12 anos
Domingo, 25 de Junho de 2017

Pecados e Picardias

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Cemitérios vivos

 

Olá Pai

 

Deixo-me estar em Bornes, no escorrega de promessas dos sonhos de miúda.

Agora é a nossa vez de  ir deitar água benta no vazio,  onde sucumbiram aos desgostos os fia-te na virgem e não corras.

Fizemos tanto tanto que não fizemos nada e agora o cansaço abafa-nos na solidão da falta do poder de já não ser capaz.

 

Eu não te disse?

 

Um rebanho de ovelhas entra nos terrenos baldios de escolhas e gostam de ser pasmadas e empurradas pelo latir dos cães que só ladram…

Há uma brisa no fundo do estradão que já não é fundo do estradão, fomos à escola e já sabíamos…

Só os cadáveres são verdade.

 

Deixo-me estar sem fazer nada e é como se estivesse a fazer alguma coisa, o não fazer nada…

Os gordos continuam a ser pesados, principalmente a si próprios e os magros principalmente aos outros,

Oh, continuam cada um a puxar para o seu lado.

 

Uma ou duas pessoas sabem que ainda continuo a ser a filha do Chiquinho e da d. Aninhas

Olhamo-nos de lado

Todos somos coitadinhos, até os que não, mais a mais gosto do Cristiano…

 

Disseste, disseste  que eram todos iguais, que …

E depois, que queres que faça, eu também sou…

 

A casa da avozinha já não está lá…

Ó tempo…

Já não temos ninguém que se lembre

 

A memória acende  sozinha a cada  tormento, rabanadas de morte ou abanar de medos

Já nos entendemos na desgraça

Paramos nas cinzas…

 

Disseste, disseste tudo passa

Nós também

 

Isabel Seixas

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 22:55
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Sábado, 24 de Junho de 2017

Calvão, Chaves, Portugal

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Hoje vamos fazer uma breve passagem por Calvão, com duas imagens da aldeia e uma do Santuário da Nossa Senhora da Aparecida.

 

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Calvão que não duvido nada em apontá-la como uma das aldeias  mais interessantes do concelho de Chaves, com alguns ponto de interesse que se destacam, como o conjunto do casario, o largo do cruzeiro com o respetivo cruzeiro e fonte, a capela do cemitério, alminhas, as cruzes da Via Crúcis, as fontes de mergulho e restantes fontes do Estado Novo.

 

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Mas penso que o destaque principal vai mesmo para o Santuário da Nossa Senhora da Aparecida construído para celebrar e acolher os devotos do aparecimento da Virgem Maria a três pastores: Manuel, Maria Rosa e Teresa Fernanda. Muito semelhante ao que aconteceu em Fátima, mas com uma diferença importante, em Calvão aconteceu em 1833, quase 100 anos antes do aparecimento de Fátima, ou seja, esta de sermos vítimas da interioridade já vem de há muito, mas também a Igreja, por outros interesses, não valorizou o aparecimento da Virgem Maria em Calvão. Mas não deixa de ser curioso que os acontecimentos de Fátima seja uma cópia dos acontecimentos de Calvão, até nos pastores, no número de pastores e no sexo.

 

 

 

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Sexta-feira, 23 de Junho de 2017

Freiras - Versão 3

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:51
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Discursos Sobre a Cidade

GIL

 

ABÉSPORAS

 

Na terra escrava do Planalto pouca há que medre!

 

Tirando o centeio – ancestral gramínea da palha e do pão que fazia a cama da gente e dos bitchos e atulhava as arcas de castanho para as invernias – e a batata, vinda das américas em meados do séc. XVI, para alívio da castanha e da bolota, pouco mais se aveza na imensidão áspera dos corgos do Brunheiro.

 

Nesta senda, as ceifas, pelo agosto, e o arranque dos tubérculos em setembro, eram empreitadas que davam pelos peitos a uma mula! Dias duros, contudo, dias de festa pela alegria da colheita.

 

A gente pobre, carregada de fome, suor e cansaço, no final de cada jornada ainda reservava forças para a folia. Gente feliz que, com tão pouco, inveja quem hoje se diz infeliz com tanto! Admiro aquela gente antiga que, de barriga vazia, sabia sorrir e dar-se!

 

Recordo, com nostalgia, a alegria dos ranchos de segadores regressando a casa pelo crepúsculo: gadanho às costas, dedeiras a pender da baraça que fazia de cinto, camisas rotas e encardidas, calças de cotim remendadas, socos de pau de amieiro muito gastos, carpins de lã de ovelha empastelados, chapéu de palha roído pelo sol, poeira da palhoça enfeitando os ombros, barba de oito dias, caras enfarruscadas pelas gotas que escorriam abundantemente das testas e se misturavam com o pó da terra, mãos grossas como a casca do carvalho negral!... E, apesar do magro soldo que os atraía desde a Terra-Quente, ainda se astrebiam a amanhar um bincelho e a enfeitá-lo com flores do campo, para oferecer à patroa Carolina.

 

E vinham cantando:

Bimos de segar centeio

Com o gadanho na mão

Biba o Sr. Antoninho

Que é um patrão

 

P’ra mais de cem pousadas

Seguemos hoje no Belão

Amanhê segaremos mais

Em bindo o garrafão

 

Ó senhora cozinheira

O seu caldo cheira bem!

Deiamos uma malguinha

Por alma de quem lá tem!

 

Depois da ceifa vinha a acarreta, quase sempre feita à ajuda pelo povo da aldeia. Emedava-se o centeio na eira e aguardava-se vaga da malhadeira do Ti Jaime da Amoinha Nova, para separar o grão da espiga. Enquanto não se malhasse, andava-se com o coração num tchitchelo por causa do perigo de um incêndio que podia, muito bem, deixar o Carregal na penúria o ano inteiro. A propósito recordo os sermões do Paizinho aos fumadores, para que não o fizessem na eira. Persuadia-os, ano após ano, com um incidente trágico da Grande Guerra, a que assistiu, de um cigarro mal apagado nas trincheiras de Neuve Chapelle que matou três dezenas de camaradas. Muitas vezes chegava mesmo a açobar-lhes os cães para ver se agarravam medo e iam estripar cigarros para outras bandas! Todavia, a eira era o lugar mais apetecível do Carregal e, apesar do cuidado do Ti Moreiras, sempre se ia fumando, à escapula, à beira das medas do pão! Mas que ele não visse!

 

Seguia-se a saga da malhada. Uns escangalhavam a meda o botavam os molhos p’ra riba da malhadeira, outros ajudavam a encafuar a palha na máquina para a apartar do grão, outros escolhiam a palha mais ajeitadinha, o colmo, para encher os xaragões e outros empalheiravam. Um trabalho infernal pela canícula, pelo barulho do trator que movia a malhadeira e pelo pó que se levantava no ar.

 

Mas é mais de um episódio relacionado com o arranque da batata canibeque que vos quero falar nesta novela.

 

Para o arranque do Ti Moreiras não bondava a gente do povo. Por isso, em inícios de agosto, nas feiras de Carrazedo, o velho combatente cuidava de prover a mão-de-obra necessária, para numa semana bimbar os batatais. E vinha gente de muita banda: da Dorna, de Vale do Galo, de S. Cibrão de São João de Corveira, sei lá!.. Dependendo da franqueza do ano agrícola, vinham, quase sempre, para mais de dez homens, gente habituada ao trabalho duro do cabo da sachola de ganchos de sol a sol. O trabalho menor ficaria por conta da gente da terra: o espanar da rama, a apanha, o ensaque e o transporte até ao armazém. Os forasteiros alvezes vinham da seco, outras d’amolhado. Quando o patrão os alimentasse, ganhavam menos, bem entendido, mas tinham comida e vinho à tripa forra! Os da terra, à ajuda, vinham sempre d’amolhado. E não faltava quem trabalhasse, pois o patrão tinha a fama de tratar bem!

