Sábado, 31 de Julho de 2010

Visita Sacramental ao S. Caetano - por Miguel Torga

 

 

 

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Chaves, 26 de Agosto de 1990

 

 

Visita sacramental ao S. Caetano, um santo fronteiriço que tem na terra os serviços administrativos modelarmente organizados. «Meta as esmolas nos petos» - avisam os letreiros.

 

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E lá estão as tulhas para os cereais, a grade para os galináceos, e o orifício aberto na parede granítica da capela para encarreirar a pecúnia. Peregrino anual e céptico, não peço ao orago graças que sei que não pode conceder a um mau romeiro.

 

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Bebo-lhe a água gelada da fonte das três bicas, regalo os olhos na paisagem aberta e larga, espreito o cemitério visigótico precariamente preservado e fico satisfeito. Mas volto sempre, e sempre com a mesma curiosidade e disponibilidade emotiva. A minha bem-aventurança começou quando abri os olhos no mundo e há-de acabar assim, quando, já cansado de tanto o ver e surpreender, os fechar.

 

 

Miguel Torga, in Diário XVI

 


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Sexta-feira, 30 de Julho de 2010

Discursos Sobre Outras Cidades - Domingo em Santo Domingo

 

 Fotografia e texto de Blog da Rua Nove 

 

DOMINGO EM SANTO DOMINGO

 

Doña Consuelo alongava o seu olhar pelo intenso azul-larimar do céu. Por entre o aroma fresco que as chuvas da noite haviam deixado nas buganvíleas e azáleas, a cidade velha descia para a embocadura do Ozama, castanho e turvo das águas terrosas que trazia das montanhas e planaltos. Toda as pequenas vagas da marginal estavam assim manchadas, parecendo as palmeiras estar plantadas sobre uma líquida e espumosa ondulação de cacau. Só ao longe o azul-turquesa do mar se deixava ver. Uma finíssima linha, mais parecendo lápis-lazúli que azul turquesa, debruando toda a imensidão daquele larimar que se lhe sobrepunha.

 

Com um lenço leve e transparente protegendo os rolos que lhe moldavam o cabelo rebelde, deixava que a aragem matinal entrasse pelas janelas e a envolvesse. Ajoelhada perante uma imagem em madeira da Sagrada Família, deixava também que as primeiras orações do dia se misturassem com as promessas do novo novio. Promessas de salsa e merengue no fim de tarde daquele domingo, prolongando-se fora de casa até ao luar da meia-noite. A oração era um movimento de lábios encobrindo ritmos salseros. Sabia que apenas na missa da sé a sua fé não se distrairia.

 

Caminhou até à catedral para a missa da manhã, ignorando as mulheres que cedo se ofereciam nas transversais da Calle del Conde e o olhar guloso dos homens que pacientemente se sentavam à sombra, nas esplanadas do Parque Colón. A igreja estava já repleta, a missa sabia-se longa. Seria pela remissão dos pecados, pelo perdão de pensamentos e tentações. Alinhadas junto das colunas quinhentistas, as esguias ventoinhas verde-esmeralda traziam o ambiente dos trópicos para o cerimonial. Em tudo mais se mantinha a ortodoxa dignidade católica do velho mundo.

 

Compenetrada nas suas orações, doña Consuelo em nada mais pensava, nada mais imaginava. Não imaginava o sorriso, que era um esgar, da escanzelada mulata de meia-idade oferecendo-se por míseras centenas de pesos à porta da sé. Nem os candongueiros que se movimentavam na Calle Padre Billini, oferecendo charutos artesanais e câmbios ilegais. Nem o olhar do novio, que entretanto chegara à esplanada do parque, envolvendo uma espanhola, alta, morena e cheia de curvas, sentada duas mesas mais à frente. Nem a inquietação da espanhola. Nem a conversa entre os dois. Nem a mútua promessa de se encontrarem no Malecón ao princípio da noite. Nem a posterior ansiedade da espanhola, retocando incessantemente a maquilhagem para disfarçar a  barba que despontava.

 

                    

 

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Quinta-feira, 29 de Julho de 2010

Conversas Com Zeus - Por Tupamaro

 

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“CONVERSAS   COM   ZEUS”

--XII—

“Coisas  do  Z(d)iabo!”


 

 

Chegou-nos aos ouvidos que Zeus anda enfastiado com tantos «Grandes acontecimentos».

 

Ele é a “Volta à França”!

Ele é o “Campeonato Mundial de Futebol”!

Ele é o «maior desastre petrodolário do planeta»!

Ele é a “CRISE”, sem ponta por onde se lhe pegue!

Ele é a “Gripe A”, a espirrar milhões de €uros e dólares na conta do marmanjo que a inventou!

Ele é a impiedosa treta dos «Homens com Memória» que não se lembram do que são «off-shores; nem de terem assinado cheques de milhões, nem de haverem ligado Bancos com cabos verdes, alaranjados ou cor-de-rosa!

 

Zeus anda enfastiado.

 

E um dos seus mordomos informou-nos que Zeus está a pensar em dar uma volta por sítios onde só se dêem pequenos acontecimentos, mas, ele sabe-o, contendo enormes grandezas!

 

Assim, vai instalar-se, discretamente, (malandreco! Nós até diremos: - sorrateiramente!), no CASTELO de MONFORTE de RIO LIVRE.



Espertinho, quer vir mesmo a tempo de mirolhar a FESTA de S. PEDRO DE AGOSTO, ali em baixo, em ÁGUAS FRIAS!

 

 

Uma das comadres que temos na sua corte segredou-nos que Zeus estava a contar com um naquito de cordeiro assado à moda do Kim Russo! E de um licorzinho da Ti’ADÉLIA, a ajudar à digestão!

 

“Ai o gaijo”!  - dissemos nós à nossa comadre.

 

Querem ver que ele, ZEUS, quer tirar-nos a vez?!

 

Pois há-de «lerpar» até mesmo de um só e único mimo da D.MIMI!

 

E nem uma rodela de salpicão do sr. NUNO há-de lamber, quanto mais uma pinga, da feita pelo ROGÉRIO!

