12 anos
Quarta-feira, 30 de Abril de 2014

Chá de Urze com Flores de Torga - 34

 

Repouso

 

Era de sua natureza um tipo macambúzio., de olhos grandes e vidrados, boca rasgada e um espesso bigode a cair-lhe da cara. Fizera a morte de Celeiroz logo no ano das inspecções, dera a seguir cabo do Marinho com um tiro no vazio esquerdo, mas tudo se reduzira a uns meses de cadeia. Com medo, ninguém queria fazer prova contra ele, e a justiça, diante do desinteresse de todos, desinteressava-se também. Mal a mulher da primeira vítima se calou de gritar pelos montes fora, a bala contra o Marinho partiu de uma pistola de guerra que furava tábuas de solho a cinquenta passos. Mas nem assim as autoridades se resolveram a proceder. Depois de o terem à sombra algum tempo, a porta ferrada do calabouço de Carrazedo abriu-se e o Joaquim Lomba continuou a afligir a terra.

 

Quase não trabalhava, que ninguém o queria, nem a dias nem de empreitada. Possuía contudo qualquer coisa de seu, e, com um cacho que respigava na vinha deste ou daquele e um vintém que sempre recebia de uma ajuda que uma trovoada ou o aperto de uma malhada consentiam, ia vivendo. Mas era uma existência negra a que levava, sozinho, sujo, coberto da sombra do medo e da desconfiança dalgumas léguas em redor. Outros homens tinham matado em toda a região e a fama da sua crueldade corria mundo. Ninguém se esquecia do Basílio Antunes, que assassinara a frio o moleiro de Candedo, nem do Varela, que saltara em cima da barriga da mulher e dera cabo dela. Mas a fama do Lomba abrangia outros horizontes e amargava com outro travo. Falava-se dele e corria por todos um calafrio de pavor diferente dos medos conhecidos. É que trazia estampada no rosto a ferocidade. Ao primeiro relance, a gente via que ali andavam mortes passadas e mortes futuras. Acrescia que o Lomba conhecia isto. Mazombo, ensimesmado, a marca que sentia na cara dava-lhe uma tristeza funda, de revolta esganada. Em certas horas, uma humanidade estuante, larga, generosa, que também nele morava, queria mostrar-se à luz do sol. Mas o primeiro a quem dava os bons dias cortava-lhe aquela onda fraternal em bocados. A resposta vinha seca, esquiva, a estremar os caminhos. O semblante do Lomba cobria-se então da ferocidade velha e da raiva de agora; e tornava-se ainda mais soturno e sinistro.

 

Foi por uma coisa destas e num dia destes que liquidou o Adriano. Erguera-se cedo, comera um naco de pão, bebera um trago de aguardente, e lá ia ele ver a vida. Mas o Adriano, a primeira alma que encontrou, respondeu-lhe tão arredio, que não se teve:

 

- Olha lá, ó pedaço de asno, que mal te fiz eu?

 

O outro sentiu-se perdido.

 

- Nada. Que mal me havias de fazer? Era uma explicação e um apelo à concórdia. Desgraçadamente, o coração do Lomba estava cheio de fel.

 

- O que tu merecias era que te desse uma lição.

 

Apesar de o Lomba ser quem era, o Adriano sentiu-se na obrigação de defender os brios de homem. E, embora debilmente, lá tentou:

 

- Atreve-te, Atreve-te e verás... Ora o diabo!

 

Não foi preciso mais. O Lomba chegou-se ao pé dele, ergueu a roçadoira, e de um golpe só tirou-lhe uma rodela à cabeça.

 

Mas ainda desta vez o crime ficou impune. Não havia testemunhas, a família do Adriano teve medo de uma vingança, e o Lomba continuou a mortificar Mondrões.

 

Mas também ele sentia o peso daquela cruz. Como não podia matar o concelho inteiro, nem obrigar um por um os conhecidos a falarem-lhe na paz de Deus, o aguilhão da consciência não lhe dava tréguas. Em certas horas, empolgado pela força do mal, enchia-se do próprio ódio, e não ficava espaço para qualquer míngua. Noutras, porém, um vazio infinito, um desespero sem remédio, um abandono maior do que o das pedras, prefiguravam-lhe o inferno.

 

- Quero-me confessar, senhor Prior - acabou por pedir abruptamente na quaresma, depois de entrar de rompante na sacristia.

 

- Muito bem, Joaquim... - respondeu-lhe manso e humano o capelão. - Pode ser agora.

 

Foram ambos para um canto, o padre sentou-se, ele ajoelhou-se-lhe aos pés, e começaram.

 

- Já nem me lembro de nada...

 

- Não te aflijas. Vai fazendo e dizendo comigo...

 

O sinal da cruz foi menos mal, o mea culpa passou, vieram os primeiros mandamentos e chegaram por fim ao pior.

 

- Bem, eu matei o da Gertrudes, o Marinho... E também fui quem deu cabo do Adriano...

 

O prior não sabia outra coisa. Por isso manteve-se calmo e, apenas perguntou:

 

- Estás arrependido dos teus crimes e disposto a pedir perdão a quem desgraçaste?

 

Aqui a situação bulia com mundos complicados do Lomba. Tinha vindo para se libertar do abismo sobre o qual a sua negra alma vivia debruçada. E quando tudo parecia conseguido e a serenidade estável do planalto lhe acenava já sorridente, - a dura penitência de voltar à fundura do poço! E perdeu-se:

 

- Não, senhor Prior. Nem estou arrependido, nem vou pedir perdão a ninguém.

 

O padre suava. E depois de tirar o lenço tabaqueiro do bolso e de limpar a calva, voltou, sempre brando e conciliante:

 

- Mas assim não te posso absolver, homem! Pois se tu não te queres humildar, nem te arrependes sinceramente do que fizeste... Olha lá, mas então não seria melhor para ti ires entregar-te à justiça e pedires perdão a Deus ?

 

- Eu não sou parvo! Vim aqui porque tenho confiança no senhor Prior... Agora se me não quer perdoar, não perdoe...

