Quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2013

O Homem Sem Memória - 142

 

O Homem Sem Memória

Texto de João Madureira

Blog terçOLHO 

Ficção

 

142 - O texto do, ainda, para todos os efeitos, camarada pioneiro Miguel rezava assim (versão ortograficamente muito corrigida pelo camarada professor): Eu quando for grande quero continuar a lutar contra o camarada pioneiro João e contra o camarada pioneiro Luís – se é que esses dois são verdadeiros camaradas –, e ter do meu lado a camarada pioneira Lídia. Nada mais me interessa. Ou quase. Eu sei que nasci para lutar e vencer e também sei que eles os dois nasceram para lutar e perder. Mesmo com ajuda, como é o caso da atitude do camarada professor que sempre os escolhe para dirigir seja o que for nesta escola. O camarada professor, desculpe que lho diga, tem-lhes é medo. Não é bem medo deles mas sim dos seus pais. Eu até o compreendo, camarada professor, mas deixe que lhe diga que não aprecio a sua atitude. O camarada professor José pode até ter medo deles. Isso é lá consigo. Cada um tem os medos que merece e sabe as linhas com que se cose. Mas eu não tenho medo, nem deles, nem dos pais deles, nem dos avós deles, nem dos tios deles, nem dos primos deles. Eles são uns perdedores. E desde já lhe digo uma coisa, o socialismo nunca triunfará em Portugal se aqueles dois estiverem do lado da revolução. Porque eles, volto a repetir, são uns perdedores. E também porque eu não gosto deles. Se eles estiverem do lado da revolução eu estarei do lado da reação e eles perderão e a revolução perderá e o camarada professor José também perderá se estiver do seu lado. Fuja deles, camarada professor, pois ao seu lado só lhe resta a derrota, a vergonha e o fuzilamento. Para lhe ser simpático, até porque o camarada professor José é simpático para comigo, pelo menos quando os camaradas pioneiros João e Luís – se é que esses dois são verdadeiros camaradas –, não estão por perto, eu até gostava de estar do lado das tropas revolucionárias, mas isso apenas no caso dos camaradas pioneiros Luís e João – se é que esses dois são verdadeiros camaradas –, estarem do lado oposto. Mas como sei que isso é praticamente impossível, só vislumbro uma saída: o triunfo da reação e a derrota do Partido Comunista. Não há outra saída, pois eles são uns perdedores. Comigo perdem sempre. E em tudo. Até no jogo de ver quem mija mais alto ou mais distante. Eu apenas me rio e olho para eles. Eles limitam-se a ir para longe de mim chorar. Eles choram muito. E quase sempre de raiva. A mim têm-me uma raiva de morte. Eles tentam todos os jogos para ver se me vencem. Além de tentarem a artimanha de cá na escola me porem do lado da reação para o camarada professor me obrigar a perder. Eles utilizam as mais variadas estratégias para me iludirem, pensando que, por eu ser filho de um trolha, me enganam. Mas são eles que se enganam. Porque o meu pai pode ser trolha, mas eu não sou. O meu pai pode ser burro, mas eu não sou. O meu pai pode ser bêbado, mas eu não sou. O meu pai pode ser comunista mas eu não… O meu pai pode bater na minha mãe e tratá-la mal, mas eu não bato nem trato mal a Lídia. O meu pai pode ser vencido nas discussões políticas e partidárias, mas eu nunca perco uma discussão, seja ela política, futebolística ou lá o que for. Quando me faltam os argumentos, olho bem nos olhos do adversário e digo-lhe que ou se cala ou lhe vou aos cornos. Se for avisado, normalmente cala-se, se não for pior para ele pois é certo e sabido que vai parar ao hospital para tratar dos ferimentos. Os camaradas pioneiros João e Luís – se é que esses dois são verdadeiros camaradas –, já tentaram várias artimanhas para ver se me davam a volta. Já me colocaram de chefe índio e eles de soldados do Sétimo de Cavalaria e perderam. Já me colocaram de cobói ladrão de gado com a cabeça a prémio e foram eles que foram parar à cadeia e depois à forca. E só não os enforquei num pinheiro alto porque a camarada pioneira Lídia mo implorou banhada em lágrimas. Ela que raramente chora. A camarada pioneira disse-me que me dava tudo o que eu quisesse. E eu perguntei: “Tudo, tudo?” Ela