Terça-feira, 31 de Outubro de 2017

Cidade de Chaves - Um olhar

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Uma porta, uma janela, uma casa, um candeeiro... e um olhar diferente sobre a cidade.

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 04:03
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Chaves D'Aurora

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  1. CASÓRIO.

 

Não foi lá muito fácil cair nas boas graças do velho Joaquim Lourenço. A questão maior é que, tão logo os coscuvilheiros da cidade não aguentaram mais os seus comichões linguais, foram logo dar ciência ao Lourenção de que o senhor Bernardes já semeara um fruto em terras brasileiras. A criança, que se chamava Zerlindo, fora gerada com uma mulata graciosa, moça prendada e instruída, filha de uma senhora que prestava serviços ao flaviense como arrumadeira. João não o quisera reconhecer de papel firmado, mas contribuía com algumas pecúnias para uma boa instrução e educação do petiz.

 

Aos olhos da inseparável bengala do aveirense, em plena concordância com seu dono, não agradava nem um pouco aquele namoro, que só poderia ir de mal a pior, por causa da vida pregressa do jovem comerciante de Chaves. Nas reflexões do futuro sogro, a vida de mocetão que o flaviense ainda levava também lhe parecia um tanto quanto desregrada, ainda que tudo aquilo não passasse de meras patuscadas entre os rapazes da época, com as chamadas mulheres da vida.

 

Foi preciso que João Reis lhe jurasse, com as mãos na bengala e diante da bela imitação da Santa Ceia de Da Vinci, em destaque na sala de jantar dos Morais Dias – Ao me casar com a menina Flor, deixarei de pronto qualquer atitude que me possa tornar ou parecer um libertino! – e foram também necessárias muitas idas e vindas do Eulálio, nas funções de casamenteiro, em visitas anunciadas com cerimónia à casa do Lourenção, até que este, afinal, mandasse abrir para os noivos as portas de madeira ricamente trabalhadas da Igreja de Santo Alexandre.

 

A um belo entardecer em Belém, com brisas que vinham da baía e ajoelhados diante de outra obra-prima, o altar-mor do referido templo, Florinda e João uniram para sempre suas mãos, seus corpos, suas almas.

 

Seus anseios.

 

  1. FEIRA DOS SANTOS.

 

Era em todo esse amor romântico de Flor e João Reis, que Aurora, agora, punha-se a pensar, enquanto o pai falava sobre o Álvares e a necessidade viril de este senhor ter uma companheira oficial, para lhe preencher as carências da viuvez. Reportando-se à migração do casal para Trás-os-Montes, ao tempo em que ela, Afonso e Aldenora ainda eram pirralhos, Aurita lembrou certas palavras que o Papá dissera a Mamã e esta sempre costumava contar às filhas. Foi certa vez quando, um pouco depois de chegarem a Chaves, Papá levou sua Flor com os outros brasileirinhos até à Feira dos Santos, junto ao Forte de São Neutel, onde iriam conhecer uma grande novidade: o Cinematógrapho.

 

Na Feira dos Santos, o carrossel de cavalinhos era a alegria dos miúdos, juntamente com os ursos, a mulher gorda com barba, os fantoches e outras diversões anunciadas pelos berrantes cornetins. Vendia-se de tudo nas barracas, onde muitos idílios começavam e eram os pontos de encontro dos namorados. Também o eram para os muitos transeuntes que, por ali, apenas vadiavam. Por entre cidadãos de Chaves e os que vinham das aldeias, desfilavam cegos, coxos, aleijados, chaguentos, a maior parte vinda de outros concelhos, todos em sua condição de inoportunos e importunos mendicantes. Nos sítios periféricos da feira, proliferavam, aos termos de um cronista da época, “as tendas de pano verde, batotas por toda parte, com as roletas pataqueiras de diferentes feitios a girar sem parança, todas mais ou menos ajustadas para a ladroagem dos jogos de azar”.

 

A maior atração da feira era o Cinematógrapho ao ar livre, em um vasto recinto do Grupo Desportivo Flaviense, convenientemente preparado para tal. Já em um jornal da própria Vila de Chaves, o anúncio da empresa dizia: “Hoje, às 20 horas, os mais interessantes e atraentes films. Aos intervalos de cada parte, irão apresentar-se o distinto concertista e de bandurra espanhola Señor Don Manuel Lopez e a troupe de Os Característicos, com a actriz Evangelina Correia e o actor Manuel Correia, em apreciáveis números de cançonetas, monólogos, cenas cómicas, pequenas comédias, operetas e trechos de revistas, do repertório dos dois artistas.”

 

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Segunda-feira, 30 de Outubro de 2017

De regresso à cidade

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Hoje fazemos o regresso à cidade com nevoeiro sobre o Rio Tâmega, mas são apenas algumas saudades de um dia assim, pois o nevoeiro da foto já há muito que levantou. Por cá continua o verão, embora o calendário diga que não, pelo menos de dia, pois as noites já estão fresquinhas, mas ainda não são de frio. Já agora, que se aguente assim até depois da Feira dos Santos.

 

 

 

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Quem conta um ponto...

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365 - Pérolas e diamantes: A estupidez (parte 2)

 

Porventura, a forma mais vulgar de estupidez é o preconceito racial.  E é uma estupidez mundial.

