12 anos
Sábado, 27 de Maio de 2017

Pedra de Toque

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PARA JÁ ME BASTAM…

 

Quando o desespero passa por mim, deixa-me marcas e eu, acolho meu corpo nas águas límpidas que regam as orquídeas e as rosas de Angola, flores de África que permanecem coladas aos meus olhos e ao meu cheiro.

 

A inquietação mexe por dentro e projeta-me para os sonhos irreais, por vezes doces, por vezes tumultuosos.

 

A certeza de que gosto de ti, apesar de insistires em manteres-te ausente, amacia-me a vida.

 

 

Nem que seja só por mim, vem e traz o teu sorriso branco e ainda aquela camélia que nasce no teu peito todas as primaveras,

Por ora, já me bastam…

 

António Roque

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:12
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Sexta-feira, 26 de Maio de 2017

Momentos traídos pela memória...

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As margens dos rios sempre têm uma dose de magia, mas esta entrada para o rio, além da sua dose de magia é acrescida de um bucolismo ao qual não se fica indiferente. Podia muito bem  inspirar um poema, estórias de amor, muitas brincadeiras de criança, ser um cais de chegada, lugar de encontros ou partidas, inspirar um tela, eu sei lá, podia ser tudo que a nossa imaginação permitisse se o passado não fizesse parte da memória.

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:27
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Quinta-feira, 25 de Maio de 2017

Flavienses por outras terras - Miguel Oliveira

Banner Flavienses por outras terras

 

Miguel Oliveira

 

Nesta crónica do espaço “Flavienses por outras terras” vamos novamente até ao Brasil, mais concretamente até Juazeiro, uma cidade cujo nome coincide com o de uma árvore típica desta zona semiárida do Brasil, cujos frutos, do tamanho de uma cereja, são extremamente apreciados e utilizados para fazer compotas.

 

É em Juazeiro que vamos encontrar o Miguel Oliveira.

 

Cabeçalho - Miguel Oliveira.png

 

 

Onde nasceu, concretamente?

Nasci na freguesia de Santa Maria Maior, em Chaves.

 

Nos tempos de estudante, em Chaves, que escolas frequentou?

Frequentei a Escola Primária da Estação, a Escola EB 2/3 Nadir Afonso, a Escola Secundária Dr. Júlio Martins e a Escola Secundária Fernão de Magalhães.

 

Em que ano e por que motivo saiu de Chaves?

Saí em 1994 para frequentar a Escola Superior Agrária de Coimbra.

 

Em que locais já viveu ou trabalhou?

Em Coimbra, em Mortágua, em Matosinhos, em Paredes de Coura, na Póvoa de Varzim e no Brasil, nas cidades de Passos (Minas Gerais), Salvador (Bahia) e atualmente em Juazeiro (Bahia).

 

Diga-nos duas recordações dos tempos passados em Chaves:

Recordo os dias em que caía neve… Era extraordinário brincar com a neve, fazer bonecos, bolas de neve… Recordo também os passeios ao fim de semana para acompanhar o glorioso Desportivo de Chaves nas suas deslocações fora de casa.

 

Proponha duas sugestões para um turista de visita a Chaves:

Conhecer a excelente gastronomia, sem esquecer os deliciosos pastéis de carne, o fumeiro, entre tantas outras coisas. Visitar os diversos monumentos espalhados pela cidade e as termas medicinais.

 

Estando longe de Chaves, do que é que sente mais saudades?

Saudades da família, dos amigos, e da cidade em geral.

 

Com que frequência regressa a Chaves?

A cada 2 anos.

 

Gostaria de voltar para Chaves para viver?

Sim, gostaria, mas não durante o período de Inverno, pois considero rigoroso demais. Assim sendo, gostaria de passar meio ano em Chaves e meio ano no Brasil.

 

Pôr do sol na  travessia de barco de Juazeiro par

 

O espaço “Flavienses por outras terras” é feito por todos aqueles que um dia deixaram a sua cidade para prosseguir vida noutras terras, mas que não esqueceram as suas raízes.

 

Se está interessado em apresentar o seu testemunho ou contar a sua história envie um e-mail para flavienses@outlook.pt e será contactado.

 

Rostos até Miguel Oliveira.png

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 17:44
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Ocasionais

ocasionais

 

“Triste sina!”

 

Até parece

que só com tragédias se purificam

 os sentimentos das Gentes!

 

 

 

Vou praticar a «picardia» de aplaudir um «pecado«, confessado e declarado no Blogue “CHAVES – um olhar sobre a cidade”, a que a autora trata por «meu amor», em vinte e um de Maio de dois mil e dezassete:

 

 - Perante um texto destes não aparecem por aqui nem «Lalõezinhos», nem «boys cor-de-rosa», nem esquerdalhos, nem direitalhos. Isto é, os que em tempo de campanha eleitoral afivelam estúpidos sorrisos e se passeiam pelas ruas com ares de semi-deuses; os que transbordam genica a erguer painéis com a fronha dos seus caciques; os que atoardam o sossego das ruas com ridículos vozeirões «altifalantados», com um ar de campeonato a ver qual o que mais besuntada lambidela dá aos botins do nabiço do seu «querido líder»; os que nem sequer sabem porque são do «seu» Partido, mas o defendem com mais cega ciumeira só para  aproveitar o pretexto de se afirmarem.

 

Apesar da valentia das suas convicções políticas (sem, até, saberem o que isto é!), lêem este Post(al), ficam cheios de comichão, juntam-se, e , em rebanho, cada qual se mostra aos outros o mais indignado e o mais corajoso a combater o descaramento das  verdades deste Post(al) e deste Blogue, e correm, rafeiramente curvadinhos, a alcovitar ao chefezinho do «seu  Partido» (laranja, cor-de-rosa, cor-de-burro-a fugir, ou cor-de-zebra-parada)  a «cabala» deste (ou de qualquer outro) Blogue!

