Domingo, 31 de Outubro de 2010

Feira dos Santos 2010 - Uma voltinha

 

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Costumo dizer que no sangue de um flaviense corre sempre um bocadinho do Rio Tâmega, um pouco de nevoeiro, um pedaço de Ponte Romana, recordações das Freiras mas também a Feira dos Santos, a nossa festa grande. Lamentos à parte, pois esses já os fiz na quarta-feira passada, vamos então dar uma volta pela festa deste ano, apenas ou quase só em imagem.

 

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São sem dúvida imagens que se repetem todos os anos, não fossem os Santos uma festa de tradição, mas, tal como a Ponte Romana, é sempre com gosto que fotografamos a feira.

 

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Mesmo com o tempo a contrariar a festa, não há flaviense que resista e lá temos que dar as nossas voltinhas, rua cima, rua abaixo, com mais ou menos gente – vamos sempre lá.

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Apreciamos as modas, e deita-se olho a tudo, até a instrumentos cuja escrita desconhecemos, mas não deixamos de os apreciar, até com um sorrisinho malandro.

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Chaves também já há muito ganhou fama pelo seu presunto, e na ausência do verdadeiro presunto de Chaves, os espanhóis não se fazem rogados e se não o vendem, sorteiam-no. Afinal de contas, agora, também Chaves-Verin é uma euro-cidade e se pela manhã se fez o festival gastronómico do polvo à galega, porque não os espanhóis venderem por cá o seu presunto… temos pena, mas não há outro.

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E viva a pimbalhada, que também faz parte da festa. Aliás bombos e concertinas sempre fizeram parte da Feira dos Santos e também gostamos de os ver e ouvir e, se na animação também há lamentos, não é por causa dos bombos e concertinas descerem à cidade, mas pela ausência de outra animação em paralelo, principalmente ao nível de espectáculos para os nossos jovens, tal como nós os mais crescidinhos tínhamos os famosos e saudosos bailes dos Santos nos Bombeiros.

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Mas vamos à feira e se não compramos, pelo menos apreciamos. Não deixamos de deitar olho a um ou outro monumento que vai passando mas também a penteados mais esquisitos…

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E então o cheirinho a castanha assada…mas melhor que cheirar, é mesmo comer. Penso que toda a gente gosta, mas se não gostar, também há farturas com fartura.

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Mas a festa não é igual para todos e se há quem compre, tem que haver quem venda e se para nós até pode ser uma diversão, principalmente para as crianças, para os vendedores e também as suas crianças, a diversão é bem diferente…

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Mas enfim, também nos dias da feira a noite acaba por cair e com compras ou sem compras, um bocadinho de casa começa a apetecer.

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:30
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Sábado, 30 de Outubro de 2010

Outeiro Seco - Aldeia e Freguesia

 

Finalmente vamos até Outeiro Seco, mas hoje, ao contrário do habitual e devido a limitações impostas pelo SAPO, os post será composto de três partes, e em três posts.


 

I PARTE


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Abordar Outeiro Seco é complicado e pelas mais variadas razões, começando logo pelo seu ser como aldeia, a aldeia típica transmontana que embora ainda o seja com toda a sua beleza e tipicidade, já há muito que não o é, pois nela estão implantados equipamentos urbanos próprios das cidades e dos seus arredores, afinal, arredores nos quais está integrada Outeiro Seco, dando mesmo, nesta década, origem a uma freguesia urbana saída do seu território.

 

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Talvez daí Outeiro Seco assumir em placa na sua entrada da aldeia, a TRADIÇÃO e a MODERNIDADE,  que embora não se conjuguem lá muito bem também não se querem de costas voltadas e, podem ser até boas amigas, um pouco como, teoricamente, acontece ou deveria acontecer nas relações da cidade com o mundo rural, pois a não serem amigas corre-se o risco de a MODERNIDADE ser uma feroz inimiga da TRADIÇÃO podendo mesmo acabar com ela.

 

Durante estes anos de blog andei também a tentar descobrir e compreender a tal TRADIÇÃO de Outeiro Seco e onde ela se conjuga ou não com a MODERNIDADE. Quanto à MODERNIDADE, não tenho dúvidas, ela é bem visível, como aliás o é sempre e, nem sempre pelas melhores razões.

 

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Quanto à TRADIÇÃO, aí a coisa já pia mais fino, pois TRADIÇÃO é uma palavra muito complexa que não pode ser usada levianamente porque a ela estão sempre associadas raízes profundas onde quase sempre o preservar é muito mais importante que modernizar e, quando se moderniza, deve-se ter o cuidado de como se moderniza tendo em conta uma modernização sustentada sempre atenta à preservação da TRADIÇÃO…mas isto são outros assuntos, porque eles até nem se aplicam a Outeiro Seco. Não quero com isto dizer que Outeiro Seco não tenha as suas tradições e muito


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menos a MODERNIDADE, porque as tem, mas embora as tenha, parecem ser indiferentes uma à outra e, assim, entendo eu que estou de fora e não falo com o coração, a placa de entrada onde se lê TRADIÇÃO e MODERNIDADE deve ser lida como se lê um cartaz a anunciar um jogo de futebol dentre duas equipas, em que cada uma faz o seu jogo no campo e tenta ganhar à equipa adversária, onde, quase sempre ganha a mais forte, a que tem mais dinheiro, a que tem melhores jogadores e sabe jogar dentro e fora do campo sem olhar a meios para atingir a vitória, com ou sem fruta.

 

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Postas as coisas em termos futebolísticos, neste encontro travado no campo de Outeiro Seco entre a TRADIÇÃO e a MODERNIDADE, a segunda, a equipa visitante, parece estar a dar uma cabazada à TRADIÇÃO, assistindo esta, apática, a todas as jogadas da MODERNIDADE, prostrada e sem qualquer reacção. Indiferente, ou se não o é, parece.

 

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TRADIÇÃO e MODERNIDADE - Aquilo que se vê.


 

Primeiro a cidade entra pelo território de Outeiro Seco quase sem pedir autorização e a solução, em vez de Outeiro Seco reivindicar e se assumir como uma grande freguesia urbana, um autêntico braço direito da cidade, cede parte do seu território para uma nova freguesia, ou seja, fechou-se no seu núcleo tradicional de aldeia provinciana, na aldeia de sempre, e afasta-se da cidade, embora pareça que a TRADIÇÃO ficou a ganhar, foi a MODERNIDADE que ganhou uma freguesia roubando território à TRADIÇÃO. Em suma o resultado do jogo inicia-se com: TRADIÇÃO - 0  *  MODERNIDADE - 1.

 

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Mas vamos por partes e deixemos a MODERNIDADE para o final. Vamos para a TRADIÇÃO, para Outeiro Seco aldeia fechada no seu núcleo, para os seus valores como aldeia, começando pela sua história, bem remota por sinal.

 

 

Um pouco da história mais antiga

 

Há historiadores que defende que na época do Império Romano, a cidade de Aquae Flaviae se poderia estender até às actuais terras de Outeiro Seco.


Os inúmeros vestígios romanos podem confirmar essa teoria, como a ara (com data provável o Sec. II)  já atrás referida, mas também os fornos de fabrico de material cerâmico para construção. Com a descoberta destes fornos, poder-se-á pensar mesmo (sou eu a deduzir) que Outeiro Seco poderia funcionar como a zona industrial Romana da cidade de Aquae Flaviae, onde, também se acredita que tivessem existido explorações mineiras de ouro, pelo menos a julgar por notícias relacionadas com o lugar de Lagares, que para isso apontam.

 

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Mas o povoamento de Outeiro Seco será muito anterior ao povoamento Romano, pois graças as suas óptimas condições de terras planas e de veiga fértil, a julgar por achados arqueológicos, terão atraído às suas terras povoados pelo menos desde uma fase final da Pré-história, dos primórdios da metalurgia, remontando ao III milénio A.C.


O Castro de Santana, por outro lado, aparece como arrolado a um povoado fortificado  da idade do Ferro.


Quanto às origens paroquiais  de S.Miguel de Outeiro Seco, estas remontarão à época pré-nacional . Nas inquisições dos reinados de D.Afonso II e III (1220 e 1258), no Julgado de Chaves, existiam separadamente as freguesias de Outeiro Seco e Santa Maria da Azinheira.

 

Ao contrários dos tempos actuais, há séculos, Outeiro Seco integrou nas suas terras esta freguesia de Santa Maria da Azinheira, na qual está implantada a Igreja da Senhora da Azinheira.


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De data muito mais recente, testemunhei a existência em duas casas, uma no Largo da Mesa de Pedra e outra junto ao cruzeiro do Solar dos Montalvões (actualmente em obras – a casa, infelizmente não é o solar)  de figuras gravadas na pedra das construções com representação de animais e outras figuras (um burro ou coisa parecida, uma pomba ou outra qualquer ave, bolas e duas chaves, umas rosetas,  um arranjo floral, uma máscara ou rosto e outras figuras de animais e escudos). Parece tratar-se de um possível e também importante povoado de uma comunidade judaica.

 

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Junto da casa onde funcionou em tempos passados o Julgado de Paz e em frente a uma das atrás referenciadas no capítulo anterior, existe uma mesa de pedra que parece ter tido também funções históricas e à qual o povo dedica uns versos:


Adeus ó pedra de mesa,
Do Bairrinho do Pontão,
Onde se faziam audiências,
Donde se concedeu algo de perdão.

 

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Perdão esse, que também parece estar associado a quem atingisse a entrada principal do Solar dos Montalvões, e neste, não só o perdão, mas também o matar de muita fome a gentes do povo, pelo menos é o que consta nas conversas que tivemos com gentes de outeiro Seco e confirmadas pelo meu cicerone Carlos Félix e também por Berto Alferes nalgumas contribuições que tem feito no seu blog e para o Blog das Velharias, que à frente referenciaremos. Mas antes, vamos às Igrejas e Capelas de Outeiro Seco.



As Igrejas e Capelas

 

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A Igreja Românica da Senhora da Azinheira é sem dúvida alguma o ex-líbris da aldeia de Outeiro Seco, mas também da freguesia e uma referência para o concelho e para a região, sendo também uma referência do Românico no Norte de Portugal e Galiza. Monumento românico do século XII ou XIII (diferem as opiniões ao respeito), classificada como “Imóvel de Interesse Público” desde 1938, devendo-se ao Prof. Virgílio Correia a sua valorização como uma esplêndida obra de arte, através de uma minuciosa descrição feita em 1924, na obra “Monumentos e Esculturas”. No seu interior está decorada, nas duas paredes laterais, com valiosos frescos quinhentistas, embora algo degradados. Bons dias se poderão aproximar para este templo do românico com a recente notícia de ser um dos templos do românico contemplados com obras de restauro com base num protocolo assinado entre o nosso Governo, o Governo Galego e a Iberdrola (a tal das barragens do Tâmega – ninguém dá nada de borla).

 

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Da Igreja da Senhora da Azinheira, um belíssimo exemplar da arte românica,  só temos pena que ela não esteja com as portas abertas ao público para turista ou passante interessado poder visitar e valorizar. Talvez, fica a dica, pedindo ao Centro de Emprego (penso que existem programas para tal), pudessem dispensar um dos seus desempregados para abrir, guardar e fechar portas diariamente. Era uma mais-valia para a TRADIÇÃO de Outeiro Seco e para o turismo religioso de fronteira, que curiosamente este fim-de-semana até tem Jornadas marcadas para Chaves.

 

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No centro da aldeia encontra-se a Igreja Paroquial de construção em estilo barroco e de devoção a S. Miguel, o orágo da freguesia.. A igreja possui um belo retábulo também barroco em talha dourada, sendo nela que se realizam todas as cerimónias religiosas da freguesia.

 

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A Capela de Stª Ana, construída em cima de um altar rupestre, à qual está associada uma interessante lenda. Conta a mesma que a imagem de Santa Ana apareceu em cima do altar rupestre. A população conduziu a imagem para a Igreja românica que lhe fica em frente. Porém, a imagem misteriosamente, voltou para a fraga, com a face voltada para o pôr-do-sol. Vieram romeiros e a imagem era recolocada na Igreja românica, toda enfeitada de flores, mas ela voltava sempre à fraga. Então a população construiu-lhe uma capelinha nesse local que tomou o nome de Monte de Santa Ana.  Desde então, nas procissões de 8 de Setembro, dia da festa da Senhora da Azinheira (esta sim de grande TRADIÇÃO), ela desfila no seu andor, oferta das mães de Outeiro Seco que a tomaram como protectora.

 

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A Capela da Senhora do Rosário, no centro da aldeia, na qual está depositada uma ara romana, segundo se julga, dedicada por Caio Fuscus ao Deus Hermes Eidevoro, oferecida pelo êxito do espectáculo de gladiadores. Também a esta ara está associada uma lenda. Diz ela que a ara apareceu em tempos remotos no cimo das águas que inundaram a aldeia na consequência de uma forte trovoada. A ara foi recolhida e, para além do seu valor histórico, passou a ser também um escudo protector contra os malefícios das trovoadas.

 

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A Capela de Nossa Senhora da Portela, na extremidade Norte da aldeia, do século XVII ou XVIII, onde está sepultado o Capitão de Cavalos José Álvares Ferreira e possui um interessante cruzeiro no seu adro. Pena que por parte das empresas que procedem a colocação dos postes de electricidade e respectivos cabos não haja o cuidado e gosto de afastar estas infra-estruturas das capelas e outros pontos de interesse, pois conseguir uma foto desta capela sem os malditos postes ou cabos da MODERNIDADE é quase missão impossível.

