12 anos
Sábado, 31 de Dezembro de 2016

Ocasionais

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UMA IDEIA «BRILHANTE» NUM «CHÃO» PEJADO DE INCONGRUÊNCIAS

 

Não pensem as leitoras e os leitores que estamos sempre no «contra» ou somos movidos por qualquer ideia persecutória seja para quem for ou de qualquer outra cor que seja. Muito pelo contrário. O que nos move é o desejarmos um concelho e uma cidade à altura dos pergaminhos da sua história. Porque é nossa. Porque a escolhemos para nela vivermos. Porque verdadeiramente a amamos.

 

Foi, por isso, com verdadeiro espanto, que vimos uma série de imagens da nossa cidade, engalanada de colorido, em época natalícia, nas redes sociais.

 

Sentimos que, quer nas imagens, quer nos escritos postados, havia renascido, finalmente, o verdadeiro orgulho de ser transmontano e flaviense. Afinal de contas - que diabo! -, não é só o futebol que levanta a nossa moral e o nosso «ego».

 

Foi, positivamente, uma ideia brilhante e inovadora, nesta quadra natalícia, decorar e iluminar os nossos monumentos e edifícios públicos.

 

Por isso, também como tantos flavienses, apesar do frio à noite, em dias de inverno soalheiro, saímos do conforto do nosso sofá e, máquina em punho, ao acaso, deambulámos pela cidade à cata do que nesta época em Chaves brilhava.

 

Começámos pela Torre de Menagem.

 

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E gostámos da sua iluminação simples e minimalista.

 

Torneámos as traseiras do Museu da Região Flaviense e, de caras para a «Casa do Povo», sede do poder de todos nós, o que vimos também nos encheu a vista.

 

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Aqui ficámos apenas com um uma pequenina areia no sapato e um pouco pensativos, olhando para a estátua fronteiriça ao edifício, sede do Poder Municipal. Parece-nos que o «nosso» conde aparentava certa tristeza. Porventura gostaria de partilhar tanto brilho, não ficando tanto na sombra...

 

Mais em baixo, o conjunto das duas igreja, quer a da Matriz,

 

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quer a da Santa Casa da Misericórdia, em ano de Comemoração dos 500 anos de existência da sua instituição, ajudam a criar um excelente conjunto, numa das praças mais emblemáticas da nossa cidade.

 

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Mas, caras leitoras e leitores, se da iluminação deste conjunto da Praça de Camões (vulgo, do Município) gostamos da novidade com que este ano nos presentearam, em boa verdade, não podemos calar o choque que sentimos com a total incongruência no tratamento final de todo este espaço.

 

Expliquemo-nos.

 

Uma iluminação natalícia é, por natureza, feita para encanto e contemplação dos espaços públicos, monumentos e edifícios de uma cidade. Contemplação e encanto que atraem, não só os seus residentes como quem nos visita e aqui vem fazer estadia ou fazer compras. Se, repete-se, por natureza assim é, como é que se explica aquela monstruosa estrutura «gelada» ali postada, ocupando praticamente toda a Praça? Que prazer e contemplação aqui se pode usufruir do conjunto com aquele mastodonte ali colocado? Não estaria melhor situado em cima da estrutura do Balneário Romano, no Largo do Arrabalde? Ao menos, ali, as crianças, e os seus paizinhos, podiam-se divertir também, usufruindo de animados banhos turcos, nesta época fria, com os vapores das águas termais, a custo zero...

 

Ao dobrar a Praça de Camões, lágrimas de tristeza, vindas da Torre de Menagem do antigo Castelo, caem sobre as antigas dependências do Paço dos Duques de Bragança - o atual Museu da Região Flaviense - chorando por ninguém se lembrar dele. É pena, pois bem o merecia!...

 

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Quanto ao resto, ficou tudo às escuras. A Capela da Santa Cabeça, parece, já deixou de ter cabeça para pensar que existe e o típico casario, que emoldura a Praça, a julgar pela «iniciativa», pensamos encontrar-se já despovoado, porquanto não entrou nesta «partilha», nesta «festa».

 

Entrámos na Praça da República. E vimos tudo quase às escuras, negro. Também não admira. Preside-a o Pelourinho que a «engalana» e, entre outras coisas, o mesmo simboliza a morte. E o Dia de Fiéis Defuntos já faz tempo que passou.

 

Descemos a rua da Trindade. De fronte aparece-nos, graciosamente iluminada, a Biblioteca Municipal.

 

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À sua frente, o espaço do histórico e emblemático Jardim das Freiras - um dos maiores centros de convívio dos flavienses -, por artes mágicas, nesta época do ano, desapareceu.

 

Não admira, pois, que o antigo Liceu Fernão de Magalhães, os edifícios dos Correios e a agência da Caixa Geral de Depósitos, bem como o comércio confinante, não quisesse partilhar nas «despesas» desta encenação inútil, sem sentido e sem o mínimo de encanto.

 

Descemos, tristes, sob a simples e intensa, mas equilibrada iluminação da rua de Santo António até ao Largo do Arrabalde.

 

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É aqui que reside também um verdadeiro coração de Chaves. Não podia, assim, faltar iluminação natalícia.

 

Antes, impunha-se, neste conjunto, o edifício do Palácio da Justiça - obra do Estado Novo, dirigido por mentalidades velhas, ditatoriais, governando-nos com punhos de ferro, pondo a vida de muitos portugueses a ferro e fogo. Mas lá se ia impondo... Hoje o representante da Justiça apresenta-se envergonhado, mal se mostra já, ofuscado pelo poder imperial da Praça de Camões que, a todo o custo, e a qualquer preço, nos querem impor o «poder romano». Não fora a iluminação natalícia, à noite, pouco se impõe o símbolo da Justiça em Chaves.

 

Mas, da estilização da Árvore de Natal, gostamos.

 

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Bem podia estar noutro sítio, que nós bem cá sabemos! Mas, não querendo sermos bota-abaixo, nem tão pouco má-língua, vá lá, ali até nem fica mal.

 

Do Presépio, aqui colocado, independentemente do gosto de cada um, uma coisa foi acertada: não consta a vaquinha e o burrinho, que todos nós sabemos que até são incómodos quanto a cheiros. E esteve bem avisado quem assim decidiu tirar estas imagens míticas deste Presépio. É que o Bom Menino Jesus aqui não precisa destes úteis animais, nem tão pouco das palhinhas, para nada: os simples vapores das águas das termas romanas, que Lhe estão por debaixo, são por si suficientes para O manterem sempre quentinho!...

 

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Não percebemos é por que não entraram nesta «festa», e neste conjunto, o célebre edifício das «Escadas do Largo dos Pasmados», antiga e outrora prestigiada instituição bancária da nossa praça e os edifícios que lhe estão confinantes, ou nas proximidades, como a antiga Casa de Saúde do Dr. Alcino, bem assim o Café Geraldes. Falta de lembrança ou de sensibilidade dos seus atuais proprietários? Talvez seja a crise. Que não toca a todos da mesma maneira!...

