12 anos
Sexta-feira, 31 de Março de 2017

Cidade de Chaves, uma imagem para levar de fim-de-semana

1600-(47098)

 

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 02:35
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Quinta-feira, 30 de Março de 2017

Exposição Coletiva de Fotografia em Verín - Inaugura hoje

cartaz.jpg

 

Inaugura hoje, às 18H00 PT, 19H00 ES, na Sala de Exposições de Verín, uma exposição coletiva de fotografia,  com três fotografos do lado de cá da raia (flavienses) e quatro do lado de lá (Verín). Ao todo sete fotógrafos com olhares sobre a mesma realidade - o mundo rural.

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 15:57
link do post | comentar | favorito (1)
|  O que é?
Quarta-feira, 29 de Março de 2017

Cartas ao Comendador

cartas-comenda

 

Meu caro Comendador (18)

 

O que mais lamento nos outros é serem quem são, quando podiam ser outros! E embora o senhor me não faça a pergunta porque sabe a resposta, pode haver quem pergunte se eu me não ponho essa questão em relação a mim! E, podendo ser não, não constitui isto arrogância nenhuma a meu ver, porque no meu caso estou consciente disso e mantenho-me assim por decisão própria. Ainda que ela tenha muito de involuntário, tem também muito de racional.

 

Respondo-me contudo à eventual pergunta: quem poderia eu ser em vez de mim ou no meu lugar? Talvez alguém diferente, mas nunca ninguém melhor! Conheço os riscos desta afirmação, as consequências, as implicações, as contrariedades, e não vejo nenhum aspecto nisso que acrescente ou justifique o mudar de personalidade. Sinceramente acho que seria capaz, se a isso me dispusesse. O senhor sabe desta minha facilidade em criar personagens de pura ficção, de construir um boneco coerente, credível, aceitável por maioria e perfeitamente adaptado aos valores da nossa sociedade, fazendo-o até parecer real! Sabe também que não me custaria rigorosamente nada fazer dele um herói, um líder, uma mascote, um exemplo a seguir, uma referência. Sabe ainda que sustentaria, se fosse meu propósito, essa imagem ao longo do tempo sem qualquer dificuldade, posto que consigo fazer parecer através de uma imagem o que um artista se propõe fazer passar numa das suas obras de arte. No caso do ser humano é ainda mais simples, basta dar corda ao boneco! Sim, tem absoluta razão, trata-se de um jogo do qual conheço as regras, a forma de as contornar, de as superar, de as fazer parecer o que eu decido que quero que elas pareçam. E, não tenho para isso necessidade de fazer qualquer legenda, porque sei construir à volta disso uma história que verdadeiramente a justifique e a faça perpetuar ao longo dos tempos! Mas, não quero nada disso! Quero o contrário disso!

 

O que me atrai é a autenticidade, o ser genuíno, ainda que isso só me traga complicações em termos sociais:

 

“Não diga isso, não seja assim...”

 

Pergunto-me se as pessoas têm a noção do papel ridículo que nesse contexto desempenham! É honesto pedirem-nos para sermos diferentes do que somos? Se fossemos fazer o jeito a todos os que nos querem como diferentes do que somos, seriamos marionetas nas mãos dos outros! É então isso que nos pedem? É disso que gostam? As pessoas gostam é delas e como não têm coragem de o assumir, porque é relativamente chato olhar para o espelho e perguntar se “existe alguém mais belo do que eu?”, pedem aos outros para serem diferentes, iguais ou semelhantes a elas, para que depois lhes seja relativamente fácil dizer: “Eu amo-te!”

 

E é isto que eu lamento, que as pessoas tenham esta tendência de castração para tudo o que lhes é alheio, diferente ou se calhar superior! Ora aí está! Sem querer, encontrámos talvez a verdadeira razão disso ser: não conseguimos lidar com o que nos aparece como desconhecido e que de forma inconsciente apelidamos de inferior a nós, porque a arrogância e as limitações que temos, só nos permitem saber lidar com o que já conhecemos e que por isso dominamos!

 

Ao contrário, o senhor sabia, mas não conseguiu! Um dia confessou-me, e isto em si é pontual, que há mais de trinta anos o não dizia a ninguém! Na altura fiquei, confesso-lho hoje, mal surpreendido porque interpretei o facto como uma enorme dificuldade da sua parte em manifestar sentimentos e isto para mim era e é uma limitação do ser humano com que eu lido mal! Percebo hoje que o motivo é este de que aqui lhe falo! Sabia reconhecer nos outros, em certos níveis ou aspectos, uma superioridade em relação a si e nunca mo explicou porque achava que eu o percebia! Pois não foi verdade, assustei-me até com essa afirmação parecendo-me na altura que teria um coração de pedra a funcionar artificialmente, por oposição ao cérebro que me parecia humano! Hoje sinto-me ridículo por ter pensado isso!

 

O senhor acha que eu me contradigo?

 

Um abraço do

José  Francisco

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 00:53
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Terça-feira, 28 de Março de 2017

Chaves D'Aurora

1600-chavesdaurora

 

  1. MOSCAS E MOSQUITOS.

 

Apesar de morar tão próximo de Hernando, Aurora passou muito tempo sem vê-lo. Como acontece quando se espanta uma incómoda mosca, mas o inseto persiste em voejar em torno do incomodado, assim estava a menina a tentar nunca mais pensar nele. Esse mosquito maroto, no entanto e por diversas vezes, vinha que lhe vinha pousar à lembrança ou, até mesmo, materializar-se em carne, osso e sedução. Tal ocorreu a um entardecer, em que ela estava a passear com os familiares, por entre as alamedas do Jardim Público.

 

 Era véspera do feriado em que se iam comemorar cinco anos da vitória dos republicanos, contra a incursão monárquica em Chaves. O florido parque, construído entre as margens do Tâmega e a Avenida Dom João I, na Madalena, relativamente próximo à Quinta Grão Pará, ainda hoje é um belo e bucólico recanto. Naquele tempo, aos fins de semana, Reis tinha o costume de levar a família a passear, para usufruir, nos dias soalheiros, do excelente passeio pela fresca das brisas que as árvores proporcionavam.

 

Nessa noite de 7 de Julho de 1917, o Jardim Público apresentava-se ornamentado com uma profusa iluminação elétrica, para fazer jus a um festival de grandes atrações: concerto de canto coral com alunos da Liga Flaviense; queimação de vistosos fogos-de-artifício, pelos mais hábeis pirotécnicos da localidade; um grupo de “gentis damas da sociedade de Chaves” a vender sortes, no recinto de um bazar organizado às proximidades do coreto e cujas rendas, incluindo o aluguel de cadeiras, seriam revertidas em favor da subscrição nacional pelas vítimas da guerra e suas famílias órfãs. Haveria também a distribuição do bodo (roupas e alimentos) aos pobres.

 

 

coreto.JPG

Jardim Público de Chaves. Coreto. (PT). Foto de Raimundo Alberto (2010).

 

Máxime seria o Hino Nacional cantado pelos praças da Cavalaria 6 e da Infantaria 19, juntamente com a admirável Banda dessa Infantaria, a qual, como já o fazia habitualmente, iria tocar lindas peças musicais: “O Barbeiro de Sevilha”, Ouverture, de Rossini; “Madame Butterfly”, de Puccini; “Segredo do Rajá”, de P. Ribeiro; “Regresso a Chaves”, de O. Douvens; “Tanauser”, opereta, seleção, de Wagner; “Cantares da Aldeia”, de B. da Costa e outros melódicos manjares, dentre os quais algumas mazurcas e zarzuelas.

 

Comentava-se elogiosamente que, com a nova iluminação do Jardim, os integrantes da Banda podiam agora ler melhor as partituras, sem a deficiente luz elétrica anterior, pois, às vezes, aquela chegava a interferir no desempenho das mãos ou da boca dos músicos. Até então, muitas vezes, tornava-se bem difícil aos olhos destes conseguir, com exatidão, descobrir o que se estava a enxergar nos pentagramas. Já não bastassem os pequenos insetos, que teimavam em pousar sobre as partituras e se confundirem com as notas da composição! Disso tudo, resultavam desafinações eventuais, nada agradáveis e eufónicas aos ouvidos do público, menos ainda aos componentes da Banda. Para os músicos, realmente, isso era constrangedor.