 

Em Social Psychology of Internacional Condut (1929), G.M. Stratton defende que “o preconceito constitui uma das características da natureza humana”. E chega a duas conclusões interessantes: “Embora seja universal, o preconceito racista nunca, ou raramente, é inato. Não nasce connosco. As crianças de raça branca, por exemplo, não manifestam qualquer preconceito quanto às crianças ou amas de cor até à altura em que as famílias lho incutem.”

 

Nos célebres versos de South Pacific, Oscar Hammerstein repete no estribilho: “Para odiar tem de se ser ensinado.”

 

  1. M. Sratton conclui que “o preconceito rácico adquirido nada tem de racial. Entre ele e as características raciais não existe qualquer relação, nem tão pouco com o sentimento de estranheza: ele é apenas, e por toda a parte, uma reação ante a ideia de uma ameaça coletiva… O que habitualmente se designa por preconceito “racial” não passa, de facto, de mera resposta coletiva a ameaças de perdas ou perdas reais; resposta que não é inata, mas, sim, alimentada pela tradição e por impressões recentes de prejuízos sofridos há pouco”.

 

De facto, toda a estupidez é medo. O ser humano sensato ou inteligente tem possibilidade de sublimar e vencer os seus preconceitos. O estúpido tornar-se-á inevitavelmente seu escravo.

 

No entanto, o preconceito é apenas uma causa de um mal maior: a intolerância, que é a força impulsionadora. O preconceito é passivo, enquanto a intolerância é ativa.

 

Não foi o preconceito que fez com que as Igrejas Cristãs, alegando heresia, tivessem queimado os fiéis umas às outras. Foi a intolerância.

 

No entanto, estas duas formas de estupidez caminham, quase sempre, a par. E chegam mesmo a confundir-se.

 

O individuo preconceituoso é até capaz de não permitir que o seu filho frequente uma escola aberta a crianças de todas as raças e religiões, mas apenas o intolerante fará tudo para suprimir esses estabelecimentos de ensino.

 

Mas nada disto teria muita importância se o homem estúpido só a si próprio se prejudicasse. Por muito que nos custe, a estupidez é a arma mais mortífera do Homem, é a epidemia mais assoladora e o seu luxo mais oneroso. O preço da estupidez é incalculável.

 

As várias formas de estupidez já custaram à humanidade mais do que qualquer guerra, epidemia ou revolução.

 

Uma das formas mais dispendiosas da estupidez é, muito provavelmente, a burocracia. Se poupássemos uma décima parte da quantidade de papel utilizado em formulários, relatórios, regulamentos e atas, e com essas economias adquiríssemos livros e compêndios escolares, a esta altura já não existiriam analfabetos no mundo.

 

Paul Tabori, no seu livro História Natural da Estupidez, conta que entre as duas últimas guerras mundiais estava na moda um insulto em forma de interrogação. Costumava perguntar-se: “Olha lá, a estupidez incomoda-te?”

 

Parece que, infelizmente, não incomoda lá grande coisa. Mas se se tratasse de uma dor de dentes, há muito que se teria tentado remediá-la.

 

Mesmo parecendo que não, a estupidez, de facto, dói muito. Mas é raro que incomode o estúpido.

 

Esta é a tragédia do mundo em que vivemos.

 

O livro, que recomendo vivamente, trata da estupidez, da baboseira, da vacuidade, da presunção, da idiotice, da cobardia, da estultícia, da imbecilidade e da estolidez. Ocupa-se também dos otários, dos alarves, dos asnos, dos mentecaptos, dos ressabiados, dos insensatos e dos calinos. Apresenta ainda uma galeria de broncos, brutos, simplórios e monos. Analisa e observa atos de irracionais, insensatos, enxebres e apoucados.

 

A estupidez, pela virtude da sua especial natureza, sempre foi alvo de sátira e denúncia. Mas foi por causa dessa sua peculiar caraterística que “sobreviveu a milhões de ataques, mesmo aos mais rudes, sem nada sofrer; e, no fim, continua a resistir, triunfante e gloriosa”.

 

João Madureira

 

 

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Domingo, 29 de Outubro de 2017

MACNA - EXPOSIÇÃO DE JOÃO MACHADO

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Depois da Exposição “Corpo, Abstração e Linguagem na Arte Portuguesa”, com um conjunto de obras provenientes da Secretaria de Estado da Cultura (SEC) em depósito no Museu de Arte Contemporânea de Serralves, onde estavam representados mais de duas dezenas de artistas portugueses, ter estado patente ao público no MACNA desde abril até 15 de outubro passado, é a vez de o Museu flaviense da arte contemporânea receber mais um grande artista português, o Escultor e Designer João Machado.

 

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Nascido em Coimbra, João Machado  é formado em Escultura pela Escola Superior de Belas‑Artes do Porto, mas é no Design Gráfico que se revê e posteriormente é reconhecido e se internacionaliza.

 

Foi docente na ESBAP (1976-1981), tendo decidido dedicar-se em  exclusivo ao design gráfico e abrir atelier próprio em 1981.

