12 anos
Quarta-feira, 31 de Dezembro de 2014

Em jeito de balanço - Adeus 2014!

Já é costume terminar-se o ano com o seu balanço. Para não fazer a diferença sigo esse lugar comum, mas deixando as palavras para segundo plano, privilegiando antes a imagem. Assim, deixo por aqui aquelas imagens (uma por cada mês) das que mais gozo me deu publicar. Todas do nosso mundo rural, pois as da cidade ficam para o próximo ano.

 

Começamos com o mês de

 

Janeiro, em Castelões

1600-casteloes (562)

 

Um pouco mais acima, num dia de neve, fomos até Soutelinho da Raia.

 

Fevereiro, em Soutelinho da Raia

1600-soutelinho (711)

 

De vez em quando gostamos de subir à croa dos montes. Santa Bárbara é sempre obrigatória nestas nossa peregrinações.

 

Março, em Santa Bárbara

1600-sta-barbara (143)

 

Às vezes preferimos um passeio à beira-rio,

 

Abril, em Stº Estêvão, à beira-rio

1600-FCR8293

 

Outras vezes, atravessamos mesmo a fronteira para ir à procura de um motivo

 

Maio, cascatas de Souto Chão, próximas de Segirei

1600-workshop-a-sa (53)

 

Outras vezes quase nem saímos da cidade para encontrar um motivo de interesse.

 

Junho, em Abobeleira

1600-reco-abobleira-10 (330)

 

Sempre nos atraiu o Barroso, o nosso, porque nós também temos Barroso, embora haja quem diga que não, eu digo que sim.

 

Julho, em Calvão

1600-calvao (591)

 

E quem vai a Calvão, vai a Castelões, onde há sempre um pormenor que seja para registar.

 

Agosto em Castelões

1600-casteloes (578)

 

Mas também gostamos de mudar de ambientes, embora as aldeias da raia também nos fascinem sempre.

 

Setembro, em Lamadarcos

1600-lamadarcos (222)

 

E às vezes vamos até ao nosso mar de montanhas

 

Outubro, em Parada

1600-parada (36)

 

Outras vezes à procura do outono tropeçamos com momentos únicos

 

Novembro, vista desde a EN 314

1600-en 314 (5)

 

E ao longo do ano vamo-nos perdendo nas paisagens, mas às vezes, quando nos é possível, gostamos de retratar a nossa gente.

 

Dezembro, um residente na matança do porco na Abobeleira

1600-_FCR3910

 Adeus 2014,

 

Bom 2015!

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:48
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Terça-feira, 30 de Dezembro de 2014

Estratos

800-rita

 

Querido 2014,

 

Hesito logo no início da missiva. Foste duro. Mas trago em mim estratos teus e por isso te quero. A história de tudo se faz.

 

Escrevo-te quando ainda te vivo. Podia escrever ao teu vizinho da frente ou esperar que acabasses para mostrar-te ao meu eu futuro. Mas escrevo-te quando ainda te vivo.

 

Contigo fui lá ao fundo. Senti dores maiores. Senti pés despidos em chão nu. Senti gosto de fracasso. Senti morte perto. Por perto. Bem perto. Senti o desgosto. Conheci o luto. Abracei o perdão.

1600-2014

 Quero trazer-te colado a mim. Saber quem sou. Não escrevo ao eu do futuro. Escrevo-te a ti. Quero que saiba que é, por nele haver estrato teu.

 

Não vou chamar-te de mau. Isso decidirei depois. Cabe-me a mim. É minha tarefa construir com a tua dureza. Contigo quero construir.

 

Quero olhar as mãos da vida e ver-te calo. Olhar à frente e ver tua colheita. Contigo alimentei fé. 

Rita

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:52
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O anoitecer de ontem!

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Poderia estar para aqui todo o dia com um blá-blá-blá qualquer a defender os clichés do anoitecer, falar-vos da magia das cores, da poesia do momento, da arte dos desenhos das silhuetas, da singularidade dos contrates. Eu sei lá o que poderia dizer para os defender, mas também sei que nunca conseguiria convencer aqueles que, com toda a sua liberdade, não querem ser convencidos a gostar deles. Enfim, eu gosto destes clichés do anoitecer, que se há de fazer!?