 

Ergueram-se ambos, tristes, desesperados daquela impossibilidade de harmonia. E mais do que até aí, a amargura, a raiva e a negridão da vida se estamparam na cara dura e desgraçada do Lomba.

 

Poucos meses depois, começaram em Mondrões os festejos da Senhora da Boa-Morte. E foi aí que o Lomba, sem poder mais, deu largas à sua angústia recalcada. Disposto a não sabia que loucura, com a pistola carregada de balas, entrou no adro e começou a fazer doudices.

 

Primeiro chegou-se ao coreto e gritou para o mestre da música:

 

- Pare lá com isso e toque uma valsa!

 

- O senhor é mordomo? - perguntou o velhote, na boa fé.

 

- Sou quem lá está. Mude de peça ou rebento-lhe os miolos!

 

O bom homem titubeou. Mas por fim, diante daqueles olhos vidrados e do sinal que lhe fez uma doceira, distribuiu novos papéis e a banda começou, de facto, a tocar uma valsa.

 

O sucesso da prepotência não deu paz ao Lomba. Pelo contrário: acirrou-lhe ainda mais o desejo de disparatar. E dirigiu-se ao do fogo.

 

- Deita lá uma dúzia de morteiros!

 

- Não posso. Só a Santos. Deus me livre!

 

- Deita ou já sabes...

 

A pistola era grande e negra, e as palavras do Lomba soturnas e frias. E o Pé-Tolo, sem mais aquelas, um a um, foi queimando os foguetões.

 

- Que estupidez é essa, ó meu burro? Quem te mandou botar desses, agora?

 

O mesário espumava de justa indignação. Mas bastou o outro apontar silenciosamente o Quim Lomba para tudo se remediar.

 

- Bem, pronto. Faz-se de conta...

 

O mal é que o assassino queria estancar a levada.

 

- Pare lá com isso já, seu trampolineiro! Desça daí

 

- O cavalheiro parece que quer conversa. Se não fosse a consideração que devo à honrada assistência...

 

Era um vendedor de drogas para todas as doenças e necessidades, que de cima de uma cadeira ganhava a vida. Homem rijo e acostumado a zaragatas. Quando, porém, lhe disseram de quem se tratava, calou-se e pôs-se a arrumar os frascos a pensar na mulher e nos filhos.

 

- E se alguém avisasse a guarda? - lembrou um, assim que se espalhou a noticia dos desacatos do Lomba.

 

- É verdade, a guarda...

 

O certo é que ficaram no mesmo sítio, sem coragem de ir denunciar o criminoso.

 

Continuaram irresolutos no adro, vagamente protegidos por aquela palavra que só por si metia respeito.

 

- Deixa lá ver a cana...

 

Simplesmente, desta vez, erguia-se diante do Lomba uma vontade. Com nove anos., o garoto, que conseguira apanhar a quimera, tinha decisão para a defender.

 

- Oh, oh! Não queria mais nada! Você é parvo ou faz-se?

 

- Deixa cá ver a cana, e cala-te.

 

- Vá lamber sabão. Ora o palerma! Faça como eu: desembelinhe as pernas.

 

Pelos olhos do Lomba o clarão de sangue e raiva passou mais vivo. Mas passou e deixou atrás de si um sorriso compassivo, terno, que lhe refrescou o coração.

 

- Então não dás?

 

- Pois não dou, não. Se estiver tão livre da peste!

 

O Pequeno largou, chamado por um morteiro que subia estrepitosamente ao ar, e o Lomba ficou sozinho, vencido, impotente, mas estranhamente feliz.

 

- Chegou para mim... - murmurou, comovido.

 

A música rompeu lá em cima numa marcha ligeira, ergueu-se no adro um polvorinho de dança, estralejaram mais foguetes, e um barulho ensurdecedor mostrava ao desordeiro que os seus caprichos e as suas balas não podiam vencer a onda de vitalidade.

 

- Chegou para mim... - murmurou outra vez, agora a caminhar vagarosamente por entre os penedos.

 

Mais fogo, uma polca, outra vez a voz do charlatão a vender unguentos, e a festa parecia uma flor a abrir-se. As horas, porém, foram passando, as aldeias, ao longe, começaram a acenar a cada um, e o adro, pouco a pouco, ficou deserto.

 

- Credo, santo nome de Deus! - exclamou a Eusébia, ao passar pelo sítio onde o Lomba despejara a pistola no céu da boca.

 

- É o Lomba. Que balas tão bem empregadas!...

 

Os olhos vítreos e arregalados pareciam querer impor ainda respeito e medo. Mas eram só eles a falar pelo corpo todo, encolhido, morto, humilde e manso como um monte de estrume.

 

- Também digo. Abençoadas mãos...

 

Seguiam caminho, sem uma palavra de pena, sem um arrepio, sem uma oração.

 

E assim o deixaram abandonado à grande e pavorosa noite da montanha.

 

Miguel Torga, In Os Novos Contos da Montanha

 

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Terça-feira, 29 de Abril de 2014

Estratos

 

Com azeite e pão se constrói mundo

 

Enquanto encaro a folha em branco vejo um mundo cheio de nadas. A certeza, sempre tola, de nele poder caber tudo não me chega. O ladrão, vestido de incerteza, rouba-a.

 

Um mundo cheio de nadas traz-me pão molhado no azeite, alcaparras com cebola, rojões - já frios e inesperados - numa mesa de madeira e um banco corrido.

 

E aquele cibo de pão molhado no azeite traz ao mundo tudo. Os dias em que roubei a massa do pão ainda crua. As bolas que chegavam com os avós ao domingo. O escano da Tia Maria e a chaminé coberta de miniaturas da lareira que aqueceu nove filhos. As sopas de bacalhau e os potes ao lume. Mais o Natal na cozinha velha, o preferido.

 

Azeite. Pão. E assim se reconstrói o mundo.

 

O pão acaba. Resta azeite. Atravesso a rua. Busco pão para ganhar mundo.

