Segunda-feira, 31 de Julho de 2017

Quem conta um ponto...

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353 - Pérolas e diamantes: O fuso da Branca de Neve

 

Não é fácil crescer pobre, pois é-se impregnado de uma característica aguda que os homens letrados denominam como prudência. Aprende-se que o altruísmo não passa de um ramo de flores ornamentais. O que importa é lavrar o terreno que sobra para criar os alimentos. É como se a sensatez fosse uma desordem excecional.

 

A pobreza moderna é como um pai inflexível: castiga com os olhos.

 

Por vezes encontra-se um trevo de quatro folhas e pensamos que nos foi enviado para dar sorte. O meu perdi-o antes de chegar a casa.

 

Os passeios pelo campo e os amanhãs que cantam (cantavam?) são boas imagens para a escrita.

 

As coisas imaginárias são belas, mas têm um problema: dissipam-se porque são sonhos.

 

Por vezes confundimos tudo. Podemos até confundir as ideias, mas nunca devemos confundir os ideais. 

 

Winston Churchill bem nos avisou que há pessoas que mudam de ideias para não mudarem de partido e há pessoas, como foi o seu caso, que mudaram de partido para não mudarem de ideias.

 

Por isso se costuma confundir experiência social e política com o que afinal não passa de passes de prestidigitação.

 

Claro que os homens que nunca mudam de partido, e mudam frequentemente de ideias, afirmam, sem pestanejar, que são gente de verdade, gente responsável, de bom senso e coerente.

 

Um meu amigo, sempre que lhe lembram que vivemos num sistema democrático, responde sem vacilar: “Em política, só é preciso mentir com convicção.”

 

Desde pequeno que me quiseram fazer acreditar em anjos. E mesmo amá-los. Estou em crer que desiludi quem tanto persistiu na fantasia. A mim, o que me fascina, são os homens e as mulheres que são capazes de levantar voo.

 

Pensa-se que o mérito é um mistério. As grandes novidades da humanidade aparecem sempre sugeridas pelas falhas do que se denomina por progresso. Mas as palavras não conseguem amortecer as quedas. Por incrível que pareça, a humanidade continua envolta num jogo de extermínio.

 

Eu sofro da doença da dúvida. Outros preferem forçar o real para que se ajuste às suas conceções. Feitios. A cada um a sua mania.

 

Afinal, a salvação é o estado mais alto da poesia. Alguns, no entanto, confundem impotência com amor e escrevem poemas de adultos como se fossem crianças. A cobardia afasta-nos (afasta-os?) da dimensão da verdade. A mediocridade é uma erva daninha que se disseminou como os cravos vermelhos na alvorada tosca de Abril.

 

A minha mãe ensinou-me que não devemos fazer aos outros o que não queremos que nos façam a nós. Isto também é válido para os outros. Esses outros que se pensam uns. Esses outros que são presas fáceis do ciúme, da inveja e da má-língua. Foram ensinados ao som da sinfonia da desordem, do caos e da conspiração. E da hipocrisia.

 

Deixaram-se apanhar pela doença da intimidação. Pensam que nela adquirem o grande poder da linguagem. Mas são apenas gagos falando num comício de surdos.

 

De facto, as suas antevisões de um futuro risonho, do qual se dizem profetas e obreiros, apenas correspondem a um imaginário de criança.

 

Conspiraram para impossibilitarem o triunfo do líder dos seus porque eram os segundos na fila da sucessão. Giram estonteados em volta de si mesmos. São como os cães que perseguem a própria cauda.

 

Costumam interpretar, porque lhes interessa, o trabalho persistente e a independência de espírito como arrogância. Pensam sempre em frente do espelho. Espelho meu, espelho meu, haverá líder mais bonito do que eu?

 

Parecem a Alice no país da intriga. Vivem o fenómeno político e social como sonâmbulos das boas causas e dos melhores efeitos. O diploma que exibem como válido corresponde apenas ao curso partidário das universidades de verão que angariaram tendo em vista iludirem os incautos.

 

Sofrem da síndrome da Branca de Neve, dormem durante quatro anos decididos a acordarem ao fim desse período de tempo, e até dispostos a acordarem o povo, sem se darem conta de que quem dorme são eles mesmos. O povo já lá vai à frente. O povo levanta-se sempre cedo para ir trabalhar. Além disso, ninguém consegue ser ao mesmo tempo a bela dormente e o príncipe encantando. Nem nas histórias infantis.

 

Nesta história de sonâmbulos o beijo é mesmo o do Judas.

 

Gosto de os ver andar nos carrocéis do poder. Sempre às voltas, sentados no cavalinho de pau, imaginando-se os napoleões das suas tribos.

 

Sim, acho que merecem alguma coisa, que o povo lhes ofereça um pauzinho com algodão doce e os presenteie com uma nova ficha para poderem continuar a rodopiar em vão, agora montados na girafinha de plástico ou num pónei amarrado a um poste. 

 

A hipocrisia deve ser recompensada.

 

João Madureira

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
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Domingo, 30 de Julho de 2017

O Barroso aqui tão perto - Reboreda

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As opiniões que vou deixando por aqui, na maioria das vezes, são pessoais, fruto de alguma experiência e da  observação que vou fazendo das coisas e dos locais por onde vou passando ou estando. Claro que antes de opinar sobre o que quer que seja, tento encontrar informação sobre esses assuntos que abordo, validando alguma dessa informação e rejeitando outra, porque nem tudo que está escrito, quando a informação é escrita, corresponde à realidade ou verdade, que quase nunca, raramente ou mesmo nunca nos é transmitida, mesmo na História.

 

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“A História é um conjunto de mentiras sobre as quais se chegou a um acordo” – Este é um “pensamento”/definição atribuído a Napoleão Bonaparte que não andará muito longe da verdade, embora pessoalmente e citando o poeta popular  A.Aleixo, “para a mentira ser segura/ e  atigir profundidade/tem de trazer à mistura/ qualquer coisa de verdade. Por sua vez, como aluno interessado de História que fui no meu tempo de Liceu, no último ano que frequentei esta disciplina (12º ano), dessas aulas, apenas retive para sempre  um apontamento dado em jeito de desabafo pela minha professora da disciplina – “Lembre-se que os acontecimentos da História têm sempre mais que uma versão”. Resumindo, Tanto Napoleão, como António Aleixo como a minha prof. De História, por palavras diferentes, dizem a mesma coisa – A História não é uma ciência exata e daí não podermos acreditar em tudo que nela se diz, aliás se olharmos as definições de ciência e história, podermos tirar daí as nossas conclusões, senão vejamos:     

 

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Vejamos então uma definição Ciência – “conjunto sistematizado de conhecimentos obtidos mediante observação e pesquisa metódica e racional, a partir dos quais é possível deduzir fórmulas gerais passíveis de aplicação universal e de verificação experimental. “

 

Daqui podemos com justiça perguntar — Será a História uma ciência !? Poderemos dela  deduzir fórmulas gerais passíveis de aplicação universal e de verificação experimental!?

 

Vejamos uma definição de História — “História (do grego antigo ἱστορία, transl.: historía, que significa "pesquisa", "conhecimento advindo da investigação")  é a ciência que estuda o ser humano e sua ação no tempo e no espaço concomitantemente à análise de processos e eventos ocorridos no passado.”

 

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Todo este paleio, conceitos e opiniões, tratados até com uma certa leviandade, valem o que valem e só os trouxe aqui por causa do Barroso e das definições do Barroso, que embora administrativamente não exista, se assume como uma região. E afinal o que é uma região?

 

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Pois para região não existe uma definição concreta. No conceito original a geografia definia região como uma certa porção da superfície terrestre, uma identidade espacial homogénea fundamentada na análise dos elementos naturais e humanos. Assim poderemos entender por região, uma grande extensão de terreno ou território que, pelo clima, solo, vegetação, produção económica e outras características próprias, se diferenciam dos territórios próximos. É uma área delimitada, demarcada, estabelecida, como por exemplo as nossas províncias onde todos entendemos, por exemplo, que dentro da grande região que é Portugal,  Trás-os-Montes é o Alentejo têm características que as diferenciam.   