 

fim-de-post

 

 

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 00:07
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Segunda-feira, 27 de Março de 2017

Quem conta um ponto...

avatar-1ponto

 

335 - Pérolas e diamantes: Só os burros…

 

Confesso que as entrevistas já me começam a aborrecer um bocadinho. Algumas são tão enfadonhas que dão sono logo na primeira resposta. Outras prolongam o enfado e o sofrimento até à segunda pergunta. Existem porém outras que se podem ler até ao fim. Mesmo que, por vezes, nos provoquem um abrir de boca lá pelo meio, que nós disfarçamos para podermos continuar a lê-la sem problemas de consciência ou de pudor.

 

Foi o caso da entrevista de António Barreto ao Sol. A mim avivou-me a memória, o que desde já lhe agradeço. De facto, a nossa entrada no século XXI tem sido um bocado dura. Sobre o futuro, o tempo o dirá. Mas o século passado foi um horror. E dos grandes. Foi o pior século de todos, mesmo parecendo o contrário.

 

Do ponto de vista das realizações positivas podemos lembrar a paz e a riqueza, a penicilina, a aspirina, a esferográfica, a televisão, os computadores e os telemóveis. Mas o século XX ficará na História como o século onde se desenrolaram as piores guerras da Humanidade, onde houve o maior número de mortos e torturas da Humanidade. Execuções sumárias, campos de concentração, prisões em massa, intolerâncias inimagináveis, comunismo, fascismo e nazismo.

 

Pelo menos numa coisa Mário Soares teve razão: o comunismo é o grande embuste da História.

 

Mas deixemos falar António Barreto: de tudo aquilo que o comunismo prometeu, nada realizou. “Nem o internacionalismo, nem a paz, nem a igualdade, nem o progresso científico e tecnológico, nem a democracia. Tudo isso, o comunismo destruiu. E o comunismo tem no século XX tantas responsabilidades ou mais que o nazismo… o comunismo foi uma das grandes chagas do século XX.”

 

Para não nos ficarmos só pelos pareceres vagos das palavras, passemos aos números. Na União Soviética, o comunismo foi responsável por cerca de 45 milhões de mortos. Na China o número ficou-se pelos 35 milhões. Já para não falar do vergonhoso tratado feito entre a União Soviética e a Alemanha nazi que deu de barato dois anos para Hitler invadir a Europa e incendiar o mundo.

 

Como não podia deixar de ser, os entrevistadores conduziram o entrevistado para os caminhos de confronto com o seu antigo partido. O PS acha que António Barreto é agora um bocado de direita. Ele responde que os socialistas “terão feito mais arranjinhos com a direita” do que ele. “Com a direita política, com a direita económica, com a direita financeira, com a direita cultural…”

 

E dá exemplos: tudo o que aconteceu na economia e na banca. “Houve uma grande promiscuidade entre os interesses económicos e políticos de alguma direita e de alguma esquerda do PS.”

 

Daí nasceu a “peste negra que é o BES e a família Espírito Santo”. Que coincidiu com uma “espécie de praga, a praga Sócrates. Faz lembrar uma praga bíblica”.

 

Ele há cada coincidência. É como a crença na existência das bruxas.

 

“Tudo o que correu mal em Portugal acaba sempre por pôr em realce a ligação entre o BES e o PS de Sócrates.”

 

António Barreto interroga-se, como nós nos interrogamos, de como é possível que exista um buraco de seis mil milhões na CGD, de quatro ou cinco mil milhões no BES, de três ou quatro mil milhões no BPN e ninguém saiba de nada. “Não há culpados nisto tudo? Não há ladrões?”

 

De facto, “a democracia portuguesa está penhorada e cativa por causa da economia e do sistema financeiro”.

 

Se dos processos do BES e de Sócrates, e da CGD já agora, nada resultar de substantivo, haverá “uma espécie de afundamento definitivo da Justiça portuguesa, talvez da democracia portuguesa”. 

 

Sinto que por vezes há necessidade de sermos conservadores porque há coisas do passado que é importante guardar: certos afetos familiares, alguns valores identitários, carinho pela História e por algumas tradições. Rejeitando, no entanto, as velharias bafientas e a autoridade sem sentido, nem objetivo. Mas também existe a necessidade de ser progressista, porque o futuro é uma coisa que devemos construir em comum e em liberdade.

 

Além, disso, e como dizia Mário Soares: Só os burros é que não mudam de opinião.

 

 João Madureira

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
link do post | comentar | favorito
|  O que é?

De regresso à cidade

1600-30085-art (10)

 

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 01:11
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Domingo, 26 de Março de 2017

O Barroso aqui tão perto... Sezelhe

1600-sezelhe (85)

montalegre (549)

 

Hoje em “O Barroso aqui tão perto” tocou a sorte a Sezelhe ou Seselhe, não sabemos bem, pois o topónimo da aldeia aparece grafada de ambas as formas e embora o mais comum seja Sezelhe com z, no sítio da freguesia e no livro Montalegre aparece o seguinte: “Os documentos conhecidos não autorizam a grafia deste topónimo com z como por aí se vê escrever”.

 

1600-sezelhe (18)

 

Mas antes de irmos mais a fundo a esta coisa do Z ou S de Sez(s)elhe, façamos uma breve abordagem pessoal à aldeia ou redondezas, pois uma coisa é passar na estrada com a aldeia ao lado ou estar na albufeira com a aldeia lá em cima e outra coisa é entrar na sua intimidade.

 

1600-sezelhe (103)

 

Pois passar na estrada ou usufruir do parque de lazer da albufeira, já há muitos anos que o fazemos, penso que a primeira vez que fui por aqueles lados foi em meados dos anos setenta, à procura de uma nascente que prometiam curar os “cravos” que uma das minhas primas montalegrenses  tinha nos dedos. Fiquei sem saber se a nascente era assim tão milagrosa, mas a verdade é que deu para nunca esquecer o local.

 

1600-sezelhe (71)

 

Pois sejamos sinceros, passei à beirinha de Sezelhe muitas vezes mas os nossos destinos nunca permitiram que entrasse na aldeia, isto aconteceu até dezembro passado em que um dos destinos era mesmo entrar em Sezelhe, conhecer a aldeia, trocar uma palavras com os residentes (cada vez mais difícil porque cada vez são mais difíceis de encontrar) e fazer a recolha fotográfica para este post.

 

1600-sezelhe-37-art (8)

 

E com Sezelhe aconteceu o que vai acontecendo com outras aldeias que lhe vamos passando ao lado sem entrar nelas. Uma coisa é deitar-lhes um olhar ligeiro desde a estrada ou vê-las ao longe, e outra coisa é a sua intimidade, e se às vezes a aldeia ao longe promete para quando entramos nela encontrarmos outra realidade, outras vezes ao longe quase nem damos por ela e quando lá chegamos a aldeia surpreende-nos a cada passo que adentramos nela. Pois Sezelhe surpreendeu-nos pela positiva na sua integridade física de aldeia barrosã.

 

1600-sezelhe (64)

 

Pessoalmente destaco o cruzeiro integrado num bebedouro no centro da aldeia, a igreja, as alminhas/rochedo na entrada da aldeia, o conjunto do casario típico transmontano/barrosão e os canastros, isto na aldeia. Desde a aldeia, sem dúvida alguma que destaco as vistas sobre o conjunto da veiga do Cávado a terminar na vila de Montalegre com o Larouco de fundo, embora ao lado. Nota positiva para a aldeia, mas com um lamento, o lamento do costume de as aldeias estarem sem vida humana que lhes alegre as ruas, as esquinas, as casas, os largos e tudo que têm de bom.  

 

1600-sezelhe (35)

 

E agora regressemos à questão do S ou Z de Sez(s)elhe. Pois quanto a esta de Sezelhe com z ou Seselhe com s, desde já para não estar sempre a escrever o topónimo da aldeia de ambas as formas, passaremos a grafar o topónimo com z, pois é o mais comum.

