12 anos
Sábado, 31 de Maio de 2014

Chaves Rural - Sanjurge

Já o disse por aqui várias vezes que, o que mais me atrai em imagem nas nossas aldeias é o antigo casario, os pormenores cheios de simplicidade e, claro, a vida e pessoas dessas mesmas aldeias, mas com as pessoas, prefiro privilegiar as palavras de uma boa conversa, as suas estórias, aprender um pouco com um muito que nos podem ensinar e que não vem nos livros.

 

 

 

Talvez inconscientemente queira dessas imagens que vou colhendo um pouco do passado das aldeias que tive ainda oportunidade de conhecer. Não o passado dos tempos bem mais difíceis que os de hoje, antes pelo contrário, pois dos males do passado ninguém tem saudades, e havia muitos, e, quando falo do passado, não é do passado longínquo, mas daquele que eu ainda conheci na minha meninice dos anos 60.

 

 

 

Recordo sobretudo desses tempos a vida que as aldeias tinham. Sempre muita gente nas ruas na lide das suas tarefas, em movimento,  ou no trocar de um dedo de conversa à porta de casa, mas sobretudo havia sempre crianças, muitas crianças, quase tantas como os animais que livremente tratavam da vidinha no meio daquela confusão humana, e havia de tudo – galinhas, galos, patos, cães, gatos, burros, cavalos, vacas, ovelhas, cabras – tudo em perfeita harmonia e respeitadores do espaço de cada um, a não ser quando o apito do padeiro, do peixeiro ou de outro qualquer vendedor ambulante mandava abrir alas para se irem instalar no largo do costume.

 

 

E também era de costumes que as aldeias eram feitas, onde todos se conheciam e todos se entreajudavam  quando era necessário ajudar, com respeito, muito respeito e carinho pelos mais idosos, onde a lei que se impunha a todos, sem decretos ou sequer  estar escrita, se baseava em poder fazer tudo que parecesse bem e nunca fazer o que parecesse mal.

 

É um bocadinho disto tudo que eu ainda consigo ver nas imagens do velho casario que vão resistindo sem vida dentro, com janelas e portas fechadas para ruas quase sempre despovoadas, por isso, talvez se note nelas uma certa nostalgia.   

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:51
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Sexta-feira, 30 de Maio de 2014

Discursos Sobre a Cidade - Por Francisco Chaves de Melo

 

Enganadoras fantasias.

 

Anda o edil local a ver se nos distrai com pedidos de sugestões para se elaborar o Plano de Desenvolvimento Estratégico - Chaves 2025.

 

Para mim o que o edil quer verdadeiramente é criar ilusões, esconder a fria realidade da péssima situação financeira em que colocou a Câmara.

 

Fazer debates e pedir ideias para aplicar dinheiro que não vislumbra, dinheiro dos novos fundos europeus, é passar a ideia de que a autarquia tem meios para ir aos fundos, quando na verdade, o que acontece, é que as finanças municipais já estão nos fundos. Basicamente sem dinheiro para “mandar catar um cego”, como o povo costuma dizer.

 

Como já estou habituado a que continuem a tentar iludir-me e, para não expressarem que me afasto de debater o futuro da nossa nobre cidade, alerto que o debate verdadeiramente importante para o concelho, se deve, com mais interesse e atualidade, focalizar em torno das seguintes temáticas, por ordem de importância:

 

1)  a recuperação financeira da autarquia afogada em dívidas.

 

2)  a reestruturação das despesas de funcionamento da autarquia  e da prestação de serviços públicos, quer os prestados diretamente, quer aqueles que a gestão da última década exteriorizou sem efetuar uma séria previsão dos seus custos e da sua evolução.

 

3)  qual a relação económica e de custo/benefício, com associações, fundações, institutos e outros organismos que, invariavelmente, subsistem pendurados nos dinheiros do município.

 

4)  que destino para os empreendimento que, no concelho, estão voltados ao abandono ou com utilização marginal, mas que ainda constituem origem de encargos com manutenção, exploração, amortizações e juros a pagar pela sua construção durante, pelo menos, as duas próximas décadas (por exemplo o parque empresarial e o recinto da feira semanal).

 

5)  que estratégia empreender para obter a redução dos custos do fornecimento de serviços de abastecimento à população, nomeadamente água potável, saneamento básico e recolha de lixo.

 

6)  que estratégia para a conquista de recursos materiais e financeiros que permitam  a manutenção e funcionamento futuro, com um nível adequado de qualidade do serviço, das infraestruturas sociais, desportivas, económicas e viárias.

 

7)  que população poderá ter o concelho na próxima década, e que população será desejável que tenha, revertendo a debanda populacional em curso, identificando os principais fatores repulsivos e as mudança dos comportamentos quanto à natalidade.

 

8)  quanto vai o município perder por ano de impostos e taxas em consequência da perda de mais de 7 mil habitantes, que passaram a viver fora de Chaves  e a pagar os seus imposto noutro local.