 

Já que não nos avisou da vinda, nem mesmo com um copo (bem, um copo ‘inda lho deixamos beber),  nem  mesmo  com uma caneca de água do sr. CARLOS vai matar a sede!

 

E escusa de mandar  ARES a atalhar caminho ao “TINO , do Valpaço-lo-Velho”  porque o “Tinta Roriz” está Reservado, bem reservadinho cá para o rapaz!

 

- Mas tu não sabes a melhor! – diz-nos, ao ouvido, a comadre.

 

- Ele já apontou  no calendário a ida ao S. Gonçalo de……….. nem imaginas!


Queres que te diga?!

 

Subiu-se-nos cá uma inveja ao coração e uma raiva ao dente!

Mando cair uma nevada daqueles que até nem o diabo as derrete com todo o fogo dos infernos!

E Zeus vai ficar de pernas ao ar se passar de S. Vicente! – gritámos, à orelha da comadre.

 

-Bem, mas ele finta-te  - argumenta a comadre.

 

Se lhe passa pela cabeça que tu vais para o S. Gonçalo, da Raia, ele pisga-se para a Srª d’Aparecida, de Calvão. E

 

-Alto lá! Nós queremos estar nas duas ao mesmo tempo, ora essa!

Já o ano passado perdemos o” Valdanta-Calvão” e a «Chega»!

Chega de prejuízos!

 

- Bem compadre, tenho de ser franca contigo.


Sabes que Zeus é «finório».


Quis vir para estes lados sem dar nas vistas. Não quis maçar-te e, por isso, não te avisou do plano.


Mas encomendou-nos  vir saber dos teus humores e propósitos.


Ficas a saber que tem no roteiro uma subida ao “Monte Agudo”…



-Cá está! – berrámos.

 

-  Vem p’ràqui para um COUTO que é nosso (isto é, onde perdido e achado é onde nos queremos!) e quer açambarcar tudo!

Monte Agudo!

 

Que treta!

 

Ele quer, mas é, ir à FESTA da  Srª  do ENGARANHO!


Ele passa NECESSIDADES?!

 

Que se contente com a de SANTA BÁRBARA, de  VILARANDELO, que bem lhe chega!

 

Até nós bem gostávamos de lá ir a esta!

 

E que não se ponha a cantar muito, senão só o deixamos dar um pulinho à SRª DAS GAIOLAS!

 

Sabes aonde?

 

…Pois!...Um dia conto-te uma história de um tal Romeiro de Alcácer!

 

 

- Bem, tenho de ir ver se o Castelo está em condições para receber ZEUS.

Parece que o “Baptista das Pedreiras” vai mandar limpar o mato e o silvedo  que rondam o Castelo;  levantar a pedralhada que anda lá caída pelo meio; consertar as portas;  alcatroar o estradão de acesso,  e fazer umas valetas a preceito; recolher o lixo turístico   -    bem arrumadinho, mas que a ventania espalha, mais amiudadas vezes, agora, no Verão; e içar lá a Bandeira Nacional, a do Município e a da Freguesia.


Ah! Diz lá a um que tal Prof. Valbom que não se esqueça de mostrar uma reportagem como a do ano passado, pelo menos!

Nós vimos o retrato dele a entornar o copo, lá no Castelo!.....


E a Déte que continue a dar serventia a uns frasquinhos assim amodos que…ela sabe!

 

Que raio de sorte a nossa!

 

Nós que queríamos ir sorrateiro a esses lugares todos vamos ter de andar  a fintar Zeus!

 

Mas que coisas  do  Z(d)iabo!

 

Tupamaro

 

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Quarta-feira, 28 de Julho de 2010

Hoje há feijoada, à transmontana...

Há dias num post entitulado  «Já nem sei que dizer» - onde eu referia que talvez estivesse errado em querer ver as aldeias com vida, com crianças, gente, animais… a um comentário desse post, de autoria da Joaninhas, prometi uma resposta alargada.

 

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Dizia-me a Joaninhas em comentário:

 

« (…) não entendo duas coisas. Se tantas saudades porque não vai o Fernando viver para essas aldeias lindíssimas .
Outra coisa, se todos nós fossemos morar para as aldeias que seria da cidade? Não ficava ela, também ao abandono, com esses encantos e recantos lindos lindos?
Acaba por também ela estar abandonada.

E todos nós somos cúmplices disso, não acha Fernando?

É bom tirar fotos, mas o melhor seria exigir melhores acessos a essas aldeias, e lutar sempre. (…)»

 

Pois aqui fica, como prometido, a resposta a essas questões, com um pouco de mim (em jeito de introdução) para melhor se entenderem os porquês mas também dando continuidade à discussão lançada por António Chaves na sua última Crónica Segundária.

 

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Em tempos, já não sei precisar, disse aqui neste blog que nasci em Chaves por mero acaso, pois poderia ter nascido numa vila ou numa aldeia. Numa vila, terra da minha mãe (Montalegre) ou numa aldeia, terra de meu pai (Parada de Aguiar – Vila Pouca), também poderia ter nascido em Vila Verde da Raia, ou noutra terra, aldeia, vila, ou numa cidade qualquer. Nasci em Chaves e como tal sou flaviense. Mas o ser flaviense não é tão simples assim e, não é por ter nascido em Chaves que o sou, pois nem sempre somos da terra onde nascemos, mas, isso sim, da terra onde aprendemos os primeiros passos, onde aprendemos a andar de bicicleta, onde aprendemos as primeiras letras, onde aprendemos a nadar, onde fizemos os primeiros amigos (os verdadeiros e para todo o sempre), onde roubamos a fruta madura da árvores, onde demos o primeiro beijo, onde lamentámos as primeiras ausências, onde levámos as primeiras negas, onde casamos, onde tivemos os nossos filhos, onde ao dobrar da esquina há sempre um amigo e, onde – sobretudo isso – optamos por viver e temos um lugar, uma casa que nos acolhe, com família lá dentro, onde regressamos sempre nem que seja num único dia do ano, aquele em que todos queremos estar juntos para consoar o Natal ou, no derradeiro momento que, com toda a nobreza de uma vida, se volta à terra para receber sepultura – Essa, é a nossa verdadeira terra.