disse que sim. “Mas tudo, tudo mesmo?”, insisti na pergunta. Ela disse que sim pela segunda vez. Então dei-lhe um beijo e a camarada pioneira Lídia disse-me que o resto ficava para depois. Eu, um pouco a contragosto, concordei. E concordei porque gosto dela e sei que ela cumpre as promessas. Eles, os tais camaradas pioneiros perdedores, ainda tentaram uma outra estratégia, esta bem malvada, a de me porem do lado dos nazis. Eu, para lhes provar que lhes ganho sempre independentemente do lado em que esteja, aceitei o desaforo. E o desafio. Mas, mesmo contra a minha vontade, voltei a ganhar-lhes. O instinto foi mais forte que a inteligência. Esta foi a vez que mais me custou. Ou melhor, esta foi a única vez em que não senti orgulho em vencê-los. Mas fiz das tripas coração e venci-os como sempre. Cada um é para o que nasce. E eu nasci para lutar contra os camaradas pioneiros João e Luís – se é que esses dois são verdadeiros camaradas –, e vencê-los indefinidamente. Eles experimentaram mesmo o xadrez, mas nem nisso me venceram. Camarada professor José, antes de terminar este texto, vou-lhe contar um segredo: hoje é o último dia que venho à escola de pioneiros, pois o meu pai vai sair do Partido. Vai inscrever-se no verdadeiro Partido Comunista: o Reconstruído. Um partido com muitos menos militantes mas com muito mais fundamento. Eles detestam os revisionistas, chamam-lhes até sociais-fascistas. O meu pai foi convidado para dirigente da classe operária. Ele aqui no Partido é apenas um militante de base. É apenas mais um operário. Lá vai ser dirigente. Foi para isso que foi convidado: para dirigir a classe operária de Névoa e arredores. Esse tal Partido Comunista Reconstruido é pequenino, quase com o mesmo número de militantes pioneiros que existem nesta escola. Mas tamanho não é qualidade. A maioria são estudantes, acompanhados por meia dúzia de professores, um bancário e agora um trolha, o meu pai, que é a modos como um dirigente proletário de raiz operária e camponesa, pois os meus avós são agricultores pobres como Jó, mas o meu pai já chegou a trolha de primeira. A minha mãe disse ao meu pai que o que eles querem é gozar com ele, pois não entende, nem acredita, que os filhos dos burgueses de Névoa sejam comunistas, reconstruídos ou não, e muito menos que o queiram para dirigente. “Eles querem é gozar contigo, como gozam no Jardim das Freiras com os bêbados e os tresloucados”, disse-lhe ontem à noite a minha mãe antes de se ir deitar para não levar um par de bofetadas, pois o meu pai já estava tão bêbado que não conseguia levantar-se do banco, se não tombava no chão como um saco de batatas. O meu pai contou-me então o que lhe estou agora a contar, mas disse-me para guardar segredo. Mas eu ao camarada professor José não tenho receio em lhe contar o que lhe estou a contar pois sei que é de confiança e um homem de palavra, tal e qual a camarada Lídia. Agora posso finalmente dar largas ao meu instinto ganhador sem problemas ideológicos. Não é que isso me interesse, mas a partir de amanhã vou poder ganhar aos camaradas pioneiros revisionistas e sociais-fascistas do lado da revolução e dos verdadeiros revolucionários. Esses camaradas pioneiros merdosos, e medrosos, que se cuidem. O camarada Miguel Che Guevara Estaline vai fazer a revolução total contra os traidores revisionistas e sociais-fascistas ao lado dos comunistas reconstruídos, os verdadeiros defensores da classe operária. Eu até pensei em convidar a Lídia a entrar na clandestinidade e a inscrever-se no Partido Comunista Reconstruído, mas ela disse-me que não podia. Os seus pais iam morrer de desgosto e de vergonha. Eu não insisti. Gostar de uma pessoa tem destas coisas: o respeito. Pensei ainda em convidar o camarada professor José para dirigir a escola de pioneiros comunistas reconstruídos, mas logo desisti porque sei que a militância dos comunistas reconstruídos apenas possui um descendente, que sou eu. Espero que me perdoe, mas quando formos mais, eu vou à sua procura para lhe renovar o convite. Até lá, um grande abraço solidário. E solitário também. Não se esqueça que mais vale só que mal acompanhado.

