Sábado, 30 de Abril de 2011

A Missa do 7º Dia (1) - Por Luís Fernandes

 

 

Tal como anunciamos, começa hoje em forma de episódios o contar de uma estória que nos leva até aos meados século passado na cidade de Chaves. Uma breve e intensa estória de amor perturbada pela missa de 7º dia. A estória é contada em XI episódios que irão estar aqui nos próximos sábados à noite. Estória já publicada em livro, de autoria de Luís Henrique Fernandes, edição de autor, ao qual agradeço a devida autorização para a publicar aqui na integra.

 

A foto da capa do livro/ilustração do cabeçalho é de autoria de Dinis Ponteira. As ilustrações utilizadas ao longo da história são de autoria do blog Chaves, com imagens de arquivo do blog Chaves Antiga de Chaves, imagens, mais ou menos da época em que a acção se passa.

 

Fica hoje o I Capítulo. Espero que gostem.

  

 

 

 

 

 

A Missa do 7º Dia

 

 

(I)


Era no tempo em que o amor era mais proibido que consentido.

 

Ainda havia clãs que concertavam os casamentos dos filhos, ainda estes no berço.

 

Ele era “rapaz da cidade”, estudado na Escola Comercial e Industrial.

 

Ela era rapariga bonita, do Bairro da Madalena, com traços daquela beleza transmontana resultante da mistura de Celtas, Romanos, Visigodos e Mouriscos.

 

Naquele tempo, a cidade era o Largo do Arrabalde e os arrabaldes do Largo. O rio, o Ribelas, as Portas do Anjo e o Monumento eram sinais da diferença entre o urbano e o sub-urbano. Mesmo nos Bairros da cidade usava-se, tal como nas aldeias, o «ir à cidade» - a substituir o «ir à Vila», de antes de 1929.

 

Um morgado, filho do Morgado de uma das Aldeias da Raia, apaixonou-se pela rapariga, logo na primeira vez que a viu, na Pensão da mãe, na Madalena.

 

Porém, do lado de lá do rio, nas redondezas do Largo do Arrabalde, morava o príncipe dos sonhos da moçoila.

 

 

 

 

Ela perdera-se de amores por ele logo na primeira vez que o vira, quando acompanhou a mãe à compras no Mercado Municipal.

 

Para o morgado foi paixão à primeira vista; para a rapariga foi a primeira paixão à vista.

Se a mãe entrasse na Rua das Longras lá a convencia a subir as escadas para virem para a Rua do Olival.

 

Se a mãe descia as escadas do Olival e quisesse atalhar pela Rua das Longras convencia-a que tinha visto, de relance, os padrinhos à porta da Pensão Império, lá na Rua do Olival, e queria passar por ali para lhes pedir a bênção.

 

E os olhares trocados com o seu principezinho, sempre a postos na área do “Mocho”, ateavam as chamas, cada vez mais ardentes, daquele amor fogoso.

 

Chegaram à fala.

 

E comprometeram-se.

 

(II)

 

O morgado tornara-se assíduo na Pensão da Madalena. A «Florette», que sucedera à «Pachancho», encurtava …

 

(continua no próximo sábado)

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 20:00
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Pecados e Picardias - Por Isabel Seixas

 

 

 

Faz de conta…

 

Faz de conta que chove… Parece!... Mas não, não chove.

 

O céu verte.

 

Ora pinga amor … ora… Nem sei…Ora insatisfação pessoal contagiosa, ora fartura que nos estraga e embrutece como mimados narcísicos sem sentido de autocrítica, mas também verte opções poéticas de fazer amor às escondidas de sexo puro e duro, nos olhares cálidos e cheios de carícias e afagos eterna e ternamente livres e infantis de saudosismos ingénuos de inoperantes do e se tivesse sido de outra maneira?...

 

Ora pinga oportunidades de mudar…

Cheiinho de buracos, telhas de vidro, rabos de palha, lágrimas de insónia do  o zono e do croco –di-lo…

 

Águas passadas em águas correntes…

 

Lamechices a dissimular a mudança pró mesmo, a gastar o que não se tem como forma de poupança e gestão moralizante… Hey e há igualdade na mania  do finalmente a possibilidade do é a nossa vez…E isso é justo, porque fomenta modelos de alternância em que é pedagógico ser o que se disse não querer ser…

 

 

 

 

E é preciso não alterar muito, pode ser contraproducente, até para uma rotina desmistificar a montagem pode ser perverso, nem dá jeito nenhum, assim essa chuvinha que não molha,   também é boa de inócua…

 

A originalidade peca por excesso e por defeito…

Continuemos a continuar à procura do tesouro nunca achado, mas que nos faz prosseguir, continuemos nos momentos de igualdade  aproveitemos a intensidade…

 

 

_Flavinha minha filha compõe melhor a colcha verde e a vermelha as outras cores já estão bem, quando passar a procissão aproveita Agora os beijinhos e abraços de Todos para Todos é só nestas épocas que nos conhecemos uns aos outros…

 

 

_Atáo  ti Zé a feira

_ Agora é que vai começar a ficar boa, sim senhor, até parece uma romaria vêm até os senhores e as senhoras, até vou trazer sempre a patroa…

_E atão em quem vai votar?...

_Quem eu? Ó home deixe-se disso, como as vacas tenham saúde…Venha mas é daí mais um copo.

 

Isabel Seixas

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 12:00
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S.Cornélio, mais algumas imagens.

 

 

 

E enquanto não chega a habitual crónica de hoje de “Pecados e Picardias”, que só acontecerá por volta do meio-dia,  vamos fazer uma passagem por uma das nossas aldeias.