 

1600-sezelhe (63)

 

Mas antes vamos ao que se diz a respeito de Sezelhe, aldeia e ex-freguesia autónoma, agora pertencente à União de Freguesias de Sezelhe e Covelães, no sítio oficial Município de Montalegre na WEB (os sublinhados são meus):   

 

1600-sezelhe (28)

 

“ União das Freguesias de Seselhe e Covelães

 

Ambos os lugares desta freguesia foram sede de freguesia, porém anexas a Santa Maria de Montalegre. Todos os edifícios de ambas as localidades estão construídos entre os novecentos e os mil metros de atitude. Como o resto do concelho são terras de produção agro-pecuária, de largos montes de caça e de boas manchas de arvoredo para madeira e lenhas. Os documentos conhecidos não autorizam a grafia deste topónimo com z como por aí se vê escrever. (…)

 

  • Área: 22.8 km2
  • Densidade Populacional:1 hab/km2
  • População Presente:254
  • Orago:Santo André(Sezelhe), Santa Maria(Covelães)
  • Pontos Turísticos:Torre do Boi (Travassos), Barragem do Alto-Cávado(Sezelhe), Moinhos, Espigueiros com relógio de sol, Pisão com engenho hidráulico (Paredes) e Relógio de Sol (Covelães),  .
  • Lugares da Freguesia(4):Travassos, Seselhe, Covelães e Paredes do Rio.
  • Morada:União de Freguesias de Seselhe e Covelães, Rua da Costa do Vale, n.º 2, Travassos do Rio,5470-472 Sezelhe - Montalegre.”

 

1600-sezelhe (56)

 

Atenção que os dados que ficam atrás (área, população, etc) são dados da União das Freguesias de Sezelhe e Covelães. Mas voltemos ao topónimo de Sezelhe com Z e Seselhe com S, se repararem nos sublinhados, no primeiro diz que os documentos conhecidos não autorizam a grafia com z, mas logo da primeira vez que a seguir a aldeia é referida, onde diz  “Orago: Santo André (Sezelhe)” a aldeia é grafada com o tal z não autorizado. Como costuma dizer o povo “ foge a boca para a verdade”, neste caso a escrita. Isto pode parecer um preciosismo meu, pois tanto nos faz que seja com S ou com Z, mas uma vez que na apresentação oficial da aldeia no sítio oficial do concelho na WEB e no livro (monografia) de Montalegre também se defende o S, penso eu que em tudo que é informação escrita e na página oficial do Município de Montalegre, deveria aparecer grafada com S, no entanto que por lá predomina é o Z, basta fazer uma pesquisa dentro da página ou no que consta nos mapas turísticos do concelho, e o Z é rei e senhor para SeZelhe.

 

1600-sezelhe-38-art (12)

 

O mesmo acontece no livro Montalegre, onde por exemplo na pág. 48 aparece “Vila da Ponte, Negrões, Meixedo, Sabuzedo, Santa Marinha, Santo André, Penedones, Antigo de Serraquinhos, Sezelhe, Travasços do Rio, Vila da Ponte, Bustelo e Parafita!” e a seguir na pág. 145 aparece: “Os documentos conhecidos não autorizam a grafia deste topónimo com z como por aí se vê escrever.” Resumindo, como costuma dizer o povo “A letra não condiz com a careta”.

 

1600-sezelhe (47)

 

E quanto à localização de Sezelhe, o que temos a dizer? – Pois é simples, já atrás dissemos que fica no vale do Rio Cávado, na sua margem direita, a jusante do Cávado/Montalegre, junto a uma das seis albufeiras de Montalegre, a do Alto Cávado, ou Sezelhe, na única estrada  (M308) que sai de Montalegre ao longo do Cávado, a aproximadamente 7 km a poente da Vila de Montalegre. Mas para ser mais exato aqui ficam as coordenadas seguida da nosso habitual localização no nosso mapa:

 Coordenadas GPS
  - DD.DDDDDº:  41.81149º  -7.874487º
  - DDº MM.MMM':  N 41° 48.689'  W 7° 52.469'
  - DDº MM' SS":  N 41° 48' 41"  W 7° 52' 28"

 

mapa-sezelhe-web.jpg

 

Nos registos paroquiais portugueses para a genealogia, a respeito de Sezelhe,  encontrámos o seguinte:

"1808

HISTÓRIA ADMINISTRATIVA/BIOGRÁFICA/FAMILIAR

Segundo a estatística parochial de 1862, Sezelhe esteve anexa à reitoria de Santa Maria da Vila de Montalegre, sendo da apresentação do reitor desta. 

Uma vez reitoria independente, esteve-lhe anexa a freguesia de São Martinho de Travancas do Rio. 

Freguesia do concelho de Montalegre composta pelos lugares de Sezelhe e Travassos. 

A paróquia de Sezelhe pertence ao arciprestado de Montalegre e à diocese de Vila Real, desde 22 de Abril de 1922. O seu orago é Santo André."

1600-sezelhe (23)

 

Num outro sítio da WEB, e respeitante à igreja da aldeia, encontrámos o seguinte:

“Este Templo religioso é o mais representativo elemento da aldeia. De planta longitudinal e de uma única nave rectangular com a torre sineira encimada do portal. Ao contrário dos outros Templos das aldeias vizinhas, este sofreu uma restauração.

E como esta aldeia não foge à regra, também sofre de quase abandono, com os seus poucos habitantes, sendo escassa a passagem de visitantes, mesmo estando situada no Parque Nacional Peneda-Gerês.

Situados no lado sul da Igreja de Sezelhe, cada um foi totalmente esculpido num único bloco de granito, apresentando um formato antropomórfico.

Medem um metro e setenta e cinco e um metro e oitenta centímetros, respectivamente, estando um deles fracturado nos pés enquanto o outro está intacto.”

 

1600-sezelhe (54)

 

Também na WEB encontrámos em notícias várias referência a um achado arqueológico que reproduzimos a seguir, contudo não encontrámos quaisquer referência as conclusões ou importância dos achados e se as escavações foram ou não concluídas. Mas fica a notícia datada de 3.jul.2016:

 

1600-sezelhe (39)

 

“Uma equipa de arqueólogos, chefiada pela barrosã Carla Cascais, acredita que estamos perante um achado arqueológico romano na aldeia de Sezelhe, concelho de Montalegre. Os indícios, descritos ao longo do tempo pelo povo, despertaram uma curiosidade agora confirmada. O próximo passo, garante a autarquia, é estudar o melhor caminho que preserve este «documento expressivo da história do concelho».

Um terreno particular agrícola da aldeia de Sezelhe, concelho de Montalegre, escondia até há poucos dias um conjunto de vestígios romanos. O povo há muito que dizia que no lugar da “horta do padre” havia mais que terra. De quando em vez, apareciam telhas diferentes. O coro de vozes subiu de tom até chegar à Câmara de Montalegre. Esta contratou uma equipa de arqueólogos, liderada por Carla Cascais, para tirar a poeira à dúvida. Bastou um primeiro contacto, confessa a arqueóloga: «Não me surpreendeu o que encontrei, porque na primeira vez vi logo que havia aqui alguma coisa que indiciava vestígios. Agora concluímos que é verdade. O próprio caminho que está junto do terreno indicia ligações com outros sítios similares, ou até maiores, como é exemplo o castro de Frades».

A cronologia arqueológica aponta para o tempo romano, explica Carla Cascais: «Logo que fiz a primeira visita ao local, confirmei que se tratavam de telhas romanas. Resolvemos fazer uma sondagem de avaliação. O facto é que os vestígios estão cá. Aparecem estruturas, alguns pisos e muros». Uma doce constatação que empolga o trabalho. Todavia, a bola está do lado de quem decide: «O próximo passo não depende de mim. Vamos ver se a autarquia pretende que se invista um pouco mais. Quando falo em investir, falo em conhecimento. A ver se podemos alargar esta escavação para tentar perceber o que realmente aqui temos».”

 

1600-sezelhe (32)

 

Nas nossas pesquisas encontrámos também a referência a alojamentos em Turismo Rural, duas casas dedicadas a esse fim: A Casa Entre-Palheiros e a Casa do Canastro. Fica apenas a referência, pois os mencionado alojamentos escaparam às nossas objetivas.