 

Entrámos na Ponte Romana, o nosso ex-libris ou, como alguns escrevinhadores do nosso sítio gostam de lhe chamar - «a nossa top model».

 

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Não apresenta uma iluminação de autêntica «passerelle». Mas a que tem fica-lhe bem. Pena que as suas zonas adjacentes não participem com brio para lhe dar mais brilho! Quanto a este assunto já repisámos o suficiente noutra ocasião e, em dias de festa, não devemos ser mais chatos. Festa é festa!

 

Atravessamos a Ponte e entrámos na Madalena.

 

A única rua da Madalena que entra verdadeira e dignamente nesta «festa» tem uma cor que me agrada. Para um antigo residente desta zona, a cor não lhe fica mal, pese embora saber que nem todos estão de acordo connosco. Compreendemos e aceitamos, pois é a vida...

 

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Sabemos que a Igreja Matriz da Madalena, embora uma excelente obra de arte, está muito confinada, com uma posição muito acanhada, que lhe tira toda a visão do seu esplendor. Torna-se difícil dar-lhe mais visibilidade e brilho. Paciência. Em boa hora se lembraram dela e muito bem.

 

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Cremos que a nossa conversa já vai longa.

 

Nosso desejo, para o ano que vem, é que haja mais novas e inovadoras ideias para abrilhantar esta tão linda e histórica cidade. Com novas mentalidades. Que saibam dar valor ao «chão» que pisamos. Sabendo bem planear e cuidar do espaço público, que é de todos nós. Com verdadeiro espírito democrático. E no uso de uma gestão verdadeiramente culta e participada.

 

São estes os nossos Votos, nesta Quadra, para todos os flavienses.

 

Feliz Ano 2017

 

António Tâmara Júnior

 

 

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Sexta-feira, 30 de Dezembro de 2016

Dias de névoa...

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Todos os flavienses sabem que de vez em quando a cidade fica mergulhada em nevoeiro, dia e noite. Nevoeiro que vai prolongando o seu manto pelas terras mais baixas, entrando na Galiza e prolongando-se até terras de Vidago e todo o vale da Ribeira de Oura, pelo menos. E se pessoalmente até gosto destes dias, também sabe bem subir à croa das serras e montes para apreciar o manto de nevoeiro aos nossos pés, tal como aconteceu ontem ao nascer do sol.

 

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E já que estávamos ao sol, aproveitámos o dia para ter o sol por inteiro e, ao longo do dia ter até temperaturas primaveris, Claro que também lá em cima ao nascer do sol o manto branco serve-se na forma de geada, mas com sol.

 

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Geada que nos quer fazer parecer estar a testar a resistência daqueles e daquelas sobre quem cai e se apega, e testa mesmo, pois os e as mais frágeis não lhe resistem, mas como é da natureza que se fala, falamos também da lei natural da vida onde nós, quase sempre meros apreciadores, vamos apreciando, mesmo que o frio às vezes chegue a doer.

 

E caso hoje e no fim de semana que se aproxima o nevoeiro teime em manter-se, fica a sugestão: Suba à croa das  serras e dos montes que a curta viagem vai compensá-los.   

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Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2016

Palavras colhidas do vento...

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Resta pouco para mudar de calendário, assim que o mais indicado por estes dias é fazer um breve balanço do que foi este ano, daquilo que a meu ver foi relevante, sem, no entanto, ser exaustivo.

 

Começo por casa e logo em Janeiro mudámos de Presidente da República. Embora tenha votado noutra candidatura, reconhece-se que o Professor Marcelo Rebelo de Sousa tem desempenhado o cargo de forma inteligente, o que não é propriamente novidade, e com grande apreço e popularidade. Arejou o Palácio de Belém dos ares insalubres que o anterior presidente deixara e já que falei nele, difícil seria, quem lhe sucedesse não fazer melhor.

 

A “geringonça” ou seja o XXI Governo Constitucional – será pouco provável que os portugueses a ele se refiram ou venham a conhecer pelo nome legítimo –, continua entre o mar proceloso que a oposição diz que navega, e o refúgio ocasional, mas até ao momento confiado, dos partidos que o apoiam no parlamento. Na batalha inglória e habitual dos números da governação travada entre apoiantes do governo e a oposição, salva-se … alguma esperança. Esperança numa vida melhor e que os muitos que foram obrigados a abandonar o país, regressem.

 

Quanto ao resto… futebol!

Com resultados sofridos e sem mostrarmos o melhor futebol, finalmente conseguimos o que antes apenas alcançáramos a nível de clubes ou individualmente por atletas… o título europeu por selecções.

 

E aqui neste cantinho de Trás-os-Montes, a almejada promoção do Desportivo ao primeiro escalão do futebol nacional.

E se dúvidas houvessem se é nesta competição que o Desportivo deve estar e permanecer, reproduzo as palavras finais de Carlos Tê, na crónica que escreveu sobre o último jogo que o Chaves disputou este ano, no Estádio do Dragão, contra o F. C. do Porto, a quem, também e nesta época desportiva eliminara da Taça de Portugal:

Com a devida vénia:

-“Outra palavra para o Chaves, que arrastou mil adeptos ao Dragão numa segunda-feira. É obra. O Chaves é uma promessa inestimável de vitalidade da liga portuguesa.”

 

Saindo agora de casa… a barbárie parece instalar-se definitivamente.

Mata-se desalmada e indiscriminadamente na Síria, Iraque e Afeganistão…

Na Europa, sucedem-se os atentados terroristas… Bruxelas, Nice e Berlim.

 

A ONU criada com os mesmos objectivos da Sociedade das Nações, ambas criadas no fim de duas grandes guerras mundiais, e precisamente para obstar a novas conflagrações, dá mostras de fragilidade e ineficácia a que não são estranhos novos e velhos sonhos hegemónicos de alguns Estados.

 

As preocupações com o ambiente e apesar dos tratados e das conferências internacionais são postergadas por interesses empresariais… como sempre.

 

A União Europeia é uma casa que apresenta “brexits”… onde “se ralha e ninguém tem razão” e já são muitos os que pensam que na sua forma actual não corresponde aos anseios dos inspiradores. As políticas de alguns Estados-membros sobre emigração, refugiados, são sintomas da “desunião” reinante.

 

Somem a tudo isto, sismos, tufões, quedas de aeronaves, desastres naturais e mecânicos… e temos suficientes razões, para dizer, como Jacinto Lucas Pires, que: “ O mundo está doido. Chanfrado, passado, completamente transtornado. Ou, se não está, imita bem de mais.”

 

Ah…!

Neste esfarrapado balanço, falta dizer que na minha rua morreu atropelado o “Pintas”, o cão que gostava de fígado em cebolada…

 

Mário Esteves

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Quarta-feira, 28 de Dezembro de 2016

Cidade de Chaves com poldras, rio e neblina

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Uma imagem do ser flaviense...

