a partir de aqui, é com as suas imagens e palavras que ficamos.

 

 

 

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"Bem vindo a Chaves" disse-nos com um sorriso simpático uma funcionária do posto de turismo da cidade que, além de nos oferecer um mapa, apontou atenciosamente o melhor percurso para conhecer tudo que a cidade dispõe de interesse ao visitante, ou melhor, quase tudo…o posto de turismo está instalado numa praça central, que os habitantes gentilmente nos indicaram. O castelo da cidade é uma das principais atracções, circundado por um jardim muito bem cuidado e cercado por uma muralha que serve de miradouro e de onde se avista toda a cidade e uma moderna ponte a cruzar o rio Tâmega que nos chamou atenção.
Seguindo o mapa e caminhando tranquilamente, ali a poucos passos do castelo, a caminho da ponte romana, sente-se, numa das ruelas antigas da cidade, o cheiro dos pastéis de Chaves acabados de sair na "Pastelaria Maria", que tinha ar de outros tempos e onde não se resistiu entrar para fazer o gosto ao dente.

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 No percurso a caminho da ponte romana, em frente ao que parecia ser uma escola, presenciam-se escavações arqueológicas onde qualquer curioso que se preste vai espreitar e construir (ou tentar) uma imagem mental de como seria tudo aquilo há uns séculos atrás.
Ao chegar junto da ponte romana, as cores daquele final de dia, os reflexos no rio que corre sem pressas e a atmosfera muito tranquila da zona envolvente "imprimem" em nós um cenário idílico que faz vontade de sentar e ficar por ali a contemplar e aproveitar aquela luz, prestes a dar lugar à noite, para umas fotos.
Infelizmente o tempo foi curto pois tratava-se de uma visita não planeada e não deu tempo para muito mais. Ficou a vontade de querer voltar a Chaves e explorar a cidade com mais tempo e calma.

 

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Claro que não poderia terminar o post sem agradecer ao Jota (Jorge Ferreira) os seus olhares e as suas palavras sobre Chaves. Não bebeu água das termas (que eu saiba) mas comeu dos nossos pastéis, ou seja… um dia voltará. Espero que com mais tempo.

Entretanto, fica o link para a sua galeria de fotos no flickr, onde a cor se mistura com o preto e branco, com o perto e o distante, com a arte e o cliché ao qual nenhum fotógrafo resiste. Uma galeria de fotos que recomendo a todos os amantes de fotografia.


http://www.flickr.com/photos/jotinha/


Obrigado Jota e volta sempre, com tempo…



 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:30
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Segunda-feira, 23 de Novembro de 2009

Arrabalde de ontem e de hoje - Chaves - Portugal

Esta foi a imagem do Largo do Arrabalde até finais de 1945, ano em que a Câmara Municipal, por causa dos desocupados, mendigos, piolhos e regateiras, decidiu acabar no Arrabalde com o Mercado Municipal. Mercado que já por aí funcionava desde os finais do Século XVIII.

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Arrabalde, até finais de 1945

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O topónimo de Arrabalde é o que mais marca o Largo, não só por ser o topónimo actual, mas também porque até à descoberta recente das ruínas das Termas Romanas se acreditava que esse local sempre teria sido um dos arrabaldes da cidade ou melhor, da antiga vila, principalmente da Vila Medieval que existia dentro de muralhas. Hoje sabemos que o local nem sempre foi arrabalde da cidade, aliás, teria sido até um dos locais mais frequentados da cidade romana, tal como hoje em dia é um dos locais mais concorridos da cidade.

 

Mas mesmo que o topónimo Arrabalde esteja desde há muito ligado a este largo, nem sempre foi o seu topónimo oficial, pois ao longo dos tempos conhecidos, o largo já adoptou os topónimos de Arrabalde das Couraças, Praça Rui e Garcia Lopes, Largo Monsenhor Alves da Cunha (1) e Largo Dr. António Granjo.