 

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João Machado participa desde 1983 em inúmeras exposições coletivas e individuais que lhe trouxeram vários prémios nacionais e internacionais, destacando-se o Prémio de Excelência Icograda em 1999 bem como a sua nomeação de Graphis Design Master.

 

Autor de uma obra vastíssima, a sua paixão pelo cartaz é notória, sua peça de eleição. Revela-se e igualmente no design editorial, nas áreas da ilustração e da filatelia, sempre marcados por uma identidade que tem vindo a ser persistentemente construída.

 

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Exposições Individuais


1982 - Museu Nacional de Soares dos Reis, Porto/Portugal - Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisbon/Portugal
1985 - Richmond Art Gallery, Montreal, Canadá
1986 - Art Poster Gallery, Lambsheim/Alemanha - Museu Nacional de Soares dos Reis, Porto/Portugal
1987 - Annecy/Bonlieu - Centre d’Action Culturelle, Annecy/França
1989 - Lincoln Center, Colorado/EUA
1991 - Dias da Cultura Portuguesa, Frankfurt/Alemanha
1996 - Galeria Casa del Poeta, Cidade do México/México
1997 - DDD Gallery, Osaka/Japão - Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro/Brasil - Memorial da Cidade, Curitiba/Brasil - Museu Brasileiro da Escultura, S. Paulo/Brasil

 

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1998 - Casa Garden, Macau/China
2001 - ESADE, Escuela Superior de Administración e Dirección de Empresas, Barcelona/Espanha - Casa da Cerca, Almada/Portugal - Pécsi Galéria, Pécs/Hungria
2002 - Dansk Plakatmuseum, Aarhus/Dinamarca
2006 - Ginza Graphic Gallery, 20th Anniversary GGG / DDD Project, Japão
2007 - International Triennial of Stage Poster, Bulgária.
2012 - Espaço Quadra, Matosinhos/Portugal
2014 - Galeria Artis, Cidade do México/México

2017 – MACNA – Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso

 

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Prémios


1983 - 1.º Prémio Nacional Gulbenkian para a melhor Ilustração de Livros para a Infância, Lisboa, Portugal - 1.º Prémio Grafiporto (Ilustração)
1985 - 1.º Prémio Nacional de Design, Lisboa, Portugal
1989 - Prémio Especial da “Die Erste Internationale Litfass Kunst Biennale”, Munique, Alemanha Medalha de Bronze da Bienal do Livro de Leipzig, Alemanha
1997 - 1.º Prémio Mikulás Galanda, Bienal do livro de Martin, Bratislava, Eslováquia - 1º Prémio “First International Fair Poster Competition”, Plovdid, Bulgária
1998 - 1.º Prémio para Logo Film Commission, Association of film Commissioners International, Denver, EUA

 

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1999 - 1º Prémio Best of Show, European Design Annual, Grã-Bretanha Prémio Zgraf 8 Icograda Excellence, Zagreb, Croácia
2004 - 2.º Prémio, “4th International Triennial of Stage Poster”, Sofia, Bulgária
2005 - 1.º Prémio Internacional de Arte Filatélica de Asiago (Itália) 2005, categoria – “Turismo” – Asiago, Itália
2007 - 1.º Prémio Internacional de Arte Filatélica de Asiago (Itália) 2007, categoria – “Protecção do Ambiente” – Asiago, Itália
2008 - Menção honrosa EKOPLAGÁT’08 para a colecção de cartazes Ano Internacional Planeta Terra 2007 e Dia Nacional da Água 2007, Zilina, Eslováquia

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2010 - 1.º Prémio Internacional de Arte Filatélica de Asiago (Itália) 2010, para “Prémio, Especial Turismo”, edição “Os Selos e os Sentidos” – Asiago, Itália
2012 - Prémio Seiva 2012, categoria Artes, Porto, Portugal
2013 - 12ª Bienal Internacional do Cartaz, México. Prémio Especial para o cartaz Pasta Medicinal Couto.
2014 - 1.º Prémio Internacional de Arte Filatélica de Asiago (Itália) 2007, categoria – “Turismo” – Asiago, Itália

 

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Esta exposição de João Machado que se inaugurou ontem no MACNA, denominada “Arte da Cor”,  conta com algumas esculturas do artista, bem como com mais de uma centena de cartazes representativos da sua arte como designer gráfico, entre os quais alguns dos quais têm feito a imagem gráfica do Cinanima, dos quais é autor desde o ano de 1977 até a presente ano.

 

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Ainda em exposição, está o próprio cartaz da exposição e um cartaz dedicado ao nosso MACNA – Museu de Arte Contemporânea Nadir Afonso, ambos à venda no MACNA.  Para além das esculturas e cartazes, estão também em exposição diversos desenhos do autor, dos anos 70 e 80 do século passado, originalmente executados a tinta da china.

 

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Esta exposição,  a não perder, é comissariada por um flaviense, António Augusto Joel, e irá estar patente ao público até 8 de abril de 2018.

 

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Em http://www.joaomachado.com/ há mais informações sobre o artista João Machado, sítio onde também fomos recolher alguma informação para este post.

 

 

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:18
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Sábado, 28 de Outubro de 2017

Dorna - Chaves - Portugal

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Dita a ordem alfabética das nossas aldeias flavienses que a seguir a Dadim seja a Dorna. Ora como no último sábado fomos até Dadim, hoje fica aqui a Dorna. Curiosamente duas aldeias de montanha nas ordem dos 900m de altitude,  embora Dadim fique ligeiramente abaixo dessa altitude a  Dorna acima.