 

 

Estes temas não estão a ser considerados por serem incómodos a quem foge como o “diabo da cruz” à avaliação do PLANO ESTRATÉGICO DE DESENVOLVIMENTO DO MUNICÍPIO DE CHAVES - CHAVES 2015 .

 

Como é possível por à discussão um novo plano de desenvolvimento sem uma rigorosa avaliação do anterior?

 

Porventura não será esse o caminho mais curto para voltar novamente a errar de forma tão rotunda?

 

O atual edil que explique porque saíram do concelho vários milhares de habitantes. Depois sim, poderemos proceder aos debates que entender.

 

Fiz uma leitura rápida desse documento da responsabilidade do atual edil e da equipa que o acompanha, confrontando-o com a realidade atual e, ficou bem patente, o seu enorme desvio, o seu falhanço de previsão, o desacerto da estratégia despesista, mas revela, contudo, a enorme capacidade do atual edil para criar enganadoras fantasias.


Para resumir, o plano foi a semente que gerou o monstro da despesa camarária a pensar que seriam mais a pagar a fatura vindoura. O mal é que agora somos menos, bastante menos no concelho, e já não temos como pagar.

 

Francisco Chaves de Melo

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:00
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Entre ruínas e abandonos, também isto é Chaves cidade...

 

Há imagens que gostaria de ver de forma diferente, mas, é por não as querermos ver que elas existem…

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:30
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Quinta-feira, 29 de Maio de 2014

Ocasionais - Os outros resultados das eleições europeias

 

Os outros resultados das eleições europeias

 

Os resultados das eleições europeias foram: PS – 8 deputados; PSD/CDS - 7 deputados; CDU – 3 deputados; MPT – 2 deputados; BE – 1 deputado.

 

O cálculo do número de deputados é feito através do tradicional método de D'Hondt. Contam-se os votos de todos os partidos e vai-se dividindo cada um desses números por divisores (2, 3, 4, 5, etc) até haver um número de quocientes suficientes para se distribuírem todos os deputados. Os deputados são atribuídos aos maiores quocientes. A figura seguinte explica como foram calculados os deputados a atribuir aos partidos nas últimas eleições europeias (número de votos foi obtido no site da RTP).

 

O método de D'Hondt é uma daquelas coisas que são criticáveis no processo eleitoral porque favorece os partidos com maior votação. É um dos motivos por haver partidos com maioria de deputados no parlamento nacional sem terem obtido 50% dos votos. Um partido pode ter apenas 38% dos votos mas conseguir ter a maioria de deputados no parlamento e assim fazer passar as leis que quiser. Será justo que os votos dos partidos maiores valham mais do que os dos mais pequenos? Será que isto não é um dos factores que afasta as pessoas das urnas eleições?

 

Seria muito mais simples e justo usar um método em que ao partido que obteve 38% dos votos daria também 38% dos deputados. Se este método fosse usado nas ultimas eleições europeias os resultados seriam bem diferentes, como se pode ver na figura seguinte. O cálculo é simples. Por exemplo, o PS teve 31,47 % dos votos, se se multiplicar 31,47 % por 21 deputados (total) isso vai dar 6,60% de deputados, o que arredondando da 7 deputados.

 

 

 

Desta maneira os partidos Livre e o PAN teriam tido 1 deputado cada, que devido ao método de D’Hondt foram parar ao PS e ao PSD/CDS.

 

Luis de Boticas

 

 

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Maravilhas de Chaves - Portugal

Forte de S.Francisco - Entrada Principal

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:29
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Quarta-feira, 28 de Maio de 2014

O Barroso aqui tão perto... Vilar de Perdizes

 

Vamos lá mais uma vez até aqui ao lado, até terras do Barroso, e este aqui bem perto - Vilar de Perdizes.

 

 

Com algumas cenas da vida diária com imagens tomadas na brevidade de uma passagem.

 

 

Vilar de Perdizes onde ainda se dá algum cuidado aos campos de proximidade da aldeia e muito por um microclima de que a aldeia vai gozando pela sua localização em baixio e proteção das montanhas, principalmente da Serra do Larouco, não ficasse Vilar de Perdizes nas suas faldas.

 

 

Esta do microclima é sem qualquer base documental, antes de pura observação, quer de Verão, quer de Inverno, onde muitas vezes, como num dos últimos nevões, Barroso estava todo coberto por um manto branco e Vilar de Perdizes era poupada, pelo menos no dia em que lá fui assim acontecia. Mas posso estar enganado, pois também já vi a aldeia coberta de neve. 

 

 

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Chá de Urze com Flores de Torga - 38

 

 

Coimbra, 1 de Março de 1979

 

A política é para eles uma promoção e para mim uma aflição. E não há entendimento possível entre nós, apesar do meu esforço. Separa-nos um fosso da largura da verdade. Radicalmente insinceros, nenhum pudor os inibe. Mentem com tal convicção que se enganam a si próprios, e acabam por acreditar que são o que fingem ser. Levam-se a sério no papel de homens providenciais que dão ordem à desordem, virtude ao vício, luz à escuridão. Que outorgam a liberdade apenas a nomeá-la do alto das tribunas. E nem sequer consigo fazê-los compreender que representam sem originalidade uma farsa velha como os tempos, e que os aplausos que recebem já outros os receberam, igualmente inconsequentes e requentados. Narcisos numa sala de espelhos, confirmam-se em cada imagem multiplicada. A circunstância não os circunstancia. Pelo contrário. Vaticina-lhes a duração. O efémero é um anátema dos outros. Vêem na presença actual do nome nos jornais a garantia da perpetuação nos anais da História.

