12 anos
Terça-feira, 31 de Março de 2015

Intermitências

800-intermitencias

 

Sobre a Invencível força das circunstâncias

(Segunda parte)

 

Quando olhou para a fotografia, apenas viu um local paradisíaco onde nunca tinha estado e provavelmente nunca estaria. O jovem de olhos azuis cristalinos apenas sorriu. "Um dia explico-te, se quiseres".

 

"Vivo para que o meu espírito não adormeça". Lembrava-se várias vezes dessa frase que o jovem lhe dissera. Que quereria ele dizer?

 

Dia após dia, via o jovem no Arquivo sempre alegre, sempre feliz. Até ao dia em que lhe perguntou sobre aquela frase. Sim, queria que ele lhe explicasse. Então o rosto do jovem iluminou-se, todo ele se encheu de entusiasmo e excitação, pegou-lhe no braço e levou-o para a sala de reuniões. Ficaram lá fechados durante uma hora.

 

Aí, o jovem confirmou-lhe a teoria da mente: 95% de lama e 5% de água clara. Na fotografia, estava um local paradisíaco, mas também muita lama à volta. "Não vês? Tu estás na lama, mas podes libertar-te. Só tens de te deitar na areia branca ou chegar até ao barco...". O jovem também já estivera preso nessa lama e, tal como ele, acompanhara durante a maior parte da sua vida a mecânica do mundo e a incrível força das circunstâncias. "Porque como na tua mente, na minha também estava tudo turvo. Como podia ver claramente o que me faria feliz?"

Circunstancias_2.jpg

Praias de Ubatuba, Brasil, Dezembro 2014. - Fotografia de Sandra Pereira

 Em tempos, continuou o jovem, "era uma pessoa negativa, depressiva, com vícios e sempre insatisfeita, mesmo estando num perfeito local paradisíaco". Até um dia em que questionou a mecânica de todas as coisas e a incrível força das circunstâncias.

 

- "Como?"

- "Parei e meditei"

- "Só isso?! Como meditaste?"

- "Sim, meditei. Meia hora por dia, ao acordar, simplesmente sento-me e concentro-me sobre o nada."

 

Mal queria acreditar no que ouvia. Concentrar-se sobre o nada? O jovem sorriu. "Sei que parece loucura, mas pensa que as ideias mais poderosas vêm sempre das coisas mais simples..."

 

Nessa meia hora de meditação por dia, o jovem esvazia a mente dos pensamentos do quotidiano e, no meio do nada, surge o essencial. Aos poucos, descobre-se, vê mais claro, sem barreiras. "Vai diluindo a lama... e a mecânica das coisas transforma-se em génio criativo. Porque não tenho medo de experimentar coisas novas, e as minhas ideias e vontades vão-se definindo..."

 

Mal queria acreditar. Nesse momento, o seu espírito acordou.

 

Fim

Sandra Pereira

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:42
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Um elogio à Primavera

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:35
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Segunda-feira, 30 de Março de 2015

Quem conta um ponto...

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233- Pérolas e diamantes: a humildade e o orgulho

 

Quero crer que existe uma verdade que ainda poucos se atrevem a admitir, uma vez que é opinião quase unânime de que os partidos e os políticos são todos iguais: ainda há políticos e partidos que são diferentes, para melhor, claro está.

 

Admito que isso é verdade. Sempre achei que a humildade perante os factos é a única coisa capaz de salvar a democracia e a liberdade. Como lembra Thomas Lang, ou melhor, Hugh Laurie: sê humilde perante os factos e orgulhoso perante as opiniões.

 

Tudo isto vem a propósito de um homem e de um partido que ele formou à sua imagem e semelhança. Um homem desassombrado, íntegro, frontal, sincero e com uma vida profissional, política e social transparente.

 

Falo-vos de Marinho Pinto, e do PDR, um português que sempre defendeu a humildade perante os factos e sempre expressou as suas opiniões com orgulho e sem papas na língua.