 

143 – A escola de pioneiros acabou no dia seguinte. E, por incrível que possa parecer, ...

 

(Continua)

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 02:19
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2013

A minha imagem do nevão de hoje

De entre as muitas imagens possíveis do nevão que hoje vestiu Chaves de branco, a minha é esta:




 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 23:21
link do post | comentar | favorito
|  O que é?

Leituras de um olhar

 


Permanecer

 

 

Gratas,

Por não se ouvir o chilrear da roda

Ou do ferro a esmagar a pedra dura

 

Não por velhice, porque ainda há força

E, presentes, sustentamos que perdura


Fotografia de António Tedim, Texto de Paulo Chaves



´
publicado por Fer.Ribeiro às 03:14
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2013

Intermitências

 

O Extraordinário

 

Notícia de última hora: “…Após a explosão, ouviu-se como pedras a cair do céu, ou tiros. A terra tremeu (…) No momento em que o céu se abriu, um vento quente, como saído da boca de um canhão, soprou na aldeia…”. Este é o testemunho de uma das 1200 pessoas que ficaram feridas depois de um meteoro de 10 a 40 toneladas se ter desintegrado na atmosfera, despejando meteoritos na região dos Urais, na Rússia”.


Aconteceu alguma coisa num lugar. Sorte ou azar de quem lá estava. Sabiam eles que cada coisa está ligada a um lugar? Estariam lá se o soubessem? A maioria lamenta, diz que aconteceu alguma coisa extraordinária, mas não encaixou num lugar. É essa a preocupação que se transforma em culpa, depois em mágoa, e finalmente em desgosto.


Notícia de última hora : “É para muita gente uma visão de pesadelo a imagem captada por um jovem, que fotografou milhares de aranhas em levitação no ar em Santo Antonio da Platina, no sul do Brasil. Na verdade, estas espécies que costumam caçar insectos em grupo estavam suspensas em teias que armaram entre postes eléctricos e árvores no meio da rua”.


Aconteceu alguma coisa num lugar. Só isso basta para ser extraordinário. E se existem tantas coisas em tantos lugares, onde deve ser procurada a ligação entre ambos? Na busca da correspondência mais matematicamente harmoniosa, ou cientificamente milagrosa, a maioria desiste facilmente e insiste apenas na mesma coisa, ou no mesmo lugar. E depois lamenta, diz que aconteceu alguma coisa extraordinária, mas não encaixou num lugar. Ou diz que não aconteceu nada, mas que está no lugar certo, à espera do extraordinário. É essa a preocupação que se transforma em culpa, depois em mágoa, e finalmente em desgosto.


Notícia de última hora: “Vítima de uma patologia rara que danificou o centro de detecção do perigo no seu cérebro, uma mulher de 46 anos que nunca sentiu medo está a fascinar uma equipa de neurocientistas, que tenta o tudo por tudo para a assustar. Após várias tentativas, conseguiram finalmente fazê-la entrar em pânico ao administrar-lhe, através de uma máscara, um gaz com 35% de dióxido de carbono, uma taxa 900 vezes superior à da atmosfera. O acto de tentar retirar a máscara foi um instinto de sobrevivência que ela nunca tivera, nem mesmo quando foi ameaçada de morte com uma faca no pescoço”.




Aconteceu alguma coisa num lugar. Pode até nem ser nada de relevante. Se for extraordinário, é fácil identificar: ou fascina, ou assusta. Dois extremos, duas opções, aproximem-se ou afastem-se do perigo. Pior é ficar paralisado e deixar-se sufocar por essa coisa, por esse lugar. É essa a preocupação que se transforma em culpa, depois em mágoa, e finalmente em desgosto.


Notícia de última hora: “Bento XVI renuncia continuar a ser Papa e vai optar por uma vida de isolamento do mundo. Antes dele, quase 600 anos antes, só um Papa tinha renunciado ao poder e à autoridade máxima perante milhões de fiéis. O porta-voz do Vaticano não soube explicar ao certo como as pessoas devem passar a chamar o papa aposentado e também não sabe ainda como será a sua nova vestimenta: branca, usada por papas, vermelha, por cardeais, ou simplesmente preta, usada por padres”.


Aconteceu alguma coisa num lugar. O extraordinário é muitas vezes confundido com loucura. A maioria pensa que sim, que a paz só pode ser loucura. A maioria lamenta, diz que aconteceu alguma coisa, realmente extraordinária, mas não encaixou num lugar decente. No fundo, todos sabem, o extraordinário acaba sempre em dois extremos, a ilusão ou a cobardia. Falsamente inocente, a maioria diz que ainda acredita, que haverá um lugar onde, misteriosamente interligados, acontecerá uma coisa extraordinária, ambos em perfeita sintonia com o que se espera deste mundo. É indiferente que esse lugar seja vasto ou longínquo, próximo ou permanente. O problema é sempre o mesmo: nós, a maioria.

 

Sandra Pereira

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 03:45
link do post | comentar | favorito
|  O que é?

Uma imagem

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 03:40
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2013

Quem conta um ponto...

 

Pérolas e diamantes (26): obsessões

 

 

Enquanto fotografo a Rua Direita, situada bem no centro da minha cidade em ruínas, fixo-me no meu rosto refletido nos vidros das montras das lojas vazias e abandonadas e reparo na minha cara triste e magoada. Penso: Tenho a cara de feição com os tempos que correm. E tento sorrir, mas até o sorriso me sai triste.

 

Penso de seguida, e por um momento, nos homens que dizem que a governam e fico impressionado com tanta palavra vã e com tanto sorriso tonto. Eu sei que o hábito faz o monge, que a sela faz o cavalo, mas não sei se um fato e uma ambição desmedida fazem um bom presidente de câmara.

 

Obsessões, dirão uns, mas eu contraponho que não é por uma mentira ser muitas vezes repetida que passa a ser verdade. E o alardeado progresso dos últimos dez anos de gestão autárquica não passa disso mesmo, de uma mentira constantemente repetida, por muito que se afirme o contrário.

