Sábado, 10 de Novembro de 2007

Vilela Seca - Chaves - Portugal

 

.

 

E hoje é dia de aldeias. Vamos de novo até Vilela Seca, mas desta vez para a grande reportagem, que nunca é grande, pois no que toca a falar de um povo, ficamo-nos sempre aquém daquilo que é real e daquilo que merecem.
 
A informação nem sempre está acessível e por isso a abordagem a uma aldeia é sempre superficial, breve e vista pelo olhar apaixonado do “repórter”, pois todas as nossas aldeias têm muito para contar e para dar, mas para isso é preciso vivê-las, estar lá no dia-a-dia, falar com as pessoas, sobretudo com as de mais idade que são as que têm muitas e mais histórias e estórias para contar. Vilela Seca, pela sua localização geográfica, pela certa que tem muita coisa para contar, mas vamos ficar pela brevidade do possível e pelas imagens do meu olhar. Claro que também aqui há muito mais para mostrar.
.
.
 
Vilela Seca é sede de freguesia, a única aldeia da freguesia, com uma área de 13km2 e 322 habitantes. Fica a 12 quilómetros de Chaves e faz fronte irra com as freguesias de Vilarelho da Raia, Outeiro Seco, Bustelo e Ervededo.
 
Quanto à sua localização, fica na transição do vale de Chaves com o inicio das montanhas barrosas, mas é mais do vale do que da montanha e com a Galiza ali quase ao lado, por isso também não lhe devem ser estranhas as histórias do contrabando do tempo da existência de fronteira controlada.
.
.
 
Tem como produções mais notórias o centeio e a batata e pode ser que num futuro próximo coma rede de rega (suponho) da recente barragem construída do Rego do Milho, outras produções e outras riquezas possam sorrir à freguesia, que como quase todas se divide entre uma população envelhecida e jovens que trocam a aldeia por trabalho na cidade ou no estrangeiro.
 
 Diz quem sabe que Vilela é um topónimo que significa vila pequena, cuja origem remonta à romanização. O povo atribui-lhe a designação de Seca, pela escassez de água, que aparentemente, pelo menos pelo verde do pequeno vale, a escassez não seja assim tanta.
 
Quanto a arquitectura das suas construções, no núcleo, temos de tudo, desde o tradicional das construções típicas de pedra à vista e habitações rudimentares (maioritariamente em ruínas ou desabitadas), a um outro conjunto de casas aristocráticas, também moribundas e desabitadas. Algumas delas situadas dentro de quintas com belas espécies florais. Claro que na periferia nasceram e crescem algumas habitações novas, o típico também em todas as aldeias, pois continua a ser mais fácil e barato, construir de novo a recuperar. Infelizmente, tal como na cidade, é assim que se vai perdendo a vida e o núcleo tradicional, pois geralmente as novas moradias são isoladas, vedadas onde se perde o espírito do convívio de vizinhança. Novos tempos e novas vidas.
.
.
 
Quanto a belezas e obras de arte, saliento a da entrada do cemitério onde se ergue um artístico cruzeiro barroco datado de 1779, cuja cruz mostra numa face Cristo Crucificado e na outra a Senhora da Piedade. Diz-se que o escultor foi o mesmo que esculpiu o bonito cruzeiro de Tamaguelos, aldeia espanhola vizinha e acredito que sim, pois o cruzeiro segue todas as características dos cruzeiros galegos.
Possui uma Igreja antiga de devoção à Senhora da Assunção, encravada entre o casario e abandonada, também a meter dó. Disse-me uma simpática senhora que antigamente a igreja era pequena para os fiéis e o padre empenhou-se na construção de uma maior. Agora que têm uma igreja grande, não têm gente para a encher. Embora a nova igreja não seja de desprezar e a sua torre até marca presença, é pena que a antiga igreja fosse abandonada e desprezada, pois poderia perfeitamente ter mantido a sua dignidade, pois é bem interessante, tirando uma intervenção menos feliz na torre sineira, mas continua a ostentar um lindo relógio, que (claro) já há muito não dá horas, pois também morreu.
.
.
 
Quanto a gente ilustre, dizem-me ser a terra do major Luís Borges Júnior, pai do ilustre historiador José Guilherme Calvão Borges.
 
E por hoje vai sendo tudo. Amanhã cá estarei de novo com uma nova aldeia do nosso concelho de Chaves.
 
Até amanhã!
´
publicado por Fer.Ribeiro às 02:35
link do post | comentar | favorito
|  O que é?
11 comentários:
De Lalanesha Dasa a 21 de Janeiro de 2009 às 20:31
É estranho não haver nenhuma pessoa que faça algum comentário sobre Vilela seca será que sou o único interessado nessa poderosa aldeia onde pelos anos que lá passei via-se uma exuberante colheita em relação a outros lugarejos posso citar grandes virtudes em relação ao cultivo famílias que tinham na lavoura tudo e mais um pouco .Bem vamos esperar para ver se aparece alguma alma viva que se interesse por Vilela e assim juntaremos os esforços para revitalizar toda a aldeia.


De sylvie pereira a 16 de Maio de 2009 às 12:17
passei os melhores anos da minha vida nesta linda aldeia. ainda hoje a tenho no meu coraçao. estou longe neste momento a 2000 mil kilometros de distancia. è bem verdade que so se da valor as coisas quando ja nao as temos. sinto imenssas saudades de tudo que la passei e tambem das pessoas em especial da familia. tenho 24 anos e vivi la ate aos 16. nem que so fosse de ferias sera sempre a minha terra. um bem haja para todos os habitantes. espero que mais pessoas juntem os seus comentarios.


Comentar post

.Fotos Fer.Ribeiro - Flickr

frproart's most interesting photos on Flickriver

.meu mail: blogchavesolhares@gmail.com

.Novembro 2017

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4

5
6
7
8
9


23
24
25

26
27
28
29
30


.pesquisar

 
ouvir-radioClique no rádio para sintonizar

 

 

El Tiempo en Chaves

.Facebook

Fernando Ribeiro

Cria o teu cartão de visita Instagram

.subscrever feeds

.favorito

. Solar da família Montalvã...

.posts recentes

. Chaves, cidade, concelho ...

. Nós, os homens

. Chaves, cidade, concelho ...

. Chaves D'Aurora

. De regresso à cidade

. Quem conta um ponto...

. Pedra de Toque

. Faiões - Chaves - Portuga...

. O Factor Humano

. Fugas

. Chaves, cidade, concelho ...

. Nós, os homens

. O Barroso aqui tão perto ...

. Chaves D'Aurora

. De regresso à cidade... c...

blogs SAPO

.Blog Chaves no Facebook

.Veja aqui o:

capa-livro-p-blog blog-logo

.Olhares de sempre

.links

.tags

. todas as tags

.arquivos

. Novembro 2017

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Agosto 2005

. Julho 2005

Add to Technorati Favorites