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Arrabalde, há dias atrás

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Mas hoje ficamos por aqui, com a imagem actual, de há dias atrás, mas haverá mais oportunidades para se falar deste largo e da sua história, felizmente, porque o Arrabalde é dos locais mais fotografados ao longo dos tempos.  

 

(1)   – Curioso é como o Monsenhor Alves da Cunha ao longo dos tempos tem sido despromovido nesta cidade. O seu nome passou de um dos largos mais importantes do centro da cidade para  uma bairro novo nos arredores e, a sua estátua, única que existiu nas Freiras (antigo jardim), com a passagem do jardim a eira empedrada, desapareceu sem deixar rastro. Coisas dos tempos…

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:42
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Domingo, 22 de Novembro de 2009

Mosaico da Freguesia de Lamadarcos

 

Estamos de regresso aos mosaicos das freguesias, hoje com o mosaico de Lamadarcos.

 

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Localização:

A 12 km da cidade de Chaves, a Noroeste desta e na orla raina.

 

Confrontações:

Confronta a Norte com a Galiza, a Nascente com a freguesia de Mairos, a Sul com a freguesia de Stº António de Monforte e a Sudoeste com a freguesia de Vila Verde da Raia.

 

Coordenadas: (Adro da Igreja)

41º 49’ 56.89”N

7º 23’ 07.73”W

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Altitude:

Variável –  a rondar a cota dos 400m

 

Orago da freguesia:

Nossa Senhora da Conceição

 

Área:

13.83 km2

 

Acessos (a partir de Chaves):

– Estrada Nacional 103 até ao Lameirão e 103-5 até próximo da fronteira (depois de Vila Verde da Raia), E.M.504. Em alternativa, a A24 até ao nó de Vila Verde da Raia.

 

 

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Aldeias da freguesia:

            - Lamadarcos e Vila Frade.

 

População Residente:

            Em 1900 – 626 hab.

            Em 1920 – 707 hab.

            Em 1940 – 919 hab.

Em 1950 – 1035 hab.

            Em 1960 – 990 hab.

            Em 1981 – 669 hab.

            Em 2001 – 425 hab.

 

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Tal como a grande maioria das aldeias do concelho, principalmente as de montanha e da raia, também Lamadarcos viu o seu topo de população residente nos anos 50 e a partir dessa data uma descida acentuada ao longo dos anos, perdendo nos últimos 50 anos, mais de metade da sua população.

 

Principal actividade:

- Se em tempos o contrabando foi uma actividade importante na freguesia, hoje apenas se resume à agricultura e alguma pecuária.

 

Particularidades e Pontos de Interesse:

 

A sua história ligada às antigas aldeias promíscuas em que a raia atravessava e dividia a aldeia em duas. Assim foi até ao ano de 1864 em que no Tratado de Lisboa, Lamadarcos passava a ser inteiramente portuguesa, conjuntamente com o Cambedo e Soutelinho da Raia, que partilhavam da mesma condição. Em troca, Espanha, ficou com as três aldeias do Couto Misto.

 

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Lamadarcos (aldeia) foi outrora um curato anexo ao priorato de Chaves, vindo a beneficiar da extinção da freguesia de Vila Frade, para se tornar freguesia, à qual esta passou a pertencer.

 

A riqueza de estações castrejas no nosso concelho, também contempla a freguesia com um provável habitat fortificado da idade do ferro, num local que hoje denominam por “Castro” ou “Fraga da Moura”.

 

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As duas aldeias da freguesia mantêm ainda um casario tradicional mais ou menos interessante, onde se destacam um pombal de curiosas forma e único no concelho e região, mas também a Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Conceição de sabor românico tardio, as Capelas de Santo Amaro, Santo António e São Caetano e Santa Marta. Também curiosa e interessante é a Igreja denominada por “espanhola”, por antigamente ficar do lado espanhol da aldeia. De salientar ainda a Fonte de Santa Marta e diversos cruzeiros graníticos.

