Domingo, 28 de Fevereiro de 2010

Curral de Vacas - Chaves - Portugal

 

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A primeira vez, teria eu 6 ou 7 anos, se tantos, que fui a Curral de Vacas, foi quase em excursão familiar com pais, padrinhos, irmãos, acomodados como podíamos, todos dentro de um carro preto e grande, que gemeu a bem gemer para atingir o cimo da longa subida que desaguava na aldeia. O Esforço do carro foi tanto ou igual ao nosso, que dentro dele sofríamos e temíamos não chegar ao destino, o que seria uma tragédia não poder assistir devotamente ao Auto da Paixão. Era tempo em que a religião além de se levar a sério, era tão temida como abençoada da mesma forma que Deus nos castigava ou dava graças. Assistir ao Auto da Paixão, além da beleza da representação, era também uma graça de Deus.

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Estávamos nos anos 60 e só regressaria lá de novo, 20 anos depois por um motivo profissional qualquer. Da aldeia poucas imagens tinha, do Auto da Paixão, recordava e recordo ainda muitas das cenas e do túnel humano que se ia abrindo para a representação passar, mas também dos comentários de apreciação da representação das cenas e dos personagens, sobretudo o de Jesus que era sobre o qual recaiam mais atenções.

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Tenho assim, desde sempre, associada a aldeia de Curral de Vacas, ao Auto da Paixão, que, quer se tivesse a sorte de assistir ou não, era famoso e passava para além das terras de Chaves, tanto, que até Miguel Torga se sentiu atraído pela fama e encanto do acto ato e mesmo sem auto, quis conhecer o palco da representação:

 

Curral de Vacas, Chaves, 24 de Setembro de 1970

 

Hoje vim apenas ver o palco. Qualquer dia virei assistir à representação do Auto da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Nestas quelhas esburacadas e cobertas de bosta, ladeadas de postigos por onde espreita a solidão humana sem fartura, sem higiene, sem instrução e sem esperança, sim, é de um Zé qualquer, pode carregar dignamente uma cruz divina

Miguel Torga, in Diário XI

 

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Também eu, antes deste post, por várias vezes fui, apenas, visitar o palco da actual atual aldeia. Vinha-me sempre à lembrança o tal Auto da Paixão e regressava sempre de mãos vazias e sem imagens da aldeia de hoje para a feitura deste post.

 

Mas continuemos, ainda, com o Auto da Paixão e com Torga, que depois do palco vazio, quis vê-lo cheio de paisagem humana num espaço de devoção, mesmo que ingénuo mas fazendo parte das práticas ancestrais enraizadas na vivência mais profunda de um povo.

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Curral de Vacas, Chaves, 11 de Abril de 1974

 

O Auto da Paixão num pobre lugarejo  transmontano transfigurado numa Galileia imaginária, a fonte de Jacob, o Jardim das oliveiras e o Sinédrio reduzido a uma bacia cheia de água, a meia dúzia de ramos espetados no chão, a um palanque de feira. Mas nesse cenário ingénuo e sumário, tudo se passou como no verdadeiro – um Cristo do mundo a sofrer as injustiças e agruras do mundo. Pilatos era qualquer regedor, Presidente da Câmara ou juiz poltrão a lavar as mãos na honra da verdade; Caifás, o influente poderoso e rancoroso, que não é por nós é contra nós; Judas, o mau vizinho que muda os marcos e jura peitado; e a turba judaica, a multidão que assistia, mata, queima, esfola, conforme a onda emotiva. Não havia vedetas. Nem o próprio redentor tentava ultrapassar a medida humana. Todos faziam diligentemente o seu papel, a debitar o texto e a gesticular como a rudeza era servida. A tarde estava de rosas, e essa doçura da natureza emoldurada harmoniosamente aquela lúdica catarse colectiva, teatro e realidade misturados, festa e pesadelo, agonia fingida e vivida. O povo tem isso: sabe encontrar o meio termo feliz, o equilíbrio entre as exigências da alma e as fraquezas do corpo. A tragédia do Calvário é a nossa própria tragédia. Mas Deus é Deus, um ser absoluto. Pode sofrer absolutamente. Nós somos criaturas relativas…Por isso, a esponja de fel que desta vez o Centurião chegou ao lábios de Cristo era um naco de pão-de-ló ensopado em vinho fino…

 

Miguel Torga, in Diário XII

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Este blog está quase a cumprir a sua promessa de passar por todas as aldeias do concelho de Chaves com um post alargado, pois com breves passagens já todas passaram, e Curral de Vacas não poderia ficar de fora de uma abordagem mais profunda e, em imagem, deixar também aqui uma ideia do que é a aldeia. Não poderia adiar mais uma visita demorada e a recolha de imagens. Aqui está hoje o post e as imagens possíveis, na certeza de que muitas mais poderia ficar aqui.

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Uma abordagem que confesso difícil, não só porque todas as velhas imagens do meu imaginário se diluíram na modernidade da aldeia, mas também, como diz Torga, por perder a sua identidade, começando pelo nome da aldeia, que não sei por qual vergonha tentam borrar e deixar esquecido o nome de sempre, da e ligado à sua história, do seu passado – Curral de Vacas, chamando hoje a si e à aldeia (consagrado em placa à entrada da aldeia) o nome da freguesia de Santo António de Monforte.

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Também Torga lamenta e de novo canta Curral de Vacas no seu diário, passados quase vinte anos após ter-se rendido a todo um povo:

 

Curral de Vacas, Chaves, 3 de Setembro de 1991

 

À semelhança de tantas outras que me ocorrem penosamente à lembrança, também esta terra, infelizmente, perdeu a identidade. Mudou de nome, alindou as moradias, secou-lhe no largo o negrilho centenário que a tutelava, deixou apagar o forno do povo, pôs fim às representações do Auto da Paixão, que a notabilizavam e aqui me trouxeram pela primeira vez. Com todas as raízes cortadas, ninguém se orgulha mais do tapete de bosta que lhe almofadava os passos logo ao nascer. Cada morador, com quem falo e comento a degradação, parece ter perdido a memória das antigas feições. Até o patriarca, que foi durante a vida inteira titular da figura de Cristo no drama sagrado, e era pelo ano adiante a figura carismática da povoação, no que diz e me diz é um estranho a si próprio, um zé-ninguém indigno da majestade que dantes lhe nimbava a rude fisionomia de cavador. Nem o consigo ver, como vi, a morrer santamente na consternação de todos pregado na cruz do calvário, nem, depois, a festejar alegremente com os amigos, lascas de presunto e copos de vinho tinto, a sua ressurreição.

 

Miguel Torga, in Diário XVI

 

A Maravilha do Reino, perdia assim para o poeta que a canta, um pouco do seu encanto.

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Mas vamos deixar, para já, Torga e as perdas do passado de lado, que, no entanto,  se refletem no presente de uma aldeia que cresceu a par da modernidade alongando o seu casario ao longo da estrada agora asfaltada, que construiu os seus bairros novos, que pavimentou e arranjou o seu largo, o tal dos negrilhos, que vá-se lá saber porque, um pouco por todo o lado, resolveram morrer e deixar mais tristes os espaços que ocupavam.

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Mas vamos a um pouco da história desta aldeia que ainda hoje, oficialmente, é Curral de Vacas, pois tanto quanto sei, e assim consta na divisão administrativa do concelho, à Freguesia de Santo António de Monforte, pertencem as aldeias de Curral de Vacas e Nogueirinhas.

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Comecemos pela origem do topónimo. Como sempre, existem várias hipóteses para a origem da designação Curral de Vacas. Uma, tendo origem na abundante criação de gado bovino ligado à aldeia, que se calha (agora sou eu a supor) teria de perto a ver com a existência da principal feira do gado da região se realizar em terras de Monforte (Castelo) à qual esta aldeia pertenceu em termos administrativos até 1960, pois só a partir desta data é que se formou a freguesia de Santo António de Monforte (com  Curral de Vacas e Nogueirinhas). No entanto, pessoalmente estou mais virado para uma segunda hipótese de origem da sua designação, e, esta, apoiada até por alguma documentação, pois segundo segundo Viterbo no seu famoso “Elucidário” faz-se referência a um senhor donatário destas terras, cujo nome seria Luiz Pires Voacas. Seria talvez aqui (sou eu a supor outra vez) que o topónimo teria a sua origem e, a ser assim, inicialmente poder-se-ia referir ao curral do (Sr.) Voacas, acabando em Curral de Vacas. Claro que como não há qualquer documento que ateste em prol de uma origem, qualquer uma das apresentadas (ou que apresentem) pode ser verdadeira.

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Quanto à denominação da freguesia ser Santo António de Monforte, quanto a essa já se têm certezas e está directamente diretamente ligada à tal ligação que Curral de Vacas teve, como território paroquial, à terra e julgado de Monforte de Rio Livre.

