12 anos
Domingo, 17 de Fevereiro de 2008

Vilarelho da Raia - Chaves - Portugal


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Ainda há dias dizia que nem todas as aldeias de Chaves são aldeias de montanha. Pois aqui temos um bom exemplo de uma aldeia de vale. Vale sim, mas não é o vale de Chaves, ante os vale galego de Monterrei, ou de Verin, Ou de Oimbra, não sei. Sei que já é vale galego, não estivesse Vilarelho da Raia “plantada” mesmo em cima da fronteira.

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Vilarelho da Raia é sede de freguesia à qual pertencem as aldeias de Cambedo, Vila Meã e Vilarinho da Raia. Tudo aldeias de fronteira.

 

Quanto a população (dados para a freguesia), segundo o Censos de 2001, tinha 619 habitantes residentes, 255 famílias e 509 alojamentos. Comparativamente com 1981  e em termos de população, apenas perdeu 100 habitantes em relação a esta última data. Ou seja, até aqui se nota que não é uma aldeia de montanha, mas que mesmo assim, a maioria da sua população é envelhecida.


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Distribuída por 15,65 km2 e por terras essencialmente agrícolas e alguma floresta, com predominância do pinheiro, carvalho, cereais e vinha. A agricultura é praticamente a única actividade da aldeia, mas nem sempre foi assim, pelo menos até a abolição das fronteiras, pois como qualquer terra de fronteira que se preze, Vilarelho teve os seus destinos ligados aos caminhos do contrabando. Ainda ontem, quando visitei a aldeia, comentava em tom de brincadeira com o meu cicerone, que antigamente só havia duas classes profissionais em Vilarelho, os ontrabandistas e os Guardas Fiscais. Claro que não era bem assim, mas era quase. Aliás Vilarelho da Raia está referenciada como uma das terras dos caminhos do contrabando.

 

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Quanto à sua história e olhando às inscrições das datas nas padieiras das portas, quase todas do Séc. IXX e algumas do Séc. XVIII somos levados a crer que a aldeia será dessa data. Aliás a maioria das construção do seu núcleo são mesmo dessas datas, mas tudo indica que a aldeia é povoada desde a romanização como o seu topónimo sugere, existindo mesmo nos arredores numerosos vestígios dessa cultura destacando-se entre eles uma sepultura, uma ara dedicada a Aipiter Optimo e cerâmica muito variada.

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Vilarelho e as restantes aldeias da freguesia,  também desde sempre desempenhou um papel muito importante na defesa da região e do país sempre que foi invadida. Foi muito sacrificada durante a Guerra da Restauração, saqueada, assaltada e incendiada. mas sempre lutadora e fiel à bandeira portuguesa.

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No centro da aldeia ergue-se a Igreja paroquial, reconstruída em 1698 depois de um incêndio, como consequência das lutas na Guerra da Restauração. Tem por patrono Santiago e perto dela eleva se um artístico cruzeiro, também de linhas barrocas.


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A segunda Invasão Francesa, comandada por Soult, também foi precisamente por Vilarelho que conseguiu entrar em Portugal. Valentes sim, mas poucos para conseguirem impedir que as tropas de Soult entrassem no nosso país.

 

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O seu aglomerado habitacional mostra bem os longos anos de tradicionalismo rural no tipo de construção das suas habitações com varandas expostas ao sol e pátios com entradas carrais para alojamento e protecção de todas as alfaias agrícolas.

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No povoado existem ainda a capela do Senhor das Almas que é muito simples com a sua galilé igualmente simples e a capela da Senhora das Neves que foi edificada em 1711 e depois, deslocada em 1990, para dar lugar à construção de um parque infantil e um campo de ténis, mesmo ali onde Vilarelho termina e a Galiza começa.

 

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Aliás, embora a fronteira ainda exista como delimitação de terras espanholas e terras portuguesas, no local essa separação não é perceptível. Apenas quem for com muita atenção se dará conta do marco, ou dos marcos que separam o reino de Espanha da República Portuguesa. Quanto ao cultivo de terrenos, há galegos que cultivam terras em território português e portugueses que cultivam terras em território galego. Há até a curiosidade já chamada à televisão por José Hermano Saraiva da oliveira que está plantada em solo galego e dá azeitonas em território português e para Portugal (numa das fotos está a famosa oliveira). Curioso também é que mesmo junto à estrada onde passa a linha de fronteira, o terreno (da oliveira) em terras de Espanha é cultivada por um português e do outro lado da estrada, em terras de Portugal, o terreno é cultivado por um Galego. São as tais promiscuidades que eu referia em tempos no Cambedo (Maquis) e que se repetem por todas as aldeias raianas.

 

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Quanto a equipamentos, já se referiu o Polidesportivo. Além disso recentemente a Santa Casa da Misericórdia de Chaves e Boticas instalou aí um Centro Comunitário de assistência social. Esta aldeia sempre demonstrou um grande interesse em actividades histórico culturais possuindo mesmo um belo edifício de construção também recente, com equipamento e um importante Museu onde funciona também a sede do Centro Social Cultural e Desportivo.

 

Como zona de fronteira possuía um Posto da Guarda-fiscal que depois foi transformado num Jardim de Infância e que hoje está fechado.


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Nos arredores da aldeia e em pleno vale, encontra-se a Fonte da Facha onde brotam umas águas minero-medicinais de grande valor terapêutico. Foram objecto de estudo científico e motivo de empenho na sua exploração para desenvolvimento da região onde se situam. Penso que a concessão da exploração dessas águas foi entregue à empresa que explora também as Águas de Carvalhelhos, no entanto e por motivos que desconheço as águas continuam desaproveitadas. As características destas águas são idênticas às de Vidago e Pedras Salgadas.

