Segunda-feira, 9 de Outubro de 2017

Chaves D'Aurora

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  1. BELÉM DO PARÁ.

 

Muitas cidades brasileiras foram feitas à imagem e semelhança de Lisboa, do Porto e de outras urbes de Portugal. Uma das mais aportuguesadas era Belém do Pará, situada perto da foz do caudaloso rio Amazonas e porto de entrada para a região amazónica. As ruas da Cidade Velha, onde ficam as igrejas da Sé e de Santo Alexandre, o Forte do Castelo (edificado onde e quando, em 1616, a cidade foi fundada), o Arcebispado e o Convento do Carmo, a formar o complexo histórico Feliz Lusitânia (antigo epíteto da cidade), foram abertas há muito tempo antes que Dom Pedro, Primeiro no Brasil e Quarto em Portugal, tentasse conciliar suas traquinadas mulherengas, na Corte do Rio de Janeiro, com as graves decisões políticas do país.

 

A forte presença de imigrados, uns dos Açores e da Madeira, outros beirões e trasmontanos, fazia aumentar ainda mais a expressiva influência lusa nos modos de falar e nos hábitos do dia a dia. Influenciavam até mesmo na culinária, em que o caldo verde e o cozido com legumes conviviam com a paca ao tucupi (ou pato, depois, mas sempre nesse caldo amarelo, extraído da mandioca); a maniçoba (com carnes típicas de feijoada, antigamente, também, com produtos da caça local, mas cozinhadas em uma pasta feita de folhas de maniva, após estas serem cozidas durante cinco dia para perderem a venenosa e mortal toxicidade); o tacacá (tipo de sopa com a goma de tapioca, tucupi, camarão e jambu, uma espécie de agrião do Pará, que deixa nos lábios uma sensação deliciosa); o sumo bem denso e cremoso do açaí, com farinha de mandioca; e outras iguarias primitivas, da culinária indígena.

 

As casas antigas exibiam suas paredes revestidas com azulejos da antiga Mãe Colonial e, apesar de suas ruas estarem situadas em terrenos planos, os sobrados com janelões pareciam recordar, e muito, os sítios da Alfama ou da Ribeira. Podia-se mesmo dizer que as casas da outrora Santa Maria de Belém do Grão Pará, ainda que marcadas por algum exotismo local, eram com certeza, como nos diz uma antiga canção, uma casa portuguesa. Nas residências mais abastadas, certamente ficavam bem, além do São José de azulejo, da sardinha e do bacalhau (às vezes trocado pelo seu primo de água doce, o pirarucu), o pão e vinho sobre a mesa (embora este último também desse lugar, no mor das vezes, ao sumo de cupuaçu, bacuri, taperebá ou outras frutas regionais).

 

Nos prósperos tempos da extração e comércio da borracha na Amazónia, que em nada melhorou a vida dos seringueiros, mas fez enriquecer os donos de seringais, atravessadores, transportadores e comerciantes de Manaus e Belém, a capital do Pará era uma das mais importantes e mais populosas do país. Conta-se, mesmo, que os novos-ricos da terra mandavam lavar, em Paris ou Lisboa, os seus fatos de puro linho.

 

Àqueles fins do século XIX, graças à riqueza que o áureo ciclo da borracha viera trazer à região, eram os tempos de embelezamento e reformas urbanas em Belém. Erguiam-se belos palacetes, tais como o Pinho, o Bolonha e até vistosos palácios, como os que serviram por muitos anos para a sede do Governo da Província e a da Municipalidade. Construíam-se prédios de ferro em Art Nouveau, como os mercados de carne e de peixe, no sítio portuário do Ver-o-Peso. Com seges e vitórias ainda a passear pelas ruas, os coletivos puxados a cavalo logo passariam a dar lugar aos bondes, como passaram a ser chamados, no Brasil, os elétricos ingleses (trainways).

 

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Ancoradouro do Ver-o-Peso, Belém do Pará (BR). Postal público. Autor desconhecido.

