Quinta-feira, 31 de Dezembro de 2015

Em jeito de despedida do ano velho

 

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 Foto publicada em Janeiro de 2015

Que dizer do ano que hoje finda!?

 

Não sou pessimista, nunca o fui. Olho sempre a vida pela positiva mas também sou realista, pois é a realidade que afeta e comanda os meus dias, daí, do ano de 2015, de bom, muito pouco, quase nada tenho a recordar. A realidade do ano destacou-se mais pela negativa do que pela positiva, quer no plano internacional, quer no nacional e local. Mas já lá vamos.

 

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  Foto publicada em Janeiro de 2015

 

Hoje em termos de imagem ficam por ordem cronológica algumas das imagens que mais gostei de trazer ao blog. Apenas algumas das cerca de mil imagens da cidade de Chaves, das nossas aldeias do concelho e algumas do Barroso que durante todo o ano, diariamente, aqui ficaram.

 

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   Foto publicada em Março de 2015

Mas vamos então ao ano de 2015. Em termos internacionais o acontecimento que pessoalmente destaco, foi o massacre do Chalie Hebdo, não apenas por ter sido um atentado terrorista com origem no fanatismo religioso, mas por ter sido um atentado contra a liberdade de expressão e contra a própria liberdade.

 

1600-25-abril-15 (45).jpg  Foto publicada em Abril de 2015

 

Liberdade de expressão que mesmo onde aparentemente existe nem sempre é respeitada e comummente, mesmo sem censura, é condicionada… mas ainda pior, é utilizá-la recorrendo à mentira ou omissão para formatar opiniões, criar ilusões, manipular a verdade, principalmente os grandes meios de comunicação como as televisões e os seus comentadores que usando o dom da palavra e da comunicação, vestem a pele de cordeiro da isenção para pregar as suas doutrinas… e o zé povinho vai na cantiga de acreditar que temos uma comunicação social séria em que tudo que se lá diz é verdade.

 

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   Foto publicada em Maio de 2015

No plano nacional pouco há a destacar de positivo. A grande maioria dos portugueses estão muito mais pobres, há mais desemprego, mais injustiça e falta justiça e o direto à saúde menos acessível. De bom, só destaco mesmo ver que a democracia ainda vai funcionando e que os partidos de esquerda finalmente estão em sintonia, pelo menos a julgar pelo acordo parlamentar entre o Partido Socialista, o Bloco de Esquerda e a CDU, acordo histórico, permitindo que António Costa fosse indicado para formar governo, mudando-se assim de estratégia política para sair da crise, em que a estratégia deixou de ser “primeiro Portugal” para ser “primeiro os portugueses”.

 

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  Foto publicada em Junho de 2015

Ainda no plano nacional estamos a chegar ao fim do cavaquismo, para além de termos a certeza de que o próximo PR será bem melhor que o anterior, mesmo que seja o Tino de Rans.

 

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 Foto publicada em Julho de 2015

Só a titulo de curiosidade o orçamento para a campanha do Tino de Rans é de 50.000 euros contra os 2,1 milhões de euros que Cavaco Silva apresentou para a sua última campanha.

 

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  Foto publicada em Agosto de 2015

Quanto aos portugueses que nos deixaram este ano, destaco na política a Maria Barroso, na ciência o Mariano Gago, na cultura e artes, o Manoel de Oliveira (no cinema), Nuno Melo (no teatro), Herberto Helder (na poesia). Depois de quatro anos sem Ministério da Cultura, a cultura também sofreu um forte abalo, principalmente com a morte de Manoel Oliveira e aquele que era por muitos considerado o maior poeta português da segunda metade do século XX.

