Sexta-feira, 30 de Junho de 2017

Mais uma de Nadir Afonso

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Depois da grande exposição que esteve patente ao público desde a inauguração do MACNA - Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso, que ocorreu em julho do passado ano, depois de o MACNA ter aberto as portas a uma exposição itinerante da Fundação de Serralves é tempo de Nadir Afonso ocupar as salas de exposição permanente com uma nova exposição, a inaugurar hoje mesmo às 18 horas. Esta, em que a geometria marca uma forte presença namoro das telas do Nadir Afonso Pintor com os estudos e projetos do Nadir Afonso Arquiteto.  

 

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E se nas salas de exposição permanente, Nadir Afonso inaugura hoje mais uma exposição, nas sala de exposições temporárias continuam patente ao público a exposição “Corpo   Abstração e Linguagem” com as obras em depósito da Secretaria de Estado da Cultura na Coleção Serralves, com pinturas e esculturas de grandes nomes da arte feita em Portugal entre os anos 60 e 80 do século passado, ao todo 27 artistas, a saber: Lourdes Castro, Joaquim Rodrigo, René Bertholo, Álvaro Lapa, João Vieira, Manuel Baptista, Fernando Lanhas, Paula Rego, António Palolo, António Sena, Ângelo de Sousa, Júlio Pomar, Pedro Cabrita Reis, Jorge Martins, António Dacosta, Eduardo Betarda, José Pedro Croft, António Campos Rosado, Alberto Carneiro, José de Guimarães, Julião Sarmento, Nikias Skapinakis, Manuel Rosa, Graça Morais, José de Carvalho, Pedro Calapez e José Loureiro.

 

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Duas exposições a não perder, hoje com entrada gratuita após a inauguração e com festa nos jardins do Museu, um sunset  a partir das 18 horas, ou seja, uma festa ao pôr do sol, com música e copos.

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:09
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Quinta-feira, 29 de Junho de 2017

Coisas do meu baú - Dia Mundial da Criança 1997

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Hoje no meu baú de imagens descobri o registo do Dia Mundial da Criança de 1997, comemorado no Forte de S.Neutel com um concerto de Ana Malhoa para as criancinhas das escolas do concelho de Chaves.

 

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Recordo esse dia como se fosse hoje, pois o objetivo era passar pelo Forte de S.Neutel para registar o evento com três ou quatro imagens e passar por lá o tempo necessário para cumprir tal objetivo. Três ou quatro imagens porque ainda estávamos no tempo da fotografia analógica, tempo em que os registos eram muito seletivos e contidos, tudo porque cada registo tinha de ser pago, não no ato, mas na revelação, ampliação e reprodução em papel de cada foto.

 

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Mas quando entrei no Forte de S.Neutel, ao ver aquele ambiente com o anfiteatro completamente cheio de crianças e a Ana Malhoa em atuação em cima do palco… bem, acabei por ficar por lá toda a manhã e ainda bem que na altura andava sempre com pelo menos um rolo fotográfico de reserva, pois um, era pouco. Para quem não sabe, principalmente  os mais novos que já nasceram com a fotografia digital, os rolos mais comuns eram de sensibilidade 100 ou 200 ASA (equivalente ao atual ISO) e eram comercializados com 12, 24 ou 36 fotografias, a p&b ou a cores, embora o mais comum na época já fosse o rolo a cores. Só a título de curiosidade, um rolo de 36 fotografias dava e às vezes sobrava, para umas férias ou passeio de 15 dias. Eram outros tempos.

 

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Quanto as criancinhas das fotos que na altura ainda frequentavam os jardins-de-infância ou escola primária, hoje já têm todos vinte e tal anos, talvez ainda estudantes agora universitários ou já formados, a trabalhar ou desempregados, deve haver de tudo.

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:41
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Quarta-feira, 28 de Junho de 2017

Cidade de Chaves - Um olhar

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:25
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Cartas a Madame de Bovery

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Minha cara Madame de Bovery (8)

 

Fechou-se um ciclo, percebe o que quero dizer!? Fechou-se um ciclo! E a única coisa que posso dizer com alguma lucidez, é que olhando a linha da circunferência que o delimita, ela é perfeita. É este o meu único conforto ou satisfação. Como uma camisola de malha que fazemos e refazemos, desfazendo os enganos de que tivemos consciência, depois da obra feita ninguém conseguirá saber qual foi o ponto em que nos enganámos e cometemos o erro, porque o restaurámos logo a seguir e de forma eficaz! Em algumas das vezes, aconteceu repetidamente, mas olhando a linha ou o seu contorno, nenhum ponto nela tem qualquer inflexão! Há, por um lado, o consolo de ela estar perfeita, mas em simultâneo o desencanto de nunca ninguém saber o quanto sofrimento isso nos custou, para que agora ela esteja ou transpareça assim! E pergunto-lhe a si, porque a sei atenta: quem se importa com isso?

 

Claro que o nosso ego, falo do seu como do meu, não se alimenta com este tipo de aparência ou visão exterior, nem sequer com a anuência alheia que discretamente reclamamos, porque é sempre sofrida a vitória interior que não se espelha no Céu nem resulta em estrela! Nenhuma de nós precisa disso e ambas precisamos de mais do que isso! Pergunto-me e pergunto-lhe ainda porquê?

 

Satisfação pessoal, dir-me-á talvez e eu concordaria consigo, não fosse esta sensação inquietante de fazer sempre pouco na possibilidade do que podíamos fazer! Não nos julgamos, em consciência, um génio, mas actuamos como se o pensássemos: só toleramos em nós a perfeição! Já mo disse e eu devolvo-lho agora!

 

O que nos faz achar que, se nós quisermos, a conseguimos? Sempre a mesma dúvida: se existir uma possibilidade nós, se nos empenharmos, atingimo-la! Era talvez mais fácil e reconfortante acreditarmos que pode não ser assim, mas nós não nos permitimos isso: se há alguém que o pode conseguir, somos candidatas!

 

E vem-me junto a isto a quantidade de momentos, de esforços, de lutas perdidas em batalhas ganhas, de medos, de ansiedades, de angústias, de preocupações, de projectos concluídos sem qualquer plano de início, de frases sem autor, de textos inacabados, de gestos não concluídos, de esboços não transformados em desenhos, de caminhos percorridos sem fim à vista e até, imagine a senhora, de atitudes emotivas sem qualquer sustento de racionalidade, quando em nós isto é inadmissível!

 

Devaneios, bem sei, inconsequentes, talvez! A minha questão é sempre a mesma: quando faço afirmações conscientes, fica sempre em suspenso o terminar das frases, não expresso: “... ou não!” Alguns chamam-lhe lucidez, mas não sei se é!

 

E a consciência é esta, a de que o tempo de mãos dadas com o desenrolar da vida não espera por nós nem depende da nossa opinião ou vontade para determinar o que quer fazer! É também isto ou ainda isto, que me provoca este desconforto de não saber ou poder determinar se o caminho ou o rumo que as coisas seguem é a correcta, sequer a que quero! Pior que isso, não saber se são efectivamente essas coisas dependentes ou determinadas por mim! Ainda pior do que isso, se independentemente da minha vontade nelas, elas se concretizam da mesma maneira!

