12 anos
Domingo, 30 de Setembro de 2012

proposta da reorganização das freguesias levou chumbo...

Para memória futura fica aqui a atual divisão do concelho em freguesias e a reorganização administrativa territorial autárquica proposta do PSD local, com agregação de algumas freguesias. A proposta foi rejeitada pela Assembleia Municipal.


Mapa atual do concelho - Freguesias



Como não estive presente na Assembleia Municipal nem conheço a fundamentação que levou à proposta apresentada, deixo a leitura da proposta por vossa conta para a qual acrescento a notícia publicada no Diário Atual (e semanário Voz de Chaves), à qual acrescento o mapa do concelho com a divisão atual em freguesias e o mapa do concelho com a proposta rejeitada. O mapa da nova divisão fica assim para ser traçado pelos senhores de Lisboa, sendo para já uma incógnita, no entanto, podemos ter já a certeza que o novo mapa também não vai agradar nem a “gregos nem a troianos”  e que, por muito justo que pretenda vir a ser, nunca o será, pois se nem os cá conhecem a realidade das aldeias, a sua história,  os seus sentimentos, amores e quezílias com vizinhos, os de Lisboa, nem com um canudo conseguirão enxergar seja o que seja, e nem sequer vão estar ralados com isso.


Mapa com a Proposta do PSD (chumbada em Assembleia Municipal)

(a cores a proposta das novas fregesias após agregação)



Ficam também algumas imagens de duas freguesias que iam à vida (Tronco e Seara Velha) e que agora ficam a aguardar o que se ditar em Lisboa.

 

Fica então a notícia publicada no Diário Atual/Voz de Chaves:

 

Pela diferença de um voto, Assembleia Municipal chumba proposta da reorganização das freguesias


Assembleia Municipal de Chaves não aprovou a proposta de Reorganização Administrativa Territorial Autárquica, apresentada pelo grupo Municipal do PSD, realizada na quarta-feira, dia 26 de Setembro.


Com 34 votos contra, 33 a favor, e 17 abstenções foi o resultado da votação da Moção apresentada pelo PSD local sobre a reorganização das freguesias, que propunha a extinção de 13 das actuais 51 freguesias do concelho.


Gorada a criação de uma comissão, no âmbito da Assembleia Municipal, com o objectivo de elaborar uma proposta para a reorganização das freguesias, o PSD de Chaves, Comissão Política e Grupo Municipal, avançou com uma proposta de trabalho na Assembleia Municipal, a qual foi aprovada, as assembleias de freguesia foram chamadas a pronunciarem-se. Resultado deste processo foi levada à Assembleia Municipal de 26 de Setembro uma proposta final.


Com a intenção de dar cumprimento à Lei, que impõe a reorganização das freguesias, e beneficiando com isso das prerrogativas mais favoráveis, em caso de a Assembleia Municipal aprovasse uma proposta, foram os argumentos mais fortes que o PSD apresentou para que a proposta fosse aprovada, cujo critério se baseou na agregação das freguesias com menor número de habitantes.




Dentre as vantagens, salienta-se a prerrogativa de, no caso do concelho de Chaves, beneficiar da redução de menos três freguesias; de um aumento das transferências financeiras para as freguesias a agregar; e evitar que, sendo esta Lei implementada, que a agregação se faça por uma Comissão da Assembleia da República “a régua e esquadro”, argumento frequentemente utilizado. Também, em benefício da aprovação desta proposta, mesmo que, no futuro, esta Reorganização não seja levada a cabo e a Lei não se efetive, ao existir, com esta proposta garante-se que a reorganização seja feita pelas pessoas do concelho, com os benefícios que a própria Lei concede.




Os argumentos contra esta proposta, nomeadamente da CDU e do PS, assim como de alguns deputados do PSD, passam pela não concordância com esta Lei, por “ser injusta e inadequada” e não servir as populações, manifestações que já haviam sido referidas em assembleias anteriores.


Durante a discussão, também foram aduzidos argumentos no sentido de não se concordar com esta proposta em concreto, no entanto, não foram apresentadas alternativas.


Feita a votação, a Assembleia Municipal não aprovou a proposta com 34 votos contra. A favor foram 33 votos e 17 abstenções.


Paulo Chaves




Proposta Final


Freguesia da Castanheira (União das Freguesias de Cimo de Vila da Castanheira e de Sanfins) com sede em Cimo de Vila da Castanheira


Freguesia de Vidago (União das freguesias de Arcossó, Selhariz, Vidago e Vilarinho das Paranheiras) com sede em Vidago


União das Freguesias de Calvão e Soutelinho da Raia, com sede em Calvão


União das Freguesias de Loivos e Póvoa de Agreções, com sede em Loivos


União das Freguesias de São Julião de Montenegro e cela, com sede em São Julião de Montenegro




União das Freguesias de Soutelo e Seara Velha, com sede em Soutelo


União das Freguesias de Travancas, São Vicente e Roriz, com sede em Travancas


União das Freguesias de Tronco, Oucidres e Bobadela, com sede em Bobadela


União das Freguesias de Vilela do Tâmega e Vilas Boas, com sede em Vilela do Tâmega


(Antes do início da discussão deste ponto na ordem de trabalhos da Assembleia Municipal, houve uma proposta de alteração a Moção inicialmente apresentada, nomeadamente a agregação de Vilas Boas, que inicialmente se agregaria com Vidago, passou a agregar-se com Vilela do Tâmega. Esta proposta foi aprovada pela Assembleia Municipal.




Número de freguesias a agregar


O regime jurídico da reorganização administrativa territorial autárquica, segundo as características do concelho de Chaves, com 51 freguesias, impõe a redução global do número de freguesias do lugar urbano de Chaves em 50%, ou seja 6 freguesias (11 freguesias x 0,50 = 5,5 = 6 freguesias) e a redução do número de freguesias fora do lugar urbano de Chaves em 25%, ou seja, 10 freguesias (40 freguesias x 0,25 = 10 freguesias), resultando, assim, um total de 16 freguesias a agregar.


Com a pronúncia da Assembleia Municipal, há uma flexibilidade de 20%, relativo ao número global de freguesias a reduzir (16 x 0,20 = 3,2 = 3), o que passará de 16 para 13.



´
publicado por Fer.Ribeiro às 23:55
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Sábado, 29 de Setembro de 2012

Pecados e Picardias - Por Isabel Seixas

 

 

Ó epifania 

DO SR. Fulano de Tal

Ó epifania do desejo último

Engalanada pela sociedade e moral

Que enleva a verdadeira aparição num púlpito

Onde nasce cresce e floresce o Sr. Fulano de Tal

 

Ó epifania  do respeito total

Só encontras eco nos palcos desertos de vazios

Afogada nos  caminhos sinuosos de mares e de rios

Procurada nos ventos e no juízo final

À procura do estatuto do Sr. Fulano de tal

 

Ó epifania dos mistérios humanos

Que escreves em linhas de dolo e Mal

Escondes verdades alimentas vaidades, mesmo estando mal

Só porque queres ser como o Sr. Fulano de tal

 

Ó epifania da pena e compaixão

Prisioneira do sucesso no qual não tens mão

Ardes da febre com  que te perdes  de ti normal

Quando persegues e corres atrás do ter como Sr. Fulaninho de tal

 

Ó epifania da mania atual

 

Que luz acrescentas à  ancestral direção

Com que  bússola te orientas para teres razão

Afinal quem é e que faz pelos outros o Sr. Fulano de tal

 

Isabel Seixas

´
publicado por Fer.Ribeiro às 22:20
link do post | comentar | favorito
|  O que é?

