Sexta-feira, 30 de Setembro de 2016

Cidade de Chaves, três momentos

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Rua Bispo Idácio

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Praça da República - Pelourinho e Igreja Matriz

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 Rua Direita

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:31
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Quarta-feira, 28 de Setembro de 2016

Cidade de Chaves, uma imagem

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:49
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Quente e Frio!

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(...)

Cheio de alegria, o pai pegou na mala da “Linda” do «lencinho de azul mais escuro», com uma mão, e, dando a outra à filha, juntou a sua pressa à dela para logo ele ir abraçar a “Linda” do «lencinho de azul mais claro», e ela a mãe!

 

XII

 

Os pais das “Lindas” eram abastados. Colhiam perto de 150 toneladas de Batatas e o pai ainda comercializa outras tantas, lá por toda a Região; faziam dez medas de centeio; tinham moinho próprio; colhiam vinho e azeite para todo o ano; soutos, pinhais e carvalheiras; «Abertas» e «Tapadas»; cevavam oito a dez recos; tinham bois «a ganho»; nas cortes, uma junta de bois galegos, seis vacas barrosãs, duas éguas, um burro, uma burra e um rebanho de ovelhas; os cortelhos cheios de coelhos; e um galinheiro bem povoado com galinhas «pedrês», «marelas», «brancas» e «pretas» (estas, muito especiais para certas mèzinhas!).

 

O pai ainda se metia em negócios de «CONTRABANDO».

 

Era morgado.

 

A mãe, natural de um concelho vizinho e de uma Aldeia pegada à Freguesia deste morgado, também era morgada. Governava a casa com todo o acerto. Assim, o marido bem podia sair para os tratos que mais lhe conviessem, com toda a tranquilidade e descanso.

 

E as suas MENINAS, filhas únicas, «meninas dos seus olhos», davam-lhe alegria e estímulo para encarar as lutas pela vida com a maior valentia e o maior orgulho.

 

Elas fizeram a 4ª Classe com «Distinção». Ficaram bem na «Admissão». Dispensaram a «LETRAS e a «CIÊNCIAS» no 5º ANO. Ficaram bem no “EXAME de ADMISSÃO à ESCOLA NORMAL”.

 

Bem podiam tirar um Curso Superior. Mas desde pequenitas que queriam «ser Professora com a AVÓ, de POTAMIÃO.

 

Entraram no «Carocha» e lá seguiram para o conforto de casa.

 

O Clementino e o Celestino estavam felizes.

 

Pegaram cada um na sua trouxa e saíram da ESTAÇÃO.

 

O Clementino ainda ia apanhar a «camioneta do Marinho», que o deixaria à porta de casa, já ao escurecer.

 

O Celestino, como tinha família na cidade, passaria por lá o resto do dia e a noite. No dia seguinte, logo se veria, disse ao amigo.

 

XIII

 

Em Fevereiro chegou o 1º Semestre para as «NORMALISTAS». Com sucesso para as «irmãs gémeas», da...

 

(continua)

 

 

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Terça-feira, 27 de Setembro de 2016

A Ardea cinéria flaviense

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Perguntaram-me se já tinha visto a cegonha que todos os dias pousava nas poldras do nosso Rio Tâmega… Pois não, ainda não a tinha visto e fui lá ver. Ela lá estava. Mas era estranha, diferente daquelas que costumo ver por aí nos ninhos e em voo e mesmo pouco mais conhecendo que as aves de capoeira, os pardais, pombas, pintassilgos, pegas, rolas, melros, gaios, boubelas, corvos e patos, deu logo para ver que aquilo não era cegonha, como de facto, pois após breves pesquisas cheguei à conclusão ser uma Ardea cinéria que em linguagem comum é uma Garça-real.

 

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Como já confessei não ser especialista em aves selvagens, ficam aqui as palavras de quem realmente percebe do assunto:

 

Garça-real
Ardea cinérea

 

Imponente, com o seu longo pescoço cinzento, a garça-real é muitas vezes a maior ave aquática que a vista alcança. Devido à facilidade com que é observada, é frequentemente uma das primeiras espécies a serem vistas por quem se inicia na observação de aves.

 

Identificação
Com quase 1 metro de altura, é a maior das garças que ocorrem  em Portugal. É uma ave cinzenta, que se destaca pelo seu longo desta. Ocasionalmente pousa em árvores ou mesmo em edifícios.  Pode ser confundida com a garça-vermelha, distinguindo-se desta pela total ausência de tons castanhos ou arruivados.

Quando em voo o pescoço encontra-se recolhido, sendo esta uma característica que a separa da cegonha-branca.

 

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Abundância e calendário
Comum. Ocorre em Portugal ao longo de todo o ano, mas é mais numerosa fora da época de nidificação. Surge associada a todo o tipo de zonas húmidas, sendo particularmente abundante nos grandes estuários e lagoas costeiras. Durante a época de nidificação é relativamente escassa e tem uma distribuição mais restrita. Existem algumas colónias no Alentejo, especialmente nos distritos de Évora e Portalegre, mas são conhecidos casos de nidificação isolada noutros pontos do território. Algumas garças-reais não nidificantes podem ser vistas nas zonas de invernada ao longo da Primavera.

 

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Onde observar

A garça-real é uma espécie fácil de encontrar. Qualquer mancha de água doce ou salobra de média ou grande dimensão é propícia à sua observação e em zonas de habitat muito favorável ou com abundantes recursos alimentares ocorrem por vezes concentrações de muitas dezenas ou mesmo centenas de aves.

 

Entre Douro e Minho – pode ser vista com facilidade no estuário do Minho e no estuário do Cávado e também na baía de São Paio (estuário do Douro). Ocorre igualmente no estuário do Lima e nas lagoas de Bertiandos. No interior é menos frequente, mas já tem sido observada nas serras de Fafe.

 

Trás-os-Montes – é a província onde a garça-real é mais escassa; observa-se sobretudo junto a barragens, nomeadamente na serra de Montesinho.

 

Litoral centro – bastante frequente e fácil de observar nas zonas húmidas costeiras como a ria de Aveiro, o estuário do Mondego e a lagoa de Óbidos, podendo também ser vista no paul do Taipal, no paul da Madriz, nas lagoas de Quiaios, e na barrinha de Esmoriz. Por vezes aparece no rio Tornada, perto de São Martinho do Porto.

 

Beira interior – as albufeiras de Vilar e de Santa Maria de Aguiar são os principais locais de ocorrência desta garça na Beira Alta; já na Beira Baixa a espécie pode ser vista nas albufeiras da Toulica e da Marateca. e também no vale do Zêzere, perto da Covilhã.