 

Mas encarar as realidades da CIDADE, meter na linha os enviezados estrategas do seu Partido sempre que dão primazia às golpadas em detrimento do benefício da Comunidade …”Qu’éto!” -   que no aproveitar é que está o ganho!

 

Até parece que estes edis de CHAVES  e as dinastias de governantes lisVoetas têm por objectivo fazer o caminho do Futuro regressando a um Passado miserável e indesejável de escassez de recursos para a Saúde, o Ensino, a Ciência, a Cultura, da Justiça, e a privação da Liberdade!

 

Nos Anos Sessenta atiraram que a geração desse tempo era uma «geração perdida».

 

Triste sina!

 

Grande parte dessa geração, particularmente aqueles que resmungaram contra a situação das coisas, aproveitou a «abrilada», mas foi, para se transformar naquilo que denegava.

 

Depois, para se perpetuarem, pariram a  multidão de enfezados «jotinhas» polliticastras, e arregimentaram «pavões», «lalões«, «morrões da couve», carunchosos «’straga a tábua’”, contrabandistas da mentira e da vigarice, gente canalha vocacionada para a traição.

 

Digo com Silva Gaio: - Os mal intencionados têm, nesta Democracia «abananada», largas ensanchas para poderem cometer as patifarias que Governos e governinhos pútridos, corruptos, lhes consente e lhos ajuda.

 

Na nossa História Nunca a Política se confundiu tanto com a Hipocrisia como nas últimas décadas!

 

Dizem que nas prisões funcionam escolas de comportamento criminoso. Nós dizemos que a admissão nas classes partidárias «Jotas» é uma oportunidade para a aprendizagem clandestina de comportamentos patrioticamente criminosos.

 

Os “poderosos” – aqueles que hoje detêm o Poder – parece não terem memória. Correm o risco de repetir a História.

 

Não conhecem, ou fazem que não conhecem o Povo Português. E julgam-no adormecido.

 

Porém….”a consciência dos povos adormecidos não desperta senão com actos de violência”!.....

 

M., vinte e três de Maio de 2017

Luís Henrique Fernandes

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 17:00
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Quarta-feira, 24 de Maio de 2017

Um olhar com a marca Chaves

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:37
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Cartas a Madame de Bovery

cartas-madame

 

Minha cara Madame de Bovery (3)

 

Sabe que também eu me faço essa pergunta e que, à semelhança da senhora, também para ela não encontro resposta?!

 

Podemos ao longo da nossa vida repeti-la em pensamento as vezes que quisermos ou precisarmos, mas duvido, com algum grau de certeza, que alguma vez qualquer uma de nós lhe saiba responder! O mais que nos é possível, com alguma probabilidade de acertarmos, é tecermos conjecturas à cerca disso. Ora isto não é quase nada para quem procura certezas absolutas ou verdades universais, ainda que saibamos que nem uma nem outra existam, ainda assim procuramos, por causa daquela impaciência interior de que um dia falámos, lembra-se, sem com isso tirar conclusão alguma?!

 

Veja como são as coisas, ainda não disse nada e já escrevi dois parágrafos, mas a senhora terá certamente lido qualquer coisa nisso, nem que seja ter visto parte do espelho dos seus pensamentos!

 

Concordo consigo, o Comendador assustou-se! É talvez esta a única coisa aceite por ambas, mas desconhecemos os motivos que a isso o levaram. Talvez seja diferente, ou não, a ideia que a esse respeito as duas fazemos!

 

O Comendador sentiu-se engolido, amordaçado e com isso, ou ao mesmo tempo, as coisas fugiram do seu controlo. O primeiro passo para ser dominado estava criado e ele teve consciência disso. Temos aqui dois cenários, talvez mais, mas simplifiquemos em dois que já nem assim a coisa é simples! Se a questão fosse racional, argumentativa, lógica ou de inteligência, o Comendador estava como peixe na água. Sabia equacionar, identificar e resolver as incógnitas em ordem a x, a y e a z, integrar o resultado, determinar as parcelas do somatório de dados e deduzir com relativa facilidade a fórmula de cálculo, estabelecendo o factor comum, a ordem da sucessão e os termos intermédios! O Comendador sabia que nunca nos são dados claramente todos! Derivar e exponenciar já não era o seu forte, era demasiado consciente para isso!

 

De qualquer forma, a questão não era esta. A questão era puramente de ordem emotiva, isto é, se nela estivessem contidos valores morais, éticas pessoais e/ou profissionais, nada havia à face da terra que o tornasse incapaz de lidar com isso, por mais amplo que o problema fosse. Mas no caso em causa, o sentimental, o Comendador não tinha nem treino nem ensinamento nenhum e acabou por se sentir como peixe fora de água, a asfixiar!

 

Chegado aqui, a lutar pela sobrevivência mais que pela vida, que passa neste concreto caso a ser secundária, o que é que qualquer um de nós faz?

 

Vale tudo, até arrancar olhos! Quem diz olhos diz coração, qualquer coisa que nos faça ver ao longe e ao perto e ao tirarmos os olhos dos outros, isto o Comendador não sabia, tiramos também os nossos!

 

Minha cara Madame de Bovery, o Comendador cegou!

 

Acha por acaso que foi por acaso, que antes da sua partida o Comendador deu uma fortuna por aquele Labrador Retriever, preto, treinado durante dois anos?