 

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  Foto publicada em Setembro de 2015

Em termos locais 2015 também deixa muito a desejar, com a justiça (tribunal) e a saúde (hospital) a perder valências. No hospital se tiver a desgraça de ter de ir às urgências mesmo com cabeça rachada ou fratura exposta de um membro, o mais certo é ter de esperar umas horas sem que ninguém o veja e se não tiver acompanhante para conduzir a maca e dar seguimento aos papeis, o mais certo é ficar esquecido no corredor de espera. E isto não é pelo que me dizem pois foi vivido na primeira pessoa quando como acompanhante de um familiar com 90 anos e fratura exposta do braço, esperou três horas sem ser atendido para sair de lá quase como entrou, apenas engessado, para ter de ser operado um mês mais tarde.

 

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 Foto publicada em Outubro de 2015

Quanto ao nosso mundo rural está cada vez mais despovoado e envelhecido, muitos jovens (formados ou não) foram obrigados a emigrar, ex-emigrantes retomaram de novo a emigração e os jovens recém formados já não regressam a Chaves e se regressam é para casa dos pais, por não terem trabalho. Chaves deixou de ser uma cidade atrativa para se viver e para construir aqui um futuro, que a seguir como até aqui, sem grandes expectativas para o futuro, sem projetos de médio e longo prazo para reverter a situação, Chaves seguirá os passos do mundo rural, em que o êxodo do nosso mundo rural para a cidade se transformará num êxodo da cidade rural para as grandes cidades do litoral onde é mais fácil e barato viver.

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  Foto publicada em Novembro de 2015

Em termos urbanísticos, embora a desenfreada construção das grandes construções de betão tenha tido felizmente o seu fim, há uma, municipal, que se tem mostrado polémica, pelo menos a julgar pela opinião da maioria dos que oiço. Trata-se do Museu das Termas Romanas, e a polémica nada tem a ver com o museu em si, que esse penso que é consensual a aceitação de todos, mas no pesado edifício que lhe dá abrigo, desvirtuando um dos largos mais característicos e típicos da cidade onde, sempre, os grandes acontecimentos foram comemorados e festejados, para além do pesado edifício de arquitectura duvidosa, criticada por muitos, além de que, ao que consta, haver defeitos de projeto ao não ter sido previsto um sistema de ventilação eficaz com as águas termais quentes a provocar uma constante condensação. Há também quem critique a utilização num edifício público de materiais proibitivos para a grande maioria das construções privadas do centro histórico. É o que se diz por aí, pois a minha opinião, embora não muito diferente do que se diz, a ser verdade o que por aí consta, reservo-a para quando a obra estiver concluída, se é que tenho direito a opinar.

 

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  Foto publicada em Dezembro de 2015

Culturalmente falando, como ainda não mudei de opinião, e para não bater mais no ceguinho, fica tudo aquilo que tenho dito aqui no blog ao longo dos onze anos da sua existência. Destaco no entanto alguns acontecimentos e algumas obras resultantes do associativismo social e cultural da cidade, principalmente das associações independentes e mal amadas por quem as deveria apoiar, associações que contra ventos e marés, sem financiamentos e influências externas para no seu seio semear a discórdia, se têm mantido unidas, levando os seus planos de atividades avante com o apoio dos seus associados. Destaque também para alguns valores individuais da nossa praça, no campo da cultura e desporto, que vão merecendo e merecerão aqui no blog o devido destaque.

 

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Concurso do gado - Feira dos Santos 2015

 

Mas vamos acreditar no futuro, e eu acredito sempre que o ano novo vai ser melhor que o velho, mesmo que os últimos anos tenham demonstrado o contrário. Mas tenho fé no ano de 2016, principalmente a nível nacional. Pois no plano internacional penso que irá ser um ano agitado, cheio de surpresas. Já a nível local, infelizmente, para além do ram-ram do passar dos dias, pouco mais espero. Talvez umas descobertas fotográficas e umas happy hours na companhia dos amigos mais próximos, mas isto é a nível pessoal. Contudo, como sou um homem de fé, vamos acreditar que também por cá o ano de 2016 vai ser bem melhor que o de 2015, e bem precisamos, pelo menos para ter algum ânimo para enfrentar os dias.

