Quarta-feira, 21 de Fevereiro de 2018

Rua Verde - Chaves - Portugal

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Gosto deste bocadinho de rua ou então, as ruas, tal como nós, também têm momentos felizes.

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:45
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Terça-feira, 20 de Fevereiro de 2018

Cidade de Chaves - O tempo das coisas

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O tempo das coisas

 

Durante muito tempo conheci este rio sem ninguém o contrariar. Deixava-se levar pela natureza. Enchia, avolumava-se e ganhava velocidade quando a natureza assim o queria, ou então,  esvaziava, pasmava e ficava reduzido ao mínimo para se manter vivo quando assim tinha de ser. Durante anos foi assim até que o começaram a contrariar, como se a natureza se pudesse contrariar… e às vezes até pode, imagens como a que hoje vos deixo, tomada em 2013,  fazem-nos acreditar que é possível, mas com o tempo também fui perdendo a inocência e aprendi que o acreditar anda quase sempre de mão dada com o sonhar.

 

Hoje quando revi esta imagem, apercebi-me como o acreditar é apenas um momento, um instante em que a natureza nos tira da realidade. Hoje quando revi esta imagem, instintivamente peguei num dos livros que sempre me acompanham, abri-o e parei neste texto:

 

A PRESSÃO DOS MORTOS

 

Fechas a mala do carro cheia de bagagem. E de súbito apercebes-te de que não é novo o gesto. Muitas vezes o viste repetir. A muitas horas do dia, mas nunca como num fim de tarde. Qualquer que fosse a paisagem, a mesma paisagem: a terra calcinada, o canto das cigarras, o ar espesso do vapor a provocar a rarefacção das coisas vistas e a dar-lhe um ar de miragem. Fecha-se o tampo do caixão sobre a cara conhecida para todo o sempre. Nem se levanta o problema da eternidade. Esta terra é que tu amaste com todas as contrariedades e os problemas quotidianos. Amaste homens que por vezes talvez te tenham dado na cara e eram deliciosamente imperfeitos como tu. E tiveste de te despedir deles. Já não eram daqui. Já tinham problemas de mortos. Já se falava deles no imperfeito e não no presente. Mudou um simples tempo de verbo e tudo mudou. Um último olhar a essa caixa de mau gosto. Gostarias de atirar um torrão, como em criança, para esconjurar os maus sonhos. Mas falta-te a inocência. Decisivamente, tens de fechar com força a mala do carro. E pedes que te ponham os pneus à pressão 22. A pressão dos mortos.

 

Ruy Belo in “homem de palavras

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:21
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Chaves D'Aurora

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  1. PULGA DE CINEMA

 

Hortênsia, que sempre dizia – a boa hora ainda não chegou para mim! – ou, a brincar – “Vaso ruim não se quebra” – já estava em plena forma, mas Aurora continuava a sair com a Zefa, para levar até à boa senhora os votos de saúde da Mamã e da Lilinha, a pródiga afilhada. Florinda, porém, começou a considerar que, pelo assim e pelo assado, a tia estava muito malzinha, cada vez pior e que deste ano não passava. Foi então visitá-la e, ao vê-la tão bem disposta, ficou a cismar sobre as engenhosas aldrabices da filha – Ai cabeça de flor despetalada, olha que aí... “tem mouro na costa”!

 

Zefa logo se viu posta a interrogar por Flor, mas a Mamã, como inquisidora, era uma ótima Santa Isabel, aquela generosa rainha que dava esmola aos pobres, contra a vontade do marido opressor. Este, ao que se conta, vendo-a levar alguma coisa no avental dobrado, perguntou-lhe – Que levas aí, contigo? – e ela – Rosas, meu senhor – mas o tirano – Pois mostra-m’as, portanto! – ela então, pesarosa em mostrar os óbolos proibidos, desdobrou as faldas do avental. Eis que de pronto, para surpresa dos mais e de si mesma, caiu-lhe aos pés um verdadeiro roseiral.

 

A esperta barrosã que, de resto, só sabia das idas da menina ao cinema, mas sem atinar com quem mais, nem qual menos, tratou de desconversar. Passou a contar mil pataratices acerca da criada de dona Hortênsia, cujos hábitos de higiene e as tontarias na cozinha muito deixavam a desejar.

 

A Florinda, porém, uma pulga (e dessas grandes, assíduas frequentadoras de cinema) saltou-lhe para trás da orelha, naquele inverno do início de 1923, quando foi com João Reis e as filhas assistir, no Cineteatro Flávia, a um filme que, ao marido, muito apetecia ver.

 

Era “O Guarany”, produção da “Carióca Film” do Rio de Janeiro, em 7 partes, baseada no romance de José de Alencar e na ópera homónima do famoso compositor brasileiro Carlos Gomes. Além de atraente per si, os anúncios no jornal “A Região Flaviense” registavam que, em Lisboa, sua exibição integrara as comemorações de um feito histórico, a chegada ao Brasil dos aviadores Gago Coutinho e Sacadura Cabral, no hidroavião Lusitânia, ocorrida no ano anterior. Os dois patrícios realizaram juntos a primeira travessia aérea do Atlântico Sul.

 

Figurava-se ao Papá uma razão muito especial para ver “O Guarany”. A motivação era que certa vez, em Belém do Pará, estivera bem próximo ao Maestro, após a estreia daquela ópera no Theatro da Paz quando, em companhia de um parente que era amante da música erudita, Reis fora cumprimentar o músico e já se lhe notava a aparência enfermiça. Pouco tempo depois, em 1896, acompanhara, ao lado de milhares de pessoas, o traslado dos restos mortais do artista, desde a casa onde Carlos Gomes passara os seus últimos dias até ao Conservatório de Música (para o qual o Maestro fora nomeado diretor e hoje leva seu nome), onde seu corpo seria velado, antes de o levarem para Campinas, sua terra natal.

 

Ocorreu que, à entrada do Cineteatro, onde tantas vezes Aurita, por motivo de óbvios cuidados, sempre entrara e saíra sozinha, com um xaile da cabeça aos joelhos, quase a lhe cobrir inteiramente o rosto, o parvo e indiscreto porteiro foi todo sorrisos para a rapariga – Boa noite, menina, folgo em ver que, desta vez, não veio cá sozinha, veio com o Papá e toda a família, não é? – ao que todos os mais pararam, emudecidos, uma expetativa de segundos que, para a assustada Aurora, pareceram milénios.

 

Ela, porém, já contaminada pelas maroteiras de Hernando, aumentou o fio de voz que lhe dava um nó à garganta – Desculpe, meu senhor, mas estás a me confundir com outra pessoa, nunca pus os pés neste lugar! – o que deixou o porteiro, de pronto, a tentar remendar, com o rosto mais pálido do que defunto no caixão – Des… desculpe-me, senhorita, é que a menina... quase me dava os ares de uma rapariga que vem sempre aqui.

 

Assim acabou o namoro de Aurora com a sétima das Artes. Conformadinha como sempre, ficou só a lamentar as oportunidades perdidas de se encontrar com o seu amado. Também lastimava o facto de não poder mais assistir, como já se anunciava nos reclamos, “a verdadeira maravilha da arte nos cinemas de todo o mundo”, o filme de longa metragem “Intolerância” (exibido em duas jornadas, cada uma com 5 partes).

 

Com o frio da estação mais intenso, geadas eventuais e a temperatura a descer, por vezes, a 4 graus abaixo de zero, a rapariga permaneceu por um longo tempo sem sair de casa, dando ao Camacho, em termos de beijos roubados e devolvidos, um demorado jejum.

 

Pouco a pouco, Florinda esqueceu as desconfianças que tivera em relação à filha, ainda que, tais e mais, alguma dorzinha lhe trouxessem à cabeça. Como o Reis nunca tocara no incidente do cineteatro, talvez por acreditar na convicção e firmeza com as quais a filha se dirigiu ao atarantado porteiro, Mamã jamais comunicou ao marido as suas maternais preocupações.

 

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Segunda-feira, 19 de Fevereiro de 2018

De regresso à cidade, com uma foto de inverno e um sonho

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Hoje fazemos o regresso à cidade pelos passeios à beira rio, com uma foto de inverno, a demonstrar que esta estação fria também tem os seus encantos. Nos meus sonhos, o encanto seria ainda maior se a partir do terraço existente sobre o Rio Tâmega, que foi construído a partir da estrutura do antigo motor de água, tivesse uma ligação à margem esquerda do rio, ou seja, uma ponte pedonal, apenas com a largura de duas pessoas,  com o romantismo das pontes de arame, se pudesse ser… no meu sonho pode!

 

 

 

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Quem conta um ponto...

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380 - Pérolas e diamantes: O dilema

 

 

Em 2018 comemora-se o bicentenário do nascimento de Karl Marx, coautor, com Friedrich Engels, do Manifesto Comunista, a bíblia, ou o alcorão, se preferirem, dos revolucionários de todo o mundo durante mais de um século.

 

O que hoje conhecemos como marxismo-leninismo tornou-se dogma do Estado Soviético e de todos os verdadeiros revolucionários seus sucessores, como Mao Tsé-tung, a meados do século XX, e Fidel Castro, em 1959.