 

Assim, mais ou menos pelas sete da matina, matabichava-se.

 

O Ti Moreiras estendia duas mantas de farrapos sobre o carro de bois, punha uma cesta com nozes e outra com figos secos. Numa pequena giga de vime meia dúzia de bolas de trigo de três cantos. Encafuado num estadulho, o pipo da aguardente, que passava, uma única vez, pelos queixos de todos. Depois, distribuíam-se as tarefas. Cada arrancador pegava num rego, seguido pelos outros em escada. O patrão punha-se em frente deles, cuidando que as batatas fossem bem arrancadas e nada ficasse para o rebusco e ainda que as sacholas cavassem fundo para não as rachar. Os mais novos espanavam a rama para soltar as canibeques e as mulheres apanhavam. Outros vazavam as cestas nos sacos de serapilheira que iam sendo cozidos com agulha e baraça à medida que se fossem enchendo.

 

Por volta das dez horas, vinha o almoço. O rancho parava cerca de meia hora. Comia-se uma lisca de cimo-de-pá, um cibito de queijo ou carne gorda da pá, rijada, com um carolo de pão. Dois golos de vinho, do de Cova do Ladrão, de um pipo que passava de boca em boca. Estavam assim carregadas as baterias para mais três horas de trabalho.

 

Pela uma e meia, mais coisa menos coisa, quando pela coroa das giestas piorneiras se visse a giga do jantar, estendia-se um fardo de colmo na poula contígua à leira do arranque, à sombra das carvalhas. Por cima punham-se umas mantas de trapos sobre as quais se espalhavam alguns pratos fundos de louça preta de Nantes. Depois, dos alguidares que vinham na giga, vertia-se nos pratos fundos o cordeiro estufado que exalava um cheiro de fazer crescer água na boca. Noutros caçoulos, botavam-se as cachas das batatas cozidas. Cada trabalhador recebia um garfo de ferro e uma côdea de pão. Do mesmo prato, cada um servia-se dos nacos de carne à velocidade com que os deglutisse. Muitas vezes, o prato da carne enchia-se de saltões cinzentos que infestavam a poula e se agitavam com aquele movimento desusado, mas isso pouco importava, já que se constava que os bichos não gostavam de cordeiro guisado!

 

No Carregal, por essa ocasião, vivia um paisano que era escornado por todos. Esse repúdio tinha a ver com a mania que ele tinha de larpar como um lambão! Gostava muito de ir à ajuda para o Ti Moreiras porque enchia as ventas! Era o Faustino da Rabiça, mais conhecido por Tranglimanglas, um brutinho, mouro de trabalho! Sabia tão-somente comer e trabalhar! Trabalho não lhe faltava, comida sim e, quando a apanhasse a jeito, até se afogava! Por isso, todos faziam pouco dele. Contudo, o moço, de tão ingénuo, alinhava em todas as maroteiras e desafios que lhe lançassem, desde que lhe cheirasse a morfes!

 

Ora, desta vez, o cordeiro estava tão bom que o bardina comeu com tal sofreguidão que deixou os parceiros mais próximos quase a apitar!

 

Pagá-las-ia o lambuzão!...

 

O Gripino, um dos que apenas lambeu os ossos do anho, pensou-a bem! Conhecia ali no Corgo umas velhas tocas de raposa, abandonadas, onde era costume as vespas fazerem ninho. Vespas bravas, cuja ferradela punha qualquer um a ganir, fosse gente ou fosse bicho! Que o digam as pobres vacas do Guilhermino que, há alguns anos, agradando uma leira próxima, foram atacadas sem dó nem piedade! Os pobres animais, em desespero, desinvestiram giestal adentro jungidas e com a grade de arrasto. Foi o cabo dos trabalhos para as tirar de lá!

 

Ora, durante a sesta que se fazia mais ou menos até às três da tarde, o Gripino lembrou-se de desafiar o Rabiça a desentocar os raposinho novos que dizia ter enxergado a entrar nas velhas tocas. Se o conseguisse, os bichos haveriam de fugir ó p’ra cima - sim, porque lobo ou raposa nunca foge ó p’ra baixo temendo que as tripas lhe saiam pela boca - e seriam apanhados à sacholada. Depois, bastava irem de aldeia em aldeia com os raposos mortos pedir ovos que fariam um bom petisco, juntando-lhes as boieiras apanhadas nas pescoceiras armadas nos montículos de terra qua as ratas faziam nos lameiros de pasto.

 

− Ó Faustino, vais ao toco grande com esta aguilhada, metesia quanto possas. Os raposos, picados pelo ferrão, vão desinvestir por esta rodeira direitos a nós. Com as sacholas limpemos-le o saramplo. Mas tens de esguiçar bem senão eles não saem. Amanhê, domingo, bamos aos ovos com os raposos mortos e vais ver que nos enchemos deis. Depois cacemos umas boieiras no Belão com as pescoceiras e faremos uma tainada. O binho pago-o eu!

 

Com o sentido na comida, o Tranglimanglas nem hesitou. Que alinhava!

 

Pegou na aguilhada e nem se deu conta que todos arreganhavam os dentes com o que adivinhavam que iria acontecer!

 

Saltou a parede do giestal contiguo à touça onde jantaram, chegou aos tocos da raposa e toca de escarafunchar com a aguilhada no toco mais largo. Não tardou que o vespeiro, que dormiria a sesta, se agitasse e lhe caísse em cima como mosca no mel!

 

Ah…homem de mil diabos!

 

Desesperado, largou a aguilhada e, a berrar como um cabrito-montês, saltou a fugir por entre as giestas piorneiras para espanar às ditas. Contudo, quanto mais corria e espanejava, mais elas o filavam!

 

Da touça, entre a galhofa, alguém lhe berrou:

 

Bota-te ao poço, lambão, bota-te ao poço!...

 

Nem pensou duas vezes. Correu e mergulhou de cabeça!

 

Entes morrer afogado do que comido pelas abésporas! − pensaria o infeliz!

 

Não sabia nadar. A sorte é que o poço tinha pouca mais de um metro água, pela secura daquele verão!

 

Tiraram-no a pulso, pendurado numa corda carral. Parecia um cristo!

 

Vinha a esbagoar!

 

O poço safou-o das feras, mas não de umas esmoucadelas e, sobretudo, dos inchaços e do gozo dos companheiros!

 

Nos dias seguintes, parecia um bombo!...

 

Todavia, passado aquele episódio, voltou a ser o lambareiro de sempre!

 

Não lhe serviu de lição, embora doravante não pudesse ver as abésporas!...

 

Pudera!

 

Gil Santos

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Quinta-feira, 22 de Junho de 2017

Coisas do meu baú - A manif de fevereiro de 2007

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Recordo de há uns anos atrás, um amigo de então que também anda nestas andanças de meter as imagens de Chaves na net, me ter dito — “qualquer dia esgotamos as imagens de Chaves para publicar”. Lembro-me de ter discordado e de lhe dizer que haveria sempre uma nova imagem para publicar. Continuo a acreditar que essa nova imagem continua a existir e a prova disso é que este blog caminha para os 13 anos de existência e sempre que podemos trazemos aqui uma nova imagem de Chaves, às vezes do mesmo local ou do mesmo tema, como acontece, por exemplo, com a ponte romana, mas nos milhares de fotografias que pela certa existem da ponte, todas elas são diferentes e nem por isso deixam de ser interessantes.