Noval - Chaves - Portugal

 

Para já fica uma imagem de mais uma das nossas aldeias - Noval, mas pela certa que hoje ainda viremos aqui outra vez. Até lá.

´
publicado por Fer.Ribeiro às 02:25
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Sexta-feira, 28 de Setembro de 2012

Discursos Sobre a Cidade - Por Francisco Chaves de Melo

 

A  Cidade  Sonhada

 

 

Nasci no largo de Camões. Passados dez anos palmilhava diariamente o Forte de São Francisco, hoje hotel. Na primeira metade de oitenta espairecia no ex-Convento das Religiosas da Senhora da Conceição e suas imediações, hoje sede do agrupamento de escolas Fernão de Magalhães. No primeiro ano da segunda metade dessa década frequentei a Escola Industrial e Comercial de Chaves. Depois estive fora meia dúzia de anos.


No regresso vi que a cidade estava maior, mais urbanizada, com comércio abundante e diversificado, onde os citadinos e os do campo se encontravam. Falava-se numa primavera na gestão autárquica. Podia dizer-se que, utilizando o critério de saúde de um governo como o serviço do interesse geral, que a cidade estava saudável.


Vinte anos passados, que podemos dizer hoje da cidade?


Confesso que ao pensar na resposta a dar à questão, veio-me à memória o terceiro episódio da saga Guerra das Estrelas, intitulado Star Wars: Episode III - Revenge of the Sith (Star Wars: Episódio 3 - A Vingança dos Sith), lançado em 2005. Nessa altura os comentadores de cinema chamavam a atenção para a mensagem do filme que, resumidamente, se ajustava ao seguinte “O regresso das tendências despóticas é sempre possível.”


Voltemos à cidade de hoje. Esta, em termos de paisagem urbana, mostra como grande marca da contemporaneidade, a troca das flores e das árvores que embelezavam as antigas praças (Camões, República, Freiras, Anjo) pela pedra, uma lascada outra com outros preparos. Espalhou-se pedra por todo lado, tendo a jóia da pedra, o rococó desta arte, ex-líbris em frente ao Quartel (RI19). O obelisco colocado, embora pequeno para o que simboliza, tem valor, mas está bordeado de pedras coloridas, Fantástico! Fantasia!


Por outro lado, o que pensar de teimosia patente no “buraco” do Arrabalde, num dos locais mais belos da cidade. Local de postais, de entrada na urbe de Trajano. (Terá data para ser fechado?)!?


Que pensar ainda de teimosias como as que levam erguer a eito pavilhões em terrenos agro-florestais, num ermo, e depois chamar-lhe “parque de localização de empresas” ou outra designação pomposa, mas despejada de verdade. Com o preço da gasolina a aumentar e os ordenados a diminuir já se vê a sorte dos poucos que diariamente lá trabalham! Não veremos todos que a estação de serviço de Vidago, na Auto-Estrada, junta mais camiões a pernoitar num dia do que à área empresarial e o viaduto construído para lhe aceder num ano? Quem não acreditar que passe lá à noite e os conte. Quando se vai recuperar o dinheiro público gasto?


Que pensar …… (Não vou escrever mais, seria maçador. Fica por tua conta, internauta atento, continuares com os exemplos que conheces.)


Temo que estejamos próximo de perverter o primado do interesse geral, se já não aconteceu. Sabemos que a sua perversão é o primado do interesse particular dos governantes que dificultam a própria finalidade da cidade: o <<viver bem>> em conjunto. Bem sabemos que a relação original dos homens entre eles é uma relação conflituosa, que põe em jogo duas paixões fundamentais: a vaidade, ou o desejo de reconhecimento, e o medo da morte violenta.


Não deveria ser diferente?

 

Francisco Chaves de Melo

´
publicado por Fer.Ribeiro às 01:26
link do post | comentar | favorito
|  O que é?

Uma imagem

 

Para já fica uma imagem flaviense, bem flaviense, da Rua Direita de sempre e pela certa, ou sem qualquer dúvida, uma das ruas mais antigas da cidade de Chaves e que, segundo reza a história,  é direita porque era aquela que ia direita ao coração da cidade. Mas hoje aproveito-me dela para ir direito àquilo que aqui queria anunciar, ou seja, a chegada de um novo colaborador a este blog, que,  mensalmente,  irá por aqui discursar na habitual rúbrica das sextas-feiras dos “Discursos Sobre a Cidade”. O novo discursante dá pelo nome de Francisco Chaves Melo.

 

Até já com o seu primeiro discurso.



´
publicado por Fer.Ribeiro às 00:44
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|  O que é?
Quinta-feira, 27 de Setembro de 2012

O Homem sem Memória (121) - Por João Madureira

 

O Homem Sem Memória

Texto de João Madureira

Blog terçOLHO 

Ficção

 

121 “E de novo tentei. Tentei e tornei a tentar. Agarrei-me ao «Manifesto» como um náufrago a uma tábua. Mas, pelos vistos, a tábua era de ferro. E fui ao fundo. Fui ao fundo e voltei. Ou melhor, ia ao fundo e voltava à tona de vez em quando.


Tentei ler o prefácio à segunda edição russa de 1882. Começava assim: “A primeira edição russa do MPC, na tradução de Bakúnine, foi publicada no princípio dos anos sessenta na tipografia Kolokol (1).”

Pois, lá estavam de novo as notas. E esta dizia: “(1) Em Genebra, em 1869. A tradução de Bakúnine distorcia certos passos; esses erros foram corrigidos na 2ª edição russa, agora da responsabilidade de Plekhánov.” Mas eu não sabia quem era Plekhánov, nem tinha nada ali à mão que me pudesse deslindar o mistério. Mas, mesmo assim, porfiei na leitura: “O Ocidente nessa altura podia ver nela” (na edição russa do “Manifesto”) “uma curiosidade literária (VIII).”


E lá estava inteirinha mais outra nota. Esta, em numeração romana, a avisar-me que era das que se encontravam no fim do livro. E para lá me dirigi com o entusiasmo de, qual Jean Valjean, um condenado às galés. E li com os olhos já pisqueiros: “Também Lenine, durante os anos passados em Samara (1889-1893), escreveu uma tradução russa do «Manifesto» para o círculo marxista local. Passava de mão em mão num caderno manus…”


Fui-me abaixo. Foi de novo tiro e queda. Que tranquilidade. Sono, ressonadelas, ressonadelas, mais sono, mais ressonadelas… Que satisfação. Sono, ressonadelas, mais ressonadelas, mais sono, mais algumas ressonadelas… E lá acordei sarapantado com o choro do meu irmão mais novo que estava com uma amigdalite formidável. Ele a chamar pela mãe e eu a evocar a santa paciência.


Como estava frio no quarto, liguei o aquecedor elétrico de barras, coloquei-o em cima da cama, virado na direção das mãos e do rosto, e lá voltei a tentar mais uma vez ler o “Manifesto”. Passei então ao prefácio da edição alemã de 1883.

