12 anos
Sábado, 30 de Abril de 2016

Matosinhos - Chaves - Portugal

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Hoje vamos abrir a porta a Matosinhos, uma aldeia de montanha do nosso concelho de Chaves.

 

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E uma vez aberta a porta damos uma voltinha pela aldeia. Mais uma, pois já não é a primeira vez que vamos por lá e também não será a última.

 

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Porta que já não abre é a da escola. Infelizmente, tal como quase todas as escolas das nossas aldeias, uma a uma, foram fechando as suas portas. Sinais da baixa taxa de natalidade mas também sinal de despovoamento rural. Males dos tempos modernos.

 

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E temos pena ver assim a morte lenta das nossas aldeias. Pois temos, não temos é o poder de resolver o problema, mas pelo menos podemos denunciá-lo.

 

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 Resta-nos a natureza, que essa, sempre nos vai surpreendendo pela positiva.

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 05:30
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Pedra de Toque - A Vida

pedra de toque.jpg

 

                        A VIDA

 

                        As paredes,

                        São pálidas

                        Como a doença.

 

                        Mas da boca,

                        Da boca nasce um rio de sabor.

 

                        Das mãos,

                        Das mãos crescem castelos coloridos,

                        Na conquista

                        Do teu ventre repousante.

 

                        A vida,

                        Alexandria de esperança,

                        Verte-me seiva nos olhos.

 

                        Ah! A vida…

 

                                                        António Roque

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:48
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Sexta-feira, 29 de Abril de 2016

Chaves, uma imagem feita de esperas

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:45
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10 - Chaves, era uma vez um comboio

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Poema de José Carlos Barros

in O Uso dos Venenos,

edições Língua Morta,

Lisboa, Agosto de 2014

 

NO TEMPO DOS POEMAS

 

Deixávamos as moedas no carril e ficávamos à espera a

olhar com o fascínio de quem é surpreendido num fim de

tarde pela presença de naves alienígenas num espaço de

silêncio e rarefacção a ver as rodas metálicas do comboio a

espalmá-las até ficarem assim nas mãos em concha de um

de nós como se tivéssemos recolhido enfim a prova irrefu-

tável dos milagres. Foi/

há tantos anos/

a senhora da bandeirinha vermelha perguntava se nunca

tínhamos visto um comboio/

lembro-me era no tempo dos poemas/

um verso podia ser também a moeda espalmada nos carris

da estação do caminho de ferro de Vidago/

tudo se misturava na mesma nuvem volátil de irrealidade

e sobressalto.

 

 José Carlos Barros

 

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In “Memórias de uma Linha – Linha do Corgo – Chaves”, Agosto de 2014

Edição Lumbudus – Associação de Fotografia e Gravura

 

Fotografias – Propriedade e direitos de autor de Humberto Ferreira (http://outeiroseco-aqi.blogs.sapo.pt)

Gentilmente cedidas para publicação neste post.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:44
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Quinta-feira, 28 de Abril de 2016

O museu e o prado florido - dois olhares

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:29
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Flavienses por outras terras - Cristina Alves

Banner Flavienses por outras terras

 

Cristina Alves

 

Nesta crónica do espaço “Flavienses por outras terras” vamos novamente até Angola, desta vez até à cidade de Benguela, uma cidade atlântica, 500 km a sul de Luanda.

 

É lá que vamos encontrar a Cristina Alves.

 

Mapa Google + foto - Cristina Alves.png

 

 

Onde nasceu, concretamente?

Nasci em Chaves, no hospital velho.

 

Nos tempos de estudante, em Chaves, que escolas frequentou?

Frequentei a Escola Primária de Santa Cruz-Trindade, depois fiz os 5º e 6º anos de escolaridade na Escola Nadir Afonso. No 7º ano ingressei na Escola Secundária Dr. Júlio Martins, até ao 9º ano de escolaridade (antiga escola industrial), e no 10º ano fui para a Escola Secundária Dr. António Granjo. Também frequentei o curso profissional de Administração e Gestão de Empresas no IEFP, antes de me candidatar ao Ensino Superior. Acabei a minha formação na Escola Superior de Enfermagem de Vila Real - UTAD.

 

Em que ano e por que motivo saiu de Chaves?