 

Rita

 

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Segunda-feira, 28 de Abril de 2014

Quem conta um ponto...

 

Pérolas e diamantes (87): solidão e dignidade

 

Este sistema de austeridade económica, financeira e democrática é tão paradoxal, e contraditório, que pode perfeitamente ter sido copiado da sebenta de qualquer filósofo do absurdo, explicando que até confia a liberdade aos portugueses na condição de não a usarem, tendo eles, no entanto, de garantir este compromisso com a sua pronta mansidão.

 

Estes liberais do ancien regime arriscaram ir demasiado longe tentando com isso descobrir até onde podem esticar a corda. Ou seja, a política, que dizem tudo explicar, afinal não explica nada.

 

Mas, para mal da sua prepotência, “nenhuma autoridade está fora do alcance da crítica”, como afirmou Karl Popper.

 

As notícias sobre as prescrições dos casos em julgamento indiciam que continuámos a ser um país subdesenvolvido onde os poderosos não são tocados.

 

Apesar disso, muitos de nós continuam a não pronunciar em voz alta aquilo que pensam. E por medo. Outra vez por medo.

 

A passividade do nosso povo é sinónimo de indolência, de conformismo e de abdicação. Muitos creem que as coisas lá se arranjarão por si. Esse estádio é o da infância.

 

Tal aceitação é a que promove a prepotência das elites, a prepotência dos governos e a prepotência dos políticos sobre o povo.

 

Anda por aí muito aldrabão a dizer que o homem é por natureza bom, para com isso justificar um Estado mínimo. Os cidadãos mais informados sabem bem que a bondade não está na natureza humana, mas sim na educação.

 

E por natureza também não somos maus, senão esta rapaziada que agora nos governa já tinha sido corrida a varapau.

 

Mark Twain dizia que a história não se repete mas rima.

 

Quem leu um pouco da História de Portugal reparou, com toda a certeza, de que estivemos, e continuamos a estar, sempre à beira de um conflito e também sempre à beira de o evitar.

 

Agora o papão dos portugueses chama-se troika. E é com ele que o governo de Passos Coelho e Portas nos ameaça. Uma e outra vez. Mas eles também sabem que, mesmo justificando-se com o papão, não podem fazer tudo aquilo que pretendem. Persentem que não podem fazer tudo o que têm em mente. O medo também os atinge.

 

O princípio, erradamente identificado como cristão, de que devemos ser bons para quem nos faz mal é o que nos leva à passividade. Não nos devemos esquecer que Jesus expulsou os vendilhões do templo à paulada e sem contemplações.

 

O estado contemplativo é o que noz faz mal. Esse é o lado mau, o lado subserviente, o lado atávico, que é o oposto da dignidade que a democracia promove: o direito à expressão, o direito a uma existência digna, o direito à cidadania plena, o direito ao amor-próprio.

 

Nós hoje somos as cobaias da Europa rica. Inocularam-nos esta vacina da reestruturação para ver como reagimos ao vírus. E nós como se nada fosse. Limitamo-nos a emitir alguns gemidos de dor, para que tenham pena de nós.

 

Disseram-nos que tínhamos gasto o que não devíamos e que estava na hora de cada um de nós o assumir e pagar por isso.

 

Mas eu não gastei o que não devia, cá em casa ninguém gastou o que não devia, na restante família aconteceu o mesmo. Afinal quem é que gastou aquilo que não devia e não pagou?

 

Pergunto-me por que razão é que o primeiro-ministro me quer inculcar esse complexo de culpa? A mim e a todos os que não gastaram aquilo que não deviam, porque, pura e simplesmente, não o tinham.

 

Por vezes sentimo-nos sós. Mas já Camus dizia que podemos estar sozinhos mas temo-nos uns aos outros.

 

João Madureira

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
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De regresso à cidade, mas a pensar nas aldeias

 

Quase a terminar mais um fim de semana e faltava por aqui uma das nossas aldeias. Mas lá diz o ditado que “mais vale tarde do que nunca” e, cá estamos para cumprir o contrato.

 

Penso que aqui no blog não se deu conta, mas quase toda esta semana que passou andei por outros caminhos e noutras terras. Quase sem internet, telemóvel  quase só para o indispensável, notícias quase nada, televisão nem ao quase chegou. Andei por terras do Ribatejo nos caminhos da Animação Sociocultural que, em Congresso internacional , debateu questões do Turismo, Património, Cultura e Desenvolvimento Local, e, sempre que me vejo nestas andanças tenho pena, lamento mesmo que todo o conhecimento, ideias e experiências expostas em congresso, se limitem a um salão e a um livro que pela certa só circulará no meio académico de quem estuda e vive estas questões da Animação ou do anima e animus da sociedade. Claro que quem esteve presente saiu de lá mais enriquecido, mas não basta para chegar àqueles que verdadeiramente decidem, conduzem e transformam a vida social quase sempre sem se preocuparem com ela e com as vidas que a compõem, principalmente os que detêm o poder político e económico, ou vice-versa, uma vez quem ambos vivem promiscuamente  e em pecado.

 

 

Tinha que trazer aqui estas questões da Animação Sociocultural e dos temas debatidos neste último congresso precisamente porque poderia e deveria ser uma das soluções para os problemas da nossa interioridade e desenvolvimento sustentável.  Sublinho o sustentável, não por agora tudo ter de ser rotulado com sustentável, mas por ser nele que está o futuro da nossa identidade e do nosso ser. O nosso desenvolvimento local tem de passar obrigatoriamente pela nossa cultura e pelo nosso património, ou seja, por nós, por aquilo que nós somos e por aquilo que nós temos. Mais nada. Não precisamos de absolutamente mais nada pois afinal de contas são essas as nossas maiores riquezas – a nossa cultura, a cultura de um povo interior, de montanha, transmontano, que, como dizia Torga, vive num Reino Maravilhoso, e o património natural, arquitetónico, religioso, gastronómico. Tomaram muitos ter tudo isto que nós desperdiçamos e desprezamos.

