Sexta-feira, 16 de Novembro de 2007

O lamento das Sextas

 

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Como aos Sábados vamos para uma aldeia, vou passar a deixar aqui todas as Sextas, um lamento sobre a cidade.
 
Pois o meu lamento de hoje vai para as passadeiras de peões das nossas ruas e avenidas, pois já vai sendo habitual ser-se atropelado numa passadeira em Chaves e rara é a semana em que tal não acontece. O último atropelamento, múltiplo, aconteceu há dois dias atrás numa passadeira em frente à escola do Caneiro. Desta vez foram três adolescentes de 15 e 16 anos e segundo apurei uma delas está em estado muito grave.
 
Se às vezes não passa de pernas e braços partidas que lá deixarão para sempre as suas mazelas, outras vezes há em que o atropelamento tem consequências bem mais graves e até mortal.
 
Em conversa de café, muitas vezes é abordado este temas das passadeiras, principalmente após os atropelamentos ou sustos que vamos apanhando, quer como peões quer como condutores e, acabamos por cair sempre a falar das mesmas passadeiras, porque já as temos localizadas e já as conhecemos e sabemos quais o seus defeitos. Nós flavienses ou quem conhece a cidade já conhecemos os pontos negros das passagens, mas e os de fora, os que não conhecem a cidade!? Mas nestas coisas tem que se procurar sempre um culpado e se há peões inconscientes e autênticos suicidas, também há condutores inconscientes e verdadeiros assassinos, mas também acontece muitas vezes, inocentemente e sem culpas, o peão e condutor transformarem-se em inconscientes, até suicidas e forçados culpados, pela simples razão de as passadeiras não existirem, de existirem em excesso ou serem meras e autênticas ratoeiras.
 
Ontem dediquei-me a fotografar algumas daqueles que para mim são passadeiras negras, alguns sítios onde elas simplesmente não existem ou onde sem qualquer explicação razoável existem passadeiras espaçadas de 10 ou 15 metros ou em exagero e também tive conhecimento de algumas feitas a pedido ou por conveniência. É precisamente para estas, algumas que registei e conheço (pois pela certa haverão mais), que hoje vai o meu lamento.
 
Não sei se existem registos por parte da PSP, da Câmara ou da JAE do número de atropelamentos que há nas passadeiras, a gravidade do atropelamento, as causas do atropelamento, a identificação da passadeira e por aí fora, pois seria importante identificar essas passadeiras e tomar as medidas necessárias para que atropelamentos idênticos não se repitam. Se estas entidades não têm o registo e nada se faz é pura e simplesmente lamentável que tal não aconteça. Pessoalmente, eu e grande parte dos flavienses com quem tenho conversado sobre o assunto, temos, quer como condutores, quer como peões,  esses pontos negros localizados e até conhecemos as razões de tal. Posso então concluir que se as entidades responsáveis não têm conhecimento destes pontos negros é porque não querem ou então é o costume de tudo que não passa pela pesada, complicada e demorada burocracia dos papeis, não é oficial e como tal para estes organismos o problema não existe, apenas se fala dele, e tem-se conhecimento por acaso mas não existe em papel para se poder proceder em conformidade, a não ser que o casa já seja tão escandaloso e uma televisão aproveite o sensacionalismo para tornar o caso público e aí sim, todas as entidades responsáveis, em uníssono, dizem ter levantado o devido inquérito e vão repartindo responsabilidades entre sí, pois nunca nenhuma delas é culpada.
 
Nós cidadãos também somos culpados destas situações, pois também sabemos e nada fazemos para resolver estes casos, pois não denunciamos, não conhecemos a lei e geralmente acomodamo-nos e não participamos na vida colectiva da cidade.
 
Mas vamos a alguns dos pontos negros das passadeiras da cidade e desde já deixo aqui os culpados: JAE, Câmara Municipal e PSP, pois ou desconhecem porque não é oficial ou não são cumpridas as suas responsabilidades ou até por teimosias e politiquices.
 
Começando pela passadeira da escola do Caneiro onde se deu o último atropelamento grave e onde anualmente há vários atropelamentos. Suponho que da responsabilidade da JAE. Além de servir uma escola primária, a estrada tem muito movimento. Existem semáforos que pura e simplesmente estão desligados. Existe visibilidade e policiamento à hora de entrada e saída da escola mas a meu ver o problema está mesmo no semáforo desligado, no movimento excessivo e na via dupla que se inicia praticamente em cima da passadeira, iniciando-se também aí perigosas ultrapassagens. Penso que com a abolição da via dupla e o funcionamento dos semáforos poder-se-iam evitar alguns atropelamentos e acidentes.
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Passadeiras da rotunda da Praça do Brasil. Responsabilidade da JAE (suponho, mas aqui e em todas as passadeiras dentro da cidade, embora possam ser da responsabilidade da JAE, são também responsabilidade da Câmara Municipal). Além de a maior parte do tempo estarem com a pintura imperceptível e gasta, estão perigosamente mal localizadas, pois o diâmetro da rotunda não é assim tanto para se justificar 4 passadeiras em plena rotunda, quando mesmo ao lado, nos triângulos de acesso à rotunda existem outras tantas passadeiras. Rotunda com via dupla (duplo perigo). Solução: Abolir as passadeiras da rotunda e assim se evitarem os atropelamentos frequentes em duas das passadeiras, pois as outras duas raramente são usadas.
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Passadeiras da Escola da Estação. Os perigos nascem na via dupla nos dois sentidos e no separador central ajardinado com arbustos (camélias) que tiram toda a visibilidade aos condutores. O problema já não é de hoje e até é conhecido pelo município, mas aqui penso mesmo que é uma questão de teimosia e politiquices caseiras, pois o problema seria resolvido com o abate de meia dúzia de camélias de ambos os lados da passadeira, tal como aconteceu junto à escola Dr. Júlio Martins.
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Avenida Miguel Torga (a tal da escola Dr. Júlio Martins). Aqui acho mesmo que o pecado está no excesso de passadeiras e a perigosidade do separador central e via dupla em ambos os sentidos. Não consigo compreender como em 200 metros de via há 6 passadeiras e entre algumas haver apenas uns 10 metros de distância. Aqui o problema está em convidar o peão a passar (geralmente alunos da escola e ao magote) onde lhes dá a gana, quando quanto a mim estas passagens deveriam ser concentradas no mínimo de passadeiras possível e assim ganharem mais visibilidade. Penso que pelo menos duas passadeiras estão a mais.
 