 

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Por outro lado, e sem contradizer aquilo que atrás disse, as imagens de Chaves que diariamente se publicam na NET, andam todas à volta do mesmo, das mesmos locais, das mesmas ruas ou daquilo que está na moda ou vai sendo o acontecimento do dia, o que é natural que assim aconteça, principalmente no que respeita ao acontecimento do dia ou aos temas que andam na baila. É assim como este caso do incêndio assassino que ainda lavra no interior do país e que inunda todos os meios de comunicação social, e que é uma constante na maioria das conversas, que desperta debates, opiniões para todos os gostos, aproveitamentos e que mexe com os nossos dias. E assim vai ser até que novo acontecimento, nova catástrofe ou vitória venha substituir este agitar dos dias por outro agitar qualquer. Tudo isto vai ficando registado em imagem,  mas a sua importância no interesse público é efémero, dura enquanto dura e no futuro só recordarão o momento,  quando um acontecimento idêntico o fizer despertar na nossa memória.

 

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Pois no meu baú de imagens já vão existindo muitos momentos importantes que aconteceram na nossa cidade e que uma ou outra vez, por um acontecimento idêntico se vão recordando. Geralmente é aí que vamos à procura deles para os trazer aqui de novo e dizer — Eu lembro-me e até estive lá, aqui estão as imagens…

 

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Pois para esta nova rubrica que irá acontecer aqui no blog, de vez em quando e sem dias ou horas marcadas, vou ir ao meu baú de imagens despertar memórias e momentos que aconteceram há anos atrás, mais ou menos distantes, e que na altura tiveram a sua importância e reuniram centenas ou milhares de pessoas no mesmo evento, no mesmo protesto, na mesma comemoração, na mesma festa, no mesmo momento. Vamos talvez revermo-nos no momento, mais novos pela certa (ou de certeza)  e talvez até encontrar alguns entes queridos que há muito não vemos ou já partiram.

 

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Esta nova rubrica adota o nome de “Coisas do meu baú” e a intenção é apenas a de contribuir para a memória do nosso passado e de coisas que nos uniram ou nos juntaram, sem a necessidade de um novo acontecimento idêntico para o trazer aqui. Espero que gostem e/ou que se revejam nesses momentos.  

 

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Pois vamos então às imagens de hoje que, segundo consta no baú onde estão guardadas, foram tomadas na manhã do dia 21 de fevereiro de 2007, aquando decorreu uma manifestação contra o encerramento das urgências do Hospital de Chaves.

 

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Dia de feira em Chaves, o povo acorreu em massa à convocatória, a luta/protesto era do interesse de todos,  tal como a indignação por mais um roubo à vista, e logo um que mexia com a nossa saúde e bem estar.

 

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Segundo a teoria do caos, diz-se que o bater de asas de uma simples borboleta pode influenciar o curso natural das coisas, podendo mesmo provocar um tufão do outro lado do mundo…pois nesse dia em Chaves, o povo bem abanou as suas asas, mas como sempre, os ventos parecem nunca estar de feição para nós, pelo menos não chegaram a Lisboa. Certo que não perdemos as urgências, mas o Hospital é uma triste imagem daquilo que foi ou deveria ser.

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:06
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Flavienses por outras terras

Banner Flavienses por outras terras

 

Elisabete Carvalho

 

Nesta crónica do espaço “Flavienses por outras terras” vamos até à cidade da Maia, nos arredores do Porto, onde vamos encontrar a Elisabete Carvalho.

 

Cabeçalho - Elisabete Carvalho.png

 

Onde nasceu, concretamente?

Nasci em Valpaços, mas fui viver para Chaves com um ano de idade.

 

Nos tempos de estudante, em Chaves, que escolas frequentou?

Frequentei a Escola Primária de Santa Cruz, o Ciclo, e a Escola Secundária Fernão de Magalhães.

 

Em que ano e por que motivo saiu de Chaves?

Saí em 2014, por motivos profissionais do meu marido.

 

Em que locais já viveu ou trabalhou?

Em Chaves e na Maia.

 

Diga-nos duas recordações dos tempos passados em Chaves:

As recordações são muitas e é impossível nomear apenas duas…, mas recordo com carinho as tardes passadas com os amigos nas Caldas de Chaves, um espaço com bares e cafés com esplanadas incríveis, e com o calor que se fazia sentir era maravilhoso.

Outra das recordações é a do local onde vivi, Santa Cruz, e das brincadeiras com os amigos, o convívio com os vizinhos e a sensação de pertencermos todos a uma grande família.

 

Proponha duas sugestões para um turista de visita a Chaves:

A principal é a gastronomia, nomeadamente os Pastéis de Chaves e o famoso fumeiro. Depois, visitar toda a cidade, muito bonita e rica em património.

 

Estando longe de Chaves, do que é que sente mais saudades?

Sinto muitas saudades da minha "gente", do calor do Verão, da paz e do sossego e de não haver trânsito.

 

Com que frequência regressa a Chaves?

Vou algumas vezes a Chaves, visto que não estou muito longe, mas não sei quantificar.

 

O que gostaria de encontrar de diferente na cidade?

Só gostava que Chaves crescesse e houvesse mais oportunidades.

 

Gostaria de voltar para Chaves para viver?

Gostava, mas não é um assunto que me faça pensar, pois tenho uma filha pequena e com certeza que ela vai ficar por aqui e nós ficaremos com ela, fazendo sempre umas visitas a Chaves.

 

 

O espaço “Flavienses por outras terras” é feito por todos aqueles que um dia deixaram a sua cidade para prosseguir vida noutras terras, mas que não esqueceram as suas raízes.

 

Se está interessado em apresentar o seu testemunho ou contar a sua história envie um e-mail para flavienses@outlook.pt e será contactado.

 

Rostos até Elisabete carvalho.png

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:53
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Quarta-feira, 21 de Junho de 2017

Novidades...

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Novidades, sim, mas só amanhã. Eram para acontecer hoje mas o tempo dos relógios é implacável, não pára(*), mas pára(*) as nossas intenções. Mas adianto uma imagem...

 

(*) – Além de não ser um adepto fervoroso do novo acordo ortográfico, confesso que também não me incomoda e que o aceito, além de, em termos laborais, ser obrigado a utilizá-lo, mas há casos, exceções, em que a sua utilização pode criar dúvidas, e embora a nossa língua seja rica em soluções e facilmente podemos dar a volta ao contexto, às vezes é mesmo aquele o termo que queremos utilizar, e aí, não hesito em cometer o erro, como é o caso de hoje.    

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:15
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Cartas a Madame de Bovery

cartas-madame

 

Minha cara Madame de Bovery (7)

 

“Espero que esta carta a vá encontrar de perfeita saúde!” Não era assim que se começava dantes, no tempo em que as cartas andavam? E eram palavras não eram, o que se escrevia nelas?!

 

Acontece-me a mim o que se calhar acontece a todos, às vezes confundir conceitos! Lembra-se daquela obra prima que um dia ofereci ao Comendador? Pois havia no propósito, uma intenção: a de lhe mostrar que o espaço que ele ocupava no Universo não era o centro, posto que ele não o tem e que somos partículas tão ínfimas, com tão pouca massa e gravidade (força gravitacional?! Corrija-me a senhora!), que não passamos de poeira cósmica e se não fosse a órbita que os mais próximos nos impõem, andaríamos aos trambolhões pelo espaço, infinito que é!