 

 

Claro que para se atingir o tal desenvolvimento local e sustentável só o património e a nossa cultura não são suficientes, antes necessários para nos fazerem diferentes e para termos um produto para vender, um produto com a marca “nós” e só através do comércio e do turismo o poderemos atingir, mas há muito trabalhinho para fazer, muita asneira para corrigir… pois está demonstrado que não é com as políticas do betão que vamos lá, pois já vimos no que deu, mas antes fazer o nosso desenvolvimento com aquilo que é nosso, mesmo com a nossa “pobreza” que é a nossa maior riqueza. A nossa riqueza está precisamente no sermos diferentes que não é mais que a nossa cultura e património.

 

 

Talvez seja por isto tudo que hoje aqui deixo em palavras que eu insisto em trazer aqui as nossas aldeias, as coisas mais simples, mais puras e por isso mais belas, que todos teimam em querer abandonar e desprezar, em trocar pela(s) cidades, que a continuar como até aqui não tardarão a fazer parte de um mundo esquecido ou extinto, ainda para mais com políticas centralistas que não fazem mais que acelerar a sua extinção. Em troca, temos bairros e ruas que se desenvolvem na vertical e tenta-se industrializar tudo que fazemos para sermos iguais a tudo que é igual, quando a beleza e a riqueza está na diferença de seguirmos o nosso caminho.

 

 

Se é que ainda há quem encontre algum conforto ou luz na poesia, deixo-vos com o Cântico Negro de José Régio, porque eu também não quero ir pelo caminho dos outros:

 

Cântico negro


"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

 

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

 

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

 

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

 

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!

 

José Régio

 

Para terminar, as fotos de hoje são todas da aldeia de Paradela de Veiga, mas podiam ser de outra qualquer aldeia.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:44
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Sábado, 26 de Abril de 2014

As coisas boas da vida

 

A nossa gastronomia

 

Existem várias formas de conhecer um país. Podemos percorrer as suas agitadas cidades ou as suas pacatas vilas e aldeias, conversar com as suas gentes, conhecer a sua história e as suas lendas, visitar os seus monumentos, compreender as suas tradições… Mas podemos também conhecer um país de uma maneira muito mais interessante (e saborosa!) - através da sua gastronomia.

 

Apesar de ser um país pequeno Portugal possui uma gastronomia extremamente rica e diversificada. Assente numa base mediterrânica (pão, vinho e azeite), mas também atlântica (peixes e mariscos) a gastronomia portuguesa soube incorporar ao longo dos séculos muitos outros produtos, tanto locais como trazidos de outras paragens - os legumes, as carnes e os enchidos, o bacalhau, o feijão, a batata, as especiarias… - daí resultando deliciosos petiscos, entradas, sopas, pratos de carne, caldeiradas de peixe, sobremesas e doces.

 

Fotografia de Luís dos Anjos

 

Percorrendo o país, do Minho ao Algarve, de Trás-os-Montes à Madeira e aos Açores, passando pelas Beiras, temos, sem dúvida, uma infinidade de deliciosas propostas - o Cozido à Portuguesa, o Arroz de Pato, os Rojões à Moda do Minho, a Feijoada à Transmontana, a Posta Mirandesa, as Tripas à Moda do Porto, o Bacalhau à Brás, a Vitela à Dão-Lafões... (e não falámos das sopas nem das entradas…), qualquer uma delas sempre bem acompanhada por um vinho a condizer. Depois, para sobremesa ou para um momento mais doce, temos o Leite-creme, o Toucinho-do-céu, a Aletria, os Ovos-moles, o Pão-de-Ló, o Pastel de Nata… E, finalmente, para terminar da melhor maneira, um café e um cálice de Vinho do Porto.

 

Um dia destes aventure-se numa viagem plena de cores, aromas e sabores.

 

Experimente e depois diga-me qualquer coisa…

 

Luís dos Anjos

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:30
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Sexta-feira, 25 de Abril de 2014

25 de Abril, 40 anos e sempre

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 12:01
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Discursos Sobre a Cidade

 

Abril.

 

É ainda abril!

 

Tempo de mudança, tempo de reflexão, tempo de avaliar as conquistas possibilitadas pela liberdade oferecida à minha geração pela coragem dos “Capitães de Abril”.

 

Nunca é demais agradecer a liberdade, nunca é demais protegê-la dos seus inimigos. A herança de abril não deve ser descurada ou desvalorizada, foi ela que nos permitiu crescer na esperança de conquistar a felicidade. Por isso, só em liberdade é possível a justiça, só em liberdade o homem pode ter paz. A segurança, a ordem, a autoridade valem zero se não vivermos em liberdade. Pensem como seria triste se nos retirassem a liberdade, ou se já nascêssemos sem ela. Que comunidade se poderia criar com essa injustiça? Na inexistência de liberdade, nem que seja para uma só pessoa, a igualdade já não existe. É claro que raramente cuidamos que seremos nós os destinatários da desigualdade. Nunca pensamos que poderemos ser nós a sofrer com a desigualdade. Desigualdade nos ordenados, no acesso aos hospitais e aos bons médicos. Desigualdade na habitação, no acesso às universidades ou mesmo aos divertimentos.

 

E se a desigualdade vier da diferença?

 

Diferença por termos uma limitação física ou intelectual, diferença por termos uma orientação religiosa que a maioria não partilha, diferença por termos preferências sexuais fora do tradicional ou tão só por termos conceções políticas diferentes. Não é tudo isto injusto? Poderá haver ordem com a injustiça a medrar todos os dias?

 

Dizia no início que é tempo de avaliar as conquistas possibilitadas pela liberdade oferecida à minha geração. A avaliação que faço é muito, mas mesmo muito positiva. Afirmo-o em relação ao nosso concelho, à nossa cidade. Terra onde nasci seis anos antes do 25 de Abril de 1974.