 

Perdoe-me se lhe digo coisas que já sabe, mas continuo com esta ideia peregrina de achar que as descobertas partilhadas trazem para casa mais troféus que quando vividas isoladas.

 

Posso estar completamente enganada, mas não reparou no facto do Comendador, desde que se mudou para Londres, fazer todas as descrições dos factos de forma sensorial, como se tivesse adquirido uma sensibilidade paranormal que não lhe era de todo própria? Repare na linguagem que ele passou a utilizar, que não é de facto dele característica: “senti” em vez de “vi”, “apercebi-me” em vez de “observei”, “pressenti” em vez de “presenciei”! Não me diga que isto lhe é familiar! O Comendador tinha e punha enorme reticências em tudo o que não era observação empírica! Lembra-se das enormes discussões em que eu validava tudo pelo sentimento e ele, depois de me ouvir calmamente, perguntava: “mas viu?” E eu dizia com os olhos não e era aqui que ele encolhia os ombros como se aquilo que eu tivesse dito contivesse de verdade, nada.

 

Eu contestava, argumentava, sabe a senhora como eu sou nestes casos, se me sinto dona da verdade vou ao limite e afirmava: há várias formas de ver! Ao que ele sempre contestava: “há só uma e duvidosa, dependente de quem vê, mais do que o que vê!”

 

A senhora acha que ele mudou ou que só cegou?

 

Da sua, sempre amiga,

Maria Francisca

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:26
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Terça-feira, 23 de Maio de 2017

Cidade de Chaves - Um olhar com rio e Madalena

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publicado por Fer.Ribeiro às 08:08
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Chaves D'Aurora

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  1. DIAS DE PAZ.

 

Apesar de tudo, foram dias felizes para todos, sem uns e outros ao menos se queixarem do tempo, ora fresco, ora mais frio do que se havia de gostar, nem dos ventos que pareciam cortar a face. Os miúdos aproveitavam as poucas horas em que o benfazejo Sol vinha dizer bons-dias e se espalhavam pelos quatro cantos da quinta. Por ali, por acolá, encantavam-se com as árvores, os galhos baixos em que se deixavam ficar, as hortaliças cobertas com toldos negros por causa do frio, os leitõezinhos em seu curral, as vaquinhas leiteiras e seus novilhos no estábulo, os cavalos de carroça a comerem suas rações de feno, todo um universo em sua mais plena quietude.

 

Nesses poucos e preciosos momentos ensolarados, punham-se a brincar, com os filhos do caseiro, o Jogo das Escondidelas. Para sortear quem deveria procurar os demais, valiam-se de versinhos, a um modo ritmado e monossilábico, tocando uma sílaba ao peito de cada um dos brincantes, até finalizar no que seria, então, o escolhido – “Sete e sete são catorze / com mais sete, vinte e um / tenho sete namorados / mas não caso com nenhum!” – e estes – “Menino Jesus / passou por aqui / escolheu-te / a ti! “– ou ainda – “Mariazinha / fez xixi na panelinha / foi dizer à sua vizinha / que era caldo de galinha!” – e outros – “Pim, pom, pum, / cada bala mata um, / dá de comer á galinha / e ao peru / Quem te salva és tu. “ – mais, ainda – “Fui à caixa das bolachas / comi uma, comi duas, / comi muitas, até dez / olha o burro que tu és. “ – ou estes, mais – “O José foi à horta / encontrou uma cabra morta / O José pôs o pé / A cabrinha fez mé, mé.”

 

O que a todos mais atraía, ao termo sul do quinteiro, era um pequeno canastro de uma pedra só, a moldar uma casita com telhado, que mais parecia a escultura de um templo de dois andares, portas e janelas, mas cujas dimensões não iam muito além de um metro e meio. As extremidades da cumeeira eram encimadas por uma cruz e um relógio de sol. Comuns em toda a região, canastros monolíticos como esse vinham de muitos séculos que já lá se foram e era considerado um verdadeiro milagre ainda estarem assim, tão escapadiços das erosões do Tempo.

 

Aurora e Afonso espantavam o tédio a cuidar de uma estufa na qual, outrora, Mamã estivera a tratar de orquídeas que trouxera da Amazónia e, agora, servia para proteger as flores e hortaliças, para as quais fosse hostil o duro inverno. Aldenora havia trazido livros às mancheias, de sorte que, muitas vezes, a viajar pelos países do sonho e da ficção, só voltava para o mundo real à hora das necessidades básicas de todo ser vivente, como o sono, as refeições e os cuidados da higiene.

 

À tardinha, as meninas se pegavam a bordar e tricotar, ao lado de Florinda e a cavaquear sobre os sítios e gentes que lá ficaram, entre a veiga e o Brunheiro. Após a ceia, aquecidos ao pé da lareira, ficavam todos a ouvir as histórias e lendas da região, sobre mouras encantadas, homens que se transformam em lobos, bruxas que voam e outras narrativas fantásticas, contadas por Zefa de Pitões ou Crispina Bobadela, a mulher do caseiro.

 

Ainda estava bem longe a primavera.

 

fim-de-post

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:40
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Segunda-feira, 22 de Maio de 2017

Quem conta um ponto....

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343 - Pérolas e diamantes: Tudo é relativo

 

Esta situação aflitiva e inverosímil ligada aos casos mediáticos de corrupção passiva para a prática de atos contrários aos deveres do cargo, fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais, falsificação, recebimento indevido de vantagem e tráfico de influências imputada a políticos, banqueiros e fauna similar, faz-me lembrar o velho provérbio brasileiro de “quem rouba pouco é ladrão e quem rouba muito é barão”.