 

E os argumentos que se invocam são tão desfasados da realidade que chegam a ser confrangedores. E olhem que não é por evidenciarem um simplismo aflitivo. Não. O problema está mesmo na sua total falta à verdade. É claro que, como muito bem lembra António Aleixo: «P'ra mentira ser segura / e atingir profundidade / tem de trazer à mistura / qualquer coisa de verdade.»

 

Se tivessem existido políticas de desenvolvimento e progresso, o coração da nossa cidade não estava a cair aos pedaços, o hospital não se tinha transformado num mero centro de saúde, o tribunal não se tinha transfigurado num “juízo de paz” para brincar à justiça, nem os nossos jovens tinham rumado a outras terras à procura de um futuro que a sua lhe nega.

 

Sim, reconheço, essas são as minhas obsessões. Mas a maior é Chaves e a sua defesa intransigente. Essa é a minha obsessão de décadas. Por isso é que continuo a falar de coisas incómodas e de pessoas importantes. Importantes, é bom dizê-lo, no cargo que exercem, mas quase insignificantes na qualidade do seu desempenho.

 

Obsessivos são esses senhores que não querem largar o poder, que se agarram a ele como lapas, que utilizam todas as estratégias para calar e silenciar as vozes incómodas. Esses sim, são obsessivos e a sua obsessão destrói. Destrói casas, ruas, centros históricos, hospitais, tribunais e, o que ainda é mais grave, destrói o futuro e a esperança. Destrói a nossa juventude.

 

E fazem-no porque em vez de tentar compreender e dialogar com os cidadãos do seu concelho e de aproveitarem o saber dos mais capazes e sérios para defenderem a causa pública, são apenas bons a utilizar o trunfo de saber de cor o nome e a morada de todos os militantes e respetivos cônjuges e filhos, a quem, de vez em quando, fazem favores ou arranjam empregos para compensar a militância partidária. Por isso é que não existem na nossa terra associações ou instituições públicas que não sejam controladas por militantes, ou simpatizantes, do PSD. Uma mão chega, e sobra, para enumerar as honrosas exceções.

 

A política, para ser nobre e justa, tem de se basear na defesa de ideais e convicções e não ter um pé na demagogia e outro no arranjismo. Por isso é que os portugueses acham que quem vai para a política vai para fazer o mal e não para fazer o bem.

 

Eu ainda sou do tempo em que quando um homem tomava uma decisão nem duas juntas de bois o demoviam da sua intenção. E lembro-me bem que as pessoas lutavam por um argumento imparcial e não por um tacho ou prebendas. Antigamente os homens justos e honrados negavam-se a apanhar as migalhas que os poderosos, e os seus lacaios, lhes ofereciam. Preferiam passar fome. Podia faltar-lhes o pão, mas nunca lhes faltava a honra e a dignidade.

 

Atualmente tudo se compra e tudo se vende ao desbarato. Eu sei que a honra não se come e a palavra dada não alimenta ninguém, mas é triste ver o preço tão baixo da desonra e assistir aos saldos da palavra dada, dos princípios, da coerência e da honestidade. É triste e confrangedor.

 

Já me tentaram envergonhar pelos meus presumíveis excessos argumentativos em defesa de Chaves e das suas gentes, pelo meu idealismo, aconselhando-me a autocensura, ou a escrever sobre música. Mas eu não segui o conselho porque não consigo. Sou vítima dos princípios indomáveis com que fui criado. E também sei que aquela nossa tão conhecida capacidade de aguentar o inaguentável se volta inexoravelmente contra nós.

 

Eu milito no grupo dos que consideram que é preferível uma derrota a seguir à qual possamos eleger pessoas novas, do que uma vitória e manter os mesmos de ontem. E daqui não saio. O poder pelo poder é uma estupidez.

 

Para terminar, e com a vossa licença, não resisto a citar o Cântico Negro de José Régio: «"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces / Estendendo-me os braços, e seguros / De que seria bom que eu os ouvisse / Quando me dizem: "vem por aqui!" / Eu olho-os com olhos lassos, / (Há, nos olhos meus, ironias e cansaços) / E cruzo os braços, / E nunca vou por ali...»


João Madureira


´
publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
|  O que é?
Sábado, 23 de Fevereiro de 2013

Pecados e Picardias

 

Da diversidade

 

Dos ensaios

Da desfaçatez

PASSOS FIRMES

 

Passos firmes em direção ao futuro

Mãos dadas a abarcar pedaços de mundo

Todas as gerações empenhadas  a contribuir 

Na construção do presente que está a evoluir

 

Pressupostos de referência a vida  de todos... A anuência,

A matriz dos sonhos o respeito a cada um da sua  vivência

A beleza cimentada na certeza dos poderes  sem violência

O caminho no caminhar de cada um, em  suave  cadência

 

Riem-se uns de outros , riem-se outros de uns

Desfaçatez comum ,sem resultados nenhuns

Há um só querer horizonte de lugar oculto

Onde os encontros são ensaios breves,

Onde eu espero bem que me leves

 Para tirar a alegria do sepulcro

 

E aí, nós, simples mortais comuns de tão comuns

Somos os eleitos os tais dos bastidores como os demais

Que erigindo o mundo ficam sem louros nenhuns

 

Condenados ao anonimato rimo-nos do estrelato

Que alguns ousam ostentar como puro celibato

Em passos firmes vivemos a alegria de ser… Nós, em nós reais

 

 

Isabel Seixas



´
publicado por Fer.Ribeiro às 16:31
link do post | comentar | favorito
|  O que é?