 

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 Quim, o sapateiro da Rua do Poço

A título de imagens a minha seleção é a da foto que mais gostei de publicar em cada um dos meses, ficando duas fotos extras em jeito de subsídio de férias e 13º mês. Uma seleção não muito aprimorada, pois escolher 14 fotos entre as cerca de mil fotos publicadas, não é tarefa fácil.

 

Um Bom 2016 para todos!

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publicado por Fer.Ribeiro às 17:55
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Pedra de Toque - À guisa de balanço

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À GUISA DE BALANÇO

 

Mais um ano que está a terminar.

 

Finda-se o 2015, vem aí o 2016.

 

Neste ano que acaba aconteceram factos interessantes e outros nem por isso.

 

Conheci via face, gente bonita, pessoas com quem aprendi, homens e mulheres que sei terem lido meus textos.

 

Revi, ou melhor, reencontrei amigos e amigas que há muito não via.

 

Creio ter descoberto por dentro pessoas em quem constatei profundas afinidades, que me ajudaram com os seus belos textos e oportunos comentários, a amenizar as agruras que afectam as nossas vidas.

 

Julgo ter feito no face amigos e amigas que ainda não conheço pessoalmente mas espero conhecer, porque serão amigos(as) para sempre.

 

A beleza interior fascina-me, prende-me, inspira-me.

 

Estão no face pessoas lindas.

 

Mas também estão outras que não deixo de remover quando por acaso com elas me cruzo.

 

Nesta fase da vida, procuro nos outros a serenidade que por longos momentos me foge.

 

Por vezes quando a solidão me afecta, a angústia e a ansiedade me perturbam e me doem só a quietude, a poesia e a dita serenidade, me amenizam.

 

Em 2015 também me surgiram ligeiras enfermidades que debelei.

 

Maleitas não de amor “que diz o doutor que até fazem bem”, mas das outras, próprias da idade, também me bateram à porta mas minorei-as graças à medicina.

 

O ano está a terminar bem.

 

A minha pátria está a caminho de um país novo.

 

Já se respira um ar mais sadio que não deixará de contribuir para esquecer tempos recentes de má memória e para a edificação de um Portugal mais solidário, mais igual e mais feliz.

 

Que continue assim em 2016.

 

Um Bom Ano Novo para todos.

António Roque

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:17
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Quarta-feira, 30 de Dezembro de 2015

Ocasionais - A Cor Verde da Utopia

ocasionais

 

“A COR VERDE da UTOPIA”!

 

“Por mais egoísta que se possa imaginar o

homem, existem evidentemente na sua natureza

alguns princípios que o fazem interessar-se pela

sorte dos outros, e fazem com que a felicidade

destes se torne uma necessidade, ainda que não

derive dela nada mais do que o prazer de

contemplá-la”! - Adam Smith

 

 

Como é colorida a vida política dos Portugueses!

 

No Parlamento… e nas Televisões, os «pu – lí – ti - cos» desunham-se todos para ver qual deles é o mais prolixo em frases altissonantes de ridículas graçolas!

 

O “Zé Pagode” ri, acha graça, aplaude, regozija-se por poder dizer-se «amigo» (que é como quem diz, pertence ao «clube» do engraçadinho) de tal ou tal «campİão».

 

Lorpa, o “Zé Pagode” continua sem dar conta de que o «seu» Partido actua sempre no benefício dos seus dirigentes (e compinchas destes), e nunca no do interesse nacional!

 

Em Portugal, a política é, na realidade, um monopólio de um grémio de usurpadores, cretinos e tiranos.

 

A Democracia Portuguesa é uma ficção.

 

A Cidadania não passa de treta.

 

A igualdade de direitos está substituída pelas relações clientelares.

 

Na realidade, não há cidadãos: há súbditos e clientes da classe política.

 

Em Portugal, veja-se o recente caso do “BANIF”!

 

E nem vale a pena citar outros   -   o poder não está sujeito à Lei!

 

E a corrupção é a «primeira-dama» da política portuguesa!

 

O sonho do 25 de Abril   - a Democracia   -   foi-se transformando em pesadelo   -   em Partidocracia!