 

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Lisboa e Vale do Tejo – abundante e fácil de encontrar, a garça-real é particularmente numerosa no estuário do Tejo, podendo ser vista nos vários pontos de observação em redor do estuário como o parque do Tejo, as salinas de Alverca, o sapal de Corroios, o sítio das Hortas ou as lezírias da Ponta da Erva; ocorre também no paul da Barroca, na lagoa de Albufeira, no paul do Boquilobo e no rio Nabão, em Tomar. Ocasionalmente é vista na zona ribeirinha de Lisboa.

 

Alentejo – o estuário do Sado, a lagoa de Santo André e a ribeira de Moinhos são alguns bons locais para procurar esta garça junto à costa; mais para o interior, a espécie observa-se facilmente na lagoa dos Patos, nas barragens da Póvoa, de Montargil, do Maranhão e do Caia, bem como em muitas outras barragens e açudes da região. Outro local de ocorrência é o aterro sanitário de Beja.

 

Algarve – é frequente nas principais zonas húmidas da região, como a ria Formosa, o Ludo, o paul de Lagos, a ria de Alvor, o estuário do Arade, a Quinta do Lago, a lagoa dos Salgados, a zona de Vilamoura e a reserva de Castro Marim.

 

Ocasionalmente observa-se também na Boca do Rio, na Carrapateira e nas salinas de Odiáxere.

 

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E é tudo por agora, pois pode ser que surja uma nova oportunidade e que tenha à mão equipamento mais apropriado para este tipo de fotografia. Soube a pouco mas gostei de conhecer a Ardea Cinéria

 

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Já agora ficam os créditos e o link para o sítio de onde roubei as palavras de quem sabe destes assuntos de aves:

 

http://www.avesdeportugal.info/ardcin.html

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:15
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Chaves D'Aurora

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  1. NAMORICOS.

 

Por igual motivo, foi tomada de medo; medo não, horror; horror, não, pavor; pavor, não, terror, quando se dispôs a sair com as irmãs, em companhia da espartana Mademoiselle Des Saints, a lecionista de Etiqueta Social.

 

Lá iam todas para ver a singela exposição que o doutor José Lino de Cambezes, professor do Liceu, mandara organizar sobre os primórdios e os recentes progressos da aviação, no vetusto salão da Sociedade Recreativa e Cultural Flaviense. Entre fotos e outras peças expostas, lá estavam uma enorme gravura de Ícaro rumo ao Sol; o primeiro aeróstato no mundo a se ter notícia, que realizou um voo em 1709, batizado como a Passarola de Gusmão, do sacerdote português Bartolomeu de Gusmão; o famoso balão dos Montgolfier; o balão fusiforme assimétrico de 1881, do paraense Júlio César; a maqueta do 14-Bis, do também brasileiro Alberto Santos Dumont; a escultura, em massa de papel, a configurar o belo dirigível projetado pelo conde alemão Ferdinand Von Zeppelin; e os planadores de outros famosos precursores do mais pesado que o ar, os irmãos Wright.

 

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Um pouco apartada de suas manas e de Mademoiselle, eis que a menina viu, de repente, cair-lhe às mãos uma espécie de aviãozinho de papel. Ao se voltar para a direção de onde partira aquela espécie de origami, viu que ele provinha de certas mãos, envoltas com luvas cor de morcela, de um garboso rapaz com um sorriso irresistível – Gostava de ver-te! – Ela respondeu, com os olhos a se baixarem tímidos, como se as pupilas perfurassem a Terra, muito além do chão – Não podes! Não podemos! Bem sabes que o meu pai... – e ele, cada vez mais sedutor – Hás de dar um jeito nisso, minha bela!

 

Sorrateiramente, ao ensejo das procissões ou às missas, na igreja Matriz, Aurita fingia retirar-se para rezar diante do nicho de algum santo próximo à porta lateral. Lá fora, ia até aos fundos do templo que davam para um beco, entre a Rua dos Gatos e a de Santa Maria. Já lá se encontrava, a esperá-la, o jovem amado.

 

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Em algumas raras e furtivas ocasiões, conforme já concertado a muito custo entre eles, por meio de gestos e olhares discretos no interior do templo, os namorados aproveitavam qualquer outra oportunidade que lhes bem viesse, e se punham a trocar suas juras de amor eterno. Tudo isso, porém, apenas no puro e casto gozo de estarem juntos e a sós. Eram fugazes momentos, lapsos de tempo, mas que vinham trazer à menina um ror de alegrias e venturas, difícil de explicar. Ao rapazola, porém, tais contentamentos não satisfaziam tanto e, às vezes, posto que ele, apesar da idade, já fosse bem vividinho, alguns carinhos eram por si ousados, tentados, mas repelidos de pronto pela rapariga. Um breve roçar de lábios fazia-a corar e estremecer. Então ela murmurava – Fiquemos por aqui, ora, pois... – e, só para si mesma, concluía, como nos versos que a Zefa estava sempre a dizer – “Às meninas de bom berço / muito vale ter o pejo / pois atrás de cada beijo / vem sempre um outro desejo”.

 

A cada vez em que podia ficar junto do amado, todavia, a jovem sentia crescer, dentro de si, o medo de se entregar aos mistérios do Amor. Logo afastava essas chuvas de granizo, que lhe caíam sobre os campos da mente e se deixava folgar apenas com o bem-humorado cavaquear do cigano, ou com os truques de mágico que este vivia a lhe ensinar.

 

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Segunda-feira, 26 de Setembro de 2016

Quem conta um ponto...

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308 - Pérolas e diamantes: esterilização de pombas e esgotos a céu aberto

 

Antigamente, a riqueza anunciava-se através de coisas fáceis de partir e impossíveis de limpar.

 

Atualmente, as pessoas que têm uma vida fácil estão constantemente a explicar-nos como ela é difícil.

 

Os “artistas” possuem uma caraterística irritante que é a de tentarem fazer-nos passar por tolos. 

 

O PAN – Pessoas Animais Natureza enviou às autarquias no início de agosto um plano de controlo da população de pombos citadinos que passa por criar aquilo que apelida eufemisticamente de pombais contracetivos.

 

Este método consiste em incentivar as aves a nidificarem em locais específicos, proporcionando-lhes para o efeito alimento e água. Em troca, substituem os ovos verdadeiros por ovos artificiais.

 

Para o PAN, este plano é uma “nova forma de gestão ética da população de pombos nas cidades”, pois pretende “controlar a população de pombos de forma ética, eficaz, sustentável, ecológica e económica, sem necessidade de recorrer a técnicas letais.”