 

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Também ambas as aldeias ficam no limite do concelho de Chaves, Dadim a cerca de 4 km da fronteira com a Galiza e a Dorna bem mais perto do limite, a apenas 500m do concelho de Valpaços. No entanto, e embora estas duas aldeias comunguem destas identidades, também têm as suas singularidades e na prática, em comum, apenas têm ser ambas do concelho de Chaves.

 

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E uma vez que a prosa de hoje deu para iniciar por falar em Dadim, das terras da Castanheira, os castanheiros são mais da Dorna. Aliás de fizermos o exercício de ver a fotografia aérea da região da Dorna, facilmente verificamos uma enorme macha de arvoredo metodicamente plantado e planeado que por conhecimento sei serem castanheiros, uns valente hectares, na ordem dos 1200 ha, embora a maioria pertença ao concelho de Valpaços.

 

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Castanha que é o principal rendimento da população daquela pequena região de castanheiros que, pelo que por aí se vai ouvindo, este ano é para esquecer, com baixa produção e castanha de menores dimensões. Esperemos ao menos que sejam saborosas, pois o S. Martinho está à porta e nesse dia, manda a tradição que se faça um magusto. Esperemos então que haja castanhas que cheguem para tanto magusto e que, repito, sejam saborosas para a jeropiga correr melhor.

 

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E é com esta de castanhas e jeropiga que vos deixo, contudo antes do S.Martinho ainda temos a grande festa de Chaves – a Feira dos Santos – já com barracas espalhadas pela cidade.

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 05:21
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Sexta-feira, 27 de Outubro de 2017

Feira dos Santos - Um regresso ao passado

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Há dias quando disse que os regressos às feiras dos santos tinham terminado, no final deixava em aberto mais um regresso, que acontece hoje.

 

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Este é mesmo um regresso a tempos bem mais remotos, pois levam-nos até meados do século passado, inícios dos anos 50, ou mais, pois a foto do Largo do Arrabalde não consegui saber a data.

 

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Duas das fotos ficam com marca de água, é o mínimo que posso fazer, pois como fotos cedidas de uma coleção particular para publicação no blog.  Isto é só para não caírem ou dificultarem por aí o comércio destas coisas,  por gente que se entretém a roubá-las aqui na net.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:41
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Discursos Sobre a Cidade - Por Gil Santos

GIL

 

NA TASCA DO RAMADA

 

Almerindo Preguiceiro era um vagabundo!

 

Nem sabia nem queria fazer nada. Passava os dias a derringar polaina de tasca em tasca, amanhando conversas de ocasião com os parceiros copofónicos ou a tainar com outros da sua igualha.

 

O bandalho nasceu com o rabo virado para a lua, como soi dizer-se. Foi plantado nas poulas do Toucedo pelo sotaina da aldeia e apesar de não o ter perfilhado, nunca lhe negou sustento para o fazer homem. Contudo, saiu-lhe a porca mal capada. O rapaz cresceu bem estrumado e bem regado, medrou, mas descambou e deu vadio. Sua mãe, uma cabaneira pobre, pasto de muitos por necessidade, não tinha dúvidas quanto à paternidade do rebento e, com propriedade, lá sabia porquê!

 

De calças de peitilho e alças, rachadas no rabo, aprendeu temperano os prazeres do non far niente e passava os dias na gandulice. Da escola retirou pouco proveito uma vez que eram mais os dias em que se baldava, roubando castanhas ou indo aos ninhos, do que aqueles em que sentava o traseiro nas velhas carteiras do mestre Matos. Ainda assim, aprendeu a juntar algumas letras, a assinar o nome e a fazer meia dúzia de contas, sobretudo de somar e de multiplicar.

 

Gargalhote, assentou praça no dezanove e aí refinou as manhas de viver à pala dos outros. Incólume a castigos mais duros, passou à peluda quase virgem. Regressou ao ninho materno ainda mais salafrário do que o havia abandonado.

 

Prestes cogitou botar casa. Carecia, para isso, de parceira que lhe aprouvesse. Havia de ser asadinha, trabalhadeira, boa parideira e com mão para a cozinha. Contudo, sendo bem conhecido pelas moças das redondezas, as mais ajeitadinhas e com dois dedos de testa fugiam-lhe como o diabo da cruz. Apesar de bem-parecido, aquela veneta de detestar o trabalho fazia com que chaldrasse somente a quem não queria. Por isso teve de topar parceira em aldeia longínqua onde ninguém lhe conhecesse o sestro.

 

Após fuçar alguns meses pelos mais recônditos lugarejos, acabou por catrapiscar a Tchica Sarilheira, também ela originária de cabaneira pobre. Todavia, a moça era dotada de algumas das qualidades que lhe convinham. Era trabalhadeira e uma aturada dona de casa, no entanto tinha um defeito de fabrico que a privara de melhor partido, nasceu com uma gâmbia mais curta e manquitava um cibo. Nada com que o sacripanta não pudesse bem.