 

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A Capela de Santa Rita, integrada no Solar dos Montalvões e da qual hoje praticamente só resta a fachada, pois o interior foi vandalizado, é outra que, mesmo assim, merece uma visita (infelizmente apenas à fachada).

 

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Sem dúvida alguma que Outeiro Seco possui um importante património religioso de Igrejas e Capelas, como também de peças de arte sacra (santos) desses mesmos templos, para além de uma interessantíssima Via Sacra que prolonga as suas cruzes muito além da aldeia e também dois cruzeiros. Mas no que respeita aos santos, espante-se, alguém mandou retirar os santos das respectivas capelas e reuni-los a todos na Igreja Paroquial. Ao que apurei, a razão de tal (julga-se) prende-se com o medo dos santos serem roubados das respectivas capelas.

 

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Se a razão até pode ser aceitável também se corre o risco de num roubo, só de uma vez, levarem todos os santos da freguesia, pois tal como as Capelas, também a Igreja Paroquial pode ser vitima de um assalto. Por outro lado, as capelas sem os respectivos santos, perdem todo o seu interesse e até religiosidade ou devoção, pois para ser capela ou igreja, não bastam as suas paredes. Até dá para dizer que capelas sem santos, são como uma procissão sem andores…e já que não os ai, também sem povo para ajoelhar. Mas se há gente de Outeiro Seco que até se conforma com a decisão, há também que não se conforme com tal. Uma dessas pessoas é Berto Alferes que denuncia o caso numa interessante publicação intitulada “Altares Vazios…” onde além

 

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da denúncia e outros assuntos, é também um autêntico trabalho de investigação à procura dos Santos, sinos, vestes e outros da freguesia, que ele consegue descobrir e fotografar, reproduzindo-as nesta publicação. Publicação essa, edição de autor (ou de blog), que era oferecida a troco de um donativo de 5€ para a AMA – Associação Mãos Amigas de Outeiro Seco. Se a ideia e atitude do autor é de louvar e elogiar, já não o é a atitude do “poder instituído” e não instituído de Outeiro Seco, pois à boa maneira de antigamente, “censurou” a publicação, não permitindo que nas suas instalações e instalações que controlam, a publicação pudesse ser oferecida a troco do respectivo donativo.

 

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Felizmente, através de mãos amigas, consegui um exemplar, contribuído também com os 5 € para a AMA, mas ganhando uma publicação, ainda por cima de tiragem reduzida (apenas 100 exemplares) que conta e reúne em fotografia toda a história religiosa de Outeiro Seco, um valioso documento. Toda a história desta publicação é contada no Blog Outeiro Seco aqi, mas também contada por aí…, a quem não achou piada aos acontecimentos (e não me refiro ao autor). Esta cidade é uma aldeia e tudo se sabe! Temos pena, que em pleno Séc. XXI, já com trinta e poucos anos de democracia, ainda se continuem a praticar actos do antigamente em que a liberdade de expressão e opinião, democraticamente, ainda seja censurada.

 

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Mas vamos continuar com aquilo que Outeiro Seco tem de melhor, ou tinha, com um daqueles que foi o seu património civil e arquitectónico mais valioso e que a par da Igreja Românica da Senhora da Azinheira, é(ra) também um dos seus ex-líbris – o Solar dos Montalvões.

 

Já a seguir, a II PARTE.

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:57
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Outeiro Seco - Aldeia e Freguesia - II Parte

II PARTE

 

O Solar dos Montalvões

 

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Imagem retirada do blog de Luís Montalvão

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Com uma longa e rica história ligada a Outeiro Seco e a um ramo da família Montalvão, apresenta-se hoje triste, moribundo e quase em total ruína. É mais uma história que inevitavelmente também está ligada à MODERNIDADE, pois o seu declínio começa com a aquisição por parte da Câmara Municipal de Chaves, com boas intenções, mas quando os esforços desta, apoiados pela cidade (leia-se cidadãos e um povo fácil de iludir) estavam postos no futebol e nos negócios do betão que o envolviam e subsidiavam, deixando irremediavelmente esquecida a luta de Chaves se poder afirmar

 

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Imagem de Arquivo com o Solar a Iniciar Ruina

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noutros campos e, assim, também o Solar e a Quinta dos Montalvões, que parece ter sido comprado com intenções nobres, depressa ficou no esquecimento e de fora dos planos de qualquer intervenção e qualquer futuro, pelo menos a julgar pelo que lhe tem acontecido desde que foi vendido pela família Montalvão. Mas bem pior que isso, é que se perdeu um solar e o seu espólio – principalmente o da sua biblioteca, um “museu” e a sua capela que além de abandonada foi vandalizada ficando praticamente destruída, incluindo o altar e a sua talha, tal, afinal, como todo o Solar, hoje em ruínas, e como a sua quinta, hoje, uma autêntica lixeira a céu aberto.

 

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Também aqui a TRADIÇÃO (recorrendo de novo aos termos futebolísticos) levou logo com uma cabazada de 6 ou 7 “frangos” seguidos, com essa cedência (e permissão) dos seus terrenos para depósitos de lixos, escombros, entulhos… E isto não é inventar, pois está à vista de todos entre as ruínas do Solar e a Escola de Enfermagem, hoje, graças a Deus (é sempre a Deus que se dão as graças), também pólo da UTAD.

 

Teria ficado bem a Outeiro Seco, às suas gentes mas sobretudo aos seus representantes, já que a Câmara Municipal nunca o fez, ter preservado ou pugnar pela preservação deste solar, mas infelizmente, ao que apurei, tal nunca aconteceu e a pouca intervenção que houve, até foi para destruir ou construir-se o que não devia… está à vista.

 

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Claro que estou a falar do solar de hoje ou daquilo que resta dele, pois quanto ao Solar tal como existiu nos seus anos de Solar, com gente dentro da Família Montalvão, um dos seus descendentes vai contado (com pena sentida) toda a sua história feita com pequenas estórias publicadas no seu blog. É caso para dizer que do Solar dos Montalvões quase e só resta a sua história e as estórias nele vividas. É ao seu blog e palavras que recorro agora para deixar aqui, pelo menos, a descrição do Solar tal como ele existiu nos seus melhores tempos, nos quais até a primeira dama Madame Carmona era visita:

 

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Imagem de Arquivo com o Solar a Iniciar Ruina

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01 - LOJA - Destinada inicialmente a cavalos. Havia baias em pedra e aros de ferro para prender os mesmos.

02 - LOJA - Havia 3 tulhas para cereais. Urna grande, para centeio. Duas mais pequenas, para trigo.

03 – CAPELA.

04 – ADEGA

05 - BICA
06 - LOJA - Pequena loja que servia para criar coelhos.
07 - LOJA - Loja inicialmente para acolher cavalos. Era agora preparada para armazenar batata.

 

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08 - ADEGA
08a- LOJA - Destinada a guardar baratas ou galinhas.
09 - LOJA - Destinada a guardar galinhas e patos.
10 - PÁTIO PEQUENO
11 - LOJA - Em destinada a porcos. No meio, havia uma enorme pia de granito, que servia para os porcos comerem, a comida que era deitada do andar de cima, por um alçapão aberto no chão da cozinha.
12 - LOJA - Destinada aos porcos. Tinha também uma pia de granito por baixo de outro alçapão.
13 - LOJA
14 – ADEGA

 

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15 - LOJA - Para esta loja, davam as 2 retretes do andar superior. O chão, estava cheio de palha, que era substituída regularmente.
17 - BICA
18 - JARDIM
19 - BALCÃO

20/21 - CASAS DE BANHO
22 - CORREDOR
23 - QUARTO DA MIMI –

 

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24 - QUARTO DOS AVÓS - Para entrar neste quarto, tinha de se subir um degrau. Na parede que dava para a sala de jantar, havia uma «roda», que talvez tivesse servido para passar comida da sala de jantar para este quarto. Nessa época estava desactivada.
25 - SALA POLlVALENTE
26 - SALA DE JANTAR -
27 - TRÊS DEGRAUS - Para passar à cozinha, tinha de subir-se três degraus.
28 - COZINHA - Era o maior compartimento da casa, dividido em duas partes. Uma parte, com o chão lajeado a granito, a outra parte com o chão a madeira. A parte lajeada tinha a grande lareira, ladeada por dois escanos.

 

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29 - 30 - QUARTOS - Eram quartos das empregadas
31 - ARRUMAÇÃO - Era utilizado como quarto das empregadas e servia ao mesmo tempo de arrecadação. Antes de um grande incêndio, tinha um outro andar que ardeu completamente, nunca mais sendo reconstruído.
32 -CORREDOR - Fazia a ligação com a parte nobre da casa
33 - QUARTO DO LILI
34 - ARMÁRIO NA PAREDE - Mesmo em frente á porta do quarto do Lili,

 

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Este armário, tinha uma característica especial. Dava acesso a um quarto secreto, que pelo menos por uma vez salvou o Liberal Sampaio da prisão.
35 - VARANDA - Esta varanda, tinha vários escanos e bancos encostados à parede. Era também aqui que o feijão era seco ao sol e descascado.
36 - QUARTO
37 - QUARTO DAS ARMAS
38 - QUARTO PEQUENO

39 - QUARTO

 

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40 - QUARTO - com escadas que davam acesso ao andar superior.
41 - BIBLIOTECA

42 - SALA DE VlSITAS. Tinha um grande fogão de sala
43 - SALA D0 MUSEU - Era aqui, que estava previsto ser a entrada principal do Solar, pois, seria ligada ao pátio pequeno por escadaria, nunca terminada. No topo da sala, uma porta com dois degraus, ligava ao coro da capela. Era deste local , que os habitantes do solar assistiam aos Ofícios de Domingo.
44 - MIRANTE - Este acrescento, construído em madeira, foi mandado fazer por um dos Montalvões, para mais facilmente poder avistar os sinais feitos pela sua amada, moradora num solar vizinho
45 - SALA
46 - SALA
47 - SALA –

 

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ANEXOS

 

48 - CASA DO LAGAR
( a ) Loja onde eram engordados porcos
(b ) loja onde estava o lagar. Este era construído em granito da região, com grandes lajes maciças. A trave de madeira da prensa, dividia-o em duas partes iguais.
49 - PORTA DE ENTRADA LATERAL -Fazia a ligação do pátio grande com rua principal da aldeia.
49a- PORTA DE ENTRADA - Fazia a ligação do pátio grande com a rua principal da aldeia. Dava passagem a carros de bois carregados. Era protegida por um telheiro de 2 águas.
50 - TELHEIRO - Protegia um grande forno de cozer o pão. Este era feito de barro branco e tinha uma cruz gravada por cima da boca. Havia sempre muita lenha a secar.
51 - CASA DOS CASEIROS - LOJA - Tinha um grande forno de cozer o pão. Servia também para guardar madeira serrada e rachas de pinho para os fogões de ferro.
52 - CASA DOS CASEIROS - LOJA - Era a segunda loja dos coelhos.
53 - CASA DOS CASEIROS - LOJA - Esta loja era aproveitada para engordar porcos.
54 - CASA DOS CASEIROS - ESCADA DE PEDRA - Dava acesso ao primeiro andar.
55 - CASA DOS CASEIROS - ESPIGUEIROS - As paredes eram feitas de ripas de madeira. Depois da colheita do milho, ficavam cheios de espigas a secar.
56 - CASA DOS CASEIROS - SALA - Sala bastante ampla, com lareira para cozinhar e com duas janelas para a rua principal da aldeia. Esta sala, comunicava com dois quartos, cada um uma janela que dava para o pátio grande. Estes aposentos, eram ocupados pelos criados de lavoura.
57 - MIRANTE

58 - GARAGEM - Esta garagem ficava do outro lado da rua principal da Aldeia, em frente da CASA DOS CASEIROS.

 

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O Texto está disponível no blog de Luís Montalvão. Os desenhos das plantas e alçados são de autoria do Arquitecto Manuel Sousa Cardoso e a compilação dos dados são de José Manuel Montalvão Cunha. Tudo isto e muita mais história e estórias do Solar dos Montalvões estão no blog das velharias de Luís Montalvão em http://velhariasdoluis.blogspot.com/ ao qual recomendo uma visita.

 

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Estórias sobre a família Montalvão e Solar que curiosamente é também ajudada a ser feita ou a preservar por cidadãos anónimos de Outeiro Seco, despojados de outros interesses que não sejam os de contribuir para a história do Solar e também de Outeiro Seco. Cidadãos anónimos que no entanto têm nome como o Carlos Félix graças ao qual ainda hoje existem devidamente guardados os Santos da Capela do Solar e um excelente cicerone e conhecedor da história de Outeiro Seco, sempre pronta a partilhá-la com quem a solicite, bem como o Humberto Ferreira (Berto Alferes) na recolha de estórias e na defesa dos interesses do solar, das suas terras e também de Outeiro Seco, com recolha, informação e até denúncia que tão bem o tem feito em publicações de sua autoria, como também no seu blog Outeiro Seco Aqi - http://outeiroseco-aqi.blogs.sapo.pt/ ao qual recomendo uma visita, não só pelo que aqui foi dito ao seu respeito mas também pelas boas fotografias que vai apresentando e revelando um excelente fotógrafo.

