12 anos
Quarta-feira, 30 de Novembro de 2011

Chaves, a cidade da névoa

 

Ora, ele aí está, de volta como sempre, depois das chuvas chega o nosso nevoeiro e digo nosso, porque ele faz parte do ser flaviense e embora às vezes se lamente o frio, todos ficamos impávidos e serenos que nem o Duque da Praça.

 

 

Aliás se o nevoeiro é nosso, flaviense, o ficar impávido e sereno também é bem nosso, mas este já é nacional. Impávidos e serenos, vivemos sempre conformados com aquilo que nos dão ou nos tiram…

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:27
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Terça-feira, 29 de Novembro de 2011

Pedra de Toque - Vila Real

 

Vila Real

 

Em Novembro de 1959, após uma breve passagem pelo Liceu Alexandre Herculano no Porto, aterrei em Vila Real para frequentar o 6º e 7º ano, alínea de Direito (em Chaves não havia), no Liceu Camilo Castelo Branco.

 

Hospedei-me numa casa onde já vivia uma prima minha, cujos proprietários, família Lima Teixeira, foram extremamente gentis e simpáticos comigo, tratando-me quase como se filho fosse. Uma dívida de gratidão que me penitencio por nunca ter pago. A ideia de uma necessária visita foi sempre adiada pelo ritmo frenético de vida.

 

Soube há dias, o que me entristeceu deveras, do falecimento do patriarca senhor António Lima Teixeira.

 

Lá onde estiver não duvidará da minha estima e do meu eterno agradecimento.

 

Fui muito feliz em Vila Real.

 

Sobretudo porque aí fiz amizades sinceras, fortes que perduram.

 

Já são muito poucas as que residem na Vila. Fui encontrando outras nas lides forenses.

Revê-los é sempre gratificante, motivo de satisfação.

 

Foi em Vila Real, naqueles saudosos anos, que cimentei com solidez a minha formação cultural e política.

 

Sobre esses anos e os amigos de então, alguns já desaparecidos, voltarei a falar noutra ocasião.

 

Não quero terminar sem realçar a descoberta do poeta que ainda hoje está no lote dos meus livros de cabeceira e que releio religiosamente.

 

Já o conhecia levemente dos dois ou três poemas que apareciam nos livros de leitura dos primeiros anos de liceu.

Mas foi em tertúlia de amigos de então, em Vila Real, que me fascinei com a dimensão, com a genialidade do poeta dos heterónimos, o grande Fernando Pessoa.

 

Se por mais não fora e foi por tanto, de 1959 a 1961, fui imensamente feliz na cidade de Vila Real.

 

António Roque

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publicado por Fer.Ribeiro às 14:21
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Segunda-feira, 28 de Novembro de 2011

Quem conta um ponto... O fim da História: uma narrativa de idiotas

 

O fim da História: uma narrativa de idiotas

 

Esta rapaziada que está no governo é toda bem-falante, são bons fazedores de discursos. São, especialmente, especuladores de maus sentimentos e ases no assédio verbal. O primeiro-ministro parece um adolescente fascinado por coca-cola que, com a lata na mão, a agita para depois ver a espuma toda a sair. Parece o maestro de uma orquestra que nos vai matando com os sons dos violinos, dos clarinetes e com o ribombar dos tambores e dos pratos.

 

Este executivo, cada vez mais se assemelha a uma patrulha de cobradores de impostos dos tempos da Idade Média: espoliam o povo dos seus parcos rendimentos, avisando-o de que tem o direito democrático de pagar e calar. Aos funcionários públicos só falta mesmo castigá-los com um chicote e expô-los atados de pés e mãos no pelourinho.

 

Temos de reconhecer que toda a confiança e ilusão depositada neste governo de direita neo-neo-liberal se transformou, rapidamente, numa tremenda desilusão e que as suas boas intenções passaram de espetáculo risível a tragédia, que se não é grega anda lá muito perto.

 

Disseram, esses prestidigitadores neo-neo-liberais, que iam ser a energia cinética do país, fazendo com que Portugal entrasse definitivamente em movimento e assim se mantivesse, para bem de todos. Mas ao que assistimos é a um país que estagnou e começa a andar para trás a uma velocidade preocupante. O desemprego não para de aumentar, a inflação continua a subir, os impostos não cessam de crescer, o PIB vai baixar ainda mais e os vencimentos descem na mesma proporção. Ou seja, todos os indicadores económicos e financeiros se agravaram. Todos sem exceção. Todos. Todos. Todos. E a recessão não cessa de aumentar.

 

“Diz-me como falas, dir-te-ei quem és”, diz a voz popular. Basta ver como discursa o triunvirato arrogante deste governo (ministros das Finanças, da Economia e PM), para sentirmos que esta gente não discursa, dá golpes verbais de uma arrogância e de um cinismo preocupantes.

 

O que este pessoal fez é pouco menos do que perverso do ponto de vista económico. Com a história do papão da dívida conseguiram que as pessoas tenham medo de gastar dinheiro. O presidente da Confederação do Comércio, João Vieira Lopes, afirmou que “a seguir ao Natal muitas empresas de retalho vão encerrar porque o Natal não compensará a perda de faturação ocorrida durante o ano”.

 

É bom lembrar aos mais esquecidos que o senhor PM está a fazer precisamente aquilo que disse que não faria e está a ir ainda mais longe do que a troika lhe pede. E a sua luta é sempre contra os mesmos, que são os bodes expiatórios de todos os males de Portugal: os funcionários públicos e os pensionistas.

 

Foi este PM, na altura ainda Pedro Passos Coelho, que afirmou ser um enorme disparate a ideia de cortar o subsídio de Natal em 2012. O povo entendeu que o homem queria dizer que o seu caminho não era esse. Mas todos entendemos mal a mensagem: o líder do PSD queria dizer era que a sua ideia ia bastante mais longe, ele pretendia cortar não só o subsídio de Natal, como o subsídio de Férias, e não apenas em 2012, mas também em 2013, e, quem sabe, em 2014, 2015 ou mesmo definitivamente.

 

Exigia-se a um PM responsável, honesto, solidário e sensível, que entre defender os direitos legítimos do seu povo e os direitos questionáveis dos credores, que nos querem sugar até à última gota de sangue, se pusesse ao lado dos seus concidadãos. O nosso PM devia batalhar ferozmente nas instâncias internacionais no sentido de minimizar os sacrifícios que todos vamos ter de suportar.

 

Mas não senhor, a criatura apenas consegue ser forte com os fracos e fraco com os fortes. Este governo não tem a menor noção de que com estas medidas está a destruir, com carácter permanente, a frágil teia de relações que sustentam a nossa coesão política e social. O PM português diz que a culpa é da troika. A troika diz que daí lava as suas mãos, como Pilatos. Mas se o Pilatos da troika é leviano, como lhe compete, o nosso é um atrevido intrujão.

 

Já o principal líder da oposição escolheu o papel de bombo da festa, abstendo-se na votação do orçamento em troca de uma mão cheia de nada e outra de coisa nenhuma. Além disso, o ministro do logro, das meias palavras e de língua viperina, Miguel Relvas, quando ainda se discutia o decisão do PS, e sabendo que havia muita boa gente na comissão política nacional que defendia o voto contra, levou António José Seguro ao engano garantindo publicamente a possibilidade de uma discussão e de um entendimento sobre a posposta do corte de apenas um mês de subsídio aos funcionários públicos e aos pensionistas.

 

Mas o bombo da festa, em troca dos elogios bacocos e venenosos por parte do PSD e do CDS, que o apelidam de homem com sentido de Estado, enquanto se riem à socapa, vestiu o seu melhor fatinho e, numa pose de poeta de romance russo, comprometeu-se com um documento iníquo, estúpido, discriminador e patético.  

 

O guião desta série de suspense ainda tem outros traços de mau gosto e péssimo desempenho verbal. Pedro Passos Coelho afirmou que “só vamos sair desta crise empobrecendo”. Está claro que, com esta sua política de destruição do tecido social e económico da nação, tal afirmação é verdadeira, mas o PM, enquanto tal, devia ter cuidado com aquilo que diz. Não há memória de um líder político conseguir mobilizar os seus cidadãos contra a adversidade afirmando que com os seus penosos sacrifícios ainda vão ficar pior do que o que estão. Este homem pode saber o que diz, mas, definitivamente, não sabe aquilo que faz.

 

O executivo do PSD/CDS recuperou a ideia de Fukuyama: 2012 e 2013 serão os anos do fim da História. Acabaram as ideologias, os direitos políticos e sociais e o desenvolvimento. Agora só nos resta empobrecer.

 

PS – O PSD e o CDS apregoavam à boca cheia que para sair da crise bastava eliminar as gorduras do Estado. Por isso aconselhava uma cura de emagrecimento. Quando chegou a hora da verdade, e depois de uma procura intensa, a putativa ideia resumiu-se a eliminar os dois subsídios anuais a funcionários públicos e pensionistas. Convenhamos que é de génio.