 

Mas todo esse esplendor dos amanhãs que cantavam implodiu com as revoluções de 1989/91. A queda do muro de Berlim arruinou a crença no comunismo global.

 

Karl Marx nasceu em Trier, na Alemanha, a 3 de maio de 1818. Era filho de um advogado judeu.  Como se costuma dizer agora, o jovem Marx radicalizou-se quando estudava em Bona e Berlim. Passou a década de 1840 a lutar “contra o estado cristão da Prússia”, no papel de agitador e jornalista. Fugiu para Londres após as abortadas revoluções europeias de 1848/9, conhecidas atualmente como a “primavera dos povos”.

 

O Manifesto Comunista, terminado em 1848, mais não é do que a quintessência intelectual desta fase da sua vida.

 

O Manifesto descreve o denominado espírito insaciável do capitalismo por “uma constante expansão do mercado para os seus produtos”, disseminando-os “por toda a superfície do globo”. Segundo Marx, foi esta exploração global que impôs um caráter cosmopolita à produção e ao consumo em todos os países, conseguindo que a indústria ultrapassasse os espaços nacionais.

 

Para o filósofo alemão, “a burguesia, durante o seu reino de poucas centenas de anos, criou forças produtivas maiores e mais colossais do que as de todas as gerações anteriores”. No fundo, Marx estava a falar da globalização, vendo-a como um fenómeno potenciador da revolução mundial.

 

Por incrível que pareça, o autor do incompleto O Capital, viveu durante as décadas de 1850 e de 1860 do dinheiro proveniente da “exploração capitalista” efetuada nas fábricas de algodão do pai de Engels, em Manchester. Foi também esse dinheiro que proporcionou a Marx, e à sua esposa, o estilo de vida burguês a que aspiravam “para bem dos seus filhos”.

 

Mas foi Lenine quem começou a desbravar caminho para o triunfo das ideias de Marx. Para isso, em vez de divulgar os grossos livros do mestre que ninguém lia, usou o trunfo do panfleto político.

 

Em Imperialismo Fase Superior do Capitalismo, Lenine alega que, tendo o mundo mudado desde os dias de Marx, a teoria também tinha de mudar.

 

Por isso, Lenine decidiu atacar. Levou a cabo um golpe de estado bolchevique contra o que era o sentir da maioria do povo e até dos seus camaradas. E condescendeu mesmo em assinar o humilhante tratado de paz de Brest Litovsk.

 

Sucedeu-lhe Estaline, o expoente máximo da política externa dualista, pois chegou a assinar um pacto de não agressão com Hitler, afrontando todas as “verdades” instituídas pelos marxistas-leninistas. Nunca a história tinha registado ato tão vil entre dois ditadores tão brutais.

 

Sucedeu-lhe Nikita Khrustchov, que tentou tornar a sua pátria parecida com o capitalismo americano.

 

Seguiram-se algumas múmias até ao aparecimento de Mikhail Gorbatchov, um reformista impaciente, que decidiu abandonar o dualismo pragmático. As suas grandes reformas originaram o desmantelamento da velha ordem soviética sem, no entanto, ter uma ideia concreta de como a substituir.

 

Em 2017, a Rússia faz parte integrante da economia global, apesar de evidenciar uma versão do capitalismo oligopolista e inerte.

 

Vladimir Putin, apesar de não ser comunista, considera que a Rússia, tal como nas eras czarista e soviética, necessita de uma liderança autocrática para não cair na anarquia.

 

Apesar disto tudo, o dilema de Marx mantém-se. De um lado, assistimos à fecundidade do capitalismo global na criação de riqueza. Do outro, é visível a redução do trabalhador a um pequeno fragmento de pessoa que arrasta atrás de si as promessas de uma vida instável, sem futuro e com um salário que chega à justa para sobreviver. Quando chega.

 

João Madureira

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Domingo, 18 de Fevereiro de 2018

O Barroso aqui tão perto - Morgade

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A nossa aldeia de hoje no “Barroso aqui tão perto” é Morgade, aldeia e sede de freguesia no limite de terras da chã, do Barroso da Chã, e entenda-se esta chã por aquilo que o termo significa, ou seja, o de chão plano ou extensão plana de terra, porque de facto, as terras de Morgade assim eram até à chegada da Barragem do Alto Rabagão ou dos Pisões, que lhes invadiu com água os seus chãos mais baixos e planos, ainda hoje bem visíveis quando a cota de água desce na Barragem.

 

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Para quem não sabe onde fica Morgade, já ficou a dica de ficar em terras da Chã, mesmo à beirinha da barragem dos Pisões, mas vamos ser mais precisos e traçar o nosso habitual itinerário a partir da cidade de Chaves.

 

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Pois para ir até Morgade, como quase sempre, temos várias opções. Vamos ficar por duas, com a mesma distância, 37Km,  e aconselhar uma. A opção que aconselhamos, por ser mais rápida e melhor estrada é a da estrada de Braga, a EN103, com partida de Chaves e depois é só seguir por ela até ao Barracão. Aqui podemos abandonar a EN103 e tomar a EM525 que nos levará até Morgade, no entanto recomendo continuar pela EN103 até à Aldeia Nova do Barroso, e aí sim, abandona-se a EN103, ficamos com a Barragem dos Pisões à vista e logo a seguir é Morgade. Fica o mapa com o itinerário.

 

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Em opção ao anterior trajeto, temos a estrada do S. Caetano (EM507), via Soutelinho da Raia, depois Meixide e aqui, no final da aldeia a estrada bifurca, uma via Vilar de Perdizes e outra via Pedrário e Sarraquinhos. Opta-se por esta segunda via, mesmo porque a outra, atualmente está cortada por motivo de obras. Seguimos então para Pedrário e Sarraquinhos. Aqui vira-se em direção a Zebral, passa-se ao lado de Cortiço e logo a seguir temos o Barracão. A partir de aqui entramos na parte final do itinerário que aconselhamos, traçado no mapa. A distância em ambos os itinerários é de 37Km, como atrás referido, mas o primeiro, embora menos interessante, é mais rápido e com melhor estrada.

 

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Morgade é assim uma das aldeias ribeirinhas da Barragem dos Pisões, ou quase, pois entre a aldeia de Morgade mais antiga e a Barragem, existe a Aldeia Nova de Morgade que adotou o topónimo de Criande. A placa à entrada da aldeia está pintada de branco, escondendo-lhe o nome lá inscrito, mas nota-se que é Criande o que por lá está gravado. É notório que há ali uma questão mal resolvida entre Morgade e Criande, polémica na qual não quero entrar e nem sequer tenho esse direito. Aliás Criande, além desta referência, não será hoje aqui abordada. Está reservada para um futuro post mais alargado onde irão entrar todas as aldeias novas do Barroso, fazendo-se um pouco da sua história.

 

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Mas seja qual for o conflito existente entre Morgade e Criande, se é que existe, a verdade é que oficialmente Morgade é a sede de freguesia de 4 localidades, onde se conta a própria aldeia de Morgade, a de Carvalhais, Criande e Rebordelo.

 

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Embora Morgade calhe com frequência no nosso itinerário de visitas ao Barroso, a verdade é que para fazemos a recolha fotográfica da aldeia, só lá parámos 2 vezes, ou vez e meia, pois na primeira abordagem (em 2014), estávamos nós no largo da igreja e alguém da aldeia nos falou da capela de S. Domingos e das vistas que desde lá se alcançavam. Não resistimos à provocação/tentação e depois de termos feito duas ou três fotos da igreja, encartámos as máquinas e bota para o alto de S. Domingos, onde confirmámos as tais vistas anunciadas.

 

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CAPELA E ALTO DE S. DOMINGOS – IMPERDÍVEL E IMPERDOÁVEL

Desde já o Alto de S. Domingos é mesmo imperdível, ou melhor, é de visita obrigatória pois as vistas desde lá se podem lançar são mesmo imperdíveis. Vistas sobre toda a barragem, mas também sobre os mares de montanhas de onde se avistam as serras mais importantes do Barroso, como as Serras do Larouco, do Gerês, do Barroso da Mourela e outras das quais não sei o nome. No livro “Montalegre” no capítulo “Festas”, a de São Domingos é uma das que destaca, precisamente pela sua envolvência paisagística.

 

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Nas Memórias Paroquiais de 1758 também Morgade já era referida pela Capela de S. Domingos e o 4 de agosto, onde o povo ia em romagem e no seu dia se celebra a festa com romeiros de várias partes. É aqui que entra o IMPERDOÁVEL, por dois motivos. O primeiro é por mea-culpa por ter lá estado e não ter registado em fotografia a capela. O segundo motivo do IMPERDOÁVEL tem a ver com a razão porque não fiz a tal fotografia. Geralmente nunca fotografo aquilo que não gosto, foi o que lá aconteceu, não pela capela, que embora simples e pequena, tem toda a dignidade de uma capela e a beleza da sua simplicidade, mas pelo seu enquadramento em que é impossível não vermos o mamarracho que construíram junto a ela. Sei com quase toda a certeza que aquele mamarracho foi construído com todo o amor e carinho, possivelmente a expensas do povo de Morgade e dos romeiros, provavelmente até com o suor do povo de Morgade, e que terá uma finalidade nobre ou necessária, mas tudo isso não desculpa nem perdoa o mamarracho que lá está, inestético e a roubar o brilho que capela e o alto mereciam ter.