 

Essas obras grandiosas eram comandadas pelo célebre Senador Antônio Lemos, tais como a abertura de largas avenidas e praças ajardinadas. Estas fariam Euclydes da Cunha, o escritor de “Os Sertões”, declarar em 1904: “(...) Nunca esquecerei a surpresa que me causou aquela cidade. Nunca São Paulo e o Rio terão as suas avenidas monumentais, largas de 40 metros e sombreadas de filas sucessivas de árvores enormes. Não se imagina no resto do Brasil o que é a cidade de Belém, com seus edifícios desmesurados, as suas praças incomparáveis e com a sua gente de hábitos europeus, cavalheira e generosa. Foi a maior surpresa de toda a viagem”. (Quanto aos hábitos europeus, leia-se: os de portugueses, franceses e, com menor influência, ingleses).

 

Somavam-se a isso as belas alamedas do Bosque Municipal, um enorme quadrado onde até hoje se concentra, com espécimes da flora e da fauna, uma síntese da floresta amazónica; e o Museu Paraense, recém-fundado no então bairro da Rocinha, onde pesquisadores de várias procedências dedicavam-se aos estudos da natureza e do homem na Amazónia, sob a direção do cientista suíço Augusto Emílio Goeldi.

 

No Theatro da Paz, cujo interior é similar, em luxo e arte decorativa, a muitos espaços cénicos da Europa, apresentavam-se companhias inteiras de ópera, francesas e italianas, que seguiam depois para o teatro de igual porte e beleza em Manaus, o outro grande centro comercial da borracha. Tais elencos vinham em paquetes ingleses e alemães a cruzar o Atlântico, em linha direta ao Norte do país, até ao movimentado porto de importações e exportações da Baía de Guajará, sem ao menos passarem pelos de Salvador ou Rio de Janeiro, a então Capital Federal.

 

 

  1. MENINA FLOR.

 

Foi antes de começar uma soirée no monumental teatro, inaugurado há alguns anos no Largo da Pólvora, que João Reis, recém-enriquecido com o comércio da Hevea Brasiliensis, ao dar um breve passar d’olhos pelo interior daquele verdadeiro templo cénico, avistou, no camarote onde se alojava a família de Jacob Benzecri, um dos mais respeitáveis capitalistas da província e com o qual João mantinha transações comerciais, uma linda e elegante rapariga.

 

A menina estava a conversar com a Estherzinha, outra bela jovem, filha de Jacob. Reis perguntou ao Raimundo Peixoto, o Dico, um amigo caboclo que ora o acompanhava, quem era aquela moça que tanto lhe chamara a atenção. Dico falou que seu nome era Florinda de Morais Dias, à qual muitos rapazes chamavam de Flor Linda e era filha de Joaquim Lourenço Dias, um compatriota de Reis, natural de Aveiro, de mãe alemã e pai português. Este era dono da Loja da Lua, armazém de tecidos à Rua XV de Novembro, mas…

 

– Mas, mas… mas o quê, ó raios, ora me diz de uma vez!

 

O amigo aconselhou – Pisa de mansinho no terreiro, que o galo velho alemão cisca bravo no quintal! É um cão de guarda com as filhas! A mãe delas já se foi na epidemia de varíola e o Lourenção tem que se fazer em dois. As filhas só vão às festas com o pai do lado. E tome a bengala! – Bengala?! Mas o que é que essa bengala tem a ver com as meninas? – Raimundo riu e continuou – É que o velho ameaça ou chega mesmo a dar umas bengaladas em qualquer rapaz que venha falar com as filhas… Quanto ao que mais importa, o Lourenção está muito bem de vida; e a educação primorosa que a pequena recebeu, também se deve aos bens deixados por sua mãe e por seu avô materno.