 

Em apenas dois meses à frente do Partido Democrático Republicano conseguiu a proeza de o colocar nas sondagens com 5% (à frente do CDS, BE, PL e muito próximo do PCP), numa posição de poder influenciar o próximo governo.

 

Sobre as sondagens disse que é daqueles que só faz prognósticos no fim do jogo. Pois elas servem para embriagar quem as compra.

 

Em entrevista à revista Sábado, definiu-se como um republicano que se revê na grande virtude dos ideais da República, a humildade democrática, não só na política, como em tudo na vida. “Em período de arrogância e soberba, ser humilde é uma vantagem competitiva.”

 

Apesar das sondagens já darem o seu partido como o “desempata” das próximas eleições, Marinho Pinto é perentório: “Não seremos muleta de ninguém, seja qual for o resultado. Concorremos para apresentar um programa de inovação, de mudança da vida política, de mudança do País. É necessária uma quarta república. A refundação da república.”

 

Questionado pela Sábado sobre se tem preferência pelo PS ou pelo PSD, afirmou que a preferência do seu partido é por políticas. “Nem estamos aqui à procura de alianças. Porque não estamos à procura de lugares.”

 

Sobre o PS, considera que tem condições para ter uma votação razoável, mas bem longe da maioria absoluta, provavelmente pior do que aquela que António José Seguro teve e que levou ao seu afastamento.

 

Mas foi sobre António Costa que disparou a sua forte argumentação: “António Costa é um bluff político. É um jotinha que está a chegar a velho sem ter sido adulto na política. Começou aos 14 anos e anda desde os 14 anos nesta intrigalhada, nestas redes de conspirações, nesta teia de cotoveladas, de facadas nas costas, de traições, é isto que ele sabe fazer. Aquilo que fizeram ao António José Seguro é inqualificável do ponto de vista político.”

 

Mas não se limitou a ficar por aqui. Esclareceu que a traição ao ex-líder do PS, por parte de António Costa, demonstra que quem manda no PS é “uma clientela ávida de poder, para satisfazer necessidades pessoais, contra o País.”

 

Na sua opinião, os vários partidos políticos do Bloco Central dos Interesses (BCI) apenas se têm preocupado em satisfazer “a gula insaciável” das clientelas parasitárias que gravitam em seu redor.

 

Para o líder do PDR, Pedro Passos Coelho, que prometeu concursos públicos, enxameou o Estado de boys laranjas, “porque são essas clientelas que mandam nos partidos e escolhem os líderes”.

 

Esclareceu que as suas críticas a António Costa não se destinam a conquistar votos no eleitorado do PS. A mensagem do PDR destina-se àqueles que desacreditaram da política e já não votam. “Quero-lhes levar uma mensagem de esperança. Quero que voltem a acreditar na política, dizendo-lhes que temos sido mal governados e mal dirigidos, as nossas elites em muitos aspetos traíram os nossos interesses, mas é na política que temos de resolver os problemas do País.”

 

João Madureira

 

PS – Tchékhov dizia que “a arrogância é uma qualidade que fica bem aos perus”. Por isso, não nos cansamos de solicitar ao senhor presidente da CMC e aos seus distintos vereadores, que aprovem uma auditoria independente às contas da nossa autarquia. Quem não deve não teme.

 

PS 2 – Também em nome da transparência, já agora senhor presidente, talvez fosse boa ideia aprovar conjuntamente uma auditoria externa às contas da JF de Santa Maria Maior.

 

PS 3 – Era um ato de coragem redentora, o senhor presidente deixar-se de desculpas de mau pagador e pôr fim ao deplorável espetáculo dos esgotos a céu aberto em Vale de Salgueiro – Outeiro Seco.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
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De regresso à cidade - Rua 25 de Abril

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:14
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Domingo, 29 de Março de 2015

Pecados e picardias

pecados e picardias copy

 

A Taverna


Estava ansioso o servente
Do javardo nem sinal
Não lhe saia da mente
Será? ela viria afinal?
 
