Sábado, 22 de Julho de 2017

Carregal - Chaves - Portugal

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Hoje vamos mais uma vez até Carregal, uma das nossas aldeias limite de concelho, neste caso na fronteira com o concelho de Valpaços, como quem vai para Carrazedo de Montenegro ou mais além, até Murça.

 

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Hoje vamos até lá com quatro imagens e algumas, poucas, palavras, mas Carregal é das poucas aldeias que não se pode queixar deste blog, pois quase desde o início da nossa existência que tem tido aqui um abaixador e contador das suas estórias e das suas gentes, a par de outras aldeias vizinhas e de quase todo o planalto da Serra do Brunheiro, embaixador esse que dá pelo nome de Gil Santos que todas as últimas sextas-feiras de cada mês traz aqui um novo conto. Pena outras aldeias não terem outros Gil para contar as suas estórias que não são mais que a própria história mas também uma radiografia da cultura rural deste interior transmontano, muito idêntico no seu seio, mas com as suas singularidades que fazem de cada aldeia uma aldeia única.

 

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Claro que com o despovoamento rural também estas estórias se vão perdendo, tanto mais que a grande maioria têm a ver com a vida do dia a dia dos seus atores e personagens que mais não são que as pessoas que as habitam, estórias com dias felizes e outros nem tanto ou mesmo  nada, pois o contrário também fazem parte dessas estórias, com dias difíceis de muita pobreza à mistura, mas todas elas castiças.

 

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Assim, e mesmo sem imagens, as palavras também valem, e muito, pois aquela coisa que se costuma dizer que uma imagem vale mais que mil palavras, não é tão verdadeira assim,  há histórias de vida que nunca conseguirão ter tradução em imagem.

 

E se hoje ficamos com mais uma aldeia do concelho de Chaves, amanhã vamos até mais uma do Barroso.

 

Até amanhã!

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:24
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Sexta-feira, 21 de Julho de 2017

Um olhar sobre a cidade, à noite...

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O despovoamento e abandono não ataca só as nossas aldeias, também nas cidades acontece, só que aqui, na cidade, é mais seletivo e os motivos são outros…

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:09
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O Factor Humano

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10 contos de reis – sem notas - 7

 

Era um velhote gasto pelos anos e pelas minas do Pejão. A inevitável silicose dificultava-lhe a respiração. Reformado há muitos anos, não se livrava dos venenos que se tinham depositado no labirinto dos seus brônquios, quase que reproduzindo nos pulmões uma réplica, em miniatura, das minas de carvão.

 

Tinha também outros problemas de saúde, principalmente uma rara doença que lhe enfraquecia o sangue, ao mesmo tempo que tornava negras as suas urinas, como se também elas tivessem o pó do maldito carvão. Não era o caso. O certo é que dependia de transfusões regulares de sangue.

 

Nessa época, acreditava-se que lavar os glóbulos vermelhos com soro fisiológico, melhorava os resultados da transfusão. Para isso era necessário um delicado e demorado processo técnico, que tinha uma vantagem: dava-me a mim, então jovem interno, tempo para conversar com o velhote e com a sua esposa.

 

Esta, apesar de passados os oitenta anos, era ainda uma mulher de bonitas e delicadas feições. Mas o que impressionava nela, o que me chamava mais a atenção, era a dedicação, a paciência, o carinho que dedicava ao marido. A forma como lhe dava de comer e lhe limpava a boca e as migalhas que lhe caiam das pernas emagrecidas. A tenacidade com que insistia em explicar-lhe as coisas, apesar da sua surdez e de um certo alheamento. A energia que tinha para o ajudar a ir ao quarto de banho, ou como desencantava umas cuecas, ou umas calças, de reserva, sempre que a próstata do marido lhe fazia uma cruel partida.

 

Apenas deixava escapar, de vez em quando, uma expressão "Oh valha-me Deus, Manel!", como uma ténue forma de protesto, não tanto contra ele, mas contra o destino deles.

 

Num momento em que estávamos só os dois, eu e ela, não resisti a perguntar-lhe: "Minha senhora, como tem tanta paciência e tanta dedicação ao seu marido?". Ela olhou para mim, com um indisfarçável orgulho, que lhe fez brilhar os olhos, e disse-me: "Sabe doutor, ele enquanto pôde, tratou-me sempre como se eu fosse uma Princesa!".

 

Manuel Cunha (Pité)

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:24
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Quinta-feira, 20 de Julho de 2017

Where’s Wally? ou a força da palavra…

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Logo após obtermos uma imagem, ainda no calor do momento, se a observarmos, apenas somos tocados pela sensação do momento que nos levou a obtê-la.  Se a deixarmos descansar uma temporada, um, dois ou mais anos, quando olhamos de novo para ela, já longe do calor do momento, vêm ao de cima outros pormenores que então nos escaparam. Foi o que aconteceu com a imagem de hoje, que ao reparar bem nela, vi o Wally flaviense e confirmei aquilo que por aí se diz – é mesmo verdade, onde há um aglomerado de gente, esta mulher está sempre lá para a fotografia… mas deixando o Wally em paz, neste caso uma wally, vamos ao que interessa nesta esta imagem, na coisa primeira, naquilo que  despertou em mim.