 

Pois o Comendador não fez essa leitura, se bem que tenha achado a obra impressionante! Consegue apreender o que o impressionou nela? Sim, a sua grandeza, mas não como coisa absoluta, senão antes como mais uma a reforçar o tamanho do seu umbigo!

 

Há características no ser humano que são ao mesmo tempo fortes e débeis. Falo do orgulho, da capacidade que temos de termos mais consideração por nós do que pelos outros, embora também os consideremos grandes, mas sempre mais pequenos que nós. De acharmos que durante a nossa vida criamos com arte e sabedoria um sistema semelhante ao solar, onde os outros gravitam como planetas à nossa volta, com a estrela no centro. Ou seja, os outros não existem senão na medida em que nós os iluminamos, não têm brilho próprio, o brilho é nosso!

 

Há pessoas que têm a capacidade de olharem para o espelho e verem apenas os defeitos dos outros porque em si só veem qualidades. Não há espelhos para elas, não precisam deles, não são nem susceptíveis de comparação nem mensuráveis. Conhecem-se bem, estão seguros de si, para quê um espelho? Nunca nenhum deles lhe mostrará o que não sabem, porque elas sabem tudo!

 

Há, na sua realidade, também uma escala, como no livro, grande e pequena, que aumenta e diminui. Estas pessoas aplicam a primeira a si e a segunda aos outros. Não se apercebem da dualidade de critérios que utilizam para achar diferentes coisas iguais e iguais coisas diferentes! Em si tudo tem outro sentido que, se não é perfeito, se assemelha o mais possível à perfeição. Se alguém tem o atrevimento de lhes dizer isto, acham-no arrogante e mal-educado. Pior do que isto, fazem-lho notar e se a pessoa não entende, acham-na ainda mais desprezível: “e o mais impressionante é que nem sequer dá conta! ”Nós conta damos, estamos lúcidos e conscientes, não fosse assim e não o denunciaríamos em atitude! Mas na verdade quem não dá conta disto são eles e isto sim, é impressionante: como é que há alguém tão estúpido, que acredita que haja alguém tão estúpido, que não reconheça como simples o que é simples de reconhecer!

 

E fazem isto naturalmente, porque em si tudo é certo, porque o erro, o lapso ou a falha, até a simples e natural desatenção, lhes são coisas alheias, dos outros! Estas pessoas nunca se distraem, nunca estão desatentas, nada lhes escapa, não perdem tempo com nada, nem com o que é importante ou fundamental, porque nada é mais importante que estarem bem e estas pessoas conseguem estar sempre bem, mesmo quando têm alguém ao seu lado a sofrer, porque o sofrimento dos outros não é delas! Nada do que se passa com os outros as afecta, porque elas não são os outros! E se há alguém mais desprevenido que ainda tem esperança que isto mude e lhes pede ajuda, elas afastam-se em silêncio, porque haver alguém que precise de alguma coisa as assusta, porque elas nunca precisam de nada!

 

É mesmo verdade, há pessoas assim, que precisam de tudo dizendo a tudo que não e não conseguem dar nada, porque não têm nada para dar! São assim! E quando os outros, lúcidos, não são assim, dizem: “não seja assim!”

 

Não conseguimos abrir os olhos a estas pessoas, porque já os têm abertos! Embora durmam grande parte do tempo, dormem de olhos abertos! E isto sim, é ainda mais impressionante!

 

Nunca lhe aconteceu, minha cara Madame de Bovery, ter pena destas pessoas?!  Bem sei que é um sentimento estranho e que tê-lo é, às vezes, encarado como desumanidade por implicar que de alguma forma nos estamos a considerar superiores àqueles de quem temos pena e que nenhum ser humano pode achar isto do seu semelhante, mas, esqueça lá por um bocado esses conceitos filosóficos e responda-me sinceramente: dá ou não dá pena?

 

Concordo consigo, entramos em conceitos difíceis de abordar e de tirar com eles alguma conclusão! Pena, tolerância, arrogância… estas pessoas já não mudam! Sei-o agora e tenho também pena de mim por isso! Porque se o tivesse sabido antes tinha-me valido a pena e agora, a pena, não me serve de nada, nem a que tive por elas nem a que tenho por mim, porque o que sentimos agora que é verdade, é que se tivéssemos tido pena delas na altura certa, tínhamos evitado agora a nossa! Se calhar somos piores do que elas, ainda mais egoístas, ainda mais cruéis, mas isto é só uma sensação porque na realidade, bem vistas as coisas, isso não é possível!

 

Sempre sua,

Maria Francisca

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:44
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Terça-feira, 20 de Junho de 2017

Imagens frescas para dias quentes

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:18
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Chaves D'Aurora

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  1. NATAL EM MONFORTE.

 

Nevava lá fora, em Sant’Aninha de Monforte. Para quem olhasse do alto da torre da igreja, as pessoas a caminho da Missa do Galo, entre as quais, todas as do clã dos Bernardes, pareciam manchas negras a se moverem sobre a neve. Chegara o dia em que se comemora o aniversário mais festejado, na maior parte do mundo: o nascimento do Menino Deus. Papá dissera que lá em baixo, em Chaves, seria esse um dos mais tristes dezembros, pois até o Pai Natal estava com medo de descer pela chaminé e se deparar com a Pneumónica. Alguns riram e Papá ralhou, dizendo que não tivera a menor intenção de fazer graça, ainda mais a se valer, como remoque, dos tão dolorosos factos que estavam a vivenciar.

 

Já que o grande presépio franciscano da família havia ficado na quinta do Raio X, Florinda e as filhas improvisaram, ao pé do pinheirinho, um arranjo de figuras meio toscas, de papier-maché, uma arte feita com cola e jornais molhados, que Mamã aprendera com as freiras do Colégio Santo António, em Belém do Pará. No conjunto de tão singela arquitetura, compensava-se a falta do original com o lago representado por um caco de espelho entre pedrinhas, o poço de madeirinhas feito por Afonso, com um dedal a servir de balde, e o jardim com musgos verdes e flores de papel encarnado. Nos pequenos caminhos, feitos de serragem tingida com água e papel acastanhado, punham-se alguns pequenos biscuits que, desbeiçados, ou com algumas partes a reajustar, haviam sido encontrados por cá e acolá, nos quinteiros de Sant’Aninha e arredores.

 

À ceia da consoada, Papá e Mamã ergueram-se, junto com os mais, inclusive os caseiros, os filhos destes e as criadas (sentados também à mesa, como era costume, em tais ocasiões) e se uniram em oração por todos os que ali se achavam. Rezaram também por sua Aurélia, pelos demais parentes e amigos que estavam enfermos em Chaves (com certo alguém incluído, de modo silente, nas preces de Aurora) e pelos que, como a querida tia Hortênsia, não foram nem de leve atingidos pelos dardos da cruel Pneumónica (e suplicavam que, por certo, jamais viessem a sê-lo). Amém! Por fim, todos pediram misericórdia e descanso eterno aos mortos. Concluiu Florinda, em voz alta – E Deus nos livre das más horas e do mau tempo!

