Quarta-feira, 31 de Março de 2010

Por este Rio Tâmega Abaixo

 

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Há dias os que mandam, os de Lisboa, muito ofendidos, alertaram para o perigo que havia de comparar Portugal com a Grécia…que devíamos estar caladinhos, dar outra imagem para o exterior, esconder (ao fim ao cabo) aquilo que somos. É fácil esconder e ficar calado quando se tem a barriguinha cheia e se vive no meio de mordomias, ignorando sem desconhecer, a realidade de milhares (ou serão já milhões) de portugueses que vivem de misérias e em plena ou à beira da pobreza. É fácil disfarçar os problemas reais com golpes de teatro que até os mais crédulos reconhecem e até se aproveitam da representação teatral, ou seja, é como nos filmes, parece real, mexe com os sentimentos das pessoas, mas tudo não passa de uma mentira.

 

Por cá, há anos que se vive em plena mentira aceite e instituída até, sem ninguém fazer ondas, vivem-se os silêncios da miséria, onde oportunismo colaboracionista pode dar umas migalhas, ou então, por cobardia e o medo manter as que possuem. Estamos nessa.

 

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Para memória futura

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Tudo são números, quadros e tabelas de Excel manipulados em atraentes gráficos coloridos e não fosse o olhar atento da fiscalização da nossa desgraça, neste momento, pela certa estávamos a par dos melhores da Europa e não ao lado da Grécia. Portugal é o país da mentira e até se louva e admira quem mente melhor, havendo até um certo gozo em aldrabar e ser aldrabado… mas com algum requinte, com cara séria de sério, que nisso, vai-se mantendo a “nobreza”.

 

Só a título de exemplo, tomemos alguns. Ainda há poucos anos Portugal era um dos países que tinha uma das maiores taxas de analfabetismo. Hoje, graças ao RVCC, Portugal iguala os melhores da Europa em termos de formação e, só mesmo um burro de 4 patas é que não tem (no mínimo) o 12º Ano. E o que é o RVCC!? Pouco interessa, mas é uma coisa que nuns meses, resolve 12 anos de estudos… Também daqui a uns anos, Portugal deverá ser um dos países com mais variedade licenciados e licenciaturas, mestres e doutores para tudo, o progresso do país exigia-o, no entanto o problema de progresso não se devia à falta de doutores e engenheiros, mas à falta de produção com operários e técnicos qualificados condignamente pagos e tratados como merecem, com o apoio de um estado que deveria preocupara-se em defender-lhe os interesses, a produção, habitação, saúde, educação e formação (profissional), em vez de se preocupar com a capoeira de pavões e cagões.

 

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Toda a veiga de Anelhe, Souto Velho, e Vilarinho das Paranheiras, incluíndo pontão, serão submersas

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Os concursos públicos (de todos os tipos) são outra das mentiras instituídas em Portugal. Abre-se concurso para tudo e mais alguma coisa, dá-se-lhe um ar institucional de seriedade e legalidade, com montes de papéis e depois distribui-se por familiares, afilhados, compadres, cores partidárias e no fim, ainda sobra alguma coisa para os gajos porreiros.

 

Enfim, poderia estar para aqui a gastar o meu latim durante páginas e páginas com exemplos, vergonhosos e escandalosos até, mas estaria a desviar-me do assunto que quero trazer aqui hoje e que são, as não menos vergonhosas e escandalosas barragens que vão destruir o Rio Tâmega para sempre, sem possibilidade de retorno, contra todas as correntes do bem senso, tendo como base mais um negócio dos e para os grandes feito com mentiras e omissões.

 

Já há muita gente empenhada em saber a verdade das barragens e, contradizendo o texto dos parágrafos anteriores, são gente e organizações sérias. Estranhamente, ou talvez não, não vejo os actores políticos da região a manifestarem-se (defender, repudiar ou até informar) sobre esta problemática das barragens. Preferem o silêncio e deixa correr o que é ditado desde os negociantes de Lisboa, mas sempre gostaria de saber qual é a opinião dos principais partidos políticos ou dos seus representantes locais e da região. Não sei qual a opinião do PSD, do PS, do CDS e do PCP o que me leva a entender o silêncio como consentimento. Também não sei o que pensam, nem se manifestam, os nossos dois deputados flavienses. Também não é conhecida ou clara a posição dos municípios ribeirinhos do Tâmega (Chaves, Boticas, Vila Pouca, Ribeira de Pena), que inicialmente se alinharam no negócio com a EDP (para mamar algum – é este o termo) e que agora se ficam pelo silêncio público, sem informar as populações e, apenas, reivindicando (parece-me) algum do pilim do negócio, não demonstrando qualquer preocupação com os malefícios das barragens. A população merece ser informada ou não serão os autarcas os principais representantes da população!?

 

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Moinhos, pontes (românicas) e recentes, estradas, veigas e casas, serão submersas

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Da minha parte, continuo à procura de informação, mas por aquela que me é disponibilizada, continuo a dizer um NÃO bem rotundo e convicto às barragens. Convençam-me do contrário e eu mudo de opinião. Para já é NÃO às barragens do Tâmega, sim ao rio Tâmega.

 

Quem concordar e estiver informado, não esqueça que circulam na NET e em papel algumas petições contra as barragens do Tâmega. Deixo por aqui, aquela que nos é mais próxima. Click na imagem, leia a petição e se concordar, não deixe de a assinar.

 

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http://www.peticaopublica.com/?pi=tamega

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E se o problema das barragens começa aqui bem próximo de nós, mais propriamente a partir das freguesias de Redondelo, Anelhe, Vilarinho das Paranheiras e Arcossó (todas com a barragem a inundar-lhe terras e construções), o problema vai-se agravando para jusante, com a construção das restantes barragens em cascata, sendo sem qualquer dúvida, Amarante, a cidade mais sacrificada e que poderá vir a ser catastroficamente a mais prejudicada. O Rio Tâmega é só um e é tão nosso como em Amarante, é de todos aliás, por isso um pouco de solidariedade de todos, precisa-se  e é urgente.

Fica para conhecimento um manifesto com origem em Amarante, resultante da manifestação de dia 13 de Março.


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A ponte da Praia de Vidago e parte da estrada nacional serão submersas

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PNBEPH - RIO TÂMEGA
MANIFESTO SALVAR O TÂMEGA

Com a manifestação de 13 de Março, realizada em Amarante, o movimento de associações, partidos políticos, movimentos e cidadãos participantes na acção designada «Salvar o Tâmega» apresentaram e subscreveram o “Manifesto Salvar o Tâmega”, enviado a diversas instâncias da administração do Estado no dia 25 de Março de 2010.
Este documento, conforme o texto a seguir, protesta contra a construção de 6 grandes novas barragens na sub-bacia do Tâmega, provando que os benefícios são demasiado reduzidos para justificar os avultados prejuízos que se antevêm, quando há alternativas viáveis que deveriam ser prioridade para o País.

MANIFESTO SALVAR O TÂMEGA



Ao cuidado de
Sua Exa. O Presidente da República, Prof. Dr. Cavaco Silva
Sua Exa. O Primeiro Ministro, Eng. José Sócrates
Sua Exa. A Ministra do Ambiente, Eng.ª Dulce Pássaro
Sua Exa. O Ministro das Finanças, Dr. Teixeira dos Santos
Sua Exa. O Presidente da Autoridade Nacional da Água, Eng.º Orlando Borges
Sua Exa. O Ministro da Economia da Inovação e do Desenvolvimento, Dr. Vieira da Silva


O recente processo de consulta pública ao Estudo de Impacte Ambiental (EIA) das duas Barragens em Fridão, no rio Tâmega, evidenciou os seus enormes impactes negativos e, ao mesmo tempo, o elevado número de cidadãos, especialistas, associações e movimentos cívicos que se opuseram à sua construção. Terminado este processo, e enquanto decorre a consulta pública ao EIA de outras quatro novas grandes barragens projectadas para a sub-bacia do Tâmega (Vidago, Gouvães, Daivões e Padroselos), esses mesmos movimentos cívicos e um crescente número de cidadãos juntam-se para exigir a renúncia da construção destas 6 novas barragens ou a refutação cabal dos vários pontos que justificam esta exigência:


1 - Fracos benefícios

Produção de electricidade
As seis barragens previstas para o rio Tâmega representam um acréscimo de apenas 1,61% na produção de electricidade em Portugal, algo facilmente obliterado por um ligeiro aumento do consumo de electricidade (só entre 2000 e 2007 Portugal aumentou o consumo em mais de 20%).

Independência energética
Portugal importa combustíveis fósseis como fonte de energia; no entanto, só uma pequena percentagem é utilizada na produção de electricidade e estima-se que as seis barragens previstas para o Tâmega venham a representar uma redução de apenas 0,25% da importação nacional de petróleo.

Alterações climáticas
Estas seis barragens poderão reduzir as emissões de gases de efeito de estufa (GEE), responsáveis pelas alterações climáticas. Porém, essa redução é insignificante (na ordem de algumas décimas em termos percentuais) em relação ao total nacional, admitindo-se ainda neste cálculo que não há emissões significativas de metano pelas albufeiras criadas (provenientes da decomposição da matéria orgânica e plantas do solo inundado e de prováveis fenómenos de eutrofização). Acrescente-se ainda que a poupança referida só será atingida ao fim de quatro anos (devido às emissões associadas à construção das barragens).

Criação de emprego
Terminada a sua construção, estas novas barragens serão insignificantes a nível de emprego, uma vez que actualmente muitos empreendimentos idênticos não têm absolutamente ninguém a operá-las no local. Pelo contrário, perdem-se empregos, especialmente a nível regional, devido à destruição de solo produtivo, à perda das águas bravas que alimentam o turismo e o desporto, à deslocação de pessoas, entre outros motivos.