 

 Estamos em crer que, mesmo assim, o Estado ainda fica com imensa gordura: o mês de férias que pagam ao pessoal, as férias propriamente ditas, os feriados e os fins-de-semana também pagos, o subsídio de refeição, a ADSE e os abonos de família. Isto para não falar no gás e na eletricidade que esses calaceiros gastam nos locais de trabalho, no papel, nas esferográficas, nas cadeiras, mesas, computadores, que podem trocar por máquinas de escrever, nas máquinas de calcular, que podem trocar por ábacos, nas lâmpadas, que podem trocar por velas ou candeias, e mesmo nos carros de serviço que podem trocar por carroças ou mesmo por burros, pois os cavalos são gado caro. E também pôr os polícias e a GNR a fazer as suas patrulhas a penates como no tempo do meu saudoso pai.

 

Esta rapaziada do Regisconta, que sabe trajar de fato azul, gravata bordeaux, camisa branca e sapato de couro castanho bem engraxado, e que se diz pronta a reformar o país de cabo a rabo, já abriu a caixa de Pandora. Um secretário de Estado, do desporto, creio, aconselhou mesmo os portugueses mais jovens e qualificados a emigrarem.

 

Até era bem feito que o bom povo português levasse o desafio à letra. Dessa forma ficavam eles, os cobradores de impostos e perseguidores de funcionários públicos e pensionistas, por cá a governarem as vacas, os burros, os porcos e as galinhas, que é para o que têm jeito.

 

Está visto, este governo não pretende apenas acabar com as gorduras do Estado, deseja acabar com o próprio Estado.

 

João Madureira

 

 

                                                                                                                              

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Domingo, 27 de Novembro de 2011

LÉXICO-GLOSSÁRIO TRANSMONTANO - Letra C

 

Para melhor entender o porquê deste LÉXICO-GLOSSÁRIO TRANSMONTANO, ficou tudo explicado aqui: http://chaves.blogs.sapo.pt/710026.html

 

C

 

 

cabaça - espécie de abóbora que se emprega no fabrico dos ‘chouriços de cabaça’

cabaçote - legumes em forma de cabaça, bons para guizar

cabo – cebolas entrançadas para pendurar e guardar

cabra - pequena mancha de centeio que fica por segar “o bom segador não deixa cabras pr’a trás”

cacabina - cogumelo (agaricus)

caçafelhos - girinos, cabeçudos

cacha - metade de batata cozida, “comi duas cachas de batatas com umas couves cozidas”

cacheira (tacheira) - alguidar grande onde se fazem as alheiras

caçar trutas com as barbas enxutas - comer do que os outros apanham

caçoeira - pedra superior da boca do forno

caçoulo - tacho de barro, recipiente para cozinhar

cadelo - cão

cagalhetas - excrementos esféricos de cabra, coelho…

caga-lume -  pirilampo

caganças - prosápias, manias

caincar - ganir do cão quando ferido ou em perseguição do coelho (onomatopaica)

caíu-me a alma aos pés - fiquei assustado, fiquei sem pinga de sangue

calaceiro - preguiçoso

calceta - calçada

caldeiro - balde

caldo - sopa

 

Caleiro numa Rua de Redondelo - Chaves


caleiro (a) - cano de água, canos abertos para regadio, canos que recolhem a chuva sob os beirais

cambados - tortos

cambas - peças laterais da roda do carro de bois, em madeira de freixo

cambalhotas - conjunto de chouriças atadas por um fio

camilha - espécie de cobertura de mesa

canada - medida correspondente a dois litros

canalha - crianças

cancelo (ê) - cancela pequena

 

 

 Um cancelo em Sobreira, Chaves, para proteger a cortinha

candil - candeia

canelha - caminho entre paredes

cangaço – resto dos cachos de uvas depois de esmagados ou retirados os bagos

cangote - corpo, lombo, “moeu-lhe o cangote com pancada”

canhota - espingarda, caçadeira

canhoto - tronco grosso, “bota um canhoto bô a arder na lareira”

capão - molho de vides

cápias - pedras que ajudam a segurar o colmo dos telhados, pedras mais planas para acabamento dos muros

carabunha - caroço(cereja,azeitona…), “não botes as carabunhas pr’ó chão”

cara de bonserás - apalermado, de aspecto pacato

caralho - expressão comum em linguagem popular,usada também frequentemente como interjeição, “Está um frio do caralho!”

carambelo (carambina ) - gelo, geada, formações de gelo penduradas das árvores, dos telhados e de todos os objectos no exterior, “tenho as mãos com’ó carambelo”

 

 

Um dia de carambelo no planato da Serra do Brunheiro, Chaves

carapela - crosta de ferida

caras ao povo - em direcção à aldeia, “Meteu a direito, e desceu, caras ao povo…”

cardiela - muito frio, bebedeira

careto (ê)- mascarado de carnaval

caroca - alto da cabeça

carolo - pão dos mortos, No Barroso, pão que a família do falecido distribuía a quem vinha de fora para o funeral, acompanhado de uma malga de vinho

carpins - peúgas de lã cardada

carrachulas – cavalitas, levar às costas, encavalitar

carranhas - moncos

carranhoso - sujo, pouco higiénico

carrar - transportar

carreira - corrida

carrego - peso

carrejo - transporte de produtos em carro de bois, carroça ou carreta

carreta - carro de mão

carreto - carregamento, carga, “já hoje fiz três carretos de lenha”

carro - carro de bois, “Botar o carro adiante dos bois”

 

Não atingia grandes velocidades mas o carro de bois era um todo-o-terreno de carga indispensável nas aldeias transmontanas

carrulos - nódulos da massa do pão

carvalheira - carvalho arbustivo, touça de carvalhos miúdos

cascar - descascar, bater, “virou-se a ele e cascou-lhe bem”

cascarrolho - picanço (lanius excubitor)

cascudo - bofetada, pancada no pescoço

casqueiro - pão de côdea dura, centeio de casca grossa

castanho - castanheiro, “esta mesa é em madeira de castanho”

castiçar - cobrir para reprodução

castinçal - mata de castanheiros

castinheiro - castanheiro

caterva (catervada, catrefada) - quantidade, grande número, multidão

catinga - cão mestiçado de podengo

catotas - emaranhado de pêlos com sujidade

cavada - terreno grande a que se arrancam os torgos para semear o centeio

cavalona – Maria rapaz

cavanhão - cavadela, “cada cavanhão sua minhoca”

cebolo - planta da cebola, “vou plantar o cebolo”

ceibe - diz-se da terra que fica livre de culturas e já pode ser pastada

ceitoura - foice

ceivar - deitar fora a água

cepeira - cepo de castanheiro de onde brotam novos rebentos

cerdeira - cerejeira

cerrar olho – adormecer, “não pude cerrar olho em toda a noite”

cessão – humidade, “se a terra guarda sessão é boa para hortaliça”

ceva - porca já criada

cevar - (reco)engordar o porco

chambereira - grade de madeira onde se arrumam as louças

chamiças - arbustos comuns de pequeno porte, bons para acendalhas

chamo - data marcada para trabalho comunitário, “ninguém pode faltar ao chamo”

chamorro – mixomatose, doença dos coelhos

chanato - chinelo, sapato velho

 Os chanatos ficam sempre à porta

 

chão - terreno, planície

charca - poça para a rega

charrela - perdiz cinzenta

cháspera (chaspa) - panela, tacho baixo

chavilhão - peça em ferro, ou madeira, em forma de chave, usada para segurar os arados e os carros de bois ao jugo

chedeiros - peças em madeira de negrilho, onde se encaixam os estadulhos e que definem a forma ‘em barco’ de um carro de bois

chega - luta entre dois bois

cheiriscar – observar, “que andas aqui a cheiriscar?”

chiba - cabra

 

Uma das chibas do pastor Fernando de Pereiro de Agrações

 

 

chícharros - feijão frade

chicharreiras - plantas dos chícharros

chicheiro - talhante, vendedor de carne

chimpar - saltar

china - pedaço de minério de volfrâmio, “mal topava umas chinas de vôlfo, ia logo passá-las a patacos”

chiscar - chamar a atenção dissimuladamente por toques, com o cotovelo, a mão, um pauzinho… “não parava de me chiscar por baixo da mesa”

chisme - artilúgio, engenhoca

chispas - faúlhas

choinas - faúlhas apagadas, “sai d’ó pé do lume, que ficas com o cabelo coberto de choinas”

chono - o último a chegar de uma fila de segadores, “o Alberto, é fraco segador, o mais das vezes, fica em chono”

choqueira - mulher desleixada

chouriço de cabaça - peça de fumeiro confeccionada com uma espécie de abóbora

chuço - guarda chuva

chupão - abertura para saída do fumo, chaminé

chusma - grupo de gente, magote de gente, ajuntamento

cibo – bocado, “estás a ficar um cibo gordo”, alimento que o pássaro leva no bico, “leva cibo no bico, deve ter por ali ninho”

cimo – alto, topo, subida, “fica no cimo do povo”, “esta ladeira é sempre ao cimo”

cinco coroas – moeda de vinte e cinco tostões, ou dois mil e quinhentos (réis)

 

 

Que saudades das cinco coroas ou vinte e cinco tostões de rebuçados...