 

E é isto, minha cara amiga, o que me é de todo insuportável e insustentável: achar que qualquer que seja a minha vontade, as coisas não dependem de mim! Que a minha vontade ou o meu querer são uma parcela desprezível na decisão que a vida, ou o que a comanda, insiste em tomar! O eu ser-lhe inútil, é talvez e de tudo o mais predominante na forma como eu me submeto a essa decisão, contrariada!

 

Sabe como eu sou, nos dias bons, com aquela mania de que o destino depende de mim e que me consulta sempre que quer tomar decisões em meu nome! Pois são efetivamente tudo tretas, eu não passo de um escape, um pormenor em todo este processo que me remete, sem piedade, para a minha insignificância! Veja, mesmo assim, ao que eu me agarro, achando que o destino é prepotente e de todo ingrato, por não me achar uma peça determinante! E como o faz! No tabuleiro de xadrez o único espaço que o destino me arranja, é o papel de peão! Ainda assim eu agarro-me com unhas e dentes a esta decisão dele, acreditando que é fundamental para o desenlace e concluir do jogo, a jogada de abertura! Sim, estou farta de o saber, engano-me deliciosamente, não por opção, mas porque estou consciente de que a opção que tenho a esta, é ainda pior e eu não suporto que me digam qual é o meu espaço de manobra, consciente ainda de que é o que me resta, afirmo que fui eu que o escolhi!

 

Acontece a todos minha cara, vale-me talvez ou prejudica-me, agora aqui também não sei bem, que faço isto porque de alguma forma aceito que o que me é dado é aquilo que eu mereço, embora me ache com direito a mais, mas como me julgo eterna, acredito que chegará esse momento. Completamente ridículo! Dava disto conta no Comendador, como lho disse, e não dou conta dele em mim! Dou, mas faço de conta!

 

No fundo, tudo isto é relativo e não importa grande coisa se quando olhamos para o círculo a linha da circunferência é ou não perfeita!

 

Hoje, ao entardecer, enquanto a Terra se afastava do Sol e a água do mar avançava lenta, mas eficazmente sobre a areia, veio-me aquela sensação quase imperceptível da felicidade alheia a instalar-se em mim. Não lhe saberei dizer com exacta certeza, ao menos com aquela de que gostaria, se foi um instante eterno ou a circunstância divina da fugacidade de um instante, mas foi consciente! O sorriso, aquele que sabe, esboçou-se nos meus lábios e trouxe-me uma tranquilidade que rondava a paz interior. Como é que me foi possível neste início de Verão a impressão sublime do que não acaba?! E, repare, sem motivo nenhum! Acho até que foi isso ou por essa razão que me impressionei a ponto de me questionar se estava mesmo ali ou se era aquela vertigem, digo embriaguez, que o Sol provoca quando é intenso, brilha como estrela que é ou encandeia a ponto de nos turvar a visão e nos deixar sem perceber se se trata apenas de um raio de Sol ou se da proximidade do inferno, que nos faz sentir esse calor que queima por dentro, sem aquecer! Seja como for, a sensação era boa por ser nova, inesperada e desconhecida.

 

Sabe quando estamos no meio de um deserto sem estar, mas a duvidar disso porque a sensação que nos dá é a de estar?

 

Bem sei que não há grande lógica nisto, mas não me preocupa agora o palpável das coisas materiais, ao invés, foi a dúvida do estar ou não realmente ali, que me fez apreciar o entardecer de hoje como se de alguma forma se tratasse de algo que nunca me tinha acontecido! E eu sabia que tinha, mas não assim, vinda do nada, como aquelas coisas que não precisam de realidade para ser ou estar ali!

 

Isso mesmo, tal e qual, uma coisa que vem de dentro e que se instala à nossa frente como sendo alheia, mas que reconhecemos nela ser unicamente nossa!

 

Nossa, mas sem propriedade dela e acho que era isto que me incomodava ou que me agradava: uma coisa da qual eu me apropriava sem saber se era ou não minha! Sim, era como se fosse, a Natureza desperta em nós este milagre das coisas.

 

Da, hoje não mais que isso,

Maria Francisca

 

 

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Terça-feira, 27 de Junho de 2017

Cidade de Chaves - Arrabalde

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:42
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Chaves D'Aurora

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  1. RAMOS.

 

Nessa noite, não foram logo dormir. Bobadela, o caseiro, havia sugerido que todos fossem assistir a um auto que se levava ao Largo da Igreja, antiga tradição nos festejos de Natal, em algumas aldeias de Monforte – “Os Ramos”.

 

Todos acharam muito interessante a encenação desse auto, um costume passado de geração a geração, ainda que os Bernardes ficassem pouco tempo a presenciá-lo. É que os espetadores assistiam a tudo em pé e João Reis logo percebeu que aquele teatro de Natal ia durar por toda a madrugada.

 

A encenação desses Autos abrangia toda a vida de Cristo, como foi muito bem descrita por Heitor Moraes da Silva, em “Autos do Natal em casas de Monforte”. Como João Reis supunha, começava depois da Missa do Galo e durava a madrugada inteira. Aos aldeães, em todos os dezembros, gostava muito assistirem, com devoção, a mais uma repre-sentação dos Ramos, como se as máximas e conselhos do texto fossem a palavra de Deus. Alguns até já sabiam de cor várias passagens.

 

A apresentação dos Ramos compunha-se, não só de um, mas de 17 pequenos autos, com cerca de 100 personagens ao todo e um natural revezamento de atores. Estes, malgrado o seu total amadorismo, desempenhavam seus papéis com muita seriedade e fé religiosa. Suas vestes eram feitas por eles mesmos ou alugadas na cidade e os aldeães começavam os preparativos vários meses antes. Após o duro trabalho na eira e no lar, dedicavam suas noites de outono a copiar os diversos papéis, escrevendo, com sua pouca formação escolar, ao modo como se falava na aldeia. Os que não sabiam ler (e eram quase todos) aprendiam de ouvido, pela repetição dos letrados. Os ensaios limitavam-se a cada um dizer sua parte decorada, ajudado pelo “apontador”. O resto era o que viesse de inspiração à hora, de acordo com o maior ou menor desembaraço de cada um.

 

O primeiro auto era o “Auto da Criação”, em que o Anjo assim dizia, em determinado momento – “A Santíssima Trindade / ave eterna incriada / determinou fazer tudo/ e tudo fazer do nada.” – E sobre o fruto proibido: “Porque se nela tocardes / pra vós será coisa dura / Adão irá desterrado / E Eva pra sepultura”. Mais adiante, Adão falava para Eva – “Olha-me para estas barbas / que mas deu a Providência / elas por si só requerem / respeito e obediência”. (…) “Depois de seres mulher / ninguém o pode duvidar / que com tuas astúcias / a qualquera podes enganar.” Expulsos do Paraíso, os dois se queixavam da aspereza da terra – “Pois ainda trabalhando-a / fica ela de tal casta / cria ervas como mãe / e silvas como madrasta”.