 

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Pois eu, no meu ser flaviense, à excepção de ter cumprido a vida, tenho tudo isso, mas muito mais, pois também tenho a minha aldeia que herdei do meu pai e a minha vila que herdei da minha mãe e, não é apenas por eles terem nascido lá, mas porque também as vivi e continuo a viver pela simples razão de, tal como eu sou flaviense, o meu pai sempre foi da aldeia dele e a minha mãe da sua vila porque (infelizmente eles)  não tiveram a minha sorte de ter o todo ou tudo da terra onde nascemos e ter ainda um pedaço na aldeia e vila de onde descendemos, onde também se passaram natais e havia avós, tios, primos, amigos e as velhas casas que também eram nossas.

 

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Mas o ter nascido em Chaves não é tão simples como parece, pois os meus pais poderiam ter optado por fixar residência na aldeia ou na vila de onde eram naturais. Contrariando a vontade natural (estou em crer) de “puxar” para as sua terras, optaram pela cidade mais próxima das suas raízes, cidade pequena mas cidade, onde havia escolas, hospital, trabalho e as necessidades mínimas para uma vida mais ou menos digna que numa aldeia ou vila não poderiam dar no seu todo aos filhos… e aqui entramos no cerne de todas as questões ligadas ao despovoamento das aldeias, pois todas elas foram despovoadas para alcançar uma vida melhor, não só para os despovoadores mas sobretudo para os filhos.


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Parece ficar assim explicado o despovoamento das aldeias e do meio rural, mas não fica. Pois tudo poderia ser diferente desde que houvesse condições para as pessoas, os casais e os filhos, ficassem (por opção) nas terras onde nasceram, podendo ter nelas uma vida digna, com trabalho e um modo de ganhar a vida mas, com acesso fácil a tudo que existisse nas cidades, mas para isso, teria de ser necessário desmontar todas as políticas praticadas até hoje  e que actualmente são cada vez mais agressivas com a(s) modernidade(s) e o centralismos em que as pessoas, os valores e os lugares pouco interessam, pois tudo é visto sobre o prisma dos interesses, dos cifrões traduzidos em tabelas de Excel e gráficos comparativos de puras matemáticas… valores, saberes, sabores, culturas, povo, tradições, usos e costumes, não contabilizam nessas tabelas e gráficos…Eia, eia lá… a globalização centralizada é que é da modernidade, a identidade do povo  – para dizer bem e depressa – que se foda! O povo e o interior que aguente e, quantos menos forem, maior será o desprezo, pois apenas são contabilizadas cabeças que valem votos – as pessoas, a gente, os valores, sabores e saberes do povo de nada valem se não houver número suficiente de cabeças para fazer crescer os gráficos e eleger pavões para o poder… que lhes interessa a eles a terra ou a casa onde nascemos, os nossos amigos, a nossa família, onde passamos ou não o natal!. Que lhes interessam a eles os nossos sentimentos, os nossos gostos, as nossas opções… somos apenas números, um por cada cabeça, para eles, é esse apenas o nosso valor – uma unidade, ou seja – pouco ou nada valemos.

 

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Claro, Joaninhas, que tenho saudades das antigas aldeias lindíssimas, sobretudo porque tinham gente, crianças, animais e casas com gente dentro, que vivia nelas, faziam filhos e consoavam natais onde os filhos e parentes ausentes regressavam sempre e as vilas e cidades, mais pequenas é certo, também existiam, também com casas com gente lá dentro, que faziam filhos e natais e enchiam as ruas de vida com gente e crianças…

 

Custa e revolta ver as aldeias despovoadas, com as velhas casas sem gente, sem vida, sem crianças quando bastava, no tempo certo, proporcionar às populações rurais meios e condições para se manterem nas suas terras, tendo as cidades como apoio com os serviços, a saúde a educação a cultura o lazer e ponto de promoção e venda dos seus produtos. Mas tudo isto, para garantir a sua sustentabilidade, teria de ser trabalhado e ter apoio estatal e autárquico sério e responsável onde os apoios comunitários teriam caído como ouro sobre azul…mas não, olhou-se ao lucro rápido e fácil onde todos tentaram ganhar o seu, sem qualquer cuidado, sem pensar o futuro e a sua sustentabilidade.

 

Certo que o despovoamento das aldeias já não é de hoje, pois o grande boom do abandono começou a ocorrer nos anos sessenta do século passado, mas com uma diferença. Antes abandonavam as aldeias para um dia mais tarde regressar. Hoje, o abandono não tem regresso marcado e tudo porque não há motivos ou razões para se regressar, a não ser o tal sentimento do regresso à terra, mas até esse desfalece quando a terra dos filhos dos que partiram, passaram a ser outras terras nas longínquas cidades para onde os pais partiram.

 

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Mas continuo a insistir que tudo poderia ter acontecido de outra maneira se tivesse havido políticas certas para reter as populações rurais, modernizando (a sério) a agricultura, tirando partido da floresta, da pecuária e de tudo que estas actividades está associada, como é o caso do presunto que o António Chaves tão bem tem trazido à baila nas suas crónicas segundárias, e quem diz o presunto e tudo que está associado aos recos, diz a madeira da floresta e toda uma indústria transformadora, diz a agricultura com os nossos produtos de qualidade e toda uma gama de pequenas e médias indústrias que se poderiam desenvolver à sua volta, sem esquecer a riqueza da nossa gastronomia, as nossas paisagens e montanhas e um turismo temático e de qualidade que poderia estar ligado ao nosso ser interior, às nossas termas e às montanhas, onde, aí sim, com tudo isso a funcionar, resolveríamos os problemas de trabalho dos nossos jovens bem como garantiríamos o seu regresso às origens após estarem formados, pois com tudo a funcionar, iríamos precisar de técnicos e gente formada para dar apoio a toda uma população e eles próprios avançarem com os seus negócios e empresas, mas não, tal não acontece e nunca houve vontade, ou habilidade ou inteligência por parte dos nossos governantes para que tal acontecesse, e neste capítulo dos governantes, com muita culpa para os políticos locais que sempre lhes faltou visão, inteligência e falta de amor à terra e aos seus habitantes, que nunca souberam travar o despovoamento rural e promover (ou defender) os nossos produtos e as nossas coisas. Uma cambada de ignorantes que atingiu o poder e a partir daí, lá do alto e tal como os pavões, abriram as penas da cauda em leque e puseram-se a gerir e mal,  contas correntes, a imitar às vezes, sem inovar, apostando fraco e mal, sem a importante união com os concelhos vizinhos onde poderiam arranjar poder de reivindicação com o todo de uma região igual e com os mesmos problemas… mas não, cada um por si, com as suas incompetências e o resultado está à vista, aos poucos, vamos perdendo tudo. Começou pela população das aldeias, depois foi o comboio, que além da locomotiva, aos poucos, foi levando outras carruagens, sendo a última o hospital…mas tudo isto até poderia ser nada se houvessem oportunidades para os nossos jovens formados regressarem (por opção), por cá terem trabalho e futuro.