 

Também o verde da paisagem que se repete por quase toda a freguesia, merece algum destaque, sendo agradável aos olhos e de verão transmite uma certa sensação de frescura.

 

Para saber mais sobre as duas aldeias da freguesia, nem há como seguir os links que a seguir deixo para os posts já publicados neste blog.

 

 

Linck para os posts neste blog dedicados à  freguesia:

 

            - Lamadarcos

 

- Vila Frade

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:56
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Sábado, 21 de Novembro de 2009

Casas Novas - Chaves - Portugal

Pois hoje chegou a vez de Casas Novas ter por aqui o seu post alargado e, se algumas aldeias ainda não passaram por aqui por falta de fotografias ou visitas, não é o caso da aldeia de hoje. Talvez a demora se deva mesmo aos motivos e ao excesso de fotografias que tenho desta aldeia, mas também à sua história, que rica ou não, é bem diferente das restantes aldeias do concelho.

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Mas, diga-se a verdade, tinha algum receio de abordar esta aldeia. Receio em com o seu post alargado, ficar aquém de transmitir realidade desta aldeia, feita de contrates de tempos de outrora e de hoje, mas também contrates reflectido no seu casario solarengo por um lado, e tradicional típico do granito por outro e, ainda bem, que não trago aqui outros contrates que se verificavam há anos atrás, com os solares abandonados e em ruínas, como os solares habitados ou em bom estado.

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Claro que não irei aprofundar a história de Casas Novas e a razão porque em Casas Novas, Redondelo e também na vizinha Rebordondo se concentram, relativamente ao restante e existente no concelho, tantas casas solarengas, e solares brasonados. Não abordarei essa parte da história por duas razões: primeira porque cada uma dessas casas e solares merecem um post alargado e, segunda, porque confesso não saber a história de todas essas casas e solares.

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Mas hoje quero mesmo é dar uma ideia em geral da aldeia de Casas Novas, aldeia da qual guardo “imagens” de sempre, desde tenra idade, pela simples razão de que, vista de passagem desde a nacional 103, encanta qualquer um.  Mas mais encantado se fica quando penetramos nela e conhecemos a restante aldeia e a nobreza do seu casario, quer seja nobre em todo o sentido da palavra, quer porque também é nobre em termos de construção típica tradicional, a tal da pedra, ferro e madeira, embora, claro, era inevitável não ter os seus atentados pelo meio. Mesmo assim, Casas Novas ainda se recomenda.

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A aldeia em si, não é grande. Na realidade trata-se de uma pequena aldeia que se vai desenvolvendo ao longo de uma rua onde, quase paredes meias, há dois solares e menos de uma centena de casas. Adivinha-se que a antiga aldeia estaria dividida entre duas ou três casas ricas à volta das quais nasceu a aldeia do povo que as servia, mas isto sou eu a adivinhar ou a mandar palpites, pois como inicialmente disse, tenho poucos dados da história da aldeia.

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Localizada numa pequena colina de terras não muito elevadas, com o Rio Tâmega a seus pés (embora não se sinta), andam todas elas na cota dos 400/500m. Fica a 10 quilómetros de Chaves e outros tantos de Boticas. Aliás Casas Novas faz mesmo fronteira com o concelho de Boticas e é também pelas suas terras que se inicia a transição para terras do Barroso.

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Embora de proximidade de terras frias, são ainda ares da veiga de Chaves e do rio que chegam até às suas terras, e talvez por isso, ainda terra férteis que o povo sempre destinou à agricultura, mas que nem sempre chegavam às colheitas, pois reza a história da aldeia, que os temporais destruíam quase todos os anos as suas colheitas. Reza também a história ou a lenda, que para acabar com estes males, a povoação mandou construir uma capelinha, com uma galilé e invocação a S. Bernardino de Sena, pois continua a história, que foi mandada construir como agradecimento ao santo, pela protecção que devotou às colheitas, quando lhe foram encomendadas, não tendo sido destruídas pelos temporais, como acontecia todos os anos. O resultado, é uma pequena mas interessante capela, que pelo seu enquadramento bem pode ser considerada uma pequena pérola da aldeia.