 

Ainda que, para João, essas questões patrimoniais não fossem, àquela altura, o mais importante, soube então que o avô da “Linda Flor” tinha sido proprietário de uma fazenda enorme, que ia desde os fundos da Basílica de Nazaré até à Estrada de São Jerônimo (uma enormidade de terras), mas os Estêvão de Morais quase ficaram sem nada, porque o único filho homem, tio dessa atraente donzela, deu cabo à metade da fortuna do pai, solapando-a com mulheres e jogos.

 

As perspetivas não eram muito animadoras, mas João Reis, embora não fosse dado aos jogos de azar nas casas da Rua da Trindade, onde a roleta corria solta, gostava de arriscar no carteado da vida. Quando olhou novamente para o alto, percebeu que fora visto por Jacob e o cumprimentou. Acenou também à Esther e à bela filha do bravo bicho brabo. A jovenzinha, após um breve aceno, olhou para ele e, pondo o leque de patchouli a lhe tapar a boca, cochichou algo com a amiga. Ambas riram, sem tirar os olhos do rapaz, o que o deixou constrangido.

 

Estava decerto curioso em saber do que andavam a falar e do que lhe havia de ruim, se os bigodes, as suíças, o nariz… Ou talvez algo bom, mas o Dico, ao seu lado, deixou-o ainda menos à vontade – É a tua aparência, João Reis, como te cuidas mal! – e a troçar – Acho que devias ler o “Compêndio de Civilidade” do bispo Dom Macedo Costa.

 

 

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Theatro da Paz, Belém do Pará, 1878. Postal público antigo. Autor desconhecido.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 23:46
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O Barroso aqui tão perto - As Três Penedas

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Aquando iniciei esta peregrinação pelas aldeias do Barroso, muni-me de alguma informação. Primeiro de um mapa que eu tinha do Alto-Tâmega, que em tempos fui fazendo no meu tempo livre a partir dos mapas dos vários concelhos do agrupamento. Mapas que o então GATAT tinha para orientação e trabalhos dos técnicos dessa entidade. Parti do principio que estaria correto, mas cedo fui dando conta que nele havia algumas omissões e erros que fui corrigindo.

 

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Quando parti para o terreno era esse o mapa que tinha como referência, mas no entretanto consegui no EcoMuseu do Barroso um mapa turístico, edição da Câmara Municipal de Montalegre, onde além das localidades são assinados 105 pontos de interesse. Claro que em relação ao meu mapa é muito mais útil, principalmente pelo alerta para os pontos de interesse de cada localidade.

 

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Mas só a cartografia para partir à descoberta do Barroso, embora muito útil, é pouco. Consegui depois uma listagem dos CENSOS 2011 - INE com todas as localidades do Concelho de Montalegre e respetivas freguesias (ainda sem a união de algumas). Entre outra informação escrita e gráfica, antes de partir para o terreno, faço um itinerário prévio, e aí estudo exaustivamente a fotografia aérea do Google Earth. Depois é só cruzar a informação e arrancar para o terreno.

 

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Vista desde Peneda de Cima para a Serra do Gerês e aldeia de Lapela


Para o itinerário onde obtive a informação de hoje, após cruzar a informação disponível, incluí a aldeia de Peneda, que não estava no meu mapa, nem no mapa turístico que obtive no EcoMuseu do Barroso, mas que constava nas localidades do CENSOS como pertencente à freguesia de Covelo do Gerês e que também aparecia no Google Earth.

 

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No itinerário desse dia tinha programado iniciar por Ponteira, seguindo para São Bento de Sexta Freita e a seguir incluí a aldeia de Peneda. E assim foi para as duas primeiras aldeias. No entanto ao chegar à Peneda, a placa de estrada da entrada da aldeia indicava Peneda de Cima. Ora se havia Peneda de Cima, também deveria existir a Peneda de Baixo. Por sorte tínhamos lá um habitante da aldeia a quem perguntar, e, além de confirmar a nossa suspeita, acrescentou-lhe ainda outra Peneda, a Peneda do Meio, que ficava alí logo a seguir...