 

Vamos fazer mais uma breve passagem em imagem por S.Cornélio, pelas suas cores e os seus pormenores.

 

 

 

 

Ainda hoje, lá para o fim do dia, inaugura aqui a “Missa do 7º Dia”, uma estória de autoria Luís Henrique Fernandes que vai passar aqui em episódios aos Sábados à noite. Para mais logo ficam alguns pormenores.

 

 

 

 

 

 

A partir de hoje, os Sábados aqui no blog, vão ter três publicações, uma no inicio do dia, outra ao meio dia e outra ao fim do dia.

 

Até logo.

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:13
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Sexta-feira, 29 de Abril de 2011

Discursos Sobre a Cidade - Por Isabel Seixas

 

 

Cemitérios Vivos

 

Olá Pai

 

Agora, já sem a obrigação da manhã, a displicência da tarde e as motivações da noite, és só Tu, um sol no luar e um luar num sol sem tempos espartilhados…Sempre alvorada.

 

Estamos à volta numa lareira cálida de ternuras, de gostar de estar juntos, estamos a degustar sarrabulho, feito com a arte da mãe, hum…O sangue cozido, esfarelado em açúcar em ponto, pasta com miolo de amêndoa laminada, paladar a família, rica por amor…

 

A tua residência continua cuidada com flores e o teu pequeno jardim aufere olhares de bem me quer nossos, e outros indecifráveis…

 

A avozinha olha-te na mesma com o seu ar de superioridade de sogra e de quem nasceu primeiro… Não te deixes levar é a forma dela te venerar, acredita…

 

Tens um vizinho de olhar Saturno pereceu na década de 40, e a foto da lápide, hitleriana demoníaca e soberba já não intimida, “a-penas” faz Pena, lembra a pobreza da pobreza de espírito que abandonado do carinho de qualquer complacência erigiu preconceitos raça pura, estanque por ausência do amor da diversidade, da graça ternurenta da diferença, preenchida e atenuada com o deixa pra lá, por uma vizinha de olhar sábio de mãe…Corroborado no sorriso doce e poupo arranjado de cabelo discreto num apanhado genuíno de artesanal, com ganchos daqueles que a avozinha usava…

 

Passei Também pelo Sr. Miranda, sorri-lhe com gratidão por me ensinar a leveza do prazer de brincar, lembras-te quando nas festas Ele metia talheres nos bolsos dos blazers das pessoas mais in de quem fazíamos cerimonia e depois as acusava sem contemplações de quererem roubar o faqueiro aos poucos com a perplexidade delas? Obviamente que desvendávamos fair plays os que não achavam piada eram no mínimo… quer dizer não eram sportinguistas convenhamos…

 

Fui ao André e aos meus amuletos que já sabes… estão cuidados e destilam como Tu os nutrientes de amor que trago no dia a dia, em expressões marinadas de sorriso calmo e ténue e nas certezas dos déjá vu é a vida e é bom mesmo com sabor a saudade…

 

Já sabes que te adoro, até e principalmente nas tuas dimensões neura…Deitadas por terra em gargalhadas espontâneas e primárias com as simples e assertivas veleidades das irreverências de filhas e netos…

Tua filha Zabel

 

Isabel Seixas

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:23
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Concurso de Fotografia Digital - 175º Aniversário do Concelho de Boticas

                                 

 

 

No âmbito das comemorações dos 175 anos do Concelho de Boticas, o Município de Boticas e a LUMBUDUS – Associação de Fotografia e Gravura vão promover durante os meses de Maio e Junho um concurso de fotografia subordinado ao tema “Boticas – Vila e Aldeias” tendo como principal objectivo promover a fotografia na divulgação do património cultural, histórico, paisagístico, natural e arquitectónico do concelho de Boticas.


Fica a dica para o pessoal amante de fotografia. Para informações e consulta do regulamento, passe pelo blog dos Lumbudus em http://lumbudus.blogs.sapo.pt

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:13
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Quinta-feira, 28 de Abril de 2011

O Homem sem Memória (46) - Por João Madureira

 

 

Texto de João Madureira

Blog terçOLHO

Ficção

 

46 – Ninguém queria acreditar, mas o guarda-fiscal Martins jazia morto e arrefecia no carreiro que ligava Vilar de Perdizes à fronteira. Ali estava ele a fitar o céu com os seus olhos agora cegos e com o pénis ensanguentado, e definitivamente morto, criteriosamente enfiado na boca.

 

O Martins era um homem severo, rancoroso e interesseiro. Aos olhos dos pobres era visto como um verdadeiro filho-da-puta, aos olhos dos abastados era encarado como homem cumpridor, bom pai de família, prestimoso e temente a Deus. Era um vigarista, mais candongueiro que guarda, apreciador de amantes e de putas, marido infiel e tirano, mas celibatário no casamento, pedófilo prudente, pai lobo, filho ingrato, amigo desleal, tocador de concertina e gaita-de-beiços e, ainda por cima, fogueteiro. Ou melhor, era sócio misterioso numa empresa pirotécnica da zona. Era ainda feio como um sarronco. Batia nos filhos, maltratava os animais, espancava os contrabandistas e violava, quando podia, meninas muito jovens, sobretudo crianças. Sentia-se bem com o mal dos outros e apreciava ver sofrer. Mas era um guarda-fiscal competente, pois conhecia todas as redes de contrabando, os trilhos utilizados pelos contrabandistas e as suas artimanhas. A raia seca era toda sua. Ganhava a meias com o contrabando por si autorizado. E também a meias ganhava com o outro. Se apanhava algum contrabandista carregado de café, azeite, bacalhau, polvo, chocolates, tabaco, perfumes ou bananas, dispunha os bens capturados da seguinte maneira: metade para si e a outra metade dividida em partes incertas pelo Estado e pelo colega de patrulha. Era pegar ou largar. No fim das partilhas, nunca se esquecia de cobrar a taxa destinada ao sargento do posto, trinta por cento do serviço. Não fumava, não bebia vinho ou cerveja e gostava de passear montado no seu alazão, adornado de pistola e pinguelim. Cantava muito bem o fado, talento muito apreciado pelas forças vivas da Vila e pelas senhoras mal consorciadas. Era ainda caçador afamado.

