O prometido é devido e cá temos mais uma das nossas aldeias, Samaiões de seu nome, mesmo aqui à beirinha de Chaves, aliás a freguesia, entra mesmo pela cidade de Chaves adentro. Mas as imagens de hoje são mesmo da aldeia de Samaiões.
Alguns traços da ruralidade de uma freguesia que já é urbana, mas no seu miolo, ainda se encontram alguns dos belos exemplares da ruralidade de outrora, nem que seja numa janela que se abre ao exterior nas suas duas faces, numa flor que a teimosia do plástico não deixa murchar, no subir de uma calçada que os poucos pés que a pisam já não a gastam, numa cancela que, adormecida, já não chia nem range nem tem vai e vem.
Podem não ter rima, nem métrica, nem palavras, mas estas imagens também têm poesia e nem sequer é preciso ir lá longe à procura delas. Elas estão aí, numa das nossas aldeias, como esta de Samaiões, aqui mesmo a um passo de Chaves.
Até amanhã, ou até mais logo, como preferirem, numa segunda-feira com duas crónicas, “Quem conta um ponto…” e “Intermitências”, respetivamente de João Madureira e Sandra Pereira, a primeira a acontecer à 9 da manhã e a segunda às 5h30 da tarde. Até lá.
No meu post de sexta-feira eu avisava que sábado viria ao blog tarde, muito tarde, pois já sabia que seria impossível postar à hora habitual, havia que cumprir a longa noite de sexta-feira 13 em Montalegre e cumpriu-se.
Embora inicie com uma imagem a preto e branco, a noite das bruxas em Montalegre é bem colorida.
E hoje não me quero alongar nas palavras, pois nem as há para descrever o espetáculo destas noites em Montalegre. Há que vivê-las para se saber como são. As imagens de hoje é só para ficarem com uma pequena imagem do que é a realidade, mas claro, falta-lhe o gosto.
Dizem que o povo português é triste e até se aponta como exemplo dessa tristeza a nossa canção nacional – o fado – mas entendo hoje porque o fado é de Lisboa… o povo português não é fado, gosta da festa, de beber e comer bem, do foguete no ar, da alegria, da música…e que não venham por ai os da conversa da treta perguntar pelo trabalho, pois o povo português também gosta de trabalhar…,os que mandam, é que nos culpabilizam pelos erros que cometem e atiram com os fados para cima de nós e, como somos um povinho obediente, somos levados de carrinho a ouvir o fado e como protesto, apenas temos as anedotas. Somos os campeões da anedota, em vez de irmos por aí a rachar as cabeças dos que nos enganam e ofendem, não, inventa-se uma anedota e partilha-se no facebook. Veja o exemplo do ministro Relvas… mas termino por aqui, porque hoje é sobre Montalegre que quero falar que por sinal são barrosões e nada têm a ver com essa gentalha de Lisboa.
E a partir de aqui, apenas alguns comentários e apartes entre imagens.
Ficamos então com a cor e o apontar de um único defeito nesta festa. Na hora dos pontos altos do espetáculo é impossível circular e daí, o registo fotográfico tem de se limitar ao local onde estamos.
Há que ficar o elogio para quem fez do nada uma tradição e em poucos anos, mas também para quem aposta nas ideias e na festa. O Padre Fontes merece uma estátua do tamanho das torres do castelo, pois é o grande embaixador do barroso, mas já se sabe que um homem sozinho nada pode se não for apoiado.
Música, luz, cor, foguete no ar, boa mesa, e um bar em cada esquina, o resto é pretexto para a festa acontecer, não há segredos nem é necessário inventar nada, mas claro, isto são coisas que dão trabalho e é preciso fazer os trabalhos de casa.
Mas também o espetáculo.
Acontece no ar ou em terra.
Varia-se na cor e no espetáculo sem poiso certo. Acontece na rua, onde menos se espera.
E é assim que quem lá vai fica fã desta festa.
Claro que dá muito jeito que a seguir à sextas 13 seja sempre sábado…
Há que ir tendo tento no calendário para ver quando o 13 cai numa sexta e termino como o António Roque terminou a sua última crónica, só mudo a terra:
Montalegre, Montalegre, Montalegre.
Claro que também há aqui uma costela barrosa da Portela a falar.
Até mais logo, pois ainda vos quero deixar por aqui uma das nossas aldeias.


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