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E já que falamos de pérolas, outra, é a o edifício da Escola Primária. Uma escola que teve o seu início de construção em 1900, com duas salas, uma para cada sexo e ainda habitação dos respectivos professores. As despesas da construção da escola (4.010$000 réis) foram pagas com dinheiros que Luiz Teixeira de Morais, um emigrante no Brasil, natural da aldeia, que legara para a sua construção.

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Desconheço quem é o autor do projecto da escola, embora haja quem defenda que foi construída ao estilo ou que é do tipo Adães Bermudes (Arnaldo Redondo – Porto 1/10/1864 -  Sintra 18/02/1948), um importante arquitecto, professor de arquitectura e político que se notabilizou como um dos expoentes da  arte nova em Portugal. Com belíssimas obras executadas desde Bragança ao Algarve e ilhas. Embora haja que defenda tal, a escola não consta no seu curriculum e a ser verdade, seria uma das suas primeiras obras, pois o mesmo só começa a ser notabilizado com o projecto do Banco de Portugal, em Bragança, no ano de 1902.

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Um pequeno apontamento só para dizer a importância que pode ter na história, em especial na história da arquitectura,  a autoria de um projecto e a sua obra. Sem tirar o valor arquitectónico da Escola de Casas Novas, teria ainda mais valor se realmente fosse de Adães Bermudes. Claro que esse valor é sempre relativo e nem todos o entendem. Exemplo recente acontece com uma obra do Arquitecto Eugénio Correia (1897-1985), essa sim, de autoria do próprio com placa e tudo, colocada na construção, sito na Rua 1º de Dezembro em Chaves, e que actualmente está a ser demolida para dar lugar a mais um edifício de betão no Centro Histórico de Chaves. Eugénio Correia, também apenas, importante, por ser um dos pais da “casa portuguesa”, autor da moradia da Rua 1º de Dezembro em Chaves, que era um belíssimo exemplar de arquitectura de uma “casa portuguesa”. E disse bem – era! Mas como a Rua 1º de Dezembro é em Chaves e hoje estamos em Casas Novas, voltaremos ao assunto durante a semana.

Voltemos então às pérolas e jóias de Casas Novas. A capela e a escola são dois exemplares que espero seja tratados e cuidados por muitos anos, mas em Casas Novas há mais – Os solares.

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O Solar dos Vilhenas, um belíssimo conjunto habitacional com uma não menos bela e artística pedra de armas e capela de invocação da Senhora da Piedade. As armas que constam do brasão foram concedidas no ano de 1752 a Manuel Álvares Calvão, 1º Morgado de Casas Novas, Capitão de Infantaria Auxiliar, Escrivão da Câmara de Chaves e Juiz Almoxarife da Comenda de Moreiras, que intituiu o vículo com capela de invocação à Senhora da Piedade. Manuel Álvares Calvão está sepultado na capela do solar. Do solar destaca-se ainda uma passagem superior em arco sobre a rua principal da aldeia.

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Mesmo, ou quase, ao lado deste solar dos Vilhenas, encontra-se um outro solar, o Solar da Viscondessa do Rosário, do início do século XIX e que embora tivesse estado francamente degradado e à beira da ruína total há poucos anos atrás, foi recentemente recuperado para Hotel Rural, ao qual este blog já dedicou um post alargado e que poderá ver/ler aqui:

http://chaves.blogs.sapo.pt/286402.html

Será pela certa um local agradável onde poderá ficar um fim-de-semana para conhecer esta aldeia de Casas Novas, mas também as aldeias vizinhas de Redondelo e Rebordondo onde uma rica arquitectura rural e solarenga se repete.