Miguel Torga, in Diário XIII

 

 

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Terça-feira, 27 de Maio de 2014

Estratos

 

Histórias da memória

 

Ouvir histórias constrói histórias. Muda histórias.

 

Traz da memória dos outros memórias para a nossa. É das histórias da vossa memória que ganhei memórias dos garfos de ferro, da varanda casa da avó, dos rebuçados da mercearia da outra avó e das moedas de 25 tostões.

 

Ouvir histórias é viajar sem preguiça. Ser engenheiro, arquitecto e decorador. De naturezas e pessoas.

 

As matinées de domingo são melhores com as histórias do avô. As viagens de carro são melhores com as histórias do pai. As idas ao supermercado são melhores com a histórias da tia que é nossa, por ser avó também. E os pequenos-almoços enquanto o pão coze e a fruta se mistura são melhores com as histórias da mãe.

 

É das memórias da vossa história que conheço os alicerces da minha.

 

Rita

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:45
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Mais duas, do Sr. Duque

 

 

Dos grandes homens, mesmo onde menos se espera, encontramos sempre um relexo!

 

 

 

 

 

 

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Segunda-feira, 26 de Maio de 2014

Quem conta um ponto...

 

191 - Pérolas e diamantes: não há acordos grátis

 

 

Era eu ainda miúdo quando ouvi falar pela primeira vez em altruísmo.

 

Lembro-me de escutar o reverendo a fazer o elogio a um senhor lá da terra, falecido recentemente, que, quando numa batalha qualquer foi ferido, não sei agora onde, e lhe foi oferecido um golinho de uma aguardente muito boa por parte de um camarada de armas, respondeu-lhe que nesse momento estava a rezar e que, por isso, o deixasse de fora da rodada e oferecesse a sua parte ao vizinho da maca ao lado, que estava bem mais necessitado do que ele.

 

“Esse espírito de sacrifício altruísta”, dizia o senhor abade, que gostava de molhar a palavra em boa aguardente velha, “era o que queria ver em vocês, meninos, especialmente em ti, João. E quantas vezes já te disse para não te pores a olhar para mim com esse ar emproado e averiguador.” Naquela altura limitei-me a engolir em seco.

 

A resposta encontrei-a apenas mais tarde, quando li a seguinte observação do imperador Marco Aurélio: “Acontece-te algo? É bom que assim seja. Faz parte do destino do universo que te está reservado desde o início. Tudo o que te acontece faz parte da grande teia.”

 

Diz-me a experiência que não adianta que nos tirem um peso de cima porque mal nos distraímos, logo outro peso, muitas das vezes um bocado maior, cai-nos logo em cima outra vez. Este é um jogo que não se pode ganhar.

 

Desta vez queria falar de realidades ligeiras, de coisas engraçadas. De episódios de sucesso. Por exemplo, do triunfo dos porcos no país. De facto, uma empresa de Rio Maior produz mais de 350 mil animais por ano, apenas em Portugal. É uma fartura de suínos. Em tempos de vacas magras medram, e multiplicam-se, os porcos.

 

De Boticas chegou-nos um aviso, e também um contributo, a bióloga Sónia Magalhães informa: “Os nossos cágados estão em perigo.” Ó pobres coitados! Mas também nos tranquiliza com o título da sua palestra: “Cágados, um Futuro a Construir.” E deixa um alerta: “É muito importante não largar espécies exóticas na natureza.” Quer sejam cágados ou animais de outras espécies, acrescentamos nós. É que as espécies exóticas devoram as autótones.

 

Estava eu nesta boa disposição, quando, ao abrir o jornal, dou de caras com a entrevista do senhor presidente da Câmara de Chaves.

 

Diz ele que se lembrou de fazer o balanço de meio ano de governação.

 

Todos os que por cá vivemos sabemos muito bem que nestes últimos seis meses nada na cidade foi feito que mereça, sequer, uma nota de rodapé. Mas o senhor presidente acha que não é bem assim. Por isso resolveu surpreender-nos com as suas boas intenções que, na sua douta opinião, passam por concluir obras, as tais da Santa Engrácia, e por consolidar as contas públicas, cujo défice já vai nos 60 milhões de euros. E a procissão dos números apenas ainda vai no adro.

 

Diz-nos o senhor presidente, com aquela carga de demagogia que lhe é muito caraterística e que nos intranquiliza a todos, que o concelho conseguiu captar algum investimento. Um na área da produção e armazenamento de cogumelos e outro na área da metalomecânica. Cá esperamos para ver. E sentados, como é prudente fazer-se.