 

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MORGADE - POPULAÇÃO

Olhando para a evolução da população da freguesia de Morgade ao longo dos tempos, pelo menos desde que existem dados dos CENSOS, verifica-se um comportamento dentro do normal mas um pouco atípico, ou seja, demonstra o mesmo comportamento que as restantes freguesias do interior Norte de Portugal, com a população a aumentar até ao ano de 1960, e a diminuir a partir de aí. No entanto quase todas as freguesias verificam uma descida mais ou menos considerável nos CENSOS de 1920, explicada e justificada por um conjunto de fatores, como o foi a mortandade provocada pela gripe espanhola (a pneumónica) de 1918/1919 (60 mil mortos em Portugal), a I Grande Guerra com 10 mil mortos e um pequeno boom de emigração para o Brasil e Estados Unidos. Pois acontece que na freguesia de Morgade, no CENSOS de 1920 apenas perde 30 pessoas em relação ao CENSOS anterior de 1911.

 

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Desde 1864 a 1930 a população da freguesia de Morgade variou entre os 279 e os 386 habitantes, verificando-se uma linha de tendência de subida uniforme.  A diferença em relação às restantes freguesias dá-se a partir de 1930 e vai até 1960 em que a população subiu vertiginosamente, passando de 386 habitantes em 1930, para 811 em 1960. Inicialmente fui levado a pensar que este acréscimo de população se deveria à construção da Barragem dos Pisões, onde chegou a concentrar 15.000 pessoas na sua construção, no entanto descartei essa hipótese porque a barragem só começou a ser construída em 1958. Ao que se deve este fenómeno de uma subida tão vertiginosa da população? – Pois não o sei, mas mais difícil de explicar é ainda a descida de população, quase a pique, entre os anos de 1960 e 1970 em que a população desce dos 811 habitantes de 1960 para os 451 habitantes de 1970. Embora a descida de população entre 1960 e 1970 também tenha uma explicação em geral, com o primeiro boom de emigração para a europa e a guerra nas colónias, não justifica no entanto uma descida tão acentuada. Alguma coisa me escapa, pois, deve haver uma justificação. Já nos CENSOS seguintes, entre 1970 e 2011, nada a assinalar, pois verifica-se a tendência do decréscimo da população como nas restantes freguesias, com Morgade a atingir o seu mínimo de sempre (desde que há CENSOS), no ano de 2011 com apenas 228 habitantes. Saliente-se que são números da freguesia, ou seja, é toda a população de 4 localidades - Carvalhais, Criande, Morgade e Rebordelo.

 

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Quanto às nossas impressões pessoais sobre Morgade, verificámos ser uma aldeia que se desenvolve ao longo de um arruamento principal, tendo neste, dois largos de alguma importância e ambos ligados a um “serviço” comunitário da aldeia, o primeiro largo, logo à entrada da aldeia é onde se localiza a igreja, bem interessante por sinal, seguindo a arquitetura de outras da época com torre sineira dupla separada da igreja (em frente à entrada principal.

 

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O segundo largo da aldeia, é onde estão localizados um fontanário, tanque e bebedouro públicos, onde é notória a intervenção nova do tanque e bebedouro. Ainda neste largo existem umas alminhas que com a colocação (mais recente) de uma cruz no seu topo passou a alminhas/cruzeiro. Quanto ao casario é o típico nesta parte mais a Norte do Barroso, maioritariamente construções simples, com alguns abandonos e ruinas pelo meio.

 

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Quanto às nossas pesquisas encontrámos na página oficial do Município de Montalegre na internet algumas informações sobre a freguesia de Morgade:

  

"Andou muitos anos anexada, bem como Negrões, à; freguesia da Chã; as três constituíam uma Comenda do Convento de Santa Clara de Vila do Conde. O fortalecimento das regras primitivas e da reforma contra a lassidão em que haviam caído os frades, levados a peito, ao longo do século XVI, originou um grande movimento de apoio das populações, no plano espiritual e no plano material, que as levaram a construir mosteiros e capelas. Vem daí a devoção dos morgadenses a São Domingos de Gusmão, revelada na edificação da sua capela e dos vilapontenses que lhe dão lugar de honra no altar-mor da sua Igreja. Era o comungar desta gente barrosã com os princípios da pobreza voluntária dos monges pregadores, também chamados mendicantes, os frades dominicanos (e os franciscanos) cuja glória mais significativa foi São Tomás de Aquino. E já que falamos de Santos não ficava nada mal – era até um acto de justiça – que os de Carvalhais devolvessem à sua Capela o orago primeiro que foi São Tiago, conforme muito bem expressa a nossa variante barrosã da belíssima lenda dos Sete Varões Apostólicos."

 

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 Onde tem também outras informações sobre a freguesia:

  • Área: 21.2 km2
  • Densidade Populacional: 10.8 hab/km2
  • População Presente: 230
  • Orago: São Pedro
  • Pontos Turísticos: Capela de São Domingos(Morgade) e Casas (Carvalhais).
  • Lugares da Freguesia(4): Carvalhais, Criande, Morgade e Rebordelo.

 

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No livro Montalegre também há algumas referências à aldeia de Morgade e freguesia:

 

“Das ermidinhas, que o estro de Junqueiro abençoa, destacamos quer pela beleza paisagística do local, quer pelo encanto do conjunto “Construção humana e Natureza envolvente”: Nossa Senhora das Neves (São Lourenço) e São Tiago (Fafião), na freguesia de Cabril; Senhor do Alívio, em Salto; Senhora do Monte (Serra do Barroso); São Frutuoso (Montalegre); Santo Amaro (Donões); Santa Marinha, em Vilar de Perdizes; S. Domingos, em Morgade; Nossa Senhora de Galegos, no Cortiço (Cervos); São João da Fraga, em Pitões; São Lourenço, em Tourém, e Nossa Senhora da Vila de Abril, em São Pedro (Contim).”

 

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E continua:

“São igualmente célebres por serem incomuns: o penedo do Esporão (S. Lourenço Cabril), a Laje dos Bois (Lapela-Cabril) o Penedo da Pala (Cela-Outeiro) o Penedo da Caçoila (Pedrário-Sarraquinhos) A Casa dos Mouros (Morgade), o Penedo Sagrado (Salto) A Mesa do Galo (Borralha-Salto),(…)”

 

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E ainda com:

 

"A grande rota das barragens

Vamos propor um passeio ao longo das albufeiras que se espraiam pelos vales dos rios Cávado e Rabagão. São cenários majestosos de água e serra, bem vivos nos prazeres da pesca, da vela do flyserf,  do remo, da canoagem e do esqui, ou no gosto da vitela barrosã, do cabrito,  das trutas  e das carpas.

Fixe como ponto de partida a vila de Montalegre. Saia em direcção à EN 103, Braga - Chaves, seguindo em direcção às aldeias da Aldeia Nova do Barroso – aldeia dos Colonos - Morgade, Negrões, Lamachã e Lavradas, já no concelho vizinho, para ter acesso ao grande miradouro do Vale do Rabagão, que são os “Cornos das Alturas”.”

 

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E com:

 

“As Festas

Por falarmos em festas, algumas ocorrem cada ano por toda a região. As de mais nomeada e tradição são as festas concelhias ao Senhor da Piedade, que se realizam na capital, durante a primeira quinzena de Agosto; a de Salto, à Senhora do Pranto, em 1de Agosto; a de Vilar de Perdizes, à Senhora da Saúde, a meados de Junho; as das sete Senhoras, todas elas Nossa Senhora dos Remédios, em sete localidades diferentes de Barroso, no dia 8 de Setembro, etc. Muitas delas apresentam um programa de carácter etnográfico e recreativo e realizam-se em locais de impressionante envolvência paisagística. Entre estas destacam-se: a Senhora da Vila de Abril, na freguesia de Contim; a Senhora das Neves, na freguesia de Cabril; São João da Fraga, em Pitões; a Senhora de Galegos, na freguesia de Cervos (Cortiço); o São Domingos, em Morgade e o Santo António, em Viade.”

 

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“Pelo termo de Codessoso passava um caminho medieval importante que servia diversos lugares da enorme paróquia da Chã, ao tempo das Inquirições de D. Afonso III: Negrões, Vilarinho, Lamachã, Morgade, Carvalhais e Rebordelo, Fírvidas e Gralhós, além das herdades ribeirinhas do Regavam (sic).”

 

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Na Etnografia Transmontana (II – O Comunitarismo de Barroso) de António Lourenço Fonte encontrámos as seguintes referências:

 

“Hoje na freguesia de Cervos e os de Gralhós e Morgade juntam muito o gado vacum. A partir do mês dos Santos a fins de Fevereiro, antes de entrarem nos Outonos (lameiros) cada pastor junta o seu gado com o de todos os vizinhos e todos guardam o rebanho, recolhendo à noite ao curral, na aldeia. Por todo o Barroso as ruas da aldeia ficam assim estercadas com a passagem diária de tanta fazenda (gado). Alguns estrumam as suas testadas, são as estrumeiras, para estercar as terras.(…)”

 

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Saliente-se que o “hoje” do início da citação anterior se refere a 1977, ano de publicação do livro, que, e ainda no mesmo, noutra referência que transcrevemos a seguir, o “este século” é o século XX:

“Verdadeiramente só no princípio deste século, mais concretamente na 1ª grande guerra, aí por 1914 é que as riquezas mineiras de Barroso começaram a ter interesse mundial.

