12 anos
Quinta-feira, 1 de Novembro de 2007

Um dia na feira dos Santos - Chaves - Portugal

 

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O sangue de um flaviense é feito de pequenos pormenores.
 
Nas nossas veias corre sempre um bocadinho de nevoeiro, um bocadinho de água do Tâmega, um pouco de montanhas, algum verde da veiga, um bocadinho de orgulho da história milenar, algum frio e gelo de Inverno, muito calor dos verões de inferno, o estaladiço de um pastel quente de carne, um pouco de” landainismo” e um pouco de feira dos Santos. Todas estas componentes do nosso sangue têm passado aos poucos por este blog. Mas, no dia de hoje, esquecemos todos os restantes e dedicamos o dia a um desses componentes – A Feira dos Santos.
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O curioso desta feira, para flavienses, é a de que se vai vivendo de maneira diferente conforme a idade. Em putos, o que interessa mesmo são os carrosséis. Em adolescente, uma volta (em grupo) pelos carrosséis também dá nas vistas. Mais crescidinhos, em idade casadoira, uma volta pelos Santos é sempre interessante, trocam-se de olhares, aprecia-se “gado novo” e diferente vindo de fora e no meu tempo havia os famosos bailes de Santos, que nunca se podiam perder. Constituída família, há que aproveitar os Santos para umas compras, umas roupitas para os putos, uns pijamas, uns sapatos ou umas botas, meias a 5 € a dúzia, umas coisitas para a casa, remexer nas bancas dos ciganos e aproveitar para reencontrar amigos flavienses ausentes do tempo de escola e, claro, as inevitáveis visitas aos carrosséis para sossegar o brilhozinho nos olhos dos putos. Chegados aos trintas, quarentas e anitos por aí fora, mantêm-se alguns rituais antigos e ganham-se outros. Uma “matraquilhada” para uns, umas farturas para outros, o polvo e a feira do gado para outros tantos ou um simples passeio (atribulado) pela feira. Mas nem há como vos deixar aqui o dia de um flaviense na feira, o meu, que não deve ser diferente de muitos dos da minha geração, com alguns pormenores alternativos, é claro.
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Pois aproveitada a tolerância de ponto para repor as nossas forças com mais um bocadinho de sono precioso, lá para o meio da manhã toca a arrancar em direcção à feira na companhia da mulher e da criancinha, o adolescente fica em casa, pois já não está para estas coisas (aquela idade estúpida pela qual todos passamos). Uma volta pelas barracas à procura das tais oportunidades (meias, pijamas, camisas, casacas, umas coisitas para a casa) mas sempre em direcção à feira do gado. Chegados ao gado, dá-se uma vista de olhos (sem intenção de comprar) aos bois, aos cavalos, aos burros, às albardas, aos socos, às correias, às coleiras, todo o tipo de ferragens rurais e a uma ou outra personagem mais típica ou atípica… e por aí fora, numa de fazer horas, até o ratinho no estômago dizer que está na hora de ir ao polvo à galega. Chegados ao polvo, há que optar pelo prato pequeno, médio, grande ou grande cheio, que em termos de “érios”, “ouros” ou euros, vai dos 5 aos 40 euros, pão e bebida à parte… tá caro, dizem quase todos, mas ninguém abandona a bicha, pois cai no estômago como ouro sobre azul. Um luxo e uma mãozinha mestra para temperar (polvo, sal grosso, duas variedades de pimenta e azeite) que os galegos sabem explorar e transformar numa autêntica iguaria) e uma arte que passa de geração em geração (a oitava geração de polveiros na tasca em que costumo tomar assento).
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Comido o polvo, o regresso às barracas à procura de nada, mas sempre se vai encontrando alguma coisa, principalmente amigos de todos os dias ou dos que já há muito não se vêem. Aos primeiros uma troca de “bocas” chega, aos segundos, um aperto de mão (mais apertado) ou um braço, beijinhos para as senhoras e os inevitáveis 5 ou 10 minutos de conversa para saber como vão as coisas. Chegados ao meio-fim da tarde, começam a doer os pés e as pernas e há que regressar em direcção ao carro, carregados de sacos, mão na criança e desejosos por chegar a casa para comer qualquer coisa e repor forças, onde o adolescente (sentado ao computador com os livros abertos ao lado) espera ansioso por ver os pratos na mesa.
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E parece que o dia chegou ao fim. Apenas parece, ainda há que consolar a criancinha com umas voltas nos carrosséis, pois a coitada aturou os adultos durante todo o dia e para ela, tirando os pijamas que só servem para dormir e uma ou outro guloseima, não viu carrosséis durante todo o dia. Toca a ir de novo, já noite e após jantados, a dar umas voltas pelas diversões. Afinal já todos fomos crianças.
 
Entre toda esta aventura, ainda houve tempo para tomar umas fotos (das quais vos deixo algumas) e ir apreciando um pouco da cidade à margem da feira, como as obras quase concluídas do Forte de S.Neutel ou a brilhante ideia de decorar as paredes do estádio municipal com pinturas das crianças, pena é que as ideias brilhantes morram sempre pelo caminho…
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E “prontos”, como devem imaginar o dia foi cansativo e fico-me por aqui.
 
Amanhã cá estarei de novo de regresso à cidade, já sem feira dos santos, pelo menos aqui no blog.
 
Até amanhã!
´
publicado por Fer.Ribeiro às 02:23
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2 comentários:
De ÁguasFrias a 1 de Novembro de 2007 às 14:13
Descrição perfeita de "um dia na feira dos Santos".
Afinal, quem não se revê nessa descrição?
Só quem lá nunca foi.


De Jose Goncalves a 1 de Novembro de 2007 às 15:10
Ja la vao precisamente 17 aninhos que nao vou a uma festa/feira dos Santos em Chaves. As saudades de dar umas matraquilhadas e comer as tradicionais farturas sao imensas, mas o destino quis assim.

Fico contente nos dias de hoje ter o previlegio de poder ver em imagens e texto o fenomeno Flaviense, ao qual no tempo de escola todos os "furos" eram aproveitados para dar umas voltinhas pelos carrosseis.

Cumprimentos dos States


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