 

Referiu que “os últimos 12 anos foram de investimento ímpar para a cidade” e afiançou que esse investimento foi “fundamental para o futuro”.

 

Concordamos que o “investimento” foi ímpar, já a dívida é par. O “investimento” foi realizado por políticos irresponsáveis e inconsequentes e a dívida galopante, que daí resultou, vai ser paga por todos nós.

 

O dito “investimento” criou um buraco de 60 milhões de euros. Essa é a realidade. Um buraco financeiro gigantesco. Já as obras apenas as conseguimos enxergar por um canudo.

 

Por isso é que refere que vai construir piscinas, reparar pavimentos, requalificar a rede viária municipal e os espaços verdes e promover o turismo.

 

A ser assim, afinal onde é que este poder autárquico gastou o nosso dinheiro? Onde estão as obras? Onde para o pilim?

 

Mas para palavras loucas orelhas moucas. Não é assim, senhor presidente?

 

Estamos em crer que foi por essas e por outras que resolveu afirmar que está bastante satisfeito com o acordo de governação estabelecido entre a Câmara de Chaves e o MAI. Só que isso que o senhor presidente afirma é falso. Rotundamente falso.

 

O único acordo que existe é uma atamancada combinação celebrada entre o senhor António Cabeleira, em nome de PSD local, e um senhor vereador, eleito em nome do MAI, que, nesta circunstância, apenas se representa a si próprio.

 

Nenhum eleito do Movimento, com a exceção de João Neves, participou em qualquer reunião com o PSD. Em nenhuma.

 

Não existe nenhum documento que fundamente, justifique ou esclareça em que consiste, ou se baseia, o enigmático acordo.

 

O putativo pacto é de conveniência. Apenas.

 

Serve, sobretudo, para estabilizar o instável poder de um e para outorgar um poleiro ao outro.

 

Pois que lhes faça bom proveito à barriguinha e ao peito. De uma coisa estamos certos: dali nada resultará de positivo, nem para o nosso concelho, nem para as nossas gentes.

 

O senhor presidente admitiu publicamente que o acordo deixou de imediato cair em saco roto a auditoria às contas da Câmara, proposta pelo eleito do MAI e aprovada por maioria.

 

Tal como os almoços, não há “acordos” grátis.

 

João Madureira

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publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
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De regresso à cidade e ao nosso centro histórico

Cá estamos nós de regresso à cidade após mais um dia de eleições onde embora houvesse vencedores e vencidos, todos perderam, pois quem realmente ganhou foi a grande maioria silenciosa que, infelizmente, nem baralha nem dá cartas.

 

Pois ontem dei uma pequena volta pela cidade e deu gosto ver algumas recuperações recentes do nosso casario do centro histórico de Chaves, principalmente quando essas recuperações são bem-feitas, com gosto e se trata de casario já há muito degradado. Pena que estes bons exemplos não sejam exemplo a seguir para todo o casario em mau estado no centro histórico e/ou por outros onde o bom gosto se rendeu a outros interesses.

 

 

Claro que para haver uma recuperação séria do nosso casario é preciso dinheiro e alguns incentivos. Sei que o dinheiro agora não abunda na mão da maioria e assim, os incentivos são mais que necessários. Sei que há alguns e não é para todos,  coisa pouca para uma recuperação a sério, mas já é alguma coisa, ou um princípio que com um pouco de vontade e alguma inteligência, poderá vir a ser melhorado. Esperemos que sim.

 

Entretanto enquanto os incentivos a sério e o dinheiro não aparece (para todos que pretendem recuperar), ao nível municipal poder-se-iam criar outros incentivos (deixo isso para a criatividade dos políticos do poder), mas há um que eu gostaria de ver implementado  e que se resume simplesmente a um prémio, que teria de ir um pouco além do simbólico embora este é que valesse para o ego de quem recupera. Um prémio que premiasse (claro) a melhor reconstrução do ano (proprietário, construtor e projetistas). Aquela que no seu todo possa servir de exemplo para as recuperações e para a cidade. Claro que o júri teria de ser idóneo e logo isento.  

 

Só mais uma e esta é para o pessoal que gosta de fotografia, uma deixa - As fotografias de hoje foram todas tomadas com a câmara de um telemóvel, ou seja, aquela de que é preciso uma boa câmara fotográfica para tomar fotografias interessantes, não é de todo verdade.

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:23
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Domingo, 25 de Maio de 2014

Pecados e picardias

 

Um olhar fugaz

De incerteza e pedaços de solidão

Na cama desfeita um sono mordaz

Boceja por devassidão

 

Sem se conhecer

dois corpos procuram-se à queima roupa

numa lava de beijos valsa nua a incandescer

dança louca

 

Devoradora

a fome vem da febre de amanhecer

nos corpos já noite pelo passar da hora

do sol renascer

 

arrulho triste

logo despedida, começou no fim

no tarde que é  vida mesmo no despiste

de flores sem jardim

 

pecado sem perdão

é sepultar viva  a paixão…

 

Isabel seixas in Entre a Espada e a parede

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publicado por Fer.Ribeiro às 08:00
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Moreiras - Chaves - Portugal

 

Vamos lá cumprir a promessa de trazer aqui as aldeias ao fim-de-semana, e mais uma vez toca a sorte a Moreiras, com um pouco da sua “sala” de entrada, onde o conjunto da igreja românica, o largo do cruzeiro e a fonte dão um toque especial a esta aldeia.