 

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Pois voltemos ao Barroso, à região do Barroso onde hoje em dia  também não há consensos quanto aos seus limites, procurando e apoiando-se na História para fazer os limites atuais, que saem um pouco da  definição geográfica do conceito. Aliás os de Montalegre costumam dividir o Barroso em Alto Barroso e Baixo Barroso, precisamente por terem características diferentes, por sua vez, dos de Boticas, já ouvi de gente que pelo cargo que ocupavam se poderá considera gente idónea, afirmar que o verdadeiro Barroso é o de Boticas. Aqui pelo concelho de Chaves, os mais antigos das povoações da margem esquerda do Rio Tâmega, dizem que para lá do Tâmega é tudo Barroso.

 

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Na “Etnografia Transmontana – II O Comunitarismo de Barroso” de António Lourenço Fontes, ao respeito do Barroso diz o seguinte: “ O Baixo Barroso está localizado entre os 300 e os 700m, de clima doce, e elevadas precipitações. As aldeias do Alto Barroso situadas entre os 800 e os 1200m, têm um clima áspero. O Baixo Barroso oriental da zona de Boticas, situado entre os 300 e os 600m tem já um clima quente e é abrigado dos ventos de oeste.” . Embora esta descrição caracterize e diferencie apenas pela elevação do terreno e clima, António Lourenço Fonte descreve três Barrosos.

 

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Pois sem querer entrar em polémicas ou em guerrinhas de vizinhos, aceito perfeitamente as fronteiras estabelecidas para o Barroso atual, que inclui  todo o concelho de Montalegre, todo o concelho de Boticas e ainda algumas freguesias e povoações dos concelhos de Ribeira de Pena e de Vieira do Minho. Algumas referências incluem também Soutelinho da Raia do concelho de Chaves em terras barrosas.

 

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Mas toda esta prosa porque hoje vamos andar por Reboreda da freguesia de Salto e depois de tantas definições sobre o Barroso fiquei na dúvida se pertence ao Alto ou Baixo Barroso, pois por umas características integra-se perfeitamente no baixo Barroso, mas por outras, por exemplo altitude, enquadra-se perfeitamente no alto Barroso. Pois por mim, deito mais uma acha para a fogueira, aliás já o disse aqui anteriormente e já não é novidade, ou seja a de haver mais Barrosos para além do Alto e Baixo Barroso e este, a freguesia de Salto é um Barroso bem diferente do Barrosos do Gerês, do Barroso da Chã, do Barroso das Terras do Rio, do Barroso do Larouco e seu planalto e de outros pequenos Barrosos dentro do Barroso. Basta adentrarmos pelo Barroso adentro para nos apercebermos destas diferenças que no entanto não poem em causa o todo do território Barroso consagrado pela História.

 

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Mas entremos em Reboreda e para lá entrarmos deveríamos fazê-lo com a dignidade que a aldeia merece, não só pela sua beleza mas também pela sua História e pela sua gente, e desde já lamento de não conseguir toda essa dignidade, não só pela brevidade a que o blog obriga mas também porque teria de aprofundar os estudos, sobretudo os que têm a ver com a História e a passagem/estadia de D.Nuno Alvares Pereira nesta terra e terras vizinhas.

 

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Pois nem sempre temos a sorte que tivemos em Reboreda com a simpatia e acolhimento da receção que deu direito a visita guiada e visita a uma casa antiga, daquelas que quase já não existem e já não se usam, mantendo toda a sua integridade, incluindo no mobiliário e outras peças da época, incluindo uma gravura de um casal real que na altura não consegui identificar mas que nas minhas pesquisas consegui chegar ao nome de D.Adelaide Sofia Amélia Luísa Joana Leopoldina de Löwenstein-Wertheim-Rosenberg casada com D.Miguel I, o que nos leva até ao primeiro quartel do século XIX.

 

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Pensava eu que essa gravura teria algo a ver com D.Nuno Alvares Pereira, mas embora possa haver uma ligação real, os acontecimentos e a ligação d D.Nuno à Reboreda  são muito anteriores pois pelo menos remontam ao ano de 1376 quando D.Nuno Alvares Pereira casa com Leonor Alvim, natural da Reboreda.

 

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Leonor de Alvim (c. 1356 – 1388) foi uma nobre portuguesa. Pertencia a uma família nobre de Entre Douro e Minho, sendo filha de João Pires de Alvim e de sua mulher Branca Pires Coelho,  tornando-se herdeira de seu pai pela inexistência de filhos varões.

 

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Leonor de Alvim, natural de Reboreda, casou em primeiras núpcias com Vasco Gonçalves Barroso do qual enviuvou sem descendência. Posteriormente casou com o condestável em 15 de Agosto de 1376, do qual teve três filhos, sendo Beatriz Pereira de Alvim a única dos três filhos que chegou à idade adulta e que veio a casar com D.Afonso, filho ilegítimo do Rei D.João I.

 

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Sim, o D.Afonso é o nosso D.Afonso, aquele que tem estátua em frente ao edifício da Câmara Municipal de Chaves, pois foi para Chaves que ele veio viver com Beatriz Pereira de Alvim.

 

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Em 1385, no cerco de Chaves, D.Nuno Alvares Pereira junta-se ao Rei D.João I para libertar a Vila de Chaves que tinha sido ocupada por Martim Gonçalves de Ataíde.  Toda esta história do cerco à vila de Chaves foi contada neste blog na passada sexta-feira, por Gil Santos, nos “Discursos sobre a cidade”. Fica aqui o link para essa história: http://chaves.blogs.sapo.pt/discursos-sobre-a-cidade-por-gil-1565309

 

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Pois como reza a História que chegou até nós, o Rei D.João I com a ajuda de D.Nuno Alvares Pereira recuperou a Vila de Chaves e o seu castelo. Como recompensa pelo serviços prestados, o Rei D.João I  doou a Vila de Chaves e o Barroso a D.Nuno Alvares Pereira, ou seja, O Contestável tornou-se dono disto tudo, pelo menos durante uma temporada, mais precisamente até 8 de novembro de 1401, aquando do casamento de D.Afonso (filho de D,João I) com a sua filha, em que  D,Nuno doa todas as terras a Norte do Rio Douro como prenda de casamento (a história de D.Afonso está aqui: http://chaves.blogs.sapo.pt/342269.html )

 

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Regressemos ao casamento do condestável Nuno Álvares Pereira com Leonor de Alvim, após o qual o casal foi viver para Pedraça, para o solar conhecido como Casa da Torre. Quando em 1387 D. João I convocou cortes para Braga, D. Nuno esteve nas mesmas na condição de procurador dos fidalgos do Reino. Foi durante essa sua estadia em cortes que D. Nuno recebeu a notícia de que D. Leonor se encontrava muito doente. Quando chegou ao Porto, onde estava D. Leonor, já aquela teria falecido. Foi sepultada no Convento de Corpus Christi, das freiras dominicanas, em Vila Nova de Gaia.

 

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Depois de contada a História dos mais ilustres portugueses que passaram e foram donos de Reboreda avancemos no tempo, até ao Censo da população de 1530, ordenado por D. João III, que indica moradores ou fogos nas seguintes povoações da atual freguesia de Salto: Pereira, 6; Amear, 7; Pomar de Rainha, 3; Salto, 14; Cerdeira, 7; Reboreda, 21, Tabuadela, 7; Póvoa, 12; Bagulhão, 12; Amial, 4; Corva, 10; Paredes 5; Linharelhos, 7; Caniçó, 14. A julgar pelo Censo Reboreda seria então a maior aldeia da atual freguesia de Salto.

 

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E sobre Robereda encontrámos  uma referência na Etnografia Transmontana de A.Lourenço Fontes, a respeito do Pisão da Tabuadela onde se pisoava o burel, faz uma alusão a Reboreda: “ O burel depois de sair do pisoeiro, o interessado leva-o ao alfaiate das capas. Na Reboreda (Salto) é Domingos do Elias e família que faz capaz de saragoça e burel, há 50 anos”. Saliente-se que a Etnografia Transmontana foi publicada em 1977, ou seja, já lá vão 40 anos e daí para cá muita coisa se alterou, pois tanto quanto sei o Pisão já não funciona e que me conste na Reboreda também já não se fazem as capas de Burel, tão tradicionais que eram e ainda vão existindo em todo o Barroso.