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:55
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Cartas ao Comendador

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Meu caro Comendador (5)

 

 

Mantenho a ideia em mim do renascer e digo-lhe isto como se lhe desse uma notícia porque manter uma ideia é, no meu caso, uma notícia! As ideias vivem em mim como as ondas do mar: vêm e vão, vão e vêm! E sabendo nós que a água nunca é a mesma ou na realidade não o sabendo, a diferença entre essas duas coisas é nenhuma: vão e vêm, vêm e vão! Não sei se voltam! Talvez não voltem! E foi com isto que eu hoje acordei de manhã. Não bem com isso, mas antes o se isso é bom ou mau! É bom se for mau e é mau se for bom! Ou seja, só temos pena do que não regressa a nós, quando isso nos fez bem. Até aqui, o raciocínio ainda me parece lógico, mas depois penso: que critério é que eu utilizo, de que me sirvo ou a que recorro para achar que uma situação me fez bem? Porque na altura, quando a tinha, era feliz? E eu nessa altura sabia disso, tinha essa consciência ou vivia pateticamente com uma gargalhada fácil pensando que era o dono do circo? E se, por causa de eu ter tido essa sensação boa, é a razão de eu me sentir hoje mal pela ausência dela, posso considerar que me fez bem? Ai vale a pena o sofrimento só porque traz qualquer coisa boa à mistura?

 

É então melhor não sentir nada que sofrer? É por algumas pessoas saberem e praticarem isso, que são felizes? Como é que alguém pode ser feliz assim?!

 

Mas não era nada disto que hoje lhe queria dizer! Sim, é isso mesmo, para além disto há outra coisa que lhe quero dizer.

 

Há um sentimento em alguns de nós, ao menos parece haver, de lidar mal com o que está bem! Não me peça isso, não lhe sei explicar melhor! Sei apenas que se assim não fosse, ficaríamos quietos quando as coisas já estão bem! Mas parece que não nos basta. Há uma consciência inexplicável do insaciável que nos faz continuar quando seria normal parar! Como é que eu lhe hei-de transmitir este sentimento quase irracional! A lógica seria, ou era, parar quando fosse atingido um estado de consentimento, de mútuo acordo, de entendimento entre as partes, de satisfação, de equilíbrio, de paz! Mas isso não nos basta. Alguns de nós e não somos assim tão poucos, queremos mais do que isso, queremos que a nossa verdade que é uma coisa que não existe, seja aceite por todos!

 

Que necessidade é essa? Tivemos alguém na nossa vida dominador, prepotente, autoritário e queremos agora, na idade adulta, vingar o que não nos foi possível nessa altura afirmar, escolher, decidir, fazer valer, ser reconhecido como uma opinião diferente, mas, ainda assim, válida? Mas nós sabemos que ter agora a consciência dessa ausência de carácter na altura certa ou própria, não desfaz o que não foi feito, não desdiz o que não foi dito, o que foi calado ou engolido a seco! Será que queremos desta forma compensar hoje a falta de determinação da altura impondo-a, agora que a temos, a pessoas, coitadas delas, que não têm culpa nenhuma dos idiotas que então fomos? Queremos, por juramento interior, cumprir fora do tempo com aquilo que tinha um prazo próprio porque entretanto crescemos e hoje já somos capazes de dizer coisas a que na altura não nos atrevíamos? Mas que importa isso agora? O presente é outro, o futuro já não existe com a mesma esperança e o passado tem um peso enorme do qual não nos conseguimos de forma alguma libertar ou meramente aliviar! Estamos a tempo de corrigir os erros cometidos, de minimizar o impacto que eles tiveram na nossa vida, de diluir as consequências que eles provocaram no normal evoluir da nossa identidade e personalidade, de facilitar o nosso relacionamento com pessoas de que gostamos, mas com as quais não temos a menor afinidade? Porque é que queremos coisas impossíveis?

 

Uma coisa é gostar de poesia, outra, completamente diferente, é acreditar que podemos ser felizes se a praticarmos! Que idade é que nós temos? Pronto, fiz a pergunta que não deve ser feita e, chegado aqui, faço a que não pode ser feita: quem é que nós pensamos que somos?

 

Sempre o maldito ego a achar que é mais do que nós, que pode existir e viver sozinho sem qualquer sustento! Um dia, chegará certamente esse dia, vamos poder dizer-lhe: enquanto dependeres de mim e viveres sob o mesmo tecto, vais ter de me obedecer, caso contrário fazes as malas e vais viver para outro lado e às tuas custas!

 

A pior adolescência, e da qual somos a vítima número um, é a do subconsciente. Maldita seja! O senhor lembra-se dessa fase? Foi-lhe penosa ou pô-la simplesmente fora de casa?

 

Um abraço deste seu, sempre grato,

José Francisco

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:21
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Terça-feira, 27 de Dezembro de 2016

A cidade de Chaves e as suas varandas

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:42
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Chaves D'Aurora

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  1. NOVOS TEMPOS.

 

Alguns anos depois, bafejado pelos novos ares de mudança da República e ainda a funcionar em um prédio ao Largo do Anjo, o Liceu de Chaves tornara-se um estabelecimento de ensino misto. Algumas raparigas já lá estavam a estudar, ao lado dos rapazes, entre os quais Afonso e Alfredinho, os filhos de João Reis. Entretanto, naqueles primeiros anos do século XX e naquelas paragens, perdidas por trás das montanhas, o patriarca mostrava-se totalmente avesso a qualquer mudança de hábitos pessoais e de costumes da sociedade tradicional. No concernente às meninas, umas já adolescentes como Aurita e Aldenora, outras a se pôr, como Aurélia e Arminda, Reis considerava que a sua excelente situação financeira poderia proporcionar as condições necessárias para que elas desfrutassem, àquela altura, do que de melhor houvesse para as jovens flavienses de boa origem familiar.

 

Na falta de um colégio religioso local que João Reis, face ao exigido por seus cuidados paternos, considerasse estar ao topo do Everest, a educação das raparigas era feita por lecionistas em domicílio. Tais explicadores levavam até à Quinta o que havia de melhor na prosa original de Alexandre Dumas, na boa sintaxe da língua camoniana e nas sonatas de um belo e afinado piano. Além das aulas básicas para o aprimoramento da língua pátria, exigia-se a leitura constante de bons autores portugueses (ou seja, aqueles cuja obra fizesse jus ao Imprimatur da Igreja, por não constarem do Índex de proibições do Vaticano). Tudo isso era um grande privilégio das meninas Bernardes, àquela época, pois segundo o Censo de 1911, em Portugal, cerca de 95% das mulheres com mais de 10 anos de idade eram analfabetas.