 

Pela existência de vários castros nas aldeias mais próximas, tudo indica que curral de Vacas pudesse ter tido ocupação pré ou proto-histórica. Já inequívoca é a romanização bem patente na ara  existente no interior da Igreja Paroquial invocada à divindade indígena Larocus (ou Laraucos, conforme os documentos que se tenham de base) e que hoje dizem ser de invocação ao Deus Larouco. Aliás esta ara é mesmo directamente diretamente relacionada com a Serra do Larouco, cuja imponência se avista desde Curral de Vacas, bastando dirigir olhares para terras do Barroso.

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A Igreja Paroquial com torre sineira galaico transmontana de dois sinos, hoje com pedra à vista e isenta de qualquer reboco, mostra uma traça incaracterística com certa persistência do gosto românico, principalmente a nível do aparelho e do pórtico principal aberto em arco de volta inteira. Na frontaria pode ainda observar-se um pequeno óculo de recorte oval talhado em dois enormes blocos justapostos. Algumas irregularidades construtivas denunciam as sucessivas reformas a que o templo esteve sujeito ao longo dos tempos. O Padroeiro, como é natural, é Santo António, com honras e festa marcada anualmente para 13 de Junho junho.

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No largo principal da aldeia ergue-se um Cruzeiro perto do qual a Capela da Senhora do Rosário mostra a sua graça, rematando o largo.

 É junto a esta capela que se inicia o caminho para a escola primária, que (milagre) é uma das poucas escolas rurais em funcionamento. Uma prova de que esta aldeia não foi muito castigada com o despovoamento a que estamos habituados, aliás pelos Censos existentes desde que foi criada a freguesia de Santo António de Monforte, a freguesia mantém-se sempre acima dos 500 habitantes. No entanto os primeiros Censos da freguesia são de 1970, faltando os anos críticos de perda de população associados à década de 1920 e às de 1950/60. Contudo é um bom sinal existir escola primária em funcionamento, pois é porque existem crianças, e embora (segundo apurei) não chegue aos 20 alunos e esteja bem longe do número de alunos da primeira escola na aldeia, que em 1916 era de 76 crianças em idade escolar.

 

Geograficamente, a aldeia ocupa parcialmente uma área planáltica que se estende até Mairos e Paradela de Monforte no entanto as suas terras descaem para a bacia orográfica do Rio Tâmega.

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Em termos de actividade atividade, a agricultura é a de maior importância, com as culturas comuns às terras do planalto (batata, centeio, alguma vinha e os produtos hortícolas bem como árvores de fruto de proximidade das habitações. Em tempos, não há muitos, era conhecida também por se dedicar à pecuária e à produção de leite que hoje se perdeu, tal como em quase todo o concelho e graças às “boas” negociações agrícolas de preços e quotas que os nossos responsáveis governamentais têm travado a nível europeu e que em muito têm contribuído para o despovoamento do interior Norte.

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E se a nível da aldeia a principal actividade atividade é a agricultura, já não o é em termos de ocupação dos seus habitantes, muitos deles reformados e outros tantos a trabalhar em diversas actividades  atividades fora da aldeia e na cidade, funcionando a aldeia como dormitório. Uma prova de como se pode trabalhar na cidade e viver na aldeia, com a sua qualidade de vida, vizinhança e tranquilidade, mesmo que, embora avistando-se a cidade, ela fique a 12 quilómetros de distância. Outras aldeias bem mais próximas da cidade poderiam seguir o exemplo destas aldeias ainda com vida.

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De história e lenda,  falta ainda referir a Fraga da Moura ou Pedra Pitorga, mas mais uma vez, a preferência e referência deixo-a a cargo de Miguel Torga:

 

 Curral de Vacas, Chaves, 4 de Setembro de 1991

 

Com metade da povoação a guiar-me , visita penosa à Pedra Pitorga, um abrigo pré-histórico gigantesco que deu segurança através dos tempos a sucessivas aflições. A ele se acolhiam os primitivos habitantes da região, assediados por ursos, lobos, javalis e outros inimigos. Nele se refugiavam foragidos da Inquisição e da sanha miguelista e liberal, e perseguidos da Guerra Civil espanhola, que a raia não defendia da raiva nacionalista. Labirinto granítico oculto num matagal de giestas e Carvalhas, nele me apeteceu resguardar também a dignidade de poeta neste tempo sem poesia que me coube.

 

Mas o Homem já não sabe identificar-se no seio da natureza. Nem mesmo os candidatos à santidade se retiram nos cenóbios e nos desertos para conhecer na solidão os limites da alma, e meditar na hipocrisia humana. Cépticos também, procuram compungidos no seio escancarado das multidões a justificação da farsa da sua medular incredulidade. Os poetas, esses serão sempre presenças por si próprias devassadas em todos os recônditos do mundo. Em nenhum sítio real ou imaginário se podem evadir dos seus demónios interiores e da incompreensão demoníaca dos outros.

 

Miguel Torga, in Diário XVI

 

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Para finalizar, a referência ao testemunho da vida comunitária que existiu na aldeia e pena é, nem que fosse apenas em termos de animação, convívio bem como honrar a história do passado, as infraestruturas comunitárias existentes não seja frequentemente utilizadas. Refiro-me ao lavadouro público e refiro ao forno do povo, já que as fontes, de uma ou outra forma, lá vão tendo a sua utilidade, embora já não se vá de cântaro à fonte, pois felizmente, agora, a água já nasce na torneira de casa.

 

Para quem não sabe onde fica Curral de Vacas, não há nada a saber, pois basta virarmos o destino para terras galegas, para a fronteira e quando chegarmos a Vila Verde da Raia, no cruzamento da fonte, vira-se para Curral de Vacas, embora na placa apareça (claro) Stº António de Monforte. Curral de Vacas é também terra de passagem para Mairos e Paradela de Monforte, mas se de Mairos seguirmos até S.Cornélio, então Curral de Vacas pode ser passagem para quase metade das aldeias do Concelho.

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E por Curral de Vacas é tudo. Já aqui tem o seu post alargado, no entanto, ainda gostaria de lhe dedicar um outro, uma grande reportagem, a ser possível se tornarem também possível tão famoso como saudoso Auto da Paixão. Façam dele um motivo de interesse religioso, turístico e até económico que Curral de Vacas, só ficaria a ganhar, para além de ser também um motivo de orgulho para a aldeia. Não deixem que politiquices, partidarismos e outros devaneios acabem com uma tradição que vos ficava tão bem. Não percam, como dizia Torga, a vossa identidade senão caem numa vulgar aldeia qualquer.

 

Agora sim, para terminar mesmo, a referência a um blog de Curral de Vacas, que embora a sua última publicação seja de nov.09 já existe desde 2006 e, assume o nome de Curral de Vacas .

  

 

 

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Sábado, 27 de Fevereiro de 2010

Imagens para memória futura e palavras para quem as lê

Já começou a contagem decrescente.

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Para memória futura, aqui ficam três imagens que vão ser engolidas por uma barragem.

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Um testemunho da preocupação  que os senhores de Lisboa têm connosco e do como verdadeiramente interessamos.

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Mas não é só por Lisboa que os nossos interesses são defendidos. Por cá, os mesmos interesses, também se preocupam connosco.

 

 

Para saber mais sobre o assunto, ver o post publicado em: Requiem para o Rio Tâmega

 

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:27
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Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2010

Discursos Sobre a cidade - Por Fe Alvarez

- Pobre hombre, se le ve tan abatido, qué pena! Se siente, no le tienen cariño.

- Ese es de los que recogieron aquello que sembraron, no merece nada más. 

- Fue tan mala persona? 

- Oye:

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En aquellos tiempos, en que la mano ferrea de la dictadura, marcaba el compás de la vida, una vida llena de trabajo y privaciones, el futuro para un matrimonio de trabajadores era duro, muy duro y si los hijos llegaban con regularidad, como era el caso, peor, siempre era una boca más para alimentar, que vestir, lo que se dice vestir, se aprobechaba todo al máximo, se heredaba de hermano a hermano y si venía algo de fuera también era bien recibido, se volvía, se remendaba y se zurcía, es decir de viejo se hacía nuevo, todo  aquello que consiguiese ahorrar unas míseras perrillas, se ponía en práctica, hasta la extenuación, todo valía, menos perder la dignidad.

 

El padre de familia, cansado de andar faenando de feria en feria, pasando mil penalidades y no vislumbrando un mañana prometedor, decidió emigrar y así después de ver las posibilidades decidió probar suerte en las colonias, se hablaba el mismo idioma y no se sentiría tan extraño, además conocía mucha gente que se emigrara antes y tuvieran suerte, un buen día partió y ella se quedó con los hijos y los mercadillos, con las mismas penalidades y con problemas acrecentados, naturalmente, pues no tenía medio de transporte, por este motivo había que pagar a quien la llevase, los problemas se multiplicaron, claro que no venian más retoños, pero los que ya había crecian y los gastos aumentaban, no obstante los ingresos esos no había modo de aumentarlos. Era desesperante, el día tenía 24 horas incluyendo las de descanso, claro, y ella no podía trabajar más, llegaba a la cama, exausta, sintiendose insatisfecha, destrozada, dolorida y muchas veces humillada.