 

O Martins gostava de acossar as mulheres dos contrabandistas e as suas filhas mais novas. Fazia-o com alguma discrição, mas não era homem para dissimular muito. Os homens do contrabando conheciam-lhe o feitio, por isso faziam-se desentendidos. Era o contrabando ou a honra. Mas a honra, nos lugarejos da fronteira, não dava de comer a ninguém. Ou quase. No entanto, diga-se em abono da verdade, não era as mulheres maduras o que mais apreciava. Cobiçava, principalmente, as fêmeas mais novas. Meninas púberes, ou crianças mesmo.

 

Os pedófilos mais frequentes são quase sempre gente da família mais chegada, quando não os próprios progenitores. Por isso o guarda Martins, pressentindo na família alguma atitude mais temerária por parte dos pais, ou manos, ou tios, começava a patrulhar a casa com o seu instinto de predador sexual e quase sempre alcançava os seus desígnios. Com a mãe amantizada, com o pai contrabandista, os irmãos oficiando o mesmo e os tios foçando em idêntico mester, a criança não tinha escapatória possível. Passava a ser o arranjo de todos. Mas também era sabido que o Martins enquanto andasse a cear a pardalita não autorizava que mais ninguém lá metesse o dente. E fazia-se respeitar. Era pegar ou largar. O Martins não era besta que se perdesse de amores por ninguém. Detestava o uso. E não era animal de tradições.

 

Podia ser amante da mãe, copular a filha mais velha e estuprar a menina mais nova da família, nada disso lhe tirava o sossego. Era um homem que pensava que o prejuízo próprio não durava. Quem se acostuma a subjugar destrói a grandeza moral da vida. E o gozo é um vórtice escravizador.

 

Mas nem as certezas são imutáveis, nem os prepotentes estão isentos do livre arbítrio. Pode-se comprar a honra de um homem, de dez, de cem, mas não se pode conseguir a honra de todos ao mesmo tempo. Além disso, o ser humano é imprevisível. Não os filhos-da-puta, já que esses estão amaldiçoados à desventura do insofrimento.

 

A princípio, o guarda Martins distinguia-se por ser um predador cauteloso, um raposo finório. Patrulhava o galinheiro com todos os sinais exteriores da estima, do trabalho e do seu enaltecido profissionalismo. Primeiro prendia o pai, de seguida comedia-se em ficar com a carga. Numa terceira fase aliciava o contrabandista para fazer parte da sua rede. A conquista da mulher era o passo subsequente, pois sabia que para chegar ao objecto predilecto tinha de passar pelas fêmeas mais velhas. Logo que elas ficavam amansadas, lançava-se na submissão das pardalitas.

 

Por vezes isso acontecia numa mesma aldeia entre famílias rivais. Os homens a tudo se acomodam. Mas a inveja é sempre maior que a própria condição humana. E dessa vez o contrabandista abandonado encheu-se de fundamentos e prometeu vingar-se em reunião familiar, pois podia ser corno, a sua mulher e as suas filhas mais novas umas putas do caralho, os seu filhos uns cobardolas, e a sua Rosita uma menina desgraçada para a existência logo desde criança, mas a honra é um pacto triste. Que Deus o amnistiasse, mas ser trocado pela família do Pereira, que sempre foram uns borra-botas, isso não podia aceitar. Vá-se a honra mas fique a tradição. E a sua família sempre foi mais importante do que a dele. Os Pereiras sempre foram cabaneiros, uns infelizes que nunca tiveram onde cair mortos.

 

47 - Bem avisou o agente da autoridade: “Ó senhor Martins, não me faça uma desfeita dessas. Os Pereiras foram sempre uns ranhosos. Uns ...

 

(continua)

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:38
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Quarta-feira, 27 de Abril de 2011

Palavras colhidas do vento... por Mário Esteves

 

 

 

No mesmo dia do passado feriado do 25 de Abril escutei de uma pessoa que não superaria os vinte e três anos, esta pérola: “ Não sei o que o 25 de Abril significa para estes lados. Aqui não havia repressão …”


De imediato, seguiram-se outras que poderiam formar um colar. Na tentativa de o rebater, ouvi daqueles que o acompanhavam, as coisas mais estapafúrdias como “ … não se podia (er) andar à noite …”.


Enquanto isso a televisão passava os excertos “mais significativos” dos discursos de alguns dos Presidentes da República, eleitos depois do 25 de Abril, perante a indiferença e às vezes o desdém dos presentes.


Concluí a licenciatura já no longínquo ano de 1977 e logo que regressei a Chaves, pouco tempo depois era convidado na qualidade de independente a fazer parte da lista do PS, candidata à Assembleia Municipal.