 

A boda, suportada pelo padrinho, abade da freguesia, foi de arromba. Uma vitela no espeto, meia pipa de vinho do de Cova do Ladrão e uma fornada de pão, para que todos enchessem as bentas à conta do casório do Almerindo. Mal eles sabiam que afinal quem pagava a boda era a côngrua a que por serem católicos apostólicos romanos estavam sujeitos!...

 

A vida a dois corria bem, tanto assim que passado nove meses a terra festejava já o primeiro rebento do casal.

 

Todavia, aquele vício da calaçaria estava a encher de sofrimento a Sarilheira. Era por demais! O Preguiceiro, à ajuda, em chaldrando-lhe o patrão, ainda ia bolindo nem que fosse somente meio-dia. De tarde descansava na massadoura do prado. De resto para si não fazia nada, esperando que a mesa se compusesse com o que a desgraçada da mulher ganhava nas magras e raras jeiras que pudesse alcançar. Fome, a bem dizer, não passaria pois a mulher era diligente e paciente ao ponto de conseguir que não lhe faltasse o caldo. Agora mimos, só mesmo os das tainadas com os amigos, o mais das vezes na tasca do Ramada. Queimava, nestas andanças, os míseros tostões que pudesse juntar. E não lhe perdoava, pelo menos uma vez por mês tinha tainada e bebedeira certa.

 

Quando o peixeiro passava pelo lugar com sardinha, quase sempre recessa, a Tchica lá fazia um esforço por botar meia dúzia para o marido, no entanto tinha de lhas estripar muito bem que o biqueiro não as comia com tripas e muito menos fritas. Tinham de ser assadas na brasa e bem regadas com azeite e vinho dos mortos.

 

Ora um dia, ali pelo São João, quando o povo diz que a sardinha pinga no pão, o Ramada encomendou uma canastra delas para uma sardinhada servida ao final da tarde de um sábado, para meia dúzia de comensais dos da igualha do Preguiceiro.

 

Enquanto comiam e bebiam à tripa-forra a Tchica Sarilheira calhou de passar no caminho, de regresso da sacha de uma leira de batatas que o Sr. Prior lhe havia encomendado. Quando se apercebeu do festim, parou debaixo de um caramanchão fronteiro que a rebuçava e pôs-se à escuta dos dezeres do marido.

 

― Ó Niceto, bota aí mais uma sardinhita, que elas estão bem boas!

 

― Tu és um lambão Almerindo, comes mais do que nós todos. Pudera, não lhe comes as tripas, mamas só os lombinhos, por isso, enquanto nós comemos uma, tu lerpas três… Fosca-se, só comes mais alguma se for com as tripas!

 

Para não ficar mal,

 

Bota cá mas é a sardinha que essa vai com tripas e tudo.

 

A Tchica acabara de ouvir o que faltava para lhe tirar a biqueirice.

 

Que esperasse!

 

Passado oito dias o sardinheiro voltou e a Sarilheira comprou meia dúzia delas. Preparou-as para assar mas de uma forma especial. Num almofariz esmigalhou muito bem algumas malaguetas bravas que faziam bufar o mais pintado! Misturou-lhe um pouco de azeite e encafuou a mistela na tripa das sardinhas que tocavam ao parceiro. Salgou-as e estavam prontas para a brasa.

 

Almerindo chegou para a janta, alapou-se no escano e reparou que as sardinhas assavam no braseiro com as tripas, tal como ele não gostava.

 

Reclamou.

 

― Olha lá ó estojo, num te disse já que não gosto de sardinhas com tripa! Parece que és burra!...

 

― Ó meu querido maridinho, aqui é como na tasca do Bento Ramada, comes e calas!...

 

Ele ligou os fios e percebeu a deixa!

 

Calou moreta e esperou que as sardinhas lhe caíssem no prato.

 

A muito custo lá as foi roendo.

 

Quando chegava à parte da barriga torcia-se todo.

 

Ele suava, ele bebia, ele botava a língua de fora, bufava, contudo, para não dar parte de fraco, calava-se como um rato!

 

Dali por diante deixou de ser biqueiro e fosse o que fosse que lhe caísse no prato morria! Todavia, das sardinhas nunca mais quis ouvir sequer falar!

 

Abençoada Thica!

 

E isto é o que se sabe!

 

Quantas outras biqueirices não lhe teria curado aquele pobre anjo, na intimidade das paredes de pedra solta do casebre em que viviam?

 

Uma coisa perecia certa, à medida que os anos passavam, Almerindo arrepiava caminho e se pudesse viver cem anos, haveria de ser um homem exemplar tal como seu pai que só cobrava batismos e funerais a quem se olvidasse de lhe untar as barbas pelos sarrabulhos!

 

Gil Santos

 

 

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Quinta-feira, 26 de Outubro de 2017

Flavienses por outras terras

Banner Flavienses por outras terras

 

Justino Maia

 

Nesta crónica do espaço “Flavienses por outras terras” vamos até à vila de Pardilhó, no concelho de Estarreja, que, segundo o Justino Maia, é a capital das enguias e do barco moliceiro.

 

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Onde nasceu, concretamente?

Nasci no hospital velho (onde agora é a Santa Casa da Misericórdia).

 

Nos tempos de estudante, em Chaves, que escolas frequentou?

