Quinta-feira, 31 de Maio de 2012

O Homem sem Memória (104) - Por João Madureira

 

O Homem Sem Memória

Texto de João Madureira

Blog terçOLHO 

Ficção

 

104 – Pressionado pela mulher, e indiferenciado pelo seu filho primogénito, que teimava em não tomar partido por qualquer das partes em conflito, o guarda Ferreira abalou para a capital do Norte na carreira das cinco com o entusiasmo de um condenado às galés.


Esteve durante quinze dias a ver onde paravam as modas. Dentro do posto reinava uma paz inquieta e nas ruas o povo manifestava-se todos os dias e a todas as horas pelas mais variadas razões. Tudo servia de pretexto para fazer uma manifestação, anunciar uma greve, sanear os fascistas, apedrejar as sedes de partidos rivais e apupar quem naquele dia não tinha saído à rua em defesa das mais amplas liberdades.


E nesta brincadeira entre revolucionários revisionistas, social-fascistas, trotsquistas, leninistas, estalinistas, maoístas e indiferenciados e destes com os contrarrevolucionários socialistas (que encobriam no seu seio, qual serpente venenosa, os social-democratas, os democratas-cristãos e alguns, poucos, liberais), a cada dia que passava a cidade ia ficando mais e mais explosiva. Então à noite só se podia sair em grupo e devidamente armado. Tumultos e confrontos havia-os em cada canto e esquina, entre os mais diversos protagonistas e pelas mais variadas razões. E até sem razão nenhuma.


A intervenção da GNR era solicitada nos mais variados locais por gente à rasca, por vezes mesmo à rasquinha, que era vítima de furtos ou via o seu direito ao descanso ser ameaçado por bandos de rufias que faziam mais vasqueiro do que uma vara de porcos famintos. Mas as novas regras ditavam que a ação da força policial, que agora estava sob rigorosa vigilância revolucionária, unicamente podia ser feita por voluntários e apenas quando estavam em causa ofensas graves à coesão social e à independência nacional, o que não era manifestamente o caso.


A esquerda considerava a GNR o último baluarte do Estado Fascista. E o povo não necessitava de que aqueles homens fardados, que sempre defenderam a ditadura e oprimiram o povo, viessem meter o bedelho onde não eram chamados. Apenas as forças armadas, especialmente as tropas do MFA, eram bem-vindas, pois era certo e sabido que em vez de atuarem se punham a confraternizar com os agitadores, pois a revolução, era certo e sabido, seguia dentro de momentos.


Postas as coisas nestes termos, o guarda Ferreira, que era o impedido do Capitão Martins, só pôs os pés de fora do quartel no momento de se vir embora definitivamente. O seu superior, que lhe devia muito jantarinho a desoras, muita inconfidência protegida e muito pecado venial encoberto, disse-lhe que era homem para propor uma promoção do guarda Ferreira a primeiro-cabo se ele se atrevesse a fazer algumas rondas pelas sedes dos vários, e distintos, partidos comunistas, partidos fascistas e partidos democratas, na tentativa de impedir que fossem invadidas por crápulas que não se cansavam de brincar com coisas sérias: a política, a segurança das pessoas e dos bens e o respeitinho que a todos era devido.


A princípio ponderou a oferta, pois sabia que era agora ou nunca que podia satisfazer a ânsia de prestígio da Dona Rosa. Como primeiro-cabo podia mesmo vir a ser chefe de posto em alguma terreola próxima de Névoa. E depois logo se veria como correria a ascensão ao ambicionado cargo de sargento, que era a categoria mais alta a que podia aspirar dentro da corporação. Ofereceu-se como voluntário, escolheu o roteiro das patrulhas e definiu prioridades. Tudo muito certinho e direitinho.


Só que na noite em que estava para sair em serviço, assistiu, estupefacto, à chegada de uma patrulha, salva por outras duas ou três das mais prestigiadas e das mais calejadas no ofício de dar cacetada, que viu o jipe em que seguia ser incendiado por jovens encapuzados, que assistiu incrédula ao roubo das suas armas de fogo e que se viu obrigada a aguentar uma carga de porrada, muito ao jeito popular, o que deixou os garbosos e destemidos agentes da autoridade à beira da morte.


Nestas circunstâncias, o guarda Ferreira pensou que uma coisa era querer ser promovido para agradar à mulher e, quem sabe, ao Capitão Martins. Outra, bem diferente, era armar-se em herói e ganhar, com a brincadeira, um baú de pau, mesmo que gratuito a heróis efémeros, uma medalha de coragem e bons serviços prestados à pátria e à democracia, fosse lá isso o que fosse, e uma pensão de miséria vitalícia para a sua mulher e para os seus filhos.


Mal entrou no gabinete do seu superior, o guarda Ferreira deu-lhe conta do que tinha visto há poucos momentos e pediu-lhe encarecidamente que o tirasse da patrulha que estava para sair dentro de minutos. O Capitão Martins, com um sorriso nos lábios, perguntou-lhe se não queria progredir na carreira, pois ou era agora que o tinha ali como amigo que as coisas se compunham, ou então bem podia tirar o cavalinho da chuva que nunca mais teria uma oportunidade como aquela. Situações revolucionárias vivem-se uma vez na vida. Ou nem isso.


O guarda Ferreira desabafou: “Foda-se, com sua licença meu capitão, mas ainda não estou pronto para morrer. Suspeito que o Jorge, aquele grandalhão de Freixo, vai desta para melhor. Ele que era homem para pegar num porco dos taludos e sozinho pô-lo no banco, está para ali a miar como um gato, sangrando das fuças como um coelho a quem lhe deram a cutilada final. E eu não estou para heroísmos destes. Eu quero andar por cá durante ainda mais algum tempo para ver crescer os meus filhos. Eu não tenho vocação para herói.”


O capitão Martins, ainda com o sorriso irónico nos lábios, olhou para o seu impedido e disse: “Tu juraste defender a ordem. E, deixa que to lembre, o nosso lema é: Pela lei e pela grei.” E o guarda Ferreira: “Isso foi noutros tempos. Agora o povo está demente. Não trabalha, berra a toda a hora, faz greve por tudo e por nada. E as pessoas dos partidos comportam-se como garotos. Colam os seus cartazes, rasgam os cartazes dos adversários, pintam paredes com os seus símbolos e com as suas palavras de ordem e apagam os símbolos e as palavras dos outros. Cada um diz que é mais revolucionário do que o outro ou que é mais democrata do que o outro. Mas, bem vistas as coisas, são todos iguais. Cada um quer que o seu partido chegue ao poder para mandar no povo e arranjar uns tachos para si e para os que melhor o serviram e servem. São todos fanáticos. Apenas se querem matar uns aos outros. E, à falta de outro inimigo mais à mão, agora juntam-se para bombar nos guardas.”


“Então desistes?”, perguntou o capitão. Ao que o guarda respondeu: “Desisto, mas desisto mesmo.” “Pronto, está desistido. Pretendes mais alguma coisa de mim?” “Sim, meu capitão, pretendo.” “Isso é que é falar. E o que pretendes tu?” “Ir-me embora. Aqui já não faço nada. Hoje perdi as esperanças em ser promovido. Por isso quero ir para a minha terrinha, que é bem mais calma do que este ninho de cucos. Lá os comunistas são meia dúzia de gatos-pingados que não fazem mal a uma mosca. Posso não ser promovido, mas também não corro o risco de ser morto à porrada ou à facada ao virar da esquina por um bando de energúmenos.” “Ao que sei por lá também são meio malucos.” “Diz bem meu capitão, são meio malucos. Mas aqui são malucos por inteiro.” “Então vejo que queres pôr-me a comer na messe dos oficiais.” “Ó meu capitão, sei que também já fez o pedido para ir chefiar o posto da sua terra. E para lhe cozinhar os pitéus peça à sua criada, pois fá-los tão bons ou melhores do que os meus. A rapariga é muito prendada.” “Ai Ferreira, Ferreira, desconfio que andaste lá por casa a sarandar nos dias em que eu e a minha esposa andávamos por fora.” E riram-se ambos e dois a bom rir. No final da conversa cumprimentaram-se como dois velhos amigos e cada um foi à sua vida. 


