12 anos
Sábado, 28 de Fevereiro de 2015

Vila Frade - Chaves - Portugal

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Hoje vamos mais uma vez até Vila Frade e, este mais uma vez, não quer dizer que tenha ido por lá muitas vezes, pois na realidade só lá fui duas vezes, ou melhor, vamos começar isto de novo pois as coisas não são bem assim. Ir a Vila Frade já fui muitas vezes e a primeira vez até já foi praí há coisa de trinta anos, quase sempre por razões profissionais. Quando eu dizia que só lá fui duas vezes, queria referir-me ao ir lá recolher imagens e informações para o blog, isso sim, só foi mesmo duas vezes e da primeira vez, em 2006, só recolhi seis fotos e todas do mesmo motivo — o pombal com a forma de coroa de rei.

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Não é que eu seja lá muito bom a recordar datas, pois apenas sei que foi em 2006 porque é o que consta no registo digital das primeiras fotografias de Vila Frade em arquivo e na altura pouca informação recolhi, ou nenhuma, aliás nem sequer sabia que a curiosa e singular construção que registava em imagem era um pombal, mas desde logo, aí, e pelo que já conhecia da aldeia sabia que tinha de fazer uma visita demorada à aldeia com alguém que a conhecesse bem, o que veio a acontecer só três anos depois, em maio de 2009, mas desta vez para passar lá toda a tarde e recolher num total mais de trezentas imagens e também a informação possível. Ficam assim explicadas essas tais duas visitas e simultaneamente justificar que as imagens de hoje são de arquivo.

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Sorte a minha e azar das nossas aldeias, que desde 2009 até à presente data as aldeias não se transformaram muito, fisicamente falando, pois quanto à população, aí deve ser o que é habitual a todas as nossas aldeias — menos e envelhecida.

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Talvez esteja na hora de atualizar aqui no blog os “Mosaicos das Freguesias” à luz dos últimos censos de 2011, que pela certa mostrará a tendência que a aldeia e freguesia vinha sofrendo, pois a surpresa, que não vai ser surpresa nenhuma, vão ser os Censos de 2021, que esses sim, embora tarde, vão dar para refletir ao refletirem a falta de políticas para todo o nosso interior, principalmente no Norte, que desde 1950 ( segundo os números), ou não as há ou pouco acertam, aliás penso mesmo que nunca houve intensão que elas acertassem, e muito menos nos últimos tempos em que o que vale são os números e as análises das folhas excel sempre deturpadas nos números das estatísticas, do género daqueles em que se têm 10 bifes para 10 pessoas, o que estatisticamente dá 1 bife por pessoa, quando alguns já há muito tempo que nem sabem ao que sabe um bife.

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:44
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Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2015

Rua de Stª Maria - Chaves - Portugal

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:33
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Discursos Sobre a Cidade - Por Francisco Chaves de Melo

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Investir com o dinheiro que os netos virão a ganhar!

 

Não é apenas a falta de recursos humanos bem preparados e em idade produtiva o que limita o desenvolvimento do nosso concelho. A falta de recursos financeiros também é um forte entrave. Nos últimos anos, o problema foi amenizado deitando mão do dinheiro que havia para pagar a água que consumimos. Essa atuação não autorizada de captação de recursos para execução de projetos de fraco interesse económico, vai ser paga pelos netos dos que gastaram sem orientação nem estratégia. Para ser mais correto, talvez os netos dos que gastaram sem sentido não estejam cá para pagar e, assim, serão os mesmos de sempre a aguentar com as consequências.

 

Ensina-se nas universidades que financiamento e desenvolvimento são as duas faces da mesma moeda, mas também se ensina logo a seguir que o financiamento pode ser causa de atraso, de declínio económico e social quando os recursos emprestados servirem principalmente para o consumo e não para o investimento.