 

Pois quando agora revi esta imagem,  a primeira coisa que me veio à cabeça foi um texto que li há coisa de trinta anos atrás e que me ficou sempre a bailar na memória, um pequeno texto poético de Ruy Belo, que hoje quero partilhar convosco:

 

 

Serviço de Abastecimento da Palavra ao País

 

Vieram ter comigo dos lados do mar. Eram três, eram três mil. Vi que era pão que procuravam ou que não era pão que procuravam. Pus-me a distribuir por eles as minhas palavras: árvore, pássaro, mar, criança, rapariga, mulher. A cada palavra minha eu ia-me esvaziando. Era a vida, a minha vida que e me ia. Eles ficaram incendiados. Nunca tinham pensado que se pudesse comunicar assim coisas próprias. Vieram mais, muitos mais dos lados do mar. Disse-lhes: morte, deus. E caí redondo no chão. Naquele dia ficou instituído o serviço de abastecimento da palavra ao país. Ainda vieram ter comigo, dizendo para eu arranjar outra designação, que aquelas iniciais não podiam ser. Mas eu já habitava plenamente a minha morte, meu planeta desde tenra idade.

Ruy Belo in “homem de palavra[s]

 

E com esta me vou. Até amanhã!

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:33
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Ocasionais

ocasionais

 

“Travessuras y pirraças”

*ou isabelina inspiração*

 

“Políticos e fraldas

devem ser trocados

 de tempos em tempos,

pelo mesmo motivo”.-

 frase atribuída a Eça de Queirós

 

 

Num blogue, um texto maior que uma folha A4  é, nos tempos que correm (na Idade do Efémero; na Idade do Cansaço; na era do consumo, do consumismo e dos consumidos, da era da robótica e da cibernética.... na era de vendedores e perdedores!......), um incómodo, «uma chatice», para a maioria, se não para (quase) todos os visitantes.

 

No texto, “O quark e o pavão”-*Com “charm” de M.Gell-Man*,  estão implícitas algumas sugestões, que, a tal efemeridade, o tal cansaço, a tal «chatice»  não permitem ser apreendidas.

 

Explicito duas ou três sugestões:

  • No “Sport”, no “Geraldes”, no ARRABALDE; no Café da Aldeia; no Barbeiro; na Adega, na hora de regar a amizade; à entrada e à saída da missa; os homens que não se deixem arrastar pelas alcovitices do futebol e concedam , mesmo só de vez em quando, umas «apreciações» acerca do rumo que querem para a vida de cada um e para a vida da sua comunidade.                                                                                                                                                                                   
  • No “Sport”, no “Geraldes”; na Loja, perdão, no “Mini-Mercado” e no “Mercado” da Aldeia, e nos “Super” da cidade (ou até na vista d’olhos à Loja dos chineses!); nas «caminhadas» pela saúde; nas salas de espera para «Consulta» (seja lá do que for e onde for!); nas idas e vindas da missa; na Cabeleireira, perdão, Esteticista; as mulheres não se deixem arrastar pelas alcovitices das Revistas, pelas fofoquices das Telenovelas, e concedam , mesmo só de vez em quando, umas «apreciações» acerca do rumo que querem para a vida de cada um e para a vida da sua comunidade.

Estes dois pontos cumpridos levarão a um já interessante grau de «consciência cívica»., a uma maior «espírito de responsabilidade».

 

O que proponho aos Flavienses (aos meus leitores,  e aos portugueses, afinal) é que se vinculem menos apressadamente à «opção» e estejam mais atentos à «visão».

 

Ataque-se a intencionalidade egoísta de candidatos a cargos político-partidários; critique-se-lhes a sua falta de conhecimento em Ciências Sociais e em outras disciplinas subsidiárias da Ciência Política; exija-se-lhes um mais elevado nível ético e intelectual.

 

Esqueçam a honestidade que eles alardeiam: exijam-lhes INTEGRIDADE!

 

O fanatismo partidário impede que, mesmo até, cidadãos inteligentes e cultos saibam analisar objectivamente os problemas político-sociais.

 

A crença e a opinião   -   levianas, superficiais, comodistas e, em certa medida, aceito, ingénuas   -   facilitam a «tomada de posse» de gente reles, oportunista, incompetente, medíocre.

 

As acções dos Governos Democráticos (Central, Regional ou Autárquico) devem  -   devem, repita-se, para ser bem entendido   -  devem corresponder às promessas (compromissos) eleitorais dos “figurantes” que com estas conseguiram o voto popular!

 

Que sabedoria transporta o eleitor para a decisão, o voto, que deposita na urna?!

 

O voto não tem preço, tem consequências.

 

Olhando para a nossa História recente (a tal da sempre joven democracia portuguesa), quer para a Presidência da República, quer para a Assembleia da República (donde sai uma estranha autorização para ministros de gentinha que não foi eleita, ou sequer a votos!), quer para os Órgãos Autárquicos (muito especialmente para o Executivo Camarário, já que as Assembleias Municipais e de Freguesia, e as Juntas de Freguesia não passam de parentes pobretas da Política portuguesa),  o «Povo» tem escolhido realmente «os melhores»?!

 

Os vencedores terão ganho mais pela ignorância e fraqueza dos eleitores ou mais pelo esclarecimento, fundamentado e sólido, destes?!

 

“É suficiente que o Povo saiba que houve uma eleição. As pessoas que votam não decidem nada. As pessoas que contam os votos é que decidem tudo”  -  sabem de quem são estas palavras?