Saí de Chaves pela primeira vez por motivos profissionais, em 2011, para Angola. Estive a viver na Catumbela, que fica entre Benguela e Lobito, mas não fui bem sucedida e regressei a Portugal, em 2012. Contudo, a situação a nível profissional em Portugal continuava mal e com o tempo resolvi voltar para Angola, em Agosto de 2013, desta vez para Luanda.

 

Porquê Angola?

Porque desde que nasci que ouço as histórias que os meus pais, avós e familiares contavam, cresci a dançar merengue e a comer funge com óleo de palma. Os meus pais nasceram e cresceram na Gabela/Amboim e viram-se obrigados a abandonar a terra que os viu crescer em 1975. Os meus familiares, sem quererem, incutiram as suas raízes nos filhos e netos e a paixão que ainda mostravam pela sua pátria fez-me vir ao encontro da felicidade, da alegria, da beleza natural de que tanto falavam nas histórias de família…

 

Conheci uma Angola bastante diferente das histórias que contavam e das notícias que via passar na televisão na altura. Vi uma Angola cheia de tradições e culturas diferentes da minha realidade, vi muitas necessidades de quase tudo em muitas famílias, mas mais ao nível da saúde e da educação. Também vi uma Angola cheia de vontade, de festa e alegria, um país onde o clima é ouro e a terra é fonte de criação sem fim, onde o natural é belo e poderia ser melhor se o “bicho ser humano” não estragasse mais…

 

Hoje vejo uma Angola também minha, que me ensinou a “estranhar, adaptar e agora a entranhar” como diz toda a gente que conheceu este país, este continente Africano. Enfim, uma terra que me fez conhecer gente boa e gente má como em todo o lado, que me fez apaixonar e acreditar que juntos podemos fazer algo diferente e útil para as necessidades deste povo que merece atenção, e que já me ensinou muito…

 

Em que locais já viveu ou trabalhou?

Vivi na Catumbela, no Lobito, em 2011/2012. Em 2013 vivi no Rangel/Cidadela, na Ilha do Cabo, em Benfica e em Talatona na cidade de Luanda. Trabalhei no Hospital e assim que tive oportunidade vim para Benguela por ser uma cidade mais calma, mais organizada, e com outras oportunidades de vida pessoal e profissional.

 

Diga-nos duas recordações dos tempos passados em Chaves:

Se mencionar só duas serei injusta comigo e com a minha terra mãe! São tantas…

 

As tardes na quinta dos meus avós, junto dos animais e da lavoura, sempre acompanhada ao ritmo das suas histórias e cantares da época…

 

Os piqueniques que fazíamos em família, tipo casamentos.

 

Os encontros e saídas com as(os) amigas(os) de escola e da faculdade…

 

Já disse três…

 

 

Proponha duas sugestões para um turista de visita a Chaves:

Têm várias opções, visto sermos uma cidade cheia de história que os Romanos nos deixaram como herança! Devem passar sempre pelo Castelo e não podem deixar de ir beber a água das termas, indicadas para problemas do aparelho digestivo, assim como doenças crónicas e alergias das vias respiratórias.

 

Estando longe de Chaves, do que é que sente mais saudades?

Saudade de tudo… Saudade do meu bairrismo, saudade da minha infância, saudade da minha juventude… Saudade de casa, da família, dos meus animais, das amigas, dos meus “brinquedos”, das minhas “coisas”… Saudade de não ter responsabilidades, de não ter que decidir.

 

Com que frequência regressa a Chaves?

Depende. Uma a duas vezes por ano. Não é que não tenha vontade de ir mais vezes, mas são as circunstâncias e as prioridades da vida que decidem por mim.

 

Gostaria de voltar para Chaves para viver?

Claro que sim! Adoraria, mesmo sabendo que nada seria como era antes… Mas existe uma nova realidade: no dia que partir vou sentir saudades desta terra, e talvez me sinta dividida…

 

Ilha do Cabo, Luanda.jpg

O espaço “Flavienses por outras terras” é feito por todos aqueles que um dia deixaram a sua cidade para prosseguir vida noutras terras, mas que não esqueceram as suas raízes.

 

Se está interessado em apresentar o seu testemunho ou contar a sua história envie um e-mail para flavienses@outlook.pt e será contactado.