A taverna cheia…
Todos a queriam ver
Mas a ele pertencia-lhe
O direito de  só ele a ter
Como a queria dizia-lhe
 
Não via a hora
Da mulher se deitar
Céus como demora
A cozinha a arrumar
-Ó Bertinha vai descansar
-Estás aflito homem
 Deixa-me acabar
Quero a cozinha em ordem
 
Meu Deus e se ela não viesse?
Sentiu a necessidade premente
Como viveria se ela não existisse
Onze horas! Entrou mais gente
 
Um casal? Um homem e uma mulher
Envolvidos… só…um com o outro…
Sentaram-se pediram uma caneca de mistura
Na mesa do canto era de se prever
Mais uns a viverem o amor lá do canto
A beleza do sentimento transformada em agrura
 
Pensou na última vez
Há umas semanas, um mês?
Hoje ia ser melhor …
Pensou na forma de demonstrar
O que sentia, amor a deflagrar…
 
O javardo e a sua viola…
Instrumento? Qual sacola…
Fazia as delícias dos clientes
Mantinha as normas vigentes
Convencia a mulher a ir embora
 
Que se teria passado?
Hoje nunca mais vinha
Quem traria para o serão?
 A filha? a francesinha?
Que segredo bem guardado
Escondia desde então?
A Bertinha olhou a taverna
Noite! Clientes à perna
A mudança de humores
A necessidade dos favores
 
Faltava-lhe uma rotina
Repor o vinho do serão
Baptizado com aguinha
Ia buscá-lo… ao porão
 
A taverna estava cheia
A um canto o Zé da bisca
Com mais três joga a sueca
Gostava do Zé…farrista
Amigo do javardo por ser camionista?
Ali havia coisa!... com a breca
O javardo!... A Panaceia…
 
O patrão e o amigo
Que dois… na conversa
Enfim que castigo
Que será que a todos interessa?
 
Noite adentro...

Isabel Seixas

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:30
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Agrela - Chaves - Portugal

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Hoje fazemos uma breve passagem pela Agrela da freguesia de Ervededo e uma das nossas aldeias da raia, embora não tão próxima desta, tal como acontece com a maioria das restantes aldeias da raia do concelho, isto se considerarmos que dois quilómetros é longe.

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Uma aldeia que também sofre do mal que é comum as aldeias mais distantes da cidade – o despovoamento e envelhecimento da população residente, mas neste caso parece-me que o envelhecimento da população é mais marcante.

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Há quase trinta anos que passo pela Agrela regularmente, no entanto só há meia dúzia de anos a descobri, tudo porque engana para que a vê da estrada que lhe passa ao lado. Assim, para se conhecer, temos mesmo de deixar a estrada principal que liga o Couto à Torre, um ligeiro desvio que vale a pena fazer, isto se quisermos sentir a aldeia.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:45
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Pedra de Toque - Domingo de Ramos

pedra de toque copy

 

Domingo de Ramos

 

         Hoje, os leitores compreenderão, escrevo para a minha madrinha.

         Também tive uma madrinha.

         Sei que com cuidado e carinho me pegou ao colo quando na Matriz, na moleirinha cabeluda, o padre verteu a água fria da pia baptismal.

         Dizem-me que dei os berros da praxe.

         A minha madrinha, que também era minha tia, sempre me mereceu respeito, amizade sincera que lhe devotei no dia-a-dia e que, consagrava neste Domingo antes da Páscoa, quando lhe oferecia o ramo.

         Era um ritual bonito, uma solenidade simples.

         Julgo, com tristeza, que caiu em desuso.

         Neste meu lamento não há passadismo nem sequer conservadorismo e muito menos revivalismo, considerado por alguns, eventualmente senil.

         Para esses, sinceramente, estou-me nas tintas.

         Esforço-me, no entanto, para compreender este tempo que também é meu.