 

Imitando o Führer de Lá, os «Führerzitos de cá» (daí, de CHAVES, e não só, evidentemente!), sem «ideias-força», sem «imagens-força» resta-lhes agarrarem-se, e a usar, «palavras-força», também elas mágicas como sólido sustento e coesão de, embora medíocres, classe dominante: enchem a boca ... e as instalações sonoras com «liberdade», «justiça», «bem-estar», «progresso» e outras que tais.

 

Ainda mancebo, e já lá vai mais de meio século passado, ensinaram-me, numa Escola, com uma célebre Tapada  -   que tanto a Política como  a Guerra podem ter a mesma finalidade; a Paz.

 

Em ambas se luta também pela Vida.

 

Em ambas, a História tem um papel altamente importante.

 

Em ambas, se impõe uma organização metódica, efectiva, competente, vitoriosa.

 

Apesar dessas afinidades, não tenho para mim que a Política seja «filha da justiça de Deus e da injustiça dos homens».

 

Às Instituições e Serviços Públicos, de uma Nação politicamente organizada, compete satisfazer as necessidades colectivas fundamentais  de Justiça,  de Bem-Estar e de Segurança e de Progresso.

 

E, para essas Instituições e Serviços Públicos, a Comunidade deverá ter o cuidado e a sabedoria de escolher os melhores.

 

É pelas virtudes (valores) que nos tornamos verdadeiramente humanos.

 

Nesta folclórica democracia «à portuguesa», os vendedores de pseudo-ideologias insistem em fazer do País um antigo “Campo da Fonte” e, ou, um “Largo do Tabulado”, onde fazem a feira das suas vaidades, o reclame da sua cultura narcisista e engrampam o «zé pagode» com as artimanhas da sedução e a desavergonhada falta de convicção.

 

Nos seus discursos de campanha eleitoral, os pretensiosos candidatos a lugares e lugarzinhos na Administração Pública, aos quais, pomposa e delambidamente, circunscrevem ao restrito significado de «cargo po-lí-ti-co», os demagogos, com curso de oratória tirado por correspondência com vendedores-de-banha-da-cobra, usam o gesto e o vozeirão teatrais para conferir uma científica ou filosófica autoridade à meia-dúzia, dúzia ou dúzia e meia das larachas e vulgaridades que proferem.

 

Para um Povo habituado a sermões, a ladainhas e ao medo de duvidar, ouvir os que lhe confirmam, com tal pompa, o seu conhecimento vulgar, e o põe a salivar perante um banquete de saborosas promessas, o agrado do momento deixa-o derretido de encanto, não se dando conta da demagogia que o conduz à catástrofe e à ingratidão, como paga do aplauso e do voto que ofereceu.

 

Com uma classe política medíocre, e cada vez mais numerosa, o Povo mais tempo permanecerá no purgatório dos arrependimentos, com férias grandes no inferno das desigualdades injustas; das iniquidades da Justiça; das violências das incertezas do pão para a boca e do tecto para abrigo; dos medos das inseguranças para as crianças e jovens, e da falta de respeito para com os idosos e doentes.

 

Na alma da maioria dos portugueses ainda se conserva a vaidade da armadura e a indiferença pela biblioteca.

 

O Visconde de Correia Botelho  reconheceu-o, no seu tempo, como que adivinhando que continuaria a ser esse o sentimento e o comportamento atávico da grande maioria dos seus patrícios: - “Quatro cutiladas bem assentes no crânio de um mouro davam, noutro tempo, mais glória ao que as dava do que o sr. Alexandre Herculano há-de ter com a publicação dos seus quatro volumes da História Portuguesa”.

 

CHAVES é um quadro negro cheio de equações às quais, «lalões», «lalõezinhos» e o seu títere «pavão» não arranjam soluções ... nem deixam arranjar!

 

Por este andar, não é o Mal que é banal (Arendt); é a vida que passa a ser um calendário de banalidades!

 

 

M., nove de Julho de 2017

Luís Henrique Fernandes

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:35
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Quarta-feira, 19 de Julho de 2017

Mais um olhar sobre a nossa Top Model

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Uma das razões porque gosto de fotografia é pela seletividade do olhar, ou seja, porque só metemos na fotografia, composição,  aquilo que nós queremos. Certo que se lhe dá uma certa falsidade dentro da realidade que reproduz, nós que a fazemos sabemos disso, mas quem a vê e não conhece o ambiente que se reproduz, apenas vê aquilo que lhe damos, e o resto,  o que vai além da fotografia, fica para a imaginação de cada um, e é aí que podemos encontrar a falsidade da fotografia.

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:19
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Terça-feira, 18 de Julho de 2017

Têm costas e espreitam...

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Afinal os anjos, por baixo das asas, também têm costas....

 

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E também já apanhei um a espreitar...

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:48
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Chaves D'Aurora

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  1. SOBREVIVENTES.

 

João Reis nunca mais aludira ao nome do gajo da casa em frente à Grão Pará. Segregada de tudo, Aurora passava dias e noites em profunda ansiedade. Algumas vezes, por vias indiretas, tentava extrair de sua boa mãe alguma notícia de Hernando que ela, Florinda, por acaso tivesse vindo a receber, antes da forçada reclusão familiar.