 

Já a seguir vem aí a Rita com mais uns “estratos”.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:49
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Segunda-feira, 29 de Dezembro de 2014

Quem conta um ponto...

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220 - Pérolas e diamantes: a corrupção e o BCI

 

Basta olhar à nossa volta, tanto aqui bem perto de nós como lá para os lados da capital, para nos apercebermos de que quase todos os políticos tradicionais, pertencentes ao designado Bloco Central dos Interesses (BCI), utilizam a política para seu benefício pessoal.

 

Alguns dos políticos que foram presos, ou se encontram sob investigação, pertencem a uma geração que andou sistematicamente a beneficiar grupos económicos em prejuízo dos portugueses.

 

O nosso sistema de governação tem permitido a corrupção, todos o sentimos e sabemos. José Sócrates é um dos atores mais marcantes e mediáticos, porque foi primeiro-ministro durante muitos anos. Mas desta vez teve o azar do seu lado.

 

Nas duas últimas décadas temos tido governos, maiorias governamentais e parlamentares, permissivos à corrupção. Desde logo porque a organização da nossa vida política se baseia no sentido de utilizar os recursos dos portugueses em benefício de particulares, de famílias poderosas, de grupos económicos pouco escrupulosos e dos partidos políticos essencialmente pertencentes ao BCI (PSD/PS/CDS).

 

A política é corrupta, todos o sabemos e sentimos. Mas desde que entrámos na Europa, a existência da corrupção política que se sente em Portugal cresceu exponencialmente.

 

Por exemplo, ao nível das PPP, como sugere Paulo Morais, basta dar uma vista de olhos pelo Diário da República para nos apercebermos que a legislação que lá se publicou é muito habilidosa, pois confere benefícios, de forma inaceitável, às empresas privadas. Sempre com o pressuposto de que os lucros vão para os privados e os prejuízos ficam para o Estado.

 

Quem consegue admitir um negócio que rende 30% ao ano, sem sequer correr qualquer risco, quer favorecer alguém. É isso que acontece com as famigeradas PPP.

 

Ou seja, quem produziu essa legislação não está a defender os portugueses. Taxas de 30% ao ano são completamente obscenas.

 

Por exemplo, em 2011 a função pública teve um corte nos salários de 900 milhões de euros. Curiosamente, essa foi a verba que três grupos económicos (Mota-Engil, Espírito Santo e grupo Mello) meteram nos cofres, por despacho do governo Sócrates. Prejudicaram-se três milhões de pessoas para se beneficiarem três famílias.

 

Não é por acaso que dos órgãos de administração das grandes empresas de construção fazem parte todos os políticos que estiveram ligados ao setor das obras públicas nos distintos governos do BCI (PSD/PS/CDS).

 

Sabemos que existem deputados da Nação que também exercem funções privadas relacionadas com a atividade que tutelam a nível político. Esses senhores vão para deputados com a nítida intenção de obterem informação privilegiada que beneficie os grupos económicos onde trabalham.

 

Perguntarão os estimados leitores o motivo pelo qual os nossos homens públicos não conseguem afrontar os políticos corruptos. Pela simples razão de que dependem deles.

 

Os políticos em Portugal limitam-se a desempenhar o triste papel de paus mandados ao serviço dos grandes grupos económicos.

 

Paulo Morais afirma, e com razão, que o centro do poder legislativo no nosso país, em matéria de maior relevo económico, são as sociedades de advogados, que, curiosamente, coincidem com os interesses dos grupos económicos a que estão associadas. Os governos, por incrível que pareça, apenas se têm limitado a serem correias de transmissão dos grandes grupos económicos.

 

Depois é triste assistir a António Costa, líder do PS, vir para os órgãos de comunicação afirmar que devemos deixar para a política aquilo que é da política e para a justiça aquilo que é da justiça, opinar sobre futebol e taxas de dormida em Lisboa, mas quanto ao argumento substantivo da corrupção política não conseguir afirmar que ela tem tudo a ver com a política e muito pouco com a justiça.