 

Seguia-se o “O sacrifício de Abel e Caim”, em que este último, desesperado, já em seus momentos de agonia, ouve o Demónio antecipar o que é o Inferno que o espera – “(…) É uma casa / de portas encantadas / para entrar estão abertas / e pra sair estão fechadas. / Reparai bem, pecador / isto é bem mais do que assim / se quereis salvar-vos / não vos finteis em mim.”

 

No terceiro, o “Auto dos Desposórios de Nossa Senhora”, Maria diz ao Anjo – “Se é vontade do Altíssimo / o que voz me mandais / estou pronta a obedecer / ao que me detremenaes.”

 

No “Auto da Anunciação”, percebe-se um latim estropiado ao longo dos anos: “Ave-maria / graça plena / Domenestéco / benedita tu és / entre mulierevos”...

 

No “Auto da Visitação”, José e Maria procuram um abrigo e todos lhe negam – “Marchai-vos braigeiros / não estou para treta / se quereis pousada / ide à estalaige da preta.” E a preta despacha-os, sem papas na língua – ”Se vosa trazer dinheiro / mim dar a vosa o que comer / que mim não ter nada pra dar / ser tudo para vender.” Lá pelas tantas, um pastor oferece vinho a uma camponesa – “Queres uma pinga de vinho / que levo nesta cabaça?” – e ela – “Ora o vinho é coisa santa / hei-de meter muita graça” – ao que, o pastor – “Toma lá, mas tem cuidado / que senão não atinais / que os homens embebedam-se / e as mulheres inda mais”.

 

Nessa mesma noite, havia também o “Auto das Charoleiras”, em que as donzelas entram no palco portando charolas, espécie de andor com imagens religiosas e as “Pastoradas”, que era a parte cómica. Em outros tempos, quando os autos de Ramos eram apresentados dentro da igreja, as Pastoradas representavam a ”parte de fora”, evidentemente profana. Um dos quadros mais divertidos era o dos pastores galegos, a falar e a cantar em sua língua. Toda a comicidade das Pastoradas, porém, apesar de alguns ditos picantes de ingénua malícia, obedecia a uma linha equilibrada de recato primitivo e comedimento aldeão.

 

À altura da passagem do ano, com a Festa dos Moços, os Bernardes viram-se diante de um facto inesperado, que iria perturbar, por algum tempo, a vida do clã e de toda a aldeia.

 

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Segunda-feira, 26 de Junho de 2017

Quem conta um ponto...

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348 - Pérolas e diamantes: O efeito boomerang

 

Há pessoas que convertem em literatura tudo o que tocam. A realidade e a ficção, para eles, não têm fronteira. Conseguem montar espetáculo em qualquer lugar onde estejam, preservando uma assombrosa expressividade coloquial.

 

É tudo gente do melhor. Há uma expressão vulgar que diz que o talento de uma pessoa se mede pelo número de medíocres que o rodeiam e que o tentam lixar. Aos meus inimigos, desejo-lhes saúde. E eles quem são? Pois…

 

Isto é uma coisa do senso comum, da sageza das relações.

 

Tenho mais medo dos meus amigos. Porque dos inimigos, daqueles que conheço, defendo-me bem. Tenho já longa prática.

 

Eu até gosto dos meus inimigos. Já os elogios, suspeito mais deles do que da censura, mesmo impertinente, injustificada, invejosa.

 

Atenção, eu não quero ser original, nem engraçadinho. Para esse peditório já dei. E muito. Agora uso a minha liberdade para urinar junto aos muros, quando não há casa de banho por perto. É da idade. Da idade e da resiliência.

 

Dizem que o país mudou. Mas é engano. O que mudou foi a estupidez. Por vezes parece que há golpes de mágica e tudo muda, mas essa perspetiva não é realista. As aparências enganam.

 

Tudo tem significado. Tudo.

 

Deixem que vos conte uma anedota. Um homem regressa a casa, noite cerrada, completamente bêbado, e pelo caminho encontra uma freira com o hábito e o chapéu. Com as forças que lhe restam, atira-se a ela e dá-lhe uma sova das valentes. Depois da sova, levanta-a do chão e diz-lhe: “Mas, Batman, julgava-te mais forte!”

 

A grande lição de Semiologia (ciência geral dos signos que estuda os fenómenos de significação) de Roland Barthes consiste no apontar do dedo a qualquer acontecimento do universo e advertir que ele significa alguma coisa. Ele repetia sempre que o semiólogo, quando passeia pelas ruas, procura significação onde os outros apenas veem acontecimentos. Ensinou-nos que se diz sempre alguma coisa com a maneira de vestir, de pegar num copo, na maneira de andar, sorrir e com as insinuações disfarçadas de brincadeiras…

 

Por isso me dedico à literatura, porque não se é obrigado a fixar um sentido, mas joga-se com esse sentido.

 

Fascina-me o Japão porque é um mundo em que não conheço nenhum código. Santo Agostinho dizia que o texto da Bíblia era uma floresta infinita, por isso podia-se sempre submetê-lo a uma regra de falsificação.

 

As Mitologias de Barthes são brilhantes análises semiológicas, porque a vida está sujeita a um bombardeamento contínuo de mensagens que nem sempre manifestam uma intencionalidade direta, mas que tendem, a maior parte das vezes, por causa da sua finalidade ideológica, em apresentar-se sob uma aparente “naturalidade” do real.

 

Gramsci tem uma frase premonitória: “A crise consiste precisamente no facto de que o antigo morre e o novo não pode nascer.”

 

Laurent Binet (A Sétima Função da Linguagem), através da sua personagem Bifo, refere que “se a classe dominante perdeu o consentimento, ou seja, se ela já não é dirigente, mas unicamente dominante e unicamente detentora de uma força de coerção, isso significa que as grandes massas se desligaram das ideologias tradicionais, que elas já não acreditam naquilo em que acreditavam antes…”

 

Todos sabemos que o conhecimento de um mecanismo de manipulação não nos defende forçosamente dele. Basta atentar na publicidade, na comunicação. A maior parte das pessoas sabe como funcionam, que recursos utilizam, mas, mesmo assim, é influenciada por elas.

 

Aviso à navegação. Eu não abandono os conceitos e os princípios como se abandona um cão.

 

As pessoas querem arrebanhar tudo, tragar tudo, manipular tudo. Ver, decifrar, aprender, não os influencia. Vivem debaixo do anonimato. Atiram a pedra e escondem a mão.

Podem manipular a maledicência, propagar a intriga e estender a mentira, mas de uma coisa não são capazes: alterar as leis da física.

 

Lembro: Olhem que o efeito boomerang existe.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
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Domingo, 25 de Junho de 2017

O Barroso aqui tão perto - Carvalhais

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Vamos lá, então, mais uma vez até ao Barroso que fica aqui tão perto. Hoje vamos até Carvalhais, freguesia de Morgade, concelho de Montalegre.

 

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Uma vez, de passagem por Morgade, falaram-me do alto de  S.Domingos, que de lá é que as vistas eram boas, que se via toda a barragem … como andávamos em maré de descoberta,  pouco tardou e já nós estávamos lá bem no alto de S.Domingos e de facto as vistas não eram más, mas não era só a barragem que se via de lá, pois nas nossas costas as vistas já eram de terras de Boticas e um pouco mais além, pois os nossos olhos já alcançavam terras de Bastos e talvez de Ribeira de Pena.