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Como eu dizia no post que deu origem a este - já nem sei que dizer – talvez eu esteja errado e este esvaziamento do interior seja natural e se caminhe a curto prazo para uma grande cidade chamada Lisboa, outra Chamada Porto e outra chamada Algarve para passar férias e tudo o resto seja paisagem com pequenos grupos de resistentes a viverem à margem como se de indígenas ou reservas se tratassem…

 

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Para rematar este post, vamos lá dar resposta às perguntas da Joaninhas – Porque não vai o Fernando viver para uma dessas aldeias lindíssimas e a de nós sermos todos cúmplices. Pois é assim, eu vivo numa aldeia que fica juntinha à cidade, é certo, mas a resposta correcta é, eu vivo na minha aldeia que dá pelo nome de Chaves e por isso, eu não sou cúmplice do despovoamento e a testemunhar isso, é o eu estar aqui, em Chaves, porque é a minha terra e porque optei viver nela e nela constitui família. Optei pela minha terra e é aqui que quero cumprir a minha vida e, por muitas faltas que Chaves tenha foi a terra onde nasci, onde aprendi os primeiros passos, onde aprendi a andar de bicicleta, onde aprendi as primeiras letras, onde aprendi a nadar, onde fiz os primeiros amigos (os verdadeiros e para todo o sempre), onde roubei a fruta madura da árvores, onde dei o primeiro beijo, onde lamentei as primeiras ausências, onde levei as primeiras negas, onde casei, onde tive os meus filhos, onde ao dobrar da esquina tenho sempre um amigo e, onde – sobretudo isso – optei por viver e tenho um lugar, uma casa que me acolhe, com família lá dentro, onde regresso sempre todos os dias e todos os dia é natal. Falta-me cumpri o resto da vida para nesta terra receber sepultura. Por tudo isso, vivo na minha aldeia, sou um resistente e não sou cúmplice de todos os disparates que têm feito connosco.  Eu cumpro a minha parte, falta aos que têm de cumprir, os do poder, cumprir com a sua parte em prol de Chaves, das suas freguesias mas também da região, com amor e inteligência,  porque afinal esta doença, não afecta só Chaves e o concelho, mas todo o interior, onde o interior Norte é e sempre foi mais castigado, não só em oportunidades mas também com todas a dificuldades geograficas das montanhas e dos 9 meses de inverno e 3 de inferno.

 

É nisto que dá um jejum de palavras!

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 10:37
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Terça-feira, 27 de Julho de 2010

Pedra de Toque - O Livro e o Vinho

 

 

 

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O Livro e o Vinho


- Um cibo de uma carta para um amigo –

 

 

 

 

O livro é o amigo nas mãos, alimento da mente, fonte de sabedoria.


O vinho é travo, estalido de língua, sabor à comida, asas no espírito.


Enquanto aquele é útil, melhora.


Este por vezes deixa sequelas, provoca mossas porque fomenta o impulso da paragem difícil.


Na década de 2020, que ainda tarda, calcorreando as velhas ruas do burgo, e as novas avenidas abertas no impossível, saborearemos em viagens da memória o vinho proibido e cantaremos os livros de estórias mágicas e distantes.

 

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Para já sugiro que travemos a pressa dos anos.


Por isso convido-te uma destas noites veraniegas, a afagares um livro, poisando os olhos nas palavras e a escorropichares o espirituoso, que acompanha esta prosa apoetada, nascido em terras bretãs, a deglutir geladinho, que te fará gostosos picos no nariz e te amainará a sede quando passada a garganta, se espalhar pelo corpo todo.


 

Um grande abraço.

 

 

António Roque

 


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publicado por Fer.Ribeiro às 12:00
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Segunda-feira, 26 de Julho de 2010

Crónicas Segundárias - Aldeia ou Cidade?

 

 

 

 

 

 

Aldeia ou Cidade?


 

Uma vez, em Montalegre, assisti a uma discussão entre um local e um emigrante local. Dizia o local que preferia Montalegre a Paris e que não trocava 1000 euros em Montalegre por 2000 em Paris.


Este é o tipo de discussões malucas a que se podem assistir nos cafés da nossa região. Mas há pessoas que acham que isto não é uma discussão, elas têm a certeza que Montalegre (ou qualquer aldeola de Chaves, ou mesmo Chaves) é melhor do que Paris.


Lembrei-me disto porque num post atrasado, alguém comentou:


...que raio de país é este que atira para o abandono a sua metade mais interior?
para quê? para juntar aos magotes gente que perde na qualidade de vida?...


Parece-me que o comentador também pensa que se vive melhor no interior.


Sinceramente, eu acho piada como é que alguém pode comparar Montalegre com Paris, ou tirar conclusões fáceis sobre a qualidade de vida ser superior numa aldeia de Chaves quando comparada com a de uma grande cidade.


