12 anos
Quinta-feira, 31 de Março de 2016

Cidade de Chaves, uma imagem

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:43
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Chaves de ontem, Chaves de hoje

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Hoje fazemos um regresso ao ano de 1959, à Lapa, ainda com o antigo bairro da lapa adossado ao forte de S.Francisco. Os putos da bola de então que ficaram registados na imagem, hoje são flavienses de sessenta e tal anos.

 

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Fica então a imagem de Chaves de hoje, cujos arranjos são dos finais dos anos setenta e inícios dos oitenta do século passado, transformando o antigo capo da bola e recinto que acolhia os circos, no principal estacionamento da cidade. Quanto às casas adossadas à muralha, deram lugar a um espaço ajardinado.

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:15
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Quarta-feira, 30 de Março de 2016

2 (duas) Reflexo(e)s flavienses

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:21
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Chá de Urze com Flores de Torga - 124

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Alturas do Barroso, 27 de Junho de 1956

 

Entro nestas aldeias sagradas a tremer de vergonha. Não por mim, que venho cheio de boas intenções, mas por uma civilização de má-fé que nem ao menos lhe dá a simples proteção de as respeitar.

 

Miguel Torga, In Diário VIII

 

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 Alturas do Barroso

 

Montalegre, 28 de Junho de 1956

 

Feira do prémio. As elegâncias bovinas da região num concurso de beleza. Mas coisa a sério! Cada vedeta examinada e medida com um rigorismo de meter Hollywood num chinelo. Torci quanto pude por uma bezerra ruiva – Deus me perdoe a oculta transposição antropomórfica que se estaria a operar no meu subconsciente, fiz de jarrão à mesa do júri, apertei a mão aos donos das beldades eleitas, e, no fim, quando esperava ver coroada com uma chega de toiros a minha abnegação pecuária, arma-se tamanho sarilho entre duas povoações donas das bisarmas à altura da façanha, que parecia o fim do mundo. No meio de negociações complicadas, em que pus toda a diplomacia de que sou capaz – a escolha do terreno da luta, a verificação de que não havia navalhas de ponta e mola embutidas nas hastes dos cornúpetos, etc.,etc. -, insofrida, a virilidade humana antecipou-se à virilidade dos animais. Nas barbas da autoridade, dispensou galhardamente os actores contratados e, em vez duma turra de bois, ofereceu-me o espectáculo mais sensacional ainda de uma turra de gente. Com esta vantagem para mim: metido também na dança.

 

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Atónito no meio da insólita floresta de varapaus, tratei de me defender como pude das bordoadas, sem medir a grandeza da generosidade, e até propenso a considerá-la abusiva. Mas logo que a tempestade amainou, e tive de estancar o sangue no lanhaço de um dos heróis, testemunhei-lhe o meu alarmado reconhecimento. A resposta veio num simples sorriso sibilino, que interpretei desta cândida maneira: já que eu estava tão interessado em conhecer as coisas por dentro…

 

Miguel Torga, In Diário VIII

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:15
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Terça-feira, 29 de Março de 2016

Chaves, uma imagem

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:13
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8 - Chaves, era uma vez um comboio…

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Texas  o comboio   kimvoio

 

Vi-o a primeira vez  ainda na penumbra dos amanheceres,  a passar no fundo do estradão, a minha mãe de futuro em riste, levava a Zé por volta das sete e tal da manhã  à estação das Pedras, para ir para o colégio de Vila Pouca estudar, grande feito à época, bem  admirado bem invejado  o andar, andar a estudar e andar de comboio.

 

Lembro-me da ternura da Sra. Albertina  que morava no figueiredo e dizia que a mãezinha, a d. Aninhas tinha ido buscar a Zeizinha ó Kimvoio… E era assim… Como se o comboio,  além das pernas rodas nos carris, tivesse também braços e desse às mães vindos de um abraço ou colo qualquer,  os filhos sempre em segurança, num devagar se vai ao longe…

 

Sempre me fascinaram as rodas nos carris, num movimento para mim espiral que quase me fazia trocar os olhos por conseguirem  ir todas ao mesmo tempo, a meu ver eram elas  a voz e o instrumento  da orquestra que geravam o som tac a tac a tac o tal pouca terra pouca terra pouca  terra, gerando nas carruagens um movimento de samba folclórico ou de risadinhas constantes por cócegas.

 

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 CP0029 – Locomotiva: Não identificada, Data: 1977, Local: Vidago, Portugal, Slide 35 mm

 

Depois das rodas, a máquina, ora altiva cheia de soberba por ir à frente e puxar as carruagens como quem traz de arrasto os filhos distraídos, ora histérica em guinchos ensurdecedores  a exigir atenção de algum incauto que saia desgarrado  e ocupe a sua linha. Fumadora compulsiva, na altura, creio, mata ratos ou definitivos,  carvão direto aos pulmões   deixando no percurso lufadas de fumo, ambulantes nuvenzinhas de sonho esvaído num implacável céu.

 

À conta da sua falta de pontualidade a Nélia a Kika e o Nelo ainda levaram uma boa reprimenda, a Nélia umas boas chineladas no rabo, por assustarem as pessoas nas madrugadas dentro de um lençol com uma pilha, além de colocarem cartazes escritos das caixas de papelão, nas portas das pessoas fazendo jus às suas alcunhas.

 

Ouvia falar dele com frequência sazonal aquando de passeios de grupos , algumas criticas à sua lassidão.

 

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 CP0005  – Locomotiva: CP E209, Data: Não datado, Local: Régua, Portugal, Slide 35 mm

 

Um dia aí para uns  35 anos , vim da régua  com ele, trouxe-me direitinha com calma que mais valia chegar tarde neste mundo, que mais cedo ao outro, cheguei  a casa meio fusca com algumas faúlhas que se escaparam para nos enfarruscarem à socapa, sabendo que só dávamos conta quando chegássemos a casa, pois não dispúnhamos de espelhinho ali à mão.O balanço foi positivo, gostei, mas naquele tempo eu não sabia ainda o seu valor acrescentado , eu só tinha pressa, ele não estava ara aí virado para as pressas.

 

Lembro-me sempre com um arrepio na espinha de um senhor desesperado que decidiu atirar-se à linha quando ele passou, além das sistemáticas ameaças de senhoras que no auge da deceção pensavam alto em matar-se com a ajuda dele do kimvoio , do texas.

 

Às vezes era o bode expiatório para justificar a presença de indigentes na cidade , dado ser  em Chaves o fim da linha, os viajantes peregrinos tinham de sair e ficar à espera ,surgindo por uns tempos como estranhos na cidade.