Frequentei a Escola da Estação, a Nadir Afonso, o Liceu Fernão de Magalhães e a Dr. Júlio Martins.

 

Em que ano e por que motivo saiu de Chaves?

Saí de Chaves em 1994 para ir estudar.

 

Em que locais já viveu ou trabalhou?

Já vivi em várias localidades. Agora vivo em Pardilhó e trabalho no concelho de Oliveira de Azeméis, no Agrupamento de Escolas de Fajões.

 

Diga-nos duas recordações dos tempos passados em Chaves:

Tenho muitas recordações: os amigos, tomar banho no Rio Tâmega, o futebol na rua e mais tarde no Desportivo…

 

Proponha duas sugestões para um turista de visita a Chaves:

Visitar a parte histórica, o Castelo, a Igreja Matriz, a Rua de Santo António, a Rua Direita, as Caldas e os novos museus (Nadir Afonso e o das águas).

Desfrutar a parte gastronómica (os Pastéis de Chaves, o fumeiro e os milhos).

 

Estando longe de Chaves, do que é que sente mais saudades?

Do nevoeiro e dos dias de Inverno.

 

Com que frequência regressa a Chaves?

Regresso 3 a 4 vezes por ano. Gostaria de ir mais vezes, mas a escola e o futsal preenchem a maior parte do tempo.

 

O que gostaria de encontrar de diferente na cidade?

Nada. Acho que Chaves se está a tornar numa grande cidade.

 

Gostaria de voltar para Chaves para viver?

Quem sabe um dia! É difícil, mas espero vir a passar mais tempo em Chaves, pois a minha esposa e a minha filha adoram a cidade.

 

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O espaço “Flavienses por outras terras” é feito por todos aqueles que um dia deixaram a sua cidade para prosseguir vida noutras terras, mas que não esqueceram as suas raízes.

 

Se está interessado em apresentar o seu testemunho ou contar a sua história envie um e-mail para flavienses@outlook.pt e será contactado.

 

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Quarta-feira, 25 de Outubro de 2017

Feira dos Santos – Um pequeno regresso no tempo – XII

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Com as fotos de hoje terminamos estes pequenos regressos no tempo às edições das Feiras dos Santos de Chaves, pois como as imagens de hoje são do ano passado, a seguir será a feira que acontecerá a partir do próximo fim-de-semana.

 

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Hoje ficam apenas três momentos, um com um momento da “praça das farturas” que fora da feira passa a rotunda do monumento, outro momento com o velhinho carro dos Bombeiros “de baixo” num regresso à praça onde viveu tantos anos, e um terceiro momento de arte de rua, mais precisamente momentos de mimos músicos com alguns momentos de humor, não visível na foto, mas que ia acontecendo.

 

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E no próximo fim-de-semana e seguintes dias também daremos as nossas habituais voltinhas pela feira, das quais, pela certa, sairão alguns registos de outros tantos momentos da Feira dos Santos de 2017. Até lá, ou quem sabe se ainda teremos um post extra.

 

 

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Nós, os homens

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V

 

E a vida continuava, para ela. Para mim, não havia vida sem ela! A urgência do amor, por exemplo, era uma coisa de que ela não tinha consciência. Não sei se esta característica era comum às mulheres, em geral, ou se era uma particularidade desta a quem o meu coração se tinha, de forma involuntária, entregue. A minha experiência nesse campo não me permite tirar conclusões a este nível, até porque sou uma pessoa cuidadosa, nada dado a psicologias de grupo nem a generalizações precipitadas e também porque estou convencido de que aquela atitude obedece a um perfil que é característico, não do género feminino nem sequer da espécie humana, mas da pessoa em si.

 

Quantas vezes dou por mim a pensar, mas do que raio é que ela tem consciência? E era um vazio, o que me vinha à cabeça! Vivia de improviso permanente, não planeava nada, nem o instante seguinte, nem a palavra que dizia, nem o acto irreflectido. As coisas até nem lhe corriam mal e eu ainda não tinha percebido se a questão era o factor sorte ou se ela era um génio. Tinha a alma demasiado perturbada para poder ver com clareza, mas tinha a consciência límpida de que iria até ao meu limite, o momento a partir do qual eu não aguentaria nem mais um capricho. Ainda tinha consciência de outra coisa, é que isso me ia acontecer de um momento para o outro e de forma radical e tinha em relação a isso, medo por mim e por ela. Por mais cabeça no ar que ela fosse aquilo ia-lhe custar, pagaria o preço da sua inconsciência e eu não era má pessoa e essa situação não me agradava, mas não podia evitá-la, estava nas mãos dela, não nas minhas, mas ela não percebia e eu por todas as tentativas que já tinha feito e por todas as que ainda ia fazer, ela nunca havia de perceber, estava-lhe no sangue!

