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Sábado, 31 de Outubro de 2015

Chaves - Feira dos Santos - Súmula do dia 1

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Se no meu tempo de Liceu, que é como quem diz do secundário, já existisse a internet, aparentemente tudo seria mais simples, pois com o acesso facilitado à informação que, às vezes, nos livros é tão complicado de encontrar, teríamos a solução para os nossos problemas de então, principalmente quando os livros eram pouco acessíveis e as bibliotecas, quando as havia, eram deficientemente equipadas para procurar todo o saber . Hoje em dia quando queremos saber algumas coisa ou fazer uma citação qualquer, só não a sabemos ou não conhecemos a sua origem se não quisermos, pois em princípio basta uma pesquisa no Google e temos acesso a toda a informação. A dificuldade está em saber filtrar essa informação e saber se ela é fidedigna.

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Tudo o que atrás disse surge porque queria iniciar este post dizendo: “Sei que hoje aqui no blog deveríamos ter aqui mais uma das nossas aldeias, mas, como não há regra sem exceção, hoje, porque estamos em plena Feira dos Santos, vamos quebrar a regra. Ora isto é o que queria dizer, mas não era bem assim que eu queria começar. Queria ante começar assim: Segundo …(?) … não há regra sem exceção. Segundo que ou segundo quem? Segundo o ditado? Segundo fulano tal…? Pois agora já não nos contentamos em continuar sem saber a origem das coisas e, vai daí, botei a minha curiosidade na pesquisa do Google que me respondeu maioritariamente que a expressão “não há regra sem exceção” é atribuída a Cervantes que a utilizou no “D.Quixote de La mancha” quando a páginas tantas, num diálogo entre D.Quixote e D.Lourenzo se afirma (o sublinhado é meu):

“(…)

— Poeta bem pudera ser — respondeu D.Lourenzo —, mas grande, nem por pensamento. Verdade é que sou algum tanto aficionado à poesia e a ler os bons poetas, mas não de maneira que se possa dar o nome de grande que diz meu pai.

— Não me parece mal essa humildade — respondeu D.Quixote —, pois não há poeta que não seja arrogante e pense de si que é o maior poeta do mundo.

Não há regra sem exceção — respondeu D.Lourenzo —, e algum há de haver que o seja e o não pense.

(…)”

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 Concerto da FANFAC (Fanfarra da Academia de Artes de Chaves)

 

O que uma pessoa não descobre na Internet! Agora só me falta saber se a expressão já existia ou não antes de Cervantes a ter utilizado no D.Quixote.

E perguntarão vocês, e muito bem — O que é que tudo isto tem a ver com as imagens de hoje e a Feira dos Santos? — Pois sinceramente a resposta é simples — nada!— Mas como não tinha nada para dizer, tinha que inventar qualquer coisa, olhem, saiu isto. As minhas desculpas, mas aposto que também aprenderam qualquer coisinha com este palavreado, mesmo sabendo que a avó da Clara, que era um poço de sabedoria, lhe dizia: “teimar sim apostar nunca”.

 

As fotos são de ontem, as possíveis, pois ontem ainda foi dia de trabalho. Hoje sim, vamos à feira.

 

 

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Sexta-feira, 30 de Outubro de 2015

Chaves - Feira dos Santos - Dia 1

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Eis-nos em plena Feira dos Santos, no seu dia um de três dias. Hoje ainda dia de montagem de muitas barracas mas também dia das primeiras compras, principalmente dos flavienses residentes.

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Para não perder pitada do que se vai passar, fica o programa para uma vistas de olhos, onde, até coisas estranhas à feira aparecem, mas também já vai sendo tradição.

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Novidade mesmo, este ano, é o Pavilhão do Vinho, com programa próprio e com “tenda” montada no Pavilhão Expoflávia (junto à PSP). Uma iniciativa que louvo, principalmente se for para promover os nossos vinhos, porque no concelho de Chaves também há vinho do bô. Vai valer a pena passar por lá, pois não é só para mostrar, também há provas para saborear, incluindo provas comentadas.

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Quanto ao restante programa, é o costume de todos os anos. Aliás a feira pela sua tradição nem precisava de programa, pois quem costuma vir por cá já sabe com o que contar. Justificava-se plenamente, isso sim, se houvesse outros eventos em paralelo de promoção de Chaves e da Região, mas esses continuam adiados (exceção para o vinho – este ano).

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Mas mais coisas sobre a feira pela certa que deixarei aqui amanhã e nos próximos dias, isto se tiver tempo para vir aqui deixar qualquer coisa, pois eu também gosto de feirar e passear pela feira, nem que seja e só para encontrar alguns amigos e colegas do tempo de Liceu que têm promessa de vir cá todos os anos. Aliás, como não temos festa de verão, é o único evento que vai trazendo flavienses ausentes a Chaves, a par do Natal e da Páscoa. Para já ficam mais algumas fotos, todas da edição da Feira de 2013.

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O Pulpo à galega, preparado por galegos, também ja consta da tradição da Feira, mas só no dia 31, depois do concurso do gado e localizado mesmo ao lado.

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Uma vez que a Feira do Gado mudou de poiso, temos à mão o concurso do gado. Vale a pena passar por lá e apreciar, aliás pode ser tomado até como um momento pedagógico para ficar a conhecer três raças autóctones de Trás-os-Montes e também para as criancinhas da cidade poderem ver de perto o que é um bovino.

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Também podem aproveitar para comprar uns pares de meias à moda antiga, daquelas que eram feitas de lã pura, à mão e que picavam nos pés. Claro que agora já não são bem assim e até deixaram de picar, mas são parecidas…

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E depois temos a festa. Santos também é significado de festa. Já longe dos grupos que desciam à cidade para a fazer naturalmente e abrilhantar a sua terra ou aldeia, mas vai acontecendo, sem a espontaneidade de antes a acontecer na esquina menos esperada, mas acontece organizada e contratada. Às vezes, raramente, ainda acontece da antiga, tudo depende do calor…

 

Até amanhã, se possível, mas pelo menos umas imagens pela certa que terão aqui lugar.