 

É este conhecimento, esta certeza da ciência económica que nos deve preocupar. Deve preocupar-nos porque a nossa autarquia pediu nos últimos dois anos, perto de 27 milhões de euros para consumo, para despesas correntes. Refira-se, em abono da verdade, que destes 27 milhões pedidos em duas fases, apenas conseguiu obter um total ao redor de 21 milhões (7 e pico na primeira e 13 e tal na segunda).

 

Qualquer universidade sabe responder à seguinte questão sem margem de erro:

 

- O gasto destes 20 milhões em dois anos para despesas correntes (água, luz, transportes,…) é um investimento com retorno?

 

Para deixar uma pista de resposta ponho esta outra questão:

 

- Se comprar uma grade de cervejas e as beber quanto tenho de retorno com o investimento?

 

Aqui já respondo eu. Como é óbvio, tenho o retorno do valor do vasilhame. Nada mau! Sempre é melhor que uma má disposição pelo excesso de bebida ou uma multa se andar de mota depois de consumir as cervejas. Pois bem, o investimento dos últimos anos em Chaves está com os mesmos problemas que o consumo de cerveja.

 

O valor da dívida total não ajuda nada à disposição da atual câmara, as multas chegam em forma de juros de mora e expropriações milionárias a pagar pelos terrenos junto ao rio. Quanto ao valor do vasilhame vamos ver!

 

Por isso, como já chega de insensatezes, partilho o que penso que deve ser tido em conta para o futuro:

 

- O investimento que vier a ser captado em programas europeus, com o novo quadro de apoio, e em instituições financeiras, deve resumir-se ao investimento em projetos de desenvolvimento, e não em fonte de receita para cobrir gastos do dia-a-dia da autarquia.

 

Temo que este princípio tão simples venha novamente a ser desprezado. Desafio os atuais titulares quer da Câmara quer da CIM, a fazerem prova de que se vão emendar.

 

Até lá, continuaremos a investir com o dinheiro que os netos virão a ganhar (se algum dia ganharem!).

 

Francisco Chaves de Melo

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:59
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Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2015

Maravilhas de Chaves - Praça do Duque

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 Hoje fica um pequeno exercício de Photoshop, o de juntar seis imagens para termos a praça do Sr. Duque apenas numa, por sinal uma das praças mais bonitas da cidade de Chaves.

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:34
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Vivências - A lua de Joana

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A lua de Joana

 

Setembro de 2011. Treze anos depois, e com uma perspectiva inevitavelmente diferente, pelo tempo que passou e pelo facto de agora ser pai, voltei a ler “A lua de Joana”. Escrito na década de 90, “A lua de Joana” retrata-nos a vida de uma jovem de 14 anos que vê a sua vida profundamente abalada pela morte da sua melhor amiga, vítima de overdose, e que não encontra em casa o apoio necessário para ultrapassar a situação.

 

A sua família, de classe média/alta, vive demasiado ocupada para se aperceber que ela está a crescer, que também tem problemas e inquietações e que necessita de muito mais do que uma boa situação económica para se sentir feliz. O pai, um reputado cirurgião completamente viciado no seu trabalho, sai de casa de manhã cedo, ainda antes de Joana acordar, e volta quase sempre quando ela já está deitada, sendo raras as ocasiões em que janta com a família. A mãe, dona de uma loja de roupa, leva uma vida absolutamente fútil, apenas se interessando por revistas, moda e festas. O irmão, que ao longo do livro vai sendo rotulado de “pré-histórico”, “traumatizado”, entre outras coisas, vive num mundo completamente à parte, só dele, e apenas troca com ela alguns (poucos) monossílabos. Nesta família, apenas a sua avó, que entretanto vem a falecer, parece reparar nela e preocupar-se com os seus problemas, sendo para ela uma verdadeira conselheira. E assim, numa caminhada lenta, mas fatal, Joana, a rapariga exemplar, em casa e na escola, vítima de uma completa falta de atenção por parte dos pais acaba, também ela, por entrar no mundo da droga.