Faiões - Chaves - Portugal

 

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 00:57
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Sexta-feira, 22 de Fevereiro de 2013

Discursos Sobre a Cidade - Por Francisco Chaves de Melo

 

 

A ciência, a ciência, a ciência... (4-10-1934)

 

A ciência, a ciência, a ciência...

Ah, como tudo é nulo e vão!

A pobreza da inteligência

Ante a riqueza da emoção!

 

Aquela mulher que trabalha

Como uma santa em sacrifício,

Com quanto esforço dado ralha!

Contra o pensar, que é o meu vício!

 

 A ciência! Como é pobre e nada!

Rico é o que alma dá e tem.

 

[...]

 

Poesias Inéditas (1930-1935). Fernando Pessoa. (Nota prévia de Jorge Nemésio.) Lisboa: Ática, 1955 (imp. 1990).

 

 

 

“Rico é o que a alma dá e tem” diz Pessoa. Diz bem, já que cada dia se nota mais que os atuais inquilinos da Câmara mostram menos vontade de dar e mais de receber.


Em primeiro lugar gostam de receber aplausos, ovações, elogios rasgados, honrarias, distinções e considerações mundanas. Não se nota agora que trabalhem com alma pelo bem de todos os flavienses independentemente da cor politica ou dos que lá vão ao beija-mão. (Claro está que quem vai ao beija-mão também não mostra desapego ou vontade de defender o bem comum. Mas, esses munícipes, têm a minha compreensão. Não foram eleitos para defender os interesses coletivos, pelo que, fazem bem em defender o seu interesse individual ou o dos seus filhos e netos.)


Diz-nos a ciência política que uma configuração clientelar da acção política amesquinha o cidadão, pois pode leva-lo a cuidar como legitimo mendigar favores e/ou empregos. (Nesta altura, que o Governo, em virtude das suas ações, gerou um desemprego de jovens acima do 40%, não se poderá estranhar que apareçam muitos na Câmara a dizer que também são do partido).


Em Chaves, nas várias instituições, haverá sinais de acção política clientelar?


Dizem-me que sim. Contam-se casos. Verdade? Mentira? Os flavienses saberão!

 

“O pensar, que é o meu vício”, permite-me encontrar indícios que, por vezes, mas nem sempre, estão para a ação política clientelar, como está o mel para um guloso.


“A riqueza da emoção” que atinge todos os que têm apego à cidade e ao concelho, ocasiona desabafos, palavras suspiradas e alívios. Desabafa-se que são sempre os mesmos, querem mandar em tudo: nos centros de saúde, nas associações e misericórdias, nas cooperativas, nas associações de jovens e na cruz vermelha, nas escolas, nos agrupamentos, nos imóveis públicos e serviços de emprego, na escola profissional, na de enfermagem, nas fundações, nos grupos culturais, nas escolas de música, nas associações de rega, nas de ciclistas, na de caminhantes e de amantes das motas, de pescadores, etc, etc, e tal. É uma tal voracidade (dizem!), que até parece fugir-lhes o mundo. Temo que também neste blog cobicem despachar ou, usando termos de outros tempos, usar o seu lápis azul. Sente-se uma pressão alta, talvez gerada na certeza de perder o controlo, o poder de mandar e desmandar.


Haverá aqui relação com os desassossegos de algum dos candidatos à Câmara nas próximas eleições? A mim não me parece.


“A ciência! Como é pobre e nada!”, como podem pensar que sabem fazer tudo, que podem conduzir todas as instituições da cidade! Se ao menos não conduzissem as finanças e os investimentos municipais para o abismo da dívida já fariam muito. Podiam mesmo até impedir que se pintassem edifícios históricos com cores aberrantes. Uma cor como a escolhida para o antigo Magistério. Foi a “Voz da Juventude” que, na sede, escolheu a cor?

 

Francisco Chaves de Melo



´
publicado por Fer.Ribeiro às 00:38
link do post | comentar | favorito
|  O que é?