 

Mal comecei a ler fiquei imediatamente desconsolado. É que o preâmbulo, da autoria de Engels, que eu tinha abandonado ainda há pouco foi o último escrito e assinado por Marx. Eu transcrevo: “O prefácio à presente edição tem de vir, infelizmente, assinado só por mim. Marx, o homem a quem a classe operária da Europa e da América na sua totalidade deve mais do que qualquer outro – Marx repousa no cemitério de Highgate, e sobre o seu túmulo já cresce a primeira relva. Desde a sua morte (1)”, [nova nota, mas esta era pequenina], e dizia: “Em Março de 1883 deixou de ser possível pensar sequer em refundir ou completar o «Manifesto». Pelo que se torna tanto mais necessário afirmar aqui, expressamente, de novo o seguinte: O pensamento basilar que percorre o «Manifesto» (X)”… E lá estava outra nota.


De novo fui até ao fim do livro e pus-me a ler: “(X) É graças à interpretação materialista da história que”… Pus-me a contar as linhas: 25.


Voltei ao prefácio. Página 37, linha 11… a saber: “que a produção económi”… Olhei para as linhas que restavam até ao fim da página e vi que cinco linhas abaixo estava à minha espera a nota (XI) e quatro linhas depois estava quietinha a nota (XII). Por causa das coisas, fui novamente ao sítio das notas, página 120, e reparei, para mal dos meus pecados, que a nota (XI) preenchia duas páginas de denso texto, e começava assim: “Luta de classes: não pode ser ignorado o facto que nem Marx nem Engels nunca se atribuírem o mérito de haverem sido os”…


Fui à procura da nota (XII). Por norma devia estar depois da (XI). Mas não se encontrava lá. Em seu lugar estava a nota (XIII) que não se achava neste prefácio. Intrigado fui até ao prefácio seguinte, ver se lá se encontrava a nota (XIII). Mas dela nem vestígios. No prefácio seguinte as notas começavam na nota (XIV). Afinal os comunistas também se enganam, sejam eles editores, “prefacistas”, escritores, “notistas”, etc. O problema é que poucos, ou nenhuns, leitores se apercebem destes lapsos. Nem os autores. Ora adivinhem lá por que razão? Ai não adivinham? Então voltemos às notas.


Página 37, linha 11… a saber: “que a produção económi… tem sido… sem ao mesmo tempo… da opressão… e das lutas de… pensamento basilar… a Marx (*).”


E outra nota. Esta de asterisco. “(*) (Nota à edição alemã de 1890) «Já… na minha opinião… a provocar na história o que a teoria de Darwin provocou na biologia. Até que ponto eu tinha progredido por mim próprio em direção a ela… já ele tinha formulado e… quase… a expus.”


E fui-me novamente abaixo. Desabei em cima da almofada. Que tranquilidade. Soninho, ressonadelas, ressonadelas, mais soninho, mais ressonadelas… Que satisfação. Soninho, ressonadelas, mais ressonadelas, mais soninho, mais algumas ressonadelas, mais algum soninho… E lá acordei outra vez sarapantado com o som inquietante do aquecedor que tinha caído ao chão. A minha mãe entrou no quarto inquieta e voltou a sair depois de ver que eu já estava de novo desperto. Disse-me: “Dorme.” Eu respondi-lhe que não podia. Que tinha de ler o livro. Ela respondeu-me que o livro ainda me ia levar à perdição.


Nunca me tinha visto nesta consumição de adormecer sucessivamente ao ler um livro. Eu disse-lhe que este não era um livro qualquer. Ela disse: “Esse é um livro do Demónio. Com esses dois barbudos vermelhos na capa só pode ser comunista. Não sei como te deu para te colares a esses defensores da foice e do martelo. Que coisa feia. Além disso tu sempre detestaste trabalhar. Nunca te vi agarrar numa ferramenta.” “Ó mãe”, disse eu quase a dar-lhe razão, “o trabalho não se resume à prática das tarefas braçais. Ler e escrever também é trabalho. E talvez bem mais importante do que cavar uma terra ou fazer um banco. Ela respondeu-me: “Lérias. Já algum dia viste alguém comer um livro? Ou vestir uma folha de um jornal?” “Ó mãe!”, disse eu. “Ó filho”, disse ela! “Vai-te deitar”, aconselhei-a. “Ó mãe”, chamou no outro quarto o meu irmão mais novo. E lá foi ela. Coloquei de novo o aquecedor na posição inicial e voltei ao «Manifesto». A minha mãe avisou: “Cuidado com o aquecedor.” “Sim, mãe.”


“Prefácio à edição inglesa de 1888. O «Manifesto» foi publicado como plataforma da Liga dos Comu… num congresso… prático e teórico completo do partido (XIV). Nota (XIV), página 123: Diferentemente da informação equivocada de Engels no seu esquisso histórico da Liga dos Comu… Tão pouco é tida por literalmente exata, segundo Engels lia-se no artigo I dos Estatutos… da velha sociedade burguesa assente nos antagonismos de classe… a liga propõe-se libertar… estes e muitos outros materiais… foram editados pelo investigador Bert Andréas: Grundungsdokumente des Kommunisten… Mas ver: Der Bund Kommunisten. Documente und Materialen”… Bum, catrapum. E lá foi o aquecedor de novo para o chão. “José”, chamou a minha mãe. “Sim”, respondi. “Dorme”, ordenou ela. “Senão dás em maluco.” “Só quero terminar este prefácio.” “O quê?” “O prefácio, mãe.” “Dorme.”


Olhei para o livro e lá estava mais uma nota. A (XV). E depois a frase: “Tinham também sido publicadas uma edição dinamarquesa e uma polaca.” E no fim da linha outra nota, a (1), relativa a este prefácio que dizia textualmente: “(1) Ver notas (6) e (8) referentes aos prefácios.” Página 106. “Nota (6): Foi iniciada… Nota (7): A primeira edição russa do «Manifesto» apareceu em Genebra em 1869, numa brochura sem página de rosto (sem indicação dos autores, do tradutor, do lugar e data de publicação).” Voltar à página 39. “A derrota da insurreição parisiense de”… Fui-me abaixo. A queda foi ainda maior. Que tranquilidade. Sono, ressonadelas, ressonadelas, mais sono, mais ressonadelas… Que satisfação. Sono, ressonadelas, mais ressonadelas, mais sono, mais algumas ressonadelas…


Desta vez acordei envolto em fumo, a tossir como o meu pai quando tinha um ataque de catarro de fumador. O aquecedor tinha caído sobre os cobertores e incendiado a cama. Valeu a minha mãe que foi buscar um balde de água e começou a apagar o fogo.


Estava visto, as minhas leituras do «Manifesto» ainda iam acabar mal. Por isso, no dia seguinte dei-lhe uma vista geral e tirei mais uns quantos apontamentos de que vos darei conta a seguir. 


122Resumindo e concluindo: Antes...

 

(continua)

´
publicado por Fer.Ribeiro às 00:15
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|  O que é?
Quarta-feira, 26 de Setembro de 2012

Igreja de S.João de Deus - Madalena - Chaves

 

Apenas um pormenor do interior da Igreja de S. João de Deus, ou Igreja da Madalena, se preferirem.