Armazenamento de água
As seis novas barragens previstas para o Tâmega poderão constituir uma reserva de água útil para abastecimento e combate a eventuais incêndios, mas por outro lado serão afectadas várias captações de água existentes e fontes de águas termais, e a reserva de água não consegue justificar o investimento e prejuízos.

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A ponte da Praia de Vidago e parte da estrada nacional serão submersas

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2 - Prejuízos avultados

Qualidade da água
Seis novas albufeiras de água parada em substituição de um rio corrente irão provocar uma deterioração da qualidade e saúde ecológica da água, numa altura em que mesmo sem as barragens já será difícil atingir os requisitos da Directiva Quadro da Água (atingir o bom estado ecológico das águas superficiais até 2015).

Biodiversidade e ambiente
As várias barragens projectadas para o Tâmega representarão a destruição irreversível de um importante eixo de interacção e comunicação entre os diferentes ecossistemas que constituem um rio corrente, produzirão um efeito barreira para peixes e outras espécies, submergirão muitos habitats classificados e prioritários e afectarão significativamente a fauna e a flora da região, inclusivamente várias espécies endémicas, ameaçadas, com distribuição restringida, com estatuto de protecção e variedades horto-frutícolas regionais. Com seis novas barragens na sub-bacia do Tâmega, e acrescentando a do Torrão que já existe, são previsíveis vários e significativos impactes cumulativos de todas estas barragens. Continua aliás a faltar uma análise dos impactes cumulativos das várias barragens, algo que é importante para a protecção dos ecossistemas e que é obrigatório por lei (Directiva Quadro da Água)

Socioeconomia
As várias barragens projectadas para a sub-bacia do Tâmega não serão factor de desenvolvimento local ou regional. Irão extinguir recursos endógenos singulares, eliminar espaços naturais irreproduzíveis e ameaçar várias áreas de desenvolvimento, como o turismo (perda de turismo e desporto de águas bravas, submersão de património com interesse turístico – incluindo elementos classificados, submersão de praias fluviais e parques, profunda alteração e artificialização da paisagem), a agricultura e silvicultura (submersão de milhares de hectares de solo produtivo, perda de cultivo de variedades regionais), a pesca e a fixação de populações que terão de ser deslocadas (só a albufeira de Fridão cobrirá 108 edifícios). Só no Concelho de Amarante estima-se que as barragens possam vir a afectar 2500 ha de vinha de uma região demarcada que representa uma receita de quatro milhões de euros/ano para 3216 viticultores da sub-região.

Risco de segurança
As barragens constituem um risco para as populações do Alto e Baixo Tâmega devido à violência das descargas de água e da oscilação brusca da cota das albufeiras e à hipótese da sua ruptura, caso que, embora raro, não é inédito. A questão da segurança coloca-se em todas as barragens projectadas para o vale do Tâmega, muito especialmente para as de Fridão que ficam a apenas 6 km da cidade de Amarante e onde um grande volume de água ficará a cerca de 100 metros acima da zona ribeirinha desta cidade.

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Toda a veiga de Arcossó será submersa, incluíndo casas e equipamentos

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3 - Alternativas viáveis

Eficiência energética
Estima-se que o investimento previsto para as novas barragens, aplicado em medidas de eficiência energética, pouparia 10 a 15% do consumo total de energia do país, sem sacrificar a economia e o conforto e evitando os grandes prejuízos das barragens. No entanto, em Portugal, continua a imperar a lógica da gestão da oferta de energia e não a gestão da procura, que é a que melhor se enquadra numa lógica de desenvolvimento sustentável. Ao mesmo tempo, na última década, o consumo de energia aumentou significativamente sem igual aumento do PIB, algo indicativo de desperdício energético.

Reforço de potência e armazenamento de energia
Portugal tem já mais de 160 grandes barragens. No que respeita às barragens com produção hidroeléctrica, apenas seis irão sofrer um reforço de potência, de acordo com informações da EDP. Prevê-se que estes seis reforços de potência possam, por si só, fornecer mais potencial de energia hídrica que toda a energia eléctrica proveniente das novas barragens do Tâmega e das restantes barragens que constam do Plano Nacional de Barragens, verificando-se assim ser desnecessária a sua construção para atingir as metas nacionais de energia hídrica previstas no Plano. Igualmente, o armazenamento do excedente da energia eólica, para ajudar a gerir as flutuações diárias, pode ser feito utilizando as barragens existentes.

Energias renováveis
Uma maior aposta em energias renováveis com menor impacte poderia suprir os objectivos energéticos das seis barragens previstas para o Tâmega e das restantes barragens que constam do Plano Nacional de Barragens. O apoio à microgeração, eólica e fotovoltaica, por exemplo, está neste momento em risco de ser bastante restringido, sendo conhecidas pessoas e empresas que têm tentado, sem sucesso, investir milhares de euros na produção de energia limpa.

Reserva de água
Os volumes de água necessários ao abastecimento são muito mais baixos que os das albufeiras projectadas, acrescendo que as albufeiras agravam a qualidade da água. Assim, seria mais racional apostar em sistemas de pequena escala e no uso eficiente da água: optimização das redes de abastecimento, reciclagem de águas cinzentas, aproveitamento de água da chuva, mudança para equipamentos de baixo consumo, salvaguarda dos aquíferos e nascentes.
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Toda a veiga de Arcossó será submersa

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Conclusão


Há que ser sensível aos desafios que Portugal tem pela frente a nível das metas de produção de energia renovável, de redução de emissões de gases com efeito de estufa e da dependência energética do exterior e há que estar aberto e debater de forma equitativa as várias soluções. Fazendo uma análise aos fracos benefícios, aos avultados prejuízos e às várias alternativas disponíveis, não se consegue senão concluir que a construção de novas grandes barragens em Portugal não pode ser vista como primeiro recurso ou prioridade. Assim, exige-se a renúncia da construção das seis barragens previstas para a sub-bacia da Tâmega ou a cabal refutação de todos os pontos acima mencionados.

Vale do Tâmega, Amarante, 13 de Março 2010

Subscrito pelas seguintes entidades:

Bloco de Esquerda
Campo Aberto – Associação de Defesa do Ambiente
FAPAS – Fundo para a Protecção dos Animais Selvagens
GEOTA – Grupo de Estudos de Ordenamento do Território e Ambiente
LPN – Liga para a Protecção da Natureza
Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega
Por Amarante, Sem Barragens
Proviverde - Associação de Produtores de Vinho Verde de Amarante
Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza
Partido Os Verdes

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Toda a veiga de Arcossó será submersa

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E para não alongar mais o já longo post de hoje, deixo o título de notícia publicada no Expresso, que poderá ler na integra seguindo o link que deixo abaixo.

 

EXPRESSO – ACTUALIDADE, num artigo de Virgílio Azevedo, in Expresso – 30 de Março de 2010

 

Manifesto considera política de apoio às renováveis uma "aberração económica"



Chama-se "Manifesto por uma Nova Política Energética em Portugal", é assinado por 33 personalidades e ataca as políticas de apoio às renováveis, que considera "uma aberração económica".

Leia todo o artigo seguindo o link:

 

http://aeiou.expresso.pt/manifesto-considera-politica-de-apoio-as-renovaveis-uma-aberracao-economica=f573913

 

 

E por hoje é tudo. Pelo Rio Tâmega, passe e assine a petição:

 

http://www.peticaopublica.com/?pi=tamega

 

 

 

Notas:

 

Todas as fotos de hoje, à exceção da primeira, são de zonas que vão ser inundadas pela barragem de Vidago.

 

(o texto de hoje é publicado sem revisão do novo acordo ortográfico)

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:36
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Terça-feira, 30 de Março de 2010

Outros Olhares Sobre Chaves - Tânia Carvalho

 

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Há uns anos atrás encontrei esta foto no flickr. Primeiro pasmei em apreciação, depois (ainda pasmado) entrei numa fase de encantamento sem conseguir desprender-me do ambiente confuso em que entrei, não sei se de mistério, de poesia ou romance. Não sei! Sei, isso sim, que esta imagem tem a magia de (me) encantar e ao contrário de muitas fotos em que me apetece entrar por elas adentro e desfrutar do ambiente, nesta, apenas paro em frente a ela e quase estático, entro em fase de letárgica contemplação de longos momentos onde apenas os olhar tem movimento e, sempre, invadido pelo mistério, poesia ou romance que a imagem transmite. Tudo nesta foto é perfeito. A luz e a ausência dela, os pormenores e a falta deles, a nitidez embaciada pela neblina, o calor da cor na frescura da imagem – tudo numa confusão de contradição sem ela acontecer… e se lhe acrescentarmos a memória, o feeling  e o pulsar do sítio, é a foto perfeita, a minha  preferida de todos os tempos e olhares.

 

“Roubei” a foto há uns anos atrás no flickr na galeria de Bauni’s Photos e assinada por Tânia Carvalho. Uma galeria que já não existe, mas que deixa saudades. Quanto à Tânia, não sei se é flaviense, sei que tinha ligações familiares a Chaves e que repartia o seu tempo entre Lisboa, Angola e Chaves que dedicava à fotografia e arquitetura, penso que então, ainda como estudante.

 

Com pena minha, perdi o rastro da Tânia Carvalho e dos seus olhares de arte e fotografia. Felizmente, às espera de outros olhares seus, conservei esta no meu arquivo de “roubos”. Tenho esperança de, um destes dias, tropeçar de novo com os seus olhares. Até lá, partilho este seu olhar, com um agradecimento à Tânia e o devido pedido de desculpas pelo “roubo”, mas este olhar é precioso demais para ficar apenas arquivado na escuridão de um disco rígido qualquer.