 

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 CP0037  – Locomotiva: CP E209, Data: 1973, Local: Não identificado, Portugal, Slide 35 mm

 

O Mestre Nadir a propósito do meu apelido Seixas contou-me que no seu tempo de estudante  de faculdade quando regressava do Porto, o revisor de nome Seixas mandava sair as pessoas nas subidas do comboio texas e pedia ajuda aos homens para empurrar, entrando  todos os passageiros novamente nas descidas. Foi sempre algo incompreendido, talvez por  deixar tempo aos passageiros para irem às frutas e  às vinhas do caminho  buscar uvas para comer, enquanto brincavam às corridinhas  com o texas que se deixava facilmente apanhar, ainda foi protagonista de excursões a Vidago levando miúdos e graúdos a ver a paisagem  numa alegria intemporal…

 

Depois com o tempo envelheceu, reformou-se e jaz nas memórias, além da carruagem atrás da antiga Estação e da máquina recuperada por algum saudosista perto da linha de Curalha.

 

E a nós deixou-nos  o  memorando  de o lembrar aos nossos filhos e netos se os tivermos…

 

Isabel  Seixas

 

In “Memórias de uma Linha – Linha do Corgo – Chaves”, Agosto de 2014

Edição Lumbudus – Associação de Fotografia e Gravura

 

Fotografias – Propriedade e direitos de autor de Humberto Ferreira (http://outeiroseco-aqi.blogs.sapo.pt)

Gentilmente cedidas para publicação neste post.

 

 

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Segunda-feira, 28 de Março de 2016

Quem conta um ponto...

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283 - Pérolas e diamantes: o cordel democrático

 

A vida humana, já mo dizia minha avó, é o maior esbanjamento económico da natureza. Quando estamos preparados para começar a tirar rendimento da nossa experiência humana, morremos. E os que nos sucedem vão ter de começar do zero.

 

Afinal o que é a alma humana em pleno século XXI? Afinal onde param as fadas da modernização e do bem-estar?

 

As ideias deixaram de ser um bálsamo para passarem a ser um castigo.

 

Vivemos num tempo sem deuses e com homens (e mulheres, porque não dizê-lo por mais que isso custe aos cultores do politicamente correto) desinteressantes, dirigido por carreiristas e indivíduos corruptos, onde o capitalismo financeiro, com a cumplicidade ativa dos conservadores e neoliberais, agora fingidos de sociais-democratas, se empenham vorazmente no desmantelamento do Estado Social.

 

A narrativa e o argumentário perseguem-nos e moldam-nos o pensamento. É o medo vertido em expressões inconclusivas: descontrolo da dívida pública, quebra da poupança, crédito mal parado, necessidade imperiosa de reduzir despesas sociais e a urgente reforma das leis laborais. É o velho conto do vigário. A crise. A puta da crise.

 

A mando desses senhores convertemos as leiras em baldios e os pomares em eucaliptais. Atualmente os muros delimitam apenas espaços vazios e estéreis.

 

Mas temos de reconhecer que algo mudou: deixaram de nos tratar como escravos e passaram a tratar-nos como criados.

 

E nós, bem adestrados, passámos a utilizar o mecanismo psicológico das crianças que se imaginam invisíveis ao tapar os olhos com as mãos. Se não me vês, eu também não te vejo.

 

Tal como os nossos corpos, também as ilusões morrem e fedem depois de mortas. Independentemente dos perfumes com que as borrifemos.

 

Continua a ser bonito guardá-las. Chegámos mesmo a pensar defendê-las firmemente até ao fim. Mas até o bom vinho vai azedando dentro do pipo.

 

Agora, à semelhança dos bancos, a Comunidade Europeia, passou a intervencionar os Estados.

 

Mandam-nos a casa os homens vestidos de preto. Os cangalheiros financeiros passeando na brisa do Tejo com as suas pastas carregadas de discos externos.

 

Há quem sorria com as penhoras. Nada do que nos possa importar os afeta. Serve-lhes até de diversão.

 

As elites endinheiradas acreditam na liberdade individual. Sobretudo na deles. Creem na vontade e no esforço. São os vencedores que gastam o que ainda lhes resta de energia nos spa, nos court de ténis ou ainda nos luxuosos ginásios privativos, onde encontram outros vencedores como eles, que os ajudam a enriquecer graças a uma teia de influências que denominam de sinergias.

 

Foram ambiciosos, depois fantasiosos. Atualmente entretêm-se em ser mitómanos sociais.

 

Eles falam de transações de propriedades, trespasses, quintas que escrituram em nome de ex-mulheres, amigos, sobrinhos, cunhados, sogros, mães ou pais, alguns deles com alzheimer, ou outra espécie de senilidade, e falsificam até as assinaturas, tornando-os proprietários de apartamentos, lojas comerciais, sociedades de importação e exportação, pomares e até negócios escuros.

 

Alguns deles, muito poucos, vão parar à cadeia. Outros saem de lá como heróis. Mas a grande maioria safa-se sempre. Para que a planta cresça é necessário fertilizá-la com adubo ou estrume.

 

Nós somos como pássaros vivos com uma das patas presas por um cordel a quem dizem: Vá lá, voa, para que raio queres as asas?

 

Que rica democracia a nossa!

 

João Madureira

 

 

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Domingo, 27 de Março de 2016

O Barroso aqui tão perto... Solveira

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Cá estamos de novo no Barroso, em mais uma aldeia a caminho de Montalegre, esta dá pelo nome de Solveira.

 

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Mas vamos à história, primeiro a minha, a que retenho de Solveira. Embora hoje Solveira nos fique no caminho de Montalegre, nem sempre foi assim. Graças à minha família da parte materna ter toda origem em Montalegre, desde muito cedo que a Vila estava nos meus destinos do Natal e do Sr. da Piedade, mas também parte das férias grandes. Decorriam então os anos 60 e 70 do Séc. passado e as idas a Montalegre eram feitas nas carreiras de Braga, pela Nacional 103. Primeiro de Chaves até ao Barracão, e depois noutra camioneta do Barracão até Montalegre. Só muito mais tarde, já em finais dos anos 70 e anos 80 é que começámos  a utilizar a “estrada de Soutelinho da Raia”, e aí sim, descobri também pela primeira vez a aldeia de Solveira, com a estrada a passar pela a aldeia.

 

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Contudo os arranjos da estrada entre Montalegre e o concelho de Chaves fez com que em Solveira a estrada tivesse uma variante, a passar ao lado da aldeia, e de novo Solveira ficou apartada das nossas vistas e das nossas passagens. Ia mantendo na memória uma aldeia interessante no seu casario, cheia de vida, pelo menos na estrada (rua) que então a atravessava, onde havia sempre muita gente e animais e daí a passagem por lá se fazer com velocidades muito reduzidas.