´
publicado por Fer.Ribeiro às 02:52
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|  O que é?
Terça-feira, 25 de Setembro de 2012

Uma voltinha por Barroso

 

Mais uma vez sem a “Pedra de Toque” vamos até Barroso, hoje, do concelho de Boticas.

 

Alguns lugares por onde temos de passar para cumprir a promessa do S. Sebastião no Couto de Dornelas e nas Alturas do Barroso.



Claro que hoje só ficam algumas aldeias e lugares, começando pela Carreira da Lebre e Rio Beça, Vilarinho Seco que é sempre de visita obrigatória, Gestosa e um bocadinho de monte com a estrada a desenhar-se por entre o penedio.



Agora que a crise se instalou e os senhores de Lisboa não têm jeito, arte e inteligência - se a verdade da crise for por aí, ou que não deixam de se amochar perante os grandes interesses - se for essa a verdade da crise, ou ambas juntas, e que todos já nos começamos a aperceber que a crise veio para durar, aproveitemos para conhecer o que temos à nossa volta.



Claro que para quem gosta do glamour e das luzes das cidades, Barroso não é destino. Agora para quem gosta das coisas primeiras, de um povo ainda nobre e genuíno onde o que parece bem ainda parece bem e o que parece mal, mal parece, e onde as paisagens não se repetem mas antes nos surpreendem, onde a água dos rios ainda é transparente e cristalina, o frio é frio e o calor é quente, onde tudo ainda é possível acontecer, então pela certa vai gostar de descobrir Barroso.



Mas tal como Torga, não se esqueçam de entrar no Barroso cheios de boas intenções e vergonha…

 

“Entro nestas aldeias sagradas a tremer de vergonha. Não por mim que venho cheio de boas intenções, mas por uma civilização de má-fé que nem ao menos lhes dá a simples proteção de as respeitar”


Miguel Torga, in Diário VIII


´
publicado por Fer.Ribeiro às 02:45
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Segunda-feira, 24 de Setembro de 2012

Intermitências - A Bolha

 

A Bolha

 

Macau é uma bolha imobiliária. Capitalista. Consumista. Superficial. Cultural. Artística. Espiritual. É respirar uma lufada de ar fresco num espaço inquietante. É deixar encandear-se com luzes que apelam à luxúria numa zona sombria. Nessa bolha, parece não haver reclusos e, sem algemas nem amarras, ninguém fica indiferente a um meio que o ameaça constantemente com o anonimato e o esquecimento. O alheio é desconfortável, mas numa bolha efervescente, ninguém fica parado, todos reagem.


Formar bolhas é uma tendência humana que nunca passa de moda. Nem encerrarmo-nos dentro de uma para nos esquecermos de nós próprios. Rotineiramente, se for preciso. Repetitivamente, se for preciso. Tudo para não ter de justificar fraquezas, nem assumir culpas. Não queremos carregar o passado, não suportamos o presente, nem nos julgamos capazes de enfrentar futuros. Alguém que nos tire daqui, por favor, e nos enfie numa bolha, por favor, que ninguém pediu para estar aqui nem para ser coisa nenhuma.


Encerrar-se na bolha de Macau é heróico. Dentro dela, enfrentamos tudo, superamos tudo. Não temos escolha. Não estamos confortáveis e não queremos ser mais um vulto a atravessar a passadeira da indiferença, por isso tentamos esquecer quem fomos e lutamos para não esquecer quem somos. Queremos absolutamente justificar o que abandonamos e saber como e porque fomos parar a essa bolha, que sufoca os costumes e liberta os impossíveis. Procuramos ser mais do que quem somos. Absorver tudo. Não é óbvio. Demora. Às vezes, torna-se mesmo insuportável. E impraticável.


Formar bolhas por esse mundo fora é uma tendência portuguesa que nunca passa de moda. Além de Macau, criamos várias que começaram a efervescer com as aspirinas que as gentes aceitaram tomar para acalmar velhos ressentimentos. Ainda hoje perduram ideias feitas: a bolha angolana é perigosa, mas esconde todo o tipo de “diamantes”; a brasileira sempre brilhou de alegria, mas hoje atiça os “garimpeiros” como se acabasse de ser descoberta; a moçambicana é mãe de todos os que generosamente acolhe e vai aguçando, pouco a pouco, espíritos justiceiros; a são-tomense e a cabo-verdiana são “mornas”, mas recuperam qualquer alma perdida; a timorense ainda é dependente para tanto sonho, mas nela cabe lá qualquer bom coração; a goesa está ao alcance de poucos, não só pela distância, mas pela fraca memória lusa, mas quem porventura lá chega, nunca mais pára de navegar … São bolhas que não querem carregar o passado, não suportam o presente, mas sentem-se capazes de enfrentar um futuro colectivo.



Macau - Largo do Senado - 2008 * Fotografia de Sandra Pereira

Num Portugal ideal, as crianças não teriam viagens de estudo a Fátima ou a Lisboa. Desde a primária e em cada ano lectivo, iriam conhecer uma ex-colónia portuguesa. Desta vez, não partiriam com lágrimas e armas, mas com curiosidade e muitos abraços. Já imaginaram o que aconteceria se a nossa tendência de espreitar o que está para lá do muro do vizinho fosse realmente educada? Largaríamos outra vez amarras, desta vez não para amordaçar e perseguir, mas para desapertar audácias e libertar visionários. O alheio é desconfortável – é inquietante mesmo –, mas numa bolha efervescente, ninguém fica parado, todos reagem.


Encerrar-se na bolha de Portugal é confortável. Dentro dela, vamos cumprindo religiosamente os rituais, fazendo contas à vida, descartando o desconhecido. Não sabemos como fomos parar a essa bolha, nem procuramos saber como lá fomos parar. É assim e pronto. Esquecemos. Consumimos. Ficámos. Não é óbvio. O caminho nem sempre está bem traçado, não conseguimos perder a noção de uma identidade que nos consome por demasiados lados (apesar de muitas tentativas), nem esquecer quem somos ao acordar. Como se não bastasse, estamos constantemente a chocar contra as paredes da predestinada bolha. Às vezes, torna-se mesmo insuportável. E impraticável.


Por mais voltas que se dêem por esse mundo fora, formar bolhas é afinal o oxigénio que precisamos. Diz-se que a vida é composta por ciclos e que por isso há que circular! A bolha também é circular... Nela, tudo gira…. Vidas completas. Confortáveis. Satisfeitas. Conformadas. Ocupadas. Adiadas. Suspensas por tempo indeterminado. Caóticas. Vazias.


Encerrar-se dentro de uma bolha para tentar esquecer quem somos (ou fomos) é uma justa recusa existencial, mas pode ser altamente perigoso, pois corremos o risco de entregar-nos a tudo… Tanto ao amor como aos vícios. Mas é o único remédio, e para uma maior eficácia, o recomendável é manter a bolha sempre efervescente.

 

Sandra Pereira

´
publicado por Fer.Ribeiro às 17:30
link do post | comentar | favorito
|  O que é?

