Sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2008

Discursos Sobre a Cidade



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Texto de Blog da Rua Nove

 

 

Chaves é, para mim, uma cidade de mistérios e de sonhos. Uma cidade de fugazes visitas, durante a minha infância, e de intermináveis descobertas durante a adolescência.

 

Uma cidade por onde ainda hoje pairo, estendendo o olhar ansioso pelos telhados abaulados de antigas casas, movendo-me nostalgicamente por entre a meia-dúzia de sinuosas ruas medievais, lamentando que a cidade velha seja, afinal, tão alinhada, tão ordenada e tão clara na sua malha urbana. Porque esta cidade, a minha cidade, continua a ser uma cidade de vielas, de becos e de ilhas emaranhadas, de ruas nunca percorridas, de mundos sonhados e vidas nunca vividas.

 

Uma cidade feita da memória de pátios interiores que poucos conhecem, de quintais e jardins escondidos, de velhas chaminés industriais, esquecidas e ameaçando ruína, de cata-ventos a culminar clarabóias recortadas contra a linha escura e omnipresente do Brunheiro, eterna guarda-avançada das terras de Montenegro.

 

Uma cidade que escapa a quem vê apenas as fachadas baixas da Rua do Olival, as cantarias desenhadas a luz e sombra da Rua de Santo António, as sacadas de ferro forjado da Rua de Santa Maria ou a elaborada estrutura em madeira que sustenta as vidraças de algumas janelas da Rua Direita. Uma cidade que ainda se estende até ao campo descendo pela Rua Verde e atravessando logo ali o Ribelas, numa vereda esquecida que serpenteia entre quintas e leva até Santo Amaro, ou então passa o Tâmega e se perde depois nos inúmeros caminhos da veiga.

 

Uma cidade sem os grasnidos ou a mancha escura dos corvos de Évora e do Alentejo, antes com a mancha fugidia dos pardais que se reúnem às dezenas no fim de uma longa tarde de verão, chilreando sem parar, sob as folhas de uma velha e solitária palmeira. Uma cidade cujos silêncios transparentes se estendem pelas longas noites de inverno, se diluem nos vapores das Caldas e se solidificam, brancos e estaladiços, nas geadas, sempre surpreendentes, de uma manhã que parece igual às outras.

 

Chaves é, ainda, a cidade impossível. Aquela que conserva a ternura do nosso passado, os carinhos da nossa infância, a alegria que deixámos de sentir. Aquela que conserva muito do que poderíamos ter feito e não fizemos. Aquela que se nos mostra como a cidade que existe eternamente dentro de cada um de nós, cristalizada no tempo e no espaço. E aquela que, apesar de tudo, já não existe.

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publicado por Fer.Ribeiro às 00:00
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1 comentário:
De João Martinho a 15 de Fevereiro de 2008 às 03:46
O blog da Rua Nove também tem a sua pinta.... a imagem desse mesmo ser ilustre desta mesma cidade que é uma das poucas coisas que nos une a todos nós esse senhor do qual não sei o nome, Amigo Fernando temos outro blog com pinta de artista, O que eu quero mesmo saber é onde fica a rua que quão ilustre Flaviense abita lol
A pinta duns os devaneios de outros os divagares de outros e assim se faz a vida nesta pacata terrinha que é nossa, quando fala da cidade estar igual ai h à que olhar para o Antigo Largo das Freiras e dizer, opinar acerca da piscina que là fizeram, (ja vi lá gente a tomar banho) mas falando das pessoas (sabem a quem me refiro de certeza ) que destroem a cidade Flaviense a nossa terra, vamos olhar também para o Palácio da justiça onde apareciam por vezes em dias de festas uns grupos musicais " Eu jà là vi o Tio Quim là a actuar " ( o nosso Quim Barreiros), o buracão que fizeram naquela praça, onde também paravam os julgados que vão de encontro à punição... aí esta nossa terra...

Oh Chaves, não te apagues...

Senhores Governantes estou de olho em vocês !!!

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