 

 

Rostos até Cristina Alves.png

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:32
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Quarta-feira, 27 de Abril de 2016

Ocasionais - Levado dos diabos!

ocasionais

 

“Levado dos diabos!”

 

“A livre eleição de amos não suprime

 nem os amos nem os escravos”.

-Marcuse

 

 

Qualquer pequenina ou grande coisa boa da NOSSA TERRA, lembrada, divulgada, aplaudida, premiada me toca, me enternece, me envaidece e me deixa reconhecido.

 

Um caravelho, uma cancela; um olmo, uma mimosa; um rego de batatas ou de couves; uma fonte ou um rigueiro; uma «cegonha», um «baldão»; um ninho de andorinha ou a «cama» de um coelho; a sineta de uma Capela ou Igreja ou o Cruzeiro, de qualquer Aldeia; um retrato do arruinado “Jardim das Freiras” ou o de uma desprezada Srª das Brotas; uma ameia do Castelo de Monforte de Rio Livre ou um ramo do pinheiro manso do Castro de Curalha; um Conto, um Romance ou um Poema, seja lá o que for, que traga consigo um cheirinho, um paladar, uma memória de CHAVES  -   “do BARROSO, da VEIGA ou da MONTANHA”   -   da (MINHA) NORMANDIA TAMEGANA (para os distraídos, lembro que o «condado» de Monterrey também é «meu»!) toca-me o coração, faz-me chorar de saudade e dita-me o agradecimento por ter nascido e crescido numa terra de encanto, de aconchego e de sonho.

 

Não. Ela não é madrasta!

 

Os estupores que a tomaram, graças a mentiras e traições, é que a têm arruinado.

 

 Como tem estado bem à vista, ao longo destes últimos anos «democráticos», o Bem Privado de oligarcas e movimentos políticos impera sobre o Bem Comum.

 

Mesmo sem perceberem patavina da doutrina do neo – liberalismo, os pindéricos oportunistas, infectados pelos vírus dessa «malária política», prestam-se, imbecil e ignominiosamente, a propagar essa peste, tirando proveito dessa oportunidade de moinantes.

 

Sim, o «Solar dos Montalvões»; os regatos de Outeiro Seco, as Ribeiras do Concelho, o Jardim das Freiras e o Jardim Público; o desprezo votado aos “Castros”, aos Castelos, às Capelas e a outros Monumentos de inquestionável valor histórico e cultural, a renúncia a Serviços Públicos, e a despromoção do Hospital, a falta de um Pólo Universitário são derrotas e desistências que a população Flaviense não merece, nem nunca mereceu!

 

Estas, e outras, tragédias atingem-na, subordinam-na, inferiorizam-na porque continua a temer a Deus e a adorar o Diabo … em figura de gente!

 

O «fado», o destino, a que outra distinta colaboradora do Blogue “CHAVES” referiu, não é, nem pode ser, não pode corresponder ao «fado», ao destino, que os Flavienses têm estado a viver.

 

É pena, e eu lamento imenso, que este Blogue «de CHAVES», e outros Blogues Flavienses, não cheguem diariamente aos olhos dos meus conterrâneos.

 

Estou certo de que se esses Blogues fossem lidos e comentados em casa, nas Tabernas, nos Cafés, nas Tertúlias… e até na «missa de domingo» (dispenso a do “7º dia”), as consciência dos Flavienses não andariam tão adormecidas, e esses petimetres administradores do Município, travestidos de políticos, empoleirados em galhos mais altos do que a altura dos seus méritos, piariam mais fino e mostrariam menos desrespeito pelos flavienses, pelo seu património histórico e cultural, pela riqueza das suas tradições e «questumes», pela beleza das suas paisagens naturais e pela sua vida!

 

Para tristeza da vida, bastar-me-ia o desgosto que carrego por ver a MINHA (a NOSSA) TERRA desprezada, abusada, maltratada, escarnecida, abandonada e injuriada e «gozada» “franciscanamente” por gente do piorio, sumamente incompetente na direcção dos destinos Municipais, insolentemente desrespeitosa com o seu Património, morbidamente safada nas incontáveis trafulhices com que prejudica o desenvolvimento e a qualidade de vida dos Flavienses.