 

A aparição de um populista pantomineiro, um tal «sr. Sousa», como candidato à Presidência da República, é sintoma alarmante da renúncia que os Portugueses estão a fazer à sua condição de cidadãos!

 

E nem admira que outros «cromos» semelhantes lhe sigam o exemplo, com ou sem «Tino»!

 

Estamos num País, Portugal, em que nem sequer na enfermidade e na morte todos somos iguais   -   veja-se o caso recente do H. de S. José, em Lisboa, por falta de equipa médica!

 

Estamos num País em que a vida está pela hora da morte!

 

Para os trastes dos governantes «direitolas», que, apesar das chapadas com que foram corridos, teimam na desfaçatez, na sem-vergonha e na cretinice   -   os «mercados», para eles, foram sempre mais importantes que as pessoas; o rendimento do capital, mais importante que a saúde e a vida dos cidadãos!

 

Estamos num País, Portugal, onde pouco falta para que nele os Portugueses sejam «exilados»!

 

Nesta democracia   -   a «tal» “jovem Democracia Portuguesa”!   -   chegou-se ao ponto de se olhar para os Partidos políticos como clãs de mafiosos: a corrupção não é castigada; a justiça é denegada; aos trabalhadores são-lhes impostos contratos leoninos; aos idosos diz-se-lhes que estão a mais!

 

Não há, já, muito para dizer.

 

Mas há ainda muito por fazer!

 

M., 23 de Dezembro de 2015

Luís Henrique Fernandes

 

 

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Chá de Urze com Flores de Torga - 111

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Mairos, Chaves, 4 de Setembro de 1990

 

Despeço-me supersticiosamente da paz do planalto em restolho. O sol morre nos confins dos horizontes, as charruas dormitam, cansadas, à beira dos caminhos, manadas de vacas arrastam placidamente o amojo a caminho da ordenha, e o meu silêncio apreensivo como que cumplicia os companheiros numa comunhão cósmica de que não podem imaginar nem a fundura, nem a santidade.

Miguel Torga, in Diário XVI

 

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Chaves, 6 de Setembro de 1990

 

Acordo a ouvir os galos da redondeza, que da penumbra me desafiam a inspiração, e os roncos impacientes que dos chiqueiros pedem lavagem. E bendigo mais uma vez esta terra de Portugal, que tem História, que tem civismo, que tem arte, que tem pergaminhos de toda a ordem, e que ainda se exprime, antes de erguer a voz urbana, numa sã linguagem rural de cacarejos e grunhidos.

Miguel Torga, in Diário XVI

 

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Chaves, 7 de Setembro de 1990

 

Cá ando a representar conscienciosamente o incómodo papel vivo de contumaz. Informada da minha morte iminente pelos meios de comunicação, toda a gente me olha espantada, como se eu fosse um ressuscitado. Alguns, mais afoitos, aproximam-se e chegam à fala. Como S. Tomé, querem meter a mão na chaga e ver para crer. E digo que sim, que felizmente estou bem e pronto para outra, a rir-me por dentro. Não deles, mas de mim, que nasci com a triste sina de esgotar todos os cálices de amargura. Até este de agonizar no palco do mundo a pedir lágrimas e a receber apupos e felicitações.

Miguel Torga, in Diário XVI

 

 

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Terça-feira, 29 de Dezembro de 2015

Imagens com chuva

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Ainda há dois dias dizia por aqui que este ano o Inverno ainda não tinha mostrado a sua cara e ontem pregou-nos com um daqueles dias de Inverno a sério, com muita chuva e ventos fortes, mesmo com temperaturas ainda acima dos valores normais para a época, mas já um pouco mais frio.

 

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Dia pouco convidativo para a fotografia, principalmente paras as câmaras fotográficas que não gostam muito de chuva, mas estava combinado ser dia de fotografia e foi, com resultados e descobertas que não as teríamos feito se estivesse um dia de sol.

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Assim, ficam quatro imagens molhadas, com chuva, quatro momentos da natureza a fazer jus ao Inverno.