 

Y el marido? Ah! el marido llegado a las tierras de las que se decía que manaban leche y miel, enseguida empezó a trabajar y como sucede muchas veces, hizo llegar, en los primeros tiempos (dos o tres meses), algún dinero a la familia hambrienta, "poco dura la alegría del pobre", él se entretiene con nuevas conquistas y con las alegrias de la novedad, el brillo del oropel, algún que otro vapor envolvente y la mala cabeza,  olvida a sus hijos y a la sacrificada esposa que quedó en Chaves, el poco goteo que llegara se secó, completamente, ni dinero ni noticias, algunas veces muy de vez en cuando se sabía alguna novedad, de la vida que llevaba, estas novedades eran traidas por personas que también hicieran suyas aquellas tierras africanas; muchas cosas a contar y muchos silencios, por caridad, no querian lastimar más a aquella mujer que se dejaba literalmente la piel, cada día para poder sacar adelante a su prole, sin un apoyo, por momentos era ella contra el mundo, un mundo cruel y frio, que parecía querer destrozarla.

 

Ellos, los niños fueron creciendo y se sentian dolidos y humillados, sus sentimientos se perdian entre el amor  y el desprecio a un padre que los  abandonara, impugnemente, a su suerte y crecieran con muchas carencias, afectivas y económicas. Evitaban hablar de su progenitor y se esforzaban para conseguir algo mejor de lo que su madre tenía y compartía. Algunos hicieron el curso de comercio, se emplearon, otros se casaron, emigraron  y los costes familiares fueron quedando más leves. Ella estaba derrumbada, pero solo en parte, ver a los hijos mejorar le alegraba el alma y era un bálsamo para su cuerpo dolorido. Después de tener a todos los hijos independizados, la vida pareció remansarse, claro que quien trabaja tanto, no puede dejarlo de un momento para otro, solo bajó el ritmo. Lo necesitaba.

 

El mundo siguió girando, con sus penas y alegrias, con sus miserias y sus grandezas, con sus encuentros y desencuentros. Entonces el padre que partiera, abandonando todo, le despertó la vejez, no la esperaba, pero siempre llega, con ella, la decrepitud, las limitaciones, la enfermedad,  que la vida disoluta y hueca adelantó y esta era su herencia, entonces, le vino a la memoria:  por aquellas tierras de Tras os Montes, más concretamente en Chaves, si no se recordaba mal, tenía una familia, una familia que le pertenecía, era suya, mejor dicho eran suyos, todos y cada uno de sus miembros, y con más cara que espalda se presenta exigiendo sus derechos, que como vemos no se los había ganado, se creía que eran suyos por derecho Divino, por eso no interesaba el haber olvidado miserablemente, sus deberes, claro que no encontró a la misma mujer que dejara, siempre fuera una luchadora y como dicen que aquello que no nos mata nos hace más fuertes, esta gladiadora era fuerte, se hiciera de piedra, aún así ,ella le reprochó su vida y lamentó sus trabajos, él encontró unas disculpas vergonzosas, pueriles, pobres, que ni él mismo se creía, entre tira y afloja, llegaron a un consenso. Podría quedarse en la casa matriminial, pero... tendría que pagarse esa habitación, la manutención y la limpieza, es decir un extraño en su familia, su familia...? perdiera el derecho de considerarla así. Para mal de sus pecados, ni tenía amigos que mitigasen sus días de soledad amarga y así solo, triste y aburrido de la vida veía pasar lentamente los días desde la ventana. Las noches, eran bastante peores, con sus fantasmas agigantados, sus miedos, sus recuerdos y todo esto condimentado con malestar y dolores; eran eternas... desagradables... y frias, muy frias.

 

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Quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2010

Cheia do Rio Tâmega em Chaves - Dia 25-02-2010

Sem comentários, ficam algumas imagens da cheia do Rio Tâmega em Chaves, no dia de hoje (25-Fev-2010), que a julgar pelo estado do tempo, poder-se-á dizer que a cheia ainda vai no adro.

 

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Coleccionismo de temática flaviense - Calendários de Bolso

Mais uma vez trazemos aqui os calendários de bolso com os quais se pode fazer também um bocadinho da história de Chaves.

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O calendário de hoje faz parte de uma série de calendários de bolso editados por uma empresa da cidade em que representava vários monumentos da Chaves. Os calendários foram editados em papel fotográfico brilhante, realçando e dignificando assim os temas representados, neste caso, a Igreja da Misericórdia, tal como se apresentava na altura (1987) em que os principais monumentos da cidade ganhavam o ar da sua graça com a iluminação nocturna com que tinham sido dotados e neste caso, a cores. Infelizmente, com o tempo, as lâmpadas foram-se fundido (suponho) pois hoje esta igreja, de noite, dilui-se na escuridão da praça, onde apenas o edifício do poder está iluminado.

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Todas as fotos desta edição de calendários são de autoria do nosso amigo e colega da blogosfera flaviense Dinis Ponteira

  

Calendário de 1987

Dimensões: 70x100 mm

Material: Papel fotográfico brilhante

Nº de exemplares: desconhecido

Autor: Dinis Ponteira

Promotor: PEEIE Ldª

 

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Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2010

Hoje há feijoada ou peixeirada, já nem sei!

Hoje é quarta-feira e, em Chaves, é dia de feira e, dia de feira que se preze, tem feijoada, com todos os condimentos e para todos os gostos, pese embora, agora os tempos, até serem de peixeirada, não só pela quadra da Páscoa que nos leva para o jejum do peixe, mas a peixeira que está implantada neste Portugal de marinheiros. Deve ser influência do nosso território ter mais mar que terra.

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Fotomontagem de arquivo

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Aliás sempre foi a grandeza do mar que inspirou a grandeza de Portugal e sempre inspirou o poeta português. E falo do poeta, como representante de todos os poetas portugueses, o maior, o que canta a realidade de Portugal, que, para mim, há muito deixou de ser Camões.

 

DEUS QUER, o homem sonha, a obra nasce,

Deus quis que a terra fosse toda uma,

Que o mar unisse, já não separasse.

Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,

 

E a orla branca foi de ilha em continente,

Clareou, correndo, até ao fim do mundo,

E viu-se a terra inteira, de repente,

Surgir redonda do azul profundo.

 

Quem te sagrou, creou-te portuguez,

Do mar e nós em ti nos deu signal.

Cumpriu-se o Mar, e o império se desfez.

Senhor, falta cumprir-se Portugal.

 

Fernando Pessoa, “ O Infante” In o Mar Portuguez/Mensagem

 

Assim sendo, já nem sei se isto hoje é feijoada ou peixeirada, reforçada a dúvida pelas palavras do poeta:

 

“ O MAR SALGADO, quanto do teu sal

São lágrimas de Portugal”

 

E o Tâmega, leva algumas lágrimas de Chaves, que também ajudam a salgar o mar.

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De Chaves ou de outra terra qualquer, pois o sentimento e a realidade é comum e uma lágrima nossa, não é menos salgada que uma lágrima de outro qualquer sítio ou terra de Portugal, mas por aqui, é de Chaves que se fala. Pois vamos às lágrimas de Chaves que contribuem para as lágrimas de Portugal e para o sal do mar.

 

Por cá nunca fomos ricos, sempre fomos mais ou menos esquecidos e se não fosse por termos uma boa horta e Espanha estar aqui a dois passos, permitindo-nos assim ter sido militares e contrabandistas, se calha Chaves nem existia. Somos pobres, mas nunca fomos invejosos, aliás a inveja nem se conjuga muito bem na pobreza. Inveja é um luxo que só os ricos, os poderosos ou bem remediados conseguem conjugar. Na pobreza cultiva-se mais a revolta e depois, o que é que se poderá invejar na pobreza!? Mas os pobres existem, e por cá, infelizmente, temos a pobreza total, ou seja, o pobre que é pobre porque não tem dinheiro para mandar cantar um cego, mas também a pobreza de ideias e da ambição de fazer sair Chaves do marasmo, ele mesmo pobreza.

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Nunca a sabedoria popular de “ Em casa onde não há pão, toda a gente ralha e ninguém tem razão” se aplicou tão bem como nos nossos dias atuais, e, ainda vamos tendo umas côdeas por casa. Basta ler os jornais, ouvir as notícias e os nossos atores, sejam eles políticos, da banca e grandes empresas, da justiça, dos Mass Media (convém refrescar a memória e saber o que são os Mass Media: - são sistemas organizados de produção, difusão e receção de informação. Estes sistemas são geridos, por empresas especializadas na comunicação de massas e exploradas nos regimes concorrenciais, monopolísticas ou mistos. As empresas podem ser privadas, públicas ou estatais.).