 

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E nestas coisas da história e estórias das aldeias temos de recorrer a quem as sabe. Tivemos também a sorte de o Vítor Bruno, um vizinho da Reboreda (da Póvoa)  fez chegar até nós mais uma informação, que também nos tinha sido contada em Reboreda:  “Outra curiosidade, numa região de monte entre a Póvoa e Reboreda chamada de 'Brangadoiro' foi onde D. Nuno reuniu e treinou as suas tropas recrutadas nestas terras, para depois partirem para Aljubarrota.”, Na Reboreda falaram-nos também numa zona a que chamavam o “corredouro” onde exercitavam os cavalos e no “alto da corneta” junto à atual capela de Nª Senhora de Fátima.

 

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Na toponímia de Barroso a respeito de Reboreda diz-se o seguinte: “ Do nome latino robureta, de róbur + eta >Robureda > Revoreda > Reboreda.

- 1258 «…dixit quod villa de Revoreda» INQ 1512.

- 1258 « de casali de Revoreda» INQ 1526 – referido a um casal de Vilar de Perdizes;

- 1288 » Revoreda he Andorra he Afadoam que fizeram ambas em termo de Revoreda tragia-as por onrra Martinm Soares que nom entrava hi porteiro nem mordomo he tragia hi seu juiz he seu chegador».

 

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E continua a toponímia de Barroso : “Claro que esta citação última respeita à nossa povoação da freguesia de Salto e dá-nos a interessante notícia de que, no termo da Reboreda, se criaram duas herdades (com seu topónimos pomposos) e que um tal Martim Soares trazia por honra: ao mesmo tempo que, como se diria agora, fugia ao fisco impedindo a entrada nas propriedades do mordomo e do oficial da justiça e, para cúmulo, nomeara localmente seu juiz e seu administrador principal!

 

Quanto aos topónimos – Andorra faz-se pensar naquilo que Andorra é, um sítio dificilmente acessível como convinha, um andurrial com muitos animais e poucas pessoas. “

 

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Ainda na Toponímia de Barroso na Toponímia Alegre, temos os apelidos de Salto, a saber: “ Pomar da Rainha nem pão nem farinha , Pereira fome lazeira, Amiar fome de rachar, Borralha saco de palha, Linharelhos tripas de coelhos, Caniçó arca de pó, Paredes armadores de redes, corveirinhos são de Corva, lagarteiros do Amial, Bagulhão muita água pouco grão, Lodeiro de Arque arcas vazias sem pão, Tontinhos da Póvoa, sarilhotas do Carvalho, dobadouras de Beçós, toucinheiros da Seara, cavalos de Tabuadela, tornadores de água da Reboreda, demandistas da Cerdeira e escorricha-odres de Salto.

 

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E hoje para variar só temos a localização da aldeia cá pro fim. Então quanto a coordenadas temos 41º 37’ 33.93” N e 7º 55’ 34.80” O. Já tínhamos dito que pertence à freguesia de Salto que fica a 1800m de distância, no entanto as aldeias mais próximas são Cerdeira a 960m e a Póvoa a 1300m, avistam-se umas às outras lá no alto planalto a 973m de altitude. Mas fica o nosso habitual mapa para melhor localizarem Reboreda.

 

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E que mais há para dizer sobre a Reboreda!? Claro que haveria muito mais para dizer mas penso que as imagens de hoje dizem o resto e nos dão Reboreda vista ao longe, dentro da aldeia, na intimidade de uma das suas casas e as vistas que desde Reboreda se avistam. Se isto não bastar para vos abrir o apetite a uma visita a esta aldeia, então este post não cumpriu a sua missão, mas só ficam a perder.

 

Só resta mesmo fazer a referência às nossas consultas e aos links para as anteriores abordagens ao Barroso e um obrigado ao Vitor Bruno da Póvoa com a velha promessa de que um dia destes entraremos também pela sua aldeia adentro.  

 

 

Bibliografia

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso

FONTE, António Lourenço, (1977), Etnografia Transmontana, II O Comunitarismo de Barroso. Montalegre: Edição de Autor

 

Sítios na WEB

http://norteportugues.blogspot.pt/2011/03/historia-breve-da-freguesia-de-salto.html

 

Links para anteriores abordagens ao Barroso:

A

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Algures no Barroso: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1533459

Amial - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ameal-1484516

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-arcos-1543113

 

B

Bagulhão - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bagulhao-1469670

Bustelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bustelo-1505379

 

C

Cambezes do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cambezes-do-1547875

Carvalhais - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-carvalhais-1550943

Castanheira da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-castanheira-1526991

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Cervos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cervos-1473196

Contim - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-contim-1546192

Cortiço - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1490249

Corva - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-corva-1499531

 

D

Donões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-donoes-1446125

 

F

Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619

Fírvidas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-firvidas-1466833

Frades do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-frades-do-1440288

 

G

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Gralhós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhos-1531210

 

L

Ladrugães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ladrugaes-1520004

Lapela   - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209

 

M

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

Meixide - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixide-1496229

 

N

Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-negroes-1511302

Nogueiró - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-nogueiro-1562925

 

O

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886

Ormeche - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ormeche-1540443

 

P

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Paio Afonso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paio-afonso-1451464

Parafita: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-parafita-1443308

Pardieieros - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pardieiros-1556192

Paredes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-1448799

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Pomar da Rainha - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pomar-da-1415405

Ponteira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ponteira-1481696

 

R

Roteiro para um dia de visita – 1ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104214

Roteiro para um dia de visita – 2ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104590

Roteiro para um dia de visita – 3ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105061

Roteiro para um dia de visita – 4ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105355

Roteiro para um dia de visita – 5ª paragem, ou não! - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105510

 

S

São Ane - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-ane-1461677

São Pedro - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-pedro-1411974

Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sarraquinhos-1560167

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Senhora de Vila Abril - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-senhora-de-1553325

Sezelhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sezelhe-1514548

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

 

T

Tabuadela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-tabuadela-1424376

Telhado - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-telhado-1403979

Travassos da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-travassos-1418417

 

U

Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

 

V

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1508489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

Vilaça - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilaca-1493232

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

 

X

Xertelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-xertelo-1458784

 

Z

Zebral - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-zebral-1503453

 

 

 

[i]   Joseph, Brian (Ed.); Janda, Richard (Ed.) (2008). The Handbook of Historical Linguistics. [S.l.]: Blackwell Publishing (publicado em 30 de Dezembro de 2004).

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:28
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Sábado, 29 de Julho de 2017

Carvela - Chaves - Portugal

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Sempre tive um certo fascínio pela Serra do Brunheiro e este sempre é mesmo desde puto, penso mesmo que será desde que nasci, e a razão é muito simples, as janelas da minha casa davam diretamente para o Brunheiro, praticamente sem qualquer barreira física entre o meu olhar e a imponência da serra, não que ela seja muito alta, mas é a forma como se dá à apreciação para quem está na veiga de Chaves.

 

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Pois desde miúdo que a Serra do Brunheiro tem sido também o meu barómetro. Digamos que ela é o meu boletim meteorológico diário, quando logo pela manhã abro a janela do quarto  e lhe lanço um olhar para fazer as previsões  do dia.  É, as minhas janelas continuam a ter o Brunheiro por companhia e agora muito mais do que em puto, pois com o tempo fui-me aproximando das suas faldas. Bem , mas tudo isto tem a ver com a nossa aldeia de hoje, Carvela, uma das três aldeias (conjuntamente com Maços e Santiago do Monte) que ficam logo após o dobrar da croa[i] da serra, mas sem vistas para a veiga.

 

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Esta localização das três aldeias mencionadas faz com que elas gozem, ou melhor – sofram, com um fenómeno meteorológico que se repete muitas vezes ao longo do ano. Ontem mesmo quando acordei esse fenómeno estava a acontecer, fenómeno esse  que faz com que essas aldeias fiquem mergulhadas num espesso nevoeiro, tudo acontece quando existe uma diferença de pressão atmosférica entre  o vale de Chaves e o planalto do Brunheiro, que faz com que as nuvens baixas ou nevoeiros e neblinas matinais subam a encosta da serra e estacionem no planalto. De verão e em dias quentes como os que estamos a atravessar, este fenómeno até talvez se agradeça, mas de inverno, dói a valer, principalmente quando as temperaturas lá no alto são negativas e os nevoeiros que sobem se convertem em gelo, criando um ambiente de uma beleza sem igual, mas que só se pode desfrutar desde dentro do carro com o aquecimento ligado ou desde as casas da aldeia com a lareira bem abastecida de lenha.