         E é curioso, a reflexão me ter conduzido à certeza que o futuro nunca terá futuro se não se alicerçar nas lições do passado sempre que estas sejam exemplos de solidariedade, de fraternidade, de carinho, de amor que devem revestir as relações humanas.

         O trovador brasileiro diz na canção que só com afecto se pode cozinhar o doce predilecto.

         As fotografias do passado que publico nos meus textos, pretendem tão só realçar os ângulos que gostaria de ver no presente para que nunca se perca a esperança no porvir.

         E era afecto, que o ritual de levar o ramo à madrinha, tantas vezes um “parentesco” nascido pelo baptismo, sempre traduzia.

         E mantinha-se no decurso da viagem da vida.

 

         A minha madrinha está muito longe.

         Hoje, contudo, está muito perto.

         Pela sua amizade, pela sua ajuda desinteressada que me prestou quando dela necessitei, pela afeição com que sempre me envolveu, hoje vou levar-lhe o meu ramo.

         Não o faço com o “papillon” e a camisa, nascida das mãos hábeis da Sr.ª Marquinhas Roque (a primeira paixão da minha vida), nem com as calças à golfe costuradas com perfeição pela senhora Preciosa no topo das escadas íngremes depois de provas difíceis.

         Não irei também com brilhantina no cabelo a segurar uma poupa arrebitada e luzidia.

         Caminharei como homem de idade adulta a quem a vida vai gastando e oferecerei o ramo, em forma de crónica, composto de palavras floridas, com toda a cor e perfume que a minha imaginação conseguir.

         E daqui do papel, sem complexos, mas com todo o respeito e muita ternura, saudando-a, não deixarei de lhe pedir

         “- A sua bênção, madrinha!”

 

António Roque

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:41
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Sábado, 28 de Março de 2015

Rio Tâmega, ali para os lados de Stº Estêvão

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Cada vez mais a fotografia faz parte da nossa vida quotidiana. Hoje quase não há quem não ande, pelo menos, com uma câmara fotográfica no bolso e a use constantemente como mais um instrumento ao qual se recorre para os mais diversos fins. Roland Barthes dizia que “No fundo a Fotografia é subversiva, não quando aterroriza, perturba ou mesmo estigmatiza, mas quando é pensativa.”

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Por sua vez, Gisèle Freund referindo-se à fotografia dizia que “A objetiva, esse olhos pretensamente imparcial, permite todas as deformações possíveis da realidade, já que o carácter da imagem é determinado, a cada vez, pelo modo de ver do operador e pelas exigências dos seus mandantes. A importância da fotografia não reside portanto apenas no facto de ela ser uma criação, mas sobretudo no facto de ela ser um dos meios mais eficazes de conformar as nossas ideias e de influenciar o nosso comportamento.” .

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Quem se dedica à fotografia, mesmo de um modo amador, sabe que a sua objetiva não é imparcial e mostra ou capta aquilo que ele quer captar, rejeitando logo num olhar clínico aquilo que não quer ver ou mostrar, sem necessidade de manipular o que quer que seja. Em suma, qualquer um pode mentir com a verdade.

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Também eu pecador me confesso e a verdade é que também a objetiva da minha câmara fotográfica é seletiva e só capta aquilo que eu quero captar, às vezes só aquilo de que gosto, outras vezes também aquilo que não gosto. Tudo depende da sua finalidade, daquilo que queremos dizer, daquilo que queremos transmitir, daquilo que queremos denunciar, daquilo em que queremos acreditar, mas também depende daquilo que os nossos seguidores querem ver e mostrar, principalmente aqueles que querem matar saudades nas imagens que veem, e quando veem, são tão seletivos no seu olhar como o fotógrafo o foi no captar e por muito que eu elogie e goste, ou melhor, nós elogiemos e gostamos deste “Reino Maravilhoso” que o Torga nos canta nos seus escritos, sabemos bem que isto aqui não é o paraíso. É assim como o amor, a alegria, a felicidade, palavras que só têm sentido se existir e tiverem o seu oposto – o ódio, a tristeza e a infelicidade.