 

Pois a pobreza e o povo, porque a pobreza convive bem com o povo, dos poucos direitos que tem é a revolta, mesmo que seja muda e se fique pelos intestinos, mas revolta-se e com todo o direito, principalmente quando por todo o país se ouve falar de crise, de não haver dinheiro, de estamos de tanga no fundo do poço ou do pântano, de não haver dinheiro para aumento de vencimentos, de cada vez haver mais desempregados e empresas a falir e à nossa volta continuar-se a mal gastar dinheiros públicos, em puros devaneios, luxos, ambições, teimosias, politiquices, etc.

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Ainda ontem enquanto ouvia a entrevista de José Sócrates na televisão, não deixava de o admirar na facilidade em que ele tem em dar volta aos conteúdos e como na astúcia das palavras dava a volta à verdade. Ouvi coisas incríveis que nos tocam bem de perto. Falou-se das barragens que são o futuro de Portugal (imagine-se) e pelo meio, Miguel Sousa Tavares trouxe à baila uma das plataforma logísticas que Sócrates lançou com tanta pompa e circunstância e que, as autarquias caíram de queixos na sua construção. Pois por cá, temos ambas, as barragens e uma plataforma logística. Uma barragem em projeto com a qual só ficamos a perder, destruindo-se um rio que embora com algumas maleitas ainda poderia ser saudável, mas destruindo também toda uma economia de subsistência, de gente pobre, que sem as suas terras férteis de cultivo, vão ficar sem nada, e tudo em nome de Portugal e das energias renováveis que vão ser exploradas pelos monopólios da eletrecidade e que todos vamos pagar, para continuar a dar, como até aqui, chorudos lucros às empresas exploradoras, ou seja, destroem um rio, empobrecem ainda mais a região e ainda vamos ter de pagar por isso e ficar contentes.

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Não deixo de dar razão a José Sócrates quando diz que o futuro da energia está nas energias renováveis. Quem é que não sabe isso, mas o futuro não está nas barragens, mas sim em casa de cada um de nós, com a produção da energia que necessitamos, cedendo a produção que resta à rede pública. Coisa simples. Bastava que o dinheiro que se gasta em petróleo para produzir eletrecidade, o que se gasta na construção e manutenção de barragens, nos negócios e gestores a elas associados, se transferisse para o equipamento doméstico que cada um de nós necessitaria para produzir eletrecidade. Mas claro que isso não interessa às grandes empresas que detêm o monopólio da eletrecidade, não interessa ao poder dependente, não interessa ao poder internacional do petróleo. Energia sustentável, de borla, não poluente e renovável, não interessa ao grande capital e como tal, não interessa ao poder. Construam-se barragens, empobreça-se uma região já pobre, ponha-se-lhe o rótulo de amiga do ambiente, mesmo que o ambiente seja o primeiro sacrificado e todos os papalvos dirão ámen!

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Pois vamos às plataformas logísticas. Para quem não sabe e pelos vistos há muita gente que não sabe, em Chaves há uma plataforma Logística porque era um dos pontos estratégicos a nível nacional para a implantação de uma das poucas que existem. Em Chaves existe uma e até foi inaugurada por José Sócrates. E agora perguntarão vocês, afinal o que é uma  plataforma logística e onde está a de Chaves!?... pois não sei,  mas garanto-vos que existir, existe, e já há alguns anos, onde até se gastaram uns largos milhões de euros na sua construção, mas apenas isso, pois nunca funcionou, está fechada e a degradar-se, tal como toda a área envolvente onde deveria funcionar uma Mercado Abastecedor, que também existe e não funciona, e um parque de atividades que não tem atividade.

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Custa ver um poder a exibir-se e exigir-nos sacrifícios, a aumentar-nos os impostos,  a retirar-nos direitos fundamentais, a roubar-nos a saúde, a formar jovens para o desemprego e que ao lado de nós esbanja dinheiros públicos (milhões dele) para equipamentos que não funcionam, para desfazer e refazer sem nada melhorar (EN 213), para fechar escolas e construir outras, para esvaziar hospitais existentes para construir outros novos, para construir barragens que destroem rios quando a eletrecidade existe de borla nos nossos telhados, para enfim, gozar connosco. Já nem quero falar de TGV’s, Aeroportos, pontes megalómanas, mundiais de futebol, etc. entre outras realidades e projetos que pululam por aí…

 

E já que comecei com o Poeta, vamos acabar com palavras suas:

 

SENHOR, a noite veio e a alma é vil.

Tanta foi a tormenta e a vontade!

Restam-nos hoje, o silêncio hostil,

O mar universal e a saudade.

 

Fernando Pessoa, “ Prece”  In Mensagem

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:28
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Terça-feira, 23 de Fevereiro de 2010

Outros Olhares Sobre Chaves - Daniel de Oliveira


Hoje é terça-feira e como sempre vamos até aos olhares de quem nos visita.

 

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Daniel de Oliveira, é o nosso convidado de hoje, e tal como deixa escrito no seu perfil, é um lisboeta da cabeça aos pés, para quem a fotografia faz parte da sua vida. Coisa já de família, de seu pai, também amante de fotografia e coleccionador de câmaras fotográficas…Leicas, entre outras. Diz-se particularmente amante de Lisboa, da sua arquitectura e da sua luz, da fotografia de rua, da experiência que vai adquirindo na fotografia de estúdio. Um fotógrafo que já não viaja sem a sua máquina fotográfica.

 

Pois  numa das suas últimas viagens passou por Chaves e por cá fez alguns registos da nossa cidade. Registos flavienses e também da sua vivência como fotógrafo, com fotografia de rua e de estúdio que já pode ser apreciada na sua galeria no flickr, e que poderá e deverá ver aqui:

 

http://www.flickr.com/photos/72964160@N00/page1/

 

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Hoje deixo por cá quatro registos da nossa cidade, olhares diferentes de reflexos e pormenores, de cores e contrastes de um passeio que se adivinha pelo nosso centro histórico com passagem do rio até à outra margem numa série de fotos que o Daniel de Oliveira legenda com “cold light series”, e sem dúvida, que captou bem a nossa luz, mas também o frio de uma conversa gelada que nem sequer falta na expressão do azul e brilho do céu.

 

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Gostei de ver o pouco que partilha na sua galeria sobre Chaves, espero que tivesse levado consigo mais olhares interessantes da nossa velha cidade que contrastam e ficam bem na sua interessante e apurada galeria de fotos.

 

 

Na NET, o Daniel de Oliveira tem também o seu nome associado ao MAL. Um MAL que parece ser feito por bem, no Movimento Acorda Lisboa que tem o seu espaço aqui:

 

http://www.movimentoacordalisboa.com/

 

 

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Obrigado Daniel pelos teus olhares sobre Chaves e volta sempre, com a tua máquina fotográfica, e da próxima pode ser de verão, para assim poderes compreender as palavras de Miguel Torga, quando dizia que por cá havia “Nove meses de inverno e três de inferno” e talvez poderes colher a luz abafada do calor.

 

Até amanhã, em dia de feijoada em Chaves.

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:45
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Segunda-feira, 22 de Fevereiro de 2010

Chaves de Ontem de de Hoje - Arrabalde

Imagem do Século passado (data incerta) pela certa com mais de 50 anos

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Se me perguntarem de qual destas duas imagens gosto mais, não duvido em dizer que é da primeira, da mais antiga, e porquê?  - A razão é muito simples, além de ser uma belíssima imagem e embora entre ambas não haja muitas alterações em termos de casario e de espaço edificado, pode-se mesmo dizer que a imagem actual atual mantém a sua integridade da antiga, no entanto há uma diferença que pesa na escolha da primeira imagem – a vida e saúde do casario, principalmente do quarteirão que abrange o antigo Hotel de Chaves hoje quase na integra abandonado e em péssimas condições de conservação, alguns deles, ameaçando mesma ruir.

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Imagem de 21.Fev.2010

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Imagens antigas que hoje fazem a delícia de quem as vê, mas que também fazem um pouco da história de Chaves do século passado, quase todas boas imagens de ainda hoje se lhe tirar ao chapéu e, quase todas do mesmo autor e fotógrafo de uma casa que ainda hoje existe – o Foto Alves. Autor que é merecedor do nosso respeito e que merecia uma homenagem da cidade, por todas as fotografias que nos deixou da antiga vila e cidade do século passado.

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:07
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Domingo, 21 de Fevereiro de 2010

Na feira dos Valores & Valeres

 

 

“Quem chega, que Deus o salve”, se vier por bem e, se não vier, que o salve também…

 

A criação até poderia ser a da ignorância das letras e dos números, das artes e das ciências, mas havia a formação do respeito, do trabalho, da honestidade, da fidelidade, da honradez, da amizade, da família, da confiança, da partilha, da palavra… enfim, havia gente ignorante mas bem formada, numa sociedade pobre e humilde, mas rica em valores. Para a perfeição, talvez um Deus menos castigador desse jeito, um pouco de justiça e a dose certa de liberdade.