 

As lições especiais de etiqueta social, moral e cívica eram transmitidas pela mais rigorosa dos lecionistas, a sisuda (e ossuda) Mademoiselle Margot des Saints, que vinha ministrar às meninas as belas regras de postura e elegância, junto com as normas da Religião e do bom comportamento moral em sociedade. Corpo feito um espigão de milho e afinadíssima voz de gralha, tinha sempre as mãos plenas de vigor para o uso da palmatória.

 

Mademoiselle parecia estar sempre a se deliciar, de um modo especial e pervertido, com esse medieval instrumento de tortura, quando se punha a aplicar dolorosas palmadas às pupilas, com uma indesejável frequência para as vítimas, embora aquilo tudo fosse mais de efeito moral do que físico. Parecia mesmo arfar de prazer em ver aquelas mãozinhas se tornarem púrpura viva, apenas por uma simples colher de prata que fosse erguida sem a devida elegância, ou uma taça para água trocada pela de vinho. Divertia-se mais ainda com as lágrimas revoltadas da pequena Arminda, a mais nova e atarantada do clã familiar.

 

Certa vez, ainda que não o revelasse par finesse, Des Saints ficou muito ressentida com o senhor João Reis, por este não permitir que Aldenora mostrasse os seus dons de declamadora nata, a um sarau no Liceu. O programa, além dos brilhantes poetas e contumazes declamadores, tinha uma parte musical primorosa: “Danae”, de Breuskine; “Célèbre Minuette”, de Boccherini; “Pétite Fleur”, de Telam; “Rêverie”, de Botekini e mais “As Ceifeiras” e o “Fado-serenata”, estes últimos de autoria do senhor doutor Alfredo de Morais, cantados por um grupo de alunos e alunas do colégio.

 

Esforçara-se para explicar em vão que, além do pequeno concerto musical, seria ainda mais divertido para os miúdos assistirem a uma parte dramática, em que se levariam as comédias “Uma anedota” e “À procura d’um emprego”. Os Bernardes, todavia, não compareceram. No pódio literário, onde deveria brilhar a menina Aldenora, os aplausos foram para “a precoce miúda Beactriz Monteiro, que recitou – em Francês! – uma poesia de sua própria lavra, ‘Le courveau et le renard’ “.

 

João Reis também levou alguma tristeza a dona Clementina Bó de Sá, insigne pianista e mestra do teclado. A digna senhora convidou Aurora, que estava a se relacionar muito bem com as partituras, a participar do concerto anual que dona Bó fazia levar ao Cineteatro Flaviense, para mostrar os dotes musicais de suas discípulas. Mais uma vez, o patriarca não deu a sua devida permissão.

 

Ainda resíduo do século XIX, mas um procedimento fundamental para a época, essa educação fazia da loura Aurora e da morena Aldenora, além da singular beleza de ambas, com os seus corpos delgados e belos portes, os mais invejáveis exemplos de raparigas bem instruídas, educadas para a arte de bem casar. Guardadas, no entanto, por milhões de olhos severos de Papá, que pareciam multiplicar-se por toda parte nos recantos da Quinta; escondidas e interditadas por ele da vida social flaviense; tudo isso e mais alguns migalhos dificultavam saber, de facto, quem, onde e quando elas iriam encontrar, em Trás-os-Montes, os noivos tão sonhados, se até os aniversários de qualquer um da família eram festejados somente entre as pessoas da casa, com um e outro raro convidado.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:37
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Segunda-feira, 26 de Dezembro de 2016

Quem conta um ponto...

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321 - Pérolas e diamantes: a política e o diabo ou o diabo da política

 

Um ditado atribuído a Konrad Adenauer diz que “não se deita fora a água suja enquanto não se tiver água limpa”. Mas estou em crer que preservá-la depois de se ter água limpa ali mesmo à mão de semear é teimosia desnecessária.

 

Svetlana Alexievich conta que os tajiques de Kulob matavam os de Pamir e os tajiques de Pamir matavam os de Kulob. Depois juntavam-se na praça a gritar e a rezar. Intrigada, perguntou aos anciãos a razão de tal desvario. Afinal, protestavam contra quem? Responderam: “Contra o parlamento. Disseram-nos que é um homem muito mau, o parlamento.” Depois a praça ficou deserta e começaram a disparar.

 

Isto passou-se lá para o Leste. Mas por aqui a desgraça pode vir a ser a mesma. Os números, esses ingratos, dizem que os cidadãos estão cada vez mais afastados da política. E à medida que a idade desce, esse desinteresse aumenta. Um em cada quatro jovens não quer, pura e simplesmente, saber de política.

 

As pessoas estão afastadas dos políticos que os têm representado desde sempre. Qualquer dia também por cá o parlamento vai passar a ser conhecido como um senhor muito mau.

 

Uma coisa é evidente: existe pouca, ou nenhuma, reflexão política sobre como devemos enquadrar os jovens.

 

Por enquanto, os jovens não são despolitizados, não estão é interessados na política dominante. Daí as vitórias surpreendentes do Syriza, na Grécia, ou do Movimento 5 Estrelas, em Itália.

 

O triunfo de Berlusconi, Beppe Grillo e Trump representa a espetacularização da política. Boaventura Sousa Santos considera que tudo isso se fica a dever ao facto de a ideologia ter sido substituída por uma sociedade mediática.

 

Os cidadãos deixaram de acreditar nos partidos, na sua capacidade de conseguirem resolver os problemas concretos das pessoas. O politólogo Carlos Jalali defende que “não existe um alheamento da política”. Há, isso sim, “um alheamento das elites políticas” que resulta “de uma insatisfação com as opções partidárias e uma descrença com as políticas públicas”.

 

Depois lá está o dinheiro. Para o economista ultracatólico João Cesar das Neves, “os portugueses nascem convencidos de que todos os seus males se devem aos políticos ou aos ricos, em especial aos banqueiros. (…) Nunca podemos esquecer que vivem da boa vontade dos seus eleitores ou clientes.”

 

Talvez por conhecer os fariseus que conspurcam o Templo, o Papa Francisco veio pôr os pontos nos is: “O maior inimigo da Igreja é o dinheiro. (…) Santo Inácio ensina-nos: a riqueza começa a corromper a alma; depois é a vaidade – as bolas de sabão, com uma vida vaidosa, a aparência, a boa figura… Por fim, a soberba e o orgulho. Daqui derivam todos os pecados.”

 

O líder parlamentar do PS, Carlos César, vai em busca do Tentador disfarçado de dirigente partidário. Para ele é Passos Coelho, pois “parece tomado pelo diabo e não há exorcista, ou candidato a exorcista, seja ele Luís Montenegro, Santana Lopes ou Rui Rio, que lhe explique que não pode atacar toda a gente, (…) só porque o país está melhor.”

 

É caso para dizer, quem não quer ser mafarrico não lhe deve vestir a pele. O cronista João Pereira Coutinho avisa a navegação à vista do PSD: “Se esta semana ensinou alguma coisa a Passos Coelho foi a não fazer oposição com profecias. Até porque esperar que o diabo apareça é não conhecer as manhas do mafarrico.”