105 - Ao fim de quinze dias o Guarda Ferreira estava ...

 

(continua)

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Quarta-feira, 30 de Maio de 2012

Palavras colhidas do vento... por Mário Esteves

 

Quando se fala em flavienses que se destacaram no futebol, inevitavelmente, surge o nome de Pavão, Fernando Pascoal das Neves de baptismo. O apodo veio-lhe pela forma como fintava os adversários, de braços abertos.


A morte trágica, em pleno jogo, na jornada treze e aos treze minutos, no então Estádio das Antas, frente ao Vitória de Setúbal, orientado por José Maria Pedroto, o mesmo, que, apesar da sua juventude, o elevara à categoria de capitão da equipa de seniores do Futebol Clube do Porto, onde se estreou com dezoito anos, furta-lhe na maior parte das vezes, perante a magna comoção que o seu inesperado e dramático falecimento causou, o reconhecimento de uma carreira promissora, que já contava com várias internacionalizações, nas categorias de juniores, esperanças e na selecção A, e ainda uma vitória na Taça de Portugal, precisamente, perante o clube que defrontava no fatídico dia 16 de Dezembro de 1973.


Tive o privilégio de ver um dos seus últimos jogos, no Estádio Municipal de Coimbra, contra a Associação Académica de Coimbra.

 

 

(http://clubedecoleccionadoresdegaia.blogspot.pt)


Não era minha intenção evocar a figura de Pavão, no entanto, a sua dimensão no futebol nacional e no Futebol Clube do Porto, no qual chegou a ser incontestável ídolo, dificilmente poderia ser contornada.


A conquista do”bicampeonato” pelo FCP, impeliu-me a outras páginas da história, onde encontrei outro ilustre flaviense, que, aliás cheguei a conhecer pessoalmente, pois, a cunhada, Sarinha, e a esposa, eram amigas e da mesma geração da minha tia Estrelita.


Morou nos últimos tempos, na Travessa do Postigo, regressado de Moçambique.


Manuel do Anjos, mais conhecido por “Pocas”, nasceu em Chaves, no ano de 1914.

 

 

Aos vinte e um anos ingressou no Futebol Clube do Porto e pode-se dizer, que foi chegar e beijar o santo, por que venceu um Campeonato de Portugal (1936/1937).

 

 

Da esquerda para a direita, em cima: Manuel dos Anjos (Poças), Carlos Pereira, Francisco Ferreira, Ernesto Santos, Vianinha, Soares dos Reis e Gutkas (treinador); Em baixo: Lopes Carneiro, António Santos, Reboredo, Pinga e Carlos Nunes. (http://dragaopentacampeao.blogspot.pt)


E depois de alterada esta competição para Campeonato Nacional, foi campeão por duas vezes consecutivas (1938/1939 e 1939/1940).

 

 

Da esquerda para a direita de joelhos: Castro II, Lopes Carneiro, António Santos, Costuras, Pinga e Carlos Nunes; De pé: Miguel Siska (treinador), Soares dos Reis, Sacadura, Guilhar, Manuel dos Anjos (Pocas), Carlos Pereira, António Batista, Reboredo, rosado e o massagista Francisco Gonçalves.

 

 

Da esquerda para a direita de joelhos: António Santos, Pereira, Gomes da Costa, Andrasik e Pinga. De pé: Miguel Siska (treinador), Petrak, Carlos Pereira, Kordnya, Manuel dos Anjos (Pocas), António Batista, Guilhar e o massagista Francisco Gonçalves. (http://advalecambrense.blogspot.pt)

 

Chegou a internacional, num jogo disputado entre as selecções de Espanha e Portugal, em Bilbao, no ano de 1941, com resultado adverso às cores nacionais (1-5), sendo suplente utilizado.


A crítica desportiva da época assinalava-o como jogador de técnica “apuradíssima” e excelente no jogo “aéreo” e formando parte de um “brilhante trio centro-campista”, com grande contribuição na conquista do bicampeonato (1938/39 e 1939/40).


Homenageado pelo FCP, regressou posteriormente a Chaves, onde jogou no Flávia Sport Clube e após a fusão deste clube com o Clube Atlético Flaviense, dando origem ao actual Grupo Desportivo de Chaves, defendeu-se a sua inclusão como jogador ou técnico, nas suas primeiras equipas, como sucedeu com outro protagonista desta crónica mais à frente.



Manuel dos Anjos (Pocas) é o primeiro a contar da esquerda para a direita, no fundo da imagem.


 (Foto Bilus)



Como treinador, exerceu larga actividade na Beira, em Moçambique, para onde entretanto se deslocara, nomeadamente no Clube Ferroviário daquela cidade.


A Académica venceu a Taça de Portugal na época finda e conquistou pela segunda vez este troféu, de boas recordações para o Desportivo de Chaves.


Quando fui para Coimbra, algumas vezes assisti a treinos da Académica no Campo de futebol do Arnado, a paredes-meias com o Jardim da Sereia e próximo da Praça da República.


Desconheço se ainda existe, porém, logo na primeira vez que lá fui, chamou-me a atenção uma placa comemorativa na parede de frente dos balneários, onde entre os nomes dos jogadores da Académica que tinham vencido a primeira Taça de Portugal, figurava o nome de Peseta.

 

 

 

Peseta é o quinto a contar da esquerda para a direita e de pé. (http://casaacademicaemlx.blogspot.pt)


Ora eu conhecia um Peseta, que jogara futebol em Chaves, no Flávia S. C. e foi treinador do GDC, nas suas primeiras épocas de vida (1949/50 e 1950/51).


Seria o mesmo?


Perguntei ao meu pai e de facto era a mesma pessoa.



Peseta é o segundo da esquerda para a direita, de joelhos, entre o Flávio e o meu pai.


(Fotografia propriedade do autor)


A terminar um fragmento da última página do semanário: Ecos de Chaves, Ano II - N.º 87, Novembro 27-1949; artigo assinado por Zé do Peão, onde se fazem referências a Manuel do Anjos (Pocas) e ao Peseta, entre outros, sobre quem deveria fazer parte da equipa do Desportivo de Chaves, nos seus começos.


Com a devida vénia …


(Arquivo do autor)


E fico-me por aqui, de campeões estamos conversados… e de Chaves.

 

Mário Esteves

 

 

   

 

 

 

 

 

 

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Terça-feira, 29 de Maio de 2012

Pedra de Toque - Às vezes a Noite

 

 

ÀS VEZES A NOITE…

 

Às vezes a noite surge tão escura e tão longa.

 

Apetece então dormir na quietude de uns braços, na quentura de um corpo, horas incontáveis nos relógios da vida.

 

Estou só mas cercado por ti por tudo que é lado.

 

Tu que moras num prédio alto da cidade cosmopolita não me escondas mais as gardénias que sempre vi no teu sorriso, as algas azuis que se confundem com as espigas loiras semeadas nos teus cabelos.

 

Vem e traz-me a humidade da tua boca, o veludo da tua pele e sacia a fome que tenho de serenidade.

 

Se calhar amo-te, se calhar…

 

Só tenho a certeza que te quero, que preciso das tuas palavras, dos teus gestos desenhados pelas tuas mãos, torres de catedral, porto de abrigo.

 

 Eu sei que tu existes, que estás algures a ler, letra a letra, as frases que aqui vou desenhando para ti.

 

Quando te vejo fugaz na bruma dos dias, no rio que corre para o dealbar do destino, desapareces por magia nas ramagens verdes e lisas.

 

Era tão bom que hoje aparecesses… Eu sei que tu me procuras com tanto frémito como eu.

 

Hoje é a noite em que as pessoas brindam, se juntam e nós vamos estar sós. Não poderemos virar a duas mãos a folha do calendário.

 

Se nos encontrássemos seria uma altura divina para planearmos o amor que tarda.

