Terça-feira, 18 de Setembro de 2007

Chaves, Rua Direita, Comércio Tradicional e Centenário

 

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Agora que estão na moda os grandes centros comerciais e, então em Chaves, crescem mais que as couves na veiga, trago-vos aqui o comércio tradicional, um em especial, único do género na cidade,  mais que centenário, na Rua Direita, em pleno centro histórico.
 
Couros, carneiras, solas e meias solas à medida ou a olho, taxas e taxinhas a granel, protectores, brochas, atacadores, graxas pretas, castanhas, azuis ou incolores, palmilhas, cintos e carteiras, algodão preto, fio do norte, tintas (de cor), colas de madeira ou de contacto, furos e furinhos…e,
 
até um banco de tertúlias por onde, ao longo dos tempos,  os do reviralho mandavam os políticos da situação pró caralho (1) em acesas discussões sobre a monarquia, o fim da monarquia, o início da  república, a implantação da república, a república, a 2ª república, discussões e reuniões vermelhas em tempos de Salazar que ao espreitar de um bufo ou pide era tempo de calar e contar taxas que até eram  a granel.
 
Sem dúvida alguma que este é o comércio mais tradicional de Chaves e da região, com cento e alguns tantos anos de existência, que começou como a Casa Cipriano, do Sr. Cipriano e que admitiu ao seu serviço como empregado o Sr. António Dias, nascido em 1910, quando este já tinha a adulta idade de 12 anos (1922) já em plena República, ao qual deixou o comércio e lhe deu continuação (até nas tertúlias do reviralho) e dedicou toda a sua vida e que após a morte deixa o comércio às filhas, que lhe deram continuação, até nas tertúlias do reviralho, agora democráticas, abertas e discutidas se preciso for à porta ou ao balcão enquanto se vende umas meias solas ou umas taxas a granel e até têm graxa de todas as cores e gostos.
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Também os clientes lhes são fieis, principalmente os que gostam de andar a pé, gastam solas e, gostam de trazer os sapatos ou botas engraxadas.
 
É um comércio simpático do qual sou cliente, por herança de família, desde que me lembro de existir, principalmente quando no meu tempo de liceu estavam na moda as botas de couro (cano alto) em que solas, colas e protectores faziam de cada um de nós um sapateiro. Aliás penso mesmo que todos os flavienses são ou já foram clientes desta casa.
 
Um agradecimento especial à D. Ermelinda Chaves Dias e ao seu irmão mais velho, por mais uma vez tão bem nos ter recebido na reportagem fotográfica.
 
Até amanhã, em Chaves ou por Chaves.
 

(1) – Caralho – Para quem não sabe, caralho é um termo popular usado em Chaves e em toda a região Norte para compor todo o tipo de frases. Há quem considereo termo de má educação e o transforme em carago.  No Dicionário consta como: pénis, indicativa de espanto, admiração, impaciência ou indignação.

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publicado por Fer.Ribeiro às 02:25
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12 comentários:
De Sandra Rocha a 18 de Setembro de 2007 às 09:31
Que saudades dessas pequenas lojas, infelizmente estão em vias de extinção.


De hpombo a 18 de Setembro de 2007 às 12:03
Grande texto, Fernando.


De Dinis Ponteira a 18 de Setembro de 2007 às 13:19
Simplesmente.. GOSTEI !!!!!!!!!


De hpserra a 18 de Setembro de 2007 às 16:20
Tambem gostei deste artigo, tenho é curiosidade de saber em que sítio da "minha" Rua Direita é este Estabelecimento, é que não me lembro aonde é. isto nem parece meu!!


De Fe a 18 de Setembro de 2007 às 20:03
Restos de glorias pasadas, y muy acogedoras, las dueñas y "as lojas tradicionais" hasta el olor es diferente. Tambien me confieso cliente.


De Nuno Santos a 18 de Setembro de 2007 às 22:18
Parabéns pelo texto. É curioso que ainda na minha ultima esta em Chaves, passei em frente desta loja e comentei com a minha mulher, se geraria as receitas suficientes para ainda se manter em funcionamento. Ao conhecer o seu passado, aumentou ainda mais a minha simpatia e prometo que ficarei cliente, ainda que seja para comprar graxa.
Nuno Santos


De J. Pereira a 19 de Setembro de 2007 às 11:29
Ó Beto, isto de facto não parece seu. Então esquece-se da sua rua Direita. Se não me engano fica um bocadinho abaixo das agências funerárias, quase em frente da Praça da República. E, também se não estou enganado, estas pessoas são família da mulher do Blero de Valdanta. Havia um filho do senhor da loja que era enfermeiro no exército e esteve comigo em Cabinda. É o irmão mais velho de que fala o Fernando?


De Fer.Ribeiro a 19 de Setembro de 2007 às 13:58
Caro J.Pereira.

Quanto ao Beto deve ser da PDI aliada à ausência de ares transmontanos e flavienses. Quando ao Dias, o irmão mais novo confirma que foi enfermeiro na tropa em Cambinda.

Um abraço


De J. Pereira a 19 de Setembro de 2007 às 15:50
Em Cabinda havia um grupo de flavienses que costumava encontrar-se na loja de outro flaviense chamado Antar, um solteirão já de uma certa idade e era sagrado encontrarmo-nos lá, eu, o Sargento enfermeiro Chaves (aqui referido), o tenente piloto aviador Queiroga, o soldado Alves, o cabo Alves (suponho que de Nantes), o sargento Nelson (das Casdas dos Montes), o Hernâni, o falecido Zeca Claro e mais alguns que agora não me lembro. Não sei se o senhor Antar regressou ou não, mas gostava de saber e aí o Chaves deve saber.


De António Pires a 2 de Outubro de 2014 às 19:43
Esse comerciante chamado Antar era meu tio avô e Padrinho


De António Pires a 2 de Outubro de 2014 às 19:55
Esse comerciante chamado Antar era meu tio avô e Padrinho. Quanto a ele regressou, ficando a viver com a minha avó. Também ele teve um estabelecimento na Rua Direita qu8e era conhecido pela Casa Verde onde mais tarde foi Papelaria Ana Maria


De J. Pereira a 3 de Outubro de 2014 às 08:35
Obrigado pelo esclarecimento. Já conheci, aqui em Moncorvo, o senhor que ficou com o estabelecimento em Cabinda e ele também não sabia do paradeiro do sr. Antar. Espero que tenha tido ainda muitos anos de vida. O meu irmão, que tem a casa Joaninha na rua de Santo António foi empregado dele e também do sr. Totó na rua Direita, nos anos 50
Os meus cumprimentos para si.


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