 

Assim na Borralha freguesia de Salto foram os belgas, mais tarde os franceses, que vieram explorar o volfrâmio, estanho, pirite, ouro, etc. No Bessa, na zona de Morgade, Rebordelo e Carvalho tem sido explorado em maior quantidade o estanho e menos o volfrâmio. (…)

 

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Ainda do mesmo autor (Padre Fontes) na Etnografia Transmontana, I – Crenças e Tradições do Barroso, encontrámos as seguintes referências:

 

NOMEADAS DAS TERRAS E GENTES

(…)

Pernas tortas de Vilar,

Tarouqueiros de Solveira,

Escorna cruzes de Solveira,

Da amarela de S. André,

Arreda que sou de Gralhas,

Largateiros de Pedrário,

Leites quentes do Antigo,

Ovelhas de Zebral,

Formigueiros de Serraquinhos,

Carvoeiros de Cepeda,

Financeiros de Fírvidas,

Fidalgos de Cervos,

Lobos de Negrões,

Largateiros de Morgade,

Troquistas de Torgueda

(Informou P. Domingos Barroso).

 

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E continua com as alcunhas das aldeias:

 

Travassos, terra dos abraços

Castanheira, terra da madeira

Penedones, terra dos homes

São Vicente, terra da gente

Torgueda, terra da merda

Peireses, terra dos reses

Gralhós, terra dos avós

Medeiros, terra dos peidos,

Negrões, terra dos Ladrões,

Frades, terra dos padres,

Cambezes, terra dos homens portugueses,

Montalegre, povo cigano, que muito pede,

Morgade, roubam muito e ninguém o sabe,

Meixedo, inda que vejam a morte, não têm medo.

(Informou Bento Joaquim, A. Alves de Travassos, 68 anos)

 

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E vamos agora espreitar o que se diz na “Toponímia de Barroso” a respeito da nossa aldeia de hoje:

 

"MORGADE

É o genitivo do nome pessoal germânico Mauregatus. Assim, uma “VILLA” Mauregati > Mourgade > Moorgade > Morgade, em:

- 1258 « de villa de Morgadi est» INQ 1518 donde se vê que no século XIII já só faltava “abrandar” o i em e — o que acontecia já na pronúncia."

 

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Na “Toponímia Alegre” mais duas achegas:

 

“Quem andou sempre topou:

Um cão de caça na Vila da Ponte,

Um ladrão em Morgade,

Uma lebre em Covelo do Monte

E uma puta em Viade.

Toda a vida se ouviu dizer

Quem sempre terá de haver:

Um cão de caça nas Alturas,

Uma lebre em Morgade,

Um puta em Parafita

E um ladrão em Viade."

 

1600-morgade (13).jpg

 

E ficamos por aqui, mas antes ainda deixamos como sempre as referências às nossas consultas. Quanto aos links para as anteriores abordagens às aldeias e temas de Barroso, passaram a estar na barra lateral deste blog. Se a sua aldeia ou a aldeia que procura não está na listagem, é porque ainda não passou por aqui, mas em breve passará.

 

BIBLIOGRAFIA

 

BAPTISTA, José Dias, (2006), Montalegre. Montalegre: Município de Montalegre.

BAPTISTA, José Dias, (2014), Toponímia de Barroso. Montalegre: Ecomuseu – Associação de Barroso.

FONTES, António Lourenço, (1974), Etnografia Transmontana, I — Crenças e Tradições de Barroso. Coimbra: Edição do Autor.

FONTES, António Lourenço, (1977), Etnografia Transmontana, II — O Comunitarismo de Barroso. Minerva Transmontana – Vila Real: Edição de Autor.

 

WEBGRAFIA

 

http://www.cm-montalegre.pt/

 

 

 

 

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Sábado, 17 de Fevereiro de 2018

Loivos - Chaves - Portugal

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Hoje puxamos o garabelho e abrimos as portas à aldeia de Loivos, plantada à beira da veiga da Ribeira de Oura que começa aos pés de Escariz, passa pelo Seixo, encontra-se com Loivos, continua para Vila Verde de Oura, estende-se até Oura, estreita em Vidago, alarga-se em Arcossó e perde-se no Rio Tâmega. Quase tão longa como a veiga de Chaves, mas mais estreitita.

 

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Já Loivos, aldeia, é das aldeias mais larguinhas do concelho de Chaves, ou melhor, foi, pois com a modernidade do pós 25 de abril não cresceu tanto como as aldeias da proximidade da cidade. É, esta também é uma das verdades da democracia, que não só trouxe melhores condições de vida como também incentivou o êxodo do mundo rural.

 

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A aldeia de Loivos também foi uma das que foi traída por estes novos tempos e que, como quase todas as aldeias do interior, acabou por sofrer dessa maleita do despovoamento, Loivos, que a meu ver era uma das aldeias mais desenvolvidas do concelho de Chaves, servida por estrada nacional e estação de comboio (quando o havia), para além de ser uma animada, não fosse ela terra de músicos.

 

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E embora as imagens de hoje tente abordar um pouquinho de tudo que Loivos tem, o que em sete imagens é sempre impossível, mas complementam um pouco dos posts anteriores dedicados à aldeia. Embora tentemos fazer essa abordagem, dedico o resto das palavras à música, à sua banda filarmónica e aos seus músicos, que estão fartos de dar provas da sua qualidade. Palavras que lhes dedicamos, mas que fomos roubar ao site das bandas filarmónicas

 

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Fundada em 1826, a Banda Musical de Loivos tem vindo a desenvolver, ininterruptamente, uma ação promotora da música numa região que desde há muito tempo tem vindo a ser desconsiderara no que toca à qualidade musical que apresenta. Não obstante este facto, a Banda Musical de Loivos sempre se pautou por ser um polo de aglutinação de jovens e menos jovens, assumindo muitas vezes um papel de relevo na integração social dos habitantes de Loivos e aldeias vizinhas. Ao longo dos quase dois séculos da sua existência, a BML soube construir uma reputação de qualidade, entrega e paixão pela música, potenciando os parcos recursos que foi tendo à sua disposição, ao longo dos tempo, ao ponto do nome da aldeia que a alberga ser sinónimo de “música” e de “músicos” na sua região. Realiza regularmente concertos na sua região e é uma presença assídua nas festas e romarias, tendo sempre recebido críticas positivas por parte do público. Contou sempre com Diretores Artísticos abnegados e com espírito de missão que pautaram sempre o seu trabalho pela evolução musical da BML, sendo de registar alguns nomes importantes na história da BML, tal como os Maestros Francisco Gomes (anos 30 e 40), José Rodrigues “Carriço” (anos 50 e 60), José Maria (anos 80), José Lourenço Costa (anos 90), entre outros, que, pela sua longevidade frente à BML, deixaram construídas as bases para a banda de hoje.

 

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Atualmente, a BML é composta por cerca de 60 elementos, na sua maioria jovens, que conciliam a sua vida profissional e académica com a atividade musical nesta banda. Embora seja uma banda bastante jovem na sua composição, conta nos seus quadros com jovens músicos em formação no seu instrumento, fruto de uma aposta forte da BML na formação dos seus músicos como único meio para a evolução da banda e consequente afirmação num panorama musical mais alargado, através de protocolos com escolas de Ensino Artístico Especializado como através da sua escola de música onde jovens dão os primeiros passos no mundo da música, ingressando, mais tarde, no corpo da própria banda.

 

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Em 1999 gravou um disco cujos temas ilustram o trabalho desenvolvido pela Banda. Este trabalho visava registar e perpetuar, pela primeira vez, o resultado da dedicação e arte – com todas as limitações que este termo implica para quem apenas é amante da música sem, todavia, esquecer a pesada herança que uma organização quase bicentenária, como é a Banda Musical de Loivos, carrega e tenta legar às gerações presentes e vindouras.

Atualmente e desde Novembro de 2012, a BML tem como Diretor Artístico o Maestro Luciano Pereira que iniciou o seu percurso na BML com apenas 11 anos e natural da aldeia de Loivos, tendo iniciado uma nova etapa da sua contínua evolução, tendo como diretrizes a formação dos seus elementos, a abertura da Banda a novas realidades musicais e, acima de tudo, o respeito pela herança de dois séculos de heróis que mantiveram a BML sempre no caminho do progresso e da qualidade, sem nunca esquecer o meio envolvente e as pessoas que a ajudaram a construir, ano após ano. Dentro deste espírito de trabalho, a BML teve já o prazer de se apresentar em concerto no Festival “Filarmonia ao mais Alto Nível”, em 2013, tendo obtido uma critíca bastante favorável por parte do público.

Em 2015 concorreu na 2ª Secção do II Concurso Internacional de Bandas “Filarmonia d’Ouro”, tendo sido laureada com o 2º Prémio.