 

A corrupção política em democracia apenas se consegue combater com uma mudança política. Não existe outro caminho. Daí ser necessário, e urgente, mudar o nosso paradigma de representação parlamentar. Para isso têm de surgir novos partidos constituídos e dirigidos por pessoas impolutas e acima de qualquer suspeita. Não existe outra solução credível.

João Madureira

 

PS - Mais uma vez, e para que os flavienses não fiquem com a impressão, incorreta por certo, de que o acordo estabelecido entre o PSD de António Cabeleira e o vereador eleito em nome do MAI, não foi a derradeira tentativa para que a prometida, e devida, auditoria externa às contas da CMC não vingasse, aqui fica mais uma vez o nosso apelo ao senhor presidente da autarquia flaviense, e aos seus distintos vereadores, para que, em nome da transparência e do bom nome da Câmara de Chaves, aprovem uma auditoria externa às contas da CMC. Passaríamos todos, de certeza, a dormir um pouco mais tranquilos. Só um pouquinho, mas, mesmo assim, já era qualquer coisa.

 

PS 2 – E, também em nome da transparência, já agora senhor presidente, talvez fosse boa ideia aprovar conjuntamente uma auditoria externa às contas da JF de Santa Maria Maior, da qual foi insigne presidente, até 2013, o risonho vereador João Neves (ex-MAI e atualmente do PSD), pois quem não deve não teme; certos de que aquele que tão insistentemente reivindicou, durante toda a campanha eleitoral, uma auditoria às contas da CMC, com toda a certeza verá com bons olhos e até enaltecerá fervorosamente, uma auditoria realizada às contas do seu íntegro mandato.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
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De regresso à cidade à beira-rio

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Estamos de regresso à cidade com um passeio à beira-rio, não porque o tempo convide mas porque os rios, neste caso o nosso Tâmega, sempre têm um poder de atração, não sei se pela água, pela sua serenidade ou pela sua liberdade. Pela sua teimosa liberdade de ninguém os travar para mais tarde se espraiarem no mar.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:39
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Domingo, 28 de Dezembro de 2014

Pecados e picardias

pecados e picardias copy

 

E diziam-nos fontes de obscuridade

Sem religião não havia esperança

Nem teria alma a nossa identidade

Nem o ser tinha o credo da bonança

 

Tínhamos a doutrina leve da poesia

Com os deuses nos poemas vivos de santos

Verdadeiros faziam versos de heresia

Salve rainha com pecados e sem prantos

 

Um pai nosso presente num cântico negro

Numa estrofe de rebeldia, só apelos

de liberdade, para pulsar como apego,

sem musas de culpa, agoiro e pesadelos

 

então, ficamos com o orar da poesia

religião a declamar no dia a dia…

 

Isabel seixas

In entre a espada e a parede

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:38
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Quatro olhares sobre Vilarelho da Raia

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Hoje vamos mais uma vez até uma aldeia da raia, Vilarelho, com quatro imagens que escaparam às seleções anteriores.

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Vilarelho da Raia onde gostamos de ir de vez em quando não só porque de cada vez que lá vamos ainda conseguimos imagens diferentes mas também porque é uma aldeia com vida, sempre com gente nas ruas.

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Com vida sim, mas que também sofreu os seus abandonos, aliás bem evidente nas casas abandonadas, sem gente dentro, mas que continua com vida graças ao ter sido uma aldeia grande e ao ter quem ainda regresse para nela viver, mas também a sua localização e uma ligação privilegiada com a Galiza e o vale são razões que pela certa fez com que o seu despovoamento não fosse tão agravado.

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Ficam então quatro imagens com motivos bem diferentes mas que mereceram a atração do olhar e o respetivo registo. Um destes dias voltaremos por lá para pela certa fazer outros registos que escaparam às anteriores visitas.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:40
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Sexta-feira, 26 de Dezembro de 2014

Chaves - Uma imagem

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publicado por Fer.Ribeiro às 05:01
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Quinta-feira, 25 de Dezembro de 2014

Vivências - Natal

vivenvias

 

Natal.