 

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Carvela é uma das onze aldeias a freguesia de Nogueira da Montanha e uma (freguesia) que mais tem sofrido com o despovoamento, em parte pelo rigor dos invernos mas também pela falta de políticas para a agricultura e floresta que façam com que a sua população possa fazer delas um modo de vida. E isto embora aconteça lá em cima a uma cota de 900 metros de altitude, a terra é generosa para como produtos agrícolas, pelo menos na qualidade daquilo que de lá sai, principalmente na produção de batata.

 

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Aliás é vergonho que na cidade de Chaves onde a batata da montanha é reconhecidamente de qualidade superior, tenhamos que comprar batata espanhola e francesa nas grandes superfícies. É como o presunto de Chaves, o famoso presunto de Chaves, tão falado por esse Portugal fora, mas são poucos os que o avezam.   

 

 

[i] Já sei que o termo croa não existe na língua oficial portuguesa, mas por cá é assim que se vai dizendo e pronuncia e não é mais que a palavra coroa abreviada.

 

 

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Pedra de Toque

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Dina, princesa negra

 

                        As mulheres tratavam das pequenas leiras, com os filhos no dorso baloiçando.

                        Envolviam-se em panos do Congo próximo, garridos, de belos desenhos, que as embelezavam.

                        Na zona não eram demasiado negras, antes tinham uma tez que lembrava as mulheres de Cabo Verde.

                        Na lavra trabalhavam duramente.

                        No meio do capim conseguiam parir sozinhas.

                    Bebiam, dançavam frenéticas ao som do batuque e aquando de um óbito deixavam moeda aos familiares do falecido e faziam farra para minorarem a saudade e a dor do ente querido que partia.

                        Um adolescente de 12/13 anos que me acompanhava sempre que podia e a quem eu ajudava, que era tratado pelos meus camaradas de armas por buta Costa (o pequeno Costa), porque o grande era eu, disse-me um dia que a Dina gostava de me conhecer.

                        A Dina era falada pelo pessoal da “guerra”, não só pelos seus 16/17 anos mas também pela sua beleza negra com sua boca sensual plantada no rosto perfeito.

                        Vivia na sanzala, mas fora educada pelos padres da missão. Sabia estar, contar e escrever pelo seu nome falando, para além do seu dialeto, um português escorreito com um sotaque “bonito mesmo”.

                        Aos que a catrapiscavam, educadamente brindava-os com um sorriso furtivo.

                        Dos outros, ela, ladina, fugia para a missão ou para a proteção paterna.

                        A Dina para mim era África, castanha de sóis irreais.

                        Quando de jipe, ao fim da tarde passava a caminho do quartel, vi-a à sombra de um embondeiro com acácias por perto, mascando folhas e esperando a chuva que caía sempre ao fim da tarde sobre a terra quente deixando um cheiro agradável e inconfundível que se impregnava nas narinas.

 

                        Um dia ao passar ouvi a Dina cantar.

                        Cantava em voz doce e negra.

                        Fiquei em silêncio, embevecido, a ouvi-la.

                        Quando viu que a escutava parou a melodia e eclipsou-se.

                       

                        Estive 8 meses em terra da Damba.

                        Depois rumei a Luanda, à justiça militar.

                        Regressei ao Puto (metrópole) 20 meses mais tarde.

 

                        De África trouxe o meu espanto pela enormidade de Angola, pela beleza da baía de Luanda, trouxe também o sabor da água do Bengo que bebi, e sobretudo,

                        O sorriso único da Dina, que me enfeitiçou de tal sorte que ainda hoje me aparece nas paredes do meu quarto e me ilumina.

 

António Roque

 

 

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Sexta-feira, 28 de Julho de 2017

Discursos sobre a cidade - Por Gil Santos

GIL

 

Nota Prévia

Passando os olhos por um pequeno livro, esquecido, na estante de uma biblioteca pouco frequentada, dei com os olhos em dois textos que falam da nossa terra.

 

Trata-se de um livro da autoria de Fernando António Almeida, intitulado “Estórias de Portugal” editado pela Âncora em 2001.

 

A páginas 53 e seguintes, o primeiro texto fala-nos de um cerco à nossa cidade, no longínquo século XIV. O segundo dos sete filhos de Maria Mantela.

 

Por se tratar de duas “estórias” da nossa cidade e porque isto das estórias me é particularmente caro, reproduzo o primeiro texto, na íntegra, neste espaço privilegiado dos “discursos”.

 

O segundo fica para depois.

 

A RENDIÇÃO DO ALCAIDE

(O Cerco de Chaves)

 

Em 14 de Agosto de 1385 travam-se de razões em Aljubarrota os exércitos português e castelhano. Vitorioso no confronto, D. João I dirige-se ao Norte do país, a Guimarães, em romaria a Santa Maria da Oliveira, por cumprimento da promessa que fizera antes que entrasse em batalha. Aqui, prepara uma incursão a Trás-os-Montes, para ocupar alguns castelos que se mantinham fieis a D. Beatriz, a filha de D. Fernando e mulher de D. João I de Castela. Era o começo do Inverno.

 

E partiu El-Rei dali com suas gentes e muitos carros com engenhos e mantimentos e com outras coisas pertencentes à guerra. E entrou em Vila Real. E ali juntou a sua hoste e levou caminho de Chaves com intenção de cercá-la. E a festa de Natal teve-a El-Rei numa aldeia chamada São Pedro de Agostém, que é uma légua de Chaves.

 

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E dali iam alguns escaramuçar a vila, nas quais escaramuças morreu um cavaleiro que chamavam Álvaro Dias de Oliveira que atolou o cavalo com ele e, não podendo sair, ali o mataram. Mas neste mesmo dia, um João Gil Sapo matou por sua mão três da vila na ponte do lugar, pelo que foi muito louvado.

 

Este lugar de Chaves é uma vila de Portugal na qual estava um bom e honrado fidalgo português chamado pelo nome de Martim Gonçalves de Ataíde. À sua mulher chamavam Mecia Vasques Coutinha, irmã de Gonçalo Vasques Coutinho que esteve na batalha de Trancoso. No lugar estavam cerca de oitenta lanças de bons escudeiros e um número razoável de besteiros e de homens de pé. E tinha vindo também para a vila um cavaleiro galego da terra de Ourense que chamavam Vasco Gómez de Seixas, com trinta lanças e homens de pé e bons besteiros, de jeito que havia assaz de gente para a defesa do lugar. E tinham um trom pequeno e uma cabrita de lançar pedras. Tinham mantimentos em razoável quantidade. Já a água que nascia na vila era enxofrada, como água de caldas, mal-azada para beber, que a boa era a do rio que vai por fora dos muros.

 

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Como Martim Gonçalves recusou entregar a vila, El-Rei cercou-a e pôs arraial sobre ela. E mandou armar os engenhos e atirar aos muros da vila e ao castelo e quebraram grande parte de duas torres que estavam perto do rio Tâmega. E El-Rei mandou fazer uma bastida, junto da ponte, para defender aquela água e combater a vila, bastida que tinha três sobrados e a que antigamente chamavam castelos de madeira. E a bastida estava forrada de caniços e carqueja, para guardar-se das pedras, e havia nela homens armados e besteiros, de tal maneira que os da vila não podiam tomar água do rio. E por isso El-Rei mandava dar cada dia um cântaro de água a Mécia Vasques, mulher do alcaide do lugar, por amor de seu irmão Gonçalo Vasques.

 

Sendo a bastida guardada daqueles que dela tinham cargo, acertou um dia que era à guarda de Vasco Pires de Sampaio. E estando ele ao serão ceando descansado no arraial, que era um bom pedaço dali, saiu do lugar muita força de gente, muitos com fogo, cada um fazendo o melhor que podia, e apesar dos que a guardavam, antes que os do arraial pudessem acorrer, que era longe dali, puseram-lhe o fogo e a bastida ardeu toda. E dali em diante tomaram os da vila livremente quanta água podiam e queriam.