 

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A história deste solar é contada na página do Hotel Rural (http://www.hotelruralcasasnovas.com) que transcrevemos:

“Trata-se de um antigo Solar com uma antiga e relevante História. Após o seu restauro, ainda se mantém imponente o Solar do Conde de Penamacor também chamado Solar do Visconde do Rosário.

 

No final do século XVIII, o Solar era propriedade o 2º Conde de Penamacor, António de Saldanha de Albuquerque e Castro Ribafria, nasceu a 3 de Novembro de 1815 e morreu a 15 de Maio de 1864. Era filho do Alcaide-mor de Sintra e de D. Maria Teresa Braamcamp. Terá sido ele que mandou gravar a pedra de armas que se encontra na fachada do Solar. Outras fontes apontam como responsável desta gravação o seu pai, João Maia Rafael Saldanha de Albuquerque e Castro Ribafria.

 

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Em Casas Novas, o nome Albuquerque do terceiro quartel foi substituído por Pereira, apelido e armas do pai da avó paterna do 2º Conde. O título de Conde de Penamacor tem uma história curiosa e invulgar. O rei D. Afonso V, em 1475, concedeu-o ao seu valido e Camareiro-mor D. Lopo de Albuquerque, que foi embaixador do Rei de Castela e Roma. Este 1º Conde, tendo sido considerado culpado na conspiração dos Duques de Viseu e Bragança contra D. João II, receando o castigo deste, fugiu do país. Depois de uma vida aventurosa, acabou por morrer no exílio, em Sevilha. Por isso o título não foi renovado e assim se manteve durante mais três séculos, embora os seus descendentes tivessem regressado a Portugal e prestado relevantes serviços em sucessivas gerações.
A associação das armas referidas deve-se à seguinte linha de sucessão: D. Luís de Albuquerque, neto do primeiro conde, casou com uma filha do grande Vice-rei D. João de Castro. Desse casamento nasceu uma filha, D. Luíza de Castro, que casou com André Gonçalves Ribafria, Alcaide-mor de Sintra, filho de Gaspar Gonçalves Ribafria. Uma bisneta destes casou com Manuel de Saldanha Távora, Capitão-mor das Naus da Índia. É um bisneto destes que se liga pelo casamento a Casas Novas. O título foi renovado em 1844 por D. Maria II num neto deste último que assim veio a ser o 2º Conde de Penamacor. A ascendência do 2º Conde em Casas Novas, tendo um percurso histórico completamente diferente, é um bom e curioso exemplo da mobilidade social que caracteriza a sociedade portuguesa. Ademais, revela-nos um notabilíssimo flaviense que está completamente esquecido.

Este solar foi mais tarde vendido pela família, passando para a posse de uma filha do Visconde do Rosário. Mais tarde foi doado por esta à Santa Casa da Misericórdia de Chaves.

 

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Falemos agora desta família. Como foi dito, a casa foi habitada pela Viscondessa do Rosário, Maria Clementina Conde Saraiva. Era filha do Visconde do Rosário, Manuel José Conde, e de D. Eufrosina Ermelinda do Nascimento, natural da Bahia. Casada com António Teixeira de Morais, adoptou a cidade de Chaves como sua terra. Faleceu em 21 de Dezembro de 1935.

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O seu marido António Teixeira de Morais, era natural de Casas Novas, e faleceu em Lisboa em 6 de Junho de 1887. Esteve no Brasil durante muitos anos. A Câmara de Chaves dedicou-lhe uma rua urbana pelo facto de ter doado à Santa Casa da Misericórdia da cidade, a quantia de 40 contos (em moeda brasileira), destinada a cuidar dos pobres da sua freguesia. Além da avultada importância em dinheiro, doou também a sua quinta de Casas Novas, em 12 hectares e respectiva casa solarenga, brasonada, aos mesmos fins.”