Quem conta um ponto... Pérolas e diamantes (4): a utilidade das catástrofes



Pérolas e diamantes (4): a utilidade das catástrofes

 

Machado de Assis, no seu livro “Quincas Borba”, referindo-se a uma epidemia que evitou um casamento, conclui que “as catástrofes são úteis, e até necessárias”. E ilustra a sua tirada filosófica com um pequeno conto que, à sua imagem e semelhança, “aqui lhes dou em duas linhas”.

 

“Era uma vez uma choupana que ardia na estrada; a dona, um triste molambo de mulher, chorava o seu desastre, a poucos passos, sentada no chão. Senão quando, indo a passar um homem ébrio, viu o incêndio, viu a mulher, perguntou-lhe se a casa era dela. – É minha, sim, meu senhor; é tudo o que eu possuía neste mundo. – Dá-me licença que acenda ali o meu charuto?”

 

De facto, pegando agora no que aqui nos trouxe, o nosso primeiro-ministro nem sequer precisa de estar embriagado para acender o seu charuto nas misérias do nosso próprio casebre. É mesmo sóbrio que assim age, falando mal e depressa, atrapalhando-se na sua ânsia de capataz da troika, tentando mostrar que é mesmo homem para ser ainda mais duro do que os duros e mais insensível que os insensíveis.

 

Ninguém, “no seu juízo perfeito, faz render o mal dos outros”, como bem escreve Machado de Assis. “Não contando o respeito que aquele bêbado tinha ao princípio da propriedade, a ponto de não acender o charuto sem pedir licença à dona das ruínas.” Tudo isto é uma ideia consoladora, pelo menos na cabeça de Pedro Passos Coelho.

 

Já todos percebemos que, para mal dos nossos pecados, este governo que nos desgoverna, fá-lo conscientemente através do medo, da chantagem e da coação verbal e económica. A contenção, a austeridade, a pressão institucional, o confronto com o Tribunal Constitucional e a ameaça permanente de que isto ainda pode vir a piorar, é tão intensa que começa a ser insustentável.

 

Há um provérbio chinês que diz: “Usa o poder que tens. Se não o usares, ele prescreve.” Mas não pode ser lido de forma literal, senão dá barraca. De facto, parece que o poder da ignorância, da estupidez e da boçalidade nunca prescrevem. Paulo Francis tinha razão: a estupidez, a ignorância e a boçalidade ainda são as maiores multinacionais do mundo.

 

Além disso, o poder exercido de forma autista, cega e arrogante, é uma insensatez. Ao que parece, o nosso primeiro-ministro pouco se importa com o facto. Ungido pela maioria absoluta que o sustenta, colocou-se no seu pedestal e aí vai disto.

 

Ele e o seu ministro das finanças são apenas uns paus mandados da troika. São os seus homens da Regisconta, ou melhor, são os cobradores do fraque, que em troca de uma mão cheia de euros, esmifram o devedor até o deixarem exangue.

 

Do nosso lado, alguns ainda lhe invejam o poder, porque vivem na ilusão de que ele, o Passos, é um chefe verdadeiro. Acreditam, erradamente, que o senhor está acima das nossas misérias e inseguranças. Mas, afinal, não está. Antes pelo contrário. O sujeito, deslumbrado pelo poder, pela sua leitura messiânica, vive soterrado pela permanente angústia de o perder.

 

Nas finanças se consome, o homem, e nem consegue falar direito. Atrapalha-se, gagueja e hesita. Como muito bem lembra Michele Apicella no filme “Palombella Rossa”, de Nanni Moretti, “quem fala mal, pensa mal”. E ele, o nosso aflito e gaguejante primeiro, já não consegue encontrar as palavras adequadas. A quem exerce o poder, as palavras – as palavras certas – são as ferramentas que podem apontar o Norte.  

 

Podemos ser levados a pensar que tudo apenas não passa de um problema de comunicação. Mas esta crise não é senão uma crise política. E são os problemas políticos, que este governo não sabe nem quer despachar, que estão por resolver. É isso que Pedro Passos Coelho é incapaz de compreender.

 

Os problemas políticos que não se resolvem tornam-se incomunicáveis. Em política, a força das palavras é decisiva. E as palavras escolhidas por Passos Coelho são de resignação e desespero. Ele não acredita nos portugueses. Ele apenas crê nos números que a troika lhe fornece.

 

O nosso primeiro é a principal vítima da folha de Excel do seu ministro das finanças, que nem sequer é do próprio, mas antes do seu congénere alemão, a quem ele presta vassalagem como um vulgar serviçal. 

 

Desconfio que o nosso primeiro é homem para, à boa maneira de mais uma personagem do livro de Machado de Assis, gostar de Otello, a ópera em quatro atos do compositor italiano Giuseppe Verdi (com libreto de Arrigo Boito, baseado na peça “Othello, the Moor of Venice”, de Shakespeare) e como espectador se regalar das paixões de Otelo e sair do teatro com as mãos limpas da morte de Desdémona, mas assobiando risonho “Nini”, a medíocre cançoneta de Paulo de Carvalho.

 

Pedro Passos Coelho, na sua terrível teimosia de correr tudo a impostos, devia pensar duas vezes na realidade do râguebi, pois quando se começa a correr muito, logo vem alguém que nos faz uma placagem. E ele já foi placado exemplarmente pelo Tribunal Constitucional e pelo povo nas ruas.

 

Talvez também sonhe, ao jeito saudoso do eficaz ditador de Santa Comba, com que a maioria de nós volte para as aldeias cultivar as parcas leiras, dormindo com as galinhas e acordando com os galos por não conseguirmos pagar a fatura da EDP, nem o petróleo do candeeiro de campânula.

 

Estes que agora dizem que nos governam não são gente séria, são gentalha insensível. Estão para o povo como o fardo de palha está para o pão.

 

Pedro Passos Coelho e os seus Relvas, Cratos, Vítores e Chicos, agarraram a triste sina dos desprezíveis: Estão para nunca mais estarem, ficam agora para nunca mais ficarem.

 

Os nossos desejos são de que a História lhes seja leve. E o seu destino político breve. Para bem de todos. E até o deles próprios.

´
publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|  O que é?

De regresso à cidade, agora no outono

 

Cá estamos de novo de regresso à cidade, ainda em setembro mas já no outono, e basta sair à rua para senti-lo. De regresso à cidade e aos seus pormenores, àqueles que muitas vezes nos passam despercebidos mas que estão sempre lá.

 

Mas hoje também é dia de termos aqui duas crónicas, a semanal de João Madureira – “Quem conta um ponto…” e as “Intermitências”, quinzenais, de Sandra Pereia. A primeira a acontecer às 9 horas e a segunda às 17H30. Até lá.



´
publicado por Fer.Ribeiro às 02:36
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Domingo, 23 de Setembro de 2012

Calvão em imagem

Hoje vamos fazer uma passagem pela freguesia de Calvão, mas apenas em imagem. Imagens um pouco diferentes que às vezes acontecem ou se fazem acontecer.









´
publicado por Fer.Ribeiro às 03:52
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Sábado, 22 de Setembro de 2012

Pecados e Picardias - Por Isabel Seixas

 

Pecados e picardias


Chega!