 

A principal mensagem a retirar deste livro é a de que o tempo existe para ser passado acima de tudo com quem mais amamos, com quem precisa das nossas palavras, do nosso sorriso e do nosso apoio. No final da história o pai de Joana entra no quarto dela, tira o relógio de pulso e pousa-o sobre a mesa de cabeceira. “Agora tinha todo o tempo do mundo. Para quê?

Luís dos Anjos

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:32
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Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2015

Rua Direita - Chaves - Portugal

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:08
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Chá de Urze com Flores de Torga - 69

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Coimbra, 28 de Fevereiro de 1981

 

Há ocasiões em que os sentimentos valem como argumentos. E calei-o assim: sabia perfeitamente que a liberdade não é a mola real do homem. Que outras forças mais poderosas o solicitam a todo o instante. O fanatismo religioso, os mecanismos económicos ou as paixões políticas, por exemplo. Que não ignorava a que extremos de servidão podem chegar nações inteiras, cegas pela fé ou rendidas a qualquer ideologia. Que a ideia de que a liberdade é uma força incoercível tem muito de romântico. Simplesmente acontecia que tal romantismo, mesmo exautorado, nunca deixou de fazer frente à opressão, ate quando tudo parece perdido. E é essa vontade insofrível de quebrar todas as cadeias que desde rapaz sinto também no âmago da alma, embora tristemente convencido pela dura experiência da vida que este baixo mundo de ilusões não passa de uma redonda clausura.

Miguel Torga, in Diário XIII

 

 

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Terça-feira, 24 de Fevereiro de 2015

Estratos

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A Rapariga das Laranjas

 

Regressou sem que alguma vez tivesse sido meu. Trazia roupa nova, mas guardava a mesma voz. Os livros são um passado onde se pode voltar. Sem contingências de orçamento não têm elementos que passem de moda.

 

Voltei a ver o anorak amarelo da rapariga das laranjas. E também o casaco preto e o travesseiro de prata que usou na missa de Natal. Não sei se eram iguais aos que vi há uns 10 anos. Mas podiam ser os que enfeitavam a rapariga com que me cruzei ontem.

 

O livro que guardava a história não era o mesmo. A dona do livro não era a mesma. A vida não é a mesma.

 

A rapariga das laranjas continua a morar em Oslo. Voltei a vê-la no eléctrico, onde reencontrou o Jan Olav. Tinha a visto passar da minha cama azul. Reencontrei-a enquanto me sentava no sofá castanho.

 

Não a quis deixar ir embora. Gostava de voltar a vê-la da minha cama azul. Do tempo em que vivia entre a cama azul, os livros que a mãe trazia da biblioteca e o leite com chocolate que me preparava todas as manhãs.

 

E as letras voltaram a ser puzzle. Um novo puzzle. Um puzzle sem fim, pelas respostas que não chegarão. Pelas muitas perguntas que tenho por aprender.

Rita

 

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Anoitecer sobre o Tâmega

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Há ilusões que se parecem com a luz do dia;

quando acabam, tudo com elas desapareceu.

Marguerite Duras

 

 

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Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2015

Quem conta um ponto...

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228 - Pérolas e diamantes: O Feiticeiro de Oz e Corin Tellado

 

À medida que vamos envelhecendo damo-nos conta de que tudo aquilo que consideramos de vital importância não é tão importante assim.

 

É errado o conceito que diz que um homem deve ser delimitado, imutável nas suas ideias, categórico nas afirmações que profere, inabalável nas suas convicções, perentório nos seus gostos, enfim, resoluto para sempre na sua maneira de ser.

 

Em vez de gritarmos que acreditamos nisto ou naquilo, o mais avisado será defender os nossos pontos de vista com um misto de convicção e ceticismo.

 

Andamos sempre com aquela inquietação que nos aperta a alma e que, por sua vez, nos comprime o corpo. E vice-versa.

 

A nossa vida não pode ser ditada pelo fatalismo e pelo destino.