 

Mas hoje não quero ir por aí. Prefiro viajar até ao Brasil e lembrar que D. Pedro foi acolhido no Rio de Janeiro, por volta do ano 1821, no tempo da “Independência ou morte” de forma esfuziante. O então Perpétuo defensor do Brasil apercebeu-se de que eram justos os clamores do povo fiel que “preferia um inimigo declarado a um amigo traidor”.

 

Prefiro cair no meio da revolução republicana e, através da leitura de Machado de Assis (Esaú e Jacó), assistir de palanque à condição humana no meio do rebuliço.

 

Aí se narra o hilariante caso do senhor Custódio, proprietário de uma pastelaria, que mal tinha acabado de encomendar uma nova tabuleta para a sua tradicional “Confeitaria do Império”, é informado que no Brasil tinha triunfado a República.

 

Mandou recado ao mestre pintor para interromper o trabalho, que na altura em que o tinha visto pela última vez, exibia a palavra “Confeitaria” e a letra “d”. Pensava que a letra “o” e a palavra “Império” estivessem ainda apenas delineadas a giz. No entanto, para desespero do senhor Custódio, o trabalho já estava terminado.

 

Por que necessitava de uma nova placa, Custódio procurou a ajuda do Conselheiro Aires. Sugeriu que o nome passasse para “Confeitaria da República”. Mas ficaram com medo de que em poucos meses pudesse existir nova revolta e mais uma vez o nome do local tivesse de ser alterado.

 

O sábio Conselheiro sugeriu então o nome “Confeitaria do Governo”, que calhava bem com qualquer regime. No entanto concluíram que qualquer governo tem oposição e que se ela fosse das boas poderia despedaçar a tabuleta.

 

Aires arriscou sugerir que Custódio deixasse o título original: “Confeitaria do Império”, acrescentando apenas “fundada em 1860”, a fim de acabar com as dúvidas.

 

Mas “parecia que o confeiteiro, marcando a data da fundação, fazia timbre em ser antigo”, o que naquela época de modernidade não soava lá muito bem.

 

Decidiu-se então pelo próprio nome do dono: “Confeitaria Custódio”. Terminava assim a complexa conversação. «Gastava alguma cousa com a troca de uma palavra por outra, “Custódio” em vez de “Império”, mas as revoluções trazem sempre despesas.»

 

Problema bicudo surgiu com a escolha de um novo Hino Nacional. O vencedor do concurso foi o Hino da Proclamação da República. Apesar das modernices, o velho marechal Deodoro disse “preferir o velho”, embora existissem suspeitas de que o autor fosse D. Pedro I. Mesmo a Bandeira Nacional, a despeito das interpretações surgidas posteriormente de que o verde era uma referência às matas do país e o amarelo uma alusão às riquezas minerais, seguia ostentando os seus vínculos com a tradição imperial: o verde, cor heráldica da Casa Real Portuguesa de Bragança; e o amarelo, cor da Casa Imperial Austríaca de Habsburgo.

 

Mas as mudanças eram claras: o indígena, símbolo dileto do Império, foi substituído pela figuração republicana de uma mulher heroica. Deste modo, nada ficava como dantes.

 

Coisa de somenos foi o debate em torno do direito de voto. O que era bom tinha de se manter. Como nos bons velhos tempos do “Império”. Só seriam considerados eleitores os brasileiros adultos, do sexo masculino (apesar da heroica figura republicana), que soubessem ler e escrever. Além do voto das mulheres, estava proibido o voto dos mendigos, dos soldados, praças e sargentos, e dos integrantes de ordens religiosas que impunham renúncia à liberdade individual.

 

Nesse republicano e democrático sistema eleitoral três tipos de procedimentos ficaram famosos. A eleição de “bico de pena”, que significava o não reconhecimento do eleito pela Comissão de Verificação da Câmara dos Deputados – procedimento que eliminava os adversários, anulando a sua eleição. O “voto de cabresto”, que era um ato de lealdade do votante ao chefe local. E por fim, o “curral eleitoral”, que aludia ao barracão onde os votantes eram mantidos sob vigilância e ganhavam uma boa refeição, só saindo dali na hora de depositar o voto – que recebiam num envelope fechado – diretamente na urna.

 

Depois veio a ditadura. O general Geisel foi das mais proeminentes figuras da repressão.

 

Em 1977, posto perante as perguntas dos jornalistas sobre os instrumentos de controlo que criou, caraterísticos de um sistema político autoritário, afirmou: “Todas as coisas no mundo, exceto Deus, são relativas”. E rematou: “O Brasil vive um regime democrático dentro de sua relatividade.”

 

João Madureira

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:21
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Domingo, 21 de Maio de 2017

Pecados e Picardias

pecados e picardias copy

 

Chaves

 

Meu amor escrevo-te das noites de insónia , deitada em lençóis de inverno ainda, numa noite de primavera onde um frio franco e desmancha prazeres teima em alertar para o engodo dos senhores de fato que se preparam para disputar a qualquer custo com estratégias de chicoespertice os interesses de poucos usurpando à luz de uma ditadura moderna os interesses da maioria.