 

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As imagens das descobertas de ontem, essas ficam para o próximo sábado, dia 2 de janeiro de 2016, por sinal um dia muito especial para o blog.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 19:15
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Flavienses por outras terras - João Filipe

Banner Flavienses por outras terras

 

João Filipe

 

Nesta crónica do espaço “Flavienses por outras terras” vamos até à Suíça, ou melhor dizendo, até à Confederação Suíça, uma vez que o território se encontra dividido em 26 cantões com autonomia política e económica, coexistindo 4 línguas oficiais: o Alemão, o Francês, o Italiano e o Romanche.

 

É lá que vamos encontrar João Filipe.

 

Mapa Google + foto - João Filipe.png

 

Onde nasceu, concretamente?

Nasci em Argemil, Carrazedo de Montenegro.

 

Nos tempos de estudante, em Chaves, que escolas frequentou?

Frequentei a escola da Estação, a escola da Lapa e a escola do Caneiro.

 

Em que ano e por que motivo saiu de Chaves?

Saí no dia 25 de abril de 1981, depois de ter terminado o serviço militar. Fui para a Suíça à procura de uma vida melhor.

 

Em que locais já viveu ou trabalhou?

Até aos 5 anos de idade vivi em Argemil, a minha terra natal. Depois, vivi em Chaves, na Avenida dos Quartéis, no Jardim do Bacalhau, no Caneiro, e depois em Santa Cruz, onde casei. Trabalhei em empresas de construção civil, em Chaves, até ao serviço militar, e depois em Hüttwilen–Frauenfeld, a 45 km da cidade de Zurique.

 

Diga-nos duas recordações dos tempos passados em Chaves:

Recordo os tempos da minha juventude passados com os meus amigos com os quais com o tempo perdi o contacto. Tenho saudades dos encontros no cinema ou no Restaurante Jorge, para se jogar umas partidas de sapo, um jogo daquele tempo, ou então nas Caldas ou nos bailes no Jardim Público. Recordo também as idas ao S. Caetano, os banhos na Galinheira, os passeios de bicicleta e nos barcos a remos…

 

Proponha duas sugestões para um turista de visita a Chaves:

Um passeio à beira do Rio Tâmega, com uma paragem nas Caldas para saborear a água quente.

 

A nossa gastronomia, com coisas tão boas, os nossos jardins e o nosso museu.

 

Estando longe de Chaves, do que é que sente mais saudades?

Tenho saudades dos meus familiares e amigos, aqueles que hoje pouco encontro nas minhas idas a Chaves, nas férias. Dói-me o coração ao percorrer a cidade e sentir que sou mais um estrangeiro numa cidade que me viu nascer e onde passei metade da minha vida.

 

Com que frequência regressa a Chaves?

Normalmente, uma vez ao ano.

 

Gostaria de voltar para Chaves para viver?

Como me faltam cerca de 3 anos para a reforma irei ficar com residência na Suíça, mas vou passar mais tempo em Portugal, onde tenho as minhas raízes.

 

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O espaço “Flavienses por outras terras” é feito por todos aqueles que um dia deixaram a sua cidade para prosseguir vida noutras terras, mas que não esqueceram as suas raízes.

 

Se está interessado em apresentar o seu testemunho ou contar a sua história envie um e-mail para flavienses@outlook.pt e será contactado.

 

Fotos Flavienses até João Filipe.png

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:04
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Segunda-feira, 28 de Dezembro de 2015

Quem conta um ponto...

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A sexualidade das pequenas coisas

 

O meu amigo M. chegou ao pé de mim, sentou-se, pediu um café e pôs-se a bebê-lo como só ele o sabe fazer. O seu porte é distinto, mesmo a tomar café. A sua maneira de o pedir ao empregado, a forma distinta como abre o pacote de açúcar, seja ele uma pequena bolsa rectangular ou cilíndrica, a maneira como o mexe, em movimentos lentos e exactos, como quem desenha uma circunferência com o auxílio de um compasso kern, surpreende qualquer um. Já vi pessoas a deterem-se no acto de tomar as suas bicas por se sentirem verdadeiramente impressionadas com a habilidade e o porte eletivo do meu amigo na execução perfeita do ato de tomar café. Mas, e para o amigo leitor se inteirar melhor do seu prazer, podemos igualmente acrescentar que o meu amigo M. toma a sua bica como se o fizesse pela primeira vez, como quem se regozija com a primeira namorada, como quem saboreia o primeiro beijo ou como quem se prepara para ter a primeira relação sexual.

