Segunda-feira, 31 de Dezembro de 2012

Quem conta um ponto...

 

Pérolas e diamantes (18): aparências e desilusões

 

 

Para manter as aparências, a nossa autarquia tem mobilizado todas as energias e conseguiu sobreviver sem oposição que se enxergue a olho nu.

 

Apesar disso, a atual gestão da Câmara de Chaves não explica nada: nem o seu insucesso, nem o seu fingimento, nem a sua gerência imobilista feita ao sabor do vento e das geadas. E fá-lo porque é incapaz de admitir que errou na sua estratégia, no seu propósito de modernidade, na sua aposta fracassada no desenvolvimento.

 

Interlúdio poético: Um pouco à semelhança da “inquietação” do José Mário Branco (A contas com o bem que tu me fazes / A contas com o mal por que passei / Com tantas guerras que travei / Já não sei fazer as pazes), é caso para dizer – e o autor que nos perdoe a ousadia, mas é por uma boa causa – que no nosso burgo existe: Cá dentro desilusão, desilusão / É só desilusão, desilusão / Porquê, não sei / Porquê, não sei / Porquê, não sei ainda.

 

Não pretendo reivindicar a qualidade de juiz dos acontecimentos políticos locais, mas, com toda a modéstia, direi que tomei a liberdade (individual) de ter ficado desiludido, vai para um bom par de anos, com a gestão autárquica de João Batista e António Cabeleira.

 

De facto, a gerência camarária do PSD flaviense não soube intuir a desilusão, a frustração e o descalabro. E as pessoas mais clarividentes até ajudaram nesse desapontamento. Deixaram-se levar pelas falinhas mansas dos protagonistas, pois não queremos acreditar que não estivessem a par da realidade: do enorme défice, das obras de fachada e da gestão apriorística da coisa pública. Muitos deles estavam a par, outros estavam, quase de certeza, já comprometidos, mas não o quiseram admitir.

 

A verdade é que a liderança da Câmara de Chaves mudou tantas vezes de opinião que baralhou a sua estratégia, o rumo da sua atuação e, o que é mais grave, a esperança dos flavienses.

 

Demasiadas vezes apareceu o presidente João Batista com os seus lindos discursos vazios a tentar pôr algum sentido no desnorte. Mas isso serviu-lhe de pouco. E aos flavienses não lhes serviu mesmo de nada, nem de coisa nenhuma.

 

É caso para nos perguntarmos se os flavienses se submeterão aos tempos que aí estão para vir sem esperança, se somos impotentes para mudar de rumo ou se estamos condenados a este infortúnio autárquico.

 

Mas a alternativa tem se ser consistente. Já aqui o escrevi uma vez, mas volto a repeti-lo: A proposta política de uma alternativa ganhadora a este poder autárquico serôdio e cediço tem que ser uma questão de afirmação e não uma mera questão de entusiasmos.

 

É bom que nos consciencializemos que a antiga premissa cristã segundo a qual a pobreza, a solidão e a infelicidade desenvolvem boas qualidades no homem já não se coaduna com a modernidade. O futuro tem de obedecer à aspiração legítima da riqueza das regiões e das instituições, da solidariedade, da fraternidade e também da felicidade. Se não para quê trabalhar?

 

Eu sei que aos idealistas, quase sempre, não lhe restam outras armas do que as palavras, mas são elas que definem o pensamento e serão elas que possibilitarão ter esperança num novo rumo para a nossa cidade e para o nosso país. 

 

Percebemos que ainda existe por aí muita falta de seriedade, muita indiferença, muita instabilidade. E também sabemos que há por aí muito bajulador a tentar manter a aparência de um rumo e da possibilidade da evolução da continuidade. A esses marcelistas reciclados, é bom lembrar que, apesar de todos sabermos que não há bem que nunca acabe, também não há mal que sempre dure.

 

Apesar de sabermos que a política se faz de habilidade prática e compromissos, temos de ser capazes de rejeitar veementemente a estratégia imobilista deste poder autárquico que já não é capaz de entusiasmar nada nem ninguém. Nem sequer o próprio partido. Ou muito menos ele.

 

Esta Câmara nem prosperou nem nos fez prosperar. Tudo o que fez foi persistir. Segundo li em algum lado, escorregar é a lei da queda. Por isso estamos em crer que o povo flaviense não vai deixar-se escorregar mais uma vez. Apesar do inverno vir aí e o gelo o acompanhar. Não queremos um novo ano somente cheio de certezas invernais. Vamos esperar pela primavera. Estamos em crer que a esperança virá com as andorinhas.

 

E para terminar, aos litigantes de má-fé lembramos um provérbio chinês: “Encurralado, até um coelho morde.”

 

Ou em versão alargada para os mais distraídos: “Encurralados, os cães saltam muros, os gatos sobem às árvores, os coelhos mordem e os mudos falam.”

 

 

 João Madureira

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito
|  O que é?
Sábado, 29 de Dezembro de 2012

Pecados e Picardias

 

A…Deus  2012 , descansa em paz

 

Deixo cair a esperança vã sem olhar

 para trás, o lugar triste do amor proibido

dos escombros recolho só de belo o luar

caminho com o penar do homem esquecido

 

retomo   valores do desespero de causa

assumo  pose de guardiã da liberdade

aceno aos sonhos pedindo uma pausa

retempero forças não esqueço a verdade

 

só contam as vidas no passar dos anos

as vidas dos homens que fazem a história

 cicatrizam as feridas as dos desenganos

 abertas por outros só  para obter glória

 

já  falam sozinhos já ninguém os ouve

desperta o silêncio  na dor  que demove

 

levantam-se os sábios os que já viveram

de rostos tão sérios, hoje não beberam

respondem ao chamado do grito aflito

do fogo anunciado no ano circunscrito

 

 

E vêm sem medo tão firmes e seguros

Trazem as vontades  de velhos casmurros

Expressam a herança do dever  cumprido

Não deixam fugir o  direito  adquirido

 

Recordam o tempo de trabalho feito

O  esforço digno para sobreviver

A promessa feita cravada no peito

Respeitar-se o Homem mesmo no morrer

E sentam-se enfim junto à fogueira

Ardendo como  ela,em chama verdadeira

 

A…Deus  2012 , descansa em paz…



Isabel seixas

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 19:22
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|  O que é?
Sexta-feira, 28 de Dezembro de 2012

Discursos Sobre a Cidade - Por Gil Santos

 

 

O Tibúrcio

 

Rais te parta o peixe que está cheio de arganas – queixava-se o pequeno Tibério muito zangado.


– Come d’amodinho mou filho, não se te entrasgue algua e te afogue! – aconselhava a mãe com o mesmo carinho com que tratava o Pécora, o outro mais velho, depois que ficou manquinho de uma perna.


Comiam barbos de escabeche. Foram apanhados nas cordas que o Tibúrcio estendera à socapa no Tâmega. Ele bem sabia que era proibido e que se fosse apanhado no trabalhinho iria parar à choldra do Forte de S. Neutel a ver o sol aos quadradinhos e com umas arrochadas no lombo. Mas que fosse por Deus Nosso Senhor e pelos filhos da amásia. A lazeira superava o medo e valia a pena prevaricar só para ter os enteados de tripa forra.