cisma - pensamento fixo

clondrina - erva dos muros,   (chelidonium majus)

coador – passador, utensílio de cozinha

coanho - mistura de grãos e palhas moídas nas malhadas

coanheira (coalheira) - arreio em forma de chumaço de roda do pescoço do cavalo

cobrar ânimo – reavivar, “só quando o médico o sossegou é que voltou a cobrar ânimo”

coca - mau cheiro, veneno

coça - tareia

coceira – comichão

côdeas - mesquinho, avaro

coeiras - linhas de centeio sobre a eira em que está a ser malhado

coiracha - pele da barriga do porco

colmar - cobrir a casa com colmo ou palha centeia

combarro - alpendre da lenha

combradoiro (cambalhão) - caminho na croa dos lameiros

comércio - loja de venda a retalho

como a cobra que perdeu o coxo - ficar desanimado, abatido

como assim - seja como for, de qualquer maneira, “como assim, o que estava feito já não se podia desfazer”

como pertence - como é devido, faz parte

companha - grupo de trabalhadores

comparância - comparação, por exemplo

compasso - visita pascal

compor - consertar, arranjar, ajeitar, “fui ao sapateiro mandar compor uns sapatos”

composta - arranjada, consertada, bem recheada, “a mesa da boda estava bem composta”

com sua licença - expressão que acompanha o uso de palavras julgadas menos próprias, como ‘reco’, ‘burro’, ‘merda’… “fui botar a lavagem aos recos, com sua licença”

cona chorosa - mulher lamechas, lamurienta, mulher que se queixa constantemente

considerar-respeitar,guardar consideração

consoante - conforme “consoante me cheguei à beira dele, desatou aos coices”

corda de povos - grupo de aldeias da mesma região “não há melhor rebanho em toda esta corda de povos”

corga - vale apertado entre dois montes

cornato - corno pendurado à cinta, onde se guarda a pedra de afiar a gadanha

cornizele - calha de forma em v por onde escorrem os grãos de cereal da tremonha para a mó

coroa (croa) - moeda de cinquenta centavos

corrimancar - correr a mancar

cortar o ar - andar sem fazer nada

cortinha - terra lavradia e cercada

costela - armadilha para pardais

coto - maneta, resto de braço amputado

couto - reunião do povo

couto misto - territórios da fronteira luso-galaica, onde os habitantes mantinham a dupla nacionalidade

coxo - erupção cutânea de insecto peçonhento “ela é quem sabe rezar ò coxo(cortar o coxo)”

cravos - verrugas da pele

crias - vitelos, animais domésticos na côrte

crianço – raparigo, criança

 

Também os montes têm croas, umas aguçadas, outras arredondadas e outras assim-assim. Estas são de Seara Velha.

 

croa (coroa) - cimo “está um gaio na croa daquele castanheiro”

croça - capa de junco

croços - espigas de milho ainda em formação, que servem para alimentar os recos

croinha – cimo, topo

crucho (corucho) - espécie de croça curta que cobre a cabeça, remate do cimo das medas de centeio, carrapito no cabelo

cruzes - parte das costas sobre os rins “hoje não me aguento, das cruzes”

cuidar - pensar, julgar “cuidavas que eu te pagava mais?”

curiosa - mulher com determinadas habilidades de interesse social (ex: parteira…)

curgidade – desembaraço, ser filho da curgidade ou ser de pai incógnito

 

Herculano Pombo

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:30
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Sábado, 26 de Novembro de 2011

Os sinais do tempo

Há uns anos atrás o sinal de trânsito que se via à entrada das aldeias era este:

 


 

Hoje o sinal que se vê, é este:

 

 

E se tudo continuar como até agora, não tardará muito e o sinal que veremos será este:

 

 

Montagem sobre foto de Polinaro

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 16:52
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Pecados e Picardias - Por Isabel Seixas

 

Da razão

 

-Então pá  fazes greve?

 

-Na, para quê? Já perdi a esperança que adiante alguma coisa e ainda fico sem o dinheiro .

 

Não me digas, tu já pensaste bem  no que nos estão a fazer, na redução da qualidade de vida, a começar pelos custos dos bens essenciais, pela redução de possibilidades  no acesso à saúde, na esperança  de um futuro melhor , na inibição da empregabilidade dos jovens…

 

Pois … mas faz-me falta o dinheiro, bem sei que tens razão, que devia mostrar o meu descontentamento face a estas medidas , ainda por cima tenho a noção que estamos a abdicar de direitos.

 

Então achas que quem faz greve tem razão?

 

Oh se tem razão e razões, e quem não faz também tem muita razão e muitas razões.

 

Bem, assim fica confuso decidir e  é por essas e por outras que ninguém se entende e as pessoas não sabem o que querem… Todos a ter razão…

E digo-te mais não ajudamos nada o país …

 

Ai não, então até ajuda o estado que o que não tem remédio está remediado e ainda poupa em remunerações.

 

Também não é bem assim, o trabalho não é feito da mesma maneira e a forma de luta demonstra que mesmo com perda de regalias as pessoas mantêm a sua voz discordante e a capacidade de reivindicar os seus direitos…

 

Olha os mais prejudicados são os usuários dos serviços.

 

E então afinal tu fazes greve ou não?

 

Não posso…

 

_(…)?

 

Tenho de ir trabalhar.

 

Bem visto, tens razão.

 

Isabel Seixas

 


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publicado por Fer.Ribeiro às 03:54
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Sexta-feira, 25 de Novembro de 2011

Mudo mas com imagens que valem mais que mil palavras

 

Não sei qual o valor que esta imagem terá daqui a 100 anos, mas pelo menos servirá para demonstrar que em 2011, no Centro Histórico de Chaves, embora com as suas habitações maioritariamente abandonadas, ainda tinha algumas com vida dentro.

 

Mas estou certo que estará bem longe da preciosidade de imagens para as quais a seguir vos vou deixar um link. Imagens de filme, num documentário sobre Chaves em 1925 e que foi recuperado para vídeo pela Cinemateca Portuguesa.

 

Agradeço ao Luis de Boticas e ao companheiro de viagem Humberto Serra o terem-me enviado o alerta para estas imagens a não perder:

 

Aqui fica então o link:

 

http://www.cinemateca.pt/Cinemateca-Digital/Ficha.aspx?obraid=25237&type=Video

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:07
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Quinta-feira, 24 de Novembro de 2011

O Homem sem Memória (77) - Por João Madureira

 

Texto de João Madureira

Blog terçOLHO 

Ficção

 

77 – Mas uma coisa é falar e outra bem diferente é fazer. Passado uma semana lá andava o José no arraial da festa de Boticas tão fresco e prazenteiro como se não tivesse memória.


Foi para lá no carro do Asdrúbal, ou melhor, do pai do Asdrúbal, que lho emprestou para ir de Santo Amaro ao Sport, que são para aí uns mil metros bem medidos, e voltar. No regresso a casa, com o carro apinhado de onze gandulos, o Asdrúbal resolveu fazer um desvio por Boticas, que eram à vontade uns sessenta quilómetros entre o ir e o voltar.


Demoraram cerca de uma hora bem contada, pois as curvas eram muitas e boas, a noite estava escura e os faróis do carro pouco mais alumiavam que uma lanterna a pilhas. A juntar a todas estas contrariedades, o Asdrúbal viu-se e desejou-se para meter a segunda e a quarta velocidades, pois o José seguia escarrapachado entre os dois bancos da frente a um palmo da manete das mudanças.


Chegaram à festa já o arraial tinha começado há um bom pedaço. Primeiro rondaram as tascas ambulantes, pois, como todos sabemos, uma das características da juventude é ter um apetite insaciável e uma sede persistente. Sentados num banco corrido em frente de uma tábua suspensa em dois suportes de madeira mal talhada e pobremente assentada, mandaram vir um ovo cozido para cada um, que descascaram e polvilharam com sal e pimenta. Depois do ovo mastigado, botaram um copo de tinto, deram um murro no peito e, em duo, foram buscar parelha para dançar.


Antes de dispersarem, o Asdrúbal avisou que às quatro em ponto todos deviam estar junto à porta principal da Igreja Matriz para rumarem caras a Névoa. Quem não fosse pontual ficava em terra.


Escusado será dizer que o José fez parelha com o Carlos Trolaró. Deram uma volta pelo recinto, visitaram a igreja que estava toda iluminada por dentro e por fora, apreciaram o andor da Nossa Senhora da Livração, que era uma santa em tudo semelhante a todas as santas espalhadas por esse Portugal fora, visitaram a enorme imagem de São Cristóvão no meio do ribeiro do Fontão, com o Menino Jesus ao ombro, admiraram o foguetório estrelejante de início de noite e foram, mais uma vez, comer e beber. Mas só o fizeram porque o Carlos Trolaró convidou e pagou, pois o José estava teso como um carapau seco ao sol. O seu pecúlio deu à justa para pagar a quota-parte da gasolina ao Asdrúbal, para o ovo cozido e para um copo meado de vinho tinto.