Como é que se compara Montalegre a Paris? É melhor em quê? Os ares são mais puros? São. Há menos barulho? Há. Não há confusões com trânsito nem se perdem horas a chegar a casa? Sim. Arranja-se melhor fumeiro em Montalegre? Claro. Não há tanta gatunagem e se houver algum artista armado em carteirista um gajo manda-lhe logo dois murros nos cornos que ele não volta a tentar a brincadeira e fica logo "marcado"? É verdade.


E o resto? Para que é que um gajo quer os 1000 euros em Montalegre? Gasta-os onde? Há um cinema em Montalegre para um gajo se entreter? Não? Em Paris? Centenas. Bares para um gajo ir beber um copo? Em Montalegre?! Só no verão, no inverno está tudo às moscas, um gajo vai tomar um café e vê os mesmos dois ou três gatos pingados do costume para depois ter que ir para casa desconsolado ver a televisão. E teatros, exposições, museus, e música ao vivo, que é que há disso em Montalegre? Nada, nadinha, um gajo morre de tédio. Então não será melhor ter 2000 euros no bolso em Paris para ter essas coisas às dezenas e diariamente?


Não tenho resposta para esta pergunta nem me meto em discussões destas, acho que cada um deve escolher o estilo de vida que gosta. Quem quiser ar puro, bom fumeiro, e sossego, vai para a aldeia, quem gosta da confusão e de uma vida com mais estímulos deve ir para a cidade.


Eu nem acho que as pessoas façam estas escolhas de uma maneira assim tão simples. É evidente que quem nasce numa aldeia está habituado à vida sossegada e mete-lhe impressão a confusão. O mesmo se passa com alguém da cidade que experimenta a aldeia, fica stressado por não ter nada que fazer. Uma pessoa que viva na aldeia não muda, de repente, para a cidade porque lhe apeteça ir ao cinema todas as semanas.


O que se passa é que hoje em dia as pessoas têm uma grande mobilidade e é muito fácil experimentar ir viver noutros sítios, especialmente se são obrigadas, como os nossos adolescentes, a irem estudar para as cidades ou a buscar trabalhos em áreas que não existem no interior.


E depois de lá estarem, depois de passarem por aquele período em que não gostam mas que têm que gramar, adaptam-se e já não querem regressar à aldeia. Claro que não são todos, há muitos que querem regressar e que o fazem. Mas não me admiro de que haja muitos mais que não queiram regressar. Os ares puros? Oh, que se lixe! O bom fumeiro e o folar? Isso arranja-se aquando de uma visita à família. Perdem-se umas coisas boas mas ganham-se as outras que as cidades grandes têm para oferecer. O que é alguém, com 20 anos de idade, tem para se divertir num aldeia, ou mesmo numa cidade pequena como Chaves? Não tem muita coisa, especialmente a começar pelo entretenimento que está mais na moda: o engate.


Quem é que pode fazer companhia a um catraio que viva, por exemplo, em Samaiões, especialmente se este gosta de companhia com pernas bem feitas e cara bonita? Pouca gente, se calhar duas ou três catraias, que por azar, com apenas um bocadiiiiiinho de azar, já estão "controladas". Solução? Ir até Chaves, por exemplo. Mas a cidade não é muito grande, só há dois ou três bares que vão tendo gente ao fim de semana, porque se for numa noite de inverno e durante a semana não se vê uma alma a passear pela cidade. É por isso que eu não me admiro que se este catraio for estudar para o Porto ou para Lisboa nunca mais volte. É que se calhar o sexo também é um dos motivos da desertificação do interior, se calhar um dos motivos mais fortes. E as catraias são as que gostam mais das cidades, porque estas têm as lojas para elas irem, montras, têm mais gente, mais sofisticação, que são coisas que as mulheres gostam. Os rapazes até se aguentam melhor na aldeia, arranja-se umas pescarias e uma caçadas, mais umas futeboladas e uns copos e já está tudo bem. Ou estaria se depois se pudesse ir ao engate, ou só lavar as vistas. As raparigas é que preferem outras andanças que não as das aldeias. Claro que não são todas elas, mas são a maioria.


Pensem lá se não conhecem várias pessoas que saíram para fora e nunca mais voltaram porque acabaram por se casar por lá.


É nestas coisas que eu acho que também tem que se investir muito no interior: cultura e lazer. Há que fazer com que a nossa região seja mais atractiva para o pessoal novo. Não é só o trabalho que é importante. Há que investir na vida cultural, especialmente das pequenas cidades, que é para estas poderem ser centros de divertimento dos da cidade e dos que vivam nas aldeias ao lado.


É importante que as pessoas da região se possam juntar em eventos que lhes agradem. É que não é só o sossego que é atractivo, as pessoas também gostam de reboliço. E é bom que haja momentos em que as pessoas possam conhecer pessoas com modos de pensar parecidos e interesses em comum, o que são coisas difíceis de se encontrar se as pessoas viverem permanentemente nas aldeias. Se Chaves tiver eventos interessantes e com qualidade, haverá pessoas que vêm de Vila Pouca, de Montalegre, das aldeias, etc, para se juntar, conviver, e também para se namorar, porque não. Além de que isso também fará Chaves muito mais atractiva para quem vem de longe para trabalhar mas esteja indeciso em fixar-se na região.


E vós, que é que achais? Preferis a aldeia ou a cidade? Porquê? Que é que achais das actividades que há em Chaves? Chegam ou não são nada suficientes? Que ideias há para melhorar as coisas?


Até à próxima!

 

 

 


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publicado por Fer.Ribeiro às 17:55
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Fim do Jejum de Palavras

 

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Ok, quebro aqui o jejum de palavras, mesmo porque já estava a ficar com fome, mas ainda não é para hoje, pois nem há como quebrar o jejum com uma boa feijoada das quartas-feiras, servida num restaurante perto de si. Até lá, vamos ainda ter, para hoje, mais uma Crónica Segundária de António Chaves e amanhã, a Pedra de Toque de António Roque.

 

Pela minha parte, até à feijoada de quarta-feira.

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:37
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Domingo, 25 de Julho de 2010

Em jejum de palavras

 

 

 

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Sábado, 24 de Julho de 2010

Em jejum de palavras

 

 

 

 

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Sexta-feira, 23 de Julho de 2010

Discursos Sobre a Cidade - Chaves de Sacristia - Por Tupamaro

 

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“CHAVES  de  SACRISTIA”

 

 

Cidade de Chaves.