 

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Pensávamos nós que íamos para a Peneda e acabámos por ir a três Penedas. Habitualmente fazemos um post por aldeia, mas hoje, o post, será também dedicado às três Penedas, com fotografias repartidas, mas no restante, o texto, será para as três aldeias, não só por partilharem o mesmo topónimo, mas também por partilharem as suas características, à exceção das coordenadas, que aí cada uma terá as suas, e um ou outro pormenor que no decorrer desta escrita e da informação disponível, seja sugerido.

 

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Dado que partimos de São Bento de Sexta Freita para as Penedas, a abordagem às mesmas foi feita pela ordem que nos aparecia na estrada, ou seja, primeiro entrámos e Peneda de Cima, depois passámos para a Peneda do Meio e a seguir a Peneda de Baixo. As fotografias também vão aparecer por esta ordem. Na passagem de uma para outra Pededa avisaremos, ou melhor, avisamos já, pois as primeras sete fotos que deixámos para trás são todas da Peneda de Cima. A seguir temos o nosso mapa e após este as imagens passarão a ser da Peneda do Meio.

 

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E fica o mapa porque vamos passar já à Localização das Penedas e ao itinerário proposto para chegar até lá, como sempre a partir da cidade de Chaves. Sempre que vamos até ao Barroso de Montalegre, há três itinerários possíveis, ou sejam o da Estrada do S.Caetano/Soutelinho da Raia, o da Estrada Nacional 103 (Estrada de Braga) e o da EN 103 até Sapiãos e a partir de aí, via Boticas e Salto, pela R311. Desta vez, como o itinerário tinha início em Ponteira, decidimo-nos pela Estrada do S.Caetano até Montalegre e a partir de aí pela Estrada Nacional interior que se vai desenvolvendo junto ao Rio Cávado, a Nacional 308. A referência para esta estrada pode ser a Barragem de Paradela e a partir desta (sem atravessar o paredão da barragem) basta seguir as placas.

 

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Para chegarmos às Penedas, após Ponteira, temos São Bento de Sexta Freita. Aqui temos de abandonar a R311 e entrar nesta aldeia, sem voltar atrás, pois para as Penedas o caminho é para a frente, basta seguir a única estrada que sai da aldeia.

 

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Ficam as coordenadas de cada Peneda bem como a altitude, esta para compreender o porquê dos seus apelidos de Cima, do Meio e de Baixo.


Coordenadas da Peneda de Cima:
41º 44' 08.75"N e 7º 59' 14.57"O - Altitude 609m


Coordenadas da Peneda do Meio:
41º 44' 18.87"N e 7º 59' 18.34"O - Altitude 534m


Coordenadas da Peneda de Baixo:
41º 43' 58.95"N e 7º 59' 44.10"O - Altitude 465m

 

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Pelas altitudes e coordenadas, facilmente percebemos que já estamos no Baixo Barroso, a descer para terras do Alto Minho, aliás isso é bem notório na paisagem onde as Penedas estão, embora as vistas que se lançam a partir delas sejam para a aspereza da Serra do Gerês.

 

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Passemos ao topónimo. Ao sabermos que as nossas aldeias de hoje estão integradas no Parque Nacional da Peneda-Gerês, quase somos tentados a dizer que são estas que contribuem para o nome do parque. Bem poderia ser, mas não é, pois quem dá o nome ao parque são as serras onde o parque começa e acaba, ou seja o parque começa na Serra da Peneda e depois de passar pela Serra do Soajo e a Serra Amarela, termina na Serra do Gerês.

 

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Pois quanto ao topónimo, o melhor é mesmo irmos até à "Toponímia de Barroso" onde consta:

"Penedas
Terá surgido do plural neutro singularizado Pinheta < de pinha equivalente a Penna, que significa "pedra", rocha. O local é mesmo um monte penhascoso, dir-se-á, uma ribanceira rochosa sobre o Cávado que levou à disposição das moradias em três grupos a que hoje se chama já Peneda de Cima, do Meio e de Baixo. Não consta das inquirições mas é provável que houvesse por ali algumas das casas referenciadas na freguesia de Covelo do Gerês."