 

O ministro-adjunto Eduardo Cabrita veio porém evidenciar que talvez esteja possuído por alguma alma transviada, pois decidiu desresponsabilizar todos os autarcas das decisões financeiras que tomam. As eleições autárquicas estão aí à porta e por isso convém evitar alguns danos colaterais. 

 

Existe ainda uma outra elite que também tem a sua cota parte de responsabilidade na gestão da coisa pública. Estou a referir-me ao meio literário português; pois quase todo ele se alimenta da proximidade ao poder. Não podemos esquecer que um dos seus mais legítimos representantes foi até secretário de Estado do governo de PPC. Para bem da sua alma, ainda se arrependeu a tempo. O Padre Fontes deve tê-lo exorcizado.

 

O crítico e escritor João Pedro George, autor da biografia do ex-primeiro-ministro Mota Pinto, conhece bem as celebridades. Em entrevista referiu que uma das idiossincrasias do nosso meio literário é aceitar com grande dificuldade a crítica frontal, confundindo-a com maledicência, que não é o seu caso, “pois a maledicência é feita nas costas” e o João diz as coisas na frente. “É um meio profundamente hipócrita” – sublinha –, “pois à boca pequena dizem pessimamente uns dos outros e, depois, quando se ligam os microfones e os holofotes, são todos maravilhosos”.

 

  1. Rentes de Carvalho, até porque está radicado lá fora, escreveu que “na Holanda vive-se sem necessidade de pedir favores, meter cunhas, pagar luvas. (…) Portugal dói-me. Outras vezes envergonha-me, enraivece-me, faz-me desesperar”.

 

Quem nos avisa nosso amigo é.

 

Também a mim me deu a mesma vontade de Hillary Clinton, de se “enrolar no sofá com um bom livro e nunca mais sair de casa”. 

 

Coitado do Obama. Que a melanina o não confunda.

 João Madureira

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Sábado, 24 de Dezembro de 2016

Feliz Natal

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:38
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" ... SATURNIDADE!"

 

O Natal é mais que o momento da Consoada, Ceia de Natal; mais do que a “Missa do Galo”, mais do que o “Almoço do Dia 25 de Dezembro”!

 

É!

 

Hoje!

 

Mas ainda não vai assim há tanto tempo que o NATAL era a excitação da miudagem, começada com a ida ao monte para escolher e cortar a melhor galha de pinheiro, para ser colocada pertinho da chaminé; e com a apanha do musgo, para conforto do burro e da vaca, dos cordeirinhos, dos «Reis Magos», da Maria e do José, e da manjedoura onde repousaria o “Menino Jesus”; e a trabalheira das mães, das avós, das tias e das primas, no Dia 24 de Dezembro, a prepararem as filhoses, a ‘letria, as rabanadas e os bolinhos de bacalhau; a lareira; os potes com água ao lume; as couves, as batatas, o polvo, o bacalhau … e a raba!

 

Da «Mercearia» já tinha chegado o «RAPA»!

 

E as pinhas do pinheiro-manso ali estavam guardadinhas, dentro de uma das cestas da lenha.

 

O ar fresco do frio Inverno espalhava pelas ruas da Aldeia em desafio ao paladar … e ao apetite, mesmo dos mais fartos!

 

Aa meio da tarde e ao cair da noite, uma filhó pequenina, um pedacinho de rabanada acertada, ou uma panela da ‘letria mais uma colher para a raspar já eram uma rica promessa do que iria ser, para a criançada, o regalo e a alegria da Noite de Consoada!

 

A soca, a bota, o sapato já lá estavam bem colocados, que é como quem diz: com a boca bem aberta para que o “Menino Jesus” metesse lá, com toda a pontaria, a prendinha de Natal!

 

Nesse dia, nessa noite, a alegria enchia por igual as casas e os corações dos pobres e dos ricos: a figura e a forma da Família ganhavam, neste Dia, nessa Noite, a sua expressão mais firme de unidade!

 

Ainda não vai assim há tanto tempo que o NATAL era assim!

 

D’hora a hora Deus melhora!

 

Ou transforma!

 

Ou transtorna!

 

E o «progresso» trouxe milagres!

 

A vida dos «filhos de Deus» passou a ser mais colorida, mais farta!

 

… Ou abundante?!

 

E, da Lapónia, lá dos confins do Círculo Polar Ártico, um simpático e vigoroso “Velhote” «laparoto» veio por aí a baixo, a tocar campainhas e a guiar parelhas de renas, deu um piparote no “Menino Jesus”, fechou a porta da corte (na Palestina, na freguesia de Belém, dizia-se «gruta») à vaca e ao burro, e mandou-os pastar; deixou lá dentro a Maria e o José, reduzindo-os à insignificância dos insignificantes presentes que arranjavam para o “Menino Jesus” meter na soca, na bota e no sapato; e, em vez de descer pelas chaminés, anda, desde o fim do Dia dos Fiéis Defuntos, a distribuir balões … e vales de compras, às portas dos comércios, nas entradas dos «Shoppings», nos corredores dos Centros Comerciais, e a convidar os mais pequerruchinhos a fazerem perrice para tirar uma fotografia (pelo preço de, pelo menos, uma notita de cinco €uros!) com ele, “Velhote”, auto-intitulado “Pai Natal”!

 

É esquisito como é que um “Velhote”, barrigudo, com barbas tão compridas que só a longevidade consente, tem tanta energia para se manter “Pai Natal” e não “Bisavô Natal”!

 

E, na Noite de Consoada, para mostrar ser mais «porreiro» que o afamado “Menino Jesus”, não espera pelo despertar do sono da criançada na manhãzinha do Dia de Natal: depois da Ceia e de uma conversa digestiva, ei-lo que bate à porta de casa, troando um “oh! Oh! Oh!” capaz de sacolejar a Ponte Romana de Chaves, e tilintando uma sineta do tamanho de um dedal, em sinal de aviso da chegada das prendinhas!

 

Hoje, o carteiro já não entrega telegramas nem Postais de “Boas-Festas”!

 

Os «sms’s» e os «e-mails» saem (aparentemente) mais baratos e chegam sempre no momento oportuno.

 

Nos montes, ramos de pinheiro deixam cair, chorando, gotas de orvalho ou de geada derretida, por ora serem preteridos por gigantescas árvores de plástico, ‘inda por cima, enfeitadas com mil adornos coloridos e luminosos, quando eles, ramos de “pinheirinho de Natal”, só a luz da lareira … ou da candeia concedia algum brilho!

 

Valha-nos S. Nicolau!

 

M., Vinte de Dezembro de 2016

Luís Henrique Fernandes

 

 

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Pedra de Toque

pedra de toque copy.jpg

 

O SORRISO DAS CRIANÇAS

 

Os antepassados, ainda que por momentos, vêm sempre à minha ceia de Natal.

 

Viajam nas asas do menino Jesus ou nos trenós do Pai Natal.