 

 

As imagens de hoje são precisamente alguns olhares que se podem tomar desde esse largo, com a exceção da vista geral sobre a aldeia, que essa, foi tomada desde a torre sineira da igreja.

 

 

É por imagens destas acontecerem que gosto de passar por Moreiras amiúde, pois por muitas imagens que já tenha tomado na aldeia, há sempre uma que escapa. Assim, vamos continuar a ir por lá. Para já ficam mais estes três olhares.

 

Mais logo teremos ainda por aqui os “Pecados e Picardias” de Isabel Seixas.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:42
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Sábado, 24 de Maio de 2014

Pedra de Toque - Rosalia

 

Rosalia

 

Não te chamava Rosalia.

 

Mas eras Galega e tinhas poesia nos olhos que cabiam nos meus e aos meus se grudaram como musgo nas paredes.

 

Vi tuas mãos temblando em sinal de aplauso sentido.

 

O movimento da tua boca deixou fugir as palavras esperadas.

 

Sorriste e partiste embrulhada nos teus poemas, que me leste, minha Rosalia.

 

Eu fiquei estático, contigo por dentro, escutando deslumbrado e em silêncio verde, o mar da Galiza e a voz doce Úxia, cantando “tua nai é meiga”.

 

Eras Galega.

 

Foste a minha Rosalia.

 

António Roque

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Sexta-feira, 23 de Maio de 2014

Discursos Sobre a Cidade - Por Gil Santos

 

 

 

CHAVES NA GRANDE GUERRA

O Batalhão de Infantaria nº 19

 

De Chaves A Copenhaga, a saga de um combatente, é uma obra publicada em 2008 pela editora Prefácio, patrocinada pela Câmara Municipal de Chaves e que se encontra há muito tempo esgotada. O título até pode parecer estranho, sobretudo aos mais familiarizados com a temática da Grande Guerra. Trata-se, porém, de uma publicação inédita de valor histórico elevado (a crer na avaliação dos especialistas sobre o diário publicado em fac-simile) de um combatente flaviense, que interessou à Fundação Vox Populi para se associar às comemorações do centenário. Por isso, esta Fundação vai patrocinar, integralmente, a sua republicação, oferecendo um exemplar a cada uma das mais de mil escolas do país, o que acontecerá em Agosto e promovendo igualmente um concurso de trabalhos académicos a realizar pelos seus alunos no próximo ano letivo. A segunda edição da Saga será publicada pela editora Âncora (a mesma que publica Bento da Cruz) sob o título: A saga de um combatente da Grande Guerra - De Chaves a Copenhaga. A Vox Populi vai patrocinar ainda um estudo de opinião, inédito, a realizar a nível nacional pela Marktest, sobre os conhecimentos que os portugueses têm sobre a Grande Guerra.

 

Não é fácil, à primeira vista, perceber o que é que Chaves e Copenhaga possam ter em comum no que se refere à Grande Guerra. Chaves situa-se no coração de uma província ostracizada de um país minúsculo e periférico do sudoeste europeu que participou diretamente na guerra; Copenhaga é a capital de um Estado da Europa do norte, outrora Reino da Dinamarca. Pois foi exatamente a Grande Guerra que uniu estas cidades! Pese embora a Dinamarca ter sido neutra naquele conflito mundial, Copenhaga recebeu e acarinhou alguns prisioneiros portugueses que em trânsito desde a longínqua Prússia Oriental se dirigiam para Cherburgo em França, onde o Corpo Expedicionário, ou melhor o que restava dele, regressou ao solo pátrio.

 

Veja-se uma pequena parte do que a esse respeito escreveu António no seu diário de guerra publicado em fac-simile naquele livro:

 

 

 

 

 

 

 

Algumas centenas destes militares portugueses, prisioneiros dos alemães, mortos, feridos, gaseados ou apenas combatentes sem novidade, foram mobilizados pelo Batalhão de Infantaria 19, sito em Chaves.

 

Das peripécias da Grande Guerra conta-vos o livro, o seu diário e a sua contextualização, aqui queremos, apenas, dar nota, ainda que sumária, da mobilização das forças do 19, bem como de alguns excertos, curiosos, de missivas escritas (e apreendidas) por combatentes transmontanos na Flandres francesa. Antes, porém, queremos dar-vos conta de que das visitas a todos os lugares onde esteve o nosso avô António e que se estendem da Vestefália à Prússia Oriental, faltava-nos apenas a Flandres, o sítio onde lutou integrado no Batalhão nº 3 de Viana do Castelo. Pois tivemos oportunidade, nesta Páscoa, de a visitar: Estivemos em Lille, Armantières, Saint Venant, Richebourg, Lacouture, Fauquissat, Neuve Chapelle, Merville, Paradis, Laventie. Nesta última vila sentimos forte emoção, porque tivemos oportunidade de pisar o exato lugar de Red House, onde o nosso avô foi feito prisioneiro dos boches nessa malvada manhã de 9 de Abril de 1918 na célebre Batalha de La Lys.