Nestes 40 anos assisti, por isso, ao crescimento da cidade, vi como se tornou mais urbana, como se obtiveram infraestruturas, como se realizou o abastecimento de água e o saneamento. Vi como se desenvolveu a rede elétrica, como melhoraram as instalações escolares e como todos passaram a frequentar a escola. Vi como o hospital surgiu e a saúde melhorou. Vi como se melhoraram as estradas no concelho, desaparecendo o isolamento. Assisti à inauguração da auto-estrada. Tive sempre esperança no futuro o tempo todo.

 

Continuo a ter essa esperança, ela não desaparecerá desde que tenha liberdade. Desde que todos tenhamos liberdade. Não vai ser o desgoverno que já tem os dias contados que me fará perder a esperança. Acredito que, tal como os “Capitães de Abril” nos libertaram do Estado Novo, também agora, o povo unido se libertará do Estado de Austeridade desigual, que isenta os ricos de sacrifícios e nos sobrecarrega a todos com impostos e cortes injustos, ao mesmo tempo que serve de pretexto para os ataques mais vis ao bem-estar coletivo e para o encapotado desmantelamento do estado social.

 

Abril sempre!

 

Francisco Chaves de Melo

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publicado por Fer.Ribeiro às 11:00
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Quinta-feira, 24 de Abril de 2014

vivências

 

“Entrei!”

 

Os jovens que este ano entraram na Universidade nasceram na década de 90. Todos eles se candidataram e souberam comodamente em casa que tinham sido colocados. Provavelmente, muitos deles acreditarão que o mundo sempre foi assim, tal como hoje o conhecemos, onde, para o bem e para o mal, tudo se sabe online, à distância de um simples clique. Mas o mundo não foi sempre assim e nas linhas que se seguem vou explicar-lhes como era o processo de entrada no Ensino Superior na altura em que eles nasceram.

 

Residindo em Chaves, tínhamos de contar desde logo com uma meia dúzia de deslocações a Vila Real. Duas para realizar as Provas Específicas (para alguns poderia ser só uma, dependendo dos cursos a que se candidatassem); depois, uma nova viagem para ir ver os resultados dessas provas; seguia-se mais uma para efectuar a candidatura, em papel, obviamente; e, finalmente, uma última para ir ao minúsculo Gabinete Coordenador do Ingresso no Ensino Superior consultar as listas de colocações, impressas em papel contínuo e afixadas de parede a parede. Em cada uma destas viagens havia a oportunidade de encontrar todos aqueles que também andavam nestas andanças e as conversas ajudavam a passar aquela hora e meia ou mais que o autocarro demorava no trajeto até Vila Real, dependendo se era “expresso” ou “carreira” normal. Em todo este processo apenas a mal-amada PGA (Prova Geral de Acesso) era realizada nas escolas secundárias.

 

Hoje, todo o processo decorre online: a afixação das vagas, a candidatura, a afixação dos resultados… A geração atual tem todas as facilidades das novas tecnologias, tem o e-mail, os SMS e o Facebook para partilharem, à distância, tudo o que pretendem.

 

A minha geração, em contrapartida, teve o contacto real, a sensação de estar no meio de tantos outros, com os mesmos sonhos e os mesmos receios, seguindo com o dedo indicador o seu nome numa lista, na esperança de encontrar mais à frente a palavra “colocado” e o nome de um curso e de uma Universidade que iriam mudar o rumo da sua vida…

 

Luís dos Anjos

 

 

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Quarta-feira, 23 de Abril de 2014

Chá de Urze com Flores de Torga - 33

 

O Pastor Gabriel

 

Nunca houve em toda a montanha pastor como o Gabriel.

 

- Merecias outras ovelhas, homem! - disse-lhe um dia o Prior, desanimado da anarquia dos seus paroquianos, quando viu o rebanho do rapaz atravessar a estrema dum centeio sem tirar uma dentada.

 

- Deus me livre! já me vejo maluco com estas...

 

Mentira. O padre tinha razão. Era uma pena ver tanta autoridade, tanta vocação, tanto jeito natural, ao serviço de animais. Nem se pode fazer ideia! O carneiro mais teimoso, mais lorpa, mais churro, chegava às mãos do Gabriel e mudava de condição. Só não ficava a falar.

 

- Que fazes tu ao gado, criatura? Parece que o enfeitiças!

 

- Nada. Dou-lhe monte, como a outra gente. Sorria. E lá continuava a educar os malatos com gestos e palavras que ninguém sabia fazer nem dizer. Nunca batia numa rês. O castigo era um simples olhar reprovativo, um assobio impaciente, uma interjeição mal-humorada. Mas bastava. Ao fim de algum tempo, cada cabeça como que porfiava em não desagradar ao dono, em viver sintonizada com aquele governo sem cajado. E dava gosto ver a disciplina com que o rebanho deixava o redil e atravessava o povo.

 

- Não há dúvida! Nem o mestre na escola! Continuava a rir-se por dentro. Espantavam-se com pouco. Com a pequenina amostra do muito que estava por detrás...

 

 

Na verdade, toda aquela disciplina tinha um fim, e era muito mais apertada do que parecia. Como os pastos no verão escasseavam, só havia uma solução: aceivar os nabais de noite, pela calada. Ora, para Áfricas dessas, o Gabriel necessitava de gado mudo e lesto, cegamente obediente ao comando. Por isso, sem dizer porquê nem por que não, exigia sistematicamente dos patrões que vendessem os carneiros mancos ou rebeldes, e ninguém ouvia o balido de nenhum.

 

- O teu gado não berra?

 

- Pergunta-lhe. É o berras! Ou não se chamasse ele Gabriel e não capitaneasse um bando de salteadores.

 

No meio da escuridão, abria a porta do curral e punha-se a andar. O rebanho atrás, como um cão rafeiro. À entrada da melhor sementeira, parava, perscrutava os horizontes e arrombava o tapume. Depois, em silêncio., deixava entrar os famintos e esperava que cada boca se fartasse em silêncio.

 

Se por acaso ouvia vozes ou passos de gente que se aproximava, subia acima da parede, descalçava os socos, batia com um no outro e largava a fugir com quantas pernas tinha. Não era preciso mais: quando chegava ao redil, já o rebanho lá estava.