Não havia pai para o Tibúrcio nesta arte de apanhar peixe do rio à corda. Mas só no inverno, porque no verão praticava outra das suas especialidades o peixe do rio ao buraco! Madrugada, ainda o sol se espreguiçava para lá das encostas do Brunheiro e já ele metia pés a caminho para a primeira presa. Chegava, lia a corrente que quase sempre corria fraca por estre penedos e ougas floridas. Despia-se até ao pescoço, atava uma saca de rede à cinta com uma baraça de sisal, pegava numa vergasta de amieiro e rio acima fustigava a tona da água. Os peixes, ainda endorminhados, estou que com o medo, encafuavam-se nas luras por baixo das pedras. O Tibúrcio mergulhava, metia a mão no toco, e quase sempre apanhava peixe graúdo. Por vezes lá lhe calhava uma cobra de água taluda cuja cabeça esmagava contra um penedo. Outras, algum leiranco de água, perdurado pelas cavilhas no polegar. Mas, Tirando isso, era peixe à farta.


A arte da pesca à corda, mais usada no inverno e de preferência quando o rio fosse grosso, era mais cómoda. Ajeitava um decâmetro de corda fina, da que prende a chiba à estaca. De braçada em braçada atava-lhe umas pontas de metro de sediela 0,60 mm. Em cada uma dessas extensões empatava um anzol bico de papagaio. Iscava com minhocas que apanhava na estrumeira do Maneta, ali para o Raio X. Pela noitinha levava o arcanho para o Poço do Leite, um fundão que havia onde a Ponte Nova tomou alicerces sobre estacas de pinho e onde o filho do Tero Bandeira mergulhava desde o tabuleiro. Atava um calhau na ponta da corda, arrimava-o para a outra margem em diagonal com a corda a reboque. Esperava que a corrente a esticasse e quando a topasse tensa, atava a outra ponta nas raízes de uma figueira que abraçava a parede sobranceira ao dito poço. Despois, era só esperar que a noite e a voracidade dos ciprinídeos fizesse o resto. Pela matina, antes mesmo que o galo da Pônas acordasse, ia recolher o aparelho. Rara era a vez que não tirasse pelo menos meia dúzia dos tais barbos. Uma farturinha preciosa no tempo do racionamento!


O Tibúrcio era viúvo e sem descendência. Uma tuberculose galopante tirou-lhe a Carminda aos trinta anos, antes mesmo que pudesse conceber. Como soi dizer-se, rei morto rei posto. Não perdeu tempo, aos trinta e um aputou-se com a Chambra, mãe solteira, com dois filhos já espigadotes, o Tibério e o Pécora.


A relação alimentava-se de uma paixão forte, quotidiana. Contudo, a coisa começou a afrouxar e veio um tempo em que o Tibúrcio ralas vezes visitava a sua amante. A Chambra estava cada vez menos disponível para o amante no tugúrio onde vivia, após a desgraça de que foi vítima o seu filho mais velho. A infelicidade do Pécora conta-se em duas penadas.


Teria uns seis anitos quando numa manhã de janeiro o Chico da Soutília, seu padrinho de batismo, aricava uma campina de centeio, contígua à linha do comboio, ali para a Fonte Nova. Fazia-o com um arado de relha de ferro que uma mula, assustadiça, puxava aos repelões. O rapazeco, que fosse com o cheiro na merenda do padrinho ou em andar emplouricado no arado, foi atrás dele para a lavra. Gostava que o sentasse abaixo da rabiça, com os pés sobre o timón para andar de landó rego fora. Assim estava a acontecer quando o comboio, na aproximação ao apeadeiro da Fonte Nova, abriu a goelas num estridente silvo. A mula, apavorada, desinvestiu campo afora. O Chico não teve mão nela e o mocinho caiu entalando a perna esquerda entre a abieca e a lavrada. No movimento tresloucado, um rebo mais aguçado apanhou-lhe a pernita e amputou-a redondinha pelo tornozelo. O Pécora ficou manco para o resto da vida.


O que haveria de ser da vida desse rapaz sem uma gâmbia, num tempo em que mesmo com as duas sabe Deus?


Em ordem ao futuro do filho manco, a Chambra, precisava de trocar a paixão do Tibúrcio por alguma outra coisa que desse mais do que barbos de escabeche!


Ora, um amanhado dia do mês dos cucos, quando atravessava a linha do caminho-de-ferro com um jiga de labrestos à cabeça, colhidos na mesma leira onde o seu Pécora perdera o pé, a Chambra ia sendo apanhada pelo comboio que passava. Não fora a mão amiga de um guarda-linha a tê-la salvo e seria morte certa. Ficou-lhe tão reconhecida que no dia seguinte, o tal, já merendava em sua casa. Dali avezaria um dinheirinho certo. Com ele poderia atenuar as dores da família, particularmente assegurar um futuro para o filho manco.


Não esteve com meias medidas, comassim! Deu-lhe a provar o licor de Vénus e fisgou-o pelo beicinho como o outro fazia aos barbos!


Tratava-se de um homem de meia-idade, solteirão, vindo do Douro. Por desgosto, quiçá de amor, pediu para vir trabalhar na linha do Tâmega, aqui para Chaves. Roupa lavada e cama quente levaram-no a viver de porta cerrada com a Chambra e os seus dois filhos.


Com aquele desgosto não pôde o Tibúrcio. Na primeira oportunidade contratou os serviços do Neves e Passador e emigrou a salto para a França. Teve tanta sorte que em pouco mais de cinco anos fez fortuna capaz de lhe alimentar uma velhice sem sobressaltos.


Durante esse tempo a Chambra vivia na fresca ribeira com o duriense e não mais se lembrou do Tibúrcio. Contudo, uma bela manhã do primeiro de agosto, o guarda-linha avisou que ia de férias no dia seguinte, tomaria o comboio para a sua terra. Visita aos familiares. Assim foi. Evidentemente que se esqueceu de voltar no final das ditas.


Adivinhando a mandingança e achando-se de novo desamparada a Chambra não perdeu tempo, foi pedir ao Beiças que lhe redigisse uma carta para a França.


Rezaria mais ou menos nestes termos:

 

Crido Tibúrcio:


Espero qestas duas letras te bão topar de boa saúde. Nós por cá estemos bem graças a Nosso Senhor.


Escrebo-te esta p’ra te dezer que não me astrebo a aturar o Tibério e o Pécora. Desde que fostes p’rá França que me relam os dias a pedir barbinhos de escabeche. Eu bem los fazia mas num tenho quem nos pesque. Faltasme tu qeras o pitroil da minha candeia e o luzeiro dos meu olhos. Nunca na bida heide ter home tão asado qemo tu. Dabasme carinho, açaramoabasme os rapazes quando mijavam fora do penico, afagabasme a palha do xaragão quando oupava e olhabasme a pita todos os santos dias para que não pusesse fora. Fostes e hades ser sempre o home da minha bida e o pai que os meus filhos nunca tiberam.


Bolta Tibúrcio da minha peituga, serei o teu aconchego na belhice.


Sem mais que te diga, recebe o afago deste coração empedernido e a promessa de um cibo ardente que te deseja!


Por ti anseio.


Desta que muito to quer!


Chambra

 

A missiva lá seguiu para terras de Bonaparte.


Ainda não era Natal e já à sua porta, na canelha das Caldas, parava um carro de praça a descarregar duas malas de cartão anchas e um pimpão de fato e gravata. Era o Tibúrcio que retornava, agora carregadinho de francos, aos braços da sua amada.