 

Vou fazer aos deuses uma prece para que assim seja.

 

Ora comigo.

 

António Roque

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Apenas uma imagem - Chaves

 

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Segunda-feira, 28 de Maio de 2012

Quem conta um ponto...Da expetativa ao imobilismo (XVII): António, o desistente

 

Da expetativa ao imobilismo (XVII): António, o desistente

 

Quando alguém me comentou a forma como António Cabeleira agiu, e reagiu, na recente reestruturação dos serviços da nossa autarquia veio-me logo à ideia uma frase do brilhante livro de Caudio Magris, Às Cegas, que aqui deixo aos estimados leitores para reflexão: “Quem dá ordens ilude-se e pensa que comanda.”

 

É verdade que o vereador António quando dá ordens pensa que comanda, mas isso é apenas aparência. Tal e qual como quando fala aos jornais para nada dizer, ou então para confirmar que está num processo acelerado de abandono das principais promessas eleitorais que fez para estes últimos quatro anos de gestão autárquica laranja. João Batista faz de cego e mudo e o seu vice desempenha o papel de surdo. A peça encenada sugere muita, mas mesmo muita, confusão.

 

Pois é, António Cabeleira foi recentemente enxertado no pelouro do desporto da autarquia flaviense. E fê-lo porquê? Está claro que não foi por causa da sua competência técnica e política em relação ao desporto. Nem sequer pelo seu amor ou dedicação ao desporto. E muito menos porque se sinta inclinado a abraçar esta pasta numa putativa vitória (o diabo seja cego, surdo e mudo, pois para atraso de vida já nos chegam, e sobram, os dez anos em que ele e João Batista, ou o João Batista e ele, geriram de forma infeliz e irrefletida os destinos da nossa cidade e do nosso concelho) para presidente da Câmara de Chaves.

 

A razão não é técnica nem de mera gestão administrativa, como ele tenta fazer querer durante a entrevista que concedeu a um jornal local. Não, a lógica é estritamente partidária. Pois este era um dos pelouros atribuídos ao seu rival Carlos Penas.

 

Desde que venceu as eleições internas do PSD, António Cabeleira não tem feito outra coisa que não seja afastar os seus rivais dos lugares dirigentes no partido e dos locais de direção efetiva na Câmara. E o homem não descansou enquanto não arredou para os lugares cinzentos e destituídos de poder efetivo, o seu grande rival.

 

E aqui para nós que ninguém nos ouve, a verdade é que João Batista tinha dado como adquirida a candidatura de Carlos Penas quando viu que António Cabeleira se tinha decidido pelo lugar de deputado por Vila Real. Mas o seu vice não se deu bem com os ares de Lisboa, pois lá não mandava em nada nem em ninguém. Ninguém o ouvia, ninguém lhe prestava atenção, ninguém lhe ligava nenhuma. No seu grupo parlamentar era o último da cadeia hierárquica.

 

Vendo-se triste e desamparado, pegou nas malinhas e retornou ao seu lugar de origem. E, a partir daí, tudo fez para derrotar o seu rival Carlos Penas. Tudo fez, e convenhamos, conseguiu. Até porque João Batista, qual Pilatos, deixou cair o seu delfim e a seguir lavou as mãos, desinteressando-se definitivamente pela qualidade, ou falta dela, da sua sucessão.

 

António Cabeleira, quando confrontado com a questão acerca da sua investidura como responsável pelo desporto, argumentou de forma técnica, com palavras pouco adequadas, acabando por admitir o pior. E passamos a citar: “Não houve qualquer análise de valia na área do desporto, pelo antigo vereador Carlos Penas, antes pelo contrário, pois é uma pessoa bem mais informada do que eu e com grande mérito no trabalho realizado.”

 

Mas como é “uma pessoa bem mais informada” do que António Cabeleira e “com grande mérito no trabalho realizado”, dá-se-lhe um pontapé no traseiro e põe-se a andar porque o vice de João Batista, que é bem menos informado e sem méritos reconhecidos nesta área, resolveu abocanhá-la com ciúmes do crescente protagonismo do seu rival.

 

Mas o que mais nos incomodou na entrevista do senhor vice, além de uma grande carga de hipocrisia política, foi a sua confissão de desistência relativamente a todos os projetos estruturantes que a Câmara tinha agendado relativamente a estruturas desportivas.

 

O homem congelou tudo. Desistiu do Pavilhão Multiusos, abandonou da ideia de um parque desportivo e abdicou da ideia da implementação dos sintéticos.

 

Ou seja, por causa de terem gasto o dinheiro que ainda possuíam em obras de mais que duvidosa qualidade, oportunidade ou necessidade, como o sejam os dois jardins destruídos, o parque industrial novo e abandonado, as vias intervencionadas e cestas e bancos espalhados a esmo nas ruas da cidade para atrapalharem ainda mais a mobilidade dos flavienses e dessa forma recompensar gentilezas e fazer de nós parvos, agora vêm para os jornais comunicar que desistem de tudo, ou quase tudo, relativamente a infra-estruturas desportivas que tanta falta fazem a Chaves. Isto para não falar no buraco que substitui o prometido parque de estacionamento no quarteirão do Faustino e a eterna promessa, sempre adiada, de reabilitação do antigo Cine-Teatro no centro da cidade.

 

A verdade salta à vista, a Câmara de Chaves está como o país, em pré-falência.

 

Quando o jornalista lhe colocou a questão sobre os desafios que assume enquanto gestor da pasta, António Cabeleira, respondeu de uma forma inenarrável: Se não “diminuir a atividade já é bom”. Ou seja, vai diminuir a atividade desportiva e satisfaz-se com isso. Promete-nos um regresso ao passado e quer que todos concordemos com a sua desistência.

 

A verdade salta à vista, com o António Cabeleira à frente dos destinos da Câmara de Chaves espera-nos a estagnação, o abandono e a desistência.

 

Em tempo de vacas gordas gastaram dinheiro à tripa forra em obras sem vulto, deixando as estruturantes para o período pré-eleitoral. Mas a porca sai-lhes mal capada. Por isso agora só lhes resta desistir. Então e a esperança? Então e o futuro?

 

Se um putativo candidato a presidente (o diabo seja cego, surdo e mudo, pois para atraso de vida já nos chegam, e sobram, os dez anos em que ele e João Batista, ou o João Batista e ele, geriram de forma desastrosa e leviana os destinos da nossa cidade e do nosso concelho) da nossa autarquia diz ainda antes das eleições que só nos resta o caminho da abdicação e da desistência, o melhor que tem a fazer é ir para casa calçar o chinelos, pôr-se a ler o jornal, aquecer-se à lareira, pois já não serve para mais nada.

 

Se quer ser eleito para desistir depois, então o melhor que tem a fazer é desistir já e deixar o caminho livre a quem tem projetos para o futuro, a quem não desiste de lutar por um futuro melhor para os flavienses.

 

 A verdade salta à vista, António Cabeleira não aprecia a nossa terra nem defende as nossas gentes. Não ama a nossa cidade, por isso não consegue projetá-la para ter futuro. Quando as coisas se complicam, o homem desiste.

 

A pensar em alguma coisa, o vereador António apenas pensa no seu partido e na manutenção do poder para satisfazer clientelas e promover amigos.

 

Sobre os projetos, diz que deixou cair o Pavilhão Multiusos porque apenas dará prejuízo. Afirma que é um sorvedor de dinheiro. Mas desde quando é que uma estrutura desportiva pública é feita para dar lucro?

 

Por essa lógica, estamos em crer que o senhor vereador e os seus colegas, e restantes prosélitos, porque dão um grande prejuízo à autarquia, também devem ser dispensados de funções, antes que arruínem de vez a Câmara.

 

Sobre vários projectos de parques desportivos afirmou que comprou os terrenos mas que devido à conjuntura económica os planos ficaram adiados. Desistiu também de vários campos de ténis, desistiu das piscinas municipais, dos relvados sintéticos. Desistiu de tudo. Só ainda não desistiu de querer manter-se à frente da Câmara. Mas essa era a sua melhor saída. 