 

Só mesmo lá pelos idos de fevereiro, por meio da Zefa que, apesar dos interditos do patrão, passara a ficar de namoricos com Barnabé, o tal moço das cercanias e o qual, sem temeridade, estava sempre a ir e vir de Chaves, a apaixonada Aurita veio a saber, afinal, que Hernando já estava fora de perigo. Não haveria de ser desta volta que o ciganito iria conhecer Santa Sara no Céu. Se é que ao rapaz, por tantos que lhe fossem os pecados, não estaria São Pedro a lhe fechar as portas celestiais. De tão finório, era capaz de fazer o santo porteiro cair em seus ludíbrios e se deixar encantar com os truques e mágicas desse anjinho cigano.

 

Aurita não escondia sua felicidade. Chegou até a brincar com os miúdos por aí, feito uma doidinha, após dedicar-se aos arranjos do jardim, onde ela própria não esquecia os cuidados especiais com os amores-perfeitos da serra.

 

Cor-de-rosa.

 

Tal mudança de humor não escapou à Mamã. Esta, porém, limitou-se a suspirar, balançar a cabeça e a se consumir em preces, diante do oratório de jacarandá, que ela sempre trazia consigo lá do Raio X, nas idas e vindas à serra – Ai minha Nossa Senhora dos Remédios de Lamego! Ai minha Nossa Senhora do Monte Serreado! Ai minha Virgem de Fátima! Dai juízo à minha boa Aurora, que essa menina está sempre a pensar com o coração e a sentir com os miolos! Mas estás a ver, minha Virgem Santíssima, vós que sois mulher e podeis me compreender, isso são coisas de miúda que mal começou a trocar os panos de... vós sabeis, os... os paninhos de mulher. Dai-lhe um bom destino, eu vos peço! Ave Maria, cheia de Graça...

 

 

  1. NOTÍCIAS DE CHAVES.

 

Aos meados de março, junto com os mantimentos que Barnabé, o galã coxo e dentuço de Zefa, estava agora a trazer para a quinta em seus balaios, chegaram também várias notícias. Uma delas, meio estropiada pela incompreensão do próprio repórter, era sobre a tal República de Chaves, que ninguém conseguiu entender muito bem. (Durante mais uma e, desta vez, última tentativa de reimplantar a Monarquia em Portugal, nesse recente fevereiro de 1919, ainda em plena vigência da Pneumónica, Chaves conseguiu resistir novamente por alguns dias, como república independente, isolada do resto do País).

 

Malvadas e mal vindas, outras novas do mensageiro chegaram nefastas, qual machado a ferir o cérebro e a magoar, como dizia Mamã, o coração pensante e a mente sensitiva da menina Aurora. Pelo que diziam alguns boateiros, o cigano já quase não se via à Estrada do Raio X. Andava agora a Valpaços, barregão com uma mulherzinha de lá, viuvinha de defunto ainda morno, mas que pertencia à mesma gente dele, embora arrenegada por seu clã. Esse repúdio se devia à vida escandalosa que a dita cuja levava e a tornava mal falada nas tavernas trasmontanas, de cá e de acolá. Conhecera Hernando na Santa Casa de Misericórdia, quando ambos ainda estavam a lutar contra a Gripe. Ao ficarem sãos, ainda que só pele e ossos, mas sedentos de carne, juntaram seus esqueletos e se foram para a outra vila, pertinho de Chaves.

 

Talvez esses doidejos de rapaz liberto e libertino não fossem durar muito tempo. Talvez ele logo tornasse à casa paterna. Aurita, porém, já o via a se rodear de miúdos e a tocar com a sua barregã, para todo o sempre, a vida mansa em Valpaços. Antes, ela chorava pela possível morte do cigano. Agora, ao cantinho dos olhos da brasilita, mal apareciam alguns pingos d’água e uns grãozinhos de sal.

 

Correu até ao álbum que Mamã lhe dera no dia de seus quinze anos, um caderno cuja capa era de couro branco, com vinhetas douradas, escrito “Recordações” e fechado com uma diminuta chave, que Aurora trazia em um cordão, ao pescoço. Após folhear e reler o que escrevera nas páginas cor de rosa, algumas manchadas pelas gotículas que lhe caíram dos olhos em outras quaresmas ou natais, molhou a pena de metal no tinteiro e rabiscou apenas uma palavra: fim.

 

Tudo acabava então como o “the end” dos filmes que, algumas vezes, ela vira ao Cinematógrapho de Chaves, quando Papá, em rara disposição de espírito, resolvia levar toda a família. Decidiu, portanto, que nunca mais cederia os cómodos de sua mente para servirem de albergue ao senhor Hernando, com sua bagagem de mágicas, ilusionismos, pasos dobles e a pretensa promessa de um sonho de amor, agora desfeito.

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:13
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Segunda-feira, 17 de Julho de 2017

Quem conta um ponto...

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351 - Pérolas e diamantes: O carro à frente dos princípios

 

 

Eu sou daqueles que consideram que tem de existir o primado do fator moral sobre o aspeto material.

 

Podem denominar este meu convencimento como romântico e excêntrico, mas eu penso que na política, tal como em qualquer outro domínio da atividade humana, o caráter, os valores e as convicções são pelo menos tão importantes como os outros fatores descritos, em termos gerais, como “económicos”. 