Daí em diante nunca mais faltou o escabeche de barbos naquela mesa. Bem entendido que já não era acompanhado apenas com carolos recessos de centeio escuro, mas com cantos de trigo e outras iguarias que a Chambra trazia, vaidosa, da praça todas os dias de feira.


Viveram felizes. Tão felizes, que até o Pécora teve direito a um pé novo, suponho que de pau de amieiro, que o doutor Fernandes mandou vir de Barcelona. Mancava um pouquinho, mas foi apenas enquanto não se habituou.


O Pécora passou o resto dos seus dias rua Direita acima, rua de Santo António abaixo, a vender cautelas para seu sustento. Não sei se algum dia teria vendido a sorte grande, mas merecia que isso tivesse acontecido.


O Tibério foi chauffer de praça no Arrabalde.


A Chambra e o seu Tibúrcio morreram velhinhos.


Do guarda-linha nunca mais ninguém ouviu falar.

 

Gil Santos

´
publicado por Fer.Ribeiro às 02:48
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Quinta-feira, 27 de Dezembro de 2012

O homem sem memória -133

 

O Homem Sem Memória
Texto de João Madureira
Blog terçOLHO
Ficção

133 – Quando José relatou o sucedido aos camaradas, eles limitaram-se a censurar-lhe o medo e a desvalorizar os sinais. A terra podia ser um antro de reacionários, mas aquela não era gente com coragem suficiente para se meter com o Partido e os seus militantes mais distintos. “Eles que se atrevam a molestar-nos que logo ficam a saber do que somos capazes. Os comunistas não têm medo de nada nem de ninguém. Era o que mais faltava! Nós enfrentámos, durante a longa noite fascista, as forças policiais e repressivas, a PIDE e o Salazar. Enfrentámo-los e vencemos. Não são agora meia dúzia de matarruanos que nos amedrontam ou que nos limitam no nosso direito sagrado a fazer política.”


Depois de mais uma tarefa revolucionária concluída, foram jantar a um dos poucos restaurantes que se encontravam abertos. O dono serviu-lhes de forma neutra umas ousadas costeletas de vitela com batata cozida e vinho da casa. Entretanto escureceu. Quando se preparavam para pedir o café, uma valente pedrada contra a porta do restaurante fê-los saltar das cadeiras. Todos ficaram em silêncio, menos o patrão da casa que lhes serviu o café com o pedido de que pagassem rápido e se fossem embora o mais depressa possível. Informou-os de que um grupo de pessoas se dirigia para a salão onde se ia realizar o comício munidos de varapaus, seitouras, enxadas, forquilhas, engaços, algumas pistolas e uma que outra caçadeira. O propósito não era pacífico. A reação estava alerta e organizada.


“Vão-se embora antes que eles deem cabo do meu restaurante”, pediu-lhes. “Vocês deviam saber que por aqui os comunistas não são bem-vindos. Cá na terra, até os socialistas são molestados e perseguidos. Vão-se embora enquanto é tempo.”


O camarada de Vila Real foi taxativo: “Não podemos fugir. Vem aí a Maria Tenrinha para fazer o comício. Ela é membro do Comité Central. O que iria pensar de nós? Que somos cobardes? Um comunista nunca vira a cara à luta.”


Nova pedrada embateu em cheio na porta do restaurante. De seguida ouviu-se um grito: “Morte aos comunistas.” Logo depois ouviu-se uma saraivada de sons de ferros e paus a bater com força no empedrado da rua. O dono do restaurante começou a desligar as luzes e encaminhou-os para uma saída lateral. “Fujam, que ainda há tempo”, disse-lhes em jeito de despedida.


Na rua, dirigiram-se apressados ao salão, mas não se atreveram a entrar. Do lado de fora, uma multidão furiosa ululava e batia no chão com varapaus, aguilhadas e vários utensílios agrícolas. “Morte ao comunismo. Comunistas para a Sibéria”, bradavam excitados os homens. “Assassinos”, gritavam desvairadas as mulheres.


Por muita coragem que tivesse aquela meia dúzia de intrépidos militantes comunistas, o ar assanhado da população era um enorme dissuasor de qualquer propósito que não fosse abandonar Ribeira de Pena com a organização necessária. E quanto mais depressa melhor. O camarada dirigente de Vila Real ainda ensaiou uma derradeira solução. Como a entrada do salão estava bloqueada, resolveu dirigir-se ao posto de GNR para pedir proteção e apoio. A liberdade de expressão era um direito, e uma conquista, da revolução democrática e nacional. Ninguém podia coagir ou tentar proibir os comunistas de divulgar as suas ideias e propalar os seus ideais. Além disso, a GNR, como força da ordem, tinha o dever de os proteger e de impor o respeito pelas mais amplas liberdades. A sua missão consistia em fazer vingar o princípio da coexistência pacífica entre a população e os diferentes partidos políticos.


“Vamos ao posto da GNR exigir-lhes que dispersem os reacionários para que possamos fazer o nosso comício”, disse com cara de caso o camarada de Vila Real. “Anda daí comigo José, o teu pai não é da GNR? Anda, vai lá falar com eles, enquanto eu fico a guardar os carros.” “Eu vou lá mas só se tu fores também. Eu sou apenas um militante de base, enquanto tu és dirigente. Quem tem as credenciais és tu. O Aníbal fica aqui a guardar os carros. Ele e os outros. A Catarina vem connosco.”


O Aníbal, apercebendo-se da trovoada que se estava a preparar sugeriu que fossem todos ao posto da GNR e nos carros. Estacionados perto do posto estavam a salvo.


Quando chegaram ao posto, encontraram o plantão a fechar as portadas das janelas, o portão da rua e a aferrolhar por dentro a entrada.


“Por favor, por favor, ajude-nos. Os reacionários não nos deixam entrar no salão onde vai ter lugar o comício do Partido. Mande uma patrulha lá acima por ordem naquilo”, exigiu o camarada dirigente de Vila Real.


O soldado da GNR olhou para ele com todo o desprezo do mundo e disse-lhe que a patrulha tinha ido tomar conta de uma ocorrência numa aldeia do concelho.


“Então chame o cabo.” “O cabo foi-se deitar.” “Às nove da noite?” “Está doente.” “Então chame o sargento, pois o caso é grave e pode trazer consequências.” “O nosso sargento foi passar o fim de semana a casa.” “Então e os outros guardas?” “Os outros guardas foram gozar o seu dia de folga. Eles também têm mulher e filhos.” “E então nós?” “Desenrascam-se como puderem.” “Mas somos meia dúzia de pessoas. Não podemos com aquela gente toda.” “Quem bem faz a cama bem se deita nela. Boa noite.” E mais nada disse o plantão da GNR. Bateu com a porta, deu duas voltas à chave e desapareceu deixando-os ali no meio da rua com cara de incrédulos. (Íamos para escrever cara de estúpidos, mas, como todos sabemos, os comunistas podem ter cara de tudo, menos de estúpidos. Oferecemos as antigas e saudosas obras completas de Lenine, da Novosti, em espanhol de lei, e ainda novinhas em folha, a quem nos provar o contrário.)


“Não acredito”, disse o camarada dirigente de Vila Real. “A GNR em vez de nos proteger abandona-nos à nossa sorte.” A camarada Catarina, com a sua lucidez feminina, disse: “O melhor é irmos embora enquanto podemos e lá em cima esperar pela camarada Maria Tenrinha e avisá-la de que o comício não se pode realizar por falta de segurança.”