 

Solene, o patriarca partiu o pão com as mãos e deu uma generosa côdea a cada um dos comensais que, entre goles de jeropiga (ou leve sangria, para os não adultos), entremeavam as migalhas às iscas de bacalhau e aos ovos com vagens de ervilhas. Depois, foi a vez do mesmo bacalhau vir à mesa assado na brasa, com montanhas de batatas, repolhos, grelos, couves-galegas, muito azeite e o que de mais e melhor houvesse na dispensa. A seguir, vieram as sobremesas. Arroz doce, sonhos, aletria, filhoses de abóbora e fatias paridas. Ainda iriam todos, mais tarde, atirar-se às avelãs, nozes e amêndoas, bem como às castanhas e pinhões. Os dois últimos eram acondicionados em assadores que pendiam das cremalheiras, a se abrasarem ao lume vivo, onde ardiam toros de carvalho.

 

Ao final da consoada, era a hora de pedir as bênçãos, como rezava a tradição. Aurita, como fosse a mais velha, chegou até ao pai e falou, com uma solenidade que não era comum nos outros dias – Deite-me sua bênção, meu pai! – Deus te abençoe, minha filha! – e, para a boa Florinda – Deite-me sua bênção, minha mãe! – Deus te abençoe, filha querida! – seguindo-se um por um dos filhos, a fazer o mesmo, em ordem decrescente de idade, até à mais nova, a pequena Arminda.

 

Antes de deixarem a mesa, fizeram-se de novo as orações, dando graças a Deus por mais esse Natal.

 

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Segunda-feira, 19 de Junho de 2017

Quem conta um ponto...

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360 - Pérolas e diamantes: A escrita e o anzol

 

Gonzalo Torrente Ballester escreveu, tentando responder a uma pergunta incómoda, que a génese da obra de arte aproxima-se mais do exemplo do trabalho e da persistência do que na biologia do nascimento humano. A liberdade, o acaso e a vontade conscientes são os fatores reais e decisivos. “Não creio que exista nenhuma obra de arte que não pudesse ter sido de outra maneira e obviamente melhor do que é.”

 

Afinal porque se escreve? Depois de vários projetos mais ou menos falhados, ou de alguns com sucesso, a resposta até poderá ser: para nada.

 

Para vos animar, quero desde já dizer que este “nada” não é uma resposta radical e negativa. Esses tempos já lá vão.

 

À boa maneira de uma ave canora, podia dizer que o intelectual vive enquanto pensa e escreve. Sim, é esse o seu modo de ser e de estar no mundo. “E só nisto já encontra justificação”, como afirmou o escritor galego.

 

Afinal estamos neste mundo “sem termos sido ouvidos nem achados, e, sobretudo, sem que o tenhamos pedido; mas o pior é que os outros também o esquecem e se põem a fazer exigências e a pedir justificações, até do mero existir”.

 

A justificação impõe-se por si própria. E o fado que cada um carrega para percorrer o seu caminho de pensar e escrever apenas a ele diz respeito. Os fins sublimes são mera ficção, parvoíces, tontarias. “Escrevemos porque sim, ou porque gostamos, ou porque não sabemos fazer outra coisa.”

 

Muitos procuram uma finalidade no ato da escrita. Uns proclamam razões e inconveniências. Outros choram baba e ranho em cima daquilo que escrevem. Outros, ainda, arremessam a pedra e escondem a mão. Há feitios para tudo. Muitas vezes escrever resulta num ato gratuito e num esforço inglório. É meio falhanço. E depois?

 

Como justificação relato-vos a história que contaram a Torrente Ballester de um rouxinol que um belo dia descobriu que ninguém lhe ouvia o doce canto e que, desiludido, decidiu ser carpinteiro, como o seu vizinho de árvore. Nesse ofício, obviamente, nem sequer atingiu a mediania.

 

Não é necessário perguntarmo-nos por que escrevemos, pois essa questão encaminha-nos invariavelmente para a falácia das grandes transcendências. Cada um deve fazer aquilo que tem de fazer e não lhe dar muita importância. Devemos revelar mesmo uma certa indiferença perante o ato verificável de que a voz do rouxinol não tem o público que merece. E quando chegar a hora de nos calarmos e emudecermos, aceitá-la de bom grado e em paz. Devemos fazer como aquele toureiro que após cada lide, fosse ela boa, mediana ou má, dizia invariavelmente: “Aí têm.”

 

Além disso, cada leitor de um romance lê, apesar do mesmo texto, um romance diferente, dependendo sempre da sua maneira de ver o mundo, da sua experiência de vida e não da palavra textual.

 

Gonzalo Torrente Ballester avisou-nos: “A palavra dispara setas, e muitas delas perdem-se longe do alvo.”

 

A fórmula é geral. Mesmo o Dom Quixote, que é o primeiro romance ocidental, é a história de um jogo que se escreve jogando.

 

O romancista define-se não por aquilo que é, mas sim por aquilo que escreve.

 

Devemos sempre desconfiar tanto dos mitificadores como dos desmitificadores.

 

O necessário é cada um percorrer o seu caminho pois ele leva-nos, pelo menos, ao seu próprio fim.

 

Eu ainda sou dos que acreditam que, por muito errado que um caminho possa ter sido, alguma coisa acabamos sempre por descobrir. Ninguém o percorre em vão.

 

Afinal são os poetas que tradicionalmente se dirigiam ao povo, com as histórias clássicas consideradas épicas como são o caso da Ilíada, da Canção de Rolando, Mio Cid ou mesmo Os Lusíadas, com palavras ao serviço da sua glorificação, que nos tentaram “fazer engolir sem protesto o anzol do poder”. 

 

Roland Barthes dizia que a escrita “é o lugar do político no sentido lato, ou seja, a escrita é aquilo mediante a qual ele se exprime, mesmo se o escritor não é disso consciente, o que ele é socialmente, a sua cultura, origem, a sua classe social, a sociedade que o rodeia”.

 

Antes de terminar, quero citar Laurent Binet, autor do romance A Sétima Função da Linguagem, que sabe da dificuldade de aproximar o leitor dessa função: “Quando escrevo uma cena ou uma frase, gosto que não haja apenas uma função, só psicológica ou só poética. Essa cena também serve para dar um passo em frente e jogar com os símbolos.”

 

Claro que a linguagem é um código. Mas nunca se esqueçam que toda a descodificação é uma nova codificação.

 

No campo da ficção, Roland Barthes defendeu que a linguagem é a arma mais poderosa do mundo e há quem mate para dominar o seu segredo.

 

A vida não é um romance. Os romances é que podem fazer parte da vida. Da minha fazem, com toda a certeza. E da vossa também, por muito que nos custe a todos acreditar. 

 

PS – Texto lido na apresentação do romance “O Homem Sem Memória”, de João Madureira, no dia 16/6/2017, em Chaves.

 

 

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Domingo, 18 de Junho de 2017

O Barroso aqui tão perto - Cambezes do Rio

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Como de costume aos domingos vamos até terras do Barroso, hoje toca a vez a Cambeses do Rio, às vezes também grafado com Z (Cambezes)  

 

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Agora que avezamos da “Toponimia de Barroso” , vamos ao que nela consta sobre Cambeses:

 

“CAMBESES – Desde 2013 – União das freguesias de Cambezes, Donões e Mourilhe.

De facto este topónimo é nome pátrio. Trata-se de gente que veio de Camba ( Os Cambeses) ou que deram esse nome aos outeiros curvos onde moram (Cambas). Dá-se o mesmo fenómeno com Peireses, Barreses, Caldeses, Cambados, etc.  no que respeita a nomes de gente migrante.”

 

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E continua a “Toponimia de Barroso”:

O étimo é Cambe, pré-romano, e topográfico, significando elevações arredondadas, com reentrâncias e saliências curvas:

Cambe + enses > eses.  É, portanto, errónea a grafia com Z.