 

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Pois há dois dias fui à procura dessa aldeia que retinha na memória e embora quase tudo se mantenha como quando a conheci, falta-lhe a essência, ou seja, a vida nas ruas mas também nas casas. Solveira é também uma das aldeias que sofre do mal que mais as afeta hoje em dia – o despovoamento e envelhecimento da população.

 

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Mas ainda tem alguma vida que até ainda mantém algumas tradições de pé, como a via-crúcis ou via-sacra que consiste na sexta-feira santa os fiéis percorrerem as estações (ou passos) da via sacra, quinze no total, representando a caminhada de Jesus a carregar a cruz desde o Pretório de Pilatos até o monte Calvário, em suma com a primeira estação na representação da condenação à morte de Jesus e a última em representação de Jesus a ressuscitar dos mortos. Em Solveira a via-crúcis faz-se precisamente ao longo da antiga estrada que ligava Montalegre a Chaves.

 

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Há dois dias, sexta-feira santa, quando por lá fomos (a Solveira), soubemos do acontecimento e fomos fazendo sala até que o mesmo acontecesse. Sorte nossa a de termos encontrado o antigo ferreiro da aldeia, hoje reformado mas que se dedica ainda com amor e carinho às coisas de “ferro” e em “ferro”, como quem diz de qualquer metal. Engenhos, geringonças, antigos utensílios domésticos ou de trabalho, aparelhos, ferramentas. Um autêntico museu do metal, mas não só, pois há também as malhadeiras, penso que sete, todas a funcionar.Não as vimos mas ficaram programadas para uma próxima visita. Mas não é só o museu e o juntar peças de metal, pois o Sr. Jaime quer tudo como deve de ser e coisas avariadas ou que não funcionam não têm lugar no seu museu e daí, passar o seu tempo livre, agora todo, no concerto e arranjo das peças, e se tiver de as construir/fabricar, constrói-as ou fabrica-as, tal como aconteceu com a fechadura para a chave gigante que comprou na cidade de Chaves na feira das velharias.

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Junto a um dos largos principais da aldeia, aquele que tem o grande tanque e fonte comunitárias, onde o longo lavadoiro corrido ao longo de todo o tanque nos faz imaginar a vida que o largo não teria quando o mesmo era utilizado pelas mulheres a lavar a roupa de casa, onde suponho que em frente o Sr.Jaime teria a sua oficina de ferreiro, no tal sítio onde hoje abriga o seu museu. Teríamos conversa e apreciação das peças de museu do Sr. Jaime para toda a tarde, mas havia a via-crúcis à nossa espera, mas já se sabe que em terras do Barroso e um pouco por todos os Trás-os-Montes, as boas regras da hospitalidade mandam oferecer e beber um copo com as visitas que também teria daquelas coisas boas como bucha se não fosse dia de jejum, que por estas bandas se cumpre com o rigor que a Igreja manda.

 

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Por falar em copos, curiosamente e coisa rara no Barroso, Solveira produziu (não sei se ainda produz) vinho. Com o Larouco ali bem perto, mas goza ainda do tal microclima de que já falámos em Vilar de Perdizes, e daí o vinho e daí também alguns lagares que vimos em algumas adegas em ruínas.

 

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Por falar em Vilar de Perdizes, para quem vai de Chaves para Montalegre, ainda antes de chegar a Vilar de Perdizes a estrada atravessa um rio que “corre ao contrário”. O Rio segundo apurei nas cartas disponíveis, incluindo as militares,  e nas pesquisas que fiz, o rio dá pelo nome de Rio Assureira. Pois este rio que hoje também trago aqui porque também passa ao lado, bem perto, de Solveira além de correr ao contrário na maior parte dos escritos que encontrei, dão-no como sendo natural e a percorrer terras do Parque Natural de Montesinho, no distrito de Bragança. Mesmo nos quadros dedicados aos rios, o Rio Assureira é sempre mencionado como sendo de Bragança. Assim ou há dois rios com o mesmo topónimo ou então qualquer coisa está aqui errada, tal como correr ao contrário. Mas esta do correu ao contrário, coisas do relevo, até tem explicação.

 

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Geralmente os nosso rios nascem em Portugal e vão desaguar ao mar ou são afluentes de outros rios e, correm de norte para sul ou de Nascente para Poente. Se nascem em Espanha, acabam por seguir os mesmos caminhos e acabam por entrar em Portugal para seguirem o caminho do mar. Pois este nosso rio, o Rio Assureira, nasce em Portugal na Serra do Larouco, bem próximo da nascente do Rio Cávado. Embora inicialmente, tal como os outros,  tome a direção do mar, dá uma reviravolta para passar a correr em direção da Galiza, servindo mesmo de fronteira entre Portugal e Espanha (Galiza) ao longo de alguns poucos quilómetros (perto de 4km) para logo entrar em Espanha onde acaba por morrer quando se torna afluente de um outro Rio, também nascido no Larouco, o Rio Babul que, próximo de Verin, também é afluente do nosso Rio Tâmega. Curiosa as voltas que as águas dos rios dão, daí não admirar que o nosso Tâmega, em Chaves, em tempo de cheias, se enfureça e engrosse tanto, pois além das águas que o vale do Tâmega recolhe na Galiza, recolhe ainda grande parte das águas do Larouco e do planalto do Alto Barroso.

 

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Mas voltemos a Solveira, que embora hoje muito despovoada se nota ter sido uma grande aldeia, onde se destacam algumas construções, como a Igreja, o tal tanque comunitário, uma curiosa torre sineira utilizada para, noutros tempos, chamar as vezeiras. Segundo informações da aldeia a torre sineira não se encontra no seu sítio original. Há ainda o forno comunitário do povo para turista ver e fotografar, o cruzeiro e tanque/fonte anexa, uma fonte de mergulho com pátio pavimentado e o tradicional casario do barroso, algum ainda com a estrutura em pedra das antigas coberturas de colmo.

 

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Quanto a alguns dados oficiais da aldeia, recolhidos na página oficial da C.M. de Montalegre, na internet, a população presente de Solveira (Censos 2011) é de 150 habitantes, o Orago é Stª Eufénia e é a mais recente freguesia de Montalegre, saída de Vilar de Perdizes. O seu topónimo muito antigo provém do étimo sorbu + aria – sorbaria, planta semelhante ao buxo muito utilizada em obras de marcenaria.

 

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Acrescenta ainda a pág. da internet da C.M. de Montalegre: “o território desta freguesia foi habitado há muitos séculos. Aliás, a toponímia circundante certifica-o. Primeiro o sítio das Antas que nos levam até à pré-história; depois o próprio assentamento da povoação no Outeiro – altarium; depois o castro do Soutelo, a Cidadonha e finalmente Paio Mantela, uns e outros tradicionalmente considerados locais habitados. Solveira ao fazer parte da honra de Vilar de Perdizes estava abrigada a mandar homens à guarda do Castelo da Piconha, pelo menos até ao reinado de D. João I, mas há quem pense que a obrigação durou até à Restauração. Entre 1841 e 1853 pertenceu ao concelho de Ervededo que foi couto criado por D. Afonso Henriques para o seu amigo Arcebispo D. Paio Mendes, em 1132, tal como fizera ao Couto de Dornelas”.