 

 

- Não, tu hás-de ter qualquer segredo, qualquer mistério... - insinuava o Languna, a sondar.

 

- Palavra de honra que não.

 

E realmente não tinha. A coisa vinha-lhe espontaneamente, duma maneira directa, rápida, infalível, de entender e de se fazer entender por todos os seres vivos. Via um coelho na cama, falava-lhe e punha-lhe a mão em cima. Acalmava um cão açulado - a sorrir-lhe.

 

Mas esta comunhão instintiva com a natureza dos bichos não tentava o Gabriel alargá-la à natureza dos homens. Desses arredava-se discretamente., sem querer passar, nas relações com eles, do plano amorfo da neutralidade. Alugava o suor. Enjeitado, sem vintém, servia este e aquele. A indústria de Ferrede era comprar gado magro, engordá-lo e vendê-lo. Portanto, quem tinha dinheiro tinha o poder, e não valia a pena discutir. Que lhe interessava a ele perder tempo com palavreado ou mendigar intimidades que sabia impossíveis de antemão? O que os donos de cada rebanho queriam já o sabia: era que lho entoirisse de qualquer maneira. Recebia, pois, o farnel pela manhã, e ala que se faz tarde. Cada qual para o que nasce.

 

 

No verão em que fez vinte e dois anos, não pôde, contudo, ficar indiferente a um apelo que, muito embora fosse de cordeira no cio, vinha duma criatura cristã, com quem, de resto, acabou por casar.

 

Foi assim: como a serra inteira ardia na fornalha do Agosto, certo dia, no pino do sol, resolveu assestar o gado na loja. Servia então o Silvano, o maior proprietário da terra. E enquanto o rebanho, sonolento, ruminava, estendeu-se também no catre, igualmente sonolento e a ruminar. Era a hora do jantar, e lá em cima os patrões comiam e bebiam à tripa-forra. Ele, coitado, teria uma malga de caldo no fim do banquete, e viva o velho!

 

Nisto, sente passos pela escada abaixo, abre-se a porta, e a filha da casa, bonitota, mas de pêlo na venta, que nunca dera conta que o olhasse como homem e nunca lhe consentira que a olhasse como mulher, aparece de cântara na mão, ao vinho.

 

 

Em silêncio e sem se mexer, deixou-a passar para a adega, que era ao fundo, numa loja contígua Mas apenas sentiu desandar a torneira da pipa e a espuma do tinto a ferver dentro do barro lhe fez cócegas na garganta, pediu humildemente:

 

- Minha ama, dê-me uma pinga!

 

- Dou. Anda cá bebê-la...

 

Ergueu-se num pronto, saltou por cima do gado, entrou no armazém, recebeu a pichorra, levou-a à boca e começou a consolar a alma. De repente, sem mais nem para quê, a moça, calada, dá-lhe um empurrão à vasilha com a ponta do dedo. De respiração afogada e ainda engasgado, a tossir, relanceou-a toda. Ao machio, a senhora morgada!

 

E nada mais simples: pousou a caneca e dobrou a rapariga sobre uma facha de palha.

 

Miguel Torga, In Novos Contos da Montanha

 

 

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Terça-feira, 22 de Abril de 2014

Intermitências

 

Intermitência Pascal

 

Em tempos que correm, uma intermitência pascal impõe-se por ela própria.

 

Em tempos que correm, recusar uma intermitência para simplesmente desfrutrar do momento presente na companhia dos que mais nos importam e nos fazem bem à alma impõe-se.

 

Em tempos que correm, transformar uma intermitência em duas imagens pascais, em duas jóias pensadas por uma mente surrealista que sempre homenageou o absurdo dos homens, sem nunca renunciar às origens, negar a educação ou ignorar a fascinação pela criação do mundo impõe-se.

 

Do artista Salvador Dalí, seguem duas criações, com votos que a intermitência pascal se prolongue, ou pelo menos se repita, em tempos que correm.

 

Jóias de Salvador Dalí, Teatro-museu de Figueres, Catalunha, Abril 2014 - Fotografia de Sandra Pereira

 

Jóias de Salvador Dalí, Teatro-museu de Figueres, Catalunha, Abril 2014
Fotografia de Sandra Pereira

Sandra Pereira

 

 

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Homenagem ao Professor Doutor Américo Peres

Ainda ontem referia aqui no blog os professores que eu retinha para todo o sempre na memória. Américo Peres é um desses professores, pelos seus ensinamentos, pela amizade, pelo seu ser flaviense (embora beirão) em prol do ensino superior em Chaves e desde sempre um dos rostos da UTAD em Chaves, pelo ser cidadão, vai ser justamente homenageado no próximo dia 30 de abril em Chaves. Homenagem aberta a todos os seus ex-alunos e amigos. Esta é uma das homenagens à qual não poderia faltar.

 

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Workshop de Fotografia - Chaves 10 e 11 de maio

 

Com o surgimento da era digital, assistimos a uma das maiores e mais complexas revoluções da história da fotografia. Hoje, para além da sensibilidade artística, torna-se necessário conhecer minimamente os menus das máquinas, a forma como o sensor reage às diferentes condições de luz e aprender a dominar algum software de tratamento e edição das imagens. Infelizmente, estes aspetos deixam muitos fotógrafos perdidos num interminável labirinto tecnológico, onde os resultados teimam em ficar muito aquém do esperado.

 

Partindo da premissa de que não é o excelente domínio da tecnologia que garante as melhores imagens, este workshop procura recuperar as noções essenciais da fotografia enquanto forma de expressão artística: a importância da luz, a originalidade do ponto de vista e da composição, a criatividade associada às diferentes temáticas. São estes alguns dos ingredientes que, através de projeções, análise de obras fotográficas e a indispensável prática, podem ajudar os fotógrafos de hoje a entender a simplicidade da receita de sempre.