VILA que, já sendo Cidade, ainda assim a ouvia tratada pelos «antigos» da “MINHA ALDEIA”, pois vinham  dos últimos anos do século XIX e dos primeiros anos do século XX.


A «VILA», ou a «CIDADE» exercia um fascínio sobre as crianças lá do PoBo.


Do «Alto», do alto do CAMPO, ou da nossa varanda víamos bem “toda a cidade”.


Caída a noite, a nossa Aldeia e as nossas casas eram alumiadas pela luz das candeias, das lareiras; ou pela Lua, quando o céu deixava, ou pelos fachucos de palha; ou, ainda, pelos relâmpagos.


Caída a noite, a cidade ficava, salpicada de estrelas, a brilhar.


A «recta de Outeiro Juzão» era um dos nossos pontos de mira. Era a avenida de liberdade dos nossos sonhos quando “fôssemos grande”.


O automóvel ainda era uma raridade. E todo e qualquer «chòfere» que passasse na “Recta de Outeir’juzão” fazia roncar bem o seu carro, como a querer dizer a toda a gente do CAMPO DA RODA ………e da GRANGINHA que «Ele» ia ali. Para nós era sempre o carro do RAMBÓIA!

 

E imaginávamo-nos  quando «formos grande»,  a guiar um carro na Recta de Outeir’juzão e «fugir» mais depressa e a «roncar» com mais força do que o Rambóia!...


Vir à Cidade, pela mão dos primos  ou da Avó, era um dia de festa. Éramos vestido que nem um príncipe!


E, no Verão, a promessa de uma ida à Vila era garantia certa, para a família,  que aceitávamos dormir a sesta sem rabujar.


E havia sempre quem acompanhasse essa «saída» até às CARVALHAS.


Desciamos para o “Pedrete “ a dar saltos quase maiores do que os dos coelhos, por ali abundantes, assustados com o nosso contentamento.


Chegado à fronteira do «Treiladrão», entrávamos no território do “Monte da Forca”.


Era a vez de nós tomarmos a vez aos coelhos, e só à chegada à “Fonte Nova” é que conseguíamos sacudir o susto que o «……..ladrão» e o «………forca» nos tinham causado.


E, aqui, no Apeadeiro da Fonte Nova, começava, para nós, A CIDADE.


A D. Lucindinha recebia-nos com alegria e mimos. Demorávamo-nos aí mais um pouco se o comboio estivesse para chegar.


A D. Lucindinha vestia uma bata e pegava atempadamente numa bandeirola, ora verde, ora vermelha, enrolada num trocho redondo.


Cumprimentos cumpridos, guloseima «afinfada», descíamos por um caminho que nos fazia passar em frente à Pensão Reina. Atravessávamos o pontão do Ribelas e subíamos ao Postigo.


Aí, entrava-se nas ruas mais estreitas da Cidade, que mais estreitas nos pareciam com as pessoas que saíam à rua para nos ver e saudar. E a nossa sorte continuava porque um rebuçadito , uma amêndoa ou uma bolacha também apareciam, para nosso gosto.


Em duas ou três casas, para onde a Avó levava um raminho de salsa, uma tigela de marmelada e meia dúzia de ovos, demorávamos mais tempo. E, entre as conversas da Avó com as «pessoas amigas, da cidade», além de carinhosas palavras, calhavam-nos sempre um Pastel de Chaves, um «doce de champanhe», rebuçados e, às vezes, uma moeda luzidia de dois (2) tostões.


Pela fresquinha do fim do dia era o regresso.


A Avó fazia o «compasso» das visitas com tempo e horas para ficar cumprido «a modos que» chegássemos a casa a tempo e horas de tratar da ceia.


Na Fonte Nova , a paragem habitual para uns restos de conversa entre a D. Lucindinha e a Avó.


Devagar, lá se ia subindo o Monte da Forca. E devagar ia a Avó fazendo as recomendações e os louvores ao NETO da GRANGINHA.


A travessia do Pedrete dava para recuperar as energias gastas na subida do Monte da Forca e ganhar mais algumas para subir até às “Carvalhas”, passar pela “Casa Nova”, até se descansar no “Largo do Carvalho”, onde se contavam algumas das novidades, trazidas da Cidade, à Tia Aurora da Abobeleira, e  à Tia Maria do Campo, e se entregava o maço de cigarros ao sr. Petim.


Chegado a casa, demorávamos a escutar ou a entender o que nos diziam. Trazíamos connosco, cá dentro no pensamento e no coração, bolsos, sacos e seiras cheiinhos de fantasias, de interrogações e de certezas para quando fôssemos «grande».


A Cidade parecia-nos uma sacristia do céu.


E CHAVES, a maior terra do mundo e arredores.


O NETO DA GRANGINHA, ora avô, diz, por aqui, «ausente» porque se deve amar “A NOSSA TERRA”!


Oh! TERRA LINDA, ó TERRA AMADA!!!



Tupamaro

 


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Quinta-feira, 22 de Julho de 2010

As barragens do Tâmega

SESSÃO PÚBLICA

 

APRESENTAÇÃO DOS PARECERES ENVIADOS À APA NO ÂMBITO  DO ESTUDO DE IMPACTE AMBIENTAL DA CASCATA DO TÂMEGA

Chaves – 23 de Julho de 2010 – 20H30

 

 

 

 

 

As Juntas de Freguesia de Vidago, Anelhe, Arcossó e de Vilarinho das Paranheiras vão promover no próximo dia 23 de Julho, pelas 20h30, no Auditório do GATAT (Chaves), a apresentação dos pareceres enviados à APA (Agência Portuguesa do Ambiente) no âmbito do Estudo de Impacte Ambiental da cascata do Tâmega.