 

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Em suma, sobre o Solar dos Montalvões, por aqui, é tudo, certo que o Solar as suas terras não mereciam o estado de abandono a que está dotado, com o edifício em ruínas e as terras a servirem de lixeira onde a custo, só o mato consegue romper, sem esquecer os atentados que lá se têm cometido como o soterrar dos milenares Lagares. É caso para perguntar – Então a TRADIÇÃO que se anuncia na entrada da aldeia não deveria ter entrado em acção neste solar? E a Junta de Freguesia que tem feito por ele? Será que por ser propriedade da Câmara Municipal a Junta de Freguesia se demite dos seus deveres de defender o património da aldeia? Pois uma coisa é a propriedade e outra é o património e esse, ninguém o tira a Outeiro Seco, mas também a nós, pois o património artístico, cultural, arquitectónico e religioso, afinal é de todos e daí, também é meu. Eis a razão destas palavras que pela certa não agradarão a que está envolvido na indiferença com que tem olhado para este solar. Mas adiante …

 

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E termino este lamento sobre o solar com um lamento (pela certa muito mais sentido) do Luís Montalvão, deixado no seu blog e na conclusão de um dos seus posts :

 

“Como conclusão, podemos arriscar que a sua morte [referindo-se ao “Montalvão Velho” (como era conhecido) – a nota é minha], em 1965, com 87 anos, é mais do que falecimento de um homem com uma existência feliz, marca também o fim de uma grande casa agrícola, cujo modo de produção e vivência vinha praticamente da Idade Média. O seu desaparecimento significou a partilha da grande propriedade e a venda do solar, que entrou numa triste e imparável ruína.”

 

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E fica a inevitável pergunta – Para quando uma solução e uma intervenção neste solar, enquanto ainda é possível recuperar alguma da sua memória?

 

E é precisamente nos terrenos da Quinta dos Montalvões que a MODERNIDADE entra mais uma vez em Outeiro Seco, com a Escola de Enfermagem, hoje também Pólo da UTAD.

 

Abordada que está a história e alguma da TRADIÇÃO de Outeiro seco, vamos então à MODERNIDADE.

 

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Escola de Enfermagem/Pólo da UTAD


 

Esta tem sido uma das bandeiras abanadas pela MODERNIDADE de Outeiro Seco, mas muito mal abanada, pois também aqui, mais uma vez, a vitória é da MODERNIDADE com a TRADIÇÃO a ficar de novo de lado ou esquecida, e temos pena.

 

Qualquer freguesia ou aldeia ficaria contente com uma instalação destas nas suas terras e qualquer aldeia ou freguesia tiraria dessa instalação o seu proveito, atrevo-me mesmo a dizer - o justo proveito. Tive esperanças que Outeiro Seco (núcleo) despertasse e ganhasse com este empreendimento e instalação do Ensino Superior nas suas terras, que se tornasse até numa aldeia universitária, atractiva para os estudantes e com toda a vida que eles lhes dão. Mas não, a Escola de Enfermagem, agora também Pólo da UTAD é um mundo à parte, fechado em que a aldeia de Outeiro Seco apenas lhe cedeu terreno para a construção e apenas serve de passagem entre Chaves e o agora Pólo Universitário. De quem é a culpa não o sei, apenas sei que Outeiro Seco e a sua população, até hoje, nada ganharam com esta escola e é pena, pois perdem todos os proveitos que as universidades costumam dar aos lugares. Pelo menos (coisa de nada - insignificante) poderia exigir que o espaço (da Quinta dos Montalvões) existente entre a aldeia e a Escola de Enfermagem/Pólo da UTAD, fosse limpo e no mínimo, beneficiar de algum arranjo paisagístico onde todos ficariam a ganhar, quer a aldeia quer os alunos universitários com uma zona de estar, nem que fosse e só para ser agradável à vista. Mas enfim, continua a ser um depósito de lixo, entulhos e mato, pouco digno como vizinho de uma aldeia e de um estabelecimento universitário.

 

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As Novas Vias e o Parque Empresarial

 

Tal como a Escola de Enfermagem/Pólo da UTAD, as novas vias e o Parque Empresarial só vieram roubar terrenos e território à freguesia, pois a freguesia nada tem ganho com este empreendimento, a não ser na venda de terrenos (mas que ficou sem eles) e num nó da auto-estrada. Fora isso, em nada consta que Outeiro Seco tivesse ganho o que quer que seja. Poderia talvez ganhar em postos de trabalho se houvesse empresas a funcionar no Parque Empresarial, mas sem empresas e toda uma plataforma logística onde só existem em instalações e nome, transformada hoje em “sexódromo” ou “sexometro” (como preferirem) onde se recomenda até à RESAT que coloque por lá um Ecoponto para recolha de papel e látex. Recomendações à parte, sem empresas não há postos de trabalho e, nas poucas que por lá há, não me consta que haja pessoas de Outeiro Seco a trabalhar.

 

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Com as novas vias por lá executadas, Outeiro Seco também em nada beneficia (excepção para os que utilizam a Auto-Estrada), pois as novas vias nada ligam e com uma delas, até se conseguiu destruir parte de uma estação arqueológica onde existiam uma série de fornos romanos, mas também aqui, a julgar pelo que aconteceu pelo Vale de Lagares e outros, o rico património arqueológico que Outeiro Seco possui, também tem sido vítima da MODERNIDADE. Já perdi a contagem dos golos marcados pela MODERNIDADE e a TRADIÇÃO ainda está a zeros.

 

 

Parque Empresarial que mais que um bem, tem sido um mal para Outeiro Seco, pelo menos em termos ambientais e agrícolas, conforme denúncias que chegam a este blog e que já mais que uma vez tive oportunidade de trazer aqui, como neste post: (http://chaves.blogs.sapo.pt/439286.html).

 

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Denúncias que também vão sendo feitas no Blog Outeiro Seco Aqi, e não é de estranhar, pois pasme-se, o parque empresarial não tem o efluente do seu saneamento básico ligado a qualquer rede pública, como também não tem nenhuma estação de tratamento, possuindo apenas uma fossa, que após a passagem do efluente o devolve à linha de água que vai desaguar ao Rio Tâmega. E se hoje com as poucas empresas que por lá existem já faz moça, imagine-se quando num hipotético futuro haja por lá empresas a funcionar a sério. Ao que sei, por Outeiro Seco desconhecem-se estes acontecimentos que ocorrem no seu território, salvo, claro, aqueles que são prejudicados directamente e que não calam a sua indignação, mas ao que também sei, ninguém lhes liga. Aqui a TRADIÇÃO leva outra cabazada monumental de uma MODERNIDADE fedorenta…

 

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Em suma, e no que respeita à MODERNIDADE, Outeiro Seco bem que a podia dispensar, pois só tem perdido com ela.

 

Esquecendo a MODERNIDADE e a TRADIÇÃO de Outeiro Seco, vamos à TRADIÇÃO deste blog trazer aqui as aldeias do concelho um mosaico de cada freguesia, que no caso, aldeia e freguesia, são a mesma coisa.

 

 

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E como, por razões alheias a feitura do blog, tenho de acelerar o encerramento dos posts dedicados às aldeias e freguesias, assim hoje este post funciona também como um dois-em-um, ou seja, vamos ter também aqui, o respectivo mosaico da freguesia, seguindo a sua habitual feitura, à excepção dos seus pontos de interesse, pois esses, na sua essência, já foram referidos.


 

Já a seguir, a III e última parte.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:50
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Outeiro Seco - Aldeia e Freguesia - III Parte - Mosaico da Freguesia

III e última parte


 

Mosaico da Freguesia de Outeiro Seco

 

 

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Localização:


Localiza-se em plena veiga de Chaves, a norte da cidade, na margem direita do Rio Tâmega.

 

Confrontações:


Confronta com as freguesias de Stª Cruz/Trindade, Sanjurge, Bustelo, Ervededo (num único ponto), Vilela Seca e Vilarelho da Raia. Confronta ainda com as freguesias de Vila Verde da Raia, Stº Estêvão e Faiões, nestas últimas, o Rio Tâmega serve de limite de freguesia.

 

Coordenadas: (Adro da Senhora da Azinheira)


41º 46’ 06.70”N

7º 27’ 02.62”W

 

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Altitude:


Variável – Entre os 349 e os 425m

 

Orago da freguesia:


S.Miguel

 

Área:


Lamento, mas não possuo dados da área actual, pois os que disponho são ainda antes de se ter criado a freguesia de Stª Cruz/Trindade, cuja área era de 16.15 km2

 

Povoações da freguesia:


- Outeiro Seco é a única povoação da freguesia

 

 

População Residente:


Em 1900 – 514 hab.

Em 1920 – 598 hab.

Em 1940 – 746 hab.

Em 1960 – 905 hab.

Em 1970 - 977 hab.

Em 1981 – 2059 hab.

Em 2001 – 3435 hab.

 

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Como é sabido os últimos Censos ainda contabilizaram a população residente da actual freguesia de Santa Cruz/Trindade, onde graças ao crescimento imobiliário de edifícios de habitação colectiva, todo um bairro para alojar retornados do ultramar e o vrescimento inevitável de Santa Cruz, fez disparar em flecha os números após o 25 de Abril de 1974. Estou em crer que o comportamento da população da actual freguesia de Outeiro Seco seguirá a tendência que se registou até aos Censos de 1970, mantendo uma subida ligeira da população, pois se por um lado Outeiro Seco núcleo (estou em crer) perdeu população, os dois grandes Loteamentos de S.Bernardino I e II compensam essa perda. Deduzo que actualmente a sua população residente pouco irá além do milhar de habitantes, mas os Censos que se aproximam de 2011 encarregar-se-ão de repor a verdade.

 

Em suma, também aqui a MODERNIDADE fez das suas, pois nos últimos Censos Outeiro Seco era a 2ª freguesia mais populosa do concelho, logo a seguir a Santa Maria Maior e muito além da freguesia da Madalena, pois então só tinha 2004 habitantes contra os 3435 de Outeiro Seco. No ranking de 2011, tento adivinhar que Outeiro Seco passará a ocupar a 7ª ou 8ª posição.

 

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Principal actividade:


De Outeiro Seco da TRADIÇÃO - a agricultura.

 

De Outeiro Seco da MODERNIDADE - a Indústria, os Serviços e o Ensino Superior. Infelizmente das actividades da MODERNIDADE, Outeiro Seco e a sua população não são parte interveniente das actividades desenvolvidas no seu território, estas, vivem à margem e apenas se servem do seu território para implantar as suas estruturas e edifícios, não só no novo Parque Empresarial, mas também (neste com alguma importância) a zona industrial que se desenvolve ao longo da estrada municipal de acesso a Vila Verde da Raia.

 

Em tempos, pelo menos que eu recorde, anos 60 e 70, uma das suas principais actividades era a produção de leite com o qual abasteciam a cidade com leite fresco do dia. Era sobejamente conhecido o transporte de leite pelas famosas Leiteiras de Outeiro Seco, em cântaros de inox com recurso a burros e que logo de manhã cedo se dirigiam à cidade para o distribuir porta a porta. Costuma-se dizer que o leite de Outeiro Seco criou muita boa gente da cidade. Eu, fui um dos que ainda bebeu muito desse leite que religiosamente me era deixado à porta aquando habitante da Estrada de Outeiro Seco. Também a MODERNIDADE veio por termo a esta actividade da freguesia e aldeia, principalmente a partir do momento em que o Leite começou a ser comercializado nos actuais pacotes de litro ultrapasteurizado (ou lá o que é) pela AGROS, ditando o início da “morte” das Leiteiras de Outeiro Seco. Seria bom e pela certa todos aplaudíamos, que a tão apregoada TRADIÇÃO de Outeiro Seco prestasse uma homenagem a essas Leiteiras, algumas ainda vivas e mães de muitos filhos de Outeiro Seco. Em vez de aceitarem o que ninguém aceitou para enfeitar uma rotunda, refiro-me ao túmulo da rotunda da Escola de Enfermagem, aquele que está encimado pelas Chaves de Chaves, ficaria bem melhor e seria bem mais digna, uma estátua ou monumento que reproduzisse as antigas leiteiras de Outeiro Seco. Seria uma justa homenagem às mulheres de Outeiro Seco, bem aceite e compreendida por todos os que fomos ajudados a criar com o seu leite como por todos os que se recordam delas. E tenho dito.

 

Ainda antes de terminar uma referência a uma colectividade de Outeiro Seco que não posso ignorar – A Banda Filarmónica de Outeiro Seco a qual já teve direito a um post neste blog. Assim, em vez de umas palavrinhas para a banda, deixo aqui o link para esse tal post:

 

http://chaves.blogs.sapo.pt/59979.html

 

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Fotografia de Arsénio Pinto

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Tenho consciência de que com o presente post não agradarei a todos os Outeirosecanos, mas já estou numa idade em que não tenho de agradar a todos e vou mais pelas verdades nuas e cruas. Já não ajoelho ao passar da procissão. Gosto da aldeia de Outeiro Seco, penso ser uma das aldeias mais interessantes da proximidade de Chaves, mas penso também que poderia ser muito mais interessante, mais cuidada (principalmente no seu património do casario tradicional do seu núcleo bem como o Solar e, já agora o meio ambiente), mais interessada no seu ser, sem actores “pavões” imitadores dos da cidade, daqueles que olham em frente e só vêem o seu umbigo. Sei também que existe uma grande dinâmica na aldeia, mas infelizmente também sei que está minada por alguns interesses de brilho pessoal e politiquices que em vez de ir ao encontro de uma desejável união e interesses da população, a afasta e cria atritos entre ela. Já sei que nada tenho a ver com o assunto, mas, como tenho alguns amigos em Outeiro Seco (suponho que também alguns menos amigos) sofro com eles o sofrimento de quererem uma aldeia de Outeiro Seco melhor e, bem o poderia ser, pelo menos aproveitando os trunfos que têm dado à freguesia e que mais nenhuma freguesia do concelho tem.


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E por hoje é mesmo tudo, deixo apenas, também como habitualmente, os links para os espaços na NET da freguesia, onde aquilo que acabei de dizer também se reflecte um pouco.