 

 

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Discursos sobre a cidade - Por António de Souza e Silva

SOUZA

 

CAIU O TABU DAS ESQUERDAS, QUEBROU-SE O FEITIÇO DAS DIREITAS

 

No nosso último «Discurso sobre a cidade», em vésperas do ato eleitoral para a nova Assembleia da República e, consequentemente, novo governo, escrevíamos: “Tal como no final do célebre poema de José Régio - Cântico Negro - direi, no próximo dia 4 de outubro, apenas «sei que não vou por aí!» Porque o que se passar a nível nacional, óbvia e naturalmente, terá repercussões neste rincão flaviense a que pertencemos de coração!...”.

 

Minhas derradeiras palavras, bem assim o texto que as antecedia, iam no sentido da rejeição da continuação de um modelo de sociedade de base neoliberal, doutrina que, já na década 80 do século passado, não suscitou a simpatia maciça dos cidadãos, quer nos Estados Unidos da América, quer em Inglaterra, com Ronald Reagan e Margaret Tatcher, e que teve então, como hoje em dia com mais intensidade, brutais consequências sociais: agravamento das desigualdades, aumento do desemprego, desindustrialização, degradação dos serviços públicos, deterioração dos equipamentos coletivos, etc..

 

Pese embora aquelas propostas monetaristas, todos estes problemas não foram (ou sequer são) automaticamente resolvidos pela mão invisível do mercado e pelo crescimento macroeconómico.

 

Em suma, era urgente que a vitória do pensamento único, da pretensão universal de interesses de um conjunto de forças económicas, em particular as do capital financeiro internacional, com a militância ativa de certos políticos de pacotilha, parassem de nos asfixiar e nos reduzir, com o auxílio das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), em particular da televisão e da internet, a simples, meros espetadores, a simples e meros objetos ou pura mercadoria!

 

E, entretanto, na Europa, que queríamos desenvolvida e solidária, e em quem acreditávamos, e com tanto orgulho teimávamos construir, pela cabeça da brilhante intelligentsia tecnocrática, era tudo levado no furacão e pendor neoliberal, resvalando na estagnação e no não crescimento e, depois, ficando sem qualquer projeto.

 

Sem projeto e cedendo, em toda a linha, ao capital financeiro internacional, ficando os cidadãos europeus despojados dos indispensáveis pontos de referência culturais e, consequentemente, desidentificados.

 

Daí ao aparecimento não só de uma crise económica, como, ainda mais grave, a pior das condições mentais - sem horizontes de referência para o futuro.

 

Votámos na esperança de, com o nosso voto, podermos contribuir para alterar este estado de coisas. Cientes do grão de areia que representamos, mas confiantes que a ampulheta do tempo chegará.

 

Mas sabemos que não é tarefa fácil!...

 

O futuro, hoje em dia, com a crise económica, apresenta-se incerto. E, tal como Edgar Morin afirma, estamos numa época em que as certezas se desmoronam, porquanto o mundo encontra-se numa das grandes bifurcações históricas, ainda não identificadas, e não sabemos ainda como, quando e para onde vamos.

 

Daí não admira que a presente hora seja de questionar certezas, rever práticas, compreender os novos parâmetros do tempo presente.

 

Se as sociedades europeias continuam a navegar sem objetivo bem definido e sem uma nítida representação do seu devir, urje, pois, - porque não se pode dispensar - uma reflexão a longo prazo e em profundidade, com novas práticas de encarar os problemas da economia e da sociedade.

 

Como cidadãos, devemos estar mais conscientes do mundo que nos rodeia. E nós, portugueses, de todo ainda não estamos!

 

Por isso, não nos espanta os resultados eleitorais.

 

Em primeiro lugar, o grau de abstenção, que poucos falam. Se a nova emigração de portugueses tem uma quota-parte de responsabilidade nela, por outro lado, os partidos tradicionais do arco do poder, ao não darem nova esperança e novo alento aos cidadãos, outra alternativa não lhes deram que não o desinteresse.

 

E também não espanta o resultado do Partido Socialista e a subida exponencial do Bloco de Esquerda. As políticas neoliberais que o centrão levou a cabo nos últimos anos afastou o eleitorado que queria uma sociedade mais justa e solidária ou para a abstenção ou, os mais resistentes e contestatários, para o Bloco.

 

Naturalmente que o «caso Sócrates», independentemente dos factos judiciários, mas com contornos de vendeta de certo poder judicial, foi aproveitado até ao limite, numa lógica não só mercantil da notícia bem assim de ajuda prática e militante à coligação no poder. No nosso entendimento, a vitória da coligação tem de ser vista (também) por este prisma.

 

Se bem que tenha sido crítico - e tenha escrito - quanto à forma, como António Costa subiu a Secretário-geral do Partido Socialista (PS), “porquanto não há razão alguma para que as razões de estado partidário se sobreponham à ética e aos princípios”, havemos de concordar que António Costa, ao preferir um acordo ou coligação às esquerdas do que juntar-se com as direitas, andou bem.

 

Nunca se deveria encarar uma eleição, qualquer que ela seja, como uma guerra - com vencedores e vencidos - mas o culminar de um profundo debate e reflexão da sociedade em que pomos a escrutínio as melhores opções para o país.

 

Lucidamente, António Costa, no dia das eleições, com os resultados apurados, foi claro, apresentando o quadro e as opções mais consentâneas com a lição que o eleitorado tinha dado ao PS.

 

Com estas eleições, quebrou-se o feitiço, vindo abaixo o tabu de as esquerdas jamais se entenderem, porquanto esse entendimento era simplesmente apanágio das direitas.

 

A construção de um país, hoje em dia, já não é compaginável com heróis ou políticos providenciais: é feita com líderes que tenham a humildade, a inteligência e a lucidez de que só com a participação ativa, livre e profícua de todos os cidadãos é que se encontrará a melhor visão para uma sociedade e um país. Quanto à visão da coligação das direitas, em quatro anos, ficámos confessados.

 

E que dizer da postura de Cavaco Silva que, muito embora indigitando legitimamente, dentro da dita tradição, Passos Coelho, no discurso da sua nomeação mostrou, de uma forma preocupante, uma postura faciosa, de seita, muito pouco isenta e pouco própria, já para não dizer, nada democrática, para aquilo que deve ser e se deve esperar de um cidadão que é Presidente da República?...