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Se vieres por bem, a chave está na porta, entra,  que a casa é tua.

E na complexidade da vida, apenas duas leis, simples, faziam a justiça necessária. Fazia-se o bem, praticava-se o bem e era-se bom, porque parecia bem e, não se fazia o mal, não se praticava o mal ou não se era mau, porque parecia mal. Claro que para rematar as dúvidas da medida certa do  bem e do bom, a sabedoria popular lá ia acrescentando que “não basta parecê-lo,  era preciso sê-lo “.

 

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“Quem parte, que vá com Deus”.

 

Perdeu-se o medo, é certo, até Deus é mais tolerante, mas parece que com o perder do medo e a tolerância de Deus, também os valores foram ficando esquecidos e de novo, com o passar dos anos, parece que também se ganhou a liberdade e com ela a justiça, mas, a sabedoria do povo, lá se vai aplicando e de novo lá vai sendo chamada à realidade. Não basta parecer que temos justiça e liberdade, é preciso tê-la pois nunca haverá liberdade sem justiça nem justiça sem liberdade. É tudo uma questão de valores e até Deus poderia ficar descansado no seu reino dos céus, se por cá, houvesse respeito pelos valores.

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Já não há respeito e enquanto assim acontecer, o melhor,  é não se esquecerem da chave na porta de casa.

 

Para rematar, sei que muitos de vós que estais aí desse lado ireis concordar com este pequeno texto e, tenho pena, pois a perca dos valores que nos faltam, estão (directamente) diretamente associados ao vosso conformismo de acenar sempre que sim com a cabeça, ao ajoelhar na passagem da procissão e à vossa passividade e egoísmo… e não digo mais, ficai com Deus.

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:35
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Sábado, 20 de Fevereiro de 2010

Mosaico da Freguesia de Anelhe

 

Localização:

A 15 km da cidade de Chaves, a Sul desta, no limite do concelho confrontante com o concelho de Boticas, situa-se numa faixa de território confrontante com a margem direita Rio Tâmega.

 

Confrontações:

Confronta (ao longo do Rio Tâmega) com as freguesias de Redondelo, Vilela do Tâmega, Vilarinho das Paranheiras e Arcossó. Confronta ainda com as freguesias de Pinho e Sapiãos, estas do concelho de Boticas.

 

Coordenadas: (Adro da Igreja de Anelhe)

41º 40’ 38.49”N

7º 34’ 48.06”W

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Altitude:

Variável – acima dos 300m e Abaixo dos 560m

 

Orago da freguesia:

Santa Eulália

 

Área:

12,09 km2.

 

Acessos (a partir de Chaves):

– Estrada Nacional nº2 (até à entrada de Vidago – Ponte Seca) seguindo pela E.N. 311 até à Praia de Vidago, onde começa Souto Velho. Em alternativa o acesso pode ser feito pela Nacional 103 até Casas Novas para de seguida se apanhar a Est. Municipal 533, com passagem por Redondelo para entrar na freguesia de Anelhe via Rebordondo. Existe ainda a alternativa pela auto-estrada até ao nó de Vidago, a partir do qual se deve seguir o itinerário da Nacional 2.

 

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Aldeias da freguesia:

            - Anelhe

            - Rebordondo

            - Souto Velho

 

População Residente:

            Em 1864 – 617 hab.

            Em 1900 – 695 hab.

Em 1920 – 585 hab.

Em 1940 – 816 hab.

Em 1950 – 954 hab.

            Em 1970 – 657 hab.

            Em 1981 – 531 hab.

            Em 2001 – 538 hab.

 

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Principal actividade:

- A agricultura com terrenos férteis na bacia do Tâmega junto a Anelhe e Souto Velho ou de planalto em Rebordondo e ainda actividades ligadas a uma importante mancha florestal de resinosas com recolha de resina. A vinha, é uma das principais culturas, sendo conhecidos e afamados os seus vinhos de qualidade.

 

Mas a realidade actual pode ser profundamente alterada se for levada a efeito a barragem de Vidago, pois esta freguesia, nomeadamente as aldeias de Anelhe e Souto Velho, terão os seus terrenos agrícolas ribeirinhos ao Tâmega submersos pela barragem e as vinhas que não forem submersas, segundo dizem os especialistas na matéria, sofrerão danos indirectos que se irão reflectir na qualidade dos vinhos aí produzidos.

 

Para saber mais sobre esta problemática da barragem seguir o link para o post publicado há dias atrás, aqui: http://chaves.blogs.sapo.pt/470679.html

 

 

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Particularidades e Pontos de Interesse:

Toda a freguesia confronta com o Rio Tâmega e daí o seu território ocupar grande parte do vale natural composto bacia orográfica do rio.

 

Em termos paisagísticos oferece vários motivos de interesse a todos quantos visitam a freguesia, quer com as vistas que se alcançam para a freguesia desde a Estrada Nacional nº 2, ou desde os pontos mais elevados de Anelhe para todo o vale ribeirinho ao Tâmega. Interessante também é a ligação entre Anelhe- Rebordondo e vice-versa que hoje se faz pelo serpentear de uma estrada asfaltada sempre rodeada de pinhal.

 

Desde sempre que a freguesia está associada aos afamados vinhos maduros de qualidade. Dizem uns que os vinhos brancos são os melhores, no entanto, há outros tantos que dizem o mesmo dos vinhos maduros, mas a grande maioria diz tanto faz, é freguesia de vinhos excelentes, que bem poderiam seguir o exemplo da vizinha Quinta de Arcossó e assim colocarem a freguesia na rota dos bons vinhos nacionais.

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Quanto à arqueologia do local mas também através da sua toponímia, chega-se facilmente à conclusão que o povoamento da freguesia remonta, no mínimo, à época castreja da Idade do Ferro do Noroeste Peninsular.

Há notícias de em tempos por toda a freguesia, mas principalmente junto a Anelhe, terem aparecido vestígios e espólio conotado com a romanização, principalmente testemunhado em moedas e cerâmica variada de vasos finos e dólios, entre outros.

 

Uma lagareta e um conjunto de sepulturas escavadas na rocha, atestam por sua vez uma ocupação alti-medieval.

 

Administrativamente falando, a freguesia de Anelhe esteve quase sempre associada a Chaves, no entanto, durante quase 20 anos esteve anexada a Boticas, mais precisamente entre os anos de 1836 e 1855.

 

Quanto ao seu património edificado, destacam-se a igreja Paroquial e as Capelas de Rebordondo e Souto Velho caindo o realce sobre a casa solarenga dos Braganças, em Rebordondo.

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Famílias e nomes associados à freguesia, além dos Braganças há a destacar o Comendador Brenha da Fontoura e o Pintor João Vieira (1934-2009) recentemente falecido e que teve toda a sua vida ligada à arte da pintura, da escrita e também do teatro, como cenógrafo. Pintor João Vieira que há muito já faz parte da lista dos Flavienses Ilustres, de quem este blog em breve, trará por aqui um pouco da sua vida e obra num post a ele dedicado dentro da rubrica dos Ilustres flavienses. Pintor João Vieira que é pai de Manuel João Vieira, também muito ligado à freguesia de Anelhe e que está ligado a uma banda de Rock portuguesa, os Ena Pá 2000, mas também ligado ao teatro e ao cinema como também ficaram conhecidas as suas candidaturas à Presidência da República ou a publicidade ao Licor Beirão.

 

Também é desta freguesia, mais propriamente da Aldeia de Rebordondo a Banda Musical de Rebordondo, sobejamente conhecida por abrilhantar muitos dos arraiais populares da região e, talvez a banda musical mais antiga do concelho. No post dedicado a Rebordondo (com link no parágrafo seguinte) contamos lá um bocadinho da sua história.

 

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Linck para os posts neste blog dedicados às aldeias da freguesia:

 

            - Anelhe

 

            - Souto Velho

 

            - Rebordondo

 

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:44
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Sexta-feira, 19 de Fevereiro de 2010

Discursos sobre a Cidade

 

 

 

"Ali vai, num desses comboios a vapor, pouca-terra, pouca-terra, a paisagem a correr lá fora e, ele, a querer agarrá-la bem, espreitando à janela aberta, e as faúlhas a entrarem-lhe para os olhos e a fazerem-no chorar. Vira-se então, para trás, e deixa os cabelos soltarem-se ao vento, como se fosse de bicicleta, e mistura, assim, espaço e tempo, entrando, de novo, nas viagens fantásticas que sempre gostou de fazer.

 

De uma das vezes, foi com um grupo de companheiros do liceu ao enterro de um colega, morto na flor da idade. Viajaram numa carruagem de terceira classe, com bancos amarelos de madeira, a linha férrea estreitinha curvando em capricho pelos sopés dos montes, até chegarem ao destino, na sua terra natal, Chaves. Era Inverno e, no pequeno cemitério, o frio, cortante como navalhas, obrigava-os a encostarem-se uns aos ouros, a juntar-se ao medo dessa realidade chamada morte.