Por ordem alfabética por causa dos melindres:


Aldeia de Outeiro Seco - http://www.outeiroseco.com/ - Uma página interessante e bem estruturada. Penso que foi o primeiro espaço de Outeiro Seco a aparecer na NET. Não apurei a autoria, mas assina como Kostinha. Pena, como todas as páginas, ser tão estática, pois prometia se por lá houvesse vida diária.


Altino - Blog do Altino - Um blog politicamente correcto. O Blog do antigo presidente da Junta, e também o blog da TRADIÇÃO e MODERINADE, alinhado com o poder autárquico instituído onde tudo corre sempre bem por Outeiro Seco e, um verdadeiro chat onde as comadres se juntam para conversar no seu dia-a-dia. Recomendo o chat do blog, é divertido, embora haja queixas de que só os comentários alinhados é que entram.


Berto AlferesOuteiro Seco Aqi - De autoria de Berto Alferes, com muita fotografia, boa e interessante, documentos de interesse e denúncia. Poderemos dizer, que ao contrário do blog do Altino, este, vai mostrando o que Outeiro Seco tem de bom mas também denuncia o que de mal por lá se passa. Sou fã deste blog, não o escondo, e recomendo-o, mesmo sem ter a diversão do chat. Um abraço para o Berto e boa recuperação.


Casa de Cultura Popular de Outeiro Seco - http://ccp-outeiroseco.blogs.sapo.pt/ - É o Blog da Casa da Cultura, por onde vão passando as suas ctividades.


Junta de Freguesia - http://jf-outeiroseco.webnode.com.pt/ - Página oficial da Junta de Freguesia.


E por último o blog http://velhariasdoluis.blogspot.com/ que embora não se dedique exclusivamente a Outeiro Seco, é nele que se pode ver e ler quase toda a história (apaixonada) do Solar dos Montalvões. É de autoria de Luís Montalvão, um dos descendentes da família do solar.

 


E “prontos”, para aqueles que reclamavam, finalmente Outeiro Seco passou por aqui, talvez não para agrado de todos, mas é tal como eu vejo a aldeia e freguesia, afinal tal como sempre o tenho feito até aqui, com a sua história, actualidade e com a minha visão pessoal.

 

 

 

 


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publicado por Fer.Ribeiro às 02:40
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Sexta-feira, 29 de Outubro de 2010

Discursos Sobre a Cidade - Por José Carlos Barros

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Santos & Pecadores


um texto de José Carlos Barros

 

 

A questão não é a das memórias que tenho ou deixo de ter da Feira dos Santos. Porque a minha memória da Feira dos Santos vem da infância e da juventude, e a memória desses tempos não foi ainda capaz ao longo dos anos de trazer-me nada de que pudesse arrepender-me – incluindo os erros e os perigos, ou sobretudo isso. A questão, portanto, não é a da memória da Feira dos Santos: a dos carrosséis e das pistas de carrinhos de choque onde cheguei a fazer ultrapassagens de milagre nas curvas em U; a do fascínio das barracas, essa geometria entre a matemática dos quadros do Nadir e a perfeição abstracta dos fractais e da teoria do caos; a da gente tão diversa circulando nas ruas e nos terrados com sobretudos, mini-saias e legs ou samarras, e sacos de compras pendendo enquanto se dão boas-horas a esmo a olhar cores e padrões, a apreçar socos e cuecas, a comprar pijamas e capotes alentejanos; a do gado vagaroso, com esses olhos grandes a olhar-nos como se transportassem neles o tempo imemorial; e a dos bailes, como esse em que uma música me lembra ainda de não haver outra que se lhe possa sobrepor porque só eu, de um dos dois lados, a dançava; e a do polvo miúdo, e a do barulho das bolas dos matraquilhos contra a parede da linha de fundo, e a das cassetes piratas com a música pimba que calha tão bem, como nenhuma outra, com esta alegria e esta nostalgia de ser de novo a data de calendário da Feira dos Santos.


A questão, pois, não é a das memórias que tenho da Feira ou deixo de ter. A questão é que o mundo mudou. E a Feira mudou, ou está a mudar, ou vai mudar irreversivelmente, ou vai regressar a um pouco do que já foi não deixando de ser o que é. E essa, mais que a questão das memórias que temos dela, é que é a questão.


Nada sei, nada sabemos. O mundo vai mudando contra o nosso entendimento dos carretos que o movem. Nós assistimos às mudanças do mundo sem compreender que fios vinham de trás a ligar os fios que puxamos hoje.

Mudaram, além do mundo inteiro, e do entendimento que temos dele, as razões que justificavam a Feira dos Santos tal como cheguei a supor entendê-la: um mundo de gente vinculada à ruralidade, aos campos, à terra de aluvião ou das pastagens de gado, aos matos rasteiros ou aos mosaicos de hortas e nabais e bosques e agras de poila, à transformação dos produtos dos campos, às vinhas e aos pomares, ao comércio das panelas e dos tachos e da roupa de vestir – um mundo de gente que comprava e vendia, mercava, e se encontrava e se perdia numa prancha de pinho sob uma tenda de petiscos e vinho, e fazia os preços, e recomeçava, e se misturava às pessoas da urbe nessa complementaridade que separava as fronteiras para que elas se pudessem aproximar.

 

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Veio depois um tempo de diluição. Um tempo em que a urbe e a ruralidade se juntaram, aos sábados, nos mesmos espaços de shopping; um tempo em que os empréstimos e o consumo e os juros nos aproximaram a todos na mesma impossibilidade de futuro. Chamam-lhe crise. Podíamos chamar-lhe outra coisa.


Um país evoluiu do sector primário para o terciário sem passar pelo secundário. Chamaram-lhe sucesso. Em menos de uma geração, num ápice, eliminou-se a ruralidade sem transições, sem continuidades, sem contiguidades: e aos afastados deste movimento de modernidade acolheu-os a segurança social, o subsidiozinho insustentável, a inserção – o desaparecimento, a invisibilidade, o desperdício.


A Feira dos Santos, hoje, inscreve-se num tempo de contradições e rupturas. Entre um tempo que era e deixou de ser e deixámos de saber o que é. Os matraquilhos não fazem sentido no tempo da internet, o polvo cozido não faz sentido no tempo dos hambúrgueres, os socos não fazem sentido no tempo do asfalto nos caminhos de saibro que não há, os produtos agrícolas não fazem sentido num tempo em que vamos durante o ano aos hipermercados comprar ervilhas congeladas da maggi.


Ou voltará, tudo isto, a fazer sentido. Se a realidade concreta nos demonstrar que estávamos errados e que é preciso regressar a um modo diferente de compreender o mundo, além da abstracção dos títulos da bolsa, das taxas de juro, dos empréstimos de longo prazo e do pib. E tudo, então, provavelmente, voltará a fazer sentido, e a Feira dos Santos voltará a ser a Feira dos Santos que a memória guarda.


Sei lá. Sabemos sempre tão pouco. E talvez esta confusa crónica, de alguém afastado e dividido, seja a única coisa a não fazer sentido num tempo que foi e deverá ser sempre de exaltação, nostalgia e encontro, porque o tempo é novamente, mais uma vez, o tempo de ser a Feira dos Santos.

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:32
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Quinta-feira, 28 de Outubro de 2010

O Homem Sem Memória - 16

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Texto de João Madureira 

Blog terçOLHO 

 

  

16 – Uma noite, enquanto os outros seus camaradas vigilantes dormiam o sono dos néscios, naquele engano de alma subversivo e vesgo que a realidade não deixa durar muito, José sentiu que alguém mexia na porta do Centro de Trabalho. No meio do seu sono vigilante, pegou inconscientemente no revólver prateado que o SUV tinha a seu lado (ele que nunca tinha dado um tiro e abominava armas de fogo) e foi tentar apurar a origem do estranho ruído. Dirigiu-se à porta e escutou. O ruído era discreto, mas constante. Ainda a bocejar, abriu a porta e dois homens ficaram a olhar para ele espantados. Eram os varredores que com as suas vassouras feitas de ramos de arbustos tentavam varrer as folhas e os papéis que se acumulavam junto às escadas que subiam ao primeiro andar. Tanto o José como os varredores camarários ficaram assustados, mas os varredores quedaram mais atemorizados do que o José. Eles tinham nas mãos duas vassouras, mas o guardião da revolução tinha uma pistola que reflectia luz e medo. “Pedimos desculpa por tê-lo acordado, jovem camarada, mas não era essa a nossa intenção”, desculparam-se os varredores enquanto enfiavam o lixo no balde do carro de mão e se escapuliam dali numa espécie de trote humano em direcção à zona escura da praça.

 

Entretanto o SUV acordou e pôs-se a berrar que lhe tinham roubado o revólver. José entrou no bar e desfez o equívoco. Excitado, o SUV propôs irem ao Angola, que era um bar que estava aberto toda a noite, tomar o pequeno-almoço. A alvorada deu luz à realidade: as leiteiras, junto aos seus burros, distribuíam o leite pelas casas; os caixeiros dirigiam-se aos seus empregos e os estudantes que viviam nos arrabaldes caminhavam tontos de sono para o Liceu. A rotina diária absorvia a revolução. E os reaccionários nunca mais mostravam as garras. “Que puta de situação esta”, desabafou o SUV, “eu não aguento. Ou mato ou morro. Esta pasmaceira é que me dá cabo dos nervos. O Partido não se dispõe a tomar o poder e a reacção não se decide a vir para a rua lutar”.

 

Quando chegaram ao Centro de Trabalho, os dois UEC ainda dormiam a sono solto. Foi então quando o SUV pegou no revólver, aumentou o volume da telefonia e, enquanto se escutava “A canção é uma arma”, Martins, o SUV neurasténico, disparou um tiro verdadeiramente revolucionário na parede. Enquanto observava o buraco feito num tijolo, Martins gritou para o José: “A arma é que é a cantiga que os reaccionários vão ter de ouvir para aprender”.

 

 

17 – “Estamos fodidos, estamos fodidos, agora vai aparecer aí o Dr. Sebastião e pôr-nos a todos na rua. O funcionário já nos tinha avisado que não eram permitidas brincadeiras com armas de fogo dentro do Centro de Trabalho. (...)
 
(Continua)
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publicado por Fer.Ribeiro às 14:00
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“Num Centro Comercial”

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“Num Centro Comercial”

 

 

 

Entrámos num “xó.o-pingue» para tirar uma dúvida do «tèlèlé» e tomar um «pingo».

 

Virámo-nos para uma Loja Vodafone, mas já não entrámos    -   o «chefe de loja» estava sentado, junto à parede, com o cotovelo esquerdo apoiado na mesa baixa do balcão e com um telefone colado à orelha esquerda.

 

Olhámos com alguma demora. Não mexia a beiça. Deveria estar a escutar um longo “sermonídeo” do seu «director de loja» ou ……… da sua «garina».

 

Decidimo-nos  pelo «pingo», com prejuízo da dúvida.

 

Mal pusemos  um pé dentro da área da lojinha do “Café e Pastelaria”  e logo ficámos encostado ao balcão envidraçado.

 

Como não víssemos ninguém dentro, predispusemo-nos a esperar. Mas logo soou uma voz branda, vinda do lado esquerdo, onde havia outra vitrina, de tamanho mais reduzido.

 

- Diga! – ouvimos.

 

Olhámos.

 

E se a garota de um metro e cinquenta de altura e de quarenta quilos de peso não se levantasse nem dávamos conta de gente!

 

A chávena ficou a verter para o pires.

 

Foi preciso pedirmos um guardanapo e explicar que, desde o balcão até à mesa mais próxima onde nos íamos sentar, se verteria e se sujaria o chão, a mesa, ou o que calhasse.

 

Com sacrifício, a garota lá pegou em duas folhas de papel e pô-las sobre a vidraça.

 

Viemos para a mesa. Tomámos o «pingo». Demos continuação à (re) leitura de «El Manantial». A sombra que deslizou à nossa frente fez-nos levantar o olhar    _    o «chefe de loja» da Vodafone vinha, em passo lento, entregar o Jornal Desportivo à garota do metro e cinquenta!

 

Tupamaro

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publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
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Quarta-feira, 27 de Outubro de 2010

Feijoada com Santos 2010

Está a aproximar-se a festa grande de Chaves, a verdadeira festa flaviense – a Feira dos Santos.


É uma feira e festa que faz parte do imaginário e da tradição flaviense, a única que consegue (para além das religiosas como o Natal e a Páscoa) trazer  a Chaves os flavienses ausentes.


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Como todos os anos, faço por aqui os meus considerandos e renovo o sonho de uma verdadeira festa de Chaves, que já é grande, mas que poderia ser muito mais e afirmar-se mesmo como uma grande festa a nível nacional e internacional, mas… enfim, as ideias por aqui pouco mais conseguem de ir além dos bombos e concertinas…


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Mas vamos ao documento oficial que saiu da habitual conferência de imprensa de apresentação da feira. A Azul o documento, a sépia e itálico - após cada parágrafo - os meus considerandos, pois não resisto….

 

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A cidade de Chaves vai, mais uma vez, estar em Festa com a tradicional Feira dos Santos, sem dúvida um dos maiores eventos no plano sócio económico e cultural do Norte do país. O evento foi apresentado em conferência de imprensa, no passado dia 18 de Outubro.


Concordo, sim senhor, que esta é uma festa de tradição em Chaves. Agora quanto ao ser um dos maiores eventos no plano sócio económico e cultural do Norte do país…bem, lá diz a sabedoria do povo – “presunção e água benta, cada um toma a quer” – Como já disse atrás - poderia ser!...se…

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A Feira realizar-se-á nos dias 30 e 31 de Outubro e 1 de Novembro, mantendo-se a localização das actividades da Feira, à semelhança dos últimos anos.