 

Maquilhadas as Freiras com os repuxos da dispersão e os canteirinhos com amores perfeitos, entramos novamente na pré-contemplação a convite das velhas historinhas de cavalinhos cansados agora nuns bancos de jardim tão nacarados como a nossa lucidez, está tão bonita a nossa cidade não está?,… Claro que sim, por fora e também é bom, mas não chega?!!!... E agora com a disponibilização de  vinte , sim, 20 000 000 milhões de euros que este governo nos deu oriundo de fundos comunitários e apoiado e bem muito bem pelo Sr. Ministro da cultura Dr. Luis Filipe Castro Mendes, para avançar com a fase final do SPA Do Imperador o dos  arrabaldes, ou do arrabalde  como queiram , a mim parece-me que esta obra iniciou pela fase final, não sai da fase final cujos alicerces já esgrimidos até ao tutano por discursos de determinação de sexos dos anjos  quando toda a gente sabe, o sexo partidário onde todas as pessoas contam ,principalmente as do partido que está no poder, ou seja do PSD, olhem quem ocupa os lugares de destaque os que dão menos trabalho físico nas instituições sob a égide  da câmara , vejam bem , porque já nos dizia Zeca Afonso que não há só gaivotas em terra… Vejam, mas  vejam bem, mesmo mesmo Bem…

 

Chaves meu amor

 

Estás há anos refém de uns Maridos Machistas  em permanente duelo de titãs que te asfixiam ora pelas setas de um cupido só ó pra cima que deixa os debaixo mulheres, crianças, idosos, jovens licenciados  desempregados por orfandade de pais influentes no partido, pessoas com incapacidade abandonadas por estorvo, ruas sem acessos para elas e os seus dispositivos de compensação como cadeiras de rodas, pessoas com necessidades de cuidados continuados têm de ir para a Zona de Bragança ou esperar 3 meses para se aproximarem de Boticas, e tu Chaves continuas no desperdício,  convenhamos bonitos, mas ,meras cirurgias plásticas que te tapam a idoneidade e a sabedoria dos anos,  não achas que há algo de fútil e frívolo em vinte milhões de euros de investimento a mais dos nem sei quantos, os já gastos… E… Um virgula oito  milhõezitos, nem chega a dois milhões…Para o nosso hospital ostentado aos quatro ventos  e sob os silêncios dos das borgas e fotos, é melhor que nada ? Claro que Sim .Mas queremos antes então? Eu quero antes o Sr. Ministro da Cultura  a olhar para o nosso Hospital de Chaves até porque a cultura da saúde metaforicamente representada no mural de pintura do grande Pintor de Sá Nogueira e na árvore da vida do Grande Mestre João Cutileiro são duas grandes obras de arte que podem ser visitadas pelos nossos turistas a seguir ou a somar ao nosso grande Nadir.

 

Chaves meu amor

 

Tens grandes profissionais de saúde que pugnam pelas suas profissões com o saber dos que estudam e merecem o seu ordenado a servir o cidadão, há serviços físicos vazios no nosso hospital à espera de adormecer no seu reino o faz de conta, dos subsistemas demagógicos que só curaram um garoto, ainda por cima lá no ser tão, através do ganho nas casa de sustos, das tempestades, da pobreza da fome e dos efeito que alucinam, o outro subsistema de saúde para evocar na dúvida da finitude, tão gratuito  quanto a dor da automutilação, tão cara quanto o desespero e quanto falível, tão travo a emboscada que não inibe o recurso aos videntes  ou às urgências todas à posteriori…

 

Temos profissionais habilitados a cuidar na integralidade e também temos aonde ir buscar mais profissionais do CUIDAR, uma Escola de Enfermagem com professores habilitados e  com estudantes do ensino superior com projetos em saúde acreditados,que nos podem ajudar a construir uma unidade de cuidados continuados que permita ao cidadão flaviense  ficar junto dos familiares quando mais necessita da sua presença e permite aos familiares acompanhar os seus entes queridos com a ajuda dos profissionais que sabem cuidar com ciência respeitando os conhecimentos  científicos de mecânica corporal para gerar conforto mesmo na dor, que sabem gerir um regime terapêutico de medicação diversa prescrita por muitos médicos especialistas , que sabem monitorizar todos os sinais vitais dos doentes e ver quando há necessidade de chamar outro técnico de saúde com a responsabilidade funcional de prescrever fármacos, com formação cientifica em gestão em saúde e prática clinica no terreno ou seja nos turnos de 24 Porque uma unidade Local de Saúde horas que permitem só esses detetar as necessidades do utente da família e da comunidade em cuidados de saúde,.

 

Porquê para Ti  Chaves Uma unidade Local de saúde …

 

Porque é a única forma de rentabilizar e  otimizar recursos de saúde existentes sem ceder ao desperdício do dividir para reinar dos interesses individuais  e do pensamento que ainda vigora no setor público dos empresários e empreiteiros das clinicas privadas .

 

Ter vários órgãos de gestão de topo  onde a disputa de poderes privilegia  a dispersão de tempos em discussões intermináveis sob aspetos que só abordam relações de poder entre os órgãos e que deixam sem resposta as necessidades reais em saúde do cidadão.

 

Vejamos o exemplo :

Uma pessoa que necessita de cuidados de enfermagem globais, cuidados de enfermagem de comunicação terapêutica de escuta ativa visando o seu relaxamento e minimizar das agruras da incapacidade que a doença lhe provoca, mais movimentar as articulações e os músculos para evitar os efeitos da imobilidade, precisa de tomar os medicamentos a horas e de forma adequada face às várias prescrições médicas e precisa sobretudo que cumpram o efeito terapêutico e um olhar de profissional que saiba de farmacologia o suficiente para distinguir a gravidade dos efeitos secundários e das interações , precisa de ter cuidados com a pele e evitar as lesões provocadas pelo estar imóvel mais tempo que o seu corpo aguenta ou seja terapia de posição,uma pessoa que precisa de ajuda para se alimentar  tanto na seleção  adequada dos alimentos face à sua doença como no alimentar-se por não ser capaz,  uma pessoa e uma família enlutada pelo surgir de uma doença que necessita de encorajamento durante a adaptação a esta mudança de um profissional ou grupo de profissionais que se unam pelo conhecimento e como dizia Serge Moscovicci todos juntos sabemos muito mais  e temos muito mais saber e saberes e conhecimentos científicos, Poderia continuar num sem fim de necessidades