 

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E prontos, tal como se costuma dizer por cá quando a coisa está concluída. Hoje ficam 14 imagens de Solveira, mas com muitas mais em arquivo para numa próxima oportunidade ficarem por aqui mais algumas. Restam os agradecimentos ao Sr. Jaime por nos ter recebido e mostrado o seu museu mas também à simpatia da população com quem fomos falando e um abraço para um seguidor nosso, natural de Solveira e emigrante em França, o Sr. João André que ainda há dias nos pedia Solveira. Pois aqui está, tal como prometemos, a caminho de Montalegre. Depois logo se verá. Para a semana contamos ir até Stº André. Até lá.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:30
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Os domingos de Vidago - Uma imagem

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 Boa Páscoa!

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publicado por Fer.Ribeiro às 05:34
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Solveira - Montalgre

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Para já fica uma imagem de Solveira que hoje irá ter aqui um post completo na rubrica " O Barroso aqui tão perto". Mas primeiro ainda vamos ter mais um domingo de Vidago.

 

Boa Páscoa!

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 05:30
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Sábado, 26 de Março de 2016

Hoje também há folares

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Já em tempos deixei aqui a receita do folar, mas ela não é tão rígida assim, pois pode ter algumas pequenas variantes conforme a casa em que se faça, mas o segredo para um bom folar está mesmo na qualidade dos ingredientes, principalmente na qualidade dos ovos, do azeite e das carnes, de preferência, para um folar de primeira qualidade, quanto mais caseiro melhor, pelo menos no que toca aos ovos e às carnes (presunto, linguiça, salpicão e carne gorda). Quanto ao resto é tudo uma questão de q.b., jeito de amassar, farinha 55, algum sal, fermento, tempo de levedar e forno quente no ponto e alguma paciência. No final, embora todos os folares tenham mais ou menos o mesmo aspeto, é quando se saboreia que se nota a diferença, isto para quem já comeu dos verdadeiros folares caseiros, com os tais ingredientes caseiros e a mestria de os fazer. Que hoje começa a ser coisa rara e pela certa não os encontrará nas feiras e feirinhas da especialidade, mas em muitas casas ainda os há.

 

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Mas tudo o que disse são apreciações para os mais antigos, pois os mais recentes os mais jovens, ou têm a sorte de ter uma avó a altura de fazer um bom folar caseiro ou então nunca os avezaram  ou saborearam, comem dos outros, que na ausência de melhor, também marcham. Mas isto, hoje em dia, não é só coisa dos folares. Passa-se um bocadinho com tudo que levamos à boca, principalmente nas cidades, mas o que mais me preocupa é que com o despovoamento das nossas aldeias estamos a perder também os verdadeiros sabores e saberes que fizeram a delícia gastronómica destas quadras festivas, e ontem mesmo tive a prova disso em duas aldeias do Barroso mais barrosão, onde os fornos do povo, agora, apenas servem para turista ver e fotografar.

 

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 Seja como for, agora com o folar também industrializado e outras iguarias mais comerciais a fazerem-lhe concorrência, a verdade é que por aqui o folar ainda é uma iguaria desta quadra  e no Domingo de Páscoa, manda a tradição que seja o cordeiro ou o cabrito que ocupe o centro das nossas mesas, acabando também assim a presença (época) das carnes de porco e fumeiros à mesa, que desde o Natal, com o seu ponto alto na quadra do Carnaval, eram presença assídua nas mesas transmontanas. E disse bem, eram!, pois também as tradições, com origem no mesmo mal do despovoamento rural, se foram perdendo ao longo dos últimos anos (desde finais do século passado até hoje).

 

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Lamentos mas também palavras para memória futura, para se saber que houve um tempo em que a comida que se punha à mesa era toda caseira, ou quase toda, com grande exceção para o bacalhau que nunca se deu nas hortas, galinheiros, capoeiros ou cortes.

 

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Quanto às imagens de hoje, já não são do folar caseiro como há uns anos atrás vos deixei aqui. Ontem, nas tais aldeias do Barroso,  bem fui à procura delas ontem, mas por incrível que pareça não vi um único forno a deitar fumo, e o aroma do folar cozido também não andava nas ruas. Assim, as imagens de hoje são já de um folar mais industrializado, de forno elétrico, embora confecionados com alguns ingredientes caseiros e alguma arte à moda antiga, que no final ainda faz um bom folar ao gosto atual.     

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 05:01
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Calvão - Chaves - Portugal

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Sábado é sábado e por aqui cumpre-se o prometido. Mais uma das nossas aldeias a marcar presença - Calvão.

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Um pormenor com cheiro a Páscoa tomado há uns anos atrás. Penso que a tradição se continuará a cumprir.

 

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E um troço de uma rua. Hoje foi com esta brevidade, pois a seguir vêm aí os folares.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:53
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Pedra de Toque - Maria

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                  MARIA

 

                         A vida sem ti,

                        Eu não queria,

                        Porque me fazes falta

                        Maria, Maria, Maria

 

                        Comigo, tu estás de noite,

                        Tu estás de dia,

                        Porque te amo

                        Maria, Maria, Maria

 

                        Procuro-te,

                        Quando me foge a alegria,

                        Mas tu nos pingos da chuva,

                        Apareces-me Maria!

 

                        Quando conspiro em silêncio

                        Para abater a tirania,

                        Sinto o teu braço no meu

                        Na mesma luta Maria.

 

                        Logo que a música se solta,

                        E nos resta a melodia,

                        O teu corpo segue o meu

                        E danças comigo Maria

 

                        E já na noite cerrada

                        Na cama tão doce e fria,

                        Sinto a tua pele soluçar

                        E morro contigo Maria!

 

                        Ai Maria, ai Maria!...

 

                                                                 António Roque

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:12
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Sexta-feira, 25 de Março de 2016

Arquiteturas - Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso

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 Pormenor do Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso - Projeto de Álvaro Siza Vieira

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:07
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Discursos Sobre a Cidade - Por Gil Santos

GIL

 

O DESPORTIVO EM VIZELA

EU ESTIVE LÁ!

 

II DIVISÃO, ZONA NORTE - ÉPOCA 1983/84

 

O campeonato nacional de futebol da II divisão, na longínqua época de 1983/84, era constituído por 16 equipes, em cada uma das três Zonas: a Norte a Centro e a Sul.