Ruas dos Gatos - Chaves - Portugal

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 00:35
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|  O que é?
Quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2013

O Homem Sem Memória - 141

 

O Homem Sem Memória

Texto de João Madureira

Blog terçOLHO 

Ficção

 

141 – O texto da camarada pioneira Lídia rezava assim (versão pouco corrigida pelo camarada professor): Eu quando for grande quero ser homem. Um homem honesto, corajoso, valente e comunista para poder um dia suceder ao camarada Alberto Punhal, pois se for mulher nunca o conseguirei fazer. Ninguém conhece uma mulher que seja, ou tivesse sido, secretária-geral de um partido comunista, ou coisa do estilo. Os meus pais dizem que se eu aproveitar bem a escola dos pioneiros e de seguida fizer o mesmo com a escola do Partido, poderei vir a ser uma grande dirigente proletária, ou melhor, do partido comunista, que é a vanguarda esclarecida da classe operária, e o elo de união entre o proletariado e o campesinato, não esquecendo os intelectuais, os verdadeiros, não as suas imitações de direita. Nisso o meu pai, o Batista Bastos e o Sartre têm toda a razão: um verdadeiro intelectual só pode ser de esquerda. Não há intelectuais de direita. Pelo menos verdadeiros. Assim como não há mulheres secretárias-gerais comunistas. Também não conheço camponeses secretários-gerais. Secretários-gerais apenas os há intelectuais ou coisa parecida, mas todos eles intelectuais que na altura certa foram adotados pela classe operária, como é o caso do camarada Alberto Punhal. Apesar de intelectual, é o filho adotivo da classe operária mais sincero e verdadeiro que se conhece. Até lhe chamam o camarada de Cristal. Mas o camarada não é como o cristal de que são feitos os copos, esse parte, esfrangalha-se todo se for tocado por um objeto contundente, ou cair ao chão. O cristal de que é feito o camarada Punhal é de quartzo puro e duro, mas mesmo assim transparente. Um dia perguntei ao meu pai se um filho adotivo não é menos do que um filho natural. Ele atrapalhou-se pois primeiro disse que sim e depois, quando lhe lembrei o caso do camarada Alberto Punhal, afirmou que não, que eram coisas diferentes, mas que mesmo assim eram iguais em condição e direitos. E até no resto. Mas também me lembrou que a adoção do camarada Alberto Punhal, por parte da classe operária, é uma figura de estilo, uma metáfora, no que concordei porque reconheço que o camarada secretário-geral tem boa figura e evidencia, apesar da sua sobriedade cristalina de revolucionário, um lindo estilo. Talvez uma metáfora nunca tenha sido tão bem empregue como no caso do camarada Alberto Punhal ter sido adotado pela classe operária. Nunca essa querida mãe fez uma escolha tão eficaz, ou, dito de outra maneira, nunca um filho adotivo se sentiu tão cómodo na sua família de adoção. Ou vice-versa. Agora já me confundi um pouco camarada professor, mas o senhor pode corrigir o que por bem entender, sem, claro, alterar o sentido do texto. Na forma pode tocar, já no conteúdo não lho aconselho, pois é sagrado. Bem, sagrado é uma forma de dizer, pois não há nada sagrado no comunismo, nem nos textos comunistas ou escrito por comunistas. Mas eu sei que o camarada professor entende o que quero dizer. Para bom entendedor meio conteúdo basta. Pois, como ia dizendo, quando for grande quero ser homem para poder aspirar a ocupar o cargo de máxima dirigente da classe operária, do proletariado, do campesinato e dos intelectuais, dos verdadeiros, e esses são todos comunistas, mas acho que já me estou a repetir. Se for esse o caso, o camarada professor pode riscar o que estiver a mais, mas não abuse, nem se engane, pois se assim for passa a ser censura e a censura é uma coisa fascista. Eu sei que os camaradas pioneiros João e Luís aspiram também a ocupar o cargo de secretário-geral. Não é que me tenham dito isso, eu é que os escutei quando estavam a brincar aos congressos e se faziam passar pelo camarada Punhal. Faziam-no à vez, mas sempre com muita intenção e segurança. Até empoaram o cabelo com pó de giz do quadro para ficarem parecidos. Quando um fazia de Alberto Punhal, o outro agia como Fidel Castro e vice-versa. E depois riam-se muito e batiam nas costas um do outro como se fossem muito amigos. E repetiam muitas vezes palavras de circunstância: “Então como vai o camarada Punhal? Então como passa o camarada Fidel? Eu vou bem. Eu também tenho passado muito bem. E como vai a revolução em Cuba? E como vai a revolução em Portugal? Vai bem. Por aqui também vai indo. O camarada é um grande dirigente da classe operária. O camarada também. O camarada é o maior e mais digno dirigente da classe operária. Não, o camarada é que é. E não, o camarada é que é. E não, o camarada é que é. E… etc.” E depois riam-se muito enquanto olhavam para os lados com olhinhos de agentes do KGB não fosse o camarada pioneiro Miguel aparecer e dar-lhes cabo da brincadeira, ou do sonho. Estou em crer que se os operários portugueses forem todos da têmpera do camarada pioneiro Miguel, os camaradas pioneiros Luís e João só chegarão a secretários-gerais quando as galinhas tiverem dentes. Já comigo é outra conversa. Para ser sincera, quem me meteu na cabeça a ideia de ser secretária-geral foi o camarada pioneiro Miguel, pois detesta tanto os camaradas pioneiros João e Luís que é muito capaz de fazer uma contrarrevolução só para os destituir do cargo, a bem ou a mal. Ele disse-me uma vez que a mim me apoia incondicionalmente para esse cargo. Eu respondi-lhe que as mulheres não são feitas para esses postos. Nunca o foram, nem nunca o serão. Eu, em troca, sugeri-lhe que ele sim podia aspirar vir a ser secretário-geral. Ao que ele me respondeu que burro como era para as letras, nunca chegaria a intelectual e como operário, ou coisa do estilo, nunca poderia aspirar a fazer frente aos camaradas pioneiros João e Luís. Voltou a insistir comigo para ser eu a fazer-lhes frente, mas eu repeti-lhe aquilo que já disse anteriormente. Foi então quando ele me contou que tinha ouvido falar em homens que fizeram uma operação para passarem a ser mulheres. O que o levou a depreender que o contrário também é verdadeiro, por isso praticável. Eu fiquei um pouco perplexa. Mas se como hipótese teórica é uma possibilidade, então há que admiti-la. Eu ainda lhe perguntei se sabia da possibilidade de um processo inverso. Ou seja, fazer nova operação e voltar a ser mulher. Ele respondeu que não sabia, mas pensava que sim. Pois quem põe é capaz de tirar e quem tira também é capaz de pôr, ou algo pelo estilo. Para dizer a verdade, eu não sei se o que estou a escrever é uma possibilidade, mas como o camarada professor afirmou que num texto tudo é possível, eu aproveitei a ocasião para dar asas à minha imaginação, pois, como muito bem disse uma vez a minha mãe, a ocasião faz o ladrão, ou dito de outra forma, a ocasião traz a solução. No que foi mal interpretada pelo meu pai que exprimiu à minha mãe a sua preocupação lembrando-lhe que ainda era cedo para falar disso à “nossa” menina. Então a minha mãe perguntou-lhe “isso o quê?” e ele confirmou “disso, da menstruação”, ao que a minha mãe retorquiu “não sejas parvo e não te metas onde não és chamado”. Mas como estou em maré de dizer a verdade, toda a verdade e nada mais do que a verdade, aproveito para confessar, bem confessar, não, pois um pioneiro comunista não se confessa, apenas faz crítica e autocrítica, que eu para enfrentar os camaradas pioneiros Luís e João sou capaz de tudo, ou de quase tudo. Sinto que lá bem no fundo, esses dois camaradas pioneiros vão dar em dissidentes. Têm todo o aspeto de trotskistas. E quando um comunista se começa a parecer com um renegado, acaba sempre por ser como ele. E mais não digo porque se me acabaram as linhas da folha de papel e já estou as escrever nas margens e não sei se isso é permitido. 