Eleito num pequeno grupo minoritário e numa das sessões que antecedia o 25 de Abril, daquele ano, um deputado do então CDS usou da palavra e atacou com virulência o 25 de Abril, assacando-lhe todos “os males da pátria”, e propondo que o 25 de Abril não fosse comemorado, perante a oposição e a incredulidade do grupo a que eu pertencia e do deputado do PC.


A proposta foi votada e aprovada por larga maioria à excepção da facção que referi e antes se opusera.

 

 

Creio que alguém foi chamar à pressa o Presidente da Câmara de então, que até àquele momento estivera ausente da sessão, e que, seguidamente, usou da palavra; repreendeu severamente o seu grupo, que participara na aprovação da proposta, e apresentou uma nova que alterava substancialmente a que fora anteriormente aprovada, repondo a “normalidade democrática”, embora de forma pouco ou nada regulamentar.


E foi com a maior coerência que alguns deputados, a maioria, em escassos minutos passaram de críticos ferozes do 25 de Abril para ardentes e estrénuos defensores.


E também foi com naturalidade que decorridas poucas mais sessões abandonei a Assembleia…


Vendo bem, não sei se ficar mais surpreendido com o ontem se com o hoje

 

Mário Esteves

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 15:41
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Terça-feira, 26 de Abril de 2011

Zerbadas em Chaves

Zerbadas em Chaves

 

Em Abril águas mil e às vezes chega até nós em forma de zerbadas. Hoje também temos por cá as zerbadas de Chaves, mas estas, são em forma de livro, por um contador de estórias já nosso conhecido e que este blog tem a honra de ter entre os seus colaboradores – Gil Santos.


Depois de Ecos do Planalto – estórias e De Chaves a Copenhaga – a saga de um combatente, Gil Santos apresenta-nos e presenteia-nos com um novo livro, acabadinho de publicar pela editora Contrafolha: Zerbadas em Chaves – estórias, já à venda numa FNAC perto de si e, brevemente, lançado na nossa cidade.

 

 

 

Zerbadas em Chaves – estórias é patrocinado pela Câmara Municipal de Chaves, conta com a prestimosa colaboração do prestigiado autor barrosão Bento da Cruz que aceitou apadrinhá-la, escrevendo um curioso prefácio. Bento da Cruz é autor de diversas obras, quase sempre esgotadas, como O Retábulo das Virgens Loucas; Lobo Guerrilheiro; O Planalto de Gostofrio; A Fárria; histórias da Vermelhinha; Prolegómenos; Hemoptise; Histórias de Lana Caprina; A Loba; Guerrilheiros Antifranquistas em Trás-os Montes , entre outras.

Zerbadas, no dizer de Bento da Cruz, oferece-nos histórias contadas numa linguagem coloquial, expedita, agradável ao ouvido e de muito proveito para o espírito. Diz-nos ainda que já conhecia razoavelmente o hábito externo da cidade de Chaves. O rio, as pontes, as caldas, o castelo, as igrejas, os jardins, os fortes, as ruas antigas. Faltava-me este livro para lhe ficar a conhecer o hábito interno. A boémia, a gíria, as figuras típicas, as anedotas, o ambiente de rua, de quartel e de sacristia, as más-línguas, as alcunhas, a ralé de uns, a bacoquice de outros, o ridículo de todos. Um livro interessante. E porque o é, aceitei apadrinhá-lo.


Das notas de abertura:


Pela encosta do Brunheiro às noitinhas de Inverno, precipita-se o zimbro como um rebo tresloucado. Ímpio, escarrapacha-se em silêncio, cindindo-se em mil cibos que transem a veiga num abraço de bincelho. A alma granítica dos da ribeira, é curtida por esta espécie de castigo que os céus arrimam. De cacaranhassob as choinas do tição carpem-se, como desde o princípio do mundo, as mágoas da solidão e do carambelo.

 

A vida folgada continua aputada por aí. Emprenhando as amantes, despreza a fêmea, ávida, que tem em casa!

 

Atrás dos torgos bem se esconjura a dor para que não remoa. Bem se defumam os cantos para que Lúcifer não atazane. Bem se emborca ao borralho o tinto morno da pichorra de Nantes, mas não há meio!.

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Assobalham-nos a esperança como a ferrã em campo verde.

 

Um viver penoso que nem a ilusão da modernidade amacia.

 

Carai, que vida do catano!..

 

A esperança na electricidade, no telemóvel, no computador e na internet, no ipod, no satélite, no gps e na televisão 3g, na auto-estrada, nas promessas dos políticos, no fim do isolamento milenar e na igualdade de oportunidades, parece mirrar como a bosta no merouço!

 

Estou tentado a crer que continua quase tudo na mesma:

 

- a chiba, a roer rebentos de silva brava nos arrabaldes da cidade como há séculos;

- a fêmea do bicho homem a parir, ontem no cortelho, hoje na A24 a caminho de Vila Real;

- o filho do remediado a estudar na Universidade de Curral de Cabras e o do pobre, condenado ao eterno fado do desgraçadinho!

 

Quem se vá, prove o gosto da brisa marinha e oiça o canto inebriante da sereia, dificilmente torna de vez.

 

Quando o faz é de passagem, à procura de afogar a nostalgia nos trinos do rouxinol, na limpidez dos ares e nos espaços infinitos. Enfim, um lavar de alma que o buliço urbano reclama!

 

Os do litoral vestem-se de damasco, os da serra remedeiem-se de surrobeco!..

 

Maldita sorte, rais te fonha!