Uma parte da multidão começou a descer a rua de encontro aos camaradas batendo com os paus no chão como se estivessem a afugentar cobras ou a espantar javalis. Jovens de moto começaram a fazer-lhes tangentes e a insultá-los.


“Vamos embora”, ordenou o camarada dirigente. Encontrámo-nos lá em cima na estrada que liga a Vila Pouca. E ninguém para. Quem se meter à frente é reacionário morto.


Quando se enfiaram nos carros, já a multidão os tinham cercado. Enquanto batiam nos viros e na chapa do carro com o que tinham à mão, insultavam-nos de tudo: “Filhos da puta, comunistas do caralho, assassinos, ladrões, papantes.”


Dentro do carro, o José, virando-se para o Aníbal, quase em lágrimas, perguntou: “Porque será que o nosso povo é tão reacionário. Será que não enxerga que quem os defende somos nós, os comunistas. Por que razão nos odeiam tanto?” “Não ligues. O povo não presta.” “Como podes dizer isso, sendo tu comunista?” “Sempre é melhor do que pensar que quem não presta somos nós.” “Que terrível dilema: Nós defendemos o povo e o povo é contra nós.” “Lá terá as suas razões…”, mas não acabou a frase pois teve de travar de repente para não atropelar uma mulher idosa que com uma forquilha em punho se meteu à frente do carro para o picar como o fazia aos animais bravos.


“O camarada de Vila Real disse que não devíamos parar. Quem se atravessar à frente morre.” “Quem morre somos nós se atropelarmos alguém,” argumentou com muita sapiência o Aníbal.


Um pouco mais adiante, o outro veículo dirigia-se com velocidade variável em direção ao cordão humano de homens mulheres que gritavam impropérios e agitavam toda a espécie de ferramentas agrícolas. Adivinhava-se uma tragédia, pois nem o carro abrandava nem a barreira humana abria qualquer brecha.


“Vamo-nos foder todos por causa daquele maluco. Se pensa que pode atropelar alguém e sair daqui incólume é bem mais maluco do que eu imaginava”, comentou o Aníbal. “Que Deus nos ajude neste momento tão delicado”, desabafou o José. “Tu ainda és católico?” “É apenas uma força de expressão.” “Com a verdade me enganas.” “Segue o carro da frente e não traves.” “Posso não ser lá grande comunista, mas decididamente não sou louco.” “Depois de ele matar alguém, o seu destino será o nosso destino.”


Milagrosamente a muralha humana abriu uma frincha quase no momento da colisão.


Estavam os intrépidos e decididos marxistas-leninistas transmontanos a acelerar por ali acima quando o automóvel da Maria Tenrinha passou por eles sem se ter apercebido que eram os seus camaradas quem abandonava Ribeira de Pena para não serem trucidados. Quando, um pouco mais adiante, pararam os veículos, discutiram se deviam ou não ir atrás da camarada do Comité Central, para a salvarem.


Meterem-se no vespeiro era morte certa, mas abandonar a camarada era uma cobardia, um ato indigno de comunistas revolucionários. Enquanto discutiam, apareceu o carro de um camarada de Névoa que em boa hora tinha decidido ir assistir ao comício. Vendo-os parados, parou também e perguntou-lhes o que faziam ali imóveis no meio da serra.


Depois de o informarem sumariamente do ocorrido, resolveram que o melhor era o camarada ir a Ribeira de Pena disfarçado de turista e tentar avisar a Maria Tenrinha do sucedido. Para o efeito teve de arrancar os cartazes dos vidros e das portas da viatura e desfazer-se de toda a iconografia comunista que nela transportava.


Quando lá chegou, já a camarada Maria Tenrinha tinha sido agredida e, com um olho negro e um joelho inchado, ia agora a caminho do hospital de Vila Real.


No hospital, a camarada do Comité Central, enquanto era observada e lhe faziam o curativo, contou aos camaradas que a rodeavam que vendo tanta gente junta dirigiu-se-lhes e que de imediato foi agredida, ainda antes de ter perguntado onde ficava o salão do comício do Partido. “Ai tu é que és a Maria Tenrinha?”, questionou-a um popular. “Aqui as bruxas comunistas levam porrada até lhes sair a ronha.” Já o pau estava a descer na direção da sua cabeça quando ela sacou de um spray de defesa pessoal e o disparou bem na direção dos olhos daqueles que pretendiam agredi-la. Mesmo assim foi atingida por vários murros e um que outro pontapé. Ato contínuo, os dois camaradas seguranças pegaram-lhe com determinação, enfiaram-na no carro e levaram-na dali com toda a velocidade que o carro permitia.


Como a camarada do Comité Central era a companheira de outro camarada do Comité Central que tinha seu cargo as tarefas de organização e controle da segurança do Partido, logo na manhã seguinte telefonou ao governador civil de Vila Real, para se queixar da vergonhosa atuação da GNR, cuja jurisdição estava a cargo do representante do governo no distrito, e para o avisar que no fim-de-semana seguinte Ribeira de Pena ia assistir ao maior comício da sua existência enquanto vila.


E assim foi. Centenas de carros, camionetas, motas e autocarros transportando milhares de simpatizantes e militantes comunistas entupiram a estrada que ligava Vila Pouca a Ribeira de Pena agitando bandeiras com a foice e o martelo, buzinando sem parar e gritando palavras de ordem até ficarem roucos.


Os mesmos populares que no dia anterior se tinham engalfinhado contra a Maria Tenrinha e os seus companheiros, desta vez juntaram-se aos camaradas e comportaram-se como se fossem comunistas de toda a vida.


José lembrou-se do ditado popular: Se não podes com eles junta-te a eles. O povo é mesmo assim, como as giestas no monte, afaz-se ao sentido do vento.


134 – Depois do triunfo da razão em Ribeira de Pena, o Partido a nível regional ...

 

(continua)

 



´
publicado por Fer.Ribeiro às 01:01
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Quarta-feira, 26 de Dezembro de 2012

Mário Valpaços - Um artista Flaviense

 

Em tempo um amigo dizia-me que “estava morto para que a televisão lá de casa avariasse, para se desfazer do mono e comprar uma nova”. Pois eu por cá, a televisão que tenho serve-me e até sobra, pois pouco lhe ligo, mas o computador, esse, já é outra cantiga. Pois, tal como o meu colega, também eu estava mortinho para que o meu  PC avariasse, não para comprar um novo que as modas não dão para tanto, mas para lhe fazer uma limpeza geral e deixá-lo mais ligeirinho, que às vezes até já parecia o nosso antigo “texas” a subir para a estação de Loivos.  Pois lá me fez a vontade, e depois de uma noite de árduo trabalho, no dia seguinte negou-se a acordar.



Quero com isto dizer que estou sem o meu PC de trabalho e com ele, também ficou a repousar o meu arquivo fotográfico mais recente. Assim, lá tive que ir dar uma voltinha pelas fotos mais antigas, que vão ficando esquecidas, e ainda bem, pois reencontrei uma série de fotos da arte de Mário Valpaços, também ela quase sempre esquecida e nunca apoiada, e é pena, pois embora com muito de arte naïf não deixa de ser rigoroso e bem realista nos materiais que aplica, ou seja, os materiais que aplica nas suas miniaturas são rigorosamente iguais aos existentes na realidade do casario que  lhe serve de inspiração, tanto, que na maior parte das vezes até amostras de cor e outros materiais recolhia. Assim as miniaturas são uma cópia rigorosa da realidade o que, nalguns casos, já faz a história do casario antigo que existiu, pois depois das suas miniaturas executadas ,  algumas já sofreram obras com alteração de formas e materiais.

