Quarta-feira, 31 de Julho de 2013

Maravilhas de Chaves

 

Uma das vantagens da fotografia é o olhar seletivo e deixarmos nela só aquilo que queremos.



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Terça-feira, 30 de Julho de 2013

Intermitências

 

O Vício

 

Andava há dias à volta da máquina. Sabia que tinha arranjo, e continuava a tentar fazê-la rodar maquinalmente, durante horas e horas. A mulher não entendia porquê tanto empenho, tanto trabalho, tanta solidão, gastos numa insignificância. “Deita isso fora! Que vício!”, dizia. E ele respondia: “Somos todos viciados”.


A mulher inquietava-se com o vício. Mas ele, deixava-se corroer por ele. Como o amor.


Ela bem sabia que o amor não é tranquilo, não tem hora, não tem rotina, não tem regra, não fica para depois. É agora, é já, é prioridade, tudo mais passa para segundo plano. Ele tem razão. O amor: é este o vício dela. E é corrosivo.


Semanas depois, ele continuava à volta da máquina. A tentar fazê-la rodar maquinalmente, durante horas e horas. De insignificância, a máquina passara a ocupação principal de cada dia da vida dele. “Nunca te fartas disso? Não entendes que não tem arranjo e que já não há nada a fazer? Que vício!”, queixava-se a mulher. E ele respondia do mesmo modo: “Somos todos viciados”.


A mulher inquietava-se com o vício. Mas ele, deixava-se corroer por ele. Como o esquecimento.


Ela bem sabia que o esquecimento esconde vícios que não deixam avançar, mas que não se conseguem largar. Arranjam-se formas, meios, ocupações, distrações para não pensar em si próprio. Arriscam-se tentações e perigos. Inventam-se justificações, desgostos e dores. E no final, deixamo-nos minar: o vício torna-nos egoístas. Ele tem razão. O esquecimento: é também este o vício dela. E é corrosivo.


Fotografia de Sandra Pereira - Palácio da Pena, Sintra, Julho 2006


Meses depois, ele continuava à volta da máquina. A tentar fazê-la rodar maquinalmente, durante horas e horas. Não desistia, acreditava que a vontade de um homem era mais forte que a ordem natural das coisas. Mas a mulher ainda não percebera que ele se estava a testar a si próprio. “Larga isso de uma vez! Parece que essa máquina te enlouqueceu! Que vício!”, desesperava. E ele, sempre com a mesma resposta: “Somos todos viciados”.


A mulher inquietava-se com o vício. Mas ele, deixava-se corroer por ele. Como a mágoa.


Ela bem sabia que há dores insuperáveis, injustificadas, injustas, para as quais, tal como com a máquina, o arranjo pode durar um tempo infinito… Ele tem razão. A mágoa: é também este o vício dela. E é corrosivo.


Anos depois, ele continuava à volta da máquina. A tentar fazê-la rodar maquinalmente, durante horas e horas. De ocupação principal de cada dia, o arranjo da máquina passara a grande missão da vida dele.


Mas a mulher já não se inquietava com o vício, nem com o facto de ele se deixar corroer por ele.


Ela bem sabia que ele precisava de um vício contra a tentação de deixar-se a ele próprio sem arranjo. Ele tem razão. A falta de senso: é também este o vício dela. E é corrosivo.

 

Sandra Pereira


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Segunda-feira, 29 de Julho de 2013

Quem conta um ponto...

 

Pérolas e diamantes (48): o Tribunal de Chaves entre a farsa e a tragédia

 

 

A minha avó dizia-me muitas vezes: Nunca te esqueças que és transmontano, que vens de gente do campo, tanto do lado do teu pai como do lado da tua mãe. Os Madureiras e os Ferreiras são gente do campo, têm os seus defeitos, mas ninguém os convence a fazerem aquilo que não querem. Lá teimosos somos nós. Ninguém nos obriga a fazer uma coisa que não queremos. E se alguém não gostar, não tens de lhe dar explicações. Basta lembrar-lhes que não fazemos nada por obrigação. Eles hão de respeitar-te por isso.

 

Lembrei-me destas palavras após a leitura da declaração de voto da deputada do PSD, Manuela Tender, relativa à aprovação do novo mapa judiciário que desqualificou vergonhosamente o Tribunal de Chaves, tentando justificar o injustificável e ensaiando explicar o inexplicável. Mas os atos ficam sempre com quem os pratica.

 

A presidente da delegação da Ordem dos Advogados, Márcia Teixeira, curiosamente militante do mesmo partido da senhora deputada e também candidata nas mesmas listas do PSD à autarquia flaviense, afirmou numa reunião realizada há poucos dias que “o modelo de mapa judiciário preconizado não defende os interesses das populações do Alto Tâmega”.

 

Para Márcia Teixeira, os argumentos de Paula Teixeira da Cruz, curiosamente militante do PSD e ministra de um governo chefiado por um militante do PSD e apoiado incondicionalmente pelo mesmo partido, “são falsos”, sendo em tudo “idênticos aos da integração do Hospital de Chaves no CHTMAD, sabendo todos nós quanto perdemos com a ausência de serviços de qualidade e proximidade”.

 

Na sua perspetiva, esta medida visa ir mais longe, pois pensa ser o princípio para o fecho, “a médio prazo”, do Tribunal de Chaves. Isto perante o silêncio cúmplice das estruturas políticas dirigentes da organização local do seu partido e das manobras de diversão (tipo agarrem-me senão eu bato-lhe) do presidente em exercício da autarquia flaviense, o candidato António Cabeleira. Ele é doutro mundo.