Para saber mais sobre a Banda Filarmónica de Loivos, clique aqui.

 

 

 

 

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Sexta-feira, 16 de Fevereiro de 2018

O factor Humano

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Ao contrário do prometido, na crónica anterior, adiamos a reflexão sobre os jovens médicos para próximo mês. Fica uma reflexão sobre a escrita.

 

Sobre a escrita

 

Ás vezes começar a escrever é como rodar a chave de um carro velho, dando à ignição. Se a bateria descarregou, responde-nos o silêncio. Uma página em branco, um falhanço. Mas ainda um espaço aberto ao futuro, cheio de liberdade para usar, nosso.

 

Mais difícil é tolerar tudo isto, se estamos com pressa e se cremos a viagem como indispensável. Ou será que quando a página não se povoa de caminhos novos, é sinal que a tal viagem não era assim tão urgente, tão indispensável?

 

Outras vezes, não responde o silêncio ao virar da página e ouve-se uma sucessão de ruídos, não estranhos porque já conhecidos. Qualquer coisa entre um respirar ofegante e um desengasgar. Por uns longos segundos temos a expectativa de que a isso se seguirá o ruído mais monótono e tranquilizador do velho motor a funcionar em pleno. Então, jorram as palavras da ponta da caneta, como quando termina o verão e a sua sequia, com as primeiras chuvas de Outubro. O carro escreve por aí fora, desejando nós que não seja agora a falta de combustível a condicionar a viagem.

 

Vamos indo, sem já nos lembrarmos se o passeio era urgente. Juntamos as palavras, às vezes olhamos para a paisagem, outras chegamos ao destino, sem memória dos locais por onde passámos, das gentes ou das coisas que vimos. Ou melhor podíamos ter visto, pois elas estavam lá, mas se os nossos olhos as miraram, não as transmitiram ao cérebro ou não chegaram neste à zona da consciência.

 

Nunca saberemos se algo que não chegou à consciência pode vir a alojar-se na memória e aí estacionar, num movimento contínuo que a mantenha viva, mesmo se ninguém alguma vez tenha sabido que existiu.

 

Ou será que são também essas estranhas memórias que nos ajudam na viagem seguinte, disfarçadas de imaginação?

 

Manuel Cunha (pité)

 

 

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Rua das Longras - Pormenores

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Hoje vamos fazer uma breve passagem pela Rua das Longras, sem grandes comentários, apenas dizer que é uma das ruas que hoje vive na sombra da cidade.

 

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Talvez os mais jovens não entendam as minhas palavras, mas os da minha geração e mais velhos, pela certa que as entendem. Uma rua cortada a meio pela modernidade, onde a metade resistente,  é apenas uma das vítimas do betão que entrou pela cidade histórica adentro sem sequer pedir licença.  

 

 

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Quinta-feira, 15 de Fevereiro de 2018

O Duque é nosso

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Este senhor da estátua era D. Afonso, filho do rei D.João I que casou em 20-10-1401 com D. Brites, filha de D. Nuno Álvares Pereira que, como dote de casamento, doou ao jovem casal todas as terras a Norte do Rio Douro.

 

Após o casamento que se realizou em Lisboa, D .Afonso e D. Brites rumaram até à vila de Chaves onde fixaram residência, por cá ficaram, tiveram 3 filhos (D. Isabel, D. Afonso e D. Fernando). D. Brites acabaria por falecer em 1412 e D. Afonso retirou-se para Barcelos.

 

D.João I, receando uma invasão castelhana em 1419, já depois do tratado de paz com Castela, encarregou seu filho, o Conde D. Afonso, de ir para Bragança, a fim de impedir os invasores e defender o Reino.


Em 1442 é fundada a Casa de Bragança, cujo primeiro representante era D. Afonso, filho legitimado do Rei D. João I, 8.º Conde de Barcelos e, a partir deste momento, 1.º Duque de Bragança.

Teria sido por esta época, após 1442, que D. Afonso quis educar e disciplinar o povo, fundando a Confraria da Nobre Cavalaria de Santiago, em Bragança e Confraria da Nobre Cavalaria de S. João Baptista, em Chaves. Viveu D. Afonso as suas últimas décadas na vila de Chaves. A sua vida teve termo, em dia desconhecido do mês de Dezembro de 1461, tendo sido sepultado na Igreja Matriz de Chaves, Mais tarde os seus restos mortais foram transladados para o novo Convento da Veiga:

Viveo noventa e hum annos, foi fepultado em fepultura raza na Capella maior da Igreja Matriz da dita Villa, e dalli foi transladado para o noffo Convento da Veiga, fendo ainda de Clauftraes, e colocado em nobre maufoleo na Capella maior da Igreja á parte do Evangelho; e quando viemos para o fítio, onde hoje eftamos, trouxemos os feus offos com o mefmo maufoleo para o Convento novo (de N.ª S.ª do Rosário ou S. Francisco)".

Santiago, Dr. Francisco de – Chr sa Santa Prov. Nª Sª da Soledade

 

Estiveram os seus restos mortais sepultado em Chaves quase durante V Séculos, mais precisamente até ao dia 26 de setembro de 1942, dia em que “pela calada da noite”  nos foram roubados e levados para a Igreja de S.Agostinho em Vila Viçosa.

 

E mais uma vez pergunto eu:

 

Se o Homem era o dono disto tudo, adotou Chaves como sua terra, cá viveu com a sua mulher, cá teve os seus filhos, cá morreu e quis ser sepultado, onde de facto esteve durante 500 anos, porque raio, em plena ditadura nacional foi parar a Vila Viçosa?

 

Não seria tempo de se fazer justiça e exigir o seu regresso a Chaves?

 

 

 

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A pertinácia da informação

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O Carnaval não é para brincadeiras

 

Hoje tinha programado falar de eventos culturais, pois considero que as atividades culturais de um município que envolvem toda a comunidade devem contribuir para promover algo de educativo, num contexto festivo, certamente, mas que não esqueça aspetos culturais, identitários da História local, por exemplo.

 

Assim, queria falar de Carnaval e explicar porque acho que o Carnaval não é para brincadeiras. Sou a primeira verificar que há imenso trabalho envolvido na conceção, organização e realização de eventos como o Desfile de Carnaval realizado pelas escolas e associações em parceria com uma Autarquia. Mas, precisamente por saber desse esforço da parte de todos os intervenientes, gostava que este tipo de eventos fosse mais produtivo no sentido da verdadeira envolvência de toda a comunidade para o efeito que serve: a cultura, e já agora que seja algo identitário.

 

Eu não abordo sempre o mesmo assunto porque sim, nem porque o fui beber a algum sítio e não sei mais que dizer! Falo de cultura identitária porque acho que é isso que nos faz ter raízes, e como já expliquei inúmeras vezes, numa época em constante movimento e transformação precisamos de um referencial uno e forte que não nos deixe perder, num emaranhado de informação e num mundo global. Esse referencial são os valores e os princípios que nos ligam à noção e à essência de ser Humano. Só entenderemos o que é um ser humano se entendermos a nossa história, se soubermos de onde vimos, se nos aceitarmos e nos preservarmos com o que de melhor temos.

 

Educar para valores é uma obrigação de todos, com diferentes graus de responsabilidade com certeza, mas onde as atividades culturais do município, organizadas pela autarquia, escolas e associações, são uma excelente oportunidade para articular esforços entre todos e promover princípios e valores identitários.

 

Antes de começar a realizar o que quer que seja faço perguntas, e se tivesse que organizar uma atividade como um Desfile de Carnaval, com jovens e crianças das escolas e associações, perguntava: O que é o Carnaval? E o que é o Carnaval para nós, flavienses?

 

Acho que eu mesma sempre tive dificuldades em responder a essa questão. Dir-me-ão que Carnaval é para as crianças se divertirem e se mascararem do que quiserem… muito bem, concordo, também é isso. Por isso as crianças me respondem: “Se ficasse na escola a brincar com os meus amigos era melhor”. As crianças têm quase sempre razão e dizem a verdade, seria melhor para elas não apanharem frio, seria melhor para os professores, que não teriam esse trabalho, seria melhor para os pais não gastarem dinheiro e viverem com a culpa de não os poderem ir ver ao desfile… etc. etc. Eu sei do esforço que fazem os professores em participar num evento do género, será efetivamente profícuo passar noites a coser fatos para as criancinhas? Não seria melhor trabalhar com tranquilidade e com tempo, com jogo e com brincadeira certamente, valores e princípios? Como? Isto parece muito vago, não é? Mas já repararam que ninguém sabe muito bem como se brincava ao Carnaval antigamente? Se calhar não se “brincava ao Carnaval”! Como evoluiu o Carnaval ao longo da nossa História? E na nossa tradição local? Eu até acho que se calhar nós nem sabemos muito bem o que é o Carnaval! Nenhuma das minhas duas avós falava bem do Carnaval. Como é que a nossa cultura Judaico-Cristã convive com a folia do Carnaval?