 


É por estas razões mas também pela sua arte que há muito o Mário Valpaços devia ter um espaço público,  onde a sua coleção de miniaturas pudesse ser apreciada e espaços não faltam. “Chaves dos Pequeninos”, onde o artista poderia alargar a sua coleção, e tanto quanto sei, há disponibilidade por parte do artista e pouco pede em troca, mas como sempre, talvez um dia quando tal seja possível , já seja também demasiado tarde.   

 


Ficam então mais algumas imagens da arte de Mário Valpaços, e digo mais algumas porque outras já por aqui passaram, tal como a sua poesia e um pouco da sua vida, da vida  de um artista singular, longe da fama e do glamour com que os artistas tanto gostam de se fazer acompanhar, pois o Mário Valpaços, com ele, apenas transporta a sua simplicidade e humildade.

 


Para quem quiser saber mais sobre este artista, fica aqui o link para um dos posts que lhe foi dedicado neste blog: http://chaves.blogs.sapo.pt/364102.html

Até amanhã.

´
publicado por Fer.Ribeiro às 04:50
link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito
|  O que é?
Segunda-feira, 24 de Dezembro de 2012

Feliz Natal

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 12:00
link do post | comentar | ver comentários (4) | favorito
|  O que é?

Quem conta um ponto...

 

Pérolas e diamantes (17): o Natal e a bebida preferida de Jesus Cristo

 

 

Eis que lá do alto do seu império espiritual, o Papa Bento XVI escreveu um livro em que resolveu destruir toda a iconografia do Natal. Além de defender que Jesus Cristo nasceu uns anos antes da data admitida pela Igreja, o representante de Deus na Terra foi perentório ao sustentar que na gruta de Belém tanto o burro como a vaca não estavam lá a fazer companhia a alguém e, muito menos, a bafejar o Menino Jesus.

 

Isto pretendeu aliviar o presépio da sua matriz pagã. A ser assim, também é caso para perguntar o que fazia lá José, pois, atendendo ao que vem na Bíblia, não era o verdadeiro pai da criança.

 

Se se expulsam do presépio os elementos redundantes, a cena fica apenas reduzida a duas personagens: a Virgem Mãe e o seu Santo Filho. O que, convenhamos, constituindo o núcleo vital da cristandade, é muito pouco para a fé e terrivelmente frustrante para o sentido cultural da religião onde todos fomos criados e que ainda é o elemento agregador de toda a civilização ocidental.

 

Mas isto de ler e escrever tem as suas contraindicações. Depois da desilusão do Natal, segundo o Papa Bento XVI, eis que me deparo com a destruição de um outro mito relacionado com Cristo e com a cristandade. Então não é que Afonso Cruz escreveu no seu último livro Jesus Cristo Bebia Cerveja isso mesmo:  que Jesus Cristo bebia cerveja. Escreveu-o e explicou-o.

 

Naqueles tempos as bebidas alcoólicas confundiam-se umas com as outras, já que era habitual misturar frutos com as bebidas de cereais e vice-versa. No Egipto existiam imensas cervejarias e a cerveja que lá não era consumida era exportada, nomeadamente para a Palestina. Seguindo esta revelação histórica, podemos concluir que a bebida que popularmente se consumia na terra que Cristo habitava era cerveja.

 

Ou seja, o vinho era uma bebida consumida pelos invasores romanos. Por isso Cristo não iria beber a bebida dos ricos, dos opressores, mas antes a dos pobres, a dos pecadores e a das prostitutas. Era o que a cerveja representava: um símbolo do povo. Cristo bebia cerveja, que sempre foi apelidada de pão líquido, pois é verdadeiramente pão com água. Até é a mesma levedura que transforma o cereal.

 

E como estamos em maré de poupança, tanto no país, como no presépio, aproveitamos para sugerir a quem de direito que a partir de agora a eucaristia se passe a celebrar apenas com cerveja, pois a bebida que Cristo consumia é já em si dois em um, broa e pinga, que é muito mais ecológico, pois evita a referência à carne, que é, como todos o sabemos, muito má para a saúde e, sobretudo, pecadora.

 

E a mais não nos aventuramos.

 

João Madureira

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|  O que é?

Pecados e Picardias - Por Isabel Seixas

 

Encontros de Natal


Encontraram-se na festa de Natal, cumprimentaram-se e desejaram-se mutuamente festas felizes, como quem diz olá, por educação, cidadania, protocolo e vicio…


Já  tinham destino, sem retrocesso…


A noite má conselheira despertou-lhes sentidos antigos, encontraram-se num tango quando em brincadeira, numa  coreografia de troca de pares, coincidiram e dançaram num respirar de emoções que esperavam uma oportunidade inesperada.


O tango pedia entrega à coreografia ,deslizaram em uníssono sem entraves utilizando técnica para evitar colisões com outros pares…


Reacendeu a chama e veio o slow inocente a facilitar a proximidade e a prova dos noves da atração, a harmonia dos passos fazia renascer memórias de encontros tidos, pontos de interrogação de como teria sido se tivessem ficado juntos.


Importam-se de ficar sem prenda? Não chegam para todos só para quem trouxe…


Riram , sem prenda !?...


E a oportunidade do encontro de  afetos?


 Esconderam-se em mais uma dança, parecia ocasional, de mãos dadas como naquele tempo em que a rutura era solução para a diferença e viajaram ambos no tempo, até ao Natal do desentendimento e da despedida do desenlace para outra vida… Riram descontraídos com os pulos que lhes permitia a pimbalhada, num abraço agora alegre e sem vigia numa pista abarrotada.


Porque é que… Porque nos deixamos? Porque  nos impedimos de ser encontro em qualquer Natal?


Ah, estavas aqui? Já distribuíram as prendas, os miúdos querem ir embora são horas…


 Então até …Gosto em ver-te, bom Natal.


Felicidades…


No Natal a poesia


É frente e verso


É alegria tanto na nostalgia


Como no reverso

 

Isabel Seixas

´
publicado por Fer.Ribeiro às 01:28
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Domingo, 23 de Dezembro de 2012

O Presépio da Casa de Santa Marta - Chaves

 

Se gosta de presépios, aproveite e visite o presépio da Casa de Santa Marta, pois está aberto ao público e as Irmãzinhas terão todo o gosto que o visite, e vale pena, pois não é um presépio qualquer, aliás, com a qualidade que já lhe conhecemos dos anos anteriores.




Efeitos de luz, imagens em movimento com todas as cenas da vida quotidiana, chaminés a deitar fumo, água corrente, panelas a ferver ao lume, o nascer do sol e o anoitecer, o dia e a noite, tudo isto está disponível para ver no presépio, acompanhado por  uma explicação áudio.




Se está cá por Chaves, não deixe de o visitar, na Casa de Santa Marta, Rua Alferes João Batista.



´
publicado por Fer.Ribeiro às 04:18
link do post | comentar | favorito
|  O que é?

Discursos Sobre a Cidade - Por Isabel Seixas

 

Maquilhagem de Natal


Chaves, passo por ti nas artérias da cidade e…Vejo-te maquilhada de forma exuberante como quem quer chamar a atenção e vender uma imagem de ilusão.