 

Mesmo as melhores leis, e até a legislação mais progressista, não valem sequer a tinta com que são impressas se as qualidades morais dos homens que têm de as aplicar forem duvidosas.

 

A inteligência e a mera perfeição técnica dos métodos de pensar e analisar não são os únicos – nem sequer os mais elevados – valores universais.

 

Brincar com a inteligência, sem convicções profundas, sem crença e sem autodisciplina, pode levar a que a nossa civilização esteja condenada provavelmente ao declínio e até ao desaparecimento.

 

Muitos dos nossos “brilhantes” universitários que enxameiam o espaço político são tolos sofisticados que se limitam a serem ensinados. Revelam-se céticos em relação às opiniões e ingénuos quanto aos factos que se limitam a engolir de forma acrítica, quando devia ser precisamente o contrário. Daí o primado da tecnocracia e do “economês”.

 

Há gente que para dizer alguma coisa espera até poder dizer tudo, acabando por não dizer nada.

 

As pessoas influentes ensinam pelo exemplo e não pelo dogma, porque representam os valores, em vez de os demonstrarem.

 

A distinção entre velhaco e herói continua a fazer-se menos pela sua ação do que pela sua motivação e isso, quer queiramos, quer não, contribui para a erosão das nossas restrições morais.

 

É necessário reforçar o consenso moral, sem o qual a função humana perde todo o sentido.

 

A sinceridade no debate público continua a poder ser medida em “decibéis”. E a verdade está a preço de saldo.

 

Ensaia-se a quadratura do círculo, tentando cada um representar tantos pontos de vista diferentes quanto possível. O que leva ao grau zero da diferença. E sem diferença, não existe verdade e muito menos democracia autêntica.

 

Cada um tenta imitar a aparência rococó, complexa, esculpida a golpes de computador, mas superficial, como pedras semipreciosas elaboradamente cortadas.

 

Os seus discursos são como balões cheios de hélio, feitos para subir e perderem-se no éter, pois colocam sempre pouco em jogo.

 

Aprenderam com a lei de Sayre: "Em qualquer disputa, a intensidade do sentimento é inversamente proporcional ao valor das questões em jogo".

 

A mim parecem-me o teatro kabuki. Ou então atores de teatro amador, nunca conseguindo livrar-se do característico papel de vilão shakespeariano.

 

Falam, e insistem, na necessidade da escolha, mas, para nossa desilusão, não apresentam nada para escolhermos. Nem propostas, nem carisma, e muito menos ideias. Escondem-se atrás do seu putativo charme exposto em cartazes (a)berrantes, que mais não são do que a extensão do seu ego.

 

Quando as minhas informações mudam, altero as minhas conclusões.

 

O segredo da independência está em agir independentemente. Uma pessoa pode nem sequer ter como objetivo o êxito. O melhor é seguir a lei da vida e não partir do princípio de que as coisas se saiam bem.

 

Só quem não faz cálculos é que possui a liberdade que os distingue das pessoas mesquinhas e os torna imunes às vigarices.

 

Não podemos exigir a perfeição antes da ação. Não podemos querer ser todos iguais.

 

As pessoas já conseguem distinguir atividade de ação. E preferem sempre a segunda.

 

A forma do futuro não é automática. O futuro é constituído pela visão, a ousadia e a coragem do presente.

 

O que o compromete é colocar as conveniências acima dos princípios.

 

João Madureira

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 09:00
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De regresso à cidade

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De regresso à cidade através de um dos antigos bairros da cidade que lá vai resistindo às pressões da modernidade.

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:43
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Domingo, 16 de Julho de 2017

O Barroso aqui tão perto - Sarraquinhos

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E como hoje é domingo, vamos mais uma vez até terras de Barroso, mas hoje estou na dúvida se vamos até Sarraquinhos ou até Serraquinhos. Já antes abordei o tema, penso que foi quando o blog passou por Cepeda, mas hoje volto à carga com novos elementos. Não é que seja importante se Sarraquinhos é grafado com e ou com a , é mais para justificar a forma como nós o vamos grafar aqui ao longo do post, pois vai aparecer de ambas as formas.

 

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Pois por mim, quanto mais procuro um esclarecimento para se a aldeia é grafada com a ou e em Serraquinhos, mais confuso fico. Desde já, ao estar a escrever estas linhas, diretamente no computador como costumo fazer, o corretor ortográfico automático assinala erro em Serraquinhos. Também na maioria dos documentos oficiais a que tive acesso, por exemplo os do Arquivo Nacional ou Distrital da Torre do Tombo, aparece Sarraquinhos com a , nos CENSOS, idem aspas.

 

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Aquilo que se vai escrevendo em “livro” também alimenta a confusão. Tomemos como exemplo aquilo que se escreve na Toponímia de Barroso, de José Dias Batista, numa edição do Ecomuseu – Associação de Barroso. Pois no cabeçalho aparece “Concelho de Montalegre – Serraquinhos”. Logo de seguida, no título de desenvolvimento já aprece “Sarraquinhos”. Mas vejamos o que se diz a seguir, em que este tema também é abordado:

 

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“ Dada a semelhança das palavras há quem pense que o topónimo proviria de “Sarracenos” ou coisa assim. Lembram esses falantes (falam, falam e nada dizem) que, como alguns mouros ficaram por cá, o dito nome “sarraceno” poderia dar origem ao nosso topónimo. Gostava de saber, em letra de forma, como é que eles explicavam as transformações fonéticas operadas! Eu andei anos e anos a tentar descobrir a solução, se é que lá cheguei… e dou com estas notícias em letra de forma! Como é que simples curiosos resolvem estes enigmas e com tanta ligeireza?”