 

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As fotos anteriores já são da Peneda de Baixo.


Voltando àquilo que se diz na toponímia de Barroso a respeito das Penedas. Ora nem sempre temos de concordar com aquilo que se escreve, e neste caso das Penedas não concordo mesmo com aquilo que é dito. Aliás as fotografias que deixo dão para ver que nem penhascos, nem ribanceiras rochosas. Da outra margem do Cávado, em frente às Penedas, isso já é verdade.

 

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Pois quanto às minha pesquisas, para além do que consta na "Toponímia de Barroso" e uma referência apenas ao topónimo de Penedas da freguesia de Covelo do Gerês no livro "Montalegre", de resto mais nada, e tal como atrás disse, no mapa turístico que a Câmara Municipal distribui no EcoMuseu, as Penedas nem sequer existem, e é pena, pois as Penedas, qualquer uma delas, mas o conjunto muito mais, mereciam estar nos roteiros turísticos do Barroso.

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Existe no entanto, no facebook, um perfil sobre as Penedas, intitulado "Aldeia da Peneda ou três Peneda, Concelho de Montalegre", cujo link é fica aqui:


https://www.facebook.com/Penedas/


Onde se podem encontrar muitas fotos e coisas do dia-a-dia das Penedas. Assim se quiser saber mais alguma coisa sobre as Penedas, nem há como passar por lá.

 

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Já deram conta que algumas fotos são apresentadas duas a duas. Isto porque pensávamos encontrar alguns escritos sobre as Penedas, mas não encontrámos. Assim, mais uma vez ficam as nossas habituais impressões sobre estas aldeias.

 

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Pois, talvez ainda antes de entrarem nas três Penedas, eu recomendava vê-las desde o outro lado do Rio Cávado, desde a aldeia de Azevedo ou de Lapela, aldeias vizinhas para as quais as Penedas lançam vistas. Nas imagens que ficam atrás, as panorâmicas sobre as Penedas são tomadas desde a aldeia de Azevedo. Há no entanto uma foto que é tomada desde a Peneda de Cima que lança vista sobre a Serra do Gerês e sobre a aldeia de Lapela.

 

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Pelo que atrás disse, as vistas desde as Penedas são vistas a não perder, e o contrário também é verdade, as vistas sobre as Penedas. Depois de vistas lançadas para e desde mais longe, aí sim, há que entrar nas Penedas e apreciar os pormenores. Os espigueiros, os verdes dos campos e da floresta, o casario tradicional. Não conseguimos descer ao Cávado, onde existe uma ponte e pela certa a habitual água cristalina a que os rios do Barroso já nos habituaram, e quem sabe, quase pela certa, alguns rápidos e pequenas cascatas. Fica para uma próxima oportunidade. Para finalizar, se como nós gosta de descobertas, não deixe de descobrir as Penedas, pois não se vai arrepender. Espero que as fotos convidem a isso mesmo, mas como sempre, uma coisa são imagens de fotografia e outra é viver estes locais. Estar lá, respira o seu ar, conversar um pouco com os seus habitantes.

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E agora só restam as habituais referências e links para as anteriores abordagens ao Barroso.

 

Bibliografia
BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso

 

Um Sítio para consultar
https://www.facebook.com/Penedas/

 

Links para anteriores abordagens ao Barroso:


A
A Água - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-a-agua-1371257
Algures no Barroso: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1533459
Amial - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ameal-1484516
Amiar - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-amiar-1395724
Antigo de Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-antigo-de-1581701
Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-arcos-1543113

 

B
Bagulhão - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bagulhao-1469670
Beçós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-becos-1574048
Bustelo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-bustelo-1505379

 