 

Assim, com os comboios e a morte a rimarem na sua memória desde muito cedo, foi com curiosidade que se preparou para ver a fita do francês Patrice Chéreau, Quem me Amar Irá de Comboio. Claro que os comboios são outros, e aqueles em que andava na sua juventude, há muitos anos, desapareceram da paisagem transmontana. Para ser mais preciso: já não se ouve o apitar dos comboios nas linhas férreas desse reino maravilhoso, como lhe chamava o poeta; os carris estão enferrujados e as ervas invadem-nos, como numa fita de Bertolucci."

 

Excerto de Comboios, texto publicado em Outras Fitas (1999), de Eduardo Guerra Carneiro (1942-2004).

 

 

 

 

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publicado por blogdaruanove às 01:30

editado por Fer.Ribeiro às 01:23
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Quinta-feira, 18 de Fevereiro de 2010

Coleccionismo de Temática Flaviense - Autocolante do GCC

 

 

Autocolante evocativo do décimo aniversário da fundação do Ginásio Clube de Chaves.

 

Entre as várias modalidades promovidas pela colectividade ao longo da sua existência contam-se o atletismo, o ciclismo, e o voleibol, sempre com atletas federados.

 

O clube teve inicialmente uma sede provisória nos antigos balneários das Caldas e, após a demolição desse edifício, passou a ocupar outras instalações, também provisórias, nos anexos existentes no recinto interior do Forte de S. Francisco, os quais passaram, entretanto, a  integrar a unidade hoteleira actualmente existente.

 

Presentemente o clube encontra-se inactivo.

 

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publicado por blogdaruanove às 00:17
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Quarta-feira, 17 de Fevereiro de 2010

Requiem para o Rio Tâmega

Como cidadãos temos os nossos deveres e direitos. Quanto aos deveres, lá os vamos cumprindo, de livre e boa vontade ou até obrigados e de má vontade, como os impostos, mas até compreendemos que temos que os pagar contribuindo assim para um Estado que deveria ser também de direitos, um deles, deveria ser o direito a ser informado com isenção, outro, era o de exigir que o estado nos trate de boa fé. Mas nestas questões da cidadania vou ficar-me por aqui, pois o texto de hoje vai ser longo e tem a ver com o aproveitamento hidroelétrico do Alto Tâmega em que o nosso Rio Tâmega, a sua bacia e as populações ribeirinhas estão em causa e a informação de boa fé sobre os benefícios e malefícios desse aproveitamento hidroelétrico ou barragens que vão construir no Tâmega, não existem. Era e é mais que necessária informação sobre esta(s) barragens(m), que literalmente irá engolir um rio, e tudo, imagine-se, em nome do ambiente.

 

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Chegou até mim um documento das freguesias ribeirinhas do Tâmega que vão ser afetadas pela barragem que vai ser construída mais próxima de nós. Um documento que deverá ser público e que deixa expostas as preocupações destas populações, que deveriam ser preocupações de todos nós.

 

A acompanhar o texto, deixo para memória futura, pontes, pontões e terrenos que a ser levada a efeito a barragem conforme proposta, serão submersos.

 

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PARECER CONJUNTO DAS FREGUESIAS DE ANELHE, ARCOSSÓ, VILARINHO DAS PARANHEIRAS E VILELA DO TÂMEGA RELATIVO À CONCRETIZAÇÃO DO APROVEITAMENTO HIDROELÉCTRICO DE ALTO TÂMEGA

 

 

Considerando que os impactos da construção da albufeira referenciada em epígrafe são muito similares nas quatro freguesias, entenderam os seus representantes elaborar um parecer conjunto, não deixando, no entanto, de referenciar implicações particulares de cada uma.

 

Não podemos deixar, em primeiro lugar, em nome do povo que representamos de manifestar a nossa indignação pelo facto do primeiro contacto tido com as populações acerca do empreendimento referenciado apenas se tenha cingido a levantamentos cadastrais e expropriações levados a cabo pela empresa “Landfund – Levantamentos Cadastrais, Lda.” e tendo por base um Nível Pleno de Armazenamento à cota 322. Ora como muito bem refere a Comissão Mundial de Barragens no seu Relatório “Barragens e Desenvolvimento: Um Novo Modelo para a Tomada de Decisões” a construção das grandes barragens, como é o caso da que está em apreço, em virtude dos enormes investimentos envolvidos e dos impactos gerados é actualmente uma das questões mais controversas na área do desenvolvimento sustentável. Refere, ainda, aquela Comissão que o modelo para a tomada de decisões deve basear-se em cinco valores fundamentais, entre os quais refere o processo decisório participativo e destaca como pontos inquestionáveis no estado da arte acerca desta problemática os seguintes: “Um número excessivo de casos foi pago um preço inaceitável e muitas vezes desnecessário para assegurar os benefícios, especialmente em termos sociais e ambientais; A falta de equidade na distribuição dos benefícios quando confrontada com outras alternativas; A necessidade de incluir no debate todos aqueles cujos direitos estão envolvidos e que arcam com os riscos associados às diferentes opções; e Soluções negociadas aumentarão sensivelmente a eficiência do projecto .

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Em segundo lugar, não podemos deixar de estabelecer, em termos gerais, uma relação da albufeira à cota 322 com o lugar. Marcada sobre um mapa cartográfico a área de implantação da nova proposta da barragem (cota 322), era notório que esta não tinha em conta as pessoas, o sítio, a sua qualidade ambiental e paisagística. Na nossa opinião, é de tal momo insensível ao lugar que o destrói. (O conceito de lugar possui um carácter concreto, empírico, existencial, articulado, definido até ao detalhe. Vem definido por substantivos, pelas qualidades das coisas e os elementos, por valores simbólicos e históricos; é ambiental e está fenomenologicamente relacionado com o corpo humano)

 

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O que dizer de quem traçou aquela linha de cota máxima e propôs uma nova ponte na Estrada Nacional 311 (Vidago/Boticas) para submergir a antiga?

- Que não conhece o sítio?

- Que se baseou em rácios de m3 descurando impactos e outros valores presentes no território?

É uma concepção que prima pela irracionalidade e por uma visão que privilegia o mau gosto especulativo e esteticamente aberrante, baseada em critérios abstractos, em desfavor de uma interpretação alargada de conceitos de qualidade estética e ambiental. Desrespeita valores culturais e patrimoniais, destrói a arquitectura do lugar, a sua dimensão temporal e algum tecido sócio-económico emergente.

Dir-nos-ão que foram apresentados apenas elementos esquemáticos e incompletos (meros instrumentos iniciais de trabalho) e que, posteriormente, virão mais estudos no sentido de aperfeiçoar e melhorar os existentes. É um argumento, mas será este isento e preocupado com “os sistemas de vida justos e equilibrados”? Um primeiro olhar sobre o que assinalaram no mapa logo nos fará duvidar de tal argumento, dada a falta de pudor de tais propostas. Não necessitamos de mais estudos para nos apercebermos da total destruição que a cota 322 causa ao sítio.

 

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Como disse FranK Lloyd Wright “não vale a pena usar os instrumentos da arte criadora, a menos que isto seja feito a bem da humanidade”.

As boas intervenções (de qualidade) são, de um modo geral, expressão de sociedades culturalmente sólidas e socialmente evoluídas que são, em regra, também aquelas que maior preocupação manifestam em salvaguardar as memórias e o seu património hostórico-arquitectetónico e o equilíbrio do seu meio ambiente natural e humanizado.

Deve procurar-se um meio inteligente de dar resposta à paisagem, ao clima, às necessidades das pessoas e das comunidades.

Infelizmente são muitos exemplos que, pela mutação, se delapidam e, em muitos casos, se destroem formas de cultura ligadas ao sítio.

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A proposta é de tal maneira insensível aos valores do sítio que não respeita a sua organização espacial e escala, assim como, o valor geral imposto pela qualidade do sítio.

São os valores ambientais, históricos e arquitectónicos desta zona que lhe dão qualidade. Se os destroem , destroem a qualidade da vida das pessoas em todos os sentidos. Esta solução ameaça perturbar os necessários equilíbrios e questiona-mos se não vai trazer uma incorrecta influência à zona.