 

António Costa, pelo contrário, esteve bem quando, lendo e interpretando os sinais do eleitorado, chamou à mesa do diálogo todos aqueles que as direitas consideram como cidadãos de segunda, pouco dignos.

 

Sabemos que os projetos das esquerdas são muito diferentes uns dos outros. Que vão até ao ponto de porem em questão Tratados e compromissos que o país assumiu com outros países parceiros. Entendemos que, embora a nossa honorabilidade como país deva ir no sentido do seu respeito, contudo, jamais os devemos encarar como leis divinas e imutáveis, que não o são.

 

E tudo isto quando sabemos que a Europa, no seu todo, não vai bem e muitas das suas regras são contestadas por outros parceiros. Nada pode ser tido como definitivo e adquirido. Tudo se vai construindo...

 

Somos contra o unanimismo e o consenso único. Aqui estamos com Zygmunt Bauman quando afirma que “o único consenso que tem alguma possibilidade de êxito é o reconhecimento da heterogeneidade dos desacordos”. A pretensão de se querer que em política se obtenha um consenso geral que supere as distinções ideológicas e sistémicas, como diz Daniel Innerarity, já não é sustentável em sociedades abertas, complexas, heterodoxas, multiculturais, policontextuais, mas com forças centrípetas poderosas e homogeneizadoras, que não se articulam de maneira centralista ou hierárquica.

 

Esperamos, sinceramente, que a quebra do tabu quanto ao entendimento das esquerdas vá ao cerne daquilo que nos deve manter como povo. Com justiça, equidade e solidariedade, a todos os níveis. E cada um mantendo, saudavelmente, as suas diferenças e sairmos desta nova situação com uma certeza: da política não se deve esperar nem a solução definitiva de todos os problemas nem a salvação das nossas almas, mas qualquer coisa muito mais modesta, embora não menos decisiva do que o que proporcionam outras profissões e profissionais muito honrados. Assumindo a constatação da diversidade; o reconhecimento da diferença; a assunção do conflito como elemento consubstancial a qualquer comunidade ou sociedade e que só pela constatação dessa diversidade, diferença e conflito é que um diálogo sério e profícuo pode ser assumido; trabalhando como interpares, sem resquício de qualquer imperialismo ou subserviência.

 

Apesar da política e os políticos nunca terem estado tão limitados na sua margem de atuação, temos de reconhecer que a necessidade da sua atuação nunca foi tão decisiva como hoje.

 

Enfim, um trabalho e um combate que tem de ser feito com o empenhamento dos mais competentes, honestos e justos e que saibam dar corpo e alma, num sentido querido pelo povo e, tanto quanto possível, o mais partilhado por todos.

 

Se hoje patenteamos e assistimos, infelizmente, a uma globalização elitista, em cujos processos as condições materiais de existência são crescentemente apropriadas pelos novos cidadãos do mundo, urje lutar politicamente por uma globalização inclusiva, em que desenvolvimento passe a significar mais qualidade de vida, maior partilha do bolo de bens e riquezas, que os agentes privilegiados do sistema do mercado se negam a socializar, em vez de uma acumulação de capital predominantemente privada, conquistado à custa da descartabilidade do ser humano-cidadão.

 

O 25 de Abril trouxe-nos a Liberdade e a Democracia. Que aqueles que mais por ela lutaram sejam agora dignos de fazer a inversa navegação por um mar tão encapelado como aquele em que estamos e com os escolhos que nos esperam!

 

Num momento tão grave e difícil para todos nós portugueses, que Chaves me perdoe se hoje não falo dela. Porventura o nosso futuro também como cidade e município não dependerá deste momento?

 

António de Souza e Silva

 

 

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Quinta-feira, 29 de Outubro de 2015

Chaves, recordando os Santos de 2012 e um pouco do seu ser

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Vamos lá a mais uma voltinha pelos Santos da casa, a Feira dos Santos, a Festa de Chaves. Hoje com meia-dúzia de imagens dos Santos de 2012 que, graças à tradição, se vai mantendo mais ou menos igual todos os anos, mas sempre com pormenores, apontamentos diferentes.

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Na ausência das “mulheres das castanhas” que até aos anos 70 montavam banca na rua de Stº António, onde nunca faltava a castanhinha assada para delícia dos flavienses mais ougados, temos de nos contentar com as “mulheres das castanhas” que montam banca na Feira dos Santos. Deus queira que se vá mantendo a tradição durante muitos anos pois uma castanhinha assada, uma que seja, cai sempre bem e depois, convém não esquecer e até realçar, a castanha é um produto da região.

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Que se mantenha também a tradição da Feira do Gado e do Concurso, mesmo que feita por pessoal de fora do concelho, a grande maioria (penso eu). Uma prova de que Chaves pode ser o grande centro comercial de uma região e não apenas de um concelho, que cada vez mais está metido na cidade. Trocado por miúdos, que cada vez mais concentra a sua população na cidade e sua periferia em detrimento do concelho rural, leia-se, das nossas aldeias.

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Mas, aqui e ali, ainda vai havendo gente das nossas aldeias que também gosta de participar e de mostrar as suas crias, o seu gado. Uma das aldeias que tem marcado presença no concurso do gado é Seara Velha, nem que fosse só por isso, merece aqui um destaque e uma imagem. Esperamos continuar a contar com eles. Eu prometo o registo para a posteridade.

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E mais ou menos ao longo da cidade a Feira repete-se, não muito arrumada, mas vai ocupando os espaços conforme os artigos que são vendidos. À exceção da Feira do Gado que é lá para cascos-de-rolha, nos últimos anos temos tido o concurso do gado no fosso do Forte de S.Neutel, o pulpo à galega (já adotado como gastronomia local do dia 31) fica ao lado, depois as tendas vão-se repetindo em direção à cidade, primeiro os artigos mais rurais, algumas alfaias, depois a zona dos ciganos com os seus produtos de marca, depois o calçado, bugigangas e outros artigos de vendedores de origem africana, depois as farturas do Monumento, depois uma mistura de tudo incluindo alguns produtos alimentares (queijos, bolos secos, etc.) e já estamos no Jardim do Bacalhau.

