Sexta-feira, 6 de Outubro de 2017

Feira dos Santos - Os primeiros pavilhões

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O tempo passa, o verão ainda foi ontem e o outono já cá está com os Santos (feira) estão à porta, e prova disso mesmo são os pavilhões dos divertimentos que já estão a ser montados, este ano com novidades, pelo menos uma, vamos ter montanha russa, eia!

 

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Por aqui, no blog, como todos os anos vamos fazendo a contagem decrescente com algumas imagens da Feira dos Santos dos anos anteriores. As de hoje, são do ano passado de 2016.

 

 

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Discursos sobre a cidade - Por António de Souza e Silva

SOUZA

 


O PRIMADO DA POLÍTICA

- DO DESPERTAR AOS “NOVOS” ACORDAR -


 
No rescaldo das Eleições Autárquicas 2017, em especial para os novos protagonistas que no espaço do Município de Chaves vão desempenhar funções autárquicas, e tendo como pano de fundo a “crise” que se vive no estado espanhol, ao nosso lado, concretamente na Catalunha, gostaríamos de deixar aqui algumas palavras, fruto de uma reflexão já feita, em 12 de outubro de 2012, num Congresso Internacional de Animação Sociocultural.

 

O mundo em que vivemos está a pedir que o reinterpretemos.

 

Exige-nos que contemplemos a política de uma forma não convencional. Que abramos os olhos para uma realidade muito mais complexa.


 
Neste mundo, que parece mais complexo e incompreensível que os anteriores, compreender é um bem escasso.

 

Noutras épocas, interpretar a realidade era uma perda de tempo, uma distração das exigências da praxis. Agora é um modo de atuar sobre a realidade, uma verdadeira e ingente atividade humana.


 
A sociedade multicultural, como é aquela em que vivemos, facilitada pelos novos media que o Homem criou, não sobressai pela sua unidade, outrossim pela sua dispersão.
 
Encontramo-nos hoje precisamente perante um esgotamento da hierarquia como princípio ordenador das sociedades. Em que política deve passar da hierarquia para a heterarquia; da autoridade direta para a conexão comunicativa; da posição central para a composição policêntrica; da heteronomia para a autonomia, da regulação unilateral para a implicação policontextual.
 
Sociedade esta que terá de estar em condições de gerar o saber necessário – de ideias, instrumentos, procedimentos – para moderar a sociedade do conhecimento que opera de maneira reticular e transnacional.
 
A tarefa fundamental da política e do estado na sociedade do conhecimento pós-capitalista e pós-territorial é a coordenação e mediação dos sistemas sociais tão complexos, experientes e dinâmicos que excluem um comando estatal autoritário.
 
As tarefas do estado modificaram-se decisivamente numa sociedade que não permite um governo direto, centralizado, hierárquico e autoritário, mas contextual, heterárquico e discursivo.
 
Temos, pois, de modificar em profundidade o nosso modo de conceber a política.

 

Se a teoria clássica da política se preocupou com a ordem, a estabilidade, a integração e a planificação, hoje é mais necessário e urgente interessar-se pelo inverosímil, pelas diferenças e pelos processos dinâmicos. A política deve aprender a dar-se bem com um futuro que já não é objeto de adivinhação nem algo planificável, mas uma coisa fundamentalmente incerta que, apesar disso, temos de antecipar.
 
Vivemos num mundo sem épica ou, pelo menos, no qual as narrativas épicas perderam plausibilidade e capacidade de mobilizar.

 

A política agora situou-se no espaço humano, demasiado humano, sem sublimidade, sem verticalidade, no qual nada está absolutamente protegido da crítica, da erosão do tempo ou da crescente complexidade social.
 
Não estamos perante a necessidade de reideologizar a política, mas de configurar projetos e decisões com base no reconhecimento de que dispomos de um saber limitado e falível.

Se as ideologias fechadas pretendiam certezas absolutas, o nosso desafio hoje consiste em estabelecer programas pós-ideológicos que sejam, ao mesmo tempo, normativos e conscientes da sua própria contingência.
 
“O único consenso que tem alguma possibilidade de êxito é o reconhecimento da heterogeneidade dos desacordos”, dizia-nos o falecido Z. Bauman, o teorizador da sociedade líquida.
A pretensão de transformar a política em responsável pela obtenção de um consenso geral que supere as distinções ideológicas e sistémicas já não é sustentável em sociedades policontextuais, que não se articulam de maneira centralista ou hierárquica.
 
Da política não se deve esperar nem a solução definitiva de todos os problemas nem a salvação das nossas almas, mas algo de muito mais modesto, mas não menos decisivo do que o que proporcionam outras profissões muito honradas.
 
Na transição de uma sociedade heroica para uma que já o não é, torna-se necessário elaborar uma nova cultura política que ensine tanto a apreciar a política como a não lhe pedir o que ela não pode garantir.
 
Contudo, apesar de nunca ter estado tão limitada na sua margem de atuação, a política também nunca foi tão decisiva como hoje.
  
As sociedades modernas, que já não adquirem o seu conhecimento do futuro por meio de interpretação dos sonhos nem atuam vicariamente na figura de uma pessoa em que confluem visão e poder, têm de adquirir o conhecimento e atuarem coletivamente por meios dos correspondentes processos de investigação e deliberação coletiva. Como sociedades abertas, estão condenadas à aprendizagem coletiva. Não podem confiar que as coisas sejam resolvidas por outros ou aconteçam sem que se fazer nada.
 
Entre as coisas que já não são o que eram salienta-se a ideia de um progresso linear, necessário, irreversível e contínuo, baseado na certeza de que nada é insuperável nem nada há que possa resistir à vontade de transformação.