 

1600-sezelhe (93)-art

 

E para finalizar descobrimos um Ilustre Transmontano de Sezelhe, António Dias Vieira, com a referência a um livro que publico intitulado "Histórias da Breca". Trata-se da sua mais recente publicação, um conjunto de contos de humor, a maioria relacionados com a região e as vivências passadas. António Dias Vieira que consta também no Dicionário dos Mais Ilustres Transmontanos e Alto Durienses, de Barroso da Fonte,  com o seguinte texto:

 

“casado com Berta de Castro Pinto Dias Vieira, tem uma filha Ana Judite. Filho de Paulino Ernesto Fernandes Vieira e Ana Amélia Dias. Nasceu em Sezelhe Montalegre em 5 de Abril de 1944. Frequentou o seminário de Vila Real, onde concluiu o 8.° ano. Incorporado na Escola Prática de Infantaria, em Mafra, a 11 de Janeiro de 1996, ingressou como tenente na Guarda Nacional Republicana em 16 de Novembro de 1970. Comandou a Secção da GNR de Miranda do Douro de 20 de Janeiro de 1971 a 11 de Março de 1973. Chamado para o curso de Capitães embarcou para a Guiné. em 4 de Maio de 1974. onde lhe foi entregue o Comando da 3.a Companhia do Batalhão de Artilharia n.° 6523/73. Regressado da Guiné reingressou na GNR, em 4 de Dezembro de 1974. Comandou a Companhia de Santa Bárbara, a de Bragança desde 4 de Abril de 1975 a 31 de Março de 1979, a de Vila Real de 1 de Abril de 1979 a 30 de Junho de 1992. No ano lecti, o de 1987/88 frequentou no Instituto de Altos Estudos Militares o Curso para Oficiais Superior, sendo Promovido a Major em 1 de Julho de 1988 e a Tenente Coronel a 1 de Julho de 1992. Como Tenente Coronel chefiou, durante 1 ano, a Secção de Operações. Informações e Instrução da Brigada Territorial n.° 2 em Lisboa: comandou durante pouco mais de um ano o Agrupamento de Bela Vista no Porto: instalou o Agrupamento de Penafiel que Comandou até 4 de Fevereiro de 1996. Desde 5 de Fevereiro do mesmo ano exerce as funções de Segundo Comandante da Brigada Territorial n.º 4 da Guarda Nacional Republicana. no Porto. No campo militar foi louvado 4 vezes pelo General Comandante Geral da Guarda Nacional Republicana e uma vez pelo Comandante de Brigada Territorial. Condecorado com a medalha de Assiduidade de Segurança Pública; Medalha de mérito de Segurança e Medalha de Comportamento Exemplar, grau prata. No campo literário tem colaborado em vários jornais regionais. Ganhou o primeiro prémio nos Jogos Florais de Chaves em 1970 em Reportagem Regionalista, com o trabalho "A CHEGA" e o 2.° prémio nos Jogos Florais de Chaves, em 1971 em Estudo com o trabalho "Miranda Cidade histórica". Tem vários contos publicados em jornais regionais, um estudo sobre a Cabra Selvagem do Gerez e outro sobre Os Foragidos Espanhóis da Guerra Civil em Trás os Montes que mereceu do Adido Militar da Embaixada de Espanha, Tenente Coronel Pedro Ruiz Del Castilho Y Navascues o seguinte comentário: "Exmo. Sr. Tem Coronel Inf.a A.F Dias Vieira Meu caro e respeitado T. Cor: Leio no n.°3 da Revista da GNR o seu interessante artigo "A GNR e os foragido Espanhóis da Guerra Civil em Trás os Montes", e é com muita satisfação que o felicito pelo seu conteúdo e a forma de encarar e demonstrar a realidade histórica". No campo social é sócio fundador do Lions Clube de Vila Real de que foi presidente, por três vezes, tendo lhe sido atribuída, em dois anos consecutivos, a medalha de Presidente 100%. Foi ainda Presidente de Divisão do Distrito de Lion 115, durante dois anos tendo lhe sido atribuídas as medalhas de Zone Chairman e Key Member. É sócio fundador da Casa do Concelho de Montalegre, em Lisboa e fundador da Associação de Antigos Alunos do Seminário de Vila Real. É o l.° Presidente eleito da Direcção. Em 1992, foi lhe concedida a medalha de prata do Município, pela Câmara Municipal de Montalegre.”

 

1600-sezelhe (13)

 

E ficamos por aqui com as habituais referências às nossas consultas e links para as anteriores abordagens ao Barroso de Montalegre.

 

 

Sitíos na WEB

 

http://www.cm-montalegre.pt/

http://tombo.pt/f/mtr30

https://www.visitarportugal.pt/distritos/d-vila-real/c-montalegre/sezelhe

http://diarioatual.com/montalegre-achado-romano-em-sezelhe/

 

Bibliografia

 

“Montalegre” de José Dias Baptista, edição do Município de Montalegre, 2006

 

Links para anteriores abordagens ao Barroso:

 

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Amial - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ameal-1484516

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Bagulhão - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bagulhao-1469670

Bustelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bustelo-1505379

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Cervos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cervos-1473196

Cortiço - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1490249

Corva - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-corva-1499531

Donões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-donoes-1446125

Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619

Fírvidas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-firvidas-1466833

Frades do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-frades-do-1440288

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Lapela   - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

Meixide - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixide-1496229

Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-negroes-1511302

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Paio Afonso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paio-afonso-1451464

Parafita: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-parafita-1443308

Paredes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-1448799

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Pomar da Rainha - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pomar-da-1415405

Ponteira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ponteira-1481696

Roteiro para um dia de visita – 1ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104214

Roteiro para um dia de visita – 2ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104590

Roteiro para um dia de visita – 3ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105061

Roteiro para um dia de visita – 4ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105355

Roteiro para um dia de visita – 5ª paragem, ou não! - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105510

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

Tabuadela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-tabuadela-1424376

Telhado - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-telhado-1403979

Travassos da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-travassos-1418417

Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1508489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

São Ane - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-ane-1461677

São Pedro - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-pedro-1411974

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

Vilaça - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilaca-1493232

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

Xertelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-xertelo-1458784

Zebral - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-zebral-1503453

 

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 23:16
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Sábado, 25 de Março de 2017

Amoinha Velha - Chaves - Portugal

1600-amoinha-114-art (1)

 

Tal como ficou prometido no último sábado cá está a Amoinha Velha, com os três olhares da praxe - a cores, a p&b e arte digital.

 

1600-amoinha (95)

 

Amoinha Velha que faz parte do conjunto de aldeias do planalto da Serra do Brunheiro.

 

1600-amoinha (94)

 

Para a semana descemos às margens do Tâmega, à margem direita, com a aldeia de Anelhe. Até lá.

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 23:44
link do post | comentar | favorito
|  O que é?

Pedra de Toque

pedra de toque copy.jpg

 

VI-TE, UM DIA…

 

Na tua tez só o sorriso que esboçavas, irradiava.

 

Estavas sentada num banco de um jardim desflorido, poeirento e permanecias inerte às pessoas raríssimas que passavam junto a ti.

 

Gostei dos teus cabelos lisos, despenteados (uma preferência muito antiga).

 

Resolvi depois de dar umas voltas por entre a poeira e o lamaçal, sentar-me num banco algo distante do teu mas donde podia adivinhar-te os pensamentos e a inquietude que te perturbava.

 

 Seguia o teu olhar que parecia medir os troncos despidos das enormes árvores onde não cabia o teu abraço.

 

Senti tremer meu coração, enquanto a brisa esfriava.

 

Num instante cobicei a brancura do mar imenso que não estava por ali, mas tão só o rio que corria remansado.

 

Por momentos olhei-me por dentro.

 

E vi aquele jardim verde (ai verde, que te quero verde…), frondoso, florido, pasto de amores incontidos da juventude onde, o chilrear dos pássaros e a melodia das bandas, enlevavam.

 

Quando despertei vi-te já longe meneando teus cabelos compridos revoltos, seguindo elegante e distinta, para o mundo, para o sonho.

 

O entardecer aos poucos escondeu-te o vulto.

 

Fiquei triste como o breu.