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Subindo à lapa temos os cacos, plásticos, latoaria, etc. Se continuarmos lá por cima chegamos à capela da Lapa, a partir da qual entre os vendedores oriundos da América Latina que descem até à rua de StºAntónio onde estão montadas as barraquinhas, presumivelmente para artesanato, mas não só. Ainda lá por cima, pela Lapa, há mais rouparias, às vezes algum calçado e as máquinas agrícolas. Nas freiras costumam aparecer os antiquários. Ainda no Anjo e 1º de Dezembro, longe da tradição da feira da lã e das mantas de Soutelo, vão aparecendo algumas mantas, meias à dúzia, cintos e afins. Em suma, como é uma feira que se desenvolve quase em linha, temos um longo trajeto de barracas desde o Forte de S.Neutel até às Freiras. Amanhã já há Feira, geralmente mais para o pessoal local, pois o grosso que vem de fora, reparte-se pelos dias 31 e 1 de Novembro.

 

 

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Quarta-feira, 28 de Outubro de 2015

Chaves, Santos e arte de rua - Ano de 2009

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Estamos em plena contagem decrescente para os três dias grandes da grande festa de Chaves, dos flavienses e da região – A Feira dos Santos. Faltam apenas dois dias, tempo ainda de aqui podermos recordar as feiras anteriores. Hoje vamos fazer uma breve passagem pela feira de 2009.

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Uma passagem pela arte de rua que também visita Chaves nestes dias.

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Desde a música, à pintura, à escultura ao vivo, aos palhaços, teatro…um pouco de tudo vai acontecendo para deleite de todos.

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Mas também e quase sempre arte anónima ou um modo de viver e ganhar a vida de quem a pratica. Ficam alguns registos, todos do ano de 2009.

 

 

 

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Chá de Urze com Flores de Torga - 102

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Chaves, 15 de Setembro de 1975

 

Hoje é que dou razão ao meu Pai. Hoje é que compreendo a sua renitência à minha vocação de poeta. Não era uma prevenção contra a poesia; era uma precaução contra mim mesmo.

Miguel Torga, in Diário XII

 

Chaves, 8 de Setembro de 1976

 

Exausto. Em Portugal, a glória dura um dia, quando muito. Mas chega e sobra.

Miguel Torga, in Diário XII

 

Chaves, 7 de Setembro de 1977

 

Morreu Jean Rostand. Daqui a poucos anos ninguém se lembrará dele. Outros cientistas tirarão do estudo das suas rãs outras conclusões. Mas foi o seu esforço de compreender a vida que me estimulou na juventude a procurar compreendê-la também. Todos temos as nossas balizas humanas. Rostos, nomes e memórias que nos ajudaram a ser quem somos. Porque nos contaram uma história, porque nos valeram com uma palavra amiga em certo momento de aflição, porque nos ensinaram uma verdade simples. Jean Rostand disse-me apenas exemplarmente que, `minha maneira, interrogasse sem descanso a realidade. Assim fiz. Como ele, não cheguei a certeza nenhuma, pois que investigar é o mais paciente recurso que o homem tem de não se render ao absurdo. A este absurdo de vir e de partir com a mesma sem-razão dos sonhos.

Miguel Torga, in Diário XIII

 

 

 

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Terça-feira, 27 de Outubro de 2015

Ocasionais - A Minha Terra

ocasionais

 

 

“A MINHA TERRA”

 

“O Português, pela Saudade,

ama a natureza, a paisagem;

ama, portanto, a terra;

e vê na terra

a principal fonte da sua riqueza”.

-Txª Pascoais

 

A MINHA TERRA!

 

Com que paixão, ou soberba, qualquer um usa esta expressão!

 

O nosso EU, ao proferi-la, ergue-se mais alto do que a “Serra do Brunheiro”, do Larouco, da Estrela ou… do Everest!

 

Ao dizê-lo, até parece que somos senhores de todo o mundo   -   e que o céu e a estrelas são pequenos arredores que dela dependem!

 

E então aquele lugar, aquele recanto, aquele buraquito onde fica a nossa casa, a casa onde nascemos e a outra onde fomos tolhidos de mimos pelos nossos primos!...

 

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E, quando já «saídos da casca», voamos para países próximos ou distantes   -   nem que seja para uma província vizinha!   -   até usamos “A NOSSA TERRA”!

 

E CHAVES é o nome mais consagrado por esta expressão: na sua “Marcha”, com que força, com que eco, com que brio e peito cheio os Flavienses entoam… “Pois a quem nós queremos tanto/Porque és tu -   A NOSSA TERRA!”.

 

Se há gente apaixonada ela é a dos Flavienses e dos Normando – Tameganos!

 

É que CHAVES é o ponto de encontro de todos os Normando-Tameganos, o coração do Continente e Grão-Ducado da NORMANDIA TEMEGANA!

 

Esta é composta por Condados ricos de nobreza, de História, e de Recursos Naturais!

 

E até as suas “CALDAS” são «as de mais virtude”!

 

A “MONTANHA”, “a VEIGA” e o “BARROSO” têm de recuperar a sua identidade, única e excepcional, e que este autor sublima no termo que cunhou de “NORMANDIA TAMEGANA”!

 

Ah! Para os que não conhecem, ou não sabem bem, os GALEGOS são nossos irmãos   -   e os Verinenses, irmãos gémeos!

 

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Ao Castelo de Chaves, ao Castelo de Montalegre, ao Castelo de Monforte de Rio Livre, ao “Forte de S. Francisco” e ao de “S. Neutel”, a Torre de S. Estêvão, ao Castro de CURALHA e ao de CARVALHELHOS queremos ver junto o Castelo de Monterrey!

 

As águas do Tâmega e do Cávado   -   e do Beça! E do Covas! E do Noro!   -   circulam nas nossas veias!

 

Dizei-me, com franqueza, quem de vós não tem uma costela de Boticas, de Valpassos, de Montalegre, de Chaves, de Ribeira de Pena ou de Vila Pouca?! Bem, e mesmo de OURENSE?!

 

Aos que não entenderem   -   ou se façam desentendidos ou «queiram conversa fiada»   - eu estou aqui, pronto e «às ordes» para lhes explicar (ou «dar-lhes o troco»)!