 

A iniciativa é aberta a todo o público em geral e em particular à população do Alto Tâmega e participarão nesta acção como oradores, António Luís Crespí (Prof. da UTAD e responsável pelo Jardim Botânico da UTAD), José Emanuel Queirós (especialista em Geomorfologia e fundador do Movimento Cidadania para o Desenvolvimento no Tâmega), Marco Fachada (Engº Florestal), Artur Cardoso (representante da Associação Pisão Loredo), João Branco (representante da Quercus, ANCN) e Amílcar Salgado (economista).

 

 

Organização:

 

Junta de Freguesia de Vidago

Junta de Freguesia de Anelhe

Junta de Freguesia de Arcossó

Junta de Freguesia de Vilarinho das Paranheiras

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Em jejum de palavras

 

 

 

 

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Quarta-feira, 21 de Julho de 2010

Em jejum de palavras

Cansado e farto, nos próximos dias vou-me remeter ao jejum das palavras.

 

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Terça-feira, 20 de Julho de 2010

Pedra de Toque - Os nossos Médicos de antigamente, por António Roque

 

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Os nossos Médicos de antigamente

 

 

 

 

O país transformou-se.


Chaves cresceu e a população aumentou significativamente.


Daquela cidade pequena, tranquila, onde o forasteiro era de imediato reconhecido, resta a natural saudade.


Há, mais ou menos quarenta/cinquenta anos, os cuidados médicos de saúde das gentes da terra e do concelho, estavam nas mãos de poucos clínicos, todos eles distintos, competentes e abnegados.


Hoje, e ainda bem que assim acontece, várias dezenas proliferaram, colocando o seu saber, as suas especialidades, os seus meios técnicos evoluídos – não tantos como seria de desejar – ao serviço das populações.


Parece-me, contudo, oportuno, aqui e agora, a recordação grata do trabalho prestado durante esses anos ao nosso povo, por um punhado de homens, que semearam saber, combateram a dor, minoraram o sofrimento, lutando pelo bem estar, em condições extremamente difíceis e de uma forma generosa, sempre amiga, carinhosa mesmo.


.

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Todos eles com raízes no nosso burgo ou na nossa região, desempenharam trabalho deveras meritório, como os doutores Mário Carneiro, Espírito Santo Esteves e Montalvão Machado, este ainda entre nós.


Outros, como o bom do Dr. João Morais, curador de tantas tísicas, e o Dr. Cipriano Costa, obreiro de “milagrosas” intervenções cirúrgicas, já infelizmente nos deixaram.


Por fim outros houve, imagens vivas nas nossas memórias, que pelas caminhadas difíceis que percorreram, entre montes e penhascos, pelo bem que espalharam, levando o alivio aos homens e mulheres da cidade e das aldeias, evoco-os com nostalgia e chamando assim à colação os nomes dos Drs. Figueiredo Fernandes, Alcino Morais e Teles Grilo.


Sem análises, sem meios sofisticados de diagnóstico, cuidavam os seus doentes, trabalhando incansavelmente, sempre com dedicação, com saber, com humanismo e com ternura.


Ao lembrá-los, ao enaltecer o seu esforço e o seu talento, pretendo somente deixar no papel um informal agradecimento, uma profunda, modesta mas sentida e respeitosa homenagem.

 

 

António Roque

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Segunda-feira, 19 de Julho de 2010

Crónicas Segundárias - Presunto a Chegar ao Osso

 

 

Presunto a Chegar ao Osso

Depois de ter escrito a última crónica num estado de ressaca, e em que metade dela nem foi escrita por mim, hoje volto ao tema do presunto. É só para acabar com a discussão do tema, embora não garanta que não volte a pegar nele.

 


Uma das coisas que mais gostei na crónica sobre o presunto e optimismo foi a participação dos comentadores, com quem tenho aprendido uma coisas. É que eu não sei grande coisa sobre o presunto, nem sobre o fumeiro, não sou produtor nem estou metido em politiquices que envolvam o assunto, limito-me a dar, aqui, a minha opinião. Claro que já matei uns recos e já ajudei na feitura destas coisas, calminha, já comi muitas arrobas de presunto, também não sou assim tão ignorante, mas não estou bem a par de certas coisas, só que como o pessoal que sabe do tema não se mete a escrever e a dar ideias eu venho aqui faze-lo.

  


Gostei de ler os comentários das pessoas que vivem (ou viveram) nos EUA e que disseram coisas como:

 

De Está muito bem:

 

 

Está muito bem, mas na costa leste dos EUA os portuguesinhos já podem comprar, e compram, há muitos anos, presunto português.

 
Presuntinho produzido ali ao lado, no Canadá, de acordo com os preceitos portugueses.

  
Logo, português e comercializado como tal!

  
Só aqui é que ninguém se "alembra" desses empreendedorismos.

 



E

 

 

De Julieta Carneiro Lopes:

 

Concordo que o porco e um animal essencial para o desenvolvimento da região de Chaves. O que falta ao nosso povo e inovaçao. Aqui em Nova York temos a venda presunto e fumeiro feito por métodos tradicionais, que não deixa nada a dever ao da região de Chaves. Uma das razoes que alguns dos produtos portugueses não tem grande saída no estrangeiro e que são oferecidos ao publico a preços muito baixos . O consumidor quase sempre associa preço com qualidade.


Eu não sabia que nos EUA havia esses produtos à venda, apesar de ter amigos no Canadá que me tinham contado que fazem, lá, a matança e fumeiro como se faz nas nossas terras. Não sabia é que estas coisas já eram comercializadas. Mas é natural que assim seja, se as pessoas sentem a falta deste produtos e se nós não os fazemos para exportar eles desenrascam-se. Bem, estou a falar de cor, não sei se será fácil exportar estes produtos para os EUA, não sei que tipo de taxas teriam que se pagar, etc. Mas sei que o presunto espanhol se vende pelo mundo fora e por isso penso que nós não vendemos também porque não nos metemos no negócio.

 


Há outros comentadores que duvidam que um porco dê lucro de 1300 euros, que lhes parece muito. Eu já disse obtive a informação de fonte credível. E há outro comentador que disse:

 

De ricardo:

 

isto é tudo muito giro, mas também falta dizer uma coisa: lei da oferta e da procura.