 

Pois caros cidadãos flavienses vejam se não sabem o que um cidadão flaviense está sujeito o melhor é pedir a reforma antecipada para tratar a doença…

 

Aliar uma unidade de cuidados  Primários a uma unidade de cuidados diferenciados sempre em estreita ligação pelo utente  e família e comunidade que também somos nós…

 

Mas por favor, com um pelo menos ou dois dirigentes que percebam a complexidade de gestão em saúde … e que quem cuida  mais por mais conhecimentos em cuidados, são os enfermeiros, queremos ganhar mais que os gestores que não têm licenciatura em saúde, ou seja uma pós graduação em saúde não pressupõe uma licenciatura em saúde e muito menos em saber cuidar…

 

 E que não olhem só e só para o protagonismo do seu umbigo e com medo de perder um lugar perdido à nascença ao fim de três anos e que se exponham a governar  sem saber o básico a gestão em saúde aprende-se  a promover o planeamento em  saúde  ao menor  reduzindo os centros de custo.

 

 não a planear o maior nº de centros de custos para haver reinos para todos os pseudogestores  menos para o utente.

 

Cuidados primários para promover a saúde e prevenção primária da doença em estreita ligação com os

 

Cuidados diferenciados para erradicar tratar e ou gerir a doença

 

e só um órgão de gestão capaz e imbuído de espirito de missão unido e conhecedor da área de intervenção, influência e proximidade da população  que gere e lidera .

 

Assim as equipas prestadoras de cuidados do centro de saúde e hospital trabalham de mãos dadas e telefone ao ouvido para partilhar conhecimento  sobre o utente que cuidam como um todo incluindo a família, acabam-se os agora :

 

Vá ao médico de família;

 

O médico de família diz que agora vim ao hospital a responsabilidade é do hospital,

 

Espere pelo vale cirúrgico e escolha um hospital qualquer para ser operado,

 

Mas eu sou sozinha , como vou para vila real?

 

Cá não há cuidados continuados tem de ir para freixo de espada à cinta, mas olhe que é um pulinho,

 

Já estou à espera da consulta há 3 anos, cada vez me sinto pior

 

Unidade local de saúde de chaves alto tâmega e barroso

 

Com  equipas cuidadoras com mais elementos  e profissionais de saúde motivadas, acreditadas e mais valorizadas que as equipas gestoras, vejam que há mais quem mande , aliás com pouco saber do que quem faça,  vejam , façam este exercício quantos diretores de serviço e diretores de centros de custos e chefes e diretores de USFs e de UCCIs e de… conselhos de administração e vogais disto e daquilo e de comissões disto e daquilo e de unidades de saúde pública e unidades de cuidados continuados e de unidades de cuidados Paliativos e de misericórdias, e de clinicas e de lares  e  de residências e de…de gabinetes e de siglas  de serviços sem serviços físicos e ou equipas, e de estrangeirismos,  tenhamos misericórdia de nós e vejamos o que nos está a fazer esta espartilha toda a meter-nos num espartilho que quase não nos permite respirar…

 

 E sabem porquê?...

 

Porque nós deixamos…

 

Quem está a tramar o Hospital de chaves?

 

Nós…

 

Já nem nascemos cá e com sorte já nem podemos morrer cá,apesar de querermos… Ai deixem o 25 de abril desvanecer-se, à luz do tachismo…

 

E…. Quem manda? Sei lá, …

 

Só sei que a culpa é nossa, já somos adultos.

 

Eu volto e continuarei a cumprir a minha missão de enfermeira para a qual vocês, eu, incluída me pagam

 

Fazer a advocacia do utente, esclarecê-lo e dar resposta às suas necessidades em saúde com enfermagem de ligação direta e não fazê-lo andar de capelinha em capelinha  à mercê do deus dará… Pra nascer, vila real , porto  ou por aí, pra viver, chaves pra consultas se tiver ADSE vá aos cogumelos das clinicas tem ao seu dispor nem sei quantas especialidades, pela módica quantia de 4 euros por órgão… olhos, rins, membros, hormonas, neurónios, pele, segmentos corporais, coluna e esqueleto a multiplicar pelo nº, tempo de observação e dificuldade diagnóstica ou hierarquia da doença na tabela ou eixo da Classificação das doenças na sua décima edição. Por favor se tiverem ADSE não ocupem no público o lugar do cidadão que não tem façam esse favor, eu? Claro Peço a ementa das clinicas locais ou percocorro os hospitais da luz e afins os mais baratos com transporte incluído, não esqueçam que eu só sou enfermeira, não ganho mal face ao ordenado mínimo , agora face ao que estudo, mas sou essencialmente masoquista e tudo isto me dá prazer, não se preocupem…

 

E uma coisa de cada vez, quero agradecer

 

aos psiquiatras, aos endocrinologistas,aos gastroenterologistas, a um urologista

 

e aos profissionais e profissionais médicos que continuam a vir cá a chaves embora eu acho que no espirito de trabalhar no centro hospitalar não façamos todos mais que a obrigação é para isso que o cidadão nos paga

 

Quero agradecer em nome dos utentes aos neurologistas que queiram vir cá, os utentes continuam à espera… há anos, querido Dr. Moya que falta nos faz, Boa convalescença.