 

Não podemos permitir que a inépcia e a tacanhez vagabundeiem por aí, proliferando pela cidade e pelas suas instituições.

 

Querem fazer-nos acreditar que a angústia é uma fonte de prazer e um padrão para a força do caráter.

 

Desconfio das pessoas que extraem da impotência dos outros a sua fonte de poder.

 

Fiquei perplexo com a mirabolante, para não dizer patética, história da celebração do amor pelas ruas da cidade, no evento “Aquae Amor – Chaves Romana”.

 

Veio-me logo à ideia o título da obra de Gabriel García Márquez, O Amor nos Tempos de Cólera. Não no sentido literal da doença sugerida no título do livro, mas antes no do sentimento para que nos remete a leitura do romance.

 

Da cólera do livro passei para a raiva que sinto pelo facto desta gestão autárquica celebrar o “Aquae Amor” (ai se o ridículo matasse!), em cima das ruínas do Centro Histórico de Chaves; da desqualificação dos serviços do nosso Hospital e do Tribunal; do desemprego da nossa população, sobretudo a mais jovem; do definhamento irreversível do nosso comércio; da anemia da nossa agricultura; da indigência dos esgotos a céu aberto em Vale de Salgueiro, Outeiro Seco.

 

E como se isso fosse pouco, agora, a seguir à “Sexta-feira 13” em Montalegre, considerada já a capital das Bruxas, Chaves, pela batuta do Procônsul romano António Cabeleira (ai se o ridículo matasse!), pretende passar a ser a cidade do amor.

 

É como passarmos do filme “O Feiticeiro de Oz” para uma fotonovela do Corin Tellado, com todos os riscos associados ao choque cultural que isso comporta.

 

Depois das “Sextas 13” barrosãs, o edil flaviense, teve a criativa ideia de organizar os “Sábados 14”, com os traços de originalidade e arreganho que todos lhe reconhecemos.

 

O Procônsul romano António Cabeleira, baseando-se na História, pretende oferecer aos flavienses pão e circo. Como gesto político é o paradigma perfeito desta gestão autárquica do PSD/João Neves.

 

Como se isto não bastasse, Chaves possui ainda uma oposição, dita socialista, que veio dizer-nos que o preço da água vai aumentar; e tem um poder, apelidado de social-democrata, que confirma a notícia. Ou vice-versa, o que vem a dar no mesmo.

 

Esta conversa da treta entre políticos tradicionais faz-me sempre lembrar um pequeno diálogo, muito ao jeito dos Monty Python, que li no livro Ferdydurke, de Witold Gombrowicz, que reza mais ou menos assim: “Eh, Eh, hum, então amigo, que tal? Que tal amigo?” “Que tal?” redarguiu o outro sujeito. – “Os preços baixaram.” “Baixaram?” – disse o primeiro sujeito. – “Tenho a impressão de que subiram.” “Subiram?” – perguntou o segundo sujeito. – “Acho que qualquer coisa baixou.”

 

Vivemos nesta triste realidade, comprimidos entre um poder camarário frouxo e ridículo e uma oposição dita socialista que não é capaz de se articular como uma alternativa credível, ou, pelo menos, com um projeto portador de forma e sentido.

 

É tempo de possibilitar a alternativa de um projeto realista e sério que nos tire deste atoleiro de vulgaridade política protagonizado pelo BCI (Bloco Central dos Interesses – PSD/PS). Basta da política do faz de conta.

 

 João Madureira

 

PS – Seriamente inquieto e preocupado com o que vejo ocorrer de norte a sul de Portugal, incluindo necessariamente as ilhas, relativamente às contas autárquicas, às dos bancos e às do governo do país, venho, em nome de, pelo menos, mais de metade dos eleitores flavienses que votaram nesse sentido, solicitar ao senhor presidente António Cabeleira, e demais vereadores, que aprovem uma auditoria independente às contas da nossa autarquia. Quem não deve não teme. E à mulher de César não lhe basta ser séria, tem de parecê-lo. Assim poderemos todos dormir um pouco mais descansados.