Fico grato em saber que a feira se mantém nos dias 30 e 31 de Outubro e 1 de Novembro, conforme manda a tradição. Quanto à localização, há o senão da feira do gado ser em “cascos de rolha” e o concurso no fosso do Forte de S.Neutel, ou seja, separam a feira do concurso quando o público alvo é o mesmo…mas na falta de melhor, apenas faço o apontamento (lamento de muitos) sem nada a opor.

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A par das tradicionais “barracas” e dos stands de artesanato, os visitantes poderão contar mais um ano com a tradicional Feira do Gado, que decorrerá no Mercado de Gado de Chaves (na Zona Industrial, junto à Munível), com a 8.ª edição do Concurso Nacional Pecuário, que se realizará no fosso do Forte de S. Neutel como habitualmente e com o habitual Festival Gastronómico do Polvo.


Como do gado já falei, aqui só comento o sublinhado que vou repetir:  «a par das tradicionais “barracas”».


Concordo sim senhor, plenamente e ainda bem que a organização o admite, pois o programa da feira tem sido (todos os anos)  uma autêntica “barraca”, sem inovar, sem olhar ao essencial,  que seria promover a região e os seus produtos, a sua história, o turismo, a cultura, os sabores e saberes. Mas não, é preenchido quase na totalidade com as coisas que naturalmente acontecem na feira, só falta mesmo acrescentar alguns itens ao programa, como a venda de farturas no monumento, a venda de meias à dúzia na rua do estádio, o serviço de refeições nos restaurantes, a actuação musical dos índios no Bacalhau, a roupa contrafeita junto ao Forte de S.Neutel, a venda de calçado no Bairro dos Fortes e até a passagem do rio Tâmega por baixo das pontes flavienses, entre muitos outros itens que poderiam constar no programa, tal como consta a Feira Gastronómica do Polvo… e já agora, o que é feito da Feira Gastronómica do Presunto de Chaves!?  ou do Pastel de Chaves. Porquê o polvo à galega e ainda por cima caro “comó caralho”! – Desculpem o palavrão, mas não encontrei um termo que encaixasse melhor. Feira Gastronómica sim, mas com a nossa gastronomia, Há que abrir os olhos e Feira dos Santos seria uma boa oportunidade para uma feira gastronómica com as nossas iguarias. Mas enfim, já que a “barraca” é tradicional…

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Pelo terceiro ano consecutivo, o comércio tradicional irá sair à rua, associando-se aos “Santos 2010” através da iniciativa da Procentro – Associação para a Promoção do Centro Urbano de Chaves - “STOCK OUT – O Comércio Sai à Rua”. Esta acção pretende envolver o comércio local da cidade, através da colocação dos seus “stocks” na rua, no sentido de facilitar o seu escoamento, contribuindo também por essa via para a animação e dinamização dos negócios e do próprio certame.


Concordo plenamente! E depois, alguma iniciativa há de ter a Procentro para justificar a sua existência…

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O programa da Feira dos Santos 2010 conta este ano com algumas novidades ao nível da animação. A organização da feira decidiu-se pela realização apenas de animação de rua, com bombos, concertinas, gaiteiros, música tradicional e folclore, considerando por um lado o carácter tradicional da feira e por outro a instabilidade das condições climatéricas, que muitas vezes inviabilizam os espectáculos ao ar livre durante a Feira. Ainda no capítulo da animação, a organização envolveu este ano também as discotecas locais, procurando assim prolongar a animação da Feira noite adentro, nos estabelecimentos de diversão que a cidade oferece.

 

Aqui não sei se hei-de rir ou chorar (de pena e riso ao mesmo tempo) – novidades ao nível da animação!? – apenas animação de rua …por causa da instabilidade das condições climatéricas!!!! (boa!) Há aqui qualquer coisa que não bate certo. Então por causa do possível mau tempo não se fazem actividades ao ar livre, mas fazem-se na rua. Será que a animação de rua não é feita ao ar livre? Ou vão cobrir as ruas? Assim, põe esta ordem de ideias também se parte do princípio que se estivesse bom tempo garantido, as actividades eram de interior…..


Depois vem o envolvimento das discotecas…ao que parece, lá as convenceram a abrir portas durante os dias de Santos…pois tudo indica que nos anos anteriores fechavam durante este período dos Santos e se assim não foi, parece, pelo texto, parece… ingratos!

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O evento, designado por “Santos da Noite 2010” marcará a noite do dia 31 e irá contar com a participação de quatro discotecas locais: “Amiça Bar”, “Platz”, “Press Disco Bar” e “Vanity Club”, que oferecerão uma bebida e a entrada sem consumo obrigatório (em cada um dos espaços) a quem apresentar a pulseira identificativa da festa. A pulseira custará 5€ para compra antecipada e 7,5€ para quem optar pela compra no próprio dia e será vendida nas discotecas aderentes, ACISAT, Associação Chaves Viva, Procentro, na sede ACISAT em Valpaços (Av. 25 Abril), em Vila Pouca de Aguiar na “Foto Nova Era” (Urbaguiar) e em Montalegre no Quiosque Estrela Norte (Largo Luis de Camões).


Esta ainda é melhor, senão vejamos: “O evento, (…) irá contar com a participação de quatro discotecas locais (…) que oferecerão uma bebida e a entrada sem consumo obrigatório (…) a quem apresentar a pulseira identificativa da festa. A pulseira custará 5€ para compra antecipada e 7,5€ para quem optar pela compra no próprio dia” – Bom, afinal em que ficamos!?  – é de borla ou a pagar 5 ou 7€ por bebida!? Pois se oferecem uma bebida por 5 € , se calha até era melhor nem ter feito acordo nenhum com as discotecas, talvez ficasse mais barato. Já agora, para quem é o dinheiro das pulseiras?

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Bom, obrigado pelo texto oficial da feira, pois já há algum tempo que não tinha oportunidade de ler um texto cómico tão bom. O autor que se cuide, que vá fazendo as malas, pois qualquer dia ainda é contratado pelas “Produções Fictícias” para escrever para o “Gato Fedorento” ou para o Herman José!

 

Já agora um conselho (sem pulseira e tal como as discotecas não levo nada por ele): – Os responsáveis máximos pela feira deveriam começar a ler os textos oficias antes de serem publicados, o mesmo digo ao Sr. Presidente da Câmara, pois foi da página oficial da Câmara que o retirei. Não é por nada, mas quem fica mal no retrato, são sempre os responsáveis! E o povo, já sabemos, gosta de ver os seus representantes a sorrir no retrato.

 

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Já agora, fazer uma conferência de imprensa para dizer que tudo vai ser na mesma, com as habituais “barracas” nos dias 30 e 31 de Outubro e 1 de Novembro, até nem era necessário, pois isso, já toda a gente o sabe. Nas conferências de imprensa lançam-se novidades e a não ser pela fotografia para os pasquins da terra, a manter-se tudo igual, nem valia a pena fazê-la. Mas, enfim, já que têm os fatos e as gravatas, há que lhes dar uso. Estão perdoados. Ah! E desta vez não chamei pavão a ninguém – que conste em acta.

 

 

Mas adiante – Vamos finalmente ao programa e, a par das tradicionais “barracas”, às novidades anunciadas em conferência de imprensa:

 

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FEIRA DOS SANTOS – CHAVES 2010

 

Dia 30 de Outubro


10h30 – Arruada de Bombos e Concertinas

15h00 - Arruada de Bombos e Concertinas

16h00 – Sessão de Abertura, Biblioteca Municipal de Chaves

Open Internacional de Xadrez, Intalações da Toyota, Organização: Clube e Xadres de Chaves

 

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Dia 31 de Outubro – Feira do Gado


8h30 – Feira do Gado, Zona Industrial (Junto à Munivel)

10h00 – 8º Concurso Nacional Pecuário, Forte de S.Neutel

10h30 – Arruada de Concertinas

12h00 – Festival Gastronómico do Polvo, Estádio Municipal de Chaves

14h00 – Festival de Folclore, Largo General Silveira

15h00 – Arruada de Concertinas

15h00 – Chega de Bois, Forte de S.Neutel, Organização dos bomveiros Voluntários de Salvação Pública

23h30 – “Santos da Noite 2010” – Amiça Bar, Platz, Press Disco, Vaniy Club

Uma pulseira, quatro espaços, qautro bebidas (Pré-venda: 5€; Dia:7,5€)

 

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Dia 1 de Novembro – Dia de Todos os Santos


10h30 – Arruada de Gaitas

14h00 – Festival de Folclore, Largo General Silveira

15h00 – Arruada, Grupo Musical Tradicional

 

Todos os Dias


STOCK OUT “ O Comércio sai à Rua”

Feira de Stocks do Comércio Local

 

 

Deixando para trás a publicidade enganosa do cartaz, pois o designer recorre aos foguetes para ilustrar o cartaz, porque até o designer sabe que não há festa sem foguetes, vamos lá um comentário breve, pois o programa não merece mais.

 

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É sem dúvida alguma, desde que a Feira dos Santos tem programa, o programa mais pobre de todos os tempos. Bem espremidinho, é igual a nada, vergonhoso e até insultuoso à dignidade flaviense. É sem dúvida alguma a habitual “barraca” aumentada e agravada corrida com bombos e concertinas à boa maneira da festa de antigamente para povo ignorante aplaudir – só falta o vinho e regressavam todos felizes a suas casas. Só que, meus senhores, já estamos no século XXI e a coisa não vai lá com bombos e concertinas a toda a hora. De novidade mesmo, só o open de xadrez e, neste, sejamos sinceros, nada tem a ver com a feira, a tradição e muito menos com um ambiente festivo de feira. Não estou a ver ninguém a vir à feira para perder horas a ver um jogo de xadrez. O xadrez, tem o seu ambiente, calmo e silencioso por natureza.

 

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Nada mais digo a não ser, que talvez pudessem pedir emprestado o programa dos putos da UTAD, que sem meios e experiência, promovem em simultâneo a Semana Académica com actividades festivas que, qualquer uma delas, mete todo o programa da feira num chinelo quando esta feira, espante-se, é organizada e colaboram, a saber: a Câmara Municipal de Chaves, a ACISAT, a Chaves Viva, a Procentro e a Cooperativa Agrícola de Chaves – toda esta massa intelectual e associativa para trazer a Chaves Bombos e Concertinas, pois o resto (e até estes), fazem parte da feira naturalmente, pois mesmo que não fizessem parte do programa, aconteciam na mesma.

 

Há que ter vergonha e eu, como flaviense, sinto-me insultado com um programa vergonhoso (que nem digno de uma aldeia é), incompetente e insultuoso, pois se não o é, parece, que querem fazer de nós parvos.

 

Programa à parte, felizmente, a tradição manda mais alto e a Feira dos Santos continua a ser a grande festa da cidade de Chaves e da Região que, a não ser aproveitada pelos seus responsáveis para promover Chaves e o concelho, dispensava bem os disparates de um programa oficial, em que tudo que nele consta para além da tradição da feira secular (feira do gado, o comércio das barracas e as diversões/carrosséis), é areia para os olhos que em vez de animar uma festa, é um festival de desanimação.

 

Ai como eu gostava de elogiar um programa da Feira dos Santos!

 

 

 

 

Para finalizar deixo aqui o que tenho dito nos anos anteriores, sem alterar uma palavra, pois continua actual:

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Desde há anos que digo e continuarei a dizer que a Feira dos Santos é a festa por excelência e com tradição da cidade de Chaves e, que seria uma boa oportunidade para, a par da festa da feira que se faz sozinha, promover Chaves e a região, quer turisticamente, quer nos produtos de qualidade que a terra e a região produz, como também na recuperação dos afamados produtos (marca de Chaves)  que estão em vias de extinção (presunto de Chaves, olaria de barro preto, a cestaria, etc.), mas ainda o termalismo e sobretudo na gastronomia, a montanha a natureza etc.

A par da feira comercial e tradicional (que se faz sozinha), exigia-se a promoção de Chaves e um verdadeiro programa de festa, com empenho também das associações desportivas e culturais, do pólo da universidade, das escolas, etc. Bastava um bocadinho de imaginação e empenho dos organizadores, que afinal até seriam eles  os primeiros beneficiários dos “lucros” que esta feira poderia gerar.

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A par da feira, também a cultura, a arte, a música, a história tão rica que temos, poderia marcar presença, com exposições, colóquios e conferências, mas não… assim não pensam os organizadores e eu, tenho pena.  Destas cenas, a feira só conhece uma. Uma conferência de imprensa que por sinal se fez para dizer que na Feira dos Santos “há pouco a inovar” (1) . Está tudo dito, aliás nem sei para que se faz a conferência de imprensa, se tudo continua igual, pois a não ser pelos organizadores gostarem de sair no retrato, bem se poderia dispensar.

(1) – O texto é do ano de 2009. Este ano não foi dito que “há pouco a inovar” mas foi dito “A par das tradicionais “barracas”



 


Já agora, e é mesmo o remate final, se alguém quiser fazer um xixizinho nos espaços da feira, onde o pode fazer!? – Já sei que para os homens uma parede ou um tronco de qualquer árvore - serve (não deveria ser assim, mas no aperto que remédio) mas, e as mulheres!? Aqui nem sequer têm mar para dar razão ao poeta Ruy Belo no seu poema “Na Praia”:

 

 

Raça de marinheiros que outra coisa vos chamar

Senhoras que com tanta dignidade

À hora que o calor mais apertar

Coroadas de graça e majestade

Entrais pela água dentro e fazeis chichi no mar?

