QUE MAL ME FAZEM AS TUAS LÁGRIMAS
Não fora a certeza que a química sedativa nos embalaria, eu ter-te ia ligado.
É estranho e doloroso entender que alguém pode ficar bela quando chora.
É assim tão difícil de explicar, como quando sabemos que alguém sofre, se dói, quando sabe que é amada.
Ontem também estava com o coração em luto.
Até os sonhos me magoavam.
Aquela que às vezes me aparece (doce milagre), coberta com lantejoulas de esperança, surgiu-me decadente, sem brilho, qual Mimi Codonis, trapezista que pela milésima vez, desceu à cidade numa noite de muito calor.
As palavras que te li com paixão encontraram no outro lado da linha um silêncio preocupante, fundo e vislumbrei lágrimas bailando nos teus olhos.
Depois descolaram e deslizaram pela tua pele branca, aliviando o nó na garganta, a pressão no peito.
Só o rubor da papoila que nasceu na tua boca me serenou nessa noite.
Que mal me fizeram as tuas lágrimas…
António Roque
Às vezes oiço por aí – Se tivesse uma boa máquina, também me dedicava à fotografia – Claro que uma boa máquina acrescenta um bocadinho de qualidade às fotografias, mas às vezes, com condições razoáveis de luz, esse acréscimo de qualidade é tão insignificante, que qualquer máquina, por muito fedelha que ela seja, faz uma boa fotografia. O registo e o olhar, interessam muito mais que um pouco de qualidade a mais. Por isso, não me venham com pretextos e fotografem, tudo e todos, com a máquina que tiverem à mão. Hoje podemos até nem lhe achar piada, mas daqui por uns anos, vamos-lhe achar um piadão, além disso, estamos a documentar uma época.
A propósito, a fotografia de hoje é de um telemóvel, não tem qualquer tipo de tratamento e não se trata de um telemóvel todo xpto, com câmara fotográfica ainda mais xpto – nada disso – vulgarzinho, lente tão pequena que quase nem se vê e cheia de pó, e muitos milhões de pixéis aquém de uma qualquer e vulgar máquina fotográfica. E digam lá se não fez um bom resgisto?
Mais logo, a Pedra de Toque de António Roque.


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