 

Bem sei que os seis meses do Inverno continuam largos e castigadores. Mas haja esperança porque provavelmente já o foram mais. O tal meio ano de Inverno e outro tanto de inferno, há-de mudar, a um ritmo lento, quase imperceptível, bem no sei, mas mudará! Até se diz que já não há Invernos como antigamente, em que os nevões davam pelos peitos!..

 

Não sou, nunca fui biqueiro, mas custa-me a deglutir tanta discriminação! A ter de a esgramar, hei-de esgomitá-la em trejeitos de revolta para que não me esfoure.

 

Escarabulharei aqui as palavras como quem descasca baiges tchixarras.

 

Quero cantar a veiga à sua altura, assim me ilumine Santa Maria Maior.

 

Sejam os dezeres que este escrito põe ao léu zerbadas de água fresca e bem caída. Pingas genuínas e revitalizantes que aproveitem ao renovo. Sonho-as prenhes da idiossincrasia de que o leitor carece para sonhar!..
 

 

 

Da sinopse:

 

Passado o Inverno, zerbadas de Maio precipitam-se esparsas sobre o pó fino das memórias.


Levantam um olor antigo a terra molhada, nostálgico, transporta-nos a um mundo outro.


A um tempo em que as coisas simples ainda tinham nome e a couve penca sabia a terra e a geada.

 

Água que amamenta o devir.

 

Sejam os dezeres que este escrito põe ao léu as tais zerbadas de água viva, bem caída. Pingas genuínas e revitalizantes que aproveitem ao renovo.

 

É à Trás-os-Montes que faço questão que estas estórias falem!

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 22:39
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Segunda-feira, 25 de Abril de 2011

Pedra de Toque - 25 de Abril Sempre

 

 

 

25 DE ABRIL SEMPRE

 

 

 

Podia ter acontecido no rigor do Inverno.

 

Podia ter surgido no cair do Outono.

 

Podia ter alvorado no calor sufocante do Verão.

 

 

Foi contudo em Abril.

Na Primavera.

Em tempo de cravos que murcharam balas nos canos das armas.

À garganta subiu um nó de comoção, retido há muito no centro do corpo.

A voz gritou limpa, seca das lágrimas do filho, irmão e esposo, nunca mais herói na guerra.

A memória dos que nunca vergaram, caindo de pé como as árvores, moeu de saudade e respeito, quantos respiraram bem fundo a Primavera do dia.

 

 

 

 

 

Foi história para ensinar a vindouros.

Para recordar aos que a esquecem.

 

Foram também os erros, tantas vezes inevitáveis.

 

Mas sobretudo o caminho para um PAÍS NOVO, livre.

 

Sem delação, sem grades no pensamento, sem lenços no cais acenando a dor, sem profissionais da denúncia.

 

País aberto, país dialogante, país sem orgulho na solidão.

 

 

Quanto mais não fosse – e foi por tanto -,


 

Pela Liberdade, 25 DE ABRIL SEMPRE!

 

 

António Roque

 

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 15:46
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25 de Abril - Sempre

 

 

 

Sempre que chego a esta data recordo as palavras do nosso grande poeta Fernando Pessoa, precisamente o primeiro e último verso das três quadras de “O Infante” – Deus quer, o homem sonha, a obra nasce/(…)/Senhor, falta cumprir-se Portugal! – E se durante muitos anos por força das circunstâncias foi impossível cumprir Portugal, com o 25 de Abril de 1974, Portugal passou a ter as condições necessárias para que se pudesse cumprir – a democracia e a liberdade. Pois!, mas senhor, passados 37 anos continua a faltar cumprir-se Portugal.

 

 


 

Penso que todos sabemos que a democracia e a liberdade são necessárias para que se cumpra Portugal, mas tal como nas matemáticas as condições necessárias não são suficientes e as variáveis e incógnitas vão assumindo o seu valor até resolver os problemas para chegar às soluções, ao invés de Portugal, onde as variáveis apenas servem para complicar ainda mais o problema, e temos pena.

 

Resta-nos acreditar, ter esperança, talvez com menos sonho e muita mais responsabilidade, de todos, dos que elegem e não elegem, e sobretudo, dos que são eleitos. Exija-se deles a verdade e honestidade, a democracia, a liberdade, a responsabilidade.

 

Cumpra-se Abril para cumprir Portugal.

 

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 15:43
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Quem conta um ponto... Iluminações

 

 

 

 

Iluminações

 

Parece que o ainda líder da recém demitida oposição não revela um talento especial para a política. Não acerta bem nos tempos. Deixa-se levar pelo ressentimento e pela excitação. Como a sua principal preocupação é chegar ao poder a todo o custo, é a isso que se dedica com obstinação. Apesar de legítimo é pouco ético. Vê-se ao longe que o seu talento não é para vir a desempenhar as nobres funções de primeiro-ministro mas sim a de ser gestor de uma empresa privada, com alguns capitais públicos, onde o inglês seja a linguagem de trabalho, pois apenas nesse idioma é que alcança exprimir as suas verdadeiras intenções. 

 

Nota-se que a grande maioria da actual classe política está tão à rasca como a dita geração. Se têm jeito para consertar carros, consideram que devem cantar ópera; se sabem cantar, acham que devem ser engenheiros informáticos; se têm queda para a engenharia querem ser directores escolares; e se revelam apetência pelas relações internacionais querem ser logo membros do Governo. É um despeito. É a necessidade de provar que por terem pertencido às juventudes partidárias são auto-suficientes para exercerem todos os cargos e mais alguns. E quase sempre com os resultados que estão aí à vista. 