Desta vez comeram sardinhas e fêveras assadas, desbastaram um rico melão de Almeirim e beberam três canecas de vinho do real. Por cima botaram uma cigarrada bem absorvida e percorreram todo o recinto à cata de um duo de raparigas que aparentassem uma certa liberdade de movimentos e uma positiva independência em relação à família e aos vizinhos. A última experiência do José tinha servido para os colocar numa orientação onde predominava a precaução e, sobretudo, a imprescindível destreza da fuga.


O José com um copo a mais ficava eufórico e, sobretudo, atrevido. O Carlos, por seu lado, aguentava melhor a pressão e o vinho. Depois de várias experiências, nem sempre bem sucedidas, encostaram-se a um par de moçoilas emigrantes em França que revelavam uma acidental independência de espírito e uma positiva liberdade de expressão e movimentos. Estavam na festa sós e com a firme intenção de se divertirem o mais que pudessem. “Esta vida são dois dias. N'est-ce pas?”, disseram elas. Ao que eles responderam: “Mais oui, bien sur.” E durante muito tempo dançaram toda a espécie de ritmos: passodobles, tangos, valsas, chachachas, rock e música popular portuguesa. Além de se cansarem, como era óbvio, estabeleceram uma certa intimidade da qual resultaram ternos beijos florais, alguma cumplicidade erótica e uma subida de adrenalina que apenas podia resultar num acto sexual redentor. Por alturas da apoteose do fogo-de-artifício, combinaram ir vê-lo para um lugar recatado. O que melhor encontraram foi uma pequena leira de ervas depois de um giestal. O Carlos, numa momice de generosa loucura, regressou à Vila para comprar uma garrafa de champanhe fresco e mercar um bolo, por muito pindérico que fosse. Quando se iniciou a girândola do fogo preso, o Carlos Trolaró abriu a garrafa de vinho espumante e dela beberam entre sorrisos, beijos e borbulhas refrescantes. No chapéu do José confeccionaram umas sopas de amante cansado.


Por fim aconteceu o inevitável, cada par procurou o seu terreno de cópula e copularam aquilo que quiseram e da forma que melhor se lhes adequou. Nestas coisas do amor físico, o corpo é que manda.


O fogo-de-artifício durou cerca de meia hora, que foi o tempo necessário a cada par ter o seu desempenho sexual de forma mais ou menos satisfatória. Por vezes o céu enchia-se de luz, o que permitia a cada um visualizar as partes pudentes do seu parceiro como se fossem espaços sagrados. Orgasmos, se é que os houve, e nós estamos em crer que sim, foram conseguidos de forma tão natural quanto possível. Dizem que o amor meteórico também é uma forma de amor. Pelo menos essa foi a sensação com que os quatro ficaram depois de se despedirem.


Às quatro em ponto chegaram à porta da Igreja Matriz onde o Asdrúbal já os esperava impaciente. A noite, nas suas palavras, tinha-lhe corrido mal. Só lhe calharam em sorte donzelas virgueiras que apenas permitiam a dança com os respectivos corpos a meio metro de distância. O condutor do carro ainda perguntou aos demais rapazes como tinha sido a noite. Todos foram unânimes no relatório: o arraial tinha sido uma autêntica desilusão. Mas, como bem sabemos, nem todos estavam a dizer a verdade. E a verdade, naquele amena situação, aproveitava a quem? Comer e calar é atributo dos sábios. 


Dos onze jovens, apenas dez compareceram a tempo. Como estava com os azeites, o Asdrúbal proferiu: “Eu avisei, quem não está a horas fica em terra.”


Todos os presentes, visivelmente cansados, desiludidos, bêbados e frustrados, enfiaram-se no carro como puderam. Mesmo com menos um parecia que iam lá dentro mais três ou quatro. Fins de festa provocam ressaca e irritação. Curva aqui, curva ali, curva acolá, lá se sujeitaram à corajosa subida até Névoa.


Numa curva mais apertada, uma porta mal fechada abriu-se e fechou-se logo num de repente. Alguém mais sóbrio pensou ouvir um grito estranho. Mas foi apenas uma conjuntura fugaz. Pelo menos foi aquilo que pareceu.


Tarde e a más horas a carga foi deixada onde o permitiu a fúria juvenil do Asdrúbal. Por isso, o seu generoso pai o pôs a desfolhar videiras na encosta da quinta familiar de Arcossó durante um dia completo.


Souberam mais tarde que o Manuel Chupeta foi internado no hospital de Névoa com uma perna partida e um traumatismo craniano devido ao insólito facto de ter sido projectado, na curva do Leite, sem que alguém se tivesse apercebido do arremesso. 

 

78 – Naquela época, as verbenas do Jardim Público em Névoa eram célebres e, talvez por isso ...

 

(Continua)

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XVI Encontro de Blogues e Fotógrafos LUMBUDUS

 

Como habitualmente, a Blogosfera Flaviense e a Associação de Fotografia e Gravura – LUMBUDUS, vão levar a efeito o Encontro de Inverno ou o seu XVI Encontro.

 

As inscrições estão abertas a todos os blogers,  e fotógrafos Lumbudus.

 

Para mais informações, passe pelo Blog dos Lumbudus em  http://lumbudus.blogs.sapo.pt

 

 

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Quarta-feira, 23 de Novembro de 2011

Palavras colhidas do vento... por Mário Esteves

 

Eu não sei porque a segurança dos cidadãos e do património, são valores normalmente associados ao conservadorismo e de parecerem ser repudiados pelos progressistas.

 

Não quero situar historicamente a questão, nem fazer valer como factos indesmentíveis, categóricos, aqueles conceitos.

 

No entanto, não posso deixar de reconhecer que existem em determinadas circunstâncias, grupos avessos a qualquer evolução, seja ela qual for, por comodidade, por se sentirem melhor perante quadros sociais perfeitamente definidos, se tal é possível, e por crerem, definitivamente, que o presente com as sua imperfeições, sempre é melhor que uma actualidade em mutação, na qual o mais certo é verem a sua própria condição contestada, assim como os cimentos da sua própria existência ou do modelo da sociedade, na qual, grande parte viveram.

 

Para maior complexidade, a verdade é que, nem sempre as alterações sociais, implicam necessariamente a desordem, o banditismo ou outros fenómenos semelhantes.

 

E como esta não é a escrita, deliberadamente, usada nestas crónicas, nem o fim que nelas se prossegue é a análise social ou o folhetim, inteiramente legítimos, antes e por opção, notas esparsas, ligeiras e simultaneamente com alguma intenção de estimular a reflexão, com pretensões de bem-humoradas, nem sempre conseguidas e com raízes na naturalidade, direi e como comentário comum às reacções da crónica da semana passada, que, implantada a República, em 5 de Outubro de 1910, foi o povo aderente à revolução que se preocupou em defender a ordem pública, nomeadamente opondo-se de armas nas mãos às possíveis pilhagens de bancos e outras instituições.

 

Assim nem sempre o passado é melhor … é simplesmente passado.

 

E conhecendo muito bem o falecido Chefe Oliveira, que prestou serviço na PSP de Chaves, pessoa que estimei, assim como parte de sua família - que chegou a residir em frente de minha morada na então Rua da Cadeia, actualmente Bispo Idácio, designadamente uma filha que casou com o meu bom amigo Alcino, antigo jogador do Desportivo -, não posso deixar de referir que a sua actividade, embora com uma eficácia reconhecida, não gera a aprovação geral quanto aos processos, que, apesar de comuns à época, à luz dos dias de hoje, seriam no mínimo controversos.

 

 

É inegável que há muito existe um problema de ordem pública no chamado Centro Histórico de Chaves e pretender ocultá-lo, minimizá-lo ou como às vezes oiço, considerando-o como natural no presente e uma mera consequência da rebeldia juvenil, então … meus Senhores, estaremos a amamentar as crias que mais tarde nos vão devorar.

 

Por outro lado é certo que no centro histórico habitam cada vez menos cidadãos eleitores, mas também não deixa de ser verdade, que ainda é o coração da cidade.

 

E se ao pretender-se governar em função dos cadernos eleitorais é uma atitude pouco ética, mesmo criminosa, de profundo desrespeito pelas minorias, ignorar as pessoas que trabalham no centro histórico, no comércio ou nos serviços nele existentes e que constatam a insegurança dos moradores, é rematada estupidez, e a consequência mais lógica será estes começarem a pôr as barbas de molho, aqueles que as têm, pois não tardará muito a viverem a mesma preocupação e angústia.

 

Em França, a esposa de Luís XVI, Maria Antonieta, observando a insatisfação e a antipatia que a sua pessoa gerava nas classes menos abastadas, na sua incredulidade altaneira, interrogou um dos seus lacaios das razões daqueles sentimentos.

 

Consta-se que o humilde servo respondeu:

 

- É a falta de pão, Majestade.

 

Ao que a Rainha, surpreendida, objectou:

 

- Que comam “brioche”!

 

E como sabem, acabou no cadafalso.

 

A coisa não será para tanto e há aqui um evidente exagero, mas não como à primeira vista, possam pensar.

 

Que diria, após uma noite mal dormida pelo ruído exterior, os olhos ainda estremunhados, e visse os vidros da montra de seu comércio ou da porta de entrada de sua casa partidos, ou a frente da sua habitação ornamentada de “minis”, e se queixasse às autoridades, fossem elas as que fossem, e obtivesse como resposta:

 

-Vá para um condomínio fechado!