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Enfim, vem todo este discurso ao respeito das imagens de hoje em que quis trazer um pouco das duas verdades do nosso Rio Tâmega, aquele que também nos alegra e entristece, aquele que nos oferece imagens dignas de contemplação mas também as que revoltam, aquele onde por baixo do espelhar do azul do céu correm águas turvas que há muito perderam a sua transparência cristalina.

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Tudo isto para não vos enganar com a verdade e para não irem à procura de olhares de contemplação sem primeiro terem de tropeçar com os despejos e lixos que jazem nas suas margens, e fico-me por aqui, por um pequeno troço do Rio Tâmega ali junto ao “lago” que resultou da extração de areias em frente a Stº Estêvão, pois se formos por esse rio acima, ou abaixo, para não falar nos seus pequenos efluentes, temos de dar graças a Deus por as fotografias não terem cheiro.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:59
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Sexta-feira, 27 de Março de 2015

Chaves - Torre de Menagem

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:30
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Discursos Sobre a Cidade - Por Francisco Chaves de Melo

discursos-chico

 

Geriatria gratuita.

 

Não terá havido político consciente que nos últimos 30 a 40 anos não tenha prometido desenvolver a oferta educativa gratuita para todas as crianças e jovens, alargando de década para década, o número de escolas e anos de escolaridade obrigatória. Atualmente, essa obrigatoriedade de frequência estende-se até que um jovem perfaça 18 anos.

 

Se no litoral do país, nas grandes cidades, o abandono escolar precoce ainda se envolve de atualidade e é ainda necessário garantir escolaridade obrigatória para todas as crianças e jovens até ao 12º ano, no interior esse objetivo já perdeu força em virtude de o abandono escolar se ter eclipsado pela quebra acentuada da natalidade. Mas terá a promessa de escola gratuita para todos ainda a mesma força mobilizadora dos últimos anos?

 

A pergunta surge para nós porque o debate sobre a oferta educativa já não se situa na ampliação, mas na sua inexorável redução. Não se debate, agora, a necessidade de haver escola para todos, mas sim sucesso escolar para os poucos que a frequentam, ou quando não o seu encerramento. Relembro que ainda no início do ano letivo se assistiu ao fecho de mais escolas por falta de alunos no nosso concelho. Esta calamidade demográfica, infelizmente, vem sendo recorrente nos últimos 12 anos. Pode ser coincidência, mas o facto é que se iniciou com a gestão municipal do PSD de João Batista.

 

Os dados demográficos que se reproduzem na imagem espelham com clareza a tendência decrescente de crianças e jovens entre os 0 e os 14 anos no concelho, ao mesmo tempo que revelam um crescimento do número de idosos entre os 75 e mais de 85 anos. Esse crescimento de idosos nos últimos 5 anos ultrapassou a meia dúzia de centenas.

grafico-cm.JPG

Deverão estes dados fazer-nos repensar objetivos? Será agora necessário que em vez de educação gratuita se exija geriatria gratuita?

 

Que políticas municipais temos em execução no concelho que garantam o máximo grau de independência aos idosos? Que estratégia existe para a manutenção da funcionalidade decorrente da redução da capacidade de adaptação a sobrecargas funcionais decorrentes da idade avançada? E deteção precoce de problemas funcionais, quem a faz? Já agora, com as polémicas à volta do nosso hospital, quem garante tratamentos atempados no concelho ou mesmo no distrito?

 

Outras questões poderão ser colocadas, questões que podem ir desde saber se existem maus tratos a idosos, se os medicamentos são usados racionalmente, de que modo se estimula a prática de atividade física ou se é realizada formação para os cuidadores de idosos.