 

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Lá do  alto de S.Domingos, para esses lados de Boticas, ainda no verde antes de chegar ao azul das serras longínquas, ou seja, mesmo ali aos nossos pés, avistava-se uma pequena aldeia. Eram 13H47, do dia 11, de outubro de 2014. Pensava eu então ser uma aldeia do concelho de Boticas. Só chegado a casa e verificando nos meus mapas de apoio é que me apercebi pertencer ao concelho de Montalegre, mas a minha intuição não estava longe da realidade, pois Carvalhais fica mesmo no limite do concelho de Montalegre a menos de 1 quilómetro.

 

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Claro que passou a estar no nosso roteiro das descobertas do Barroso, para mais tarde passarmos por lá, fazermos a nossa recolha fotográfica e se possível conversar um pouco com os naturais ou residentes na aldeia, mas isso só aconteceu às  18H25 do dia 5 de outubro 2016, já no por do sol, a fugir para o anoitecer, tanto,  que ainda pusemos a hipótese de ficar para outro dia, pois a ausência de luz não é lá muito amiga da fotografia.

 

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Este preciosismo de vos indicar o dia, hora e minuto em que fizemos os registos fotográficos não é por nada, nem se devem à minha memória ou apontamentos, é mais uma facilidade da modernidade, das novas tecnologias e da fotografia digital, pois ao contrário da saudosa fotografia analógica em que tínhamos de escrever no verso reproduzido em papel  os apontamentos e datas necessárias para memória futura, na fotografia digital todos os dados com interesse fotográfico, incluindo dia, hora e minuto ficam registados no ficheiro da imagem, e que jeito dão, oh se dão. Para os distraídos, convém é ver se a hora e dia que a máquina regista estão certos. Um aparte que nada tem a ver com Carvalhais, mas que deu para saber que descobri a aldeia, dois anos antes de a visitar. Mas o que interessa mesmo é que depois da descoberta, fui lá.

 

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Mas acabámos por ficar, por recolher algumas fotos e ainda deu para dar dois dedos de conversa com gente lá da terra que, embora já estivéssemos em outubro e estivéssemos no Barroso,  mais parecia ser um fim de tarde de um verão quente, com a gente sentada à porta de casa, na hora de contar estórias de fazer horas para ir para a cama.

 

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Pelo que já fui dizendo já foram localizando a nossa aldeia de hoje, Carvalhais, mas sejamos mais precisos e vamos às coordenadas do centro da aldeia:

41º 43’ 56.96” N

7º 44’ 32.80” O

Embora eu não seja dos que usa as coordenadas de GPS (no caso em formato DMS) para me orientar, pois prefiro as cartas e mapas tradicionais em papel, admito que recorrer a elas (coordenadas) nos tempos de hoje é muito útil, principalmente com a oferta que  existe na WEB para podermos localizar um local desde casa. Recorro a essa orientação muitas vezes, em casa, pois na estrada e no terreno, prefiro os mapas tradicionais que sempre me levaram onde eu queria…

 

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Continuando, para os que são como eu, pessoal dos mapas tradicionais, aqui fica o meu mapa do Barroso de Montalegre assinalando a aldeia de Carvalhais.  Além de localizar, pessoalmente utilizo-o para ir riscando (no caso colorindo) do mapa as aldeias que já visitei, as aldeias que já postei, as sedes de freguesia, etc. estando sempre em atualização constante. Sei que deveria ter uma legenda para melhor ser entendido por vós, mas este que vos deixo é mesmo e apenas para localizar a aldeia. O diferente colorido é para minha orientação.

 

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Localizada a aldeia, passemos às nossas pesquisas e ao que se diz por aí, na WEB, nos livros e outros onde encontrámos referências à aldeia. Iniciemos pela toponímia de Barroso onde consta:

 

"Carvalhais

 

(Veja Toponímia de Carvalho) [i]

 

Dos nomes comuns carvalhal — carvalhar que derivam de carvalho, planta tão típica desta região que deu origem a vários topónimos bem diferentes como afirmei na análise do topónimo de Cerdeira e Cerdedo e outros que na nossa região não vigoram; Cerquinho, Cerqueira, Cerquido, Cercosa, Cercada, Carvalhosa e Carvalhido.

 

Na inquisição de Cervos (mas claramente referido ao nosso topónimo) aparece — 1258 « dixit quod in Carvaliaes habet Dominus Rex suam defensam» Inq 1254. Dando-se a ditongação só podia acontecer Carvalhais."

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Ainda continuamos co a toponímia do Barroso com:

“Já agora, uma nota venatória: a presente citação refere-se à reserva ( como agora se diz — coutada da caça ou reserva de caça, que então se chamava defesa) de caça ao cervo e ao javali e abrangia toda a margem direita do rio Beça, pela vereia à anta de Barreiros daí à anta de Negrões e daí pelo caminho que vem de Negrões e vai ao rio Beças. « E todo aquele que aí caçar sem licença cervo ou porco pagará cinco alqueires».

Trinta anos depois,

— 1288 «outorgo a foro… a munha pobra de Carvalhais por aqueles termos».

E assim já estava constituído o topónimo.”

 

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No livro Montalegre encontrámos o seguinte:

“Há várias povoações com núcleos de construções tradicionais, bem conservados, muitíssimo belos e dignos de ajuda para a melhor preservação do património construído.

Estão neste caso Fafião, Pincães, Salto (diversos lugares de freguesia) Currais, Vila da Ponte, Viade, Carvalhais, Cervos, Donões, Gralhas, Tourém, Pitões, Parada e  Sirvoselo. Em todas elas há núcleos construídos dignos de integrar os roteiros de visita ao património que o Ecomuseu defende.”

 

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Antes de continuarmos com o que se diz no Livro Montalegre, queria fazer aqui  um pequeno aparte. Agora que já posso dizer que conheço todo o Barroso de Montalegre, pois já passei por todas as suas aldeias e outros lugares, não acreditem em tudo que está escrito sobre as aldeias barrosas. Quando a gente da terra escreve sobre a sua terra, tem sempre tendência em enaltecer algumas aldeias em detrimento de outras. Quero com isto dizer que na listagem de aldeias que aparecem no parágrafo anterior e sem por em causa o constarem lá, há algumas em que a fama ultrapassa em muito a realidade e que nos últimos vinte a trinta anos foram vítimas de verdadeiros atentados, outras há, que pela sua beleza e preservação da sua integridade, mesmo com muitas casas abandonada e/ou em ruínas, mereciam ser mais divulgadas e constarem dos tais roteiros de construções tradicionais, nem que seja e só, por nelas não terem sido cometidos atentados no património existente.

 

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Continuemos com o que diz o Livro Montalegre:

“Pelo termo de Codessoso passava um caminho medieval importante que servia diversos lugares da enorme paróquia da Chã, ao tempo das Inquirições de D. Afonso III: Negrões, Vilarinho, Lamachã, Morgade, Carvalhais e Rebordelo, Fírvidas e Gralhós, além das herdades ribeirinhas do Regavam (sic).”