C
Cambezes do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cambezes-do-1547875
Caniçó - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-canico-1586496
Carvalhais - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-carvalhais-1550943
Castanheira da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-castanheira-1526991
Cepeda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cepeda-1406958
Cerdeira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cerdeira-1576573
Cervos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-cervos-1473196
Contim - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-contim-1546192
Cortiço - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-1490249
Corva - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-corva-1499531

 

D
Donões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-donoes-1446125

 

F
Fervidelas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fervidelas-1429294
Fiães do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-fiaes-do-1432619
Fírvidas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-firvidas-1466833
Frades do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-frades-do-1440288

 

G
Gralhas - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhas-1374100
Gralhós - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-gralhos-1531210

 

L
Ladrugães - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ladrugaes-1520004
Lapela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-lapela-1435209
Larouco - Um olhar sobre o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/2016/06/19/

 

M
Meixedo - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixedo-1377262
Meixide - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-meixide-1496229
Mourilhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-mourilhe-1589137

 

N
Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-negroes-1511302
Nogeiró - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-nogueiro-1562925

 

O
O colorido selvagem da primavera http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-o-colorido-1390557
Olhando para e desde o Larouco - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-olhando-1426886
Ormeche - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ormeche-1540443

 

P
Padornelos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padornelos-1381152
Padroso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-padroso-1384428
Paio Afonso - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paio-afonso-1451464
Parafita: http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-parafita-1443308
Pardieieros - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pardieiros-1556192
Paredes de Salto - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-1448799
Paredes do Rio - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-paredes-do-1583901
Pedrário - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pedrario-1398344
Penedones - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-penedones-1571130
Pereira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pereira-1579473
Pomar da Rainha - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-pomar-da-1415405
Ponteira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-ponteira-1481696

 

R
Reboreda - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-reboreda-1566026
Roteiro para um dia de visita – 1ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104214
Roteiro para um dia de visita – 2ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1104590
Roteiro para um dia de visita – 3ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105061
Roteiro para um dia de visita – 4ª paragem - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105355
Roteiro para um dia de visita – 5ª paragem, ou não! - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-roteiro-1105510

 

S
São Ane - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-ane-1461677
São Pedro - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sao-pedro-1411974
Sarraquinhos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sarraquinhos-1560167
Sendim - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sendim-1387765
Senhora de Vila Abril - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-senhora-de-1553325
Sezelhe - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sezelhe-1514548
Solveira - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-solveira-1364977
Stº André - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-sto-andre-1368302

 

T
Tabuadela - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-tabuadela-1424376
Telhado - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-telhado-1403979
Travassos da Chã - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-travassos-1418417

 

V
Vilar de Perdizes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1360900
Vilar de Perdizes /Padre Fontes - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilar-de-1358489
Vilarinho de Arcos - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1508489
Vilarinho de Negrões - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilarinho-1393643
Vilaça - http://chaves.blogs.sapo.pt/o-barroso-aqui-tao-perto-vilaca-1493232
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362 - Pérolas e diamantes: A pose da naturalidade


O romance de cavalaria medieval, que foi o alvo predileto de Cervantes, desenvolveu-se na França do século XII e espalhou-se depois por toda a Europa. Além de altamente convencional, também era escrito em versos fáceis de recitar e só depois em prosa.

“Romance” significou de início uma obra em francês, derivada do latim, a língua de Roma.

Os romances medievais, ao contrário do que muita gente pensa, não eram crónicas de batalhas campais, como as travadas entre Gregos e Troianos, mas histórias de cavaleiros lendários dedicados a Jesus Cristo e às suas amadas, de torneios e de castelos encantados, com um suplemento de dragões e monstros, todos sob o feitiço de grandes magos. E eram coisas pouco divulgadas. A edição dos livros exigia trabalho muito elaborado e moroso.

Apenas com o progresso tecnológico da tipografia no século XIX é que o livro se transformou em veículo popular para um novo público leitor, tão sequioso de uma história imaginária de boatos picantes e últimas novidades.