 

Quanto à imagem, penso escusado mas mesmo assim digo-o, é dos velhos tempos do Jardim Público.

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:03
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Segunda-feira, 29 de Março de 2010

Chaves de Ontem e de Hoje - Ruas de Stº António / Freiras

 

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Passaram talvez 50 anos, um pouco mais ou um pouco menos, não o sei, mas ainda me lembro da cidade assim, de quando as Freiras eram jardim e sala de visitas da cidade, o centro onde se poderia espetar o alfinete de sinalização, onde se sabiam as novidades, se fazia tertúlia, se contestava, protestava ou festejava, com o Aurora no seu melhor, o Sport a dominar o Jardim e, ali mesmo ao lado o Comercial e o Ibéria ou o Brasil e o Brasília, ao fundo do jardim, os Bombeiros de Baixo e a GNR, a Caixa os Correios e o Liceu, tudo ali à mão, até o cinema e os cartazes de visita obrigatória, os bilhares dos cafés, a batota do Geraldes os festejos no Faustino, um olhar lançado sobre a praça, as carreiras de Braga, o carrinho das bananas, os engraxadores e ardinas do quiosque do Arrabalde, o gravateiro na esquina (redonda) do Geraldes, o Inácio Barbeiro, as bicicletas do Delfim,  os barcos do Redes e do Lombudo, os matraquilhos do Sr.Américo, as verbenas do Jardim Público, os namoros do Tabolado, os Canários… e por aí fora.

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Esta é a imagem atual, do mesmo local e, dir-me-ão, continua quase igual, o casario,  os carros mais novos e recentes apenas mudaram de poiso, o jardim das Freiras deu lugar a Largo e a Rua de Stº António apenas mudou de pavimento, de resto tudo continua igual na fotografia, à exceção de uma ser a p&b e outra a cores.

 

Mas não é com a brevidade de uma apreciação fotográfica comparativa que se entendem estas fotografias. Ao ver a fotografia mais antiga, entra-se por ela adentro e recorda-se Chaves tal qual era, sem saudosismo mas com memória.

 

Pena que os “gerentes” da cidade de hoje, por não a terem conhecido no passado não têm dela memória ou, embora a tivessem conhecido, não têm espaço na memória para a recordar e, repito, não é de saudosismo que estou a falar, é de(a) memória do passado.

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:35
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Domingo, 28 de Março de 2010

Três aldeias de Chaves

 

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Hoje não vos vou maçar com muitas palavras. Deixo-vos as imagens que valem sempre mais que as palavras.

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Ficam apenas cenas da vida rural de três momentos, de três aldeias. Momentos simples do quotidiano de aldeias que ainda têm quotidiano, com vida nas ruas e vizinhança.

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Três aldeias:  Agrela; Assureiras de Baixo e Bóbeda.

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:02
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Sábado, 27 de Março de 2010

Provincianismo e Modernidade

s-goncalo-celest 173

 

 

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Vamos a caminho dos 6 anos que este blog anda por aí fora, por Chaves e pelas aldeias do nosso concelho. O blog anda há 6 anos, mas eu ando há muito mais, pois nos meus registos de memória, tanto a cidade de Chaves como as aldeias, constam do arquivo desde a mais tenra idade. Chaves, aldeias, mas com a minha idade, também já constam do arquivo o glamour e as luzes de grandes cidades, metrópoles até… mas, por opção, resolvi ficar por aqui, pela terra em que nasci, com todas as suas virtudes e pecados, com todas as suas belezas e aberrações, que afinal não são mais nem menos do que aquelas que há por esse mundo fora, contudo, são diferentes e, é isso, que faz a nossa identidade.

 

Sempre tomei a vida com moderação, ponderando os passos que vou tomando, olhando às vezes para trás, também para o lado (um e outro) mas (ou e) sem nunca arrepiar caminhos, no andamento certo, vou seguindo em frente.

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s-goncalo-10 016

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Aprendi com o tempo (a idade) a apreciar e contemplar, tornei-me mais tolerante mas também mais exigente e, ainda longe da perfeição, também tenho os meus defeitos, mas de uma coisa faço ponto de honra – “comer” apenas daquilo que gosto. Do que não gosto, não “como”, rejeito, ponho de parte, denuncio… pois como em tudo, não há meios-termos, ou se gosta ou não, está certo ou errado, é bonito ou feio…há depois o copo meado, que está meio cheio (para uns) ou meio vazio (para outros)… discussões de intelectuais e pavões quando ele está meado e prontos…

 

Enfim, toda esta prosa para vos dizer que sou provinciano com convicção e, para desanuviar da vida de secretária, do papel e dos pixéis semanais da cidade (de província, mas cidade), entro todos os fins-de-semana pelas nossas aldeias adentro como se fosse a minha casa. Gosto do ar puro, da luz do sol, do cheiro da terra quando chove, de um copo de vinho acabado de tirar da pipa… enfim, gosto da nobreza dos simples, da hospitalidade, da rudeza dos dias escritas nas mãos e nos rostos, de ouvir as caralhadas bem pronunciadas sem pudor ou má educação e até o cheiro a estrume é fragrância…que os pavões das cidades não sabem nem nunca saberão apreciar.

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moreiras-DSC09205

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Mas nem tudo que luz é ouro, nem tudo que brilha é prata e, no meio da beleza e nobreza dos simples, também há modernidades, estupidezes e ignorância, até,  o parece bem ou parece mal, já não se conjuga na perfeição. Tal como nas cidades, também a modernidade aliada à falta de respeito e ao atentado ao património (arquitetónico ou natural) faz das suas e, aquilo que as aldeias têm ou tinham de melhor, começou nalguns casos a ser travestido  e consentido.

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moreiras-IMG_3201

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Não quero com isto acusar ou apontar o dedo a culpados, pois não saberia a quem apontar o dedo e isso, daria páginas e páginas de escrita e discussão e o pecador (já nem quero chamar criminoso) muitas das vezes não é quem peca, mas quem nada faz para que o pecado não se cometa, e esse (pecador) às tantas até está nas cidades… e agora terminando ao jeito do Bento da Cruz  “E com esta me vou – como diria a minha avó Mariana”.

 

Nas fotos, que cada um leia ou veja nelas o que quiser. São fotos de S.Gonçalo e de Moreiras, mas poderiam ser de um lugar ou de uma aldeia qualquer.



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publicado por Fer.Ribeiro às 03:35
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Sexta-feira, 26 de Março de 2010

Discursos Sobre a Cidade - Por José Carlos Barros

 

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Um regresso em finais de Março


 

poema de José Carlos Barros

 

http://casa-de-cacela.blogspot.com

 

 

1.

Parecem vir de um tempo anterior ao tempo

os olhares destes amigos que se encontram

numa casa de Santo Amaro

às nove da manhã de sexta-

-feira: abrem os livros e procuram apenas

o que não está escrito

nas páginas dos livros.

 

2.

Não é outra coisa

Isso a que chamamos tempo:

empurra-nos para dentro de nós mesmos

quando mais desejávamos disparar a pedra

que vai de uma a outra margem do rio

sobre a copa dos amieiros altos.

 

3.

Talvez a cidade tivesse mudado pouco

durante os últimos sucessivos anos

e muito no modo como

pareciam iluminadas as sílabas das palavras

quando por esse tempo dizíamos

em voz alta o nome do Largo das Freiras.

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:39
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Quinta-feira, 25 de Março de 2010

Colecionismo de Temática Flaviense - Autocolantes

 

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Ia começar por dizer: “incrivelmente” este autocolante circulou e foi distribuído como uma forma de promover o turismo na Região do Alto Tâmega. Ia dizer, e mantenho tudo, exceto o “incrivelmente”, pois hoje já credito em tudo, principalmente se envolve gastos de dinheiros públicos.

 

Deixando de parte a pirosice ou não do autocolante, que era distribuído recortado (sem o fundo preto) dá mesmo para sorrir, principalmente se “disfrutarmos” do texto, mas enfim, pelo menos dava sinais de vida de que existia  um organismo (público) que tratava de promover o nosso turismo, embora pouco ou nada se tivesse feito por ele e, por isso, aplaudi quando acabaram como as Comissões Regionais de Turismo… mas parece-me que aplaudi em vão, ou cedo demais, pois por cá, tudo continua por fazer em termos turísticos.

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De braço dado com o turismo, anda a hotelaria. Assim, hoje nesta temática do colecionismo deixo-vos também um autocolante de publicidade ao Hotel Trajano, aquele que em tempos foi ou era a melhor unidade hoteleira que se tinha cá na terra. Localizado em pleno Centro Histórico (quando ainda tinha vida residencial), fazia a diferença pela localização e qualidade que oferecia, no entanto, acabou por ser vítima da modernidade e fechou portas, tal como fecharam as antigas unidades hoteleiras de referência em Chaves, algumas já há longos anos: Hotel de Chaves, Estalagem Santiago, Pensão Comércio, Pensão Rito, Dorinha, Pensão Caldas… da “velha guarda”  a única que se modernizou e resistiu até aos nosso dias, foi a “Pensão Jaime”, hoje Albergaria Jaime. Contudo, não entendam neste texto que Chaves perdeu em oferta de unidades hoteleiras, antes pelo contrário, pois pelo caminho apenas ficaram aquelas que (entre outras razões)  não tiveram pedalada para se modernizarem. Hoje, felizmente em Chaves, há muita oferta e, algumas, até de muita qualidade, quer dentro da cidade, na periferia ou até em turismo rural. Há muito para desfrutar por Chaves, pena que não haja quem saiba promover aquilo que temos de bom.

 

 

 

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Quarta-feira, 24 de Março de 2010

Bento da Cruz

PROLEGÓMENO 30 de Agosto de 2009.