 

Claro, que se fosse um autarca, nas próximas eleições não votaria nele.

 

Pelo menos, não deveria, que ele há gente para tudo.

 

Apesar do aviso, que esta não era uma crónica “normal” cedi à tentação do momento e prossegui no mesmo. Paara acabar, só mais uma coisa.

 

Durante o mandato de Rudolph Giuliani, como “mayor” de Nova Iorque, foi muito comentada a sua política “de vidro partido”, tendo mesmo sido recebida com grande entusiasmo por parte dos meios liberais.

 

Essa política assentava no princípio, que não se prestando atenção a um vidro partido, tal iria incitar a que mais vidros fossem quebrados.

 

Sendo certo que a criminalidade baixou consideravelmente, aquela prática, sem deixar de ter algum sucesso como atrás disse, aparentemente foi abalada por um caso de corrupção que envolvia o chefe da polícia de Nova Iorque, familiar próximo do próprio Giuliani.

 

Actualmente é contestada por recentes trabalhos de sociólogos “avant garde”.

 

No entanto tenho para mim, que o pior é a indiferença, a condescendência, o “deixa andar…”, “atrás de mim quem vier, feche a porta”.

 

 

 

Já aqui falei da República e também no escrito da outra semana mencionei o Coronel Bento Roma.

 

Em família, e principalmente às minhas tias do Correio Velho, sempre lhes escutei que o Coronel Bento Esteves Roma, seria parente do meu avô paterno.

 

Ora, este era monárquico, e como não ignoram, Bento Roma, além de militar distinto, e com uma carreira ilustre no Corpo Expedicionário Português, na administração civil e militar, tanto em Portugal como nas antigas Colónias, até a um relativo obscurecimento, a que não seria estranho, em 1949, ter apoiado a candidatura do General Norton de Matos à Presidência da República e pertencido à sua Comissão Central, teve papel preponderante na contenção das incursões monárquicas.

 

Pelo quê, também não surpreende que o meu avô, um dia, dado a acentuada costela republicana de Bento Roma, chegasse a casa e exclamasse:

 

- Roma ardeu!

 

A minha avó:

 

- Ai! Credo! Que desgraça e houve muitos mortos e casas …

 

- Ó mulher, não foi a capital de Itália, foi o parente, a quem não mais volto a dar uma palavra!

 

Mário Esteves

 

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Terça-feira, 22 de Novembro de 2011

Pedra de Toque - Cristina

 

Cristina

 

Não vais levar a mal…que eu te lembre nesta crónica.

 

Mas muitas vezes em conversa de amigos, recordamos-te.

 

Porquê? Porque eras uma rapariga sensível, simpática, muito agradável, jovem e bonita.

 

Apesar de trabalhares na noite de Chaves, na Galáxia, uma casa que gozou de fama na nossa cidade, onde todas as noites se podia assistir a um espectáculo, distinguias-te de todas as colegas que por lá cirandavam.

 

Não parecias daquela família.

 

Dançavas muito bem e nas conversas simples que mantinhas revelavas inteligência e alguma cultura.

 

Muitos que lá íamos para larachar e beber um copo, dávamos com muito gosto um pezinho de dança contigo sem qualquer outro tipo de interesse.

 

A dado momento da noite, o disco jóquei adivinhando a vontade dos cotas presentes, colocava na instalação sonora a voz quente de Nat King Cole (Ansiedad, quizás, quizás, quizás) ou os boleros românticos de Lucho  Gatica (El Reloj, caminito).

 

Tu, gentil, acedias e cirandavas nos nossos braços ao som de músicas que nos transportavam à adolescência, aos vinte anos.

 

Ainda hoje, quando me cruzo com amigos desse tempo recordamos com estima e até com saudade.


Lembro-me de colaborares nas tardes de Domingo, num programa radiofónico numa rádio local de sucesso.


 

Onde andarás Cristina?


Imagino-te, agora com quarenta e muitos, mãe de família, casada, eventualmente mais gorda, mas conservando o teu sorriso radioso e a tua postura gentil.

 

Que a vida te sorria.

 

Sei que não vais levar a mal, por aqui te lembrar.

 

Um beijinho meu e de todos os amigos.

 

António Roque

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:17
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Petição Pública - Pólo da UTAD em Chaves

 

Tal como já ontem tinha abordado, a cidade de Chaves e região do Alto Tâmega têm, a acrescentar às existentes, uma nova luta entre mãos – a luta pela manutenção do Pólo de Chaves da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.

 

Com a desculpa da crise e dos cortes de orçamento, o Reitor da UTAD manifestou a vontade de fechar o Pólo da UTAD em Chaves, mas, tanto quanto sei por pessoas bem informadas e documentos a que tive acesso, não é o Pólo de Chaves nem os seus alunos (cerca de 400) que dão prejuízo à Universidade, pois comparativamente, os alunos de Vila Real saem bem mais caros que os de Chaves. No final deste post fica um link para informação mais completa sobre o Pólo da UTAD em Chaves.

 

Agora quero deixar-vos por aqui um link para uma petição publica que está a decorrer na Internet e que se não concordar com o encerramento do Pólo da UTAD em Chaves, deverá assinar. Eu, como flaviense e transmontano, já assinei:

 

http://www.peticaopublica.com/?pi=P2011N16549

 

A partir de hoje e enquanto se justificar,  esta petição ficará também com link na barra lateral deste blog, bastando clicar neste símbolo (na barra lateral do blog) para entrar na petição:

 


Para informações mais completas sobre a vida do Pólo da UTAD em Chaves , fica uma apresentação das Reflexões e Contributos para a consolidação e sustentabilidade da UTAD – Pólo de Chaves, aqui:

 

 

http://bit.ly/vyLQvO

 

Leia, assine a Petição e divulgue, pois trata-se de mais um roubo a Chaves e à região.

 

 

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Segunda-feira, 21 de Novembro de 2011

Intermitências - Algures no mundo…

 

Algures no mundo…


Nunca foi muito dado a simbolismos e a rituais românticos, mas não era capaz de lhe recusar nada que sabia agradar-lhe. Todos os dias, dava-lhe o beijo de bom dia e de boa noite. Ao fim-de-semana, assistiam a um concerto ou a uma sessão de cinema. Ao domingo à tarde, iam passear para jardins, visitar uma exposição, lanchar a uma pastelaria nova, submergir na euforia de um centro comercial ou, de longe a longe, beijar-se junto à praia. Uma vez por mês, iam ao restaurante no dia em que iniciaram o namoro. Todos os anos, oferecia-lhe uma prenda no dia do aniversário, no dia dos namorados e na noite de Natal. Tinham uma alcunha carinhosa, a “música deles”, manias “irritantes” e inseguranças sempre que se passava uma semana sem ouvir-se a palavra “amo-te” ou algo “fofo” no ar.


Gostava do seu “canto” rotineiro. Já viajara várias vezes. Percorrera os caminhos de Portugal com os pais em criança, fizera um “interail” pela Europa na juventude, aventurara-se em regime de voluntariado no continente asiático, mais propriamente em Xangai, na China. Reflectindo um pouco, admitia que a derradeira viagem ainda estava por cumprir: conhecer o Oeste americano, a Califórnia, San Francisco, tal como a “geração beat” fizera no final dos anos 50. Mas sem as loucuras e excessos da época claro, pois não se considerava boémio, nem hedonista ou inconformado.


O que ele gostava mesmo era do sabor da descoberta. Mais do que o da liberdade até. Sentia-se confortável num mundo que não era o dele, ao lado de desconhecidos que viviam a vida de outro modo, enquadrados na beleza e natureza de outro lugar. Se o mundo é tão grande, porquê passar a nossa curta existência sem sair do mesmo sítio? Queria ser apenas ele próprio, com as manias consumistas, visão ocidental e valores de tolerância e compreensão, mas noutro lugar. Experimentar o máximo de sensações que a existência lhe permitia.


Pensava nisso algumas vezes, mas nunca se desprendera da terra que o viu nascer. Sentia muitas vezes a alma inquieta, como se algo bombástico e determinante que iria alterar por completo o rumo da sua vida estivesse sempre prestes a acontecer, mas era na sua cidade natal, com a namorada, os amigos e a família por perto, e um emprego que o desafiava, que se sentia inteiro. Já vivera curtos períodos de tempo em outras cidades, a estudar ou a trabalhar, mas regressara sempre à casa de partida. Não, não tinha barreiras, simplesmente não sentia necessidade de as quebrar. Um dia, lá cumpriria o “sonho americano”.

 

Fotografia de Sandra Pereira

Um dia, a namorada chegou a casa com um cadeado pequeno e cor-de-rosa. Estivera a conversar com as amigas no café, durante a pausa do trabalho, e uma delas deixara o mulherio todo roído de inveja. No fim-de-semana, o namorado protagonizara um acto romântico “original”…


- “Já sei! Preparou um jantar romântico à luz das velas?”


- “Ofereceu-te uma lingerie sexy?”