 

Entram na nossa memória e depois diluem-se na alegria dos filhos e sobretudo nas gargalhadas e na euforia dos netos, que olham ansiosos para os embrulhos das prendas.

 

A reunião à volta da mesa já dura pouco mais que o repasto. A televisão veio estragar, veio intrometer-se no convívio das famílias, nas conversas que tantas vezes se prolongavam até à hora da missa do galo.

 

Vai-se mantendo contudo, ainda que de forma mais restrita, a ementa alusiva à época.

 

O bolo-rei e o polvo são reis na mesa bem como a doçaria tradicional. Ai as minhas filhós de jerimum…

 

No fim as crianças, ávidas, abrem os embrulhos e rejubilam com os presentes.

 

Os adultos, por vezes, também são brindados.

 

Eu este ano tive uma prenda muito especial, que ficará para sempre gravada na minha lembrança.

 

Quiçá os deuses, mas sobretudo, os médicos, enfermeiros e auxiliares dos cuidados intensivos e intermédios do Hospital de São João, com extrema competência, simpatia, desvelo e carinho “ressuscitaram-me” um ente muito querido e ofertaram-me a mais gostosa prenda de Natal que tive em toda a minha vida.

 

Para eles o mais perene agradecimento.

 

Para esquecer as agruras e a saudade dos que me cuidam lá de muito longe… neste Natal também estará o sorriso dos meus netos.

 

Que melhores prendas eu podia ter?!

António Roque

 

 

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Sexta-feira, 23 de Dezembro de 2016

Discursos Sobre a Cidade

GIL

 

AS MANHAS DO CITOTE

 

Abel Apolinário era Citote no tribunal da comarca.

 

Nascido em finais do século XIX, nos corgos do Brunheiro, assentou praça no 19 quando fez vinte primaveras. Rude como as fragas que o pariram, não lhe poderia ter calhado melhor sorte. O serviço militar trouxe-o à cidade e abriu-lhe as portas a um mundo novo. Foi o rei da mandingança, no velho quartel do castelo.

 

Do Brunheiro vinha afeito a carolos de centeio ressesso e a caldo de tresontonte, sem pingue e, por conseguinte, não era biqueiro! No quartel, rancho e casqueiro era comida de lorde!..

 

Aprendeu a ler e a escrever na Escola Regimental e, por isso, foi graduado em Soldado Arvorado. A necessidade fê-lo guitcho e a mobilização para a Grande Guerra foi a melhor desgraça que lhe poderia ter acontecido. Sorteado para França, em Agosto de 1917, de onde pensava não regressar vivo, partiu, à pata, com os demais, numa madrugada, carregado como um ouriço-cacheiro para Mirandela, a fim de apanhar o comboio para Bragança e mobilizar com o 30.

 

Daí a três dias embarcou, no Cais de Alcântara, rumo a Brest, na segunda semana de setembro. Durante os três dias e as três noites da viagem, a bordo do navio Inglês Flavia, cuidou de morrer de tanto vomitar.

 

Malvada Biscaia que o ia tchimpando!

 

Entre lixo, mulas e machos, pulgas e percevejos e muito sofrimento, chegou a Brest mais morto do que vivo. E foi uma sorte ter lá chegado, porque muitas vezes teve de meter cortiças ao peito pela ameaça de ir ao fundo à conta dos submarinos alemães.

 

Depois foram mais três dias de comboio até à Flandres, onde comeu o pão que o diabo amassou!

 

Passou muita fome e muito frio.

 

Andou dias e dias ensopado.

 

Foi pasto de pulgas, piolhos e carrapatos.

 

Escornou camones e franceses.

 

Limpou o sebo sei lá a quantos boches, por quem tinha um ódio figadal fabricado pela propaganda de guerra.

 

Organizou patrulhas de combate, de reconhecimento e de escuta.

 

Atirou birilaites (very lights) sem conta.

 

Esfourou-se todo a cortar prego!

 

Rilhou arame farpado e excomungou a Terra de Ninguém, a que os camaradas chamavam Avenida Afonso Costa.

 

Cantarolou o Fado do Cavanço, nas noites de luar, para esconjurar o medo!

 

Comeu latas e latas de corneed-beef e bebeu o chá das cinco, feito com a água quente do cano de arrefecimento da Luísa. Mas nunca lhe chaldrou! Antes queria batatas e couves regadas com um fiozito de azeite e um copo de tinto. Chá era para as senhoras e para os pandeleiros dos beefs, como ele dizia!

 

Desviou muito feijão vermelho, batatas e pencas das quintarolas dos paisanos.

 

Assobiou às donzelas francesas, mas não foi capaz de conquistar o coração de nenhuma, apesar de dominar o patoi como poucos.

 

Arreganhou os dentes dos escoceses a quem chamava mademoiselles de tranché.

 

Visitou por diversas vezes o Drapeau Blanc em Merville pelas buscates. Era o único consolo que lhe restava naquela guerra excomungada. Nem sequer pensava no risco de uma sífilis que o tolhesse. Teve sorte, nem sífilis nem gonorreia. Não havia bitcho que o penetrasse!

 

O roulement punha-o seis dias nas linhas da frente e outros tantos na retaguarda. No front, entrincheirado, resistia à fúria da metralha, à doença, ao medo, ao frio e à fome. Na retaguarda, para esquecer, embebedava-se nos Estaminets!

 

Mas, aquela maldita madrugada de 9 de abril ia sendo a sua derradeira!

 

Escapou por obra e graça da Virgem Maria de quem era aturado devoto.

 

Integrado na célebre Brigada do Minho, no 8 de Braga, caiu prisioneiro dos alemães pelas 6 da manhã de 9 de abril de 1918. Engrunhadinho numa cova de morteiro, semienterrado na lama, viu chegar um boxe rude que lhe encostou a baioneta ao peito dizendo:

 

Hund, werden sie trinken kaffee nach Deutschland!

 

Não percebeu nada, nem lhe interessou perceber! Aquelas palavras foram a sua salvação! Levantou as mãos, tão alto quanto pôde e rendeu-se:

 

Sui bom prisionére, sui bom prisionére, salve moi good boxe!

 

Andou três dias e três noites a enterrar alemães mortos nessa Batalha de La Lys. Depois foi com mais 6 500 camaradas para a Citadelle de Lille, onde ficou três dias a pão (pouco) e água. Dali partiu para Friedrischsfeld de onde o separaram dos oficiais e o mandaram por diversos campos ao longo do vasto império alemão.

 

Sobreviveu à miséria dos campos de prisioneiros, à raiva dos alemães e às baionetas das Mausers. Mas da fome, negra, não se livrou, pese embora a misericórdia dos prisioneiros franceses que lhe davam a sopa de beterraba que não comiam.

 

A Grande Guerra acabou a 11 de novembro de 1918 e ele regressou à nação pátria apenas em fevereiro de 1919, escanzelado!

 

As peripécias da guerra e do cativeiro marcá-lo-iam ainda mais do que o próprio gás mostarda dos alemães.