 

Após um total de 30 jornadas, subiam diretamente à I Divisão as três primeiras classificadas de cada Zona. As segundas disputavam, entre si, uma liguilha, juntamente com a 13ª classificada da I divisão. A primeira classificada da liguilha, ocuparia o 4º lugar da subida.

 

Nesta época, a Zona Norte, era constituída pelo Vizela, Chaves, Leixões, Sanjoanense, Paços de Ferreira, Famalicão, Fafe, Feirense, Gil Vicente, Lixa, Valonguense, Tirsense, Riopele, Valdevez, Académico de Viseu e o São Martinho.

 

No final do campeonato, o Vizela foi primeiro classificado com 42 pontos e o Chaves 2º com 39. Desceram à III divisão, o Riopele com 28 pontos, o Valdevez com 27, o Académico de Viseu com 20 pontos e o S. Martinho, último, com apenas 18 pontos. Na Zona Centro foi primeiro a Académica de Coimbra com 45 pontos e segundo o Peniche com 40. Na Sul subiu, diretamente, o Belenenses com 44 pontos e foi segundo o Marítimo com 38.

 

Na liguilha, após um total de 6 jornadas, o Penafiel, primodivisionário na linha de água, (desceram, diretamente, à II divisão, nesse ano, o Estoril Praia, o Águeda e o Espinho) terminaria em primeiro lugar com 9 pontos, o que permitiu que se mantivesse na divisão maior. Em segundo lugar ficaria o Peniche com 7 pontos, em terceiro o Marítimo também com 7 pontos e em último lugar o Desportivo de Chaves com 1 ponto apenas, conseguido num empate, em casa, frente ao Marítimo, encaixando 5 derrotas, marcando 5 golos e sofrido 16.

 

Os resultados do Desportivo, na liguilha, foram os seguintes:

 

Peniche 3 – gdc 0;

gdc 1 – Penafiel 2;

Marítimo 3 – gdc 2;

gdc 1 – Marítimo 1

Penafiel 3 – gdc 0

gdc 1 – Peniche 4

 

Sob a batuta de Álvaro Carolino que substituiu, à 16ª jornada, Mário Morais, o plantel do Desportivo era constituído por 23 jogadores, (3 brasileiros e 1 marroquino) a saber:

 

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 Álvaro Carolino

 

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Presidia à direção do clube o Senhor Emílio Macedo e Sousa.

 

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No Jornal A Bola de 3 de setembro de 1983, semanas antes do início do campeonato da II divisão, foi dedicada uma página inteira à aposta do Desportivo na subida de divisão. Sob o título “Chaves que sair do «casulo» apostando forte na subida à I Divisão”, faz-se uma referência ao “sensacional terreno relvado (o melhor de Portugal?)”, bem como aos 8 reforços que acabavam de chegar para atacar a subida, 3 vindos da I divisão. A ambição do treinador contratado, Abílio Alves Moreira (20 anos como guarda-redes do Famalicão) de chegar ao campeonato maior, era enorme. Na época passada tinha-se falhado a liguilha, para o Vizela, por um ponto apenas. O clube queria conseguir o que nunca havia conseguido. Chaves, através do futebol, queria dar a sua quota-parte para romper com o ostracismo a que a região estava votada. Mais do que um clube da cidade, Emílio queria que o Desportivo fosse uma bandeira da região transmontana e que levasse o nome da terra por esse mundo além. Em consonância absoluta entre o sonho dos dirigentes e a ambição dos atletas e da equipa técnica, construiu-se uma equipe sólida e equilibrada, capaz de uma subida sem grandes sobressaltos. Contudo, a concorrência era poderosa, sobretudo por parte do Famalicão, da Sanjoanense e do Paços de Ferreira que se apetrecharam fortemente.

 

Um dos reforços, de peso, do Desportivo, era o Raúl Águas que, aos 34 anos de idade, deixava o Portimonense para vir jogar, em fim de carreira, para Trás-os-Montes. Gorado o objetivo da subida nesta época, Raúl haveria de ser o timoneiro da subida na próxima, primeiro como jogador e depois como treinador.

 

Na perspetiva de Emílio Macedo, havia um filão importante a explorar para sustentar o Desportivo na I divisão. Tratava-se da possibilidade de atrair os galegos qua podiam ver futebol de primeira a escassos quilómetros, quando no seu país o tinham a centenas. Resultou muito bem e o Chaves chegou a ter um número apreciável de sócios galegos, para além de muitos jogadores de qualidade, nas épocas seguintes, provindos do país de nuestros hermanos.

 

A caminho dos seis anos como presidente foi inquirido sobre a situação financeira do clube. Declarou haver estabilidade e capacidade de se cumprirem os compromissos sem aflições. Pese embora a receita das quotizações dos 2000 sócios, gerar apenas cerca de 6000 contos e, portanto, ser insuficiente para o investimento feito, havia a possibilidade de gerar outras receitas para fazer face às necessidades em crescendo. Afirmava que só no pretérito mês de agosto (1983) havia sido conseguida uma receita extraordinária líquida de 4000 contos, apesar de se terem pago 300 contos ao Sporting Club de Portugal, 400 ao SK de Viena e ao Internacional de Porto Alegre, 200 ao Boavista e 100 ao União da Madeira pelas suas deslocações a Chaves para jogos particulares.

 

Realçando o crédito que o Desportivo merecia no contexto do futebol nacional, por cumprir os seus compromissos atempadamente não ficando a dever nada a ninguém, o presidente declarava haver estruturas capazes de justificar a subida de divisão e a manutenção do clube entre os maiores do nosso futebol.

 

O campeonato na época de 1983/84 teve início em 18 de setembro, com o Chaves a fazer jus ao seu estatuto de favorito. No entanto, contrariamente ao que se desenhava no início da época, o seu principal rival principal viria a ser o Vizela, um clube relativamente humilde, que há poucos anos ainda militava na III divisão nacional. Sublinhe-se, no entanto, que este clube disputou a liguilha para a subida à I divisão na época de 1982/83, não tendo alcançado o desiderato da promoção.