 

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E continua:

“ Ponho liminarmente de lado quercus, querquinus e o hipocorístico cerquinus, como querem alguns patuscos.

Depois de ver mil vezes a referência:

- 1258 «dixit de Cerraquinos quod est tercia pars Dominis Regis» Inq 1524, julgo que cheguei lá!

Do longínquo nome pessoal latino Zarracus, pelo diminitivo Zarraquinus, tal com Sandus deu Sandinus, etc. Que foi antroponómico não restam quaisquer dúvidas nesta passagem: - 955 “ de quinione de Zarraquino… T.C.I. 453.”

 

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E para rematar o tema, continua:

“Num documento do Liber Fidei, nº 400, de 1086, um tal Zarraco doa a seu filho Martino Zarraquis um casal; e esse filho, ao fazer testamento ao Mosteiro de Santo Estêvão de Chaves, diz que tal prédio fora comprado: « meo patre Zarraco vel precio módios XI.» (40 módios)!

A mudança do Z inicial para Ç e depois para S (como se verificou em Sapiãos e Sapelos) foi um processo corrente."

 

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Continuemos nos “livros” e vamos até Miguel Torga que passou várias vezes por esta aldeia, ao que consta em visita ao abade Joaquim Alves, conterrâneo de Camilo Castelo Branco, de Vilarinho da Samardã, próxima da aldeia de Torga. Pois nos seus Diários, Torga faz dois registos, um em 1967 em que escreve “Sarraquinhos” e outro em 1975 em que escreve “Serraquinhos”.

 

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Sarraquinhos, Barroso, 17 de Setembro de 1967

 

Parece que é lenda o célebre pedido que se atribui a Frei Bartolomeu dos Mártires no Concílio de Trento: a abolição do celibato ao menos para os padres de Barroso. Mas ela define um ambiente onde o natural pesa sobre todas as criaturas da mesma maneira, dobrando-as às suas leis como o  vento dobra os vimes, e que me não canso de respirar. Já conheço a paisagem de cor e salteado, em poucas aldeias ou lugarejos deixei de meter o nariz, os caracteres humanos são de tal clareza que se decifram à primeira leitura. A verdade, porém, é que volto sempre que posso, e cá estou mais uma vez. Atrai-me esta amplidão pagã, sinto-me bem a pisar um chão em que o deus vivo de ricos e pobres, de alfabetos e analfabetos, é o toiro do povo. Um deus de cornos e testículos, que, depois de cada chega e de cada vitória, a gratidão dos fiéis cobre de palmas, de flores, de cordões de oiro e de ternura. Um deus que a devoção adora sem lhe pedir outros milagres que não sejam os da força e da fecundidade, provados à vista da infância, da juventude e da velhice. Um deus a que se dão gemadas e cervejas para que possa inundar as vacas de sémen, as moças de esperança, os moços de certeza e a senilidades de gratas recordações. Um deus eternamente viril, num paraíso sem pecado original.

Miguel Torga, In Diário X

1600-serraquinhos (37)

 

Serraquinhos, 14 de Setembro de 1975

 

O Barroso coberto de gado. Os mais diversos bichos a granel nos mesmos pastos, nos mesmos eidos, nos mesmos currais. Bois, ovelhas, cães, cabras, burros, porcos e galinhas no mesmo cordial convívio. E pus-me a pensar na fácil comunhão da condição viva, em encontra-me com difícil harmonia da condição social. A fraternidade de que não somos capazes nós os homens, simples como o bom dia entre seres sem cromossomas permutáveis.

Miguel Torga, In Diário XII

1600-serraquinhos (34)

 

Mas vamos ao que se diz por aí de Sarraquinhos.

Ainda na “Toponímia de Barroso”, na “Toponímia Alegre” diz-se o seguinte a respeito dos de Sarraquinhos:

 

Os de Sarraquinhos

(Como a porca de Murça)

São muito honradinhos

 

O povo de Sarraquinhos

Muita vaca há-de criar!...

Quem passar naquela rua

Muito salto tem que dar!

 

Isto das vacas, pela certa já foi tempo delas, pois nós andámos por lá e não avistámos nenhuma, o que não quer dizer que não as haja, mas pelo menos não foi preciso andar aos saltos… o que já é um sinal…

 

1600-serraquinhos (90)

 

 No livro “Montalegre” encontrámos o seguinte:

“Esta freguesia, enquanto tal, não consta das Inquirições de 1258 conquanto constem delas todas as localidades que a integram. Em boa verdade lá se referem Pedrário, Serraquinhos, Cepeda, Zebral (onde existia uma herdade do irmão do trovador João Baveca) e Antigo. Esta última povoação com o topónimo significativo Antigo de Espinho, que o mesmo era dizer Antigo de Aspinius (Aspini). Mais tarde foi Antigo de Arcos, pertencente ao aro de Cervos e, agora, Antigo de Serraquinhos. As voltas que a vida dá!

Quem vai a Serraquinhos deve seguir o roteiro do grande poeta transmontano e nacional Miguel Torga: visita a igreja, a capela, o castro de Pedrário e Forno e ouve meia dúzia de velhinhas dizer jaculatórias por alma do sempre lembrado Padre Joaquim que Deus haja."