 

Descobriram agora que os queridos pombos podem transmitir agentes patogénicos e que o contacto com as suas fezes pode causar problemas alérgicos.

 

Que o diga João Neves, um antigo columbófilo e atualmente vereador da autarquia flaviense, que teve de abandonar a sua paixão devido a problemas de saúde, pois, segundo o seu pungente depoimento, “o pó que eles (os pombos) produzem estava a provocar-me problemas de asma.”

 

Felizmente, em bom tempo abandonou essa sua apaixonante atividade. “Não obstante”, acrescenta o senhor vereador, “eu gosto muito de pombos.” Não especificou foi de que forma.

 

Em Chaves, a CM decidiu proceder à distribuição de alimento às referidas aves, em duas épocas distintas, impregnado de contracetivos. Em troca, as pombinhas vão ficar estéreis.

 

Mas para que a estratégia de esterilização funcione é necessário que as pessoas deixem de dar comida às pombas, para que elas procurem apenas um sítio para se alimentarem.

 

Toda esta história rocambolesca da esterilização dos pombos que, segundo o senhor vereador João Neves, não tem a intenção de acabar com as ditas aves, pois não vão matá-las, já que o pretendido é torná-las estéreis para que não se reproduzam descontroladamente, fez-me lembrar um texto de Filipe Homem Fonseca, intitulado “Soluções impossíveis para problemas insolúveis”, onde refere que há histórias de gente incrível a fazer coisas banais, gente banal a fazer coisas incríveis, gente incrível a fazer coisas incríveis, nunca gente banal a fazer coisas banais.

 

O meu problema é que não consigo decidir onde posso encaixar a história do senhor João Neves vereador e ex-columbófilo. Desta vez caberá ao estimado leitor essa tarefa.

 

 João Madureira

 

PS – Este controlo preventivo de pombos pretende, nas declarações dos responsáveis autárquicos, evitar consequências nefastas para a saúde pública, ambiente e património.

 

Sendo assim, torna-se incompreensível que a CMC continue incapaz de resolver o problema dos esgotos a céu aberto no lugar de Vale de Salgueiro em Outeiro Seco – Chaves, situação que se arrasta desde 2007.

 

E, por favor, não me venham mais uma vez com a desculpa esfarrapada, ou com o argumento esdrúxulo, de que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.

 

De facto, esses argumentos estapafúrdicos, e as idênticas desculpas, começam a cheirar ainda mais mal do que as fezes dos pombos espalhadas pelas praças do município e os esgotos a céu aberto em Outeiro Seco.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
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De regresso à cidade com duas imagens

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Hoje fazemos o regresso à cidade passando pela mítica Adega do Faustino, não só pela adega em si mas também por, nos últimos anos, ser também uma casa ao serviço da fotografia, onde a Associação de Fotografia Lumbudus e também este blog têm promovido todos os meses uma exposição de fotografia na galeria da adega.

 

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A contrastar com a Adega do Faustino fica também uma macro de uma dália em celebração da entrada do outono em que a magia da cor começa a acontecer. E assim regressamos à cidade, de Chaves, claro.

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:14
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Domingo, 25 de Setembro de 2016

O Barroso aqui tão perto... Frades do Rio

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Hoje vamos até Frades do Rio que, pelo apelido já sabemos localizar-se perto do Rio Cávado, a pouco mais de seis quilómetros da sede do concelho, Montalegre, a Poente desta vila e junto à Estrada Municipal Nº308, a única que sai de Montalegre para esses lados e que passa pelo Campo de Futebol e do Sr. da Piedade.

 

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Uma aldeia pela qual já tínhamos passado diversas vezes, ou ao lado, pela estrada,  mas que nunca tínhamos entrado na sua intimidade para verdadeiramente a ficarmos a conhecer, e diga-se que as aparências iludem mesmo, pois a aldeia é muito mais interessante do que aquilo que aparenta.

 

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Da aldeia tínhamos como referências a visitar o Altar da Moura, a Cividade de Frades e a ponte velha sobre o Cávado, no entanto já sabemos que nem tudo que é apontado como ponto de interesse tem interesse para nós e a par, há outras coisas que os livros não mencionam, que acabam por despertar o nosso interesse e Frades do Rio não é uma exceção. Dos três locais apontados apenas a ponte velha despertou o interesse da objetiva. Mas fica aqui a referência ao Altar da Moura, um penedo e à Cividade de Frades que descrevemos a seguir:

 

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Pois aquilo que é apontado com Cividade de Frades, são vestígios de um povoado de época romana localizados no fundo da vertente Sudeste do Castro de Frades, em terrenos agrícolas. Aquando da lavra dos campos, neste espaço apareciam restos de “tegullae” e cerâmica comum romana, espólio comum a povoados de época romana. Acredita-se que este povoado seja posterior ao castro. De interesse histórico e arqueológico mas que fica de fora deste nosso projeto de trazer aqui em imagem as aldeias barrosas.

 

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Cividade de frades - Vestígios de um povoado de época romana localizados no fundo da vertente Sudeste do Castro de Frades, em terrenos agrícolas. Aquando da lavra dos campos, neste espaço apareciam restos de “tegullae” e cerâmica comum romana, espólio comum a povoados de época romana. Acredita-se que este povoado seja posterior ao castro.

 

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Mas entremos então em Frades do Rio pela primeira das suas entradas como quem vem de Montalegre onde logo à entrada registámos uma grande casa que aparenta ser alvenaria de tijolo e rebocada,  mas que posteriormente confirmámos ser construída em perpianho de granito e que embora hoje abandonada ainda deixa ver bem os traços de casa abastada. Trata-se da antiga casa de um dos antigos padres da Aldeia.

 

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Mais acima e um pouco desviada do núcleo de Frades do Rio uma outra casa que também sai fora do traço comum das outras, também ela em perpianho de granito à vista, igualmente de aparência abastada e esta, ao contrário da anterior, bem conservada e pensamos que habitada, embora ser  habitação permanente. Trata-se da casa de família de um dos ilustres Barrosões de Montalegre que inclusive tem uma pequena escultura com o seu busto no centro da Vila de Montalegre à vista. Trata-se da casa de família e busto do Dr. Vitor Branco, este sim, que eu já há muito tempo conhecia, não só por ser protagonista de algumas das histórias que a minha mãe levava aos serões de lareira  do meu tempo de infância mas também por ser um dos protagonistas do “Lobo Guerrilheiro” de Bento da Cruz.