 

PS 2 – E, já agora senhor presidente, talvez fosse boa ideia aprovar conjuntamente uma auditoria externa às contas da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, da qual foi digno presidente, até 2013, o atual vereador João Neves (ex-MAI e presentemente do PSD), pois quem não deve não teme; certos de que aquele que tão intrepidamente reclamou, durante toda a campanha eleitoral, uma auditoria às contas da Câmara de Chaves, com toda a certeza verá com bons olhos, e até aclamará de pé, uma auditoria realizada às contas do seu próprio mandato.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
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Segirei e o trilho do contrabando

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O prometido é devido e cá estamos com a ruralidade do nosso concelho, desta vez com Segirei e arredores.

 

Há lugares e aldeias às quais nunca me canso de ir, embora, confesso, saia delas com algum cansaço, não pelo que os olhos veem mas pelo que as pernas têm de percorrer com a ânsia de nada perder e depois, aquela máxima de que “quem corre por gosto não cansa”, é bonita de dizer mas não é bem verdade, e até pode ser que a nossa alma não saia destas andanças fatigada, mas o corpo sente-as. Não quero com isto lamentar-me, pois não o lamento, aliás deixo sempre qualquer coisa esquecida para ter o pretexto de lá voltar e cansar-me de novo .

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Mas desta vez até tinha a missão de ir mostrar um dos nossos cantinhos mais preciosos a pessoas que se dedicam a caminhadas e querem acrescentar este percurso dos trilhos do contrabando aos seus roteiros de caminhadas organizadas , e este percurso é um daqueles que por mais que a fotografia ou as palavras o elogiem, ficam sempre aquém da realidade de o viver e percorrer in loco. Refiro-me ao trilho do contrabando (também caminho de Santiago) que por cá nós conhecemos como as cascatas de Segirei, embora o percurso das cascatas (de Cidadella) até seja em terras galegas, próximas de Tomonte e Soutochao, mas o percurso completo passa obrigatoriamente por Segirei e só termina na sua praia fluvial onde o riacho (das cascatas) desagua no Rio Mente.

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Percurso que é feito com duas realidades bem distintas — a realidade galega e a portuguesa, pois na realidade galega é um percurso tratado, sempre junto ao riacho, com proteções, pontos de descanso e pequenos parques de estar e merendas, incluindo algumas construções refúgio e grelhadores, enquanto que o traçado português é feito praticamente a corta mato num traçado que mal se reconhece pelo meio do monte, cheio de pedras, sem proteções e distante do riacho que mais parece que ao entrar em terras portuguesas desaparece para só aparecer de novo quando desagua no Rio Mente. Como se não bastasse, quando nos aproximamos de Segirei os despejos de lixo e entulhos junto ao caminho serve de postal de receção à aldeia.

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A sorte para as boas impressões, azar nosso, é que chegados à raia o percurso português parece não existir e como tal quase ninguém o faz, com exceção para aqueles que se dedicam ao caminhar, como era o caso de alguns daqueles que neste sábado me acompanhavam e mesmo assim, os de trás protestavam com os da frente para não bulirem muito com as pedras da “calçada” que depois de ganharem movimento nunca mais paravam. Pena que os nossos autarcas não dediquem um bocadinho do seu tempo a conhecer estas realidades, percorrendo estes percursos que cada vez mais são procurados por grupos de caminhantes que também gostam de apreciar aquilo que se lhes oferece.

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Mas do mal o menos pois sempre temos a aldeia de Segirei pelo caminho e o remate com a praia fluvial junto ao Rio Mente, embora Segirei também esteja longe de ser o que era, mas aqui não tem nada a ver com o tal percurso mas antes por ser mais uma vítima dessa doença contagiosa chamada despovoamento e envelhecimento das populações das aldeias de montanha. Vimos ao todo três pessoas e um cão na aldeia e, mais à frente já a caminho da praia fluvial, um guardador de gado, quatro ou cinco vacas e dois cães.