 

A Nós os que cá estamos alguém virá canonizar-nos… Talvez um dia… Por mim chega-me o privilégio de ter tido sempre emprego e trabalho, e exercer a profissão que nos permite chegar a todos os lados de Nós obrigada Florence Nigtingale pelo fio de prumo de estudar  para aprender a cuidar,

 

E porque cuidar é muito mas infinitamente muito mais que tratar um órgão ou descobrir o nome a uma doença , estudemos.

 

Eu volto caros flavienses, para mostrar a vantagem da unidade local de saúde, porque é  local é muito mais nossa e é a nós que nos compete defender a nossa região sob pena de nos deixarmos colonizar…Basicamente por preguiça e deixa andar

 

E desconfiem das boas intenções dos que dizem que … Ah e o financiamento dos médicos? Riam-se …

 

E lembrem-se deste financiamento que vigora no caos dos que só trabalham se lhe pagarem horas extraordinárias no exercício do horário normal e vejam a produtividade e vejam o que têm plantado no nosso hospital , ou será que só colhem alguns?

 

Não se deixem enganar pelos que só querem passar as autárquicas, cuidado é hora de lutas, depois não digam que não avisei(esta frase é horrível só a uso mesmo para irritar que é como quem diz acordar.).

 

Isabel seixas

 

 

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Sábado, 20 de Maio de 2017

Pedra de Toque

pedra de toque copy.jpg

 

                        Dá-me a tua boca

 

                        Escrever,

                        É tantas vezes esquecer.

 

                        Eu vou sofrendo, vou esquecendo

                        Vou sonhando.

 

                        Porque,

                        A felicidade acontece

                        Nas estrelas do teu corpo.

 

                        Dá-me a tua boca,

                        Para eu respirar.

 

 

                       António Roque

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:30
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Avelelas - Chaves - Portugal

1600-93-art (12)

 

Esta coisa de andar aqui pelo blog já vai a caminho de 13 anos. Inicialmente apenas dedicado à cidade de Chaves, cedo me dei conta que este espaço não focaria completo se não incluísse aqui as nossas aldeias. A ideia tinha pernas para andar, apenas era necessário ir por essas aldeias adentro à caça de algumas imagens que melhor as caracterizasse.

 

1600-avelelas (66)

 

Foi um trabalho ao qual me dediquei intensamente nos primeiros anos do blog, pelo menos até completar o levantamento das nossas quase cento e cinquenta aldeias, mas, com o tempo, fui-me dando conta  que na recolha inicial, a algumas aldeias  faltavam alguns pormenores, noutras alguma inspiração, noutras faltou algum tempo para ter sido uma recolha completa.

 

1600-avelelas (63)

 

Claro que teria que repetir as minhas voltas a algumas, para ser sincero a muitas aldeias, e retomei a caminha de nova recolha, esta feita com mais calma e até com outro olhar, mais apurado, pois ao longo do tempo também fui apurando o olhar, principalmente no saber aquilo que queria captar, mas mesmo assim, algumas aldeias foram ficando para trás. Avelelas foi uma dessas aldeias que foi ficando para trás, mesmo assim, passei por lá pelo menos três vezes em três anos diferentes, para ser mais preciso e segundo a data dos aquivos das fotos, fui lá de dois em dois anos (2006, 2008 e 2010) mas sempre me pareceu faltar alguma coisa.

 

1600-incend-avelelas (269)

 

Assim, há dois anos atrás (2015) numa das tardes disponíveis, em finais de agosto de 2015, decidi completar o levantamento fotográfico com aquilo que me parecia faltar, não só nas Avelelas, como também em Oucidres e Vilar de Izeu, mas parece que o destino estava traçado a não ser ainda nesse dia que iria completar tal levantamento, e não aconteceu mesmo.

 

1600-incend-avelelas (313)

 

Acontece que quando comecei a aproximar-me  da aldeia  vi que um  grande incêndio a rodeava e ameaçava até entrar pela aldeia adentro, incluindo a própria estra de acesso estava cortada com chamas de ambos os lados e um grande aparto de bombeiros. Aqui por ficar onde me era possível ficar, no cruzamento para a Sobreira e para o Castelo de Monforte e daí não arredei pé até ao anoitecer. Claro que as Avelelas ficaram novamente adiadas e nesse dia na recolha de imagens, apenas contava terra queimada, fumo, chamas e bombeiros. Assim, mais uma vez vamos até às Avelelas, mas com imagens de arquivo com a promessa de um dia lá voltar.

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 19:05
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Sexta-feira, 19 de Maio de 2017

O Factor Humano

1600-cab-mcunha-pite

 

10 contos de reis - sem notas - 5

Sobre o amor

 

Era uma enfermaria daqueles tempos, ampla e com grandes janelas, rasgadas na parede voltada para o sul. Várias camas, muita luz. Ala de mulheres, mais convívio do que intimidade.

 

Estava no começo da carreira e transbordava de entusiasmo humano. Gosto em ouvir cada história, atento a cada novidade clínica.

 

Chamou-me em especial a atenção, um velhinho digno, quase sempre sentado ao lado da cama da sua mulher, internada há vários dias, com uma trombose extensa. Aí permanecia horas, pegando-lhe na mão com ternura e aconchegando-lhe a roupa da cama. Por vezes monologava com ela, sem certezas de ser escutado, menos ainda compreendido.

 

Todos os dias explicitava, com palavras simples mas de forma nítida, o desejo de levar a esposa para casa, mal fosse possível: " Não quero que a minha mulher fique no hospital, nem mais um dia do que seja preciso".

 

Não era a postura mais comum nestas situações, menos ainda da parte de um homem. Não havia filhos, nem outros familiares próximos.

 

Entre nós comentámos o caso, com admiração e com respeito.