Os autores, com a cumplicidade dos seus editores, adquiriram rápida aceitação. Finalmente podiam saber daquilo que os leitores gostavam, sentindo-se cada vez mais tentados a dar-lhes o que eles queriam. Como diz Daniel J. Boorstin: “O autor-criador tornou-se, pois, o público do seu público.”

No seu livro Os Criadores, o autor refere que Dickens, entusiasta e compassivo, era, ao contrário de Balzac, um homem de paixões. Pomposamente democrata, permaneceu um vitoriano populista. “A minha fé nos governadores”, escreveu em 1869, “é, no seu todo, infinitesimal; a minha fé no povo governado é, no seu todo, ilimitada.”

Nem a sua experiência como jornalista no Parlamento aumentou a sua confiança nas assembleias representativas. O autor dos hilariantes Cadernos de Pickwick passou pela Câmara dos Comuns “como um homem” e na Câmara dos Lordes “não cedeu a nenhuma fraqueza, exceto ao sono”.

Confessou que viu muitas eleições “sem nunca ter tido vontade (qualquer que fosse o partido a ganhar) de estragar o chapéu atirando-o ao ar”. Nem o que observou no Congresso de Washington alterou as suas opiniões. Dickens nunca “lamentou nem se orgulhou de qualquer corpo legislativo”.

O génio é sempre obra do acaso. E quase sempre as pessoas que o possuem são torturadas e perseguidas por obsessões contínuas. O sublime Leonardo da Vinci, enquanto jovem, comprava pássaros no mercado a fim de os libertar. E caminhava pelo seu próprio pé, pois, como Miguel Ângelo escreveu: “Aquele que segue outro nunca o alcançará”.

Dostoyevsky dizia que “as ideias voam pelos ares, mas são condicionadas por leis que não compreendemos. As ideias são contagiantes, e uma ideia que se poderia crer prerrogativa de alguém possuidor de grande cultura pode entrar no espírito de um ser simples e descuidado e apoderar-se dele.

Oscar Wilde gostava de brincar com o seu paradoxo afirmando bem alto que “ser natural é apenas um pose”.

O pai de Montaigne tinha como objetivo educativo para o seu filho aliá-lo com “o povo e aquela classe de homens que precisa da nossa ajuda”. Ensinou-lhe que “o dever manda primeiro olhar para o homem que nos estende os braços e só depois para aquele que nos volta as costas”.

Talvez tudo não passe de uma questão de fé.

Montaigne divide os filósofos em três categorias: os que afirmam terem encontrado a verdade, os que negam poder a verdade ser encontrada e os que, como Sócrates, confessam a sua ignorância e continuam a procurar. Apenas os últimos são sensatos.

Mas a fé pode ser como a de Montaigne: “uma corda que sustenta o enforcado”.

Quando jovem, Benjamim Franklin não se interessava francamente pelas belezas da natureza, ou da literatura, nem tão pouco o emocionavam a poesia, a arquitetura ou o romance histórico. “Muitas pessoas gostam de narrativas sobre edifícios e monumentos antigos, mas por mim confesso que, se conseguisse encontrar nas minhas viagens uma receita para fazer queijo parmesão, isso me daria mais prazer do que uma cópia da inscrição de uma qualquer pedra-de-não-sei-quê.”

Franklin chegou a ser um dos líderes da Revolução Americana, conhecido por suas citações e experiências com a eletricidade. Além disso foi jornalista, editor, autor, filantropo, político, abolicionista, funcionário público, cientista, diplomata, inventor e xadrezista estadunidense.

Escrevia como recomendava, de forma “simples, clara e concisa”, e persuadia os seus leitores a apadrinharem um objetivo prático e quase sempre valoroso. Tinha como intenção “promover um saber que seja útil”.

O seu Conselho a Um Amigo Para a Escolha de Uma Amante era o reflexo disso mesmo: “Prefira mulheres velhas a jovens”. As suas razões terminavam desta forma: “Oitava e última: elas ficam tão gratas!”

 

João Madureira

 

 

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