 

Escondidos  no descaramento

da  impunidade

vertem já de gasta a insanidade

a culpa dos outros

como quem faz um saneamento

que antes

era verdade e eles eram os doutos

 

e a chama é a raiva

arde de indignação

são os homens de palavra

que vêm trazer o Não

trazem  o dever de sonhar

e o direito ao pão

mostram as mãos de suar

no cansaço da solidão

 

Já morreu a confiança

Por abandono da razão

Foi enganada na abastança

Iludida no discurso de sedução

 

 

 

E a chama é a raiva

Arde de juízo final

Homens já febris …Do nada

Pessoas de bem a sentir mal

Trazem no rosto o desespero

Nas costas peso sem alívio

Fartos do trabalho de esmero

Com soldo do livre arbítrio

 

e a chama é a raiva

arde de indignação

são os homens de palavra

que vêm trazer o Não

trazem  o dever de sonhar

e o direito ao pão

mostram as mãos de suar

no cansaço da solidão

 

Mas já ninguém os demove

Nem o medo nem a ilusão

Chega.

 

Isabel Seixas

´
publicado por Fer.Ribeiro às 17:30
link do post | comentar | favorito
|  O que é?

" O Prazer e o Tédio" hoje está em Chaves

Em 25 de Maio de 2009 este blog anunciava o lançamento do romance « O Prazer e o Tédio» de José Carlos Barros (http://chaves.blogs.sapo.pt/390138.html)




Foi com prazer, sem qualquer tédio que dei então a notícia, aliás até me senti honrado em trazer ao blog o José Carlos,  amigo desde os tempos de Liceu, colega de blogosfera e colaborador deste blog com o seu “Discurso Sobre a Cidade” mensal.


Assim, pela certa que alguns acompanhantes deste blog teriam estranhado que eu nestes últimos tempos não tivesse trazido aqui novamente o “Prazer e o Tédio”, pois tem sido novamente notícia, agora não apenas o romance mas também o filme em cinema. Se tal não aconteceu foi porque, por razões alheias à minha vontade, perdi a estreia do filme em Boticas e mais tarde em Montalegre, mas principalmente porque queria mais alguma coisa para além da notícia e dessas estreias. Queria o filme em Chaves, não só para que todos os flavienses tivessem a oportunidade de o ver,  mas também porque é um filme de flavienses, pois embora o José Carlos seja natural de Boticas, todos lhe conhecem a sua forte ligação sentimental e de amizade à cidade de Chaves, onde fez os seus estudos liceais, para além do realizador do filme, André Graça Gomes, este sim, ser flaviense de nascença.


Pois o filme,  « O Prazer e o Tédio», estreia hoje em Chaves, às 21H30 no auditório do Centro Cultural de Chaves e assim, fica aqui o registo do dia de hoje e o prazer de finalmente o poder ver, aliado ao prazer e honra de também o poder divulgar aqui, hoje duplamente ou triplamente honrado, pois autor do romance, realizador do filme, atores e demais intervenientes, e tudo feito com a nossa gente da boa casta transmontana e neste caso também a barrosã de Boticas e Chaves.

 

Fica a sinopse do filme e mais alguns dados sobre os autores (romance e filme) para os quais recorro ao cartaz do filme em Chaves e àquilo que o “Diário Atual” escreveu aquando da estreia  do filme em Boticas.


 

“Livro e filme contam histórias de amor e desamor num mundo que parece caminhar inexoravelmente para o colapso, para a ruína: o mundo rural. Trata-se de uma narrativa feita a várias vozes, para compensar a dificuldade ou impossibilidade de estabelecer uma narrativa unívoca dos acontecimentos.


Uma das particularidades do filme é ter sido rodado sem recorrer a qualquer subsídio do Estado e interpretado por amadores, na sua grande maioria, residentes no concelho de Boticas.

 

SINOPSE


Aline, no seu apartamento em Lisboa, revê fotografias da velha Casa a Jusante da Ponte de Arame onde nascera em finais da década de 60 do século XX e que abandonara, de vez, ainda adolescente. Na cidade, o tédio parece submergi-la. Contudo, põe de lado a hipótese de regressar, decidindo, antes, livrar-se o mais depressa possível dessa casa afastada do mundo.


No meio das fotografias, descobre o diário do Engenheiro das Florestas, seu antepassado, que, em 1889, chegara à Vila, empolgado pela ideia de florestar os montes áridos do Barroso, de ali ”criar paisagens”. Este acaso faz abrir gavetas sucessivas da memória, conduzindo à descoberta de episódios cheios de mistério e intriga, de violência e ternura, de generosidade e ressentimento, de prazer e de tédio. Como pano de fundo, o inevitável confronto entre a Casa (significando o que está, para ficar) e o que chega de fora, o que não tem nome e por isso amedronta. Mesmo quando se bebe uma malga de vinho dos mortos, se prova um naco de presunto ou se saboreia um cabrito da Encosta do Voluntário.


A história (que Aline conta) começa no dia distante em que os cães do Pai Ventura morreram afogados na corrente gelada das águas da ribeira do Fontão. Mas podia começar umas décadas depois, nessa manhã de Setembro em que a camioneta de carreira chegou à Vila e encontrou o Lalice desavindo. Ou mais tarde ainda, em 1949, quando um topógrafo de Lisboa foi visto a tirar miras na Ponte Pedrinha e se descobriu que uma mulher deslumbrante o acompanhava. É indiferente.

 

FANTÁSTICO ACONTECIMENTO SOCIAL


O filme foi produzido, realizado e interpretado por pessoas de alguma forma ligadas à região do Barroso, em especial ao concelho de Boticas. A sua realização foi possível, no essencial, graças ao apoio da Câmara Municipal de Boticas e da Casa da Eira Longa, unidade de turismo rural, bem como a uma forte e espontânea participação da população local.


Muitas dezenas de pessoas e instituições estiveram, de uma maneira ou outra, envolvidas no projeto. Estabelecimentos comerciais, restaurantes, autarquias e cidadãos em nome individual responderam pronta e positivamente ao apelo de apoiarem a realização do filme. O Vidago Palace Hotel, por exemplo, cedeu um velho autocarro dos anos 20, sem o qual teria sido complicado filmar a chegada pela primeira vez à Vila da camioneta de carreira. Todos sentiam que o filme tinha a ver consigo e com a sua terra. Isto apesar de se tratar de um filme de autor e não de um qualquer objeto de promoção turística. Neste contexto, será acertado afirmar que “O Prazer e o Tédio” só se tornou num objeto de arte, depois de ser um fantástico acontecimento social.


O filme será levado a salas de Lisboa, Porto e outras localidades. A primeira será em Montalegre, onde será projetado no Auditório Municipal, no dia 14 de Agosto.

 

JOSÉ CARLOS BARROS


Nascido em 1963, em Boticas, José Carlos Barros é arquiteto paisagista, mas desde jovem que tem desenvolvido uma ininterrupta e reconhecida atividade literária, mormente no campo da poesia. Ganhou por duas vezes o Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama, um deles premiando o livro Os sete Epígonos de Tebas. Uma Abstração Inútil, Todos os Náufragos e Teoria do Esquecimento são outros livros de poemas da sua autoria.


A sua estreia em prosa deu-se em 2003, com “O Dia em que o Mar Desapareceu”. Anuncia-se para breve a publicação de novo romance.