 

 

Consta ainda na história da aldeia, ou nos seus arredores, a assinatura da Convenção de Chaves que deu como finda a Revolta dos Marechais, em 20 de Setembro de 1837.

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E sobre a aldeia não digo mais. Nem há como passar por lá, pois fica apenas a dois ou três quilómetros do nó de Curalha da auto-estrada, a 10 quilómetros de Chaves e por ela pode fazer passar um interessante roteiro com saída de Chaves, passagem por Curalha com visita ao Castro, dar um pulo à Pastoria, Casas Novas e Redondelo, Rebordondo, Anelhe, Souto Velho e regresso a Chaves. Deixe Vidago para outra altura, pois com olhos de apreciação e visita o itinerário que lhe acabo de traçar da para todo um dia, ou para uma manhã ou tarde com olhos de ver apressados.

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Vai ver que é um passeio que vale a pena e que muito flaviense desconhece. Não é preciso sair do concelho para se conhecerem verdadeiras pérolas, onde até pode almoçar ou jantar bem e pernoitar, com qualidade,  ao longo de várias ofertas que a nossa ruralidade põe à disposição.

 

Até amanhã!

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:54
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Sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

Discursos Sobre a Cidade, por Gil Santos

 

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BOTA-LE BINHO

 

Conheci o Ti Chico Milheiro já ancião. Nas torreiras de Agosto juntava a rapaziada nova à sombra do negrilho do Prado e, sentado na massadoura, entretinha os seus já longos anos com as reacções às curiosas histórias de vida que os ouvintes sorviam como água quando se tem sede. Ouvi-lhe muitas! Esqueci-as quase todas. Retenho apenas esta que vos conto:

O Chico Milheiro nasceu pobre em Milhais, lá para os lados de Mirandela. Órfão temporão de pai e mãe, cedo se fez à vida, na qualidade de criado de servir. Tirando a fartura de bogas do Rabaçal, que pescava na desova, no tempo das formigas fazerem carreira — como ele dizia — e dos raros coelhos e lebres que caçava nos laços que com mestria sabia armar, passava fome de rato. Serviu muitos patrões, levou muitos pontapés no cu, trabalhou de sol a sol e comendo o pão que o diabo amassou aprendeu a ler nas entrelinhas da agrura da vida o que mais lhe convinha. Juntava à sapiência da coruja a manha da raposa! E, desta forma, tão cedo se fez à vida de serviçal como a deixou. Não teria um quarto de século quando, proprietário de uma leira de couves, passou a servir-se a si mesmo. Botou umas colmeias, únicas nas redondezas, e quase só com elas se sustentava no Carregal, onde se fixou. Ao tempo, o mel era remédio para quase todos os males. Vendia-se bem para qualquer mezinha. Contudo, continuava pobre o Chico Milheiro. Pobre mas orgulhosamente dono de si!

 

Fez-se à vida pelos dezasseis anos, idade em que a força de crescer tonifica os músculos e dá ao corpo a forma masculina do homem grande. Procurou trabalho por terras de Valpaços. Encontrou-o em Brunhais, na casa de um lavrador rico mas usurário. A produção de vinho era a sua principal actividade. Durante todo o ano, o Chico, não trabalhando na vinha, trabalhava no bacelo. Porém, aguentou-se pouco tempo neste patrão. O homem estava sempre com pressa de o fazer trabalhar e mesmo nas sagradas horas do repasto pressionava o desgraçado. Um belo dia reparou que o Chico soprava ao caldo de vagens chitcharras que fumegava numa malga à sua frente.

─ Despacha-te rapaz, temos a vinha da Silva para satchar!

─ Está quente o caldo, patrão!

─ Oh homem, bota-lhe água.

Água?!!!... Este patrão não me serve! E tão depressa o pensou como rumou ao mundo à procura de melhores promessas.