 

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No I volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses, de Barroso da Fonte, a respeito de Vítor Branco diz-se o seguinte:

“Vítor Branco nasceu em Frades, concelho de Montalegre, em 23 de Março de 1863, sendo o décimo filho de um lar de onze. De seu nome completo Victor Manuel Gonçalves Branco, pelos 7 anos foi deslocado para Cabril, para casa do irmão que ali era pároco (Bento José Pereira Branco), de modo a fazer alia quarta classe visto que no lugar de Frades não havia escola. Feita a escola primária novo rumo: freguesia do Eiró, para junto de outro padre (de nome Venâncio), estudando Latim. A terceira meta é Braga, onde seguiu o exemplo dos dois irmãos clérigos, frequentando o Seminário, durante cinco anos. Dali, após constatar que não era aquele o seu melhor caminho, rumou até Coimbra, onde conheceu grandes vultos da cultura portuguesa, como António Nobre, Alberto de Oliveira, Antero de Quental. “

 

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E continua:

“Durante a sua permanência na Lusa Atenas, soube granjear amizades e impor se como democrata que procurou ser, logo que regressou a Montalegre, feito advogado. Aí abriu banca e fez sucesso, lutando contra os "Canedos" com os quais travou uma luta até ao fim da sua vida. Bento da Cruz editou, em 1995 o livro: Victor Branco escritor Barrosão vida e obra (Editorial Notícias) e aí escreve: "Foi neste meio tacanho, com três bacharéis em Direito e um em Medicina, que o jovem Victor Branco começou vida como vereador efectivo da Câmara e tabelião privativo de notas. “

 

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E continua:

Em 20.2.1895 casa com uma senhora de família aristocrática de Vermoim, arredores de Famalicão. Nesse mesmo ano candidata se à presidência da Câmara pelo partido progressista, tendo como opositor, outro ilustre barrosão: Dr. José Joaquim Álvares de Moura, natural de Covelães que concorria pelo partido regenerador. Perdeu as eleições. Mas em 1898, desforrava se, após ter publicado Cartilha Eleitoral, opúsculo onde acusava os seus adversários, de forma exaustiva. Só que em 1901, em novo acto eleitoral, justifica os seus fracassos, sobretudo na florestação que apenas resultou, em três freguesias do concelho, onde os irmãos padres (Bento e Guilherme) tinham bastante influência. Perdeu a Câmara a favor do adversário Germano Augusto Rodrigues Canedo, só voltando ao poder, em 1911. Em 1913 voltava a perder a presidência.”

 

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E continua:

“Entretanto, por razões de herança da mulher, é forçado a fixar residência em Vermoim, abandonando um palco de operações políticas que o celebrizara e que o levaria a escrever: "Fidalgo na minha terra, juíz na minha comarca e tocador de burros em qualquer parte". Em 1922 volta a concorrer e volta a ganhar até ao 28 de Maio, em que com a ditadura de Salazar, perde irremediavelmente o poder local. Morreu em 16 de Dezembro de 1947. Deixou alguns livros publicados: Carta Aberta, em forma de Crónica (1936), Reminiscências do Passado e Almanaque de Lembranças Locais (1941). Está perpetuado na toponímia de Montalegre, onde ficou mais conhecido pelo Dr. Bitro. Teve os seguintes filhos, todos ilustres e todos nascidos em Montalegre: Maria Cecília de Aguiar Branco (26.12.1895), falecida em Amarante, em 22.2.1973; Isabel Maria de Aguiar Branco (4.9.1899), falecida no Porto, em 3.6.1980; Ana da Glória de Aguiar Branco (31.10.1901), falecida em Lordelo do Douro, em 19.1.1980; Victor Manuel de Aguiar Branco (17.9.1904; 16.5.1927); Guilherme Francisco de Aguiar Branco (1.1.1909); Maria da Glória de Aguiar Branco (15.4.1911), falecida no Porto, em 18.12,1993; Fernanda Victória de Aguiar Branco (24.3.1913) e falecida em Lisboa, em 2.1.1978; Maria Eugénia de Aguiar Branco (23.10.1914), falecida no Porto, em 8.2.1985.

 

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Ainda a respeito do Dr. Vítor Branco, também a sí há uma referência, mais breve, no livro “Montalegre” de José Dias Batsista:

“Dr. Vítor Branco (séc. XIX - XX) nasceu em Frades do Rio, em 1863. Democrata de lei, foi um Barrosão de peso, tanto na barra dos tribunais como na política e ainda lhe sobrou tempo para escrever – e bem! – algumas belas páginas na língua pátria. As mais delas podem ser catalogadas na gaveta literária das Polémicas mas não deixam de ser bem nossas e de ter o que fazem dele um grande homem, um grande barrosão e um grande escritor. Morreu em 1947.”

 

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Mas continuemos na descoberta de Frades do Rio com a ajuda de um dos seus filhos de nome José de Jesus, ex-emigrante agora reformado que, simpaticamente, nos acompanhou na visita à aldeia e nos mostrou e alertou para os tais pontos de interesse que não vêm nos livros e que sem a ajuda do qual não descobriríamos ou ficaríamos a conhecer, como o caso do imponente carvalho secular que pelo seu porte terá mesmo alguns séculos de existência. Também foi com o Sr. José de Jesus que descobrimos o itinerário da via sacra da qual ainda restam algumas cruzes e a cada de família do Dr.Vítor Branco, bem como a visita às adegas, uma delas a sua, cuja frescura convidava mesmo a entrar no passado e bem quente dia 2 de setembro. Por último fica a referência ao conjunto do casario tradicional maioritariamente ainda com o granito à vista e sem grandes alterações, havendo mesmo algumas recuperações feitas com gosto, à pequena capela mas interessante, ao cruzeiro e uma das fontes.

 

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Para terminar a referência à ponte velha sobre o Rio Cávado que tem como substituta uma mais recente e bem menos interessante, suponho que construída aquando da construção da albufeira de Sezelhe. Esta ponte é popularmente apelidada de “Romana” e notoriamente a sua estrutura em pedra tem origens remotas, não existindo contudo qualquer certeza da sua origem. Mas dada a ocupação romana do território e a proximidade de algumas vias romanas e as características da ponte, não nos custa a acreditar que seja romana.

 

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E é tudo, restam os habituais créditos às consultas efetuadas cujas referências aqui ficam:

 

Bibliografia consultada:

 

“Montalegre” de José Dias Baptista, edição do Município de Montalegre, 2006

“ I volume do Dicionário dos mais ilustres Trasmontanos e Alto Durienses, de Barroso da Fonte, Guimarães, 1998

 

E ficam também os links para as anteriores abordagens deste blog ao Barroso e suas aldeias:

 

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Lapela   - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Pomar da Rainha - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pomar-da-1415405

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

Tabuadela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-tabuadela-1424376

Telhado - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-telhado-1403979

Travassos da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-travassos-1418417

Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

São Pedro - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-pedro-1411974

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

 

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Sábado, 24 de Setembro de 2016

Carvela - Chaves - Portugal

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Já perdi a conta às vezes que fui ou passei por Carvela, quase sempre com a intenção de conseguir novas fotos, mas nem sempre fui bem sucedido, ou melhor, apenas uma vez o fui, a primeira, e já lá vão 10 anos.