 

O plantel do Vizela, era basicamente o da época anterior, tendo sido reforçado com dois ou três elementos. Tendo sido capazes de ir à liguilha na época anterior, os vizelenses acreditavam que seriam capazes, nesta, de subir sem grandes dificuldades. Treinados por uma velha raposa do futebol, Nelo Barros, o plantel do Vizela era constituído por 20 jogadores, a saber:

 

 

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A época, constituída por 30 jornadas, desenrolou-se com o Chaves e o Vizela a partilharem os lugares cimeiros da tabela. Os resultados nesta época, destas duas equipes, foram os seguintes:

 

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A 12ª jornada, programada para o dia 18 de dezembro de 1983, previa um jogo de extrema importância para as pretensões das duas equipas. O Vizela visitava o reduto do seu rival Desportivo de Chaves. Contudo, neste dia, o jogo não pôde ser realizado, uma vez que o árbitro, Silva Pereira do Porto, declarou não ser possível vislumbrar as marcações, por o terreno de jogo se encontrar completamente alagado, fruto da fortíssima bátega de água que se abateu sobre a cidade. Os vizelenses não gostaram da decisão e acusaram os da casa de terem entupido, propositadamente, os escoadouros da água, para que o campo se inundasse e assim tirassem vantagem do efeito psicológico negativo de uma nova deslocação do Vizela a Chaves. Logo ali se verificaram alguns desacatos, embora sem grande importância. Mas, os visitantes prometeram vingança na deslocação a terras do Minho!

 

O jogo haveria de ser realizado no dia 29 de janeiro no Municipal de Chaves, com uma assistência, segundo o Record, de 15000 pessoas. O Desportivo, a cinco pontos do Vizela, levou-o de vencida pela margem mínima. O desafio foi apitado por Fernando Alberto do Porto. Aos 29 minutos, Raúl Águas, a passe de Cândido, abriu o ativo para gáudio dos da casa. O jogador, na zona frontal da área, atirou à meia volta, marcando no canto superior esquerdo da baliza de Sérgio sem qualquer hipótese de defesa. A vitória parece ter pecado por escassa, pois a equipa do Chaves realizou uma excelente exibição e segundo o Record foi muito superior ao seu adversário. O desfio, nas declarações do treinador visitante, decorreu de forma correta, dizendo, mesmo, que havia vencido a equipa mais feliz. Álvaro Carolino, classificou o jogo de difícil e viril, disputado com correção e arreganho. Ganhou, por isso, a equipa que fez mais por isso. Este desfecho foi importante, permitindo a aproximação ao Vizela na tabela classificativa.

 

 

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A segunda volta do campeonato foi disputada taco a taco por estas duas equipes, como se pode verificar.

 

 

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 Na 26ª jornada, quando Vizela e Chaves se encontravam no primeiro e segundo lugar respetivamente, separados por apenas 2 pontos (Vizela 34 e Chaves 32), o Desportivo recebeu o Feirense que venceu sem grande dificuldade por dois a zero. O Vizela foi perder pela margem mínima ao terreno da Sanjoanense, o que permitiu que as equipes se igualassem em pontos (34) no primeiro lugar, precisamente na véspera da deslocação do Desportivo a Vizela.

 

Se já não bastasse o adiamento do jogo da primeira volta, a derrota do Vizela em Chaves e a igualdade de pontos que se verificaria aquando da deslocação do Chaves a Vizela, este jogo do Vizela em São João da Madeira, veio acender ainda mais o encontro dessa 27º jornada, porque a agremiação vizelense acusou, entre dentes, o Desportivo, pela sua derrota frente à Sanjoanense. Assim se conta:

 

O jogo do Vizela em São João da Madeira teve lugar a 15 de abril, dia em que os árbitros estavam em greve. Marcado para o estádio Conde Dias Garcia, o encontro era aguardado com enorme expetativa, uma vez que o campeonato se aproximava do fim. À hora do jogo (16:00h) não havia árbitro para o apitar. Foi então recrutado uma pessoa na bancada como era habitual nestes casos. Quatro candidatos se perfilaram. As direções dos dois clubes reuniram com o representante da Federação e escolheram o candidato mais velho. Foi selecionado Columbano Pinho, um árbitro da Regional de Aveiro. Columbano, com 42 anos, residia na Arrifana e era metalúrgico de profissão. O Vizela teve de concordar com a escolha, sob pena de perder o jogo que se iniciou com 20 minutos de atraso. A turma da casa mostrou forte pendor ofensivo e o Vizela defendia-se como podia. Albertino, jogador-treinador da Sanjoanense, apostava na capacidade de Sanhá, um dos melhores marcadores do campeonato, para ganhar o jogo, o que viria a acontecer. Berto, defesa esquerdo do Vizela, de que mais tarde falaremos, foi amarelado aos 34 minutos, numa cena caricata: o árbitro tirou o cartão das meias para lho exibir. Isto dava nota da primeira atitude pitoresca do juiz árbitro. “A Sanjoanense atacava sem castigar e o Vizela defendia sem ameaçar”, assim escrevia um jornal da época. Os cantos sucediam-se a favor dos de São João da Madeira e eis quando aos 50 minutos, Sanhá, saltando a uma bola dentro da área, sem oposição, com Berto ligeiramente atrás e sem lhe tocar, caiu desamparado. O árbitro tomou as culpas ao defesa esquerdo do Vizela e apitou penalty. O caldo entornou-se! Os de Vizela protestaram e o treinador Nelo Barros viu, inclusivamente, a cartolina amarela. Sanhá não falhou. Os vizelenses perderam a cabeça com este roubo de igreja e falaram, pela boca do seu treinador, em resultado cozinhado!

 

Aliás, nas declarações prestadas ao Jornal Record no final do jogo contra o Chaves, no domingo seguinte, o treinador do Vizela, Nelo Barros, disse, em resposta a Carolino, que:

 

(…) “confirmo que há resultados préfabricados e aponto os encontros Sanjoanense-Vizela, no qual a minha equipa foi derrotada com uma grande penalidade inexistente e o Chaves-Feirense que tive ocasião de presenciar, no qual o árbitro foi tendencialmente caseiro”

 

Estavam lançados os dados para um grande desafio em Vizela, na jornada seguinte. Em igualdade de pontos, Chaves e Vizela, haviam de se enfrentar no dia 22 de abril, na 27ª jornada no estádio Agostinho Lima, perante uma enchente nunca antes vista. Um jogo que teve um final muito triste!

 

Sob o juízo de um conceituado árbitro de Lisboa, Vitor Correia, o Perna-de-Pau, como lhe chamou mais tarde Raúl Águas, o Vizela alinhou com Sérgio na baliza, Toni, Roque, Miguel e Berto na defesa, Perrichon, Faria, Costeado e Baltasar na linha média e na avançada com Pita e Maurício. O Desportivo de Chaves com Cancelinha, na baliza, Duque, Alfredo, José Augusto e Pio, na defesa, Diamantino, Jeovah, Raúl Águas e Paulo Rocha no meio campo e Cândido e Vitor Manuel na linha da frente.