Em “O Prazer e o Tédio”, José Carlos Barros revela-se também um grande romancista, “um geógrafo, um topógrafo que nos comove com os seus personagens fantásticos” , escreveu Francisco José Viegas.


José Carlos Barros está traduzido em muitos países.

 

ANDRÉ GRAÇA GOMES


André Graça Gomes nasceu em Chaves, a 23 de Junho de 1985.


Estudou artes plásticas na Escola de Arte e Design das Caldas da Rainha, que concluiu em 2008. Desde aí tem vindo a desenvolver trabalho em diferentes áreas de expressão visual, designadamente em cenografia para teatro, vídeo, pintura e desenho. Entre 2008 e 2012, participou em sete exposições coletivas, incluindo na Bienal de Chaves de 2008. Efetuou a sua primeira exposição individual, intitulada Artur da Graça em 2009. Recentemente foi convidado a expor, individualmente, na Universidade Nova de Lisboa (Campus da Caparica), Instituto Franco-Português, em Lisboa, e na Galeria AMI-Arte, no Porto. Paralelamente, tem vindo a colaborar com o mestre Nadir Afonso.


O cinema é uma das suas grande paixões e acompanha de perto as filmografias do mundo. Werner Herzog e João César Monteiro são duas grandes referências suas na arte de realizar. O Prazer e o Tédio é a sua primeira grande metragem, realizada em condições de penúria financeira e técnica, mas com indiscutíveis exigência e mestria artísticas. Gostou do livro de José Carlos Barros e encarregou-se, ele próprio, da escrita do argumento. Antes disso, em 2008, concebeu e realizou um vídeo-arte sobre Caravaggio, pintor, e a curta metragem Os Fantasmas da Memória.

 

FILIPE ALVES


Filipe Nuno Sanches Alves vive em Fafe, onde nasceu em 1981, sendo sua mãe natural de Couto Dornelas, concelho de Boticas. Licenciou-se em engenharia informática pela UTAD, mas os conhecimentos ali adquiridos coloca-o ao serviço da música, sua paixão desde pequeno. A música está-lhe nos genes, pois tanto o pai como a mãe são músicos amadores.


Filipe Alves é um músico eclético e um verdadeiro homem dos sete instrumentos. Toca viola, teclados, sampler, guitarra portuguesa , etc. Animou ou anima projetos musicais muito diferentes entre si que vão desde a música popular até ao hard rock. Foi fundador das bandas Bliss (1996), Void (2003), Under Pressure (2007). Esta última venceu o concurso de bandas emergentes da UTAD/2007. Fez ainda parte da banda S’K, com atuações em todo o país, França, Alemanha, ao mesmo tempo que manteve colaboração com a Tuna Imperialis Serenatum Tunix.


Atualmente, integra, por ter sido convidado, as bandas The Pende e Muzzle.


No seu estúdio, Filipe Alves incentiva o lançamento de novos projetos musicais.”


A notícia original: http://diarioatual.com/?p=64319


´
publicado por Fer.Ribeiro às 03:18
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Sexta-feira, 21 de Setembro de 2012

Discursos Sobre a Cidade - Por António de Souza e Silva

 

Património, Identidade e Preservação

(A propósito de Chaves e do seu Património)

 

I

No dia 24 do mês passado, em referência a um post inserido no Grupo “Cidade Chaves”, do Facebook, fazia o seguinte comentário: “Lá vai, por isso, aqui também o meu gosto para o post. O Grupo “Cidade Chaves” adoptou o logo da pintura de Nadir (doada pelo pintor à autarquia em 1997) com o título “Cidade de Chaves”. Nela se pode ver a ponte romana e o castelo. Da antiguidade romana e medieval (ponte e castelo) até à obra do arquitecto-pintor, dos tempos modernos. Mas, amamos que Chaves? A tradicional? A moderna? Aquela que faz o diálogo entre a tradição e a modernidade? Que diálogo? Que cidade de Chaves, afinal, queremos para o século XXI que aí está, e que vai ser também a dos nossos filhos. Memória e futuro. Que memória queremos preservar? Que futuro queremos construir?”.


Mais adiante, ou seja, nos dias a seguir, assisti também naquele Grupo a uma interessante discussão acerca dos “desvirtuamentos” que o poder autárquico da nossa terra fez em, pelo menos, 3 sítios emblemáticos da nossa cidade: Jardim das Freiras, Jardim Público e Praça de Camões.


Ao longo da discussão achei muito interessante um artigo publicado no blog de Augusto Santos Zassu (http://zassu.blogs.sapo.pt), designado “Voilá, é Zassu!” e subordinado ao tema “Incursão no planeamento urbano: o novo “arranjo” urbanístico no Largo das Freiras em Chaves”. Por isso, gostei de o partilhar com todos os amigos do Grupo.


Ainda mais adiante, o meu amigo Humberto Serra, no blog “Chaves Antiga”, publicava uma foto da antiga Praça de Camões. Não resisti de a partilhar no Grupo “Cidade Chaves” e lançar um repto:


 “São três os locais emblemáticos de Chaves que, na net e aqui, ultimamente, muito deles se tem falado - Largo das Freiras, Jardim Público e Praça de Camões. Três elementos que definiam (ainda definem?) a essência da cidade de Chaves, e com os quais os flavienses (quer residentes quer da diáspora) mais se identificam.


 Sugeria, desta feita, ao amigo Humberto Serra e à Associação Lumbudus que levassem a peito a realização de uma exposição subordinada ao tema "Chaves de ontem e de hoje". Qual seria a ideia? Promover-se um debate, fórum de discussão, sobre que Chaves os flavienses querem para o futuro.

 Não deixemos que os "políticos" façam da nossa cidade o que lhes dá "na real gana", conforme os seus interesses e as modas.


 Sejamos nós (flavienses) capazes de impor uma agenda sobre a nossa cidade para assim o poder autárquico a corporizar. Tenhamos uma voz activa, actuante”.


Gostaria, sinceramente, que esta ideia fosse por diante, acompanhada, obviamente, de muitas outras. Nunca são demais… Porque, o que está verdadeiramente em causa é de, em Chaves, se criar um verdadeiro espaço público, gerador de uma verdadeira opinião pública, capaz de “impor” uma agenda (política) ao poder autárquico. Qualquer de ele seja. E, assim, esta seria umas das muitas formas de exercício democrático saudável, numa democracia representativa, em que os cidadãos (flavienses) participam efectivamente.


Perdoem-me, contudo, a minha “deformação” profissional. Como sabem, toda a minha vida fui, fundamentalmente, professor. Numa primeira fase, na área das Ciências da Educação; numa segunda, na da economia, geografia e planeamento do território (na vertente do desenvolvimento turístico).


Assim, e porque temos vindo a falar de património e da sua preservação, não resisto aqui de falar sobre este tema. Trata-se de um excerto de um texto muito mais vasto que, quer eu quer o Professor Doutor Américo Peres, elaborámos para o I Simpósio sobre Interpretação da Paisagem, realizado em 2003 na UTAD (Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro), em Vila Real.