Deu com patrão novo no Planalto, lá para os lados de Carvela. Um homem austero, que vivia da batata e do centeio. Sofria, porém, da mesma doença do anterior: o tempo era sempre curto para o trabalho. Um belo dia, ainda no primeiro semestre do emprego, o Chico defrontava-se com uma bela malga de caldo de lombarda, reluzente e fumegante. Fora lançada directamente do pote, que à força do braseiro apurava num borbulhar de cachoeira nervosa. O Chico bem lhe soprava mas o raio do caldo não havia maneira de arrefecer.

─ Despacha-te, rapaz! Temos a leira dos Bagueiros para agradar nesta tarde. Uma campina!...

─ O caldo está quente patrão!

─ Oh Chico, bota-lhe pão!

Pão?!!!... Ora essa, pão tenho-o eu à farta à minha frente, cogitou o criado em jeitos de despedida. Não demorou um mês que pusesse a trouxa às costas e procurasse novo destino.

 

Rumou desta feita ao Carregal onde encontrou trabalho na casa do Ti Moreiras. Um lavrador remediado que repartia os seus dias entre o trabalho árduo da terra magra que mal dava para sobreviver e o relato apaixonado das peripécias da primeira Grande Guerra, onde fora combatente e prisioneiro. Mas também o Ti Moreiras gostava pouco de perder tempo, nomeadamente a comer. Um dia de malhada, pelo fim dum Julho de canícula, criado e patrão sentaram-se à mesma mesa para repor as forças num lauto almoço de couve, toucinho e feijão vermelho. Encheram as ventas! No fim, como era hábito em Trás-os-Montes, veio a malga de caldo de baijes. Fervente! O Chico bufava-lhe, desta vez não só para o arrefecer mas também e sobretudo para ver no que é que aquilo dava.

─ Apressa-te, home! A malhadeira reclama-nos. Temos de acabar a malhada hoje.

─ O caldo está quente patrão!

─ Bota-lhe binho, catano!

Ah grande patrão, este é que me serve!!!...

E, desta feita, laborou em casa do Ti Moreiras até desposar a Rosa Milheira. Uma rapariga simples, mas trabalhadeira, filha da Ti Carminda da Rua, uma cabaneira pobre.

 

O empenho do Chico Milheiro foi tal que o patrão Moreiras aceitou apadrinhar o seu casamento. Doou-lhe uma pequena horta contígua ao casebre onde o Chico morava. Não demorou que se despedisse. A Rosa e o Chico trabalhavam à jeira. O soldo, a hortita e as colmeias sempre davam para o consumo e, sequer ao menos, eram homens livres!

 

Tenho saudades das histórias do Ti Milheiro. Alimentou muita da imaginação que me havia de fazer voar por sítios onde nunca fui capaz de chegar sozinho.

Obrigado Francisco Milheiro também por reconheceres no Ti Moreiras as qualidade do homem bom que ele sempre foi!

Gil Santos

In Ecos do Planalto - estórias

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:30
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Quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

O Repórter de Serviço e o blog Chaves estão solidários

 

 

Porque sei o quão importante é os nossos jovens sentirem o apoio dos mais velhos nos seus projectos, não poderia deixar de responder ao apelo de um grupo de trabalho de alunos do 12º ano da Escola Dr. António Granjo, na divulgação do seu blog e do seu projecto “Pintar a Solidariedade”.

 

E já que é de solidariedade que se trata, o blog Chaves está solidário com o vosso trabalho e com o vosso blog, ainda para mais quando o que é tratado pelo tema, deveria fazer parte da formação de todos nós.

 

Felicidades para o vosso projecto e, no final do ano lectivo, quero de novo vir aqui, com as conclusões do vosso trabalho.