 

A construir, diz que apenas se vê a fazer campos pelados. É caso para dizer que, nesse caso, o melhor será ele e os seus irem para lá jogar para verem como elas doem.

 

“Neste período de crise que estamos a viver pretendemos que o número de clubes mantenha a sua atividade.” Ó senhor vice, ser vereador para prometer desistência, abandono e conformismo, o melhor é agarrar na pasta e ir para casa e informar alguns dos seus apaniguados que rumem aos seus postos de trabalho originais e deixem a política para quem sabe, deixem a cidade para quem a ama e deixem o desporto aos desportistas.

 

Nunca se esqueça que a crise que estamos a viver se deve a políticos idênticos, que gastaram aquilo que tinham e que não tinham e agora quem vai pagar as favas são os portugueses, neste caso concreto os flavienses, que nesse processo não foram tidos nem achados.

 

Pois é, o senhor vice tem o direito de desistir, tem mesmo o direito de vir para os jornais afirmar que tomou conta dos destinos de uma pasta camarária para desistir. Só não tem é o direito de nos querer convencer que todos temos de desistir porque o nosso estimado amigo desiste. 

 

Desista se quiser, como o fez enquanto deputado traindo a confiança que os flavienses, que em si votaram, depuseram no momento da sua eleição. Desista, porque é isso que sabe fazer enquanto político. Desista, mas deixe que aos flavienses continuem a ter uma réstia de esperança e por isso acreditem que os políticos não são todos iguais e que o nosso caminho é rumo ao futuro.

 

Pois é senhor vereador António, a nossa diferença está em que o meu amigo tem saudades do passado e por isso desiste. Nós, pelo contrário, não desistimos porque somos homens e mulheres de fé. De fé no futuro. Nós, ao contrário de si, temos é cada vez mais saudades do futuro, de um futuro liberto de políticos desistentes, dos quais o senhor vereador é um dos mais paradigmáticos representantes.

 

PS 1 – Lembram-se de eu dizer aqui que o vereador António Cabeleira tinha usurpado o lugar a Carlos Penas por causa do protagonismo. Se calhar alguns dos estimados leitores pensaram que era exagero. Manias minhas. Pois a prova provada, como diz o nosso povo, veio estampada na primeira página dos jornais, designadamente na apresentação dos “Chaves Beach Games 2012”.

 

Na fotografia da capa aparece o senhor vice camarário de mãos entrelaçadas e a sorrir para o fotógrafo, rodeado por diversas pessoas, nomeadamente por um seu colega de partido, que é para estas coisas que eles existem e fazem política à boleia do desporto.

 

Na notícia que acompanha a foto não encontrámos nem uma única palavra do senhor vereador. O que nos leva a concluir que apenas lá foi para aparecer na fotografia e, em consequência, nas capas dos semanários regionais.

 

A ambição política tem destas coisas, transforma homens simples em personagens fotográficas. Isto independentemente da qualidade, da verticalidade, da coerência, da competência, da seriedade e das ideias. Raio de política que transfigura as figuras públicas em “emplastros”.

 

PS 2 – Não é por nada, mas não ficaria de bem com a minha consciência se não dissesse aos organizadores que talvez não fosse má ideia que o evento desportivo que organizam se chamasse pura e simplesmente “Torneio de Futebol de Praia de Chaves”. Depois queixamo-nos que cada vez mais a nossa língua é desprezada, esquecida e rejeitada. Se somos nós próprios a renegá-la o que pensarão os outros povos de nós. Lembrem-se de Fernando Pessoa: a minha Pátria é a língua portuguesa. Sejamos, pois, patriotas. Podem estar seguros de que o torneio não perde qualidade por isso.

 

João Madureira

 

 

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Domingo, 27 de Maio de 2012

Por terras de Stª Leocádia - Chaves - Portugal

 

Não, não me tinha esquecido de vir por aqui. São mais coisas do tempo do relógios, que tal como o vento, às vezes não se põe de feição. Aqui as promessas cumprem-se e assim, vamos até mais uma aldeia do nosso concelho de Chaves.

 

 

Quando não sei até onde ir, viro para as montanhas, subo-as e eis-me pasmado em contemplações. Vou algumas vezes para estes lados de Stª Leocádia. Já fotografei tudo que tinha a fotografar por lá, mas mesmo assim, continuo a ir e nunca me arrependo, nem que seja e só por estas duas primeiras imagens que vos deixo. A da Igreja Românica, tal como a nossa Ponte Romana é a Top Model da cidade, ela é a Top Model da montanha. Lá no alto, deixa-se avistar ao longo das montanhas. O contrário também é verdadeiro, pois também o mar de montanhas se deixa avistar a partir da igreja.

 

 

Mas há por lá uma imagem que sempre mexe comigo. É esta última imagem que vos deixo. Não é por estar onde está, mas pela sensação que provoca de uma dura e penosa caminhada para o precipício e então, nos tempos que correm, essa sensação aumenta, de tão anjinhos que nós somos…

 

Amanhã regressamos à cidade. Até lá.  

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Sábado, 26 de Maio de 2012

A tremer de vergonha...

 

Subo, ou melhor, desço às aldeias e encantado, desencanto-me. Mas eu explico melhor.

 

Tal como Torga, In Diário VIII” “ Entro nestas aldeias sagradas a tremer de vergonha. Não por mim, que venho cheio de boas intenções, mas por uma civilização de má-fé que nem ao menos lhes dá a simples proteção de as respeitar”.

 

Compreendem agora porque subo e desço às aldeias e encantado me desencanto!?

Se não compreenderam, paciência, pois não tenho mais palavras que aquelas que vos deixo.

 

 

As imagens são de Sesmil. Para as palavras de hoje, poderiam ser de outra aldeia qualquer do nosso concelho, mas são de Sesmil, a meia dúzia de quilómetros da cidade de Chaves.

 

Hoje, à procura de outra informação, sem querer esbarrei na net  com alguns diagnósticos e estudos sobre o concelho de Chaves, e acabei por ir parar ao “Plano de Desenvolvimento Estratégico Chaves – 2015”, e depois de tudo, fiz uma pergunta a mim mesmo – E para as aldeias, que planos estratégicos existem?

 

Já não quero falar nos netos de hoje, mas os de amanhã e depois, na impossibilidade de nos pedirem responsabilidades, vão-nos culpabilizar por termos sido uma civilização de má-fé que nem ao menos demos a simples proteção de respeitar as nossas aldeias. E tenho dito!

 

 

 

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Sexta-feira, 25 de Maio de 2012

Discursos Sobre a Cidade - Por António de Souza e Silva

 

Um olhar sobre o poder autárquico de Chaves

 

Quem, como eu, que, de vez em quando, deita uma olhadela quer para os jornais, quer para os blogues, de matriz local, já pressente que paira no ar um clima de pré-campanha autárquica.


Por um lado, escrevinhadores de serviço, tecendo considerações e apreciações encomiásticas ao (à) presuntivo (a) candidato (a); por outro, as segundas linhas, no apoio indefectível ao sucessor presumível, calculado e programado, do actual detentor da cadeira do Largo de Camões, que, por razões legais, aqui já não a pode ocupar nas próximas autárquicas.


Criticas sibilinas e contundentes são periódica e constantemente vertidas contra o presidente João e seu delfim na sucessão, o senhor arquitecto Cabeleira, vulgo, o Cabeleira, (ou será outro, afinal ?...), num despique que se adivinha duro, mas interessante, na próxima campanha autárquica.


Mas não é destes presuntivos candidatos que vou falar. A seu tempo, terei oportunidade de lhes dedicar alguma atenção, quando estiver em causa, e apreciação, os seus programas e respectivas equipas.


Hoje gostaria de falar de Chaves, cidade e concelho, no seu contexto territorial e das suas gentes, bem assim do que penso, do balanço que faço, do poder autárquico tal como o temos configurado e do que deixa (ou).