 

Apeteceu-me então rezar à “Nossa Senhora das Coisas Impossíveis que acreditamos em vão…”, que por vezes faz o favor de me aturar.

                       

António Roque

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 02:20
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Sexta-feira, 24 de Março de 2017

Discursos Sobre a Cidade

GIL

 

Flatulências

 

Corria o ano de 1975. A população, em geral, andava embriagada ainda pela liberdade inesperada que abril de 74 precipitara. A população, em geral, e os alunos do Liceu Fernão de Magalhães, em particular.

 

Pese embora não ter estoirado aquilo a que pouco tempo mais tarde viria a chamar-se escola de massas, o Liceu de Chaves já abarrotava de gente que procurava a educação como trampolim para um mundo outro. Um mundo diferente do que havia vivido a geração precedente, num Estado que se dizia Novo, mas que era quase tão velho como quem o desenhou.

 

Contudo, como sempre e em todo o lado, havia quem funcionasse ao arrepio da normalidade. Muitos não se reviam naquela escola afastada da realidade social. Uma escola que, apesar de tudo, apenas respondia às expetativas de uns poucos. Pese embora saber-se que um qualquer curso superior proporcionava emprego seguro, para lhe chegar era preciso dinheiro e muita resiliência para vencer os escolhos de uma escola dura, que, muitas vezes, nada queria saber de quem a frequentava.

 

E, se muitos viam na escola o passaporte para uma vida que os seus pais não puderam ter, muito outros olhavam-na como uma arena onde se exorcizavam diabos e frustrações. Nada queriam com os livros, as sebentas, as sabatinas e a mania dos professores!

 

Da mesma forma, muito como hoje, a realidade familiar de cada aluno era muito diversa. Havia famílias instruídas que proporcionavam berços de oiro, enquanto outras nem de feno. Muitas vezes, os exemplos e as vivências de casa colidiam com as da escola provocando anomias de difícil (di)gestão.

 

Por esta altura, o Liceu de Chaves, tinha turmas levadas do diabo. Gente que fazia negra a vida de qualquer professor, por muito profissional que fosse. Depois, parece que o demo juntava os salafrários a dedo, redundando em autênticas matilhas de predação com comportamentos muitas vezes caricatos.

 

É de um deles que vos venho falar nesta pequena estória.

 

1600-(36573)

 

Em 1975, a turma xpto do 5º ano era levada do catano!

 

Havia professores que, apesar de tudo, conseguiam lidar com estes índios em relativa paz. Outros sofriam a bom sofrer. Algumas aulas eram autênticos circos romanos. Contrariados, por natureza, alguns alunos faziam das aulas um martírio contínuo e para que o tempo passasse em delírio, pintavam a manta. Enquanto pudessem faltar vai que não vai, em estando tapados obrigavam-se a trocar o roço do Tabolado pela sala de aula, o que era catastrófico!

 

No entrudo, eram os peidos chocos e as bichas de rabiar; no natal, os confetes e as serpentinas; na primavera, os grilos e as cobras de água; noutras ocasiões outras coisas variadas. O importante era que a aula fosse divertida e o professor não pudesse lecionar matéria.

 

Ora, certa ocasião, esgotadas as inovações, alguém da turma se lembrou de promover um concurso de flatulência. Arranjaram-se os patrocinadores, elaborou-se detalhadamente um regulamento, definiu-se um júri, o prazo e os prémios.

 

Seria pela segunda quinzena de maio que o concurso começou, pois lembro-me que já apareciam as primeiras cerejas na velha praça das Longras.

 

Aquilo era um foguetório de rebimba o malho, nalgumas ocasiões pior do que o do arraial de Valpaços. E tanto se soltavam os rapazes como as raparigas, pois nesta altura as turmas já eram mistas[1]. Era de toda a forma e feitio: silenciosos e inodoros, abafados e fedorentos, sonoros, fininhos, longos, curtos, altos, baixos, sei lá!.. Aquilo ia progredindo em luta renhida.

 

Era vulgar que quando o professor se virasse para o quadro alguém estourasse sussurrando:

 

Trocaide-me este por miúdos!.. — Não demorava muito que aquela nota se transformasse em moedas.

 

Isto andava a ser insuportável, até que uma professora decidiu queixar-se ao Reitor.

 

Sem saber bem o que fazer, o Reitor decidiu convocou para uma reunião a Encarregada de Educação do campeão, Antenor Barracuda, um gargalhote de maus fígados.

 

Depois de uma abordagem d’amodinho, sem que a mãe tivesse entendido patavina do introito, o Reitor lá se atirou à coisa de forma mais grave:

 

— Saiba Vª Exª que o seu Antenor se anda a portar muito mal nesta escola!

 

— Pois sim senhor Reitor, vai satchar batatas que se cose!

 

— Mas sabe a senhora, exatamente, o que o malandro anda por aqui a fazer?

 

— A apalpar o rabo às raparigas de certo! O macaco sai ao pai! Saiba bossa senhoria que o meu home era lubado do catancho, num se le escapaba um rabo de saia! Mula que se le arreganhasse!...

 

— Não, não é nada disso minha senhora, ele anda a soltar flatulências nas aulas, o que tem causado graves problemas, quer aos professores quer aos colegas!

 

Flatuquê, senhor Reitor? Quer o senhor dezer que o filho da p*** escope p’ró tchão?

 

— Nada disso, senhora, são flatos, flatos que ele solta, à tripa forra, na sala de aula!

 

— Bossemecê é que me cose, não estou a perceber nada do que me diz. Quer ber que o rapaz fala mal na escola, ou andará a mija no recreio?!

 

O Reitor, espumando de raiva, atalhou:

 

— Ó minha senhora, peida-se nas aulas!..

 

Porra, que alíbio! Pensei que era coisa pior! Peidará, peidará, deve ser das cereijas que tenho lá no quintal. Come-as quentes, o sacripanta e depois não é capaz de os arrebater! Saiba o senhor que ele faz o mesmo à mesa e o meu Antóino está sempre a dezer para o deixar cagar à bontade que também se alebeia!..

 

1600-cerejas.jpg

 

O Reitor descorçoado levantou-se e desandou, deixando a mãe a ruminar sobre a gravidade do assunto!

 

Ontem como hoje!

 

Já estou como dizia Aleixo:

 

Descreio dos que me apontam

uma sociedade sã,

isto é hoje o que foi ontem

e o que há de ser amanhã!

 

Gil Santos

 

[1]Decreto-Lei 482/72, de 28 de Novembro

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 01:28
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|  O que é?
Quinta-feira, 23 de Março de 2017

Cidade de Chaves - Forte de S. Francisco

1600-(31567)

 

De tanto passarmos pelos nossos monumentos, temos a tendência de os ignorar, às vezes nem sequer olhamos para eles, basta que estejam lá, e pronto! Mas de vez em quando convém olhar para eles como se fosse a primeira vez, com olhares de descoberta, reparando nos pormenores ou, nem que seja e só, para ver se tudo está no sítio, afinal trata-se do nosso património.

 

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 02:29
link do post | comentar | favorito
|  O que é?

Flavienses por outras terras

Banner Flavienses por outras terras

 

Filipe Silva

 

Nesta crónica do espaço “Flavienses por outras terras” vamos até ao Sudeste Asiático, mais concretamente até Timor-Leste, uma antiga colónia portuguesa que corresponde à metade oriental da ilha de Timor, no vasto arquipélago indonésio.

 

Em Díli, a capital do país, vamos encontrar o Filipe Silva.

 

Cabeçalho - Filipe Silva.png

 

 

Onde nasceu, concretamente?

Nasci em Santa Maria Maior, mas os meus pais vivem em Soutelinho da Raia (aldeia onde cresci).

 

Nos tempos de estudante, em Chaves, que escolas frequentou?

Frequentei a Escola Primária de Soutelinho da Raia, depois fui aluno da Telescola nos 5º e 6º anos, e frequentei a Escola Secundária Fernão de Magalhães.

 

Em que ano e por que motivo saiu de Chaves?

Saí de Chaves em 1993, tendo ido frequentar o Ano Propedêutico da Faculdade de Filosofia da Universidade Católica de Braga.

 

Em que locais já viveu ou trabalhou?