 

Fixou residência em Chaves e não mais quis saber da aldeia que o viu nascer. Visitava-a apenas em dias de festa e para receber a paga dos favores que fazia. Casou e arranjou emprego no tribunal da comarca como Oficial de Justiça ou de Diligências como alguns, poucos, sabiam dizer. Para a maioria era o Abel Citote e para outros, os mais marotos, simplesmente o Piçote!

 

Um ótimo emprego aquele e ainda para mais num lugar tão importante. Uma ocupação em que chegava a ganhar, por fora, mais do dobro do seu salário!

 

Dada a iliteracia do povo, a complexidade e o temor dos assuntos da justiça, qualquer amigo, ou conhecido que se enrolasse no tribunal passava, invariavelmente, pelo Piçote. Do favor prestado saía com as mãos bens untadas, mesmo quando nem uma palha mexia!

 

Tinha a tenda bem armada o sacripanta!

 

Por tal, gozava de grande prestígio junto dos conterrâneos planálticos. Quando ia pela aldeia, os vizinhos até se engaliavam para que aceitasse um copo e uma lisca de presunto nas suas adegas!

 

Ora, o Ti Gregório Floriano tinha uma desavença antiga com o vizinho Higino Catrapisca, por causa de uma passagem para umas leiras de cultivo. O Gregório era proprietário de uma touça encravada entre a estrada nacional e a cortinha do Higino que fora herdada de seu sogro. O Catrapisca, para poupar caminho, quando queria aceder à propriedade, atalhava por uma rodeira que atravessava a touça a meio. Gregório, reclamava o direito do seu uso exclusivo e queria privá-lo da dita passagem. Aquele ateimava, reclamando a servidão de passagem.

 

Não havia maneira de se entenderem!

 

O assunto vinha-se arrastando há anos e pelos arrufos crescentes, adivinha-se que pudesse acabar mal! O Higino era das felpas do diabo. Todos o temiam. Andava quase sempre armado e metido em zaragatas. Já tinha, inclusivamente, estado preso por esmoucar os de Loivos na festa do Fernandinho! Por isso, o Gregório, cortava-lhas e então começou a ponderar recorrer ao tribunal para lhe tirar pela justiça o que não se atrevia a tirar-lhe de outra forma.

 

Mas como é que o havia de fazer?

 

Teria, certamente, de recorrer aos serviços de um advogado.

 

Consultou o Dr. Fagundes Seitouras que depois de ouvir o caso o esclareceu de que se tratava de um direito de servidão e como tal o Higino, uma vez que não tinha alternativa para acesso à cortinha, o poderia fazer através da touça. Mas que se ele quisesse, que ainda assim, meteria o caso em tribunal e deixaria que fosse o juiz a decidir. Pagou a consulta e pediu-lhe alguns dias para pensar.

 

Foi almoçar à casa de pasto do Horácio no Tabolado, onde era cliente habitual. Por sorte, ou azar, cruzou-se com o Apolinário no repasto. Conhecido de longa data, Abel convidou-o para a sua mesa e mandou vir uma bacalhoada que o Gregório fez questão de pagar! Depois de uma conversa de ocasião sobre o tempo e as sementeiras, entre umas azeitonas quartilhadas de Brunhais e meio quartilho para fazer boquinha, veio à liça a questão da passagem.

 

Que não se fintasse na treta do Fagundes que apelidou de grande bigairista! Ele mesmo lhe arranjaria um bom advogado com a garantia de que o caso se resolveria a seu favor. Para o efeito mexeria os cordelinhos no tribunal!

 

Feito com o Dr. Donzílio Carrapiço, prontificou-se a marcar-lhe uma consulta para dar andamento ao processo. Que viesse no dia de feira falar com o tal, que tudo se haveria de ajeitar.

 

Assim foi!

 

No dia aprazado lá estava Gregório no escritório do Carrapiço. Marcaram uma visita ao local. Donzílio observou a propriedade de um lado e do outro, analisou caminhos e carreiros alternativos, escrevinhou breves notas e botou a sentença: Que tinha toda a razão! Higino não tinha nada que passar pela sua propriedade, uma vez que havia outras hipóteses de acesso. Contudo avisou que a causa não lhe ficaria muito barata, uma vez que se tratava de um processo complexo e de muitos custos. Cinco contos de reis em aceitando a sua intermediação!

 

Gregório, fazendo fé nas garantias do Citote, aceitou.

 

Claro que a ida do avogado à aldeia não passou despercebida ao Higino, que logo tratou de dar os passos necessários para contrariar o que o outro pudesse estar a congeminar. Aproveitou uma feira e consultou o amigo Piçote. Que tinha toda a razão. Cabia-lhe o direito a passar pela touça do Gregório sim senhor e este não o poderia impedir com base no direito de servidão. Ele próprio manobraria os cordelinhos no tribunal para que a decisão lhe fosse favorável. Mas que consultasse um advogado amigo que lhe trataria das papeladas e em conta. Que fosse ao Dr. Adérito Acúrcio e que dissesse que ia da sua parte!

 

Assim fez!

 

Que sim que tinha toda a razão e que facilmente ganharia a questão, mas que lhe custaria cinco contos de réis.

 

Aceitou!

 

O caso deu entrada no tribunal mas demorou a ser resolvido. Passados meses o juiz decidiu-se pelo tal direito de servidão e deu razão ao Higino.

 

Gregório ficou possesso e foi pedir contas ao Piçote. Raposa matreira, atirou com o fardo para a incompetência do Carrapiço.

 

— Um bigairista esse Donzílio! Nada sabe de leis e anda a enganar meio mundo. Não ganha uma questão o filho da puta! Eu só lho indiquei porque o caso era muito fácil e ele leva barato, além do mais eu tinha a coisa mais ou menos controlada no tribunal, mas correu mal. O bandalho meteu a pata na poça defendendo que havia alternativas de passagem, quando de facto, pelos vistos, só ele é que as viu! Mas deixe estar que o filho de uma cadela sarnenta não há de comer mais ovos que eu ponha! E quanto à passagem, amigo Gregório, deixe lá o Higino passar pela rodeira, ao fim e ao cabo pouco prejuízo lhe dá, assobalha-lhe apenas gestas e tojos!..

 

Como de facto, o Gregório nunca tinha pensado que o prejuízo daquela passagem era, afinal, ínfimo e, além do mais, não era tão frequente quanto isso!..

 

Que se fodesse o Higino e mais os cinco contos!

 

Mais valia a paz entre os vizinhos do que todas as giestas e tojos do mundo!

 

 

— Ó Ti Apolinário vamos, mas é, comer umas alheiras com grelos ao Horácio que hoje quem paga sou eu! (mal ele sabia com que dinheirinho!).