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Entre a aldeia de Segirei e a praia fluvial, junto ao caminho, existem as afamadas águas de Segirei, ferrosas e gasocarbónicas com características e sabor idêntico às águas de Vidago e das Pedras Salgadas, mas quem não souber que existem e onde se localizam, ninguém dá por elas, mesmo estando junto ao caminho. Antigamente ainda existia por lá uma placa a anunciá-las, agora nem isso. É também um dos locais que estando neste percurso pedonal merecia ter um tratamento com um pouco de dignidade, mesmo porque estando no final do percurso um copinho de água cai e sabe sempre bem e nem sequer seria preciso muito, penso mesmo que com um pouco de boa vontade e uns trocados poder-se-ia dar-lhe a dignidade que merece, mas lá está aquilo que dizia atrás, é preciso ir aos locais para se conhecer estas realidades.

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Quando à praia fluvial é um bom remate de caminhada, a infraestrutura existe com algumas mesas, grelhadores, um bar e instalações sanitárias. No entanto bar e I.S. só abrem de verão e não admira, pois suponho que nos nossos 9 meses de inverno nem as moscas lá param, a não ser alguns como nós que querem conhecer tudo, pois já se sabe que a maioria termina o percurso no miradouro das cascatas, curiosamente onde termina a Galiza e começa Portugal.

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Tirando uma ou outra pedra que entra no sapato, no percurso português, o pessoal que tenho acompanhado às cascatas de Segirei e à aldeia propriamente dita sai de lá satisfeito, e mais satisfeito fica se após a caminha tem passaporte para entrar na casa do Agostinho e da Catarina em S.Vicente da Raia, uns novos rurais que abandonaram o grande Porto para em S.Vicente se dedicarem à criação do porco bísaro e aos enchidos tradicionais “Lugar da Eira”. Como se costuma dizer — é a cereja em cima do bolo.

 

Para terminar fica só uma recomendação para aqueles que, como eu, se dedicam mais à recolha de imagens e não estão habituados às caminhadas – façam este percurso num sábado, pois sempre ficam com o domingo para recuperar forças.

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:00
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Domingo, 22 de Fevereiro de 2015

Pecados e picardias

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Pecados e picardias

 

Ao mais pequeno eco de rumor de pecado

Derramavam na fervura louca do desejo

água benta sais de mau agoiro forjado

tapavam o corpo do medo castigo e pejo

 

corpo preso com um não de arame farpado

acorrentadas pela má língua cobarde

desistiam de si para se dar ao amado

faziam jejum para abastança mais tarde

 

juras e promessas de amor puro infindo

ocultando-se da   verdade dos sentidos

viviam cada saudade do amor mentindo

sem dar conta dos suspiros mudos engolidos

 

já não viveriam tanto como hão vivido

como dois soldados tinham o dever cumprido…

 

Isabel seixas in sentidos

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:59
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Ocasionais - Merdalheiras

ocasionais

 

“MERDALHEIRAS”

 

ALHEIRAS!

BACALHEIRAS!

CHOCALHEIRAS!

 

O Fumeiro de Trás-os-Montes está a transformar-se num «defumadouro» de «mentes benignas» e «juízos malignos»!

 

Como se não bastasse já a carne de porco de pocilga ser vendida como de «reco caseiro», quer nos Talhos, quer nas Feirinhas manhosas-famosas, a xico‘sperteza, modernamente chamada «inovação», está a dar fama e proveito a aldrabões e trampolineiros!

 

Os recos agora já não são «cevados»!

 

Matam-se pórcos, não se matam «cevas»!

 

Ou antes, quem faz a matança do reco, de uma (ou mais) ceva, fica calado, quase que como envergonhado por ser sério.