Tempo de…

     Estar com a família…

     Voltar às origens…

     Refletir sobre a vida…

     Projetar o futuro…

     Olhar o céu…

     Orar a Deus…

     Lembrar os que partiram…

     Construir pontes…

     Derrubar muros…

     Aproximar pessoas…

     Desejar boas festas…

     Viver…

 

Luís dos Anjos

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publicado por Fer.Ribeiro às 13:24
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Quarta-feira, 24 de Dezembro de 2014

Boa consoada, bom Natal e boas festas para todos

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Não poderia deixar passar o dia de hoje sem vir aqui com uma imagem e algumas palavras. Afinal hoje é um dos dias (noite) mais importantes do ano, senão a mais importante e aquela com mais significado para as famílias, aquele em que à mesa da casa mãe se faz a consoada. Certo que ao longo dos anos perdemos alguns dos entes queridos à mesa mas também é certo que outros entes queridos os substituem. É assim a lei natural da vida e da regeneração das famílias que faz com que todos os anos haja Natal.

 

Mas também não esqueço qual a missão deste blog, aquela que desde o início o orienta, a de levar Chaves a todos os ausentes, a todos que pela certa também festejam o seu Natal, fazem a sua consoada com o bacalhau, o polvo ou a tradição que de casa para casa ia tendo pequenas variantes, aqueles que reúnem a família possível e que para o Natal estar completo só lhes falta mesmo o frio da terrinha e o calor da casa mãe.

 

É para esses flavienses que estão longe da terrinha que deixo a imagem de hoje, com a sorte de ter apanhado os Reis Magos a atravessar a nossa Top Model Ponte Romana. É que eu também ainda sou do tempo do menino Jesus e do sapatinho junto ao pinheiro, do tempo em que o Pai Natal ainda não tinha nascido e transformado o Natal num comércio. Mais alegre até pode ser, mas perdeu-se alguma magia.

 

Boa consoada, bom Natal e boas festas para todos.

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:12
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Terça-feira, 23 de Dezembro de 2014

Pedra de Toque - A Ceia

pedra de toque copy

 

A ceia

 

Só se chamava assim na consoada.

 

Na minha família prezava-se muito essa reunião, abrilhantada pelo calor da lareira e das braseiras, pelo repasto farto e pela ansiedade da gente jovem pelas prendas com que o Menino Jesus nos brindava depois da meia-noite.

 

À boa maneira transmontana, nessa noite comia-se muito e bem.

 

As mulheres passavam o dia a preparar o polvo, o bacalhau e por vezes a pescada, tudo cozido com as ótimas couves quase todas provenientes da nossa fértil veiga. Depois fritavam-se os filetes de polvo, de bacalhau e os bolos do dito, que elas confeccionavam primorosamente.

 

Por fim os doces, tais como as rabanadas, as deliciosas filhoses de jerimum e as normais, o arroz doce, a aletria e a tapioca que minha mãe não dispensava.

 

A refeição bem regada pelos adultos, terminava no pão-de-ló e no bolo rei acompanhados pelo doce vinho do Porto.

 

Na nossa mesa éramos muitos todos os anos e chegamos a ser mais de vinte quando uma tia e família vinham do Brasil passar a quadra.

 

O meu avô materno (já não conheci o paterno…) era o patriarca que comandava as operações dando início à comezaina das iguarias sabiamente preparadas sobretudo por minha mãe, cozinheira exímia.

 

A boa disposição reinava.

 

Contavam-se estórias, cantarolava-se e enquanto os mais velhos jogavam a bisca e a sueca os mais novo entretinham-se à volta do rapa tentando ganhar pinhões. Era o jogo do tira, rapa, põe ou deixa que eu vou tentar ensinar aos meus netos (se conseguir desencantar um rapa) porque era um passatempo engraçado que entretinha a miudagem.

 

Quando o repasto se aproximava do fim, a criançada ficava irrequieta com a chegada esperada do Menino Jesus que acompanhado de anjinhos descia as chaminés a altas horas da noite, para colocar as prendas no sapatinho.

 

O sono tardava a aparecer mas ao raiar da manhã as crianças saltavam da cama em busca dos presentes encomendados que lá estavam coloridamente embrulhados no sapato, junto à chaminé.