 

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Vós sabeis, mas há quem faça umas centenas de quilómetros para (v)ir a CHAVES buscar umas “couves”   -   ó «virgolinos», já vos destes conta como se pronuncia «couves» na NORMANDIA TAMEGANA?!     -   para a CONSOADA!

 

E eu vos garanto: há, pelo menos, um «maluco» que vem (vai) aí às couves … e à procura de uma (rodela) de RABA!

 

Sabendes” o que é isso”?!

 

Hum! Hoje em dia, só, talvez, numa ou noutra casa de Stº Estêvão, na Veiga!

 

Sabeis lá vós o que é uma CONSOADA à moda da NOSSA TERRA!

 

A couve e a batata «de CHAVES»; o bacalhau, português, bem curado, na Gafanha da Nazaré, na d’Aquém ou de Viana; e o polvo galego (as rabanadas feitas de cacete de Feces!) e com azeite de Faiões ou de Valpassos!.....

 

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O vinho pode ser de qualquer adega, ou mesmo da «Adega»!

 

E ficai a saber que os melhores «pastéis de bacalhau» do mundo só podem ser feitos com «batata de CHAVES»   - cujo saco pode vir da Castanheira, de Outeiro Seco, de Valdanta, de Lamachã, de Lavradas ou de Solveira, por exemplo!

 

E sabeis o que são «filhozes» de abóbora (o nosso «ç/z» tem um som especial)?!

 

Ai! Um caldinho de “chícharros”! E com calondro!...

 

Uma “FEIRA dos SANTOS”, autêntica, retinta!

 

Era, outrora, o Dia Nacional da NORMANDIA TAMEGANA!

 

À cidade chegavam colunas de cavaleiros, montados em cavalos, éguas, machos, mulas, burros, burras e burrecos!

 

Na “FEIRA dos SANTOS”, a “Feira do Gado” era um acontecimento lembrado durante todo o ano!

 

Até os «recos» tinham direito a um espaço especial!

 

Já nas Casas-dos-Montes, no Matadouro, no Caneiro, na Madalena, em Stª Cruz d’Outeiro Seco o tilintar das campainhas das Juntas de bois ou de vacas, de bezerros e vitelas começava a espalhar-se pela cidade, quais trombetas de Jericó a tocarem «Aleluia»!

 

Era um regalo ver a beleza do gado apadrinhada pelo orgulho do boieiro e a arte do toque de aguilhada no jugo ou na molhelha.

 

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Gosto da NOSSA TERRA!

 

É o meu maior pecado capital.

 

Das parcelas que compõem e integram Portugal, ninguém se atreverá a pôr em dúvida como sempre foi das mais generosas e das mais sacrificadas.

 

E custa-me a ingratidão, e a insolência, até, com que tem sido tratada, particularmente, na nossa época.

 

Na verdade, nos decénios mais recentes tem sido aviltada, e mais ainda com as cínicas pantominas de uma Auto-estrada que a diminui para Vila Real e um Casino que nada diz à cidade e à Região. Este é um enclave da estratégia gananciosa dos «reis de qualquer coisa»; aquela assemelha-se ao atalho de Efialtes e que ajudou à «sangria» de importantes estruturas de apoio e desenvolvimento da Região.

 

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E o que mais me custa ainda, repetindo-o, é termos por aí, e daí, uma caterva de traidores, uns merdosos que envergonham a honra e o brio das ancestrais qualidades dos Transmontanos.

 

Videirinhos, têm sorte em que os da capital, sendo da mesma cepa, lhe aparam - e dão cobertura - o jogo.

 

Obrigam a população em idade activa a procurar a sobrevivência noutras paragens, ficando por aí os mais indefesos e menos capazes de os enfrentar   -   idosos, jovenzitos e crianças.

 

Claro, para apoio, arregimentam sempre um punhado de rendidos e uma mancheia dos da mesma laia.

 

CHAVES, A NOSSA TERRA, foi, outrora uma Olímpia, uma Atenas e uma Roma!

 

CHAVES foi, outrora, Nobre Cidade!

 

Foi terra e capital da "Palavra de Honra”!

 

Hoje, com «pavões», «lalões» e tantos «filhos-da-Pomba» a administrá-la, e uma caterva de moinantes politiconeiros é uma vergonha completa para os Normando – Tameganos.

 

Ah! Para mal desses medíocres, desses impostores e cretinos ainda existe um punhado de «Mohicanos» (Defensores de CHAVES) que se recusam a ser «os últimos»!

 

Feitios!

M.,09-Julho-2015)

Luís Henrique Fernandes

 

 

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Uma de outono e duas de Santos - Versão 2014

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Vem aí a caminho, ainda para hoje, um texto do nosso ser flaviense, mas enquanto não chega, ficamos com o outono e a Feira dos Santos, versão 2014, que a deste ano fica para o próximo fim-de-semana.

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Uma de outono ou mais uma do parque do Hotel Palace em Vidago. Quanto aos Santos, fica uma do concurso do gado que no último ano, para além dos penatos, perdão, dos bovinos nas raças barrosã, maronesa e mirandesa, teve também, com vossa licença, os porcos (ou recos – se preferirem) da raça bísara.

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Para mim, que pouco percebo de bovinos, os que mais gosto de ver são os da raça barrosã e os seus impressionantes cornos que de ponta a ponta, em idade adulta, atingem mais de dois metros. Amanhã deixo-vos por aqui um exemplar desses cornos para apreciação e me dirão se é verdade ou não. Até lá.

 

 

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Segunda-feira, 26 de Outubro de 2015

Quem conta um ponto...

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262 - Pérolas e diamantes: a sacralização da inércia

 

O bom do António Lobo Antunes mais uma vez provou que é um escritor cheio de sadios modos e muito saber. Numa entrevista ao El País deu mais algumas estocadas nos mitos portugueses. A primeira quando afirmou que o fado não lhe interessa lá muito porque “depois de ouvir um ou dois, é tudo muito monótono”. Mas o momento mais interessante foi quando afirmou textualmente que “o livro do não sei quê (querendo referir-se ao “Livro do Desassossego”) aborrece-me de morte. A poesia do heterónimo Álvaro de Campos é uma cópia de Walt Whitman; a de Ricardo Reis, de Virgílio. Pergunto-me se um homem que nunca f**** pode ser um bom escritor.”