 

E quando, em qualquer órgão de informação «clássico», em Blogues, em «redes sociais» ou em conversas me falam e mostram as «chagas», cada vez em maior número, com que cobrem A NOSSA TERRA, fico mesmo «levado dos diabos»!

 

A mediocracia que administra e empesta “CHAVES” ultrapassou, desde há muito, a tolerância democrática, a condescendência moral, ou o direito à esmola caridosa de benevolência!

 

Antes morrer com honra que viver com opróbrio!

 

Hoje, nem parece que CHAVES foi trono e púlpito do “Bispo Idácio”!

 

Hoje, até (me) parece que os Flavienses já nem sabem de que terra são!

 

Hoje, até (me) parece que os Flavienses já nem sabem a que terra pertencem!

 

Qualquer labrego politiconeiro lampeiro os «come de cebolada»!

 

Hoje, os Flavienses (a maioria) aí «residentes» até (me) parece que perderam o brio … e o pio!

 

Louvados sejam os, ainda, AÍ «resistentes»!

 

E eu não queria vê-los convertidos no «último mohicano»!

 

A Torre de Menagem, as Muralhas da cidade, a Torre de Santo Estêvão, os Fortes da cidade, o Castro de Curalha e o Castelo de Monforte de Rio Livre dão um corajoso e nobre exemplo do que foi a valentia dos Flavienses, do que pode valer, e vale, a resistência dos «resistentes»!

 

Louvado seja!

 

M., Vinte e cinco de Abril de 2016

Luís Henrique Fernandes

 

 

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Cidade de Chaves, uma imagem

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Chá de Urze com Flores de Torga - 128

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Montalegre, 11 de Janeiro de 1970

 

Avisado por um amigo de que havia hoje cá na terra uma chega de toiros, meti-me a caminho debaixo dum temporal desfeito, e tanto teimei com a chuva, o vento e o granizo, que consegui chegar a horas de assistir ao combate. E valeu a pena. Se há em Portugal meia dúzia de espectáculos que merecem ser vistos, este é um deles. Primeiro, as bichezas, depois de nove voltas propiciatórias à capela do orago e da sanção da bruxa, a sair dos respectivos lugarejos, rodeadas pela juventude dos dois sexos, enquanto o sino toca a Senhor fora e o mulherio idoso reza implorativamente aos pés do Santíssimo; a seguir, a chegada dos cortejos ao toural da vila, as cerimónias preliminares do encontro — vistoria rigorosa dos animais (não tragam eles pontas de aço incrustadas nos galhos), a escolha do piso, etc.; finalmente turra — os dois bisontes enganchados, cada qual a dar o que pode, no esforço hercúleo de não perder um palmo de terreno, ou ganhá-lo, apenas cedido. Turra que dura eternidades de emoção, e só termina quando uma das bisarmas fraqueja, recua, e acaba por fugir.

 

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Não é, contudo, a luta gigantesca, apesar de empolgante, o que mais diz ao espectador forasteiro. É o halo humano que a envolve, os milénios de ancestralidade que ela faz vir à tona da assistência. Símbolo de virilidade e fecundidade, o boi é na região o alfa e o ómega do quotidiano. Cada povoação revê-se nele como num deus. Vitorioso, cobrem-no de flores; derrotado, abatem-no impiedosamente. Quando há minutos a turra acabou, depois de viver numa tensão de que a palidez de um padre a meu lado era a síntese, toda a falange que torcia pelo vencido parecia capada.

 

Miguel Torga, In Diário XI

 

 

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Terça-feira, 26 de Abril de 2016

Intermitências

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Primavera

 

Nada de novo nos últimos meses. Os dias seguiam-se uns aos outros, sem surpresas, rotineiros. Ia para o trabalho, voltava para casa, sempre de cabeça baixa e olhos no chão. Que vida esta, pensava, escravo do trabalho...

 

Nada de novo nos últimos meses. Não tinha feito amigos novos, não tinha conhecido lugares novos, não tinha tido conversas interessantes, não tinha aprendido nada de novo. Ia para o trabalho, voltava para casa, sempre de cabeça baixa e olhos no chão. Que vida esta, pensava, escravo do trabalho e do lugar onde vivo...

 

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 Fotografia de Sandra Pereira

 

“Pode por favor olhar para mim quando lhe falo?”