Mas a “amiga” espicaçava as outras negando com a cabeça, com ar malicioso. “Nunca vão conseguir adivinhar…”, dizia. Quando o ruído dos gritinhos histéricos das mulheres começou a atrair olhares, lá revelou que lhe tinha dado um cadeado… Fez-se silêncio. A melhor parte viria depois: nesse cadeado, o “amor da sua vida” tinha escrito uma mensagem muito pessoal entrelaçando o nome do par. Nessa noite, “raptou-a” para o cimo da torre eléctrica, situada em pleno parque da cidade, para fechar o cadeado do amor à chave “para sempre” nas redes da torre. Sim, isso era realmente um acto romântico “original”.


E pronto, ela achara piada ao ritual e queria fazer-lhe a mesma jura de amor eterno. Pois bem, nunca fora muito dado a simbolismos e rituais românticos, mas não era capaz de lhe recusar nada que sabia agradar-lhe. Nessa noite, quando alcançaram a torre, qual não foi o espanto de ambos ao verificar que já havia dezenas de cadeados fechados por outros apaixonados, muitos com fotografias dos “pombinhos” e peluches anexados.


Então, pela primeira vez, sentiu-se preso, limitado, como se o cadeado que a namorada fechava, de rosto feliz e orgulhoso, lhe transpusesse a barreira que nunca sentira.


- Se me vais amar a vida toda, atira com a chave!


- Se o mundo é tão grande, porquê passar a nossa curta existência sem sair do mesmo sítio?


O rosto feliz ficou confuso: não era de mundo que ela falava, mas de amor incondicional. O rosto preso libertou-se: não era de amor incondicional que ele lhe falava, mas do medo da vida, pois, ao contrário do amor, viver não é um acto irracional.

Sandra Pereira


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publicado por Fer.Ribeiro às 17:30
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Quem conta um ponto... A culpa e os verdadeiros culpados

 

A culpa e os verdadeiros culpados

 

A vida tem muitas surpresas. Por exemplo, o Príncipe Carlos de Inglaterra admitiu descender de Vlad, o Empalador, figura romena que inspirou o Conde Drácula. Por seu lado, Thomas Beautie, o transexual que ficou conhecido como o primeiro homem a ficar grávido, após gerar três filhos, afirmou que fechou a fábrica. Com a consciência pesada, Madonna, a cantora pop norte-americana, que é muito conhecida por adotar crianças, desmentiu a sua ligeireza afirmando: “Eu não sou superficial – gosto de flores, cavalos, natureza…”

 

Depois de discutir com os meus amigos, entre a chalaça e o desespero, temas tão pertinentes como os acima referidos, fui para casa aclarar as ideias. Todas as coisas, tanto faz que sejam boas ou más, nunca permanecerão o tempo suficiente para serem verdadeiramente importantes. Isso é o que nos diz qualquer rio ou montanha. Podemos sujá-los, cortar árvores, que a natureza e o tempo continuarão a curar-se e a sobreviver-nos. Por vezes esquecemo-nos disso e começamos a levar a sério a fealdade humana. Mas mesmo a barbárie foi temporária, à semelhança de tudo o resto.

 

Depois pensei no pecado, em Deus e no Demónio. Quando era rapaz gostava de me lembrar de Jesus e do seu exemplo. Agora penso ser essa a menor das minhas preocupações. É que se houver céu, estará quase deserto. E se existir inferno estará a abarrotar. Por isso muitos dos “chamados” vão ter de esperar vaga de pé. Os hipócritas estarão na fila da frente e, com toda a certeza, haverá uma fila especial para papas e boa parte do clero. E ainda uma segunda, simétrica, e terrivelmente competitiva, constituída por políticos e economistas.

 

Já José Rodrigues dos Santos, que é jornalista, apresentador de televisão e escritor de romances de sucesso, é vinho de outro cálice, ou hóstia doutro prato, pois evocou Jesus e logo pensou nele para tema do seu último livro “O Último Segredo”. Mas a originalidade não ficou por aí. Numa entrevista respondeu desta forma magnífica à pergunta sobre a sua originalidade: “Eh pá, e se Jesus voltasse à Terra? Era capaz de dar uma boa história para um romance.”

 

O problema, por vezes, está quando se conduz. Pedro Santana Lopes escreveu no “Sol” que “falar, escrever ou ler em andamento é perigosíssimo e coloca em risco a vida de outros”.

 

A presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, ainda sem tempo para ouvir os avisos do seu colega de partido, viu-se envolvida num choque de viação em cadeia que resultou no atropelamento de uma idosa numa passadeira, em Faro. A notícia foi avançada no “Correio da Manhã”,  que citou fonte da PSP. O jornal informou que a titular do segundo mais alto cargo da nação não conseguiu travar a tempo o carro onde seguia sozinha "e embateu numa viatura, que tinha travado para uma idosa atravessar a passadeira". O automóvel embateu no carro à sua frente "e este atingiu a mulher, que ficou ferida com gravidade e foi transportada para o Hospital de Faro", escreve o “Correio da Manhã”.

 

Nem Assunção Esteves, para nosso descanso e para o descanso da nossa república democrática, nem qualquer um dos outros condutores sofreram qualquer ferimento, adiantou o jornal diário. O que o diário sensacionalista não avançou foi se Assunção Esteves vinha a falar, a escrever ou a ler em andamento. Se calhar vinha a pensar alto sobre a sua recente reforma. Pois, esta personagem importante do partido que deu origem ao governo angélico e procrastinador que nos quer resgatar do inferno e enviar-nos a modinho para o céu, reformou-se aos 42 anos, com 2.445€/mês, após 10 anos de trabalho.

 

Em entrevista à “Caras”, pois quem vê caras não vê corações, a elegante e loira presidente do parlamento lembrou-se dos bons velhos tempos: “Tive um fato Giorgio Armani, que comprei em Bolonha e que usei até rasgar as bainhas”. Estamos em crer que agora, reformada e no ativo, já não vai recorrer à costureira para lhe subir as bainhas do seu GA. A almofada económica da sua pequena reforma serve à justa para se vestir na sua loja preferida.

 

Mas enquanto a loira senhora presidente do parlamento, esse templo da democracia, vai amealhando para a roupinha, os portugueses, vítimas da enorme recessão, gastam mais com cães do que com bebés. Pudera, o que por aí há mais são cães, agora bebés não, custam muito a parir, a alimentar, a vestir e a educar. Os cães saem mais em conta e dão muito menos trabalho.

 

Já o presidente do PSD, e nosso primeiro-ministro, funileiro a tempo inteiro, depois de depenar os funcionários públicos e os pensionistas, avança de tesoura em riste e propõe mais cortes na saúde, na educação e na segurança social. Um jornalista manhoso do “Expresso”, provavelmente um socialista pago pelo engenheiro Sócrates e, talvez, casado com uma funcionária pública, perguntou-lhe se, perante as mentiras por si proclamadas durante a campanha eleitoral de que não ia mexer nos salários, nem aumentar os impostos, não devia pedir perdão a alguém. O nosso PM foi peremtório: “Não sinto que tenha de pedir desculpa aos portugueses.”

 

Na nossa modesta opinião, penso que o senhor PM sente que quem tem de pedir desculpa são os portugueses ao PM por existirem. Fontes bem informadas garantiram ao “Expresso” que algum ministro terá lembrado, e bem, estamos em crer, que “a função pública não é a base eleitoral deste governo”. Portanto, os crápulas que paguem a crise.

 

Ele há coisas do diabo: todos os indicadores económicos da conjuntura não fizeram senão agravar-se depois da tomada de posse do novo governo da nação – todos sem excepção. E sabem quem é o culpado? José Sócrates. Daí este executivo não fazer mais nada a não ser cortar nos ordenados e aumentar impostos diretos, indiretos e diferidos.

 

O senhor PM, também conhecido por PPC, diz que, além de não ter de pedir desculpa aos portugueses, pretende atingir em 2012 um défice de 4,5%. No entanto, a Irlanda, que está a regressar ao crescimento, vai ter, no mesmo período de tempo, um défice de 8,6%. 

 

É bom lembrar que o líder do PSD chumbou o PEC 4 porque, afirmava, a austeridade aí proposta era excessiva. Agora, por obra e graça desse doutor do embuste político, passámos para uma austeridade necessária, que os funcionários públicos e os pensionistas vão pagar com língua de palmo. Para quem chamava mentiroso a José Sócrates, é irónico, senão trágico. E quanto à verdade por si propalada, estamos falados.

 

Até apostámos que daqui a um ano a economia e as finanças estarão de rastos e que os verdadeiros culpados serão o engenheiro Sócrates, a crise internacional… e os funcionários públicos e os pensionistas. Que daqui a dois anos as finanças e a economia estarão de rastos, e que os verdadeiros culpados serão novamente o engenheiro Sócrates, a crise internacional… e os funcionários públicos e os pensionistas. Que daqui a três anos a economia e as finanças estarão de rastos e os verdadeiros culpados continuarão a ser o engenheiro Sócrates, a crise internacional… e os funcionários públicos e os pensionistas. Que daqui a quatro anos as finanças e a economia continuarão de rastos e que os verdadeiros culpados serão o engenheiro Sócrates, a crise internacional… e os funcionários públicos e os pensionistas.