 

Com o estádio (!) completamente lotado (5000 pessoas segundo o Record) e a superior a abarrotar com os flavienses em grande número e as claques das duas equipes juntas, o jogo decorreu sem incidentes, na primeira parte, num pelado de péssima qualidade para a prática do futebol. O Desportivo de Chaves, habituado a jogar no seu relvado que, à época, era um tapete verde de grande qualidade, via-se em palpos-de-aranha para explanar o seu bom futebol. O nervosismo das duas equipas era patente pela rivalidade, pelos acontecimentos da época e pela importância do jogo em si, a somente três jornadas do fim. Segundo o Record, o Vizela acusava nervosismo exagerado, pois o jogo podia decidir a subida. O futebol praticado pelo Desportivo, na primeira parte, ainda foi o menos mau. Os flavienses, mais serenos, pareciam estar a controlar o desafio, tirando bom partido da precipitação dos locais. Dizia-se, no mesmo periódico, que o Chaves não foi a Vizela defender! Contudo, a primeira parte acabou com o placard em branco. Berto, defesa esquerdo o Vizela viu um cartão amarelo aos 42 minutos por entrada dura sobre Paulo Rocha.

 

Aos 53 minutos, Pita tocou para Perrichon que meteu em Maurício, para este, com um toque subtil, ludibriar Canceleinha que nada pôde fazer. Estava feito o resultado final. O estádio parecia vir abaixo com os festejos dos da casa. Contudo, o Chaves não se encolheu e foi à procura do prejuízo. Carolino que já tinha trocado Manuel Soares por Duque aos 56 minutos, substituiu Alfredo por Quim aos 73. O Vizela passava, então, por enormes dificuldades para segurar o caudal ofensivo dos visitantes. O Desportivo pressionava e o empate adivinhava-se prestes.

 

“Ninguém acertava com a marcação, tal era a velocidade e a versatilidade impostas pelos flavienses desesperados, à procura da igualdade, que lhes poderia abrir rasgadas perspetivas no tocante à subida à I Divisão.”

 

Assim escrevia A Bola do dia seguinte. Mas este periódico dizia mais:

 

“Os dois laterais [do Vizela] Toni e Berto, não saiam para alimentar o ataque, porque, do outro lado, Paulo Rocha, na direita e Vitor Manuel, na esquerda, faziam perfeita cobertura aos referidos jogadores, não lhes permitindo quaisquer veleidades.”

 

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Aos 76 minutos o rastilho foi aceso, quando, a remate de Cândido, na área do Vizela, a bola embateu na mão de Miguel. O árbitro fez vista grossa e nada assinalou. A «bomba» estoirou aos 78 minutos como se estava a adivinhar que acontecesse. Houve um lançamento de linha lateral, feito por um jogador do Chaves. A bola foi para a área vizelense. Alguém aliviou defeituosamente e Manuel Soares marcou um golo limpo ao guarda-redes Sérgio. Vitor Correia correu para o meio campo para sancionar o tento. Contudo, perante o espanto geral, os jogadores do Vizela correram para o fiscal de linha do lado da bancada central, cercaram-no em grande confusão e um deles levantou-lhe o braço, forçando-o a exibição a bandeirola. O árbitro, temendo o pior, a adivinhar pelos protestos dos da casa, invalidou o golo do empate e expulsou Paulo Rocha por protestos. Na bancada superior estourou uma batalha campal à antiga. O título do jornal Record não deixou qualquer dúvida:

 

“Sangue nas bancadas no «Carnaval» vizelense”.

 

Eu assisti a este jogo nessa bancada, com o meu falecido pai, o meu sogro e alguns amigos. Tinha 27 anos e lembro-me bem do cagaço que apanhámos. Cuidámos não sair de lá vivos. A porta, estreita, para uma viela, não dava vazão a quem queria fugir e o remédio era assistir à batalha e esperar que nada sobrasse para nós. Vi coisas horríveis, mas sublinho um adepto fanático com uma garrafa de champanhe partida a retraçar as costas de quem podia. Aquilo era a torto e a direito! Vi outro que largando o bombo em que tocava, usou a moca de madeira para esmoucar quem pudesse. Do exterior do estádio voavam paralelos para dento e era onde caíssem!

 

Foi um sufoco!

 

Os feridos que não podiam ser evacuados pela porta da superior, eram passados, em maca, por cima do arame farpado da vedação e os bombeiros atravessavam o campo para os socorrer. Tudo isto se passava perante uma atitude absolutamente passiva da GNR que deveria assegurar a ordem e não o fez. A este propósito a Bola afirma que:

 

“A GNR ali bem perto, assiste a todo um desbobinar de cenas brutais, sem mexer «uma palheira». O próprio comandante da força, a passear de um lado para o outro, foi, por diversas vezes, «agredido», verbalmente, por alguns jogadores flavienses, acabando por serem afastados, mais tarde, pelo técnico Carolino (…) Pinto Beja [o liner do lado da bancada central] alega que ficou com a bandeirinha no ar, o que não vimos e, se o tivesse feito, o árbitro, bem de frente para ele, teria naturalmente visto. E não viu, como afirmou no final do encontro.”

 

O jogo esteve interrompido mais de 10 minutos. Muitos feridos havia na bancada superior de parte a parte mas, oficialmente, só houve registo de quatro que se deslocaram ao hospital de Guimarães para tratamento. Ironicamente, num jornal que não conseguimos identificar, podia ler-se no dia seguinte que:

 

“As cenas de violência no campo do Vizela tiveram início a cerca de 20 minutos do termo da partida, quando os adeptos do Chaves, descontentes com o resultado tentaram invadir o campo perante a oposição firme dos espetadores vizelenses (!)”

 

Vitor Correia declarou ao Primeiro de Janeiro que:

 

“Considero que o golo foi limpo. Contudo, o meu fiscal de linha, depois de eu ter sancionado o golo indicou-me que o lançamento de linha lateral feito anteriormente por um jogador do Chaves teria sido irregular. Assim, não tive outra atitude se não anular o tento.”

 

E ao Jornal Record que:

 

“O golo do Chaves foi precedido de falta no lançamento de bola fora. Quanto à pretensa «mão» na bola do jogador do Vizela não existiu. Em relação aos amarelos foram resultantes do jogo duro e o «vermelho» ao Paulo Rocha por indisciplina. (…) Como sabe estes jogos decisivos nunca constituem tarefa fácil, mas julgo ter feito um bom trabalho.”

 

Álvaro Carolino ao Primeiro de Janeiro, disse:

 

“Apenas remeto as minhas declarações para outras da responsabilidade do técnico do Vizela e publicadas ontem num matutino portuense sobre os «resultados cozinhados» [a propósito do resultado da derrota do Vizela na jornada anterior em São João da Madeira].

 

E por fim o treinador Nelo Barros declarou a este jornal diário que:

 

“Foi um encontro disputado debaixo de uma tensão nervosa muito grande. Todavia o Desportivo de Chaves jogava mais tranquilo, porque se remeteu à defesa. De qualquer maneira, ficou provado que também se ganham jogos a atuar com alma e coração”

 

O jogo acabou sem que se esgotassem os minutos de compensação, com a derrota amarga dos visitantes pelo resultado mínimo. A diferença na tabela passou para 2 pontos. Vizela primeiro, com 36 e Chaves segundo, com 34.