 

E, vendo como seria má de guardar uma bastida que ali pusesse, mandou El-Rei fazer outra, mais perto do arraial, cerca duma das portas da vila onde estava uma boa torre, mas não tão chegada a ela que lhe pudesse fazer dano. E a bastida era tão forte, assim forrada de traves e caniços e coiros crus, que ainda que um engenho que tinham os de dentro lhe tenha atirado numa noite trinta pedras, de que vinte e sete deram nela, nenhuma lhe pôde fazer dano. Desta bastida, que era mais alta que o muro, não cessavam de atirar com bestas e pedradas àqueles que queriam andar por ele, de maneira que ninguém ousava por aí andar, nem nele estar. Enquanto isso, os engenhos de dentro da bastida atiravam amiúde, de dia e de noite, e derribavam no castelo e na vila muitas casas, e matavam gente e faziam muito dano. Os da vila atiravam com as bestas e com aquele trom e engenho que tinham, mas não era coisa que aos do arraial fizesse dano, ainda que muitas vezes houvesse feridos de uma parte e da outra.

 

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E sabei como este cerco que El-Rei ordenou de pôr a Chaves foi bem proveitoso a muita gente desta comarca porque os mais deles estavam à míngua de mantimentos, por causa da guerra passada no tempo d'El-Rei D. Fernando e da vinda de D. Henrique de Castela ao reino. Assim que muitos, por sua vontade, se iam para El-Rei naquele cerco para haverem mantimento. E El-Rei mandava muito amiúde a forragem e entravam pela Galiza oito e dez léguas, à terra de Porqueira e de Sandiães e de Alhariz e outros lugares daquela comarca, com bons capitães à guarda das azêmolas, que sempre iam bem duas mil e às vezes mais. E vinham carregadas de pão e de carne e de castanhas e de nozes e doutros mantimentos e algum pouco de vinho, porque não é terra em que haja muito. E uma vez foram à forragem à terra de Viana de Bolo e quando vinham para o arraial caiu muita neve na serra e tanta que matou muitos homens e moços com frio.

 

Com tantas contrariedades, D. João I teme não conseguir fazer subjugar Chaves, ficando-lhe hostis outros castelos de Trás-os-Montes, como Bragança, Vinhais, Outeiro de Miranda, e outros ainda. Teme-se também que, estando tão perto da fronteira, o rei de Castela decida tentar vir, descercar Chaves. Considera D. João I que deve reforçar o seu exército. Apela então aos principais concelhos do país para que o auxiliem. De Lisboa e Sintra chegam reforços. Pede também auxílio a Nuno Álvares Pereira que se lhe junta em Chaves.

 

Enquanto estas coisas se passavam e algumas outras que não vale a pena dizer, os engenhos não paravam de atirar, de noite e de dia, fazendo muito dano ao lugar. E os da bastida também já começavam a derribar a barbacã desde abaixo e queriam picar o muro. E além disso ordenou El-Rei uma escada de tal maneira como na Espanha nunca antes tinha sido vista para pôr no muro da vila, de que todos se espantavam.

 

Martim Gonçalves, vendo todas estas coisas e receando ser entrado pela força, pois não se podia bem defender, ajustou então que lhe fosse dado o prazo de quarenta dias para que comunicasse com El-Rei de Castela. E, não lhe vindo resposta até esse tempo, lhe entregaria a vila e o castelo e eles sairiam com suas bestas e armas e haveres. E pôs-lhe Martim Gonçalves um seu filho por refém, em como se até aquele dia não fosse socorrido que lhe entregasse o lugar. E mandou à pressa recado a El-Rei de Castela de tudo o que se passava e em como se tinha ajustado.

 

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O escudeiro de Martim Gonçalves chegou a Zamora onde El-Rei de Castela estava e chegou tão alta noite que El-Rei repousava já na cama com a rainha sua mulher. El-Rei, como lho disseram, sem embargo de que já repousasse, levantou-se da cama. E, entrou o escudeiro na câmara e contou a El-Rei o cerco e o que acontecera e quanto havia passado Martim Gonçalves até que se ajustara. E El-Rei respondeu que não estava em tal ponto que lhe pudesse acudir como cumpria e que lhe quitava a menagem uma e duas e três vezes. E no outro dia escreveu El-Rei suas cartas a Martim Gonçalves, como lhe quitava a menagem e que se fosse para seu reino, onde lhe faria mercês e daria terras para que vivesse honradamente.

 

Tendo chegado o escudeiro com o recado, Martim Gonçalves, naquele dia em que se acabou o prazo, mandou dizer a El-Rei de Portugal que lhe queria dar a vila e o castelo, havendo já cerca de quatro meses que El-Rei o tinha cercado. Mas, antes disto, tinha ele já mandado sua mulher e filhos para um lugar que chamam Monterrey, que era dali a três léguas. Vasco Gómez de Seixas, que estava com Martim Gonçalves, veio falar a El-Rei à tenda onde estava e despedir-se dele. Martim Gonçalves não lhe quis falar. E no dia seguinte depois do prazo partiram ambos armados e os seus a pé, pois que alguns que tinham bestas tinham-nas fora do lugar. E os homens de pé e os moços davam vozes e apupos, escarnecendo deles, segundo é costume fazerem aos que saem de lugar cercado.

 

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Entrou depois D. João na vila de Chaves e no seu castelo, de que tomou posse. Ouviu missa. Armou cavaleiros. Deu a vila a Nuno Álvares Pereira, que com ele estava. O objectivo era agora Bragança e a ocupação dos outros castelos que ainda tinham voz por D. Beatriz e pelo seu marido, o rei de Castela.

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:20
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Quinta-feira, 27 de Julho de 2017

Cidade de Chaves - Rua do Sol com castelo

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:14
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Flavienses por outras terras

Banner Flavienses por outras terras

 

Jorge Araújo

 

Nesta crónica do espaço “Flavienses por outras terras” vamos até à cidade de Lisboa, local de destino de muitos Flavienses que um dia deixaram a sua terra.

 

É lá que vamos encontrar o Jorge Araújo.

 

Cabeçalho Jorge Araújo.png

 

Onde nasceu, concretamente?

Nasci em França, mas aos 9 anos voltei para Chaves para morar com uma tia no Bairro da Trindade.

 

Nos tempos de estudante, em Chaves, que escolas frequentou?

Frequentei a antiga Escola Primária da Estação, a Escola Nadir Afonso e a Escola Secundária Dr. Júlio Martins.

 

Em que ano e por que motivo saiu de Chaves?

Saí em 1990 para ir para a Universidade.

 

Em que locais já viveu ou trabalhou?

Em França, em Aveiro e em Lisboa.

 

Diga-nos duas recordações dos tempos passados em Chaves:

Os passeios de bicicleta até ao açude, em Vila Verde da Raia, e o velho Jardim das Freiras, onde se encontravam os amigos e se ficava por lá à conversa.

 

Proponha duas sugestões para um turista de visita a Chaves:

Obrigatoriamente a zona das Caldas, a beira-rio e o Forte de S. Francisco, e claro, o Pastel de Chaves.

 

Estando longe de Chaves, do que é que sente mais saudades?

Saudades da família e dos amigos e também de comer o verdadeiro Pastel de Chaves…

 

Com que frequência regressa a Chaves?

Sempre que posso, regra geral uma vez por mês.

 

O que gostaria de encontrar de diferente na cidade?

Uma cidade com mais oportunidades para não sermos obrigados a emigrar ou a sair da nossa terra.

 

Gostaria de voltar para Chaves para viver?

Sem dúvida! Atualmente com o teletrabalho já se consegue de vez em quando ficar mais um dia ou dois em Chaves. Quem sabe se no futuro não poderão ser mais dias…

 

Rostos até Jorge Araújo.png

 

O espaço “Flavienses por outras terras” é feito por todos aqueles que um dia deixaram a sua cidade para prosseguir vida noutras terras, mas que não esqueceram as suas raízes.

 

Se está interessado em apresentar o seu testemunho ou contar a sua história envie um e-mail para flavienses@outlook.pt e será contactado.