 

Mas tinha pena, dávamo-nos bem, quando estávamos juntos, dávamo-nos mesmo bem! O sorriso dela era contagiante e eu sentia-me como se tivesse renascido, como se me tivessem dado uma segunda oportunidade de viver o que julgava perdido para sempre, coisas que me tinham escapado, das quais eu tinha passado ao lado sem ver e agora via tudo! E mostrava-lhas a ela e ela não as via e eu achava aquilo um desperdício e um desfasamento e apetecia-me rachar-lhe a cabeça ao meio e gritar-lhe, para que ela me ouvisse e ela não ligava nenhuma, nem sequer me respondia às mensagens urgentes que eu lhe deixava no telemóvel e dizia-me até amanhã como se o que eu dissesse pudesse esperar! Se ela fosse parva, eu até a desculpava, mas não era e era por isso que eu achava aquilo tudo preocupante!

 

E às vezes vinha-me um cansaço súbito e uma vontade de me afastar daquilo tudo para não sofrer depois o que podia sofrer agora, assim um escolher a dor por antecipação numa escolha irracional ou por opção, iludindo de forma adulta o meu conceito de liberdade enraizado. Mas o coração falava sempre mais alto e andava ali a arrastar a asa na esperança ingénua de que um dia a direcção do vento mudasse e me levasse o veleiro ao meu porto de abrigo. Como? Se não tinha um motor de bordo?

 

Cristina Pizarro

 

 

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Terça-feira, 24 de Outubro de 2017

Feira dos Santos - Um pequeno regresso no tempo - XI

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Pois é, depois de se andar todo o dia de um lado para o outro, chega-se a alturas tantas em que uma simples pedra de granito é bem melhor que o sofá lá de casa, óh se é, digo-o por experiência própria, e só não poisei nestes da foto que ficou atrás, porque já não havia lugar. Segundo o exif da foto já eram perto das 19 horas do dia 31 de outubro de 2015, ou seja, para aqueles que, como eu, vão de manhã cedo ver o gado, onde o único poiso regalado que se toma é mesmo enquanto o pulpo vai marchando, e depois disso a única coisa que marchou foram mesmo as nossas pernas, uma simples pedra faz a diferença.

 

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Mas como diz o povo – quem corre por gosto não se cansa – nós ( e este nós sou eu) é por gosto que vamos sempre a esta feira. É a feira e a festa da nossa ruralidade, daí, ser a festa mais genuína que temos e é por isso que todos os anos é um êxito, e depois, para aqueles mais urbanos sempre há o colorido da feira, as luzes das barracas e a oportunidade de comprar uma roupinha de marca nas barracas dos ciganos.

 

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Ei sei que esta de enaltecer a nossa ruralidade,  incomoda alguma gentinha de cá, mas é a nossa realidade, e Chaves embora seja uma cidade, não deixa de ser uma cidade de província e rural, mesmo que a ruralidade já tivesse conhecido melhores dias, continuamos a ter por cá os homens da boina, mesmo que a boina seja de outras terras, e os homens e mulheres da vara, e ainda bem que assim é.

 

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Ser da província e um concelho rural em nada nos inferioriza, antes pelo contrário, é uma mais valia para nós, só quem é cego é que não consegue ver essa realidade, há,  isso sim, que assumir essa realidade e o resto acontecerá naturalmente, e depois basta-nos a urbanidade da cidade para o dia-a-dia e se for necessário mais, temos sempre a uma ou duas horas de viagem muita oferta para sentir a adrenalina a correr-nos nas veias. Posso estar errado, mas penso que não. Seja como for, a Feira dos Santos é um bom exemplo da nossa ruralidade.   

 

 

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Chaves D'Aurora

1600-chavesdaurora

 

  1. CORAÇÕES FISGADOS.

 

Foi a um mui respeitável e erudito ambiente familiar, um sarau no ricamente mobilado salão de um sobrado colonial, na Cidade Velha, pertencente a um fazendeiro alentejano da Ilha de Marajó, onde uma gorda matrona, a soi disante florentina, engrolava árias de Verdi; uma condessa cabocla declamava poemas de Castro Alves; e, com mais vigor ainda, um impetuoso bacharelando atropelava alguns versos de Baudelaire, em Francês, que João Reis tornou a ver aquela por quem, de amores, já morrera à primeira vista.

 

Teriam sido, talvez, aqueles belos olhos azuis que, conforme nos diz outra antiga canção, póstera àqueles tempos, se verdes, seriam cruéis como punhais e embora não fossem olhos castanhos, leais, nem tão negros de queixumes, eram dois pedacinhos do céu nos quais os dele, ao pousarem de repente, sentiam-se voar como andorinhas sobre um mar de ondas, azuladas por igual?

 

Agora, entre uma valsa e outra, João Reis, com bem mais trato no corpo e melhor aparência no trajar, elegante com o seu chapéu londrino, seu fato completo de linho “H J” e camisas bem engomadas, com botões de madrepérola aos punhos, também ele começou a matar de amor a sua donzela pretendida.

 

No primeiro cavaquear de ambos, a falaram sobre assuntos triviais, como o calor dos trópicos ou as famosas chuvas vespertinas de Belém, a lançarem bátegas ao solo, sempre à hora certa, o flaviense fisgou, enfim, o coração de Flor, aquela que seria sua companheira por todas as fortunas e infortúnios, em todos os anos do resto da existência.

 

Vice-versa.

 

Nessa noite, o pai de Florinda não levara a famosa bengala.