 

Vou fazer um curto parenteses para vos contar uma estória mágica e verdadeira.

 

Tinha eu uns 6/7 anos e ainda dormia com a minha saudosa avó.

 

Às 2 ou 3 da manhã de um dia de Natal, fui acordado de sopetão por ela que me disse que ouvira o barulho do Menino Jesus que, no momento, deveria estar a pôr-me a prenda no sapatinho.

 

Saltei da cama, corri para a cozinha, ouvi um barulho já pouco nítido e vi, claramente visto, uma réstia do pequeno vulto, subindo a chaminé!

 

Juro-vos que durante muitos, muitos anos acreditei piamente que tinha “ouvido e visto” nessa noite fascinante de um Natal inesquecível, o belo Menino.

 

Foi o primeiro e único milagre em que acreditei.

 

 

Já adolescente o fim da ceia de consoada terminava nas Caldas bebendo um pouco da milagrosa água bicarbonatada, que ajudava a digerir a jantarada.

 

Depois corríamos para o Largo do Pelourinho, junto à Matriz, para assistirmos ao Santo Sacrifício da entrada e saída da missa do Galo, o que nos dava a oportunidade de uma troca de olhares com o nosso primeiro amor.

 

A neblina e o frio arrefeciam o nariz e acicatavam as frieiras.

 

Recolhíamos então a penates, levando connosco o sorriso tímido da nossa amada e ansiando pelo próximo Natal.

 

António Roque

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:30
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Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2014

Quem conta um ponto...

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Três continhos para o Natal + 1 de bónus

 

1 - Estrelinha imaginária

 

Alguém saltou o muro da escola e ficou a olhar para o céu, estupefacto. Uma estrelinha imaginária começou a crescer na testa da menina. Um pouco mais atrás uma criatura alada cantarolou um cântico litúrgico. Soprava uma ligeira brisa quando a águia se lançou voraz sobre o coelho companheiro da Alice no País das Maravilhas. O Gato das Botas começou a tocar a flauta do Flautista de Hamelin e levou todos os ratos para a sua herdade. Agora engorda-os e vende-os já mortos para uma cadeia de supermercados devidamente embalados e congelados. Branca de Neve divorciou-se do Príncipe Desencantado e voltou para os seus anões. Afinal, tirando a altura, os anões são homens como os outros. Têm tudo o que é necessário e no devido sítio. Desculpem o desabafo. A menina das trancinhas de prata transformou-se em Catwoman e foi passear pelos céus de Lisboa. O Malhadinhas voltou à sua terra natal, comprou um carro desportivo e joga videogames. O Cantiflas aceitou o papel de super-homem e fez uma revolução em Cuba. Fidel Castro chorou de riso. Soprava uma ligeira brisa no Malecón quando um anjo bom levou a alma do ditador cubano para o céu. Logo de seguida, Charlie Brown anunciou ao povo cubano que era livre. Decididamente, o Snoopy anda a tomar alguma substância alucinogénia.

 