 

Mas para chegarmos até aí, primeiro vamos deixar falar um pouco o meu amigo. «Caro João, ontem o meu filho chegou a casa com os bolsos cheios de preservativos, como no dia em que pela primeira vez foi à escola e o encheram de rebuçados. Só que desta vez vinha da universidade, da festa de recepção aos caloiros. Além de uma pasta, uma bata, blocos de notas, roteiros, um lista telefónica das Páginas Amarelas, um cordão com aloquete, uma proposta de abertura de conta numa instituição bancária, um cartão multibanco provisório e duas esferográficas, ofereceram-lhe vários e distintos preservativos em embalagens criativas, com distintos sabores, com ergonomias curiosas e mesmo um exemplar luminescente para a parceira, para, mesmo no escuro, saber sempre o que procurar e onde poder encontrar o membro fálico do mancebo sem ajuda do GPS do telemóvel. Ora, caro amigo, mesmo sabendo eu que a distribuição dos preservativos são uma forma de combater as doenças sexualmente transmissíveis, também são como que um apelo a que essas mesmas relações se efetuem. É um pouco como a história do ovo e da galinha. O meu filho mostrou-se desde logo interessado em utilizar tudo o que lhe tinham oferecido no kit universitário, afirmando que por algum lado se deve começar a vida universitária. E que se ela é constituída por sangue, suor e estudo, o melhor é começá-la com as experiências mais aprazíveis. Os psicólogos dizem que ter uma relação sexual no momento da entrada para universidade ajuda a libertar a libido e por isso mesmo é uma forma estimulante de potenciar as relações intergrupais que são essenciais para criar os laços de amizade e integração no grupo. “Representa o mesmo que no teu tempo”, disse ele para mim, “entrar com o pé direito”. Ao que eu lhe respondi: “Essa curiosa expressão utilizávamo-la como um amuleto, um talismã, um esconjuro. Mas dar preservativos como quem distribui rebuçados de distintos sabores e cores aos jovens parece-me um pouco excessivo. Olha, meu filho, lá diz o povo na sua sabedoria, o que não é visto não é lembrado. De seguida atendi o telemóvel e a conversa ficou por ali. Mas não deixa de ser irónica a circunstância de lhe oferecerem o objeto que permitiu o equívoco da sua gestação”.

 

O meu amigo M. foi um jovem adiantado para o tempo. Na época em que nos formámos, um preservativo era a modos como a teoria heliocentrista de Galileu no seu tempo, uma convicção contestada por quase todos. Por isso se fez forte e, numa ida a Lisboa em viagem de estudo, deslocou-se a uma farmácia e pediu um preservativo. Como a farmácia estava a abarrotar com pessoas a solicitar fósforo-ferrero para administrar aos estudantes por ser época de exames, nem sequer lhe pediram para mostrar o bilhete de identidade. A partir daí nunca mais deixou de transportar nos bolsos das calças o seu preservativo de estimação. Demorou foi muito a utilizá-lo. Não porque lhe faltasse a ousadia e a vontade. A ala feminina é que não lhe aparava os lances. Fizesse frio ou calor, chovesse ou nevasse, o meu amigo trazia sempre nos bolsos das calças o lenço, as chaves de casa e o preservativo. Apesar da fortaleza do invólucro, a textura começou a dar de si. Com o passar do tempo, e com a intensidade dos apelos da carne, um dia, um glorioso dia de primavera, o meu amigo conseguiu alcançar os seus objetivos. Passados nove meses nasceu o seu primeiro filho. Quando o questionámos sobre o facto, limitou-se a confessar que o preservativo lhe tinha saído furado. Naquela altura não havia ainda uma lei a exigir que os produtos exibissem o seu prazo de validade.