 
António Chaves, se por acaso toda a gente em Barroso se pusesse assim a criar porcos, nunca mais na vida iam fazer 1300 euros por cabeça. quanto mais carne houvesse no mercado, mais baixos seriam os preços. e depois a qualidade ressentia-se. quando todos se poem a fazer a mesma coisa, uns fazem bem e outros nem por isso, armados em xico espertos e lá se ia a fama do presunto de chaves.
mas é bom sonhar...é preciso é ter ideias! muitas ideias!!

A este último comentário, respondi assim:

Só para teres uma ideia, vou mandar-te um link onde podes saber que a Espanha produz um total de 41.527.500 de patas, incluindo as da frente, mas se contar-mos só os presuntos são cerca de 40 milhões.

O que me parece dos comentários, em que se desconfia que um porco possa dar 1300 euros limpos de lucro e de que se houver muitas pessoas a fazer presunto o negócio acaba, é que eles revelam a nossa falta de iniciativa e o medo de nos metermos nos negócios (sem ofensas aos comentadores).

  
Mas a prova mais que provada de que as pessoas não têm iniciativa nem visão comercial, aliás, têm uma coisa que se pode chamar visão comercial negativa, ou seja, acreditam e teimam em perder dinheiro, é uma coisa que se pode encontrar no site da Câmara de Montalegre e que conta um bocadinho a história da feira do fumeiro. Vou pôr aqui um bocadinho para vocês apreciarem:

A Feira do Fumeiro e Presunto de Barroso é o maior cartaz turístico e cultural do concelho de Montalegre. Nasceu, timidamente, em 1992.

O certame é organizado pela Câmara Municipal de Montalegre desde o seu arranque. Porém, desde 2002 que a organização é feita em conjunto com a Associação dos Produtores de Fumeiro da Terra Fria Barrosã.

 

Na primeira edição, o evento contou com 35 produtores e 1.226 kg de produto vendido. Nesse ano, em 1992, visitaram a vila de Montalegre 2.500 pessoas.

 

Estava dado o mote. Todavia, o início foi muito difícil. Tudo porque, tradicionalmente, só os “pobres” vendiam os presuntos e as chouriças produzidas em casa, na maioria das vezes de forma escondida. Os produtores que poderiam dispensar fumeiro para venda sentiam-se envergonhados em fazê-lo publicamente. Estrategicamente, a Comissão Organizadora redesenhou um novo modelo do projecto: ia a casa dos produtores buscar os produtos que eram pesados e preçados, vendia-os sem referência ao nome do seu produtor, apenas com um código que só ela própria conhecia e, posteriormente, entregava ao produtor o dinheiro resultante da venda.

 

Este modelo vingou durante os dois primeiros anos. A partir do terceiro ano alguns produtores começaram a permitir que o seu nome fosse colocado nos rótulos dos produtos.

 

Contudo, a partir do quinto ano de edição alguns produtores mostraram-se disponíveis para estarem presentes na Feira do Fumeiro a fim de eles próprios venderem o seu fumeiro, ao mesmo tempo que, em espaço diferenciado, a Câmara de Montalegre continuava a vender o fumeiro daqueles que continuavam a não querer assumir a venda.

 

Só a partir do ano de 1999 foi possível organizar uma Feira do Fumeiro onde todos os produtores estivessem presentes.

 

A verdade é que desde a primeira edição, até à última, os valores de venda e de visitas tiveram uma subida quase exponencial. Por exemplo, na edição de 2006 a Feira do Fumeiro contou com 130 produtores, 65.000 kg de produto transaccionado e visitaram Montalegre mais de 65 mil pessoas.

 

Vá lá foda-se os barrosões, é preciso ser-se teimoso, só depois de 7 anos é que todos perderam a vergonha para aparecer numa feira a vender o fumeiro! (Isto não é para ofender nenhum barrosão, porque senão estou tramado, é que um gajo não se pode meter muito com eles senão vem-me já aí uma espera e alguma sacholada atrás da minha orelha. Calminha que eu tenho costados barrosões e tenho grande amor pelo Barroso!)

 


Lá está, as pessoas tinham vergonha de vender um dos melhores fumeiros do mundo. Isto mostra a falta de confiança nos produtos, ignorância sobre o que se faz no resto do mundo, e uma falta total de visão comercial. Se não fosse o pessoal da câmara a apertar com eles ainda hoje não se vendia fumeiro. É uma pena a câmara de Chaves ter andado atrasada, independentemente dos partidos que tenham lá estado. Parece que só agora estão a acordar.

 


É o que eu digo, é preciso convencer as pessoas a mudarem radicalmente a sua maneira de pensar, porque este é um bom negócio mas as pessoas não se querem convencer disso. Eu, no outro ano, ouvi ao vivo, nas feiras do fumeiro de Barroso, produtores que se escandalizam com os preços a que lhe obrigam a vender o fumeiro, que dizem ser muito caro! Eu só me apetecia rir com a bondade e a simplicidade deles. É que há aí produtos industriais espanhóis, que nem se comparam com os nossos, a serem vendidos muito mais caros.

 


Ah, houve houve outro comentador que me pôs o preço do presunto de Chaves no Continente, nem sei quem o faz, e que se vende lá a 39 euros o quilo. Fui ver os preços dos outros e descobri que há um presunto pata negra que se vende a 157 euros o quilo! Gostava de ver a cara de alguns produtores de Barroso ao saber esta...

 


Por estas coisas todas, vamos lá pessoal, vamo-nos dedicar mais ao presunto e ao fumeiro, é um negócio altamente lucrativo e há muito mercado para explorar. Os 130 produtores de Montalegre, mesmo que tenham uma média de 10 porcos, fazem menos do que 3000 presuntos para venda, os espanhóis fazem 40 milhões.

 


Vamos lá, mãos à obra, é que o Fernando já anda aí todo triste, diz que já nem sabe o que há-se dizer, que as aldeias estão a ficar desertas e que ninguém faz nada. Deixai de emigrar para Franças e Suiças para ir ganhar uns mil e tais euros, olhai que o negócio dos porcos dá mais nota do que isso.


Até à próxima!

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