 

142 - O texto do, ainda, para todos os efeitos...

 

(continua)

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 02:46
link do post | comentar | favorito
|  O que é?

Top Model, mais uma...

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 02:12
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2013

Leituras de um olhar

 


Destino

 

O Homem não é um sonho perdido

tem a dor e a saudade

o canto e um destino

e uma voz na liberdade

 

Se a alma ainda não é nada

e a chama ateada não iluminou

Porém a escuridão é mais clara



Fotografia de António Tedim, Texto de Paulo Chaves



´
publicado por Fer.Ribeiro às 00:28
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2013

Reflexos Flavienses

 

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 03:05
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2013

Quem conta um ponto...

 

Pérolas e diamantes (25): porcos, suspeitos e capitais

 

 

Há pouco tempo deu-se na A1 um descarrilamento de porcos que provocou atrasos nos autocarros que levavam professores para uma manifestação em Lisboa. Os dirigentes sindicais, um pouco a sério e também um nadinha a brincar, levantaram suspeitas de que tantos porcos à solta na autoestrada talvez fosse uma nova arma do Governo contra a contestação dos tão mal amados, e vilipendiados, docentes portugueses.

 

De suspeitos, os porcos, que não os nossos governantes, passaram a vítimas. Pelo menos um foi filmado a levar um pontapé no traseiro por parte de um agente da GNR. Ora tal ato bárbaro fez com que as chefias da GNR se apressassem a condenar a conduta do agente da autoridade e anunciassem a abertura de um inquérito para investigar em que circunstâncias é que o pontapé ocorreu. O GNR vai ser ouvido em breve e, estamos em crer, o porco também. Os nossos governantes é que não, pois têm mais que fazer.

 

De facto, o suíno começa a ocupar o seu verdeiro lugar na nossa sociedade. Já chega de estigmatização de animal tão nobre. Nisso concordo com o Zeca, o protagonista do romance Porno Popeia de Reinaldo Moraes: “O Porco é o melhor amigo do homem, muito mais do que o cão e até do que o frango.”