II

Segundo a sua acepção clássica, o conceito de património refere-se ao legado que herdamos do passado e que transmitimos a gerações futuras. Todas as manifestações materiais de cultura criadas pelo Homem têm uma existência física num espaço e num determinado período de tempo. Algumas destas manifestações destroem-se e desaparecem, esgotadas na sua funcionalidade e significado. Outras sobrevivem aos seus criadores, acumulando-se a outras expressões materiais. E, através da própria dinâmica da existência, estes objectos do passado alimentam, pela sua permanência no tempo, a criatividade de novas gerações de produtores de objectos, que acrescentam elementos às gerações anteriores. Assim a cultura flui.


No entanto, nem todos os vestígios do passado podem ser considerados património. O património não é só o legado que é herdado, mas o legado que, através de uma selecção consciente, um grupo significativo da população deseja legar ao futuro. Ou seja, existe uma escolha cultural subjacente à vontade de legar o património cultural a gerações futuras.


E existe também uma noção de posse por parte de um determinado grupo relativamente ao legado que é colectivamente herdado. Como afirma Ballart (na sua obra “El patrimonio historico y arqueologico: valor y uso”, 1997), a noção de património surge “quando um indivíduo ou um grupo de indivíduos identifica como seus um objecto ou um conjunto de objectos”.


Esta noção de património, com a ideia de posse que lhe é implícita, sugere-nos imediatamente que estamos na presença de algo de valor. Valor que os seres humanos, tanto individual como socialmente, atribuem ao legado material do passado, valor no sentido do apreço individual ou social atribuído aos bens patrimoniais numa dada circunstância histórica e conforme o quadro de referências de então. Trata-se de um conceito relativo, que varia com as pessoas e com os grupos que atribuem esse valor, permeável às flutuações da moda e aos critérios de gosto dominantes, matizado pelo figurino intelectual, cultural e psicológico de uma época.


Neste sentido o património é, e a este respeito existe hoje um consenso generalizado, “uma construção social”, da forma como o define Llorenç Prats (na sua obra “Antropologia e Património”, 1997). Construção social, ou se se quiser cultural, porque é uma idealização construída. Aquilo que é ou não é património, depende do que, para um determinado colectivo humano e num determinado lapso de tempo, se considera socialmente digno de ser legado a gerações futuras. Toda a construção patrimonial é uma representação simbólica de uma dada versão da identidade, de uma identidade “manufacturada” pelo presente que a idealiza. Assim sendo, o património cultural compreenderá então todos aqueles elementos que fundam a identidade de um grupo e que o diferenciam dos demais.


Neste sentido, o elemento determinante que define o conceito de património é a sua capacidade de representar simbolicamente uma identidade. E sendo os símbolos um veículo privilegiado de transmissão cultural, o ser humano mantém, através destes, estreitos vínculos com o passado. É através desta identidade passado-presente que nos reconhecemos colectivamente como iguais, que nos identificamos com os restantes elementos do nosso grupo e que nos diferenciamos dos demais. O passado, dá-nos um sentido de identidade, de pertença e faz-nos conscientes da nossa continuidade como pessoas através do tempo. A nossa memória colectiva modelada pelo passar do tempo não é mais de que uma viagem através da história, revisitada e materializada no presente pelo legado material, símbolos particulares, que reforçam o sentimento colectivo de identidade e que alimentam no ser humano a reconfortante sensação de permanência no tempo. Os objectos do passado proporcionam estabilidade pois, se o futuro é aquele destino essencialmente incerto e o presente aquele instante fugaz, a única certeza que o ser humano possui é a verdade irrefutável do passado.


Hoje, porém, a forma como a sociedade actual se relaciona com o passado é profundamente influenciada pelo extremo dinamismo que a caracteriza e pela tremenda aceleração da velocidade da mudança social no período moderno. Por esta razão, os modelos de identificação outrora estabelecidos com o passado, sob a forma de tradição, perdem continuidade. Mas, por outro lado, a história e os seus objectos ganham um valor e um interesse sem precedentes. Face ao fantasma da ruptura e da desordem provocado pela ausência de valores simbólicos e de identificação, a sociedade reclama, numa explosão de nostalgia, a recuperação do passado.


E no contexto desta corrente social nostálgica, o património surge como uma forma de recuperação especialmente eficaz. Através do património o indivíduo sequestra um pedaço de passado, sob a forma de tótemes pessoais, em relação aos quais percebe uma vinculação directa.


Apesar da manifesta homogeneização de diversos aspectos do quotidiano, verifica-se hoje uma reafirmação das identidades colectivas face às tendências da uniformização individual. Por todo o lado observam-se “movimentos de revitalização e reinterpretação da especificidade cultural” (Moreira, na sua obra “Identidade e diferença. Os desafios do pluralismo cultural”, 1996) que parecem constituir reacções locais aos efeitos da globalização. Estas preocupações traduzem-se num aumento da importância atribuída à preservação do património, como elemento de afirmação das singularidades locais.


Este sentimento colectivo de nostalgia fez aparecer um mercado patrimonial e à lógica da singularidade do objecto acrescenta-se a lógica da sua valorização comercial. O património tornou-se assim uma componente essencial da indústria turística com implicações económicas e sociais evidentes.


Contudo, a identidade representada por estes sítios patrimoniais é ainda menos identitária que a suposta identidade urbana que a fabricou. Porque, manifestamente, o património é antes de mais o património dos povos e das gentes que lhe adstringem valor.


 Não podemos negar que o relacionamento entre património e turismo se instalou de forma definitiva. Há porém que estabelecer regras de convivência entre ambos numa perspectiva de rentabilização económica e de desenvolvimento social. O desafio que se coloca ao turismo é o de utilizar os recursos patrimoniais numa perspectiva de desenvolvimento durável, assente em critérios de qualidade, para que os seus benefícios resultem numa efectiva melhoria da qualidade de vida dos cidadãos, tanto daqueles que o praticam como daqueles que o acolhem.

 

António de Souza e Silva

´
publicado por Fer.Ribeiro às 00:56
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|  O que é?

.Fotos Fer.Ribeiro - Flickr

frproart's most interesting photos on Flickriver

.meu mail: blogchavesolhares@gmail.com

.Maio 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9


25
26
27

28
29
30
31


.pesquisar

 
ouvir-radioClique no rádio para sintonizar

 

 

El Tiempo en Chaves

.Facebook

Fernando Ribeiro

Cria o teu cartão de visita Instagram

.subscrever feeds

.favorito

. Abobeleira em três imagen...

. Solar da família Montalvã...

.posts recentes

. Um olhar com a marca Chav...

. Cartas a Madame de Bovery

. Cidade de Chaves - Um olh...

. Chaves D'Aurora

. Quem conta um ponto....

. Pecados e Picardias

. Pedra de Toque

. Avelelas - Chaves - Portu...

. O Factor Humano

. Cidade de Chaves - Um olh...

. Discursos sobre a cidade

. Silhuetas com a marca Cha...

. Fugas - Por terras do Alt...

. Cartas a Madame de Bovery

. Cidade de Chaves, um olha...

blogs SAPO

.Blog Chaves no Facebook

.Veja aqui o:

capa-livro-p-blog blog-logo

.Olhares de sempre

.links

.tags

. todas as tags

.arquivos

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Agosto 2005

. Julho 2005

Add to Technorati Favorites