 

Ruy Belo in “homem de palavra[s]


 

Já chega! e o o mar, e o mar....

 

 

 

 

 


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Terça-feira, 26 de Outubro de 2010

Pedra de Toque - A Feira dos Santos

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A Feira dos Santos

 

 

 

 

Os Santos são um pouco a minha varanda de infância, balcão do espectáculo para o palco dos Quadradinhos, onde se exibiam os Robertos e o homem da cabra, exímio equilibrista com garrafas que, com seus variados números, deleitava a pequenada.


Era o tempo do Xarabaneco, uma figura dançante, da Mulher Aranha, pasmo para os da cidade e para os da aldeia e do Gigante Negro, oriundo da selva moçambicana, o homem mais alto do mundo.


Os Santos eram o comércio engalanando janelas, varandas, portadas com uma extensa gama de produtos e artigos das mais diversas proveniências, transformando as fachadas nos grandes escaparates da feira.


O Concelho, com as suas gentes, descia à cidade desde a alba, para vender e comprar cobertores e peúgas de lã quentinha, a samarra para o marido, os cacos para a mulher, as botas para o rapaz, o brinquedo para o pequeno.

 

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O gado exibia-se tilintante pelas ruas do burgo, escoltado pelos criadores ufanos ou, já sol poente, por compradores eufóricos.


O bulício invadia praças e vielas, sombreado pela neblina, pelo fumo e pelo cheiro das castanhas bem assadas.

A noite caía ruidosa.


Lá em cima, ao Monumento, os carrinhos encetavam mais uma corrida, mais uma viagem, enquanto os carrosséis rodopiavam felizes, o perigo rondava no poço da morte e as farturas esparrinhavam no panelão de óleo, à espera da canela e do açúcar.

 

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Com o tombar das horas, os cafés enchiam para a consumação – balanço dos negócios – ao abrigo da geada ou da chuva persistente.


Na calçada, as rusgas deslizavam ao ritmo da concertina do tocador, quiçá, de Travassos, das botas cardadas ou das bengalas batendo o paralelo.


A música e o bagaço temperador impediam o frio de tocar nos ossos.


Era assim toda a noite, até a fadiga vencer.


Os Santos eram a festa que toda a cidade profundamente sentia!


Nos últimos anos iniciou-se o desquite entre a cidade e a feira, e pouco se tem feito pela reconciliação.

As duras críticas dos comerciantes aos responsáveis, vão sendo uma constante.

 

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O visitante lamenta-se, queixa-se da lama que pisa, do recinto pouco propicio para a diversão que procura, para a exposição que lhe interessa, da dispersão da loja ou da tenda para comprar, tantas vezes gato por lebre, quando levianamente se opta pelo primeiro feirante ao dobrar da esquina.


A cidade cresceu, aumentou!


É verdade que nos últimos anos, algo se tem feito pela tradicional Feira dos Santos, agora confrontada com o crescimento inevitável.


Ter-se-ão, no entanto, tomado todas as medidas necessárias em protecção do comércio local?


Que se tem realizado, de verdadeiramente atractivo, para estimular o visitante a voltar sempre?


Para quando um recinto próprio, relativamente central, cuidado e preparado para a instalação da feira?


Que se atinjam em breve estes desideratos, porque os Santos e a tradição que os envolve merecem ser a festa anual dos flavienses, a partilhar com os milhares de forasteiros que nesta época nos procuram.

 

 

 

António Roque

 

 

 

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Segunda-feira, 25 de Outubro de 2010

Quem conta um conto... O Especialista

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O especialista


Texto de João Madureira

Blog terçOLHO

 

 

 

O meu amigo F. é a educação em pessoa. Ou melhor, é um tratado ambulante de boas maneiras e um especialista em subtilezas. Ele expressa toda uma série de condutas e conhecimentos de um modo educado e cortês. É um mesuras, “um querido”, como o evocam as amigas da sua esposa, ou um “certinho”, um “barra”, como o distinguem os amigos. Ou um “merdas”, segundo a opinião da minha esposa. Mas a ela tem de se dar algum desconto, pois é muito crítica em relação aos meus amigos. O F. faz as coisas com uma urbanidade digna dos maiores encómios. E foge do antagonismo como o Diabo da Cruz. Ou o Deus verdadeiro da maldade e do pecado original.


O meu amigo dá-se bem com toda a gente. Elogia a conduta das pessoas bem-educadas, aplaude o bom gosto dos burgueses, enaltece o conhecimento dos sábios, exalta o estatuto social dos homens de leis e as individualidades do estetoscópio, gaba os professores eficazes e os bons alunos, eleva os presidentes de câmara que foram galardoados com a comenda no 10 de Junho, dá vivas à República, aplaude a coerência e a perseverança dos monárquicos que ainda o são depois de tantos anos de poder do povo, celebra a democracia, compreende e perdoa o Estado Novo, chora hiperbolicamente com a miséria dos pobres, emociona-se com o canto dos pássaros, com o nascer e o pôr-do-sol, com os discursos do Presidente da República, com as desculpas do Primeiro-Ministro, com as promessas do Líder da Oposição, adora jantar na companhia daqueles que apreciam, mais do que a qualidade dos manjares, a subtileza do acto cerimonial de comer uma refeição de acordo com a etiqueta e com as leis do protocolo, preza os fatos de lã e de linho de fino corte, entende as combinações das peças de um traje de cerimónia, sabe qual o nó de gravata que dá com os diversos tipos de colarinho, sabe lindos poemas de amor, quer eles sejam dirigidos à natureza, à fauna, à flora, ao amor em tempos de guerra, ao amor em períodos de paz, ao amor espiritual, ao amor carnal e ao amor estrito senso, distingue o bem do mal com muito rigor, apesar de liberal, distingue as classes melhor que um marxista-leninista, aprecia subjectivamente um bom estalinista, preza objectivamente um convicto capitalista, sabe rezar todas as orações dignas desse nome, conduz com um irrepreensível rigor, sabe combinar as meias com os sapatos e estes com as calças (por exemplo, com calças cinzentas devemos usar meias cinzentas, mas também podemos usar meia pretas e o cinto tem de estar de acordo com os sapatos, mas alguns especialistas defendem que o que deve estar de acordo com o cinto são as calças porque os sapatos ficam muito longe) e estas com o blazer e este com a camisa e com o cinto e com a gravata (ou vice-versa) e revela um especialíssimo gosto na escolha dos botões de punho, além disso consulta com apreciável delicadeza e elevado conhecimento técnico uma carta de vinhos, uma carta de águas, uma carta de whiskies, vodkas, ou conhaques, distingue um cordeiro do monte de um borrego do vale logo à primeira mordiscadela, caracteriza e destrinça os cogumelos pelo cheiro durante a cozedura ou no acto de os comer, que é quando todos os cogumelos se tornam mais ou menos indistintos, distingue pela pigmentação o salmão fumado de aquacultura do selvagem, diferencia as pessoas não pela cor, mas pela aura, distingue a carne de um porco bísaro de um de marca branca pela textura da carne, diferencia um pato mudo de um que grasna mesmo depois de mortos e depenados, distingue uma linguiça barrosã de uma de Chaves de olhos fechados, sabe quando comer, sabe quando beber, sabe quando deve interpelar alguém à mesa, sabe dizer uma laracha, sabe fungar delicadamente para um lenço, sabe pôr as mãos para beber, comer, urinar, acariciar um rosto, os seios, as coxas e o sexo da sua esposa, sabe beijar a sua mulher e a do próximo sem a cobiçar, sabe cobiçar a mulher do próximo dentro das regras definidas pela boa educação, sabe olhar sem ver, sabe observar sem olhar, sabe mesmo chorar sem sofrer, ou falar sem nada dizer…


Um dia enchi-me de coragem e pedi-lhe para me acompanhar no jantar de celebração do aniversário da minha boda. A sua presença era a modos que metade da prenda que resolvi oferecer à minha mulher. Pagava-lhe o jantar num dos melhores restaurantes do país se ele se dignasse acompanhar-me e assessorar-me em todos os aspectos relacionados com a etiqueta, o protocolo e as boas maneiras. Ele assim fez. Até lhe arranjei companhia: a sua mulher, que ele poucas vezes se aventura a tirar de casa. Tudo por causa da sua irrepreensível boa educação e etc.


Para não fastidiar os estimados leitores, passo, com vossa licença, por cima do especial pormenor da roupagem, não sem antes dizer que trajámos do bom e calçámos do melhor. Mas a qualidade esteve toda concentrada no repasto. Foi muito caro, mas, até por isso, inesquecível. Fomos a um restaurante da capital, de influência anglo-saxónica. Fora o pequeno detalhe do preço, a comida foi escolhida com o saber requintado do meu amigo F. Amigos destes há poucos. A sua erudição é fruto de quase uma vida inteira de perseverante estudo e de monitorização persistente dos conhecimentos adquiridos, quer através dos livros, quer através de filmes, quer através da internet, quer através da intuição. De facto, o meu amigo F. é muito intuitivo.


Depois de olhar para a carta, disse que ia pedir um prato diferente para cada um de nós. Assim éramos superiormente servidos e sempre podíamos, à falta de melhor tema para conversar, dissertarmos sobre a comida. “E a bebida”, lembrei eu. “E a também a bebida”, concordou ele. “Sim”, concordaram igualmente as nossas queridas e estimadas esposas. E se a água escolhida para a sua esposa foi tema de conversa por causa do interessantíssimo preço, então o vinho deu para conversarmos cerca de uma hora (que foi o tempo que esperámos pela comida) sobre a qualidade manifesta do seu odor, paladar, textura e cor. Sobre o preço nada dissemos, por pensar, eu, que era manifestação de mau gosto e ele para tornar evidente que a qualidade está invariavelmente ligada ao custo. E ali não havia especulação. O que se pagava pelo precioso néctar era o real valor e nada mais do que isso.


Para mim encomendou peixe-anjo e lulas ceviche com caviar dourado e empada de arenque fumado com molho de tomates verdes. Para beber como aperitivo encomendou Bellini rosé numa flute de espumante. Para a minha mulher pediu tapas de presunto pata-negra e veado com molho de iogurte, vegetais e pedaços de manga. Para acompanhar exigiu uma garrafa de tinto Caro, um vinho argentino que, nas suas doutas palavras de expert “oferece uma adorável profundidade de fruta e é altamente focado, detalhista e elegante". “Nem mais”, disse eu. “Concordo”, concordou a minha mulher. É por essas e por outras que a minha mulher se parece muito com o meu amigo. Os seus níveis de adesão com a opinião dos especialistas é assombrosa. Mas adiante. Para a sua mulher, e é nestes pormenores que se aquilata do amor e do carinho que o meu amigo dedica à sua esposa, pediu sashimi com queijo de cabra (e podem pensar que a razão que levou o meu amigo a pedir esse prato para a sua esposa foi a evidencia de ela, como transmontana, apreciar o queijo de cabra, mas estão enganados, ela é doida por sashimi, e olhem que estas coisas não se topam logo nos primeiros vinte e cinco anos de casados, só lá para as bodas de ouro, e isso apenas os mais argutos e documentados, como é o caso do meu amigo F.) e pato fumado com endívia e xarope de ácer. Para ele rogou, por causa do regime, vieira recheada e salmão selvagem grelhado com vinagre de framboesa e pêra-abacate. Para acompanhar os pratos da nossa dieta solicitou ao empregado uma garrafa de Sauvignon Blanc de 2005. No final encomendou um bolo, pequeno no tamanho, enorme na qualidade e colossal no preço. E para o acompanhar Perriet-Jouët reserva servido em Flutes Fantasy Cristal Atlantis.

Sabem, eu fui educado (enganado?) nos finais dos anos sessenta, uma altura em que o movimento naturalista, muito ao estilo de Rousseau, perguntava: “Porque não havemos de dizer aquilo que pensamos?” Mas numa sociedade civilizada têm de existir algumas restrições. Se seguíssemos todos os nossos impulsos, matávamo-nos uns aos outros.


E foi por essa razão que, quando me trouxeram a conta, paguei com o cartão MasterCard Platinum e comecei a implodir. Mas sempre com um sorriso nos lábios. A convivência com o meu amigo F. tem-me ajudado imenso na hora de expor os meus impulsos. Apesar de o querer matar (metaforicamente, é claro), cumprimentei-o efusivamente (também metaforicamente, claro está) na hora da despedida. Pespeguei dois beijos à esposa do meu amigo pensando que se ela fosse um porquinho mealheiro (alegoricamente, é claro) e visse transformada a comida que levava no estômago em dobrões de ouro (simbolicamente, claro está) era mulher para tilintar como uma slot machine quando dá o prémio máximo.


Quando cheguei à suite do hotel encomendei morangos e um champanhe mais em conta do que o servido no restaurante e fomos (eu mais a minha mulher) para os nossos aposentos. Quando chegou a hora de prestar o exame de aniversário, olhei para ela e disse-lhe que a amava cada vez mais. Ela perguntou-me, cuningulus aparte, se havia nas minhas palavras alguma ironia. Eu disse-lhe que não. Mas nós não devemos dizer sempre aquilo que pensamos. Metaforicamente, é claro.

 


 

PS – Dedicado especialmente a todos os maridos que, na companhia das suas queridas e estimadas esposas, vão comemorar no próximo Inverno as bodas de prata, ouro ou diamante.


Um presente requintado é sempre uma mais-valia para a vida a dois.


Este ano o que está a dar são as peças com pêlo e peles. Todos os criadores, por causa do aquecimento global, apresentaram também as suas criações em tecidos sintéticos. Mas se não é ecologista (alegoricamente, claro está), pode decidir-se por malas e sapatos, casacos e até vestidos com aplicações de pêlo natural. Pode ainda optar por cabedal em casacos e vestidos.