Têm a mesma origem: Camba, Cambia, Câmboa, Cambado, Cambados e Cambeiro.”

 

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A troca do S pelo Z nos topónimos é muito comum, e a mim deixa-me sempre na dúvida qual será a forma correta de grafar o topónimo. Por mim costumo ir pela tradição ou pela forma mais antiga de grafar o topónimo, que no caso, pelo menos no que vi em escritos mais antigos, Cambezes é grafado com Z. Mas não deixa de ser curioso que na passagem que atrás transcrevemos da “Toponimia de Barroso” se inicie assim: “CAMBESES – Desde 2013 - União das freguesias de Cambezes …” Aliás, na página oficial do Município de Montalegre, Cambezes é grafado com Z. Certo que isto são picuinhices nossas, mas mexe connosco termos de suportar o peso da decisão para não errarmos, e depois, acabamos por ser contagiados e às tantas, acabamos também por grafar o topónimo de ambas as formas, mas para que conste, eu sou mais pelo Cambezes, com Z.

 

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Ainda na “Toponimia de Barroso”, num aparte, vem a “Toponímia alegre” onde se lê:

Eu fui ao monte à carqueja,

Trouxe um molho pequenino;

Os rapazes de Cambeses

Estão marcados no focinho.

 

Vede bem o que fazeis

Se passardes em Cambeses;

As moças são camaradas,

As velhas são fraca rês.

 

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Esta da “Toponímia Alegre” leva-me até  à “Etnografia Transmontana - I” de António Lourenço Fontes, ao capítulo das  “Alcunhas ou Nomeadas” e “Nomeadas das terras e das gentes” onde  começa por dizer:

“ O nosso povo sabe caracterizar muito bem os seus vizinhos. Um defeito comum, um erro conhecido, um hábito generalizado, um facto histórico ou lendário é capaz de ser motivo suficiente para apodar todos os do mesmo povo, com o mesmo nome. (…) O povo sabe muito bem a razões de tais nomeadas, pois foi ele, com veia de poeta, que baptizou assim os seus vizinhos. Muitas aldeias já esqueceram a sua alcunha e se aqui se registam, não é para espezinhar alguém, mas apenas para dar um subsídio para a história de Barroso, suas terras e gentes”

 

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E continua:

“ Algumas aldeias têm mais que um nome, ou alcunha. Conforme o gosto de quem os nomeia e a tradição de cada um. Os de uma terra são capazes de chamar aos de Solveira escorna cruzes e outros já lhes chamam tarouqueiros. Os da Vila da Ponte gostam de se chamar fidalguinhos, mas os vizinhos já lhe chamam Chavelheiros. (…) Muitos mais nomes se poderiam recolher do povo, fiel depositário desta velhas tradições. Servem estas de amostra. Estas nomeadas, ou lengalenga como outros lhe chamam, usam-se quando se quer  espezinhar uma pessoa. Então aplica-se-lhe o nome que lhe compete. Raramente se leva a mal.”

 

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Claro que nisto das nomeadas e alcunhas das terras e gentes, Cambezes também não fica de fora, nomeadas que vão desde os “Duques de Cambezes” aos “Mandicantes  de Cambezes” ou “Doninhas de Tourém/Gameleiros em Donões/Tarouqueiros de Sabuzedo,/Colhereiros de Mourilhe,/ Há bos studantes em Frades, /Saltasebes de Paredes,/Tocafóis de Cambezes. /Os da Vila são cães de fila./Lacaios de Padroso/ Em Viade há boas moças,/ É Cambezes o ramo delas,/ As de Frades são umas putas/ Quem há-de casar com elas.” . E para terminar também se diz “Cambezes, terra dos homens portugueses”.

 

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Continuando  na “Etnografia Transmontana ” de António Lourenço Fontes, mas agora do Vol. II,  temos a transcrição de algumas actas da Junta de Cambezes, como a do dia 30-9-1923, onde se diz:

“Atendendo à grande extensão de terrenos baldios, para pastagens de gado caprino, sem prejuízo para os vegetais, a serem terrenos descampados e sem alboredo, atendendo a que os moradores desta freguesia tem grande necessidade de criar o referido gado, a fim de curtir os estrumes indispensáveis para a cultura das suas terras, sem os quais os seus frutos seriam nulos, atendendo mais a que alguns moradores já tem cortes nas terras, mais distantes para esse fim, propunha à Exma. Câmara do Concelho que cada lavrador ou morador pudesse ter pelo menos trinta cabeças do referido gado caprino, à imitação d’outras freguesias…”

 

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A acta de Cambezes de 4-1-1932 é bem curiosa, para que o povo saiba onde se põem os pontos nos is, diz assim:

“ Foi dito que hera neçairo para bem da povoação, que cada homem dera dois dias, cada comissão, de 18 anos até 60 anos, o que faltar será punido com 20$00, de multa por dia. Cada junta de gado dar dois dias. Multa de 50$00, ao faltante. Guardar os usos velhos da freguesia: aquele que não quecer o forno, quando le pertence, terá a multa de 50$00. É preciso guardar respeito à autoridade, aquele que faltar terá a multa de 15$00 por cada vez.”

Curioso que, a julgar pelo valor das multas, “quecer” o forno do povo era mais importante do que respeitar as autoridades.

 

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E o forno do povo era mesmo importante, aliás a “questão” do forno era referido noutras actas, como na Acta de Cambezes de 3 de Fevereiro de 1935, onde consta:

“ Segundo os antigos usos e costumes todo o vizinho da freguesia que se utilizar normalmente dos fornos do povo, terá de o aquecer na segunda feira da semana em que tal lhe pertencer, sob pena de multa de 30$00 por cada vez, que não cumprir.

  • único — Pode porém qualquer vizinho trocar livremente com outro, a sua vez, ou satisfazer ao encargo, colocando à porta do forno até às 4 horas da tarde de segunda feira, um carro de lenha que será utilizado pelo primeiro dos vizinhos que se apresentar a cozer a fornada.”

 

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Ainda o forno e as antigas actas de Cambezes. A de 2-1-1968 dizia:

“(…) Todo o que tiver uma junta de vacas é obrigado a aquecer o forno, o mais tardar até quarta feira, ou será multado em 100$00.”

 

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Ainda da “Etnografia Transmontana – II” , António Lourenço Fontes tem um capítulo próprio dedicado às artes e profissões, nas quais constam os Serrinhas ou Serranchins, os carpinteiros, os soqueiros, os torneiros , os peneireiros, os penteeiros, os carvoeiros, etc. Fiquemo-nos nos carvoeiros, pois também aqui há uma referência aos de Cambezes. Profissões e artes que eram atividades secundárias, pois a principal era a de lavrador onde os afazeres do campo estavam sempre primeiro. Profissões e artes que também contribuíam para o orçamento familiar e nesta arte do carvão, embora até pudesse ser rentável, não era de tarefa fácil, Ainda antes de irmos aos de Cambezes, recordo quando visitei Stº André, uma senhora já idosa quando soube que eu era de Chaves, me dizer — “Antigamente, quando era mais nova, fazíamos o carvão ali no Larourco, depois era carregado nos burros e íamos a Chaves vendê-lo “

 

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Mas voltemos aos carvoeiros de Cambezes e ao que se diz na “Etnografia Transmontana – II”:

(…) cada saca, na coroa, leva uma carqueja ou fantos para não cair o carvão ou borralho. Carregam o burro com 2, 3 ou 4 sacas e os enxadões em cima e levam à vila cedo para vender. Custa cada saca de carvão, 40 ou 50$00, e do borralho é a 20, ou a 30$00. O carvão é para fogões e ferreiros; o borralho é para as braseiras. A terra de mais carvoeiros era Outeiro e Pitões, hoje é Cambezes. Os fogões a gás e a eletricidade têm acabado muito com o carvão e borralho. Também vendem carquejas para acender o lume e as braseiras. O melhor borralho é o que se faz da lenha do forno e vende-se mais caro.”