Soutelinho da Raia, Braga e Díli.

 

Diga-nos duas recordações dos tempos passados em Chaves:

Tenho saudades de muitas coisas que vivi na infância e com as quais, com o decorrer do tempo, fui perdendo o contacto, nomeadamente os períodos das vindimas, da matança do porco e das “cegadas” (havia sempre muita gente e muito convívio). 

Claro que também recordo com saudade os tempos do “Liceu” e os amigos que fiz nessa altura. No entanto, lembro-me especialmente dos períodos em que os emigrantes vinham passar férias à minha aldeia e o número de pessoas praticamente triplicava. Parecia que a aldeia ganhava “outra vida”…

 

Proponha duas sugestões para um turista de visita a Chaves:

Visitar as Termas e a Zona Histórica da cidade, incluindo o Castelo.

 

Estando longe de Chaves, do que é que sente mais saudades?

Da família e dos amigos.

 

Com que frequência regressa a Chaves?

Não tenho uma frequência regular e sempre que tenho ido tem sido por períodos muito curtos (3 ou 4 dias).

 

Gostaria de voltar para Chaves para viver?

Por razões profissionais, não me parece ser possível que isso se concretize. No entanto, gostaria de ter a possibilidade de “passar” mais tempo em Chaves.

 

Foto Timor.JPG

 

O espaço “Flavienses por outras terras” é feito por todos aqueles que um dia deixaram a sua cidade para prosseguir vida noutras terras, mas que não esqueceram as suas raízes.

 

Se está interessado em apresentar o seu testemunho ou contar a sua história envie um e-mail para flavienses@outlook.pt e será contactado.

 

Rostos até Filipe Silva.png

 

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 00:38
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
Quarta-feira, 22 de Março de 2017

Cartas ao Comendador

cartas-comenda

 

Meu caro Comendador (17)

 

Hoje acordei desiludido e, não fosse o ter consciência disso, não teria isto qualquer importância! Lembro-me a este respeito de um comentário seu e o senhor sabe perfeitamente em que contexto mo disse: só se vai curar quando deixar de se preocupar com o óbvio! Saiba que até hoje ainda não fui capaz! E isto decorre talvez do facto de acreditar que nada do que acontece é por acaso, rectifico, de que tudo o que acontece tem certamente uma explicação, embora nem sempre eu a conheça ou saiba sequer qual é! É esta, penso que poderei dizer, falsa esperança que me remete não raras vezes, pecaria menos se dissesse com frequência, para uma amargura que às vezes se me entranha nos ossos.

 

Explico-me melhor: finalmente alguém me disse o que eu já sabia! Agora não tenho como ignorá-lo. Enquanto a certeza foi só minha, podia chamar-lhe o que queria, bem sabe como são estas coisas do foro íntimo, a gente faz o que quer e ninguém tem de saber de nada. Conseguimos com uma facilidade extrema duvidar das certezas que temos e acreditar nas maiores mentiras, por isso mesmo, porque nos dá mais jeito! E quantas vezes vivemos assim, deliciosamente enganados até ao dia em que alguém de fora nos diz o que há muito sabemos. Ainda aqui, os nossos mecanismos de defesa operam ao limite! Se for um estranho não damos importância nenhuma, mas se for alguém por quem temos estima, consideração e respeito é o diabo, não há como fugir a isso. É por demais evidente, concordo consigo, que ainda assim inventamos desculpas como o pôr a hipótese de termos percebido mal, que não foi bem isso que a pessoa quis dizer, que talvez esteja a exagerar, que não tenha toda a informação disponível para tirar essa conclusão ou até, é verdadeiramente incrível isto, que nos estão propositadamente a enganar, para nos poupar a coisas piores!

 

É essencialmente por isto que hoje lhe escrevo! Lembra-se do dia em que isto me aconteceu pela primeira vez e o senhor me gritou dizendo: “Chega!”? Sei que já lá vão mais de trinta anos, mas nunca apaguei esse seu acto da memória porque funcionou comigo como um despertar para a vida, foi sinónimo de: Acorde!

 

À semelhança do que então se passou, precisava hoje que me fizesse o mesmo, embora desta vez a coisa tenha, não digo contornos piores posto que isso seria impossível, mas certamente mais graves! É que desta vez o problema não se resolve fazendo-me ter consciência dele! Desta vez eu quero, em consciência, depois de ter tomado consciência dele, continuar a ignorá-lo!

 

Está a perceber não está?! E escolhi escrever-lhe a si porque sei que sabe perfeitamente distinguir este sentimento daquele outro que é o de nos querermos propositadamente enganar. Com este último, o senhor já me ensinou em tempos a saber lidar, mas do que hoje lhe falo põe-me algumas dificuldades acrescidas.

 

Sem qualquer critério de eleição para referir este em primeiro lugar, coloco-me a questão da medição do ser consciente e sei perfeitamente, ao menos julgo-me disso consciente, que me estou a meter num beco sem saída.

 

Faço um parênteses literário, acabei, também consciente, de utilizar um pleonasmo pois que beco é por definição qualquer ponto sem saída e o ter-lhe acrescentado outra, é uma tentativa de usar o objetivo da hipérbole, mas em sua substituição! Falhada a tentativa de medir fisicamente em graus de adjectivos, grandezas imensuráveis, apelo a outras soluções menos objectivas, mas neste caso necessárias. O senhor sabe como me preocupa o racional!

 

Pergunto então que credibilidade terá para mim o querer? E, da mesma forma, quero medi-lo, ou seja, até que ponto eu quero?

 

Qualquer um, à excepção do senhor, estaria aqui já perdido, mas como no seu caso eu sei que me segue em pensamento, ainda que só muito raramente ele seja linear, prossigo.

 

Para medir o querer, analisá-lo ou pesá-lo eu tenho de introduzir aqui outra grandeza: o sentimento. Até que ponto eu sinto para, ainda assim ou apesar disso, querer?

 

Parece-lhe correcta esta ordem dos factos ou colocaria, se fosse o senhor a fazê-lo, a vontade à frente do sentimento, digo, antes?

 

É o que queremos que define o que sentimos ou ao contrário? Escolhendo uma das duas, é sempre da mesma forma, ou depende dos casos? E o que é que faz depender ou variar as vezes em que é uma ou outra?

 

O senhor também é um jogador! Embora nunca mo tenha expressamente dito, há coisas que não é necessário que se ponham em palavras. Sei até, um dia podemos discutir sobre isto, porque o faz. É uma das formas que tem de ensinar. Até aqui eu sei. O que já não sei e gostava de o saber, é se essa também é uma das formas que tem de aprender! Digo isto porque no meu caso, suspeito, com algum grau de confiança, que é disto que se trata e que em alguns casos esta atitude se sobrepõe à outra. Sim, dependerá essencialmente dos temas e mais das pessoas a que os temas dizem respeito.

 

Aproveito para lhe dizer o quão grato fico sempre que, desta forma elegante, o senhor me faz notar alguma imprecisão, seja ela de escrita, pronúncia, raciocínio, comportamental ou qualquer outra a que se refira. É justamente essa sua atitude que ao longo dos anos que dura a nossa amizade me fez crescer de forma livre, ainda que o senhor sempre saiba para que lado a minha sombra se inclina!

 

Dito isto, termino hoje aqui, ainda que seja improvável neste ponto fazê-lo, o senhor sabe-me desconcertante e nunca isso o incomodou, bem pelo contrário.

 

Com o abraço deste seu amigo

José Francisco

´
publicado por Fer.Ribeiro às 13:00
link do post | comentar | favorito
|  O que é?

Cidade de Chaves, um olhar com o castelo dentro

1600-(30981)

 

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 02:14
link do post | comentar | favorito
|  O que é?

Ocasionais

ocasionais

 

“De uma vez por todas!”

 

"Não há pior analfabeto que o analfabeto político.

Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.

O analfabeto político é tão burro que se orgulha de o ser e,

de peito feito, diz que detesta a política.

Não sabe, o imbecil, que da sua ignorância política

 é que nasce a prostituta, a criança abandonada

 e o pior de todos os bandidos,

que é o político vigarista, desonesto,

o corrupto e lacaio dos exploradores do povo”

– Bertolt Brecht

 

 

Vêm aí as Eleições Autárquicas de 2017.