Por favor assente o nome dos criadores, pois é aí que reside o toque de classe. Para as peças com pêlo: Channel, Dolce&Gabanna, Lanvin, Vivienne, Westwood, Kenzo e Marc Jacobs. Para as peças em pele: Hermès, DKNY, Bottega; Venetta, Dior e Céline.

 

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Domingo, 24 de Outubro de 2010

Ruralidades

 

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Deveria ter vindo aqui logo pela manhã, com mais uma aldeia. Fiz todos os possíveis para que tal acontecesse, mas não aconteceu. Às vezes só a vontade não chega e o post que tinha pensado para hoje terá que ficar adiado para o próximo fim-de-semana, mas há um contrato para cumprir e esse, cumpro-o. Não temos uma aldeia, mas temos duas fotos.

 

A primeira, bem próxima da cidade mas com toda a ruralidade possível. Uma imagem que pela certa muito flavienses já viram sem terem dado por ela ou reparado nos seus pormenores. Não digo de onde é, não me apetece, além de mais, tal como disse, pela certa que já a viram – há que apurar o olhar.

 

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A segunda foto vem a propósito da época do ano, da Feira dos Santos, do S.Martinho das castanhas ainda dentro do ouriço, é certo, mas pela certa também que já saltaram fora ou estão para saltar, pois a foto já tem uns dias. Abençoado ouriço e picos que protegem coisa tão boa, assadinha, cozida ou mesmo crua, vai fazendo e compondo iguarias da época.

 

Até mais logo!

 

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Sábado, 23 de Outubro de 2010

Mosaico da Freguesia de Stº Estêvão

 

Depois de passar pela Vila de Stº Estêvão, hoje vamos ao mosaico da freguesia de Stº Estêvão, que é quase à mesma coisa, pois à freguesia, hoje, resume-se à vila, mas vamos saber mais um pouco de Stº Estêvão freguesia.

 

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Localização:


Localiza-se em plena veiga de Chaves, na margem esquerda do Rio Tâmega, a Nordeste da cidade sede do concelho.

 

Confrontações:


Confronta com as freguesias de Vila Verde da Raia, Stº António de Monforte, Águas Frias, Faiões e Outeiro Seco. Para esta última freguesia é o Rio Tâmega que serve de limite.

 

Coordenadas: (Adro da Igreja Paroquial)


41º 45’ 32.51”N

7º 25’ 10.98”W

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Altitude:


Variável –  Entre os 350 e os 500m

 

Orago da freguesia:


Santo Estêvão

 

Área:


10.61 km2

 

Acessos (a partir de Chaves):


– Estrada Nacional nº103-5 (de acesso à antiga fronteira de Vila Verde da Raia).

 

 

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Povoações da freguesia:


- Santo Estêvão

 

 

População Residente:


Em 1900 – 1744 hab.

Em 1920 – 1625 hab.

Em 1940 – 1417 hab.

Em 1960 – 1864 hab.

Em 1970 - 703

Em 1981 – 671 hab.

Em 2001 – 632 hab.

 

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Mais um gráfico atípico, dos poucos do concelho e, se aparentemente parece não haver explicação para o comportamento da população residente em algumas décadas, esse comportamento está bem justificado. Comecemos pelos Censos de 1930 em que se regista uma descida acentuada da população em relação aos Censos de 1920. Pois tudo se deve ao facto de em 20 de Julho de 1925, Stº Estêvão perder uma aldeia que era pertença da freguesia, ou seja a aldeia de Faiões que passou a constituir-se como freguesia autónoma. O mesmo viria a repetir-se com uma segunda aldeia também pertença da freguesia até ao dia 28 de Outubro de 1969, a aldeia de Vila Verde da Raia que também daria lugar a uma freguesia autónoma e daí, mais uma vez a queda vertiginosa de população residente nos Censos de 1970. Em resumo um gráfico e comportamento da população que sai fora das normas das restantes aldeias do concelho mas que a não verificar a perda das duas aldeias teria o mesmo comportamento da maioria das freguesias.

 

Curiosa esta “perda de importância” da freguesia de Stº Estêvão que até 1925 era “dona e senhora” de quase a totalidade da veiga de Chaves e que em menos de 40 anos, perdeu duas aldeias e o “domínio” da veiga.

 

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Também curiosa é a sua recente passagem a Vila em 2005, pois as razões de ascensão não são de desenvolvimento actual, amento de população ou outra razão do género, mas com base na sua rica história de Vila Medieval com Castelo, e mais não comento, pois se por um lado o concelho ganhou uma segunda vila (para além da de Vidago), esta ascensão só pode mesmo ser considerada honorária, pois nada mudou em relação ao antes 2005, mas por outro lado, também mostra bem as políticas administrativas deste nosso Portugal, pois numa altura em que se exige uma reforma administrativa séria e responsável de Portugal, tem-se andado a brincar às promoções e, se no caso em nada implica em termos económicos, já noutros casos a coisa pia mais fino. Mas como disse atrás, não comento ou não aprofundo mais, pois isso será tema futuro de uma feijoada das quartas-feiras.

 

 

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Principal actividade:


Desenvolvendo-se o seu território pelas terras férteis da veiga de Chaves, é mais que natural que a sua principal actividade seja a agricultura, mas, embora nem tanto como seria natural pela proximidade à cidade e os bons acessos, é também Vila dormitório da cidade de Chaves.

 

 

Particularidades e Pontos de Interesse:


 

Quase tudo que havia a dizer sobre Stº Estêvão já foi dito no devido post que lhe foi dedicado como Vila do Concelho, no entanto e como de costume, fica aqui também o resumo das suas particularidades e o que mais de interessante há na freguesia.

 

Vila agrícola por excelência, pois melhores terras no concelho não há, ainda para mais com regadio. Tão rica como as suas terras, é a sua história, antiga e medieval, mas quase apenas essas, pois a partir de aí Stº Estêvão entrou em perda de valores, primeiro do seu valor como Vila Medieval com Castelo e depois até em território, tal como já foi referido atrás. Mas é rica em história e é sobre essa que agora vamos falar.

 

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Um aparte antes de entramos na sua história e para que as coisas fiquem claras. Nas referências que tenho feito a Stº Estêvão, quer hoje quer no post que lhe dediquei anteriormente, dou, por assim dizer, uma no cravo e outra na ferradura. É um facto, mas tal não se deve a nenhum arrufo ou antipatia que tenha pela Vila, antes pelo contrário, mas existe uma certa mágoa da minha parte como flaviense, pois Stº Estêvão deveria ser e teve condições para ser uma Vila a sério, mantendo a sua traça medieval, no seu núcleo, à volta da Igreja e do Castelo. Poderia ser, e teve condições para isso, uma autêntica Vila Medieval com o interesse histórico (que ninguém lhe pode retirar) mas também com interesse actual, que para além da história, poderia explorar a componente turística e ser a menina dos olhos do concelho e da cidade de Chaves. Poderia mas não o é e sobretudo pelo desrespeito que houve para com aquilo que tinha de melhor – o castelo, a igreja e o seu núcleo histórico, praticando-se no seu seio as maiores barbaridades e atentados à sua história, principalmente na envolvente do Castelo e igreja em que não houve o mínimo dos mínimos cuidados com um monumento nacional, com o seu valor e com a sua história. Orgulhar-se hoje de ser uma Vila com base (ainda por cima) ou à custa da sua antiga Vila Medieval é um puro engano e uma ofensa à sua história.

 

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Claro que este meu amargo de boca tem culpados e embora não aponte o dedo a nenhum, são sempre os mesmos, os do costume, iguais ou idênticos (ou mesmo os mesmos) que permitiram e abençoaram a mamarachada no Centro Histórico de Chaves, também com desrespeito pela história e pelos seus monumentos que, em Chaves, hipotecaram para todo o sempre a ambição da tal cidade (romana, medieval e histórica) ser património da humanidade, tal como também aqui em Stº Estêvão se hipotecou o seu interesse patrimonial de vila Medieval e que embora hoje ostente administrativamente o termo de Vila, não passa, em tudo, de uma simples aldeia do concelho. Que me desculpem os naturais de Stº Estêvão que pela certa muito gosta e ama a sua terra, mas tal como à mulher de César não basta parecê-lo também esta vila precisava de sê-lo…

 

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Mas deixando para trás o amargo de boca que não escondo vamos então à sua história.

 

Foi Vila acastelada com foral outorgado por D. Afonso III, nos meados do Século XIII. Do Castelo de Stº Estêvão resta ainda a sua Torre de Menagem e um torreão junto à Igreja Paroquial, servindo actualmente de torre sineira.

 

O seu povoamento, tudo indica, será muito mais remoto, pelo menos a julgar pelos achados arqueológicos encontrados nas freguesias vizinhas que pelo menos remontarão à época pré-nacional da reconquista cristã.

 

De realçar também a igreja Paroquial de Santo Estêvão com uma estrutura de sabor medievo com um estilo românico tardio quatrocentista ou posterior que, em conjunto com a torre de menagem fazem com que Stº Estêvão ainda mereçam uma visita.

 

 

 

Publicações no blog dedicados à freguesia:


- Stº Estevão - http://chaves.blogs.sapo.pt/439822.html

 

 


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publicado por Fer.Ribeiro às 17:32
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Sexta-feira, 22 de Outubro de 2010

Discursos Sobre a Cidade - por Fe Alvarez

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Texto de Fe Alvarez

 

 

La casa en las afuera de la ciudad era humilde, al lado tenía su gallinero con sus gallinas y un garboso gallo, para poder reponer nuevas generaciones de plumíferos y en una esquinita unos conejos, en sus jaulas, esto era la despensa de carne para los dias señalados; en ella vivian Jacinta y su marido José, los dos casados en segundas nupcias, ella aportó al matrimonio su primer hijo, Joaquín, José por su parte una réplica de si mismo, en nombre y fisionomía y la pequeña Cordelia, que se quedara sin madre a la tierna edad de tres años. Jacinta era una mujer seca de caracter y de figura, al menos de aquella, despés con los años vinieron las carnes y los hijos también hubo otros cambios tanto en su aspecto como en su caracter; ella hacía la casa, cosía haciendo ropa para los pequeños, tejía y trabajaba una pequeña huerta, que con los animales de corral, contribuian para estirar un poco el exiguo salario de José, este salía por la mañana, llevaba la comida en una fiambrera de aluminio, que comprarn en Feces, como trabajaba lejos hacía una comida fuera de casa, para no perder tiempo a la hora de la comida y regresaba al final del día, era un hombre fuerte que con 26 años se encontró con dos pequeños a su cargo y sin su compañera que con 24 años y en el último parto perdiera la vida, juntamente con otras dos criaturas. Conocía a Jacinta de toda la vida, crecieran hermanados, pues las casas de sus progenitores eran pegadas y se creía que también eran familiares lejanos, por eso hablaron de lo humano y lo divino y así llegaron al acuerdo de unir sus desgracias personales y así ampararse el uno al otro. La casa tenía dos habitaciones una para el matrimonio y otra para los pequeños, los niños dormian juntos en la misma cama y Cordelia en una cama cuna heredada de su abuela. También había un comedor, que sin grandes pretensiones servía igualemte como recibidor de las raras visitas, Jacinta le colgara unas cortinas de cretona, floridas, que comprara en la Feria de Los Santos  y confeccionara con mucha arte y le daban un aire festivo a la división, los muebles eran todos heredados, solo se permitieran comprar un sofá, usado, al que le puso unos cojines haciendo juego con las cortinas.

 

Joaquín, el mayor, era un muchacho serio, algo taciturno, que con la sorpresa de tener dos hermanos de golpe, se volvió algo más juguetón y alegre, su compañero de correrias era el pequeño José (Josín) un trasto imaginativo, inquieto y avispado, pero el ojito derecho de Joaquín era la pequeña Cordelia, para ella eran todas sus atenciones y mimos, naturalmente la nena correspondía a estas atenciones dedicándole una devoción absoluta, cuando Joaquín no estaba en la escuela, Cordelia era su sombra y él se sentía como un caballero andante defendiendo la debilidad de una damisela, hubo días en que el enfrentamiento entre Joaquín y Josín tenía por parte de aquel, una defensa a ultranza de la pequeña, no consentía que su hermano hiciese valer sus derechos de hermano mayor.

 

Los dias se arrastraban con la lentitud propia de la niñez, ya terminara el frío del invierno y la primavera trajo aquellos dias crecidos, luminosos, coloreados,  que invitaban a jugar fuera de casa, era maravilloso, había tantas cosas para descubrir, las ranas saltando en las charcas, los pajaros con sus acelerados cortejos, algunos conejos que no se dejaban coger.Ya habría grillos? Joaquín hiciera una jaula para regalársela a Cordelia, para que tuviese un animalito de compañía, pues el perro Tritón era suyo, a ese no pensaba compartirlo con nadie; en esos dias de juegos, corridas y risas, los ojos de los niños brillaban con los descubrimientos cotidianos,  todo era nuevo y digno de acaparar su atención, la inocencia y la ignorancia los arrastraban a una felicidad continua.

 

- Josín, si quieres iremos al bosque, te enseñaré un nido en el olmo.

 

- Solo iré si Cordelia no va.

 

- Bueno hoy se quedará con mamá, pero otro día la llevamos.

 

- No quiero! que ella molesta.

 

- Se hará lo que yo diga! soy el mayor, ya sabes si piensas así, no iremos ninguno.

 

- Bueeeno.