Falemos primeiro de Chaves. Da percepção que nos idos anos 70 e 80 tinha desta vetusta cidade e do seu concelho. E da que hoje em dia faço…


Quando, na década de sessenta, vim parar ao lado mais setentrional do distrito de Vila Real, assentando arraiais familiares numa das freguesias rurais maior e mais populosa do concelho – São Pedro de Agostém -, trazia a ideia que, no sul, tradicionalmente mais pobre, vinha para terras mais fartas.


Esta percepção, pelo menos por alguns, embora poucos, anos, não foi desfeita.


Apesar de continuar estudos na capital do distrito, quando cá vinha de férias, “sentia” que os flavienses se orgulhavam da sua história passada e do seu torrão.


A sua riqueza advinha, essencialmente, de três factores. O primeiro, da sua posição geográfica. Terra de militares para defenderem a fronteira e de contrabandistas para, da fronteira, criarem economia (s). O segundo, dos seus recursos naturais, tendo nas Termas e na Veiga de Chaves dois elementos essenciais do seu desenvolvimento económico e riqueza. Finalmente, de ser interposto comercial, no apoio a uma vasta área que, grosso modo, cobria todo o território a que hoje designamos de Alto Tâmega.


Contudo, já se pressentia, naquela altura, no ar ventos de mudança.


A riqueza de Chaves assente, fundamentalmente, em bases de natureza rural e agrícola e comerciais, ia-se lentamente definhando, colapsando.


As levas de emigrantes, que, também daqui destas paragens, iam saindo, denunciavam que algo, por estas bandas, não estava bem. Ou excesso de população (mão de obra) para a terra disponível; ou falta de adaptação aos novos modelos de produção e distribuição; ou ambas as coisas; ou, quiçá, ainda outras.


É a partir da década de 70 que se começa a notar que, no conserto da rede urbana de Trás-os-Montes, Chaves vai perdendo protagonismo para outros centros, particularmente Vila Real, agora este, assentando mais o seu desenvolvimento na base do critério administrativo de ser capital de distrito. E, de lá até aqui, não tem parado. Veremos daqui para a frente…


Por outro lado, a abertura de fronteiras, após a lufada de ar fresco de liberdade que o 25 de Abril nos trouxe, e a adesão à então CEE, na década de 80, veio desvalorizar o elemento fronteiriço e o consequente sector da economia assente na actividade dos “peleiros”, contrabandistas, de lugar de passagem para a outra banda.


Neste contexto, havia que (re) enquadrar Chaves em termos de um novo modelo de desenvolvimento económico e social.


E o que aconteceu?


Ao entrarmos na década 70 e 80, deparamos, em termos autárquicos, com um protagonista forte: Branco Teixeira - um PPD/PSD caudilho, cacique, voluntarioso, truculento e controverso; transmontano de gema, pouco dado aos exercícios da diplomacia, também entre os seus pares; que, em termos profissionais, vindo do sector agrário, deixou cair por terra a jóia da coroa de Chaves – a sua Veiga -, não a defendendo, como seria soez, da especulação imobiliária que se começava a fazer sentir.


Com Branco Teixeira, ao favorecer, em especial, o alargamento da malha urbana para o lado esquerdo da Avenida de Nun’Álvares (Cinochaves), inaugura-se essencialmente um ciclo de desenvolvimento especulativo assente no imobiliário e na construção civil.


As economias dos emigrantes foram decisivas para este efeito. Criou-se a sensação, aliás como infelizmente por todo o país, que, não só se crescia física, como economicamente. Pura ilusão, como depois se viu!


O fenómeno da “bola” acabou por “anestesiar” a maioria dos flavienses neste “hossana”. Contudo, a realidade era por demais evidente: vivíamos numa miragem.


Havia, desta feita, que mudar de rumo.


As lutas internas, provenientes do desgaste do poder e da falta de horizontes, levaram a que um homem, apoiado por uma grande parte dos “opinion makers” locais, e acompanhado por uma equipa de “bons rapazes”, com um partido unido, oleado, e mobilizado, alcançasse o não espectável – a conquista da Câmara Municipal de Chaves.


Alexandre Chaves, e a sua equipa, nos princípios da década de 90 do século passado, era a lufada de ar fresco de que Chaves precisava.


Porque se trazia uma visão mais consentânea e moderna da problemática do desenvolvimento.


Em primeiro lugar, porque se estava bem ciente de que, daqui para a frente, o mundo rural não seria a solução do problema, bem pelo contrário, era parte do mesmo, ou seja, haveria que, doravante, lidar com a problemática acelerada da desertificação do mundo rural. E havia uma estratégia: armação de núcleos populacionais mais em perda a meia dúzia de outros mais dinâmicos; consolidação efectiva da cidade de Chaves como centro urbano de excelência, com um desígnio – Cidade da Saúde, envolvida com a Natureza e a Cultura -, dotando-o com infra-estruturas e equipamentos adequados a uma capital regional – o Alto Tâmega.


Feito o saneamento financeiro da autarquia – herança pesada do executivo anterior – e consolidado o saneamento básico na cidade e alguns núcleos mais significativos, em termos populacionais, havia que dar corpo a essa nova visão do desenvolvimento que se queria para Chaves.


O Plano Estratégico da Cidade de Chaves foi o documento no qual se plasmou essa visão, onde apareceram os programas, os objectivos e as acções que corporizavam esse novo desígnio, sempre exigente, e dinâmico, que se queria para Chaves. Com o consenso de todas as bancadas da Assembleia Municipal.


O primeiro mandato de Alexandre Chaves, e de sua equipa, ocorrido sob a pressão, como disse, do saneamento das finanças autárquicas e a mobilização de novos caminhos para Chaves, representou, efectivamente, a nova esperança, o acreditar num renascer.


Só que o desenvolvimento não se faz apenas com uma nova visão, uma nova estratégia, com novas infra-estruturas e equipamentos.


Faz-se com gente. Com todos. Com pessoas e instituições. Cientes, preparados, competentes, mobilizados. Como agentes e actores do seu próprio desenvolvimento.


E cedo, no segundo mandato de Alexandre Chaves, e sua equipa, se adivinhou que algo poderia não correr tão bem. O protagonismo… excesso ou falta dele? Talvez um a mais e o outro a menos.


Foi assim que uma outra miragem aparece: a de que bastava uma visão, uma estratégia, plasmada num documento bem feitinho, e um homem, para que, por artes mágicas, num simples levantar de dedo, o desenvolvimento se concitasse.


Aqui os “bons rapazes” poderiam e deveriam ter uma palavra a dizer. Já era, contudo, demasiado tarde, por razões que, para aqui, não tem interesse escalpelizar. O sebastianismo está por demais enraizado na mentalidade portuguesa.


As competências e a densidade institucional, que no artigo anterior falávamos, não existiam, não apareceram. Mais, deixou-se “alocar” a densidade institucional a uma única pessoa, o célebre “socinho”. Pensando-se que o mesmo poderia valer por todos os actores e agentes locais para o desenvolvimento. Só que, aqui, nas questões do desenvolvimento, a representação por si só não é tudo. Precisa de muitos, muitos mais. De todos. E activos.


Calaram-se” e/ou confundiram-se lados diferentes, perspectivas diversificadas, e campos conflituantes, como ameaças, e não como pontos fortes, como potencialidades. E, desta feita, tudo à volta desapareceu, deixou de mexer. Tudo secou! E, a miúdo, me bem à lembrança a ideia do eucalipto que, para medrar, seca tudo à sua volta.


O consulado de Altamiro Claro, a meio caminho entre Branco Teixeira, o voluntarista, e o desenvolvimento de projectos da “nova visão” estratégica, foi de pouca dura, levado na hecatombe do pântano “guterrista”. Depois… depois era demais tarde e complicado!


Não admirou, pois, que a maioria sociológica laranja do concelho tenha conquistado o Largo de Camões.


Conquistaram o Largo de Camões. E como foi o exercício do poder local?