 

1600-serraquinhos (11)

 

Se há terra onde as referências aos padres e abades abundam é Sarraquinhos o que por si já é abonatório para a aldeia, pois que me conste o clero sempre gostou de estar bem instalado em terras das quais gostam  e onde gostam deles.  O Padre Joaquim Alves parece ter sido um deles e para ser amigo de Miguel Torga, ou melhor, para Miguel Torga ser amigo dele, a quem visitava regularmente, o Padre Joaquim Alves não era um padre qualquer, pois Torga, ao que consta, era muito seletivo nas suas amizades e não a partilhava (a amizade) com um qualquer. No entanto a homenagem pública que existe na Torre Sineira da Igreja é ao abade Alberto Pereira de Moura e nos nomes que constam na placa de homenagem, de quem o homenageia, não são uns nomes quaisquer. O do Padre Joaquim Fontoura, por exemplo, a quem a cidade de Chaves ergueu um busto no Largo do Anjo,  e os restantes, como o Padre Serafim D’Oliveira (vizinho do Viveiro), o Dr. Pedro de Macedo de Amarante, o Padre Manuel R.Vieira de Anelhe, Artur Coutinho de Vila Meã, António L.M.Soares de Chaves, Dr. Álvaro P.T.Vasconcelos de Amarante e o Padre Luiz Castelo Branco da Samardã, são os restante homenageantes que terminam a homenagem assim: Quomode in vita sua dilexerunt se,ita   et in morte nom sunt separati”

 

1600-serraquinhos (26)

 

Bom, temos estado pra ‘qui a falar de Sarraquinhos mas ainda não nos referimos à sua morada, ou seja ao seu espaço, ao seu lugar no nosso território.  Já sabemos que fica no Barroso, senão não estaria aqui hoje, mais propriamente localiza-se no Alto Barroso, aquele que vive à “sombra” da Serra do Larouco, no alto planalto que serve de base à grande serra, mas também, embora não pareça, é uma terra da raia com a Galiza, a apenas 5 quilómetros de distância e ainda, uma das aldeias que fica no nosso caminho alternativo para ir até Montalegre, isto se formos via Soutelinho da Raia, pois chegados a Meixide, temos de optar continuar pela Municipal 508 via Vilar de Perdizes, ou então tomar o Caminho Municipal 1006, via Pedrário, a aldeia mais próxima de Sarraquinhos, a par de Cepeda.  

 

1600-sarraquinhos-art (3)

 

Mas para sermos mais exatos nem há como as coordenadas de um local, no caso de Sarraquinhos, centro da aldeia, temos as coordenadas de 41º 47’ 56.37”N e 7º 39’ 48.14” O, a 922m de altitude, dentro da média para o Barroso, já não tanto para nós flavienses, pois as nossas aldeias mais altas, Travancas e Bolideira, andam na cota dos 900 metros de altitude.

Para melhor localização, fica o nosso habitual mapa.

 

sarraquinhos.jpg

 

Pois como sempre, ficam também as nossas impressões sobre a aldeia. Valem o que valem mas para nós valem tudo, pois aquilo que por lá registámos é aquilo que nos ficou na memória, as imagens também contam, mas essas servem apenas para transmitir aquilo que vimos e para nossa memória futura, embora até nem fossem necessárias, pois Sarraquinhos continuará a fazer parte dos nossos itinerários para ir ou vir de Montalegre. Mas recordando o dia em que tomámos as imagens de hoje, recordo ser um dia frio de autêntico inverno, embora já estivéssemos na primavera, pois passámos por lá em 9 de abril de 2016.  

1600-serraquinhos (67)

 

Quem acompanha esta rubrica de o Barroso aqui tão perto,  pela certa tem reparado que nas nossas imagens raramente aparecem pessoas ou animais, tem sido uma constante que não é mais que a realidade atual das nossas aldeias. Não queremos com isto dizer que as aldeias estejam totalmente despovoadas, pois sabemos que não o estão, mas o tempo de as pessoas e animais andarem ou estarem nas ruas e largos das aldeias, é tempo que já la vai. As poucas pessoas que se vão mantendo nas aldeias, a maioria idosas, vão preferindo o aconchego das casas e as mais jovens, ainda com vida ativa, vão dedicando o seu tempo ao trabalho no campo, um pouco disperso à volta e/ou nas redondezas da aldeia. Daí a ausência de vida humana na fotos, também por uma questão de horas, das horas em que entramos nelas, pois por vezes apanhámos os seu habitantes em plena hora de ponta de saída para o campo ou no regresso. Tudo isto para dizer que em Sarraquinhos entrámos e saímos sem encontrar quase alma viva. Exceção para dois cães que não nos ligaram patavina, nem sequer nos ladraram e um pessoa que conseguimos ver ao longe que tão depressa apareceu como desapareceu.

 

1600-sarraquinhos (21)-1

 

E vai sendo tudo, só nos resta deixar por aqui as habituais referências às nossas consultas e aos links para outros posts em que trouxemos aqui os lugares ou temas do Barroso.

 

Ah!, ainda antes de terminar, na temática de Serraquinhos ou Sarraquinhos, eu fico com o Sarraquinhos, pois foi assim que a pronunciei e que escrevi, antes de conhecer a outra versão. Mas se um dia escrever com e , também vale.