 

Caia a tarde e eu regressava das Caldas de Chaves onde tenho estado em tratamento de águas quando, ao desembocar na Rua Direita, ouvi um violino. Ou seria um violoncelo? Por esta hesitação se podem avaliar os meus conhecimentos musicais. Para além do realejo e do bombo, não sou homem de distinguir um violino Stradivarius de uma viola chuleira. Mas lá por não perceber nada de música, não quer dizer que a não saiba apreciar. E aquela que enchia a Rua Direita era aquilo que os poetas julgam que é o canto da sereia.

 

Quedei logo de nariz no ar e ver de onde é que aquilo vinha. Alguma escola de música? Não. Aquilo não era de principiante. Alguma jovem apaixonada e triste? Mas onde é que hoje se encontra uma jovem triste? Andam todas alegres e despreocupadas como andorinhas. Alguma velha saudosa de amores antigos? Como se as velhas não tivessem mais em que pensar.

 

Nisto especulava eu quando descobri, à esquina da “Sociedade Flaviense”, um pequeno grupo de mirones. Aproximei-me. Um indivíduo ainda novo montara ali o seu guinhol de feira: uma figura feminina, delicada, gentil, vestida de princezinha da Baviera, a fingir que tocava violino. Um trecho de Mozart, assim me pareceu, executado na perfeição. Pérolas a porcos. A maioria dos transeuntes passava indiferente. Que o digam três moedas de cobre a reluzir aos pés da grácil e aristocrática violinista.

 

Eu também me não detive nem descosi, com vergonha o confesso. Mas indiferente não fiquei. Aquela suave melodia acompanhou-me até ao cimo da rua. Mesmo depois de ter deixado de a ouvir, ela persistiu no meu ouvido durante muito tempo e fez-me saudades. Da flauta do Virgílio, para não ir mais longe.

 

Que ninguém fique a pensar que me estou a referir ao poeta latino do mesmo nome, o melhor tocador de avena de todos os tempos. Não. O Virgílio de que falo era um adolescente dos seus catorze ou quinze anos, servia em casa do meu vizinho Pitrasca e tinha uma flauta de cana.

 

Não estou em condições de dizer se o Virgílio era bom ou mau executante. O que sei é que, quando ele ia com o rebanho e se punha a tocar flauta na solidão dos montes, eu quedava pensativo. É caso para dizer que a minha inclinação para a poesia bucólica vem de longe. Dos meus seis ou sete anos, idade em que, influenciado pelo Virgílio, pedi uma flauta à minha mãe.

 

Ela foi à feira, vendeu uma dúzia de ovos e comprou-me um pífaro de barro. Comecei logo a ensaiar. E ao cabo de um mês já tocava o tiroliro razoavelmente.

 

Principiava eu a ensaiar o malhão, quando a desgraça aconteceu. Fui com as vacas lá para um prado ribeirinho, sentei-me numa pedra, à sombra de um salgueiro, e agarrei-me à flauta. Tão fora de mim e do mundo, que não dei conta de que as vacas me tinham ido para o lameiro do Pitrasca. Este surdiu detrás de uma parede, correu a mim como um lobo, e perpetrou dois crimes qual deles o mais execrável. Primeiro, desfez-me a flauta no cangote. Depois suspendeu-me pelas orelhas. Deu-me cabo do ouvido para o resto da vida, o bruto…

 

Esta a razão pela qual cheguei a velho sem perceber nada de música. Mas isso não tira que eu a saiba apreciar. Como aconteceu hoje, no regresso das Caldas, ao cair da tarde.

 

VIVA BARROSO!

 

Bento da Cruz

 

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Estas foram algumas das palavras que o Dr. Bento da Cruz partilhou com quem assistiu ao lançamento em Chaves do seu último livro « A Fárria ».  Livro que aliás tive o gosto de anunciar aqui o seu lançamento, e tive esse gosto, pelas mais variadas razões, como ser apreciador da obra de Bento da Cruz, mas também porque este blog já bebeu muito daquilo que o autor escreveu em alguns dos seus livros, principalmente na feitura dos posts do Cambedo Maquis que viria a dar origem a outro blog, mas também, porque Bento da Cruz, barrosão,  é um dos nossos, que tão bem tem sabido contar e enaltecer o Barroso e a região, fazendo a nossa história de uma forma universal, ou seja, em estória e romances.

 

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Pois embora este blog já muitas vezes tenha bebido nas obras de Bento da Cruz e dezenas de vezes ele tivesse sido referido ou mencionado, nunca falei de Bento da Cruz, do homem  e a sua obra. É tempo de o fazer, pois este blog há muito que está em dívida com ele e com o escritor que já fez 50 de vida literária.

 

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Bento Gonçalves da Cruz

 

Filho e neto de lavradores, nasceu em 22 de Fevereiro de 1925 na aldeia de Peireses, concelho de Montalegre.

Até 1940 trabalhou na lavoura. Nesse ano ingressou na Escola Claustral de Singeverga, dirigida por monges beneditinos.

Em 1946, após noviciado, abandonou, de moto próprio, a vida religiosa.

Em 1948 matriculou-se na faculdade de Medicina de Coimbra.

De 1956 a 1970 trabalhou em Barroso, acumulando a clínica geral com a estomatologia.

Em 1971 fixou-se no Porto.

Foi deputado à Assembleia da República, distinguido com a medalha de honra (oiro) da Câmara Municipal de Montalegre e é patrono da Escola Secundária da mesma vila.

Logo após o 25 de Abril, fundou o quinzenário regionalista Correio da Manhã que ainda hoje dirige.

 

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Bento da Cruz Jornalista, Médico, Deputado, “Monge”, Lavrador, todo um percurso de vida, no entanto, será como contador de estórias e escritor que registará, ou melhor, já tem registado o seu nome na história e para a posteridade.

 

Publicou o seu primeiro livro em 1959. Chamava-se Hemoptise e era de versos. É, como ele diz, um livro do qual não fala nem menciona na sua bibliografia, mas também não enjeita, como um pai nunca enjeita um filho.

 

Da sua bibliografia constam:

 

PLANATO EM CHAMAS – romance, 1963

 

AO LONGO DA FRONTEIRA – romance, 1964

 

FILHAS DE LOTH – romance, 1967 (4 edições, a última em 1993 – Circulo de Leitores)

 

CONTOS DE GOSTOFRIO – 1973 – Prémio “Fialho de Almeida” (2ª edição – 1993)

 

HISTÓRIAS DA VERMELHINHA – Contos de tradição oral de Barroso – 1991 (2ª Edição – 2000)

 

PLANATO DE GOSTOFRIO – romance – 1982 – (2ª edição – 1992)

 

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O LOBO GUERRILHEIRO – romance – Prémio Literário “Diário de Notícias”, Prémio de literatura  (Ficção) da Sociedade Portuguesa de Escritores Médicos. Traduzido para galego: Edicións Xerais de Galícia, 1996. (2ª Edição – 2001).

 

VICTOR BRANCO – Escritor Barrosão – Vida e Obra, Prémio Literário de Investigação da Câmara Municipal de Montalegre, 1995.

 

O RETÁBULO DAS VIRGENS LOUCAS – romance – Prémio Literário (Ficção) da Câmara Municipal de Montalegre – 1996.

 

HISTÓRIAS DE LANA-CAPRINA – contos – 1998 (2ª edição – 1999)

 

A LOBA – romance. “Prémio Eixo Atlântico de Narrativa Galega e Portuguesa” de 1999 e “Prémio Arzobispo Juan de San Clemente” na modalidade “ A melhor novela em galego do ano 2000” 1ª Edição – 2000. 2ª Edição – 2000. 3ª Edição – 2001.

 

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GUERRILHEIROS ANTIFRANQUISTAS EM TRÁS-OS-MONTES – história – 1ª Edição – 2003. 2ª Edição – 2005.

 

EIXO ATLÂNTICO – Um mundo a descobrir. Co-autoria -  2004.

 

A LENDA DE HIRÃN E BELKISS – Novela, 2005.

 

PROLEGÓMENOS – Crónicas de Barroso, 2007. 2ª Edição – 2008.

 

PROLEGÓMENOS II – 2009.

 

A FÁRRIA – romance – 2009.

 

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Para já é esta a sua obra publicada.

 

Pela minha parte, confesso-me um devoto leitor de Bento da Cruz desde que o descobri com o “Lobo Guerrilheiro”.

 

 

Fica a minha pequena homenagem a este Homem grande do Barroso que tão bem escreve e descreve nos seus escritos e romances. Escritos que muitas vezes também passam por Chaves e que faz grande parte da história dos acontecimentos de Dezembro de 1946 no  Cambedo da Raia, com o relato dos acontecimentos no seu livro «Guerrilheiros Antifranquistas em Trás-os-Montes».

 

Para saber mais sobre Bento da Cruz:

 

http://www.bentodacruz.com/

 

 

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Terça-feira, 23 de Março de 2010

Outros Olhares Sobre Chaves - José Gomes Pereira

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Já sabem que às terças-feiras dedico-me a roubar olhares de outros fotógrafos que vão publicando as suas fotos no flick. Há dias descobri uns tantos olhares sobre Chaves, mas também sobre o nosso concelho, em especial de Loivos. Azar o meu, pois as fotos não estavam disponíveis para serem roubadas, isto é, no flick apenas tinha permissões para as ver e não para copiar.

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Foto de Gomes Pereira - Curalha - Moinho do Tâmega

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Pois em vez de comunicar ao autor que lhe tinha roubado as fotos para publicação no blog, desta vez, tive que pedi-las, por correio eletrónico e,  a resposta foi pronta.