2 -Foda-se Pai Natal

Foda-se, Pai Natal, repito, e restante família. Acabaram-se os postais de Boas-Festas. Essa era já a minha vontade desde há muito tempo, mas não a podia exprimir assim tão abertamente. Eu já tenho tudo aquilo o que posso ter. Até tenho um blog. Só não tenho o que mais quero. Que são as estrelas no meu bolso para as dar à Luzia. E foi isso sempre o que eu mais quis. Dar-lhe estrelas. E também dar as estrelas e os planetas ao Vasco e ao Axel. E oferecer, desembrulhadas, as constelações mais longínquas ao meu pai e à minha mãe, que já não posso ver, mas de quem sinto imensa falta. E recompensar os cantos de trigo e os rebuçados que a minha avó me deu pondo-se no teu lugar quando a abandonaste num Natal longínquo de 1966. Foda-se Pai Natal. Desculpa Pai Natal. Eu sempre pensei que não existias, mas agora sei que existes e que és uma grande merda. Simbolicamente, claro. E isso é muito pior do que se verdadeiramente não existisses. Transformaram-te em realidade, uma dura, crua e sinistra realidade. Uma obsessão. Uma conspiração contra os sentimentos, contra a beleza, contra a fraternidade. Contra a simplicidade das sensações mais íntimas e mais puras. Tu és só presentes. Tu és só presente. E os ausentes? Hã? E os ausentes? Onde estão os ausentes? Só cintilas com dinheiro. Só sorris no meio do desperdício e da futilidade. Só ajudas os que têm. Só iludes os que não são capazes de sonhar. E os ausentes, que tanta falta me fazem, onde estão? Foda-se, Pai Natal, deixaste que te transformassem num velho de barbas branquinhas todo vestido de vermelho. E, ainda por cima, gordo. Muito gordo. E que se ri como um comentarista de rádio que dá peidos sonoros, roucos, untuosos e vernáculos. Foda-se, Pai Natal, dás pena. Apetece mesmo dar-te com o pinheirinho artificial nas trombas e depois pôr-te à geada, enrolado em luzinhas intermitentes. Sempre a piscar. Sempre a piscar. Sempre a piscar. Sempre a piscar. Sempre a piscar. Sempre a piscar. Sempre a piscar. Sempre a piscar. Sempre a piscar. Sempre a piscar. Sempre a piscar. Sempre a piscar.

 

3 - Fugir

Meia-noite e há silêncio nas ruas. A festa é só amanhã, mas eu prefiro ir-me embora já hoje. Eu não gosto de festas. São manifestações pouco adequadas à minha maneira de ser. O convívio dá-me urticária e também me provoca tonturas e espasmos maniqueístas. Nas festas, ao contrário das outras pessoas, fico irascível, mal disposto, nervoso e começam-me a piscar os olhos sem sentido. Mas é sobretudo o barulho, aquilo que mais me perturba. E não há festa sem barulho. E eu não posso com o barulho. Assusta-me. Portanto, quando há festa no meu bairro fujo para a minha aldeia e ali passo dois dias desprezíveis mas sem dores de cabeça. E isso basta-me. Lá estabilizo as minhas preocupações existenciais. Sobretudo vivo de pequenas, mas preciosas, recordações. O olhar da minha avó. O cantar da minha tia. O choro da minha irmã. O vento assobiando nos ramos das árvores. O sol iluminando a igreja. A chuva regando os campos. A sombra deslizando na tarde. O paciente correr do rio. Os animais regressando dos lameiros ou do trabalho. Os homens e as mulheres cantando enquanto regam o jericó. O lento crepitar da lareira. O subtil e paciente ferver do caldo. O cozer das batatas no pote. O estrugir do arroz de tomate na panela. O simpático bater dos vizinhos na porta da cozinha. O vinho bebido pela caneca. No fim do dia adormeço sonhando com o impossível regresso ao passado.

 

Bonús – Tudo me lembra

Tenho saudades infinitas do som da chuva quando batia no zinco da parede de minha casa em noites frias e turbulentas de Inverno. Tenho infinitas saudades desse período mágico em que aprendia a sonhar com o lento cinzelar do tempo na cara da minha avó.


Tenho ainda infinitas saudades da luz clara do amanhecer em alvoradas inundadas de neve e frio. Tenho eternas saudades de pisar a neve dos caminhos pela primeira vez.


Tudo me lembra: os sons do vento, o gemido dos gatos, o ladrar monótono dos cães, o cantar das almas do purgatório, a conversa dos gigantes do Larouco, a agitação frenética das folhas mortas dos carvalhos, o tilintar das moedas no bolso do meu pai, o fumo a sair das chaminés tristes, o chorar das crianças desalentadas, o piar dos mochos, o brilho das geadas, a lareira a arder, a agitação do vento gelado fustigando as ovelhas, as palavras repetidas das missas de domingo, as brincadeiras em torno de um banco ou em cima de uma árvore, as nuvens a fugir no céu, o brilho das estrelas cadentes, o cheiro do feno, o cantar dos grilos nas tocas, os voos noturnos das bruxas, o grito aflitivo dos dementes, o sorriso discreto das vacas, o rastejar das cobras e dos lagartos, a água a correr nas pedras do castelo, o colher do musgo para o presépio, o corte picante dos ramos de azevinho, a água a ferver nos potes, o torrar do pão ao lume, a matança do porco, a leitura de histórias nas manhãs gloriosas de domingo, o sorriso apaziguador de minha mãe, o meu pai, o meu pai, o meu pai, e as minhas irmãs, e os meus amigos.