 

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Exceção para as fotos de inverno, do gelo ou carambelo, ou da aldeia submersa em nevoeiro, que dessas sempre trago algumas, ou muitas, quando esses fenómenos atmosféricos acontecem, mas em tempo de verão, pouco tenho acrescentado ao meu arquivo e, a razão é simples, não tenho encontrado novos motivos para além daqueles que registei há 10 anos.

 

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Talvez seja falta de inspiração minha, talvez porque na aldeia, nos últimos anos, não tenha havido grandes alterações, tal como acontece na maioria das nossas aldeias devido ao despovoamento e envelhecimento da população. Não sei, o facto é que nas passagens mais recentes pouco tenho acrescentado ao meu arquivo.

 

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Contudo, no arquivo de Carvela ainda tenho alguns motivos de interesse para trazer aqui hoje e ainda há mais para poder vir por aqui de novo e, pela certa, que os dias mais rigorosos de inverno, os tais do gelo e carambelo levar-me-ão lá de novo. Eu sei são dias frios e não muito agradável para quem tem conviver com ele, mas que é um espetáculo digno de ser visto, lá isso é.

 

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Pode ser que numa dessas próximas idas por Carvela surjam novos motivos que despertem a atenção da objetiva, acredito que sim, mesmo porque os nossos interesses e o nosso olhar também está sempre em constante evolução.

 

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Entretanto ficam hoje mais seis motivos de Carvela que escaparam ou sobraram dos últimos posts em que aldeia passou por aqui.

 

 

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Sexta-feira, 23 de Setembro de 2016

Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso - uma imagem

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Discursos Sobre a Cidade - Por Gil Santos

GIL

 

O CARABUNHAS

 

O Carabunhas, nomeada pela qual era conhecido o prior do Planalto, foi dizer a missa de domingo de Lázaro manco de uma pata, como dizia o Nano da Carregal!

 

─ O que lhe teria assucedido? ─ Inquietavam-se os paroquianos que há muito se intrigavam, alguns invejosos, com as noites atribuladas do clérigo.

 

Mas comecemos por tresontonte!

 

O Carabunhas, de nome próprio Babiano Zebedeu, nasceu, pelos anos trinta, algures no Brunheiro. Pobre que nem Jó, era filho da crujidade! Sua progenitora, cabaneira, foi mãe solteira, sabe ela e Deus de que semente! Diz-se, à boca pequena, que só conhecera um homem na vida e que lhe guardara fidelidade eterna nas touças da Galgueira! E a verdade é que depois daquela gravidez acidental nunca mais alcançou, nem daquele, nem de qualquer outro. O segredo, guardou-o tão bem, que nunca o Zebedeu soube o nome do espermatozoide que o gerou. Também, tanto se lhe dava. Mas, se me permitem uma inconfidência, eu acho que ele desconfiava, mas preferia ignorar. Na sua filiação legal constava paternidade incógnita. Contudo, se os registos se dessem a outras oportunidades e, em vez do pai, perguntassem pelo padrinho, já constaria em nome próprio o de Adalsindo Bota e Meia, pároco da freguesia!

 

O Adalsindo acarinhava o raparigo como se fosse seu filho legítimo. Logo que o achou capaz de pegar na galheta, botou-o a sacristão. O Babiano dava tanto jeito ao ofício que depressa convenceu o padrinho a fazê-lo padre. O velhote anuiu, pensando na sua substituição.

 

Assim, mal concluiu a 4ª classe, em Adães, na escola do mestre Matos, o vigário, a suas expensas, espetou com ele no seminário de Vila Real, às ordens do Reitor Libânio Borges.

 

Durante os anos que levou para ser padre, não caçou uma única raposa. Já marmanjote, durante as férias grandes, substituía o prior com a perfeição de um futuro mestre nas lides da igreja.

 

A sua mãe andava toda croncha com o rapaz.

 

E com razão!

 

O filho haveria de ser o amparo na sua velhice, do corpo, mas sobretudo da alma. Em nada se arrependera de provar a fragância da maia piorneira pelas poulas do Belão! Bendito o pólen que lhe inchou o ventre! E bendita a ajuda do Criador na geração daquele rapaz, que era a menina dos seus olhos!

 

O gaiato teve uma infância livre e farta. Cresceu escorreito, sem fome e sem frio. Abençoado pelo padrinho, fez-se homem em três tempos.

 

Ainda havia de dar muito que falar o sacripanta!

 

Foi o único a estudar em toda a freguesia, para inveja dos filhos dos lavradores mais abastados que se obrigaram à rabiça do arado, mal concluíram os estudos primários.

 

O Babiano era conhecido pela alcunha de Carabunhas porque quando frequentava a escola do professor Matos, levava os bolsos atulhados de carabunhas de azeitona para fustigar as orelhas dos parceiros com uma fisga de elásticos, quando apanhasse o professor distraído. Era um vício excomungado que lhe valeu muita porradinha. Mas valia a pena só para ver os abanos dos parceiros como cerejas! Ficou-lhe a nomeada. E até nem o desgostava!

 

Rezou missa nova na vetusta românica de Santa Leocádia, num verão de meados dos anos cinquenta. À cerimónia ajudaram quantos padres havia nas redondezas e eram muitos! O repasto foi no Lameiro Grande e para toda a freguesia. Meteu três recos no espeto e uma vitela no forno.

 

Foi até lhe chegar com um dedo!

 

Bem, só para os doces, não chegou meia camioneta do Semeão de Carrazedo para transporte do açúcar amarelo!

 

E vinho foram para aí duas pipas!

 

Depois da missa nova do afilhado, poucos anos mais durou o velho Bota e Meia. Bateu a caçoleta feliz por se saber bem continuado. E, de facto, o afilhado saiu-lhe melhor do que a encomenda! Dizem que quem sai aos seus não degenera e este galho não renegou o tronco que o fez!

 

Mulher que se lhe arreganhasse na sacristia cheirava o fanenco!

 

Era certinho!

 

Tanto se lhe dava que fosse solteira, casada ou viúva, era tudo a eito!

 

E mais não digo que me envergonho!..