 

Pelo exposto, não será legítimo exigir a uma gestão autárquica atenta às pessoas que, no mínimo, procedesse à elaboração de um estudo para a criação e desenvolvimento de um programa de apoio à população idosa do Concelho? Estudo que permitisse determinar a importância de disponibilizar uma Unidade Móvel de Saúde – UMS – pluridisciplinar, composta por um enfermeiro, um nutricionista e um assistente social? Não seria importante que essa equipa fosse responsável pelo acompanhamento domiciliário dos idosos, nas áreas prioritárias seguidamente discriminadas:

 

a) Medicação a tempo e horas (renovação do receituário);

b) Alimentação que dá vida (Combate à diabetes, ao tabagismo e/ou ao alcoolismo);

c) Ajuda na hora, procurando dar resposta social aos idosos isolados, nomeadamente na prevenção da doença, no apoio àqueles que têm mobilidade reduzida e estão integrados em famílias carenciadas.

 

Na minha opinião, tal unidade móvel poderia assegurar, preventivamente, rastreios de colesterol, diabetes, tensão arterial, visão e audição, realizando ainda pequenos exames médicos (exames respiratórios e pequenos curativos). Insisto, por isso, na necessidade de criação da unidade móvel e também penso que essa unidade móvel deverá desenvolver a sua ação, em parceria com os centros de saúde e a Segurança Social, mas em estreita coordenação com os diversos centros de dia, com as respetivas juntas de freguesia e, bem assim, com as IPSS sedeadas no concelho.

 

Esta iniciativa será, seguramente, bem acolhida pela população do Concelho, particularmente, pela população mais idosa, sua destinatária, proporcionando-lhe outra qualidade de vida.

 

Infelizmente a atual gestão municipal tem uma visão politizada do apoio aos idosos, criou por isso a “Chaves Social”, associação sujeita ao seu domínio político desde a contratação de pessoal à gestão quotidiana, já que não vive do apoio dos seus associados e subsiste com os sucessivos e avultados subsídios que recebe da Câmara e da EHATB.

Francisco Chaves de Melo

 

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Quinta-feira, 26 de Março de 2015

Panorâmica do Largo do Arrabalde - Chaves

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:28
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Vivências

vivenvias

 

Os livros só se emprestam aos amigos…

E os amigos não pedem livros emprestados

 

Há vários anos atrás, no meu primeiro ano de atividade como professor, numa visita a casa de um amigo meu, homem das letras e apreciador da boa escrita, e que já naquela altura me levava seguramente uma centena ou mais de livros de avanço, fui surpreendido no seu escritório/biblioteca com uma inscrição que dizia: “Os livros só se emprestam aos amigos e os amigos não pedem livros emprestados”.

 

Apesar das várias visitas posteriores com que fomos cultivando a nossa amizade nunca surgiu a oportunidade de lhe manifestar a minha discordância. É certo que os livros, para quem realmente os aprecia, ou até os devora, acabam por se tornar um pouco de nós próprios. Em determinada altura da nossa vida surpreenderam-nos, fizeram-nos sonhar e alargaram os nossos horizontes. Com eles rimos, ansiamos, e alguns até nos fizeram derramar lágrimas… Outros marcaram-nos de tal forma que os chamamos de “o livro da minha vida”. E por isso os guardamos cuidadosamente numa estante, bem cuidados, ordenados, e sempre à mão para serem consultados e revividos. Não os deixamos ao acaso, esquecidos num qualquer canto da casa. Mas se for para emprestar a um amigo, por que não? Por que não proporcionar-lhe também a ele a mesma satisfação que o livro nos fez sentir a nós quando o lemos? A mesma, ou outra, maior ou menor, porque isto das satisfações e dos gostos pessoais em termos de leitura, como aliás em tudo na vida, não se comparam nem se discutem…e ainda bem. Apenas deverá haver uma condição sine qua non: a sua devolução, tão breve quanto possível e igualmente bem cuidado, para, quem sabe, nos voltar a fazer sonhar como se fosse a primeira vez.