Todas as passadeiras da Avenida Nun’Alvares são um perigo e aqui parte em algumas pela sua localização, havendo uma que não tem qualquer justificação de existir, mas o mais grave está nos estacionamentos diários em cima das passadeiras. Aqui as culpas poderão ser repartidas pela Câmara Municipal quanto à sua localização e na falta de policiamento eficaz e contínuo por parte da PSP.
 
Passadeira do monumento entre o edifício Nova York e o Banco Totta. Aqui é a falta de visibilidade para os condutores que torna esta passadeira perigosa. Culpas para a Câmara Municipal e talvez RESAT, pois deveria existir um espaço de protecção à passadeira onde fosse garantida a visibilidade. Solução, retirar os contentores do lixo de cima da passadeira e abolir dois ou três estacionamentos. Mas abolir, não é suficiente, pois aqui justificavam-se a colocação de pinos ou outra solução que impossibilitasse mesmo o estacionamento.
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Logo a seguir a passadeira do cemitério no início do viaduto. Esta embora sinalizada com sinalização vertical, os condutores só se apercebem da passadeira quando estão em cima dela, pois está localizada a seguir a uma lomba que lhe tira toda a visibilidade. (notem que me refiro a estes pormenores e problemas estando a pensar em condutores não habituais na cidade, pois nós flavienses já temos mais ou menos estes pontos localizados. Mas a cidade está aberta para todos as ruas não são só para flavienses). Aqui a solução é complicada. Penso que o melhor era mesmo abolir esta passadeira ou então ser assinalada com lombas e pinturas de aviso prévias.
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No final deste viaduto, junto ao hospital. Aqui não existe qualquer passadeira, quando no meu entender deveriam existir duas, ou pelo menos uma, a da saída do estacionamento.
 
Em frente ao Hospital. Mais um caso em que a duplicação de passadeiras com distância entre elas de apenas 10 metros só complica. Uma passadeira era suficiente, nem que a solução passe pela união das duas e se faça uma mega passadeira.
 
Passadeiras da Rua de Stº António, troço desnivelado. Será que aqui existem passadeiras!? Sinalização não existe e será que a mudança do tipo de pedra serve como passadeira? Qual o tipo de pedra que vale como passadeira? Aqui a solução para mim seria drástica, aliás defendida por muitos flavienses, senão pela maioria (tirando os comerciantes que nunca sabem o que querem, e onde a palavra do comerciante tradicional costuma valer mais que a do cliente, quando penso que deveria ser precisamente o contrário, pois comércio sem clientes…). Pois aqui a solução seria pura e simplesmente fechar toda a rua ao trânsito automóvel e nivelar a rua.
 
Passadeiras do Carlton. Penso que com uma passadeira a meio do pequeno troço da rua evitaria os atropelamentos na passadeira à saída do Bacalhau, pois para o condutor esta passadeira está em cima de uma curva num passeio muito movimentado.
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E poderia continuar por aí com mais algumas passadeiras, algumas que conheço e outras que por raramente lá passar não conheço a sua realidade.
 
Embora termine por aqui, penso que este assunto é muito sério, pois não só está em risco a integridade física e até a própria vida dos peões, como também as culpas ou não culpas do condutor estão em caso, mas o mal recai sempre sobre a vitima, que é quem sofre as consequência. Um pouco mais ou aliás, muita mais atenção por parte das entidades responsáveis, é necessária e urgente. As passadeiras deveriam ser repensadas e até, porque não, criar-se um gabinete ou uma espécie de provedor das passadeiras onde a nossa integridade e vida seja cuidada.
 
E termino por aqui o meu lamento sobre as passadeiras, como peão, pai de crianças e condutor e também referir uma coisa que neste como em todos é importante: Civismo, formação e respeito pelos outros, também cai sempre bem e evitaria muitos males deste nosso viver em conjunto e sociedade.
 
Até amanhã numa aldeia onde não sofrem tanto estes males de cidade.
 
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publicado por Fer.Ribeiro às 04:05
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1 comentário:
De AquaeFlaviae a 19 de Novembro de 2007 às 19:42
É verdade que muitas vezes ver com olhos de ver, acarreta grandes responsabilidades para quem tem a coragem de o fazer.
Mas é preciso reconhecer que fez um bom trabalho. E é mesmo esta a obrigação de um bom cidadão... preocupar-se não só consigo mesmo, mas também com os outros.
Parabéns pela preocupação em tentar melhorar a cidade de Chaves, e sobretudo torná-la agradável e segura a todos aqueles que a visitam.
CHAVES e os FLAVIENSES seguramente agradecem.


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