 

O seu carocha conhecia de cor o recôndito de todos os lugares do Planalto e tanto dormia num palheiro de Vale do Galo, como no Prado do Carregal. E, à medida que o tempo passava, mais desavergonhado ficava o presbítero. O cuidado que a alma penada das suas ovelhas merecia, justificava a azáfama das diferentes pernoitas. Dizia-se à boca cheia, sobretudo no mundo insondável do mulherio, que eido onde o padre poisasse não havia diabo que penetrasse! E com alguma razão, pois dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço, ao mesmo tempo, como dizia o físico! As viúvas, por exemplo, eram as que acreditavam mais piamente nas capacidades curativas do prior, sobretudo as que, em casadas, não tiveram vida que se recomendasse!

 

O homem era levado do catano! Só quem o conheceu!..

 

Claro está que, nos primeiros anos, o povo ainda lhe foi topando graça, mas, à medida que lhe foi medrando o território, os homens começaram a passar, progressivamente, do estado de inveja ao de inquietação.

 

─ Lá que exorcize os diabos das outras, ainda vá que não vá, mas os da minha toco-os eu a bober! ─ Dizia o Beiças, e com razão!..

 

Não demorou muito que a porca torcesse o rabo!

 

Dois dos mais afoitos jovens de Adães prepararam-lhe a estrangeirinha! Apanhassem-no na casa da viúva Cremilda que o haviam de cozer!

 

A casa da Cremilda estava construída numa ladeira. Tinha uma porta única, carral, que dava para um grande pátio. Do lado mais fundo, uma varanda alta que dava para umas hortas nas traseiras. Quem entrasse e não quisesse sair pelo pátio só poderia fazê-lo pela janela da cozinha para a rua ou botando-se abaixo da varanda para a horta.

 

Estava uma noite gelada no Brunheiro! Céu estrelado em janeiro, era geada certa. E começava a esgalhar logo que o sol vencesse o Alvão.

 

Pelas oito, já noite escura, o Carabunhas estacionou o seu Volkswagen azul no largo da escola. Os tais, micaram-no e seguiram-lhe o rasto! O salafrário fora expurgar os diabos à Cremilda. Deixaram-no paramentar e deram-lhe tempo suficiente para que conferisse a penitência que prescrevera à paciente! Seriam umas onze, quando o Estanislau e o Geraldinho embeberam umas sacas velhas de sarapilheira em óleo queimado, para fingirem um incêndio sob a janela da cozinha da viúva, iluminada por uma ténue luz de candeia a petróleo. Um tocaria fogo às sacas e saltando aos gritos de fogo, bateria, em algazarra, na folha da porta carral do pátio, o outro tocaria o sino a rebate para juntar o povo. Com esta manobra esperavam pregar com o padre, de calças na mão, no meio do povo!

 

Contudo, o Carabunhas sabia mais com um olho aberto do que os marlantes com os seus quatro! Não deu parte de fraco, com a calma de um marialva, compôs-se, dirigiu-se à varanda e pulou para a horta. Contava que no final dos quatro metros encontrasse a terra fofa das pencas, porém esperava-o um seixo saliente que lhe ia quebrando o tornozelo. Foi Deus que lho salvou! Enquanto o povéu acudia ao fogo, o padre, cozido às sombras das paredes e entre suores frios e dores horríveis, arrastou-se até ao carro e pôs-se a milhas sem que ninguém o topasse.

 

No dia seguinte, era o domingo de Lázaro, penúltimo antes da Páscoa. O Carabunhas, não querendo dar o flanco, foi dizer a missa, sabe Deus como!

 

Que tinha escorregado nas putas das escaleiras com a geada!

 

Foi a melhor desculpa que encontrou para sossegar a passarinha das beatas mais curiosas.

 

Olha que nenhum homem foi capaz de lhe perguntar pelo sucedido!

 

Cala mureta!

 

Quiseram-no cozer mas quem se cozeu foram eles!

 

Pastor que é pastor, leva vantagem sobre o rebanho.

 

Pudera!

 

Sarado o tornozelo, repetiu-se a festa!..

 

─ Ai quem me dera ser padre! ─ Rezava o Alpoim, na desobriga dos domingos, encostado ao cipreste secular do adro da igreja de Santa Leocádia!..

 

Pois isso, é que naquele tempo valia mais ser padre do que ser doutor!...

 

Gil Santos

 

 

 

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Quinta-feira, 22 de Setembro de 2016

Flavienses por outras terras - João Afonso

Banner Flavienses por outras terras

 

João Afonso

 

Nesta crónica do espaço “Flavienses por outras terras” vamos até ao outro lado do Atlântico, mais concretamente até ao Rio de Janeiro, a “Cidade maravilhosa, cheia de encantos mil…”

 

É lá que vamos encontrar o João Afonso.

 

Mapa Google + foto - João Afonso.png

 

 

Onde nasceu, concretamente?

Nasci no Largo da Falgueira, na aldeia de Noval.

 

Nos tempos de estudante, em Chaves, que escolas frequentou?

Não frequentei a escola em Portugal, apenas no Brasil.

 

Em que ano e por que motivo saiu de Chaves?

Saí no ano de 1956, em Dezembro, com 5 anos e meio, ainda sem conhecer o meu pai.

 

Em que locais já viveu ou trabalhou?

Para além de varias localidades no estado do Rio de Janeiro, vivi e trabalhei no sul do Brasil, uma região com características europeias, convivendo com ucranianos, japoneses, polacos, entre outras nacionalidades. Também vivi em Angola durante 2 anos, enquanto trabalhei num projeto de barragem hidroelétrica.

 

Diga-nos duas recordações dos tempos passados em Chaves:

Apesar da idade, por natureza, tenho boa memória e recordo-me de uma segada, das vindimas e de uma matança de porcos, para além da aldeia, todos os cantos onde estive ainda miúdo, algumas personalidades da época e familiares, obviamente. Recordo também a casa onde vivi bons momentos de imaginação e sonhos, convivendo sempre com os animais da casa, as árvores e tudo o que eu alcançava ou que me era permitido.

 

Proponha duas sugestões para um turista de visita a Chaves:

A cidade de Chaves e arredores dispõem de opções para todos os gostos e interesses. Passear pelo centro histórico, respirar o ar da cidade e vislumbrar o Tâmega já enche os olhos. Visitar uma aldeia seria interessante para perceber como viveram, o que construíram os nossos antepassados, o trabalho do campo no formato tradicional, contemplar a paisagem, deliciar-se com bom vinho, a gastronomia, a água pura da montanha…

 

Estando longe de Chaves, do que é que sente mais saudades?