 

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E temos vindo até aqui a transcrever passagens da “Etnografia Transmontana “ Volume I e II de António Lourenço Fontes. Penso que a maioria já sabe, e quem não souber fica a saber, que este António Lourenço Fontes, é o Padre Fontes, que por sinal nasceu em Cambezes do Rio em 22 de Fevereiro de 1940. Padre Fontes um ilustre Barrosão ou muito mais que isso, pois já pode ser considerado uma referência ou marca do Barroso.

 

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Ao longo dos tempos, este blog já lhe dedicou algumas linhas. Num dos posts ia dizendo:

“(…) todos os colares têm uma pérola principal, a maior, mais vistosa, a que ocupa o centro do colar e, também para mim, essa pérola principal está, ou vive, em Vilar de Perdizes e dá pelo nome de Padre Lourenço Fontes. Tanto assim é que me atrevo a dizer, sem qualquer pudor, que o Barroso tem duas épocas, a APF e a DPF em que a primeira é Antes do Padre Fontes e a segunda, Depois do Padre Fontes. Padre, Etnólogo, antropólogo, historiador, guia turístico, é de tudo um pouco, mas sobretudo é um grande Animador Sociocultural que abanou o Barroso e o despertou para constar no mapa de Portugal com letras grandes. No fundo e na realidade, despindo-o de todos esses rótulos, o seu segredo está em ser um Homem simples, do povo, que o ama e tem orgulho nele, que ama o berço e o enaltece partilhando com todos, a sua história, os usos e costumes, saberes e sabores de um povo, mas também as crenças e mezinhas que curavam todos os males de uma terra que sempre foi agreste e difícil de viver, terra fria onde o frio além de congelar, doía.”

 

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E continuava:

“Curiosamente vamos associando o Padre Lourenço Fontes como um Barrosão de Vilar de Perdizes quando na realidade ele é natural de Cambezes do Rio. Melhor, penso eu, será dizer que ele é filho e natural do Barroso. Para a história, além de uma basta obra publicada ficará o Padre que afrontou a Igreja com os “Congressos de Medicina Popular” e o Padre das “Noites das Bruxas” que desde 2002 acontecem em Montalegre em todas as sextas-feiras 13 e o Ecomuseu de Barroso que o Município de Montalegre atribuiu o nome de Espaço Padre Fontes, como um espaço de memória do Barroso. Para quem o conhece, é um Homem simples, divertido, amigo e sempre pronto para enaltecer e dar a conhecer o Barroso.”

 

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No livro “Montalegre” sobre Cambezes, encontrámos o seguinte:

“É uma das poucas povoações expostas ao cortante frio do setentrião, além de que, segundo a carta do Instituto Geográfico e Cadastral, de 1/50.000, é cortada a meio pela curva de nível dos 1000 metros de altitude, situação a que poucos lugares se alcandoram. O termo de freguesia é dividido a meio pelo Cávado.

Encabeça, portanto, as freguesias ditas “do Rio”. Pode dizer-se que esta freguesia barrosã mantém um altíssimo nível de rusticidade e tipicismo bem próprios para filmes medievais a que até o seu orago se adapta com enorme propriedade.

Com efeito, este mártir da Capadócia tem culto antiquíssimo na Península Ibérica. O ser advogado das mães que aleitam os filhos deve-se talvez ao facto de a mãe dele (Santa Rufina) o ter parido quando ela e o marido estavam na prisão, durante a perseguição do feroz e tresloucado imperador Aureliano, nos fins do terceiro quarteirão do século II.”

 

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Cambezes do Rio, pelo “apelido” do topónimo já ficamos a saber que é uma das povoações da proximidade do Rio Cávado, localizada após Montalegre (para quem vai de Chaves) e um pouco antes da Barragem de Sezelhe. Como já atrás se referiu encontra-se na cota dos 1000 metros de altitude. Para sermos mais precisos na sua localização, ficam as coordenadas do largo do tanque, junto à Igreja:

41º 48’ 13.29” N

7º 50’ 19.06” O

Mas como sempre, fica o nosso mapa com a localização.

 

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Para os que gostam de caminhadas, Cambezes do Rio faz parte do trilho do Ourigo que parte de Montalegre passa por Torgueda, Castanheira da Chã, Cambezes para regressar a Montalegre.  Sem qualquer  dúvida que é um trilho que se recomenda a quem gosta de caminhar.

 

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Havia mais umas coisas para dizer sobre Cambezes mas não sei onde param os apontamentos que tirei aquando em 9 de dezembro de 2016 fui à aldeia. Recordo estar um lindo dia de sol mas frio, aliás o frio está presente em algumas fotos com os idosos a aproveitar os rais de sol mas sem dispensar a capa de burel. As palavras que lamento não encontrar tinham referências a duas das pessoas que aparecem em imagem, recordo apenas que a senhora com capa de burel já era centenária.

 

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Quanto à aldeia, vai-se desenvolvendo ao longo da rua principal. Notoriamente despovoada e com a sua população envelhecida, mas não deixa de ser interessante, merece uma visita e umas conversas com os seus habitantes, com paisagens verdejantes ao seu redor  e com agradáveis vistas para o vale do Cávado onde se avistam algumas das aldeias mais próximas.

 

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Bibliografia

 

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso

BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Edição do Município de Montalegre.

FONTES, António Lourenço,  (1974), Etnografia Transmontana – I Crenças e Tradições de Barroso. Edição de Autor.

FONTES, António Lourenço,  (1977), Etnografia Transmontana – I I O Comunitarismo de Barroso. Edição de Autor.

 

Links para anteriores abordagens ao Barroso:

 

A

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Algures no Barroso: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1533459

Amial - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ameal-1484516

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-arcos-1543113

B

Bagulhão - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bagulhao-1469670

Bustelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bustelo-1505379

C

Castanheira da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-castanheira-1526991

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Cervos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cervos-1473196

Contim - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-contim-1546192

Cortiço - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1490249

Corva - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-corva-1499531

D

Donões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-donoes-1446125

F

Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619

Fírvidas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-firvidas-1466833

Frades do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-frades-do-1440288

G

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Gralhós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhos-1531210

L

Ladrugães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ladrugaes-1520004

Lapela   - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209

M

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

Meixide - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixide-1496229

N

Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-negroes-1511302

O

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886

Ormeche - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ormeche-1540443

P

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Paio Afonso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paio-afonso-1451464

Parafita: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-parafita-1443308

Paredes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-1448799

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Pomar da Rainha - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pomar-da-1415405

Ponteira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ponteira-1481696

R

Roteiro para um dia de visita – 1ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104214

Roteiro para um dia de visita – 2ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104590

Roteiro para um dia de visita – 3ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105061

Roteiro para um dia de visita – 4ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105355

Roteiro para um dia de visita – 5ª paragem, ou não! - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105510

S

São Ane - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-ane-1461677

São Pedro - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-pedro-1411974

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Sezelhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sezelhe-1514548

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

T

Tabuadela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-tabuadela-1424376

Telhado - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-telhado-1403979

Travassos da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-travassos-1418417

U

Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

V

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1508489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

Vilaça - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilaca-1493232

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

X

Xertelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-xertelo-1458784

Z

Zebral - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-zebral-1503453

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:30
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Sábado, 17 de Junho de 2017

Bustelo - Chaves - Portugal

1600-bustelo (223)

 

Na nossa ronda pelas aldeias de Chaves, hoje toca a vez a Bustelo, uma das aldeias da periferia de Chaves, encostada à montanha para deixar livre um pequeno mas fértil vale.