 

Bibliografia

 

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso

BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Edição do Município de Montalegre.

TORGA, Miguel, (2001), Diário (Volumes XIII a XVI), Rio de Mouro. Círculo de Leitores.

 

Links para anteriores abordagens ao Barroso:

 

A

A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257

Algures no Barroso: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1533459

Amial - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ameal-1484516

Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724

Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-arcos-1543113

 

B

Bagulhão - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bagulhao-1469670

Bustelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bustelo-1505379

 

C

Cambezes do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cambezes-do-1547875

Carvalhais - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-carvalhais-1550943

Castanheira da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-castanheira-1526991

Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958

Cervos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cervos-1473196

Contim - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-contim-1546192

Cortiço - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1490249

Corva - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-corva-1499531

 

D

Donões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-donoes-1446125

 

F

Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294

Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619

Fírvidas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-firvidas-1466833

Frades do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-frades-do-1440288

 

G

Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100

Gralhós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhos-1531210

 

L

Ladrugães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ladrugaes-1520004

Lapela   - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209

 

M

Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262

Meixide - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixide-1496229

 

N

Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-negroes-1511302

 

O

O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557

Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886

Ormeche - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ormeche-1540443

 

P

Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152

Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428

Paio Afonso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paio-afonso-1451464

Parafita: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-parafita-1443308

Pardieieros - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pardieiros-1556192

Paredes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-1448799

Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344

Pomar da Rainha - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pomar-da-1415405

Ponteira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ponteira-1481696

 

R

Roteiro para um dia de visita – 1ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104214

Roteiro para um dia de visita – 2ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104590

Roteiro para um dia de visita – 3ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105061

Roteiro para um dia de visita – 4ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105355

Roteiro para um dia de visita – 5ª paragem, ou não! - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105510

 

S

São Ane - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-ane-1461677

São Pedro - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-pedro-1411974

Sendim -  http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765

Senhora de Vila Abril - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-senhora-de-1553325

Sezelhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sezelhe-1514548

Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977

Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

 

T

Tabuadela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-tabuadela-1424376

Telhado - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-telhado-1403979

Travassos da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-travassos-1418417

 

U

Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

 

V

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1508489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

Vilaça - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilaca-1493232

Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900

Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489

Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643

 

X

Xertelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-xertelo-1458784

 

Z

Zebral - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-zebral-1503453

 

  

 

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:21
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A Galiza aqui ao lado - A Rapa das Bestas VII (último)

1600-rapa-bestas-17 (171)

cabecalho

 

Para já vamos até à Galiza aqui ao lado, mas mais logo ainda vamos até ao Barroso aqui tão perto.

 

1181-rapa-bestas-17 (1181)

 

E hoje terminamos esta espécie de homenagem a uma tradição secular que dá pelo nome de rapa das bestas, uma tradição associada a uma lenda que conta com mais de 400 anos de existência e que tal como dissemos com uma “luta” entre o homem e as bestas que não são mais que cavalos e éguas selvagens a quem o homem presta o serviço de rapar e vacinar as “bestas” para viverem mais um ano de vida selvagem.  Há dias num comentário algures aí pela net alguém perguntava – quem eram as bestas? Pois a pergunta fica sem resposta, tanto mais que no post em causa se dava a conhecer a lenda, a tradição e o respeito que havia pelos animais selvagens (cavalos e éguas), aliados a um espetáculo que no caso até era solidário em que os intervenientes humanos eram ou tinham a supervisão de veterinários, daí , a haver bestas nesta história, essa, só poderá ser a ignorância de quem não sabe do que se trata na “rapa das bestas”.  Pela nossa parte ficámos fãs do evento e sempre que pudermos lá estaremos nem que seja, e só, para dar continuidade à tradição que faz sempre a alma de um povo, neste caso de um povo irmão. E, tenho dito!

 

1600-rapa-bestas-17 (684)

 

Até mais logo com mais uma aldeia do Barroso aqui tão perto.

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 16:00
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Sábado, 15 de Julho de 2017

Capeludos - Chaves - Portugal

1600-capeludos (80)

 

Neste andar pelas aldeias, no último sábado ficámos no Cando. Pois hoje descemos ao vale, atravessamo-lo, subimos o Brunheiro e já no seu planalto entramos na aldeia de hoje – Capeludos.

 

1600-capeludos (35)

 

É uma das onze aldeias da freguesia de Nogueira da Montanha, e não devo errar muito, se é que cometo erro, se disser que é a freguesia que  mais tem sofrido dessa maleita que se chama despovoamento.  Viver lá em cima, quase a mil metros de altitude, não é tarefa fácil, principalmente de inverno, o que faz com que, com mais facilidade, aceitem o convite da partida.

 

1600-capeludos-67-art (6)

 

Ficam três imagens de Capeludos, de arquivo, mais propriamente do ano de 2009. Começa a ser tempo de passar por lá outra vez, mesmo porque tenho a impressão que ficou muito por registar.

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:25
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Pedra de Toque

poema.jpg

 

pedra de toque copy.jpg

 

 

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:57
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A Galiza aqui ao lado - A Rapa das Bestas VI

1600-rapa-bestas-17 (87)

cabecalho

1600-rapa-bestas-17 (266)

1600-rapa-bestas-17 (873)

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 01:51
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