Sem dúvida, primeiramente, do carinho dos familiares. Saudades também da vida e da dinâmica que a aldeia possuía, hoje um pouco deserta, quase morta, pela ausência de população - um palco magnífico sem os artistas que preservavam a cultura familiar e do campo…

 

Com que frequência regressa a Chaves?

Conforme a disponibilidade no trabalho e compromissos.

 

Gostaria de voltar para Chaves para viver?

Sem dúvida, faz parte dos nossos planos vivermos, pelo menos, 6 meses em Portugal e 6 meses no Brasil. Em Portugal éramos 2 irmãos, hoje, aqui no Brasil, somos 4. A família é composta por cerca de 35 pessoas no Rio de Janeiro, além de outros estados, Portugal e América do Norte. São 9 bisnetos da minha mãe, ainda crianças. Portanto, temos que dividir o tempo de estadia…

 

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O espaço “Flavienses por outras terras” é feito por todos aqueles que um dia deixaram a sua cidade para prosseguir vida noutras terras, mas que não esqueceram as suas raízes.

 

Se está interessado em apresentar o seu testemunho ou contar a sua história envie um e-mail para flavienses@outlook.pt e será contactado.

 

Rostos até João Afonso.png

 

 

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Quarta-feira, 21 de Setembro de 2016

Quente e Frio!

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(...)

A RAPARIGA de Vilarinho de Freires e a RAPARIGA de Vilarinho do Tanha, embora não o deixassem parecer, saíram bastante preocupadas.

 

XI

E no Domingo seguinte lá estavam os dois amigos na esquina da “Brasileira”.

 

E no Domingo seguinte lá vinham a sair da Missa da Sé as quatro amigas.

 

O olhar das “Lindas”, da «RAIA», levantou-se, e demorou-se no olhar dos RAPAZES da “TERRA QUENTE“ e da “TERRA FRIA”!

 

Na Estação era um alvoroço de gente a comprar o bilhete de comboio.

 

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Malas, seiras, cestas, cestos e sacos estavam espalhados pela «Sala de Espera», os dos mais atrasados, e pelo «cais de embarque», os dos mais apressados.

 

Era o dia de partida para as «Férias de Natal», junto da Família.

 

Na Samardã saía uma «Normalista» e um «Seminarista».

 

Para Tourencinho, Zimão e Parada de Aguiar seguiam alguns homens e mulheres, depois dos assuntos tratados na «Bila», e um estudante da Escola Comercial e Industrial.

 

Para Vila Pouca tiraram bilhete muita gente da Padrela e do Alvão, estudantes de Ribeira de Pena e de Carrazedo de Montenegro. O estudante da “TERRA QUENTE” podia ter saído aqui. Mas como era de uma família «com posses», tinha tirado bilhete até ao fim da Linha!...

 

As «Carreiras» não se importavam em cumprir o horário de Partida: a chegada do comboio é que punha os motores a roncar!

 

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Nas Pedras Salgadas saíram o Regedor de Bornes, à conversa com dois “GNR’s”, homens de chapéu e samarra, e mulheres carregadas com seiras e cestas, e um estudante do Liceu, de Parada de Monteiros. Entrou um padre e dois homens com ar de feirantes.

 

No “Apeadeiro” de LOIVOS desceram duas graciosas meninas (talvez a frequentarem o 1º e o 3º Ano, no COLÉGIO das MENINAS), saudadas com muito entusiasmo por um homem e três mulheres de meia-idade.

 

Em VIDAGO confundiram-se a meia dúzia de homens e mulheres que saíram com a meia dúzia de mulheres e homens que entraram numa carruagem. De Chegada e de Partida, todos transportavam cestos e sacos. Para os braços do pai e da mãe saltou uma cachopa que andava no 4º ano do “COLÉGIO S. JOSÉ”, o tal “das MENINAS”, depois de se despedir das “Lindas”, da «RAIA», suas amigas e ex-colegas.

 

No “Apeadeiro” de Vilarinho das Paranheiras desceram duas mulheres, que carregaram à cabeça uma seira e um cabaz em cada mão.

 

Ao chegar-se à Ponte de CURALHA, quase toda a gente se juntou às janelas e nos varandins para olhar o Rio TÂMEGA, o açude e o moinho, e apontarem para o pinheiro manso a sobressair do CASTRO.

 

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Na ESTAÇÃO de CURALHA saíram dois compadres da PASTORIA, entrados em VIDAGO.

 

Na FONTE NOVA, o «Apeadeiro da Saudade», o comboio parou para que o maquinista e o revisor deixassem recados e encomendas à D. LUCINDINHA, «guarda» da Linha; e para saída de um estudante da Escola Comercial e Industrial, de Vila Real, natural das CASAS-DOS-MONTES.

 

Entusiasmado com a aproximação do final da Linha, o maquinista apitava e badalava demoradamente a sirene do comboio.

 

Ao atravessar a Ponte de Santo AMARO, a «tripulação de cabina» espreitava pelos janelucos, e o revisor aprumava-se todo no varandim do último vagão, todos a darem-se ares de muito importantes perante as pessoas que iam e vinham da Quinta da Fraga e as que vinham e iam para a «cidade», pois os apitos eram tão «puxados» e ritmados que toda a gente voltava a cabeça para o comboio.

 

A Paragem na ESTAÇÃO era feita com muita cerimónia: o maquinista porfiava para deixar o comboio em harmonia com o Gabinete do «Chefe de Estação», a “Sala de Espera”, e a dos “Despachos”.

 

À espera dos Passageiros estava sempre uma pequena multidão.

 

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O “Rapaz da Terra Quente” foi para o varandim do sul do vagão onde viajava a fada do «lencinho de azul mais escuro», a Carmelinda.

 

O “Rapaz da Terra Fria”, para o do norte do vagão onde viajava a feiticeira do «lencinho de azul mais claro», a Ermelinda.

 

Tinham apostado entre si que lhes caberia a sorte de darem uma mão à feiticeira e à fada de cada um na descida da mala que cada uma trazia consigo.

 

Mal o comboio parou de vez, as duas gémeas encostaram a cara à janela e começaram a acenar com muito contentamento.

 

Deixaram que os homens e mulheres, rapazes e raparigas, mais apressados saíssem, e cada uma escolheu a sua saída.

 

No varandim do norte, o Clementino aproveitou para oferecer a sua ajuda e desejar “BOAS FÉRIAS E FELIZ NATAL” à Ermelinda.

 

No varandim do sul, o Celestino aproveitou para oferecer a sua ajuda e desejar “BOAS FÉRIAS E FELIZ NATAL” à Carmelinda.

 

Cheio de alegria, o pai pegou na mala da “Linda” do «lencinho de azul mais escuro», com uma mão, e, dando a outra à filha, juntou a sua pressa à dela para logo ele ir abraçar a “Linda” do «lencinho de azul mais claro», e ela a mãe!