João Madureira

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
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De regresso à cidade com a Ladeira da Brecha

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:28
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Domingo, 27 de Dezembro de 2015

Pecados e Picardias

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Desde um tempo com tudo e sem nada

Aquecem ausências amigos que ficam

Troncos em chama na noite de consoada

Nos cruzeiros lá da terra, até madrugada

 

Desde um tempo com tudo e sem nada

Envelhecem natais até à infância

Encontros por aí, à vista de todos, indicam

Um brilho límpido fé de tolerância

 

Aquecem ausências amigos que ficam

Sem frio, nem inverno dormem desafetos

Sentados à mesa os rumores pacificam

Egos indecisos por corações inquietos

 

Troncos em chama na noite de consoada

Ardem na esperança do natal alvorada…

 

Isabel Seixas

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:30
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Os domingos de Vidago

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As tradições vão valendo por, sem que haja qualquer lei que as regule, acontecerem repetidamente quando têm de acontecer porque já antes aconteciam no tempo dos nossos antepassados. Tradições que podem ser de toda uma cultura, região, aldeia ou família. Pois na minha família a tradição manda que o presépio e o pinheirinho se montem no dia 8 de dezembro e se desmontem após os Reis. Pois este pequeno introito serve para justificar aqui no blog as imagens de mais dois presépios, estes de Vidago, do ano de 2009. E são de Vidago porque aqui no blog está-se a começar a construir a tradição de trazer aqui esta vila todos os domingos.

 

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Justificados que estão os presépios, passemos à segunda imagem, que de Natal pouco tem, mas tem uma coisa que só em Vidago acontece em toda a sua plenitude e que é a magia das cores de outono, no presente caso com o brilho acrescentado de um por do sol. Ou seja, ouro sobre azul, que aqui, na imagem, se torna realidade fazendo jus à hora dourada da fotografia.

 

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E por agora é tudo, com a certeza de que mais logo regressaremos por aqui outra vez. Para já ficam estas três imagens de Vidago, todas de arquivo, sendo as dos presépios do ano de 2009 e a do por do sol de 2011.

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:31
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Sábado, 26 de Dezembro de 2015

Noval - Chaves - Portugal

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O tempo passa sem darmos por isso. Pensava eu que a última vez que tinha ido a Noval em recolha de imagens tinha sido há dois ou três anos, e na realidade passei por lá há dois anos atrás, mas já em pleno anoitecer, ou mais noite que dia, pelo que só deu para recolher três imagens, mas como a maioria sabe, sem luz não há fotografia, pelo menos sem longas exposições e um tripé, que foi o caso. Pois em recolha de imagens a sério só aconteceu duas vezes e já lá vão uns anitos, uma das vezes foi em 2007 e a outra em 2009, pelo que é natural que as imagens que hoje vos deixo não estejam muito atualizadas.

 

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Assim pela certa já entenderam que esta última imagem com neve não é destes últimos dias, mas antes de dezembro de 2009. Embora já em pleno inverno o tempo continua por cá anormalmente quente para a época, aliás não tenho memória de ter passado um Natal com temperaturas tão altas. Contudo não quero com isto dizer que esteja calor, mas antes que daquele frio-frio a que os invernos nos têm acostumado, ainda não chegou.

 

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Ficam então três imagens de Noval, uma pequena aldeia aqui ao lado de Chaves e mesmo colada à aldeia de Soutelo, mas se não o soubéssemos, pelas suas características, principalmente do casario, bem acreditaríamos que se podia tratar de uma das aldeias de montanha. Noval que conjuntamente com Soutelo foram aldeias rainhas na tecelagem de linhos e das famosas mantas de lã. Mas isso já são coisas de outros tempos.

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:33
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Quinta-feira, 24 de Dezembro de 2015

Bom Natal!

