Terça-feira, 11 de Abril de 2017

Momentos clássicos... ou talvez não!

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Esta imagem é um clássico ou se preferirem um cliché, dos mais fotografados da cidade de Chaves, e pela nossa parte, já imensas vezes a trouxemos aqui e pela certa continuaremos a trazer, isto e só, para memória futura, para ir vendo se tudo está no sítio. Convém ser assim, principalmente para despistados como eu que, de tanto passar pelos mesmos sítios, já nem reparo neles, até um dia em que mais atento, sou surpreendido por qualquer que falta ou qualquer coisa que acresce ou se transformou, então ultimamente, vá-se lá saber porque, esbarro contra uma árvore que antes não estava, desvio-me de tanques que já não existem, bato com o nariz em portas fechadas, ou faço um retrato à Maria Rita e sai-me uma mijareta… coisas!  

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:27
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Chaves D'Aurora

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  1. LUZIA CARRAPATO.

 

Após o fim do concerto da Banda de Infantaria 19, com uma apoteose ovacionada pelo público, estava a menina Aurora a deixar o Jardim com a família, quando viu, pela segunda vez, a velha demente, que fora recém-apupada pelo magote de putos. Desgrenhada, suja, continuava perdida em seus solilóquios e a gritar sem parança. Era, de hábito, inofensiva. Enfurecia-se bastante, porém, quando a malta vinha molestá-la, provocando-a com palavras e gestos indecentes. A pobre mulher retribuía, então, com gestos e palavras ainda mais agressivos.

 

Como Aurita viesse mais atrás dos Bernardes, ao lado de tia Margarida, esta contou-lhe a história da louca senhora.

 

 

Luzia Carrapato, outrora de Avelar e Guimarães, tradicional família minhota, apaixonou-se perdidamente por um judeu polaco, paixão logo correspondida. O pai da moça, de arraigada fé cristã, negou aos jovens qualquer possibilidade de um enlace matrimonial. Transportou-a para uma quinta longínqua de sua propriedade, onde a rapariga ficou reclusa.

 

O jovem semita foi-lhe ao encontro e com ela fugiu para Viana do Castelo, de onde seguiriam até à Galiza e, depois, para a Polónia. O senhor Matias de Avelar e Guimarães, todavia, contratou os serviços de um bandoleiro, para seguir no encalço dos amantes, matar o rapaz e trazer a fugitiva de volta à casa paterna.

 

A menina Luzia estava grávida. Ao lhe nascer o filho, o avô minhoto pagou a um nómada cigano uma tarefa imediata: desaparecer com a criança pelo mundo afora e nunca mais passar por aquelas bandas do Minho. Deu-lhe ainda um manhuço de réis a mais, para atender ao sustento do petiz. Esse era um costume bem antigo, desde a Idade Média, sobretudo entre os nobres e abastados.

 

Afirma-se que provém, dessa forma de alienação de crianças bastardas, uma parte do ancestral preconceito contra os ciganos. Alimentou-se, por toda parte, a lenda de que estes roubavam miúdos, cujos pais nunca mais os tornariam a ver. A propagação dessa lenda foi aumentando, cada vez mais, mormente quando se viam nos acampamentos gitanos, sem que lhes soubessem a procedência, crianças de olhos azuis e de tez bem mais clara do que a pele dos demais integrantes do clã.

 

O que resultou dessas bárbaras ações do pai de Luzia é que a menina enlouqueceu. Em seu desvario, saiu pelo mundo afora a falar de sua dorida história, enquanto ninava panos enrolados como se fosse o filho perdido, para o qual ficava a cantarolar sem harmonia nem pausa. Uma algaravia a que ninguém alcançava compreender.

 

 

Essa história deixou a menina Aurora tão impressionada que, nessa noite, perdeu o sono até ao alvorecer. Sentia a modos que o estômago se lhe revirava e dava um nó. Não parava de pensar nos padecimentos da pobre mulher, a sofrer unicamente pelo facto de se entregar aos ditames do amor, até suas últimas consequências. Quando, enfim, conseguiu dormir, viu-se a correr suja e com as melenas desgrenhadas pelas ruas de Chaves, com um bebé de verdade nos braços. Era perseguida por pessoas muito más, que acabavam por encurralar a si e à criança, em um beco escuro e sem saída, onde, ao fundo, havia um homem encapuzado, sinistro e aterrador. Ao se revelar sua face, com olhos encarnados e riso sardónico, ele não era o Papá, mas parecia o Papá, tinha a cara de Papá... e isso fez, de tal sonho, um pesadelo ainda maior.

 

fim-de-post

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:01
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