 

Enquanto o PSD estiver no governo a culpa será sempre do engenheiro Sócrates, da crise internacional… e dos funcionários públicos e dos pensionistas. E também de todo o povo português, claro está (e da crise internacional e dos funcionários públicos e dos pensionistas), a quem o PM não sente, nem nunca sentirá, necessidade de pedir desculpa.

 

A quem o PM sente necessidade de pedir desculpa é à crise internacional, que apenas atacou a nossa economia no primeiro dia em que este governo de anjos, santos e ministros franciscanos tomou posse.

 

João Madureira


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Domingo, 20 de Novembro de 2011

1.500.000 visitas - Obrigado!

 

Sim, está no Blog Chaves que apenas mudou de visual para comemorar as 1.500.000 visitas que foram atingidas hoje ao fim da tarde. Um número certinho demais para passar despercebido que aproveito para alterar o visual do blog e para dizer umas palavrinhas a respeito da sua vida.

 

Como costumo comemorar por aqui estes números redondos de visitas, fui ver o que disse há pouco mais de um ano, aquando do 1.000.000 de visitas. Como não gosto de me repetir e as palavras de então continuam actuais, vou deixar algumas por aqui (a itálico e sépia às vezes engrossadas e sublinhadas) para a feitura deste post:

 


“ (…) Lembro … que o blog começou, digamos que, por acaso, sem pretensões e feito para mim (pois pensei que ninguém o veria) mas a pensar nos flavienses ausentes de Chaves. Explicava eu para um público então imaginário, que o blog tentaria levar a todos os flavienses ausentes aquilo que lhes faltava para matar saudades da terra natal e, esse matar de saudades seria feito à base da imagem actual de Chaves.


A ideia surgia porque também eu, num ano em que estive distante de Chaves, todas as notícias e imagens que recebia da terrinha eram inicialmente sorvidas com a sofreguidão de um esfomeado, para depois, com a calma da apreciação, rever tudo, sentir o aroma e mastigar o sabor como quem aprecia um vinho de rara qualidade. Nada melhor que um blog para o fazer, e ia-o fazendo para mim como se eu estivesse do outro lado, lá fora a apreciá-lo, longe de imaginar que alguém visse ou lesse aquilo que por aqui deixava. Entrei em pânico quando recebi o primeiro comentário e mais fiquei, quando instalado o contador de visitas, verifiquei que havia quase 20 pessoas que me visitavam diariamente. A coisa começava a torna-se séria, mas estava longe, bem longe de imaginar que um dia o blog atingiria 1.000.000 de visitas. Mas atingiu.

 


Claro que o formato actual do blog está longe daquele blog de 2005, aos poucos, fui sentido que era necessário ser mais abrangente. Afinal Chaves não era só a cidade, e apareceram as aldeias, com elas o problema do despovoamento, os resistentes e o constatar de como as aldeias e o interior têm sido tão maltratadas e ignoradas pelos senhores de Lisboa e o tão desigual que é este Portugal. Afinal Chaves não era só imagem e aos poucos foram aparecendo rubricas novas, com as aldeias a merecerem o destaque dos fins-de-semana e outras como os “Ilustres Flavienses”, os “Artistas Flavienses”, o “Chaves de Ontem e de Hoje”, o “Chaves Antiga”, “Outros Olhares”, o “Coleccionismo de Temática Flaviense”, “Discursos sobre a cidade”, “Um minuto de vídeo”, “Repórter de Serviço”, “Tá Fixe” entre outras. Algumas foram ficando pelo caminho, mas outras resistiram e ainda hoje existem. 


Prometi que todas as aldeias do concelho passariam por aqui e, já há muito que passaram, mas com o tempo dei-me conta que apenas uma foto para uma aldeia, era muito pouco e, iniciei então uma segunda ronda pelas aldeias, com os seus post’s alargados. Falta nesta versão cumprir algumas (Águas Frias, S.Lourenço, Vidago, Outeiro Seco, Vilar de Nantes, Paradela de Monforte e também alguns lugares das freguesias urbanas da Madalena e Santa Cruz/Trindade e talvez um ou outro lugar digno de vir aqui ou ser repetido) tal como nos falta cumprir o Mosaico de todas as freguesias. A promessa mantém-se e é para cumprir.


 

 

Hoje estou em condições de dizer que já há um ano que se cumpriu esta promessa. Faltam cumprir outras que entretanto fiz e que não estão esquecidas, pois como costumo dizer, contrariando os exemplos dados pelos políticos, por aqui cumprem-se as promessas.


(…)

Ao longo destes anos aprofundamos também “amizades” com Miguel Torga ao trazermos aqui muita da sua escrita em Chaves e sobre Chaves e, continuamos a reivindicar uma homenagem ao Homem, ao Médico, ao Poeta e Escritor que amou Chaves e era fiel e cumpridor cliente das nossas Caldas. Chaves e as Caldas devem-lhe uma séria e justa homenagem.

(…) 

Também a vida de Chaves, os nossos problemas, vitórias e derrotas teriam que obrigatoriamente passar por aqui. Acendemos durante semanas uma vela pelo hospital de Chaves. De pouco valeu, pois perdemos a maioria das suas valências e ficamos com uma coisa insossa, uma espécie de hospital que não o é, e ao que sei, apenas se tratam coisas pequenas, não graves, uma espécie de hospital onde se faz a triagem inicial para rotular e encaminhar para outros destinos, pois por cá,  já nem sequer é permitido nascer.

 

 


Denunciou-se por aqui a estupidez de umas obras relacionadas com a EN 213 que liga Chaves a Valpaços. Rios de dinheiro, milhões, gastos na beneficiação de uma estrada em que tudo se desfez para fazer de novo tal como existia ou para pior, como no caso da sinalização. Adivinham-se muitos interesses que estiveram ligados à obra, mas que nunca foi o interesse de beneficiar a estrada. Foram obras como esta e outros devaneios em que apenas se gastou dinheiro em benefício de alguns e não das coisas que deveriam ser beneficiadas, que levaram Portugal ao estado actual e que todos estamos a pagar com crise que nunca antes sentimos. Também de nada valeu denunciar o que de vergonhoso se passou nesta obra. Ouvidos moucos e olhos cegos mas também a falta de uma voz firme que se impusesse por parte das autarquias envolvidas e  apatia da população que se conforma com o “deixa andar” que agora lhe começa a saber e conhecer o sabor da indiferença, pois a crise actual é feita de muitas asneiras como a EN 213. Agora sem aumentos, conhecemos os desaumentos,  perdas de regalias e mais impostos, todos vamos pagar os interesses e compadrios (que não são corrupção) e as más políticas de quem nunca soube governar e apenas se tem preocupado com o seu umbigo e em atingir e manter o poder, deles e dos compadres, amigos e familiares. A teia é grande demais para ser desmantelada, principalmente quando políticos e ex-políticos estão envolvidos nas amizades e negócios dela…nada há a fazer enquanto o sentimento geral da população for  o do deixa andar... Um deixa andar que nos vai sair caro a todos.

 

 

Este último parágrafo de tão actual que está até o sublinhei e engordei. Sem qualquer correcção só merece ser aumentado, pois a crise então falada estava longe de atingir os níveis hoje conhecidos e que, sem demagogias e hipocrisias partidárias ou doutra espécie, os culpados têm nome, começando por todos os ex-governantes e políticos do pós adesão à União Europeia, por todos os que se têm governado e detêm o poder económico português (banqueiros, grandes empresas como a EDP) má gestão de empresas públicas, etc. Mas também todos nós ao assistirmos impávidos e serenos a toda esta desgovernação e ao excluirmo-nos de uma vida política participativa e interveniente, que bem poderia ser feita sem (ao contrário do que muitos defendem) necessariamente estamos ligados a partidos políticos. Aliás penso mesmo que o grande mal, a crise e a qualidade dos políticos actuais começa precisamente nos partidos políticos que tem sido uma má escola para a democracia. E fico-me por aqui…   Convém recordar que desde a escrita deste último parágrafo até hoje já se mudou de governo, e como alguém dizia há dias: a luz de saída, da crise, que se via ao fundo do túnel, para conter despesas mandaram-na apagar. Enfim, também neste campo continuamos actualizados mas com problemas ampliados.

 

 


Torga ainda não teve a sua homenagem. Muitos flavienses ilustres nunca a tiveram nem sequer nunca lhes foi feita justiça (deixo apenas um dos muitos nomes, o Marechal Costa Gomes que (apenas) foi Presidente da República Portuguesa, o 2º do pós 25 de Abril. Também e quando por cá há datas comemorativas de centenários onde se poderia fazer alguma justiça aos nossos e ao povo de Chaves, homenageiam-se cobardes não flavienses que nos abandonaram às mãos do inimigo. Erguem-se-lhe estátuas, destroem-se jardins, abatem-se árvores para lá colocar muros e a sua cavalgadura enquanto se esquecem os verdadeiros heróis flavienses. As castas flavienses e os políticos da terra, antes das homenagens, deveriam conhecer melhor a história dos acontecimentos em que a própria classe militar ainda hoje diverge, estuda e questiona se Silveira foi um herói ou um cobarde. Poderia ter sido um herói noutras paragens, mas em Chaves, não tenho qualquer dúvida que Silveira foi um cobarde e os verdadeiros heróis sempre foram esquecidos, um deles, dá pelo nome de Francisco Pizarro – O Maranhão. Outros há que destronados do seu pedestal, pura e simplesmente desapareceram, tal como aconteceu ao Monsenhor Alves da Cunha que estava no Jardim das Freiras... Alguém sabe onde ele pára!?