Mas vejamos como chegaram à Flandres e a África os combatentes da nossa cidade/região:

 

A participação do BI19 de Chaves não se encontra autonomizada uma vez que não foi unidade mobilizadora enquanto tal. Os seus efetivos militares foram constituir depósito de reserva para colmatar de baixas noutras unidades, como refere Júlio Machado:

 

“Nenhum dos Regimentos de Chaves [cavalaria e infantaria] tomou parte directamente em qualquer das campanhas da primeira Grande Guerra Europeia. Porém os seus soldados e oficiais nela intervieram largamente integrando outros batalhões de outros regimentos, e sempre de forma a deixar memorável a sua presença nas diversas frentes da batalha”[1]

 

No entanto e apesar disso, a mobilização das forças desta unidade deu-se em quatro momentos:

 

O primeiro constou da mobilização para Moçâmedes, no sul de Angola, em começos de janeiro de 1915. A 17 de janeiro as praças foram sorteadas, a 24 regressaram do período de gozo de licença, a 28 seguiram para Lisboa, a 31 embarcaram para África e a 31 de março de 1916 regressaram a Chaves nesse mesmo ano com apenas três baixas.

 

O segundo momento resultou da mobilização de um primeiro Batalhão para a Flandres. Largou de Chaves às 24 horas do dia 21 de maio de 1917, integrando alguns oficiais e praças regressados da campanha de África no ano anterior. Constituiu o segundo Depósito de Infantaria do Corpo Expedicionário Português (CEP).

 

Vejamos a Ordem de Serviço nº 139 que no dia anterior mandou publicar o comandante desta unidade, o devoto republicano coronel Augusto César Ribeiro de Carvalho:

 

regimento de infantaria nº 19

chaves 20-maio-1917

ordem de Serviço nº 130

 

“Devendo marchar para Vidago amanhã àmeia noite o 1º Batalhão dêste regimento, afim de seguir ao seu destino, constituindo o 2º Depósito de Infantaria do cep determino que se observe o seguinte:

 

a) Amanhã ao toque do recolher as praças comparecerão com o uniforme de campanha (dolman e calção de lã, grevas e 1º barrête) e a essa hora terão já o capote colocado na mochila e dentro desta e no saco, todos os artigos de fardamento que lhes estão distribuídos.

 

b) Em seguida à chamada, as praças receberão a ração fria, a raçãode reserva e o vinho, devendo a distribuição ser feita por secções, afim de se efectuar com a maior rapidês, procedendo-se em seguida á distribuição do café.

 

c) Às 22h 3om as praças estarão em forma completamente equipadas e conduzindo cada qual o seu saco para fardamento e em seguida conduzidas á parada do quartel, onde o Batalhão se achará formado ás 23 horas.

 

d) É absolutamente proibida a entrada no quartel, desde o toque do recolher, a indivíduos da classe civil.

 

e) Comparecerão no quartel ás 23 horas todos os oficiais e sargentos do regimento que não mobilizaram. Comparecerá também a Banda de Música com o uniforme nº 5, afim de acompanhar o Batalhão até fora da vila.

 

f) Amanha à hora da parada da guarda serão rendidos todos os cabos e soldados mobilizados que estiverem de serviço nas companhias, por praças não mobilizadas, os quais tomarão conta dos artigos em carga nos diferentes alojamentos e pela sua existência ficarão responsáveis.

 

Os senhores comandantes das companhias mobilizadas mandarão hoje para a secretaria nota do número de praças não mobilizadas de que necessitam para os diferentes serviços.

 

g) Antes da marcha os senhores comandantes das companhias entregarão relações das praças que faltarem à chamada”[2]

 

Este Batalhão, tal como estava determinado, seguiu de comboio até Lisboa onde embarcou para Brest. O comando desta força estava entregue a um major que era acompanhado por quatro capitães, entre eles o médico flaviense Adelino Augusto Fernandes, sete tenentes, trinta e um alferes, um sargento-ajudante, quatro primeiros-sargentos e quarenta e sete segundos-sargentos. Desconhecemos o número de cabos e praças. De Brest seguiram para Etaples de comboio, onde receberam a instrução em falta para a entrada no front. Quase todo o efetivo foi distribuído por outros batalhões na hora do combate. O Batalhão nº 15 de Tomar teve, no entanto, o bom senso de reunir os adidos do 19 num único pelotão. Aí se destacou o célebre soldado Milhões[3].