 

Afinal tudo isto, e muito mais, pode ser verdade porque Lobo Antunes, o escritor que ama o silêncio e ainda espera vir a ganhar o Nobel, aprendeu mais “com alguns saxofonistas como John Coltrane ou Charlie Parker do que com escritores.”

 

É caso para dizer que em Portugal quase ninguém gosta de ninguém.

 

O português moderno goza com a violência perniciosa da televisão, dos filmes onde o herói de três em três minutos necessita de esmurrar os maus para que o telespectador não mude de canal, dos concursos televisivos onde gente tola exibe as suas baixezas em troca de algum dinheiro, das telenovelas onde todos aparentemente se amam, se odeiam, se atraiçoam e se juntam no final. Apoiam os cinzentíssimos diretores, jornalistas e comentaristas pagos principescamente para serem a disfarçada voz do dono. Um deles até pretende, e talvez consiga, ser Presidente da República. Eles contrapõem com firmeza que estão inocentes e que se limitam a prestar um serviço público muito importante ao povo pequeno e simples, pois do que o povo gosta é de coisas simples e pequenas e fáceis de entender.

 

E os novos arautos da modernidade até arranjaram uma nova nomenclatura para explicarem ao povo aquilo que não tem explicação. Em vez de lhe falarem nos salários baixos que auferem, dizem que se trata apenas de competitividade. Que em vez de serem despedidos, apenas vão ser objeto da flexibilidade das leis laborais. Que quando falam em competência se estão a referir a gente do seu partido.

 

A mediocridade e a vulgaridade triunfaram em todas as frentes. Os sonhos da liberdade, da igualdade, da justiça e da paz foram substituídos pelos dos cavalos de potência e das jantes do BMW, do cartão de crédito e das férias no estrangeiro.

 

Somos governados por homens misteriosos, instalados no coração do sistema, que se limitam a aplicar a sua técnica fria e calculista à gerência da condição humana.

 

E a malta lá vai crescendo e ficando mais cobarde e hesitante. Todos pensamos muito antes de agir. E quando agimos já o fazemos tarde e mal. Afinal o anti-Rosseau triunfou sobre o verdadeiro enciclopedista: o homem é por natureza mau, a sociedade é que o converte. Graças a Deus que ainda existe em Portugal uma escola pública de qualidade. Não sabemos é por quanto tempo.

 

Que raio de futuro pode ter uma sociedade sem esperança, sem educação e sem cultura?

 

Vendem-nos o mercado como a solução para tudo. Mas nenhuma sociedade democrática pode prescindir dos grandes sonhos, dos grandes mitos, das grandes ideias. Como dizia Manuel António Pina, são os sonhos e não as cotações da bolsa quem comanda a vida.

 

Esta sociedade mercantilista teima em roubar-nos o melhor que o homem tem: os valores, os ideais, os sonhos e a vontade. Transformaram o mundo numa imensa selva onde apenas sobrevive o mais forte e o mais ardiloso.

 

Os brutos tomaram de assalto a metrópole. Só sabem falar dos projetos económicos, das empresas, dos programas partidários. Enchem a boca com a agressividade, a competitividade e o lucro como fabricadores do progresso. Sacralizam a iniciativa privada. Veneram o dinheiro. Qualquer dia privatizam os rios, os mares, as serras e os montes, e até o próprio ar que respiramos. Preparam-se para fazer com o ar o que fizeram com a água.

 

E são os próprios propagandistas da cultura económica os que asseguram a predação social estabelecida, não se esquecendo de nos pregar sermões sobre a ética a que todos devemos estar sujeitos.

 

Somos hoje um país com menos autonomia, menos liberdade e menos igualdade do que éramos ontem ou anteontem.

 João Madureira

 

PS – Na sua extensíssima entrevista à Voz do Alto Tâmega, o presidente da Câmara de Chaves, António Cabeleira, afirmou que conseguiu completar novas infraestruturas, certificar o Pastel de Chaves, consolidar a marca “Sabores de Chaves” e que com ele os flavienses adquiriram uma nova visão sobre a cultura na cidade (esta última afirmação só pode ser entendida devido ao facto de o estimado edil pretender evidenciar os seus dotes de humorista, que os tem, honra lhe seja feita).

 

Tudo isto, o senhor arquiteto conseguiu. Apenas uma coisa foi incapaz de resolver: os esgotos em Vale de Salgueiro, Outeiro Seco, que continuam a correr a céu aberto, empestando os ares e inutilizando as terras em redor. Ali às portas da “sua” eurocidade, de que tanto se orgulha. Isto há mais de oito anos.

 

 

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De regresso à cidade com santos e outono à mistura

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Pois esta semana regressamos à cidade com uma foto noturna da nossa top model, para variar. É fresquinha, de ontem ao início da noite.

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Mas esta semana é a semana dos santos. Para já os divertimentos e as barracas das farturas um pouco espalhadas por toda a cidade, com concentração maior no largo do monumentos. Que ninguém diga que não come farturas por falta delas…

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Quanto aos divertimentos, estão todos concentrados no estacionamento junto à ponte de S.Roque, na margem direita do rio. Bem ali paredes meias com a Escola Dr. Júlio Martins. Admirável a atitude da escola em aceitar tal localização, tendo em conta que não só ficou sem o seu principal estacionamento de viaturas atual como não se preocupa com a proximidade da tentação dos divertimentos na vida da escola.

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Pessoalmente tanto me dá que os divertimentos estejam de uma ou outra margem do rio. Não os utilizo, nem tenho filhos na Escola Dr.J.M.. Elogiei a escolha da margem esquerda do rio nos últimos anos, por várias razões. O mesmo não acontece com a atual localização, mas se quem se deveria importar não se importa, olha, deixa andar, que para o ano pela certa terá outra localização. E assim se vai mantendo a tradição de nunca terem poiso certo.

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Por último, fica uma imagem de outono, pois não tenho culpa que este ano a magia das cores de outono viessem com os Santos, mais uma do passeio deste último fim-de-semana pelo parque do Hotel Palace de Vidago.