Sorrio e vejo sorrir, também gosto e desejo que consigas ,os teus intentos, de despertar também desejos de comprar o supérfluo, como prova constante de afeição…


Confesso, que nalguns dos teus recantos, prefiro o teu rosto ao natural, também pelo exagero, de base, que te puseram, mas, concedo que gostos não se discutem…


Surpreendo-me com os olhares nostálgicos e gulosos, nas montras, que os reflexos de  luz nos sinos  avé e santa Marias, um São José desprovido  de machismo(Que raro…) e uma auréola de embrulho celofane ,disfarçam, à mingua do enterro do subsidio de natal…


Anoitece e faz-se dia …,


Os jantares de confraternização, nos restaurantes do centro à periferia, são a expressão da união no espírito de sempre Natal  a querer saciar todas as fomes contidas


Tentas mostrar uma alegria vestida da luz ,não consegues e consegues  nem sempre nem nunca, o bacalhau já se fez saldo e foi uma correria, os cabazes  de natal parcos fazem-se alergia e hibernam num horizonte de  economia ,até…


As Freiras  são agora mais finas e  podemos  ver o garoto exposto  debruado a um  azul porto banhado do manto da mãe, ainda abatida pelo trabalho de parto, um Pai sempre absorto Ele lá saberá porquê…


E os amores perfeitos?!...


As palavras de ordem,  em cada rua  pairam na luz, Ofereça ofereça  ofereça…


Daí que …


Ofereço-te o meu amor incondicional…De prenda de Natal


Como Tu, Chaves, sigo o teu mudo conselho e ilumino e ativo o meu espirito de Natal,vou aproveitar a luz do dia  para te auferir ao natural e lembrar as referências que sempre foram Natal, vou-Te sonhar acordada , recordar todos os Natais voltar e voltar a amar quem amei e continuo a amar e vou –Te revisitar nos amigos que por aí encontrar  a passar o Natal…


Daqui de Valdanta à rua do Sol já sou também o meu pai e juntos até nos vapores da água termal desejo aos patronos bloguers ,leitores, comentadores /colaboradores


um Natal à medida de cada um, Contigo Chaves…


Natal como empatia…


 

Isabel Seixas



´
publicado por Fer.Ribeiro às 03:59
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Sábado, 22 de Dezembro de 2012

As montanhas, as minhas montanhas, as nossas montanhas

 

 

As montanhas também fazem parte das nossas vidas diárias, do nosso ser trasmontano, que tanto nos liberta quando nelas repousamos o olhar como nos oprime quando, minúsculos, nos reduzimos à nossa insignificância de ser terrestre e passageiro.



 

Seja como for cada um vive-as como quer ou pode e, cada um, vê-as com os olhares seletivos que a sensibilidade permite.




Eu, hoje, via-as assim. Certo que escondem muitas sombras, pois escondem, mas também é por trás delas que o sol nasce todos os dias.



´
publicado por Fer.Ribeiro às 04:08
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
|  O que é?
Quinta-feira, 20 de Dezembro de 2012

O Homem sem Memória (132) - Por João Madureira

 

O Homem Sem Memória

Texto de João Madureira

Blog terçOLHO 

Ficção

 

132 – O Aníbal “Goela Grande” era assim conhecido pelo simples facto de conseguir emborcar uma caneca de cerveja apenas de uma assentada. Quem espreitasse pelo vidro do recipiente bojudo podia observar a goela do Aníbal abrir-se e ficar da forma de um túnel do comboio enquanto engolia o líquido amarelado. Depois de engorgitar a cerveja dava sempre um arroto engraçado e de seguida fumava um cigarro. Pelo meio expelia sempre um peido com que pretendia alegrar o seu desempenho.


Era rapaz para beber cerveja como um bávaro e era até fisicamente parecido com eles, quase albino, vermelho de cara e barrigudo como uma burra prenha. Só não vestia calções porque infelizmente tinha pernas à Garrincha e também não usava suspensórios e chapéu a condizer porque eram adereços caros. Era também um homem de paz, o que num comunista parecia algo bizarro. Era, ainda, bom amigo, pachorrento e andava sempre bem-disposto e disponível para tudo, até para fazer a revolução, mesmo que a “puta da revolução revisionista”, como a classificava o Mário “Camões”, consistisse apenas em colar cartazes, pintar paredes e redigir comunicados que, bem vistas as coisas, ninguém lia, a não ser os próprios autores.


Enquanto o Graça e o José beberam dois finos cada, o Aníbal “Goela Grande” ingurgitou três canecas que acompanhou com dois pratos de marisco do Eusébio. Arrotou três vezes, deu três traques e fumou três cigarros. O pai do Aníbal, com um misto de ironia e verdade, disse que boa parte do que ganhava a vender cerveja, pratos de tremoços e amendoins era gasta para tapar o buraco da endémica sede do filho. Ele a ganhar dinheiro por um lado e o filho a bebê-lo e a mijá-lo por outro.


Depois de deixar o álcool produzir o seu efeito colateral, o Graça chegou ao que queria: convencer o José e o Aníbal a passarem o fim-de-semana ao serviço do Partido. O Aníbal sorriu e disse que talvez sim, já o José levou-se dos diabos. “Então agora não sou independente?”, perguntou. Ao que o Graça respondeu: “Isso é durante a semana e aqui em Névoa. O Partido necessita que os seus melhores quadros o sirvam a tempo inteiro. E tu és indispensável. Neste sábado temos de organizar um comício em Ribeira de Pena. Tu foste indicado para, em conjunto com os camaradas de Vila Real, decorares a sala e montares o sistema de som.” “Eu sozinho?” “Não, tu e o Aníbal.” “Mas o Aníbal só sabe beber canecas de cerveja.” “Olha que não. Também sou bom a beber finos e até a beberricar cerveja pela garrafa”, contrapôs o “Goela Grande”. “Não sejas reacionário”, avisou-o o Graça. “O Aníbal é um bom condutor e uma excelente companhia.” “É disso mesmo que estou a precisar, da companhia de uma esponja”, rematou o José.


O Aníbal riu-se. O Graça sorriu e o José amuou. “Não posso negar-me?”, perguntou o José. “Não convém. Com a ficha partidária que tens, o melhor é cumprires com as indicações do coletivo.”


Sábado de manhãzinha, o Aníbal foi buscar o José a casa e, numa velocidade hesitante, pois o Volkswagen do camarada Marcelino não dava para mais, puseram rodas a caminho. Chegaram a Ribeira de Pena por volta do meio-dia. Os camaradas de Vila Real ainda não tinham chegado. Gente importante faz-se sempre esperar. Foram até um bar e pediram de beber e de comer. Enquanto o José ingeriu dois finos e comeu um prego, o camarada Aníbal enfunilou três canecas e outros tantos pregos no pão. Arrotou três vezes e fumou três cigarros. No fim, um pouco mais a modinho, deu um terno de peidos. “Porco”, acusou-o o José. “Gases”, respondeu o Aníbal. “E com os gases não se brinca. Temos de lhes dar a liberdade que requerem. O meu médico disse que não os devemos reter. Faz muito mal à saúde.”


Eram cerca das três horas da tarde quando chegou a brigada de Vila Real. Quando olharam para o José nem o reconheceram. A sua toilete de independente era um disfarce com sucesso. O camarada mais graduado da brigada disse-lhe: “Pareces um verdadeiro independente.” Ao que o José respondeu: “É o que agora sou.”


Ainda antes de irem buscar as chaves da sala, o chefe da brigada de Vila Real propôs que fossem comer e beber qualquer coisa, pois os camaradas estavam quase em jejum. Tinham passado quase a noite toda a revolucionar a sua cidade, enchendo-a de cartazes e de palavras de ordem pintadas na parede.