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:05
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Quarta-feira, 26 de Julho de 2017

Cidade de Chaves - Jardins suspensos do Largo do Município

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Nem sempre o tempo dos relógios nos permite dar uma voltinha pela cidade, e quando neste blog se diz cidade, referimo-nos sempre ao seu centro histórico, aquela que verdadeiramente caracteriza a cidade de Chaves, e qualquer cidade. No entanto, neste domingo passado, o relógio lá nos permitiu um tempinho para uma voltinha. O itinerário permitido foi descer a Praça do Duque, Largo Caetano Ferreira, Rua da Misericórdia, Travessa das Caldas e lançar um olhar ao Postigo. Na volta, subi a Travessa das Caldas, lancei um olhar à Rua do Correio Velho e outro a Rua dos Gatos, subi mais um pouco e lancei um olhar à Rua de Stª Maria e outro às Traseiras da Igreja Matriz sem esquecer verificar se a Santa Maria Maior continua lá no seu “pedestal” , mais um pouco e atravessei a Rua Direita em direção à Rua Bispo Idácio, virei à esquerda e subi até à Ladeira da Trindade, virei para a Praça da República sem entrar nela e subi o que restava da Rua Direita sem atingir o Largo do Anjo pois tomei a Travessa do Município em direção ao Largo do Município que por sinal são as traseiras do edifício da Câmara Municipal, onde tomei as últimas imagens do pequeno passeio, as que hoje vos deixo aqui.

 

 

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A ideia era só deixar uma imagem, mas estaria a ser injusto, pois o que atraiu o meu olhar foram os jardins suspensos nas janelas e entradas das portas, com petúnias e hortências, entre outras que não sei o nome, a decorar o Pomar do Hélder e a Pastelaria Maria. Deixar só uma delas seria injusto para a que ficava de fora, pois as duas complementam-se e para a composição ser perfeita, só falta mesmo a exposição da fruta no pomar e a porta da pastelaria aberta com os aromas do pastel de Chaves a convidarem para entrar, e à hora que era, pela certa que bem marchava um pastelinho. Mas infelizmente, aos domingos, quando a gente de fora nos visita e nós podemos dar uma voltinha, as portas do centro histórico fecham-se. Faz lembrar aquela anedota dos alentejanos, que fecham os restaurantes à hora de almoço para que os seus donos e empregados possam almoçar descansados…    

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:15
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Ocasionais

ocasionais

 

“Cá do alto do meu pedestal”

 

“O homem julga-se

a «medida de todas as coisas»:

o mundo sabe que o homem

 não passa de um verso

 na Odisseia da Natureza”.

-Will Durant-

 

É sabido que um texto longo, e, particularmente, em Blogues, torna-se cansativo para os leitores, e, particularmente, para os apressados visitantes.

 

A Internet oferece-se tantos regalos, em tal quantidade e tão variado paladar, que os «aproveitadores» se contentam em dar uma dentada aqui, uma olhadela acoli, ou ...uma apalpadela acolá, e já ficam consolados com tanta fartura.

 

Assim, fartos e eufóricos, resumem a sua apreciação à frase, à palavra ou ao palavrão que maior ardência deixou no seu paladar ...   ou no seu contra-gosto.

 

Fico feliz quando os meus leitores se dizem divertidos com os meus textos.

 

Mais feliz ficaria se, além de divertidos,  tivessem ganho um bocadinho de entusiasmo pela História, um cibinho pela Literatura, um migalho pela Política (com maiúscula), um «isquinho» pela Filosofia, e por deitarem um olho à Física (Hermenêutica?! Credo, cruzes, canhoto!)!

 

Lamento apenas que, tantas vezes, tenham confundido a árvore, ou a carvalheira, com a floresta. Isto é, tomassem a nuvem por Juno, e, onde se fala de um, tivessem lido um milhão.

 

Mas, como entendo que um texto, depois de editado e lido por outros já não é só propriedade do autor, pois aos leitores também passa a pertencer, a liberdade de cada um o interpretar de acordo com a altura e a profundidade do seu conhecimento, da sua sabedoria, do seu preconceito e da sua crença é legítima.

 

Como autor, apenas lamento a precipitação de doutas inteligências na interpretação do que escrevo.

 

A tradução leviana e viciosa embalada e estimulada por preconceitos suportados mais pela conveniência do que pela convicção ou evidência da realidade inspirou um «bitaite» de um divertido comentador   -  “Há algum valente que se queira bater com outro valente’”   -  a quem respondo  com Étienne de la Boétie:

 

- “Que duas, três ou quatro pessoas não se defendam de um só, coisa estranha é, mas não impossível porque lhes pode faltar a coragem.

 

No entanto, que cem ou mil ou uns milhões suportem o jugo de um único, não se deve mais à falta de brio e à apatia do que à falta de valor e de ânimo?”.

 

Permito-me lembrar que mostrar “uma interpretação como mais provável à luz do que sabemos é diferente de mostrar uma conclusão como verdadeira.

 

Há uma substancial diferença de conceito de «portugueses» e de «Povo» entre mim e alguns dos meus leitores.

 

Para alguns,  só há «Povo» e «reaccionário»; português «povo» e português «reaccionário».

 

Não é difícil vislumbrar-lhes o tique de «complexo de esquerda» pela lienearidade das conclusões tão apressadas quão oportunistas, para aproveitamento glosado dessa fatalidade psicológica de «esquerdalhismo». 

 

Quando me for possível, estudarei mais pormenorizadamente o monumento arquitectónico  da sapiência dos meus leitores mais, assim-assim e menos divertidos , e fá-los-ei entrar como suplemento das minhas Crónicas ou dos meus Contos, tornando assim mais aprimorada, erudita e meritória a minha escrita, e justificado o apreço e a conta em que os tenho!

 

Em (pré) época de eleições, pretendi em “O quark e o pavão” pôr em representação uma dupla realidade social, humana, em relação à atitude política consumada no voto, representação essa suportada na ««natureza psicológica» do homem   -   mais «aquisitiva», numa maioria; e mais «especulativa», numa minoria.

 

Ponderando na realidade e na voz corrente acerca do miserável gabarito ético e intelectual dos «governantes abrilístico-democráticos», por um lado, e na precaridade de consciencialização política (e mesmo democrática),  consequência da «longa noite fascista, de 48 anos», que a «longa madrugada de Abril, de 42 anos», coitada, coitadinha, ainda não dissipou, até parece que só o «Povo» ou seja, ”soldados, marinheiros, operários e camponeses”, e não os outros, é que tem o direito de voto e o de exprimir opinião   -  democracia para o «Povo», ditadura para ...ora, quem não é «Povo» é..... reaccionário!

 

E assim, a crença substitui e arrasa a capacidade de análise objectiva das preocupações ou problemas políticos que, quer em período eleitoral, quer na vida corrente, se apresentem aos cidadãos.

 

Espero que os divertidos comentadores continuem a divertir-se muito. Porém, um poucochinho mais de atenção ao que está escrito, e, uma fugazinha ao estudo e compreensão de conceitos aqui, neste e noutros  textos, expostos, ficar-lhes-ia muito bem: o divertimento seria mais entusiasmado e a compreensão dos textos menos leviana, eliminando o risco de me atribuirem o que não escrevi.

 

Mas, se o equívoco lhes serve bem para alimentar a sua vaidade pessoal, os seus preconceitos e as suas crenças, e compensarem-se dos seus complexos, dos meus escritos aproveitem todos os parágrafos, pontos e vírgulas para se consolar.

 

Sei que todos os meus leitores sabem que num discurso escrito, «a intenção do autor e o significado do texto deixam de coincidir».

 

“É indispensável esforço mental para passar do que o autor disse para o que o autor  queria, ou não queria, dizer”.

 

Num mundo cada vez mais apressado, não (me) admira que leitores como aqueles que mais se divertem com  as leituras dos meus «Pitigramas» tenham posto de lado a compreensão e ficado pela conjectura.

 

A unilateralidade está implícita no acto de ler. Daí a passagem para aquela.

 

 “Cá do alto do meu pedestal”, saúdo todos os leitores dos meus textos, e, especialmente, os leitores e comentadores divertidos.