 

Atrapalhada com os acontecimentos, e com o entorno da tragédia anunciada, esta militante do PSD local apela para que os políticos tomem medidas, pois, nas suas doutas palavras, “eles foram eleitos para defenderem os interesses dos cidadãos”.

 

Márcia Teixeira, num gesto de indignação, resolveu chamar os bois pelos nomes e por isso considerou, e passamos a citar, “um ato de traição a atitude da deputada do PSD eleita por Vila Real, e indicada por Chaves, Manuela Tender, que, num verdadeiro ato de traição aos flavienses, votou favoravelmente a proposta de lei.”

 

Mas, caros leitores, como se tudo isto fosse pouco, João Batista, o “ex”-presidente da Câmara de Chaves, e candidato a presidente da Assembleia Municipal de Chaves pelas listas do PSD, em jeito de farsa, veio para os jornais dizer que o Tribunal de Chaves mantém os quadros de Magistrados, pois a senhora Ministra garantiu-lhe que o TC manterá os quatro juízes e que o número de Oficiais de Justiça irá passar de 26 para 27. “Neste sentido”, avisa, “o Tribunal de Chaves, apesar de perder formalmente o título de Comarca, manterá os mesmos serviços, como anteriormente”.

 

Ora isto é brincar com as palavras e com a inteligência dos flavienses. O senhor “ex”-presidente quer fazer de nós parvos.

 

O ato da deputada Manuela Tender ficará para sempre associado à votação que determinou o triste desfecho para o Tribunal de Chaves, isto por mais justificações esfarrapadas que dê, por mais declarações de voto que faça e por mais disciplinas de voto que invoque.

 

Já as palavras do senhor “ex”-presidente João Batista ficarão para sempre inscritas no anedotário da nossa terra. 

 

Pelo meio foram até invocadas questões económicas e financeiras. Mas a Justiça, tal como a Saúde e a Educação, não tem preço.

 

A verdade é que o Tribunal de Chaves, apesar das inverdades do senhor “ex”-presidente João Batista, apenas vai ter competência para julgar ações cíveis até 50.000 € e, nos processos criminais, só poderão correr nele aqueles a que, dito de forma corrente, não corresponda uma pena superior a 5 anos de prisão.

 

Entretanto o poder autárquico nada fez, ou faz, e nem sequer se interessa minimamente em sensibilizar a população do concelho. E pior, os atuais autarcas, em vez de defenderem os interesses dos flavienses e da autarquia, colocaram-se, sem pudor algum, ao lado da lamentável e vergonhosa posição do governo.

 

Por outro lado, a oposição política nacional e local, também nada fez, a não ser proferir alguns lamentos, outros tantos desabafos e, ainda, serôdios comentários nas redes sociais.

 

É cada vez mais claro que a nossa cidade governada pelos partidos políticos, como os que nós conhecemos, é um desastre. É pura perda de tempo. E, sabemo-lo agora, mais do que nunca, é também uma perda de direitos. A alternância entre o PSD e o PS é o jogo do gato e do rato.

 

Precisamos de eleger uma autarquia que não tenha pejo em defender a nossa terra e os nossos direitos. Mesmo que para isso tenhamos de colocar de lado as simpatias partidárias ou, até, pessoais.

 

Quem tem de mandar em Chaves são os flavienses, não os mesquinhos interesses partidários.   A nossa terra tem de estar sempre primeiro. E quando uma disciplina de voto tem mais força do que os direitos inalienáveis de uma população inteira, a democracia transforma-se numa farsa.

 

João Madureira

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Domingo, 28 de Julho de 2013

Pecados e Picardias

 

Levanto-me… Tão só

 

Levanto-me como num cínico  sorriso

Onde a indiferença disfarça a raiva,

Deixas-me  Tão só alma, quando mais preciso

Onde estás? Procuro-te, sem que ninguém saiba

 

Nem vejo caminhos ,nem sei já caminhar

Não reconheço  vizinhos, todos nos fugimos

Metidos na concha tão só murmúrio e mar

Levanto-me como caio, sei bem que partimos

 

O meu olhar de  tão vago deixei ao deus dará

Levo o perdão é amargo  tão só, só será…

 levanto-me e dispo  as quedas do acaso

sepulto-as como  despeito fora de prazo

 

Levanto-me desperta como se fosse  dia

 tão só, eu o nosso  rasto e a nostalgia

 

 

 

Isabel Seixas in espólio

 

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Sábado, 27 de Julho de 2013

Roriz - Chaves - Trás-os-Montes - Portugal

 

Não é que eu seja muito dado a ver televisão, mas vejo, e como já há muito tempo que não mando no comando, vou vendo aquilo que me deixam ver. Há três ou quatro anos atrás, num reality show qualquer desses que estão na moda, andava por lá um pastor que até tinha certa piada e que numa das conversas com um dos parceiros, este afirmava que deveria ser bom andar pelas montanhas e transpor o cume para ver o que havia do outro lado, ao que o pastor rematou - « depois de uma montanha há sempre outra montanha». Não sei se as palavras eram bem estas, mas andavam mais ou menos por aí. Aqui em Trás-os-Montes é mesmo assim: depois de uma montanha há sempre outra montanha, um mar delas com ondas mais ou menos grandes que se vão perdendo na lonjura do horizonte, tantas que a nossa província nem se deveria chamar Trás-os-Montes, mas antes Entre-os-Montes, mas claro que já se adivinha que quem nomeou a nossa província foram os senhores de Lisboa e nós somos aqueles que ficamos atrás dos montes.