 

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Assim sendo, e porque além disso somos habitantes dos locais afectados, logo os conhecedores empíricos da natureza, do ambiente, do ecossistema, do clima, das actividades agrícolas e também estamos preocupados com o empobrecimento futuro das populações que representamos e acreditamos no bom senso do uso dos recursos, passamos a apresentar os impactes, de forma detalhada, que se nos afiguram justificativos da construção da albufeira à cota 300:

 

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  1. O Projecto de Programa do Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH) refere para a anterior designação de barragem de Vidago a pp 78 “A análise das áreas a inundadas pela albufeira permite constatar que com um NPA da albufeira à cota 325 m são afectadas um conjunto importante de habitações, nomeadamente nas localidades de Sobrilhal, Sobradelo e Caneiro, que poderiam condicionar significativamente a execução do aproveitamento. A cota 312 m evita em grande parte, embora não na totalidade, a afectação de áreas urbanas, que apenas seriam integralmente preservadas caso se adoptasse o NPA à cota de aproximadamente 300 m.  A pp 132 refere “Para o aproveitamento de Vidago, integrado na cascata do rio Tâmega, adoptou-se o NPA da albufeira de 312 m, inferior em 13 m relativamente ao NPA máximo previstos em estudos anteriores, atendendo que a partir dessa cota seriam inundadas significativas áreas com ocupação urbana”. Nestes termos fica claro que apenas à cota 300 as populações ribeirinhas não são privadas do uso do solo com a afectação a áreas urbanas. Ora, referindo o PNBEPH claramente estas implicações e tendo o concurso sido lançado para a cota 312 como é que a concessionária pretende ainda, assim, aumentar NPA para a cota 322. Será esta a cota consentânea com os princípios enunciados pela Comissão Mundial de Barragens? Ou estamos perante uma usurpação desenfreada de recursos privados, propriedade de milhares de pessoas, nacionalizados pelo Estado, mas posteriormente entregues no seu uso e na sua exploração a uma única entidade. Quais as vantagens das populações locais com tais alterações? Como ficará o sítio? Sejamos esclarecidos.

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  1. As freguesias de Arcossó e Vilarinho das Paranheiras sofreram já significativamente com as expropriações, quer com a construção da A 24 em ambas, quer com a ETAR da região da Ribeira de Oura no primeiro caso e com a N2 no segundo caso. Com a construção da barragem à cota pretendida ficam estas freguesias privadas, mais uma vez, do uso de uma área significativa e esventradas dos seus melhores solos;

 

  1. Só pura ganância poderá conduzir, tendo em consideração o conhecimento actual, à construção da barragem do Alto Tâmega à cota 322, uma vez que inunda praticamente toda a Reserva Agrícola da freguesia de Arcossó e uma parte substancial da das freguesias de Anelhe e Vilarinho das Paranheiras. Esta foi e é o celeiro e a horta destas populações que tão sabiamente transformaram e preservaram, pelo menos desde o século XIII, estes solos e que o Estado, e bem, veio proteger por Lei, mas que agora o mesmo Estado através de uma sua concessionária pretende como mais útil para reservatório de uma albufeira. Não entendemos, os proprietários não alteraram e bem ao longo de gerações e gerações este espaço de veiga fértil e irrigada com apoios Comunitários e Nacionais, não podendo aí executar legalmente qualquer tipo de construção, mas o mesmo Estado ou através das instituições suas representantes pôde aí construir uma ETAR que pretende submergir e agora para cumulo arrasar de água aquilo que já foi drenado pela sua importância e necessidade. Já alguém se preocupou em saber da importância destas terras para a subsistência de grande parte das famílias destas freguesias. É que a agricultura destes locais, embora na maioria das situações não seja empresarial e grande parte não passe pelo mercado, é um perfeito complemento a todas as outras actividades ou situações e, só assim, é possível viver com as pequenas reformas e os magros salários que se auferem na região;

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  1. Estas freguesias dispõem como produtos agrícolas excedentários o vinho e o azeite. São conhecidas, em particular, pela qualidade dos seus vinhos, já enaltecidos por Estravão, o grande geógrafo do Império Romano e sobejamente referenciados em obras do século XVIII e XIX e cujo apogeu produtivo se alcançou nos anos 50 do século passado e que agora começa a evidenciar sinais de recuperação atestados pela Comissão Vitivinícola da Região de Trás-os-Montes e a qual demonstra claras preocupações com a grande massa de água que artificialmente se pretende aí criar. Aqui as preocupações são claras, quer pela inundação de áreas de vinha, quer pelas alterações edafo-climáticas. Aliás, a região da Ribeira de Oura é sobejamente conhecida pelas suas particularidades climatéricas, enaltecidas também em termos turísticos, uma vez que no passado era designada a estância termal e climática de Vidago. Não se nos afigura como admissível a construção de uma albufeira a níveis que vão desequilibrar essas condições. Basta verificar que à cota 300 temos a um NPA uma massa de água de 61 hm3 e 230 há de área submersa, contra 96 hm3 e 350 há à cota 312 e cerca de 144 hm3 e 520 há á cota 322, numa região de confluência entre um clima continental e atlântico caracterizada por fortes neblinas matinais do Outono a meados da Primavera nos dias soalheiros. Logo quanto maior for a albufeira maior será a evapo-transpiração. Torna-se, então necessário saber cientificamente essas implicações climatéricas para uma região com características de transição. A título ilustrativo e para termos noção das implicações na viticultura citamos o grande enólogo do século passado Emile Peynaud que na sua obra Conhecer e Trabalhar o Vinho na parte relativa à Qualidade das Grandes Colheitas refere a pp 87 “ Um pouco paradoxalmente, as regiões de bons vinhos não são forçosamente as mais favoráveis à vegetação e á produção da vinha. A vinha planta Mediterrânica, não produz os seus melhores frutos nos climas mais quentes. As regiões de qualidade são as mais marginais, as mais submetidas à irregularidades anuais do clima, mas igualmente mais sensíveis a microclimas. Nas zonas quentes cultivam-se as castas menos aromáticas, ou de tanino menos agradável. Todos os anos se assemelham, e a noção de grande colheita e de colheita vulgar perdem-se”. 

Além da potencial alteração da qualidade e do tipo de vinho obtido quem irá custear nos próximos séculos o acréscimo de custos decorrente do aumento do número de tratamentos fitossanitários que terão de ser realizados para manter a produção de boas uvas para vinho como consequência do aumento da humidade relativa e das temperaturas na região, em particular durante o ciclo vegetativo da vinha. Mais orvalhos conduzem a mais oídeo, a mais míldio, a mais doenças do lenho. Pretendemos saber quem vai suportar os custos destas alterações. Usem-se os recursos, mas de forma equilibrada e sustentada e não de forma gananciosa e com análises económicas que se cingem apenas ao projecto e se esquecem de contabilizar as perdas que também originam. O lucro de um pode ser prejuízo de centenas ou de milhares e nem sempre aquilo que melhor se vê no horizonte é o mais vantajoso. Só com um balanceamento alargado entre custos e benefícios se pode decidir;

 

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  1. Ao nível paisagístico, quer para a cota 312, e, em especial, para a cota 322 o impacto será brutal. Esta situação é tanto mais grave quando estamos já num vale relativamente aberto e de reduzidos declives e nos encontramos no limite da cota e inseridos numa região cuja a aposta turística é forte e onde a paisagem representa um peso significativo nesse mesmo turismo, com destaque para o investimento que está a ser levado a cabo pela UNICER, aliás considerado de interesse nacional. De facto, tendo em consideração que a cota mínima de exploração constante no PNBEPH é a 297,5 m, tal significa que toda a área inundada nas três freguesias terá água durante o Inverno e uma mancha de lama seca no verão. Assim sendo, aquilo que hoje é uma mancha verde e cheia de vida durante o período de maior afluência turística, passará a uma mancha desértica e apenas com vida para insectos (mosquitos, melgas e outros). Os amieiros, freixos e salgueiros irão desaparecer ficando apenas um lago seco com duas linhas de água (rio Tâmega e Ribeira de Oura) a correr e uma imagem de destruição daquilo que foram as construções adaptadas ao meio de várias gerações de agricultores ao longo dos séculos. Não dispomos de cálculos exactos, mas estamos em condições de afirmar que esta albufeira em anos secos como este de 2009 terá uma área de lama seca à sua volta superior a 290 há (520ha para a cota 322-230ha para a cota 300). Agradecemos que este assunto seja devidamente analisado e ponderado por aqueles que tem responsabilidades, porque estamos conscientes que as gerações futuras desta região não perdoaram erros desta dimensão;

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  1. A Reserva Ecológica das freguesias de Anelhe e, designadamente, da de Arcossó, são substancialmente afectadas. No caso de Arcossó toda ela confina com a margem do rio Tâmega e apesar do forte declive deste local serão cerca de 8 há que ficarão submersos à cota 322, mas também à cota 312 será afectada. Será desconhecimento por parte de quem projecta ou apenas a lógica de m3 de água? Como ficará o sítio perante tal decisão? Talvez, o que são limitações para a totalidade das populações são permissões para a Iberdrola. Esperamos que não. 