 

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E continua:

“E já que falamos de Santos não ficava nada mal – era até um acto de justiça – que os de Carvalhais devolvessem à sua Capela o orago primeiro que foi São Tiago, conforme muito bem expressa a nossa variante barrosã da belíssima lenda dos Sete Varões Apostólicos.”

 

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Num artigo publicado na Revista da Faculdade de Letras,  intitulado “ Os Municípios na estratégia defensiva Dionisina, de autoria de José Marques da Universidade di Porto,  encontrámos o seguinte:

 

“Funções das póvoas e concelhos

Sem esquecermos que o tema central da nossa comunicação pretende acebtuar a importância que os municípios fronteiriços tiveram na política defensiva do Reino, desejamos comprovar também o alcance da constituição de simples póvoas ao longo fa fronteiral desde os primeiros anos de reinado de D.Dinis. Para o efeito, reunimos um breve conjunto de pequenos núcleos populacionais constituídos em função das cartas de povoasmento outorgadas por este monarca, que vamos apresentar. Antes, poré, desejamos esclarecer que os termos utilizados no subtítulo deste ponto do nosso estudo não são sinónimos, nem convertíveis, se os apreciarmos numa perspectiva filosófica, sendo lícito afirmar que todos os concelhos são póvoas, mas nem todas as póvoas são concelhos, como melhor se verificará através dos exemplos que a seguir apresentamos. (…)  — 1288, Dezembro, 28 — Lisboa — dá carta de povoamento aos treze casais povoadores de Carvalhais, Montalegre. (A.N.T.T Chacelaria de D.Dinis, vol. I, fl. 246.)”

 

1600-carvalhais (24)

 

 

Deixemos as coisas dos livros e outros documentos escritos e passemos às nossas impressões pessoais, mesmo porque durante as nossas pesquisas não encontrámos mais nada sobre a aldeia de Carvalhais.

 

Pois segundo diz e aponta o topónimo, o carvalhal está na sua origem, e de facto ainda é o que por lá existem em maioria, mas nem tantos como para hoje em dia justificar a topónimo, e tal como se dizia na Toponímia de Montalegre “carvalho, planta tão típica desta região” e é bem verdade, e ainda bem, pois o carvalho é uma árvore autóctone, ou seja nativa, própria da região, que é nossa. Além disso, não arde com facilidade nos incêndios, mas dá uma boa brasa e uma boa lareira, aliás vai sendo a madeira preferida para queimar nas nossas lareiras nos nossos rigorosos invernos.

 

1600-carvalhais (1)

 

Mas como ia dizendo e tal como se pode verificar na vista geral da aldeia reproduzida na segunda fotografia de hoje, tomada desde S.Domingos, há, na pratica, um carvalhal na proximidade da aldeia, pois a maioria, à sua volta, são pastagens ou mato nos pontos mais altos, este também autóctone, constituído na sua maioria por carqueja, urze e giestas, e reafirmo, ainda bem, embora hoje estes arbustos já não tendo a utilidade que outrora tiveram, principalmente utilizados para iniciar a combustão das lareiras e braseiras ou aquecimento dos fornos, ainda se vão utilizando como plantas medicinais, e depois são nossos, e não me venham com a cantiga de que o pinheiro também é autóctone… pelo menos, e outra vez, muito bem, no Barrosos de Montalegre não abunda, já o mesmo não acontece no Barroso de Boticas, mas lá chegaremos.

 

1600-carvalhais (20)

 

E será que gostei da aldeia, será que recomendo uma visita, será que o pessoal de lá é simpático e hospitaleiro? — Pois apetecia-me dizer: - Ide lá ver!  Mas a aldeia não me merece isso, e digo que sim, que sim e que sim, ou seja, recomendo a visita, o pessoal com quem estivemos é simpático e hospitaleiro e gostei da aldeia,  e olhai que gostar de uma aldeia, num fim de tarde, já cansados de andarmos a calcorrear tantos caminhos, não é fácil, é porque a aldeia merece mesmo, mas isso já me palpitava desde que a vi pela primeira vez desde S.Domingos.

 

1600-carvalhais (14)

 

E como costumava dizer o já saudoso mas eterno Bento da Cruz, com esta me vou, mas antes, claro, como sempre, deixo aqui as referências às consultas e às anteriores abordagens às terras, lugares e temas do Barroso, estes com links para os respetivos posts. Para o próximo domingo, se tudo correr como previsto, cá estaremos de novo, com mais uma aldeia do Barroso de Montalegre. Até lá e desfrutem desta semana que se inicia.

 

1600-carvalhais (15)

 

Bibliografia

 

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso

BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Edição do Município de Montalegre.

 

1600-carvalhais (18)

 

Links para anteriores abordagens ao Barroso:

 

A

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Algures no Barroso: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1533459

Amial - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ameal-1484516

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-arcos-1543113

B

Bagulhão - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bagulhao-1469670

Bustelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bustelo-1505379

C

Cambezes do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cambezes-do-1547875

Castanheira da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-castanheira-1526991

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Cervos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cervos-1473196

Contim - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-contim-1546192

Cortiço - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1490249

Corva - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-corva-1499531

D

Donões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-donoes-1446125

F

Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619

Fírvidas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-firvidas-1466833

Frades do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-frades-do-1440288

G

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Gralhós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhos-1531210

L

Ladrugães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ladrugaes-1520004

Lapela   - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209

M

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

Meixide - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixide-1496229

N

Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-negroes-1511302

O

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886

Ormeche - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ormeche-1540443

P

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Paio Afonso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paio-afonso-1451464

Parafita: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-parafita-1443308

Paredes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-1448799

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Pomar da Rainha - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pomar-da-1415405

Ponteira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ponteira-1481696

R

Roteiro para um dia de visita – 1ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104214

Roteiro para um dia de visita – 2ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104590

Roteiro para um dia de visita – 3ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105061

Roteiro para um dia de visita – 4ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105355

Roteiro para um dia de visita – 5ª paragem, ou não! - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105510

S

São Ane - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-ane-1461677

São Pedro - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-pedro-1411974

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Sezelhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sezelhe-1514548

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

T

Tabuadela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-tabuadela-1424376

Telhado - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-telhado-1403979

Travassos da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-travassos-1418417

U

Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

V

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1508489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

Vilaça - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilaca-1493232

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

X

Xertelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-xertelo-1458784

Z

Zebral - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-zebral-1503453

 

 

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[i] Fomos ver e lá apenas constava isto: Do latino CARBACULU > CARBAGULO > CARBAGLO > CARVALHO. Sem referências.

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:30
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Pecados e Picardias

pecados e picardias copy

 

Cemitérios vivos

 

Olá Pai

 

Deixo-me estar em Bornes, no escorrega de promessas dos sonhos de miúda.

Agora é a nossa vez de  ir deitar água benta no vazio,  onde sucumbiram aos desgostos os fia-te na virgem e não corras.

Fizemos tanto tanto que não fizemos nada e agora o cansaço abafa-nos na solidão da falta do poder de já não ser capaz.

 

Eu não te disse?