Não contesto que se tenha feito obra. Fazem-se sempre coisas.


Mas, o que fica de emblemático?


Com que visão?


Vejamos, a título de exemplo. O novo Parque Empresarial, para os lados de Vilela Seca?


A Eurocidade Chaves/Verin?


 Para quem? E o que pensam desta iniciativa os flavienses?


E, tudo isto, com que visão? Com que desígnio?


Quem se dinamizou? Quem se galvanizou?


Os flavienses em que se espelham? Em que medida sentem que, aqui, se concita o seu desenvolvimento?


Julgo ter sido uma década - mais uma -, perdida.


Fica apenas a imagem do simpático João. E, de substancial, um poder autárquico autocentrado sobre si mesmo, ensimesmado, olhando somente para o seu umbigo, e na satisfação clientelar das suas hostes.


Será que, com as próximas eleições autárquicas, poderemos ter alguma esperança?


Para responder a esta questão, há que equacionar e reflectir sobre a actual moldura do edifício do poder autárquico.


É o que no próximo artigo faremos.

 

António de Souza e Silva


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Quinta-feira, 24 de Maio de 2012

O Homem sem Memória (103) - Por João Madureira

 

O Homem Sem Memória

Texto de João Madureira

Blog terçOLHO 

Ficção

 

103 – Durante a tarde, ele e o pai puseram-se a saltar entre os comunicados do MFA difundidos na rádio e os transmitidos na RTP. E, como eles aconselhavam, mantiveram-se calmos em casa. Nem a Dona Rosa, que era a mais arrojada da família, se atreveu a ir ao comércio da Dona Bárbara comprar o arroz de que necessitava para fazer o jantar. O povo, como muito bem dirá no futuro um patusco militar altamente graduado que chegou a primeiro-ministro, é sereno.


O guarda Ferreira fumava cigarro atrás de cigarro e bebia copo atrás de copo, enquanto escutava a rádio, via a televisão, ouvia as palavras um pouco imprecisas do seu filho mais velho e escutava os ralhetes da eterna maldisposta Dona Rosa. Mesmo o cão, as galinhas e os porcos, estranharam tanta gente em casa ao mesmo tempo e à mesma hora. Aquilo não era normal. Naquela família não. E, para piorar as coisas, as revoluções (ou melhor será dizer os golpes de Estado?) têm destas bizarrias, acontecem quando menos se espera.


Até a rapaziada mais nova teve dificuldade em atinar com as brincadeiras. Toda a gente metida em casa durante um dia inteiro colocou a família Ferreira à beira de um ataque de nervos. A televisão apenas transmitia música clássica, o que chegou a exasperar de maneira eloquente a Dona Rosa.


“Puta de música esta que me mexe cá com os nervos de uma maneira que não estou habituada. Também quem chama a isto música não pode estar bom da cabeça. Não terão por lá programas de folclore daquele senhor que fala e fuma devagar? Isso sim é que é música. A música do povo. Agora estes manjericos que se fartam de bufar em funis e arranhar as cordas daquelas violas pequerruchas, não tocam nada de jeito. Música daquela é boa para os funerais…”


Aqui o guarda Ferreira não se conteve, como era seu timbre e feitio, e retorquiu: “Então não vês que isto é mesmo um funeral. Está visto que o regime está morto. Pobre Marcelo Caetano. Ele que tanto fez pelo país vai ser destituído de forma vergonhosa e ainda por cima vão chamar-lhe todos os nomes e mais alguns. Só há uma forma do poder não cair na rua, é ser entregue ao Spínola. O distinto general é um militar prestigiado e sabe exercer a autoridade com… com…”, “Com muita autoridade” resolveu finalizar a Dona Rosa. Logo após puseram-se a olhar para os músicos tentando atinar com algo de mais substancial para dizer.


“E tu?”, perguntou a Dona Rosa ao guarda Ferreira. “E eu o quê?, tentou responder perguntando o guarda Ferreira à Dona Rosa. E ela: “Não achas que deves fazer alguma coisa?” E ele, entre o envergonhado e o surpreendido: “Fazer o quê? A GNR não se pode meter nisto. A política é para os políticos.” E ela: “Para os políticos, dizes tu. Para os políticos?, pergunto eu. Que políticos? Ao que oiço, são os militares que estão a tomar conta do poder. E tu, que eu saiba, és militar. E, como militar, também devias dar o teu contributo. O pior é ficar em casa de braços cruzados enquanto os outros se mexem e tratam da sua vida.” E ele, entre o surpreendido e o envergonhado: “Que contributo posso eu dar? Ir para a rua bater no povo que se manifesta? Ou ir ao encontro dos soldados revoltosos e disparar contra os seus tanques e os jipes? Espero que não estejas a insinuar que me devo colocar ao lado dos revoltosos. Eu sou todo do lado do Marcelo. Além disso estou a gozar os três dias de folga a que tenho direito. Eles que se amanhem. Nestes acontecimentos é sempre o povo quem deita os foguetes e apanha as canas, mas quem faz a festa e come os banquetes são os graúdos.” E ela já um pouco mais assanhada: “Continuas o bardamerdas de sempre. Só te interessa fumar e beber. És um medricas. Nestas alturas é que é preciso fazer alguma coisa. Podias tentar dar nas vistas para ver se te promoviam a cabo. E, depois, com um bocadinho de sorte e engenho, bem que podias chegar a sargento. O Vicente foi assim que conseguiu singrar na vida, meteu-se lá numas confusões e arranjou maneira de cair nas boas graças dos maiorais. Hoje é sargento e comanda o posto de Boticas. É para que vejas. Mas tu não. Tu és para aí um medricas, um pindérico que apenas se preocupa em beber e em fumar. Desenmerda-te homem. Desenmerda-te.”


“Olha, olha, lá vêm de novo as notícias!”, tentou apartar conversa o guarda Ferreira. Mas a Dona Rosa não estava para aí virada. “Não te ponhas com paleio de parvo para ver se me distrais. Eu se estivesse no teu lugar ia imediatamente para o Porto apresentar-me ao serviço e tentar fazer alguma coisa. Ficar em casa é uma cobardia. E dos cobardes não reza a história.”


“Por favor mulher, tem tento na língua. Olha os filhos!”, avisou-a o guarda Ferreira. Ao que ela retorquiu: “Muito dizes preocupar-te com os filhos, mas quem os cria sou eu. Aqui sozinha com o mirrado vencimento que me entregas todos os meses. Sou para aqui uma rodilha. Se te preocupasses realmente com o seu futuro tentavas ser alguém. Não te acomodavas com a tua miserável condição de guarda e tentavas progredir na carreira. Se tu não o fazes, outros o farão em teu lugar. Disso não tenhas a menor dúvida! Mexe-me com os nervos seres para aí um pamonha. Um homem sem ambição. E quem não tem ambição não presta para nada. Só é útil para servir os outros.”


“E que queres tu que eu faça, mulher do diabo?”, perguntou o guarda Ferreira. “Não sei. Além disso não sou eu que uso a farda”, respondeu a Dona Rosa. “Mas sempre te digo que não era pessoa para ficar em casa enquanto os meus colegas se movimentam de um lado para o outro à procura de uma maneira de saírem da confusão sem se prejudicarem.”


Mais uma vez o guarda Ferreira questionou a sua mulher: “ E se for para o Porto, que lado é que devo apoiar? O dos revoltosos ou o do Marcelo Caetano?”


“O teu”, respondeu-lhe a Dona Rosa com o sentido prático que se lhe conhece. “O teu.”

 

104 – Pressionado pela mulher, e indiferenciado pelo ...

 

(continua)

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
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A Maria Rita é jeitosa e bonita, mas ninguém lhe liga...