 

Levantou a cabeça e viu uma bonita senhora servir-lhe o café acompanhado de um belo sorriso. “Não olhe para o chão a não ser que estejam aí as estrelas!”.  Ele agradeceu e decidiu seguir o conselho.

 

Saiu à rua e levantou os olhos. Viu um ceú azul, árvores em flor, pássaros a cantar, cães humidelmente alegres, e rostos de pessoas. Alguns sorridentes, muitos não. Olhou nos olhos cada rosto que se cruzava com ele. Não todos, porque muitos também andavam sempre de cabeça baixa e olhos no chão ou no telemóvel. Mas quando lhe retribuíam o olhar, sentia sempre um arrepio. Parecia que conhecia cada pessoa com que se cruzava, que sabia o que pensavam e sentiam. Pareciam-lhe tão humanos... quanto ele.

 

Sorriu. Era Primavera.

 

Sandra Pereira

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 12:30
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Um 25 de Abril em Chaves

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Viva o 25 de abril! O esfoço que eu não faço por ele, pois deixar a caminha logo de manhã em dia feriado é obra, mas, do pouco que há, vale a pena, senão vejamos:

 

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O relógio da torre da Câmara Municipal de Chaves marca as 5H30. Na praça está tudo a postos. Nos palanques os palancáveis, de fato e gravata, e só não botaram medalhas na lapela porque se calha não as têm, mas botaram cravo, tal como diz a canção: “Cravo vermelho ao peito/a todos fica bem/sobretudo dá jeito/a certos filhos da mãe”. Bombeiros formados, a banda começa a tocar o Hino Nacional e os miúdos do coro da Escola Dr. Júlio Martins começam a cantar a Portuguesa, aquela canção patriótica feita contra o ultimato britânico de 1890, de pela Pátria lutar, contra os canhões, marchar, marchar! É assim o nosso Portugal, elogiamos Camões porque canta o tempo glorioso dos descobrimentos e da colonização, cantamos uma canção que foi feita contra os ingleses a apelar à bordoada neles, por se oporem ao mapa cor-de-rosa. Quanto ao 25 de abril, o dia maior da história vivida por nós (os que assistimos a feito em 1974) pouco ou nada se liga e pouco ou nada se faz para o comemorar. Curioso disto tudo é que com tanto feito que vamos buscar ao passado e à monarquia, fomos dar em republicanos.

 

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Mas continuando, depois de cantada a Portuguesa, seguiu-se a canção da gaivota que voava, voava,  e logo de seguida os bombeiros deram ordens de destroçar,  e o pessoal destroçou. A praça que até aí estava cheia de bombeiros, músicos da banda, políticos de cá, crianças cantoras da escola, palancáveis das aldeias e outros,  espaços vazios e uma mão cheia de pessoas, após o destroçar ficou vazia de todo.  Marcava então o relógio da torre da Câmara Municipal as  5H30 da manhã.

 

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Do programa do 25 de abril em Chaves constava ainda, às 10H00 uma Aula de Zumba. Fosse lá o que isso fosse, como quem diz, seja lá o que isso é, suponho que não seja aquela do “Ora zumba na caneca, ora na caneca zumba…”, mas como ainda tinha 4H30 de intervalo pela frente, resolvi tomar um cafezinho, ali mesmo na praça do Duque. Café que me acertou em cheio e quando vou a dar por elas, já eram 10H45 no meu relógio. Lá se foi a aula de zumba e a corrida das 10H30 (também do programa). À corrida da Liberdade/Marcha da Liberdade/Kids Athletic  (isto Kids …também não sei o que é) só já assisti à chegada das mulheres, pois os homens (os primeiros) já tinham cortado a meta.

 

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Para finalizar o programa do dia da Liberdade, para as 15H00 estava marcado um Encontro Municipal de Futsal Infantil. A este encontro falhei, claro,  depois de ter madrugado tanto e de toda azáfama da manhã, após o almoço fiquei a conversar com o sofá lá de casa. Terminada a conversa ainda fui consultar o programa da noite, mas azar o meu, tocou-me uma agenda de eventos  gatada, onde faltam algumas páginas, pois a seguir às 15H00 do tal encontro de futsal, a agenda  passa para dia 28, para umas danças. Pois então, e dado não haver mais nada durante a tarde e noite, resolvida que estava a conversa com o sofá, fui até à minha horta para ver se com o calor do dia nasciam os feijões, mas não, não sei que raio se passa, já os semeei há mais de um mês e não há meio de nascerem. Cá para mim já foram à vida!