 

OS de CHAVES, que saltitam, batem palmas, seguem em procissão e louvaminham esse «pavão de Castelões» e o seu galinheiro real, com os olhos mais tapados do que uma coluna de cimento armado, teimam em não dar conta de que em vez de honras colhem, daí, vergonhas!

 

Os Flavienses, não podem deitar fora a oportunidade de defenestrar, de correr, De uma vez por todas, com a cambada de incompetentes, medíocres e malfeitores que só têm contribuído para o atraso civilizacional, para o apoucamento e para o definhar dessa Cidade, desse Município!

 

CHAVES tem, De uma vez por todas, de deixar de ser o «Bairro Raiano» de VILA REAL, o «Ilhéu das Rolas» dos milhafres da capital do Trancão.

 

Por aí, ainda há «defensores de Chaves», gente que chegue para «levantar a cidade», recuperar o brilho e o prestígio de um território com um Passado, distante e recente, glorioso, nobre!

 

Aquilo que os Flavienses têm feito até hoje é votarem e elegerem um vilão e seus vilões que estavam em luta (eleiçoeira) com outro vilão e seus vilões!

 

Se os FLAVIENSES querem ter Futuro, corram com esses falsários moinantes da política, e elejam os melhores que, por aí, ainda restam!

 

Por aí, esses «pavões» e «lalões», e os seus coreutas, se bem (bem mal!) imitados por outros «poneyzinhos-de-Tróia» incapazes, por incompetentes e medíocres, de serem apóstolos das doutrinas que professam (ou dizem professar) têm-se prestado, prestam-se, sim, para serem autênticos «algozes dos seus conterrâneos»: a política tem-lhes servido como frondosa árvore à sombra da qual conseguem «fartar os seus odiozinhos pessoais».

 

Esse «pavão-mor», embora com alguma instrução, não tem grandeza de ideias nem de reflexão para o lugar a que trepou!

 

Não conhece o Passado da «Província», nem tem a capacidade para compreender o Presente.

 

As suas “ideias” assemelham-se às daquele «Imperador Feminino Chinês» que decretou que as flores brotassem no Inverno !

 

Já ouvi a alguém dizer que esse «pavão» acredita ser um “Buda Maitreya” encarnado!

 

Aqueles que o elegeram apenas lhe têm servido de adorno.

 

Antístenes dizia não se poder fazer de um mesmo ser mais que uma única definição.

 

Antístenes não imaginava que, qual cisne negro da Nova Zelândia, vinte e cinco séculos depois, na NORMANDIA TAMEGANA, «rebentasse» um «pavão de Castelões» a quem cabem tantas e tão vis definições!

 

O meu amigo de Roterdão, ao ler as minhas “Conversas com ZEUS” e dar com os olhos nos Post(ai)s de alguns Blogues de CHAVES, numa das suas cartas mostrava o seu espanto: - «Que estranho haver tantos “De CHAVES” a prestarem-se ao papel de bobos mercenários ou de parasitas ridículos”!   

 

Às vezes, chego a crer que os Flavienses, submetidos à estagnação e atormentados com os castigos, os dislates e malfeitorias; o desleixo, a deslealdade, a má-fé; a incompetência e a mediocridade da maior parte dos seus edis, atingiram um tal grau de apatia que não se atrevem a mexer uma palha para mudar a situação, com o medo de ficarem ainda mais prejudicados e «atrasados»! 

 

Podeis crer que, nem com o espelho nem com a varinha mágica, Circe conseguiria transforma esse «pavão» e os seus «lalões» em bons flavienses. 

 

Ó de CHAVES, «lembrende-βos» que esse cafajeste e os seus correligionários são flavienses nas campanhas eleitorais!

 

Chegados aos pedestaizinhos onde vêem multiplicados os salários e as mordomias, e aumentada a untuosidade da sua ridícula quão miserável vaidade, imediatamente consideram inconveniente permanecer no credo da juventude e de toda a conveniência renegarem as juras dos comícios e faltarem às promessas da campanha!

 

Após o 25 A/74, a política tem sido um lindo refúgio de medíocres e infames, de hipócritas e incompetentes, de desleais e de traidores, onde chocam e cultivam a sua mesquinhez moral, as suas vinganças covardes, os seus caprichos doentios, as suas patológicas fantasias.

 

As campanhas, os comícios, os discursos servem mais, muito mais, para ocultar os verdadeiros interesses em jogo do que para esclarecer os eleitores.

 

A preocupação dos candidatos, para agradarem aos seus verdadeiros senhores, consiste mais em inventar argumentos que desviem a atenção pública dos verdadeiros problemas nacionais, sociais e individuais.

 

As campanhas eleitorais são, na realidade, a instalação de uma fraude, concluída e aplaudida no acto eleitoral.

 

Na verdade, o voto democrático corresponde àquilo que Chesterton disse: -“um voto torna-se de tanto valor como um bilhete de viagem de comboio numa linha impedida”.

 

A Assembleia da República, o Parlamento, a “Casa da Democracia”, enche-se de gente cujo maior mérito reside na sua habilidade para ter sido nomeado candidato graças ao seu carácter servil, submisso aos caprichos e disciplina dos seus chefezinhos, e à sua elasticidade de consciência.

 

A (esta) Democracia trouxe à luz do dia a verdadeira qualidade de gente ambiciosa e medíocre, suficientemente esperta e manhosa para se meter em lugares elegíveis em Lista eleitorais   -  foi revelado que apenas possuem um cérebro réptil!

 

E quanto mais medíocres maior a possibilidade de se sentarem em lugar mais à frente no anfiteatro do “Parlatório Nacional”!

 

Mal sabem ler e escrever. E votam de acordo com a «disciplina partidária»!

 

No presente, que valor tem o voto quando é «Bruxelas» a aprovar ou a reprovar o que as nossas Assembleias deliberam?!

 

Que certeiro esteve quem disse: - “A Democracia é o governo dos que não sabem”!

 

CHAVES está empestada com o bodum de falsos políticos.

 

 Os monumentos religiosos do Município de CHAVES são, HOJE, tão esquecidos e abandonados que nem para celebrações religiosas e, nem muito menos, para turismo servem!

 

Aos fins-de-semana, CHAVES é uma cidade tão vazia como a Igreja da Madalena quando nela não se celebra missa!

 

A esse «pavão», persistente no assentimento do lixo espalhado pela cidade e das lixeiras espalhadas pelo Município, a sordidez e a imundície parecem-lhe «luxuoso fedor aromático»!

 

Como gostaria de contrariar, De uma vez por todas, o Gustavo Le Bon ao ver que em CHAVES, nas Eleições Autárquicas de 2017, o «Talento e o Génio» desmentiram que «o exagero das multidões incide unicamente nos sentimentos e de modo algum na inteligência».

 

E como na sua eterna «luta contra a razão o sentimento nunca foi vencido», os espertos-espertalhões, que chamam à ocupação do Poder Governo, adubam bem a imaginação popular e logo as multidões aparecem principalmente constituídas por aqueles que, dentro delas, acreditam conseguir subir muito alto.

 

O adormecimento e a distracção da maioria dos flavienses, junto com a sua falta de coragem para a mudança, faz-me lembrar aquele dito latino-lusitano:

 

-“primo est bibere, deinde philosopfari”.

 

Para os que sabem, mas não se lembram, ou «estão esquecidos», direi:

 

-“Que (lhes) importa (aos flavienses) que a liberdade de pensamento se perca (ou fique arrumada numa choça), se a liberdade de beber continua garantida?!”.

 

Piores que as calamidades do «relâmpago», as cheias furiosas do Tâmega, as trovoadas vindas de Vidago, o calor infernal de um Verão (sempre) «como nunca se viu»; pior que essas calamidades, para os Flavienses são bem mais catastróficas as calamidades dos que os têm governado, quer a partir de Lisboa, quer da Praça do Duque!