Mas somos transmontanos com muito gosto, habituados aos rigores do tempo de e todo o ambiente que nos rodeia somos rudes, foi assim que fomos temperados e, é talvez por essa razão que o povo transmontano triunfa sempre quando vai para além dos montes e são sempre grandes em tudo, no trabalho, nas artes e nas letras, em tudo que fazem e sabem fazer de tudo, até grandes marinheiros ou vigaristas se lhes dá para irem por aí e, até políticos – só é pena que a maioria destes últimos esqueçam o berço quando vão para o poder lisboeta.




E é por se falar em atrás dos montes e por entre os montes e montanhas que hoje deixo aqui imagens de uma aldeia rodeada e com vistas para elas ou para aquele que eu chamo de mar de montanhas. São imagens de Roriz desde onde as suas vistas alcançam quase toda a freguesia de S.Vicente da Raia, terras de Vinhais e terras galegas, pois as montanhas não conhecem fronteiras. Ficam um pouco dessas montanhas e dois pormenores da aldeia de Roriz onde a construção em granito ainda é rainha e senhora, mas com as maleitas do costume – maioritariamente velhas e abandonadas.



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Sexta-feira, 26 de Julho de 2013

Uma imagem

 

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Quinta-feira, 25 de Julho de 2013

O Homem Sem Memória - 163

 

O Homem Sem Memória

Texto de João Madureira

Blog terçOLHO 

Ficção

 

163 – Mas a revolução, essa amante que tudo nos rouba, até o amor e a razão, não se encontrava nem na outra esquina, nem nas que foi descobrindo pela cidade e pelo país fora. A revolução socialista era como uma sombra, que sempre nos acompanha mas à qual nunca conseguimos alcançar. E ele bem que a procurou. E fê-lo por vezes sozinho e outras vezes acompanhado. Bem ou mal, isso não interessa para o caso. O que sim importa é a intenção. E a sua intenção era generosa e perseverante quanto baste. Se todos os revolucionários fossem como o José, ela, a Revolução, além de triunfar em todo o lado, poderia passar a ser como a inauguração do paraíso na terra. E que inauguração. Era a modos como o sonho de Charlot no seu filme O Garoto, onde até os polícias se transformam em anjos voadores de asinhas brancas.


Começou a ler ainda mais do que aquilo que lia, sublinhando as passagens mais interessantes e anotando os pensamentos mais pertinentes, numa sebenta escolar. Não é que tivesse em mente tornar-se escritor, mas, como todos sabemos, o escritor faz-se de manias, de acasos e de ocasiões. Ninguém é escritor por vontade própria. Ser escritor acontece.


Lia e dormia de dia e vadiava à noite. Não abandonou as tarefas revolucionárias, mas deixou de lhes dedicar tanto tempo. Tornou-se evidente para todos, até para ele próprio, que a sua adesão à revolução estava refém de uma dúvida metódica e de uma desconfiança permanente. Ora, como todos sabemos, quem não tem certezas absolutas não pode ser um verdadeiro comunista. O marxismo-leninismo não admite dúvidas, nem incertezas, nem hesitações. Em plena revolução, revolucionário que hesita é revolucionário morto, ou pela reação ou pelo seu próprio exército. Por isso é que se diz que a revolução, quando se põe em marcha, é como um comboio que ninguém consegue travar.


O seu ciclo notívago fez-se na companhia do Joaquim, das bombas, e na do Pinto, da eletrónica. Os seus compinchas podiam não ser bons revolucionários, mas eram, com toda a certeza, excelentes companhias para as tainadas, para as caminhadas e para as conversas intermináveis. Tanto jogavam às cartas, como ouviam música, como faziam longos passeios até o sol raiar. Em Névoa, além dos cães vadios, somente três comunistas desiludidos faziam a ronda das pontes. Fizesse, frio ou calor, estivesse luar ou céu escuro, ou o nevoeiro submergisse a cidade com o seu manto de escuridão húmida e trágica.


Tanto falavam de coisas triviais como de assuntos sérios. Lembravam as suas brincadeiras de rapazes travessos, recordavam tempos de escola, namoradas verdadeiras ou fictícias, livros lidos e histórias do arco-da-velha. De rapazes que, quando se portavam mal, continuavam a levar bofetadas castigadoras dos seus falecidos pais; de raparigas que, em noites de luar, quando se atreviam a olhar para trás, viam fantasmas a correr e a voar na sua direção; de bêbados que mesmo às portas da morte pediam aos familiares para lhes trazerem garrafas de vinho, que ainda meadas teimavam em fugir do quarto pelas frinchas das portas; ou de lobos que acompanhavam sempre os homens mancos quando iam defecar ao monte. Todas as semanas percorriam a calçada romana de Névoa a São Lourenço invocando, na brincadeira, as almas dos soldados que por lá passaram antes e depois das batalhas. E urinaram nas encruzilhadas, nos cruzeiros das aldeias, pintaram paredes com palavras de ordem revolucionárias ou com frases estupidamente anarquistas.


