Pecados e picardias
Dos discursos
E
Discursos sobre a cidade
Olá Pai
Contigo comigo, passo por Ti corpo há mais de dois anos no cemitério e lembro o olhar apaixonado por Chaves que vertias em cada esquina do postigo, quando deixaste o sol e a lua sem possibilidade de comunhão de adquiridos, aliás avessos ao protagonismo de cada um , ultimamente já ambos te davam sono e pertencias-lhes mais que a Nós…
A Dany como a maioria dos Jovens só arranjou trabalho em Inglaterra pela mão das amizades académicas que fez em Coimbra e os nossos conhecimentos já não têm importância para Ela
(nem para os nossos conhecidos, impotentes coitados, por Eles e Por Nós)
que continua a querer fazer e fez caminho por Ela própria, Chaves não se mostrou disponível e a nossa consagração a Ela nossa cidade Luz indissociável e indivisível pela residência já não é cota nem critério muito menos um valor acrescentado …Abandonou-nos e abalroa-nos os Nossos Filhos…
Se visses hoje as farmácias, distribuídas pelas ruas principais onde a densidade populacional as incrementa maquilhadas para cativar e vender mais e mais em prol da saúde ambicionada;
Lembras-te? “Ci nO-Chaves “;alto da trindade; Antiga estação dos comboios, a propósito ias gostar de ver o António Granjo grande senhor, Ponte nova, rua de santo António , Madalena, junto aos momentos Carbela a tua velha ,agora nova ,na deslocalização da Madalena , novamente a propósito, sem ser arrependida, Hospital, rua direita,
Pois é Pai, se soubesses as tuas empresas individuais , Ao teu tempo acessíveis, que te permitiram educar-nos e sobreviver, as vendas e as tabernas /tavernas as casas de pasto
Os snack bares , as pensões , os pequenos restaurantes, os cafés, curiosamente meios ricos em diversidade cultural autênticos divãs (económicos e psicanalíticos) Freudianos com analgésicos emocionais em copos de bebidas brancas incolores e tingidas todas comuns em teor alcoólico como fuga ás adversidades do dia a dia, perduram como perduraram as Tuas, oh, sem diferenças significativas na essência…
Agora também as metáforas disfarçam as nossas necessidades de aparecer ou seja viver, em comunidade e ou sociedade, as lojas exibem saldos num convite mudo de gritante ao consumo como necessidade para a sobrevivência de alguns ,em corpos insatisfeitos de uns e outros, reinventam-se modas para poder futurar Os fora de moda, basicamente para nos distrair de perdas e fazer pensar em ganhos supérfluos…
Chaves desdobra-se em vontades de agradar e oferece-se vestida de forma apelativa, em conforto e oferta de serviços hoteleiros e de restauração a convite dos seus dons naturais, de SPA e relaxamento promotor de bem estar nas termas , na paisagem invejável dos caminhos do Tâmega…
Mas Nós vagueamos em mãos dadas e olhares de ternura na rua do Sol, e agora é outra vez Verão.
Tua filha
Isabel
Isabel Seixas
Já a seguir vem aí mais um "Discurso Sobre a Cidade", hoje de autoria de Isabel Seixas, mas para já fica uma imagem, de Chaves, claro.


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