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Foto de Gomes Pereira - (Nora) Amial Moreiras

 

 

Para além do nome, do nick no flickr e eventualmente da naturalidade ou cidade de residência, geralmente, pouco mais sei dos fotógrafos autores destes olhares sobre Chaves. Com o nosso convidado de hoje, no flickr, apenas fiquei a saber o nome: Gomes Pereira.

 

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Foto de Gomes Pereira - Loivos vista desde o Crasto

 

 

Hoje, sei mais um bocadinho do nosso convidado. Chama-se José Gomes Pereira, é apaixonado por fotografia e sempre que vem de férias à terra, aproveita para lançar olhares sobre temas que lhe despertam o registo em imagem, para depois ir partilhando no Flickr ou no Google Earth.

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Foto de Gomes Pereira - Lagarelhos, Rebanho

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Olhares e temas que pela certa também regista para ir matando saudades dos lugares, casas, momento e pormenores que transporta consigo para Oberursel, na Almanha, localidade onde vive há cerca de 20 anos.

 

Matar saudades, porque o José Gomes Pereira é natural de Loivos, razão pela qual, além das outras fotos de Chaves, do concelho e de Portugal, Loivos tem uma atenção especial na sua galeria de fotos, que poderá e deverá ver aqui:

 

http://www.flickr.com/photos/46657731@N03/

 

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Foto de Gomes Pereira - Loivos, Poldras

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E disse que Loivos, pelo berço,  tem uma atenção especial do nosso convidado de hoje, mas pela certa não é só por isso e, quem conhece Loivos e gosta de fotografia, sabe bem porquê, pois, pelos motivos e casario, mas também pela luminosidade, Loivos é uma das aldeias mais interessantes de fotografar.

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Foto de Gomes Pereira - Loivos, Casa em Madeira

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Obrigado José Gomes Pereira pelos olhares sobre a nossa terra e, nunca esqueça de trazer a máquina fotográfica quando vier de férias.

Um abraço desde este cantinho.

 

Todas as fotos de hoje, são de autoria de José gomes Pereira.

 

Nota: Hoje as fotos têm um tamanho mais reduzido do que é habitual. Tudo graças ao SAPO, que simpaticamente nos disponibiliza este espaço, mas que às vezes nos prega umas partidas, pois hoje prega-nos mais uma com a alterações que introduziu na edição de posts, onde não nos é permitido alterar o tamanho pré definido das fotos. Peço desculpas ao autor das fotos e aos visitantes do blog. Penso que durante o dia de hoje ainda consigo resolver o problema. Até lá, ficam as fotos em tamanho reduzido com o devido pedido de desculpas

 

 

 

 

 

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Segunda-feira, 22 de Março de 2010

Chaves de Ontem de de Hoje - Ponte do Ribelas e Zona Termal

 

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Esta foto, possivelmente, rondará os  100 anos (para mais ou para menos) e é um testemunho precioso da antiga Vila de Chaves e de como eram os seus arrabaldes. A ponte do Ribelas, ainda com Ribelas e a “portagem” de entrada na vila. Mais longe, junto à torre de menagem e dentro da muralha seiscentista, ainda intacta a muralha medieval que as modernidades do século passado acabariam por demolir.


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Nesta segunda foto, atual, nota-se o atarracar da ponte do Ribelas, tipo simplex, sem guardas de proteção aos peões, sem Ribelas e sem portagem e com menos ponte visível. Note-se também como todo esta área foi sendo aterrada para dar lugar à cota atual, possivelmente à volta de 2 metros em média, que retira parte da imponência das muralhas da torre de menagem e a beleza inicial da ponte do Ribelas. Cota essa que subiu em parte devido às avenidas novas de acesso à praça do Brasil onde se fez a confluência do acesso à Ponte Nova.

 

Todo o então espaço livre, ribeirinho ao Ribelas e agrícola, deu lugar aos atuais balneários das Termas de Chaves e outros edifícios de habitação ou de hotelaria, como a Pensão Jaime, mas também aos tais acessos à Ponte Nova, perdendo-se os caminhos que então eram dirigidos para a ponte do Ribelas.

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Domingo, 21 de Março de 2010

Redondelo - Chaves - Portugal

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Hoje é a vez de Redondelo passar por aqui.

 

Pondo de parte as aldeias de passagem, ou seja, aquelas que se localizam junto às estradas nacionais e que são em simultâneo os  principais eixos viários que atravessam o concelho de Chaves, nomeadamente a EN2, EN 103, EN213 e EN314, a aldeia de Redondelo é talvez uma das que conheço há mais tempo e tudo, graças a algumas festas  e fins-de-ano  em casa de família de um amigo de Liceu. Na altura tinha ainda poucas preocupações de contemplações de aldeias e a festa aliada à juventude do grupo de amigos, e deixava-me impressionar  mais com a própria festa, os namoricos, os  afazeres do comer à volta da lareira e os passeios, monte fora, até ao Rio Tâmega, afinal, coisas que não aconteciam todos os dias, muito menos na cidade.

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Quis o destino da profissão lançar-me regularmente pelas aldeias adentro. De Redondelo recordava apenas a casa das festas e a saudade das próprias festas, quero eu dizer, saudades dos sempre bons tempos de estudante e juventude.

 

Aos poucos fui descobrindo a aldeia, inicialmente com alguma confusão, pois a promiscuidade entre Redondelo e Casas Novas é tanta, que nunca sabia onde começava uma e terminava outra, pois para olhares distraídos e primeiros, as duas aldeias parecem apenas uma, mas não o são. Hoje, depois de tantas visitas e passagens por ambas, já sei (mais ou menos) onde uma termina e começa a outra. Isto, só acontece se tomarmos estas duas aldeias pela sua intimidade, deixando de parte a Estrada Municipal de ligação a Rebordondo, pois se abordarmos as aldeias pela E.M., aí, pelo menos, sabemos onde ambas começam.

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Redondelo é sede de freguesia à qual pertencem mais três aldeias: S.Domingos; Pastoria e Casas Novas. Não sei qual a razão de Redondelo ser a sede de freguesia, talvez histórica, pois aparentemente tanto a Pastoria como Casas Novas, parecem-me aldeias com maior aglomerado e população, já S. Domingos, a par das Nogueirinhas e da extinta Vila Rel, é a aldeia mais pequena do concelho.

 

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Tal como as aldeias vizinhas de Casas Novas e Rebordondo, também esta teve uma importante casa agrícola e solarenga, hoje convertida para Turismo Rural e denominada como a Casa do Meio do Povo, e pela certa, era à volta desta casa agrícola que a antiga aldeia vivia. Adotou este nome pela sua localização no meio do Povo, junto à Igreja.

 

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Originalmente esta casa foi propriedade da família Miranda e Bragança, propriedade do casal Ana Teixeira de Bragança e Albino Fernandes Miranda, primos. Ana T. de Bragança era natural de Rebordondo e filha de Paulo Teixeira de Bragança, boticário em Tourem e de Ana Maria Gonçalve. Paulo Teixeira de Bragança era  filho de Caetano Teixeira de Bragança, natural de Rebordondo.

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Tudo isto para se conhecer um bocadinho da origem desta “Casa do Meio do Povo” que está diretamente ligada à história dos Teixeira Bragança de Rebordondo e Tourém, onde ainda hoje existem as respetivas casas senhoriais. Braganças cuja origem remonta ao século XVII, ou melhor, o apelido Bragança é que remonta a essa época e são descendentes de outras famílias importantes da altura, de onde descendem os Teixeiras, que foram perseguidos pelo Conde de Monterrey, durante a ocupação filipina, vendo-se obrigados (os Teixeiras) a adotarem o apelido “de Bragança” como demonstração da sua fidelidade à Casa de Bragança.

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Fica assim explicada a origem da família e desta casa agrícola e senhorial, hoje denominada “Casa do Centro do Povo” convertida em turismo rural, e também um pequeno adiantamento de um post  futuro dedicado à Família Bragança e à sua ligação a esta aldeia de Redondelo e às Aldeias de Rebordondo e Tourém, com um agradecimento adiantado a Amiel Bragança que disponibilizou para este blog todas as informações existentes da família.

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A atual “Casa do Centro do Povo” é um bom exemplo de como as antigas casas senhoriais, agrícolas e solarengas, podem fazer as delícias turísticas de hoje. Desconheço o interior desta casa, mas a julgar por aquilo que se aprecia na sua área envolvente e pertença da casa, teve uma recuperação exemplar, preservando e restaurando aquilo que a antiga casa senhorial agrícola tinha de melhor, integrando-lhe novos elementos perfeitamente integrados por entre os espaços verdes de jardim.

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De beleza e romantismo indiscutível, realça-se a fonte, a frontaria da casa antiga, a sua chaminé, mas também o canastro (ou espigueiro) e outros utensílios e máquinas agrícolas distribuídos pelos belíssimos jardins da casa atual. Separado da casa principal por uma rua da aldeia, mas antiga pertença da casa, existiam as adegas e os lagares, hoje também destinado a receber (penso que com um restaurante) denominado de “Três Lagares”.

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Claro que a estas casas senhoriais, agrícolas e solaregas, que se repetem pelas aldeias vizinhas, com a Casa dos Braganças em Rebordondo e o Solar dos Vilhenas bem como o Solar da Viscondessa do Rosário em Casas Novas e uma outra casa senhoria abandonada e em ruínas próxima do Rio Tâmega e pertença à aldeia de Redondelo (que vagamente recordo dos tais passeios de festa e juventude ao Rio), como ia dizendo, todas estas casas estão diretamente ligadas às terras férteis que envolvem estas aldeias. Terras que se desenvolvem em terras planas (pois não sei se veiga ou planalto) e sobranceiras ao Rio Tâmega onde se produzia todo o tipo de culturas, principalmente vinho e frutas, daí todas estas casas terem também a elas associadas grandes adegas. Reparem que eu disse “onde se produzia” e não onde se produz, embora as terras ainda não fossem de todo abandonadas, estão longe dos tempos áureos agrícolas, e prova disso, é que as antigas casas senhorias e agrícolas que tinham a maior produção, hoje já não existem como tal e quanto às antigas grandes adegas de vinho, vai restando a memória visível nos lagares e no vasilhame das pipas e tonéis que hoje são apenas peças de decoração e, que pena temos, pois pela certa o vinho destas terras era bom, não estivesse ele na continuação dos vinhos e vinhedos de Souto Velho e Anelhe, que partilham quase as mesmas terras ribeirinha ao Rio Tâmega, que triste futuro o espera.