 

Um rebanho de ovelhas entra nos terrenos baldios de escolhas e gostam de ser pasmadas e empurradas pelo latir dos cães que só ladram…

Há uma brisa no fundo do estradão que já não é fundo do estradão, fomos à escola e já sabíamos…

Só os cadáveres são verdade.

 

Deixo-me estar sem fazer nada e é como se estivesse a fazer alguma coisa, o não fazer nada…

Os gordos continuam a ser pesados, principalmente a si próprios e os magros principalmente aos outros,

Oh, continuam cada um a puxar para o seu lado.

 

Uma ou duas pessoas sabem que ainda continuo a ser a filha do Chiquinho e da d. Aninhas

Olhamo-nos de lado

Todos somos coitadinhos, até os que não, mais a mais gosto do Cristiano…

 

Disseste, disseste  que eram todos iguais, que …

E depois, que queres que faça, eu também sou…

 

A casa da avozinha já não está lá…

Ó tempo…

Já não temos ninguém que se lembre

 

A memória acende  sozinha a cada  tormento, rabanadas de morte ou abanar de medos

Já nos entendemos na desgraça

Paramos nas cinzas…

 

Disseste, disseste tudo passa

Nós também

 

Isabel Seixas

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 22:55
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Sábado, 24 de Junho de 2017

Calvão, Chaves, Portugal

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Hoje vamos fazer uma breve passagem por Calvão, com duas imagens da aldeia e uma do Santuário da Nossa Senhora da Aparecida.

 

1600-calvao (10)

 

Calvão que não duvido nada em apontá-la como uma das aldeias  mais interessantes do concelho de Chaves, com alguns ponto de interesse que se destacam, como o conjunto do casario, o largo do cruzeiro com o respetivo cruzeiro e fonte, a capela do cemitério, alminhas, as cruzes da Via Crúcis, as fontes de mergulho e restantes fontes do Estado Novo.

 

1600-calvao-art (1)

 

Mas penso que o destaque principal vai mesmo para o Santuário da Nossa Senhora da Aparecida construído para celebrar e acolher os devotos do aparecimento da Virgem Maria a três pastores: Manuel, Maria Rosa e Teresa Fernanda. Muito semelhante ao que aconteceu em Fátima, mas com uma diferença importante, em Calvão aconteceu em 1833, quase 100 anos antes do aparecimento de Fátima, ou seja, esta de sermos vítimas da interioridade já vem de há muito, mas também a Igreja, por outros interesses, não valorizou o aparecimento da Virgem Maria em Calvão. Mas não deixa de ser curioso que os acontecimentos de Fátima seja uma cópia dos acontecimentos de Calvão, até nos pastores, no número de pastores e no sexo.

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 18:27
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Sexta-feira, 23 de Junho de 2017

Freiras - Versão 3

1600-(47240)

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:51
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Discursos Sobre a Cidade

GIL

 

ABÉSPORAS

 

Na terra escrava do Planalto pouca há que medre!

 

Tirando o centeio – ancestral gramínea da palha e do pão que fazia a cama da gente e dos bitchos e atulhava as arcas de castanho para as invernias – e a batata, vinda das américas em meados do séc. XVI, para alívio da castanha e da bolota, pouco mais se aveza na imensidão áspera dos corgos do Brunheiro.

 

Nesta senda, as ceifas, pelo agosto, e o arranque dos tubérculos em setembro, eram empreitadas que davam pelos peitos a uma mula! Dias duros, contudo, dias de festa pela alegria da colheita.

 

A gente pobre, carregada de fome, suor e cansaço, no final de cada jornada ainda reservava forças para a folia. Gente feliz que, com tão pouco, inveja quem hoje se diz infeliz com tanto! Admiro aquela gente antiga que, de barriga vazia, sabia sorrir e dar-se!

 

Recordo, com nostalgia, a alegria dos ranchos de segadores regressando a casa pelo crepúsculo: gadanho às costas, dedeiras a pender da baraça que fazia de cinto, camisas rotas e encardidas, calças de cotim remendadas, socos de pau de amieiro muito gastos, carpins de lã de ovelha empastelados, chapéu de palha roído pelo sol, poeira da palhoça enfeitando os ombros, barba de oito dias, caras enfarruscadas pelas gotas que escorriam abundantemente das testas e se misturavam com o pó da terra, mãos grossas como a casca do carvalho negral!... E, apesar do magro soldo que os atraía desde a Terra-Quente, ainda se astrebiam a amanhar um bincelho e a enfeitá-lo com flores do campo, para oferecer à patroa Carolina.

 

E vinham cantando:

Bimos de segar centeio

Com o gadanho na mão

Biba o Sr. Antoninho

Que é um patrão

 

P’ra mais de cem pousadas

Seguemos hoje no Belão

Amanhê segaremos mais

Em bindo o garrafão

 

Ó senhora cozinheira

O seu caldo cheira bem!

Deiamos uma malguinha

Por alma de quem lá tem!

 

Depois da ceifa vinha a acarreta, quase sempre feita à ajuda pelo povo da aldeia. Emedava-se o centeio na eira e aguardava-se vaga da malhadeira do Ti Jaime da Amoinha Nova, para separar o grão da espiga. Enquanto não se malhasse, andava-se com o coração num tchitchelo por causa do perigo de um incêndio que podia, muito bem, deixar o Carregal na penúria o ano inteiro. A propósito recordo os sermões do Paizinho aos fumadores, para que não o fizessem na eira. Persuadia-os, ano após ano, com um incidente trágico da Grande Guerra, a que assistiu, de um cigarro mal apagado nas trincheiras de Neuve Chapelle que matou três dezenas de camaradas. Muitas vezes chegava mesmo a açobar-lhes os cães para ver se agarravam medo e iam estripar cigarros para outras bandas! Todavia, a eira era o lugar mais apetecível do Carregal e, apesar do cuidado do Ti Moreiras, sempre se ia fumando, à escapula, à beira das medas do pão! Mas que ele não visse!

 

Seguia-se a saga da malhada. Uns escangalhavam a meda o botavam os molhos p’ra riba da malhadeira, outros ajudavam a encafuar a palha na máquina para a apartar do grão, outros escolhiam a palha mais ajeitadinha, o colmo, para encher os xaragões e outros empalheiravam. Um trabalho infernal pela canícula, pelo barulho do trator que movia a malhadeira e pelo pó que se levantava no ar.

 

Mas é mais de um episódio relacionado com o arranque da batata canibeque que vos quero falar nesta novela.

 

Para o arranque do Ti Moreiras não bondava a gente do povo. Por isso, em inícios de agosto, nas feiras de Carrazedo, o velho combatente cuidava de prover a mão-de-obra necessária, para numa semana bimbar os batatais. E vinha gente de muita banda: da Dorna, de Vale do Galo, de S. Cibrão de São João de Corveira, sei lá!.. Dependendo da franqueza do ano agrícola, vinham, quase sempre, para mais de dez homens, gente habituada ao trabalho duro do cabo da sachola de ganchos de sol a sol. O trabalho menor ficaria por conta da gente da terra: o espanar da rama, a apanha, o ensaque e o transporte até ao armazém. Os forasteiros alvezes vinham da seco, outras d’amolhado. Quando o patrão os alimentasse, ganhavam menos, bem entendido, mas tinham comida e vinho à tripa forra! Os da terra, à ajuda, vinham sempre d’amolhado. E não faltava quem trabalhasse, pois o patrão tinha a fama de tratar bem!