 

Já habitei em sítios onde se olhasse lá para fora via foliões e barulho e fanfarras a esta hora da tarde, mas, aqui, hoje não vejo nada. Há quem tivesse aproveitado o dia para descansar, para visitar a família ou para fazer o que bem lhe pareceu. Porque se insiste em obrigar as escolas a organizar desfiles de Carnaval que acontecem em dias que nem os pais das criancinhas podem ver, pois estão a trabalhar? Eu sei, acabo de dizer algo perigoso! Politicamente, perigoso. Mas só afirmo o que muita gente também pensa. Quem ganhou realmente com isso [o desfile de Carnaval deste ano]? E volto a frisar, para quem ainda não entendeu onde quero chegar: devem certamente fazer eventos com as escolas e com a comunidade, mas que efetivamente respondam aos propósitos que servem. Que propósitos servem os desfiles de Carnaval das escolas?

 

Reparem, nós não sabemos muito bem o que é o Carnaval, no fundo parece que não sabemos muito bem quem somos e queremos fazer, mas queremos fazer coisas cada vez mais espetaculares, criativas e singulares… exatamente como se faz em todos os outros sítios. São as modas, talvez. Mas a verdade é que cada vez que que se pede a alguém “Elabore x” a tendência primeira é ir ver como já se fez “um x qualquer noutro sitio”. Mas às vezes não se olha para nós mesmos e não se acredita em nós mesmos… Portanto fazemos desfiles de Carnaval porque se fazem desfiles de Carnaval e não se acredita que seriamos felizes se não os fizéssemos. Assim, todos entram na palhaçada. É um stress e uma trabalheira absurda, sou a primeira a solidarizar-me com todos, até mesmo com o poder local, sei de vereadores cujo momento mais difícil da carreira política foi decidir se saía desfile ou não por causa da chuva que todos os anos teima em cair ou não! Vá-se lá saber porquê, o raio das condições climatéricas da nossa terra, teimam em nos deixar sempre meio apreensivos no Carnaval! Sei, ainda de professores e educadores que passam noites a coser e talvez depois lhes faltem forças para “educar e ensinar” no dia seguinte, como gostariam de fazer. Sei de funcionários diversos que se esforçam tanto e depois acham terrível vir alguém dizer mal, como estou aparentemente a dizer. Mas não estou! Estou solidária, e é por estar solidária que acho que as pessoas se deviam convencer que aquilo que não é natural e que é difícil e que causa stress… é porque se calhar não deve ser, ou então deve ser feito e bem feito. Queremos Carnaval? Então vamos estudar o que é o Carnaval. O nosso e o do mundo.

 

Vamos explicar e sem vergonha o que é o nosso Carnaval Flaviense. Vamos transmiti-lo. Vamos orgulhar-nos dele. Se chegarmos à conclusão que não temos um carnaval… assumamos que não temos, sem vergonha e sem medo. Compreendamos que factos históricos nos fizeram não ter. Através das escolas e as associações, em parceria, vamos explicar a nossa história e deixemos brincar livremente as pessoas e as crianças como queiram.

 

Queremos uma “marca”? Marca não, confesso que o conceito de marca me deixe um pouco reticente… Então digamos, queremos uma imagem e dar continuidade à imagem identitária? Então temos que abrir os olhos e ver o que temos! E não nos faltam coisas de que nos orgulhar. Façam-se eventos festivos que promovam essa imagem, que transmitam esses valores às gerações futuras… Se queremos um desfile de Carnaval, terá que ser num dia em que todos possam assistir ao mesmo. As entidades envolvidas devem poder negociar dias de dispensa ou férias para poderem participar e organizar… e com o tempo as pessoas acabarão por querer a participar voluntariamente. Um grande evento emblemático deve reunir esforços para o ser. Mas terá que ser precisamente o dia de Carnaval? Nós temos outras festas ao longo do ano! E temos festividades próprias da cidade… onde se ensina às crianças e aos jovens o que é o dia 8 de Julho? Porque se festeja o Halloween e não se cantam os reis? Porque não se conhece a lendas das duas chaves, a lenda das cinco chaves, da Maria Mantela, da Moura encantada… e porque não se dá continuidade aos eventos? Meus senhores, isto aqui não é o pequeno império dos pequenos Imperadores nem o Pequeno Feudo dos Senhores Feudais! Não brinquem com o Povo!

 

Ensinem os jovens identificar-se com a sua terra, a preservar a sua cultura e a querer ficar e lutar por um sítio melhor.

 

As tradições podem ser reinventadas ou readaptadas, faz parte da evolução… mas algo se deve manter. E lá vamos nós a Espanha, para dar exemplos, como o caso dos jovens de algumas localidades espanholas (Galegas) que embora absorvam tudo o que de bom e de mau tem a pós-modernidade, continuam a cantar a Rianxeira e frequentemente fazem parte de grupos de folclore.

 

Não sei… talvez seja amor, ou se calhar bom senso e bom gosto.

 

Lúcia Pereira da Cunha

 

 

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Quarta-feira, 14 de Fevereiro de 2018

Um dia de Entrudo fora de casa...

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Já há muito que tínhamos decidido que este ano trocávamos o Intróido galego pelo Entrudo português, mais propriamente tínhamo-nos decidido pelo do Nordeste transmontano, com preferências a cair no de Podence. No entanto tínhamos também decidido que com frio ainda lá íamos, mas com chuva ficávamos em casa. A previsão era de chuva e frio e a decisão foi de ficar em casa.

 

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Dia de entrudo, de frio e chuva em casa, é quase o mesmo que dizer mais um dia de sofá. Claro que a gastronomia do dia faz um pouco a diferença, mas após a almoçarada, então é que de certeza estamos condenados ao sofá, e depois, para ser sincero, a ementa do domingo gordo e a do entrudo, foi acontecendo um pouco ao longo das últimas semanas e o do último domingo ainda não estava bem digerido, além do mais, à família apetecia-lhe ir laurear a pevide, e  andar de cuzinho tremido todos gostam, e sem medo a frio ou chuvas, pois o popó também é um pequeno lar com as suas comodidades. Vai dai — Vamos! Pra onde!? — Logo se vê…

 

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A ideia era sair das autoestradas e privilegiar as estradas nacionais e secundárias, de preferência por terras menos conhecidas, não muito longe, nem muito perto, que desse para não levantar muito cedo e regressar a casa ainda de dia. Comer, logo se via, onde desse mais jeito. Ficou decidido ir para terras de Vinhais, entrar um pouco no distrito de Bragança, pois este nunca nos calha nos nosso itinerários obrigatórios além em muitas das suas localidades se festejar o Entrudo com caretos. Partir um pouco à descoberta do interior mais interior, e lá fomos nós com o primeiro destino em Vinhais e aí logo se veria.

 

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Chegados a Vinhais, resolvemos deixar a EN 103 e virar para o interior. Destino Macedo de Cavaleiros e aí logo se veria. E assim foi. Curva e mais curva, sem muita velocidade, pois queríamos apreciar aquilo que ainda não conhecíamos. Céu escuro bem carregado de nuvens a ameaçar chuvada, mas não passava da ameaça, já a temperatura ia variando entre os 4 e 1º, frio de rachar, mas isso era fora do popó, dentro ia-se bem. Mesmo assim não resisti ao que ia vendo e próximo de uma aldeia que dava pelo nome de Edrosso, parei o popó e fiz duas fotos cuja composição tinha aberto o apetite à objetiva.

 

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Mais uns quilómetros e a surpresa do dia – Podence e a Barragem do Azibo aparecia nas placas, ambos lugares desconhecidos para nós, além de Podence ter feito parte dos nosso planos. Já quase na hora do almoço, seriam bons locais para comer qualquer coisa. Decidimo-nos pela barragem do Azibo, passando ao lado de Podence, ao qual deitaríamos uma olhadela após o almoço. Mas na barragem só deu mesmo para umas fotos, bem fias por sinal. Onde comer, não havia. “Bota” pra Podence.

 

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Chegados a Podence, mesmo ao lado da barragem do Azibo, demos com as ruas quase desertas, sem caretos, sem entrudo, mas pelo menos não faltava onde comer, quase porta sim porta não. Perguntámos à GNR de serviço que estava na entrada da aldeia o que era feito dos caretos e do entrudo!? – E  resposta foi pronta, que a noite anterior tinha sido de festa grande, com os “casamentos” e ainda deviam estar a descasar.

 

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Quem já não descasava nessa altura eram as nossas barriguinhas a pedir alimento. Demos uma volta pela aldeia, fomos tirando umas fotos e vendo as ementas nos restaurantes improvisados. Ementa repetida em quase todos eles, e a preços acessíveis. As queixas do frio agravado por algum vento que se fazia sentir convidou-nos a entrar num desses restaurantes improvisados, ainda quase vazio, mas que aos poucos se foi compondo e enchendo. Comemos bem, obrigado! E aquecemos um pouco.

 

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Findo o comer, de novo as ruas de Podence, ainda sem grande movimento, mas notava-se que havia gente a chegar. Caretos, nem vê-los. Perguntámos de novo por eles e disseram-nos que ainda era cedo que deveriam estar a comer…  o frio continuava mas algumas fogueiras estrategicamente colocadas nos largos iam aquecendo um pouco, embora o vento fizesse com que o fumo não nos largasse. Por vontade das mulheres podíamos pensar em partir. Que não, teimei eu, sem fotografais dos caretos não abalava. E depois de mais umas voltas pelas ruas, um café e uma ginjinha, uma visita à Casa/Museu do Careto, de ouvir um pouco de música pelo grupo de serviço, de apreciar as curiosas placas que em quase todas para além da rua ou largo tinha um cometário por baixo, sempre do género “aqui existiu, ou teria existido…”  começa-se a ouvir o chocalho de um careto, depois mais outro e depois mais dois ou três.