 

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Seja como for. Com feijões ou sem feijões, idem para as comemorações,  aqui ficam as imagens mais marcantes, ou a minha seleção de um 25 de abril em Chaves.

 

Viva o 25 de abril!

25 de abril sempre!

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:07
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Segunda-feira, 25 de Abril de 2016

25 de abril, sempre!

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publicado por Fer.Ribeiro às 09:01
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Quem conta um ponto...

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287 - Pérolas e diamantes: o amor e a retórica

 

 

Elias Canetti escreveu que ciência e verdade são conceitos idênticos. Quando uma pessoa se aproxima da verdade afasta-se dos homens. A vida quotidiana, qual auto de fé, é uma teia superficial de mentiras.

A vida ensina-nos, e nós costumamos aprender, a identificar-nos com todo o tipo de pessoas. Depois habituamo-nos. Apanhamos o gosto desse vai e vem perpétuo que nos incita a confundirmo-nos com as personagens que nos agradam.

Há homens que se deixam invadir por aquela sensação maravilhosa de euforia apenas conhecida por aqueles que se dão ao luxo de adquirirem confiança depois de se terem assegurado contra qualquer tipo de deceção.

Para quem o tem, o carácter determina até o aspeto físico. Eu sou um homem alto e magro.

Quem visitar um santuário no Japão com toda a certeza que verá à beira dos caminhos crianças agachadas junto de muitas gaiolas com pássaros cativos. As aves são previamente adestradas a baterem as asas e a alvoroçarem-se com uma cativante e expressiva agitação de trinados e gorjeios.

Os peregrinos budistas que visitam os templos compadecem-se delas e salvam-nas pensando dessa forma salvar as suas próprias almas. Em troca de algum dinheiro, as crianças abrem as portas das gaiolas e libertam os pássaros. Resgatar animais é por lá um costume enraizado.

Não lhes importa minimamente que ainda antes de chegarem ao templo, os passarinhos adestrados voltem a ser novamente engaiolados pelos seus donos.

O mesmo pássaro chega a servir centenas ou mesmo milhares de vezes como objeto da piedade dos peregrinos.

Todos sabem muito bem o que se passa logo após voltarem as costas. Depois de cumprido o ritual, o destino dos animais é-lhes indiferente.

A nossa espiritualidade vive de rituais. As almas, mesmo furiosas, estão vazias. Habituamo-nos a falar de princípios como os cegos falam das cores.

Canetti escreveu que até os homens mais fortes provam a si mesmos a sua integridade fazendo rodeios.

Já Gershom Wald, o personagem culto e torturado de Judas, de Amos Oz, considera que a desconfiança, a mania da perseguição e mesmo o ódio humano são muito menos destrutivos do que, por exemplo, o amor. “O amor do género humano tem um sabor antigo a rios de sangue. A meu ver o amor gratuito é muito pior do que o ódio gratuito: os que amam a humanidade inteira, os paladinos da redenção do mundo, aqueles que em cada geração se erguem para nos salvar sem que alguém nos salve deles, esses são justamente…”

Não, não tenham receio de contradizer o escritor. Antes pelo contrário, ele anima-se quando discordam dele. Até o podem morder, mas desde que sejam mordidelas a brincar. Nem tudo é para ser seguido à letra. Senão éramos todos ou escritores ou cães. Valha-nos Deus. Está na hora de bebermos um chá.

Se calhar está também na hora de escrever um poema novo. O problema surge quando tentamos fugir de um cão raivoso e encontramos um lobo esfaimado.

Termino citando o sábio e amargurado israelita Gershom Wald, que perdeu o seu filho único na guerra contra o inimigo palestiniano.

“Eu, meu caro, não acredito no amor universal. A capacidade de amor é limitada. Um homem pode amar cinco homens e mulheres, talvez dez e, às vezes, mesmo quinze. E mesmo isso, só raramente. Mas se alguém me disser que ama o Terceiro Mundo no seu todo, ou a América Latina, ou o sexo feminino, isso não é amor, mas retórica. Pura demagogia. Palavra de ordem. Não fomos feitos para amar mais do que um punhado de pessoas. O amor é um acontecimento íntimo estranho e contraditório.”