Muitas da vezes, iam a meio da noite até à panificadora comprar pão fresco que comiam besuntado de manteiga que se derretia sozinha. E bebiam leite. E fumavam cigarros feitos com uma máquina de bolso propriedade do Joaquim, das bombas. E tossiam muito e até se engasgavam com o fumo forte do tabaco negro que compravam em Espanha. Por vezes tocavam nas campainhas das casas dos burgueses a altas horas da noite e, de seguida, punham-se em fuga como se fossem crianças travessas sem educação e sem pai, nem mãe, nem partido.


Desdenharam do Partido, do funcionário do Partido, dos camaradas do Partido e do jornal do Partido. Deixaram de ir às reuniões ordinárias da sua organização estudantil revolucionária, deixaram crescer a barba e o cabelo e passaram a usar botas alentejanas e calças de ganga coçadas como se fizessem parte de um grupo rock inglês ou americano.


Andaram nisto vários meses. Desistiram de estudar. Não sabiam o que pretendiam fazer na vida. Apenas o José teimava ainda em dizer que queria ir estudar para a universidade. Mas a mãe disse-lhe que a falta de dinheiro era um obstáculo difícil de ultrapassar.


Numa noite de intenso luar, enquanto fumavam cigarros mal feitos e jogavam uma lerpinha a feijões no Jardim das Freiras, veio-lhes à cabeça a peregrina ideia de que tinham de seguir o exemplo de Che Guevara e irem fazer a revolução para outro país, pois a portuguesa não deixava de se mover a passo de caracol. Depois de estudarem vários cenários, o Joaquim, das bombas, sugeriu que o melhor destino, por ser o mais exigente em termos de luta revolucionária, era Angola, pois era lá que se digladiavam as forças do capitalismo e do imperialismo contra as forças revolucionárias do socialismo científico. A ideia foi aceite de imediato.


Resolveram então que no dia seguinte tinham de ir até Vidago, ou às Pedras Salgadas, comprar aos retornados, que vivam nos hotéis, angolares para poderem rumar caras à pátria de Agostinho Neto com dinheiro para as primeiras despesas.


O José, porque não possuía tostão, teve de pedir à sua mãe dinheiro emprestado. Ela disse-lhe que deixasse de ser parvo, pois Angola estava em guerra civil. “Revolucionária”, lembrou-lhe o José. “Ou isso”, concordou a Dona Rosa. “Mas tal não invalida aquilo que te digo. Os pretos andam aos tiros uns aos outros e tu queres ir lá meter-te no meio? Não deves estar bom da cabeça. Agora que a nossa tropa veio embora porque Angola já não é nossa, tu queres ir para lá fazer a revolução? É isso? Tu queres ir morrer numa terra que não é tua, a defender aquilo que não é teu?” “A revolução é de todos”, lembrou-lhe, e bem, o José. “Ai isso é que não é”, respondeu-lhe a mãe. “Olha, minha não é com toda a certeza. Os pretos nem se governam, nem se deixam governar.” Ao que o José respondeu: “Isso é a adaptação de uma frase que um governador romano deu ao seu imperador quando este lhe perguntou como corriam as coisas na Lusitânia.” “Ai sim…” “Sim senhora, minha mãe. O governador terá dito: Lá na Lusitânia vive um povo que não se governa nem se deixa governar.” “Não me mintas. Olha que mentir é muito feio. Foi Salazar quem assim falou. Os comunistas ensinaram-te a mentir. Foi isso o que te ensinaram. Tu que quando dizias uma mentira até choravas… Valha-me Deus. Àquilo a que chegaste.” “Ó mãe…” “Ó mãe, não. Tu que foste o meu orgulho agora és o meu pecado e o meu pesadelo. Ficaste louco. Queres que eu te dê dinheiro para ires para Angola. Mas não dou. Era o que mais faltava. Preferia com esse dinheiro comprar uma pistola, matar-te, enterrar-te no nosso chão e depois matar-me a mim com o remorso e com o desgosto. Não me peças uma coisa dessas, José. Isso não.”


No dia seguinte, quando o trio reuniu, o Pinto, da eletrónica, já tinha desistido de tentar exportar a revolução para Angola com o argumento de que a sua mãe era viúva e que por isso não a podia deixar sozinha, pois era filho único. O Joaquim, das bombas, ainda lhe disse que ontem, aquando da decisão, é que tinha sido o tempo certo para se lembrar da sua mãe e da respetiva viuvez. Agora essa atitude podia pôr em causa a decisão do grupo. Lembrou então que a deliberação ainda podia ser levada a cabo, pois, do grupo, ainda restavam dois revolucionários firmes e decididos a rumarem caras a Angola para combater o imperialismo, o capitalismo e o racismo. Mas o José, a muito custo, lá teve de confessar, que também ele ia ter de desistir da ideia, pois a sua mãe tinha-se categoricamente recusado a emprestar-lhe dinheiro para adquirir angolares, mesmo que fosse ao preço da uva mijona, como era o caso.


O Joaquim, das bombas, olhou primeiramente para o Pinto, da eletrónica, e depois para o José, da Dona Rosa, e lamentou-se: “E eu que até já tinha solicitado ao Partido para pedir ao MPLA três autorizações de emigração em nosso nome. O que não irão pensar os camaradas angolanos destes três Guevaras de trazer por casa.”


Passaram toda a noite a andar de um lado para o outro. De Névoa para São Lourenço, de São Lourenço para Névoa. Novamente de Névoa para São Lourenço. E outra vez de São Lourenço para Névoa. E nem uma única palavra proferiram. 