 

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Embora poucos, já dava para umas fotos, as ruas começaram a encher, o frio continuava a apertar, e a festa iniciava-se espontaneamente onde houvesse caretos e música. Uns dançavam, outros apreciavam, outros não largavam as fogueiras, alguns ainda iam entrando nos restaurantes improvisados enquanto outros iam saindo, fotógrafos por todo o lado, televisões e a festa tinha começado.

 

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Começou para os que ficaram, nós já tínhamos a nossa dose de frio, de fumo, de caretos, de entrudo e de fotos.  Regressámos a casa, desta vez deixámos o romantismo de parte e decidimo-nos pela autoestrada em direção a Mirandela. Autoestrada  que curiosamente separa a aldeia de Podence da Barragem do Azibo.

 

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E num instante estávamos em Chaves de regresso ao lar, doce lar e que depois de um dia que até se tornou gostoso, pelo menos para mim que fiz o gosto ao dedo dos cliques. Isto das autoestradas e vias rápidas têm a desvantagem de passarmos literalmente ao lado das coisas, localidades e paisagens, sem tempo para reparar em pormenores, mas têm a vantagem de serem muito mais rápidas que as estradas nacionais e municipais.  Quanto a Podence, aguçou-nos o apetite para lá voltarmos no próximo ano, mas aí, com tempo para ficar à festa.

 

E estamos de novo de regresso à cidade!

 

 

 

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Nós, os homens

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XXI

 

Não seria justo continuar este conto sem agradecer, aqui, ao meu grande e sincero amigo, a quem surripiei a história. Ele sabe que as minhas intenções foram as melhores e por isso não me levou a mal.

Enquanto não fundarmos o MEEH, qualquer um de nós está exposto a coisas destas e isto funciona como um alerta.

Quando ele me contou esta história, a primeira coisa que me veio à cabeça foi que, afinal, aquela sua ideia de fundar o Movimento Europeu de Emancipação do Homem, se calhar, não era assim tão tola!

 

Não posso deixar também de pedir desculpa por, de alguma forma, iludir os leitores, fazendo-os pensar, desde o início, que era comigo que a história se passava.

Se fosse comigo outro galo cantava e não era o de Barcelos! Mas dizemos todos o mesmo, por isso eu até nem estranharia nada se, apesar de há muito tempo ter lido os estatutos, um dia me acontecer o mesmo! Estando vivo, calha a todos!

 

Quando ele me contou aquele jantar com o nosso amigo, em que lhe tinha feito a proposta de fundar o MEEH e ele só não lhe chamou parvo por pouco, o meu grande e sincero amigo ficou sem coragem para contar o resto: que praticamente a parte documental já estava feita. Mas continuou com a mesma ideia, porque é teimoso como um burro, e achava que isto não era propriamente uma coisa que se pudesse mandar por e-mail aos cinco melhores amigos com a garantia de ganharmos o Céu!

 

Mas eu sempre o apoiei naquela sua ideia e se há característica que eu tenha, é a de fazer o que não deve ser feito! Tolo como sou e em desespero de causa, porque sinto a dor dos outros como se fosse minha, mandei mesmo o e-mail aos cinco melhores amigos, sem garantia nenhuma de ganhar o Céu, até porque não fazia disso um projecto de vida.

 

Chamar a isto azar, é pouco. No tempo em que eles os dois se davam bem, eu tinha colocado o endereço electrónico da menina na lista dos cinco mais, a este ponto eu sentia que ela fazia parte dele!, e eis que ela recebe também o texto.

Uma merda os computadores, internet e o diabo a sete! No tempo em que eu andava na caça, nunca me enganei a disparar um tiro. Era o que se chamava cada tiro, cada melro, sempre no alvo certo. Eu estava, a olhos vistos, a perder qualidades.

O que mais me aborreceu foi a minha falta de rigor nos actos, quando eu tinha tanto com as palavras!

 

Claro que tive de lhe pedir desculpa, não a ela que me estava perfeitamente a borrifar para o que pensasse, mas ao meu grande e sincero amigo, pelo que lhe tinha feito a ele. Afinal, toda a confiança que ele tinha depositado em mim, ao contar-me toda esta história, tinha ficado abalada, pois que eu tinha posto a nu o que me tinha sido dito em confissão, e ainda por cima, ao diabo!

Mas, quando eu contei o que tinha acontecido, o meu grande e sincero amigo riu-se tanto e de forma tão efusiva que eu fiquei seriamente na dúvida se ele tinha achado graça ou se lhe estava a dar um ataque! Outro!

Quando parou de se rir, bateu-me com determinação no ombro esquerdo e disse: obrigado pá, acabaste de me fazer um grande favor!

Nós, os homens, temos destas coisas!

 

Cristina Pizarro

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Terça-feira, 13 de Fevereiro de 2018

O Entroido da Eurocidade Chaves-Verín

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Como hoje é dia de Carnaval, ninguém leva a mal – diz o povo – e se o povo o diz, então é porque é mesmo assim. É  uma espécie de dia 1 de abril, dia das mentiras, só que aqui, no carnaval,  é a verdade que se disfarça com a mentira, quer com máscaras, quer vestindo-se a verdade de careto, de matrafona, de peliqueiro ou cigarón, estes últimos os mais próximos de nós, pois são da nossa Eurocidade Chaves-Verín. Assim sendo, as imagens de hoje são dos nossos cigarróns de Verín, e entendam esta última frase também como uma frase carnavalesca, ou seja, uma verdade também ela vestida com uma mentira.

 

1600-coredoiro-17 (237)

 

Em tempos achei piada a uma frase que tentava explicar o que era a Eurocidade Chaves-Verín em que dizia “aqui somos todos galegos que vivem na mesma cidade mas em dois bairros, uns vivem no bairro do Norte e outros no bairro do Sul.”. Eu próprio acho que adotei algumas vezes, isso aconteceu quando achei também piada à ideia de Verín e Chaves serem uma só cidade, com um mesmo povo que culturalmente somos, e que cheguei a acreditar que essa cidade seria possível, tanto mais que até os senhores da Europa, que são assim uma espécie de senhores de Lisboa mas à escala europeia, numa das suas páginas oficiais da WEB diziam o seguinte: “O projeto Eurocidades procurou encontrar formas de promover os serviços e as políticas comuns em áreas como a cultura, turismo, comércio, educação, investigação e política social. Este projeto pretendeu fomentar uma colaboração territorial mais profunda e edificar uma coesão social entre as duas comunidades, ao mesmo tempo que procurou melhorar a qualidade de vida em geral das pessoas.” (in: http://ec.europa.eu/regional_policy/pt/projects/spain/eurocity-bringing-cultures-together-to-forge-lasting-bonds )

Palavras encantadoras “ políticas comuns em áreas como a cultura, turismo, comércio, educação…” . Fiquei convencido, mas tudo isto foi antes de cair em mim.

 

1600-coredoiro-17 (38)

 

Com o tempo essa dos “galegos do Norte e dos galegos do Sul” fez-me lembrar aquela anedota que pretendia demonstrar a xenofobia e racismo do apartheid  na África do Sul,  quando a professora branca que entrou pela primeira vez numa turma mista, disse: aqui não há brancos nem pretos, somos todos azuis. Uma vez que assim é, o azuis-claros sentam-se à frente e os azuis-escuros sentam-se atrás.

Pois por aqui também é tudo galego, mas cada um no seu cantinho e cada um brinca com os seus brinquedos, festas, culturas, educações, etc.  incluindo no Carnaval.

Vejamos por exemplo uma sondagem que está na página da Eurocidade Chaves-Verín:

 

sondagem.JPG

 

 

Não seria mais correto o texto dizer assim:

 

Concorda com um único hospital na Eurocidade Chaves-Verín com todas as valências médicas e especialidades?

Com apenas duas respostas: sim ou não

 

Mas para evitar guerrilhices até deveria ser assim:

Concorda com um único hospital na Eurocidade Chaves-Verín a construir na antiga fronteira, com todas as valências médicas e especialidades?

 

1600-coredoiro-17 (9)

 

Os mais atentos dirão que não, que as coisas não são assim, que até já existe um cartão de eurocidadão para mostrar aos amigos, e uma agenda cultural comum onde cada um (galegos do Norte e galegos do Sul) deixam as suas atividades individuais (que não são comuns porque não existem).

 

Tudo isto porque, ao contrário de Verín,  Chaves não tem tradição de festejar o Carnaval, e quando apareceu essa coisa da Eurocidade Chaves-Verín, cheguei a sonhar que seria possível fazer qualquer coisa em conjunto, onde Chaves também passasse a ter alguma da festa do Entroido de Verín.