O Aníbal aceitou de imediato. O José, a princípio, resolveu fazer-se esquerdo, desculpando-se que ele e o Aníbal já tinham comido e bebido que chegasse, mas depois alinhou.


Como se por acaso, o elemento feminino da brigada até tinha os seus encantos. Por isso havia algo em que pôr os olhos para ajudar a passar o tempo.


Estavam eles a terminar o segundo fino e o primeiro prego no pão com mostarda e já o Aníbal fumava o seu terceiro cigarro depois de ter engorgitado a sua terceira caneca, devorado o seu terceiro prego no pão lambuzado de ketchup e arrotado três vezes. E mesmo na frente da camarada, peidou-se de novo com muito à vontade e com um sorriso marxista de Grouxo nos lábios carnudos. A camarada, ligeiramente enjoada, pois parece que não estava habituada àquelas amplas liberdades, acusou-o: “Porco.” E ele respondeu-lhe como era seu timbre. “São gases, menina.” “Camarada, se não te importas, camarada”, disse ela com toda a sua autoridade comunista. “Então: são gases camarada menina. E eu tenho permissão do meu médico para os libertar seja onde for. Sofro de flatulência”, rematou o Aníbal.


Quando saíram do bar repararam que a vila estava deserta. O que não era normal. Mas não lhe atribuíram nenhum significado especial. Descarregaram os materiais do carro, transportaram-nos para dentro do recinto e puseram-se a trabalhar. Quando se preparavam para distribuir e colar os cartazes pelo salão repararam que não tinham trazido a fita-cola. O chefe da brigada de Vila Real pediu então ao Aníbal, que estava sentado numa cadeira a ver como os outros camaradas trabalhavam, para ir ver se arranjava fita adesiva. “Num sábado à tarde?”, perguntou perplexo. Olhando de novo para o camarada que quase dormia na cadeira, o camarada chefe mudou de ideias. “Acho melhor ideia ir o José. O camarada Aníbal tem um aspeto estranho. Pode criar antipatia. Já o José, com a sua indumentária de independente, é rapaz para cumprir a tarefa com sucesso.”


E lá foi o José calcorrear as ruas da localidade com toda a paciência revolucionária de que era capaz. Pediu nos cafés e nos bares, mas todos lhe disseram que não com maus modos. Reparou que logo após explicar que a fita-cola era para ajudar a arranjar a sala para o comício do Partido Comunista que se ia realizar à noite, as pessoas alteravam a expressão do seu rosto como se tivessem engolido fel. Voltou para ao pé dos camaradas de mãos vazias. Alguém lembrou que apenas lhes restava uma possibilidade, recorrer à farmácia de serviço na vila. E lá foi ele. Desta vez, apesar das ruas desertas e das portas e janelas fechadas, começou a escutar palavras de ódio aos comunistas. Como não encontrava ninguém a quem perguntar onde era a farmácia, dirigiu-se ao posto da GNR. Lá dentro apenas encontrou o plantão de serviço que a seu pedido o informou, mas fê-lo com maus modos. O José tentou amenizar a antipatia informando-o que o seu pai era também guarda-republicano. Ele resmungou: “E o que faz o filho de um GNR com os comunistas? E ainda por cima cabeludo. O teu pai não te educou? Não sabes que os comunistas odeiam os militares da GNR? Se fosses meu filho esganava-te.”


O José virou-lhe as costas e foi-se embora. Na farmácia perguntaram-lhe quem era e o que fazia ali. Ele respondeu com a verdade, que era comunista e que estava ali para decorar a sala onde à noite se ia realizar um comício do seu Partido. Os empregados disseram-lhe que apenas tinham um rolo e que não lho podiam dispensar pois precisavam dele para as suas necessidades. E invetivaram-no com afirmações de que os comunistas eram gente ruim que roubava as terras e as casas às pessoas. Ele saiu da farmácia furibundo. Cá fora, apesar de não avistar vivalma, ouvia cada vez mais vozes que lhe chamavam cabeludo, degenerado e maricas, que lhe diziam para se ir embora, ele mais os seus compinchas, pois se não iam a bem teriam de ir a mal. Que Ribeira de Pena era terra de gente séria, pacata e respeitadora dos bons costumes e da velha tradição, por isso não gostavam de comunistas, que eram gente daninha e traiçoeira, que eram contra a igreja e que matavam os padres e os velhos. Que retiravam os filhos às pessoas. “Ladrões, assassinos”, eram palavras cada vez mais audíveis nas vozes que vinham de dentro das casas. Ao José não lhe restou outra solução que não fosse ir para junto dos seus e avisá-los que o ambiente se estava a tornar perigoso. 


133 – Quando José relatou o sucedido aos camaradas, eles ...

 

(continua)

´
publicado por Fer.Ribeiro às 05:10
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2012

A velha cidade de Chaves

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 02:26
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|  O que é?
Terça-feira, 18 de Dezembro de 2012

Intermitências

 

Um parágrafo

 

“O desafio é simples. Todos os dias da semana, escreva um parágrafo. Escreva o que lhe apetecer. Sem medo! Prometo que não o vou julgar.”


Segunda-feira. É incrível, é mesmo extraordinário, o poder ofensivo dos meios de comunicação social para perturbar o quotidiano das pessoas.


Hoje, enquanto bebo um café, um ecrã – esse omnipresente, qual Deus – atira-me uma notícia sobre a inauguração de um laboratório na Faculdade de Desporto da Universidade do Porto onde se poderá estudar qualquer movimento do corpo. O café continuaria a saber bem não fosse… uma declaração do pró-reitor: “Sem a multiplicidade de abordagens, ficaríamos reféns do unificador”. Feito. Fico com cara de fotocópia o resto do dia e, pior do que isso, com a certeza de que é maquinal.


Terça-feira. É incrível, é mesmo extraordinário, o poder estudado da literatura para perturbar o quotidiano das pessoas.


Hoje, enquanto fumo o último cigarro antes de largar a escravidão laboral, o meu olhar choca com o muro de um edifício em frente. O cigarro continuaria a saber bem não fosse… a frase lá escrita. “O verdadeiro sentido das coisas é não terem sentido nenhum”. Feito. Lá vai esta “fotocópia” a esvoaçar pelos ares até cair ao chão e ninguém reparar nela para a apanhar. E depois, não resisto a googlar a maldita frase, precisamente para lhe descobrir o sentido. Feito. O português Saramago ou como se constrói a liberdade de um descrente. O escritor José Saramago ou como se apanha a felicidade fingida de um cobarde: o Homem.


Quarta-feira. É incrível, é mesmo extraordinário, o poder reconfortante da religião para perturbar o quotidiano das pessoas.


Hoje, enquanto lanço um suspiro a olhar para o céu sem saber porquê, juro a pés juntos que não acredito no destino, mas não consigo deixar de culpar a sorte no que faz e acontece aos homens. Azares da vida.




Quinta-feira. É incrível, é mesmo extraordinário, o poder infligido da política para perturbar o quotidiano das pessoas.


Enquanto tento, em vão, a experiência de evitar um ecrã – esse omnipresente, qual Deus – no trabalho, na rua, em casa, no restaurante, na associação de futebol, acabo, mais uma vez e sempre, a render-me cordialmente, de olhar e pensamento interessado. Feito. Fico com gesto de marioneta o resto do dia e, pior do que isso, com a certeza de que é maquinal.