 

164 – Foi sentado numa cadeira do FAOJ, ...

 

(continua)

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Quarta-feira, 24 de Julho de 2013

Madalena - Chaves - Portugal

 

É sempre com gosto que trago aqui a Madalena, por várias razões, mas a principal talvez seja mesmo por dar-lhe um bocadinho da atenção que merece, pois embora tenha uma vida muito própria e singular, comercialmente vocacionada para a ruralidade do concelho, tem também, talvez por essa mesma singularidade, sido sempre o parente pobre da cidade, como se a milenar ponte romana, em vez de unir apenas sirva para separar.




Parece que finalmente se recomeça a olhar para os seus espaços como espaços privilegiados para acolher algumas atividades. O TEF ensaiou no fim de semana passado aquilo que poderia acontecer todos os fins de semana – uma feira rural com o produtor genuíno a vender diretamente ao público. Poderão dizer que não teve grande adesão e parece que não teve. Faltou talvez toda uma máquina para fazer o trabalho de campo e a promoção (que existe para outros eventos bem menos interessantes)  e falta a tradição de no Jardim Público nada acontecer durante todo o ano, mas pode ser que no futuro apareçam ideias para animar um espaço que pede naturalmente para ser animado. Há que ter fé.



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Terça-feira, 23 de Julho de 2013

Pedra de Toque

 


A RUA DIREITA

 

 

Aprendi a subi-la muito jovem.

 

Nas deslocações à Matriz para a catequese.

 

E depois pouco mais tarde quando ia ao Zé Pequeno, lojinha instalada na esquina da Rua de Santa Maria Maior com a Travessa das Caldas.

 

Aí comprávamos rebuçados em busca do número da bola mas, entretanto, procurávamos os jogadores que com eles vinham e que adorávamos colecionar.

 

Um pouco mais à frente adquiria num estabelecimento onde atendiam duas senhoras vestidas de negro, mãe e filha, os rebuçados para a tosse que a minha mãe me encomendava. Os muito apreciados que ainda hoje se vendem, os rebuçados do Dr. Bayard.

 

A Rua Direita então era uma via comercial, próspera e diariamente muito frequentada, com especial incidência nos dias de feira.

 

Partindo do Arrabalde, torta como quase todas as Ruas Direitas do nosso país, findava como ainda hoje finda no amplo Largo do Anjo.

 

Os comerciantes aí estabelecidos em grande parte também moradores, vendiam toda a sorte de produtos.

 

Distintos advogados tinham seu escritório na Rua Direita. Lembro o Dr. Francisco Carneiro e os Dr.s Francisco e Domingos Costa Gomes.

 

Acompanhem-me na subida da velha artéria para saudarmos todos quantos aí labutavam ganhando com honradez as suas vidas.

 

Cumprimentaremos os que permanecem e lembraremos a memória de muitos que já desapareceram pedindo desde já desculpas por qualquer esquecimento.

 

O sr. António Joaquim dos Santos, depois o sr. José Mairos que recordo ainda a trabalhar como empregado do sr. Adolfo Pinto na Rua de Santo António, permaneceram durante décadas na esquina com o Arrabalde, vendendo fazendas, tecidos e confecções.

 

 

Do outro lado da rua o sr. Artur Freire comerciante de louças e faianças especializado também em artigos de caça e pesca. Era um homem inteligente e de fino sentido de humor.

 

Também no início da Rua a barbearia do Tótó Pinga, antes do sr. José Cândido, palco das grandes novidades da cidade e de acesas e entusiásticas tertúlias futebolísticas.

 

Com ela pegava a sapataria do sr. Alfredo Rodrigues, mais conhecido como sr. Alfredo das Curadoras, comerciante forte, próspero e muito respeitado.

 

Roupas e tecidos vendiam-se na Casa Pires, antiga loja do sr. Sebastião Pires, e na Casa Ramalho dirigida pela Maria e pelo seu irmão Zé, flavienses de alma e coração, gente simples, gente boa.

 

No Dias & Ferreira, loja provecta e prestigiada, transacionavam-se mercearias e ferragens.

 

Revisitemos as ourivesarias e relojoarias, um ramo com grande representatividade na Rua Direita.

 

Desde logo o sr. Marcolino, figura popular e carismática. Mais a cima o sr. Humberto, simpático, bonacheirão e grande amigo do meu pai. Em frente o sr. Laço, relojoeiro.

 

Depois duas casas com tradição e muito afamadas, a ourivesaria Castro e a ourivesaria Belchior.

 

 

 

Pegada a esta estava a barbearia Chic do sr. João Barbeiro, artista da tesoura e da navalha que fez escola.

 

O Domingos Valtelhas, vulgo o Domingos da Plastic, não podia passar sem uma menção. Figura da cidade, figura da Rua Direita, comerciante sui generis até na simpatia que gerava e a quem, com gosto, já dediquei crónica.

 

Uma especial referência para o sr. António Maria que chegou a possuir vários estabelecimentos na Rua. Conceituado vendia na sua principal loja, a retalho e por junto, uma vasta sorte de produtos, desde brinquedos a quinquilharias. Era também correspondente na cidade do Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa e da Agência de Seguros Tranquilidade.