 João Madureira

 

PS – Jesus e todos os seus apóstolos eram judeus e filhos de judeus. No entanto, na imaginação popular cristã, o único que ficou marcado com o ferrete do judaísmo – e por isso mesmo como representante de todo o povo judeu – foi Judas Iscariote. Quando os enviados dos sacerdotes e os guardiões do Templo vieram prender Jesus, todos os apóstolos se assustaram e, temendo pelas suas vidas, dispersaram rapidamente. Só Judas permaneceu.

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publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
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De regresso à cidade, com um clássico.

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Para já é assim, mas hoje ainda voltamos outra vez com o 25 de abril em Chaves.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:25
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Domingo, 24 de Abril de 2016

Pecados e picardias

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Pecados e picardias

 

Querido 25 de abril

Escrevo-te do dia 24 de 2016 e tesa como sempre, confesso agora um pouco menos, sem lamechices, vou festejar-te logo na Quinta da Cera em Chaves num jantar organizado pelo PS e amanhã no teu dia na adega do Faustino, organizado por todos e por ninguém, para quem queira aparecer a partir das 13h num almoço de confraternização do dia da liberdade, na modalidade de cada um paga o que pede, e cada um pode desejar-se e desejar-nos um bom dia com a presença per si, ou ainda se quiser um cumprimento breve em discurso de prosa ou prosa poética…

 

Continuo a admirar-te e a louvar-te assim como a quem te concebeu embrião e feto até ao teu nascer, hoje orgulho-me de como tantos outros promover o teu renascer a cada momento na solidariedade e no respeito por todos até dos que vivem nas capitais e que nos querem sonegar alguns dos nossos direitos ou então remeter-nos para 2º plano.

 

Desejo-te um dia feliz, por mim o meu eterno obrigado.

 

Prometo cuidar-te na saúde e na doença.

 

25 De Abris por se dar…

 

“Talvez tenhas razão, mas a verdade é que as mulheres são cada vez mais sacrificadas  para muitas a liberdade partidária tem sido castradora ao longo dos anos, trabalham nos seus empregos e chegam a casa a função doméstica é do seu encargo, os filhos são do seu encargo o cuidar da família é do seu encargo e o suposto sexo forte ainda é felicitado se ajuda quando a sua obrigação é a divisão equitativa das tarefas que deveria existir por inerência…” Isabel seixas in conversas

 

“Não posso concordar, grande homem, é o marido que relativizou uma qualquer relação corporal sem consequências… Pensa bem , concetualizar fidelidade através de uma proibição social convencionada e ordenar um veredito de encerramento de relação só porque o grupinho de amigos criticam , aliás amigos que o fazem por rotina e querem ser felicitados, oh por favor…

 

Aliás a maioria das vezes fico sem saber se há fidelidade, ou se houve foi falta ou ausência de  oportunidade…

Ohhhhhhhhhhh…

E tu que tal, como vai a satisfação corporal? Há cor?

Oh se há, finalmente entendo os homens, paga-se mas exige-se qualidade e o sigilo é total…

A sério?!!!!!!!!!!!!!!!..., Credo…Dá que pensar…”

Será que começa a fazer mais sentido o olha mas é pro que eu faço…

Sei lá…O que interessa é andar satisfeita, os bons exemplos são para ser seguidos…

Bons exemplos … De quem?

Isabel seixas in sexo livro de receitas

 

“De modo algum acho todas as comemorações do dia da liberdade bem vindas, só me custa que sejam exclusivas per si, efetivamente o que se tem visto é que quem sai do modelo vigente se sente a mais, sem esperança, sem possibilidade de ser ouvido, as vozes dissonantes têm medos e portanto perde-se o espirito pluralista e libertador, além de que a maioria desiste e não vai por se ter sentido excluído por algo ou alguém, às vezes por si próprio eu sei…”25 De Abris por se dar…

 

As pessoas falam falam mas não vão porque não querem, alguns também se autoexcluem, porque estão sempre à espera que alguém faça as coisas por eles ou lhes dê um tacho…

 

Bem bem, vens?Anda lá, deixa-te de conversas…

 

Até logo ou até amanhã.

 

Isabel Seixas

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 22:08
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