 

XII

Os pais das “Lindas” eram abastados. Colhiam...

 

(continua)

 

Nota: A fotografias das estações de Chaves e Vila Real são propriedade de Humberto Ferreira, blog http://outeiroseco-aqi.blogs.sapo.pt/

 

 

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Terça-feira, 20 de Setembro de 2016

Cidade de Chaves, 4 exposições a não perder

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 Fotografia de Jorge Bacelar

Quatro exposições que vi em Chaves, gostei e recomendo.

 

A primeira, claro,  é de fotografia, de Jorge Bacelar sobre a “Ruralidade de Gente Marinhoa”, que está na Adega do Faustino até ao final deste mês.

 

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Mostra da exposição de gravura na Biblioteca

 

A segunda é de gravura, mais propriamente a 8ª Bienal Internacional de Gravura do Douro 2016, que tem uma pequena mostra na Biblioteca Municipal e a exposição na Sala Multiusos do Centro Cultural de Chaves.  A exposição está patente ao público até 31 de outubro.

 

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 Exposição de esculturas na Biblioteca de Maria José Passos e Rui Paiva

 

A terceira é de escultura, com dois artistas no mesmo espaço, mais propriamente no salão de exposições da Biblioteca Municipal de Chaves onde Maria José Passos deixa os seus trabalhos debaixo do título “Conta-me Histórias” e Rui Paiva expõe os seus “Diálogos”. A exposição inaugurou ontem ao fim da tarde e estará patente ao público até 7 de outubro.

 

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A quarta e última é de um espetáculo de luz, cor e contrastes e está patente ao público todos os fins de tarde, um pouco por toda a cidade mas com especial sabor vista desde a Lapa onde o colorido do contra luz contrata com a silhueta do centro histórico da cidade.

 

Aproveite e visite, a entrada é gratuita em todas as exposições.

 

 

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Chaves D'Aurora

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  1. PESSEGADA.

 

Abalou correndo para a Quinta, mas, quando alcançava o portal de saída, umas ciganas a detiveram aos gritos. Pôs-se a gralhar, uma delas – De que mãe és filha, ó rapariga?! Ora, pois, a fidalga não te ensinou que não se vai à casa de outra gente para roubar os limões do seu pomar? – e outra, a crocitar – Ainda mais quando esses limões são de meu homem?! – enquanto uma terceira chegou, logo a seguir, e interpelou esta última – E porque estás a pensar, ó lambisgoia, que és aliança no dedo do gajo, para dizeres “meu homem”? – ao que outra mais riu-se, com desdém – Ora pois, sua moura torta, bem sabes que ele é meu e, me-meu-zinho, sempre haverá de ser!

 

As zíngaras puseram-se a digladiar, umas com as outras e, com todas elas a se dizerem a favorita de Hernando, proferiam os mais ferinos impropérios, ora no castiço (jamais castíssimo) idioma de Manuel Maria Barbosa Du Bocage, ora no mais sonoro Caló do Romanês. (O Romanês, essencialmente oral, ou seja, sem qualquer representação gráfica, só é compreendido pelos ciganos. Transmitido pelas mães aos filhos, é basicamente o mesmo de todos os gitanos do mundo, embora varie nos dialetos e sotaques. Os da Península Ibérica usam essa variante, chamada Caló).

 

Acerca do que, a migalho, iria acontecer entre aquelas moças, nem precisava olhar por entre bolas de cristal. Logo, logo, cabelos seriam puxados como se fossem capachinhos; saias estraçalhadas, como a bandeira de um cruzado vencido a voltar de Jerusalém; pragas seculares proferidas, entre cuspidelas ao chão, como se as desvairadas se transfigurassem, àquela altura, nas três distintas senhoras do caminho de Macbeth.

 

 Refém do pavor, acuada no escuro de uma das quinas do portal de entrada, Aurora estava quase a desmaiar de medo, aflita por ser logo reencontrada por Maria de Tourém e Zefa de Pitões. As criadas, porém, esqueciam-se do mundo na companhia de dois ciganos já meio velhuscos, mas ainda bem dom-joões, ditos cujos esses os quais, entre duvidosas (ou até se diriam bem claras) intenções, ofereciam vinho às barrosãs. Estas, porém, davam preferência ao chá com civiaco, um doce de origem russa, feito com ricota e uvas passas.

 

Somente quando tiveram a atenção desviada pela algaravia das pretensas noivas de Hernando, é que as duas tontas largaram para lá os enamorados. Correram até ao discreto sítio onde a menina deveria estar, mas... lá, já não mais estava. Esforçaram-se, ora, pois, em apelar a São Longuinho, para bem de loguinho encontrá-la. Ao intento conseguido, assustadíssimas, fugiram para bem longe de toda aquela algazarra. Sem conseguirem perceber, exatamente, o que acabara de se passar no vestíbulo da festa, as criadas se desfizeram em numerosos – Ai Jesus, mas o que foi? – e a perguntarem, uma à outra – Será que algum gajo quis molestar a nossa menina?! – Apressaram-se, enfim, em se afastar dali, mas a pessegada já se adoçara de novo e, agora, as pessegantes voltavam a folgar.

 

No pátio da festa, os convidados dedicavam-se a uma dança coletiva, da qual todos participavam, inclusive os velhos, as crianças e as próprias ciganas recém-beligerantes. Logo mais se renderiam aos costumes trasmontamos, como a Dança dos Pauliteiros, de origem muito antiga (os dois paulitos, que cada dançarino traz às mãos, teriam sido espadas, outrora) e se poriam a entremear bailados de sua tradição com outras dançarias, próprias do folclore de Trás-os-Montes.

 

Ao chegar à Quinta, Aurita contou o sucedido com os mínimos detalhes e isso gerou, entre as barrosãs, alguns entreolhares de acentuada preocupação, até que os pensares e pesares saíram da boca de Zefa – Ai, menina Aurora, não te metas com o menino Camacho! “Penas que se não sabem, não se sentem elas, ora, pois”. Ainda és verdinha demais para os amores e dores – ao que Maria de Tourém acrescentou – Com este rapaz, que planta lenços de seda, mas faz as raparigas colherem rosas de estopa, sempre haverás de ter... nem saibas o quê! – e a Zefa completou – Mais dores, menos amores!

 

Esse facto fez com que, durante vários dias, Aurora ficasse temerosa de expor suas faces à janela e ser reconhecida pelas ciganas briguentas ou, até mesmo, por quem mais habitasse ao casarão em frente.

 

fim-de-post

 

 

 

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