 

Assim, mais ou menos pelas sete da matina, matabichava-se.

 

O Ti Moreiras estendia duas mantas de farrapos sobre o carro de bois, punha uma cesta com nozes e outra com figos secos. Numa pequena giga de vime meia dúzia de bolas de trigo de três cantos. Encafuado num estadulho, o pipo da aguardente, que passava, uma única vez, pelos queixos de todos. Depois, distribuíam-se as tarefas. Cada arrancador pegava num rego, seguido pelos outros em escada. O patrão punha-se em frente deles, cuidando que as batatas fossem bem arrancadas e nada ficasse para o rebusco e ainda que as sacholas cavassem fundo para não as rachar. Os mais novos espanavam a rama para soltar as canibeques e as mulheres apanhavam. Outros vazavam as cestas nos sacos de serapilheira que iam sendo cozidos com agulha e baraça à medida que se fossem enchendo.

 

Por volta das dez horas, vinha o almoço. O rancho parava cerca de meia hora. Comia-se uma lisca de cimo-de-pá, um cibito de queijo ou carne gorda da pá, rijada, com um carolo de pão. Dois golos de vinho, do de Cova do Ladrão, de um pipo que passava de boca em boca. Estavam assim carregadas as baterias para mais três horas de trabalho.

 

Pela uma e meia, mais coisa menos coisa, quando pela coroa das giestas piorneiras se visse a giga do jantar, estendia-se um fardo de colmo na poula contígua à leira do arranque, à sombra das carvalhas. Por cima punham-se umas mantas de trapos sobre as quais se espalhavam alguns pratos fundos de louça preta de Nantes. Depois, dos alguidares que vinham na giga, vertia-se nos pratos fundos o cordeiro estufado que exalava um cheiro de fazer crescer água na boca. Noutros caçoulos, botavam-se as cachas das batatas cozidas. Cada trabalhador recebia um garfo de ferro e uma côdea de pão. Do mesmo prato, cada um servia-se dos nacos de carne à velocidade com que os deglutisse. Muitas vezes, o prato da carne enchia-se de saltões cinzentos que infestavam a poula e se agitavam com aquele movimento desusado, mas isso pouco importava, já que se constava que os bichos não gostavam de cordeiro guisado!

 

No Carregal, por essa ocasião, vivia um paisano que era escornado por todos. Esse repúdio tinha a ver com a mania que ele tinha de larpar como um lambão! Gostava muito de ir à ajuda para o Ti Moreiras porque enchia as ventas! Era o Faustino da Rabiça, mais conhecido por Tranglimanglas, um brutinho, mouro de trabalho! Sabia tão-somente comer e trabalhar! Trabalho não lhe faltava, comida sim e, quando a apanhasse a jeito, até se afogava! Por isso, todos faziam pouco dele. Contudo, o moço, de tão ingénuo, alinhava em todas as maroteiras e desafios que lhe lançassem, desde que lhe cheirasse a morfes!

 

Ora, desta vez, o cordeiro estava tão bom que o bardina comeu com tal sofreguidão que deixou os parceiros mais próximos quase a apitar!

 

Pagá-las-ia o lambuzão!...

 

O Gripino, um dos que apenas lambeu os ossos do anho, pensou-a bem! Conhecia ali no Corgo umas velhas tocas de raposa, abandonadas, onde era costume as vespas fazerem ninho. Vespas bravas, cuja ferradela punha qualquer um a ganir, fosse gente ou fosse bicho! Que o digam as pobres vacas do Guilhermino que, há alguns anos, agradando uma leira próxima, foram atacadas sem dó nem piedade! Os pobres animais, em desespero, desinvestiram giestal adentro jungidas e com a grade de arrasto. Foi o cabo dos trabalhos para as tirar de lá!

 

Ora, durante a sesta que se fazia mais ou menos até às três da tarde, o Gripino lembrou-se de desafiar o Rabiça a desentocar os raposinho novos que dizia ter enxergado a entrar nas velhas tocas. Se o conseguisse, os bichos haveriam de fugir ó p’ra cima - sim, porque lobo ou raposa nunca foge ó p’ra baixo temendo que as tripas lhe saiam pela boca - e seriam apanhados à sacholada. Depois, bastava irem de aldeia em aldeia com os raposos mortos pedir ovos que fariam um bom petisco, juntando-lhes as boieiras apanhadas nas pescoceiras armadas nos montículos de terra qua as ratas faziam nos lameiros de pasto.

 

− Ó Faustino, vais ao toco grande com esta aguilhada, metesia quanto possas. Os raposos, picados pelo ferrão, vão desinvestir por esta rodeira direitos a nós. Com as sacholas limpemos-le o saramplo. Mas tens de esguiçar bem senão eles não saem. Amanhê, domingo, bamos aos ovos com os raposos mortos e vais ver que nos enchemos deis. Depois cacemos umas boieiras no Belão com as pescoceiras e faremos uma tainada. O binho pago-o eu!

 

Com o sentido na comida, o Tranglimanglas nem hesitou. Que alinhava!

 

Pegou na aguilhada e nem se deu conta que todos arreganhavam os dentes com o que adivinhavam que iria acontecer!

 

Saltou a parede do giestal contiguo à touça onde jantaram, chegou aos tocos da raposa e toca de escarafunchar com a aguilhada no toco mais largo. Não tardou que o vespeiro, que dormiria a sesta, se agitasse e lhe caísse em cima como mosca no mel!

 

Ah…homem de mil diabos!

 

Desesperado, largou a aguilhada e, a berrar como um cabrito-montês, saltou a fugir por entre as giestas piorneiras para espanar às ditas. Contudo, quanto mais corria e espanejava, mais elas o filavam!

 

Da touça, entre a galhofa, alguém lhe berrou:

 

Bota-te ao poço, lambão, bota-te ao poço!...

 

Nem pensou duas vezes. Correu e mergulhou de cabeça!

 

Entes morrer afogado do que comido pelas abésporas! − pensaria o infeliz!

 

Não sabia nadar. A sorte é que o poço tinha pouca mais de um metro água, pela secura daquele verão!

 

Tiraram-no a pulso, pendurado numa corda carral. Parecia um cristo!

 

Vinha a esbagoar!

 

O poço safou-o das feras, mas não de umas esmoucadelas e, sobretudo, dos inchaços e do gozo dos companheiros!

 

Nos dias seguintes, parecia um bombo!...

 

Todavia, passado aquele episódio, voltou a ser o lambareiro de sempre!

 

Não lhe serviu de lição, embora doravante não pudesse ver as abésporas!...

 

Pudera!