 

 “Chaves & Magalhães”, firma afamada, localizada quase em frente à ourivesaria Castro, negociava mobílias e tinha nas traseiras oficina de marcenaria e carpintaria que ainda hoje funciona.

 

O Estanco defronte, vendia todas as marcas de tabaco. Dirigido pelo sr. Quintanilha, irmão do Almirante Quintanilha Dias, que foi ministro, era pai de um extraordinário artista de circo, o palhaço pobre Zeca, cujo sucesso foi enorme em Portugal tendo mais tarde actuado nas grandes pistas e palcos do mundo, nomeadamente no célebre circo de Moscovo.

 

O restaurante Central, também casa de petiscos, com entrada central pela Rua Direita e uma outra pela Rua da Cadeia, era ponto de encontro na noite de Chaves, no tempo em que a ceia a desoras era uma refeição apreciada.

 

O sr. José Dias a quem a cidade tratava pelo sr. José Fanhonha, era uma personalidade castiça que vendia e montava artigos elétricos e alugava aparelhagens sonoras que animavam no Estádio Municipal, o nosso Desportivo, tocavam nas festas e arraiais, bem como nas cálidas noites de Verão no “saudoso” Jardim Público. Dele contam-se muitos ditos e estórias carregadas de humor e brejeirice a que um dia voltarei.

 

Deixei para trás, por lapso, a pastelaria Sissi do sr. Arménio e a bonita Casa Alberto, estabelecimento de moda, sita no lugar onde outrora esteve a adega Mota Campos.

 

Não posso esquecer a papelaria Ana Maria (dantes Casa Antar) de que fui cliente e cuja proprietária e família me mereceram sempre muita estima e amizade. Era muito afreguesada nos anos 50 a 70.

 

O café Brasil no Largo do Pelourinho era poiso antes e depois da missa domingueira e aí se realizavam grandes jogatinas de dominó e de bilhar.

 

 

A Casa Guedes junto ao escritório do Dr. Domingos Costa Gomes (hoje do Dr. João Teixeira), está instalada no rés-do-chão de um dos edifícios mais belos da cidade (a casa das palmeiras). Ali também funcionou durante longos anos a Casa de Saúde do Dr. Mário Carneiro, onde nasceram alguns familiares meus, um ilustre clínico e grande impulsionador das nossas termas que ainda não mereceu a homenagem que lhe era devida. Uma injustiça a reparar.

 

Uma palavra para as funerárias igualmente junto ao pelourinho, que continuam a prestar os seus serviços.

 

Chegamos ao último troço da rua e queremos recordar a Pensão Amaral, propriedade de uma família estimada que laborou sempre com ótima clientela.

 

Mesmo ao lado a farmácia Costa Gomes de familiares (uma irmã) do ilustre Marechal Francisco Costa Gomes.

 

Nestes tempos em que a fotografia está na moda, o sr. Alberto Alves tem de ser deveras realçado, não só por ter sido exímio na sua arte mas igualmente pelo espólio que deixou sobre Chaves, cidade que amava.

 

Dirigiu a Foto Alves bem ao cimo da Rua Direita, quem sobe e aí também fotografou meia cidade.

 

 

No fim da rua do lado esquerdo a pensão Loureiro e na esquina a Casa Coutinho, um enorme estabelecimento de ferragens e artigos para a construção civil.

 

Depois… o Largo do Anjo, praça importante do burgo onde ainda hoje a Rua Direita desagua.

 

A maior parte das pessoas que aqui trabalhavam viviam nos prédios por cima das suas lojas ou estabelecimentos.

 

Mantinham fortes e sadias relações de amizade e boa vizinhança. Alguém que lá viveu contou-me que as portas estavam quase sempre abertas.

 

 

 

Dá tristeza ver hoje a Rua Direita com imensos prédios degradados e lojas fechadas quase ao abandono.

 

Os clientes faltam e os estabelecimentos vão encerrando.

 

Com trabalho, alguma imaginação e muito amor pela cidade pode ser possível reverter esta tendência.

 

Recordei neste escrito alguns comerciantes que permanecem e muitos outros que nos deixaram.

 

Flavienses de gema, gente honrada e bairrista que, no meu entender, merecem esta “fotografia”, esta singela homenagem.

 

António Roque

 

 

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Segunda-feira, 22 de Julho de 2013

Quem conta um ponto...

 

Pérolas e diamantes (47): os trinta dinheiros e o feitiço das laranjas

 

 

Tudo indica que a gente de Chaves aprecia os líderes políticos que colocam os afetos e os princípios à frente das conveniências. Pessoas que têm ideias, convicções e que, sobretudo, acreditam naquilo que fazem e por isso conseguem fazer os outros acreditar de que é possível construirmos um futuro melhor. E olhem que, nos tempos que correm, conseguir protagonizar a esperança não é tarefa para qualquer um.

 

Está provado que o que se espera de um líder político não são ideias baralhadas e um arrazoado de promessas que todos sabemos serem impossíveis de cumprir. O que todos exigimos é alguém com ideias claras, com convicções profundas, que transmita esperança e que ame a nossa terra tanto como o mais humilde e intrépido dos flavienses.

 

O poder autárquico instalado na nossa terra parece desprezar a inteligência dos flavienses. Daí as sucessivas tentativas de nos tentar ludibriar com promessas vãs e com obras irrealizáveis. Mas na política nunca se deve subestimar o pouco que aparentemente as pessoas sabem sobre a situação financeira das instituições públicas. 