 

1600-bustelo (177)

 

O que tínhamos a dizer sobre a aldeia já o fomos dizendo em posts anteriores dedicados a Bustelo, aldeia e freguesia. Para não nos repetirmos ficam aqui os links para alguns desses posts:

 

1600-bustelo 130-art (8)

 

http://chaves.blogs.sapo.pt/285549.html

http://chaves.blogs.sapo.pt/765714.html

http://chaves.blogs.sapo.pt/365205.html

 

1600-bustelo (168)

 

Hoje ficam mais quatro olhares sobre a aldeia entre os quais uma vista geral tomada desde terras de Outeiro Seco.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 19:06
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Ilumina-me, poesia de António Roque

a-roque-1.jpg

 

Hoje em vez da Pedra de Toque de António Roque, vamos falar um pouco do poeta António José Roque da Costa e do seu livro de poesia “Ilumina-me”, apresentado no passado dia 9, na Biblioteca Municipal de Chaves.

 

roque-biblio.jpg

 

Mas antes regressemos um pouco no tempo, mais precisamente (isto se a memória não me atraiçoa) ao dia 6 de janeiro de 1977, quando um pequeno grupo de estudantes do Liceu de Chaves, com duas violas, uma flauta, ferrinhos e pandeireta, resolveu cumprir a tradição do cantar dos reis aos vizinhos, iniciando precisamente na casa de António Roque.  Como mandava tradição, escolheu-se uma música e letra do reportório tradicional dos cantares dos reis, deu-se os vivas aos senhores da casa e no final a porta abriu-se com o convite para entrar e cantar umas canções da época, ainda canções de abril, de Zeca Afonso, Adriano, Fausto , Sérgio Godinho, Manuel Freire, Janita e Vitorino Salomé…, à mistura com poemas de Manuel Alegre, entre outros.  Aquilo que se programou ser uma noite de cantar dos reis pelos vizinhos, acabou por ser uma noite na casa de um vizinho a cantar canções de Abril com muita poesia à mistura. António Roque já tinha nome na praça com advogado, mas nessa noite ficámos a conhecer o António Roque amante de poesia e das canções de Abril, mas também o António Roque declamador de poesia e de poetas. Uma noite inesquecível, daquelas que não se repetem e que revelava já o António Roque poeta.

 

a-roque-3

 

Este livro de poemas já há muito que se esperava e é até ele que agora vamos, iniciando pela biografia, apresentada pelo autor na primeira pessoa:

 

“Nasci em Chaves, bem no “caroço” desta cidade milenária.

Corria o longínquo ano de 1943.

Por aqui frequentei a escola primária e o Liceu Fernão de Magalhães.

Durante dois anos fui aluno do Liceu Castelo Branco, em Vila Real, e aí concluí o sexto e o sétimo ano, alínea de Direito.

Em 1961 rumei a Coimbra, onde cursei a Faculdade de Direito da vetusta universidade.

Vivi intensamente Coimbra da saudosa década de 60, participando com empenho nos movimentos académicos e em alguns organismos da Associação, como Coro Misto e CITAC.

Na Lusa Atenas, concluí meu curso mas, entretanto, apaixonei-me pela cidade, pelo teatro, pela poesia e pela política.

Depois de uma ida “à Guerra, de onde voltei, à triste paz destes rios”, dei aulas durante poucos anos e em cerca de quarenta anos, exerci advocacia, com escritório na minha amada cidade.

Por aqui me mantenho , usufruindo o vale e as serras que me rodeiam, abraçando os amigos que me estimam e escrevendo uns pequenos textos e alguns poemas para meu gáudio pessoal e dos que, simpaticamente, me vão lendo.

Por aqui quero ficar.”

 

a-roque-2.jpg

 

 

E nós também vamos ficar por aqui, mas antes, fica ainda o poema que,  com a caricatura de autoria do Mestre Nadir Afonso,  consta na contracapa do livro.

 

A DANÇA

 

A dança é o sorriso do corpo!...

 

E a boca

Para onde grito calado,

É o princípio de ti.

 

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:36
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Sexta-feira, 16 de Junho de 2017

O Factor Humano

1600-cab-mcunha-pite

 

10 contos de reis - sem notas - 6

 

Não tinha sido feliz com o marido. Todo o encanto tinha terminado com o casamento. Não sentia mais afectos, nenhuma ternura, ausência de alegria em comum. Afastamento progressivo, até do ponto de vista físico. Mal se tocavam, excepto nas escassas vezes que acasalavam. Os beijos tinham secado. Às vezes chegava lhe quase uma repulsa.

 

Cedo percebeu que ele mantinha relacionamentos extraconjugais. No fundo, pouco lhe importava. Até agradeceu a redução, até à extinção, dos seus acasalamentos.

 

Nunca lhe tinha batido, mas a violência psíquica era crescente. Desprezo, críticas constantes, desconsiderações de cada uma das suas qualidades.

 

Nasceu nela também o ódio, silencioso, quase clandestino. Deu por si a desejar a sua morte, vendo nela a única hipótese de ser livre.

 

Naqueles tempos, ainda para mais naquela ilha, o divórcio era, para as mulheres, uma proscrição. Naquelas mentalidades, quase se confundia a divorciada com uma espécie de prostituta, em especial nas famílias pobres e humildes. Divórcio só era aceitável para uma mulher rica, das boas famílias. A essas tudo era tolerado, pelo menos nas aparências.

 

Fui construindo uma relação mais pessoal ao longo das sucessivas consultas, a que a sua doença crónica obrigava. A diferença de idades permitia-lhe abrir-se mais comigo.

 

O marido nunca esteve presente, nem quando ela foi internada por uma tentativa grave de suicídio.

 

Um dia, ao marido, foi-lhe diagnosticado um tumor avançado do esófago. Escassas perspectivas, rápida degradação.

 

A Dona A. expunha as suas perplexidades: "Sabe doutor, não sinto pena nenhuma dele, mesmo sendo ele o pai dos meus filhos".

 

Expliquei-lhe que tal era humano e natural, que não tinha de se sentir culpada de nada. Ficou mais tranquila. Depois da morte do marido, confessou-me sentir alivio.

 

Posteriormente, ficou apreensiva pela tristeza de uma das filhas, atingida fortemente pela morte do pai. Apesar dos maus tratos deste se estenderem também aos filhos, esta tinha conseguido um pouco mais de proximidade com ele. A tristeza dela foi-se agravando, angustiando a mãe, que se sentia revoltada, porque o marido mesmo depois de morto, lhe prejudicava a vida.

 

A senhora A. sentia-se finalmente livre mas suspeitava que, na tristeza da filha, estava envolvido o "espírito do marido": " Tinha encostado".

 

Sentindo-se liberta e com coragem, foi pela primeira vez visitar a campa do marido. Encontrando-se a sós, ordenou-lhe que desencosta-se da filha, porque senão ela excomungava-o. Quando me estava a confidenciar isto, disse de uma forma original: " Oh senhor doutor, que eu nem sei como é que se excomunga um morto. Mas ... de certeza que está na Internet!"

 

Tanto quanto sei, a filha vive hoje feliz.

Manuel Cunha (Pité)

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:54
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