 

A Bola publicou dias mais tarde uma curiosa notícia sobre as réplicas flavienses das «cenas» de Vizela:

 

«Flavienses bloquearam fronteira»

 

“Para protestarem «contra o ambiente de terror e intimidação que encontraram em Vizela» e «exigir que o árbitro Vitor Correia, em depoimento transmitido pela televisão, reconheça que arbitrou sob pressão o jogo Vizela Chaves» adeptos do Desportivo de Chaves bloquearam, ontem, a fronteira de Vila Verde da Raia, prejudicando o regresso de turistas espanhóis e de emigrantes portugueses, terminadas as férias da Páscoa. Mais de três centenas de automóveis ficaram imobilizados junto à fronteira, até cerca das 21:45 horas, quando os manifestantes começaram a retirar.”

 

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O campeonato da II divisão acabaria daí a três jornadas, com o Vizela em primeiro lugar com 42 pontos e o Chaves em segundo com 39. O Vizela subiu à primeira divisão e penou toda a época a treinar onde podia (chegou a ter que se deslocar a Espinho para o fazer em relvado). Jogava no estádio do Guimarães onde o ambiente não era nada favorável por causa dos acontecimentos relativos à luta de Vizela para se separar do concelho da Cidade Berço. Desceram sem honra nem glória no final da época e hoje militam no Campeonato Nacional de Seniores.

 

A muitos outros jogos assisti, entre o Vizela e o Chaves, no novo estádio que, entretanto, se construiu em Vizela. Em nenhum houve qualquer tipo de problema, mesmo quando, muitas vezes, o Desportivo foi lá vencer.

 

O Desportivo de Chaves, foi disputar a liguilha e ficou em último lugar como já demos conta. Haveria de disputar essa mesma competição no ano seguinte e conseguir, finalmente, a almejada subida, num célebre jogo contra o União da Madeira. Na divisão maior do futebol nacional militou muitos anos, com épocas brilhantes que o levariam, inclusivamente, à Europa do futebol.

 

Depois de uma travessia do deserto morreu na praia a época passada, no último minuto da última jornada. Nesta época, a direção apostou fortíssimo na subida e muito se fica a dever ao senhor Francisco Carvalho e ao seu filho presidente, Bruno Carvalho, pelo esforço que fazem em prol de um Desportivo de primeira. Atacamos a subida com um plantel de luxo e um percurso no cimo da tabela. Apesar de resultados, aquém do desejado, há grande esperança de sucesso.

 

Queremos o Desportivo na divisão que merece!

 

Passados estes anos (32) sobre aqueles miseráveis acontecimentos de Vizela, em amena cavaqueira sobre futebol, vim a descobrir, em Braga, no Centro Cultural e Social de Santo Adrião o defesa esquerdo do Vizela, de seu nome Alberto Costa Oliveira (Berto) hoje com 61 anos de idade e que, tendo integrado o plantel do Vizela durante oito longas épocas, fez parte da equipe desse fatídico jogo de 22 de abril de 1984. Proprietário da Relojoaria Oliveira, em Braga, é um homem afável, simpático, conhecedor da bola e dos seus meandros e com uma larga experiência como jogador.

 

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 Berto, defesa esquerdo do Vizela

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 Berto, foto atual

 

A meu pedido, aceitou sacrificar uma noite de dominó com os amigos, para conversarmos sobre aquele jogo. Não o queria fazer, por razões que bem se entendem. Apesar de já terem passado mais de três décadas, continua com muitos amigos em Vizela e abrir este dossier é sempre complicado!

 

A muito custo, entre um café e um trago de Licor Beirão, lá foi levantando o véu, devagarinho!

 

Lembrou o jogo como um acontecimento especial para o Vizela, tanto que justificou um estágio em Guimarães. Confessou que temeu pelo desenlace do jogo, perante a confusão a que assistiu. Diz que nunca tinha visto tal coisa!

 

As gentes de Vizela viviam uma fase muito complicada, derivada da luta que travavam com Guimarães, pela sua autonomia como concelho. O braço de ferro com a Cidade Berço, que não queria perder a rainha da coroa, levou mesmo a que os vizelenses proibissem a entrada dos vimaranenses na cidade e colocassem uma forca na entrada, simbolizando a luta pela independência.

 

Ora, o futebol poderia muito bem servir de cavalo de tróia deste movimento. O Vizela, na primeira, poderia ser uma bandeira importante, quiçá até decisiva, para as pretensões vizelenses. Nisso apostavam fortemente.

 

Berto não acredita que tivesse havido movimentos de bastidores que justificassem a atitude de Vitor Correia na anulação do tento ao Desportivo de Chaves, que considera limpo. Para ele a decisão pode ter-se ficado a dever ao temor do árbitro face ao ambiente que se vivia no campo, à reação pouco amigável dos adeptos e à violência que se poderia seguir da parte de um Vizela a jogar no seu reduto.

 

Como haveria a equipe de arbitragem sair de Vizela, com um empate dos da casa?

 

O homem temeu pela sua segurança e segurou-se!..

 

Depois foi bordoada velha!

 

Disse, que às tantas se ouviu alguém a berrar: “Soltem o leão” e eis que na superior entrou um guedelhudo, com uma juba de leão, armado de correntes a desancar quantos podia. Levava tudo a eito! De facto, eu vi esse indivíduo brandindo as correntes de ferro que assentavam sobre as costelas de quem se lhe atravessasse no caminho!

 

O jogo terminou antes do tempo e Berto, com os seus companheiros de Braga, (entre os quais Toni) meteu-se no carro e zarpou!

 

O que teriam conversado durante a viagem não me quis revelar.

 

Berto jogou com o Vizela na I divisão e saiu no final da época. Jogou ainda mais alguns anos, poucos, tendo passado, inclusivamente, duas épocas no Vila Real, onde chegou a jogar com Malaias e com o Quim Parreco, como ele disse, ambos antigos jogadores do Desportivo.

 

Perante isto, diz que hoje nada o surpreende no futebol!

 

Agora, no jogo do dominó, entre uma jogada e outra, vai olhando de soslaio para a Sportv, onde passam os jogos do nosso campeonato. Não lhe dá a mesma importância que dá ao dominó!

 

A competição está agora, quase todos os serões, no pano verde da mesa do bar de Santo Adrião, onde, quase sempre, ganha aos seus adversários. Todavia, sempre limpinho e nunca da forma como ganhou ao Chaves há 32 anos atrás!..

 

Coisas da bola e da vida!

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:05
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