 

E tanto assim é que Bruxelas impôs a Portugal novas regras que visam garantir o bem-estar dos suínos, propondo mesmo multas para os seus produtores. Essas novas regras visam garantir, por exemplo, a concretização dos, e passamos a citar, “contactos sociais” que as porcas estabelecem facilmente com os outros suínos, mas para as quais necessitam de “liberdade de movimentos e um ambiente variado”, e, continuamos a citar, para que conste, “deverá, portanto, ser proibido manter as porcas em confinamento rigoroso contínuo”.

 

Além de proibir o isolamento, Bruxelas impõe para cada animal espaços com as dimensões mínimas, que serão de 1,64 m2 para marrãs e de 2,25m2 para porcas, além de pavimento sólido com a respetiva drenagem.

 

E é bom que assim seja, pois ele, o nosso conhecido reco, como muito bem defende o Zeca, é o melhor amigo do homem. Pelo menos do homem transmontano. Por exemplo, em Montalegre, a Feira do Fumeiro, também conhecida como a romaria do São João das Chouriças, levou à capital barrosã cerca de 70 mil forasteiros que deixaram lá cerca de milhão e meio de euros. Por isso é que o presidente da Câmara fez um apelo aos jovens para que não emigrem e façam chouriças e outro fumeiro, porque dessa forma cria-se emprego e desenvolve-se a economia local e nacional.

 

Os enchidos, e o restante fumeiro de carne de porco, tornaram Vinhais na capital do fumeiro, Mirandela na capital da alheira, a Mealhada na capital do leitão, Montijo na capital do porco, Barrancos na capital do presunto e Ourique na capital do porco alentejano. Já agora, Chaves é a capital do quê?

 

Sabemos que Olhão é a capital do marisco, Santa Luzia é a capital do polvo, São Brás de Alportel é a capital da cortiça, Portimão é a capital da sardinha, Rogil é a capital da batata-doce, Moura é a capital do azeite alentejano, Estremoz é a capital do mármore, e Chaves, afinal, é a capital do quê? De que raio Chaves é capital?

 

Sabemos também que Bucelas é a capital do arinto, Almeirim é a capital da sopa de pedra, Cartaxo é a capital do vinho, Santarém é a capital do gótico, Bombarral é a capital da pera rocha, Peniche é a capital da onda, Óbidos é a capital do chocolate, Golegã é a capital do cavalo, Marvão é a capital da castanha, Caldas da Rainha é a capital da cerâmica e do comércio tradicional, Entroncamento é a capital do comboio, Ferreira do Zêzere é a capital do ovo, Marinha Grande é a capital do vidro, Alvaiázere é a capital do chícharo, Miranda do Corvo é a capital da chanfana, Lousã é a capital do livro e… Chaves é a capital do quê? De que raio Chaves é capital?

 

Sabemos ainda que Fundão é a capital da cereja, Vila Nova de Poiares é a capital universal da chanfana e do artesanato e da gastronomia, Montemor-o-Velho é a capital do arroz, Coimbra é a capital do saber português, Penacova é a capital da lampreia, Anadia é a capital do espumante, Linhares da Beira é a capital do parapente, Celorico da Beira é a capital do queijo da Serra, Armamar é a capital da maçã de montanha, São João da Madeira é a capital do calçado, Castelo de Paiva é a capital das águas bravas, Penafiel é a capital do vinho verde, Paredes é a capital do design, Paços de Ferreira é a capital do móvel, Felgueiras é a capital do calçado, Favaios é a capital do moscatel, Vila Nova de Famalicão é a capital do móvel antigo, Caldas das Taipas é a capital da cutelaria, Braga é a capital do barroco, Melgaço é a capital ibérica do rafting, Vila Pouca de Aguiar é a capital do granito, Valpaços é a capital do folar e… Chaves, meu Deus, é a capital de quê? De que raio Chaves é capital?

 

João Madureira

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|  O que é?

.Fotos Fer.Ribeiro - Flickr

frproart's most interesting photos on Flickriver

.meu mail: blogchavesolhares@gmail.com

.Julho 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9


27
28
29

30
31


.pesquisar

 
ouvir-radioClique no rádio para sintonizar

 

 

El Tiempo en Chaves

.Facebook

Fernando Ribeiro

Cria o teu cartão de visita Instagram

.subscrever feeds

.favorito

. Abobeleira em três imagen...

. Solar da família Montalvã...

.posts recentes

. Cidade de Chaves - Jardin...

. Ocasionais

. Chaves - Um olhar sobre o...

. Chaves D'Aurora

. Quem conta um ponto...

. De regresso à cidade

. O Barroso aqui tão perto ...

. Carregal - Chaves - Portu...

. Um olhar sobre a cidade, ...

. O Factor Humano

. Where’s Wally? ou a força...

. Ocasionais

. Mais um olhar sobre a nos...

. Têm costas e espreitam...

. Chaves D'Aurora

blogs SAPO

.Blog Chaves no Facebook

.Veja aqui o:

capa-livro-p-blog blog-logo

.Olhares de sempre

.links

.tags

. todas as tags

.arquivos

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Agosto 2005

. Julho 2005

Add to Technorati Favorites