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Hoje em imagem trago-vos algumas fotos de presépios e da cidade dos últimos dias, à noite, em que a iluminação das ruas tenta dar alguma alma à quadra natalícia, nem poderia ser de outra maneira, a quadra exige-o, ou seja, o negócio exige-o, economia exige-o, o pai natal exige-o e quando nos damos conta, já somos todos a exigi-lo. E viva o Natal, mesmo nós, ou pelo menos eu, que sou do tempo do menino Jesus, do tempo em que era criança e acreditava em tudo, mas também do tempo em que o Natal trazia consigo a magia… sim, a magia da família.

 

1600-presepio-15 (6)

 

Mas claro que os tempos de hoje são outros, com mais luz, mais cor e acredito que para a pequenada continuará a ter a sua magia. Quanto a nós, os crescidos, os velhotes de hoje, resta-nos a consolação da família, e já não é pouco. Quanto ao pai natal parece que veio para ficar, e se quem poderia fazer alguma coisa para desmistificar a lenda deixa que seja a evolução simpática e comercial do de S.Nicolau, que poderemos nós fazer senão aceitá-lo como é, e mesmo se não aceitarmos, de pouco nos vale, a bem da economia ele vai continuar a vir todos os natais.

1600-(45579)

 

Assim sendo, com menino Jesus ou sem ele, fiel ao pai natal ou não, cá estamos de novo em mais um Natal com o seu dia grande no dia de hoje, ou melhor, na noite de hoje, a noite de consoada, onde a tradição, essa sim, vai valendo na família, no bacalhau, no polvo, nas filhoses, sonhos, rabanadas e aletria, entre outras aguarias e uns copos que nos leva sempre um pouco ao abuso por ser uma noite diferente.

 

1600-presepio-13 (37)

 

Pois então viva a noite de consoada, o Natal e uma noite feliz na companhia daqueles que nos são mais queridos, onde lamentar só se lamenta mesmo aqueles que não podem estar presentes.

 

Uma boa noite de consoada e um bom Natal para todos.

 

 

 

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Quarta-feira, 23 de Dezembro de 2015

Arquiteturas - Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso

1600-macna (105)

 Entrada principal - Vista poente

 

Duas vistas do futuro Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso. Projeto do Arquiteto Álvaro Siza Vieira.

 

1600-(45174)

Pormenor da vista sul

 

 

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Chá de Urze com Flores de Torga - 110

1600-torga

 

 Chaves, 27 de Agosto de 1990

 

A intenção era boa, mas teve má impressão:

— Ainda lhe falta viver uma outra vida.

— Qual?

— A da bengala.

E reagi assim:

— Essa não será minha. Será da bengala. Eu não sou homem para me apoiar senão em mim.

Miguel Torga, in Diário XVI

 

1600-9273

 

Chaves, 28 de Agosto de 1990

 

Subida penosa ao castro da Curalha. Descobri Portugal sofregamente, em pecado de gula. Agora, arrasto-me por ele em penitência.

 

Miguel Torga, in Diário XVI

 

 

1600-CURALHA (480)

 

Chaves, 30 de Agosto de 1990

 

É escusado teimar. A ser banal, a dizer banalidades e a pensar banalidades é que o português é português.

 

Miguel Torga, in Diário XVI

 

1600-moreiras (257)

 

Moreira, Chaves, 3 de Setembro de 1990

 

Uma ara pagã romana acolhida à preservadora proteção católica da desfigurada igreja matriz, que foi românica nos bons tempos, e um velho e decrépito casal de lavradores desdentados a secar previdentemente milho na varanda de um solar desmantelado, ainda ufano da monumental chaminé que o coroa a testemunhar a opulência da cozinha senhorial de outrora, deram-me hoje o ensejo de recapitular a lição há muito decorada e às vezes lamentavelmente esquecida: que a perenidade da fé é indiferente à circunstância do sacrário, e o império da fome à natureza das bocas.

 

Miguel Torga, in Diário XVI

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:04
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Terça-feira, 22 de Dezembro de 2015

Chaves, Uma imagem

1600-(45587)

 

 

 

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