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E do vinho, mas também das batatas, do “pão”, da fruta, do milho, das couves e dos grelos, entre outras, regressemos a um pouco da história da aldeia de Redondelo.

 

Então reza a história e, daí talvez a sua importância e o ser sede de freguesia, que era nesta povoação que se recebiam os dízimos e foros do Cabido da Sé de Arquidiocese de Braga, provenientes das outras freguesias que estavam debaixo da alçada sobre o qual o mesmo Cabido tinha jurisdição.

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De Castros nas redondezas, além do Castro de Curalha, diz-se ter existido outro que até era abastecido de água pelo Rio Tâmega. Diz-se (isto é para os procuradores de Castros), pois não a sua localização nem sequer se ainda existem vestígios da sua existência. Tal como desconheço o local onde foram encontradas as sepulturas antropomórficas cavadas no xisto a que alguma documentação se refere. Mas é natural que existam tal como existem as de Anelhe, nas proximidades, que essas, sim, já as vi.

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Documentos dispersos, referem na aldeia um interessante cruzeiro. Este existe, sei onde está  e até deixo aqui uma foto do mesmo. Quanto ao interessante, bem, tem o interesse que todos têm, mas este, desculpem-me, até parece que está lá por estar ou pouco o respeitam, isto é, passa despercebido, a seu lado depositam materiais de obras entre outros e, o casario da envolvência também não atrai… mas o cruzeiro existe.

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Do cruzeiro para a igreja, que também penso ter sido mais interessante no passado do que hoje, principalmente antes de lhe “botarem” aquele chapéu na torre sineira que destoa de todo o ambiente da igreja. Claro que acredito que todas estas alterações foram feitas com boas intenções, se calha, até com intenções de embelezamento, mas este tipo de intervenções devem ser cuidadas, com bom senso e acompanhadas por que sabe e percebe do assunto, senão a emenda, pode estragar o soneto, como é o caso. O raio do chapéu do campanário não fica nada bem à igreja.

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Quanto ao resto da igreja, é pequena, mas tem o seu interesse. O Orago é S. Vicente e está colocado num retábulo do altar, este sim, bem interessante, trabalhado em talha dourada com características de transição entre os estilos da renascença e do barroco.

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Há referências também à existência de antigas minas de volfrâmio nas redondezas de Redondelo, mais propriamente as minas da Campina e da Tosquiada, que segundo dizem foram minas que estiveram muito ativas e produziram muita riqueza na região. Tudo pela e para a Segunda Guerra Mundial, a tal em que Portugal não entrou, mas à qual esteve indiretamente bem envolvido. Dizia eu que havia referências as estas minas, mas também não conheço a sua localização, que suponho foram fechadas após guerra.

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Digno de realce é também um pequeno conjunto de uma fonte de mergulho e tanque que se encontra num plano inferior em relação à estrada municipal e localizado entre Casas Novas e Redondelo.

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Curiosa e interessante é também uma conduta de água, encaminhada por entre lajedo de granito pelo centro de um arruamento adjacente à quinta da “Casa do Meio do Povo”. Diziam-me ser antigamente uma rua dada a namoricos, e ambiente não lhe falta. O aconchego da rua, o muro alto de pedra, as heras e o burburinho do correr da água límpida e transparente, são bem convidativos as passeios românticos de namorados. Claro que este passeios também já fazem parte da história, mas agrada-me saber que existiram com todo o romance da envolvência.

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Em termos de casario, o natural casario característico à volta de uma casa senhorial. Rústico e pobre, com algumas intervenções de meados do século passado e algumas intervenções recentes, mas mesmo assim, no pequeno núcleo à volta da igreja e da casa senhorial, não há aberrações da modernidade. Ao menos isso.

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E claro, para terminar, também é uma aldeia que faz um elogio ao fio azul, mas não só, pois na última visita à aldeia, o cheiro inconfundível de uma fornada de pão, levou-me até à boca do forno, onde a tradição do pão, ainda se vai cumprindo.

 

 

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Sábado, 20 de Março de 2010

Salvar o Tâmega - Petição Pública

Solidário com a saúde do nosso Rio Tâmega que directamente está também ligado à saúde das suas populações ribeirinhas e do concelho, não poderia deixar de assinar e anunciar a petição « SALVAR O TÂMEGA E OS SEUS AFLUENTES»  que acabou de ser lançada e também colocada online para recolha de assinaturas neste endereço:

 

http://www.peticaopublica.com/?pi=tamega

 

Fica o conteúdo (na íntegra) do texto da petição (que também circula em papel). Caso concorde com a petição, não deixe de a assinar.

 

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PETIÇÃO PÚBLICA

 SALVAR O RIO TÂMEGA E OS SEUS AFLUENTES

 

Núcleo do Alto Tâmega do Movimento Cidadania Para o Desenvolvimento no Tâmega

 

                  

Considerando que se encontra decorrida quase uma década e meia sobre os primeiros embates públicos acerca das iniciativas da EDP, S.A. para, em território português, submeter o rio e o vale do Tâmega aos desígnios da hidroelectricidade, em Julho de 2008 veio o Instituto da Água, I.P. (INAG) adjudicar a concessão de cinco barragens na área desta bacia hidrográfica;

 

Considerando o propósito empresarial da construção de mais 10 grandes empreendimentos hidroeléctricos no país, o Governo actualizou uma antiga problemática relativa à designada “cascata do Tâmega”, há muito receada na região, surgindo em toda a sua plenitude com a adjudicação da barragem do Fridão à EDP, SA e as restantes 4 (Gouvães, Padroselos, Daivões e Alto Tâmega) à Iberdrola;

 

Considerando e lançando mão ao designado “Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH) o aparelho de Estado, pela acção concertada da Direcção-Geral de Energia e Geologia / Ministério da Economia e Inovação com o Instituto da Água, I.P. / Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional, encontrou fundamento para dar sentido às velhas aspirações de crescimento empresarial pulsantes nos poderosos mercados

 

Considerando que a concessão dos licenciamentos atribuídos pela Autoridade Nacional da Água/Ministério do Ambiente para construção de mais cinco barragens hidroeléctricas na sub-bacia duriense do Tâmega, não leva em conta as classificações recaídas sobre o espaço regional e os recursos locais que vai afectar, nomeadamente:

 

Primeiro – o leito do rio Tâmega e toda a rede hidrográfica é «reserva ecológica nacional» (REN) – Decreto Lei nº93/90, de 19 de Março (anexo 1 – alínea a) – nº2);

 

Segundo – a Bacia Hidrográfica do Tâmega é «zona sensível» (Decreto-Lei nº152/97, de 19 de Junho) em virtude de se «revelar eutrófica»;

 

Terceiro – o Plano de Bacia Hidrográfica do Douro (Decreto Regulamentar nº19/2001, de 10 de Dezembro, alínea n) – Parte VI) em vigor estabelece e classifica a sub-Bacia do Tâmega em:

 

a)    «ecossistema a preservar» – o «rio Tâmega desde a confluência com a ribeira de Vidago até Mondim de Basto e principais afluentes: rios Olo, Covas e Bessa».

 

b)    «ecossistemas a recuperar» – o «sector superior: desde a fronteira até à confluência do rio principal com a ribeira de Vidago», e o «sector terminal: desde Mondim de Basto, confluência da ribeira de Cabresto, à confluência com o Douro».

 

Quarto – as cabeceiras do rio Olo, até à proximidade de Ermelo (Mondim de Basto) é «área classificada» do Parque Natural do Alvão, onde são proibidos os «actos ou actividades» de «captação ou desvio de águas»;

 

Quinto – a Bacia do rio Tâmega é «zona protegida», conforme a Lei-Quadro da Água( Lei nº58/2005 de 28 de Dezembro, alínea jjj) - Artigo 4º).

-    Considerando o meio físico e os contextos ambientais e sociais do Tâmega para os quais as cinco barragens estão projectadas, torna-se evidente que o «Programa Nacional de Barragens» foi produzido para justificar a construção de 5 (cinco!) grandes barragens de uma assentada na bacia do Tâmega. Senão, perante o quadro legal da Água e segundo o conceito de «desenvolvimento sustentável» que o edifício jurídico tem por fundamento, como seria possível justificar ao país e à Europa da União a exploração exaustiva e massificada da água dos rios, as perdas patrimoniais efectivas locais e regionais, e os ganhos em privações ambientais e desarranjos biofísicos, insegurança e riscos para as pessoas, em particular no vale do Tâmega?

 

Tendo por referência o «Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico», a conjuntura que o gerou e em que está a ser executado, o Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional passou a estar subordinado aos ditames da produção hidroeléctrica; o quadro legal define limites perfeitamente transponíveis; e a Autoridade Nacional da Água oferece provas insofismáveis de estar perfeitamente entrosada no processo. Mais apta a converter os recursos hídricos nacionais à luz dos interesses em presença do que na observância da lei e em concordância com os preconizados conceitos do «desenvolvimento sustentado», da «utilização eficiente» dos recursos hídricos nacionais, e da «gestão sustentável da água», por respeito à necessidade em «garantir um uso eficiente, racional e parcimonioso deste recurso» enquanto desígnio orientador «da política de gestão da água em Portugal», consagrado no «Programa Nacional para o Uso Eficiente da Água» (PNUEA) – Resolução do Conselho de Ministros nº113/2005, de 30 de Junho.