 

Gil Santos

 

 

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Quinta-feira, 22 de Dezembro de 2016

Flavienses por outras terras

Banner Flavienses por outras terras

 

Amélia Pessoa

 

Nesta crónica do espaço “Flavienses por outras terras” vamos até à Suíça, um país do tamanho de metade de Portugal, mas onde coexistem 4 línguas oficiais (o Alemão, o Francês, o Italiano e o Romanche) e que sempre nos habituamos a associar a chocolates, relógios e bancos…

 

É lá que vamos encontrar a Amélia Pessoa.

 

Mapa Google + foto - Amélia Pessoa.png

 

Onde nasceu, concretamente?

Nasci em Vilar D'Ouro, no concelho de Mirandela, mas com 5 anos fui viver para Chaves.

 

Nos tempos de estudante, em Chaves, que escolas frequentou?

Frequentei a Escola Primário do Caneiro, a Escola Nadir Afonso e a Escola Secundário Fernão de Magalhães.

 

Em que ano e por que motivo saiu de Chaves?

Saí de Chaves em 1992 para ir estudar para a Faculdade de Letras da Universidade do Porto.

 

Em que locais já viveu ou trabalhou?

Já vivi no Porto, em Espinho, em Vila Nova de Gaia, em Lospalos (Timor - Leste), em Alvalade do Sado e atualmente divido-me entre a Suíça e Portugal.

 

Diga-nos duas recordações dos tempos passados em Chaves:

É impossível escolher apenas duas... Os maravilhosos tempos de estudante, os momentos passados com o Grupo de Jovens da Paróquia da Madalena, os simples passeios pela cidade em família ou com os amigos, o Grupo Coral, entre outros.

 

Proponha duas sugestões para um turista de visita a Chaves:

Visitar o Centro Histórico, viajando no tempo, e deliciar-se com a excelente gastronomia e a simpatia dos flavienses.

 

Estando longe de Chaves, do que é que sente mais saudades?

Imensas…da família, dos amigos, das gentes, dos cheiros, das ruas, das termas, do rio, do nevoeiro de inverno, das noites quentes de verão, da simplicidade do dia-a-dia…

 

Com que frequência regressa a Chaves?

Regresso com regularidade. Este ano um pouco menos, por questões profissionais, mas em média, uma vez por mês.

 

Gostaria de voltar para Chaves para viver?

Adoraria! Quem sabe um dia...

 

Lago de Géronde.jpg

Lago de Géronde

Sierre.jpg

Sierre

 

O espaço “Flavienses por outras terras” é feito por todos aqueles que um dia deixaram a sua cidade para prosseguir vida noutras terras, mas que não esqueceram as suas raízes.

 

Se está interessado em apresentar o seu testemunho ou contar a sua história envie um e-mail para flavienses@outlook.pt e será contactado.

 

Rostos até Amélia.png

 

 

Todos os rostos

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 20:11
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Palavras colhidas do vento...

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Isto de escrever no solstício de inverno é tarefa assaz difícil pelo menos para mim, dadas as peculiaridades destes dias, tanto mais que nasci três dias depois do solstício de verão.

 

No caso, além das fortes geadas que caíram desde a segunda-feira, invadem-me os espíritos da natureza, principalmente da floresta, bons e maus e é uma luta devastadora que me faz refugiar numa perturbação mística, céltica, diria, que apenas uma boa ceia de tortulhos – por certo ainda não os provei – faria levantar o ânimo e dar a paz necessária para debitar algumas linhas de prosa e com algum jeito.

 

Assim estou a escrever na manhã de hoje, quinta-feira, quando supostamente o que escrevo já deveria estar publicado. E acompanhado das vozes maviosas das crianças de São Ildefonso a cantarem os números e prémios do “el Gordo”, a lotaria daqui ao lado, talvez um dos maiores cimentos que une os povos do Estado Espanhol. Catalães, bascos e galegos afastam por momentos a reivindicação independentista e unem-se aos castelhanos, asturianos, cântabros, navarros, aragoneses, estremenhos e andaluzes, escutando o rodar dos tambores e na esperança jubilosa que lhes toque “el gordo”. Estou certo que o amigo Manolo Ferreiro, Manolito para os mais íntimos, não deixou de ter uma participação das muitas que, por todos os lados, comércios, bares e cafés colocam à disposição dos clientes e amigos.

 

E por falar no Manolito – não pensem que o diminutivo carinhoso corresponde à altura ou à idade, é mais velho do que eu e imponente, embora o último se deva mais ao ventre, no que também já comparto com ele… – tive a grata surpresa de poder partilhar mesa e toalha com ele no início desta semana. E claro, entre conversas habituais de quem não se vê há muito, saber deste e daquele, acabámos por cair na nostalgia de tempos idos.

 

Entristeceu-me saber do falecimento da Aurita, sua irmã e mais ou menos de minha idade, muitas vezes meu par nas festas de Feces e a quem o nome correspondia à pessoa, pela simpatia, optimismo e alegria que irradiava.

 

Também me alegrou saber que os filhos estão bem, dois licenciados em direito, um deles, o Ruben, que padecia de doença celíaca, é professor universitário em Lisboa.

 

E como sempre, o eterno humor do Manolito, que conservou numa vida cheia e aventurosa na raia e longe dela… quando me telefonou já eu tinha iniciado o almoço. Estava a comer massa de vitela estufada. A empregada veio à nossa mesa perguntar-lhe o que desejava almoçar. Respondeu que ia comer o mesmo, mas, se não lhe podia servir apenas … “massa”.

 

Acabara de comer dois pratos de sopa, quando a empregada veio levantar a mesa, disse-lhe:

- “Pois… não estava nada boa, esta sopa.”

 

E pronto está aviada a crónica desta semana.

 

Certamente não esperavam que falasse sobre as iluminações natalícias da cidade… mormente se já sopram os ventos das eleições autárquicas. Na verdade apenas se ilumina o que tem pouca ou nenhuma luz… e esta cidade necessita de muita luz e brilho.

 

Por último… Boas Festas!

 

Mário Esteves

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 16:18
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Quarta-feira, 21 de Dezembro de 2016

Regressos - Madalena, Chaves

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Ao longo das nossas vidas há muita coisa que vamos esquecendo, mas os nossos tempos de criança e juventude, enfim a adolescência, essa, guardamo-la sempre num cantinho especial da memória.

 

1600-(44899)

 

Mas mesmo que bem guardada na memória e para todo o sempre e sem qualquer razão em especial, quando tenho oportunidade volto a esses lugares por onde deixei espalhada a minha adolescência.

 

1600-(44712)

 

Mas para que esses regressos sejam possíveis, os lugares têm de existir ainda com a sua integridade, aquela com que a conheci. Claro que não espero encontrar tudo como era, mas pelo menos regressar a um lugar onde mantenha as suas principais características e virtudes, regressar a um lugar onde não me sinta estranho. Felizmente a Madalena mantém a sua integridade. Ainda bem que resistiu à modernidade desenfreada, mas não só, ainda bem que tem uma veiga que a protegeu, como pôde…

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 13:00
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