 

Há uns anitos atrás, em Trás-os-Montes, numa terra famosa pelas «Alheiras», mas, na verdade, não tão saborosas como doutras vizinhanças, começaram a fabricar, em nome da castiça «inovação» portugalesa, as «BACALHEIRAS», assim tituladas por este autor, por serem «alheiras feitas com bacalhau», eh! eh! eh!

 

Agora, talvez porque tenham lido o meu «Pitigrama», uns xico‘spertinhos, vizinhos dos «Bacalheiros», armados em antecipadores, aparecem a gabar-se da sua «inovação» na arte de fazer Fumeiro e fabricaram umas «alheiras de chocolate» a que deram o nome de «Chocalheiras»!

 

Muita honradez «inovadora» e intelectual!

 

Bem, amanhã lá virá a fecundidade «alheiral», com as «MERDALHEIRAS», ou seja, alheiras feitas de merda!

 

Que merda de inovação!

 

Ou, que inovação de merda!

 

E depois «as forças vivas» Transmontanas querem que os Produtos Regionais sejam valorizados, conhecidos «internacionalmente»!

 

Até parece que os Transmontanos, de sementeiras, apenas sabem semear aldrabices!

 

Mogadouro e Mirandela bem podiam ter um pingo de vergonha …nem que fosse para se lembrarem do «pingo»   -   ou nunca souberam o que isso era?!

 

Ou dão mais valor à banha da cobra?!

 

M., 20 de Fevereiro de 2015

Luís Henrique Fernandes

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 21:07
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Sábado, 21 de Fevereiro de 2015

Matosinhos, Chaves, Portugal

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Tenho orgulho e gosto de ser transmontano e de comungar essa mesma identidade, mas dentro da identidade transmontana há outras identidades mais específicas e que dentro do sermos iguais, nos diferencia, sobretudo porque a nossa identidade está diretamente ligada à terra mãe, à terra-terra, aos seus vales, aos seus planaltos, às montanhas e às serras, aos rios que a desventram, às fragas, ao granito ou ao xisto e ao rigor dos invernos e verões a que essas terras estão sujeitas, mas também algumas diferenças no estar mais ou menos isolados, às vezes na pronúncia e noutros pequenos traços culturais que compõe e denunciam essas identidades.

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Mais próximo de nós e a rodear o concelho de Chaves temos pelo menos umas cinco dessas identidades dentro da identidade transmontana — a barrosã, a da terra quente, a dos penatos, a que começa em terras de Aguiar (Vila Pouca) e se prolonga até Vila Real e a galega. Claro que esta proximidade de outras identidades influência a nossa que lhe está mais próxima, assumindo estas uma outra identidade dentro da sua identidade flaviense. Assim, temos de considerar pequenos grupos de aldeias que ao entrar dentro delas e da sua identidade facilmente verificamos que não é igual à dos outros pequenos grupos que sofrem da influência de outras identidades. Em suma, são assim como os antigos bairros das cidade(s), antes de estar tudo ao molho (A Casa Azul, o Campo da Fonte, o Campo da Roda, o Campo de Cima, o Caneiro, a Madalena, o Bairro Operário, o Bairro dos Fortes, o Stº Amaro… e claro, os “betinhos” da cidade. Todos da cidade mas cada um com as suas características, identidades (até sociais), uniões e rivalidades.

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Pois as nossas aldeias funcionam como bairros das montanhas e hoje vamos até um deles, mais propriamente até à aldeia de Matosinhos, que curiosamente nessas identidades mais específicas eu a enquadro entre as terras frias da terra quente e as terras de Aguiar, com idênticas características às suas vizinhas Dorna, Fernandinho, Vale do Galo, Póvoa de Agrações, Agrações, Adães, Stª Leocádia, Stª Ovaia, Fornelos, Carregal e ainda um pouco a Torre de Moreiras e Moreiras. Em suma, são também as terras da castanha. Claro que como sempre isto vale o que vale e sou eu que as vejo assim.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:08
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Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2015

Chaves, um olhar sobre a Rua Direita

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:50
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