 

 

  1. NAMOROS DE ANTANHO.

 

Deram-se ao namoro típico daqueles tempos, não tão diverso do que seria, então, em sua Chaves natal. O máximo que um rapaz podia aproximar-se, de modo mais contíguo, ao corpo de sua virginal amada, era quando ambos ajoelhavam-se, lado a lado, nos devidos momentos da missa dominical, ou, em outubro, no Círio de Nazaré, ao se alinharem para acompanhar a procissão junto ao Carro dos Milagres ou à Barca dos Marujos.

 

Por essa altura, à noite, na praça do Arraial da Santa, iam assistir a comédias musicadas e burlescas no Theatro Chalet, sempre a lhes acompanhar alguém da confiança paterna para a eterna vigilância. Melhor ocasião, ainda, era quando podiam valsar nos bailes do Clube Atheneu, do Clube Universal ou do Sport Clube ou, mais especialmente, nos saraus dançantes que eram oferecidos pelos donos do Palacete Pinho a seletos convidados, no amplo salão desse prédio azulejado e bem português, ainda hoje existente à Cidade Velha.

 

Algumas vezes, aos sábados à tarde, havia a rara oportunidade de Reis sentar-se à mesma mesa que Flor, em companhia de Esther e de seu noivo Isaac, na terrasse à la Paris do Café da Paz, no salão da “Rotisserie Suíço” ou no Café Central. Nesses cafés, chiques e muito concorridos, croissants e chá inglês (da Índia) alternavam-se com casquinhas de caranguejo ou café com tapioca, bem ao gosto local, além de gelados, refresco de guaraná, sucos de frutas regionais para as meninas e uma boa cerveja paraense para os cavalheiros. O que mais se fazia, então, era comentar com os outros a vida de todos e falar de tudo sobre a vida dos outros. Especialmente no que se referisse ao grand monde local.

 

Às vezes, entre os namorados, a proximidade maior se dava em um passeio de barco a velejar pela baía de Guajará, aos domingos. Toda a família ia reunida, desde o patriarca Lourenção e sua inseparável bengala, até às inúmeras crias da casa e alguns escravos recém-libertos, que ainda habitavam a casa do aveirense. As vigilengas seguiam até às praias fluviais da Vila de Pinheiro (hoje, Icoaraci) ou, mais além, da Ilha do Mosqueiro. A fim de sair da embarcação e alcançar a terra firme, as saias compridas das mulheres erguiam-se alguns centímetros, para que se molhassem apenas os pés.

 

Esses pezinhos desnudos, ás vezes, esbarravam sem querer nos dos rapazes, ao pisarem com muita sensualidade a areia húmida. Tais relâmpagos de contacto epidérmico eram suficientes para fazer corar as donzelas e os homens culparem-se de maus pensamentos. Pior ainda, causavam um grande constrangimento a esses varões que as acompanhavam. Pelo tipo de ceroulas brancas de algodão, usadas na época, temiam os rapazes que se fizesse notar (muitas vezes de modo bem explícito, ainda que involuntariamente) o repentino e incontrolável aumento do que eles deviam guardar bem quieto na braguilha, e agora se transformava em uma inconveniente protuberância.

 

Ainda mais que tudo isso estava a se passar, como sempre, sob a vigilância discreta das mamãs, titias e vovós, cujos olhos policiais nunca os tiravam das meninas e, de soslaio, dos rapazes. Às raparigas competia, por seu turno, ficarem sempre à vista dessas guardiãs. Tais comportamentos, todavia, não eram estranhos aos portugueses. Na terrinha, era tudo similar.

 

fim-de-post

 

 

 

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Segunda-feira, 23 de Outubro de 2017

Feira dos Santos - Um pequeno regresso no tempo - X

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No regresso à cidade das habituais segundas-feiras, hoje fazemo-lo também com um regresso à Feira dos Santos de 2014 e com uma primeira imagem dos maiores cornos da feira, com o devido respeito.

 

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Feira onde há de tudo, onde nem sequer falta a N. Srª de Fátima, em vários tamanhos embora com o habitual feitio, mas não só, santos e cristos à mistura cpm raposas, gatos e mochos de loiça, há para todos os gostos e decorações.

 

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E também castanhas, de comer, e outras iguarias, também para todos os gostos, desde queijos da serra, farturas, presuntos (mas não de Chaves), bolos e bolinhos, há para todos os apetites e ougados.

 

1600-santos-14 (596).jpg

 

E sempre pessoas e mais pessoas a andar de um lado para o outro e para todos os lados. Pode não haver quem compre, mas para ver, apreciar a andar pela feira, não falta gente.

 

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E por fim, para quem não gosta da feira da cidade, fica um salutar convívio entre o Forte de S.Francisco e a feira, onde se pode andar com um olho nas barracas e oportunidades e apreciar aquilo que temos de melhor. Aliás se eu mandasse na feira, em vez de a espalhar por aí fora, metia-a inteirinha no centro histórico, incluindo a Madalena.

 

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O Barroso aqui tão perto e um castelo

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Nem sempre o tempo nos corre de feição, mas há sempre algum para cumprir as nossas promessas. Não tivemos tempo de preparar mais uma aldeia do Barroso, mas cá estamos com um olhar sobre um dos símbolos, imagem de marca, e mesmo que não o seja de todo o Barroso, é-o de Montalegre – o castelo.   

 

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