Sexta-feira, 11 de Janeiro de 2008

Lamento das Sextas - O Nosso Turismo.

 

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No final do ano anunciei aqui que as Sextas-Feiras dos lamentos iriam terminar e seriam substituídas por “discursos sobre a cidade” de vários autores. O prometido é devido, mas desde a ideia à prática, é necessário um certo tempo. Já há alguns autores, mas possivelmente só em Fevereiro é que os “discursos sobre a cidade” começarão a passar por aqui. Até lá, vou ter tempo ainda para alguns lamentos.
 
Às vezes, enquanto procuro posição na almofada para dormir, vou pensando na nossa cidade. Com uma história invejável e com referências físicas de pelo menos 2000 anos, como é a nossa Top Model Ponte Romana, com uma importância estratégica e militar que sempre teve (castelos e muralhas demonstram-no bem), geográfica e fisicamente situada quase num oásis entalado por montanhas, com um vale rico, água a correr nas fontes e um rio a beijar o vale, agua quente termal que sempre despertou e prendeu povos ao longo da história (prova disso as recentes termas romanas descobertas nos trabalhos de arqueologia do arrabalde) e como se isto nas bastasse ainda temos um rico património religioso espalhado por várias igrejas românicas, capelas e capelinhas de todos os tempos, um rico património em arquitectura solarenga e senhorial além das construções mais humildes e rurais de granito espalhado por todo o nosso concelho rural, muitas tradições ligadas ao campo, ao artesanato e à religião, uma gastronomia farta e rica com base em muitos pratos populares e enchidos, além da fama do presunto (lamento da última sexta-feira), ricas e variadas paisagens naturais compostas por todo o amontoado de serras e montanhas, pequenos vales e planaltos, pesca e caça e, para finalizar, estrategicamente localizados como uma zona comercial regional de excelência.
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Ou seja, temos de tudo que há para ter para sermos um rico concelho turístico, ligado também a uma rica região turística por excelência, onde os concelhos do alto Tâmega, dada a sua proximidade, além de concorrentes poderiam ser um complemento também rico ao nosso turismo. Uma região para competir com qualquer das nossas regiões de turismo mais ricas que atraem pessoas, como o Algarve (por exemplo), mas para outra gama de turistas e outro tipo de turismo que também tem muitos adeptos, além de nós termos o extra que poucos têm do termalismo e das riquezas naturais.
 
E estou chegado ao lamento de hoje que vai precisamente para as entidades responsáveis pelo nosso turismo.
 
Há dias armei-me e disfarcei-me de turista e fui ao posto de turismo perguntar o que havia de interesse na cidade e na região. Como resposta deram-me um mapa da cidade, uma pequena revista, e um panfleto fotocopiado com um circuito (em palavras) pelos nossos 10 pontos mais importantes e interessantes da cidade. O mapa vai servindo de alguma orientação e dá uma ideia da cidade no seu todo, mas peca por não ter um destaque devido para o centro histórico e para os tais 10 pontos mais importantes destacado no panfleto que distribuem com anexo, além de não fazer qualquer referência complementar àquilo que vamos tendo de melhor. Quanto à revista com o turismo da região é simpática, com fotografias apelativas e interessantes, uma publicação com alguma qualidade, mas que lhe falta a definição de alguns circuitos e roteiros turísticos, mas serve como um resumo da região. Quanto ao panfleto fotocopiado, embora tenha alguma informação resumida sobre os tais 10 pontos de interesse de Chaves, peca em tudo o resto, pois é graficamente pobre, não atractivo nem apelativo, muito texto e letra miudinha só legível por um bom par de olhos.
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Se fosse um turista a sério, talvez visse um pouco do centro histórico, uma visita ao castelo, com sorte talvez descobrisse o museu, e com muita sorte descobria a ponte romana e talvez desse por aí como concluída a visita. Para comer, aventurava-me ao caminho à procura de um restaurante de estrada.
 
Pouco mais é do que isto o nosso turismo e, sem querer apontar o dedo e as culpas a alguém, pois não sei se o culpado é o governo de Lisboa, que tão ocupado anda com números e em querer fazer figura na Europa dando nome aos tratados, ou à procura de um lugar para o aeroporto, se esquece destes pequenos tesouros turísticos. Não sei se a culpa é da Comissão Regional de Turismo, que por falta de meios, dinheiro ou iniciativas e visão, nem se percebe que exista, ou se de outras entidades, incluindo a Câmara e até os privados da terra, que os de fora, já algum tempo que descobriram por aqui o interesse comercial, pelo menos a julgar pelas grandes e médias superfícies.
 
Tenho esperança que ao menos o casino, que ao que parece tem inauguração marcada para o próximo dia 19, com a dinâmica que lhes é associada, traga algum proveito turístico para a cidade. Até lá, vamos vendo alguns (poucos) turistas à descoberta de Chaves cidade e por conta própria, sem se aventurarem na descoberta do nosso concelho rural e , ainda pode ser que partam com uma boa impressão de Chaves se tiverem a sorte de descobrirem um dos nossos bons restaurantes, pelo menos partem de barriguinha regalada
 
Até amanhã, numa das nossas aldeias.
 
 
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publicado por Fer.Ribeiro às 03:05
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2 comentários:
De Salvador Silva a 11 de Janeiro de 2008 às 15:14
Boa, Fernando. Estas coisas são mesmo para se dizerem e nunca é demais denunciá-las. Um abraço amigo. Salvador Silva


De Salvador Silva a 11 de Janeiro de 2008 às 21:34
Caro Fernando, volto à carga ainda a propósito do "lamento" da semana passada, sobre o presunto. "Descobri" a existência de uma produção certificada em Gimonde - Bragança. PRESUNTO BÍSARO TRADICIONAL (Produto da
Terra Fria Transmontana). Sei que não é o Presunto de Chaves, mas é Transmontano e com origem na mesma matéria-prima (o porco bísaro) como sabe. Será talvez uma tentativa para manter uma tradição. Pode, eventualmente, ser um incentivo para Chaves seguir o exemplo. Um abraço amigo. Salvador Silva.


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