Sexta-feira. Nós, Deus, Pátria… Falta a família. É incrível, é mesmo extraordinário, esse poder absorvente.


Sempre que penso neles começo a suar. Mesmo a temperaturas negativas. Hoje, testei-me. Pus a minha mão em água gelada até conseguir aguentar. No início custou, mas quando comecei a pensar neles, esqueci-me da minha mão. Doía-me mais a alma que o gelo, mas senti-me bem em, por instantes, voltar a ter a companhia dos que um dia me deram sentido.


Sábado. Ser perfeitamente capaz e falhar. Saber tudo de cor e errar. Querer muito e não agir. Em momentos decisivos. Únicos. Quem passa ao lado do desafio, volta ao “unificador”. O seu caminho nunca será aquele, será outro. Talvez menos completo, talvez com mais sentido. Desconhecer e pensar: o fracasso pode levar à loucura.


Domingo. Odeio-o. A sua única missão é dizer aos outros como se devem comportar. Falar alivia, mas não me resolve. Escrever alivia, mas não me resolve. Apresenta as mesmas “abordagens” para os mesmos problemas e assim constrói um “unificador de sentidos” adaptado a todos. Pois então faça o que deve ser feito. Dê-me uma potente droga antidepressiva e finja que estou no bom caminho. Caso o meu julgamento esteja errado, reprograme o meu cérebro ou mude-me de planeta.


“Está de parabéns porque cumpriu a tarefa que lhe mandei. Como lhe disse, não o vou julgar, mas… não pode preocupar-se tanto com o que lhe acontece todos os dias. Não leve a vida tão a sério, deixe-se andar, tem que ser não é? Vou-lhe dar uns antidepressivos e vai ver que, ao abrandar o ritmo, começa a ver as coisas de outro modo…”

 

Sandra Pereira



´
publicado por Fer.Ribeiro às 12:09
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Segunda-feira, 17 de Dezembro de 2012

Quem conta um ponto...

 

Pérolas e diamantes (16): as doenças e a pobreza

 

Veio na capa dos jornais uma notícia que está a alarmar os médicos pelo que significa de retrocesso social. O número de crianças infetadas com tosse convulsa desde janeiro é seis vezes superior ao verificado no ano de 2011 e o maior dos últimos 23 anos. Até à passada semana, foram registados 189 casos e notificados três óbitos.

 

Se juntarmos a estes dados alarmantes doenças como a tuberculose e a fome que se vai estendendo pelo país, tudo indica que em cerca de ano e meio o nosso retrocesso social foi de décadas.

 

Eu ainda sou do tempo em que grassavam pelo país, além da tuberculose, doenças como a citada tosse convulsa, o garrotilho, o tétano, o sarampo, a rubéola e o raquitismo, que dizimavam milhares e milhares de crianças pobres, porque a pobreza era muita, a fome imensa e os cuidados básicos de saúde quase inexistentes. Os casais tinham imensos filhos mas apenas alguns conseguiam sobreviver até à idade adulta. Era a seleção natural a funcionar em todo o seu esplendor, como acontece entre os animais.

 

Estes são os primeiros sinais do que aí está para vir devido à política antissocial levada a cabo pelo governo de Pedro Passos Coelho e Vítor Gaspar.

 

Além da disseminação da pobreza e de uma nova proliferação de doenças erradicadas há décadas, este governo condena a nova geração de portugueses ao empobrecimento definitivo e ao desespero social.

 

Ou seja, a minha geração sabe que os filhos vão viver pior do que os pais, que, já por si, também não vivem bem. Ora isso gera um sentimento de falhanço pessoal a raiar o absurdo. Estamos em crer que se não houver perspetivas de futuro, até mesmo o presente está ameaçado pela convulsão e pelo caos social.

 

A título de exemplo, pode referir-se que as previsões do governo para o desemprego em 2013 correm o sério risco de ser ultrapassadas já em 2012. E no meio de todo este revisionismo histórico e social, Pedro Passos Coelho, deixando fugir a boca para o seu verdadeiro pensamento político ultraconservador, chegou a admitir uma espécie de “taxas moderadoras” na educação, tendo em vista regular o acesso obrigatório dos estudantes às escolas. Pois sabe que todos os estudantes do ensino obrigatório são iguais nos seus direitos, só que uns são mais iguais do que outros.

 

Claro que o primeiro-ministro foi de imediato desmentido pelo seu ministro da Educação, o que, pensamos, é caso único nos governos da democracia, mas isso apenas serve para demonstrar o desnorte absoluto que reina neste governo de triste figura. É o sinal trágico de mais uma pretendida reforma do Estado e ainda da total irresponsabilidade da forma como esta está a ser conduzida pelo governo do PSD e do CDS.

 

Na sua última entrevista televisiva, Pedro Passos Coelho disse para a entrevistadora: “Eu devo ter um problema de comunicação.” Nós pensamos que o problema do senhor primeiro-ministro não é com a comunicação. É, isso sim, com a verdade. E, porque não dizê-lo, com a realidade.

 

Vendo o país a afundar-se em recessão, não cede um milímetro na sua receita de austeridade, não se lhe ouve uma palavra relativa a incentivos ao crescimento, não se lhe conhece uma posição definida relativamente à possível valorização dos benefícios para Portugal do acordo celebrado entre a União Europeia e a Grécia e não admite erro no calamitoso caminho das Finanças. Este autoritarismo vai-nos sair caríssimo.

 

O primeiro-ministro, numa sua célebre frase, afirmou, a sorrir, que se tivesse de escolher entre o triunfo nas próximas eleições e o país, ele escolhia o país. Mas o que ele queria dizer é que se tiver de escolher entre a sua teimosia política e a realidade do país, ele escolhe definitivamente a sua teimosia.

 

Hoje, mais do que nunca em tempos de democracia, ou do que dela resta, a liberdade é coragem, a coragem que temos de ter para enfrentar este descalabro político que nos tocou em sorte. Nós queremos a nossa vida de volta. Nós queremos ter futuro.

 

João Madureira


´
publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
|  O que é?

.Fotos Fer.Ribeiro - Flickr

frproart's most interesting photos on Flickriver

.meu mail: blogchavesolhares@gmail.com

.Dezembro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9


19
20
21
22
23

24
25
26
27
28
29
30

31


.pesquisar

 
ouvir-radioClique no rádio para sintonizar

 

 

El Tiempo en Chaves

.Facebook

Fernando Ribeiro

Cria o teu cartão de visita Instagram

.subscrever feeds

.favorito

. Solar da família Montalvã...

.posts recentes

. De regresso à cidade com ...

. Quem conta um ponto...

. O Barroso aqui tão perto ...

. Fornos - Chaves - Portuga...

. O Factor Humano

. Chaves, cidade, concelho ...

. Chaves, cidade, concelho ...

. Chaves, cidade, concelho ...

. Nós, os homens

. ...

. SINCELOS - ESTÓRIAS DE CH...

. Quem conta um ponto...

. O Barroso aqui tão perto ...

. Fornelos - Chaves - Portu...

. Chaves, cidade, concelho ...

blogs SAPO

.Blog Chaves no Facebook

.Veja aqui o:

capa-livro-p-blog blog-logo

.Olhares de sempre

.links

.tags

. todas as tags

.arquivos

. Dezembro 2017

. Novembro 2017

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Agosto 2005

. Julho 2005

Add to Technorati Favorites