 

Não pensem que estou a tentar dar a entender aquilo que estou a dar a entender. Essa não é a minha maneira de ser. Mas sempre vos digo que nos faz falta um Catão (considerado o primeiro escritor em prosa latina de importância; foi o primeiro autor de uma história completa da Itália em  latim. Alguns historiadores argumentam que, de não ser pelo impacto que causaram os seus escritos, o grego teria substituído o latim como língua literária em Roma) ou um Lincoln, que andou mais de seis quilómetros no meio de uma ventania gelada para devolver três cêntimos a um freguês. Está visto que já não existem homens desta têmpera. E mesmo o aio de Afonso Henriques apenas empenhou a palavra, não devolveu o que não era dele. Uma coisa é a palavra, outra bem distinta é o dinheiro.

 

É bem provável que estejamos a viver a época mínima da política. Sinto que nos estão a tratar como meras crianças cuja única parcela de grandeza é igual à que um catraio retira dos reis de contos de fadas. Daí a necessidade de estarem constantemente a invocar os homens que já se foram, pois apenas eles conseguiriam salvar o que dizem já estar irremediavelmente perdido.

 

Mas rejubilemos, pois, como muito bem explica o meu amigo R., não devemos ficar zangados porque alguém nos diz a verdade. Isto se tivermos a sorte de encontrar quem nos a diga.

 

Isto está tão mal que qualquer dia a Europa faz-nos o que os esquimós fazem com os familiares velhos: deixam-nos numa casota de gelo com comida para dois dias. E o pior não é o abandono, mas a esmola. Porque uma coisa é comer a própria comida, outra bem diferente é comer um prato esmolado, mesmo que o valor em calorias seja o mesmo.

 

Sente-se no ar a tragédia. Acho que os portugueses nunca antes se observaram uns aos outros com tanta hostilidade. Permitam-me a sinceridade, considero que se está a fazer tanto ruído à volta da nossa situação política, económica e social que não vai ser possível tomar uma decisão correcta. E a mentira hesita no ar. Não é por se dizer uma mentira dezenas de vezes que ela se transforma em verdade. Mas, convenhamos, é isso o que a maioria dos políticos faz. Acredita nas suas próprias mentiras repetidas até à exaustão. Depois passam a acreditar nessas suas palavras, a acreditar no poder da fala. Mas uma coisa é falar bem, outra, bem distinta, é dizer a verdade.

 

Eu continuo a desconfiar dos iluminados que nos apontam o caminho. Torço o nariz àqueles que se colocam à frente do resto da turbamulta para interceptarem o grande raio social. Suspeito dos que fazem queimadas no meio da sociedade portuguesa. É que os jorros de fogo podem provocar um incêndio que desbaste o país.

 

Sei que ainda não estou suficientemente velho para estar cansado da política. Mas cada vez mais me sinto confinado a escutar a minha própria consciência. É a isso que dou valor.

 

Em verdade vos digo que não sei se esta situação podia ter sido evitada. Todos sabemos que ela é irremediavelmente má. Sinto, no entanto, que quem se achar com forças para encontrar uma saída é um homem esperançoso ou, simplesmente, tolo.

 

João Madureira

 

 

 

 

 

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Domingo, 24 de Abril de 2011

Cartas do Zé

 

 

Caro amigo

 

Este ano também vou faltar á marcha. Por um motivo ou por outro nunca manifestei a minha opinião favorável á legalização do cannabis. Sim, cannabis, marijuana, cânhamo, erva, suruma, maconha, ganza. Quero a legalização desta substância.

 

Tratei por tu os “cigarros do riso” durante grande parte da minha vida. Curiosamente, deixei o seu consumo pouco depois de chegar á terra da maconha, o Brasil. Abandonei sem pressões, mas também sem pena ou remorso uma relação de quase trinta e cinco anos.

 

Penso estar acima de qualquer suspeita para falar do assunto. Faltou-me a coragem e discernimento para falar antes. Sabem, tenho pai, mãe, filhas e resquícios de preconceito.

 

Por isso mesmo, decidi abordar o tema.

 

Desde 1999 que a cada primeiro sábado de maio a Marcha Global da Marijuana sai para as ruas das principais cidades do mundo para reivindicar a legalização desta droga. Em boa hora que alguém se lembrou disso.

 

Ano passado a Marcha ocorreu em mais de 200 centros urbanos do mundo. Os participantes marcham pela legalização, pelo livre cultivo e consumo e pelo fim do preconceito.

 

Lembram que o cannabis é utilizado como terapia em inúmeros casos clínicos e em breve será base de grande parte dos medicamentos. Recordam que os malefícios são os mesmos do tabaco ou café e menores do que qualquer bebida alcoólica. Apontam soluções para a sua comercialização e o consequente fim do tráfico e traficantes. Frisam que o seu consumo não provoca dependência física como outras drogas e recusam qualquer tipo de descriminação por assumir o seu consumo.

 

Eu assino em baixo. Nunca me considerei doente por fumar um charro. Aí, o mundo parava com os atestados do pessoal fumante.

 

Os não consumidores devem-se perguntar quais são afinal os efeitos desse cannabis. Pois bem, a mim faz-me rir, dá-me fome, relaxa-me e sinto alívio de dores nas costas.

 

Respeito quem não fuma, mas não gosto de ver ninguém ser descriminado por fumar. Citando Peter Tosh, legalizem, não critiquem. Ele cantava ainda que todos a fumam. Médicos, juízes, advogados, políticos... e é verdade.

 

Acabemos pois com a hipocrisia e o “seguidismo” das políticas norte americanas e euro comunitárias que caracterizam as decisões da nossa cidade e do nosso país.