 

Un buen día llegó montado en su pollino un señor,  con un defecto en un pie, cuando los niños le nombraron como "pie gordo", Jacinta se enfadó mucho, entonces el mote quedó reforzado, como todo lo prohibido y así se referian a él, naturalmente solo entre ellos; por algo que se escapa a la lógica, el buen señor no cayó en las gracias de los niños, desde el primer momento. Él era un familiar lejano de Jacinta, les regaló una cabra, la leche les gustaba mucho, era buena y abundante, Jacinta hacía queso y algunos postres, también les de vez en cuando el visitante les traía golosinas, pero nada les hacía cambiar de opinión, no les resultaban agradables estas visitas, cuando estaba Jacinta con los niños aun lo soportaban, para reforzar su animadversión, las tardes en que estaba José, las cosas se complicaban, con la madre charlaba y se marchaba más temprano, José y "pie gordo" bebian, discutian y casi siempre terminaba el día malamente y si no había golpes para ellos, menos mal, pero la mayoría de estos dias de bebida descontrolada terminaba con una buena somanta, se iban a la cama doloridos y humillados, creciéndoles el rencor hacia el visitante. Poco a poco brotó la idea de una venganza, la imaginación desbordante de Josín trabajaba y contaba a Joaquín sus descabelladas ideas, claro que esto no se podía comentar mientas Coralia estaba despierta, con su lengua de trapo pondría en peligro los planes, aunque la verdad es que Joaquín con buen juicio se los desbarataba poniendoles defectos y se los iba tirando por tierra, uno tras otro, por ser irrealizables o peligrosos. Después de mucho pensar, desechar, refinar y sopesar decidieron que lo mejor era dejar a "pie gordo" sin medio de transporte.

 

- Oye Joaquín, ya tengo el mejor plan.

 

- Seguro que es otro disparate, pero con la que me llevé ayer, ya no me importa nada. Este hombre tiene pacto con el diablo, consigue sacar lo peor de tu padre, lo malo es que le dio un empujón a mamá, espero que no empiece con ella. Pero cuenta, cuenta.

 

- Verás preparamos una mezcla, fuerte y se la metemos al borrico por el trasero.

 

- Ya sabía yo que sería un disparate! Además es una borrica.

 

-  Pues mejor, así si no entra por un lado irá por el otro. Mira lo tengo bien estudiado, primero la atamos bien corto contra la pared del patio, allí donde la piedra negra.

 

- Y después, te montas en él y le levantas el rabo!? ja ja ja

 

- No, en esto entramos todos.

 

- TODOS? Para que todos tengamos que aguantar el castigo, aquello de... mal de muchos, consuelo de tontos.

 

- Sí, todos, si no metemos a Cordelia en el lio hablará, después de convencida, le metemos miedo para que no hable.

 

- Qué peligro!!!...

 

- Nada, eres un caguica, eso no es de hombres.

 

- Síiii... habló el macho, no te fastidia!

 

- O me ayudas o le cuento a todos tu falta de valentía, a todooooos, incluyendo a quién yo sé, ja ja ja.

 

- No llegaremos a eso, ya estoy harto de esta situación.

 

- Sabía que no me fallarias; como te iba diciendo, después de bien atada, ponemos a Cordelia sobre el muro con el rabo del rucio en las manos. Bién situada, allí donde hace aquél entrante, tu y yo con un puñado cada uno, decimos uno, dos y tres y casi al mismo tiempo se lo ponemos en el mismo ojete... o donde sea, después toca a corrida, llevándonos a Cordelia, huiremos al bosque y volveremos, con piñas que ya habremos preparado, fingiendo que llevabamos allí mucho tiempo, entiendes? y sin saber nada de lo que pasó

 

- Pero donde encuentras esas ideas? Hay un fallo, tenemos que ver lo que pasa después.

 

- Lo del bosque es un paripé, escondidos vigilaremos, cuando salga "pie gordo" volveremos con las piñas y cara de no haber roto un plato.

 

- Él volverá el viernes, se lo oí decir.

 

- Pues el viernes será nuestro día, tienes que hablar tú con Cordelia, si se lo digo yo, sé que saldrá todo mal, a tí te respeta y te quiere mucho, hará todo lo que tú le digas

 

- Sí será lo mejor, que si lo llegan a descubrir se nos cae el pelo.

 

Los días, se arrastraron perezosos, lentos, pesados, los muchachos, repasaban una y otra vez el plan, Cordelia ya estaba aleccionada y acató todas las órdenes dadas por Joaquín, sabía que no podría decirselo a nadie o sería su ídolo el perjudicado y ella no quería eso, estaba tan concentrada en el silencio que pensaban que estaba enferma. Llegado el día, esperaron unos cinco minutos, cuando vieron que la conversación estaba animada entraron en acción, Josín ya había preparado el mejunje de antemano, sal gruesa, pimienta molida, vinagre y un poco de aceite. Ataron corto al pobre animal, Cordelia bien situada sobre el muro y detrás de un mogote con el rabo en la mano y

 

- Una, dos y tres.

 

Zas! casi al unisono dieron un puñetazo con la mano llena de la "medicina", aquello entró y se desparramó por fuera, arrancaron a Cordelia de su púlpito, Joaquín corrió con ella en brazos, con todas sus fuerzas, sabía que podría irle la vida en ello, Josín nunca corriera como aquél día, los pies mal tocaban el suelo, llegaron al escondite, bastante cerca, para poder observar y suficientemente lejos para no ser vistos, el animal se levantara sobre sus cuartos traseros y lanzando un alarido casi humano, se impulsó con tal fuerza que arrancó la cuerda que lo retenía, corrió como alma que lleva el diablo, cuesta arriba, los crios pensaron que llegaría a volar, vieron a Jacinta y a "pie gordo" haciendo aspavientos, que naturalmente de nada sirvieron, aquel animal nada lograría detenerlo. Lavaron las manos en un riachuelo y cuando aparecieron en la escena del crimen habian recompuesto su gesto y presentaban una carita angelical, que ni el mejor sabueso dudaría de su inocencia, además las piñas probaban que estuvieran en el bosque cercano. El pobre "pie gordo" tuvo que alquilar un taxi y solo volvió tres meses mas tarde, contando que la borrica apareciera varios dias después de la huida, desmejorada, flaca y medrosa y ahora después de bien cuidada y recuperada, decidiera volver, pero comprobó con estupor que la muy necia se negaba a pasar de la casa del  "Galego" pasara allí tiempo perdido para que diese un paso mas, nada era imposible, así que no podría venir tan a menudo, que aun había un buen trecho y que ya se sabe, le costaba mucho esfuerzo.

 

- Mira Jacinta, lo siento pero ya sabes de mis dificultades para caminar, creo que algo la asustó, una serpiente, un perro grande, la picaría un alacrán, ya no sé que pensar, sigue muy asustada, el miedo la paraliza.

 

Pasados los años, la pequeña Cordelia, se reía cuando lo contaba, ella guardara el secreto como un tesoro, nunca los mayores supieron ni desconfiaron nada, ella calló sabía que podría perjudicar gravemente a Joaquín y eso no lo querría, por nada de este mundo, pero también sentía una punzada de culpa, lograran lo que se propusieran pero ella, en lo más profundo de su ser, lamentaba haber lastimado al inocente animal y añadió para terminar.

 

- Fue una locura, una temeridad!

 


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Quinta-feira, 21 de Outubro de 2010

O Homem sem Memória (14) e (15) - Por João Madureira

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Texto de João Madureira

Blog terçOLHO



14Enquanto José vigiava a praça através dos buracos da muralha de jornais, os outros dois UEC entretinham-se a escavar um buraco na sala do bar, que ficava nas traseiras do apartamento térreo. Numa divisão encontrava-se a caçadeira com cartuchos de chumbo para caça grossa, numa outra repousava o revólver prateado junto à telefonia e na terceira descansavam as facas de matar recos. A Mauser estava com o Marcelino, pois em sua casa passavam-lhe os nervos no momento de a empunhar. Já o material bélico da Brigada Camarada Vasco era constituído por uma carabina de cinco tiros com mira telescópica, que pernoitava no quarto do funcionário do Partido, por duas navalhas de ponta e mola compradas em Feces e por duas pistolas de alarme transformadas em armas de defesa pessoal.


José vigiava a praça porque se recusou terminantemente a participar na abertura do buraco que os dois camaradas da UEC continuavam a escavar no chão do bar do Partido. O UEC ciclista, e alvejador de Cristos, com o apoio do outro, haviam decidido quase por unanimidade ir em frente com o furo que iria servir para guardar as várias bombas de fabrico artesanal que um camarada pirotécnico das bandas de Valpaços tinha fabricado para ajudarem na defesa do Centro de Trabalho de Névoa. Havia-as confeccionadas dentro de uma lata redonda com pólvora e cabeças de pregos caibrais e outras em forma de gordas espigas revestidas com pedaços de ferro de pote. A muitos dos camaradas curiosos que por lá passavam nas horas de expediente era-lhes dito que o buraco se destinava a guardar garrafas de vinho tinto para abrir no dia do triunfo da revolução, que estava para breve. Por isso muitos deles bebiam o café e o bagaço em cima de um barril de pólvora atulhado de pedaços de ferro fundido.

 


15Nas longas noites de vigília, como se estivesse na tropa ou no seminário, José, o SUV e os outros dois UEC dormiam no bar em cima de colchões de palha tapados com cobertores que mal os agasalhavam. Era normal José ter frio e comichão e desconforto e insónias e arrependimento e medo e dúvidas e saudades da família e dos amigos e de brincar e até, espantemo-nos, sentir falta dos dias da catequese, da voz doce da catequista, das melífluas imagens dos santinhos, da salvação, do céu, dos anjos e da bondade.


Dias e dias seguidos de vigília tinham posto os nervos daquelas sentinelas da revolução democrática e nacional à flor da pele. Discutiam por tudo e por nada. Nos intervalos das discussões, o SUV folheava revistas pornográficas e ia masturbar-se para a casa de banho, o UEC subalterno lia o Tio Patinhas e ria-se muito, o UEC caçador de cristos decifrava O Caminho do Triunfo, do Camarada Punhal, sublinhando-o e fazendo anotações do seu conteúdo num pequeno caderno de capa vermelha, enquanto fumava cigarros sem filtro e bebia copos de leite. José tentava em vão ler A Verdade. O jornal contava sempre o mesmo, dando conselhos e ordens aos militantes, como se eles fossem homens e mulheres sem vontade própria, constantemente a necessitar de auxílio e de orientação. Por vezes tentava ler algumas das obras de Marx ou Lenine, mas era como experimentar decifrar os Evangelhos. A mensagem enublava-se num emaranhado de palavras sem sentido.


José procurava afincadamente a bondade: a bondade de Deus, a bondade dos homens, a bondade dos proletários. Mas apenas se deparava com problemas. Ele buscava respostas para as suas inquietações, mas cada vez as perguntas eram maiores e mais complicadas.


Noite alta, enquanto olhava a rua deserta pelos buracos do muro de jornais, apetecia-lhe chorar. Mas um homem não chora, um revolucionário não chora. Apenas choram os covardes e os medrosos. Por vezes corriam-lhe dos olhos grossas lágrimas de desalento que desculpava por se tratar de reacções alérgicas ao pó ou às noites sem dormir.


O caminho da revolução, tal como o da redenção, é difícil de percorrer. “Temos de ser fortes para conseguirmos vencer as adversidades”, pensava ele, tentando iludir a sua fraca fé no mundo e nos seus protagonistas, porque se Deus não existe qual é o sentido da vida? E se Deus existe para que serve se não consegue aliviar a dor aos que sofrem, a lazeira aos famélicos e afastar as dúvidas a quem se encontra submergido por elas?

 


16Uma noite, enquanto os outros seus camaradas vigilantes dormiam o sono dos néscios, naquele engano de alma subversivo e vesgo que a realidade não deixa durar muito, José sentiu que alguém mexia na porta do Centro de Trabalho.(...)

 

(continua)

 

 


 

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Quarta-feira, 20 de Outubro de 2010

Crónicas Ocasionais

 

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“Pois sim!”

 

A vida é assim!

 

Ou nem assim!

 

Nesta Sociedade, confinada e amassada entre o Minho, a raia espanhola, o mar dos Algarves e as marés do Atlântico, há quase nove séculos que a vida é uma incerteza e ao mesmo tempo não é uma certeza.

 

Somos um Povo que nasceu de um mau costume  -   andar à porrada, dar cabo uns dos outros logo em família    -    a zaragata de S. Mamede!

 

Assim, inatamente desavindos, como seria possível «metermo-nos» com outros, com os de fora, com os vizinhos ou com os estranhos, e não levarmos porrada, regressar desbaratados ou apodrecer no campo de batalha?!

 

Eternamente reduzidos à condição de súbditos,  ainda não demos conta que continuamos com a patente de escravos.

 

D. Afonso Henriques proclamou a Independência   ………….   com reconhecimento e tributo ao Papa!

 

Às vezes, ao longo da nossa História, gritámos vivas à Liberdade.

 

Pois sim!

 

Mas nunca  A proclamámos!!!

 

E vós, ó meus contemporâneos e meus coetâneos, em que dia ou em que ano deixastes de ouvir falar em CRISE?

 

Continuamos a pagar as favas da nossa submissão, da falta de coragem para usar o nosso pensamento, e da covardia em tomarmos decisões que nos responsabilizem de alto a baixo.

 

Vós, Nós continuamos súbditos e escravos consentindo que nos adormeçam e amordacem com o canto de sereia da CIDADANIA.

 

Não! Não somos ainda CIDADÃOS!

 

Ainda não somos capazes de julgar “jurídica e legalmente a política” de quem nos tem governado e governa!

 

 

 

Tupamaro

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