 

 

M., sete de Julho de 2017

Luís Henrique Fernandes

 

 

 

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Terça-feira, 25 de Julho de 2017

Chaves - Um olhar sobre o Postigo

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As casinhas do Postigo, penso que já centenárias a julgar pelas fotografias antigas do início do Século passado onde estas casas já aparecem, menos coloridas, mas sem grandes diferenças. Por trás destas, embora não pareça, temos um troço das muralhas medievais, que hoje são também fachadas de casas de habitação. É, os atentados urbanísticos já são coisa antiga nesta cidade e a coisa pública, só o é enquanto é.

 

 

 

 

 

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Chaves D'Aurora

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  1. PRIMAVERA.

 

A florida estação veio com bons auspícios, pois a Pneumónica já lá se fora por aí, quiçá para o mundo do Não Mais. Adiava-se, assim, para o incerto porvir de cada sobrevivente, a chegada da indesejável visitante.

 

Em Chaves, na cauda do rasto dessa virulenta devastação, sem poupar ricos ou pobres, miúdos ou anciães, pairava, por toda parte, a saudade das pobres criaturas que agora estavam a dormir no Campo Santo. Foi, portanto, uma vila sem ânimo e sem vida, aquela que os Bernardes reencontraram, ao voltar para a quinta do Raio X. Os rapazes retomaram suas idas ao Liceu e as meninas voltaram a ter suas aulas de piano e outras instruções.

 

Ainda que parecessem lágrimas de jacaré, como dizia Mamã, piedosas e muitas foram as secreções lacrimais que as raparigas derramaram pela pobre Mademoiselle Margot des Saints. A lecionista de Etiqueta não pudera brandir sua palmatória no ar e espantar a “maladie”, nem tampouco gritar, com sua voz de gralha, um enérgico “laissez-moi, Maudite, parce que c´est très inélégant partir avec toi!” As meninas também renegaram, com veemência, o disse-me-disse de algumas pessoas, segundo as quais, após Mademoiselle ser enterrada, descobriu-se que a veneranda professora (em verdade, em verdade vos digo: muita gente alegou não ser isso, de modo algum, um mero dichote de humor negro) nascera em uma aldeia perto de Nazaré e recebera ao batismo um nome bem lusitano: Margarida dos Santos.

 

A instruir como devem se comportar as raparigas em sociedade, mas sem a tirania das mãos à palmatória, lá estava agora o Monsieur Pierrot Béjart (um sueco de origem francesa, que Afonso e os colegas, a essa altura, ficavam a se perguntar se ele não seria também algum Pedrinho de Beja, do Alentejo). Seus modos refinados demais, delicados demais, amaneirados demais durante as instruções, faziam troçar os rapazes e gracejar as criadas. Até a boa Mamã escondia, com discrição, um riso de rajada entre as varetas do seu leque de Sevilha. Fora das aulas, porém, ele mantinha uma postura bem mais próxima daquilo que as pessoas convencionam ser masculina.

 

Mais insólito ainda foi quando ele apresentou aos Bernardes sua Ingrid, a estranha e corpulenta esposa nórdica, mãe de seus três filhos, cuja postura forte e firme demais e uma voz bem mais grossa que as de muitos cavalheiros de Chaves, causavam sempre certa estranheza, mas a ninguém e por nada alcançava, senão comentar (com respingos de xenofobia e preconceito) – Esses escandinavos... Tem que ser! – e alguns apenas ficavam a sugerir que, naquele estranho par de Adão e Eva, parecia haver alguma costela, serpente ou maçã trocada pelo Criador, a um momento em que Ele estivesse entediado, distraído ou com uma simples vontade de brincar com os efeitos da Criação.

 

fim-de-post

 

 

 

 

 

 

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Segunda-feira, 24 de Julho de 2017

Quem conta um ponto...

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352 - Pérolas e diamantes: Diversão e cultura

 

Há por aí gente dita importante que possui o complexo de Sansão: fazem desmoronar o templo à sua volta. Sei que são capazes de organizar coisas complicadas. Mas não tenho a certeza de que possam organizar coisas simples. São até capazes de decidirem uma questão antes mesmo de pensarem nela.

 

Qualquer pessoa que queira ter influência sobre o que se passa à sua volta tem de ser, em certa medida, um oportunista. Mas a verdadeira distinção existe entre aqueles que adaptam os objetivos à realidade e aqueles que procuram moldar a realidade à luz dos seus objetivos.

 

O negativismo tem de acabar. É necessário gerar algo de positivo porque se não teremos de ficar por aqui como guardiões do caos. E para sempre. Alguns dos laços ligados às convenções já pouco significado têm. Devemos julgar os homens pelos seus méritos. O poder não pode ser um fim em si mesmo.

 

Até se compreende a ambição e a cobiça, mas os verdadeiros farsantes misturam a irresponsabilidade e o diletantismo. E isso acaba por ser obsceno.

 

Quando alguém emana uma postura serenamente autoritária, devemos sempre reparar para além da capa superficial, pois quase sempre existem pequenas fissuras que nos revelam outra pessoa menos edificante.

 

Os partidos são hoje, mais do que nunca, uma agência distributiva de favores em troca de consenso. Os ideais, pobres coitados, fazem já só parte do mobiliário. Não há pior maldade do que a superficialidade.

 

George Steiner tem razão: vivemos numa cultura de piedade elegante, pois estamos sempre a pedir desculpa e a dizer quão profundamente os acontecimentos nos afetam, sem nada fazermos para alterar o estado atual das coisas.

 

Mas um bom pensamento acaba sempre por encontrar um pensador. A cultura não é só o somatório de distintas atividades, é mesmo um estilo de vida. Os consumidores limitam-se a ser consumidores de aparências.

 

Vivemos num tempo cultural onde a semântica incorporou a incultura disfarçada de cultura popular.

 

Hoje já não há ninguém inculto. Somos todos cultos. Já ninguém sabe verdadeiramente o que é cultura. Tudo o é e já nada o é. Vivemos no meio desse paradoxo.

 

Muita da gente que nos vendem por culta não é séria. Divertem-se a jogar com as ideias e as distintas teorias. São como artistas de circo que jogam com cilindros, lenços e cartas e nos divertem e até nos maravilham quando tiram coelhos da cartola. Só que não convencem.

 

Vargas Llosa tem razão. Na civilização do espetáculo, infelizmente, a influência que a cultura tem sobre a política, em vez de exigir que mantenha certos padrões de excelência e integridade, contribui para a deteriorar moral e civicamente, estimulando o que possa haver nela de pior, por exemplo, a simples farsa.

 

O atual ritmo cultural dominante vai substituindo as ideias e os ideais, os debates intelectuais e os programas culturais pela publicidade e pelas aparências. É o jogo do faz de conta.

 

A raiz do problema está na banalização lúdica da cultura predominante. O valor supremo é agora a diversão. As pessoas abrem um jornal ou ligam a televisão ou até se atrevem a comprar um livro para passar o tempo, no sentido mais corriqueiro do termo. Detestam martirizar o cérebro com preocupações, dúvidas e questões mais difíceis. Pretendem apenas distrair-se. Querem esquecer-se das coisas sérias, profundas, preocupantes. Entregam-se nas mãos dos devaneios leves e agradavelmente superficiais, que a seu ver são saudavelmente estúpidos.

 

Van Nimwegen estudou os efeitos da internet no nosso cérebro e nos nossos hábitos e concluiu que confiar aos computadores a solução de todos os problemas cognitivos reduz “a capacidade dos nossos cérebros para construir estruturas estáveis de conhecimento”. Ou seja: quanto mais inteligente for o nosso computador, mais parvos seremos.

 

Só as boas leituras fazem com que a nossa memória arrecade a memória do tempo. De outra forma é impossível.

 

João Madureira

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De regresso à cidade

1600-(47372)

 

 

 

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Domingo, 23 de Julho de 2017

O Barroso aqui tão perto - Nogueiró

1600-nogeiro (43)

montalegre (549)

 

Às vezes somos felizes nas nossas pesquisas sobre as aldeias barrosãs e vamos partilhando aqui aquilo que encontramos, outras vezes pouco ou nada encontramos, tal como acontece hoje com a aldeia que aqui trazemos – Nogueiró.