 

Há dias passei pela praceta/jardim do Calvário e estranhava a sua simpatia e beleza não ser correspondida pelas pessoas, que talvez urbanas em demasia já não se dão aos deleites de uma boa sombra num jardim. Pois aqui , mesmo no centro da cidade, com o Jardim Maria Rita passa-se o mesmo. Simpático, agradável mas sem vida que o povoe, até à taça, que hoje é das mais antigas da cidade, lhe falta vida, ou pelo menos – água. Mas isso já não é de estranhar, é apenas mais uma… Ainda tive esperança  que a antiga creche acolhesse algo que desse também vida a este pequeno jardim, mas não…deu lugar a casino popular onde se reúnem os “viciados da batota” com o alto patrocínio da Junta de freguesia…

 

Para mais logo pela manhã (9H00) teremos por aqui mais um episódio de “O Homem Sem Memória” de João Madureira.

 


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publicado por Fer.Ribeiro às 00:25
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Quarta-feira, 23 de Maio de 2012

Crónicas Ocasionais - Carta Aberta

 

CONVERSAS COM ZEUS

 

-XVII-

 

Carta Aberta

 

 

 

Caro Zeus

 

 

 

Arreliado como andamos com as prepotências dos nossos Governantes e a particular desfaçatez dos mais responsáveis, até a disposição para conversarmos com o papel (ou o Word) se tornou arredia.


Nada como um amigo de peito com quem se possa desabafar e partilhar tristezas e alegrias.


E tu, Zeus, tens a obrigação de estar devidamente informado do que se passa por estas bandas, onde bandos de bandidos nos têm saído uns «bons pássaros», piores do que a encomenda!


Em «Crónicas» e «Discursos» temos mandado umas chumbadas nesses «melros», «milhafres» e «pavões».


Estamos mais que farto do politicamente correcto.


“O politicamente correcto faz-nos perder o sentido de humor, quer-nos desistentes da coragem de sermos diferentes e de pensarmos diferentemente”.


Mascara de boa educação a tirania totalitária do controle do pensamento.


Refilar, criticar fora do politicamente correcto, por mais verdadeiro, real e autêntico que seja o dito (ou o escrito), lá vêm com o chavão do insulto.


Ou seja, os insultados, injuriados, atraiçoados, ofendidos não podem mandar à merda, segundo eles, os cretinos e prepotentes.


Os bandalhos políticos nacionais, estejam eles onde estiverem, têm de saber que há gente ofendida, indignada e revoltada com os seus abusos e desdéns.


E os leitores da Blogosfera que assim se sentem vejam que há mais gente como eles, e deixem de acanhar-se em mostrar publicamente o seu desagrado.


O pindérico do Primeiro Ministro tem passado o mandato a injuriar os Portugueses.


“Oficialmente”, ganha uns míseros 5.300€ mensais. Diz-se mal pago e não se queixar!


O PR aufere 9.900€ (fora os ameaços), e diz não lhe chegar para as despesas. Mas quando arranjou o primeiro emprego e tinha filhos para criar até conseguiu poupar «à grande e à francesa»!


Os Portugueses com vencimentos inferiores a mil (1.000) €uros, os Desempregados, os Reformados e Pensionistas com vales inferiores ao Rendimento Mínimo, esses são uns capitalistas do camanho!


E. por isso, o “Fanfarrão de Massamá” com um risinho cínico, veio agora chamar-nos «piegas».


Passos Coelho é um refinado hipócrita!


Fala assim, de cima da burra. Mas era manso quando apeado!


Muitos dos Portugueses, a maioria, que hoje lamentam ou se queixam da situação a que o País foi condenado, honraram mais a sua Pátria do que todos os Passos Coelho que por aí abundam.


Não são piegas!


Cumpriram, e continuam a cumprir, obrigações de cidadão com honra, com dignidade, com patriotismo.


Estes são conceitos e valores que Passos Coelho não conhece. São mandamentos não ensinados nos aviários «Jotas»!


Ao «Fanfarrão de Massamá» não lhe bastava já considerar os Portugueses como COISAS   -   passou a considera-los como CUSTOS!


Só ele, o «Pedrito de Massamá» e a sua trupe é que são o Activo da Nação!


Trocou a confiança que deveria ter e receber dos Portugueses pela confiança, duvidosa, que os «Mercados» lhe concederam, sabendo bem que estes visam desbaratar o «capital humano», preferindo apoderar-se do «capital financeiro».


Passos Coelho e o seu bando estão a fazer de Portugal um escritório, não a sua Pátria.


O poder financeiro não pode ser deixado à rédea solta e acabar por constituir uma ditadura.


Já nem é a Economia que prevalece, é a Finança.


Se o predomínio daquela poderia ser nefasto, o desta é uma calamidade.


Os estafermos dos estafetas e almocreves da «Troika» acabam de dizer que toda e qualquer manifestação de descontentamento com as suas sacanices são um frete partidário.


Quer dizer, toda a gente deixou de ser gente com vontade própria para ser uma peça do Partido a, b ou c. E se for do deles, bico calado. Se se for de um Partido da Oposição, sofre-se de partidarite, e é-se mandado abaixo de Braga.


Se não se pertencer aos Partidos do hemiciclo beneditino, então é que não se passa mesmo de um número de contribuinte!


A baronesa Merkel von Stein, não tendo coragem de dar uma facada no galo Sarkozy, conseguiu arregimentar o gangue do “Pedrito de Massamá” e gritou-lhe:


 - “Matende-os”! “O Juízo Final não vos perguntará os motivos”!


Pois a toda essa cambada só temos a dizer que nos fartámos do politicamente correcto, e que tal como sempre nos recusámos a pensar com a cabeça dos dedos assim continuaremos.


O destino da Nação não pode ser somente traçado e guiado por arregimentados, e «arre-jumentados», nos Partidos Políticos, sejam eles «pavões, lalões, lalõezinhos» ou figurões de outra laia.


Há que acabar com o engano (e engodo) de se votar no símbolo partidário, sem ser dado a conhecer, pública e exaustivamente, o perfil de todos os candidatos apresentados nas listas.


São mais que muitas as situações em que o «cabeça de lista» não passa de um «ingénuo útil» a fazer o papel de «cavalo de Tróia», para a tomada de assento, ou açambarcamento do «tacho», de medíocres e incompetentes, trastes, vigaristas e escroques.


Custe o que custar, o acerto de contas com os nossos credores passa pelo julgamento dos grandes vigaristas, que sob o pretexto da função política se governaram até ao quinto c…. ou à quinta geração e deram cabo do NOSSO PAÍS.


Quando em Portugal houver Justiça o Escudo será respeitado!


Caro Zeus, bem sabemos que andas muito ocupado e preocupado com imensas chinesices e americanices. Mas arranja lá uma «janela de oportunidade» (bem, pode ser, até, um janeluco … ou uma frincha!) para mandares um «bafo», “seco” ou molhado, de clarividência às trombas (e aos miolos) dos tratantes que administram esta Nação que já foi «valente e imortal».


Porta-te bem, e pode ser que recebas um carolinho de Folar!

Luís Fernandes

 


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publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
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Com um toque de modernidade e mau gosto...

 

Se viesse por aí aquele boneco que o Nilton representava, pela certa diria:

 

- Ó pra isto, é tudo à grande!

 

Pois o que se vê, pela certa vai passar a ser a imagem de marca da Escola Secundária Dr. Júlio Martins.

 

 

Quando vi todo aquele aparato, ainda tive esperança que a Escola retomasse as suas antigas funções de Escola Industrial e Comercial, como nos velhos tempos em que dali saiam profissionais em vários ramos e aptos para o mercado de trabalho. Mas não, aquilo são estruturas de equipamentos, suponho que de AVAC e se não o é parece, mas também se não for, que raio será aquilo?. Bonito não é e embora ao que me consta, os profs andem todos contentes com a sua nova escola, pelo que se deixa ver de fora, vai ser mais um amontoado de betão e latas em detrimento dos amplos recreios que caracterizavam tanto esta escola. Pois claro! Já se sabe que recreios são para recrear e não dão dinheiro a quem o tem para investir, ou no caso, até a quem não o tinha para investir. E eles preocupados, não fossem os coitados dos alunos que por lá andam que vão andar a pagar  estas e muitas mais obras do género, isto é, se um dia arranjarem trabalho para ganhar algum.