 

PROGRAMA

 

Sábado, 10 de maio

 

9h30 AS REGRAS DE SEMPRE

- a importância da luz

- o rigor da composição

- originalidade do ponto de vista

 

11h00 coffee break

 

11h15 TÉCNICA FOTOGRÁFICA

Os parâmetros da câmara que fazem a diferença

 

12h15 A INFLUÊNCIA DO EQUIPAMENTO

 

13h00 almoço

 

14h30 O PROCESSO CRIATIVO

 

- como surgem as histórias fotográficas

- análise crítica de obras de diferentes autores

 

16h30 intervalo

 

16h45 PÓS-PROCESSAMENTO BÁSICO DE IMAGENS DIGITAIS

 

18h30 final da parte teórica

 

Domingo, 11 de maio

 

8h30 AULA PRÁTICA - fotografia em espaço rural/natural

 

13h00 almoço

 

14h30 AULA PRÁTICA - fotografia em espaço rural/natural (continuação)

 

17h30 final do workshop

 

 

Destinatários

 

Fotógrafos amadores que queiram recordar aspetos técnicos relevantes e evoluir nos aspectos estéticos e criativos da fotografia, bem como aprender a fazer o tratamento digital básico das imagens.

 

Número de Participantes

Com vista a assegurar o apoio individual, estabelece-se em 15 o número máximo de inscrições.

 

Material do participante

Os participantes deverão trazer o equipamento que utilizam habitualmente (câmara e objetivas, bem como cartões de memória e baterias extra), não havendo qualquer limitação em relação ao tipo: poderão ser câmaras compactas ou reflex, digitais ou de película.

 

Preço

Contactar Associação Lumbudus (lumbudus@gmail.com)

 

Local

CHAVES

 

Informações e inscrições

 

Associação Lumbudus

Fernando Ribeiro

lumbudus@gmail.com / 919 141 059

 

António Sá

tel.: info@antoniosa.com / 273 326 290

 

ANTÓNIO SÁ

 

Nascido em Espinho em 1968, António Sá iniciou-se na fotografia aos 11 anos de idade. Em 1995, com 26 anos e após várias profissões, começa o percurso como fotógrafo profissional e jornalista, realizando reportagens para diversas revistas europeias, incluindo a edição portuguesa da National Geographic. Explorando ideias próprias ou em assignments para clientes específicos, a vida como freelance leva-o a destinos como Bornéu, Turquia, Brasil, China, Alasca, Mongólia, Islândia, Namíbia ou Cabo Verde, entre muitos outros.

 

Em 2001 participa nos Santa Fe Workshops, Novo México, E.U.A., integrando o curso “The Lyrical Moment”, de David Alan Harvey (fotógrafo da Magnum e da National Geographic).

Entre as várias exposições individuais que realizou, destacam-se “Outro Tempo Noutros Lugares”, que esteve patente nas galerias foto da FNAC em Lisboa e no Porto, “Two Moons”, no Centro Cultural de Belém, e “Portugal: Um Outro Olhar”, no Mosteiro dos Jerónimos.

 

Em 2007 e 2008 foi convidado para orientar a disciplina de Projeto Fotográfico do Curso de Tecnologia da Comunicação Audiovisual, do Instituto Politécnico do Porto.

 

Ainda em 2007, foi o fotógrafo escolhido para o projeto do National Geographic Channel sobre os sítios portugueses classificados pela UNESCO como Património Mundial. O documentário resultante, Portugal: Um Outro Olhar, foi emitido por este canal na Alemanha, Espanha, Portugal e Reino Unido, e o seu trabalho fotográfico esteve presente em Berlim, Lisboa, Londres e na cidade turca de Eskisehir.

 

Em Maio de 2012, a recolha fotográfica que realizou para a Fundação Rei Afonso Henriques, sobre os 11 sítios Património da Humanidade na bacia do Douro culmina com uma exposição inaugurada pelos chefes de governo de Espanha e Portugal, durante a XXV Cimeira Ibérica, realizada no Porto.

 

Como instrutor, António Sá tem realizado workshops para várias entidades, entre as quais a Fundação de Serralves (Porto), e conduzido passeios fotográficos em Portugal, Espanha, Islândia e Marrocos. A par destas iniciativas, participa regularmente em conferências e seminários a convite de estabelecimentos de ensino e empresas da área da fotografia.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:28
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Segunda-feira, 21 de Abril de 2014

Quem conta um ponto...

 

Pérolas e diamantes (85): em defesa da democracia participativa

 

Por muito que nos custe, os velhos anátemas continuam vivos em Portugal. E são eles quem nos diminui a capacidade de procurar uma saída de qualidade para a grave crise que atravessamos.

 

Os velhos mitos provincianos persistem revelando o quanto somos ainda paroquiais em termos políticos.

 

O arcaísmo mais persistente, e resistente, qual vírus infecioso, está associado às lideranças partidárias, que, apesar de se pretenderem hodiernas e desenvolvidas, interditam o debate aberto, limitando a discussão política ao espaço estritamente interno, disciplinado e obediente, quando não subserviente.

 

Tudo deriva da falta de consistência política e ideológica dos partidos, circunstância que os converte cada vez mais em coletividades de acesso ao poder e às suas benesses.

 

Por isso é que a diferença é vista como uma quebra de eficácia na aproximação ao poder e nunca como a manifestação de uma opinião legítima.

 

Quer isto dizer que o aparelhismo trinfou em toda a linha. Os partidos apenas refletem a escassa mobilidade social existente em Portugal. Quem governa conserva.

 

O sistema político português, quer queiramos, quer não, favorece os carreiristas e os bajuladores. Todos sabemos que são as direções partidárias que fazem as escolhas principais de acesso aos lugares elegíveis.

 

O debate livre, tanto dentro como fora dos partidos, que é a norma principal das democracias desenvolvidas, obrigaria, necessariamente, a uma elevação do nível, tanto das propostas, como das lideranças. Afastando as pessoas da conspiração, da intriga, do clubismo e do amiguismo, aproximando-as das regras exigentes e clarificadoras do espaço público.