O esgotamento desta ideia moderna de progresso é uma característica fundamental do nosso tempo.
 
Uma vez que se deu este esvaziamento da ideia de progresso, que tipo de futuro produzimos na nossa sociedade? Quais são as consequências políticas da crise da ideia de progresso?

A política não é atualmente movida por projetos que suscitem a esperança coletiva nem por antevisões do futuro especialmente prometedoras. Não é por acaso que o desencanto em relação à política coincide com o momento em que o futuro se converteu numa categoria problemática.
 
Há atualmente um profundo pessimismo a respeito da capacidade humana de configurar seja o que for, e muito menos por meio da política. O novo fatalismo reflete o desvanecimento da esperança política despertada pelas utopias liberais e socialistas, herdeiras de grandes narrativas progressistas, que vêm das Luzes.
 
Esta perda de energia antecipatória manifesta-se no facto de que as nossas democracias carecem de projetos utópicos, de missões ou conceções de justiça, de horizontes globais. Os grandes visionários foram substituídos por políticos que gerem as inevitáveis constrições do presente. E onde melhor se revela esta redução de esperança é no facto de a política se mobilizar mais pela rejeição do que pelo projeto, mais pela desconfiança do que pela adesão.

 

E foi nisto que a Europas se tornou, levando à prolongada crise pela qual passamos, persistindo em viver e gerir as diferentes sociedades que a integram com fórmulas do passado, de todo ultrapassadas, não atendendo efetivamente à nova sociedade, global e da informação, em que vivemos. Apesar dos grandes ”crânios” que nos governam. “Crânios” que outra coisas não são, e como muito bem se diz, tecnocratas, que pouco têm de políticos!
 
Todavia, a crise de uma determinada conceção do progresso não deveria implicar a crise do progresso como tal.
 
 
O que hoje faz falta são projetos elaborados com base numa imaginação do futuro desejável, embora esse futuro não possa já ser projetado com uma necessidade mecânica e tenha de ser mais imprevisível e controverso.
 
Em vez de se proclamar que «outro mundo é possível», mais vale imaginar outras maneiras de conceber e atuar sobre este mundo. Devemos, pois, ser mais modestos.
 
Temos, pois, de mudar este estado de coisas. Com visão e paixão. Porque a política sem visão perde-se na azáfama quotidiana e acabamos por chegar onde realmente não queríamos.

 

Mas, se lhe faltar paixão, a política mostra-se incapaz de fazer frente à fatal resistência aos factos, fatalmente acomodando-se, sem chegar aonde se tinha proposto.

 

O que hoje está a acontecer na Catalunha é, manifestamente, a falta de visão e paixão do futuro que a Europa e a Espanha, como Estado fortemente centralizador, tiveram e têm.

 

Por manifesta falta de diálogo. Por verdadeira incapacidade de saberem gerar acordos numa sociedade em mudança profunda, respeitando as diferenças e as diversas identidades.
 
Atendendo à magnitude dos problemas com que somos confrontados e que exigem uma ação coletiva, nunca o primado da política foi tão necessário. Se não pudermos resolver esses problemas por meio da política, não poderemos resolvê-los de nenhuma maneira.
 
O futuro já não é construído lutando contra os que defendem o passado, mas sim também contra os que parecem ser pelo futuro mas que o defendem mal.
 
Devemos pugnar por uma política de otimismo e de esperança num tempo em que a confiança na configurabilidade do futuro se encontra debilitada.

 

Na esteira de Daniel Innerarity, “do que necessitamos é de uma política que faça do futuro a sua tarefa fundamental, uma política empenhada em impedir que a ação se transforme em reação sem significado e que o projeto se degrade no idealismo utópico”.
 
É a ausência de projeto que nos submete à tirania do presente. O movimento contemporâneo, a incessante adaptação à mudança que nos é exigida, é vivido segundo uma lógica da sobrevivência, não da esperança. À força de se explicar que «as grandes narrativas» morreram, o lugar delas foi ocupado pela defesa dos «direitos adquiridos».

 

O vazio deixado pela imaginação do futuro foi preenchido pela preocupação do instante. E onde não se prepara o futuro a política limita-se a gerir o presente.

 

E o resultado, pelos acontecimentos que nos entram pela porta dentro através do media, estão bem à vista!

 

É na prevenção de choques e dissabores futuros que deixo aqui aos novos detentores do poder autárquico e responsáveis pelas decisões quanto ao futuro do nosso Município as palavras com que acabávamos o nosso discurso do mês passado, em período eleitoral:

 

“Qualquer sonho político só é realizável em colaboração com os outros que também querem [e devem] participar na sua definição. Os pactos e as alianças põem em evidência a necessidade mútua de uns e de outros. O poder deve ser sempre uma realidade partilhada. E a convivência democrática deve proporcionar muitas possibilidades, embora imponha também muitas limitações.

 

A ação política implica, assim, sempre transigir, acordar. Desta feita, quem abordar todos os problemas como uma questão de princípio. Quem utilizar constantemente a linguagem dos princípios, do irrenunciável e do combate está condenado à frustração e ao autoritarismo.

 

Aqueles que forem incapazes de entender a plausibilidade dos argumentos da outra parte não conseguirão pensar, e muito menos atuar, politicamente.

 

É esta a postura, de diálogo, pactos, consensos e acordos sobre o futuro de Chaves, numa sociedade tão complexa e de rumo tão incerto e de fortes constrangimentos [a que a autarquia está sujeita], que se espera desta candidatura do PS (…)”

 

Que, com esta vitória, as nossas esperanças não sejam desfraldadas!


António de Souza e Silva

 

 

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