 

  1. O PNBEPH refere a pp 174 que todas as albufeiras previstas para o rio Tâmega estão em zona de probabilidade de ocorrência de eutrofisação, aliás fenómeno já registado na albufeira do Torrão a única actualmente existente neste curso de água. Ora se tivermos em consideração aquilo que a Comissão Mundial de Barragens refere relativamente a ecossistemas e grandes barragens onde deixam claro que temos impactos cumulativos sobre a qualidade da água, quando várias barragens são implementadas num mesmo rio. Não é este o caso da cascata do rio Tâmega ? Então, considerando o exemplo já existente, o que vai acontecer nas restantes? Que implicações terá esta quase certa eutrofisação das águas em todo ecossistema do rio e em todas as captações de água existentes a montante da barragem, cujo o número de poços, minas e charcas ao longo da linha de água da barragem é elevadíssimo em todas as freguesias. Não estamos nós localizados num dos eixos mais importantes de águas termais. Que implicações teremos para aqueles cujas casas, e que são muitas, ficam mesmo na linha de água e daqueles que usam a água do rio. Será bom para o turismo da região a ocorrência deste fenómeno?.Quem decide, normalmente está longe e não sente verdadeiramente estes problemas e nem sequer os refere explicitamente, mas nós pretendemos esclarecimento. Seguramente que quanto maior for a albufeira maior será a probabilidade de ocorrência deste fenómeno porque maior é o reservatório de água de baixa qualidade;

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  1. O PNBEPH refere a pp 175 que a barragem em análise possui risco elevado de poluição acidental, em resultado da expressiva ocupação da respectiva bacia hidrográfica com área agrícola. Ora se tais situações ocorrerem os problemas são tanto maiores quanto mais próximas residirem as populações e quanto maior for a albufeira;

 

 

  1. O reservatório da albufeira à cota 322 alcança a zona de protecção alargada das águas Campilho, o que não deixa de ser caricato atendendo ao referido nos pontos 5, 6, 7 e 8 e aos condicionamentos existentes no uso destes espaços. Será por desconhecimento. Esperamos que não;

 

  1. Inunda toda a área de regadio da freguesia de Arcossó e parcialmente de Vilarinho das Paranheiras e de Anelhe;

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  1. A freguesia de Arcossó ficará dividida, ao lhe ser retirada toda a articulação que têm com aqueles que vivem na margem esquerda da Ribeira de Oura e que dispõem de parcelas agrícolas na margem direita e com os que vivem na aldeia e possuem parcelas agrícolas na outra margem. Aliás, estão disponíveis actualmente três passagens para a outra margem que irão desaparecer (Foz do Oura, Batouco/Olgas, Cotovio e ainda a pedonal da Salpica). Aqueles que hoje fazem esses percursos a pé e não dispõem de meio de transporte o que lhes vai acontecer? e os que poderão continuar a fazer como hoje de forma motorizada quem lhe vai pagar o acréscimo de custos. Para onde será projectada a estrada municipal que faz a ligação Vidago-Arcossó-Capeludos de Aguiar?;

 

  1.  A passagem pedonal que faz a ligação entre a freguesia de Anelhe e Vilarinho das Paranheiras, com valor histórico e patrimonial e conhecida por poldrado também ficará submersa, privando todos desta articulação, em particular para aqueles que apanham em Vilarinho o autocarro de transportes públicos para fazerem as suas deslocações para Chaves ou outros locais, como o caso dos que frequentam o ensino secundário e de muitos outros que não dispõem de veículo ou de carta de condução;

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  1. Obriga à construção de nova ponte sobre o rio Tâmega na Estrada 311, submerge a ponte da estrada municipal que faz a ligação entre Arcossó e Capeludos de Aguiar no concelho de Vila Pouca de Aguiar, bem como a ponte medieval que está a seu lado e que o povo designa de Romana;

 

  1. Ficará submersa a ilha existente no rio Tâmega que faz parte da propriedade da Quinta do Calvário na freguesia de Vilarinho das Paranheiras;

 

  1. Ficarão submersas 10 habitações, em que três das quais são casas comerciais. Por sua vez, várias habitações ficarão na linha de água;

 

  1. Vários moinhos (Foz do Oura, Póia, Ranha, Gralhos no rio Tâmega) e lagares de azeite (Salpica e Cotovio, na Ribeira de Oura) ficaram submersos, bem como elementos arqueológicos existentes em couces;

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  1. A Etar da Zona da Ribeira de Oura, obra pública construída à menos de três anos, também ficará submersa e para nosso espanto a água na freguesia de Vilarinho baterá na plataforma da A24, a qual foi inaugurada exactamente também há três anos. Quem são os responsáveis pela delapidação dos recursos públicos que num espaço tão curto de tempo deixam de poder funcionar. A estação de tratamento de resíduos sólidos de Souto Velho também ficará submersa, bem como a captação de água para rega tradicional desta povoação. Todo o regadio da veiga de Arcossó ficará submerso, bem como os campos irrigados;

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  1. Diversas famílias destas três freguesias ficarão privadas de todos os seus meios de produção e sem qualquer património. Esta situação juntamente com a referida no ponto 15 irá originar problemas sociais graves e aprofundar o ciclo de pobreza desta região, uma vez que estas populações ficarão privadas de muitos dos seus meios de produção cujos impactos serão ainda superiores nas gerações futuras; e

 

  1. Quem assumirá os custos originados pelo aumento da humidade na região ao nível da deterioração dos materiais das habitações, obrigando a intervenções em períodos de tempo mais curtos, bem como com a diminuição da qualidade de vida daqueles que já sofrem de problemas do foro respiratório.

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Considerando que as barragens representam sempre uma violenta perturbação, interferindo nos equilíbrios naturais, diminuindo a biodiversidade, destruindo o património cultural e suscitando problemas sociais. Considerando que colocam sempre uma variedade de problemas que requerem uma consideração muito atenta em resultado dos impactos biológicos, climáticos, agrícolas, sociais e económicos, nos territórios e nas populações adjacentes. Se a tudo isto adicionarmos todos elementos e preocupações aqui expostos, e as implicações nos sítios, estamos plenamente convictos que o uso adequado dos recursos exige a construção da barragem à cota 300 e que só uma visão e interesse individualista permitirá um aumento da mesma, mas cujos custos a suportar serão muito superiores aos benefícios.

 

Chaves, aos 26 de Julho de 2009

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:09
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Terça-feira, 16 de Fevereiro de 2010

Outros Olhares Sobre Chaves - Freckled - Adriana Couto

Hoje é terça-feira e às terças entro sempre pelo flickr adentro à procura de novos olhares sobre Chaves. Olhares diferentes e sempre interessantes, não fossem eles de Chaves, mas sempre diferentes conforme o autor fotógrafo, os seus gostos e a sua sensibilidade.

 

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Claro que por cá é a nossa história ou o que a ela está associada que mais atrai objectivas. Castelo, Ponte Romana, Fortes e o velho casario costumam ser os motivos preferidos, mas há que goste de fotografar pessoas, momentos, pormenores…eu sei lá, e todos os motivos são interessantes se forem interessantes e se o olhar for certeiro e transmita sensações para além da imagem, do cliché da fotografia, ela mesma, fotografia.

 

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Hoje temos os olhares de uma convidada que no flickr assina as suas fotos com o nick de Freckled e, embora na sua galeria os motivos sejam variados, por Chaves, dedicou os olhares à água, ao rio e às suas travessias.

 

Um passeio bem interessante à beira rio com registos também interessantes do Tâmega e as passagens para a outra margem. Três motivos que nos representam bem e, não sei qual foi a ordem pela qual os tomou, mas por aqui comecei pela nossa Top Model Ponte Romana, aquela que já foi milhares de vezes fotografada e pela certa continuará a ser e, onde cada olhar, é um olhar diferente, com colorido e luminosidade diferentes. Um cliché obrigatório, mesmo para quem não gosta deles.

 

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Da ponte milenar de pedra assente sobre pedra, para um olhar sobre a ponte da modernidade, do aço e dos desafios à engenharia para logo a seguir os olhares caírem sobre as mais rudimentares das travessias, seculares, também de pedra após pedra às quais nenhuma ponte da antiguidade ou modernidade lhe retira o encanto e o romantismo.

 

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.

 

Gostei destes olhares da nossa convidada, a  Freckled no Flick mas que suponho ser  Adriana Couto na realidade. Como sempre, deixo aqui o link para a sua galeria de fotos no flickr, onde há mais olhares interessantes para visitar:

 

http://www.flickr.com/photos/adrianacouto/

 

 

Obrigado Freckled ou Adriana por estes olhares e, volta sempre, com máquina fotográfica.

 

 

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:51
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Segunda-feira, 15 de Fevereiro de 2010

Chaves de Ontem e de Hoje

 

 

E se dúvidas houvesse, aqui fica uma prova em como a modernidade e o betão invadiram a cidade.


 

Modernidade!? – Sim senhor!  É (era)  inevitável, mas pode (devia)  ser responsável, comedida e sobretudo, planeada… mas há e, enquanto houver, quem  goste de massas e argamassas, nunca poderá haver serenidade possível para combater a força do betão, esteja ou não armado.

 

Até amanhã!

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:37
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