 

E é tudo, boa semana!

 

 

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Domingo, 25 de Outubro de 2015

Vidago e a magia das cores de outono, mas não só...

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O outono já chegou há uns tempitos atrás no entanto a magia das suas cores chega sempre um pouco depois, dependendo das condições meteorológicas, adianta-se ou atrasa-se. Este ano adiantou-se e, embora ainda não esteja no ponto do rebuçado, já deu para fazer uns cliques de registo do outono de 2015.

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Como sempre Vidago é o nosso destino de Outono, pois, lá, a magia das suas cores vivem-se mais intensamente, chegam a embriagar até, mesmo sem o túnel de arvoredo que dava “bonecos” tão interessantes mas que deu lugar a um necessário parque de estacionamento, tão necessário que ontem pela tarde não tinha um único popó. Coisas! Mas sempre nos resta o parque do Hotel Palace que esse sim, embriaga mesmo.

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Não só as cores e a magia de Outono compõem o parque do Hotel Palace, mas também a nobreza das construções que vão aparecendo ao longo do parque, quer nas fontes e buvetes, quer nas instalações sanitárias ou construções de apoio, o coreto e por aí fora… como se o próprio hotel não bastasse ou não chegasse o espanto que se gasta nele, em apreciação na monumentalidade da arquitetura dos inícios do século passado.

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Penso que as imagens dizem tudo e o porque de ser este o nosso destino para os registos da magia das cores de outono. E por mais repetidas que sejam as imagens de todos os anos, nunca cansa repeti-las. Prometo trazer por aqui mais ao longo da próxima semana, a alterar com as da feira dos Santos, cuja contagem decrescente já começou para os seus grandes dias do próximo fim-de-semana.

 

 

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Sábado, 24 de Outubro de 2015

Arcossó e um pouco da sua História

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Sempre gostei de saber um bocadinho da História dos lugares e se analisarmos os seus documentos com independência, bebendo um bocadinho em todas as suas fontes, ou versões, compreenderemos muito melhor as realidades de hoje.

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E a História é ingrata com Arcossó. Não quero com isto dizer que a História falseia a realidade de hoje, não é isso, é antes uma forma de dizer que Arcossó merecia um melhor lugar na sua história que, os acontecimentos sociais, económicos e até políticos dos finais do século XIX e primeiro quartel do século XX, fizeram com que ao longo deste último século Arcossó fosse perdendo a sua importância, cedendo-a a Vidago, tudo isto porque a riqueza das águas minerais se sobrepuseram à riqueza da terra do vale da ribeira de Oura, então domínios de Arcossó.

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Inclusive, e esta foi uma decisão meramente política, foi uma das sacrificadas ao perder recentemente o seu estatuto de freguesia, passando a pertencer a Vidago. Tudo isto em prol de uma reforma do estado que se ficou pelo elo mais fraco sem reformar o que verdadeiramente deveria reformar, coisas dos de Lisboa…

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E se esta transferência social e politicamente até foi mais ou menos pacífica, ou mesmo pacífica, porque Vidago se desenvolveu graças às águas minerais e ao seu aproveitamento no grande boom da moda do termalismo, desenvolvendo e enriquecendo também assim as povoações mais próximas e o próprio concelho. Já na maioria das nossas aldeias de montanha e perda da importância da agricultura deu-se sem qual quer troca ou enriquecimento, antes pelo contrário, tem dado para o despovoamento e envelhecimento da população que ainda resiste.

 

 

 

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Pedra de Toque - Esta carta não será a derradeira...

pedra de toque copy

 

ESTA CARTA NÃO SERÁ A DERRADEIRA…

 

É irresistível a vertigem de escrever cartas.

Com o papel enamoro-me, envolvo-me e sinto-me inteiro e íntimo.

Quando desejo transmitir-te segredos relevantes ou promessas adiadas, opto pela carta.

As mensagens e os e-mails são sintéticos, frios, formais.

Por isso esta, não será nunca a última.

Escrevo-te nos intervalos da minha vida, demasiado tensa, demasiado preenchida.

Só então depois, sereno contigo.

Preciso-te com as tuas mãos, com os teus olhos, com o hálito da música que expele o teu silêncio.

Quero que saibas que a maldade e a hipocrisia me repugnam.

Quando me cruzo com elas, escuto-te nas orações que me dedicas e levo-te em sonhos até às montanhas das minhas raízes, até às flores outonais que restam (ai, as margaridas, as dálias…) e até aos rios que se recusam a estagnar.

Só repouso sobre o papel quando o cansaço me abate cerrando-me docemente as pálpebras.

Antes disso, deixo-me contigo.

 

Um dia voltarei às cartas.

Porque esta, meu amor, não será a derradeira.                     

António Roque

 

 

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Sexta-feira, 23 de Outubro de 2015

As imagens são de Chaves...

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Tenho andado meio embrenhado com assuntos inadiáveis que não me deixam muito tempo para me poder dedicar ao blog como eu desejaria, tanto que hoje deveria ter aqui "Um discurso sobre a cidade" mas esqueci pedi-lo. Assuntos esses que me têm mantido também à margem das coisas corriqueiras dos dias e que só me permitem ver/ler os títulos da vida político-social, sem contudo deixar de frequentar os lugares de referência, só para não perder o fio à meada. Um desses lugares por onde passo é o do colega da blogosfera, “o jumento” que há pouco deixava no seu blog a grande dúvida do dia: "Estará louco ou emparvou?"

 

A afirmação de “O jumento” levou-me a fazer um pequeno intervalo nas ocupações para ir à procura de um texto de Fernando Pessoa. Pensava eu que era “O caso mental português”, mas afinal era “O Provincianismo Português”, que não resisto e tenho de o partilhar aqui:

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O Provincianismo Português

 

Se, por um daqueles artifícios cómodos, pelos quais simplificamos a realidade com o fito de a compreender, quisermos resumir num síndroma o mal superior português, diremos que esse mal consiste no provincianismo. O facto é triste, mas não nos é peculiar. De igual doença enfermam muitos outros países, que se consideram civilizantes com orgulho e erro.

 

O provincianismo consiste em pertencer a uma civilização sem tomar parte no desenvolvimento superior dela — em segui-la pois mimeticamente, com uma subordinação inconsciente e feliz.