 

1600-coredoiro-17 (119)

 

Eurocidade Chaves- Verín que agora também já se autointitula “Eurocidade da Água”. Para esta e para quem conhece o nosso Rio Tâmega entre Chaves e Verín,  deixo aqui um texto que há dias se cruzou comigo na internet, num grupo do Facebook “Tâmega Internacional – Natureza e Mundo Rural”  de autoria de Marco António Fachada:

 

"Durante anos sonhamos: com uma área protegida, com bosques ribeirinhos onde pudéssemos ensinar como se sabe, pelas árvores e líquenes, onde está o Norte, com moinhos reconstruídos e transformados em centro de interpretação da natureza, com o silêncio do canto das aves e o ruído das águas a bater nas pedras.


Um espaço onde pudéssemos mostrar que uma árvore morta é ainda uma fonte para a vida.


Vieram estudantes e turistas, nacionais e estrangeiros. Fomos à televisão e a congressos, cá dentro e lá fora.

Acreditámos.


Houve uma petição, assinada por (quase) todos nós. O tempo foi passando, desacreditando.


Hoje os caminhos onde víamos o sardão ou a cobra-de-escada a aquecer no cascalho, são estradas movimentadas em alcatrão.


Vieram outros, puseram novos observatórios e sinalética, mas a vegetação continua a ser destruída, a extração de areias voltou, à luz do dia, encoberta pela neblina, à luz do sol depois do nevoeiro levantar...


Parece que resta um sofá...largado, à beira da tal estrada de alcatrão, de frente para uma lagoa, sem árvores, sem aves...


Chamam-lhe desenvolvimento, eu acho que é apenas desilusão. 


Eu assumo a minha."

 

1600-coredoiro-17 (22)

 

E eu a minha!

 

 

Claro que tudo isto vem porque hoje é Carnaval e ninguém leva a mal… E com esta me bou!

 

Desculpem lá, mas gosto mais da versão barrosã de “me bou” do que da flaviense “bou-me”. Continua a ser Carnaval…. ou Entroido na Eurocidade.

 

 

 

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Chaves D'Aurora

1600-chavesdaurora

 

  1. NAMORO POSTAL.

 

Maior prova de amor entre Sidónio e Aldenora seriam as cartas que se enviaram um ao outro, pela primeira vez e foram recebidas, quase ao mesmo tempo, pelos respetivos destinatários. Ela, a pedir perdão pelas grosserias, em si deselegantes, tão indignas de uma rapariga de bom-tom e, a se valer do ensejo, repetir o quanto amava o nobre rapaz. Ele, a dizer-lhe que a amava demais e, a se valer do ensejo, reiterar que não queria perdê-la, por nada neste mundo, nem em qualquer outro que, porventura, existisse além da vida, além do tempo, além do Universo.

 

Veio a se estabelecer, então, uma “via romana” postal entre Aquae Flaviae e Bracara Augusta, pela qual iam e vinham versinhos, citações e juras de amor eterno, em longas e esmeradas missivas, com as mais bem desenhadas caligrafias. As cartas preferidas eram aquelas em que ele, próximo aos feriados, anunciava que viria a Chaves para rever os familiares e a noiva, esta com quem tanto ansiava constituir, o mais breve possível, a sua nova família.

 

A primeira vez em que Sidónio apareceu de volta ao Raio X, com sua capa e batina, foi um “ai-jesus” geral. De Arminda a Zefa, todos queriam ver o académico de Braga. Até mais do que Nonô, quem se encantava com o uniforme do noivo era o mano Afonso, ávido de ver chegar também o dia de se revestir com uma batina igual. O rapaz não cansava de perguntar ao futuro cunhado sobre a vida universitária bracarense, pois, ao seu modo de ver, esta não deveria ser muito diferente, ou até mesmo aquém, das aventuras juvenis que ele sonhava experimentar em Coimbra.

 

A pedido de Aldenora, os noivos foram ao Estúdio Flavínia para tirar um retrato especial. Ela, com o seu melhor vestido domingueiro. O noivo, ora, pois, de capa e batina.

 

 

  1. ÉCRAN.

 

A um dia invernal de janeiro, mas infernal para as ânsias de Aurora, Hernando reapareceu. Por um feliz acaso, a rapariga estava à janela e ele, chegando a cavalo, estendeu-lhe a mão, envolta na luva cor de morcela e perguntou se, àquela altura, ela estava sozinha. Trocaram então breves palavras, suficientes para que ele dissesse que, à fina força, desejava revê-la. Aurora, contudo, não via onde, nem como, isso haveria de acontecer.

 

Aproveitou-se, porém, de um repentino “cair dos céus”. Alguns dias depois, a adorável Hortênsia, que raramente adoecia, estava agora acometida de uma artrose que lhe causava grandes sofrimentos. Aurélia, sua afilhada e a quem a tia tratara durante a Pneumónica, logo suplicou para se desobrigar da boa ação, por se dizer tomada de pânico, ante a possibilidade de esse mal ser contagioso.

 

Aurora já fizera 21 anos e, portanto, já era emancipada. Lei essa apenas na teoria, porquanto, nas práticas da Grão Pará, isso não era levado a sério por seu pai. A rapariga, no entanto, valeu-se dessa prerrogativa para se oferecer, junto com a Zefa, a representar Lilinha e Mamã numa visita à tia Hortência e, até mesmo, prestar alguns cuidados à boa senhora.

 

Após muito cavaquear e mimar um pouco a tia, esta dormiu e a rapariga, deixando Zefa a tagarelar com a criada da casa, pediu à de Pitões que lhe desse a cobertura estratégica para se encontrar no cinema com uma amiga, menina que conhecera ainda nos tempos da Primeira Comunhão. Zefa custou a concordar – Credo em cruz, Santo Nome de Jesus! Gostava, boamente, de estar sempre a fazer o que a menina me pede, mas isso agora… nem me rogues, Aurita! Cuida que o senhor teu pai… ai, menina, em vez de miolos, parece que tens “aranhas no toitiço”! – mas a criada acabou por dizer sim. Sempre atendia, sorrindo, a tudo que, a choramingar, a rapariga lhe pedisse.

 

“Nas garras do dragão” era o filme de aventuras e mistério, em 12 séries e 24 partes, que estavam a levar no Teatro Salão Maria e que muito agradou a Hernando e Aurita. Em algumas cenas, porém, menos atraentes, Camacho aproveitava para roubar da menina alguns beijos, cada vez mais ousados, ao que a rapariga pedia – Para, Hernandito! Não vamos colocar “a carroça adiante dos bois”! – e era salva, então, pelos sustos que ambos tomavam, quando o sexteto que estava a acompanhar as ações na tela tocava alguns acordes mais agudos e bombásticos.

 

Quando apresentaram o filme “Foot-ball Portugal-Hespanha”, deu isso origem a que os namorados tivessem a primeira briguinha, embora nada grave. É que Aurora sentiu-se um tantinho desconsiderada, durante toda a projeção, uma vez que o amado só tinha olhos para ver o que se passava no écran. Pazes feitas, marcaram outro encontro, dessa vez no Cineteatro Flávia, onde estavam a projetar a película de grande sucesso “Aos Corações do Mundo”, baseada em eventos da Grande Guerra. Prometeu-se mutuamente que, dessa vez, ficariam apenas a assistir o filme. Hernando, porém, acrescentou – Sempre se pode palear baixinho, nas partes menos atraentes... – ao que ela, por uma prudente lembrança de que, a cada mudança de rolo das fitas, acendiam-se as luzes, respondeu com firmeza – Melhor esperar os intervalos.

 

De meados do outono ao começo do inverno daquele mesmo ano, em um cinema ou no outro, enquanto perdurassem as dores de tia Hortênsia ou a rapariga as fizesse perdurar ante os ouvidos de Mamã, Aurita e Hernando viram no écran “Amor de Mãe”, em 7 partes; “Extravagância de milionário”, 5 partes; “Pencudo – Porteiro e Patriota”, cómico, 2 partes; “Matias Sandorf”, adaptação do romance de Jules Verne, em 9 capítulos e 4 partes; “A Herdeira do Rajá”, em 4 episódios e 8 partes e “com a insigne actriz Ruth Roland”; “a esplêndida fita em 6 actos ‘Ferragus, o chefe dos 13’, versão em film do romance de Honoré de Balzac”; e outros mais.

 

Aurora ficava bem triste ao perder a sequência dos filmes longos, que eram exibidos de forma seriada, em dois, três ou até mais dias, como “a grande fita histórica ‘A filha da Condenada’, 16 séries, 32 actos, com 32.000 pessoas em cena”; “O Imperador dos Pobres”, “cine-drama em 18 séries e 36 partes, que reproduz os mais notáveis acontecimentos da vida de Napoleão Bonaparte”; ou “A Bela Desconhecida”, “em 4 jornadas e 16 partes”.

 

Em todas as sessões, a fazer o acompanhamento musical das cenas, ou durante os intervalos, para a mudança de rolo das fitas, estava sempre a animar, com belas peças musicais, o apreciado Sexteto de Chaves. Exibiam-se ao vivo alguns artistas eventuais, em danças ou intermezzos cómicos, como no dia da apresentação de “Os Mistérios de Paris”, extraído do romance de Eugéne Sue, em que “os intervalos foram abrilhantados pela famosa cantora e coupletista espanhola Nita Ibañez”.

 

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