 

1600-nogeiro (11)

 

Mas não nos damos por vencidos e já que a informação é pouca, lá teremos nós de contribuir “fabricando” aqui alguma, claro que será com base na nossa observação, mas também recorrendo a outra informação, que embora não diga respeito diretamente à aldeia, poderá ajudar para a sua caracterização.

 

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Pois da pouca informação escrita que encontrámos, ficámos a saber que Nogueiró pertence à freguesia de Ferral, já no limite Sul do Concelho de Montalegre, a menos de 3 quilómetros do Concelho de Vieira do Minho.

 

1600-nogeiro (14)

 

Iniciemos então pela sua localização. A mais precisa é a das suas coordenadas: 41º 41’ 54.48 N e 7º 58’ 37.47 O. Mas também podemos dizer que num raio de 1.5 quilómetros encontramos a sede de freguesia – Ferral, Covelo do Gerês e a barragem da Venda Nova. Mas fica o habitual mapa para uma melhor localização visual.  

 

mapa-nogueiro.jpg

 

Nogueiró localiza-se também na croa de uma montanha, sendo o ponto mais alto da aldeia a 808m de altitude e o mais baixo a 769m. Adivinha-se que embora a aldeia se inicie na croa da montanha, também vai deslizando pela sua vertente para a Barragem da Venda Nova.

 

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Curiosamente e embora a barragem da Venda Nova esteja a apena s 1,5 km da aldeia e esta se localize na croa do monte, uma outra montanha tapa as vistas para a essa barragem, apenas se avistando uma nesga da mesma, mas lá desde cima, avista-se ainda uma outra, a 5 km da aldeia e esta sim bem visível. Trata-se da barragem de Salamonde que embora ainda ocupe território de Montalegre já tem o seu paredão no concelho de Vieira do Minho.

 

1600-nogueiro-24-art (3)

 

Assim com esta aldeia a morar na croa de um monte e mesmo com o seu ponto mais alto abaixo da média de altitude do Barroso,  consegue ser uma aldeia miradouro de onde se podem lançar olhares para um autêntico mar de montanhas que entram por outros concelhos adentro, mas também pelo distrito de Braga.

 

1600-nogeiro (27)

 

Estamos também no Baixo Barroso, não por ser assim tão baixo, mas por ficar por baixo do Alto Barroso, onde a principal característica é o verde vivo dos campos, graças à abundância de água para os manter viçosos. Verde vivo que vai sendo quebrado pelo verde mais escuro das zonas florestadas ou mais azulado das florestas mais distantes, no habitual dégradé, onde o azul das últimas montanhas, as mais distantes,  já se confunde com o azul do céu.

 

1600-nogeiro (23)

 

Pois nem que fosse só por estas vistas já éramos compensados pela viagem até Nogueiró, mas também a aldeia, vista ao longe, parece estar rodeada pelo relvado de um jardim, onde também é notório o típico fracionamento da terra, com pequenas diferenças no verde que veste cada fração.

 

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Da pouca informação que encontrámos temos a da Toponímia de Barroso onde se diz que Nogueiró “provem do latino nucaria > nugaria > nogaira > “Nogueira”. O nosso topónimo é um diminutivo, isto é, um pequeno campo de nogueiras. A forma mais antiga do nosso topónimo é de – 1258 INQ. 1523 – Nogueiroo, tendo-se já sincopado o l intervocálico. Donde: Nucariola > Nugarioo > Nogairó > Nogueiró.  " 

 

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Quanto à aldeia em si, parece-nos que o aglomerado mais baixo da aldeia é o mais antigo, embora já haja neste núcleo algumas intervenções mais recentes, enquanto que o aglomerado superior  é notoriamente mais recente. Tal como hoje existe a aldeia está longe da uniformidade de construções tipicamente transmontanas e barrosãs  que ainda vão existindo no restante Barroso, principalmente no Alto Barroso.

 

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E pouco mais temos a dizer sobre Nogueiró, para além de termos de vez em quando de passar por ela a caminho de outros destinos, embora só numa das últimas vezes que por lá passámos tivéssemos feito o levantamento fotográfico, mais propriamente no final da manhã do passado dia 14 de abril, deste ano, claro.

 

1600-nogeiro (54)

 

Só nos resta mesmo fazermos a referência às nossas consultas e aos links para as anteriores abordagens a aldeias e temas do Barroso.

 

1600-desde-noguiro (11)

 

Bibliografia

 

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso

 

1600-desde-noguiro (21)

 

 Links para anteriores abordagens ao Barroso:

 

A

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Algures no Barroso: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1533459

Amial - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ameal-1484516

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-arcos-1543113

 

B

Bagulhão - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bagulhao-1469670

Bustelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bustelo-1505379

 

C

Cambezes do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cambezes-do-1547875

Carvalhais - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-carvalhais-1550943

Castanheira da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-castanheira-1526991

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Cervos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cervos-1473196

Contim - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-contim-1546192

Cortiço - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1490249

Corva - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-corva-1499531

 

D

Donões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-donoes-1446125

 

F

Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619

Fírvidas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-firvidas-1466833

Frades do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-frades-do-1440288

 

G

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Gralhós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhos-1531210

 

L

Ladrugães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ladrugaes-1520004

Lapela   - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209

 

M

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

Meixide - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixide-1496229

 

N

Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-negroes-1511302

 

O

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886

Ormeche - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ormeche-1540443

 

P

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Paio Afonso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paio-afonso-1451464

Parafita: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-parafita-1443308

Pardieieros - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pardieiros-1556192

Paredes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-1448799

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Pomar da Rainha - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pomar-da-1415405

Ponteira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ponteira-1481696

 

R

Roteiro para um dia de visita – 1ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104214

Roteiro para um dia de visita – 2ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104590

Roteiro para um dia de visita – 3ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105061

Roteiro para um dia de visita – 4ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105355

Roteiro para um dia de visita – 5ª paragem, ou não! - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105510

 

S

São Ane - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-ane-1461677

São Pedro - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-pedro-1411974

Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sarraquinhos-1560167

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Senhora de Vila Abril - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-senhora-de-1553325

Sezelhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sezelhe-1514548

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

 

T

Tabuadela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-tabuadela-1424376

Telhado - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-telhado-1403979

Travassos da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-travassos-1418417

 

U

Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

 

V

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1508489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

Vilaça - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilaca-1493232

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

 

X

Xertelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-xertelo-1458784

 

Z

Zebral - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-zebral-1503453

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:45
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Sábado, 22 de Julho de 2017

Carregal - Chaves - Portugal

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Hoje vamos mais uma vez até Carregal, uma das nossas aldeias limite de concelho, neste caso na fronteira com o concelho de Valpaços, como quem vai para Carrazedo de Montenegro ou mais além, até Murça.

 

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Hoje vamos até lá com quatro imagens e algumas, poucas, palavras, mas Carregal é das poucas aldeias que não se pode queixar deste blog, pois quase desde o início da nossa existência que tem tido aqui um embaixador e contador das suas estórias e das suas gentes, a par de outras aldeias vizinhas e de quase todo o planalto da Serra do Brunheiro, embaixador esse que dá pelo nome de Gil Santos que todas as últimas sextas-feiras de cada mês traz aqui um novo conto. Pena outras aldeias não terem outros Gil para contar as suas estórias que não são mais que a própria história mas também uma radiografia da cultura rural deste interior transmontano, muito idêntico no seu seio, mas com as suas singularidades que fazem de cada aldeia uma aldeia única.

 

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Claro que com o despovoamento rural também estas estórias se vão perdendo, tanto mais que a grande maioria têm a ver com a vida do dia a dia dos seus atores e personagens que mais não são que as pessoas que as habitam, estórias com dias felizes e outros nem tanto ou mesmo  nada, pois o contrário também fazem parte dessas estórias, com dias difíceis de muita pobreza à mistura, mas todas elas castiças.

 

1600-carregal (113)

 

Assim, e mesmo sem imagens, as palavras também valem, e muito, pois aquela coisa que se costuma dizer que uma imagem vale mais que mil palavras, não é tão verdadeira assim,  há histórias de vida que nunca conseguirão ter tradução em imagem.

 

E se hoje ficamos com mais uma aldeia do concelho de Chaves, amanhã vamos até mais uma do Barroso.

 

Até amanhã!

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:24
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