 

Um dos erros mais graves no comportamento dos (nossos) políticos caseirotes (autárquicos) consiste no seu enfeudamento, no seu vínculo, não à terra natal (ou adoptiva) na qual exercem uma função administrativa, mas, sim, nesse seu enfeudamento, vínculo e engajamento cegos à comunidade partidária, e com covarde, quão estúpida, submissão ao líder ou ao directório partidários.

 

Os administradores autárquicos «abrileiros», dessa CIDADE, da NOSSA TERRA, não descansaram enquanto não puseram essse Território na miséria civilizacional e política! Julgaram-se triunfantes, pois isso! Porém, o momento, a hora da vergonha lhes chegará!

 

O grande e trágico problema dos flavienses é que têm caído na esparrela de eleger lacaios de cabecilhas políticos «de Lisboa», e de outros políticos «interesseiros, e não Flavienses homens-bons!

 

Mais do que a penúria material de grande parte dos Portugueses, assusta-me e lamento a penúria moral de quem (n)os governa   -   desde «lá de cima», da capital, até «cá em baixo», nas autarquias!

 

Os flavienses (e os Portugueses) preferem viver num mundo de fantasia e num esquecimento cinzento, ameaçado por um Passado e Presente que os magoa e angustia.

 

Quando se tenta ocultar uma grande verdade, semeia-se a dúvida no coração daqueles que anseiam descobrir o que há por detrás das palavras, das aparências.

 

Teimam em negar o que existe, o que lhes tem estado, e está, a acontecer.

 

Mas ainda há por aí, e por aqui, alguns, poucos, que se recusam a esquecer, a fazer há-de conta de que vai tudo bem no reino flavínio; alguns que não temem lutar contra crenças falsas, nem desistem da luta pela verdade.

 

É difícil lutar contra a mentira de muitos”.

 

É difícil sonhar com um amanhã melhor quando a obscuridade parece imperar em todas as direcções.

 

«Querer esquecer uma verdade inegável é viver sobre uma mentira que nos vai sumindo, é convertermo-nos em nossos próprios verdugos, fazendo com que a nossa consciência apodreça».

 

Sabemos da importância que grupos e instituições não-governamentais têm na Sociedade e, especialmente, na Sociedade democrática.

 

E do grau da sua autonomia muito depende a realização dos seus próprios objectivos e satisfação de necessidades da Sociedade.

 

Estes grupos e instituições não-governamentais muito contribuem para a resistência a Governos prepotentes e injustos.

 

Daí, a preocupação e o esforço de governantes medíocres, tirânicos (mesmo que disfarçados) em suprimir a autonomia e a liberdade de tais grupos e instituições, tentando impor, ou mesmo imponde-lhes, um mal disfarçado controle ditatorial.

 

Infelizmente, aí por CHAVES (ai, se fosse só por CHAVES!...) muitas instituições não-governamentais passaram à condição de organizações «recomendadas»!

 

Por aí, os «faroleiros» e candidatos a candidatos dos Partidos e Movimentos da Oposição mexem-se, remexem-se e coçam a comichão pelo Arrabalde e pelas cadeiras dos Cafés, criam células de fanfarrões e de oportunistas e atiram com flores ao peito uns dos outros, contando sempre com o ovo no cu da pita, acabando sempre por ficarem a chupar no dedo!

 

A preparação das Eleições Autárquicas confundem-na com um perliminar olímpico da prova de estafermo, bajulador, «poneyzinho-de-Troya», de «saber fazer pela vida» e vencer a guerrinha entre os seus,  com o qual pensam conquistar a medalha de ouro de integrante na Lista de candidatos aprovada pelo «chefezinho»!

 

Entretanto, a oportunidade de construir a melhor planificação estratégica para derrubar a capoeira de medíocres e infecciosos «pavões» e apresentar projecto sólido, eficiente e exitoso da recuperação do prestígio da CIDADE e do Município, e do Progresso que se lhe ajuste, vai pelo Caneiro abaixo!

 

A modorra, o narcisismo e a falta de sinceridade num ideal político-administrativo para a CIDADE (polis) tem feito com que CHAVES vá de mal a pior! E a perpetuação de gentalha reles e medíocre, no Palácio do Duque, fica garantida!

 

Que notória gente essa da Oposição, que não se cansa de tristes e humilhantes derrotas eleitorais!

 

Pobrezita!

 

Fica de papo cheio e com o ego bezuntado de vaidade balofa só por   -   de eleição em eleição  -   misturar umas bazófias de pretensa sabiciche política, em autênticos pelágios reciclados de si própria, com interpretações tão indigentes quão inifensivas, de ridículos actos ou omissões do «pavão», dos «pavões», dos «lalões», e regadas com uns copecos ou umas «bejecas» nos «Sport’s” ou nos “Faustinos” trajano-chavinos!

 

Fatalmente, sem imaginação nem credibilidade!

 

Porra!

 

Numa terra onde abundam arquitectos, não aparece   -   na Oposição   -   um Plano Estratégico com que se vencer esse bando de aves de rapina e de mau agoiro, que tem destruído o Passado, o Presente e o Futuro dessa CIDADE?!

 

Terão os Flavienses de gritar “aqui d’el rei” quando se virem obrigados a imitar Luís XVI , fazendo dos Jardins da cidade; da Veiga, da Groiva e da Ribeira; das vinhas, dos soutos, das carvalheiras ; das hortas, das cortinhas; dos batatais, das searas, dos pinhais, e dos olivais pomares de laranjeiras?!

 

CHAVES, cidade e Município, está num perigoso plano inclinado de degradação.

 

O Governo Central (de ontem, de hoje, de sempre), com a vergonhosa e indecente colaboração da maior parte dos autarcas e deputados Normando – Tameganos, parece ter um ódio de morte aos que trabalham, vivem, e aos que amam essa Região.

 

A malvadez, a ruindade, a estupidez, a imbecilidade, a ignorância, a mediocridade e a covardia de alguns flavienses, de nascimento ou por adopção, anda mal disfarçada pelos verdes véus de espuma da inveja e pelos amarelo-pálidos véus da ingratidão.

 

Aí por CHAVES, não quero que a tragédia político-administrativa vivida nos últimos decénios não cumpra a profecia «karlista-marxista» de voltar a ocorrer, como uma farsa!

 

Os flavienses (muitos, tantos, demasiados) continuam a descobrir boas qualidades no «salteador de estrada», na esperança de que ele lhes poupe nas algibeiras”:

 

- O “Pita” já morreu há muito!.......

 

Cumpre lembrar o meu amigo, e de Michel Eyquem,  Éthiene de la Boétie:

 

- “É muito próprio do vulgo desconfiar de quem o estima e confiar nos que o enganam”.  

 

Meus conterrâneos, FLAVIENSES, arrumai De uma vez por todas com essas almas pequeninas, com esses manobristas politíticos, que até mesmo nisso são reles e medíocres!

 

M., dezassete de Março de 2017

Luís Henrique Fernandes

 

 

´
publicado por Fer.Ribeiro às 01:36
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito (1)
|  O que é?

.Fotos Fer.Ribeiro - Flickr

frproart's most interesting photos on Flickriver

.meu mail: blogchavesolhares@gmail.com

.Maio 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6

7
8
9


25
26
27

28
29
30
31


.pesquisar

 
ouvir-radioClique no rádio para sintonizar

 

 

El Tiempo en Chaves

.Facebook

Fernando Ribeiro

Cria o teu cartão de visita Instagram

.subscrever feeds

.favorito

. Abobeleira em três imagen...

. Solar da família Montalvã...

.posts recentes

. Um olhar com a marca Chav...

. Cartas a Madame de Bovery

. Cidade de Chaves - Um olh...

. Chaves D'Aurora

. Quem conta um ponto....

. Pecados e Picardias

. Pedra de Toque

. Avelelas - Chaves - Portu...

. O Factor Humano

. Cidade de Chaves - Um olh...

. Discursos sobre a cidade

. Silhuetas com a marca Cha...

. Fugas - Por terras do Alt...

. Cartas a Madame de Bovery

. Cidade de Chaves, um olha...

blogs SAPO

.Blog Chaves no Facebook

.Veja aqui o:

capa-livro-p-blog blog-logo

.Olhares de sempre

.links

.tags

. todas as tags

.arquivos

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Agosto 2005

. Julho 2005

Add to Technorati Favorites