 

Perguntem ao João Batista que antes de ser presidente da câmara de Chaves era professor de História. Ele sabe que o cultivo do cânhamo só foi proibido em Portugal em 1970.

 

Sabe também, como mudam essas orientações em função dos interesses económicos. Os americanos, por exemplo, que condenaram o consumo do vinho até as vinhas da Califórnia começarem a produzir esse néctar, agora divulgam estudos científicos sobre os seus benefícios.

 

O presidente tem ainda conhecimento que os estudos sobre os malefícios do tabaco datam de meados do século vinte e que ninguém do poder público fez nada para travar o seu consumo. Quando os americanos descobriram que gastavam mais no tratamento do cancro de pulmão do que recebiam de imposto pelo consumo de tabaco, começaram a proibir a fumaça.

 

Agora, toparam que cuidar da saúde dos seus obesos pesa mais nas finanças nacionais do que os impostos recebidos da indústria do “fast food”. As multinacionais de comida rápida que se preparem para mudar o cardápio.

 

Voltando ao cânhamo, falta referir a utilidade da planta na indústria têxtil, cosmética, produção de biodiesel, construção civil e a já citada medicina.

 

Para os que apontam o consumo de cannabis como a porta de entrada para outro tipo de drogas mais perigosas, quero dizer duas coisas. A primeira é que muitos consumidores de drogas “duras” como a cocaína, heroína, crack e toda a panóplia química imaginável, nunca fumaram um charro na sua vida. A segunda é que a legalização e consequente taxação de impostos permitem encontrar verba para o tratamento dos verdadeiros doentes da droga, os dependentes químicos. O fim do enriquecimento ilícito dos traficantes e o desaparecimento da pequena criminalidade seriam uma realidade.

 

Com o desejo de que o vale do Tâmega se transforme em breve numa imensa e rentável plantação de cânhamo, recebe aquele abraço do tamanho do oceano do amigo que te estima,

 

Zé Moreira

 

 

 

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Boa Páscoa

 

 

 

 

 

 

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Sábado, 23 de Abril de 2011

Sábado de Páscoa

 

 

É Sábado de Páscoa. Os últimos folares vão ao forno e o cabrito ou cordeiro já está em estágio de alguidar para amanhã bem cedo ir ao forno, já sem a preocupação da bênção das casas, pois a cerimónia ao longo dos anos de implantação das modernidades foi-se perdendo.

 

Mas não foi só a tradição da bênção das casas que se perdeu. O tradicional ramo que ia a abençoar no Domingo de Ramos, com ramos de oliveira e alecrim, para mais tarde, em dias de trovoada, ajudar Santa Bárbara  com a queima de alguns ramos abençoados. Esta tradição ainda se vai mantendo, só que agora, o ramo, é da florista da esquina. Vale a intenção mas perde-se a tradição.

 

 

 

Também os autos da paixão, esta semana já aqui mencionados, são coisas do passado, pelo menos os mais famosos que levavam até eles umas boas centenas de “peregrinos” em gesto de apreciação da representação mais popular que conheci, pois ainda tive a sorte de em pequeno ver o auto da paixão de Curral de Vacas. Claro que não esqueço do de Curalha que até ficou até bem mais afamado que o das Terras de Monforte e tudo graças a Manoel de Oliveira ter feito de um dos autos o seu Acto da Primavera (1962), um filme documentário, longa metragem que ainda hoje é uma das obras contemporâneas do cinema etnográfico que viria a inspirar outros realizadores a realizarem trabalhos idênticos.

 

 

 

Foram-se perdendo algumas das tradições religiosas ligadas à Páscoa. Tenho pena que algumas se tenham perdido mas em tudo o restante, gosto mais da Páscoa actual, pelo menos é mais alegre e com muito menos medos da Igreja que ao longo da ditadura e do estado novo se impunha a um povo maioritariamente ignorante com os medos e temores a Deus em que na Páscoa (quinta-feira à tarde e sexta-feira santa) eram mais acentuados e forçosamente a Páscoa  tinha de ser triste e penitente, jejuar sem comer era uma graça a Deus, ouvir música (com excepção da clássica – vá-se lá saber porquê) quase era pecado, festas, fossem quais fossem, essas além de pecado era uma afronta a Deus. Só mesmo no Domingo de Páscoa é que a alegria e sorrisos podiam regressar aos rostos.  

 

Hoje ficam imagens que nada têm a ver com a Páscoa, mas são imagens das duas aldeias onde em tempos se realizavam autos da paixão: Curalha e Curral de Vacas.

 

Boa Páscoa.

 

 

 

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Sexta-feira, 22 de Abril de 2011

Discursos Sobre a Cidade - Por Tupamaro

 

 

CONVERSAS COM ZEUS

-XIV-

 

“E  V  O  É!”

 

 

O nosso amigo ZEUS anda com a trombeta virada para oriente e até se esquece dos amigos a ocidente.


Ente por ente, os daqui ainda são os que melhor nozes têm para ele dar ao dente.


Mas os tipos de olhos em bico andam a dar-lhe volta à cabeça, e a Zeus não lhe sai da cisma o sismo em Honshu.


«Segundo fonte próxima» do palácio de Inverno, de Zeus, o nosso amigo desconfia que devem ser a mão de um tal Osama, ou doutro que tal Obama, que anda a mexer na “HAARPa”. E de tal maneira que as vibrações das cordas fazem tremer o céu e a terra.