 

Mas isto é o que todos os aparelhos partidários temem e abominam, dado que necessitam de manter as velhas regras de acesso ao poder e fechar as estruturas à influência libertadora da opinião livre e democrática.

 

Atualmente, todos os partidos do apelidado arco da governação são clubes oligárquicos sem visão de futuro. São estruturas reacionárias e persecutórias.

 

Por isso é que na maioria das vezes, para não dizer sempre, no momento de votar não podemos escolher entre o que é melhor, mas sim entre o menos mau.

 

E isto é válido para todos os partidos representados na Assembleia da República. Convém não esquecer, aquando do PEC 4, que a sua reprovação provocou a chamada da troika. E isso não é só responsabilidade de Passos Coelho e Paulo Portas. Francisco Louça e Jerónimo de Sousa são igualmente culpados.

 

Por alguma coisa é que a velha direita, agora liderada pelo atual primeiro-ministro, é tão desapiedada e vingativa.

 

Todos nos lembramos que Pedro Passos Coelho rejeitou o PEC 4 com o peregrino argumento de que ele trazia atrás de si mais austeridade.

 

Há, de facto, um grave problema na nossa democracia proveniente da forma como os partidos violam as suas obrigações políticas perante os eleitores.

 

Os deputados eleitos não assumem nenhum compromisso com os eleitores, apenas o fazem com as direções partidárias que os preferiram como candidatos e não com os cidadãos que os elegeram. Por isso é que alguns, ou algumas, votam contra os interesses dos cidadãos da sua região, quer eles sejam relativos à Saúde, à Educação ou à Justiça, pretextando a “sagrada” disciplina partidária. Isto é um vício grave da nossa democracia que tem de acabar.

 

Os partidos não definem como sua principal prioridade a defesa dos interesses dos portugueses. E não há forma de os punir.

 

É habitual, durante a campanha eleitoral, travarem guerras entre si, fazerem um enorme teatro sobre as suas diferenças, chegando mesmo a insultar-se uns aos outros. No dia seguinte às eleições lá estão eles em bonitas coligações, esquecendo os reais problemas de quem os elegeu.

 

Por isso é que a democracia portuguesa está como está, moribunda. A atuação dos principais partidos a isso a conduziram.

 

Em Portugal há pessoas que enquanto ministros negociaram com empresas, em nome do Estado. A seguir vemo-los como administradores dessas mesmas empresas. A maioria deles sem possuírem qualquer tipo de experiência em gestão nas áreas para que foram contratados. Afinal qual foi o interesse que eles defenderam? Qual a razão que levou as tais empresas a contratá-los? Para lhes pagar o quê?

 

Também não é de admirar. Foram os jotas aqueles que triunfaram. São os jotas que fazem carreira. São os ex-jotas que estão no governo a aquecer as cadeiras para que os jotinhas de hoje sejam os ineptos governantes de amanhã.

 

Foi nessa escola de virtudes que aprenderam a dar facadas nas costas, a chegarem aos lugares de topo através de artimanhas e manigâncias, através de malabarismos, maquinações, intrigas e traições.

 

Por isso é que os nossos dirigentes partidários não têm cultura. Acham isso até despiciendo. Um luxo. Quiçá, uma mania. Ou, o que é ainda mais grave, um óbice à arte de governar.

 

Temos de passar, como defende Marinho Pinto, da democracia representativa para a democracia participativa. Está na hora dos partidos políticos deixarem de ter o monopólio da luta política. Está na altura dos cidadãos independentes poderem concorrer à Assembleia da República.

 

João Madureira

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
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De regresso à cidade, depois de mais uma Páscoa

 

E já lá vai mais uma Páscoa, bem diferente das severas Páscoas de antigamente em que a igreja impunha um rigoroso jejum à carne e diversão, pelo menos na quinta e sexta-feira santa. Penso que ainda hoje a igreja tenta repor o rigor de antigamente, mas hoje, a Páscoa é mais a festa de umas miniférias ou a possibilidade de as famílias se juntarem em mais um dia à volta do cordeiro e do folar.

 

 

E tanto assim é, que, comerciantes e algumas autarquias aproveitam estes dias para o negócio. A autarquia de Chaves, por exemplo, aproveita para fazer a feira do folar. É, a moda das feiras pegou neste nosso Portugal,  e agora vão-se fazendo feiras disto e daquilo (do pastel, do fumeiro, do folar, dos medievais ou romanos, etc.) o curioso é que em cada uma delas, os produtos e comerciantes que desfilam nestas feiras são quase sempre os mesmos, mas, enfim, se elas continuam a acontecer, pela certa algum proveito vão tirando delas, digo eu, bá, que dessas coisas não percebo nada.

 

 

Pois eu também lá fui, não para comprar folares, pastéis, licores ou o que quer que seja, não é por nada mas prefiro continuar a comer os folares caseiros da sogra e das tias, os pastéis do sítio do costume e continuar a beber licores das provas dos amigos, e as compotas, meu Deus, as compotas caseiras, uhhhhhh! De pêssego, cereja, cabaça, jerimum, uhhhhhhhh!, uhhhhhhhh!, pcheu! E dispenso o queijo… e uma cerejinha da aguardente!? - Bem, mas fui lá, não pelas barracas mas pelo meu velho liceu, onde, posso dizê-lo, passei os melhores anos da minha juventude e os loucos anos do pós 25 de abril, mas onde também ia estudando e formando-me, principalmente com a ajuda de alguns bons professores dos quais reterei para sempre o seu nome e ensinamentos na memória.

 

 

Pois graças à feira do folar o antigo liceu (hoje Escola Secundária Fernão de Magalhães) abre as suas portas à população e eu aproveito sempre para ir por lá, percorrer os corredores e o jardim para refrescar a memória ou repescar uma ou outra história vivida que já estava quase esquecida, relembrada por outros como eu,  antigos colegas do liceu, que suponho pelas mesmas razões, também vão à feira do folar nos claustros do velho liceu, só falta mesmo o esqueleto na esquina a rir-se…

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:53
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Domingo, 20 de Abril de 2014

Boa Páscoa

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:29
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