 

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E ainda antes de entrarmos nos “finalmentes” um referência aos três grandes bairros da aldeia, ou sejam, como quem desce, o Bairro de Cimo de Vila, o Bairro do Meio do Povo e o Bairro do Campo que todos eles se desenvolvem ao longo de uma das duas ruas principais da aldeia, pois a outra é a que vem de Chaves em direcção ao Cambedo e cruzam-se, como não podia deixar de ser, no largo principal junto ao cruzeiro.

 

Quanto a festas e embora a capela do Campo seja de dedicação à Nossa Senhora das Neves e a igreja de devoção a Santiago, a festa é em honra do Sr. das Almas e realiza-se em finais de Agosto embora o dia seja o primeiro Domingo de Setembro.

 

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Gostaria de falar ainda das tradições, em especial de uma: a da Calheia dos Namorados, tal como gostaria de vos deixar aqui muitas mais fotos, mas ficará para uma segunda oportunidade, pois motivos de interesse não faltam em Vilarelho da Raia. 

 

E agora vamos à hospitalidade da aldeia. Tal como no Cambedo, a hospitalidade de Vilarelho é muito perigosa, ou seja, é terra de gente amiga que tem boas adegas com vinhos ainda melhores. Claro que mesmo acompanhados da respectiva bucha que pode ir do presunto, aos queijos, azeitonas bem curadinhas e outras coisas que tais, o vinho é do bom (muito bom), aprecia-se e convida a ser bebido. Se não nos ficarmos pela prova, corremos o risco de dotar a estrada municipal de regresso a Chaves em via dupla e virtualmente com características de auto-estrada. O problema é que não deixa de ser uma Estrada Municipal, e ainda por cima estreita. Embora tenhamos pena, convém não passar além da prova numa qualquer adega que espreita para nós, principalmente se formos condutores.

 

E vamos aos créditos.

 

O meu cicerone de serviço foi um já velho amigo que embora viva no Porto não dispensa uma visita às suas terrinhas do coração. Cambedo e Vilarelho, porque afinal ele é das duas aldeias. A adega o vinho, presunto e azeitonas, mesmo ao lado de uma curiosa mina foram de uma quinta quase museu rural, com muito milho rei e muitas alusões azuis e brancas e, que embora tenha o reino de Espanha mesmo ao lado nada têm a ver com a monarquia, mas antes com a bola.

 

Os créditos de hoje vão então, para além da própria aldeia e dos seus resistentes, para o Manuel Calvão Pires e para o João Sanches aos quais agradeço a companhia e hospitalidade.

 

Até amanhã, de volta à cidade.

 

 

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publicado por Fer.Ribeiro às 03:56
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11 comentários:
De João Martinho a 17 de Fevereiro de 2008 às 04:34
Bem. fala-se de Vilarelho fala-se do 33( Um grande amigo de infância , o André ) vou escrever que a aldeia em questão tem uma festa da localidade muito porreirinha, lembro-me também que uma altura fui lá com uns amigos num grupo que fundamos tocar cavaquinhos e lançar uns fadinhos , viva Trás-os-Montes .... mais uma aldeia típica esta quase espanhola mas vai-se bem pois "temos orgulho em ser Flavienses" "temos orgulho em ser transmontanos" e "temos orgulho em ser Portugueses"
ate amanha


Com Chaves
Por Chaves


De Lai Cruz a 17 de Fevereiro de 2008 às 11:48
Recordo com muita saudade aqueles dias de festa, onde eu e um grupo de amigos marcavamos presença em Vilarelho.
Momentos fantásticos, a turminha também ajudava.


De Thereza Martins a 25 de Março de 2008 às 14:21
Caros amigos!
Meus antepassado nasceram neste Vilarelho e há tempos estou a procura de algum parente. Moro no Brasil, Rio de Janeiro, e meu avô chamava-se Abílio, nasceu em 1909 e seus pais chavam-se João Baptista de Souza e Maria da Guerra. Alguém sabe alguma informação? Aguardo notícias.
Saudações.
Thereza


De Thereza Martins a 25 de Março de 2008 às 16:33
Oi, meu e mail: tcc_martins@yahoo.com.br


De celine a 17 de Agosto de 2008 às 15:33
vilarelho è a terra daa minha familia dos meus futuros filhos e terra do meu coracao tenho tantas saudaes dela


De Simone Fontenelle Marques a 9 de Fevereiro de 2009 às 16:46
A falia de minha avó é de Vilarelho da Raia e gostaria de saber se existe algum contato da família Branco.
O nome de minha bisavó era Maria Assumpção Rodrigues Branco e ela nasceu em 5 de abril de 1901. O nome da mãe de minha bisavó era Maria Teresa Batista Branco.
Aguardo alguma indoemação.
Obrigada,
Simone


De Nuno Sanches a 3 de Fevereiro de 2010 às 22:19
Adoro Vilarelho.



De Anónimo a 10 de Fevereiro de 2010 às 18:14
http://vilarinhoderaia.webnode.com.pt/


De Anónimo a 21 de Fevereiro de 2012 às 17:18
aldeia da mha infancia onde aprendi a ser parte da pessoa que sou hje onde fui felix e da qual guardo o melhor que ela deu ela guarda de mim bem haja


De Amilton Amorim a 7 de Abril de 2012 às 20:59
Conheci esta aldeia em 2004 e adorei! Foi lá que nasceu meu avô José Amorim e lá ainda vivem descendentes da família Amorim! Ainda voltarei !


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