 

Uma coisa todos sabemos, na sociedade existem sempre aqueles que se acobardam e aqueles que comandam. Daí a necessidade imperiosa de apoiarmos quem saiba exercer o poder, como ensinava Sócrates, de forma simples e humilde, nunca se cansando de procurar a “virtude e a sabedoria”.

 

Desde há muito tempo que nos habituámos a olhar Chaves, porque a temos no coração, na sua perspetiva sólida, enraizada, resplandecente, gloriosa, inatacável. O poder faz-se e desfaz-se, mas a cidade mantém-se.

 

Esta gestão autárquica do PSD faz-me lembrar os tempos em que comia em cantinas. Quando muitos de nós tentávamos questionar a qualidade da comida, as chefias respondiam-nos sempre que a comida ali servida constituía uma dieta equilibrada. De facto era equilibrada, mas entre o intragável e o impossível de comer.

 

Nunca, como hoje, a política autárquica esteve tão necessitada de clareza, humildade e afetos. Quem se deixa iludir pelo dinheiro, pelas promessas vãs e pela prepotência acaba definitivamente derrotado, mesmo pensando que triunfou. No livro de Camilo Castelo Branco, O Demónio do Ouro, São Francisco de Sales avisa: “O dinheiro pode ser um bom servidor, mas é sempre um mau senhor.”

 

Alguns dirigentes autárquicos, pensando que se estão a servir dele, para aliciar, por exemplo, presidentes de junta para as suas listas, estão já a ser seus escravos. O medo de perderem o poder leva-os a atitudes desesperadas e mesmo mesquinhas.

 

Em ata camarária de 18 de julho de 2013, a Câmara de Chaves (num gesto de aliciamento serôdio e deselegante a presidentes de junta, alguns dos quais abandonaram as suas cores partidárias anteriores para se candidatam agora pelo PSD), assinou um denominado “protocolo” (que mais não parece ser do que os trinta dinheiros pagos a Judas) com 11 juntas de freguesia no valor total de 187.973 euros.

 

Oito invocando como motivo “arruamentos”: Vilas Boas (10.000€), Cimo de Vila da Castanheira (15.000€), Calvão (10.000€), Santa Cruz/Trindade (45.000€), Santo Estevão (10.000€), Vilarelho (15.000€), Eiras (25.000€) e Redondelo (12.000€).

 

Um invocando como motivo “saneamento”: Outeiro Seco (23.000€); outro invocando como motivo “equipamento Centro de Dia”: Soutelo (7.973€); e um terceiro invocando como motivo

“abastecimento de água”: Arcossó (15.000€).

 

E assim pensam comprar consciências e boas vontades. A três meses das eleições, como se fossemos um pobre concelho da América Latina, onde ainda se compram votos por uma malga de caldo e um par de botas. Estes gestos definem bem o caráter e a honradez políticas destes senhores.

 

A Rainha Santa Isabel, em pleno janeiro, conseguiu fazer um milagre e transformar o pão, que levava no regaço para os pobres, em rosas, para descanso do seu rei e senhor. António Cabeleira pretende, passados tantos séculos, protagonizar o milagre das laranjas, transformando paralelos em votos. Mas talvez o pretendido milagre se transforme em feitiço e se vire contra o feiticeiro.

 

Até que lhe era bem feito.

 

João Madureira

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
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Uma imagem e um poema para reflexão

Estamos de regresso à cidade com o ânimo que os tempos permitem. Tempos quentes que a meteorologia quer fazer jus aos três meses de inferno que costuma reinar por esta terras, escaldantes no que respeita à vida política de quem tudo sabe menos aquilo que fazem,  e quase explosivos no que respeita à vida social. Não costumo ser dos que desistem e sempre acreditei que os caminhos foram feitos para andar, mas chegamos a uma altura em que o cansaço é tanto que chega a doer, principalmente quando se vê que ainda há gente que não se importa com nada.


Fica uma imagem daquelas que ainda dão algum consolo ver e depois, um poema de Brecht para reflexão, se é que ainda há capacidade para refletir…



 

Como eu não me importei com ninguém


Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.

Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

 

Bertold Brecht (1898-1956)



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publicado por Fer.Ribeiro às 00:26
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Domingo, 21 de Julho de 2013

Pecados e Picardias

 


Assédio Moral…


“Bem basta o pecado que Deus cometeu em replicar as nossas costelas sem consentimento informado e esclarecido e encetar o precedente que as mulheres só têm direito a metade da indignação, a uma liberdade com emancipação restrita, à ilusão de conceber sem a união sensorial dos pais, não consigo perdoar-lhe por mais que queira…”


“Sabes Isabel, ele insulta-nos, chama-nos burras e outros nomes que nem te digo, diz-nos que não temos homens em casa para nos acertar o passo, diz que só com um chicote marinho… E Nós, além de termos que continuar com um raciocínio claro para monitorizar o doente para a intervenção cirúrgica, preparar com rigor e administrar o tipo de anestesia e sedação temos de metabolizar a revolta pois não há quem nos ajude e se insurja”…


“ Sabes, só juntando-nos lá fora e dar-lhe cabo da “focinheira” era um favor que fazíamos às mulheres da família dele, poupando-lhes os constrangimentos de serem o desejo da raiva surda para que protagonizem as próximas vitimas, para o fazer sentir e elas não têm culpa, ou têm?”