 

Fica também uma pergunta, para o caso de aquilo ser mesmo equipamentos de AVAC ou de ar condicionado, se preferirem. - Vai ter a escola dinheiro para suportar os custos dos consumos e de manutenção? – Pois não sabemos, mas o mais certo é acontecer como acontece em muitos edifícios públicos com equipamentos idênticos e com os elevadores, cuja legislação obriga a ter, mas que nunca chegam a funcionar porque consomem muita eletricidade.   Mas isto é agoirar e eu não quero ir por aí, pois só queria deixar mesmo por aqui aquilo que por lá se anda a fazer e que não é agradável à vista, lá isso não é, pelo menos à minha, e às bolsas de todos , também já se começa a notar que não é agradável. Pelo menos, que os alunos venham a tirar algum benefício do que por lá se está a fazer,  em troca dos recreios que lhes surripiaram. E pronto, é tudo e só para dizer que gostava mais da antiga imagem da Escola, agora mais parece uma fábrica…só falta o fumo!

 

Hoje vamos ter ainda por aqui uma “Ocasional” que acontecerá às 9H00 em ponto. Até lá.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:43
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Terça-feira, 22 de Maio de 2012

Pedra de Toque - A Música

 

A MÚSICA

 

 

Paixão antiga que perdura até aos dias de hoje e sei que não deixará de perdurar até sempre.

 

Gosto, melhor sempre gostei, dos mais diversos géneros musicais.

 

O fado, a canção portuguesa que ouvia nas passeatas em noites cálidas no Jardim Público de outrora que transmitia a velha cabine sonora, os boleros de Gatica, as canções de Marino Marini, as baladas de Adamo, e todo a música de compota a que chamavamos também de música para constituir família, que dançávamos enamorados nos bailes tradicionais e nas verbenas de Verão.

 

Nessa altura estavam na berra os conjuntos de Shegundo Galarza, de Mário Simões, de Pedro Osório, de Tony Hernandez, que são aqueles que a memória me facilita no momento.

 

Quase e todos atuaram com aplauso em grandes e solenes bailaricos na nossa cidade.

 

 

Depois em 1961 e nos anos seguintes, na Lusa Atenas tive o privilégio de ouvir José Afonso, Adriano, Góis, Bernardino e outros rouxinóis cujas vozes motivavam o silêncio, a emoção e o gosto pelo fado coimbrão.

 

Vieram logo após as baladas com a bênção do patriarca (Zeca Afonso), e o talento de José Mário Branco, do Sérgio Godinho, do Fausto e demais que, para além da beleza das melodias que permanecem no ouvido, nos deram a importância das palavras que poeticamente nos ajudaram a abrir caminhos.

 

A música anglo-saxónica e os geniais Beatles e os que lhe seguiram foram sucesso, estrondoso êxito em todo o mundo e no nosso país.

 

Certamente esqueci muita da música ligeira que já passou no percurso longo que já vivi.

 

A memória é pródiga em trair.

 

Reitero, no entanto, e aqui sublinho a importância que a música tem e teve na minha vida.                   

        

Ouvi-la dá-me prazer imenso, dança-la enleva-me, proporciona-me momentos felizes.

 

Sentado bato pé quando a escuto, gingo na cadeira ao balanço do ritmo.

 

Nos últimos anos quando escrevo, leio, ou estudo, não prescindo do respaldo dos concertos e sinfonias dos génios da música dita clássica com especial preferência por Beethoven, Mozart e Liszt.

 

É a música que tantas vezes me inspira, me serena, me arrebata, me extasia.

                  

Começo a acreditar que dentro de mim para além de água (70%), proteínas, lípidos, glícidos e sais minerais,

Também está lá um cibinho de música que me ajuda a adoçar a solidão, e a minorar a velocidade alucinante com que os anos inevitavelmente passam.

 

António Roque

                  

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
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Para já o coreto... a música vem depois!

 

A imagem do coreto sugere música das bandas filarmónicas e, sendo do lugar de onde é, traz-nos à lembrança as antigas verbenas de verão. Mas falar destas coisas é falar do passado é ter saudades… e fico-me por aqui, pois o António Roque vem aí às 9 da manhã, com mais música e mais saudades… até lá!

 


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Segunda-feira, 21 de Maio de 2012

Intermitências - A Estrada

 

A Estrada


Era uma vez eu. Era uma vez tu. Era uma vez nós. Pensávamos nós… De início nem perguntamos porquê. Para quê?


Com ou sem curvas, com ou sem paragens, o caminho é sempre em frente. Até onde?


Não tinha importância, conhecíamos de cor e salteado as fábulas do João Sem Medo, da Lebre e a Tartaruga, da Cigarra e a Formiga, tão bem como a filosofia oriental do rio que flui. Não erámos ingénuos, nem erámos desconfiados. Não erámos ambiciosos, nem erámos desinteressados. Fazíamo-nos à estrada e era tudo. Por quê?


Não tínhamos pressa, nem estávamos preocupados em chegar. Não tínhamos destino. Era eu e eras tu. Erámos dois. Podíamos esperar. Pelo quê?


Víamos o tempo correr diante dos nossos olhos e não o agarrávamos. Que faríamos nós do tempo?


Nada esperar, nada desejar. Já tínhamos lido essa cartilha. Era só isto. E se algo ruim acontecesse?

 

Fotografia de Sandra Pereira - En route para o Alto Atlas, Marrocos, Fevereiro 2011


Não estávamos preocupados, já tínhamos ouvido agourar o fim do mundo, o juízo final, a catástrofe, as trevas, o silêncio. A estrada era a mesma. Às vezes surgiam poeiras, pedras, meteoritos. Aguentávamos. Sofríamos. Tínhamos as fábulas, a cartilha e a crença em algo superior connosco. O caminho é sempre em frente, sempre, sempre em frente. Não sabíamos se devíamos acreditar, mas ouvimos que a estrada não terminava nunca. Ainda bem, pensávamos nós, não estávamos predestinados a nada. E se nos faltasse algo pelo caminho?


Nada esperar, nada desejar. É preciso não esquecer a cartilha. Mas, e se nos faltasse mesmo algo?


Não tinha importância. Bastava confirmar a respiração, tomar o pulso, controlar a tensão, em caso de dúvida ou de emergência. Era eu e eras tu. Éramos dois. Sabíamos que o meteorito podia cair amanhã ou agora mesmo. Não tínhamos escapatória. Era só continuar a fazer-se à estrada e era tudo. Por quem?


Voltávamos ao Oriente e ao rio que flui. Não havia nada a entender. O planeta, as estações, o tempo, a vida, os afectos, tudo é circular e é tudo. Sempre que tentávamos algo novo, apercebíamo-nos que era apenas uma variante. Dizer, fazer, pensar o mesmo que o outro, mas exprimi-lo de maneira diferente. Não seria demasiado cruel?


Que importava. O caminho é sempre, sempre em frente. Mesmo naquela fotografia de nós, iguais a tantas outras espalhadas por milhares de estradas deste mundo. Éramos nós ou não éramos?


Todas as cartas de amor são vulgares, todas as fotografias são clichés. Tentávamos tudo para que ninguém reparasse. Só queríamos seguir a estrada, de preferência numa nunca trilhada, de preferência numa em que pudéssemos gritar a plenos pulmões. Temíamos curvas demasiado apertadas e até estávamos preparados para precipícios, mas sabíamos ser capazes de fazer-nos à estrada se não ligássemos muito ao itinerário traçado no mapa. Era eu e eras tu. Erámos dois. Os mesmos desejos, as mesmas necessidades, as mesmas capacidades, as mesmas fraquezas. Não seria demasiado injusto?


Voltávamos à estrada, ao rio que flui. Jurámos segui-los até à morte. Pensávamos nós… Era eu e eras tu. Éramos dois. Até quando?

 

Sandra Pereira


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publicado por Fer.Ribeiro às 17:30
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