Pois à excepção do Monsenhor Alves da Cunha, que finalmente ganhou lugar na Praça que já detinha o seu nome, tudo continua como dantes.

 

 


Houve lutas pelas quais valeu a pena lutar e que há que fazer jus por terem acontecido e serem resolvidas como foram. O Encerramento da Ponte Romana ao trânsito automóvel foi uma delas, como flaviense senti-me honrado com a decisão e o dia em que finalmente fechou aos carros. Criticam-me muitas vezes por criticar, mas também sei elogiar quando há razões para isso, tal como elogiei os arranjos das envolventes dos Fortes de S.Francisco e S.Neutel, elogiei a decisão de transformar em museu os Balneários Romanos, elogiei o Espaço Polis.

 

 

Gostaria também de elogiar as Freiras e a reconstrução do  Cine-Teatro de Chaves, este bem menos polémico que a ponte e que segundo um inquérito que por aqui passou mais de 90% das respostas concordavam com a sua reabertura. Parece estar em banho Maria. Nem xó nem arre. Creio que quase a totalidade dos flavienses concordaria com um novo Cine-Teatro e, ainda se está a tempo de tomar uma decisão correcta e acertada, que não passa pela certa pelas últimas propostas que houve para o local. Gostaria também de elogiar alguma humildade e o despir de algum orgulho, pois os flavienses também vivem do sentimento e da memória, para além de um espaço que faz falta à cidade no lugar onde está. Chaves e os flavienses saberão reconhecer o bem que lhes fazem, mas também registam na memória e história de Chaves o mal que lhes é feito.

 


Gostaria aqui de acrescentar mais alguns lamentos, mas fico-me pelo pensamento de há um ano e até o engrosso e sublinho :


Chaves e os flavienses saberão reconhecer o bem que lhes fazem, mas também registam na memória e história de Chaves o mal que lhes é feito.

 

Entre mais algumas lutas que por aqui passaram, a última e que ainda se mantém, tem a ver com as barragens do Rio Tâmega, mais um negócio feito entre os grandes, EDP e IBERDROLA, onde não se estranham gestores ex-políticos e ex-ministros que apresentam um EIA – Estudo de Impacto Ambiental pejado de lacunas e omissões, onde se escondem e negam prejuízos e malefícios graves de aspecto ambiental, social e económico, que para todo o sempre acabam com um rio e a sua vida saudável contra todas as normas e directivas comunitárias sem daí haver um crescimento que possa ser considerado em termos de energia, ou seja, postos nos pratos da balança de um lado os prejuízos e malefícios para o rio, qualidade da água e população ribeirinha e do outro os ganhos em termos de energia, facilmente se compreenderá que mais uma vez há altos negócios não muito claros em que todos nós população, principalmente a população do Tâmega, só fica a perder e nada a ganhar, mas a perda maior, é a de um Rio. Tarde, mas parece que já se começou a perceber o problema e a ser discutido, mas, penso que tarde demais...

 

 


Aqui está tudo em aberto e cada vez mais se chega à conclusão que não se trata apenas de um negócio mas também de uma vigarice onde uns poucos ganham e, para além de perdemos um rio, todos ficam a perder.

 Hoje acrescento mais uma luta que embora já ande na rua ainda não teve espaço aqui no blog, mas fica prometido que amanhã mesmo terá aqui a sua entrada – trata-se de lutar pela justa continuidade do Pólo de Chaves da UTAD.


Também é sempre com carinho que abro as portas do blog aos nossos artistas, poetas e escritores e também a eles lhes agradeço por existirem e terem feito possíveis algumas das páginas deste blog. Um agradecimento especial ao Mestre Nadir Afonso por ser flaviense, por existir e por continuar a partilhar a sua obra, muitas das vezes em Chaves e por ter escolhido Chaves para sede da Fundação Nadir Afonso. Nadir, a sua obra e a sua fundação que este blog tem feito os possíveis por acompanhar e partilhar com todos os flavienses e dos quais continuaremos a dar notícias, principalmente do estado das obras da fundação, cuja conclusão (relembro) está prometida para 2011, mas cujas obras ainda não iniciaram.

 

 

Há coisas que felizmente se alteram, pois as obras embora não se concluam em 2011, foi neste ano que tiveram início. Para já pouco há para ver, pois só agora a obra começou a sair do solo. Quando se vir alguma coisa, prometo deixar por aqui umas fotos.

 

Este blog poderia ser diferente, e embora muitos me acompanhem com agrado, sei que não tem sido do agrado de todos, principalmente porque muitas vezes se põe o dedo nas feridas que se querem escondidas ou nas chagas que a impotência e outros interesses não deixam ou querem sarar, mas mesmo assim (porque não é esse o meu objectivo) fica muito aquém no tratamento de alguns assuntos que competem aos partidos políticos ou à imprensa tratar, investigar e obter respostas. Trago aqui apenas o que é visível e público, coisas simples até, mas que incomodam o vulgar dos cidadãos e aos quais penso ter o direito a uma opinião, a concordar e a discordar, a criticar e elogiar. Comichões e outras perturbações que este blog possa provocar, se não possíveis de cura, algum tratamento devem ter. Por aqui age-se de acordo com a natureza, distribui-se pólen quando o há para distribuir, alumia-se quando há sol ou levantam-se tempestades quando o tempo não está de feição…

 

 

 Este último parágrafo também é para manter intacto, mas engrossado e sublinhado, sem mais comentários.

 


Poderia chegar a este bonito número de 1.000.000 de visitantes e dizer basta, chega, mas não o vou fazer para já. Primeiro porque ainda me falta cumprir a promessa das aldeias e segundo, porque (mesmo contra ventos e marés) sei a importância que este blog tem para quem está fora e vem aqui beber e rever a sua ligação às origens, matar saudades.


 Pois aqui tudo se altera e volto à razão de existir deste blog. Já não é por mim nem, pela certa, dos colaboradores deste blog, mas pela diáspora flaviense que vem aqui beber as suas origens ou matar saudades. Os flavienses residentes, bem ou mal,  lá vão vivendo a cidade no seu dia a dia. Tem-na por inteiro nos cheiros, na luz, no calor, frio ou nevoeiro tão nosso, mas os flavienses da diáspora têm a cidade de Chaves ou a sua aldeia num aperto de coração constante. É por eles e para eles este blog. Os de cá que estão cá, que vivam a cidade mas sobretudo que não se excluam dela, porque a cidade de Chaves e o concelho é de todos nós.

 


Fica então um agradecimento especial para a diáspora flaviense espalhada por esse mundo fora, em especial para aquela que mais visita o blog e que segundo os indicadores que tenho de servidores ao qual se liga o blog, continuam a ser os do Brasil e dos Estados Unidos,  seguidos de toda a Europa,  os que mais visitam o blog. Um sincero obrigado e vou tentar continuar a levar até todos vós as imagens de Chaves e das suas aldeias.


Em suma, se há um ano atrás desconhecia qual seria o futuro deste blog, hoje sei que ele veio para ficar, pelo menos enquanto eu andar por cá.

 

 

Para finalizar, restam os agradecimentos aos que junto a mim caminharam para atingir este número de visitas, começando por agradecer aos amigos e visitantes que vêm aqui todos os dias, e alguns, quase desde que este blog existe, mas sobretudo agradecer aos que ousam comentar pois o feedback além das vossas opiniões são sempre bem vindas. Não posso esquecer também os colaboradores deste blog, sem os quais este blog já não seria possível, mas também os companheiros de viajem da blogosfera flaviense e os Associados da Associação de Fotografia e Gravura – Lumbudus pela sua disponibilidade para a imagem que às vezes me falta e pela sua contribuição para divulgar Chaves e o concelho em imagem. Obrigado a todos e prometo que, para além dos aniversários do blog, só voltarei com estas “lamechices” quando chegarmos aos 2.000.000 de visitas. Hoje é dia do 1.500.000 e agradeço-lhe, a sí em especial que agora está a ler estas linhas porque sei que também contribuiu para este número de visitas.

 


Por fim pedir desculpas por uma ou outra coisinha, alguns erros meus e por não saber fazer melhor ou,  levar melhor até vós a cidade de Chaves, as freguesias e as suas aldeias. Faço o que sei e posso.


Obrigado a todos.


Para hoje ainda as habituais crónicas de João Madureira com “Quem conta um ponto…” e as “Intermitências” de Sandra Pereira



 Nota: À excepção da primeira foto, as restantes são de arquivo e já publicadas ao longo da vida do blog.

 


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publicado por Fer.Ribeiro às 23:00
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