Tendo-lhe constado, por alto, que uma seita de vampiros estava a infiltrar-se pelo cabo Espichel, com a intenção de sugar os Portugueses até ao tutano , mandou-nos a casa um secretário de Dioniso para saber «noβidades».


Fizemos por recebê-lo bem:


- Fomos ao «Teique a Uei» buscar uma canja. Pusemos-lhe três bijus que, de passagem, comprámos no «Pão Quente»; servimos-lhe «robalo à Godinho», acabadinho de pescar no Furadouro, e acompanhado com batata francesa que está à venda no mini-supermercado do rés do chão do nosso Bloco. A pinga foi um copo mal medido, de uma garrafa a quem escondemos o rótulo.


Mas o secretário permanecia com um ar esquisito.


Molhou a boca, a fazer render o copo, e soltou:


- Não consigo assentar as ideias e recolher com modos as informações enquanto não entender uma coisa.


- Ora desembuche, catrino!


-É que ao atravessar a fronteira para a Tugalândia deparei com uma nuvem de aviões com o nariz virado para tudo o que era estância de Férias! E era cá um pagode lá dentro!


E bandeiras das Quinas por tudo quanto era sítio!


… A vossa  Selecção ia jogar fora?!


E o Scolari tornou a trazer a senhora do Caravaggio?!


-Qual caral….., ou caravaggio!


Isso são os deputados das últimas filas do Parlamento, os administradores das PPP’s, das Empresas Municipais, os eternos dirigentes sindicais, os clientes do BPN, os reitores das Novas Oportunidades e os sortudos do Rendimento Mínimo (aqui com a principesca oportunidade de se “inserirem socialmente”).


Como todos ultrapassaram os objectivos previstos receberam chorudos prémios e foram-lhes abertas «Janelas de Oportunidades» para gozarem, à grande e à francesa, estas Férias de Páscoa.


-Ai! P á s c o a!....- interrompeu-nos.


Dioniso bem lembrou a Zeus que já ia muito tempo sem ele fazer uma visita à Cornualha Ibérica, e especialmente à Normandia Tamegana.


As almôndegas vietnamitas, o kaisehi japonês, o echon e o lambanog filipino têm – lhe dado cabo da saúde.


E não é que está mesmo a calhar-lhe bem uma vinda nestes dias?!


P á s c o a!.....Lembra o amigo!


Ora aí está!


Um cabritinho da Padrela ou do Alvão, um cordeirinho de Castelões, assados no Forno do Poβo de uma dessas Aldeias dos arredores de CHAVES, uma pinga de Balcerdeira, de Vidago ou Vila Meã!...


Espere lá!


Mas esta semana não calha naquela particular e especial altura em que essas Flavínias sacerdotisas do Lar, das Lareiras e dos lareiros fazem um abençoado pão, dum marelinho mais doirado que a luz dos sóis, recheadinho com uns cibinhos «disto, daquilo, doutro e daqueloutro» com mil paladares, fofinho e a derreter-se-nos na boca e a derreter-nos de consolo, quer logo na primeira dentada no primeiro carolinho, quer depois, se benzido com um, dois (três…trinta, trinta e três!...) goles de pingota de qualquer pipote ou «lumínio»  -  ou mesmo até com uma boa malga de café ou com uma «Sagres» ou «super bock»?!


Ah! Lá pelos corredores dos palacetes de Zeus até já se falou em «ovos de pita pedrês»!


Será que….


-P’ra secretário está tão bem esclarecido como um ministro!  - interompemos.


Não se esqueça de que aqui onde o recebemos os pitos são de aviário, e o marelinho dourado dos “cro-à-sans” se deve a umas pinceladas com anilina.


Para proβar do que está a falar temos de nos pôr a caminho do próximo dia de Aleluia. Mal se tope o Minhéu, é deixarmo-nos cair ……bem, podemos começar em ………….. Souto Velho, num petiscanço de «Rojões com mel» acompanhados com um «arcossó reserva».


Em seguida, em seguida…….só nos resta mandar parar o sol e, de vez em quando, ir às Caldas beber uns copos, «’tás a ver, ó meu?!».

-Quem me dera! Quem me dera!


Mas estou tão preocupado com a fraqueza de Zeus e o fastio de Dioniso que vou, mas é, já fazer uma escala no Campo da Roda, rumo a Nantes a apanhar o Pluto, arrombo as portas do Anjo e pego no Dinis e, de braço dado com eles, vou aos sítios mais secretos e eleitos que só eles conhecem, encho os bornais e os odres, e «ala que se faz tarde»!


Disse FOLAR?!


-AH! Seu «aldrabas”! Sabes a missa toda!


Mas fica a saber que não te digo onde fica a Feira do Folar de Valpaços!


Toma lá um salvo-conduto para depois poderes gabar-te que te regalaste com um «Pastel de Chaves» feito por uma Helena!


Ou tu  julgas que só vós tendes uma Helena!


A vossa só sabia fazer olhinhos!


A nossa faz uns ricos «Pastéis de Chaves»!


A vossa é de Tróia.


A nossa é d’ ABOBELEIRA!


Ora proβa aqui deste salpicão que ainda nos resta, dos reais, dos de lá de cima, e põe-te a mexer, que é para chegares a horas.


E diz a Zeus que, lá porque o profeta falso, João Baptista, só gosta de patrocinar Festivais e Congressos virtuais, onde nenhum concorrente ou orador põe a pata em Chaves, os LUMBUDUS estão «operacionais» para que, na Cidade de Trajano,  ele realize o próximo Congresso “di (n) – vino”!


V e r i t a s!


E V O È!!!!!!!!!!!!

Tupamaro

 

 

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