Considerando que, à semelhança dos mexilhões margaritifera margaritifera identificados no rio Beça durante o Estudo de Impacte Ambiental (EIA), a espécie humana também se encontra em risco nas zonas de implantação do complexo das barragens do Alto Tâmega (Padroselos, Daivões, Gouvães e Vidago), pelo que se torna imperioso preservar o seu habitat e o seu modo de vida, sob pena do seu desaparecimento na região ocorrer com a construção das barragens;

 

Considerando que o EIA da «cascata do Tâmega» promovido pela Iberdrola não contempla a contabilização dos custos-sombra ou indirectos, sempre elevados neste tipo de projectos, limitando-se o ressarcimento às indemnizações associadas aos custos directos resultantes do uso do espaço e à obrigatória reposição de infra-estruturas, sendo obrigatório a consideração desses custos-sombra no balanceamento entre custos e proveitos na construção das barragens do Alto Tâmega e a reformulação de toda a análise sócio-económica presente no estudo; 

 

Considerando que o Estudo Climático constante do EIA se limita a indicar alterações sem quantificar a magnitude das mesmas e utiliza dados de estações meteorológicas que se encontram em locais cujo clima é muito diferente daquele que ocorre no vale do rio Tâmega e portanto nas nossas freguesias, exigimos que seja realizado um estudo rigoroso e que quantifique a magnitude das alterações induzidas pela construção das barragens, tanto mais que a Comissão Vitivinícola Regional de Trás-os-Montes alerta para o perigo destes efeitos e tendo sido dado conhecimento dessa preocupação a diversos organismos, o EIA faz tábua rasa das mesmas;

 

Considerando que o próprio EIA foi realizado em épocas não propícias para este tipo de estudo (período invernal) e que o próprio estudo é na sua grande parte um trabalho meramente teórico, resultante da transcrição de informação já existente, mal enquadrada e com uma análise e discussão claramente deficientes.

 

Considerando que as alternativas apresentadas só fazem referência a cotas de enchimento, sem ter qualquer considerando em relação a estudos já realizados, como o elaborado entre a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e a empresa Espaço Visual para a associação de municípios das Terras de Basto (ProBasto).

 

Considerando a falta de medidas mitigadoras exequíveis e adaptadas ao ecossistema do Tâmega (sendo que as propostas apresentadas constituem uma relação de carácter geral e extremamente vagas).

 

Considerando que o Estudo de Impacte Ambiental não foi realizado para as cotas 300 e, designadamente, 312 (aliás cota lançada a concurso), constantes no PNBEPH para a Barragem do Alto Tâmega (Vidago), pelo que nos afigura a posição da empresa que o elaborou de má-fé, uma vez que não faculta à população informação que lhe permita melhor balancear vantagens e desvantagens e emitir uma opinião melhor fundamentada, quanto ao uso equilibrado dos recursos, sendo uma exigência que o EIA analise estas cotas e não pareça que apenas tem como objectivo justificar a opção pretendida à cabeça pela concessionária;

 

Considerando que o Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH) foi elaborado pela mesma empresa (PROCELS) que elaborou o EIA e que para a anterior designação de Barragem de Vidago considerou que, a pp 78, “A análise das áreas a inundar pela albufeira permite constatar que com um NPA da albufeira à cota 325 m são afectadas um conjunto importante de habitações, nomeadamente nas localidades de Sobrilhal, Sobradelo e Caneiro, que poderiam condicionar significativamente a execução do aproveitamento. A cota 312m evita em grande parte, embora não na totalidade, a afectação de áreas urbanas, que apenas seriam integralmente preservadas caso se adoptasse o NPA à cota de aproximadamente 300 m. A pp 132 refere “Para o aproveitamento de Vidago, integrado na cascata do rio Tâmega, adoptou-se o NPA da albufeira de 312 m, inferior em 13 m relativamente ao NPA máximo previstos em estudos anteriores, atendendo que a partir dessa cota seriam inundadas significativas áreas com ocupação urbana”, como é que agora defende outras cotas e sempre para níveis altimétricos superiores;

 

Considerando que simultaneamente a mesma empresa apresenta erros de cálculo significativos de áreas a inundar e quantidade de água armazenada para a mesma cota no PNBEPH e os constantes no EIA;

 

Considerando que os impactos na paisagem, na qualidade da água e no ecossistema serão de tal ordem que as albufeiras terão apenas como única utilização a retenção de água para a produção de energia e implicarão uma deterioração da imagem da região com todas as implicações que daí decorrem.

 

Em síntese, e não contestando a imperiosa necessidade de o País lançar mão às energias renováveis, na medida do sustentável e, dentro destas, ao potencial hidroeléctrico disponível, partindo do que a construção das 4 barragens envolve de excepcionalmente gravoso para as populações do Vale do Tâmega intoleravelmente afectadas por esses empreendimentos, e com a consciência de interpretar a sua inconformação, os cidadãos abaixo assinados Vêm recorrer às diferentes instâncias da estrutura do Estado, com a jurisdição directa ou indirecta sobre as barragens, no sentido de:

 

- A cascata do Tâmega ser reapreciada, também à luz dos objectivos da Organização das Nações Unidas (ONU) consagrados na “Declaração do Milénio” “visando pôr fim à exploração insustentável dos recursos hídricos”;

 

- Conciliar os quatro empreendimentos hidroeléctricos, com o “quadro de acção comunitária no domínio da politica da água”, em ordem a, concomitantemente, “garantir um uso eficiente, racional e parcimoniosos deste recurso”, enquanto desígnio orientador da política de gestão da água consagrado no “Programa Nacional para o Uso Eficiente da Água”;

 

- Respeitar minimamente o quadro legal que estabelece as “bases e o quadro institucional para a gestão sustentável das águas”, em concordância com o princípio do desenvolvimento sustentável”;

 

- Que o EIA da «cascata do Tâmega» promovido pela Iberdrola contemple a contabilização dos custos-sombra ou indirectos, sempre elevados neste tipo de projectos, e a consideração desses custos-sombra no balanceamento entre custos e proveitos e, consequentemente, a reformulação de toda a análise sócio-económica presente no estudo;

 

- Que, à semelhança dos mexilhões margaritifera margaritifera identificados no rio Beça durante o Estudo de Impacte Ambiental (EIA), a espécie humana também se encontra em risco nas zonas de implantação do complexo das barragens, pelo que se torna imperioso preservar o seu habitat e o seu modo de vida;

 

- Que seja realizado um rigoroso Estudo Climático que quantifique a magnitude das alterações induzidas pela construção das barragens, e que responda às preocupações expressadas pela Comissão Vitivinícola Regional de Trás-os-Montes;

 

- Que o EIA seja realizado em épocas propícias para este tipo de estudo (período de verão e não invernal) e que o próprio estudo não seja em grande parte um trabalho meramente teórico;

 

- Que o EIA seja realizado para as diferentes cotas em cada um dos aproveitamentos constantes no PNBEPH, por forma habilitar todos os intervenientes a uma melhor decisão;

 

- Que as alternativas apresentadas não façam só referência a cotas de enchimento, mas que considerem alternativas com base em estudos já realizados e não sejam as barragens apresentadas como única solução para a região, tanto mais que tal vai originar uma radical fractura da unidade geomorfológica, económica, paisagística e climatérica que afectará todo o Vale do Tâmega e particularmente a região do Alto Tâmega.

 

http://www.peticaopublica.com/?pi=tamega

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 16:22
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Em jeito de poesia sem melodia...

 

.

Se ainda há quem não lamente

Um dia se lamentará

Janelas abertas ao sabor do vento

Janelas fechadas, sem dono, trancadas

 .

.

E o futuro gemerá

Lamentos de pedra

Pedra apenas, caída, desalinhada

Amontoados de pecados

.

.

Janela abertas para a modernidade!

Trocas de campo pela cidade

Janelas fechadas lamentos

Memórias esquecidas no esquecimento.

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:56
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Sexta-feira, 19 de Março de 2010

Discursos Sobre a Cidade - Por Gil Santos

 

.

 

CHICO SANTO CRISTO

 

 

Gil Santos

 

— Viva a pátria e chova arroz!.. — vociferava o Chico Santo Cristo quando o desassossegavam.

Oriundo de uma família de renome, Francisco Piçarra, ficou mole do miolo(1) Culpa de um graúdo desgosto. Muito avarento, entesourava toda a riqueza no xaragão(2) de palha centeia em que dormia. Ganhava bem no negócio de passamanarias que geria na rua das Longras. Tinha porém o vício de, pelo final da tarde e após o encerramento da loja, se enfrascar, quase todos os dias, na Adega do Faustino. Era um inveterado copofónico (3)

Certa ocasião, o Fausto Vaqueiro, bancário do Sotto Mayor e colega da copofonia,(4) conhecendo-lhe a manha da avareza, convenceu-o a depositar a riqueza no seu banco. Que temesse os incêndios, os ratos, ou dos larápios. Que qualquer desgraça o podia pôr na miséria! Que pensasse bem!.. Depois de muito bater no ceguinho lá o fez crer no milagre da multiplicação dos rendimentos.

Foi para casa. Durante o fim de semana não fez mais nada que não fosse registar numa longa lista, o número de série de cada uma das notas que retirava do enxergão. Na Segunda-feira, foi ao banco, com um saco de pano repleto, entregar o papel (5) ao Vaqueiro. Depositou-lho a prazo em regime de juro composto.

A coisa passou.