Luís dos Anjos

 

 

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Quarta-feira, 25 de Março de 2015

Chaves - Uma Imagem - Con(trastes)

1600-(27268)

 

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Chá de Urze com Flores de Torga - 73

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Chaves, 30 de Agosto de 1987

 

É pérfido. E a perfídia é a perversão da maldade. Daí que fira sempre por interposta pessoa, a atingir impunemente a vítima e a tentar ao mesmo tempo corromper o medianeiro. Mas não se pode pedir mais a um homem negativo, como o são todos aqueles que, antes de agredirem o semelhante pelas costas, já negaram em si próprios a sacralidade frontal da condição.

Miguel Torga, in Diário XV

 

 

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Terça-feira, 24 de Março de 2015

Crónicas estrambólicas - A flora de Chaves

estrambolicas

 

A flora de Chaves

 

Andei a folhear uma publicação antiga, a Ilustração Transmontana (Archivo Pittoresco, Literario e Scientifico das Terras Transmontanas). No volume de 1909, há alguns artigos sobre Chaves. Num artigo sobre a flora (escrito no português de antes do grande acordo ortográfico de 1911, aquele que mudou os PH’s para F’s) conta-se que a flora da zona nunca foi estudada, excepto uma vez, há uns cem anos atrás. Em 1797, dois allemães illustres, o conde de Hoffmansegg e o professor Link, vieram a Portugal estudar a flora, mas a zona transmontana ficou em claro por o professor ter sido chamado a apresentar-se na universidade de Rostock. O conde voltou sozinho em 1800 e visitou Chaves, depois duma passagem por Montalegre.

 

As conclusões, que o conde publicou no livro Viagem em Portugal, são descritas nesse artigo:

 

“O termo de Chaves, com vinte e oito leguas quadradas de extensão, comprehende cento e oitenta e seis aldeias, sete mil e setenta e oito fogos, e trinta e tres mil e oitenta almas—o que dá mil duzentos e sete habitantes por legua quadrada, população bastante consideravel. A villa contém seiscentas e oitenta casas, e tres mil seiscentas e cincoenta almas.”

 

Queixamo-nos, agora, da desertificação... Se calhar o alemão tinha razão, há gente que chegue.

 

“Dois quintos da comarca são cobertos de castanheiros e algumas outras arvores; um quinto está inculto e dois quintos são agriculturados. Cultiva-se muito centeio, colhe-se milho maez, trigo e batatas, mas pouco vinho e quasi nenhuma seda. As outras producções consistem em linho, de que se recolhe annulamente seis mil arrobas (a arroba tem vinte e oito libras); em lã quatro mil arrobas por anno; e em cera duzentas arrobas.”

 

Já na altura a agricultura não era afamada.

 

Seria engraçado recriar algumas coisas desse tempo, como a cultura da seda e do linho.

 

“Emprega-se uma charrua especial, cuja relha é curva e abre sulcos pouco profundos e afastados uns dos outros deseseis pollegadas; como o sulco da relha não tem mais de quatro pollegadas de largura, fica entre cada sulco um espaço inculto de dez a nove pollegadas. Este methodo, usado em muitas províncias em Portugal, é sem duvida uma das causas principaes do pouco rendimento das terras. Não se estrumam os campos, porque se imagina que é inutil. Lavra-se quatro vezes e estorroa-se ou grada-se outras tantas, as grades são semelhantes às nossas mas os seus dentes são feitos de pau. O desterroador não está em uso, porque se julga demasiadamente trabalhoso o leval’o todos os dias para o campo e tornal’o a trazer.”

 

Estamos sempre atrasados tecnologicamente, até nessa altura as charruas não lavravam fundo e as grades ainda tinham dentes de pau, não de ferro, como os alemães! Adiante.

 

“Ainda que o lavrador portuguez não goste do trabalho, entrega-se no entanto a uma operação fatigante que repete duas vezes por anno, a de sachar a terra em volta do milho e doutros cereaes.”

 

A ideia que já nessa altura os alemães tinham de nós...

 

O artigo da revista transmontana é assinado por Gonçalo Sampaio, da Academia Polytechnica do Porto.

 

Luís de Boticas

 

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