“E depois quem são  alguns deles? Além de  envergonhar a dignidade da profissão conspurcando-a, envergonham os seus colegas homens e mulheres dignos profissionais e respeitadores dos outros profissionais da equipa, são pedantes inseguros e ditadores fascistas  cobardes que só se impõem com mulheres enfermeiras e assistentes operacionais, e escoam os orçamentos das instituições dormindo a maior parte do tempo, por isso é que “aguentam” 24 horas(???)!? Nem sequer têm idoneidade cientifica e técnica para nos avaliar, muito menos ética e deontologia sabemos nós muito mais de Medicina que eles de Enfermagem, esses alguns além de meros prescritores  e “entubadores” não servem para mais nada, se o bloco operatório fechar por falta de produtividade quero ver, estou revoltada sim tenho direito à indignação, não imaginas o sofrimento psicológico que me tem causado esse gerador de psicopatologia…

 

“Até porque Nós dada a diversidade de conhecimentos técnicos e científicos que temos podemos intervir em qualquer área de atuação após o tempo de integração consagrado, aliás vê-se quem precisa de ficar acordado nas instituições de saúde a cuidar dos doentes e a monitorizar as necessidades de chamar os outros técnicos dissociando com rigor e conhecimento o essencial do acessório, somos os únicos profissionais que substituímos todos os outros… Porque é que nos substimamos?!!!... Somos a maior classe profissional em número capacidade de resposta e diversidade de funções…”

 

“ A associação Portuguesa de apoio à vitima APAV costuma ser de uma eficácia digna de respeito consideração e admiração, denuncia o teu caso e os outros ajuda a construir uma sociedade digna dos nossos e das nossas filhas…”


“Sabes o que mais me choca? É a lata desses indivíduos…Sabes que nem se dignou a pedir desculpa às colegas… Além de não ter o direito de obrigar os doentes em situação de doença a assistir a episódios que lhes aumentam o stress e a dor, ainda não percebeu que quem lhe paga a eles são os cidadãos…”


-“Tenho tanta pena da mulher e dos filhos desses indivíduos …


-“Olha eu não. Tenho é “pena” das vítimas deles, também mulheres e filhas e esposas nomeadas para a reciclagem de resíduos emocionais tóxicos sem serem pagas por esse trabalho duro de sujo e ficarem expostas a fatores de risco de depressão e burnout no trabalho…“


- Porque nas instituições de saúde trabalham tantos indivíduos doentes e agressores psicológicos geradores de burnout?


É pecado sim senhor…

 

Mais ainda “porque a terra não é”Só” uma herança dos teus pais, mas sim um empréstimo dos teus filhos ”


Dignifiquemo-nos e usemos o nosso direito à indignação

Denunciem …

 

Bullying versus Mobbing: Investigações em Profissionais

Autores:PINTO -Pós-Graduação em Higiene e Segurança no Trabalho

DSARAIVA -Especialização em Enfermagem Médico-Cirúrgica  

Actualizado em Terça, 30 Novembro 1999 00:00Escrito por Nursing nº279Terça, 11 Setembro 2012 18:10

Artigo cedido pela Revista Nursing 

 

 

"Atualmente, as instituições revelam interesse sobre a qualidade de vida no trabalho, pelo que, a violência em contexto laboral é motivo de estudo"

 


“Relativamente ao efeito do mobbing sobre a saúde das vítimas, Piñuel y Zabala (2003) refere: efeitos cognitivos e hiper-reação psíquica: perdas de memória; sintomas psicossomáticos: pesadelos; dores abdominais; diarreias/colite; vómitos; náuseas; anorexia; isolamento; sintomas de alterações do sistema nervoso autónomo: dores no peito; sudorese; boca seca; palpitações; falta de ar; hipertensão arterial; sintomas de desgaste físico resultantes de stress prolongado: dores nas costas e nuca; dores musculares; distúrbios do sono: dificuldades para dormir; insónias; cansaço e debilidade: fadiga crónica; astenia; debilidade; desmaios e tremores.”

 

 

MOBBING EM ENFERMEIROS 

(…)

Carvalho (2007) realizou um estudo na Unidade Hospitalar de Bragança e refere que dos 70 enfermeiros inquiridos, 64 experimentaram pelo menos uma conduta de assédio. As condutas mais experimentadas foram: “interrupções quando fala” (73%), “críticas acerca do seu trabalho” (66%), “caluniam-no/a e falam nas suas costas” (53%), “criticam a sua vida privada” (50%) e “gritam-lhe ou repreendem-no em voz alta” (40%). 

Posteriormente, a mesma autora deu continuidade ao estudo tendo constituído uma amostra de 399 enfermeiros, a exercerem funções no Centro Hospitalar do Nordeste e Centro Hospitalar de Trás-os-montes e Alto Douro. Verificou que 89,5% dos enfermeiros experimentaram pelo menos uma conduta de mobbing, 75,1% mencionam que o “interrompem quando falam”, 67,5% mencionam que “criticam o seu trabalho”, 55,5% queixam-se que “os seus superiores não os deixam expressar ou dizer aquilo que têm para dizer”, 52,9% citam que os “caluniam e falam nas suas costas”, 48,2% expõem que “criticam a sua vida privada”, 42,3% apontam que “quando solicitam uma autorização para um seminário ou formação é-lhe negado”, entre outras (Carvalho, 2010).

(…)

 

Isabel Seixas



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publicado por Fer.Ribeiro às 17:25
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