 

Nessa mesma enfermaria, no canto oposto, estava internada uma senhora, ainda na casa dos 50, segundo  informava o bilhete de identidade. Era um caso típico de grande discrepância entre a idade aparente e a idade real. Mantinha o hábito de se pintar e de se maquilhar, insistindo em tentar disfarçar a tragédia que a destruía: insuficiência cardíaca em fase terminal.

 

Naquela época, o meu papel profissional era considerado menor, o que me dava alguma liberdade de tempo e de conversa.

 

Esta senhora pagava uma factura de uma vida difícil, de prostituição, na parte antiga da cidade. Muito tabaco, muito álcool, muitos excessos.

 

Tinha um sorriso que desarmava, mesmo quando faltavam à maioria dos dentes. Dei por mim a elogiar a dedicação do velhinho que acompanhava a mulher em coma. Confidenciei-lhe a sua vontade de acompanhar a mulher em casa. E de como me surpreendia uma tal dedicação. Respondeu-me num tom genuíno, que não deixou margem para quaisquer dúvidas, sobre a veracidade do que dizia: "Sempre foi assim doutor, mesmo quando ia ter comigo, era sempre dela que falava com carinho e com respeito".

 

Morreu, três dias depois, de me ter contado esta história.

 

Manuel Cunha (Pité)

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 13:00
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Cidade de Chaves - Um olhar

1600-(30311)

 

Há pouco ficou mais um “Discurso Sobre a Cidade” de António Souza e Silva com o anúncio do lançamento de mais um livro sobre a Grande Guerra de 1914-1918, comemorativo do Centenário da partida do 1º Batalhão do RI 19 de Chaves para a Flandres, França.

 

Agora fica um olhar sobre o Jardim Público,  na Madalena, um dos muitos olhares que aquele centenário jardim nos tem para oferecer.

 

Mais logo, às 13H00 em ponto fica “ O Factor Humano” com o quinto conto dos 10 contos de reis, sem notas, de autoria de Manuel Cunha (Pité).

 

Até logo!

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:10
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Discursos sobre a cidade

SOUZA

 

CENTENÁRIO DA PARTIDA DO 1º BATALHÃO DO RI 19

PARA A FLANDRES-GRANDE GUERRA

 

 

Numa publicação, saída na Revista nº 50 do Grupo Cultural Aquae Flaviae, dávamos conta não só do contexto nacional deste conflito como referíamos a participação dos militares do Regimento de Infantaria 19 (RI 19) na Grande Guerra.

 

No próximo dia 23, por ocasião dos 100 anos da partida do 1º Batalhão do RI 19 para a Flandres/grande Guerra, será lançado, pelas 18 horas, na Biblioteca Municipal de Chaves, o livro da nossa autoria Grande Guerra - Enquadramento Internacional.

 

Cartaz A4.jpg

 

Deixamos aqui aos nossos(as) leitores(as) as singelas palavras do Prefácio que, em 2015, escrevíamos:

 

“Quando nos debruçamos um pouco, e refletimos, sobre a Grande Guerra - o acontecimento mais marcante à entrada do século XX - vemo-la como um enorme terramoto, que abalou e transfigurou, de uma forma profunda e determinante, a Europa, continente dominante e hegemónico em todos os setores da atividade humana - social, cultural, científico, técnico, económico e financeiro.

 

Era uma Europa aristocrática, arrogante, imperialista, ciosa do seu poder, orgulhosa do Progresso, que julgava sempre incessante e ilimitado, e que dominaria tudo quanto à face da terra existisse.

 

À superfície, na placidez desse mundo, fervilhava uma sociedade que, cuidando de viver no melhor dos mundos, gozava a sua Belle Époque.

 

Tudo isto simplesmente se passava à superfície.

 

As principais «placas» em que aquele mundo assentava (império inglês, alemão, francês, austro húngaro e russo, e o moribundo otomano) começavam a movimentar-se. E seus movimentos pressagiavam um fin de siècle em que tudo poderia deixar de ser como dantes.

 

A era da Razão e do Progresso, científico e tecnológico, sem limites, iria dar lugar à ubris, à loucura e catástrofe.

 

Bastava agora apenas um simples movimento em qualquer ponto mais sensível de uma das «placas» para tudo começar a desmoronar-se.

 

E, inopinadamente, num remansoso verão em que as classes possidentes e dirigentes vão de férias, a banhos, um outro banho, de sangue, começa a acontecer!

 

Sarajevo foi o epicentro desse enorme terramoto que, em longas e profundas ondas de choque, se alastrou por toda a Europa e pelas áreas desse mundo por ela dominado.

 

Uma Europa ébria, incontida, cega às consequências das sucessivas decisões que se iam tomando, lançando, em massa, toda uma geração de uma juventude promissora, na fornalha de aço que a metralha, que veio com o Progresso, gerou.

 

Era o princípio do fim de uma civilização a quem faltou o bom senso e a lucidez para pugnar pela construção de uma sociedade outra, numa convivência pacífica de povos”.

 

O Mundo e a Europa em que hoje vivemos foi moldado pela Grande Guerra (I e II Guerra Mundial).

 

Cremos que as palavras por nós escritas há dois anos têm pleno cabimento nos tempos por que passamos, exigindo de todos nós, numa sociedade tão outra que criámos, mas com os mesmos velhos problemas, melhores mecanismos de controlo, muita mais clarividência e lucidez, não só para evitar as calamidades que por várias áreas do Planeta proliferam, como para vivermos numa sociedade sem hegemonias e na aceitação igual e plena das diversas diferenças, do outro diferente.

 

Só assim é que o sacrifício e as vidas perdidas dos nossos antanhos de há 100 anos terão algum sentido e valido a pena.

 

António de Souza e Silva

 

 

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