Daí a uns meses, beberricando calmamente um traçadinho(6) na taberna da Travessa do Olival, para matar a sede de uma quente tarde de Verão, alguém o chamou à atenção:

— Olha lá ó Chico, tu não puseste o carcanhol(7) no Sotto Mayor?

— Pus. Está seguro e rende juros!

 

— Pois, fizeste uma boa merda! Meteste-o no cu ao Vaqueiro e agora as tuas notinhas andam por aí à cria nas mãos de quem calha! Vês aquele magano a pagar a rodada, vai fazê-lo com uma das tuas notas!

Ficou em pânico… Foi-se ao balcão…

— Ó Eduardo, mostra-me essa nota de cem que acabas de encafuar na gaveta…

Puxou do bolso o extenso rol dos números de série e conferiu…UG 02913!

Não é que a puta da nota fazia parte do cadastro!..

Afinal sempre era verdade, as suas notinhas andavam por aí ao Deus dará,(8) em vez de estarem guardadas no cofre do banco.

— Que gastassem o que era deles, esses filhos de um cão.

O cabrão do Vaqueiro havia de lhas pagar!

Foi-se ao banco e fez um escabeche do arco da velha. Que queria as suas notinhas uma por uma…

Perante a intransigência do homem em manter o depósito, tiveram que lhe devolver o dinheiro até ao último tusto.(9) Ainda assim não foi fácil convencê-lo a aceitar notas que não eram das suas!

— Que se fodesse o Vaqueiro a mais os juros. O papel havia de ir novamente para o xaragão. As pulgas e os percevejos não iam ao Faustino!

Contudo, aquela ideia do incêndio, dos ratos e dos gatunos não lhe saía da cabeça.

Eureka!

Foi ao Moucho e comprou uma lata de chapa. Daquelas que os merceeiros usavam para meter o café moído. Embrulhou as notas num plástico duro. Encheu a lata com elas, muito bem acamadinhas. Tapou-a com a sampa (10) redonda e selou-a com cera derretida para que não entrasse a humidade. Procurou no quintal um lugar maneirinho para a enterrar. Cavou um calabouço de metro e meio e encafuou-a lá. Aterrou. Por cima colocou um grande calhau, para marcar o sítio. Sentiu-se aliviado. Tinha o pé de meia (11) a salvo de bancos, incêndios, ratos e ladrões.

 

Passados uns três anos, o senhorio da sua casa quis aliená-la. Ele comprá-la. Estava em situação privilegiada para negociar e além do mais tinha capital. Discutiu o preço. Marralhou (12) quanto pôde. O negócio foi fechado em trezentos e cinquenta contos de réis, a pagar no acto da escritura. No dia anterior a esse acto formal, foi-se ao quintal de enxada em punho. Vai de abrir o buraco. Lá estava o tesouro. Intacto?..

A Lata, apesar de enferrujada, mantinha a forma original... Porém, quando retirou a cera e a destapou, das notas só farelo!..

Ficou sem pinga de sangue!

Sem dinheiro e desfeito em lágrimas, abortou o negócio e mudou de casa. Guardou religiosamente as cinzas, como se dos restos fúnebres de um ente querido se tratasse.

Daí por diante passou a fechar mal a gaveta.(13) Refugiava-se no vinho para esquecer. Era cada cadela!

Apesar de tudo, ficou-lhe uma ténue esperança num milagre do Santo Antoninho, de quem era afanado devoto. Os amigos convenceram-no de que rezando ao advogado das coisas perdidas, era capaz de se ajeitar qualquer coisinha! Então era vê-lo, cheio de fé, ajoelhado todas as tardes, antes da missa no Faustino, a debitar o responsório,(14) na igreja de Santa Maria Maior.

 

“Se milagres desejais, recorrei a Santo António

Vereis fugir o demónio e as tentações infernais.

Recupera-se o perdido.

Rompe-se a dura prisão,

E no auge do furacão cede o mar embravecido.

Pela sua intercessão, foge a peste, o erro, a morte,

O fraco torna-se forte, e torna-se o enfermo são.

Todos os males humanos se moderam, se retiram,

Digam-no aqueles que o viram, e digam-no os paduanos.

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.

Rogai por nós, bem-aventurado António

Para que sejamos dignos das promessas de Cristo”.

 

Nunca resultou, para sua infelicidade e das notinhas que continuaram em pó.

 

Morava, agora, para as bandas de Santa Cruz. Para além das tardes, passava também as noites a beberricar na dita Adega. Quando a altas horas regressava a casa, ao passar perto do Libório, numa encruzilhada que tinha umas alminhas iluminadas noite e dia por mortiças velas de estearina e decoradas com desfolhadas rosas de plástico, não deixava de se descobrir e cumprimentar, mui respeitosamente:

— Boa noite alminhas!

As alminhas quase sempre retribuíam:

— Boa noite Santo Cristo. Que Deus tenha de ti dó e te ampare por esses caminhos da vida!

 

Uma noite, depois de enfardar uns valentes copázios, acompanhados de umas rachas de bacalhau da peça para puxar à pinga, não mediu a distância a uma candeeiro de iluminação pública e esbarrou-se escontra ele. Esmurrou o focinho todo!

— Pouca sorte!

O candeeiro não se queixou.

À medida que o sangue se soltava das ventas, ia sendo limpo pelo lenço de cinco pontas.(15) Chegou a casa já com o sangue tralhado (16) pelo frio da geada. Foi para a casa de banho, lembeu-se (17) e foi curar a cardiela (18) para a cama. Na manhã seguinte, sua esposa Pimponata, deu com um penso rápido colado no espelho, por cima do lavatório.

— O que teria acontecido?

Só percebeu o fenómeno quando viu o nariz do marido todo esmurrado!

— Borrachão!..

 

Numa outra ocasião meteu-se-lhe na cachimónia (19) que haveria de voar como os pássaros. Documentou-se sobre as técnicas de voo e os truques da aeronáutica. Pareceu-lhe tudo muito complicado. Mas, um dia qualquer, nas suas investigações, leu um texto da mitologia grega sobre a lenda de Icaro.

 

“Icaro e seu pai Dedálo, presos num labirinto na ilha de Creta, decidiram construir um par de asas para cada um, para se evadirem. Recolheram penas de gaivota e cera de abelha e montaram admiráveis asas.

Dedálo aconselhou o filho a que não voasse muito alto. Que não se deixasse entusiasmar com as belezas que iria admirar das alturas. Icaro cegou-se e rapidamente esqueceu o conselho de seu pai.

E Subiu, subiu, subiu…

Próximo do Astro Rei, o calor fez derreter a cera que prendia as penas.

As asas desfizeram-se e Icaro, vítima da sua soberba, estatelou-se sobre o mar Egeu.”

 

Ora, o Chico Santo Cristo sonhava voar como Icaro, mas não tão alto que pudesse cair e esbandalhar-se.(20) Passou meses à volta dos galinheiros e dos pombais dos vizinhos à cata de remiges. Quando lhe pareceu que já tinha as suficientes, construiu uma estrutura em madeira balsa e prendeu-lhe as ditas. Asas perfeitas! Encaixavam nos braços com umas correias de couro.

De onde se havia de atirar?

Das muralhas do castelo? Não, tinha lá a Infantaria.

Da torre de menagem? Não, era muito alta.

Do Forte de S. Neutel? Não, era longe.

Do de S. Francisco? Também não, tinha lá a Cavalaria.

Um sítio azadinho era a capela do Senhor do Calvário em Santo Amaro.

Dito e feito!

Um domingo prantou-se nas traseiras da dita capelinha e de cima do muro amandou-se para o infinito celeste…

Não é que voou mesmo!.. Para os arames das latadas dos quintais, cinco metros abaixo.

Esconchavou-se (21) todinho! Ficou tal qual o Santo Cristo no madeiro. Nomeada que lhe ficou.

 

Mais avançado na idade, a maluqueira deu-lhe para a rima.

Fazia poesias que recitava para os amigos nas tertúlias vinhocas.

Entre muitas, retive esta, que tinha o propósito de retratar o seu fado:

 

À meia noite fui pensado

À uma hora nascido

Às duas fui baptizado

Mais valia ter morrido!

 

Às quatro andava à cria

Às cinco assentei praça

Às seis era cada nassa

No quartel de Infantaria

 

Às sete horas tive filhos

Às oito tive cadilhos

Às nove fiquei maluco

E às dez já estava caduco

 

Às onze horas me finei

Ao meio dia enterrado

A sentença do S. Pedro:

- Pr´ó inferno excomungado!

 

Viva o Santo Cristo e todos aqueles que sonhando voar, fabricam asas de cera!

 

***********

 

(1) – Com pouco juízo

(2) – Colchão

(3) – Bebedor de vinho

(4) – Dos copos

(5) – Dinheiro em notas

(6) – Vinho misturado com gasosa

(7) – Dinheiro

(8) – A sorte

(9) – Tostão

(10) – Tampa

(11) – Poupança

(12) – Discutir o preço

(13) – Diz-se de quem não tem os cinco litros (cinco sentidos?) bem aferidos.

(14) – Responso – oração

(15) – Mãos

(16) – Estancado

(17) – Limpou-se

(18) – Bebedeira

(19) – Cabeça

(20) – Desfazer-se

(21) – Partiu-se

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:26
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Quinta-feira, 18 de Março de 2010

Coleccionismo de Temática Flaviense - I Encontro Transmontano do Clínico Geral

 

Medalha em bronze, com o módulo de 60 mm., evocativa do I Encontro Transmontano do Clínico Geral, realizado em Chaves durante os dias 21, 22 e 23 de Março de 1985.

 

Esta medalha não se encontra numerada, nem se conhece a sua tiragem ou local de cunhagem.

 

 

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publicado por blogdaruanove às 00:17
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