 

O síndroma provinciano compreende, pelo menos, três sintomas flagrantes: o entusiasmo e admiração pelos grandes meios e pelas grandes cidades; o entusiasmo e admiração pelo progresso e pela modernidade; e, na esfera mental superior, a incapacidade de ironia.

 

Se há característico que imediatamente distinga o provinciano, é a admiração pelos grandes meios. Um parisiense não admira Paris; gosta de Paris. Como há-de admirar aquilo que é parte dele? Ninguém se admira a si mesmo, salvo um paranóico com o delírio das grandezas.

(…)

O amor ao progresso e ao moderno é a outra forma do mesmo característico provinciano. Os civilizados criam o progresso, criam a moda, criam a modernidade; por isso lhes não atribuem importância de maior. Ninguém atribui importância ao que produz. Quem não produz é que admira a produção.

(…)

O provinciano, porém, pasma do que não fez, precisamente porque o não fez; e orgulha-se de sentir esse pasmo. Se assim não sentisse, não seria provinciano.


É na incapacidade de ironia que reside o traço mais fundo do provincianismo mental. Por ironia entende-se, não o dizer piadas, como se crê nos cafés e nas redações, mas o dizer uma coisa para dizer o contrário. A essência da ironia consiste em não se poder descobrir o segundo sentido do texto por nenhuma palavra dele, deduzindo-se porém esse segundo sentido do facto de ser impossível dever o texto dizer aquilo que diz. Assim, o maior de todos os ironistas, Swift, redigiu, durante uma das fomes na Irlanda, e como sátira brutal à Inglaterra, um breve escrito propondo uma solução para essa fome. Propõe que os irlandeses comam os próprios filhos.   Examina com grande seriedade o problema, e expõe com clareza e ciência a utilidade das crianças de menos de sete anos como bom alimento. Nenhuma palavra nessas páginas assombrosas quebra a absoluta gravidade da exposição; ninguém poderia concluir, do texto, que a proposta não fosse feita com absoluta seriedade, se não fosse a circunstância, exterior ao texto, de que uma proposta dessas não poderia ser feita a sério.

 

A ironia é isto. Para a sua realização exige-se um domínio absoluto da expressão, produto de uma cultura intensa; e aquilo a que os ingleses chamam detachment — o poder de afastar-se de si mesmo, de dividir-se em dois, produto daquele "desenvolvimento da largueza de consciência" em que, segundo o historiador alemão Lamprecht, reside a essência da civilização. Para a sua realização exige-se, em outras palavras, o não se ser provinciano.

O exemplo mais flagrante do provincianismo português é Eça de Queirós. É o exemplo mais flagrante porque foi o escritor português que mais se preocupou (como todos os provincianos) em ser civilizado. As suas tentativas de ironia aterram não só pelo grau de falência, senão também pela inconsciência dela. Neste capítulo, "A Relíquia", Paio Pires a falar francês, é um documento doloroso. As próprias páginas sobre Pacheco, quase civilizadas, são estragadas por vários lapsos verbais, quebradores da imperturbabilidade que a ironia exige, e arruinadas por inteiro na introdução do desgraçado episódio da viúva de Pacheco. Compare-se Eça de Queirós, não direi já com Swift, mas, por exemplo, com Anatole France. Ver-se-á a diferença entre um jornalista, embora brilhante, de província, e um verdadeiro, se bem que limitado, artista.

 

Para o provincianismo há só uma terapêutica: é o saber que ele existe. O provincianismo vive da inconsciência; de nos supormos civilizados quando o não somos, de nos supormos civilizados precisamente pelas qualidades por que o não somos. O princípio da cura está na consciência da doença, o da verdade no conhecimento do erro. Quando um doido sabe que está doido, já não está doido. Estamos perto de acordar, disse Novalis, quando sonhamos que sonhamos.

Fernando Pessoa, in 'Portugal entre Passado e Futuro' - 1928

 

 

 

 

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Quinta-feira, 22 de Outubro de 2015

Flavienses por outras terras - José Afonso

Banner Flavienses por outras terras

 

José Afonso

 

Nesta crónica do espaço “Flavienses por outras terras” vamos até Setúbal, a cidade do Rio Sado, dos ferry-boats para Troia e dos golfinhos no estuário do rio. Em termos culturais, Setúbal está intimamente associada à vida e obra de Maria Barbosa du Bocage, um dos mais aclamados poetas portugueses, que ali nasceu em 1765.

 

É lá que vamos encontrar José Afonso.

 

Mapa Google + foto - José Afonso.png

 

Onde nasceu, concretamente?

Nasci no Bairro de Santo Amaro.

 

Nos tempos de estudante, em Chaves, que escolas frequentou?

Frequentei a Escola Primária de Santo Amaro.

 

Em que ano e por que motivo saiu de Chaves?

Saí em 1981, para ingressar nos quadros da GNR.

 

Em que locais já viveu ou trabalhou?

Em Braga e em Setúbal.

 

Diga-nos duas recordações dos tempos passados em Chaves:

A azenha do Agapito com a família e mais tarde o açude. Que saudades!

 

Proponha duas sugestões para um turista de visita a Chaves:

Usar e abusar da gastronomia e depois, para uma boa digestão, uma visita às termas para beber um copo de água e fazer um passeio, começando pelas margens do rio e visitando toda a zona histórica.

 

Estando longe de Chaves, do que é que sente mais saudades?

Da família, da gastronomia e do ar puro das serras.

 

Com que frequência regressa a Chaves?

Duas vezes por ano.

 

Gostaria de voltar para Chaves para viver?

Claro que sim. Ainda não o fiz porque a crise não mo permite, ainda tenho uma filha com 26 anos em casa, com um curso superior e sem futuro à vista.

 

Setúbal.jpg

 

O espaço “Flavienses por outras terras” é feito por todos aqueles que um dia deixaram a sua cidade para prosseguir vida noutras terras, mas que não esqueceram as suas raízes.

 

Se está interessado em apresentar o seu testemunho ou contar a sua história envie um e-mail para flavienses@outlook.pt e será contactado.

Fotografias com fundo branco - José Afonso.png

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:57
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