A cidade Invicta
E sempre leal. O Porto. A capital do Norte, pelo Douro beijada.
Gosto do Porto.
Comecei a gostar da cidade quando a saboreei da Serra do Pilar, onde fiz tropa e depois quando calcorreei a Constituição e ruas limítrofes, território onde minha irmã e família “acamparam”.
Depois as Antas e a zona circundante onde a minha ex-mulher e os meus estimados sogros viveram muitos anos.
Mais tarde, com amigos, curti a Ribeira a despontar com os seus simpáticos bares onde se discutia irreverentemente a política, a literatura e as artes.
Durante muito tempo visitei frequentemente os tribunais, as seguradoras e escritórios de colegas queridos nas ruas e praças da cidade antiga.
Não vou elencar os belos monumentos do Porto como, entre tantos outros, os Clérigos, o Palácio da Bolsa e, porque não, a recente Casa da Música, obra grandiosa e emblemática.
Claro que aprecio o deslumbrante Magestic, o citadino Guarany, a premiada livraria Lello ou o académico café Piolho que foi palco para mim de um episódio trágico-cómico que vivi nos anos sessenta.
Banqueteei-me algumas vezes na grande Abadia, na típica Mamuda ou no castiço Aleixo para as bandas de Campanhã.
É um deleite ler a história e as histórias da cidade desde tempos imemoriais até aos nossos dias nos textos brilhantes, lúcidos e competentes de Germano da Silva, Hélder Pacheco e Manuel António Pina, este sempre poeta, também contundente perante as injustiças que têm afetado o norte, mormente o grande Porto.
Distingo as suas gentes, o seu povo, a sua pronúncia com os seus ditos, as vendedeiras do Bulhão ou as peixeiras da Ribeira, bem como o bulício da belíssima Avenida da Liberdade e da comercial Santa Catarina.
Gosto do velho casario que se estende até ao mar.
Também me enleva o cheiro característico das ruelas e calçadas, as pedras sujas e gastas com o seu ar grave e sério, da cantaria que nos esconde o mistério dessa luz própria, bela e sombria, parafraseando, com a devida vénia, Carlos Tê e lembrando Rui Veloso.
Gostos dos flavienses que adoram o Porto mas não esquecem a cidade Natal. Mas também de todos os tripeiros que adotaram esta terra de Flávio como sua segunda “pátria”, aqui voltando com regozijo e saudade.
Dentre estes destaco Altino Santos Cunha, por acaso meu cunhado muito amigo, portuense de gema apaixonado, mas que ama Chaves, quasi, tanto quanto eu.
Quando regresso à cidade que me viu nascer após longa viagem, fico feliz, prazer idêntico àquele que sinto quando visito o Porto, depois de algum tempo ausente.
Porto! Porto! Porto!
António Roque


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