 

Para acompanhar o trabalho, siga o link:

 

http://pintarasolidariedade.blogs.sapo.pt

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 22:15
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Repórter de Serviço - Polis

 

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Pois foi prometido e ele aqui está. O Repórter de Serviço, como não é político, ainda cumpre a palavra. Cumpre e pede desculpas por anteriores apontamentos e reportagens, principalmente as que se prendem com o burro do polis estar enterrado no pântano, pois o Repórter ignorava que as obras do polis ainda não tinham terminado, pois segundo o placar, ainda faltam 40 segundos para a obra terminar. Talvez cheguem para o burro…

 

Desculpas, tá!?

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publicado por Fer.Ribeiro às 18:30
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Repórter de Serviço - Remendos de Sapateiro!?

 

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O PM Sócrates e os seus assessórios bem podem dizer que Portugal já saiu da recessão e está a sair da crise a passos largos, mas todos sabemos que não é bem assim, aliás até já estamos habituados a não levar a sério aquilo que ele diz. Por cá, como bons transmontanos que somos, conhecemos a crise desde há séculos, e,  já se sabe que em tempo de crise, nem há como poupar. Sócrates que ponha os olhos em Chaves, em como por cá se poupa sustentadamente, com reciclagem, reutilização e tudo…

 

Já sei que os puristas vão dizer que aquilo são remendos de sapateiro, que põe a arte em causa, o bom gosto, a geometria dos passos, a harmonia da coisa, etc, e tal. Puristas e intelectuais, tudo a mesma corja… lá por lerem uns livros e pseudo perceberem de arte já pensam que são detentores da verdade toda, quando não passam de parolos armados em pavões… eles que falem! O momento é de crise e, mesmo que supostamente tivessem razão, que se lixe a arte, a harmonia, o bom gosto e essas tretas todas. Os buracos foram remendados e muito bem. Os meus parabéns ao iluminado da crise.

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Já agora, se não deram conta, um pouco mais abaixo, no Tabolado também há por lá uns remendos a botar. Pela certa que em armazém ainda há mais cubinhos de calcário dos desenhos pirosos das Freiras e do Arrabalde. A crise recomenda que se apliquem e os buracos no Tabolado destoam um bocadinho. Botem-lhe com os cubinhos em cima, que ninguém vai dar por nada.

 

Como parece que o Repórter de Serviço despertou, mais logo, promete trazer aqui nova reportagem, de fim de tarde. Até lá.

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publicado por Fer.Ribeiro às 13:30
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Coleccionismo de temática flaviense - Autocolantes

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Decorriam os finais dos anos 80 e as rádios piratas nasciam por tudo quanto era sítio. Chaves não escapou ao fenómeno e, três rádios locais, piratas,  surgiram e impunham-se às ondas das rádios nacionais: Radiodifusão Transmontana, Rádio Larouco e Antena Radiante. De entre as três rádios, a Antena Radiante, feita com muita carolice e muita juventude, marcava a diferença, não só em audiência, mas também em programação e actividades culturais extra rádio.  Veio o processo de legalização das rádios,  para Chaves, destinaram duas licenças. Um processo de legalização feito à boa maneira portuguesa e o resultado, ficou à vista. A Antena Radiante  foi a rádio flaviense excluída.

 

Mas a Antena Radiante cooperativa, existia, e embora tivesse perdido os anéis, não perdeu os dedos e, nasce o “Jornal de Chaves”, propriedade da Cooperativa Antena Radiante, que durante alguns anos, também marcou a diferença na informação e intervenção flaviense, vindo a morrer, infelizmente, quando os ideais deram lugar a outros interesses dentro do jornal, numa salsada que terminaria na barra dos tribunais e aniquilava de vez o Jornal de Chaves.

 

Da Antena Radiante e do Jornal de Chaves, vão restando alguns testemunhos da sua existência, hoje apenas guardados nas boas e más memórias de alguns, como mera recordação ou como objectos de coleccionismo, tal como acontece com o autocolante que hoje vos deixo em imagem.

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:30
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