João Madureira

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
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De regresso à cidade

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De volta à cidade mas também de volta ao Natal, com um presépio, e com ele de volta também ao imaginário de criança em que o presépio era obrigatório em todas as casas, ao lado do pinheirinho natural carregado de bolinhas, luzinhas e chocolates com formato de peixinhos, moedas, coelhos, entre outras figuras, embrulhados em prata com os respetivos desenhos, pelo menos no início era assim, pois chegado o Natal só restavam as pratas e, claro, as bolinhas e luzinhas.

 

A imagem de hoje é de um dos presépios da Casa de Santa Marta em Chaves, mais propriamente o da enfermaria, quanto ao presépio principal esse também lá está, mas o melhor, é mesmo ir lá vê-lo pessoalmente, vai ver que vale a pena.

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:10
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Domingo, 21 de Dezembro de 2014

Pecados e picardias

pecados e picardias copy

 

É tarde no vazio

Um passo de solidão,

acompanha a procissão de tristeza

cabisbaixa, luto , dor e sofrimento.

É tarde no vazio

a lágrima rebelde

teima em querer o degelo da morte

que embalsamou o sonho de conduzir a vida.

É tarde no vazio

Seguro nas mãos o desgosto

Que deu à minha alma a partida

De um amigo sem esperar pela despedida.

É tarde no vazio

Guardo os sorrisos

de afeição que nos demos com apreço

brisa num sopro e para sempre luz de presença…

É tarde no vazio

Uma esperança

Vai depressa num voo

Espalhar um rasto de liberdade

Num até sempre , unidos pela amizade

 

Isabel Seixas

 

Ao Sr. Paulo pelo profissionalismo com amizade…

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 22:05
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Sábado, 20 de Dezembro de 2014

Lumbudus em Allariz – Galiza

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 Inaugurou-se ontem à noite, no Casa da Cultura do Concello de Allariz, mais uma exposição coletiva da Lumbudus, intitulada Alhariz, 25 Olhares da Lumbudus, com a presença da Direção da Lumbudus e alguns fotógrafos da Associação, da Direção da Associación Vicente Risco e o Alcaide de Allariz.

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A exposição resulta do passeio fotográfico que a Lumbudus promoveu ao Concelho de Alhariz no inverno passado e é agora levada a efeito numa organização da Fundación Vicente Risco e o apoio do Concello de Alhariz.

 

Os “25 Olhares da Lumbudus” contrastam com a exposição “ALLARIZ25MIRADAS”, esta a decorrer nas ruas de Allariz, de autoria de fotógrafos galegos, onde em cada uma está retratada uma personagem de Allariz que esteve envolvida na Revolta Veciñal de Allariz de há 25 anos. Exposições que estão integradas precisamente nas comemorações dos 25 anos dessa mesma revolta, de onde também resultam duas publicações coordenadas pela jornalista galega Mar Gil.

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25 olhares Lumbudus Transmontanos sobre Alhariz e 25 olhares de fotógrafos de Alhariz sobre eles próprios. Olhares conjuntos de Galegos e Transmontanos que têm na origem uma mesma língua e identidade.

 

Após a inauguração dos 25 Olhares da Lumbudus todos os presentes visitaram ao longo das Ruas de Alhariz a a exposição Allariz 25 Miradas, tendo como cicerone o próprio Alcaide do Concelho, Francisco García.

D75_1265.jpg

Assim, se for por Alhariz não perca estas duas exposições que estarão patentes ao público até ao próximo dia 30 de janeiro de 2015.

 

Os créditos para as fotografias de hoje são todos para Humberto Ferreira, um dos fotógrafos Lumbudus presente na inauguração.

 

http://www.fundacionvicenterisco.com/

http://www.allariz.com/

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 18:25
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.Fotos Fer.Ribeiro - Flickr

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