 

Gil Santos

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Quinta-feira, 22 de Junho de 2017

Coisas do meu baú - A manif de fevereiro de 2007

1600-manif 130

cabecalho-ny (442)

 

Recordo de há uns anos atrás, um amigo de então que também anda nestas andanças de meter as imagens de Chaves na net, me ter dito — “qualquer dia esgotamos as imagens de Chaves para publicar”. Lembro-me de ter discordado e de lhe dizer que haveria sempre uma nova imagem para publicar. Continuo a acreditar que essa nova imagem continua a existir e a prova disso é que este blog caminha para os 13 anos de existência e sempre que podemos trazemos aqui uma nova imagem de Chaves, às vezes do mesmo local ou do mesmo tema, como acontece, por exemplo, com a ponte romana, mas nos milhares de fotografias que pela certa existem da ponte, todas elas são diferentes e nem por isso deixam de ser interessantes.

 

1600-manif 144

 

Por outro lado, e sem contradizer aquilo que atrás disse, as imagens de Chaves que diariamente se publicam na NET, andam todas à volta do mesmo, das mesmos locais, das mesmas ruas ou daquilo que está na moda ou vai sendo o acontecimento do dia, o que é natural que assim aconteça, principalmente no que respeita ao acontecimento do dia ou aos temas que andam na baila. É assim como este caso do incêndio assassino que ainda lavra no interior do país e que inunda todos os meios de comunicação social, e que é uma constante na maioria das conversas, que desperta debates, opiniões para todos os gostos, aproveitamentos e que mexe com os nossos dias. E assim vai ser até que novo acontecimento, nova catástrofe ou vitória venha substituir este agitar dos dias por outro agitar qualquer. Tudo isto vai ficando registado em imagem,  mas a sua importância no interesse público é efémero, dura enquanto dura e no futuro só recordarão o momento,  quando um acontecimento idêntico o fizer despertar na nossa memória.

 

1600-manif 055

 

Pois no meu baú de imagens já vão existindo muitos momentos importantes que aconteceram na nossa cidade e que uma ou outra vez, por um acontecimento idêntico se vão recordando. Geralmente é aí que vamos à procura deles para os trazer aqui de novo e dizer — Eu lembro-me e até estive lá, aqui estão as imagens…

 

1600-manif 056

 

Pois para esta nova rubrica que irá acontecer aqui no blog, de vez em quando e sem dias ou horas marcadas, vou ir ao meu baú de imagens despertar memórias e momentos que aconteceram há anos atrás, mais ou menos distantes, e que na altura tiveram a sua importância e reuniram centenas ou milhares de pessoas no mesmo evento, no mesmo protesto, na mesma comemoração, na mesma festa, no mesmo momento. Vamos talvez revermo-nos no momento, mais novos pela certa (ou de certeza)  e talvez até encontrar alguns entes queridos que há muito não vemos ou já partiram.

 

1600-manif 071

 

Esta nova rubrica adota o nome de “Coisas do meu baú” e a intenção é apenas a de contribuir para a memória do nosso passado e de coisas que nos uniram ou nos juntaram, sem a necessidade de um novo acontecimento idêntico para o trazer aqui. Espero que gostem e/ou que se revejam nesses momentos.  

 

1600-manif 066

 

Pois vamos então às imagens de hoje que, segundo consta no baú onde estão guardadas, foram tomadas na manhã do dia 21 de fevereiro de 2007, aquando decorreu uma manifestação contra o encerramento das urgências do Hospital de Chaves.

 

1600-manif 079

 

Dia de feira em Chaves, o povo acorreu em massa à convocatória, a luta/protesto era do interesse de todos,  tal como a indignação por mais um roubo à vista, e logo um que mexia com a nossa saúde e bem estar.

 

1600-manif 072

 

Segundo a teoria do caos, diz-se que o bater de asas de uma simples borboleta pode influenciar o curso natural das coisas, podendo mesmo provocar um tufão do outro lado do mundo…pois nesse dia em Chaves, o povo bem abanou as suas asas, mas como sempre, os ventos parecem nunca estar de feição para nós, pelo menos não chegaram a Lisboa. Certo que não perdemos as urgências, mas o Hospital é uma triste imagem daquilo que foi ou deveria ser.

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:06
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Flavienses por outras terras

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Elisabete Carvalho

 

Nesta crónica do espaço “Flavienses por outras terras” vamos até à cidade da Maia, nos arredores do Porto, onde vamos encontrar a Elisabete Carvalho.

 

Cabeçalho - Elisabete Carvalho.png

 

Onde nasceu, concretamente?

Nasci em Valpaços, mas fui viver para Chaves com um ano de idade.

 

Nos tempos de estudante, em Chaves, que escolas frequentou?

Frequentei a Escola Primária de Santa Cruz, o Ciclo, e a Escola Secundária Fernão de Magalhães.

 

Em que ano e por que motivo saiu de Chaves?

Saí em 2014, por motivos profissionais do meu marido.

 

Em que locais já viveu ou trabalhou?

Em Chaves e na Maia.

 

Diga-nos duas recordações dos tempos passados em Chaves:

As recordações são muitas e é impossível nomear apenas duas…, mas recordo com carinho as tardes passadas com os amigos nas Caldas de Chaves, um espaço com bares e cafés com esplanadas incríveis, e com o calor que se fazia sentir era maravilhoso.

Outra das recordações é a do local onde vivi, Santa Cruz, e das brincadeiras com os amigos, o convívio com os vizinhos e a sensação de pertencermos todos a uma grande família.

 

Proponha duas sugestões para um turista de visita a Chaves:

A principal é a gastronomia, nomeadamente os Pastéis de Chaves e o famoso fumeiro. Depois, visitar toda a cidade, muito bonita e rica em património.

 

Estando longe de Chaves, do que é que sente mais saudades?

Sinto muitas saudades da minha "gente", do calor do Verão, da paz e do sossego e de não haver trânsito.

 

Com que frequência regressa a Chaves?

Vou algumas vezes a Chaves, visto que não estou muito longe, mas não sei quantificar.

 

O que gostaria de encontrar de diferente na cidade?

Só gostava que Chaves crescesse e houvesse mais oportunidades.

 

Gostaria de voltar para Chaves para viver?

Gostava, mas não é um assunto que me faça pensar, pois tenho uma filha pequena e com certeza que ela vai ficar por aqui e nós ficaremos com ela, fazendo sempre umas visitas a Chaves.

 

 

O espaço “Flavienses por outras terras” é feito por todos aqueles que um dia deixaram a sua cidade para prosseguir vida noutras terras, mas que não esqueceram as suas raízes.

 

Se está interessado em apresentar o seu testemunho ou contar a sua história envie um e-mail para flavienses@outlook.pt e será contactado.

 

Rostos até Elisabete carvalho.png

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:53
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Quarta-feira, 21 de Junho de 2017

Novidades...

1600-manif 079

 

Novidades, sim, mas só amanhã. Eram para acontecer hoje mas o tempo dos relógios é implacável, não pára(*), mas pára(*) as nossas intenções. Mas adianto uma imagem...

 

(*) – Além de não ser um adepto fervoroso do novo acordo ortográfico, confesso que também não me incomoda e que o aceito, além de, em termos laborais, ser obrigado a utilizá-lo, mas há casos, exceções, em que a sua utilização pode criar dúvidas, e embora a nossa língua seja rica em soluções e facilmente podemos dar a volta ao contexto, às vezes é mesmo aquele o termo que queremos utilizar, e aí, não hesito em cometer o erro, como é o caso de hoje.    

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:15
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