 

O terceiro momento prende-se com a segunda mobilização para a Flandres. Esta incorporou o nosso combatente António e era constituída, provavelmente, por apenas dois pelotões[4]. A 29 de agosto de 1917, os militares foram sorteados e avisados da partida. No dia seguinte, a pé, seguiram para Mirandela onde apanharam o comboio para Bragança a fim de mobilizarem com o Batalhão de Infantaria nº 30 daquela cidade. Aí chegaram a 1 de setembro pela uma hora da madrugada. De acordo com os dados constantes da Folha de Matrícula de António, gentilmente cedida pelos serviços do Arquivo Geral do Exército, no dia 1 de setembro de 1917 “passou ao Regimento de Infantaria nº 30 - Bragança - por ordem do Comando da 6ª Divisão do Exército - Vila Real - fazendo parte do grupo de companhias deste Regimento destinadas a reforçar o CEP.” Foi integrado na Primeira Companhia do 1º Batalhão com o nº 814.

 

No dia 7, vestiram roupa de mobilizados e no dia seguinte seguiram para Lisboa. No dia 10, pelas 11 horas, chegaram à capital. No dia 12, partiram num vapor inglês para Brest na Bretanha francesa, onde chegaram a 15. Daí até Ambleteuse, já na Flandres, demoraram três dias de comboio. Permaneceram aí até 20 de novembro em instrução. Nessa data, seguiram para o front e foram adidos a outros batalhões na zona de Neuve-Chapelle.

 

De acordo com os dados da Folha do CEP e do Boletim de Alterações nº 54, que a seguir se exibem, no dia 23 de novembro, António foi transferido para a 4ª Brigada – Brigada do Minho – onde foi incorporado na 4ª Companhia do 1º Batalhão do Regimento de Infantaria nº 3 de Viana do Castelo, com o nº 584. A sua Placa de identificação tinha o nº 62413.

 

 

folha do cep de antónio pereira dos santos

 

 

 

boletim de alterações de antónio pereira dos santos

 

 

O nosso combatente, com muita mágoa, foi parar, sozinho, a essa célebre Brigada do Minho. A que mais sofreu na Batalha de La Lys. Da solidão e do desenraizamento destes infelizes soldados nos fala Carlos Palmeira desta forma:

 

Quantas vezes êsses malfadados combatentes se lamentavam por não verem a seu lado um único graduado ou simples soldado da sua unidade, e, para não lhes faltar a coragem devida naquelas horas nostálgicas, ou talvez para recordar a bravura do seu regimento nas campanhas anteriores, os intrépidos militares do 19,cantavam por vezes, mesmo em plena 1ª linha, este hino que Gastão Souza Dias escreveu com purêza de mestre e êles aprenderam na parada do quartel logo nos primeiros dias de instrução e depois entoavam com veemência nas marchas dos exercícios finais:

 

Regimento de tanta firmêza,

De tão nobre e leal patriotismo,

Onde é culto esta doce nobrêza

De morrer numa acção de heroismo,

 

Não existe, não há certamente!

Que seus feitos e altas façanhas

Só são próprias da raça valente

Que nasceu para cá das montanhas.

 

CORO

Dezenove é o seu nome de glórias,

O mais belo da nobre infantaria!

Aumentemos com brava galhardia

Seu legado de tão grandes vitórias!

 

Nós fizemos o Oito de Julho

E mostramos o nosso valôr

Esmagando a traição e orgulho

Dos que á Pátria votavam rancor!

 

E se alguem preguntar a maneira

Como foi nossa fé triunfante,

Apontemos da nossa bandeira

Suas letras em ouro brilhante![5]

 

 

 

 

O quarto e último momento, refere-se ao facto de terem embarcado em Lisboa, em princípios de 1918, com destino ao norte de Moçambique, 1 tenente, 7 alferes, 4 segundos sargentos e 7 cabos. Desconhece-se o número de praças e a data do respetivo regresso.

 

Não conseguimos afirmar que a unidade se tivesse notabilizado enquanto tal. Porém, reconhecemos razão a Carlos Palmeira quando afirma a este propósito que:

 

“Pondo de parte o incomensurável e duplo sacrifício destes modestos defensores do Direito e da Justiça, dignos da mais sincera admiração, alguns bibliógrafos da guerra, ousam afirmar que as glórias praticadas por oficiais e praças dos Depósitos de Infantaria pertencem às unidades onde os mesmos as praticaram. Será assim? A minha opinião é absolutamente contrária, e, sem receio de errar, direi que essas glórias pertencem individualmente aos militares que as praticam, e no seu conjunto, são exclusivas das unidades a cujos quadros pertenciam os mesmos militares, não sendo lógico cercear esse direito aos Depósitos de Infantaria, visto que todos os seus oficiais e praças eram apenas considerados em deligência nas unidades em que se iam encorporar na frente”.[6]

 

Em termos globais, as baixas do 19 cifraram-se em 33 mortos na campanha de Angola e 48 na da Flandres. À sua memória encontramos testemunho nas paredes da Torre de Menagem, precisamente na muralha fronteira à antiga parada do 19, onde juraram fidelidade à pátria estes heróis esquecidos!

 

homenagem aos mortos da grande guerra

 

 

E pouco mais se sabe sobre a participação do Batalhão. No entanto, parece-nos o bastante para percebermos que também os flavienses souberam honrar a pátria como testemunha e reconhece o monumento da nossa cidade dedicado a esta saga bélica.

 

Muitos destes heróis passaram a guerra sem enviarem uma única notícia para os seus entes queridos. Mais de três quartos dos soldados eram analfabetos e para o conseguirem tinham de pagar a quem o fizesse. Porém, ainda assim, algumas cartas chegaram ao nosso conhecimento, por terem sido retidas pela censura militar. Pela curiosidade que representam, selecionamos alguns excertos que aqui reproduzimos. Missivas escritas por/para gente da nossa terra:

 

Minha querida mãe Muito estimo que ao receber esta minha carta que esteja gosando uma perfeita I felis saúde em companhia das minhas queridas manas pois eu ao fazer desta fico bom graças A Deus.

António da Purificação, soldado do C.E.P., França, 28 Julho 1918, p. 1 [para Margarida dos Santos, Carreira de Vinhais, Trás-os-Montes, Portugal – mãe].

 

“O Pai mandou-me dizêr que este ano houve pouco azeite, só sete cântaros; mas ainda assim com o porquinho remedeiam; o antónio adiaram-no para Junho estou a ver que espetam com êle em infantª; o abílio foi prezo em Vila Pouca d’aguiar e não tornei a saber mais nada”

 

1º Cabo João d’Azevedo, França, 22 Março 918, Vila Pouca de Aguiar [para o irmão Manuel d’Azevedo]

 

Sobre as licenças (não) concedidas aos militares, incluímos, a seguir, uma curiosa carta do soldado José Martins, natural de Casas Novas no concelho de Chaves, para a sua mãe Baltazara Correia:

 

“frança, 11 do 8 de 1918

 

Minha Crida e Saudosa mãe Comuito gosto e prazer lancei mão ha pena Somente para Saver da sua emportente Saude e Juntamente atoda a nossa familia pois que eu fico bem Graças A Deus minha minha mãe tenho [ilegivel] que [ilegivel] de licença peço-lhe que me mande 30 milrreis que com algum que eu tenho para ver se lá vou que este dinheiro não se gasta todo mas é preciso mostralo para-se [ilegivel] Alguma demora / Pellos Cumboios tellos para gostar não esteja arreperare para a diracão mande-mo o mais breve que possa que tem de vir num chéque mande-mo numa carta rezistada que elle não-se perde que os meus colegas tambem o teem recevido aver-se vou a essas terras que estes lêdroes não nos deixão lá ir que as tropas já-se revoltarão que até os entregarão as englezes que eu [riscado] ahi não gostava de ver os defuntos mas agor já não me custa nada que se vêêm morrer todos os dias. / Minha mãe tenho para lhe dizer que no dia nove de abril que tevemos um combate que tivemos de Cavar todos que todo o C.E.P. cavou e se os Alemães dão outro avanço o C.E.P. acavou que atté tive de [ilegivel] a minha roupa toda que ande-mos 5 dias que não comemos nada e a nossa roupa da cama era o chão andemos 22 dias com mantas e a nave e o gelo a cair que o encoento nos escapemos muitas graças que muitos meus camaradas lá ficarão como foi o Antonio Pialho que ficou com a cabeça cortada. E o Albaro da tia Izabêl tambem morreu ó está prezioneiro e o Elias e outro cabo de Rebordondo estes morrerão da nossa terra hôra o José Chiscaro ficou bôm e o Antonio Jorge ficou sem novidade que eu estive depoes do combate com elles agora já há muito tempo que não estive com elles e não esteja com quidado em mim que eu estou muito longe das trinxeiras que estou ao pé de Paris num depozito de bagagens não me falta couza alguma muitos abraços deste Seu filho José Martins. A Deus A Deus.

 

Paz às suas almas e glória aos seus feitos.



[1]Cf. Júlio M., Machado, Crónica da Vila Velha de Chaves, Chaves, Câmara Municipal de Chaves, 1994, p. 325.

[2]Cf. Carlos Palmeira, A Acção de Infantaria 19 na Grande Guerra, Chaves, Tipografia Mesquita, 1935, pp. 49-50.

[3]Soldado Aníbal Augusto Milhais, nascido em Valongo, Murça, em 9 de junho de 1895. Em 9 de abril em Huit Maisons, protegeu heroicamente com a sua metralhadora a retirada de inúmeros patrícios. Foi condecorado com a Ordem Militar da Torre Espada, a Cruz de Guerra de 1ª Classe e a Cruz do Rei Leopoldo da Bélgica, Faleceu em 4 de junho de 1970.

[4]Dizemos isto com a convicção de que se esta força era comandada por dois aspirantes (Antero Alves e Augusto Dias) tratar-se-ia provavelmente de apenas 2 pelotões cada um comandado por um desses oficiais. Cf. Carlos Palmeira, Ob. Cit., p. 79.

[5]Cf. Palmeira Carlos, Ob. Cit. pp. 57-58.

[6]Cf. Carlos Palmeira, Ob. Cit., p. 58.

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publicado por Fer.Ribeiro às 14:11
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